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iNDICADORES
eDUCACIONAIS
EM FOCo
2012/09 (Novembro)
dados da educação evidências da educação políticas da educação análises da educação estatísticas da educação
Como o tamanho das turmas varia ao redor do mundo?
Nos países da OCDE, o tamanho médio das turmas de ensino fundamental é de 23 alunos, mas há
uma diferença significativa entre os países, variando entre mais de 32 alunos no Japão e na Coreia
até 19 alunos ou menos na Estônia, Islândia, Luxemburgo, Eslovênia e Reino Unido.
O tamanho das turmas, juntamente com o tempo de aula que os alunos recebem, a carga horária e
o salário dos professores, representa uma das principais variáveis que os formuladores de políticas
podem usar para controlar os gastos com a educação. Entre 2000 e 2009, muitos países investiram
recursos adicionais para diminuir o tamanho das turmas; entretanto, isso resultou em melhor
desempenho para apenas alguns poucos alunos.
Reduzir o tamanho das turmas não é, por si só, política suficiente para alavancar um melhor
desempenho do sistema educacional, pelo contrário, essa medida é menos eficiente do que
melhorar a qualidade do ensino oferecido.
Nas séries finais do ensino fundamental, o tamanho das turmas
difere significativamente entre os países da OCDE e em outros países do G20…
O tamanho da turma ainda está em primeiro plano na agenda política e educacional das escolas, distritos
escolares, conselhos escolares, formuladores de políticas educacionais, pais e outros interessados. Na verdade,
o tamanho da classe é um fator que pode influenciar a escolha dos pais ao optar por uma escola em detrimento
de outra. A organização em turmas menores é geralmente vista como uma forma de permitir que os professores
passem mais tempo com cada aluno e menos tempo organizando a turma, o que proporciona melhor ensino,
adaptado às necessidades individuais dos alunos, e assegura um melhor desempenho. Nesse contexto, o tamanho
da turma pode ser visto geralmente como um indicador da qualidade do sistema educacional.
Nos países da OCDE que possuem dados comparáveis, o tamanho médio das turmas nas séries iniciais do ensino
fundamental varia de 20 alunos ou menos, em países como Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Luxemburgo,
Eslovênia, Suíça (instituições públicas) e Reino Unido, até mais de 34 alunos, como na Coreia.
O contraste é ainda maior em alguns países do G20 que forneceram dados (ex. Argentina,
Brasil, China, Indonésia e Rússia); na China, por exemplo, o número de alunos por
turma atinge a marca de 50 estudantes (ver Indicador D2, OCDE, 2012).
Vale a pena notar que as turmas tendem a ser menores na educação
primária e que o número de alunos por classe cresce o dobro ou
mais entre as séries iniciais e as séries finais do ensino fundamental.
Essa tendência se intensificou entre 2000 e 2010, particularmente entre
os países que possuíam turmas maiores, como o Japão e a Coreia.
Indicadores Educacionais em Foco – 2012/08 (Novembro) © OCDE 2012
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INDICADORES EDUCACIONAIS EM FOCO
dados da educação evidências da educação políticas da educação análises da educação estatísticas da educação
Tamanho médio das turmas nas escolas, por nível educacional (2010)
Educação Primária
Ensino fundamental (séries finais)
Número de alunos
por sala de aula
60
50
40
30
20
Bélgica(Fr.)
Turquia
Irlanda2
Suíça2
Rússia
Estônia
Reino Unido
Eslovênia
Luxemburgo
Islândia
Finlândia
Dinamarca
Itália
Eslováquia
Hungria
República Tcheca
Grécia
Áustria
Portugal
Polônia
Estado Unidos
média da OCDE
Espanha
Austrália
França
México
Alemanha
Brasil
Argentina1
Chile
Israel
Corea
Japão
China
0
Indonésia
10
1. Ano de referência 2009, ao invés de 2010.
2. Somente instituições públicas.
Os países estão classificados em ordem decrescente do tamanho médio da classe no ensino fundamental.
Fonte: OCDE. Argentina, China, Indonésia: Instituto de Estatísticas da UNESCO (World Education Indicators Programme). Tabela
D2.1. Ver anexo 3 para notas (www.oecd.org/edu/eag2012)."
Três indicadores usados no Education at a Glance:
Tamanho da turma, tamanho estimado da turma e proporção aluno/professor
O tamanho da turma é calculado dividindo-se o número de alunos matriculados na escola pelo número
de turmas. É necessário notar que o tamanho da classe é difícil de ser definido, quando o ensino é
organizado em grupos menores que variam de tamanho de acordo com as matérias estudadas. No ensino
médio, em que os alunos podem frequentar várias turmas dependendo da área temática, a medição
e comparação do tamanho das turmas devem ser realizadas com muito cuidado. Portanto, esse artigo
concentra-se no ensino fundamental onde os alunos são mais frequentemente agrupados na mesma sala
de aula.
O tamanho estimado das turmas é uma representação utilizada para avaliar o número de estudantes
para cada professor. O tamanho estimado das turmas leva em conta o número de horas dadas pelo
professor e recebidas pelo aluno.
A proporção entre o número de alunos e o corpo docente (razão aluno/professor) é um indicador
importante do nível de recursos empregados na educação. Ela é obtida pela divisão do número de alunos
em tempo integral de um determinado nível educacional pelo número de professores em tempo integral
nesse mesmo nível em instituições de ensino similares.
O tamanho estimado da turma = razão aluno/professor *(número de horas recebidas pelos alunos/
número de horas dadas pelos professores).
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© OCDE 2012 Indicadores Educacionais em Foco – 2012/08 (Novembro)
INDICADORES EDUCACIONAIS EM FOCO
dados da educação evidências da educação políticas da educação análises da educação estatísticas da educação
A diferença entre as instituições públicas e privadas não confirma a crença comum de que escolas
particulares possuem turmas menores. Em média nos países da OCDE, há no máximo um aluno a mais
por classe nas escolas públicas, se comparado com as instituições privadas, no ensino fundamental.
No entanto, a disponibilidade de recursos pedagógicos para os alunos (medida pela proporção entre o
número de alunos por professor, ver Box 1) é levemente mais favorável em instituições privadas do que
em intituições públicas. Isso é particularmente notável no México, por exemplo, onde há cerca de 17
alunos a mais por professor na escola pública, se comparada com a escola privada no nível fundamental.
Reduzir o tamanho das turmas e aumentar o salário dos professores foram duas das
principais medidas tomadas pelos países da OCDE nas últimas décadas...
Entre os anos 2000 e 2010, o aumento do custo dos professores por aluno foi em grande parte influenciado
por mudanças no salário dos professores e no tamanho estimado das turmas: nesse intervalo de tempo, o
salário dos professores aumentou, em média, cerca de 14% nas séries finais do ensino fundamental, enquanto
o tamanho estimado da turma diminuiu, em média, cerca de 7%.
O tamanho estimado da classe, juntamente com o salário dos professores, horas de aula recebidas pelos alunos
e horas de aula dadas pelos professores, é um dos principais fatores do custo dos professores (veja a definição
abaixo) e, consequentemente, da quantidade de recursos gastos com a educação. Com o intuito de controlar
o orçamento, os governos têm que enfrentar vários trade-offs na tomada de decisões e podem associar essas
variáveis de diferentes formas, o que explica porque os dados da OCDE não estabelecem uma relação significativa
entre o gasto por aluno e o resultado médio da aprendizagem nos países. Entre os vários fatores mencionados
acima, o tamanho estimado da turma é considerado o segundo fator que mais influencia o custo dos professores
por aluno, depois do salário (ver Indicador B7, OCDE, 2012).
O custo dos professores por aluno é calculado com base nos salários dos professores, no número de horasaula recebidas pelos alunos, no número de horas-aula dadas pelos professores e no tamanho estimado da turma.
Mudanças do tamanho estimado da classe no ensino fundamental entre 2000 e 2010.
2010
Tamanho estimado da classe
2000
40
30
20
Itália (9%)
México (6,2%)
Holanda (4,6%)
França (3,4%)
Dinamarca (0,8%)
Noruega (-1,9%)
Islândia (-2,3%)
Média da OCDE (-6,8%)
Irlanda (-7,1%)
Austrália (-7,7%)
Alemanha (-9,8%)
Finlândia (-9,9%)
Estados Unidos (-13,2%)
Hungria (-13,8%)
Coreia (-17,7%)
Japão (-20,6%)
Áustria (-20,9%)
República Tcheca (-23,7%)
Espanha (-27,8%)
0
Portugal (-33,9%)
10
Obs.: Os valores entre parênteses perto dos nomes dos países correspondem à variação (em porcentagem) entre 2000 e 2010 no tamanho da turma.
Os países estão classificados em ordem decrescente de variação do tamanho estimado da turma no ensino fundamental, entre 2000 e 2010.
Fonte: OCDE. Tabela B7.1b. Ver anexo 3 para notas (ww.oecd.org/edu/eag2012).
Indicadores Educacionais em Foco – 2012/08 (Novembro) © OCDE 2012
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INDICADORES EDUCACIONAIS EM FOCO
dados da educação evidências da educação políticas da educação análises da educação estatísticas da educação
… e parece que aumentar a qualidade do ensino é, na maioria das vezes,
uma medida política mais eficaz do que reduzir o tamanho da classe.
Nos últimos anos, inúmeros fatores desencadearam uma redução no tamanho das turmas em muito países
da OCDE. Em alguns casos, isso foi resultado das mudanças demográficas e da diminuição do número de alunos,
enquanto, em outros casos, variáveis geográficas estavam em jogo. Também houve uma pressão pública
geral que partiu dos pais para diminuir o tamanho das classes. Entretanto, evidências da Pesquisa Internacional
sobre Pesquisa e Aprendizagem (TALIS) mostraram que, independentemente do tamanho da turma,
a falta de professores qualificados é uma grande preocupação em muitos países. Assim, em alguns países com
turmas de tamanho abaixo da média (22 alunos), como Áustria, Estônia e Itália, uma porcentagem significante
de professores trabalham em escolas onde foi relatado que a falta de professores qualificados prejudica
o ensino (ver quadro 2.5, OCDE, 2009).
Além do mais, entre os países com classes de tamanho acima da média (ver quadro 2.4, OCDE, 2009),
uma quantidade de diretores de escolas acima da média consideram que a falta de professores qualificados
prejudica o ensino, principalmente no México (64%) e na Turquia (78%). Em contrapartida, na Coreia,
outro país com classes de tamanho acima da média, apenas 19% dos professores trabalhavam em escolas cujo diretor
informou que a falta de professores qualificados prejudica o ensino, uma das mais baixas porcentagens entre os países
que participaram da TALIS.
Dessa forma, reduzir o tamanho das turmas não é suficiente para garantir melhorias na qualidade do sistema
educacional. Mas qual o impacto no desempenho dos alunos?
Além de otimizar os recursos públicos, reduzir o tamanho das turmas para aumentar o sucesso dos alunos é uma abordagem
que vem sendo testada, debatida e analisada há várias décadas. O tamanho da classe pode afetar o quanto de tempo
e de atenção um professor pode dar aos alunos individualmente, assim como o entrosamento entre os estudantes.
Entretanto, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) indica que os sistemas que priorizam o salário dos
professores, ao invés de turmas menores, tendem a ter um melhor desempenho, o que confirma a pesquisa que mostra
que aumentar o salário dos professores é uma medida mais efetiva para melhorar os resultados dos alunos. Os exemplos do
Japão e da Coreia são contundentes: esses dois sistemas educacionais, que mostram nível de gastos relativamente elevados
pelas instituições de ensino, tendem a priorizar o salário dos professores e não o tamanho das turmas. Os dois países possuem
um desempenho no PISA acima da média (ver Figura IV.3.7, OECD, 2010).
Para concluir: Em um período de crise econômica e achatamento do orçamento público,
enquanto análises dos dados da OCDE não estabelecem uma relação significativa entre gasto
por aluno e resultado médio da aprendizagem, os dados do PISA mostram que um maior
desempenho do sistema educacional está comumente relacionado à priorização da qualidade
dos professores ao invés de ao tamanho das turmas.
Visite:
www.oecd.org/edu
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Veja:
OCDE (2009), Creating Effective Teaching and
Learning environments: First Results from TALIS,
Publicação da OCDE.
OCDE (2010), Resultados do PISA 2009. O que
faz uma escola bem-sucedida? Recursos, Políticas
e Práticas (Volume IV), PISA, Publicação da OCDE.
OCDE (2012), Education at a Glance 2012:
Indicadores da OCDE, Publicação da OCDE.
OCDE (2012), Education at a Glance 2012:
Indicadores da OCDE, Publicação da OCDE.
Para mais informações, contate:
Elisabeth Villoutreix
([email protected])
Próximo mês:
Quais são os benefícios sociais
da aprendizagem?
Photo credit: © Ghislain & Marie David de Loss y/Cultura /Get t y Images
A qualidade da tradução para o Português e sua fidelidade ao texto original são de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Anísio Teixeira
– Inep, Brasil.
Disponível
em:(Novembro)
www.inep.gov.br.
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