A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Resumo No presente estudo, recorte de uma investigação mais ampla, busco visibilizar e problematizar a operacionalidade de determinados discursos sobre gênero e sexualidade na constituição da experiência de ser jovem aluna na contemporaneidade, em um grupo de estudantes de uma escola da rede pública de ensino. É importante referir que tais discursos são evidenciados, principalmente, por narrativas de familiares das alunas em questão e também são reiterados pelas alunas em suas próprias narrativas. Para tanto, apoio‐me nas perspectivas teóricas dos Estudos Culturais, dos Estudos de Gênero e nas análises de Michel Foucault. Inicialmente, apresento as perspectivas teóricas e metodológicas deste estudo. Posteriormente, destaco narrativas de alunas que visibilizam determinados discursos os quais operam na constituição da experiência de ser jovem aluna nos tempos atuais. Encerro este texto pensando que o estudo sobre as narrativas das alunas na contemporaneidade, bem como dos discursos que as constituem, apresenta‐se como um caminho profícuo para a compreensão das feminilidades contemporâneas. Palavras‐chave: Estudos Culturais ‐ Gênero‐ Discurso‐ Feminilidades Juliana Ribeiro de Vargas SMED/ Porto Alegre. UFRGS [email protected] X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.1 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas É, pois necessário estudar com cuidado o destino tradicional da mulher. Como a mulher faz o aprendizado de sua condição, como a sente, em que universo se acha encerrada, que evasões lhe são permitidas, eis o que procurarei descrever. Só então poderemos compreender que problemas se apresentam às mulheres que, herdeiras de um pesado passado, se esforçam por forjar um futuro novo. (Simone de Beavouir, 1967, p. 7) É possível pensar que nos tempos atuais ocorra uma maior permissividade sobre os comportamentos femininos no que tange as relações de desejo e afeto. As moças dos dias de hoje, de um modo geral não mais esperam, por exemplo, “a corte” de rapazes para demonstrarem interesse afetivo pelos mesmos. No entanto, em algumas de suas narrativas, as mesmas jovens que relatam ficar sem nenhum constrangimento com rapazes desconhecidos em uma festa, citam palavras de seus pais e mães para justificar determinadas opiniões. 1 As narrativas das jovens reiteram narrativas de seus pais, as quais podem ser relacionadas a discursos mais conservadores sobre o comportamento feminino, principalmente quando os mesmos abordam o exercício da sexualidade.2 Logo, pode‐se compreender que tais discursos, como afirma Beavouir na epígrafe, prestem‐se, ainda nos dias atuais, ao ensino da condição feminina, ou seja, daqueles comportamentos entendidos como (in)adequados para jovens e mulheres. O presente estudo, recorte de uma investigação mais ampla, tem como objetivo problematizar a operacionalidade de determinados discursos sobre gênero e sexualidade na constituição da experiência de ser jovem aluna em um grupo de estudantes de uma escola da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre. Para tanto, valho‐me dos aportes dos Estudos Culturais em Educação, dos Estudos de Gênero, em perspectiva pós‐ estruturalista, e também das teorizações de Michel Foucault. É preciso destacar que os discursos referidos têm como superfície de visibilidade as narrativas das estudantes em 1 O “ficar” envolve uma postura de intimidade em que beijos e abraços são permitidos, mas essa condição é efêmera; em geral, os “ficantes” não falam sobre a necessidade de assumir compromissos de fidelidade ou de reencontro. Conforme Flávia Rieth (1998, p.114) “o ficar contrasta com o namorar por ser uma relação que privilegia o presente ‐ ‘envolvimento passageiro’, que não pressupõe qualquer compromisso entre os ‘ficantes”. 2 Entendo narrativas de acordo com Rosa Silveira (2005, p. 198), “como um tipo de discurso que se concretiza em textos nos quais se representa uma sucessão temporal de ações”, o que, para Leonor Arfuch (2002), pode assumir diversas formas, tais como registros etnográficos e relatos de vida. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.2 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas questão, as quais são constituídas, entre tantos outros discursos, por narrativas de seus familiares, em especial, de suas mães. Busco em Foucault (2009) e em Larrosa (1994) o entendimento acerca do conceito de experiência, uma vez que para aquele: “[...] a experiência pode ser compreendida como a ‘correlação, em uma cultura, entre campos de saber, tipos de normatividade e formas de subjetividade.” (FOUCAULT, 2009, p. 10). Tal afirmação corrobora com as ideias de Larrosa (1994), quando o autor apresenta os processos de experiência de si como relacionados às diversificadas experiências culturais com quais os sujeitos têm contato. Para o autor, os repertórios de experiência de si são transmitidos no âmbito da cultura e, da mesma forma, os processos de subjetivação também são assim organizados. A partir dessas premissas, pode‐se pensar que a análise das narrativas das alunas, bem como dos discursos que são visibilizados pelas mesmas, como uma estratégia importante para a compreensão dos modos de constituição de experiência de si de tais jovens. Como pesquisadora e também docente entendo que o estudo sobre as feminilidades contemporâneas coloca‐se como uma temática complexa a ser mais bem analisada e compreendida pelos docentes, uma vez que os mesmos não sabem como agir quando, por exemplo, uma aluna de treze anos afirma possuir um piercing genital na frente dos demais alunos. No entanto, é preciso destacar que a mesma aluna que realiza tal afirmação, ao ser questionada sobre seus relacionamentos afetivos, afirma apenas “namorar meninos que sua mãe conhece”, uma vez que a mesma a proibiria de sair à rua se a enxergasse “de amasso com um desconhecido.”3 As questões de gênero e sexualidade já abordadas de certa forma, na década de 1990, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), no volume Pluralidade Cultural e Orientação Sexual e, hoje, nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCNE), promulgadas pelo MEC a partir de 2010, continuam desafiando a escola, uma vez que as teorizações e estudos sobre o tema ainda não oferecem, segundo os docentes, subsídios 3 As narrativas destacadas são de autoria de alunas participantes deste estudo e foram protagonizadas entre os meses de abril, maio e junho de 2012. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.3 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas suficientes para enfrentamento das situações vividas em tais instituições4. Para Claudia Maria Ribeiro (2008, p. 239) nossa herança cultural poderia responder em parte por esta dificuldade: Nossa herança cultural deixou impregnada em nossos corpos as relações entre o pecado e a carne; sexo e sexualidade restritos à genitalidade. A imposição de limites, de penalidades, de culpas reduziu a sexualidade ao que pode, ao que não pode, ao que é adequado e ao que é inadequado; ao que é normal e ao que é patológico. Apresento, nas seções seguintes as perspectivas teórico‐metodológicas assumidas neste estudo, bem como o entendimento de juventude como uma categoria plural. Posteriormente, destaco narrativas de alunas que visibilizam discursos sobre gênero e sexualidade e que operam na constituição da experiência de ser jovem aluna nos tempos atuais. Encerro este texto pensando que o estudo sobre as narrativas das alunas na contemporaneidade, bem como dos discursos que as constituem, apresenta‐se como um caminho profícuo para a compreensão das feminilidades contemporâneas. Aportes teóricos‐metodológicos: caminhos traçados Os Estudos Culturais e os Estudos de Gênero, em perspectiva pós‐estruturalista, constituem os aportes principais para o desenvolvimento do presente estudo. Como pontuam Nelson, Tricheler e Grossberg, (1995) o compromisso do campo dos Estudos Culturais refere‐se à análise das crenças, instituições e práticas comunicativas de uma sociedade, e também à compreensão das transformações e mudanças culturais da mesma. O diferenciado entendimento sobre a linguagem e a compreensão de que não é possível dispor de total controle acerca dos discursos, como afirma Veiga‐Neto (2002), apresenta‐se como mais uma das argumentações constituídas na perspectiva dos Estudos Culturais. Assim, a linguagem, espaço operativo de poder, torna‐se “[...] constitutiva do 4 Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento e na avaliação de suas propostas pedagógicas. Ver: Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14906&Itemid=866. Acesso em 01 de mai. 2014. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.4 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas social e da cultura e [...] se propõe a problematizar e explorar a indeterminação, a ambiguidade, a instabilidade, a multiplicidade e a provisoriedade dos sentidos que ela produz.” (MEYER e SOARES, 2005, p. 29). Compartilho com Hall (2006) a compreensão do sujeito como constituído de múltiplas identidades, uma vez que no campo dos Estudos Culturais pode‐se pensar que a identidade plenamente unificada como uma fantasia, pois as identidades assemelham‐se a ‘celebrações móveis’, (re)definidas historicamente. Compreendo também a noção de verdade, fundamentada em Foucault, utilizada por Costa (2004) na perspectiva dos Estudos Culturais, como uma argumentação profícua a fim de pensar a temática que busco analisar. Segundo a autora a ‘verdade’ ou a ‘realidade’ coloca‐se como resultante de construções discursivas, determinadas por epistemes situadas historicamente e imbricadas em relações de poder. Logo é possível pensar que as verdades instituídas acerca do comportamento feminino derivem de construções discursivas. Ainda é preciso destacar que muitos dos estudos filiados ao campo dos Estudos Culturais também valem‐se do entendimento de discurso próximo às perspectivas de Michel Foucault. Para o referido autor os discursos organizam, constituem os sujeitos e objetos aos que se referem. (Foucault, 1986), Logo, não podem ser compreendidos como um anúncio neutro de palavras e significados. Os discursos, para o autor são “[...] fragmentos de história, unidade e descontinuidade da própria história, que coloca o problema de seus próprios limites, de seus cortes, de suas transformações, dos modos específicos de sua temporalidade, e não do seu surgimento abrupto em meio às cumplicidades do tempo.” (FOUCAULT, 2007, p.132). A partir desta premissa, pode‐se pensar que os discursos são práticas organizadoras da realidade, a qual se difere nos distintos tempos e grupos sociais. Em suas diversificadas obras o autor em destaque problematiza os modos como os indivíduos constituem‐se como sujeitos e ainda, como tais sujeitos são assujeitados por determinadas verdades, por determinados discursos. É importante lembrar que esses discursos assumem o caráter de verdade em razão das condições históricas, as quais são diferenciadas nas distintas sociedades. A partir dessa premissa, ao fazer uso de uma perspectiva foucaultiana, entendo que a constituição da experiência de ser jovem aluna X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.5 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas pode ser problematizada frente às condições históricas que permitiram (ou não) sua emergência nas diferentes sociedades. Já os aportes dos Estudos de Gênero permitem‐me problematizar questões tais como a naturalização de comportamentos femininos a partir de determinadas características, as reduzidas possibilidades de participação social à disposição das mulheres ao longo dos tempos, e também, a submissão das mulheres frente aos ordenamentos masculinos. Frente ao conceito de gênero compreendo homens e mulheres como categorias constituídas para além das diferenciações biológicas, nas quais as caracterizações organizadas na cultura diferem em diferentes tempos e sociedades. Como afirma Joan Scott (1995) o conceito de gênero pode ser entendido como um elemento constitutivo das relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos e também como uma forma primária de dar significado às relações de poder. Ainda em consonância com as ideias de Scott (1995), Teresa de Lauretis (1994) compreende o conceito de gênero para além da associação entre as diferenças sexuais, uma vez que para a autora também tais diferenças não são universais, tampouco articuladas em razão de essências únicas. A partir de tais formulações, Lauretis (1994, p. 208) aproxima o referido conceito às teorizações de Foucault constituídas principalmente nos volumes da História da Sexualidade: [...] assim como a sexualidade, o gênero não é uma propriedade de corpos nem algo existente a priori nos seres humanos, mas nas palavras de Foucault, [relaciona‐se ao] ‘conjunto de efeitos produzidos em corpos, comportamentos e relações sociais’ por meio do desdobramento de ‘uma complexa tecnologia política’. É importante referir que o material empírico deste estudo decorre de observações participantes realizadas com um grupo de jovens alunas, estudantes de uma escola pública localizada em uma região de periferia da cidade de Porto Alegre, com idades entre treze e quinze anos. Além das observações, foram realizadas práticas de conversação com o referido grupo sobre temas diversificados, que tangiam a organização de seus comportamentos e atitudes. Valho‐me do termo conversação a fim de descrever os momentos em que as alunas apresentavam suas opiniões acerca das temáticas X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.6 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas abordadas. Manuel Jacinto Sarmento (2011) busca em Peter Woods (1987) a referência para pautar sua opção pelo uso do termo conversação em detrimento de entrevista, pontuando que em uma “[...] investigação etnográfica só faz sentido uma comunicação afável [...]”, na qual os indivíduos podem se manifestar como são (SARMENTO, 2011, p. 162). Juventude feminina: modos plurais de ser jovem mulher De acordo com a perspectiva dos Estudos Culturais, o conceito de juventude remete a ideia de categoria plural, fato que a afasta de um modo único para descrevê‐la e contextualizá‐la. Estudos como os de Carles Feixa (1999), Rosa Fischer (2001), Elisabete Garbin (2001) e Juarez Dayrell (2003) distanciam‐se das classificações etárias e descrições biológicas na contextualização da categoria juventude. Como afirma Rossana Reguillo (2003) a construção cultural da categoria ‘jovem’ estaria, na atualidade, em recomposição. Tal fato, porém, não significa que a juventude tenha permanecido imutável até os tempos atuais. Assim como a infância pode ser pensada na multiplicidade, a juventude pode ser percebida e descrita, a partir de variadas características. Para Dayrell e demais autores (2012) a juventude pode ser considerada uma categoria dinâmica, atravessada pelas mudanças e transformações que ocorrem ao longo da história nas diversas sociedades. O referido autor compreende também que tal categoria é marcada pela diversidade, expressa nas diferenças sociais e culturais que constituem as posturas dos sujeitos compreendidos como jovens. Neste estudo, faço uso da expressão jovens alunas a fim de nomear as estudantes participantes da investigação, compreendendo‐as como constituídas discursivamente, em consonância com determinadas condições históricas e sociais.5 Conforme ilustra Rita Severo, (2011) para alguns indivíduos a juventude pode ser 5 Destaco os estudos de Rita Basso Severo (2011) e Tatiane Meirelles (2011) no uso de determinadas expressões a fim de definir, de descrever melhor, os sujeitos de seus estudos. Enquanto essa última se vale do termo jovens mulheres a fim de focalizar determinadas estudantes e analisar as práticas afetivo/sexuais das mesmas, aquela denomina os alunos investigados em seu projeto de pesquisa de doutorado como sujeitos‐jovens‐alunos, com o objetivo de compreendê‐los como categorias constituídas historicamente, atravessadas por diversificadas práticas culturais. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.7 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas categorizada como um perfil de consumidor, como um estado de espírito ou até mesmo, como uma condição corporal. Tais fatos corroboram com a ideia de Beatriz Sarlo (2004) quando afirma que “a juventude não é uma idade, e sim uma estética da vida cotidiana” (SARLO, 2004, p.36)6. Logo, na atualidade, podemos encontrar em nossa sociedade, jovens de doze, vinte ou quarenta anos de idade 7. Não devo ter dedinho podre!‐ discursos que constituem modos de ser jovem aluna Em algumas de suas narrativas, as jovens alunas pesquisadas retomavam discursos familiares para fundamentar suas opiniões acerca de determinados temas, a exemplo das possibilidades e limites dos relacionamentos afetivos que as mesmas vivenciam ou pretendiam vivenciar. As estudantes demonstravam, em suas narrativas, o quanto a aprovação ou a desaprovação dos pais frente aos seus atos acabava por operar na organização de suas condutas. Mesmo aquelas que já vivenciavam relacionamentos amorosos descreviam o quanto a opinião dos pais era balizadora para a organização dos mesmos, tal como descreveu Isabely (13 anos): “Meu pai disse que pode me ver em qualquer lugar, menos de agarramento no meio da rua!”.8 Outras alunas também referenciam a opinião dos pais como condição para as possibilidades e proibições nos relacionamentos amorosos, como é possível verificar: Amanda: Não! A minha mãe sabe que eu fico com o John [...] Ela deixa a gente ficar conversando, mas aí ela pega e fala: “Tu quer namorar, tudo 6 Segundo levantamento realizado em 2009 pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery, o Brasil ocupa o terceiro lugar em número de cirurgias plásticas estéticas, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Fonte: http://www.rbcp.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1038. Acesso:18 maio. 2012. 7 Veiga‐Neto (2000) apresenta interessante discussão a respeito das diferentes categorias identitárias que poderiam ser associadas a compreensão de idade, afirmando que tal conceito não deve ser analisado afastado de outras categorias identitárias. Afirma o autor (2000, s/p): "O que interessa é como são inventadas as diferentes idades do corpo e, ao mesmo tempo, atribuídas tais idades a esse ou àquele corpo, bem como tudo isso é colocado em movimento não apenas para nos dizer quem somos — segundo um retículo de distribuições— e para que cada um se veja e se sinta dessa ou daquela maneira, mas também para que cada um aja disciplinadamente de acordo com o que se espera dos membros desse retículo". Fonte: http://www.lite.fae.unicamp.br/cursos/nt/ta5.12.htm. Acesso em: 24 maio. 2012. 8 Todos os nomes são fictícios a fim de preservar as identidades das alunas. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.8 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas bem! Mas não fica ‘te agarrando no meio da rua’, nas esquinas assim.” Ela prefere que eu fale para ela, do que eu faça escondido. Pesquisadora: Qual é o problema de ficar nas esquinas? Amanda: É que tipo depois, todo mundo passa e fica falando. Paula: É que te veem nas esquinas, “daí” ficam falando que tu já és... Entendeu? Vale destacar a presença da narrativa familiar na própria narrativa das alunas como fica evidente no excerto abaixo: Larissa: A minha mãe sabe que eu namoro, mas ela tem que saber com quem que eu “tô” namorando, se é a pessoa certa e quando que eu termino com ele, por que senão ela fica falando para eu não trocar de namorado como eu troco de calcinha. Pesquisadora: E o que tu acha disso? Quando a tua mãe fala que não é pra trocar de namorado que nem tu trocas de calcinha? Larissa: É que ela fala que seu eu trocar de namorado que nem eu troco de calcinha vão ficar me chamando de “galinha”, por que daí eu “tô” toda hora trocando de namorado e não paro com um só! Pesquisadora: Mas o que tu achas disto? Que não tem nada a ver ser “galinha”? Que tu pensas sobre isso? Larissa: Eu acho que a minha mãe tá certa! Porque depois aí fica feio, os outros estarem te chamando de puta, de “galinha”... Suzana: Minha mãe fala que não é para eu ter “dedinho podre.” Pesquisadora: "Dedinho podre"? O que é isso? Diana: É que escolhe os guris ruins... só os maconheiros, vagabundos. Ela diz que é para namorar com um guri de trabalha. Eduarda: Minha mãe sempre diz que pode ser feio, pode ser o que for, mas tu gostando dele e ela não sendo o que a Suzana falou.. não estudar assim, ser um marginalzinho Larissa: Que nem o João... eu tava namorado com ele e minha mãe ficou sabendo ela disse: Pode acabar com ele agora! Porque o irmão dele é "cadeeiero", tu sabes que ele fica toda hora com os guris. (envolvidos com o tráfico). É possível pensar que expressões tais como "não trocar de namorado como se troca de calcinha" e ainda, "não ter dedinho podre" reverberem discursos que determinam características diferenciadas para os relacionamentos afetivos para homens e mulheres. Para essas, as recomendações sobre a preservação do corpo e da moral X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.9 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas parecem ser, de modo natural, condições balizadoras para a organização de tais relacionamentos. Como fica evidente nas narrativas apresentadas pelas alunas, as quais são constituídas pelas próprias narrativas de suas mães, apenas as jovens devem modificar comportamentos a fim de não ficarem "mal faladas." É interessante destacar a força, a potencialidade de tais discursos, uma vez que os mesmos são compreendidos pelas alunas como verdades instituídas sobre o comportamento feminino e, por conseguinte, acabam por modular a experiência de ser jovem aluna nos tempos atuais. Como pode ser percebido na fala de Larissa, a reverberação de tais discursos nas narrativas familiares fortalece o caráter de verdade dos mesmos. Em suas palavras: "Eu acho que minha mãe está certa!" Também é interessante destacar que em suas narrativas, as jovens alunas condenam determinadas práticas quando as mesmas são exercidas pelas mulheres, a exemplo do número elevado de relacionamentos afetivos. No entanto, suas narrativas são permissivas ao exercício de tais práticas por homens, como é possível perceber: Pesquisadora: Essa “coisa” que falam, ficam chamando de sabonete, o que vocês acham disto? Paula: Eu acho ridículo! Porque a guria vai lá fica com um! “Daí” ela termina com esse e fica com outro. “Daí”, se elas ficam nas esquinas, todo mundo vai ver e comentar, e ela fica com fama de sabonete, que nem a ... (cita a colega). Ela já ficou com todos os guris da escola e sabe o que disseram pra ela? Tu passou da data de validade![...]. Se a mulher pega todos ela é vagabunda, se o homem pega todas, ele é pegador! Pesquisadora: Mesmo hoje em dia? Amanda e Paula: Mesmo hoje em dia! Pesquisadora: Guria que fica com muito guri é chamada de “galinha”... O que tu achas disto? Ingrid: Não sei, eu acho que não! É, dependendo...“Tipo”, vai passando de guri por guri e vai virando uma “galinha”. Karina: E vai ficando mal falada por todo mundo. Fany: Eu acho isso muito vulgar! Todos vão falar: essa “daí” todo mundo já pegou! Pesquisadora: E se um guri fizesse isso? Trocasse toda hora de namorada? Larissa: Daí não ter problema! [Para] as gurias é pior ficar mal falada pelos outros, mas para os guris não tem tanto problema assim. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.10 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas Mais uma vez fica evidente a presença de discursos que diferenciam as possibilidades para os relacionamentos afetivos entre homens e mulheres. Para as alunas acaba por ser condenável o comportamento das mulheres que vivenciam um número elevado de relacionamentos, uma vez que a mesma é descrita como vulgar. No entanto, para os homens, a troca de parceiras é compreendida como uma atitude permitida e ainda, valorada. O fato das alunas retomarem discursos familiares e de cunho moralista em referências às suas posturas, principalmente no que tange os relacionamentos afetivos pode ser percebido como a pluralidade que marca a constituição da experiência de ser jovem aluna na contemporaneidade. A maior parte das jovens alunas pesquisadas, mesmo dançando/cantando músicas que denotam práticas sexuais a exemplo das apresentadas por Mr Catra e pelo grupo Gaiola das Popozudas, acaba por descrever uma preocupação sobre a visibilidade de seus comportamentos quando esses referem‐se às questões afetivas.9 Fundamento minha afirmação nas narrativas das jovens alunas, as quais afirmaram depreciar fatos tais como a troca de carícias íntimas na frente dos demais e, inclusive, a troca constante de parceiro. Vale perceber aqui que não é contestado pelas estudantes o papel de protagonista nas relações afetivas, uma vez que nenhuma das mesmas manifestou alguma contrariedade em uma jovem pedir para “ficar” com alguém. Parece ser a visibilidade, o comentário alheio, aquilo que falam sobre suas posturas afetivas que acaba por lhes preocupar. Frente às narrativas das alunas aqui apresentadas é preciso compreender que as mesmas são constituídas a partir de discursos imbricados em relações de poder, os quais acabam por determinar as (im)possibilidades de vida de homens e mulheres. Tal como afirma Jeffrey Weeks (2010, p. 42): 9 Mr. Catra é o nome artístico de Wagner Domingues da Costa, funkeiro carioca. Conhecido artista de festas funks, Mr. Catra nasceu em uma favela carioca, mas foi criado por uma família de classe média alta do Rio de Janeiro. Na atualidade, tem relacionamentos públicos com diversas mulheres e assume a paternidade de vinte filhos biológicos. Produziu um documentário autobiográfico disponível na web desde 2010. Vide: http://www.youtube.com/watch?v=zG3oERMnIXo. Mr. Catra canta músicas como "Passa Nela" e "Tô com o cu pegando fogo". Acesso em: 01 jul. 2012. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.11 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas Nossas definições, convenções, crenças, identidades e comportamentos sexuais não são o resultado de uma simples evolução, como se tivessem sido causados por algum fenômeno natural: eles têm sido modelados no interior de relações definidas de poder. A potencialidade dos discursos: a guisa de conclusão [...] eu acho que discursos, na verdade, habitam corpos. Eles se acomodam em corpos; os corpos na verdade carregam discursos como parte de seu próprio sangue. (Judith Butler, 2002, p. 163) As palavras de Butler (2002) são profícuas para pensar como os diferentes discursos, a exemplo daqueles visibilizados neste texto, acabam por constituir a experiência de ser jovem aluna na contemporaneidade. Determinados discursos sobre gênero e sexualidade constituem permissividades e proibições sobre o comportamento feminino nos relacionamentos amorosos têm como superfície de visibilidade as narrativas de alunas contemporâneas e também, as narrativas de suas mães. Desta forma, é possível pensar que os discursos, conforme afirma Butler (2002), estejam presentes nos corpos dos sujeitos, como o próprio sangue. Foucault (2010) nos alerta para a constituição da moral cristã, a qual organiza muitas das fundamentações sobre o corpo e sobre a sexualidade dos indivíduos, principalmente nos modos como esses deveriam compreender e conduzir a essas dimensões. Assim, tais dimensões, ou seja, a “carne cristã”, acaba por ser compreendida como “[...] uma tentação que corria o risco de levar o indivíduo a ultrapassar as limitações impostas pela moral corrente, ou seja:o casamento, a monogamia, a sexualidade para a reprodução e a limitação e desqualificação do prazer.” (FOUCAULT, 2010, p. 71). Logo, é possível pensar frente às narrativas apresentadas, que tais alunas estejam estabelecendo maneiras para comportar‐se /conduzir‐se, em determinadas situações, alinhadas ao que se espera de um sujeito moral. Sobre o tema ilustra Fischer (1996, p. 22): X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de 2014. p.12 X Anped Sul A PRODUÇÃO DE FEMINILIDADES JOVENS CONTEMPORÂNEAS Juliana Ribeiro de Vargas A “relação consigo” é a relação pela qual o sujeito constitui a si como “sujeito moral”, ou seja, pela qual ele aprende a reconhecer e a estabelecer para si como bons e verdadeiros certos modos de agir;isso, por sua vez, exige que ele faça aprendizagens, exercite‐se, aperfeiçoe‐se, segundo valores, regras de conduta e interdições de seu tempo, de sua cultura e de sua condição social e de gênero. Entendo que visibilizar e problematizar os modos de ser e de viver das alunas jovens, nos tempos atuais, acaba por possibilitar uma melhor compreensão das condições que organizam a constituição das culturas juvenis femininas. Acredito que muitos outros discursos poderiam ser aqui problematizados; não em busca de soluções mágicas e imediatas, mas sim buscando dar visibilidade para dimensões ainda pouco estudadas no que se refere à juventude feminina. Valho‐me das palavras de Claudia Ribeiro (2008, p. 24) a fim de pensar a potencialidade de novas análises produzidas frente às perspectivas teóricas deste estudo: As problematizações das temáticas de gênero e sexualidade humana são infindáveis. Perguntas que geram perguntas, perpassando um tema tão complexo, paradoxal, enigmático, polêmico, muitas vezes proibido, contraditório, prazeroso em que se experimenta o prazer de saber e produz‐se o saber sobre o prazer nos espaço das instituições em que se promovem as significações. 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