UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE FISIOTERAPIA
Juliane Souza dos Passos
Marisa Nogueira dos Santos
CORRELAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E O RISCO DE QUEDAS EM
IDOSAS INDEPENDENTES
BELÉM
2010
JULIANE SOUZA DOS PASSOS
MARISA NOGUEIRA DOS SANTOS
CORRELAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E O RISCO DE QUEDAS EM
IDOSAS INDEPENDENTES
Trabalho de conclusão de Curso de
Fisioterapia apresentada a Universidade da
Amazônia como pré-requisito para obtenção
da graduação em bacharel em fisioterapia.
Orientador: Prof. Paulo Ávila
BELÉM
2010
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca da FEAPA – Belém – Pa – Brasil
P2681c
Passos, Juliane Souza dos
Correlação da atividade física e o risco de quedas
em idosas independentes / Julinana Souza dos Passos;
Marisa Nogueira dos Santos, Orientador Prof. Paulo Avila
- Belém: UNAMA, 2010.
Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade da
Amazônia. Curso de Bacharelado Fisoterapia.
1. Atividade Física. 2. Risco de Queda. 3. Idosas
Independentes. I. Santos, Marisa Nogueira dos. II. Avila,
Paulo. III. Título.
CDD 615.8
JULIANE SOUZA DOS PASSOS
MARISA NOGUEIRA DOS SANTOS
CORRELAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E O RISCO DE QUEDAS EM
IDOSAS INDEPENDENTES.
Trabalho de conclusão de Curso de
Fisioterapia apresentada a Universidade da
Amazônia como pré-requisito para obtenção
da graduação em bacharel em fisioterapia.
Orientador: Prof. Paulo Ávila
___________________________________________________
Prof. Esp. Paulo Ávila (Universidade da Amazônia)
Orientador
____________________________________________
Labibe Menezes(Universidade da Amazônia)
Examinador externo
____________________________________________
Rozi Almeida(Universidade Estadual do Pará)
Examinador interno
Apresentado em: _____ / _____ / _____
Conceito __________
Belém
2010
Dedicamos essa monografia a Deus. A nossa família,
nossos amores e a todos que contribuíram com nosso
trabalho direta ou indiretamente.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos em primeiro lugar a Deus que iluminou o nosso caminho durante
toda esta caminhada. Agradecemos também aos nossos pais, Maria da
Conceição Souza dos Passos, Carlos Afonso Barros do Passos e Maria das
Graças N. dos Santos e Raimundo Rodrigues dos Santos, que de forma especial
e carinhosa nos deram força e coragem, nos apoiando nos momentos de
dificuldades, queremos agradecer também, aos nossos companheiros Paulo
André dos Santos e Silva e Saul Josias Cunha Barros e aos nossos amados filhos
Esaú Daniel Nogueira Barros e Raquel Lima de oliveira que embora não
tivessem conhecimento disto, mas iluminaram de maneira especial os nossos
pensamentos nos levando a buscar mais conhecimentos. Aos nossos amigos e
familiares em especial a Adriane Souza dos Passos, Lucival Silva de Sena,
Flávio Roberto Silva de Souza, ao Casal Silvana Cristina Costa Vieira e Roberto
Costa Viera, Laura Kelly Silva de Souza Batista, Naraisa Caroline, Natalia
Clívia, Nelverton Cleiton e a Nossa tão querida tia Inesquecível (tia Inês). Em
memori Guajarina Souza da silva e Maisa Cristina. E não deixando de agradecer
de forma grata e Grandiosa a nossa professora Carla Serrão por toda paciência e
dedicação ao longo desta caminhada, e ao professor Paulo Ávila nosso ilustre
orientador que nos ajudou com toda sua experiência e boa vontade a concluir
nosso trabalho.
“Ama-se mais o que se conquista com esforço.”
Benjamin Disraeli
RESUMO
INTRODUÇÃO: A instabilidade falta de equilíbrio acarreta o risco de quedas em pessoas da
terceira idade devido às conseqüências acumuladas de diversos fatores etiológicos, reduzindo
progressivamente o limiar de instabilidade do idoso. A queixa de dificuldade de equilíbrio e
marcha, assim como as histórias prévias de quedas têm sido apontadas como fatores de risco
para idosos. Diversos são os fatores que podem ta contribuindo para a ocorrência de uma
queda: fatores intrínsecos (alterações normais do envelhecimento, uso de medicamentos ou
ainda diversas patologias, como hipotensão, Parkinson, demência, depressão,
comprometimentos visuais, neuropatia diabética, deformidades dos pés, artrose) fatores
extrínsecos (insegurança no banheiro, objetos no chão, iluminação inadequada) e ainda fatores
sociodemográficos, como é o caso da institucionalização. A atividade física tem sido compara
como fator de melhora á saúde do idoso, oferecendo ao idoso maior segurança em suas
atividades de vida diária. Atividade Física na Terceira Idade tem como objetivo melhorar ou
manter um nível de aptidão física funcional que fundamente a independência e autonomia do
idoso visando uma melhor qualidade de vida.OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo
correlacionar à atividade física e risco de queda em idosas.METODOLOGIA: Foi realizado
um estudo de pesquisa de campo, através de uma avaliação global, questionário de atividade
física (UMEDA modificado) e teste de equilíbrio de berg, realizado na paróquia Nossa
Senhora de Fátima do bairro de Icoaraci, em Belém do Pará, de janeiro á abril de 2010, em
idosas com faixa etária de 60 á 80 anos independentes e com nível cognitivo satisfatório
RESULTADOS: A maior parte dos indivíduos foi classificada em Ativos 46% e a média dos
escores de equilíbrio de Berg (EEB) foi 52,42, riscos de queda. As idosas classificadas como
insuficientemente ativas podem obter escores na escala de Berg superiores às das idosas
classificadas como sedentárias, logo as sedentárias podem ter escores inferiores e serem mais
propensas a quedas CONCLUSÃO: De acordo com os resultados obtidos na presente
pesquisa a correlação entre atividade física e risco de queda de idosas é altamente significante.
Na medida em que a classificação de atividade física vai sendo elevada para insuficientemente
ativo, ativo e muito ativo, maiores são as medianas dos escores na escala de Berg obtidos
pelas idosas. Idosas sedentárias e insuficientemente ativas possuem menor mobilidade e maior
propensão a quedas quando comparados a idosos ativas e muito ativas.
Palavras – chave: Atividade física. Risco de queda. Iidosas independentes.
ABSTRACT
INTRODUCTION: The instability balance lack causes the risk of falls people of the third age
due to the accumulated consequences of diverse etiológicos factors, gradually reducing the
threshold of instability of the aged one. The complaint of balance difficulty and marches, as
well as previous histories of falls has been pointed as risk factors with respect to aged.
Diverse they are the factors that can you contributing for the occurrence of a fall: intrinsic
factors (normal alterations of the aging, medicine use or still diverse patologias, as visual
hipotensão, Parkinson, dementia, depression, comprometimentos, diabetic neuropatia,
deformities of the feet, artrose) extrinsic factors (unreliability in the bathroom, objects in the
soil, inadequate illumination) and still sociodemográficos factors, as it is the case of the
institutionalization. The physical activity has been compares as improvement factor the health
of the aged one, offering to the aged greater security in its activities of daily life. Physical
activity in the Third Age has as objective to improve or to keep a level of functional physical
aptitude that bases the independence and autonomy of the aged one aiming at one better
quality of vida. OBJECTIVE: This study it has as objective to correlate to the physical
activity and risk of fall in idosas. METHODOLOGY: A study of field research was carried
through, through a global evaluation, questionnaire of physical activity (UMEDA modified)
and test of balance of berg, carried through in the parish Ours Mrs. of Fátima of the quarter of
Icoaraci, in Belém of Pará, of January the April of 2010, in aged with etária band of 60 the 80
independent years and with satisfactory cognitivo level RESULTS: Most of the individuals
was classified in Asset 46% and the average you prop up of them of balance of Berg (EEB)
was 52,42, fall risks. Aged classified as the insufficiently active ones can get prop up in the
scale of Berg superior to the ones of aged classified as the sedentary ones, then the sedentary
ones can have prop up inferiors and to be more inclined the falls CONCLUSION: In
accordance with the results gotten in the present one search the correlation between physical
activity and risk of fall of aged is highly significant. In the measure where the classification of
physical activity insufficiently goes being high for active, active and active, very bigger they
are the medium ones you prop up of them in the scale of Berg gotten by the aged ones. Aged
sedentary and insufficiently active they possess minor mobility and greater propensity the
falls when compared the aged very active active and.
Words - key: Physical activity. Risk of fall. Iidosas independent.
LISTA DE FIGURAS
Figura 01: Alterações do Organismo com envelhecimento...................................................... 19
Figura02: Alterações do Espessamento dos Vasos por Envelhecimento ................................. 20
Figura 03:Diminuição de fibras cardíacas por perda miofibrilas.............................................21
Figura 04: O sistema nervoso amadurecido, com diminuição dos impulsos nervosos ............ 22
Figura 05: Osso normal a direita e com perda de massa óssea a esquerda............................... 23
Figura 06: Alterações músculo-esquelético vista lateral .......................................................... 24
Figura 07 Atividade em Grupo ................................................................................................. 27
Figura 08: Exercício aeróbico de caminhada ........................................................................... 30
Figura 09: Exercício resistido com halteres ............................................................................. 31
Figura 10: Dança de salão ........................................................................................................ 32
Figura 11: Transferência de sedestação para Bipedestação.......................................................39
Figura 12: Coordenação motora de tratos finos.........................................................................39
Figura 13: Verificação da FC e FR .......................................................................................... 41
Figura 14: verificação da Pressão Arterial ............................................................................... 41
Figura 15: Aplicação do Questionário de Atividade Física ...................................................... 43
Figura 16: Apoiar o pé em um degrau .................................................................................... 44
Figura 17: Apoio Unipodal ....................................................................................................... 44
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Gráfico 01 – Distribuição por ocupação das idosas, de 60 a 85 anos, da Paróquia
de Nossa Senhora de Fátima................................................................................ 48
Tabela 01- Distribuição de freqüências dos indivíduos por classificação de atividade
física. ................................................................................................................... 48
Gráfico 02 – Distribuição de freqüências dos indivíduos por classificação de atividade
física. ................................................................................................................... 49
Tabela 02- Estatísticas descritivas dos escores da escala de Berg e do número de quedas
nos últimos 12 meses. .......................................................................................... 51
Gráfico 03 – Histogramas da primeira e segunda avaliação .................................................... 49
Gráfico 04 – Distribuições amostrais da primeira e segunda avaliação ................................... 50
Gráfico 05 – Distribuição de freqüências do número de queda nos últimos 12 meses ............ 52
Tabela 03- Matriz de Coeficientes de Correlação de Spearman ........................................... 53
Gráfico 06 – Escores na escala de equilíbrio de Berg agrupados por classificação de atividade
física ......................................................................................................................................... 54
Tabela 04- Estatísticas dos escores na escala de Berg agrupadas por classificação de
prática de atividade física. ................................................................................... 56
Tabela 05 - Teste de Kruskal-Wallis para diferenças das médias de EEB dos grupos de
prática de atividade física. ................................................................................... 57
Tabela 06 - Comparação múltipla entre pares das amostras de categorias de fundos. ........... 57
Tabela 07- Matriz de Coeficientes de Determinação. ........................................................... 58
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 13
1.1. OBJETIVOS ..................................................................................................................... 14
1.1.1Geral ................................................................................................................................ 14
1.1.2Específicos ....................................................................................................................... 14
2
REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................ 15
2.1 ENVELHECIMENTO..................................................................................................... 15
2.1.1 Envelhecimento biológico ............................................................................................. 16
2.1.2 Envelhecimento psicológico ......................................................................................... 17
2.1.3 Alterações fisiológicas.................................................................................................... 18
2.1.4. Sistema cardiovascular ................................................................................................ 19
2.1.5 Sistema Nervoso ............................................................................................................ 21
2.1.6 Sistema Músculo-esquelético ....................................................................................... 22
2.1.7 Sistema Cognitivo .......................................................................................................... 24
2.1.8 Idosos .............................................................................................................................. 25
2.2 RISCOS DE QUEDAS.................................................................................................... 27
2.3 ATIVIDADE FÍSICA ..................................................................................................... 29
2.4 CAPACIDADE FUNCIONAL ....................................................................................... 33
3
METODOLOGIA ......................................................................................................... 35
3.1 TIPOS DE ESTUDO E ABORDAGEM DA PESQUISA .............................................. 35
3.2 LOCAL ............................................................................................................................ 36
3.3 AMOSTRA...................................................................................................................... 36
3.4 PERÍODO ....................................................................................................................... 36
3.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ......................................................................................... 36
3.6 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO ........................................................................................ 36
3.7 RISCOS E BENEFÍCIOS ................................................................................................ 37
3.7.1 Riscos .............................................................................................................................. 37
3.7.2 Benefícios ........................................................................................................................ 37
3.8 COLETAS DE DADOS: ETAPAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS ........................ 38
3.8.1 Técnica de pesquisa ....................................................................................................... 38
3.8.2 Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) ................................................. 38
3.8.3 Procedimentos para coleta de dados ............................................................................ 38
3.8.4 Instrumentos para coleta de dados .............................................................................. 39
3.8.5 Índice de Katz (ANEXO I)............................................................................................ 39
3.8.6 Exame do Mini-mental (ANEXO II)............................................................................ 40
3.8.7 Ficha de Avaliação (APENDICE D) ............................................................................ 41
3.8.8 Verificação: PA, FC, FR. .............................................................................................. 41
3.8.9 Ficha de Avaliação de Atividade de Física (UMEDA) (ANEXO III) ....................... 42
3.9 ESCALA DE BERG (ANEXO IV) ................................................................................. 43
3.9.1 Tratamento dos dados ................................................................................................... 44
4
RESULTADOS E DISCUSSÂO .................................................................................. 48
5
CONCLUSÃO................................................................................................................ 59
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 60
APÊNDICE A – CERTIFICDO DE APROVAÇÃO DO PROJETO PELO
COMITÊ DE ÉTICA E PESQUISA........................................................................... 66
APÊNDICE B – OFICIO À PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
(ICOARACI)..................................................................................................................67
APÊNDICE C –TERMO DE CONSIENTIMENTO ESCLARECIDO LIVRE.....68
APÊNDICE D – FICHA DE AVALIAÇÃO...............................................................70
APÊNDICE E-- DADOS SOBRE ATIVIDADE FÍSICA E RISCO DE QUEDA
DE IDOSAS, DE 60 A 85 ANOS, DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DE
FÁTIMA, DE JANEIRO A MAIO DE 2010. ............................................................. 71
ANEXO I- INDICÊ DE KATZ .................................................................................... 72
ANEXO II- MINI-MENTAL........................................................................................ 73
ANEXO III- QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA...74
ANEXO IV - TESTE DE BERG .................................................................................. 76
13
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo continuo, onde ocorre declínio progressivo de
todos os processos fisiológicos. Esse processo é um evento complexo, onde as condições
biológicas e sócio-culturais estão estritamente relacionadas. Não existe uma maneira padrão
de envelhecimento, sendo este, próprio de cada indivíduo, independente da sua idade
cronológica, mas diretamente liga ao seu estilo de vida. As alterações do envelhecimento
tornam o idoso mais fragilizado e susceptível a acidentes, entre eles as quedas, um problema
que pode causar eventos incapacitantes, que causam serias conseqüências como a deficiência
física ou até morte do idoso.
A queixa de dificuldade de equilíbrio e marcha, assim como as histórias prévias de
quedas têm sido apontadas como fatores de risco para idosos. Eles têm etiologia multifatorial,
ocorrendo devido à combinação de fatores intrínsecos (idade, déficit cognitivo, fraqueza
muscular, hipotensão
postural, deficiência visual, déficits do sistema vestibular,
anormalidades da marcha e equilíbrio, problemas nos pés e medicações) e extrínsecos
(comportamentos e atividades do indivíduo e seu meio-ambiente).
Lesões causadas por acidentes estão em quinto lugar como causa de óbito em pessoas
idosas, sendo que as quedas representam cerca de dois terços desses acidentes, tornando-se
um dos principais previsores de morbimortalidade entre essa população.
As quedas são tratadas como fator de grande relevância epidemiológica, social e
econômica em todo o mundo, pois é o tipo mais comum de acidente entre os idosos. As suas
complicações lideram as causas de mortes em pessoas acima de 65 anos e promove
deficiência física, psicológica e social, pois leva à dependência e à redução das atividades
diárias e da confiança, alterando o estilo de vida desses idosos.
A prática de atividade física regular promove o aumento dos níveis de aptidão física
e de autoconfiança na realização de tarefas do dia a dia, particularmente nos idosos com maior
grau de incapacidade.
A falta de atividade física contribui ainda, mas para o sedentarismo, por acelerar o
curso do envelhecimento, pois algumas modificações fisiológicas, psicológicas observadas no
idoso podem ser em parte atribuídas ao estilo de vida sedentário.
14
1.1. OBJETIVOS
1.1.1 Geral
Correlacionar a atividade física e o risco de queda em idosas.
1.1.2 Específicos
Aplicar teste de independência.
Aplicar exame do Mini-Metal.
Aplicar ficha de avaliação global.
Aplicar questionário de atividade física.
Aplicar questionário de equilíbrio, a Escala de Berg.
Analisar as informações dos questionários e informar as idosas sobre o resultado.
Avaliar o risco de queda na população estudada.
15
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ENVELHECIMENTO
Barreto (2006) relata que por se tratar de um processo comum a praticamente todos
os seres vivos, o envelhecimento deveria ter suas bases fisiológicas melhor conhecidas,
portanto pode ser compreendido como um processo natural, de diminuição progressiva da
reserva funcional dos indivíduos, o que, em condições normais, não costuma provocar
qualquer problema, no entanto, em condições de sobrecarga como, por exemplo, doenças,
acidentes e estresse emocional, podem ocasionar uma condição patológica que requeira
assistência.
Ele acrescenta que quando o organismo atinge o seu máximo, começa a observar-se a
diminuição progressiva das aptidões e capacidades, tanto física como mentais que poderá ser
chamada involução humana.
Christofoletti (2006) relata que certas alterações decorrentes do processo de
envelhecimento poderão ter seus efeitos minimizados pela assimilação de um estilo de vida
mais ativo.
Já Cancela (2007) afirma que o envelhecimento do ponto de vista fisiológico
depende significativamente do estilo de vida que a pessoa assume desde a infância ou
adolescência. Afirma também que o organismo envelhece como um todo, enquanto que seus
órgãos, tecidos, células, e estruturas sub-celulares tem envelhecimento diferenciado.
Para B. Filho (1999) o envelhecimento é progressivo e degenerativo, caracterizado
por menor eficiência funcional, com enfraquecimento dos mecanismos de defesa; diminuição
da cognição, das respostas reflexas e do estado de alerta, além de enfraquecimento da
estrutura óssea e diminuição da função e da massa muscular.
Nesse contexto o autor acima afirma que o declínio da atividade celular observada a
partir da terceira idade promove significativas alterações na estrutura e na função dos órgãos,
conseqüentemente, observam-se progressivas corrosões das reservas funcionais associada à
maior vulnerabilidade do organismo aos distúrbios metabólicos, ao estresse, e aos processos
patológicos. Apesar da velocidade e a intensidade dessas alterações elas são moduladas por
fatores individuais, como a genética, doenças associadas e estilo de vida sedentária.
16
O envelhecimento da população é um dos maiores desafios da última década e
embora a velhice não seja sinônima de doença, o avançar da idade aumenta o risco de
comprometimento funcional e da perda da qualidade de vida e a avaliação funcional de
indivíduos idosos deve ser feito com acompanhamento do profissional de Fisioterapia, que
torna-se essencial para se estabelecer um diagnóstico, um prognóstico e também um
julgamento clínico adequado que subsidiarão as decisões sobre os tratamentos e cuidados
necessários com o idoso (CINCIARULO et al, 2002 Apud COELHO et al, 2007 ).
Enquanto que Machado (2009) relata que apesar do envelhecimento humano ser um
processo gradual, irreversível e incontrolável de declínio das funções fisiológicas, não resulta,
necessariamente, em incapacidade funcional.
Já Felten et al. (2005) acredita que a medida que o indivíduo envelhece, as chances
de sofrer lesões provocadas por acidentes aumentam progressivamente.
Para Meireles et al. (2008) uma das características marcantes no processo de
envelhecimento é o declínio da capacidade funcional, como a força, o equilíbrio, a flexibilidade,
agilidade e coordenação motora que acaba por comprometer o funcionamento neuromuscular do
individuo, muitas vezes evidenciado por paresia, incoordenação motora, lentidão e fadiga muscular,
que constitui um aspecto marcante neste processo6.
Felten (2005) considera que as principais alterações anatômicas e funcionais,
relacionadas com o processo de envelhecimento ligadas à ocorrência de quedas são as
alterações na composição e forma do corpo, como a diminuição da estatura, a distribuição
centrípeta da gordura corporal, a perda de massa muscular, a diminuição da massa óssea e o
declínio nas aptidões psicomotoras, que, em conjunto, podem provocar a instabilidade
postural ou a incapacidade de manutenção do equilíbrio, em situações de sobrecarga
funcional.
2.1.1 Envelhecimento biológico
Para Guccione (2006) as alterações associadas à idade que envolvem as estruturas
físicas e o funcionamento do organismo que afetam a capacidade funcionamento ou
sobrevivência da pessoa são chamadas de envelhecimento biológico.
17
Ele acrescenta que o envelhecimento biológico dos diferentes sistemas orgânicos do
corpo humana ocorre em ritmos específicos, esses ritmos são regulados por duas
características gerais:
- Componente genético, que determina uma capacidade especifica para a espécie de
levar adiante os processos biológicos básicos necessários para a vida e para a reprodução.
- Componentes ambientais do estilo de vida, que se sobrepõem à concepção genética
intrínseca e podem influenciar o ritmo global do envelhecimento e de susceptibilidade às
doenças.”
Para Valentini, (2003), envelhecer é um processo geralmente considerado de maneira
extremamente desagradável, pois o indivíduo começa a sentir que, em muitas habilidades
biológicas e sociais, não consegue se desenvolver como costumava ser, devido a isso, chegase a pensar a velhice como sinônimo de doença, fraqueza e improdutividade, invalidez, no
entanto ele pode ser tratado como um processo natural do desenvolvimento humano, numa
perspectiva de que cada fase da vida implica transformações, adaptações, aceitação e
construção.
Guccione (2006) afirma que, uma vez que os tecidos e os órgãos já não
correspondem à atividade validada na etapa anterior, implicará no desempenho humano, pois
ocorre aqui um desgaste e sobrecarga; adaptação, porque as mudanças não permitem que as
ações sejam desenvolvidas segundo normas e costumes estabelecidos em fases anteriores, há
que se habituar às condições agora presentes.
2.1.2 Envelhecimento psicológico
Acredita-se que a condição limitante do envelhecimento leva o paciente idoso a
compreender que está se tornando cada vez mais dependente, chegando a uma certa
obediência aos cuidadores como filhos ou membros da geração abaixo, os planos para o
futuro geralmente são modestos, atentando-se para procurar ter utilidade na sociedade, para
que não seja um estorvo, desse modo é de suma importância o conhecimento do idoso e a
busca de seu respeito, promovendo seu bem-estar e qualidade de vida.(FAJARDO E
GRECCO, 2003 Apud MARTINS SILVA, E.M., et al, 2007).
18
Um dos pontos de maior impacto na qualidade de vida do idoso é o quadro
depressivo, geralmente multifatorial e de difícil determinação clínica e de tratamento também.
(STOPPE, 1997 apud MARTINS SILVA, E.M., et al, 2007).
As mudanças psicológicas mais visíveis com o avanço da idade são: dificuldade de
adaptação a novos papéis; desmotivação e dificuldade de planejar o futuro; necessidade de
trabalhar perdas e adaptar-se a mudanças; alterações psíquicas, depressão, hipocondria,
somatização, paranóia, suicídios e, por fim, baixa auto-estima e auto-imagem. (GUITE
ZIMERMAN, 2000 apud VALENTINI,2003)
Dentro de sua insegurança, geralmente o idoso tende a provar a si e aos outros que é
aceito, que é útil, que existe e que essa existência pressupõe desejos e aspirações em relação
ao futuro; essa posição geralmente gera extrema ansiedade da qual decorrem problemas
afetivos de ordem mais complexa e a perda de ideais da juventude, a falta de sintonização
com a mentalidade do seu tempo, o desinteresse pelo cotidiano nacional e internacional, o
humor irritadiço são, entre outros aspectos, que caracteriza a velhice. (OLIVEIRA,1999 apud
VALENTINI,2003).
De acordo com a experiência geral e com a observação empírica, a pratica de
exercício contribui para aumentar a auto-estima do individuo da terceira idade, sua segurança,
sua rede de relações sociais e sua sensação de bem-estar. (GITLIN E COLS, 1992 apud
PICKLES et al,2003)
2.1.3 Alterações fisiológicas
Gomes (2007) nos mostra que estudos afirmam que todas as funções e todos os
órgãos não envelhecem no mesmo ritmo, dentre as principais modificações fisiológica,
decorrentes do processo de envelhecimento, nos sistemas funcionais, pode-se destacar as
seguintes alterações: Sistema cardiovascular, Sistema Nervos, Sistema Músculo-esquelético,
sistema cognitivo.
19
Figura 01:Alterações do Organismo com envelhecimento
Fonte:www.palavrademedico.kit.net/tema17.html...ANO, 2010.
Já para Ribeiro (2008) muitas das alterações fisiológicas associadas ao
envelhecimento resultam de uma perda gradual. Essas perdas podem começar no inicio da
vida adulta, mas devido à composição redundante dos sistemas orgânicos, essas perdas não se
tornam importantes e funcionalmente significativa até que o declínio seja extenso.
2.1.4. Sistema cardiovascular
Abreu (2007) Considera que as alterações cardiovasculares, como a diminuição das
reservas cardíacas, ocasionam uma queda no desempenho cardíaco,onde ocorre também uma
diminuição no consumo máximo de O2 (VO2 máximo), que tem sido associado a uma queda da
freqüência cardíaca máxima e volume de ejeção, resultando em um decréscimo do débito
cardíaco máximo
20
Figura02: Alterações do Espessamento dos Vasos por Envelhecimento
Fonte: virtual01.lncc.br/monografia/.../node16.html...,ANO,2010.
Segundo Guccione, (2006) há algumas alteração progressiva das estruturas cardíaca
com o envelhecimento, perda da elasticidade, alterações fibróticas das valvas do coração e
infiltração amilóide. Além das alterações da musculatura cardíaca em si, há efeitos do
envelhecimento sobre as artérias que causam um comprometimento adicional da capacidade
do sistema de distribuição do sangue para os tecidos ativos.
Figura 03:Diminuição de fibras cardíacas por perda miofibrilas.
Fonte: biobioenvelhecimento.blogspot.com/2008_06_01_..., ANO 2010.
Já Costa(2008) acredita que um dos declínio no débito cardíaco relacionado com a
idade ocorre durante exercícios, o coração não consegue responder tão rapidamente ou com
tanta força à carga aumentada do coração em exercício e os esforços, movimentos súbitos e
mudanças na posição podem causar uma diminuição no débito cardíaco, resultando em
vertigem e perda de equilíbrio (quedas).
Ele acrescenta que as diversas mudanças estruturais no coração contribuem para a
resposta a exercícios diminuída: o másculo cardíaco perde elasticidade e fica mais rígido, as
21
valvas cardíacas ficam mais espessas e mais rígidas, o número de células marca-passo diminui
e as células cardíacas envelhecidas diminuem sua capacidade de utilizar ar oxigênio.
Segundo Abreu (2007) a vasculatura periférica fornece um sistema de distribuição
pelo qual o sangue bombeado pelo coração alcança os vários tecidos orgânicos e, portanto, as
alterações dos vasos sanguíneos relacionados a idade podem limitar a perfusão máxima desses
tecidos e afetar também o desempenho cardíaco e a diminuição da elasticidade das artérias
devido o seu envelhecimento pode resultar em aumento crônico ou residual do diâmetro e da
rigidez da parede vascular o que compromete a sua função.
Para Guccione (2006) as alterações associadas à díade também ocorrem nos vasos
mais periféricos (artérias e capilares) e têm uma influencia significativa na capacidade de
propulsão do sangue para os capilares e os tecidos ativos.
2.1.5 Sistema Nervoso
Costa, (2008) descreve que com a idade ocorre uma diminuição da sensibilidade e do
números de receptores sensoriais e dos neurônios, resultando em uma atenuação dos sentidos.
O autor acima ainda afirma que existe uma perda gradual do olfato e do paladar que
se inicia por volta dos 50 anos de idade, lesões cumulativas das células pilosas do órgão
espiral após os 60 anos de idade, perda da capacidade de ouvir sons agudos e as consoantes ,
vinte e cinco por cento dos idosos possuem a audição prejudicada, ocorre diminuição da
visão, por volta dos 70 anos de idade, principalmente em razão de um decréscimo na
quantidade de luz que alcança a retina e de uma diminuição da focalização da luz sobre a
mesma.
Abreu (2007) Relata observadas alterações como a diminuição do volume e peso do
cérebro, ocorrendo certo grau de atrofia cerebral, os neurotransmissores diminuem sua
liberação durante as sinapses, há uma diminuição da sensibilidade dos barorreceptores, que
estão localizados principalmente nas paredes da aorta e artéria carotídeas, ocorrendo o mesmo
com os quimiorreceptores, e os neurônios mostram uma perda contínua, principalmente no
córtex dos giros pré-centrais, giros temporais e córtex do cerebelo.
Costa (2008) acredita que com a idade, a velocidade de condução do impulso
diminui ao longo de um axônio; quantidades de neurotransmissores são reduzidas; o número
de locais receptores diminui nas sinapses. Sendo que essas alterações resultam em uma
22
progressivo prejuízo do processamento da informação no SN, caracterizado principalmente
por uma lentidão das respostas e dos reflexos.
Figura 04: O sistema nervoso amadurecido, com diminuição dos impulsos nervosos.
Fonte: http:/Adam.sertaoggi.com.br....ANO 2010.
Segundo Araújo (2006) embora eventos precedentes ocorram com o envelhecimento,
parece que parte do declínio do desempenho motor do idoso, inclusive do controle postural,
pode estar mais ligada a uma diminuição da atividade física por parte do idoso. Portanto este
processo pode ser amenizado e diminuído com a prática de uma atividade física regular e bem
orientada, auxiliando assim nas degenerações e transformações do organismo.
2.1.6 Sistema Músculo-esquelético
Para uma abordagem sobre o envelhecimento do sistema músculo-esquelético é
necessário compreender o que engloba o sistema, como os ossos, músculos e as articulações.
O osso é essencialmente um tecido conjuntivo mineralizado, altamente vascularizado, vivo e
em constante transformação e é singular pela sua dureza, resistência, por seus mecanismos
característicos de crescimento, e por sua capacidade de regeneração. (FREITAS et al, 2002
apud COELHO et al 2007).
Para Coelho et al (2007) uma alteração comum no envelhecimento é a perda de
massa óssea que é caracterizada pelo desequilíbrio no processo de modelagem e
23
remodelagem. Esse desequilíbrio pode ocorrer pelo aumento da atividade dos osteoclastos ou
por diminuição da atividade dos osteoblastos, ou até mesmo pela combinação de ambos.
Figura5:Osso normal a direita e com perda de massa óssea a esquerda(Osteoporose).
Fonte: www.palavrademedico.kit.net/tema17.html
Já Pickles (2003)acredita queas alterações nessas células podem ocasionar uma
grande perda de massa óssea contínua, que é mais conhecida como osteoporose, que está
associada ao aumento de fragilidade e com maior risco de fratura após mínimo trauma.
Esta diminuição gradual de massa óssea e resistência do tecido ósseo pode ser
modulada em função do tipo de alimentação aos hábitos de atividade física, e não deixa de
citar que alterações no metabolismo e mudanças dos níveis hormonais podem contribuir com
esse declínio. (MORIGUCHI & JECKEL NETO, 2003 apud COELHO et al 2007).
Segundo Shephard (1997) Morfologicamente há uma redução de volume muscular e
massa magra e um aumento da massa gorda e peso corporal. A perda de massa magra é
verificada quando o peso do músculo diminui, bem como da sua secção.
Para Coelho et al. (2007) a musculatura do idoso apresenta fibras hipertrofiadas e em
degeneração de ambos os tipos. A redução da massa muscular é a primeira causa para a perda
da capacidade muscular com a idade, essa redução deve-se a 2 fatores: perda de fibras
musculares e diminuição do seu volume com especial ênfase para a atrofia das fibras do tipo
II. Ele ainda afirma que as fibras de contração rápida podem ser perdidas simplesmente
porque pessoas idosas raramente exercem contrações musculares fortes contra alguma
resistência.
Shephard (1997) relata que os resultados dos estudos científicos demonstram que
uma diminuição da altura ou estatura pode ser geralmente esperada em decorrência da
senescência. As alterações da densidade óssea ligadas à idade diferem de um local para outro
do corpo.
24
Essas alterações ósseas durante o envelhecimento acontecem em um período mas
precoce na coluna vertebral do que nos membros.
Figura 06: Alterações músculo-esquelético vista lateral
Fonte: Rev. Fisiologia Humana, ANO
Já Guccione (2006), acredita que o músculo esquelético passa por adaptações
estruturais e funcionais importantes em respostas à inatividade física, portanto a redução da
massa muscular relacionada a idade é uma causa direta do declínio da força muscular com o
envelhecimento.
Ele ainda acrescenta que essa redução da força muscular é uma causa importante da
incapacidade do idoso, uma vez que a força e a potencia são componentes importantes da
marcha, do equilíbrio e da capacidade de deambular.
2.1.7 Sistema Cognitivo
Segundo Antunes et al (2006), grande parte das funções cognitiva são afetadas
negativamente pela idade, pois a partir da terceira década de vida ocorre perda de neurônios
com concomitante declínio da performance cognitiva, porém os processos baseados em
habilidades fluidas, tais como tarefas aprendidas, mas não executadas, sofrem declínio.
25
Perracini et. al. (2002) afirma que as funções cognitivas, como atenção e
planejamento podem afetar tanto a memória como a compreensão de linguagem, e outros
fatores de ordem biológica (alimentação inadequada) ou psicológica (estado de humor
positivo) influenciam na manutenção das funções cognitivas.
Colcombre et.al. (2005), revela que encontraram declínios importantes na densidade
dos tecidos neurais em função do envelhecimento no córtex frontal, parietal, e temporal, isso
pode ser justificado em razão de uma quebra do equilíbrio entre a lesão e o reparo neuronal.
Ele acrescenta que cérebro é sensível a inúmeros fatores que resultam em danos às
redes neurais, de forma similar aos outros tecidos, ele possui a capacidade de autoreparação/auto-adaptação, ou mesmo uma compensação pela perda de neurônios e interrupção
na arquitetura neural e quando ocorre um desequilíbrio entre lesão neural e reparação, essa
capacidade de plasticidade neuronal é prejudicada estabelecendo-se então o envelhecimento
cerebral e a demência.
Abreu (2007) nos mostra que ao longo da ultima década foram identificados alguns
fatores de risco que podem aumentar a predisposição de um individuo ao prejuízo cognitivo e
dentre esses fatores destacam-se a idade, gênero, histórico familiar, trauma craniano, nível
educacional, tabagismo, etilismo, estresse mental, aspectos nutricionais e socialização.
O autor acima afirma que recentemente fatores que podem ser revertidos ou
atenuados
pelo
exercício
físico,
tais
como
a
doenças
crônico-degenerativas,
hipercolesterolemia e aumento na concentração plasmática de fibrinogênio e o sedentarismo,
estão sendo associados ao maior risco de declínio cognitivo.
Perracini e Ramos (2002) mostram que a leitura envolve algumas habilidades
cognitivas específicas como a atenção e a concentração, sendo que a atenção é um fator
importante na manutenção do equilíbrio.
2.1.8 Idosos
Para Guccione (2006) está claro que um idoso não é idêntico a outro idoso. Entendese por idoso ou pessoa da terceira idade, indivíduos com mais de 60 anos de idade, instituído
pelo estatuto do idoso.
26
Pelos baixos níveis de saúde na velhice associam-se com altos níveis de depressão e
angústia e com baixos níveis de satisfação de vida e bem estar, e também afirma que as
dificuldades do idoso em realizar as atividades da vida diária, devido a problemas físicos,
ocasionam dificuldades nas relações sociais e na manutenção da autonomia, trazendo
prejuízos à sua saúde emocional. (NERI, 2001 apud FRANCHI et a, 2005).
Franchini et al (2005) Conceitua envelhecer com sucesso, o englobar de três
diferentes domínios multidimensionais como: evitar as doenças e incapacidades; manter uma
alta função física e cognitiva; e engajar-se de forma sustentada em atividades sociais e
produtivas.
Segundo Valentini et al 2003, A idade avançada incita transformações
biopsicossociais na rotina do ser humano, além do desgaste progressivo de tecidos, órgãos e
da capacidade física e cognitiva, há um acentuado processo de perdas que desencadeia
turbulências emocionais e psíquicas que ocasionam profunda infelicidade e diminuem a
qualidade de vida de maneira agressiva.
Já
Barreto
(2006)
acredita
que
o
envelhecimento
vem
aumentando
consideravelmente, o que se atribui a um aumento da expectativa de vida, a diminuição da
taxa de natalidade, a um melhor controle de doenças infecto-contagiosas (imunização) e
crônico-degenerativas.
Para Valentini (2003), hoje 70% das pessoas acima de 60 anos no Brasil são
sedentárias e esta estatística é assustadora se considerar as conseqüências deste sedentarismo,
que variam desde o risco de infracto do miocárdio até acidentes vasculares e o câncer.
Ele acrescenta que este problema se agrava nas pessoas de terceira idade, pois nesta
fase de o organismo já não é mais como antes e seus corpos não são mais tão flexíveis, seus
movimentos não são mais ágeis, as articulações perdem mobilidade e elasticidade, as lesões
degenerativas como a osteoporose transforma o osso de um estado consistente para esponjoso
deformado-o às vezes.
Já para Barreto (2006), o idoso tem perda de até 5% da capacidade física a cada 10
anos e pode recuperar 10% através de atividades físicas adequadas, e estas atividades também
atuam como antidepressivos, melhorando, o convívio social, a relação em grupo,
condicionamento físico, e sendo benéficos para a recuperação da alto estima das idosas.
27
Figura 07: Atividade em Grupo
Fonte: www.efdeportes.com/efd120/pratica-de-danca-de, ANO
2.2 RISCOS DE QUEDAS
Queda pode ser definida como um evento não intencional que tem como resultado a
mudança e posição do indivíduo para um nível mais baixo, em relação a sua posição inicial,
que se dá em decorrência da perda total do equilíbrio postural, podendo estar relacionada à
insuficiência súbita dos mecanismos neurais e osteoarticulares envolvidos na manutenção da
postura.( CUNHA & GUIMARÂES, 1989, p. 141-54 apud FABRÌCIO C, 2002, p. 94)
Alguns autores referem-se à queda como uma síndrome geriátrica por ser
considerado um evento multifatorial e heterogêneo. (CARVALHES et. al, 1998, p. 5-18 apud
FABRÌCIO C, 2002, p. 94 )
Diversos são os fatores que podem esta contribuindo para a ocorrência de uma
queda: fatores intrínsecos (alterações normais do envelhecimento, uso de medicamentos ou
ainda
diversas
patologias,
como
hipotensão,
Parkinson,
demência,
depressão,
comprometimentos visuais, neuropatia diabética, deformidades dos pés, artrose) fatores
extrínsecos (insegurança no banheiro, objetos no chão, iluminação inadequada) e ainda fatores
sociodemográficos, como é o caso da institucionalização. (CAMPBELL J, 1995, P.520-523
apud SOARES V, 2003, p. 13-17)
28
Os idosos mais susceptíveis a quedas são aqueles que apresentam alguma
enfermidade, especialmente as que levam a alterações da mobilidade, equilíbrio e controle
postural, sendo a ocorrência de quedas diretamente proporcional ao grau de incapacidade
funciona.( SOARES et. al , 2003, p. 54-63 apud GUIMARÂES 2004, p.69 )
Um estudo cientifico listou como fatores de risco determinantes de quedas em
idosos de comunidades, idade sendo igual ou maior a 75 anos, sexo feminino, inatividade
física, fraqueza muscular, distúrbios do equilíbrio corporal, marcha ou de mobilidade, história
prévia de acidente vascular cerebral, de quedas anteriores e de fraturas, comprometimento na
capacidade de realizar atividades de vida diária e o uso de várias medicações concomitantes.(
PERRACINI MR, 2002, p.709-725 apud BORGES, L. 2009, p.53-60)
Silva (2007) que também pesquisou estudos relacionados a fatores de riscos de
quedas em idosos, verificou que um estudo realizado com 50 idosos atendidos em duas
unidades de um hospital público que a maioria das quedas ocorreu em idosos do sexo
feminino, no próprio lar (66%), e foram relacionadas, principalmente, ao ambiente físico
inadequado (54%), seguido por doenças neurológicas (14%) e cardiovasculares (10%).
Para Soares (2003) As quedas representam uma importante preocupação para
indivíduos idosos, pois podem acarretar lesões de gravidades variáveis e quanto maior a idade
torna-se mais significativo o risco para as quedas, em virtude de o envelhecimento encontrarse em estágios mais avançados.
As lesões causadas por acidentes estão em quinto lugar como causa de óbito em
pessoas idosas, sendo que as quedas representam cerca de dois terços desses acidentes,
tornando-se um dos principais previsores de morbimortalidade entre essa população(FELTEN
BS, 2005, p. 515-521 apud MACHADO et al. 2009, p.32-38 ), apesar de sua grande maioria
ser evitável.
As quedas são tratadas como fator de grande relevância epidemiológica, social e
econômica em todo o mundo, pois é o tipo mais comum de acidente entre os idosos, e as suas
complicações lideram as causas de mortes em pessoas acima de 65 anos e promove
deficiência física, psicológica e social, pois leva à dependência e à redução das atividades
diárias e da confiança, alterando o estilo de vida desses idosos.( SILSUPADOL P,2006, P.
269-281 apud REBELATTO R. 2008, p. 70-75 )
Um estudo realizado na Cataluña mostra que 17,9% das pessoas acima de 65 anos
sofreram pelo menos uma queda nos 12 meses anteriores à entrevista e que essa freqüência
aumenta com a idade. (PERRACINNI MC,2002, p. 709-716 apud SIQUEIRA, 2007, P.746756).
29
Para Siqueira (2007) as quedas de idosos são atualmente uma preocupação
muito relevante, devido a sua grande freqüência e pelas conseqüências em relação à qualidade
de vida desse grupo.
2.3 ATIVIDADE FÍSICA
Jacob (2006) conceitua a atividade física para idosos como o fenômeno biológico
que envolve a contração muscular, enfatizando este aspecto para descaracterizar uma
freqüente identidade entre exercício e movimento.
Já para Rogatto (2009), a atividade física pode ser definida como qualquer
movimento corporal voluntário, realizado pela musculatura esquelética que resultara em um
gasto de energia corporal acima dos níveis de repouso.
Ele acrescenta ainda que praticar atividades físicas não é somente se engajar em
exercícios ou esportes, mas executar atividades cotidianas como caminhar, subir escadas ou
aquelas feitas em casa como varrer, lava etc...
Jacob (2006) relata que em qualquer idade, mas principalmente entre os idosos os
movimentos poderão ser limitados (por paralisia e/ ou por dor), o que não contra-indica a
realização de contrações isométricas que, além de prevenir a atrofia muscular da imobilidade,
também pode ser uma estratégia terapêutica da própria etiologia.
Uma grande porcentagem de pessoas acima de 60 anos tem dificuldade ou
incapacidade de realizar as atividades cotidianas (ANDREOTTI, 1999 apud RAMOS, 2003).
Segundo Gobbi (1997) o objetivo principal da Atividade Física na Terceira Idade é
melhorar ou manter um nível de aptidão física funcional que fundamente a independência e
autonomia do idoso visando uma melhor qualidade de vida, implementando atividades que
contribuam para que esse idoso desenvolva um nível adequado de aptidão física que a torne
independente para realizar suas atividades diárias.
Matsudo (2001) considera a aptidão física, não como um comportamento, mas uma
característica que o indivíduo possui ou atinge, como a potência aeróbica, endurance
muscular, força muscular, composição corporal e flexibilidade.
Jacob (2006) acredita que preservação ou desenvolvimento da capacidade motora do
individuo que envelhece é de fundamental importância para a manutenção de suas atividades
30
físicas diárias, devido a diminuição de flexibilidade e força que são as maiores limitações para
as atividades da vida diária.
As atividades da vida diária (AVD) são referidas como: tomar banho, vestir-se,
levantar-se e sentar-se, caminhar a uma pequena distância; ou seja, atividades de cuidados
pessoais básicos e, as atividades instrumentais da vida diária (AIVD) como: cozinhar, limpar
a casa, fazer compras, jardinagem; ou seja atividades mais complexas da vida cotidiana
(MATSUDO, 2001 apud FRANCHI, 2005).
Grande parte do declínio da capacidade física dos idosos é devido ao tédio, a
inatividade e expectativa de enfermagem (OKUMA, 1998 apud RAMOS, 2003), sendo que
50% desse declínio são provocados pela atrofia por desuso resultante do sedentarismo
(SPIRDUSO,1989; MATSUDO, 1997; KLEINE, 1999 apud RAMOS, 2003)
Dos motivos que levam a não adesão a um programa de atividade física por parte dos
idosos, são: condição de saúde, falta de equipamento apropriado, falta de habilidade motora,
de tempo, de oportunidade e de conhecimentos sobre a pratica de atividade física. (OKUMA,
2002 apud RAMOS, 2003).
Pickles (2000) relata que as pessoas da terceira idade praticam atividades físicas que
variam desde a jardinagem a dança, e os motivos que levam á adesão de determinadas
atividades também variam e é dever do fisioterapeuta esforçar-se para identificar e programar
exercícios e atividades que atendam as necessidades físicas, sociais e psíquicas dos seus
clientes da terceira idade.
Segundo Matsudo (2001) as atividades mais comumente realizadas entre mulheres
idosas são a caminhada 75% e a jardinagem 35%.
O tipo de exercício físico, mas recomendado para idosos no passado foi por muito
tempo o aeróbio, pelos seus efeitos no sistema cardiovascular e controle destas doenças, além
dos benefícios psicológicos. (BLUMENTHAL, 1982 apud FRANCHI, 2005)
Figura 08: exercício aeróbico de caminhada
Fonte: www.agenciauva.com.br/?p=197, ANO
31
Jacob (2006) acrescenta que durante muito tempo, os exercícios aeróbicos foram
predominantemente mas indicados para o grupo da terceira idade, o que resultou num longo
período em que predominou a idéia de que apenas estes poderiam ser benéficos ao idoso,
principalmente quando portador de ampla comorbidade.
Matsuda (2001) considera que se a atividade aeróbica for à escolida a ser realizada,
é recomendada a prescrição de atividades de baixo impacto, como a caminhada, o ciclismo
ou pedalar na bicicleta, a natação, a hidroginástica, o remo, subir escadas, dançar, ioga, tai
chi chuan e dança aeróbica de baixo impacto.
Atualmente, estudos mostram a importância dos exercícios envolvendo força e
flexibilidade, pela melhora e manutenção da capacidade funcional e autonomia do idoso.
(Matsudo & Nahas 2001 apud FRANCHI, 2005 ).
Se apenas uma forma de exercício tiver que ser escolhida para promover melhoria
na capacidade funcional de idosos, o treinamento com peso parece à melhor opção, se
comparada aos exercícios aeróbios, essa opção se fundamenta na observação de que as principais atividades cotidianas, presentes na vida de idosos, envolvem capacidades que são
aprimoradas durante a prática do treinamento com peso. (Hunter, 2004 apud DIAS, 2006)
Figura 09: Exercício resistido com halteres
Fonte: extremefitco.blogspot.com/2009/10/importancia, ANO.
Para Franchi (2005) um programa de exercícios físicos bem direcionados e eficientes
para esta idade deve ter como meta a melhora da capacidade física do indivíduo, diminuindo a
deterioração das variáveis de aptidão física como resistência cardiovascular, força,
flexibilidade e equilíbrio, o aumento do contato social e a redução de problemas psicológicos
com a ansiedade e a depressão.
A implantação da prática de exercícios regularmente e de programas de incentivo à
prática de atividades de reabilitação junto a terceira idade, é um direito garantido ao idoso
32
pela legislação (decreto Nº 1.948, de 03 de Julho de l996) que dispõe sobre a Política
Nacional do Idoso. Mas que tipo de atividade física é mais apropriada para pessoas de terceira
idade? (Vários autores afirmam que melhor atividade para pessoas idosas é caminhada com
duração de 30 minutos por dia, três a cinco vazes por semana MATSUDO & MATSUDO,
1992; SHARKEY; 1998; NIEMAN, 1999 apud Salvador, 2008)
A melhor opção para pessoas de terceira idade são as atividades em grupo como a
dança, que facilitam a integração e o fortalecimento de amizades, superação de limites físicos,
ocupação do tempo em prol de si mesma, livrando-se das angústias, incertezas, inseguranças e
medos. (OKUMA, 1998 apud SALVADOR 2008)
A dança entre as atividades aeróbicas é a mais alegre, onde todos podem participar,
desde o mais lento até o mais agitado. Quanto mais ativa for a pessoa mais capacidade
cardiorrespiratório ela terá, mas só se tem um vigor físico se intercalar os afazeres domésticos
com a atividade física. As pessoas sedentárias também podem iniciar sua atividade física,
desde que seja ela gradativa e adequada. Os exercícios trazem benefícios a saúde enquanto se
pratica, não é acumulativo e deve sim ser contínuo. Fazer exercícios de respiração profunda
fortifica a respiração pulmonar e oxigena o sangue. (OTTO,1987 apud SALVADOR 2008)
Figura 10: Dança de salão
Fonte:www.cm-sintra.pt/NoticiaDisplay.aspx?ID=3458, ANO.
A atividade física regular incrementa o pico de massa óssea, ajudando na
manutenção da massa óssea existente e diminuindo sua perda associada ao envelhecimento.
Problemas nas articulações, rigidez e perda da elasticidade podem gerar dor, problemas esses
ocasionados pela falta de atividade física. A atividade física melhora a elasticidade dos
músculos, melhora a circulação sanguínea e o movimento das articulações.( OKUMA,1998
apud SALVADOR 2008
33
2.4 CAPACIDADE FUNCIONAL
Um dos elementos que determinam a expectativa de vida ativa ou saudável é a
independência para realização das AVD’s, na velhice a capacidade de realizar AVD’s pode
sofrer alterações na atuação do indivíduo com meio em que vive, tanto nas ações motoras
mais específicas, como nas mais genéricas, ainda pode-se observar um especial
comprometimento no comportamento de parte da população idosa. (TINETTI et al 1986 apud
ANDREOTTI 1999)
A capacidade funcional surge, como um novo paradigma de saúde, particularmente
um valor ideal para que o idoso possa viver independente, sendo esta a capacidade do
indivíduo realizar suas atividades físicas e mentais necessárias para manutenção de suas
atividades básicas e instrumentais, ou seja: tomar banho, vestir-se, realizar higiene pessoal,
transferir-se, alimentar-se, manter a continência, preparar refeições, controle financeiro, tomar
remédios, arrumar a casa, fazer compras, usar transporte coletivo, usar telefone e caminhar
uma certa distância.( RAMOS LR,2003 apud GUIMARÂES et al. 2004)
Franchi et al (2009) acredita que a capacidade funcional é um novo componente do
modelo de saúde dos idosos, particularmente útil no contexto do envelhecimento, envelhecer
mantendo todas as funções não significa problema para o individuo ou sociedade,o problema
se inicia quando as funções começam a deteriorar.
Para Rosa et al. (2003) a capacidade funcional é influenciada por fatores
demográficos, socioeconômicos, culturais e psicossociais e que devido a esse fato nota-se a
inclusão de comportamentos relacionados ao estilo de vida como fumar, beber, comer
excessivamente, fazer exercícios, estresse psicossocial agudo ou crônico, ter senso de autoeficácia e controle, manter relações sociais e de apoio como potenciais fatores explicativos da
capacidade funcional.
Andreotti e Okuma (1999) Considera o envelhecimento como um processo
multidimensional e singular e identifica cinco categorias hierárquicas que
detectam os diferentes níveis de capacidade funcional em idosos como:
-Fisicamente dependentes: pessoas que não podem executar atividades básicas da
vida
diária (como vestir-se, tomar banho, comer) e que dependem de outros para suprir as
necessidades diárias;
34
-Fisicamente frágeis: indivíduos que conseguem executar atividades básicas da vida
diária, mas não todas as atividades instrumentais da vida diária;
-Fisicamente independentes: podem realizar todas as atividades básicas e
instrumentais da vida diária, mas são geralmente sedentários;
-Fisicamente ativos: realizam exercícios regularmente e aparentam ser mais jovens
que sua idade cronológica;
-Atletas: correspondem a pequena porcentagem da população, pessoas engajadas em
atividades competitivas.
A capacidade funcional, especialmente a dimensão motora, é um dos importantes
marcadores de um envelhecimento bem sucedido e da qualidade de vida dos idosos, a perda
dessa capacidade, está associada a predição de fragilidade, dependência, institucionalização,
risco aumentado de quedas, morte e problemas de mobilidade, trazendo complicações ao
longo do tempo, e gerando cuidados de longa permanência e alto custo.( CORDEIRO, RC
2002 apud GUIMARÂES et al. 2004)
Para Andrade (2009) a perda de função nas pessoas idosas é a principal manifestação
de doença, correspondendo habitualmente a cada tipo de doença, um tipo de perda funcional
específico, afetando um grupo específico de atividades de vida diária.
Franchi et al (2009) define incapacidade funcional como a inabilidade ou a dificuldade
de realizar tarefas que fazem parte do cotidiano do ser humano e que normalmente são
indispensáveis para uma vida independente na comunidade, já a capacidade funcional se
refere a potencialidade para desempenhar as atividades de vida diária ou para realizar
determinado ato sem necessidade de ajuda, imprescindíveis para proporcionar uma melhor
qualidade de vida.
Araújo
(2006)
voltado
para
percepções
sobre
independência
focou
predominantemente sobre as habilidades funcionais que dispensam ajuda, o desempenho das
atividades de vida diária é considerado um parâmetro aceito e legítimo para firmar essa
avaliação, sendo utilizado pelos profissionais da área de saúde, para avaliar graus de
dependência de pessoas idosas.
Apesar de parte dos indivíduos idosos (pelo menos aqueles não institucionalizados)
apresentarem diminuição de desempenho na realização de atividades motoras do cotidiano, no
que se refere à velocidade de execução da tarefa, ao padrão motor e à freqüência com que são
realizadas, grande parte dos idosos das comunidades ainda apresenta independência para
execução das AVD em geral (Spirduso, 1995 apud Andreotti, R.A. & Okuma, S.S., 1999).
35
3 METODOLOGIA
3.1 TIPOS DE ESTUDO E ABORDAGEM DA PESQUISA
Todos os indivíduos da presente pesquisa foram estudados segundo preceitos da
declaração de Helsinque e do Código de Nuremberg, respeitada as normas de pesquisa
envolvendo seres humanos (Res. CNS 196\96) do conselho nacional de saúde após a
submissão e aprovação do projeto pelo comitê de Ética e Pesquisa (Apendicê A), autorizado
pelo responsável da paróquia Nossa Senhora de Fátima (Apêndice B) e pelos responsáveis
legais, por meio da assinatura do termo consentimento livre e esclarecido (Apêndice C).
Para a classificação do presente estudo, utilizou-se a tipologia proposta por Marconi
e Lakatos (2005) na qual as autoras distinguem o método de abordagem dos métodos de
procedimentos. O primeiro se caracteriza por uma abordagem mais ampla e nível de abstração
mais elevada dos fenômenos estudados. Já os métodos de procedimentos são definidos como
etapas mais concretas de investigação.
Quanto ao método de abordagem, o estudo pode ser classificado como hipotéticodedutivo, uma vez que parte da identificação de um problema, que é a necessidade de
verificação empírica da existência de correlação entre atividade física com o risco de queda
em idosas independentes, seguindo da proposição de hipóteses que devem ser submetidas a
testes de falseamento.
Quanto aos métodos de procedimento, classifica-se como método estatístico, pois
serão utilizados processos estatísticos para, quantitativamente, testar a hipótese proposta de
existência de correlação entre atividade física com o risco de queda em idosas independentes.
O estudo pode ser ainda classificado como qualitativo, transversal, analítico
descritivo.
36
3.2 LOCAL
O Estudo foi realizado na paróquia Nossa Senhora de Fátima no distrito de Icoaraci,
na cidade de Belém do Pará (Apendicê B), as terças-feiras, quartas-feiras e aos sábados no
horário das 8 á 12 horas.
3.3 AMOSTRA
Foram avaliadas 50 idosas provenientes da paróquia Nossa senhora de Fátima.
3.4 PERÍODO
A pesquisa será realizada no período janeiro a março de 2010.
3.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Idosas da faixa etária de 60 á 80 anos, idosas independentes, que aceitem assinar o
TCLE e com nível cognitivo satisfatório.
3.6 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Todas as idosas que não se adequarem nos critérios de inclusão e aos que apresentam
sintomas de labirintopatias.
37
3.7 RISCOS E BENEFÍCIOS
3.7.1 Riscos
O presente trabalho não impõe riscos graves às participantes da pesquisa, que serão
solicitadas durante a aplicação do teste de escala de equilíbrio de Berg a realizar
movimentos , porém as avaliadoras estarão ao lado da idosa para evitar qualquer acidente,
caso a mesma apresente desequilíbrios. Entretanto, caso ocorra algum acidentes com as
idosas participantes, no momento da aplicação do teste, a mesma será encaminhada
imediatamente ao posto de saúde mais próximo, ou ao atendimento médico particular se
possuir. Serão também submetidas a questionários, caso haja esquecimento das idosas com
relação às respostas dos questionários, as avaliadoras farão um estimulo de sua memória
através de cuidadosas repetições das perguntas.
3.7.2 Benefícios
Os dados encontrados poderão contribuir para acrescentar à literatura dos
resultados referentes ao tema.
Verificar a correlação da atividade física com o rico de quedas em idosas
independentes.
Detectar as idosas com maior probabilidade de chances de quedas e informá-las.
Estimular e conscientiza as idosas dos efeitos benéficos da atividade física.
Prevenir quedas em idosas.
38
3.8 COLETAS DE DADOS: ETAPAS TÉCNICAS E INSTRUMENTOS
3.8.1 Técnica de pesquisa
Relativamente à técnica, optou-se pela observação direta e extensiva, mais
especificamente, a técnica de formulário, definida por Marconi e Lakatos (2005) como um
roteiro de perguntas enunciadas pelo entrevistador e preenchidas por ele com as respostas do
pesquisado.
3.8.2 Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE)
Antes de qualquer etapa da pesquisa, será aplicado um termo de consentimento livre
e esclarecido (TCLE), no qual terá todas as informações do estudo e não acarretará nenhum
ônus ao participante (Apêndice C).
3.8.3 Procedimentos para coleta de dados
Primeiramente, foi feito um levantamento do número de idosas cadastradas na
paróquia Nossa Senhora de Fátima, na mesma são cadastras 100 idosas, que participam de
diversas atividades como: pintura, dançar, hidroginástica, grupo de oração, e um grupo de
coordenadoras que coordenam todas as atividades feitas pelas as idosas. Foram selecionadas
50 idosas por conveniência. e submetidas ao teste Katz, exame do mini-mental, ficha de
avaliação global, ficha de avaliação da atividade física e a escala de equilíbrio de Berg
respectivamente.
39
3.8.4 Instrumentos para coleta de dados
Na coleta de dados, serão utilizados teste Katz, exame do mini-mental, ficha de
avaliação global, ficha de avaliação da atividade física e a Escala de equilíbrio de Berg.
3.8.5 Índice de Katz (ANEXO I)
Muitos são os instrumentos utilizados para avaliação funcional em gerontologia. O
Índex de Independência nas Atividades de Vida Diária desenvolvido por Sidney Katz é, ainda
hoje, um dos instrumentos mais utilizados nos estudos gerontológicos nacionais e
internacionais, embora tenha sido publicado pela primeira vez em 1963.( Katz S, 1963 apud
Duarte et. al, 2007)
O índice de Katz foi aplicado nas idosas, para avaliar o nível de independência,
devido ser um critério de inclusão, idosas independentes. Foi utilizado para avaliação das
AVDs relacionadas com os cuidados pessoais.
O índex de Katz foi escolhido em função da sua grande utilização e vasta
aplicabilidade para um número extenso de pacientes geriátricos, além do mesmo possibilitar a
análise das alterações ocorridas ao longo dos anos (SATO et al., 2002, apud Carvalho, 2007)
O índice classifica a adequação do desempenho nas seis funções de tomar banho,
vestir, ir ao banheiro, transferência, continência e alimentação. As idosas são pontuadas sim
ou não para a independência de cada uma das seis funções. A pontuação de 6 indica a função
total, 4 indica insuficiência moderada e 2 ou menos indica comprometimento funcional grave.
Foram incluídas na pesquisa somente aquelas que obtiveram pontuação máxima.
Figura 11: Transferência de sedestação para
Bipedestação
Fonte: do autor, 2010.
Figura 12: Coordenação motora de tratos
finos
Fonte: do autor, ano 2010.
40
3.8.6 Exame do Mini-mental (ANEXO II)
O exame do mini-metal foi aplicado nas idosas, para avaliar a cognição, devido ser
um critério de inclusão, idosas com o cognitivo satisfatório.
É o instrumento mais utilizado mundialmente, inclui 11 itens, dividido em 2 seções.
A primeira exige respostas verbais a questões de orientação, memória e atenção, a segunda,
leitura e escrita, habilidades de nomeação, seguir comandos verbais , escrever uma frase e
copiar um desenho (polígono). (Folstein MF,1975 apud Chaves 2008).
Fornece informações sobre diferentes parâmetros cognitivos, contendo questões
agrupadas em sete categorias, cada uma delas planejada com o objetivo de avaliar "funções"
cognitivas especificas como a orientação temporal (5 pontos), orientação espacial (5 pontos),
registro de três palavras (3 pontos), atenção e calculo (5 pontos), recordação das três palavras
(3 pontos), linguagem (8 pontos) e capacidade construtiva visual (1 ponto). O escore do
MEEM pode variar de um mínimo de 0 pontos, o qual indica o maior grau de
comprometimento cognitivo dos indivíduos , ate um total Maximo de 30 pontos, o qual, por
sua vez, corresponde a melhor capacidade cognitiva.
O ponto de corte mais freqüentemente utilizado para indicar comprometimento
cognitivo que merece investigação posterior é 24. Alguns autores sugerem 25 para aumentar a
sensibilidade e para demência leve 14. O ponto de corte e freqüentemente ajustado para o
nível educacional, porque um único corte pode perder casos entre pessoas de educação mais
alta e gerar falsos positivos entre aqueles menos educados.
Alguns autores já sugeriram que o corte 24 mostrou-se excelente para pessoas com
escolaridade acima de 9 anos, enquanto o corte 17 foi ótimo para aqueles com menor
escolaridade (Murden RA, McRae TD,1991 apud Chaves 2008).
Foram incluídas no trabalho as idosas com escolaridades acima de 9 anos que
alcançaram no mínimo 24 pontos e idosas com escolaridade abaixo de 9 anos que alcançaram
no mínimo 17 pontos.
41
3.8.7 Ficha de Avaliação (APENDICE D)
Após a idosa ser submetida ao teste de Katz e ao exame do mini-metal, e se
enquadrar nos critérios de inclusão da pesquisa, foi aplicada uma ficha de avaliação onde
foram coletados dados como: nome, idade, escolaridade, ocupação, data de nascimento,
histórico familiar, doenças neurológicas, queda nos últimos 12 meses, quantas vezes, qual o
intervalo entre uma queda e outra, quais as conseqüências das quedas, uso de dispositivo
auxiliar de macha, Pressão Arterial, Freqüência Cardíaca, Freqüência respiratória.
3.8.8 Verificação: PA, FC, FR.
Os Sinais vitais foram avaliados, durante a realização da ficha de avaliação global.
Foram aferidos os níveis de pressão arterial (PA), freqüência respiratória (FR) e Freqüência
cardíaca (FC). A PA foi verificada através de estetoscópio e um esfigmomanômetro da marca
Premium tipo anaróide. A freqüência cardíaca foi verificada pelo frequencímentro da marca
Polar T31 e a freqüência respiratória pela visualização da expansibilidade torácica.
As idosas avaliadas permanecerão em repouso por 5 minutos, sentadas em uma
cadeira com apoio para as costas. Ao final de cinco minutos, a avaliadora posicionou o braço
esquerdo da idosa em uma mesa fixando o esfigmomanômetro ao mesmo, capturando em
seguida, os valores da PA em repouso, através da ausculta do pulso da artéria braquial, na face
Antero-medial do antebraço esquerdo. Em seguida o estetoscópio foi acoplado na altura da
região pré-cordial, imediatamente abaixo do processo xifóide, para obter os valores da FC de
forma direta.
A freqüência respiratória foi verificada também através do uso estetoscópio na região
do terço superior do hemitórax esquerdo, pela ausculta do numero de expiração em 1 minuto.
Figura 13: Verificação da FC e FR
Fonte: do autor, 2010.
Figura 14: verificação da Pressão Arterial
Fonte: do autor, 2010.
42
3.8.9 Ficha de Avaliação de Atividade de Física (UMEDA) (ANEXO III)
As perguntas estão relacionadas ao tempo em que o individuo gastou fazendo
atividade física na última semana. As perguntas incluem as atividades que faz no trabalho,
para ir de um lugar a outro, por lazer, por esportes, por exercício ou como parte das suas
atividades em casa ou no jardim.
Para responder as perguntas somente nas atividades em que o idoso realiza por pelo
menos 10 minutos contínuos de cada vez como: quantos dias e na semana ele caminha? Em
atividade em casa ou no trabalho, para ir de um lugar para outro, por lazer, por prazer ou
como forma de exercício. O tempo total que caminha por dia? quantos dias da última semana
o individuo realizou atividades como, pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica
aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa,
no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do jardim ou qualquer atividade que fez
aumentar moderadamente sua respiração ou batimento do coração?
Nos dias em que fez essas atividades moderada por pelo menos 10 minutos contínuos,
quanto tempo no total gastou fazendo essas atividades por dias?
Em quantos dias da última semana o idoso realizou atividades vigorosas por pelo
menos 10 minutos contínuos, como correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar
rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviço doméstico pesados em casa no quintal ou
cuidar do jardim, carregar pesos elevados ou qualquer atividade que fez aumentar muito sua
respiração ou batimento do coração?
Os dias em que os indivíduos fizeram essas atividades vigorosas por pelo menos 10
minutos contínuos, quanto tempo no total gastaram fazendo essas atividades por dia?
Aparti
dessas
perguntas
os
idosos
serão
classificados
em
sedentários,
insuficientemente ativo, ativo, muito ativo.
São classificadas como sedentárias aquelas que não realizaram nenhuma atividade
física por pelo menos 10 minutos contínuos durante a semana. Insuficientemente ativa aquelas
que realizaram atividade física por pelo menos 10 minutos por semana, porém insuficiente
para ser classificado como ativo. Pode ser dividido em dois grupos:
-As que Atingiram pelo menos um dos critérios da recomendação, com no mínimo de
Freqüência: 5 dias/semanal ou Duração: 50 min./semanal.
-Não atingiu nenhum dos critérios da recomendação
43
Para realizar essa classificação somam-se a freqüência e a duração dos diferentes tipos
de atividade (caminhada + moderada + vigorosa).
Ativas são aquelas que cumpriram as recomendações e realizaram atividades
vigorosas: > 3 dias / semanal e > 20minutos por sessão. aquelas que realizaram atividades
moderada ou caminhada: > 5 dias/ sem e 30minutos por sessão ou as realizaram qualquer
atividade somada: > 5 dias/sem e > 150minutos/sem (caminhada + moderada + vigorosa).
Muito ativas são as que Cumpriram as recomendações e realizaram atividades
vigorosas: > 5 dias/sem e > 30 minutos por sessão ou atividades vigorosa: > 3 dias/ sem e >
20 minutos por sessão mais atividade moderada e ou caminhada: > 5 dias/sem e > 30minutos
por sessão.
Figura 15: Aplicação do Questionário de Atividade Física
Fonte: do autor, 2010
3.9 Escala de Berg (ANEXO IV)
A idosa foi submetida à escala de Berg para testarmos seu equilíbrio funcional.
Essa escala permite uma correlação entre a intensidade dos sintomas classificados em
categoria e uma graduação numérica, desenhada para guarda proporcionalidade com a
intensidade do esforço (MARTINIZ, et AL 2004).
O que pode ajudar na prevenção é a triagem da população com probabilidade de cair.
Isso é possível a partir da utilização de teste que averiguam o equilíbrio.
A Escala avalia 14 itens comuns à vida diária. O máximo escore que pode ser
alcançado é 56 e cada item possui (ou apontam) cinco alternativas que variam de 0-4. O teste
é simples, fácil de administrar (leva cerca de 15minutos) e seguro para a avaliação de
44
pacientes idosos. Para a execução do teste serão necessário duas cadeiras: uma com braço e
outra sem braço, ambas de material semelhantes; uma banqueta; um cronômetro e duas
réguas. Sendo considerada a escala mais completa, pois avalia o equilíbrio nas situações de
vida diária.
Este instrumento mostra excelente confiabilidade (0.96) e de moderada para boa
correlação com outros instrumentos de avaliação funcional do equilíbrio.
As idosas foram submetidas a duas avaliações. As duas avaliações foram executadas
consecutivamente no mesmo dia por uma única observadora, em um intervalo de
aproximadamente 15 minutos.
Segundo Shumway-Cook (2003) e colaboradores, a escala de equilíbrio de Berg foi
a que melhor preveniu o status de quedas. O declínio nas pontuações dessa escala foi
associado a um nível elevado de queda, no entanto, essa relação não é linear. Na amplitude de
56 – 54 cada ponto a menos foi associado ao aumento de 3% a 4% na chance de quedas. Na
amplitude de 54 – 46, a alteração de um ponto foi associada ao aumento de 6% a 8% no risco
de quedas. Pontuação a baixo de 36 levam chances perto de 100% de cair.
Figura 16: Apoiar o pé em um degrau
Fonte: do autor, 2010
Figura 17: Apoio Unipodal
Fonte: do autor, 2010
3.9.1 Tratamento dos dados
PACOTE COMPUTACIONAL
Os cálculos estatísticos foram realizados no programa computacional R versão
2.11.0. O R pode ser definido como um sistema de análise estatística, matemática e gráfica (R
DEVELOPMENT CORE TEAM, 2010). É distribuído gratuitamente, sob os termos da GNU
General Public License, no sítio http://www.r-project.org/ e seu desenvolvimento e
45
distribuição são conduzidos por muitos estatísticos e colaboradores conhecido como R
Development Core Team (Time de desenvolvimento de R).
DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS
Na definição das variáveis, incluiu-se a classificação de seu nível de mensuração, por
ser uma característica determinante no seu tratamento estatístico. As variáveis estudadas,
nesta monografia, foram classificadas em dois níveis de mensuração1: o ordinal e o intervalar.
O nível de mensuração ordinal proporciona informação sobre a ordenação da categoria, mas
não indica a magnitude de diferenças entre os números. Dada uma escala nominal, se a
relação de “esta é maior do que aquela” e essa relação vale para as demais classes, tem-se
uma escala ordinal. Já o nível de mensuração intervalar indica a ordenação e a distância entre
as categorias (SIEGEl, 1975; LEVIN e FOX, 2004).
A classificação do nível de atividade física dos indivíduos (CAF) é uma variável de
nível de mensuração ordinal. O risco de queda é medido pelo escore da escala de equilíbrio de
Berg (EEB) que é uma variável de nível de mensuração intervalar. Inclui-se também, no
estudo, o número de quedas (NQ) nos últimos 12 meses que é uma variável de nível de
mensuração intervalar.
DETERMINAÇÃO DO TAMANHO DA AMOSTRA
Para determinação do tamanho da amostra foram seguidas as orientações de Levine
et al. (2005). Como o nível de mensuração de uma das variáveis de interesse, a variável CAF,
é ordinal, utilizou-se a fórmula para determinação do tamanho da amostra para uma proporção
abaixo:
Z 2 p (1 − p )
n=
e2
(Nº)
onde n é o tamanho da amostra; Z é uma variável normal padronizada correspondente
ao grau de confiança desejado; e é o erro de amostragem, que corresponde á margem de erro
1
Há ainda o nível de mensuração nominal que é o caso da ocupação dos indivíduos estudados, no entanto, essa
variável não foi objeto de testes estatísticos, sendo uma variável apenas descritiva no contexto desta pesquisa,
não contribuindo para o teste da hipótese nula, nem para conclusões adicionais.
46
máximo de estimativa, identificando a diferença entre a proporção amostral e a verdadeira
proporção; p é a proporção de indivíduos que pertence a categoria que estamos interessados
em estudar, q é a proporção populacional de indivíduos que não pertencem à categoria que
estamos interessados em estudar (q = 1-p).
MEDIDAS DE CORRELAÇÃO
Para medir a associação entre a atividade física e o risco de queda, utilizou-se o
coeficiente de correlação de Spearman, um teste não-paramétrico, uma vez que a variável de
classificação de atividades física (CAF) é uma variável de nível de mensuração ordinal, já que
classifica os indivíduos e níveis de atividade física (em ordem crescente: sedentário,
insuficientemente ativo, ativo e muito ativo) e, segundo Siegel (1975), os clássicos testes
paramétricos2 exigem que as variáveis sejam de escala de mensuração intervalar; portanto, a
alternativa não paramétrica é a recomendada neste estudo pelo fato de uma das variáveis não
possuir o nível de mensuração exigida pelos testes paramétricos.
Siegel (1975) explica que o coeficiente de correlação de Spearman (rs) mede o nível
da relação linear entre duas variáveis. O seu valor varia entre -1 e 1. Um coeficiente de
correlação igual a -1 indica correlação linear negativa perfeita. Um coeficiente de correlação
igual a 1 indica correlação linear positiva perfeita. Quando seu valor é zero, indica total
ausência de relação linear. Sendo calculado por meio da seguinte equação:
n
rs =
6∑ di2
i =1
3
n −n
(Nº)
onde n é o número de observações e ∑di2 é a soma dos quadrados das diferenças
entre os postos.
Calculou-se também o coeficiente de determinação (r2) entre as variáveis pelo fato
dessa medida de associação ser expressa em termos percentuais, o que facilita o entendimento
da correlação entra as variáveis do estudo. O coeficiente de determinação é calculado por
meio da seguinte equação.
r 2 = (rs ) 2
2
(Nº)
A medida de associação paramétrica entre duas variáveis é o coeficiente de correlação de Pearson (SIEGEL,
1975).
47
onde rs é coeficiente de correlação de Spearman anteriormente calculado.
No intuito de verificar formalmente hipótese nula de NÃO existência de correlação
entre a atividade física e o risco de queda, os valores de rs calculados foram comprovados,
conforme orienta Siegel (1975), por meio da seguinte prova:
t = rs
n−2
1 − rs2
(Nº)
onde rs é coeficiente de correlação de Spearman e n é o número de observações. Para
um número de observações maior do que 10, a fórmula Nº tem uma distribuição t de Student
com n-2 graus de liberdade.
Os valores reportados nos resultados são os valores-p dos coeficientes de correlação.
Os valores-p são conhecidos como “o nível de significância, que representa o menor nível a
partir do qual H0 pode ser rejeitada para um determinado conjunto de dados” (LEVINE et.
al., 2005, p.317). Se o valor-p or maior ou igual ao nível de significância (α), a hipótese nula
não é rejeitada. Se o valor-p for menor do que o nível de significância (α), a hipótese nula é
rejeitada (LEVINE et. al., 2005, p.317; LEVIN e FOX, 2004, p. 234). O nível de significância
adotado nesta pesquisa foi de 5%.
Para validação das medidas de EEQ, os indivíduos foram avaliados duas vezes. A
fim de verificar se as distribuições de escores de EEB sofreram alterações de primeira para a
segunda avaliação, utilizou-se o teste de Wilcoxon para dados dependentes. Siegel (1975) e
Fávero et al. (2009) apresentam o teste de Wilcoxon como uma alternativa ao teste t para
comparar amostras dependentes ,ou relacionadas, na qual comparam-se resultados de
observações em indivíduos em dois momentos diferentes, ou seja, o indivíduos é controle dele
próprio. Esse é o caso de medidas de EEB em duas avaliações consecutivas. Quando o
número de observações N > 25, Siegel (1975) explica que a estatística tem distribuição
praticamente normal, podendo ser calculada pela equação a seguir:
N ( N + 1)
4
N ( N + 1)(2 N + 1)
24
T−
z
onde
T
é
menor
soma
de
postos
de
mesmo
sinal.
48
4 RESULTADOS E DISCUSSÂO
Foram entrevistadas 50 idosas, de 60 a 85 anos, na Paróquia de Nossa Senhora de
Fátima. No gráfico 01, é exibida a distribuição da amostra estudada por ocupação.
Gráfico 1 – Distribuição por ocupação das idosas, de 60 a 85 anos, da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
Fonte: do autor
Entre as idosas entrevistadas, a maioria se dedica às tarefas do lar, ou seja, 37 de 50
idosas, correspondendo a 74% da amostra que se dedica a atividades domésticas. Em menor
número, há também oito artesãs (16%), duas professoras e duas administradoras (ambas com
4%) e uma secretária (2%).
A Tabela 1 e o Gráfico 2 apresentam a distribuição de freqüências de classificações
de atividade física das idosas da amostra. A maior parte dos indivíduos foi classificada em
Ativos 46% e Insuficientemente Ativos 44%. Quatro indivíduos foram classificados como
Sedentários (8%). O único indivíduo classificado como Muito Ativo (2%) é uma professora
de 60 anos.
Tabela 1- Distribuição de freqüências dos indivíduos por classificação de atividade
física.
Classificação
fa
%
Sedentário
4
8,0
Insuficientemente ativo
22
44,0
Ativo
23
46,0
Muito ativo
1
2,0
Total
50
100,0
Fonte: Pesquisa de campo.
49
Gráfico 2 – Distribuição de freqüências dos indivíduos por classificação de atividade física.
Fonte:do autor
Benedetti et al. (2008) detectou que a maioria (59,3%) das idosas de Florianópolis
foram considerada não sedentária.O domínio das atividades domésticas foi o que mais
contribuiu para o nível ativo. Segundo ele, esses dados devem estar influenciados por
questões culturais, devido às mulheres serem atribuídas aos afazeres domésticos e cuidados
com a família. A presente pesquisa concorda com o autor acima, onde pode-se constatar que
46% das idosas ativas têm como ocupação atividade doméstica de vida diária.
Os gráficos 3 e 4 indicam que aparentemente não houve fortes modificações dos das
20
15
10
Frequência
10
5
5
0
0
Frequência
15
distribuições de escores da primeira para a segunda avaliação.
44
46
48
50
52
54
56
EEB
Gráfico 3 – Histogramas da primeira
Fonte:do aoutor
42
44
46
48
50
EEB2
e segunda avaliação
52
54
56
50
O 4 gráfico exibe uma ligeira diferença entre as duas distribuições, com a segunda
apresentando escores levemente mais elevados. A fim de verificar se as distribuições de
escores de EEB sofreram alterações de primeira para a segunda avaliação, utilizou-se o teste
de Wilcoxon para dados dependentes, já que os resultados das estatísticas Ws das
distribuições são altamente significativas, indicando que EEB (W=0,8622) e EEB2
(W=0,8298) não são normalmente distribuídas. O valor da estatística de Wilcoxon (z = 153)
não é estatisticamente significantes (valor-p= 0,1514), logo podemos concluir que os valores
42
44
46
48
EEB
50
52
54
56
de EEB da primeira avaliação não difere da segunda.
1a avaliação
2a avaliação
Avaliações
Gráfico 4 – Distribuições amostrais da primeira e segunda avaliação.
Como não houve diferença estatística significante entre as avaliações optou-se
utilizar os resultados dos escores da primeira avaliação para serem agrupados por
classificação de atividade física e assim verificar a correlação do equilíbrio de Berg através
dos escores obtidos e pela sua classificação no questionário de atividade física.
As estatísticas descritivas dos escores da escala de Berg e do número de quedas nos
últimos 12 meses são apresentadas na Tabela 2. A média dos escores de equilíbrio de Berg
(EEB) foi 52,42. Considerando um intervalo de confiança de 95%, pode-se afirmar que o
escore médio populacional se situa entre 51,41 e 53,43. O escore mínimo registrado foi 42 e o
escore máximo foi de 56. A mediana de EEB é 53, indicando que metade dos escores das
idosas pesquisadas se situa abaixo desse valor (e a outra metade acima).
51
Tabela 2- Estatísticas descritivas dos escores da escala de Berg e do número de quedas
nos últimos 12 meses.
Média Desvio-Padrão Mediana Mínimo
Máximo
EEB
52,42
3,56
53,00
42,00
56,00
NQ
0,82
1,04
0,00
0,00
3,00
Nota: EEB é o escore na escala de equilíbrio de Berg e NQ é o número de quedas nos últimos 12 meses.
Fonte: Pesquisa de campo.
Bomfim et al.(2008) em sua pesquisa cientifica obteve resultados onde as pontuações
obtidas através da Escala de Equilíbrio de Berg (EEB) encontraram-se entre 42 e 56 pontos
com média de 52 pontos. Na amplitude de 56-54, cada ponto a menos é associado a um
aumento de 3 a 4% no risco de quedas, de 54-46 a alteração de um ponto é associada a um
aumento de 6 a 8% de chances, sendo que abaixo de 36 pontos o risco de quedas é quase
100%.
Ele acrescenta ainda que Frágil, incapaz e dependente são alguns dos principais
adjetivos atribuídos ao idoso, esta concepção advém dos inúmeros estudos que relatam a
incidência de doenças nesta fase da vida, alem de incapacidades e limitações. No entanto, o
envelhecimento pode ser visto de modo mais otimista, não só como um período de
degradações, mas de ganhos potenciais dependendo do estilo de vida adotado.
O que justifica a alta média de pontuação na EEB da população estuda na presente
pesquisa, em que 48% das idosas que obtiveram na amplitude de 54-56 escores, 42%
obtiveram escores na amplitude de 54-46 e somente 10% obtiveram resultado inferiores a 46
pontos.
A literatura atual relativa à EEB não definiu uma pontuação crítica de risco de queda,
mas sim um intervalo situado entre 36 e 45 pontos. No intervalo de pontuação inferior a 36
pontos o risco de queda é de 100% e no intervalo situado entre 36 e 45 pontos o risco de
queda é alto necessitando-se de intervenção fisioterápica (PEREIRA, et al., 2007 apud
AGUIAR et al. 2008 ).
Na presente pesquisa apenas 5 idosas obtiveram EEB igual a 44 na primeira
avaliação,na segunda avaliação 2 obtiveram EEB igual a 45, outras duas 44 e o que as
enquadra em um intervalo critico de risco de queda necessitando de intervenção
fisioterapeutica.
Estudiosos sugerem que indivíduos que apresentam reduzidos níveis de equilíbrio
apresentam uma elevada preocupação com a ocorrência de quedas e pouca confiança no seu
52
próprio equilíbrio, limitando, por conseqüência, as suas atividades. (Brouwer et al apud
CARVALHO et al , 2006)
Aguiar et al. (2009) na avaliação do equilíbrio de idosas através escala de berg ,
observou-se que 4 (44,4%) dos idosos apresentaram uma pontuação abaixo de 36 pontos
variando entre 25 á 39 pontos que é considerado pela escala como risco de quedas de 100% e
5 (55,6%) dos pacientes estavam com risco alto de ocorrência de possibilidade de quedas
entre 40 á 47 pontos e nenhum dos avaliados conseguiram pontuação necessária para se
enquadrarem no grupo de baixo risco.
Estudos mostram que com a idade há uma diminuição no controle postural.
(TEIXEIRA, CS, 2007 apud MANN et al., 2008).
Mann (2008) acrescenta que essas considerações ficam evidenciadas no estudo de
Manfio, Muniz e Rabello, que encontraram maiores valores de excursão do centro de pressão
no grupo de idosos, quando comparados a indivíduos adultos com olhos abertos. O mesmo
ocorreu no estudo de Silva et al., que verificou que jovens apresentaram maior estabilidade
postural quando comparados aos idosos em relação à amplitude ântero-posterior e velocidade
de deslocamento do centro de pressão, comprovando que este é maior com o avançar da
idade.
No tocante ao número de quedas nos últimos 12 meses, as idosas relataram que, em
média, caíram 0,82 vezes, sendo que 27 relataram não terem caído, 10 relataram ter caído uma
vez, 8 relataram duas quedas e cinco idosas relataram terem caído três vezes.
Gráfico 5 – Distribuição de freqüências do número de queda nos últimos 12 meses.
Fonte:do autor
53
Benedetti (2008) detectou em seus dados de pesquisa que os idosos mais acometidos
por quedas se encontram na faixa etária de 70 a 79 anos de idade. No entanto, idosos acima de
80 anos tendem a sofrer mais quedas do que idosos de faixas etárias inferiores, apresentando
risco relativo de 1.7 de ocorrência de quedas e este número crescente de quedas com o
aumento da idade é consistente com a literatura.
Segundo MAZO GZ et. al. (2007) as quedas e suas conseqüências se fazem presentes
em todas as épocas da vida, porém são encaradas mais explicitamente como um problema na
idade mais avançada e são mais freqüentes nessa faixa etária, e os indivíduos idosos, quando
caem, correm mais riscos de lesões.
Na tabela 3, é apresentada a matriz de coeficientes de correlação de Spearman entre a
atividade física, escore na de equilíbrio de Berg e o número de quedas nos últimos 12 meses.
Tabela 3- Matriz de Coeficientes de Correlação de Spearman.
CAF
EEB
1,0000
CAF
EEB
0,5843*
NQ
1,0000
(0,0000)
NQ
-0,4779*
-0,4459*
1,0000
(0,0004)
(0,0012)
Nota: CAF é a classificação do nível de atividade física, EEB é a o escore na Escala de Equilíbrio de
Berg e NQ é o número de quedas nos últimos 12 meses. Os valores entre os parênteses são os
valores P e o asterisco indica que o coeficiente de correlação é significante.
Fonte: Dados da pesquisa.
Ao examinar a matriz, constata-se imediatamente a existência de associação entre as
variáveis de estudo com níveis de significância elevados (P<1%).
Observa-se que a existência de correlação positiva (rs = 0,5843), moderada e
significativa (P<0,1%) entre a atividade física (CAF) e o escore na escala de equilíbrio de
Berg (EEB), ou seja, quanto maior o nível de prática atividade física da idosa maior o seu
escore na escala de Berg, sugerido que a atividade física contribui para a diminuição do risco
de queda.
O gráfico 5 exibe com maior clareza a associação positiva entre a atividade física e
escore na escala de Berg. As idosas classificadas como insuficientemente ativas podem obter
escores na escala de Berg superiores às das idosas classificadas como sedentárias, logo as
sedentárias podem ter escores inferiores e serem mais propensas a quedas. Na medida em que
54
a classificação de atividade física vai sendo elevada para insuficientemente ativo, ativo e
muito ativo, maiores parecem ser as medianas dos escores na escala de Berg obtidos pelas
54
52
50
48
46
44
Escala de Equilíbrio de Berg (EEB)
56
idosas e menores seus respectivos riscos de queda.
Sedentário
Ins. ativo
Ativo
Muito ativo
Classificação de Prática de Atividade Física
Gráfico 6 – Escores na escala de equilíbrio de Berg agrupados por classificação de atividade física.
Fonte: Dados da pesquisa.
Um estudo utilizando-se do mesmo critério para avaliação do equilíbrio que este
trabalho, a escala de equilíbrio de berg, obteve em seu estudo uma diminuição significativa do
índice de equilíbrio de idosos, após participarem de um programa de atividade física, que
constava apenas de caminhada e alongamentos. (CAROMANO,1998 apud AVEIRO et al.,
2004 )
Através de um estudo científico Mazo GZ et. al (2007) , realizou a análise entre o nível
de atividade física (AF) e a incidência de quedas com as condições de saúde dos idosos,
constatou-se haver nível de significância entre algumas variáveis (nível de AF “pouco ativo”,
“quedas”, “estado de saúde ruim”, “saúde dificulta a prática de AF” e “insatisfação com a
saúde”); o que pode corroborar a importância de manter um alto nível da atividade física a fim
de minimizar a incidência de quedas e melhorar a saúde geral.
Afirma ainda que segundo a American College of Sports Medicine, atualmente, está
comprovado que quanto mais ativa é uma pessoa, menos limitações físicas ela tem.
55
Silva et al. (2008) detectou que um programa de exercícios de força em idosas pode
melhorar as suas capacidades funcionais como a do equilíbrio, da coordenação e da agilidade,
além de minimizar os fatores de risco de quedas.
Através de pesquisas de campo estudiosos observaram uma melhora significativa do
equilíbrio e da força muscular em mulheres osteoporóticas após treinamento físico de
fortalecimento muscular e conclui que esta melhora, provavelmente, resulta num menor
número de quedas.( MITCHELL ET AL, 1999 apud AVEIRO et al., 2005)
Os resultados da presente pesquisa vão de encontro aos resultados de outros autores,
os quais relataram que exercícios como a caminhada para mulheres idosas ocasionam uma
melhora da resistência muscular e da funcionalidade (RUBENSTEIN et al., apud SILVA et
al. 2008)
A presente pesquisa através de seus resultados, aonde à medida que a classificação de
atividade física vai sendo elevada para insuficientemente ativo, ativo e muito ativo, maiores
parecem ser as medianas dos escores na escala de Berg obtidos pelas idosas e menores seus
respectivos riscos de queda, concordando assim com os autores acima, de que atividade física
influência a melhora do equilíbrio e conseqüentemente prevenindo episódios de queda.
Pesquisa sobre o efeito benéfico de um programa de atividade física baseado no Tai
Chi em mulheres idosas obteve resultados de aumento do equilíbrio e uma diminuição do
medo de cair . (TAGGART HM, 2002 apud CARVALHO et al , 2006)
A atividade física é considerada uma modalidade terapêutica que melhora a
mobilidade física e a estabilidade postural, que estão diretamente relacionadas com a
diminuição de quedas, muitos estudos tem examinado os efeitos do exercício físico sobre a
estabilidade postural, porém poucos investigadores têm continuado a examinar os
subseqüentes efeitos sobre a freqüência de quedas na vida diária.( THOMAS, S.G., 2000 apud
GUIMARÃES et al., 2005)
Estudos demonstram, que um programa simples com exercícios de resistência e ou
caminhar, pode melhorar a resistência do músculo e a mobilidade funcional em pessoas
idosas, além disso, este estudo fornece uma evidência nova no relacionamento complexo entre
a atividade física e as pessoas propensas a sofrerem quedas, os participantes do exercício
aumentaram significativamente a sua atividade física, embora tenha sofrido poucas quedas em
virtude da sua atividade. O benefício físico em curto prazo mais notável associado a este
programa parece ser uma melhoria total das resistências física e funcional. (RUBENSTEIN et
al., 200 apud SILVA, 2007)
56
Segundo Aveiro et al. (2004) as limitações para realizar as atividades de vida diária
podem estar relacionadas a medo de quedas e dificuldade para equilibrar-se, ou mesmo a falta
de incentivo, assim, com o programa de exercícios as mulheres podem sentir-se mais seguras
e confiantes durante suas tarefas.
Para MAZO GZ et al. (2007) os benefícios provocados pela prática de exercícios físicos
pelas pessoas idosas têm sido estudados pela comunidade científica, destacando aqueles que
atuam na melhora da capacidade funcional, equilíbrio, força, coordenação e velocidade de
movimento, contribuindo para uma maior segurança e prevenção de quedas entre as pessoas
idosas.
A Tabela 4 apresenta as estatísticas de escores de EEB dos indivíduos estudados
agrupados por classificação de prática de atividade física. Aparentemente os valores médios e
medianos confirmam o resultado do teste de correlação de que quanto maior o CAF, maior os
escores de EEB obtidos pelos indivíduos.
Tabela 4- Estatísticas dos escores na escala de Berg agrupadas por classificação de
prática de atividade física.
Sedentário
Insuficientemente ativo
Ativo
Muito ativo
Média
49,00
50,86
54,35
56,00
Desvio-Padrão
3,37
3,86
1,87
--
Mediana
49,00
52,00
55,00
56,00
Nota: O grupo Muito ativo possui somente um indivíduo, assim não possui desvio-padrão.
Fonte: Pesquisa de campo.
A fim de testar formalmente se os escores de EEB dos quatro grupos de prática de
atividade física são diferentes de fato, utilizou-se estatística não-paramétrica de KruskalWallis, que testa a hipótese nula de que as médias das distribuições de EEB das diferentes
classificações de atividade física são iguais. O resultado do teste (H = 16,7873), apresentado
na Tabela 4, indica que há, pelo menos, uma média de EEB diferente das demais entre os
grupos de CAF. O resultado encontrado torna necessária a localização das diferenças
encontradas através de um teste de comparação múltipla apresentado na Tabela X.
57
Tabela 5 - Teste de Kruskal-Wallis para diferenças das médias de EEB dos grupos de prática
de atividade física.
Estatística teste H: 16,7873
Valor-p
(0,0008)
gl:3
Nota: Dados da pesquisa.
Os testes comparação múltipla testam as diferenças entre os escores de EEB entre os
níveis de CAF par a par, no intuito de localizar a média, ou médias, que se destacam entre os
grupos de CAF. Os resultados indicam que o escore médio de EEB dos indivíduos ativos é
estatisticamente diferente das médias dos indivíduos sedentários e insuficientemente ativos,
ao nível de significância de 5%. Em suma, indivíduos classificados como ativos possuem
EEB maiores e menor propensão a quedas do que os indivíduos sedentários ou
insuficientemente ativos, confirmando o teste de correlação entre EEB e CAF.
Tabela 6 - Comparação múltipla entre pares das amostras de categorias de fundos.
Pares
Diferença
Diferença
Decisão
observada
crítica
Sedentário-Ins. ativo
7,3296
20.9046
Falso
Sedentário-Ativo
21,7446
20.8346
Verdadeiro
Sedentário-Muito
ativo
32,3750
42.9983
Falso
Ins. ativo-Ativo
14,4151
11.4691
Verdadeiro
Ins. ativo-Muito ativo
25,0455
39.3232
Falso
Ativo-Muito ativo
10,6304
39.2861
Falso
Nota: Realizado no programa R, pacote pgirmess, função kruskallmc, ao nível de significância de 5%.
Fonte: Dados da pesquisa.
Curiosamente a média da classificação muito ativa não se destacou das demais como
esperado. Isso se deve provavelmente ao fato que somente um indivíduo ter sido enquadrado
nessa classificação, o que afetou o seu desempenho na comparação estatística entre as médias
dos grupos de classificação; contudo, não invalida o resultado do teste de correlação positiva
entre EEB e CAF nem a comparação entre as médias dos demais grupos de classificação.
Analisou-se também a relação entre a prática de atividade física (CAF) e o número
de quedas (NQ) nos últimos 12 meses entre as idosas pesquisadas. Observa-se que a
existência de correlação negativa moderada (rs = -0,4779) e significativa (P<1%) entre a
atividade física e o número de quedas ou seja, quanto maior o nível de prática atividade física
58
da idosa menor o número de quedas relatada, sugerido que a atividade física contribui para a
diminuição número de quedas.
A correlação observada entre EEB e NQ (rs = -0,4459) também é negativa, moderada
e significativa (P<1%), ou seja, quanto maior o EEB, menor o número de quedas relatada,
sugerido que a escala de Berg realmente é um instrumento capaz de determinar os risco de
queda entre os idosos estudados.
Na Tabela 7, é apresentada a matriz com os coeficientes de determinação entre as
variáveis do estudo. Pode-se constatar que 34,15% das variações na escala de Berg podem ser
explicadas pelas variações no nível de atividade física dos indivíduos da amostra, os demais
65,85% são atribuídos a fatores não considerados na pesquisa. 22,84% das variações no
número de quedas podem ser explicadas pelas variações no nível de atividade física e 19,88%
das variações nos números de quedas podem ser explicadas pelo escore de Berg.
Tabela 7- Matriz de Coeficientes de Determinação.
CAF
EEB
NQ
CAF
100,00
34,15
22,84
EEB
NQ
100,00
19,88
100,00
Nota: CAF é a classificação do nível de atividade física, EEB é a o escore na Escala de Equilíbrio de
Berg e NQ é o número de quedas nos últimos 12 meses.
Fonte: Dados da pesquisa.
A correlação entre atividade física e risco de queda em idosas independentes é
altamente significante, pode-se rejeitar a hipótese nula de não existência de correlação,
associação entre atividade física e o risco de queda existe, é positiva, moderada, que 34,84%
das variações no risco de queda, rejeitando-se a hipótese nula de não existência de correlação.
59
5 CONCLUSÃO
De acordo com os resultados obtidos pelo questionário de atividade física e a escala
de equilíbrio de Berg a correlação entre atividade física e risco de queda de idosas, de 60 a 85
anos, da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, é altamente significante, pode-se rejeitar a
hipótese nula de não existência de correlação. Assim, concluir que a associação entre
atividade física e o risco de queda existe, é positiva, moderada, que 34,84% das variações no
risco de queda, pode ser explicada pelo nível de atividade física e que os escores médios na
escala de equilíbrio de Berg dos indivíduos ativos são maiores do que os escores dos
indivíduos sedentários e insuficientemente ativos. Na medida em que a classificação de
atividade física vai sendo elevada, maiores são as medianas dos escores na escala de Berg
obtidos pelas idosas.
Os resultados e conclusões descritos no presente trabalho confirmam as expectativas
de diversos autores que sugerem a melhora do equilíbrio e conseqüentemente a diminuição da
possibilidade de sofrer quedas, com a aplicação de atividade física, sendo esta uma forma de
prevenir quedas em pessoas idosas, concluindo que idosos sedentários possuem menor
mobilidade e maior propensão a quedas quando comparados a idosos ativos que praticam
algum tipo atividade físicos.
Este estudo permitiu concluir que a atividade física exerce uma relação benéfica nas
condições de saúde da população idosa e pode contribuir para uma menor incidência de
quedas nessa população. Apesar de já ser comprovado por inúmeros estudos que a atividade
física minimiza os declínios do envelhecimento, o sedentarismo tem aumentado muito na
atualidade, contribuindo para acelerar as perdas funcionais no idoso.Neste estudo, foram
observadas maior mobilidade e menor propensão a quedas em idosos que possuem um nível
mais alto de atividade física.
60
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66
APÊNDICE A- CERTIFICDO DE APROVAÇÃO DO PROJETO PELO COMITÊ DE
ÉTICA E PESQUISA
67
APÊNDICE B – OFICIO À PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
(ICOARACI)
Belém, 16 de outubro de 2009.
À Sr.: Pe. George Genner Evangelista França
Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima
Solicitamos a autorização para a realização do trabalho de conclusão de curso, das alunas do
7º semestre Juliane Souza dos Passos (0521901421) e Marisa Carla Nogueira dos Santos
(0521901491) do curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia – UNAMA, dentro do
ambiente e com a participação das idosas independentes da Paróquia Nossa Senhora de
Fátima, com intuito de obter informações para pesquisa, com o seguinte tema:
“CORELAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E RISCO DE QUEDA EM IDOSAS
INDEPENDENTES”, para o trabalho de conclusão de curso, Orientado pela prof. Paulo
Ávila da UNAMA.
Solicitamos a permissão para realização da pesquisa durante o período de Novembro
de 2009 até Fevereiro de 2010.
OBS.: Segue uma copia do Pré – Projeto referente à pesquisa.
Atenciosamente:
__________________________________________________________
Paulo Ávila
__________________________________________________________
Juliane Souza dos Passos
__________________________________________________________
Marisa Carla Nogueira dos Santos
68
APÊNDICE C – TERMO DE CONSIENTIMENTO ESCLARECIDO LIVRE
CORELAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA E DO RISCO DE QUEDA EM
INDIVIDUOS IDOSOS
Este termo de consentimento tem finalidade de pedir sua autorização para participar
de uma pesquisa que será realizada na comunidade de Nossa Senhora de Fátima em Icoaraci.
Este estudo tem por objetivo verificar a correlação da atividade física com o risco de
quedas em idosos. Para isso será necessário à aplicação de cinco avaliações. As pergunta
incluem as atividades que você faz no trabalho,para ir de um lugar para o outro, por lazer, Por
esporte, por exercício, ou como parte de suas atividades em casa ou no jardim.
Caso você queria participar deste estudo, você precisa autorizar sua participação
assinando esse Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Este estudo não trará risco a
saúde, assim como qualquer ônus. Entretanto, caso ocorra algum acidentes com os idosos
participantes, no momento da aplicação do teste de equilíbrio de Berg, o idoso será
encaminhado imediatamente ao posto de saúde mais próximo, ou ao atendimento médico
particular se o mesmo possuir plano de saúde.
Os resultados deste estudo podem, no futuro, nos ajudar a entender se existe a
correlação da atividade física o risco de queda em indivíduos idosos.
Sua participação é voluntária. Você não tem qualquer obrigação de participar desta
pesquisa e, se você não quiser mais participar dela, poderá retirar-se do estudo a qualquer
momento. Todas as informações serão em confidencialidade.
Os dados obtidos neste estudo serão armazenados em um banco de dados onde será
mantido total sigilo, o seu nome não aparecerá em nenhuma publicação e os dados serão
utilizados apenas pelos pesquisadores desta pesquisa.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da universidade da
Amazônia (UNAMA), cuja função é de avaliar e aprovar os estudos envolvendo seres
humanos.
Por favor, sinta-se a vontade para discutir qualquer aspecto referente a esta pesquisa
com pesquisadores, acadêmica Juliane Souza dos Passos 3227-0897, Acadêmica Marisa Carla
Nogueira dos Santos 3227-4386/82520180, e o Fisioterapeuta Paulo Àvila (responsável pela
pesquisa) 9941-9463.
Li e compreendi esse termo de consentimento e todas as minhas dúvidas foram
sanadas.
Recebi explicações sobre o objetivo da pesquisa, os procedimentos do estudo a que
serei submetido e os possíveis riscos e desconfortos e os benefícios que posso apresentar.
Estou ciente que receberei os resultados destas avaliações. Portanto aceito participar
voluntariamente desta pesquisa, sabendo que as informações aqui colhidas serão guardadas e
usadas no futuro para pesquisa em envelhecimento humano desde que aprovadas pelo CEP
institucional.
Para o avaliador assinar:
Nome
(Avaliador):
_________________________________________________________________
Data:____\_____\_____
Hora:______:______
Nome da investigadora: Juliane Souza dos Passos
Endereço: Travessa Itabora N-1146\Icoaraci
Bairro: Ponta Grossa. Belém- PA
69
Tel.: 3227-0897
Nome da investigadora: Maria Carla Nogueira dos Santos
Endereço: Travessa Souza Franco N-927\Icoaraci
Bairro: Ponta Grossa. Belém- PA
Tel.: 3227-4386\ Cel.: 82520180
Nome da orientadora: Paulo Ávila
Endereço: Trav. Alcindo cacela N-396
Bairro: Alcindo cacela. Belém- PA
Tel.: 3233-8367\ cel.: 9941-9463
70
APÊNDICE D – FICHA DE AVALIAÇÃO
1. Identificação
Nome:
Idade:
Ocupação:
Escolaridade:
2. Anamnese
a) Histórico familiar
b) Outras doenças
Diabetes:
SIM( )
NÃO (
)
Hipertensão Arterial:
SIM( )
NÃO (
)
Alterações Visuais:
SIM ( )
NÃO (
)
Sintomas de labirintopatia: SIM (
)
NÃO ( )
Quais:______________________________________
c) Caiu nos últimos 12 meses? SIM ( )
NÃO(
d) Quantas vezes?
e) Qual o intervalo entre uma queda e outra?
f) Qual as conseqüências das quedas?
g) Numero de fraturas?
h) Faz uso de dispositivo auxiliar para marcha?
3. Exame físico
a) Pressão Arterial
b) Freqüência Cardíaca
c) Freqüência respiratória
)
71
APÊNDICE E – Dados sobre atividade física e risco de queda de idosas, de 60 a 85 anos, da
Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, de Janeiro a maio de 2010.
I
IDADE
OCUP
CAF
EEB
EEB2
NQ
1
60
Do lar
Ativo
56
56
0
2
60
Administradora Ins. ativo
56
56
0
3
74
Do lar
Ativo
56
56
0
4
60
Professora
Ins. ativo
56
56
1
5
60
Professora
Muito ativo
56
56
0
6
64
Do lar
Ativo
56
56
0
7
60
Artesã
Ativo
56
56
0
8
65
Do lar
Ins. ativo
56
56
1
9
79
Do lar
Ativo
52
53
3
10
64
Do lar
Ativo
54
53
2
11
77
Do lar
Sedentário
48
48
2
12
72
Do lar
Sedentário
50
52
2
13
77
Do lar
Ins. ativo
52
53
1
14
64
Do lar
Sedentário
53
52
3
15
64
Do lar
Ativo
54
52
2
16
65
Do lar
Ativo
56
56
1
17
68
Do lar
Ins. ativo
53
54
2
18
66
Do lar
Ins. ativo
53
52
1
19
67
Do lar
Ativo
56
56
0
20
80
Do lar
Ins. ativo
44
42
3
21
68
Do lar
Ativo
50
52
0
22
68
Do lar
Ativo
54
56
0
23
69
Do lar
Ativo
53
51
0
24
73
Do lar
Ativo
52
54
0
25
74
Do lar
Ins. ativo
50
52
0
26
65
Do lar
Ativo
55
56
0
27
64
Do lar
Ativo
56
56
0
28
72
Do lar
Ins. ativo
50
50
2
29
73
Do lar
Ins. ativo
53
53
1
30
76
Artesã
Ins. ativo
49
49
1
31
60
Artesã
Ins. ativo
52
54
0
32
71
Artesã
Ins. ativo
52
52
0
33
72
Artesã
Ativo
56
56
0
34
60
Artesã
Ativo
54
56
0
35
74
Do lar
Ins. ativo
49
50
3
36
63
Do lar
Ativo
55
56
1
37
68
Do lar
Ins. ativo
52
50
0
38
72
Do lar
Ativo
50
49
0
39
78
Do lar
Ins. ativo
51
52
0
40
60
Do lar
Ativo
54
55
0
41
64
Do lar
Ativo
55
56
0
42
60
Artesã
Ins. ativo
54
53
0
43
60
Artesã
Ins. ativo
44
44
0
44
80
Do lar
Ins. ativo
45
45
2
45
75
Do lar
Ins. ativo
49
49
2
46
63
Secretária
Ins. ativo
55
56
0
47
80
Do lar
Ins. ativo
44
45
1
48
76
Do lar
Ativo
54
55
1
49
69
Administradora Ativo
56
56
0
50
79
Do lar
Sedentário
45
44
3
Nota: OCUP é a ocupação do indivíduo, CAF é a classificação do nível de atividade física, EEB é a Escala de
Equilíbrio de Berg da 1° avliação e o EEB2 da 2° avaliação e NQ é o número de quedas nos últimos 12 meses.
Fonte: Pesquisa de campo
72
ANEXO I- INDICÊ DE KATZ
73
ANEXO II- MINI-MENTAL
MNI – MENTAL
ORIENTAÇÃO TEMPORAL (05 pontos)
ORIENTAÇÃO ESPACIAL (05 pontos)
REGISTRO (03 pontos)
ATENÇÃO E CÁLCULO (05 pontos)
MEMÓRIA DE EVOCAÇÃO (03 pontos)
NOMEAR DOIS OBJETOS (02 pontos)
REPETIR (01 pontos)
COMANDO DE ESTÁGIOS (03 pontos)
ESCREVER UMA FRASE COMPLETA
COPIAR DIAGRAMA (01 ponto
Ano
Mês
Dia do mês
Dia da semana
Semestre
Estado
Cidade
Bairro
Local Geral
Local Específico
Repetir: GELO, LEÃO e PLANTA.
Subtrair 100 – 7=93 – 7= 86 – 7= 79 – 7= 72 –
7 = 65
Quais os três objetos perguntados
anteriormente?
Relógio e Caneta
“NEM AQUI. NEM ALI, NEM LÁ”
“Apanhe esta folha de papel com a mão direita,
dobre – a ao meio e coloque – a no chão”
Copiar dois pentágonos com interseção
74
ANEXO III
QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA
Nome _________________________________________________________________
Data: _____/_______/_______
Sexo: F ( ) M ( )
As perguntas estão relacionadas ao tempo que você gastou fazendo atividade física
na ÚLTIMA SEMANA. As perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho,
para ir de um lugar a outro, por lazer, por esportes, por exercício ou como parte das
suas atividades em casa ou no jardim.
Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza por
pelo menos 10 minutos contínuos de cada vez:
1a. Em quantos dias da última semana você caminhou por pelo menos 10min.
Contínuos em casa ou trabalho, para ir de um lugar para outro, por lazer, por prazer
ou como forma de exercício?
Dias _____ por SEMANA
(
) Nenhum
1b. Nos em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos, quantos
tempo no total você gastou caminhando por dia?
Horas: ______ minutos: ______
2a. Em quantos dias da última semana você realizou atividades MODERADAS por
pelo menos10 minutos contínuos, com pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar,
fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer
serviços domésticos na casa, no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do
jardim ou qualquer atividade que fez aumentar moderadamente sua respiração ou
batimento do coração (por favor não inclua caminhada)?
Dias ______ por Semana
(
)Nenhum
2b. Nos dias em que você fez essas atividades moderada por pelo menos 10
minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades
por dias?
Horas:_______ minutos:______
3a. Em quantos dias da última semana você realizou atividades VIGOROSAS por
pelo menos 10 minutos contínuos, como correr, fazer ginástica aeróbica, jogar
futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviço doméstico pesados
75
em casa no quintal ou cuidar do jardim, carregar pesos elevados ou qualquer
atividade que fez aumentar MUITO sua respiração ou batimento do coração.
Dias:______ por SEMANA
( ) Nenhum
3b. Nos dias em você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 minutos
contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia?
Horas:______ minutos:_______
CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA IPAQ (adaptado de 45)
SEDENTÀRIO________________________________________________________
Não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuos durante
a semana.
INSUFICIENTEMENTE ATIVO_________________________________________
Realiza atividade física por pelo menos 10 minutos por semana, porém insuficiente
para ser classificado como ativo. Pode ser dividido em dois grupos:
a) Atinge pelo menos um dos critérios da recomendação
a) Freqüência: 5 dias/semana OU
b) Duração: 50 min./semana
b) Não atingiu nenhum dos critérios da recomendação
Obs: Para realizar essa classificação somam-se a freqüência e a duração dos
diferentes tipos de atividade (CAMINHADA + MODERADA + VIGOROSA)
ATIVO______________________________________________________________
_
Cumpriu as recomendações
a)VIGOROSA: > 3 dias / sem e > 20minutos por sessão
b)MODERADA ou CAMINHADA: > 5 dias/ sem e 30minutos por sessão
c)qualquer atividade somada: > 5 dias/sem e > 150minutos/sem (CAMINHADA +
MODERADA + VOGOROSA)
MUITO ATIVO________________________________________________________
Cumpriu as recomendações e:
a) VIGOROSA: > 5 dias/sem e > 30 minutos por sessão OU
b) VIGOROSA: > 3 dias/ sem e > 20 minutos por sessão + MODERADA e/ou
CAMINHADA: > 5 dias/sem e > 30minutos por sessão
76
ANEXO IV - TESTE DE BERG
1.Sentado para de Pé
Instrução: use uma cadeira com braços. Estando p paciente sentado, peça para que se
levante e fique em pé. Se ele se levantar usando os braços da cadeira, peça que tente
levantar-se sem usar as mãos se possível.
Pontuação:
(4) Capaz de ficar de pé, não usa mãos e a estabilidade é independente
(3) Capaz de ficar em pé independentemente, usando as mãos.
(2) Capaz de ficar em pé usando as mãos depois de varias tentativas
(1) precisa de uma mínima ajuda para ficar em pé ou se estabilizar
(0) precisa de ajuda máxima ou moderada para ficar de pé.
2. Ficar de pé sem se apoiar.
Instruções: Peça ao paciente ficar de pé durante 2 minutos, sem se segurar em nenhum
apoio externo.
(4) Capaz de ficar em pé com segurança por 2 minutos.
(3) Capaz de ficar em pé por 2 minutos com supervisão.
(2) Capaz de ficar em pé por 30 segundos sem se apoiar.
(1) precisa de Várias tentativas para ficar em pé por 30n segundos sem se apoiar.
(0) Incapaz de ficar de pé por 30 segundos sem ajuda.
3. Ficar sentado sem se apoiar, pés no chão.
Instruções: peça ao paciente sentar-se com os braços cruzados durante 2 minutos.
(4) Capaz de ficar sentado com segurança por 2 minutos.
(3) Capaz de ficar sentado por 2 minutos com supervisão.
(2) Capaz de ficar sentado por 30 segundos
(1) Capaz de ficar sentado por 10 segundos
(0) Incapaz de ficar sentado de ficar sentado sem apoiar-se por 10 segundos
4. Ficar em pé e depois sentar
Instruções: Peça ao paciente sentar-se
(4) Sentar-se com segurança, com o uso mínimo das mãos
(3) Controla a descida usando as mãos
77
(2) Usa a parte posterior das pernas contra a cadeira para controlar a descida
(1) Senta-se independentemente, mas com uma descida descontrolada.
(0) Precisa de ajuda para sentar.
5.Transferência
Instruções: Peça ao paciente andar de uma cadeira (use uma cadeira com braço) para outra
(sem braço) e depois voltar.
(4) capaz de transferir-se com segurança com uso mínimo das mãos
(3) capaz de transferir-se com segurança com o uso das mãos
(2) capaz de transferir-se seguindo orientações verbais c/ou supervisão
(1) necessita de uma pessoa para ajudar
(0) necessita de duas pessoas para ajudar ou supervisionar para realizar a tarefa com
segurança
6. Permanecer em pé sem apoio com os olhos fechados
Instruções: Por favor, fique em pé e feche os olhos por 10 segundos.
(4) capaz de permanecer em pé por 10 segundos com segurança
(3) capaz de permanecer em pé por 10 segundos com supervisão
(2) capaz de permanecer em pé por 3 segundos
(1) incapaz de permanecer com os olhos fechados durante 3 segundos, mas mantém-se em
pé
( 0 ) necessita de ajuda para não cair
7. Permanecer em pé sem apoio com os pés juntos
Instruções: Junte seus pés e fique em pé sem se apoiar.
(4) capaz de posicionar os pés juntos independentemente e permanecer por l minuto com
segurança
(3) capaz de posicionar os pés juntos independentemente e permanecer por l minuto com
supervisão
(2) capaz de posicionar os pés juntos independentemente e permanecer por 30 segundos
(1) necessita de ajuda para posicionar-se, mas é capaz de permanecer com os pés juntos
durante 15 segundos
(0) necessita de ajuda para posicionar-se e é incapaz de permanecer nessa posição por 15
segundos
78
8. Alcançar a frente com o braço entendido permanecendo em pé
Instruções: Levante o braço a 90o. Estique os dedos e tente alcançar a frente o mais longe
possível. (O examinador posiciona a régua no fim da ponta dos dedos quando o braço
estiver a 90o. Ao serem esticados para frente, os dedos não devem tocar a régua. A
medida a ser registrada é a distância que os dedos conseguem alcançar quando o paciente
se inclina para frente o máximo que ele consegue. Quando possível peça ao paciente para
usar ambos os braços para evitar rotação do tronco).
(4) pode avançar à frente mais que 25 cm com segurança
(3) pode avançar à frente mais que 12,5 cm com segurança
(2) pode avançar à frente mais que 5 cm com segurança
(1) pode avançar à frente, mas necessita de supervisão
(0) perde o equilíbrio na tentativa, ou necessita de apoio externo
9. Pegar um objeto do chão a partir de uma posição em pé
Instruções: Pegue o sapato/chinelo que está na frente dos seus pés.
(4) capaz de pegar o chinelo com facilidade e segurança
(3) capaz de pegar o chinelo, mas necessita de supervisão
(2) incapaz de pegá-lo, mas se estica até ficar a 2-5 cm do chinelo e mantém o equilíbrio
independentemente
(1) incapaz de pegá-lo, necessitando de supervisão enquanto está tentando
(0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não perder o equilíbrio ou cair
10. Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros direito e esquerdo enquanto permanece
em pé
Instruções: Vire-se para olhar diretamente atrás de você por cima, do seu ombro esquerdo
sem tirar os pés do chão. Faça o mesmo por cima do ombro direito. O examinador poderá
pegar um objeto e posicioná-lo diretamente atrás do paciente para estimular o movimento.
(4) olha para trás de ambos os lados com uma boa distribuição do peso
(3) olha para trás somente de um lado o lado contrário demonstra menor distribuição do
peso
(2) vira somente para os lados, mas mantém o equilíbrio
(1) necessita de supervisão para virar
(0) necessita de ajuda para não perder o equilíbrio ou cair
11. Girar 360 graus
Instruções: Gire-se completamente ao redor de si mesmo. Pausa. Gire-se completamente
ao redor de si mesmo em sentido contrário.
79
(4) capaz de girar 360 graus com segurança em 4 segundos ou mãos
(3) capaz de girar 360 graus com segurança somente para um lado em 4 segundos ou
menos
(2) capaz de girar 360 graus com segurança, mas lentamente
(1) necessita de supervisão próxima ou orientações verbais
(0) necessita de ajuda enquanto gira
12. Posicionar os pés alternadamente ao degrau ou banquinho enquanto permanece em pé
sem apoio
Instruções: Toque cada pé alternadamente no degrau/banquinho. Continue até que cada
pé tenha tocado o degrau/banquinho quatro vezes.
(4) capaz de permanecer em pé independentemente e com segurança, completando 8
movimentos em 20 segundos
(3) capaz de permanecer em pé independentemente e completar 8 movimentos em mais
que 20 segundos
(2) capaz de completar 4 movimentos sem ajuda
(1) capaz de completar mais que 2 movimentos com o mínimo de ajuda
(0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não cair
13. Permanecer em pé sem apoio com um pé à frente
Instruções: (demonstre para o paciente) Coloque um pé diretamente á frente do outro
mesma linha se você achar que não irá conseguir, coloque o pé um pouco mais à frente do
outro pé e levemente para o lado.
(4) capaz de colocar um pé imediatamente à frente do outro, independentemente, e
permanecer por 30 segundos
(3) capaz de colocar um pé um pouco mais à frente do outro e levemente para o lado.
Independentemente e permanecer por 30 segundos
(2) capaz de dar um pequeno passo, independentemente. e permanecer por 30 segundos
(1) necessita de ajuda para dar o passo, porém permanece por 15 segundos
(0) perde o equilíbrio ao tentar dar um passo ou ficar de pé
14. Permanecer em pé sobre uma perna
Instruções: Fique em pé sobre uma perna o máximo que você puder sem se segurar.
(4) capaz de levantar uma perna independentemente e permanecer por mais que 10
segundos
(3) capaz de levantar uma perna independentemente e permanecer por 5-10 segundos
(2) capaz de levantar uma perna independentemente e permanecer por 3 ou 4 segundos
80
(1) tenta levantar uma perna, mas é incapaz de permanecer por 3 segundos, embora
permaneça em pé independentemente
(0) incapaz de tentar, ou necessita de ajuda para não cair
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correlação da atividade física e o risco de quedas em