UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE INSTITUTO DE ESTUDOS EM SAÚDE COLETIVA MESTRADO EM SAÚDE COLETIVA LUANA DOS PASSOS GOMES INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS POR CAUSAS MAL DEFINIDAS: RECUPERAÇÃO DA CAUSA BÁSICA DE MORTE EM BELFORD ROXO, 2008 RIO DE JANEIRO 2010 ii LUANA DOS PASSOS GOMES INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS POR CAUSAS MAL DEFINIDAS: RECUPERAÇÃO DA CAUSA BÁSICA DE MORTE EM BELFORD ROXO, 2008 Dissertação Programa de de Mestrado apresentada Pós-Graduação em ao Saúde Coletiva da UFRJ, como requisito à obtenção do grau de Mestre em Saúde Coletiva. Orientador: Prof Dr. Antônio José Leal Costa RIO DE JANEIRO 2010 G633 Gomes, Luana dos Passos. Investigação dos óbitos por causa mal definidas: recuperação da causa básica de morte em Belfort Roxo, 2008 / Luana dos Passos Gomes. – Rio de Janeiro: UFRJ/ Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, 2010. 106 f. : il. ; 30cm. Orientador: Antonio José Leal Costa. Dissertação (Mestrado) - UFRJ/Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, 2010. Referências: f. ...- .... 1. Causas de morte. 2. Registros de mortalidade. 3. Sistemas de informação. 4. Análise de dados. I. Costa, Antonio José Leal. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Estudos em Saúde Coletiva. III. Título. CDD 614.14 iii LUANA DOS PASSOS GOMES INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS POR CAUSAS MAL DEFINIDAS: RECUPERAÇÃO DA CAUSA BÁSICA DE MORTE EM BELFORD ROXO, 2008 Dissertação Programa de de Mestrado apresentada Pós-Graduação em ao Saúde Coletiva da UFRJ, como requisito à obtenção do grau de Mestre em Saúde Coletiva. Aprovada em ____________________________________________ Profª Drª Maria Helena Prado de Mello Jorge, USP ____________________________________________ Profª Drª Pauline Kale, UFRJ ____________________________________________ Profª Drª Enirtes Caetano Prates Melo, UNIRIO iv Se alguém procura a saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar no futuro as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar. Sócrates v AGRADECIMENTOS À Deus, por tudo que sou e por tornar meus sonhos realidade. À minha família, meu porto seguro. Em especial à minha mãe, fonte inesgotável de amor e dedicação. Aos meus amigos que me aturaram nos momentos de estresse e que sempre estiveram torcendo por mim. À Bernardo, pelas palavras que me fizeram prosseguir. Ao meu professor orientador, Antônio José Leal Costa, pela competência e paciência. Aos professores do mestrado que contribuíram para a minha formação. À Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SESDEC), pela disponibilidade dos dados. À Ângela Maria Cascão por todo suporte durante a pesquisa. À todos os integrantes da pesquisa pela contribuição de cada um. Às meninas da equipe da Estratégia de Saúde da Família Parque Esperança em Duque de Caxias, pela compreensão durante este percurso de aprendizagem. vi RESUMO GOMES, Luana dos Passos. Investigação dos Óbitos por Causas Mal Definidas: Recuperação da Causa Básica de Morte em Belford Roxo, 2008. Rio de Janeiro, 2010. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010 O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) no Estado do Rio de Janeiro possui boa cobertura, porém a qualidade dos registros sobre a causa básica da morte (CBM) ainda apresenta algumas falhas, levando a lacunas no conhecimento da mortalidade segundo causas. Objetivou-se analisar a recuperação da informação sobre a CBM após investigação dos óbitos por causas mal definidas (CMD), incluídos no capítulo XVIII da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10a Revisão (CID10), ocorridos entre junho e setembro de 2008 no município de Belford Roxo, RJ. As investigações compreenderam revisões de prontuários médicos e entrevistas domiciliares, utilizando formulário específico. Baseado nos resultados de cada investigação, três médicos preencheram individualmente novos atestados de óbito sem conhecimento a respeito da declaração de óbito original. A CBM pós-investigação foi estabelecida quando houve concordância entre ao menos dois médicos no nível dos agrupamentos da CID10, ou pelo terceiro médico, considerado padrão-ouro, quando os três médicos discordaram em seus julgamentos. Dos 103 óbitos por CMD ocorridos no período, houve 15 (14,6%) perdas, perfazendo 88 óbitos investigados, homogeneamente distribuídos por sexo, e majoritariamente com 60 e + anos (61,6%). A informação sobre a CBM foi recuperada para 71,3% dos óbitos investigados. Verificou-se que em 24,3% dos óbitos investigados a CBM foi realocada entre as doenças do aparelho circulatório (capítulo IX), destacando-se o agrupamento I10 a I15 (48,0%) referente às doenças hipertensivas; 11,7% foram devidos a transtornos mentais e comportamentais (capítulo V), concentradas no agrupamento F10 a F19 (91,7%), relativas ao uso de substâncias psicoativas; e 5,7% foram redistribuídos entre as neoplasias (capítulo II). Os resultados sugerem que o SIM pode ser aprimorado com ganho na qualidade da informação sobre CBM, utilizando para isso metodologia simples e passível de incorporação pelos serviços de saúde. Descritores: SISTEMAS DE INFORMAÇÃO; REGISTROS DE MORTALIDADE; CAUSAS DE MORTE vii ABSTRACT GOMES, Luana Dos Passos. Investigation of Deaths by Undefined Causes: Recovery of the Underlying Cause of Death in Belford Roxo, 2008. Rio de Janeiro, 2010. Dissertation (Master´s Course in Public Health) - Institute for Studies in Public Health, Federal University of Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010. The Mortality Information System (MIS) in Rio de Janeiro offers good coverage, but the quality of the records in the basic cause of death is flawed, leading to gaps in knowledge of mortality by cause. The objective was to analyze the retrieval of information about basic cause of death following an investigation of deaths due to illdefined, contained in Chapter XVIII of the International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems, 10th Revision (CID10), occurred between June and September 2008 in the municipality of Belford Roxo, RJ. The investigations comprised review of medical records and home interviews, using a specific form. Based on the results of each investigation, three physicians completed new individual death certificates without any knowledge about the original death certificate. The post basic cause of death research was established when there was agreement between at least two physicians in the groupings of CID10, or by more experienced doctor, when the three physicians disagreed in their judgments. Of the 103 deaths due to illdefined in the period, there were 15 (14.6%) losses, resulting in 88 deaths investigated, homogeneously distributed by sex and mostly over the age of 60 years (61.6%). Information on the basic cause of death was recovered to 71.3% of the deaths investigated. It was found that 24.3% of the deaths investigated, the basic cause of death was relocated between the diseases of the circulatory system (Chapter IX), highlighting the group I10 to I15 (48.0%) referring to the hypertensive diseases, 11.7% were due to mental and behavioral disorders (chapter V), concentrated in the group F10 to F19 (91.7%) on the use of psychoactive substances, and 5.7% were redistributed among the neoplasms (Chapter II). The results suggest that the MIS can be improved with a gain in quality of information on the basic cause of death, using this simple methodology capable of incorporating the health services. Keywords: INFORMATION SYSTEMS, MORTALITY RECORDS, CAUSES OF DEATH viii LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Bloco VI da declaração de óbito: condições e causas do óbito Figura 2 - Total de óbitos por CMD no período de estudo (junho a setembro 2008), total investigado e perdas do estudo, município de Belford Roxo, RJ Figura 3 - Número de investigações para cada óbito por CMD. Total e média. Período de junho a setembro de 2008, município de Belford Roxo, RJ Figura 4 - Concordância inter-certificadores. Período de junho a setembro de 2008, município de Belford Roxo, RJ Gráfico 1 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas (população de estudo) segundo sexo, município de Belford Roxo, RJ, período de junho a setembro, 2008 Gráfico 2 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas (população de estudo) segundo faixa etária, município de Belford Roxo, RJ, período de junho a setembro, 2008 Gráfico 3 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas (população de estudo) segundo raça/ cor, município de Belford Roxo, RJ, período de junho a setembro, 2008 Gráfico 4 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas (população de estudo) segundo escolaridade, município de Belford Roxo, RJ, período de junho a setembro, 2008 Gráfico 5 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas (população de estudo) segundo assistência médica, município de Belford Roxo, RJ, período de junho a setembro, 2008 Gráfico 6 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas (população de estudo) segundo local de ocorrência, município de Belford Roxo, RJ, período de junho a setembro, 2008 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Coeficiente de mortalidade geral (por 1.000 habitantes), mortalidade por causas mal definidas (cap. XVIII CID-10ª Revisão) em Belford Roxo e Estado do Rio de Janeiro – 2007 Tabela 2 - Distribuição dos óbitos ocorridos por sexo, segundo faixa etária, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Tabela 3 - Distribuição dos óbitos ocorridos por sexo, segundo causa básica de morte por capítulo, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Tabela 4 - Distribuição dos óbitos por Causas Mal Definidas (capítulo XVIII - CID 10), segundo sexo e agrupamento, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Tabela 5 - Distribuição dos óbitos por Causas Mal Definidas (capítulo XVIII - CID 10), segundo faixa etária e agrupamento, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Tabela 6 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas realocada após investigação, segundo nova causa básica – Capítulos* e Agrupamentos CID 10 (Nº e %), junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ Tabela 7 - Distribuição dos óbitos por capítulos, segundo o SIM, nossa metodologia e proposta da OPAS, junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (nº, % e colocação) Tabela 8 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas realocada após investigação, segundo nova causa básica por capítulos e sexo. Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (nº, % e colocação) x Tabela 9 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas realocada após investigação, segundo nova causa básica por capítulos e faixa etária, Junho setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ(nº, % e colocação) Tabela 10 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas segundo tipo de recuperação após investigação. Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (nº, %) Tabela 11 - Características sócio-demográficas dos óbitos por causas mal definidas, segundo tipo de recuperação da causa básica após investigação. Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (número (N), porcentagem (%), risco relativo (RR) e Intervalo de Confiança (IC 95%)) xi LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS AO – Atestado de Óbito CBCD – Centro Brasileiro de Classificação de Doenças CFM – Conselho Federal de Medicina CID 10 – Classificação Internacional de Doenças - Décima Revisão CMD – Causas Mal Definidas CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde DO – Declaração de Óbito IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IC – Intervalo de Confiança IDH – Índice de Desenvolvimento Humano IFDM – Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal IML – Instituto Médico Legal MS – Ministério da Saúde OMS – Organização Mundial de Saúde OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde PAB – Piso da Atenção Básica PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento RIPSA – Rede Interagencial de Informações para a Saúde RR – Risco Relativo SES – Secretaria Estadual de Saúde xii SESDEC – Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil SIM – Sistema de Informações sobre Mortalidade SINASC – Sistema de Informações sobre Mortalidade SMS – Secretaria Municipal de Saúde SUS – Sistema Único de Saúde SVO – Serviço de Verificação de Óbitos TE – Transição Epidemiológica UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro UF – Unidades Federativas UFF – Universidade Federal Fluminense UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UPA – Unidade de Pronto Atendimento USP – Universidade de São Paulo xiii SUMÁRIO RESUMO .............................................................................................................................................. vi ABSTRACT ......................................................................................................................................... vii LISTA DE FIGURAS .......................................................................................................................... viii LISTA DE TABELAS ........................................................................................................................... ix LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS .............................................................................................. xi 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 15 2 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................................... 27 3 OBJETIVOS ..................................................................................................................................... 31 3.1 Geral ............................................................................................................................................. 31 3.2 Específicos ................................................................................................................................... 31 4 METODOLOGIA ............................................................................................................................... 32 4.1 Tipo de estudo ............................................................................................................................. 32 4.2 Descrição da Área de Estudo ..................................................................................................... 32 4.3 Critério de seleção da área de estudo ...................................................................................... 34 4.4 Critérios de elegibilidade dos óbitos para investigação ......................................................... 35 4.5 Coleta dos dados ......................................................................................................................... 35 4.6 Processamento dos dados ......................................................................................................... 37 4.7 Análise dos dados ....................................................................................................................... 38 4.8 Aspectos Éticos ........................................................................................................................... 39 5 RESULTADOS ................................................................................................................................. 40 xiv 5.1 Representatividade da Amostra ................................................................................................. 40 5.2 Características sócio-econômicas e demográficas da população de estudo ....................... 45 5.3 Aspectos operacionais e logísticos das investigações .......................................................... 50 5.4 Recuperação da Causa Básica de Morte e redistribuição entre as causas definidas .......... 53 5.5 Associação entre recuperação da Causa Básica de Morte e algumas variáveis sócioeconômicas e demográficas ............................................................................................................ 60 6 DISCUSSÃO .................................................................................................................................... 65 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................. 76 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................ 78 9 ANEXOS ........................................................................................................................................... 83 15 1 INTRODUÇÃO Análises da mortalidade segundo causas de morte são úteis para o acompanhamento da situação de saúde das populações e o adequado planejamento de ações de saúde. Avaliações sistemáticas das estatísticas de mortalidade possibilitam a identificação do perfil epidemiológico, contribuindo assim para a tomada de decisões com vistas à melhoria da saúde da população. As análises da mortalidade em Londres, Inglaterra, desenvolvidas por John Graunt, no século XVII, e posteriormente por William Farr, no século XIX, são exemplos pioneiros do uso das estatísticas vitais em saúde pública. Farr enfatizou a necessidade, em âmbito internacional, de uniformizar conceitos relativos aos eventos vitais, da adoção de um modelo único de atestado de óbito e do desenvolvimento de uma classificação das causas de morte 1,2. Em 1893, após algumas modificações, a classificação proposta por Farr foi aprovada e tornou-se de uso internacional (Classificação de Causas de Morte de Bertillon)2. Durante a Primeira Conferência Internacional para Revisão das Listas Internacionais de Causa de Morte, realizada em 1900, adotou-se o princípio de selecionar, para cada óbito, apenas uma causa para fins de tabulações dos dados 3. 16 Porém, cada país desenvolveu um método próprio para selecionar a causa que deveria aparecer nas estatísticas de mortalidade, quando duas ou mais causas eram informadas na declaração de óbito (DO)a, o que afetava bastante a comparabilidade de tais estatísticas3. Quanto ao Atestado de Óbito (AO)b, até fins do século XIX, cada país possuía um modelo diferente. Diante de tal situação, a Organização de Saúde da Liga das Nações publicou, em 1925, um informe sugerindo um modelo único de atestado de óbito, para a declaração das causas de morte3. Entretanto, apenas em 1948, foi adotado o modelo internacional de atestado de óbito concomitantemente à aprovação da Sexta Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID6). Tal modelo passou a ser utilizado praticamente por todos os países do mundo a partir de 1950, entre os quais o Brasil3. Entretanto, embora o atestado de óbito, já seguisse desde então o padrão internacional, os demais dados da DO, referentes à identificação do falecido e outras informações pertinentes, ainda não seguiam modelo uniforme nas diversas Unidades da Federação (UF) brasileira3. ___________________________________________________________________ a Declaração de Óbito é o documento-base do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. É composta de três vias autocopiativas, prenumeradas sequencialmente, fornecida pelo Ministério da Saúde e distribuída pelas Secretarias Estaduais e Municipais de saúde 4 aos estabelecimentos de saúde, cartórios e médicos . b Atestado de óbito refere-se ao bloco VI da DO onde é anotado as causas que contribuíram para o óbito, além do registro das informações sobre as condições mórbidas presentes ou pré-existentes no 5 momento da morte . 17 A causa a ser tabulada nas estatísticas de mortalidade foi chamada de causa básica de morte, a partir da CID6. Considerou-se que, do ponto de vista da prevenção da morte, seria importante intervir no início da cadeia de eventos adversos à saúde ou instituir a cura assim que possível. Para este propósito, as estatísticas mais apropriadas são aquelas relativas à causa básica da morte, a qual pode ser definida como “a doença ou lesão que iniciou a cadeia de acontecimentos patológicos que conduziram diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal”6. Em 1975, foi promulgada a Lei Nº 6.229 que criou o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, no qual inseria-se o Subsistema de Informações sobre Mortalidade1. Na ocasião, recomendou-se a adoção de um modelo único de DO no país, buscando assim uniformizar o registro das informações. Em relação às causas da morte foi mantido o modelo internacional de atestado de óbito proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 19481, 2, 6. Com a criação do Subsistema de Informações sobre Mortalidade, buscou-se compatibilizar os dados registrados na DO e permitir sua comparabilidade, com vistas à sua consolidação em nível nacional. Almejava-se assim uma maior racionalização na execução das atividades e ações de saúde baseadas nas informações sobre mortalidade. Para atender às necessidades impostas pela implantação do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), em junho de 1976, foi criado o Centro Brasileiro de Classificação de Doenças (CBCD), por meio de convênio entre o Ministério da Saúde (MS), a Organização Pan Americana da Saúde/ Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e Universidade de São Paulo (USP). Desde então, o CBCD vem contribuindo para o aprimoramento do SIM, enfatizando a importância 18 da certificação da causa de morte, na formação médica, da qualificação de profissionais para a codificação de causas de morte e da sensibilização de autoridades sanitárias quanto ao reconhecimento e relevância dos dados sobre mortalidade1, 2. Ao longo dos trinta e cinco anos de existência do SIM, aconteceram importantes transformações, como a descentralização das ações de saúde a partir do início da década de 1990 com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). O princípio da descentralização no SUS fomentou a municipalização dos serviços de saúde e, conseqüentemente, implicou na necessidade do gerenciamento do SIM em nível local. Como conseqüência, vislumbrou-se a disponibilização dos dados em menor tempo com mais qualidade, incrementando a resposta do gestor local frente aos problemas de saúde mais freqüentes da população3. Entretanto, até hoje, alguns municípios não possuem condições de realizar adequadamente as atividades inerentes ao SIM. A DO também passou por modificações na apresentação de algumas variáveis, a fim de obter respostas mais adequadas e, foram introduzidas outras que se mostraram necessárias. Exemplos disso foram a inclusão da linha “d”, na Parte I do campo “Condições e Causas do Óbito”, segundo recomendações da 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), e de uma coluna para a codificação das causas anotadas no AO1 (Figura 1). 19 Figura 1 – Bloco VI da declaração de óbito: condições e causas do óbito A implantação do SIM em 1976 não foi acompanhada, à época, de legislação que obrigasse o uso de um modelo único de DO, o que só aconteceu no ano 2000, quando foi publicada a Portaria Nº 474 de 31/8/2000, substituída pela Portaria Nº 20, de 3/10/2003, que estabeleceu os procedimentos relativos à coleta de dados, ao fluxo e à periodicidade do envio de dados do sistema 1, 2. Apesar disso, o óbito vem sendo declarado no modelo distribuído pelo MS – a chamada Declaração de Óbito, desde 1976. Atualmente, a DO é apresentada em três vias, de cores distintas, com fluxos específicos para óbitos por causas naturais e causas não-naturais (causas externas). Segundo a legislação, a DO deve ser preenchida por médico e, em caso de morte por causa não-natural, por perito legista após a realização de necropsia, obedecidas as especificidades do Código de Ética Médica e da resolução CFM nº 1779 de 20051, 2. 20 Frente à ocorrência de um óbito por causas naturais sem assistência médica, nas localidades que dispuserem de Serviços de Verificação de Óbitos (SVO) o médico responsável deverá preencher a DO. Onde não existir SVO, o médico do serviço público de saúde mais próximo do local de ocorrência deverá fazê-lo e na sua ausência, por qualquer médico2. O SIM foi concebido de forma a completar lacunas existentes com relação ao Sistema do Registro Civil, a cargo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referência para a elaboração de estatísticas oficiais de mortalidade no Brasil. Somente no SIM há dados relativos às causas de morte, o que permite um melhor conhecimento do perfil epidemiológico da mortalidade em todo o país. Avaliações sucessivas do SIM dos pontos de vista quantitativo e qualitativo vêm sendo feitas pelo MS, pelas Secretarias de Saúde envolvidas em sua execução e no meio acadêmico, para avaliar o grau de fidedignidade e as limitações das informações produzidas. Verifica-se que, embora lentamente, vem sendo obtido um aumento na cobertura e uma melhora da qualidade dos dados registrados no SIM1. A cobertura do SIM é calculada com base na proporção de mortes que possuem declaração de óbito, entre o total de mortes ocorridas, para tal avaliação existem diferentes métodos7, 8, 9 . Uma delas é o uso do coeficiente geral de mortalidade que, desde 1990 o MS adotou como um mínimo aceitável para o país, independentemente do nível de saúde da população, um coeficiente de mortalidade cerca de 6 óbitos por mil habitantes1, 2, 10. No final de 1997 o MS instituiu, por meio da Portaria Nº 1.882/GM, o Piso da Atenção Básica (PAB), passando a estabelecer o montante de recursos financeiros 21 destinados à atenção básica. Esta portaria prevê em seu 6º artigo a suspensão da transferência de recursos caso as Secretarias Municipais de Saúde (SMS) deixem de alimentar, por dois meses consecutivos, os Sistemas de Informação em Saúde, entre os quais, o SIM1, 2. Em 1999, a abrangência do SIM estimada para todo o país foi cerca de 82%, variando entre 60,8% e 95,3% para as regiões Nordeste e Sul, respectivamente. No referido ano, apenas sete unidades da federação apresentaram índice de cobertura e regularidade para que o SIM fosse considerado satisfatório, possibilitando o cálculo de seus indicadores de mortalidade através do método direto2, 11 . Entre tais unidades da federação encontra-se o Estado do Rio de Janeiro, cuja abrangência do SIM é considerada próxima de 100% desde a década de 1980. Quanto à qualidade, nota-se também uma melhora gradativa dos dados sobre mortalidade no Brasil disponíveis no SIM1, 2. Nesse sentido, a proporção de “causas mal definidas” (CMD) tem sido tradicionalmente utilizada como indicador para avaliação da qualidade dos dados de mortalidade por causas12. As causas classificadas como mal definidas (CID10, capítulo XVIII – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte) referem-se aos óbitos em que houve assistência médica, mas não foi possível determinar a causa básica da morte (ou o médico declarou como causa de morte apenas um sintoma ou sinal), e também àqueles em que não houve assistência médica1, 2. Na análise da mortalidade, os óbitos cuja causa básica é classificada como mal definida representam importante lacuna no conhecimento da distribuição das mortes segundo causas. Elevada freqüência de óbitos por causas mal definidas 22 pode comprometer a validade de indicadores de mortalidade por causas determinadas, constituindo obstáculo para a alocação racional dos recursos de saúde com base em perfil epidemiológico1, 13. A análise temporal da mortalidade proporcional por causas mal definidas, nas últimas décadas, mostra que, até meados da década de 1980, nesse capítulo concentravam-se mais de 20% do total de óbitos captados pelo SIM no âmbito nacional; em 1990, tal proporção havia declinado para cerca de 16% e, no ano 2000, alcançando cerca de 13%. Quando se analisam os óbitos sem assistência médica (R98 – CID10), percebe-se que, no início dos anos 80, entre as causas mal definidas, seu peso era menor do que 30%, em razão de, provavelmente, a informação registrada no SIM referir-se majoritariamente às mortes ocorridas nas capitais, devido ao momento de implantação do Sistema 1. No final dos anos 80, tal proporção chegou a 83%, declinando para 65,9% e 51,2% das mortes por causas mal definidas em 1995 e 2004, respectivamente1, 2 Tal variação pode ser devida a diferentes motivos, entre os quais, o aumento da cobertura de assistência médica, a melhoria do preenchimento da DO ou, ainda, ao esclarecimento da causa básica da morte por investigação promovida pelos agentes responsáveis pelo SIM nas esferas locais. Entretanto, embora auspiciosos estes resultados estão longe de corresponder a uma situação adequada 1. Embora a mortalidade proporcional por causas mal definidas no Brasil venha diminuindo, quando se examinam os dados sobre mortalidade relativos às UF, notase que grande heterogeneidade: se, por um lado, há áreas onde as causas mal definidas apresentam-se em no máximo 10%, por outro, há UF em que esses 23 valores são maiores do que 30%. Cabe também salientar que existem variações importantes dentro de cada UF1, 14. Por essa razão, entre outras, em 2004, o Comitê Técnico Assessor para o SIM e para o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do MS sugeriu um plano de metas visando o aperfeiçoamento do SIM, no qual o enfoque principal seria dado à investigação das mortes por causas mal definidas sob responsabilidade das SMS das localidades com 50.000 habitantes e mais, em uma primeira fase1, 11. Mais recentemente, as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, para melhorar a qualidade da informação sobre mortalidade, têm criado SVO que visam estabelecer as causas de morte para os óbitos por causas naturais sem assistência médica, e também para os que a receberam e mesmo assim não foi possível identificar as suas causas2. Nesse sentido, o MS, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, está, atualmente, envidando esforços para incentivar a criação desses serviços, em vários municípios pólos do país1, 2. A qualidade da informação existente na DO sofre interferências diversas como o preenchimento incorreto e/ ou incompleto do documento causados pela falta de capacitação dos médicos ou pela inobservância da importância dessas informações para a saúde pública pelos mesmos. Por outro lado, frente às mudanças do padrão de morbimortalidade, associadas à tendência de envelhecimento populacional – característicos dos processos de transição epidemiológica e demográfica, têm imposto dificuldades adicionais à certificação das causas de morte, em especial no que diz respeito à causa básica do óbito15, 16. 24 O processo de transição epidemiológica caracteriza-se por três principais aspectos, a saber: ao invés de doenças agudas de alta letalidade e curta duração, passam a predominar as doenças crônicas e degenerativas, de longa duração, observa-se um progressivo deslocamento da maior carga de morbimortalidade dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos; e o declínio da mortalidade concomitantemente ao aumento da morbidade concentrada nas idades mais avançadas, associada ao aumento da expectativa de vida17. No Brasil a transição epidemiológica não tem ocorrido de acordo com o modelo experimentado pela maioria dos países industrializados. Não se observa propriamente uma transição, mas sim a superposição entre as suas etapas, onde velhos e novos problemas em saúde coexistem 15. Embora predominem as doenças crônico-degenerativas, as doenças transmissíveis ainda desempenham importante papel na carga de morbimortalidade, caracterizando o que costuma-se denominar uma “transição prolongada”18. Em uma série histórica de vinte e cinco anos no Brasil, observou-se um declínio da mortalidade infantil e, ao mesmo tempo, a mortalidade da população idosa passou a se concentrar em idades cada vez mais avançadas. De 1980 a 2002, a proporção de óbitos infantis passou de 24,2% para 6,0%; e para os óbitos de pessoas com 60 anos e mais, tais proporções aumentaram de 38,2% para 57,0% no mesmo período 2. Nesse contexto, em muitas situações torna-se difícil identificar uma única causa básica de morte, uma vez que parcelas expressivas da população apresentam várias afecções de saúde concomitantes, em especial nos grupos etários mais avançados. As doenças crônicas determinadas por diversas afecções presentes antes do óbito nem sempre têm relação etiológica entre si, com vistas à seleção de uma causa básica claramente determinada19. 25 No Estado do Rio de Janeiro, em particular, outra questão a ser apontada como contribuinte para a manutenção de altos índices de óbitos por CMD – comparativamente a outras UF das regiões sudeste e sul do país, foi a homologação da Resolução SES n˚ 550 de 23 de janeiro de 1990, referente ao fornecimento de atestado de óbito nos casos de falecimento por causa natural a caminho ou nas dependências de pronto-socorro ou ambulatório público ou privado. Em seu artigo 2˚, tal resolução estabelece que, esgotadas todas as tentativas de se determinar a causa básica da morte e não havendo suspeita de óbito por causa violenta, deverá ser declarada na parte I do AO “Causa Indeterminada” 20. O impacto da resolução citada pode ser observado quando comparamos a mortalidade proporcional por CMD no período anterior e posterior à sua publicação. Até 1989, as CMD apareciam em torno de 4% do total de óbitos registrados. De 1990 em diante a proporção foi se elevando e, em 1998, ultrapassou o patamar de 10%. Em anos recentes, a proporção de óbitos por causas mal definidas ainda mantém-se elevada no Estado do Rio de Janeiro, próximo de 10%. Porém, em alguns municípios, tais valores são ainda mais elevados, como é o caso de Belford Roxo que, em 2004, apresentou cerca de 25% de óbitos por causas mal definidas. Esta pesquisa é um subprojeto do projeto intitulado “Investigação dos óbitos por causas mal definidas e de mulheres em idade fértil ocorridos na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, 2008”. Consiste em um projeto interinstitucional elaborado através de parceria entre o Instituto de Estudos em Saúde Coletiva - UFRJ, a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro - SESDEC, a Universidade de São Paulo - USP, o Instituto de Saúde da Comunidade – UFF, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca – FIOCRUZ, o Instituto de Medicina Social – UERJ e a Fundação Municipal de Saúde 26 de Niterói, e tem como objetivo a redução da proporção de óbitos por causas mal definidas e de óbitos maternos não declarados, por meio de investigação e orientar a normatização do processo de investigação de óbitos no Estado do Rio de Janeiro. 27 2 JUSTIFICATIVA As estatísticas de mortalidade são uma das principais fontes de informação para a construção de indicadores de saúde. Por conseguinte, são úteis na formulação de políticas públicas, apoiando o planejamento de ações voltadas para o enfrentamento dos principais problemas de saúde da população. Para o êxito deste planejamento é necessário conhecer quem, onde, quando e fundamentalmente, as principais causas de morte em uma população, destacandose assim, a relevância da informação sobre a causa básica de morte para os estudos epidemiológicos sobre mortalidade23. Desta forma, é de suma importância que a certificação da causa básica da morte seja o mais fidedigna possível. A avaliação da qualidade da certificação da causa básica do óbito é extremamente relevante, já que a mensuração das causas específicas ou dos grupos de causas irá definir o perfil de mortalidade da população, sendo então a correta certificação da causa básica de óbito fundamental para qualquer análise de mortalidade do ponto de vista da saúde pública24. No Brasil, a mortalidade proporcional por causas mal definidas diminuiu de 21,5% em 1980 para 15,1% em 1999. No Estado do Rio de Janeiro este valor tem se mantido em torno de 10%. Na Região Metropolitana, onde ocorreram 77,1% dos óbitos registrados no Estado em 2004, a mortalidade proporcional por causas mal definidas foi de aproximadamente 10%, variando de 4,1% a 24,5% nos municípios de Magé e Belford Roxo, respectivamente. 28 Para contornar este problema, alguns pesquisadores propuseram a redistribuição dos óbitos por causas mal definidas, obedecendo à distribuição daqueles cujas causas foram bem definidas25. Entretanto, essa metodologia vem sendo questionada, em especial quanto a validade da premissa de semelhança dos óbitos por causas mal definidas e os que têm a causa básica estabelecida 1, 2. No estado do Rio de Janeiro, apesar da atividade de investigação de óbitos por causas mal definidas estar pactuada, não existe uma padronização da metodologia de investigação, e nem todos os municípios a realizam de forma regular e sistemática. O Plano Estadual de Saúde do Rio de Janeiro de 2008 a 2011 possui como um de seus objetivos reduzir a proporção de registros de óbitos por causas mal definidas a menos de 5%26. No ano de 2004, Belford Roxo apresentou o maior percentual de óbitos por causas mal definidas, por local de ocorrência, entre os municípios da região metropolitana (24,5%). Quando comparado com todo o estado apresentou o terceiro maior percentual, atrás apenas de São João da Barra (35,5%) e Cardoso Moreira (31,6%). Cabe destacar que em Belford Roxo, no ano de 2004, a mortalidade por causas mal definidas, por local de ocorrência – capítulo XVIII - apresentou a maior proporção em relação aos demais capítulos da CID-10, seguidas do capítulo XX – Causas externas de morbidades e de mortalidade e capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório. 29 Na tabela 1 são apresentados alguns dados de população e de mortalidade do município selecionado e do Estado do Rio de Janeiro referentes ao ano de 2007. Percebemos que a mortalidade proporcional no Município de Belford Roxo é superior à encontrada em todo o Estado do Rio de Janeiro. Tabela 1: População, número de óbitos, coeficiente de mortalidade geral (por 1.000 habitantes) e mortalidade proporcional por causas mal definidas (cap. XVIII CID-10ª Revisão) segundo local de ocorrência e residência, em Belford Roxo e Estado do Rio de Janeiro – 2007. Belford Roxo Estado do Rio de Janeiro 480.555 15.420.450 3.273 120.217 6,8 7,8 1.805 120.326 Óbitos por Causas Mal Definidas 216 10.966 Percentual de Causas Mal Definidas 12,0 9,1 Local de Residência População Óbitos totais Coef. Mortalidade Geral Local de Ocorrência Óbitos totais Fonte: DATASUS/SIM Justifica-se, assim, a realização de estudos específicos voltados para a recuperação da causa básica de óbitos por causas mal definidas. De imediato, o estudo implicará na melhoria da qualidade das informações do SIM, possibilitando a recomposição do perfil da mortalidade segundo causa do óbito. Adicionalmente, 30 a avaliação de métodos de investigação de campo, assim como a identificação de fatores associados à ocorrência de mortes por causas mal definidas, contribuirá para o aprimoramento do SIM, subsidiando decisões direcionadas à uniformização dos procedimentos, ao aumento da sua eficiência e ao estabelecimento de prioridades. Com isso, reafirma-se a importância dos sistemas de informação, mais especificamente, a do SIM, como estratégia para o fortalecimento do papel central do SUS na condução de políticas de saúde voltadas para a melhoria das condições de vida da população não apenas de Belford Roxo, mas também a do Estado do Rio de Janeiro. 31 3 OBJETIVOS 3.1 Geral Analisar a recuperação da informação sobre a causa básica de morte após investigação dos óbitos por causas mal definidas, ocorridos entre junho e setembro de 2008, no município de Belford Roxo, RJ. 3.2 Específicos Descrever os óbitos por causas mal definidas ocorridos no município de Belford Roxo, RJ, no período junho a setembro de 2008, segundo características demográficas e socioeconômicas; Comparar as distribuições de causas de morte dos óbitos por causas mal definidas após a investigação, e dos óbitos com causa definida, ocorridos no município de Belford Roxo, RJ, no período junho a setembro de 2008. Analisar fatores sócio-econômicos e demográficos relacionados à recuperação da causa básica da morte após a investigação dos óbitos por causas mal definidas, ocorridos no município de Belford Roxo, RJ, no período de junho a setembro de 2008. 32 4 METODOLOGIA 4.1 Tipo de estudo Trata-se de um estudo descritivo transversal, baseado em uma série de óbitos por causas mal definidas, ocorridos no município de Belford Roxo, no período de junho a setembro de 2008. 4.2 Descrição da Área de Estudo Com uma extensão territorial de 79 km², o Município de Belford Roxo pertence à Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Faz limite com os municípios de Mesquita, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e São João de Meriti e possui, atualmente, 20 bairros. Até o dia 3 de abril de 1992, Belford Roxo era distrito de Nova Iguaçu, porém foi emancipado com a aprovação da Lei Estadual nº 1.640 21,22. É caracterizado por um contingente populacional, estimado em 495.694 habitantes, pelo IBGE, em 2008, e possui uma população 100% urbana. O Município se enquadra como “cidade dormitório”, ou seja, a população residente trabalha em outros municípios vizinhos e retorna à noite21. Possui grandes carências, tanto no que se refere à infra-estrutura urbana, quanto na área social. Seus elevados índices de violência refletem diretamente essas carências21. 33 Segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano, o município em 2000 possuía o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,74, valor este, segundo a classificação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), indicativo de regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8). De acordo com Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal - 2005 (IFDM), Belford Roxo está entre os cinco piores de todo o estado 21. Apresenta baixíssimo desempenho econômico e um alto grau de precariedade nas condições de vida dos seus habitantes e na capacidade de gestão pública local. Pode ser definido como “bolsão de pobreza” na medida em que quase a totalidade dos seus bairros apresenta um percentual de 30% da população residente considerada pobre21. As condições de moradia da população são majoritariamente precárias, reunindo um conjunto de características estreitamente relacionadas entre si: falta de abastecimento de água, de esgotamento sanitário e de pavimentação das ruas, ilegalidade da propriedade e, insalubridade do imóvel, entre outras 21. O sistema de saúde, segundo informações obtidas pelo planejamento Pluri Anual (2006-2009), ainda é precário em alguns setores22. Sua infra-estrutura de saúde é composta segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), em 2008, por 97 estabelecimentos de saúde, sendo 52 públicos e 45 privados. As unidades públicas estão divididas em 35 Centros de Saúde e Unidades Básicas de Saúde, das quais apenas seis fazem parte do Programa Saúde da Família, 6 Clínicas/ Ambulatórios especializados, 3 Policlínicas, 2 Centros de Atenção Psicossocial, 2 Pronto-socorros, 1 Unidade Mista, 1 Unidade Móvel Terrestre e 2 Farmácias Populares. Foi também inaugurado recentemente 1 Unidade de Pronto Atendimento (UPA). 34 O Município também dispõe, na rede privada, de três pequenos hospitais entre eles um infantil e uma maternidade. Os hospitais privados oferecem, aproximadamente, 338 leitos conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que está muito aquém da média estabelecida pela OMS de 4 leitos a cada 1000 habitantes ( 0,7 leitos/1000 habitantes), sendo assim, cabe destacar que não há no municípios leitos públicos. Levando-se em consideração que, dos óbitos de residentes em Belford Roxo, por todas as causas de morte, apenas 55,1 % ocorreram no próprio município, em 2007, de uma forma geral, podemos afirmar que Belford Roxo “exporta” óbitos para outros municípios, independentemente da causa básica de morte. Sabemos que os fatores determinantes do AO ser classificado como MD estão presentes no município onde ocorreu o óbito. Como em Belford Roxo existe grande evasão dos óbitos de seus munícipes e baixíssima invasão de óbitos de outros municípios, podemos considerar que, no Município estudado os óbitos ocorridos correspondem aos óbitos de seus residentes em quase sua totalidade. 4.3 Critério de seleção da área de estudo De acordo com os critérios estabelecidos no âmbito do projeto de pesquisa “Investigação dos óbitos por causas mal definidas e de mulheres em idade fértil ocorridos na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, 2008”, o Município de Belford Roxo foi selecionado por apresentar população residente entre 100.000 e 1.000.000 de habitantes, cobertura satisfatória do SIM, avaliada com base nos valores do coeficiente geral de mortalidade por residência superior a 6 por mil 35 habitantes27 e também por apresentar mortalidade proporcional por causas mal definidas segundo local de ocorrência do óbito superior à média do Estado do Rio de Janeiro (12,0% e 9,1%, respectivamente, no ano de 2007). Adicionalmente, as autoridades locais de saúde demonstraram interesse, provendo o apoio necessário ao desenvolvimento do estudo. 4.4 Critérios de elegibilidade dos óbitos para investigação Os critérios de elegibilidade para seleção dos óbitos a serem investigados, foram: causa básica de morte mal definida, (capítulo XVIII da CID10 categorias R00 – R99), e ocorrência da morte no município de Belford Roxo, no período de junho a setembro de 2008. 4.5 Coleta dos dados Em Belford Roxo, a coleta das DO é feita semanalmente nos cartórios. Uma técnica qualificada do Departamento de Eventos Vitais codifica a causa básica e envia para digitação no sistema. Para fins deste estudo, após a codificação da causa básica, verificava-se se o óbito atendia aos critérios de elegibilidade. Em caso positivo, era feita uma cópia da DO e esta era enviada à coordenadora do trabalho de campo que preenchia o “cabeçalho” da ficha de investigação (Anexo 3) e devolvia para a investigadora de campo treinada de acordo com o protocolo do estudo, sob supervisão dos coordenadores do estudo, para início da investigação do óbito. A investigação dos óbitos para o esclarecimento da causa básica da morte constou da coleta de informações em prontuários médicos (hospitalares e 36 ambulatoriais, incluindo, o Programa de Saúde da Família), visitas domiciliares e/ ou entrevista com familiares pelo telefone. Foram desenvolvidos uma ficha de investigação e o respectivo manual de instruções para o seu preenchimento, a partir de instrumentos de investigação de óbitos utilizados em estudos com objetivos semelhantes. Um estudo piloto foi realizado com a finalidade de testar a ficha de investigação e avaliar a necessidade de aprimoramento quanto à logística do trabalho de campo. Para o estudo piloto, foram selecionados vinte óbitos por causas mal definidas ocorridos em maio de 2008, em outro município da Região Metropolitana do Estado. A investigação de campo foi realizada de forma cega, ou seja, sem o conhecimento do investigador sobre as informações existentes nas declarações de óbito originais. Para todos os óbitos por causas mal definidas ocorridos em estabelecimentos de saúde coube inicialmente a revisão dos respectivos prontuários médicos. As investigações domiciliares aconteceram para todos os casos de morte por causa mal definida ocorrida no próprio domicílio, ou antes, da chegada à Unidade de Saúde, e, no caso dos óbitos ocorridos em estabelecimentos de saúde, sempre que a revisão de prontuários era inconclusiva. A partir apenas das informações obtidas nas fichas de investigação, um novo Atestado de Óbito foi preenchido por dois médicos com experiência em certificação de causas de morte, de forma independente (AO novo 1 e AO novo 2), e sem qualquer conhecimento da causa básica da DO original. Para cada atestado de óbito novo, a causa básica de morte foi selecionada. Uma vez que as causas básicas selecionadas a partir dos novos atestados de óbito 37 (AO novo 1 e AO novo 2) fossem concordantes no nível dos agrupamentosc da CID10, a investigação era concluída. Caso os dois médicos certificadores discordassem quanto à causa básica do óbito, um terceiro médico certificador preenchia um novo AO (AO novo 3), de forma independente e cega quanto à DO original. O terceiro certificador foi considerado como padrão-ouro, ou seja, a causa básica selecionada a partir do AO novo 3 foi considerada definitiva, mesmo que não houvesse concordância com os demais certificadores. Visando o controle de qualidade da certificação da causa básica, 10% dos óbitos investigados e classificados como concordantes já entre os dois primeiros certificadores também foram certificados pelo terceiro certificador. Após o preenchimento dos novos atestados de óbito, a causa básica da morte foi selecionada por profissional experiente, de acordo com as regras para seleção de causa básica de óbito estabelecidas pela CID10. 4.6 Processamento dos Dados Concluídas as etapas de investigação dos óbitos e certificação das causas de morte, foi feita a transcrição de dados selecionados da ficha de investigação para um formulário mais resumido (anexo 4). ___________________________________________________________________ c Agrupamentos são conjuntos de categorias que correspondem ao código com uma letra e dois dígitos e que são subdivididos em subcategorias onde a cada código de categoria junta-se um ponto 6 e um algarismo do .0 ao .9 e que formam o código completo da doença . 38 Posteriormente os dados foram digitados em um banco de dados desenvolvido pelos pesquisadores, especialmente para este estudo, utilizando-se o programa Epi Info 6.4. A entrada dos dados no banco foi feita por dupla digitação, visando um controle de qualidade do banco de dados, por meio do módulo Validate do Epi Info 6.4. Num segundo momento, foi realizado o relacionamento (linkage) entre o banco de dados do estudo e o do SIM, relativo a 2008, cedidos pela SESDEC RJ. O relacionamento foi do tipo determinístico, baseado no número da DO. 4.7 Análise dos dados Foram calculadas as freqüências simples e relativas (expressas em percentuais) por sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, assistência médica, local de ocorrência do óbito e causa básica da morte (por capítulos e agrupamentos de causas da CID10). Para a aferição do resgate da causa básica de morte pós-investigação foram comparados os AOs originais e os AOs novos (pós-investigação) e adotadas as seguintes denominações: Causas Bem Definidas – quando se chegou a uma causa básica definida; Diagnósticos Incompletos – quando se alcançou apenas uma causa residuald (anexo 3); ___________________________________________________________________ d Diagnósticos Incompletos (causas residuais) são conseqüências ou complicações da causa básica 28 de morte . 39 Causas Mal Definidas – quando a causa básica original (mal definida) não foi alterada, ou foi alterada, mas manteve-se como mal definida (capítulo XVIII da CID10), apesar da busca de informações nas fontes previstas. Na análise dos fatores associados à recuperação da causa básica de óbitos por causas mal definidas, foram calculadas razões de proporções de recuperação de causa básica, e seus respectivos intervalos de 95% de confiança. O nível de significância estatística adotado foi de 5%. 4.8 Aspectos éticos As autoridades sanitárias locais foram contatadas e convidadas a participar de uma oficina para apresentação do projeto de pesquisa, visando à sensibilização quanto aos objetivos e a relevância dos mesmos, para a solicitação de autorização para a busca de dados em prontuários pertencentes às instituições de saúde, assim como para viabilizar a realização de entrevistas domiciliares. Em 12/12/2007, o projeto foi aprovado pelo Conselho de Ética em Pesquisa do IESC (CEP-IESC) sob o parecer nº 117/2007 (anexo 6). 40 5 RESULTADOS 5.1 Representatividade da Amostra Em 2008 ocorreram 2.049 óbitos por todas as causas no município de Belford Roxo, dos quais 295 (14,4%) foram por causas mal definidas. No período do estudo, 1˚ de junho a 30 de setembro do ano referido ocorreram 712 óbitos no município, dos quais 103 (14,5%) foram por causas mal definidas. Tabela 2 – Distribuição dos óbitos ocorridos por sexo, segundo faixa etária, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Feminino Faixa Etária Município (Anos) N % N < 20 26 3,1 20 - 29 15 30 - 39 Masculino Município Pop. Estudo Município % N % N % N % N % 5 1,7 99 8,1 26 6,3 125 6,1 31 4,4 1,8 4 1,3 111 9,1 38 9,3 126 6,1 42 5,9 21 2,5 8 2,7 96 7,9 29 7,1 117 5,7 37 5,2 40 - 49 68 8,2 22 7,3 125 10,3 45 11,0 193 9,4 67 9,4 50 - 59 123 14,8 43 14,3 187 15,4 63 15,4 310 15,1 106 14,9 60 e + 560 67,3 212 70,4 532 43,8 193 47,1 1092 53,3 405 56,9 Ignorada 19 2,3 7 2,3 65 5,3 16 3,9 86 4,2 24 3,4 Total Pop. Estudo Total 832 100,0 301 100,0 1215 100,0 410 100,0 Pop. Estudo 2049 100,0 712 100,0 41 A distribuição dos óbitos por todas as causas, segundo faixas etárias, no período estudado foi semelhante à de todo o ano de 2008, com aumento da mortalidade proporcional concomitantemente à elevação da idade, independentemente do sexo, porém percebemos discreta sub-representação de jovens (< 20 anos) e super-representação de idosos (60 e + anos) na amostra. (Tabela 2). A análise da mortalidade proporcional segundo faixa etária por sexo mostra que a proporção de óbitos do sexo masculino é maior em quase todas as idades, merecendo destaque as faixas etárias de 20 a 29 e de 30 a 39 anos, nas quais as proporções excedem em 5 e 3 vezes as do sexo feminino, respectivamente. A exceção é a faixa etária de 60 e mais anos, na qual o sexo feminino passa a apresentar proporção mais elevada, aproximadamente 1,5 vezes maior. A distribuição das causas de morte por capítulos no ano de 2008 assemelhase à distribuição por capítulos no período do estudo. Entretanto quando observamos a freqüência dos capítulos separadamente para cada sexo percebemos pequenas diferenças. Por exemplo, o capítulo IX – Doenças do Aparelho Circulatório apresenta-se em primeiro lugar e o capítulo XVIII – Mal Definidas - em terceiro para ambos os sexos, porém no sexo feminino a segunda maior causa de morte tanto no município quanto no universo amostral são as Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas - capítulo IV - e no sexo masculino a segunda causa mais freqüente são as Causas externas de morbidade e mortalidade - capítulo XX. (Tabela 3). 42 Tabela 3 - Distribuição dos óbitos ocorridos por sexo, segundo causa básica de morte segundo capítulos CID-10, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Feminino Masculino Total Causa Município Pop. Estudo Município Pop. Estudo Município Pop. Estudo N % N % N % N % N % N % I 29 3,5 11 3,7 42 3,5 15 3,7 71 3,5 26 3,7 II 50 6,0 20 6,6 48 4,0 12 2,9 98 4,8 32 4,5 III 10 1,2 4 1,3 5 0,4 3 0,7 15 0,7 7 1,0 IV 121 14,5 48 15,9 90 7,4 35 8,5 211 10,3 83 11,7 V - - - - 11 0,9 3 0,7 11 0,5 3 0,4 VI 16 1,9 5 1,7 13 1,1 6 1,5 29 1,4 11 1,5 IX 318 38,2 101 33,6 313 25,8 110 26,8 631 30,8 211 29,6 X 75 9,0 34 11,3 101 8,3 43 10,5 176 8,6 77 10,8 XI 21 2,5 6 2,0 50 4,1 22 5,4 71 3,5 28 3,9 XII 4 0,5 2 0,7 1 0,1 1 0,2 5 0,2 3 0,4 XIII 1 0,1 - - 1 0,1 1 0,2 2 0,1 1 0,1 XIV 17 2,0 6 2,0 10 0,8 1 0,2 27 1,3 7 1,0 XV 1 0,1 - - - - - - 1 - - - XVI 17 2,0 7 2,3 45 3,7 12 2,9 63 3,1 20 2,8 XVII 1 0,1 1 0,3 2 0,2 2 0,5 3 0,1 3 0,4 XVIII 119 14,3 47 15,6 175 14,4 56 13,7 295 14,4 103 14,5 XX 32 3,8 9 3,0 308 25,3 88 21,5 340 16,6 97 13,6 Total 832 100,0 301 1215 100,0 410 100,0 2049 100,0 712 100,0 Cap. (CID-10) 100,0 ___________________________________________________________________ Cap. I – Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias; Cap. II - Neoplasias; Cap. III – Doenças do Sangue e dos Órgãos Hematopoiéticos e Alguns Transtornos Imunitários; Cap. IV – Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas; Cap. V – Transtornos Mentais e Comportamentais; Cap. VI – Doenças do Sistema Nervoso; Cap. IX – Doenças do Aparelho Circulatório; Cap. X – Doenças do Aparelho Respiratório; Cap. XI – Doenças do Aparelho Digestivo; Cap. XII – Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo; Cap. XIII – Doenças do Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo; Cap. XIV – Doenças do Aparelho Geniturinário; Cap. XV – Gravidez, Parto e Puerpério; Cap. XVI – Algumas Afecções Originadas no Período Perinatal; Cap. XVII – Malformações Congênitas e Anomalias Cromossômicas; Cap. XVIII – Mal Definidas; Cap. XX – Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 43 Na tabela 4 são apresentadas as distribuições dos óbitos por causas mal definidas ocorridos no município em 2008 (N= 295) e os elegíveis para compor a população de estudo (n= 103), segundo agrupamentos da CID10 e sexo. Tanto ao longo de 2008 quanto na amostra, os óbitos por causas mal definidas distribuíram-se por três agrupamentos pertencentes ao capítulo XVIII. O agrupamento mais freqüente foi o das “Causas Mal Definidas e Desconhecidas de Mortalidade” (R95 – R99), certificadas como a causa básica de cerca de dois em cada três óbitos por causas mal definidas, para ambos os sexos e para o total. O segundo agrupamento mais freqüente foi o dos “Sintomas e Sinais Relativos ao Aparelho Circulatório e Respiratório” (R00 – R09), seguido pelos “Sintomas e Sinais Gerais” (R50 – R69), este último com menos de 5% dos óbitos sem causa definida. Tanto no ano de 2008 como na amostra selecionada, entre as mulheres a proporção de óbitos por “Causas Mal Definidas e Desconhecidas de Mortalidade” (R95 – R99) foi mais elevada quando comparada à do sexo masculino. Já entre os homens, os óbitos por “Sintomas e Sinais Relativos ao Aparelho Circulatório e Respiratório” (R00 – R09) foram mais freqüentes, comparativamente ao sexo feminino. Tais diferenças não alteraram, entretanto, a ordenação dos agrupamentos do capítulo XVIII mencionada. 44 Tabela 4 - Distribuição dos óbitos por Causas Mal Definidas (capítulo XVIII CID 10), segundo sexo e causa (alguns agrupamentos - capítulo XVIII), 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ Feminino Masculino Total Agrupamento Município Pop. Estudo Município Pop. Estudo Município N % N % N % N N % N % R00 - R09 29 24,4 9 19,1 66 37,7 18 32,1 95 32,2 27 26,2 R50 - R69 5 4,2 2 4,3 5 2,9 1 1,8 10 3,4 3 2,9 R95 - R99 85 71,4 36 76,6 104 59,4 37 66,1 190 64,4 73 70,9 119 100,0 47 100,0 175 100,0 56 100,0 295 100,0 103 100,0 (Cap. XVIII) Total % Pop. Estudo Observando a distribuição dos óbitos por causas mal definidas segundo agrupamento e faixa etária, percebemos que nas faixas de idades mais jovens predominam os óbitos por causas Mal Definidas e Desconhecidas de Mortalidade, pertencentes ao agrupamento R95 – R99. Com o aumento da idade, o agrupamento Sintomas e Sinais Relativos ao Aparelho Circulatório e Respiratório (R00 – R09) passa a ganhar maior importância, alcançando as maiores proporções na faixa etária de 60 anos ou mais (tabela 5). ___________________________________________________________________ R00 – R09 - Sintomas e Sinais Relativos ao Aparelho Circulatório e Respiratório R50 – R69 - Sintomas e Sinais Gerais R95 – R99 - Causas Mal Definidas e Desconhecidas de Mortalidade 45 Tabela 5 - Distribuição dos óbitos por Causas Mal Definidas (capítulo XVIII - CID 10), segundo faixa etária e agrupamento, 2008 e período do estudo (jun-set), Município de Belford Roxo, RJ R00 - R09 R50 - R69 R95 - R99 Total Fx. Etária Município Pop. Estudo Município Pop. Estudo Município N % N % N % N % N % N % N % N % < 20 1 12,5 - - - - - - 7 87,5 - - 8 100,0 - - 20 – 29 - - - - 1 12,5 1 25,0 7 87,5 3 75,0 8 100,0 4 100,0 30 – 39 2 14,3 - - - - - - 12 85,7 6 100,0 14 100,0 6 100,0 40 – 49 10 33,3 7 50,0 - - - - 20 66,7 7 50,0 30 100,0 14 100,0 50 – 59 21 33,3 3 17,6 1 1,6 - - 41 65,1 14 82,4 63 100,0 17 100,0 60 + 61 37,9 17 29,3 8 5,0 2 3,4 92 57,1 39 67,2 161 100,0 58 100,0 - - - - - - - - 11 100,0 4 100,0 11 100,0 4 100,0 95 32,2 27 26,2 10 3,4 3 2,9 190 64,4 73 70,9 295 100,0 103 100,0 (Anos) Ignorado Total Pop. Estudo Município Pop. Estudo 5.2 Características sócio-econômicas e demográficas da população de estudo Em nossa população de estudo (103 óbitos por CMD) observamos que houve uma pequena predominância do sexo masculino, 54,4% (gráfico 1). ___________________________________________________________________ R00 – R09 - Sintomas e Sinais Relativos ao Aparelho Circulatório e Respiratório R50 – R69 - Sintomas e Sinais Gerais R95 – R99 - Causas Mal Definidas e Desconhecidas de Mortalidade 46 Não houve óbitos por CMD na faixa etária dos menores de 20 anos e os óbitos por CMD concentraram-se nas faixas etárias mais elevadas, 60 anos e + representaram 59,2% (gráfico 2). 47 Em relação à raça/ cor da pele, pessoas de pele não branca foram relativamente mais freqüentes, 54,4% (gráfico 3). Quanto à escolaridade chama atenção a alta freqüência do preenchimento dessa variável como ignorado, ultrapassando 40,0%, evidenciando a baixa qualidade desta informação. O percentual de casos de óbitos sem nenhum ano de estudo até 11 anos completos representaram 55,4% das CMD. Apenas 1,9% possuíam nível superior. Se excluíssemos os ignorados do total de óbitos, como feito em alguns estudos, a análise quanto à escolaridade seria alterada, pois todas as categorias desta variável passariam praticamente para o dobro da proporção apresentada inicialmente (gráfico 4). 48 A variável assistência médica refere-se ao recebimento de assistência médica pelo indivíduo durante o processo patológico que o levou ao óbito e não àqueles que receberam assistência apenas na fase terminal da cadeia de eventos que levaram à morte30. É um dado de extrema importância para a avaliação do acesso aos serviços de saúde, porém apresentou enorme percentual de dados ignorado, maior que 65%, o que demonstra a péssima qualidade desses dados. Entretanto, o percentual de CMD que não receberam assistência médica (19,4%) é sensivelmente maior do que os que receberam (12,6%). Neste caso, a exclusão dos dados ignorados também distorceria os resultados, pois daria a falsa impressão de que mais de 50% dos óbitos por causas mal definidas teriam recebido assistência médica (gráfico 5). 49 Quanto à variável local de ocorrência, houve uma discreta maior proporção de óbitos por CMD em domicílio, 43,7%. Entretanto, os óbitos ocorridos em ambiente hospitalar também apresentaram elevado percentual, 41,7% (gráfico 6). 50 5.3 Aspectos operacionais e logísticos das investigações Dos 103 óbitos ocorridos em Belford Roxo, por CMD, 15 (14,6%) representaram perdas. Destes 15 óbitos, 20% ocorreram em ambiente hospitalar, e o prontuário médico não foi encontrado para realizar a investigação hospitalar; 73,3% ocorreram em domicílio, porém as investigações não puderam ser concluídas, pois o endereço do falecido não pôde ser localizado ou a família havia se mudado. Sendo assim, para estes 15 óbitos foi mantida a causa básica originalmente certificada, incluídas no capítulo XVIII da CID10 (Figura 2). Figura 2 - Total de óbitos por CMD no período de estudo (junho a setembro 2008), total investigado e perdas do estudo, município de Belford Roxo, RJ 51 Para realizar as investigações dos 88 óbitos por CMD, precisou-se realizar um total de 149 investigações, perfazendo uma média de 1,7 investigações para cada óbito por CMD. Figura 3 – Número de investigações para cada óbito por CMD. Total e média. Período de junho a setembro de 2008, município de Belford Roxo, RJ *15 perdas Em 40,9% dos óbitos por CMD a investigação pode ser concluída com apenas 1 investigação. Em 48,9% foi necessário realizar uma segunda investigação. E em apenas 10,2% foi necessário uma terceira investigação. Como já mencionado, em 14,6% dos óbitos por CMD não foi possível concluir a investigação. 52 Dos 36 óbitos ocorridos em ambiente hospitalar, 30 necessitaram de ao menos mais uma investigação, ou seja, 83,3% dos óbitos hospitalares dão origem à investigação domiciliar e/ou em outras unidades de saúde. Quanto às certificações médicas, em 39,8% dos novos AO preenchidos houve concordância quanto a causa básica selecionada já nas duas primeiras certificações. Sendo assim, em 60,2% foi necessária a certificação do terceiro médico. Destes, 62,3% foi concordante com um dos dois certificadores anteriores. Figura 4 – Concordância inter-certificadores. Período de junho a setembro de 2008, município de Belford Roxo, RJ 53 5.4 Recuperação da Causa Básica de Morte e Redistribuição entre as Causas Definidas Após a realocação dos óbitos mal definidos pelos capítulos da CID-10 mantendo as 15 perdas no capítulo das mal definidas, obtivemos um total de 40 óbitos (38,8%) que permaneceram como CMD. A distribuição dos óbitos por causas mal definidas investigados segundo capítulos da CID10 é apresentada na tabela 6. Caso optássemos por trabalhar com os 88 óbitos por causas mal definidas que puderam ter suas investigações concluídas, teríamos o resgate da causa básica em 71,6% dos casos, permanecendo, portanto 28,4% como CMD. Condizendo com a mortalidade proporcional encontrada no município em 2008, a maior proporção das CMD foi realocada no capítulo das doenças do aparelho circulatório (24,3%). Dentro deste capítulo o agrupamento mais freqüente foi o I10-I15 referente às doenças hipertensivas (48,0%). Importante destacar a elevada proporção de óbitos por CMD realocados entre os transtornos mentais e comportamentais (11,7%). O agrupamento que mais contribuiu para esta alta proporção foi o F10-F19 referente aos transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substâncias psicoativas (91,7%). Outro achado importante é quanto ao capítulo IV - Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, pois todos os 6 óbitos realocados neste capítulo pertencem ao agrupamento E10-E14 referente à Diabetes Mellitus. 54 Tabela 6 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas realocadas após investigação, segundo nova causa básica – Capítulos* e Agrupamentos CID 10 (Nº e %), junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ Novo Capítulo e Agrupamento N % I - Algumas doenças infecciosas e parasitárias A15-A19 - Tuberculose 1 50 B90-B94 - Sequelas de DIP 1 50 C15-C26 - malignas órg. digestivos 1 20 C51-C58 - malignas órg. genitais. fem. 1 20 C60-C63 - malignas órg. genitais. masc. 2 40 C76-C80 - malignas de loc. MD, sec. E de loc. NE 1 20 II - Neoplasias [tumores] III - Doenç. sang. e órgãos hematop. e transt. imunit. D60-D64 - Anemias aplásicas e outras anemias 2 6 F20-F29 - Esquizofrenia, transt. esquizot. e transt. delir. 11 91,7 1 8,3 VI - Doenças do sistema nervoso G40-G47 - transt. episódicos e paroxísticos 2 66,7 G80-G83 - paralisia cerebral e outras paralisias 1 33,3 IX - Doenças do aparelho circulatório I10-I15 - Doenças hipertensivas 12 48 I20-I25 - Doenças isquêmicas do coração 5 20 I30-I52 - Outras formas de doença do coração 1 4 I60-I69 - Doenças cerebrovasculares 6 24 I70-I79 - Doenças das artérias, arteríolas e capilares 1 4 X - Doenças do aparelho respiratório J40-J47 - Doenças crônicas das vias aéreas inferiores 3 1 K70-K77 - Doenças do fígado 1 1 40 W00-X59 - Outras causas ext. de traumat. acidentais 1 50 Y40-Y84 - Complicações de assist. médica e cirúrgica 1 50 103 2 1,9 6 5,8 12 11,7 3 2,9 25 24,3 3 2,9 2 1,9 1 1 40 38,8 2 1,9 100 XX - Causas externas de morbidade e de mortalidade Total 4,9 100 XVIII - Mal definidas** R95-R99 - CMD e desconhecidas de mortalidade 5 100 XIV - Doenças do aparelho geniturinário N20-N23 - Calculose renal 1,9 100 XI - Doenças do aparelho digestivo K20-K31 - Doenças do esôfago, estômago e duodeno 2 100 V - Transtornos mentais e comportamentais F10-F19 - devidos ao uso de subst. Psicoativa % 100 IV - Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas E10-E14 - Diabetes Mellitus N 100 *Os capítulos suprimidos nesta tabela é devido ao não aparecimento destes após a realocação das CMD entre os capítulos da CID-10. **15 óbitos do total de 40 não foram investigados e, portanto permaneceram como CMD. 55 Curiosamente, o quarto capítulo mais freqüente na redistribuição das CMD foram as neoplasias com 4,9%. Outro capítulo que não esperávamos encontrar após a realocação das CMD foi o das causas externas, pois este, por se tratar de morte por causa não natural, possui protocolo definido para declaração da causa da morte. Comparando a mortalidade proporcional segundo causas (por capítulo da CID-10) entre os dados oficiais do SIM, com a distribuição dos óbitos reclassificados neste estudo após investigação, que incluem as CMD e a proposta da OPAS 25, que exclui as CMD e redistribui essas causas proporcionalmente aos demais capítulos (excluindo o capítulo XX da CID 10, referente às Causas Externas), constatamos modestas variações na ordem de importância dos capítulos. Porém percebemos que a mortalidade proporcional do capítulo dos transtornos mentais e comportamentais (capítulo V) foi bem superior na distribuição dos óbitos por CMD reclassificados (Tabela 7). Analisando a distribuição dos óbitos após a investigação, segundo sexo e causa básica percebemos coincidência entre a primeira e a terceira causa mais freqüente de morte (doenças do aparelho circulatório e doenças do aparelho respiratório), porém em relação às demais causas a ordenação dos capítulos não coincidem. No sexo masculino a segunda causa mais freqüente foram as causas externas com 21,7% e a quarta causa foram as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas com 8,8%. Já no sexo feminino as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas aparecem na segunda colocação com 17,6% e as neoplasias em quarto com 7%. 56 Tabela 7 - Distribuição dos óbitos por capítulos, segundo o SIM, nossa metodologia e proposta da OPAS, junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (nº, % e colocação) SIM Causas Cap. (CID 10) Após investigação Proposta OPAS N % Lugar N % Lugar N % Lugar I 26 3,7 8º 28 3,9 8º 31 4,4 7º II 32 4,5 6º 37 5,2 6º 38 5,4 5º III 7 1,0 - 9 1,3 - 8 1,2 10º IV 83 11,7 4º 89 12,5 3º 100 14,0 2º V 3 0,4 - 15 2,1 10º 4 0,5 - VI 11 1,5 10º 14 2,0 - 13 1,9 9º IX 211 29,6 1º 236 33,1 1º 253 35,6 1º X 77 10,8 5º 80 11,2 4º 92 13,0 4º XI 28 3,9 7º 30 4,2 7º 34 4,7 6º XII 3 0,4 - 3 0,4 - 4 0,5 - XIII 1 0,1 - 1 0,1 - 1 0,2 - XIV 7 1,0 - 8 1,1 - 8 1,2 10º XVI 20 2,8 9º 20 2,8 9º 24 3,4 8º XVII 3 0,4 - 3 0,4 - 4 0,5 - XVIII 103 14,5 2º 40 5,6 5º - - - XX 97 13,6 3º 99 13,9 2º 97 13,6 3º Total 712 100,0 - 712 100,0 - 712 100,0 - ___________________________________________________________________ Cap. I – Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias; Cap. II - Neoplasias; Cap. III – Doenças do Sangue e dos Órgãos Hematopoiéticos e Alguns Transtornos Imunitários; Cap. IV – Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas; Cap. V – Transtornos Mentais e Comportamentais; Cap. VI – Doenças do Sistema Nervoso; Cap. IX – Doenças do Aparelho Circulatório; Cap. X – Doenças do Aparelho Respiratório; Cap. XI – Doenças do Aparelho Digestivo; Cap. XII – Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo; Cap. XIII – Doenças do Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo; Cap. XIV – Doenças do Aparelho Geniturinário; Cap. XVI – Algumas Afecções Originadas no Período Perinatal; Cap. XVII – Malformações Congênitas e Anomalias Cromossômicas; Cap. XVIII – Mal Definidas; Cap. XX – Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 57 Tabela 8 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas realocada após investigação, segundo nova causa básica por capítulos e sexo. Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (nº, % e colocação) Nova DO Original Causa Básica Feminino Após investigação Masculino Feminino Masculino N % Coloc. N % Coloc. N % Coloc. N % Coloc. Cap. I 11 3,7 - 15 3,7 - 13 4,3 - 15 3,7 - Cap. II 20 6,6 5º 12 2,9 - 21 7 4º 16 3,9 - Cap. III 4 1,3 - 3 0,7 - 5 1,7 - 4 1 - Cap. IV 48 15,9 2º 35 8,5 5º 53 17,6 2º 36 8,8 4º Cap. V 0 0 - 3 0,7 - 1 0,3 - 14 3,4 - Cap. V I 5 1,7 - 6 1,5 - 6 2 - 8 2 - Cap. IX 101 33,6 1º 110 26,8 1º 114 37,9 1º 122 29,8 1º Cap. X 34 11,3 4º 43 10,5 4º 37 12,3 3º 43 10,5 3º Cap. XI 6 2 - 22 5,4 - 7 2,3 - 23 5,6 5º Cap. XII 2 0,7 - 1 0,2 - 2 0,7 - 1 0,2 - Cap. XIII 0 0 - 1 0,2 - 0 0 - 1 0,2 - Cap. XIV 6 2 - 1 0,2 - 7 2,3 - 1 0,2 - Cap. XVI 7 2,3 - 12 2,9 - 7 2,3 - 12 2,9 - Cap. XVII 1 0,3 - 2 0,5 - 1 0,3 - 2 0,5 - Cap. XVIII 47 15,6 3º 56 13,7 3º 17 5,6 5º 23 5,6 5º Cap. XX 9 3 - 88 21,5 2º 10 3,3 - 89 21,7 2º 301 100 - 410 100 - 301 100 - 410 100 - Total ___________________________________________________________________ Cap. I – Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias; Cap. II - Neoplasias; Cap. III – Doenças do Sangue e dos Órgãos Hematopoiéticos e Alguns Transtornos Imunitários; Cap. IV – Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas; Cap. V – Transtornos Mentais e Comportamentais; Cap. VI – Doenças do Sistema Nervoso; Cap. IX – Doenças do Aparelho Circulatório; Cap. X – Doenças do Aparelho Respiratório; Cap. XI – Doenças do Aparelho Digestivo; Cap. XII – Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo; Cap. XIII – Doenças do Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo; Cap. XIV – Doenças do Aparelho Geniturinário; Cap. XVI – Algumas Afecções Originadas no Período Perinatal; Cap. XVII – Malformações Congênitas e Anomalias Cromossômicas; Cap. XVIII – Mal Definidas; Cap. XX – Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 58 Com relação às proporções de cada capítulo por sexo percebemos que existem algumas diferenças importantes em determinados capítulos. Por exemplo, os transtornos mentais e comportamentais, as causas externas e as doenças do aparelho digestivo apresentam proporções mais elevadas no sexo masculino do que no sexo feminino, respectivamente, 3,4%, 0,3%; 21,7%, 3,3% e 5,6%, 2,3%. Já as doenças do aparelho geniturinário, as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas e as neoplasias apresentam maiores proporções no sexo feminino com 2,3%, 0,2%; 17,6%, 8,8% e 7%, 3,9%, respectivamente no sexo feminino e masculino (Tabela 8). A análise da distribuição dos óbitos por CMD realocados entre os capítulos da CID-10 por faixa etária, após investigação, evidencia algumas diferenças importantes entre os maiores e menores de 60 anos. Nos menores de 60 anos a causa mais freqüente de morte foram as causas externas (29,3%), porém destacam-se os transtornos mentais e comportamentais neste grupo por terem um acréscimo de 9 óbitos, passando de 1,1% para 4,2%. Nos maiores de 60 anos o capítulo mais freqüente é o referente às doenças do aparelho circulatório com 40,6%. Se levarmos em consideração apenas os óbitos em que houve possibilidade de investigação observamos que o capítulo das CMD teve sua causa básica de óbito resgatada na sua totalidade entre os menores de 60 anos (Tabela 9). 59 Tabela 9 – Óbitos por causas mal definidas (DO original e pós investigação), segundo causa básica - capítulos CID-10 e faixa etária, Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ(nº, % e colocação) Nova DO Original Causa Básica < 60 anos N % Cap. I 16 Cap. II Cap. III Após investigação 60 anos + N % 5,7 10 2,5 12 4,2 20 4,9 3 1,1 4 1 Cap. IV 23 8,1 60 14,8 Cap. V 3 1,1 0 Cap. V I 3 1,1 8 Cap. IX 61 21,6 2º 150 37 Cap. X 17 6 5º 59 14,6 Cap. XI 11 3,9 17 Cap. XII 0 0 3 Cap. XIII 1 0,4 Cap. XIV 0 0 Cap. XVI 7 Cap. XVII Cap. XVIII Cap. XX Total Coloc. < 60 anos % Coloc. N % 18 6,4 5º 10 2,4 16 5,7 21 5,1 3 1,1 6 1,5 23 8,1 66 16,1 0 12 4,2 3 0,7 2 6 2,1 8 2 1º 70 24,7 2º 166 40,6 1º 3º 19 6,7 4º 60 14,7 3º 4,2 12 4,2 18 4,4 0,7 0 0 3 0,7 0 0 1 0,4 0 0 7 1,7 0 0 8 2 2,5 0 0 7 2,5 0 0 3 1,1 0 0 3 1,1 0 0 41 14,5 3º 62 15,3 10** 3,5 30** 7,3 82 29 1º 9 2,2 83 29,3 10 2,4 283* 100 409* 101 283 100 409 100 4º Coloc. 5º 2º 4º N 60 anos + 3º 1º Coloc. 5º 2º 4º *19 óbitos sem informação idade: 1 no capítulo X, 12 no capítulo XVI e 6 no capítulo XX. ** Os 10 óbitos mantidos como CMD entre os < de 60 anos e 5 óbitos mantidos como CMD entre os > de 60 anos referem-se aos óbitos em que não foi possível realizar a investigação. ___________________________________________________________________ Cap. I – Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias; Cap. II - Neoplasias; Cap. III – Doenças do Sangue e dos Órgãos Hematopoiéticos e Alguns Transtornos Imunitários; Cap. IV – Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas; Cap. V – Transtornos Mentais e Comportamentais; Cap. VI – Doenças do Sistema Nervoso; Cap. IX – Doenças do Aparelho Circulatório; Cap. X – Doenças do Aparelho Respiratório; Cap. XI – Doenças do Aparelho Digestivo; Cap. XII – Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo; Cap. XIII – Doenças do Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo; Cap. XIV – Doenças do Aparelho Geniturinário; Cap. XVI – Algumas Afecções Originadas no Período Perinatal; Cap. XVII – Malformações Congênitas e Anomalias Cromossômicas; Cap. XVIII – Mal Definidas; Cap. XX – Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 60 Quando observamos a situação das CMD após investigação percebemos que dos 61,2% dos óbitos que melhoraram a causa básica, 88,9% passaram para uma causa bem definida. Os 11,1% dos óbitos restantes passaram para o que chamamos de diagnósticos incompletos ou causas residuais ou ainda códigos “lixão”. Esses diagnósticos são conseqüências ou complicações da causa básica de morte e são considerados “melhor” do que as CMD, pois neste caso a causa de morte pode ser, ao menos, alocada dentro de algum agrupamento pertencente a um capítulo da CID27. Dos óbitos que permaneceram no capítulo das CMD (38,8%) 30,1% não mudaram sequer de agrupamento e estes pertenciam a um único agrupamento, R95-R99 (Tabela 10). 5.5 Associação entre recuperação da Causa Básica de Morte e algumas variáveis sócio-econômicas e demográficas Após a investigação verificamos a associação entre algumas características dos óbitos por CMD e a possível recuperação ou não da causa básica, utilizando para tanto a comparação entre as proporções e o risco relativo. Quanto ao sexo percebemos maior proporção de óbitos com recuperação da causa básica entre as mulheres (63,8%) sendo que 83,3% destes óbitos passaram para uma causa bem definida e 16,7% passaram para um diagnóstico incompleto. No sexo masculino, dos 58,9% de óbitos com causa básica recuperada, 97% passou para uma causa bem definida e apenas 3% para um diagnóstico incompleto. 61 Observamos então que no sexo feminino a proporção de óbitos que passou a ter um diagnóstico incompleto entre as causas definidas (16,7%) é mais do que 5 vezes maior do que o encontrado no sexo masculino (3%). Em relação à faixa etária 100% dos óbitos por CMD nos menores de 60 anos puderam ter sua causa básica definida com alta proporção destes óbitos na categoria dos bem definidos, 90,6%. Já na faixa etária dos maiores de 60 anos a elevada proporção de óbitos que se mantiveram como CMD (49,2%). Tabela 10 - Distribuição dos óbitos por causas mal definidas segundo tipo de recuperação após investigação. Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (nº, %) Situação após Investigação Causas Mal Definidas Bem Definido (Agrupamento) N % CMD Diag. Incompleto N % Total Igual Outra N % N % R000 - R099 15 62,5 1 4,2 0 0,0 8 33,3 24 R500 - R699 2 66,7 0 0,0 0 0,0 1 33,3 3 R950 - R999 39 51,3 6 7,9 31 40,8 0 0,0 76 Total 56 54,4 7 6,8 31 30,1 9 8,7 103 ___________________________________________________________________ R00 – R09 - Sintomas e Sinais Relativos ao Aparelho Circulatório e Respiratório R50 – R69 - Sintomas e Sinais Gerais R95 – R99 - Causas Mal Definidas e Desconhecidas de Mortalidade 62 Houve maior proporção de recuperação da causa básica entre os indivíduos de cor da pele não branca com 62,2% contra 62,5% de recuperação entre os indivíduos de cor da pele branca. Essa diferença se faz mais evidente entre os diagnósticos incompletos quando os indivíduos de cor da pele branca apresentam valor menor (4,4%) que o encontrado nos indivíduos de cor da pele não branca (8,9%). Torna-se difícil avaliar a variável assistência médica devido à alta proporção dessa variável apresentar-se como ignorada. Sendo assim, resolvemos observar a variável de duas maneiras: excluindo os dados ignorados e quanto o preenchimento ou não da variável, ou seja, variável ignorada versus variável preenchida. Na primeira observação percebemos que dos óbitos que passaram para uma causa definida entre os que receberam assistência médica (61,5%), 100% encontram-se entre as causas básicas bem definidas. Em contrapartida, os óbitos que não receberam assistência médica não conseguiram recuperar a causa básica de morte em 60,0% e quando isso foi possível, 10,0% permaneceram como diagnóstico incompleto. Na segunda forma de observar a variável encontramos um dado curioso, pois entre os dados ignorados a proporção de recuperação da causa básica foi maior (67,1%), inclusive com maior proporção destes óbitos realocados entre as causas bem definidas (60,0%). Este fato nos faz pensar que a maioria destes óbitos devem ter recebido assistência médica, porém por falta de conhecimento do médico quanto ao preenchimento correto desta variável a mesma é negligenciada. Quanto ao local de ocorrência do óbito verificamos maior recuperação da causa básica quando o mesmo acontece em ambiente hospitalar. 67,4% passam 63 para uma causa do óbito definida. Destes, 91,3% passam para uma causa bem definida. Em contrapartida, quando o óbito ocorre em domicílio observamos que apenas 55,6% passam a possuir uma causa de óbito definida e quando verificamos o nível de especificação desta nova causa básica percebemos a diferença na qualidade da recuperação entre os dois locais de ocorrência. No domicílio o que eleva a proporção das causas definidas são os diagnósticos incompletos (11,1%) e entre os óbitos hospitalares esta parcela representa apenas 4,7% dos casos (Tabela 11). Observando o risco relativo para verificar a magnitude da associação entre cada variável e a possibilidade de recuperação da causa básica, verificamos que não houve associação estatística significativa para quase todas as variáveis, com exceção da variável faixa etária onde a chance de recuperação da causa básica de morte é 1,7 vezes (IC 95%: 1,25 – 2,20) maior entre os menores de 60 anos. Provavelmente a falta de associação estatística significativa tenha ocorrido pelo tamanho reduzido de nossa população de estudo. Porém, podemos inferir que no sexo feminino a chance de se recuperar a causa básica de morte seria discretamente maior que no sexo masculino. Em relação à assistência médica quando esta é recebida a chance de recuperação é maior do que quando não é recebida e quanto ao local de ocorrência quando o óbito ocorre em ambiente hospitalar a chance de se recuperar a causa básica é maior do que quando o óbito ocorre em domicílio e quanto à raça/ cor, a recuperação da causa básica é maior entre os brancos. 64 Tabela 11 - Características sócio-demográficas dos óbitos por causas mal definidas, segundo tipo de recuperação da causa básica após investigação. Junho - setembro, 2008, Município de Belford Roxo, RJ (número (N), porcentagem (%), risco relativo (RR) e Intervalo de Confiança (IC 95%)) Situação após Investigação Causas Definidas Características sócio-demográficas Bem Definido Diag. Incompleto Subtotal CMD Total N % N % N % N % N % Feminino 25 53,2 5 10,6 30 63,8 17 36,2 47 100 Masculino 31 55,4 2 3,6 33 58,9 23 41,1 56 100 < 60 anos 29 76,3 3 7,9 32 84,2 6 15,8 38 100 60 anos e + 27 44,3 4 6,6 31 50,8 30 49,2 61 100 26 57,8 2 4,4 28 62,2 17 37,8 45 100 21 37,5 56 100 RR IC 95% Sexo 1,08 0,80-1,47 1,66 1,25-2,20 1,00 0,73-1,35 1,54 0,77-3,06 1,21 0,87-1,70 Fx. Etária Raça/ Cor Branca 30 53,6 5 8,9 35 62,5 Sim 8 61,5 0 0,0 8 61,5 5 38,5 13 100 Não 6 30,0 2 10,0 8 40,0 12 60,0 20 100 Ign 42 60,0 5 7,1 47 67,1 23 32,9 70 100 Hospital 27 62,8 2 4,7 29 67,4 14 32,6 43 100 Outros Est. Saúde 2 66,7 0 0 2 66,7 1 33,3 3 100 Não Branca Assistência Médica Local de Ocorrência Domicílio 20 44,4 5 11,1 25 55,6 20 44,4 45 100 Via Pública 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 100,0 1 100 Outros 7 70,0 0 0,0 7 70,0 3 40,0 10 100 ** Os 10 óbitos mantidos como CMD entre os < de 60 anos e 5 óbitos mantidos como CMD entre os > de 60 anos referem-se aos óbitos em que não foi possível realizar a investigação. 65 6 DISCUSSÃO A qualidade dos registros oficiais sobre mortalidade é de fundamental importância para a análise correta do nível de saúde de uma população. Porém, sabe-se que a informação sobre a causa básica da morte no AO é susceptível a erros de preenchimento, codificação e classificação. A importância de se validar esta informação consiste no fato de que as CMD comprometem as estatísticas de óbitos, levando a resultados que podem não expressar o verdadeiro padrão de mortalidade da população. A magnitude dos óbitos por causas mal definidas, normalmente, está relacionada às condições socioeconômicas, culturais e de saúde da localidade. Sendo assim, a disponibilidade, cobertura e acesso da população aos serviços de assistência à saúde influenciam na qualidade dos dados sobre mortalidade31. Santos e Noronha32 em estudo realizado no município do Rio de Janeiro comprovam esta afirmação, pois identificaram relações entre padrões de mortalidade e nível socioeconômico, mostrando que nos bairros mais pobres a taxa de óbitos por causas mal definidas eram mais elevadas. Em outro estudo, este realizado no Estado do Rio de Janeiro verificou-se que em regiões onde é muito alta a proporção de CMD, acima de 10%, é mais difícil recuperar a causa básica de morte33. Na presente pesquisa o município estudado se enquadra nas características acima citadas, baixo desenvolvimento socioeconômico e proporção de CMD 66 elevada, 14,4%. Entretanto, contrariando a afirmação da dificuldade de recuperação da causa básica, uma proporção considerável dos óbitos por causas mal definidas puderam ter sua causa básica recuperada, 61,2%, através de metodologia simples e exeqüível, como a investigação por meio da revisão de prontuários médicos hospitalares e entrevistas domiciliares. Em estudo que avaliava o SIM dos pontos de vista quantitativo e qualitativo e propunha os graus de ganho atribuídos às CMD após investigação, foi encontrado resultado semelhante, com resgate da causa básica em 71,1%28. Uma grande parte dos óbitos por causas mal definidas desta pesquisa ocorreram em ambiente hospitalar (41,7%), revelando a baixa qualidade da informação e também demonstra certa deficiência no sistema de saúde do Município. Acredita-se que com a melhora ao acesso e à assistência médica, tanto durante o processo mórbido como também na situação de risco de morte, a proporção de óbitos por causas mal definidas diminua 20. Uma situação bastante freqüente no município e que também pode ter contribuído para a alta proporção de óbitos por CMD em ambiente hospitalar é a violência local que eleva os casos que chegam às emergências já em estágio terminal ou até mesmo cadáveres. O registro no prontuário médico também apresentou baixa qualidade, pois muitas vezes durante a investigação, o que foi encontrado nos arquivos do hospital foram apenas boletins de atendimento médico que apresentam poucos dados a respeito do processo patológico do falecido. Isto pôde ser verificado quando apenas, aproximadamente, 17% dos óbitos hospitalares investigados através dos registros hospitalares puderam ter informações suficientes para o preenchimento de um novo AO. 67 Comparando-se a mortalidade proporcional por capítulo da CID-10 após a investigação das CMD, com os dados do SIM e a proposta da OPAS 25, não verificamos variações significativas na ordenação das causas. A causa mais freqüente permaneceu sendo as doenças do aparelho circulatório, entretanto após a investigação de campo houve um acréscimo de 25 óbitos para este capítulo, passando de 29,6% para 33,1%. Alguns estudos com metodologia semelhante também observaram maior acréscimo proporcional entre o capítulo IX após investigação28, 33. Outro estudo no Estado do Rio de Janeiro, entre 1980 e 2000, refere ter observado redução das taxas de mortalidade por doenças isquêmicas do coração coincidentemente com o aumento das taxas por CMD34. Dessa forma, seria justificável que após a investigação das CMD o capítulo IX apresentasse aumento expressivo. Neste estudo o agrupamento que mais contribuiu para este aumento foi o referente às doenças hipertensivas o que denuncia, entre outros fatores, os maus hábitos de vida da população. A segunda maior causa proporcional de óbitos pelo SIM é referente, justamente, às CMD. Após investigação esta causa passou a ocupar a quinta posição representando uma melhora importante na qualidade dos dados, pois reduz o sub-registro das causas definidas o que, de certa forma, incentiva a adoção desta metodologia para recuperação da causa básica de morte. Após a investigação o capítulo XX - causas externas - passou do terceiro para o segundo lugar, isto ocorreu pelo acréscimo de dois óbitos após investigação, o que representou 1,9% dos óbitos classificados primeiramente como CMD. Mesmo que o número total de óbitos realocados para este capítulo tenha sido pequeno, 68 esperávamos que isso não ocorresse, pois existe legislação determinando que mesmo onde não haja assistência médica as Delegacias de Polícia ou mesmo os Cartórios devem preencher o AO, referindo que o óbito se referia a causa não natural e onde existe Instituto Médico Legal (IML) estes óbitos devem ser examinados pelos mesmos para definição da causa da morte, ou seja, esperávamos que os óbitos por causas externas fossem corretamente declarados em sua totalidade. O capítulo IV, referente às doenças endócrinas, nutricionais e do metabolismo, representou 5,8% das CMD reclassificadas o que determinou o aumento da mortalidade proporcional deste capítulo de 11,7% para 12,5% após a investigação. Entretanto, o fato mais relevante a ser ressaltado é o fato deste acréscimo dever-se integralmente à sub-declaração do Diabetes Mellitus como causa básica de morte. Outro capítulo que não esperávamos encontrar é o relativo às neoplasias, pois, normalmente, por se tratar de uma doença crônica de longa duração e na maioria das vezes os indivíduos portadores fazerem acompanhamento médico em uma unidade de saúde específica, estes apresentam prontuário detalhado oportunizando o preenchimento adequado do AO. Contudo, neste estudo 4,9% das CMD foram realocadas neste capítulo, representando um acréscimo de 15,6% nos óbitos classificado no SIM. Um dado surpreendente foi a proporção de óbitos por CMD realocados entre o capítulo dos transtornos mentais e comportamentais, 11,7%. Destes, o agrupamento mais freqüente foi o relativo ao uso de substâncias psicoativas, 91,7% dos casos e dentre estes, 81,8% deveu-se ao uso abusivo do álcool. 69 Comparativamente aos dados do SIM este capítulo teve um acréscimo de 500% passando de 0,4% para 2,1% após a investigação. Este aumento pode ser devido, em grande parte, pelo preenchimento da parte II do AO referente às condições significativas que contribuíram para a morte, mas não entraram na parte I do atestado. Neste estudo percebemos que após a entrevista domiciliar muitos familiares referiram uso de bebida alcoólica por parte do falecido e este dado era inserido na parte II do AO. Pelas regras de seleção da causa básica, que leva em consideração a seqüência da causas declaradas, o capítulo dos Transtornos Mentais e Comportamentais pode ter sido superestimado. Apesar da maioria dos capítulos da CID-10 permanecerem na mesma ordenação mesmo após a investigação não podemos esquecer que os dados demográficos não foram levados em consideração nesta primeira análise, desta forma para uma correta redistribuição destes óbitos devemos considerar ao menos as variáveis sexo e idade em que cada doença ocorre para que possamos diagnosticar o perfil epidemiológico e conseqüentemente traçar estratégias de prevenção direcionadas à populações específicas. Sendo assim, neste estudo encontramos diferenças tanto na ordenação dos capítulos mais freqüentes, como nas proporções em que esses capítulos aparecem entre os homens e as mulheres, nas diferentes faixas etárias. Exceção encontrada apenas nos capítulos referentes às doenças do aparelho circulatório e respiratório, que coincidiram quanto à ordenação e não apresentaram grandes diferenças proporcionais entre os sexos, representando o primeiro e terceiro capítulos mais freqüentes após a investigação. 70 As diferenças encontradas na ordenação das demais causas entre os sexos e as faixas etárias deveram-se principalmente às particularidades de comportamento de cada gênero e fase da vida. As causas externas foram a segunda maior causa de morte no sexo masculino, e em relação à faixa etária apresentou concentração bem mais elevada nos menores de 60 anos do que nos maiores de 60 anos, 29,3% e 2,4%, respectivamente. Isto reflete a maior exposição dos homens jovens às violências devido às características determinadas pela própria sociedade que, de certa forma, impõem e estimulam certos comportamentos de risco à esta população. Já no sexo feminino o segundo capítulo mais freqüente foi o referente às doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, importante ressaltar que após a investigação das CMD, 83,3% dos óbitos realocados neste capítulo eram pertencentes ao sexo feminino. Em ambos os sexos este capítulo é mais freqüente nas idades mais avançadas, porém entre as mulheres o número absoluto é mais elevado do que nos homens (n=40 e n=26, respectivamente) Os Transtornos Mentais e Comportamentais mostrou ser uma importante causa de morte após a realocação dos óbitos por CMD investigados, porém do total realocado 91,7% pertenciam ao sexo masculino. Quando observamos este capítulo em relação à faixa etária 80% concentra-se entre os menores de 60 anos. Podemos inferir então que seria importante a implementação de políticas públicas que atingissem principalmente o homem jovem a fim de prevenir o início do consumo de bebidas alcoólicas. Estas diferenças encontradas entre sexo, idade de acordo com a causa básica, por mais que a proposta da OPAS também considerem estas características, 71 justificam a não aceitação da simples redistribuição proporcional das CMD entre os capítulos das causas definidas da CID-10 pois, por melhor que seja a assistência prestada ao longo da vida do indivíduo e por mais que os dados sejam registrados corretamente no prontuário médico, sempre haverá casos em que não será possível resgatar a CBM. Com relação à qualidade da causa básica após a investigação das CMD percebemos que do total recuperado (considerando apenas os 88 óbitos investigados), quase 90% passou para um diagnóstico bem definido. O que demonstra a viabilidade de implementação desta metodologia para melhora do SIM. A maior proporção na recuperação da causa básica entre as mulheres no município coincide com os resultados encontrados em outros estudos 2, 33 , onde normalmente encontra-se mais facilidade na recuperação dos óbitos femininos. Entretanto, os diagnósticos incompletos foram responsáveis por uma boa parcela das causas definidas. Esta peculiaridade pode ser devida à precariedade da rede de saúde do município o que faz com que as mulheres, por apresentarem comportamento diferenciado dos homens quanto à preocupação com sua saúde e muitas vezes apresentarem maior disponibilidade de tempo para procurar assistência, saiam do município para serem atendidas. Dessa forma, quando vêem a falecer não apresentam prontuário na rede assistencial do município, o que representou um fator limitador para esta pesquisa já que um dos critérios para investigação era ocorrência do óbito no município e caso necessitasse de mais investigações para conclusão do caso, o falecido deveria residir no próprio município para investigação domiciliar ou ser atendido em outra unidade de saúde também de Belford Roxo. Sendo assim, quem fosse acompanhado em outro município e viesse 72 a óbito em Belford Roxo mesmo necessitando de mais informações para o preenchimento de um novo AO a investigação era encerrada. Isto pode justificar em parte o grande número de mulheres que permaneceram com diagnóstico incompleto, ou mesmo manutenção no capítulo das CMD. Outra diferença deste estudo comparado ao resultado de pesquisas semelhantes é que não houve diferença na recuperação da causa básica em relação à cor da pele. Os estudos mostram maior recuperação da causa básica entre os óbitos de indivíduos de cor da pele branca33. Sabe-se que a variável raça/ cor muitas vezes ainda é relacionada às condições sócio-econômicas do indivíduo, portanto essas desigualdades ainda influenciam no acesso à assistência de saúde de qualidade e principalmente impossibilitam que isto ocorra em tempo oportuno para se intervir e evitar o óbito precoce. Nossos resultados não comprovam essa tendência provavelmente por apresentar população majoritariamente não branca. Quanto à variável assistência médica, que pode ser usada como medida indireta de acesso aos serviços de saúde3 a análise da recuperação da causa básica em função do recebimento ou não de assistência médica fica prejudicada devido à elevada proporção de dados ignorados. Entretanto, devido aos resultados encontrados, provavelmente grande parte dos dados ignorados deve ter recebido assistência, pelo fato de na sua grande maioria ter sido possível recuperar a causa básica de morte. Levando-nos a acreditar que esta variável apenas não foi assinalada. Este achado nos remete à questão do entendimento do médico, responsável pelo preenchimento da DO, em relação à fidedignidade dos dados contidos neste documento e sua importância como subsídio para ações adequadas de saúde 73 pública. Existem algumas possibilidades para a elevada proporção desta variável aparecer como ignorada, uma delas é que o médico que declara o óbito na maioria das vezes não conhece o falecido, portanto desconhece se este recebia assistência médica ou não. Outra possibilidade do mau preenchimento desta variável reside no fato de não buscarem informações com os familiares do falecido e por último pode acontecer do médico não ter certeza sobre o que esta variável significa e diante desta incerteza deixa a variável sem preenchimento. Como esperado, a recuperação dos óbitos que ocorreram em ambiente hospitalar apresentaram maior proporção de causas bem definidas comparadas aos óbitos que ocorreram no domicílio. Destes últimos grande parte passou para uma causa definida, porém apresentou maior proporção de diagnósticos incompletos. No hospital existe o prontuário médico que mesmo não sendo de ótima qualidade é onde os exames diagnósticos e os sinais e sintomas apresentados pelo indivíduo são anotados à medida que acontecem, evitando o viés de memória. Já nos óbitos domiciliares o sucesso da investigação é mais difícil, pois depende que os familiares lembrem-se dos fatos em ordem cronológica e que tenham guardado os exames realizados, o que muitas vezes não ocorre, prejudicando na definição de uma causa bem definida35. Talvez o dado mais interessante desta pesquisa consista no fato de termos recuperado a causa básica de todos os óbitos ocorridos entre os menores de 60 anos (levando em consideração apenas os 88 óbitos em que foi possível concluir a investigação). Em contrapartida, no grupo de 60 e + anos isso não foi possível em praticamente 50%. 74 Muitos estudos têm apontado esta dificuldade e discutido sobre as possíveis causas para isto acontecer15, 36. A Transição Demográfica e Epidemiológica e todas as suas repercussões podem explicar esta dificuldade em se recuperar uma única causa básica de morte principalmente para a população acima de 60 anos. Com o aumento da expectativa de vida e conseqüente aumento da proporção de idosos na população, houve modificações tanto na incidência como na prevalência das doenças e inevitavelmente nas principais causas de morte 36, passando a assumir maior importância as doenças crônico-degenerativas que se caracterizam por serem de longa duração. Como a maior carga de morbi-mortalidade passou a se concentrar nas parcelas mais idosas da população15 quando o óbito acontece o mesmo indivíduo apresenta diversas patologias que podem ou não interagir entre si, tornando mais difícil determinar apenas uma causa responsável por todo processo mórbido que o levou ao óbito, levando muitas vezes o médico a declarar uma CMD. Para tentar sanar este problema, alguns autores têm proposto a utilização da metodologia denominada causas múltiplas de morte para que sejam aproveitadas todas as causas informadas no AO, pois levam em consideração que a morte é resultado da interação de diversas causas36. Entretanto, mesmo reconhecendo-se sua importância, o uso desse tipo de metodologia ainda é restrito entre outras causas, pela dificuldade de operacionalização devido ao grande volume de dados e pela inexistência de regras de codificação37. 75 Diante do exposto, a necessidade das DO serem preenchidas o mais adequadamente possível torna-se evidente. Para tanto, seria necessário a convergência de algumas situações. Melhor formação e treinamento dos médicos para que estes entendam a necessidade e importância em se obter dados de mortalidade - o mais fidedigno possível - para que as políticas de saúde sejam adequadamente implementadas. Melhores condições de trabalho, no que concerne ao quadro reduzido de profissionais médicos nas instituições de saúde, associados à super lotação das mesmas e deficiência de recursos diagnósticos3, 35. 76 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados encontrados neste estudo referem-se ao Município de Belford Roxo, no ano de 2008 e, portanto, não devem ser generalizados para outros locais ou períodos. Pôde-se perceber a necessidade de conscientização dos médicos e melhora do ensino, desde a graduação, quanto à importância da qualidade do prontuário médico e também no preenchimento da DO. Esta melhora na qualidade do preenchimento do prontuário reverter-se-ia em menor número de investigações necessárias para concluir o caso e o melhor preenchimento da DO, em menor número de casos buscados em prontuários e/ ou investigados. Outra questão que se mostra extremamente necessária é a implantação de um Serviço de Verificação de Óbitos diante da alta proporção de óbitos por CMD que após simples investigação passa a apresentar melhora na qualidade da certificação médica. É preciso cuidado, entretanto, para a esses serviços não passe a ser encaminhados a totalidade dos óbitos. Por mais que a proposta da OPAS já preconize que as características demográficas não devem ser ignoradas na redistribuição dos óbitos por CMD para que não haja distorções no perfil epidemiológico da população, é importante ressaltar que na realidade nunca será possível “zerar” as CMD. Isto se deve aos casos em que o indivíduo nunca foi assistido em um serviço de saúde antes do óbito, ou quando chega ao estabelecimento de saúde sem identificação e vai à óbito, entre outras possibilidades. 77 Sendo assim, a proposta que surgiu ao fim desta pesquisa é utilizar a metodologia sugerida por Mello Jorge e reproduzida neste estudo, como principal forma de recuperação da causa básica dos óbitos por CMD por possibilitar melhora considerável na qualidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade, utilizando basicamente revisão dos prontuários médicos e por possibilitar a recomposição do perfil da mortalidade segundo causas. Todos os esforços empregados para melhora na qualidade dos dados sobre mortalidade são válidos por permitirem conhecer as causas iniciais da cadeia de eventos mórbidos e desta forma possibilita a implementação de ações preventivas que contribuem para a manutenção da saúde da população. 78 8 REFERÊNCIAS 1. MELLO JORGE, M. H. P.; LAURENTI, R.; GOTLIEB, S. 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Disponível em <http://www. wma.net> 30. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Instruções para o preenchimento da declaração de óbito. 3.ed. Brasília, 2001. 31. CUNHA, E. M. G. P.; TELLES, S. M. B. S.; JORGE, F. G. Morbimortalidade feminina no Brasil (1979-1995). In: BERQUÓ, E.; CUNHA, E. M. P. G. (orgs.). Campinas: Unicamp; 2000. 32. SANTOS, S. M.; NORONHA, C. P. Padrões espaciais de mortalidade e diferenciais sócio-econômicos na cidade do Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública, v. 17, n. 5, p. 1099-1110. 2001. 33. TEIXEIRA, C. L. S. et al. Reclassificação dos grupos de causas prováveis dos óbitos de causa mal definida, com base nas Autorizações de Internação Hospitalar no Sistema Único de Saúde, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública, v. 22, p. 1315-1324. 2006. 34. OLIVEIRA, G. M. M.; KLEIN, C. H.; SILVA, N. A. S. Mortalidade por doenças cardiovasculares em três estados do Brasil de 1980 a 2002. Rev. Panam. Salud Pública, v. 19, n.2, p. 85-93. 2006. 82 35. MONTEIRO, G. T. R.; KOIFMAN, R. J.; KOIFMAN, S. Confiabilidade e validade dos atestados de óbitos por neoplasias: II.: validação do câncer de estômago como causa básica dos atestados de óbito no Município do Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública, v. 13, supl. 1, p. 53-65. 1997. 36. REZENDE, E. M.; SAMPAIO, I. B. M.; ISHITANI, L. H. Causas múltiplas de morte por doenças crônico-degenerativas: uma análise multidimensional. Cad. Saúde Pública, v. 20, n. 5, p. 1223-1231. 2004. 37. LAURENTI, R.; BUCHALLA, C. M. A elaboração de estatísticas de mortalidade segundo causas múltiplas. Rev. Bras. Epidemiol. v. 3, n. 1-3, p. 21-28. 2000. 83 9 ANEXOS Anexo 1 84 Anexo 2 85 Anexo 3 RELAÇÃO DE CÓDIGOS CONSIDERADOS LIXO DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS - CID 10ª REVISÃO PROJETO CARGA DE DOENÇAS FIOCRUZ CAPÍTULO 1 ALGUMAS DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS A04.9 . Infecção intestinal bacteriana não especificada A07.9 . Doença intestinal não especificada por protozoários A09 . Diarréia e gastroenterite de origem infecciosa A28.9 . Doença bacteriana zoonótica, não especificada A31.9 . Infecção micobacteriana não especificada A41.9 . Septicemia não especificada A49.9 . Infecção bacteriana não especificada A53.9 . Sífilis não especificada (Se em maior que 2 anos) A64 . Doenças sexualmente transmitidas, não especificadas A69.9 . Espiroqueta não especificada A74.9 . Infecções causadas por clamídias não especificadas A79.9 . Rickettsiose não especificada A86 . Encefalite viral, não especificada A89 . Infecções virais não especificadas do sistema nervoso central A94 . Febre viral transmitida por artrópodes, não especificada A99 . Febres hemorrágicas virais não especificadas B09 . Infecção viral não especificada caracterizadas por lesões da pele e membranas mucosas B19.0 . Hepatite viral, não especificada, com coma B19.9 . Hepatite viral, não especificada, sem coma 86 B24 . Doença pelo vírus da imunodeficiência humana não especificada B34.9 . Infecção viral não especificada B36.9 . Micose superficial não especificada B49 . Micose não especificada B54 . Malária não especificada B64 . Doença não especificada devida a protozoários B82.9 . Parasitose intestinal não especificada B83.9 . Helmintíase não especificada B89 . Doença parasitária não especificada B94.9 . Seqüelas de outras doenças infecciosas e parasitárias especificadas B99 – Doenças infecciosas, outras e as não especificadas CAPÍTULO 2 NEOPLASIAS C02.9 . Língua não especificada C06.9 . Boca não especificada C08.9 . Glândula salivar maior, não especificada C24.9 . Via biliar não especificada C26.9 . Localizações mal definidas dentro do aparelho digestivo C39.9 . Localizações mal definidas do aparelho respiratório C41.9 . Ossos e cartilagens articulares C44.9 . Neoplasia maligna da pele C49.9 . Neoplasia maligna do tecido conjuntivo e dos tecidos moles C57.9 . Órgão genital feminino, não especificado C63.9 . Órgão genital masculino, não especificado C68.9 . Órgão urinário, não especificado C72.9 . Sistema nervoso central, não especificado C75.9 . Glândula endócrina C76. . Neoplasia maligna de outras localizações e de localizações mal definidas C77. . Neoplasia maligna secundária e não especificada dos gânglios linfáticos C78 . Neoplasia maligna 87 C79. . Neoplasia maligna secundária de outras localizações C80 . Neoplasia maligna, sem especificação de localização C85.9 . Linfoma não-Hodgkin de tipo não especificado C95.9 . Leucemia não especificada C96.9 .Neoplasia maligna dos tecidos linfáticos, hematopoiético e tecidos correlatos, não especificada D09.9 . Carcinoma in situ, não especificado D13.9 . Localizações mal definidas do aparelho digestivo D15.9 . Órgão intratorácico, não especificado D21.9 . Tecido conjuntivo e outros tecidos moles, sem outra especificação D35.9 . Glândula endócrina, não especificada D36.9 . Neoplasia benigna de localização não especificada D48.9 . Neoplasia de comportamento incerto ou desconhecido sem outra especificação CAPÍTULO 3 DOENÇAS DO SANGUE E DOS ÓRGÃOS HEMATOPOÉTICOS E ALGUNS TRANSTORNOS IMUNITÁRIOS D53.9 . Anemia nutricional não especificada D58.9 . Anemia hemolítica hereditária, não especificada D61.9 . Anemia aplástica idiopática D64.9 . Anemia não especificada D69.9 . Afecção hemorrágica não especificada D72.9 . Transtornos não especificados dos glóbulos brancos D84.9 . Imunodeficiência não especificada D89.9. Transtornos não especificados que comprometem o mecanismo imunitário CAPÍTULO 4 DOENÇAS ENDÓCRINAS, NUTRICIONAIS E METABÓLICAS E03. 9 . Hipotiroidismo não especificado E07.9 . Transtorno não especificado da tireóide E14 . Diabetes Mellitus não especificado E16.9 . Transtorno não especificado da secreção pancreática interna E25.9 . Transtorno adrogenital não especificado E27.9 . Transtorno não especificado da supra-renal 88 E34.9 . Transtorno endócrino não especificado E46 . Desnutrição protéico-calórica não especificada E56.9 . Deficiência vitamínica não especificada E61.9 . Deficiência de elementos nutricionais não especificados E63.9 . Deficiência nutricional não especificada E72.9 . Distúrbio não especificado do metabolismo dos aminoácidos E88.9 . Distúrbio metabólico não especificado CAPÍTULO 5 TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS F03 . Demência não especificada F09 . Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado F29 . Psicose não orgânica não especificada F39 . Transtorno do humor [afetivo] não especificado F41.9 . Transtorno ansioso não especificado F48.9 . Transtorno neurótico, não especificado F59 . Síndromes comportamentais associadas a transtornos das funções fisiológicas e a fatores físicos, não especificadas F69 . Transtorno da personalidade e do comportamento do adulto, não especificado F79 . Retardo mental, não especificado F89 . Transtorno não especificado do desenvolvimento psicológico F98.9 . Transtornos comportamentais e emocionais não especificados com início habitualmente na infância ou adolescência F99 . Transtorno mental, não especificado em outra parte CAPÍTULO 6 DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO G00.9 . Meningite bacteriana, não especificada G04.9 . Encefalite, mielite e encefalomielite não especificada G25.9 . Doenças extrapiramidais e transtornos dos movimentos especificados G31.9 . Doença degenerativa do sistema nervoso, não especificada G36.9 . Desmielinização disseminada aguda não especificada G37.9 . Doença desmielinizante do sistema nervoso central, não especificada G45.9 . Isquemia cerebral transitória não especificada 89 G52.9 . Transtorno de nervo craniano não especificado G58.9 . Mononeuropatia, não especificada G62.9 . Polineuropatia não especificada G72.9 . Miopatia, não especificada G83.9 . Síndrome paralítica, não especificada G93.9 . Transtorno não especificado do encéfalo G96.9 . Transtorno não especificado do sistema nervoso central G98 . Outros transtornos do sistema nervoso não classificados em outra parte CAPÍTULO 7 DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS H11.9 . Transtorno não especificado da conjuntiva H26.9 . Catarata não especificada H31.9 . Transtorno não especificado da coróide H35.9 . Transtorno da retina, não especificado H40.9 . Glaucoma não especificado H44.9 . Transtorno não especificado do globo ocular H57.9 . Transtorno não especificado do olho e anexos CAPÍTULO 8 DOENÇAS DO OUVIDO E DA APÓFISE MASTÓIDE H66.9 . Otite média não especificada H74.9 . Transtorno não especificado do ouvido médio e da mastóide H83.9 . Transtorno não especificado do ouvido interno H91.9 . Perda não especificada de audição H93.9 . Transtorno não especificado do ouvido CAPÍTULO 9 DOENÇAS DO APARELHO CIRCULATÓRIO I31.9 . Doença não especificada do pericárdio I38 . Endocardite de válvula não especificada I45.9 . Transtorno não especificado de condução I51.9 . Doença não especificada do coração I64 . Acidente vascular cerebral, não especificado como isquêmico ou hemorrágico 90 I67.9 . Doença cérebrovascular não especificada I72.9 . Aneurisma de localização não especificada I99 . Outros transtornos do aparelho circulatório e os não especificados I44 . Bloqueio atrioventricular e do ramo esquerdo I45 . Outros transtornos da condução CAPÍTULO 10 DOENÇAS DO APARELHO RESPIRATÓRIO J06.9 . Infecção aguda das vias aéreas superiores, não especificada J12.9 . Pneumonia viral, não especificada J15.9 . Pneumonia bacteriana, não classificada em outra parte J18.9 . Pneumonia não especificada J20.9 . Bronquite aguda não especificada (em menor de 15 anos ) J22 . Infecções agudas não especificadas das vias aéreas inferiores J39.9 . Doenças não especificadas das vias aéreas superiores J40 . Bronquite não especificada como aguda ou crônica J42 . Bronquite crônica não especificada J44.9 . Doença pulmonar obstrutiva crônica, não especificada J45.9 . Asma, não especificada J64 . Pneumoconiose não especificada J70.9 . Afecções respiratórias devidas a agentes externos não especificados J84.9 . Doença pulmonar intersticial, não especificada J94.9 . Afecção pleural, não especificada J96 . Insuficiência respiratória, não classificada em outra parte J98 . Transtorno respiratório, não especificado CAPÍTULO 11 DOENÇAS DO APARELHO DIGESTIVO K22.9 . Doença do esôfago, sem outra especificação K27 . Úlcera péptica de localização não especificada K31.9 . Doenças do estômago e do duodeno, sem outra especificação K37 . Apendicite, sem outras especificações K38.9 . Doença do apêndice, sem outra especificação 91 K46.9* . Hérnia abdominal não especificada, sem obstrução ou gangrena K46.0 . Hérnia abdominal não especificada, com obstrução, sem gangrena K46.1 . Hérnia abdominal não especificada com gangrena K52.9 . Gastroenterite e colite não infecciosas, não especificadas K59.9 . Transtorno intestinal funcional, não especificado K62.9 . Doença do ânus e do reto, sem outra especificação K63.9 . Doença do intestino, sem outra especificação K65.9 . Peritonite, sem outras especificações K72 . Insuficiência hepática K73.9 . Hepatite crônica, sem outra especificação K75.9 . Doença hepática inflamatória, sem outra especificação K76.9 . Doença hepática, sem outra especificação K81.9 . Colecistite, sem outra especificação K82.9 . Doença da vesícula biliar, sem outra especificação K83.9 . Doença das vias biliares, sem outra especificação K86.9 . Doença do pâncreas, sem outra especificação K92.9 . Doença do aparelho digestivo, sem outra especificação K92.2 . Hematêmese, especificação Melena e Hemorragia Gastrointestinal sem outra CAPÍTULO 12 DOENÇAS DA PELE E DO TECIDO SUBCUTÂNEO L08.9 . Infecção localizada da pele e do tecido subcutâneo, não especificada L13.9 . Doença bolhosa, não especificada L25.9 . Dermatite de contato não especificada, de causa não especificada L30.9 . Dermatite não especificada L44.9. Afecções pápulo-descamativas em doenças classificadas em outra parte L53.9 . Afecções eritematosas, não especificadas L59.9 . Afecções da pele e do tecido subcutâneo relacionadas com a radiação, não especificadas L98.9 . Afecções da pele e do tecido subcutâneo, não especificadas 92 CAPÍTULO 13 DOENÇAS DO SISTEMA OSTEOMUSCULAR E DO TECIDO CONJUNTIVO M06.9 . Artrite reumatóide não especificada M08.9 . Artrite juvenil não especificada M13.9 . Artrite não especificada M19.9 . Artrose não especificada M21.9 . Deformidade adquirida não especificada de membro M24.9 . Desarranjo articular, não especificado M25.9 .Transtorno articular não especificado M35.9 . Comprometimento sistêmico não especificado do tecido conjuntivo M43.9 . Dorsopatia deformante não especificada M48.9 . Espondilopatia não especificada M51.9 . Transtorno não especificado de disco vertebral M53.9 . Dorsopatia não especificada M62.9 . Transtorno muscular, não especificado M67.9 . Transtorno não especificado da sinovia e do tendão M75.9 . Lesão não especificada do ombro M71.9 . Bursopatia não especificada M77.9 . Entesopatia não especificada M79.9 . Transtornos dos tecidos moles, não especificada M85.9 . Transtorno não especificado da densidade e da estrutura óssea M89.9 . Transtorno não especificado do osso M92.9 . Osteocondrite juvenil, não-especificada M93.9 . Osteocondropatia não especificada M94.9 . Outros transtornos das cartilagens M95.9 . Deformidades adquiridas do sistema osteomuscular, não especificada CAPÍTULO 14 DOENÇAS DO APARELHO GENITURINÁRIO N12 .Nefrite túbulo-intersticial não especificada se aguda ou crônica N15.9 . Doença renal túbulo-intersticial, não especificada N19 . Insuficiência renal não especificada 93 N23 . Cólica nefrética não especificada N28.9 . Transtorno não especificado do rim e do ureter N32.9 . Transtorno não especificado da bexiga N36.9 . Transtorno não especificado da uretra N39.9 . Transtorno não especificado do trato urinário N42.9 . Afecção não especificada da próstata N48.9 . Transtorno não especificado do pênis N50.9 . Transtorno não especificado dos órgãos genitais masculinos N64.9 . Transtorno não especificado da mama N73.9 . Doença inflamatória não especificada da pelve feminina N88.9 . Transtorno não-inflamatório e não especificado do colo do útero N90.9 . Transtorno não-inflamatório e não especificado da vulva e do períneo N94.9 . Afecções não especificadas associadas com os órgãos genitais femininos e com o ciclo menstrual N50.9 . Transtorno não especificado dos órgãos genitais masculinos CAPÍTULO 15 GRAVIDEZ, PARTO E PUERPÉRIO O26.9 . Infecções ligadas à gravidez, não especificadas O36.9 .Assistência prestada à mãe por problema fetal não especificado O46.9 . Hemorragia anteparto, não especificada O66.9 . Obstrução do trabalho de parto, não especificado O71.9 . Traumatismo obstétrico, não especificado O75.9 . Complicações do trabalho de parto e do parto, não especificadas O90.9 . Outras complicações do puerpério, não especificadas CAPÍTULO 16 ALGUMAS AFECÇÕES ORIGINADAS NO PERÍODO PERINATAL P15.9 . Traumatismo de parto não especificado P28.9 . Afecção respiratória do recém-nascido, não especificadas P37.9 . Doença infecciosa ou parasitária congênita não especificada P39.9 . Infecção própria do período perinatal não especificada P54.9 . Hemorragia neonatal não especificada P59.9 . Icterícia neonatal, não especificada 94 P61.9 . Transtorno hematológico perinatal, não especificado P78.9 . Transtorno perinatal não especificado do aparelho digestivo P83.9 . Afecção não especificada do tegumento própria do feto e do recém-nascido P96.9 . Afecções originadas no período perinatal, não especificadas CAPÍTULO 17 MALFORMAÇÕES ANOMALIAS CROMOSSÔMICAS CONGÊNITAS, DEFORMIDADES Q04.9 . Malformação congênita não especificada do encéfalo Q06.9 . Malformação congênita não especificada da medula espinal Q15.9 . Malformação congênita não especificada do olho Q24.9 . Malformação congênita não especificada do coração Q27.9 . Malformação congênita não especificada do sistema vascular periférico Q28.9 . Malformação congênita não especificada do aparelho circulatório Q34.9 . Malformação congênita não especificada do aparelho respiratório Q40.9 . Malformação congênita não especificada do trato digestivo superior Q43.9 . Malformação congênita não especificada do intestino Q45.9 . Malformação congênita não especificada do aparelho digestivo Q52.9 . Malformação congênita não especificada dos órgãos genitais femininos Q55.9 . Malformação congênita não especificada dos órgãos genitais masculinos Q64.9 . Malformação congênita não especificada do aparelho urinário Q74.9 . Malformação congênita não especificada de membros Q79.9 . Malformação congênita não especificada do sistema osteoarticular Q82.9 . Malformação congênita não especificada da pele Q85.9 . Facomatose não especificada Q89.9 . Malformações congênitas não especificadas Q99.9 . Anomalia cromossômica não especificada E 95 Anexo 4 INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS POR CAUSAS MAL DEFINIDAS E DE MULHERES EM IDADE FÉRTIL OCORRIDOS NA REGIÃO METROPOLITANA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA DE SAUDE E DEFESA CIVIL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SUPERINTENDÊNCIA DE DADOS VITAIS UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ESTUDOS EM SAÚDE COLETIVA FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS FILHO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CONFIDENCIAL A) IDENTIFICAÇÃO 1) Nº da ficha ____________ 2) Data do início da investigação ___/___/___ 3) Nº da DO_____________ 4) Data do óbito ___/___/___ 5) Município de ocorrência do óbito ______________________________________________ 6) Nome ____________________________________________________________________ 7) Data de Nascimento ___/___/___ 8) Idade ______ 9) Unidade de medida da idade ( ) 1horas 2- dias 3- meses 4- anos 10) Nome da Mãe (menores de 1 ano) ____________________________________________ 11) Sexo ( ) 1-Masculino 2- Feminino 9- Ignorado 12) Escolaridade ( ) 1-Nenhuma 2- de 1 a 3 3- de 4 a 7 4- de 8 a 11 5- 12 e mais 9- Ignorado 13) Ocupação _______________________________________________________________ 14)Endereço_________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 96 15) Local de ocorrência do óbito ( ) 1- Hospital 2- Outros estabelecimentos de saúde 3Domicílio 4- Via pública 5- Outros 9- Ignorado 16) Nome do Estabelecimento de Saúde (se 1 ou 2 na questão anterior) ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ B) INVESTIGAÇÃO EM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE 17) Nº do prontuário (ou outro registro) ________________ 18) Data da entrada ___/___/___ 19) Estado do paciente na hospitalização/atendimento ( ) 1- consciente 2- agonizante 3inconsciente 4- sem vida 9- sem informação 20) Data da Saída ___/___/___ 21) Motivo da saída ( ) 1- óbito 2- evasão 3- saída por solicitação da família 4- transferência 5- alta 21) Local de transferência (se 4 na questão anterior) _________________________________ 22) Escolaridade ( ) 1-Nenhuma 2- de 1 a 3 3- de 4 a 7 4- de 8 a 11 5- 12 e mais 9- Ignorado 23) Ocupação _______________________________________________________________ 24) História da Doença Atual e História Patológica Pregressa ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 25) Dados principais do exame físico_____________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 97 26) Principais exames e procedimentos realizados __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 27) Evolução e tratamento __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 28) Fonte da informação ( ) 1- Hospital 2- Pronto Atendimento 3- Clínica 4- Médico particular 5Outro 29) Se outro, qual? ___________________________________________________________ 30) Foi encaminhado ao IML ( ) 1- Sim 2- Não 3- Não sabe Data ___/___/___ Investigador _________________________________________________ C) INVESTIGAÇÃO EM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE - CONSULTAS ANTERIORES 31) Nome do local ____________________________________________________________ 32) Nº do prontuário (ou outro registro) ______________ 33) Nº consultas nos últimos 12 meses_______ 34) Doença (s) crônica(s) que exigia(m) atendimento contínuo? ______ 1-Sim 2- Não 35) Qual(is) _________________________________________________________________ 36) Há quanto tempo foram diagnosticadas? _______________________________________ ___________________________________________________________________________ 37) Paciente recebia atendimento médico domiciliar? ______ 1-Sim 2- Não 98 38) Por quê? (se 1 na questão anterior) ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 39) Dados referentes a consultas anteriores (relacionadas ou não com a doença que levou à morte) __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Data ___/___/___ Investigador _________________________________________________ D) INVESTIGAÇÃO DOMICILIAR 40) Composição da família no momento do falecimento, incluindo o(a) falecido (a) N.º Nome 01 Relação com o chefe Chefe 02 03 04 05 06 07 08 conforme item 12 Idade Sexo Escolaridade* Ocupação 99 41) O falecido(a) tinha direito a algum plano de saúde (médico ou odontológico) particular, de empresa ou órgão público? _______ 1-Sim, um 2- Sim, mais de um 3- Não 4- Não sei 42) Qual(s)? (se 1 ou 2 na questão anterior) _______________________________________ 43) O (a) falecido(a) fumava? ______ 1-Sim 2- Não 3- Não sei 44) O (a) falecido(a) bebia? _______ 1-Sim 2- Não 3- Não sei 45) O (a) falecida possuía algum outro fator de risco? ____ 1-Sim 2- Não 3- Não sei 46) Qual (s)? ________________________________________________________________ 47) O (a) falecido (a) tinha alguma doença? Preencher o quadro abaixo Doença Tinha Sim Não Se sim, há Ign quanto tempo Fazia controle Sim Não Ign Tomava remédio Sim, qual Não Ign Pressão alta Cardiopatia Diabetes Aids Câncer Tuberculose Outras: 48) Durante o ano que precedeu a morte (últimos 12 meses), o(a) falecido(a) foi atendido(a) por médico, hospital, clínica etc.? 1-Sim 2- Não 3- Não sei 49) Se 1 na questão anterior, preencher o quadro abaixo Nome Tipo* Data Dias Motivo N.º de Consultas 50) Anteriormente ao ano que precedeu a morte, o falecido foi atendido(a) por médico, hospital, clínica etc.? 1-Sim 2- Não 3- Não sei 100 51) Se 1 na questão anterior, preencher o quadro abaixo Nome Tipo* Data Dias Motivo N.º de Consultas * Tipo: atendido em: Clínica (ambulatório, centro de saúde, clínicas) – C; Internado em Hospital – H; Médico Particular – M; Pronto Socorro, Emergência – PS; Agente de Saúde – A; Enfermeira - E 52) Descrição da doença que levou à morte: (se necessário, utilizar o verso) ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 53) Tomou remédios ? ______ 1-Sim 2- Não 3- Não sei 101 54) Qual(s)? (Se 1 na questão anterior) ___________________________________________ 55) Indicado/receitado por quem? _____________________ 56) Onde faleceu? _______ 1- Domicílio 2- Hospital 3- Outro ________________________ 57) Foi feita necropsia? _____ 1-Sim 2- Não 3- Não sei 58) O que o(a) senhor(a) acredita que causou a morte? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 59) O(a) senhor(a) acha que a morte poderia ter sido evitada? _____ 1-Sim 2- Não 3- Não sei 60) Como? (Se 1 na questão anterior) ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 61) O (a) senhor (a) gostaria de acrescentar alguma coisa _____________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 62) As informações no domicílio foram fornecidas por (n.º de ordem da pessoa na questão 40) _____ Data ___/___/___ Investigador _________________________________________________ 102 N.º da ficha __________ Nº da DO_____________ FOLHA RESUMO – A SER PREENCHIDA NO NÍVEL CENTRAL DO ORIGINAL I- Tempo CID-10 Tempo CID-10 a b c d II - DO APÓS INVESTIGAÇÃO I- a b c d e f II - Data da conclusão da investigação ____/____/____ Nome do responsável pela supervisão ____________________________________________ 103 ANEXO 5 INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS POR CAUSAS MAL DEFINIDAS E DE MULHERES EM IDADE FÉRTIL OCORRIDOS NA REGIÃO METROPOLITANA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE ESTUDOS EM SAÚDE COLETIVA FICHA PARA TRANSCRIÇÃO DE DADOS CAUSAS MAL DEFINIDAS E RESIDUAIS 1 Número da ficha de investigação 2 Número da DO 3 Data da distribuição 4 Investigação 1 Investigador 1-Jaqueline 8-Lait Data Local 1-Hospital 2-Viviane 9-Mara 2-VD 3-Fábio 10-Caroline 3-VD tel 4-Cláudia 11-Brenda 4-Outros estab. 5-Renata 12-Luana 5-Delegacias 6-Flávia 13-Serviço 6-Ignorado 7-Jaqueline 5 Investigação 2 Investigador 1-Jaqueline 8-Lait Data Local 1-Hospital 2-Viviane 9-Mara 2-VD 3-Fábio 10-Caroline 3-VD tel 4-Cláudia 11-Brenda 4-Outros estab. 5-Renata 12-Luana 5-Delegacias 6-Flávia 13-Serviço 6-Ignorado 7-Jaqueline 6 Investigação 3 Investigador 1-Jaqueline 8-Lait 2-Viviane 9-Mara 2-VD 3-Fábio 10-Caroline 3-VD tel 4-Cláudia 11-Brenda 4-Outros estab. 5-Renata 12-Luana 5-Delegacias 6-Flávia 13-Serviço 6-Ignorado 7-Jaqueline Data Local 1-Hospital 104 7 Certificador 1 Parte 1 Parte 2 Linha a Parte 2a Linha b Parte 2b Linha c Parte 2c Linha d Parte 2d Parte 2e Causa Básica 8 Certificador 2 Parte 1 Parte 2 Linha a Parte 2a Linha b Parte 2b Linha c Parte 2c Linha d Parte 2d Parte 2e Causa Básica 9 Houve concordância? 1 Sim 2 Não (Se sim, pule para item 13) 10 Certificador 3 Parte 1 Parte 2 Linha a Parte 2a Linha b Parte 2b Linha c Parte 2c Linha d Parte 2d Parte 2e Causa Básica 11 Houve concordância entre 1 e 3? 1 Sim 2 Não 12 Houve concordância entre 2 e 3? 1 Sim 2 Não 105 13 Causa Básica Final 1ª Digitação Data ___/___/____ Digitador 2ª Digitação Data ___/___/____ Digitador 106 Anexo 6 PARECER 117/2007 PROCESSO: 62/2006 Projeto de Pesquisa: INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS POR CAUSAS MAL DEFINIDAS E DE MULHERES EM IDADE FÉRTIL OCORRIDOS NA REGIÃO METROPOLITANA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO EM 2007 Pesquisador: Pauline Lorena Kale O Comitê de Ética em Pesquisa, tendo em vista o que dispõe a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, resolveu APROVAR o presente projeto. Informamos que o CEP está à disposição do pesquisador para quaisquer esclarecimento ou orientação que se façam necessários no decorrer da pesquisa. Lembramos que o pesquisador deverá apresentar relatório da pesquisa no prazo de um ano a partir desta data. Cidade Universitária, 12 de dezembro de 2007. Marisa Palácios Coordenadora CEP/NESC