Revista Especial de Educação Física – Edição Digital nº. 2 – 2005
Anais do IV Simpósio de Estratégias de Ensino em Educação/Educação Física Escolar – 7 a 9 de dezembro – 2004
POSSIBILIDADES PARA PENSAR A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEU CARÁTER INTERDISCIPLINAR
Mozart da Silva Gonçalves Almeida*
Universidade Federal de Uberlândia E-mail: [email protected]
Priscilla Renata Ferreira*
Universidade Federal de Uberlândia E-mail: [email protected]
Fernanda Finotti de Moraes*
Universidade Federal de Uberlândia E-mail: [email protected]
Natalia Justino Batista*
Universidade Federal de Uberlândia E-mail: [email protected]
Alene Sylvia Teixeira Balmaceda ∗
Universidade Federal de Uberlândia E-mail: [email protected]
Resumo
Esse trabalho teve como objetivo a identificação dos aspectos relacionados à interdisciplinaridade voltada para a Educação Física escolar, por meio de uma revisão
bibliográfica, cuja fonte principal foram livros voltados para a interdisciplinaridade, a estrutura curricular e a cultura escolar. Através do levantamento bibliográfico
realizado, não foi encontrado um conceito definido para esse termo, o que acarreta em diversas interpretações sobre o mesmo. Pudemos observar que o modo com que se
aplica a interdisciplinaridade é, ainda hoje, bastante equivocado, uma vez que se julga como interdisciplinaridade um profissional de uma área atuar em outra área que não
seja a sua; essa prática na realidade caracteriza a subdisciplinaridade. Outro aspecto relevante a ser citado é o excesso de expectativa depositado na interdisciplinaridade,
tida como a solução para todos os problemas, o que pode tornar cada vez mais difícil a satisfação perante os resultados obtidos, em sua prática. Concluímos que
perspectivas mais críticas voltadas para as questões interdisciplinares da Educação Física não foram evidenciadas nos objetivos dos autores consultados, visto que a quase
totalidade dos objetivos expostos não visa a Educação Física, já que esta é vista apenas como “apêndice” de outras disciplinas.
Introdução
Nosso interesse pela questão da interdisciplinaridade nasceu de uma discussão realizada em sala de aula, na qual procuramos identificar, a
partir de nossas diferentes experiências de vida escolar, aspectos em comum sobre as aulas de educação física. Este tema, identificação dos
aspectos relacionados à interdisciplinaridade voltada para a Educação Física escolar, foi apresentado no seminário em sala de aula.
Posteriormente, apareceu à oportunidade de entrarmos no grupo de estudos do NEPECC (Núcleo de Estudos em Planejamento e Metodologias do
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Acadêmicos do segundo período do curso de licenciatura em educação física da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia
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Ensino da Cultura Corporal), onde é desenvolvido um programa de formação continuada para os professores de Educação Física das redes
públicas locais.
Do envolvimento com este grupo surgiu à oportunidade de apresentar esse trabalho no IV Simpósio de Estratégias de Ensino em
Educação/ Educação Física Escolar, no sentido de ampliar essa discussão por meio do debate com professores das escolas de Uberlândia, a fim
de contribuir para nossa formação acadêmica, já que ainda cursamos o segundo período de graduação e também para enriquecer à todos que se
interessem pelo assunto. Durante a fase de levantamento bibliográfico não conseguimos encontrar publicações com o tema na área de educação
física, sendo esta uma dificuldade enfrentada na elaboração deste trabalho.
Algumas considerações práticas sobre interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade consiste na prática da interação entre os componentes do currículo, é um processo que se desenvolve de acordo
com as necessidades específicas de cada contexto. Algumas dúvidas são questionadas na prática concreta da mesma. Essas dúvidas são descritas
com a intenção de se chegar às aspectos cotidianos. Em que estruturas pode funcionar a interdisciplinaridade?
Primeiramente, é importante ressaltar que, nas universidades, a estrutura organizacional é feita por departamentos, organizados segundo
uma determinada área do conhecimento, separada das outras, o que tem impedido o desenvolvimento de trabalhos ou pesquisas sob uma ótica
interdisciplinar. É necessário esclarecer a dúvida de que, quando um professor de determinado departamento dá aulas em outra área que não seja
a sua, isso não é interdisciplinaridade, mas subdisciplinaridade 1 .
Segundo Frigotto (1995), vários são os desafios práticos que podem ser identificados, tanto nos processos de pesquisa quanto nos
processos pedagógicos, para que se aponte para um trabalho interdisciplinar que transceda o plano da aparência. Para este autor, se a matriz
cultural herdada da modernidade desenvolveu uma cultura que escamoteia sistematicamente o conflito e as crises, no plano intelectual essa
matriz se manifesta por uma postura de ecletismo.
Quando se trata da produção de conhecimento, na universidade, como no caso da pesquisa, o trabalho interdisciplinar torna-se possível,
tal como proposto no artigo de Gyllenberg, em que sugere “uma organização universitária por projetos, isto é, apresentar projetos de pesquisa
específicos de operação sobre a realidade, a partir dos quais, os pesquisadores são nucleados. Terminado o projeto, são redefinidos os lugares de
adscrição". (Roberto Follari, 1999).
1
Follari (1999) afirma que o caso da subdisciplinaridade é identificado “quando o profissional que dá aulas numa carreira que não lhe é afins é incapaz de adequar os
conteúdos de seu curso às necessidades dessa carreira” (p. 98).
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Porém, na formação de professores, Follari aponta a necessidade de primeiro conhecer profundamente a própria disciplina, o que leva o
manejo da interdisciplina aos últimos anos das carreiras universitárias. Isso quer dizer: os primeiros anos do curso para a disciplina e os últimos
para resolver problemas interdisciplinarmente. Nesse sentido, a interdisciplina pode determinar problemas tanto de currículo quanto de estrutura,
talvez ambos.
Uma das dificuldades da interdisciplinaridade, é que ela possui um custo elevado e precisa de recursos para se obter os materiais
necessários, para que possa ser realizado um bom trabalho com todos os benefícios que ele pode oferecer.
Há diversas expectativas, como de ser a solução de todos os problemas. Mas não é assim que acontece. “Leva-se longe demais a
esperança e depois a inovação não corresponde” (Roberto Follari, 1999). A culpa do insucesso geralmente recai sobre o modo com que foi
realizada, na falta de capacidade dos profissionais, mas nunca em um excesso de ilusão, que espera resolver todos os problemas e, como isso não
acontece, culpa-se a forma com que foi aplicada.
O autor Roberto Follari (1999) cita a nostalgia de uma época em que o conhecimento era mais generalizado, ressaltando que sua
fragmentação ocorreu para um maior aprofundamento em cada área de conhecimento. No entanto a interdisciplinaridade visa um certo retorno á
essa visão mais ampla, porém de uma forma integral e totalizante.
Sobre a interdisciplinaridade há uma vasta literatura, não porque o assunto seja tão amplo, mas sim por não se ter chegado a um consenso
sobre a delimitação do que seria interdisciplinaridade.
Para Santomé (1998), “o termo interdisciplinarudade surge ligado à finalidade de corrigir possíveis erros e a esterilidade acarretada por
uma ciência excessivamente compartimentada e sem comunicação interdisciplinar”. O autor destaca que a interação recíproca entre disciplinas,
resultando em transformações que não tragam desvantagens para uma disciplina em relação à outra, é uma filosofia de trabalho, que ajudará a
solucionar problemas que envolvem a sociedade.
Abordaremos o fato de que a interdisciplinaridade é tida como a solução de todos os problemas. Entretanto não deve ser vista dessa
forma, pois não se deve depositar exacerbada expectativa uma vez que de tudo que se espera demais por melhor que seja o resultado nunca
corresponde ao que foi esperado.
A interdisciplinaridade, enquanto aspiração emergente de superação da racionalidade científica positivista aparece como entendimento de
uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimento nos espaços da pesquisa, na articulação de novos paradigmas curriculares e na
comunicação do processo perceber as várias disciplinas; nas determinações do domínio das investigações, na constituição das linguagens
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partilhadas, na pluralidade dos saberes, nas possibilidades de trocas de experiências e nos modos de realização da parceria.
Fundamento importante para uma prática interdisciplinar consistente é a parceria, que consiste numa tentativa de incitar o diálogo com
outras formas de conhecimentos que não estamos habituados, e nessa tentativa a possibilidade de interpretação delas. Os educadores são e tem
que ser parceiros, parceiros de outros educadores que entendem a educação como um mecanismo de melhoria da condição social dos educandos,
parceiros dos teóricos que lêem, parceiros dos alunos, de alguma forma estão sempre em parceria.
Com a interdisciplinaridade, algumas dimensões do pensamento humano, como a criatividade e a imaginação, que são abolidas com a
atual forma de ensino baseada em disciplinas definidas e impostas ao aluno, são recuperadas e utilizadas na solução dos problemas detectados na
sociedade, o que motivará o aluno a aprender, pois os problemas acontecem ao seu redor e são de seu interesse.
A nosso ver interdisciplinaridade é a realização de um projeto onde haja uma harmonia entre as disciplinas de uma forma natural, como
por exemplo, na interação entre a música e a matemática. A matemática está presente na música de diversas formas nas partituras na afinação de
instrumentos, no entanto não é necessário se ter um vasto conhecimento matemático para ser um bom músico.
Educação Física, cultura escolar e o currículo.
De acordo com Vago (2003), o termo escolarização tem sido utilizado em um duplo sentido. Num primeiro pretende designar o
estabelecimento de processos pertencentes à “organização” de uma rede, mais ou menos formal, responsável pelo ensino em seus diferentes
níveis. O segundo, diz respeito à produção gradativa de referências sociais, tendo a “forma escolar de socialização” como eixo articulador de
seus sentidos e significados. Projetando suas ações para o conjunto da sociedade, a escola constitui uma referência importante para definição de
identidades pessoais ou coletivas.
Para Vago (2003), o fenômeno educativo se afirma em sua complexidade à medida que se reconhece a presença de enunciados originários
de diferentes campos de conhecimento. A escolarização dos conhecimentos está intimamente relacionada às transformações que se processam na
escola e em suas relações com as demais práticas sociais. É então que entre a cultura escolar e as outras práticas culturais em cena na sociedade
há um campo aberto para uma tensão permanente, que comporta tanto a complementaridade como a contradição.
Ao contrário do que tradicionalmente se pensa a respeito, o currículo vem sendo desenvolvido a partir das transformações históricas. A
atual estrutura educacional foi formada a partir da necessidade de agrupar “alunos” em um mesmo local e tornar viável a utilização de apenas
uma pessoa para lidar com os mesmos. Toda vez que um novo currículo é proposto, procuramos nos adequar a ele e também fazer com que ele se
adeqüe a nós, ou seja, é precedido de "uma atividade de sensibilização e capacitação"(Macedo et al, 2002). Isso porque a metodologia utilizada
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foi considerada ultrapassada e foi desenvolvida uma estrutura curricular mais adequada à atual realidade.
Macedo et al (2002) afirma que as grandes matérias escolares são grandes classes segundo as quais se agrupam alguns dos saberes que
penetram na escola. Os critérios de criação dessas classes e de inserção de um determinado saber nessa ou naquela classe são sempre históricos e
se constroem nas redes de relações que se estabelecem entre esses saberes escolares e os demais saberes sociais.
Hoje não existem critérios claros e defensáveis que possam sustentar as fronteiras entre as pretensas disciplinas que constituem as ciências
sociais (antropologia, economia, ciência política e a sociologia). Não têm “lógicas separadas”. Não é necessário muito esforço para se perceber
que a lógica da separação entre todas as disciplinas justifica-se "apenas" por questões políticas, e ao invés de impulso, constitui-se como barreira
para novos conhecimentos, uma vez que considera uma divisão em compartimentos, uma hierarquia linear, que na realidade não existem (na
realidade, as fronteiras são incertas), e com isto mantêm-se separado o que deveria ser pensado/trabalhado de forma articulada.
O ponto de partida e de chegada de uma prática interdisciplinar está na ação. Desta forma, através do diálogo que se estabelece entre as
disciplinas e entre os sujeitos das ações, a interdisciplinaridade "devolve a identidade às disciplinas, fortalecendo-as" e evidenciando uma
mudança de postura na prática pedagógica. Tal atitude embasa-se no reconhecimento da 'provisoriedade do conhecimento', no questionamento
constante das próprias posições assumidas e dos procedimentos adotados, no respeito à individualidade e na abertura à investigação em busca da
totalidade do conhecimento. Não se trata de propor a eliminação de disciplinas, mas sim da criação de movimentos que propiciem o
estabelecimento de relações entre as mesmas, tendo como ponto de convergência a ação que se desenvolve num trabalho cooperativo e reflexivo.
Assim, alunos e professores - sujeitos de sua própria ação - se engajam num processo de investigação, re-descoberta e construção coletiva de
conhecimento, que ignora a divisão do conhecimento em disciplinas. Ao compartilhar idéias, ações e reflexões, cada participante é ao mesmo
tempo "ator" e "autor" do processo. A partir de todos esses referenciais, é importante que os conteúdos das disciplinas sejam vistos como
instrumentos culturais, necessários para que os alunos avancem na formação global e não como fim de si mesmo.
A escola moderna monopoliza a estrutura curricular, ditando a organização disciplinar do conhecimento. Isso acarreta contestações que
fragilizam essa forma de organização, como, por exemplo, o desinteresse dos alunos.
“Uma das alternativas mais simples de interação de disciplinas escolares se assenta na compreensão de que os problemas da realidade
ultrapassam os limites de uma especialidade. Dessa visão decorrem modelos de articulação restritiva das disciplinas escolares. Nela, por
exemplo, um mesmo tema é tratado por diferentes disciplinas, num planejamento integrado. Nesse processo, continua-se respeitando a
lógica disciplinar dos diferentes campos do saber, apenas selecionando-se um tema de interesse social que possa ser tratado por um
conjunto de disciplinas como o tema fundamental”.(Macedo et al, 2002)
“Outras alternativas, no entanto, atuam de forma racional,no sentido de propor a abolição da estruturação curricular via disciplinas. Uma
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das experiências mais antigas ficou conhecida como método de projetos criada no início do século e utilizada basicamente no ensino
fundamental. Tal alternativa foi sendo reorganizada ao longo dos anos e algumas de suas características podem ser encontradas em
inúmeras propostas, em recreação permanente. Nela, os currículos eram organizados através de projetos que problematizavam temáticas
importantes para a sociedade ou que eram interesse para o grupo. Nessa alternativa, o princípio disciplinar é questionado como forma de
organização curricular, mantendo-se, somente, como princípio estruturador e organizativo do conhecimento.” (Macedo et al,2002 )
“Mais recentemente, outras alternativas têm se pautado no questionamento mais radical da idéia disciplinar. Uma dessas alternativas
apresenta o princípio da transversalidade do currículo, argumentando que o conhecimento não se criam nos campos de saber previamente
delimitados, mas segundo as lógicas de redes. Nesse modo de pensar e analisar a sociedade, um mesmo saber faz parte de diferentes
campos significativos, tanto disciplinares quanto não disciplinares. ” (Macedo et al, 2002)
Os conteúdos da educação física escolar
“Sobre a educação física entendem-na como um espaço e tempo escolar vinculados ao fenômeno esportivo. Conhecer os esportes não
significa mais saber executá-los, mas também saber suas regras, sua história, sua inserção sócio-política.” (Bracht, Válter 2002)
A visão de interdisciplinaridade ainda é muito deturpada entre professores; e não apenas entre eles, mas na comunidade escolar em geral.
Visto como vertente do ensino moderno, esse termo é alvo de muitas discussões entre estudiosos da área que vêem inúmeras possibilidades para
a realização da mesma em vários ambientes, sejam eles escolar, empresarial etc. Costumeiramente, ouve-se uma descrição de
interdisciplinaridade como sendo sinônimo de um professor, de determinada disciplina, reforçar o conteúdo da outra. Essa concepção faz com
que inúmeros projetos envolvendo-a fracassem. No caso da Educação Física, o que encontramos, na maioria dos casos, é a sua condição de
apêndice de outras disciplinas, quando a ela é atribuída à tarefa de trabalhar com “atividades”, jogos ou brincadeiras que auxiliem o aprendizado
de conteúdos de matemática, português, por exemplo.
Bracht (2002) diz que um dos argumentos que geralmente são usados para justificar a presença da Educação Física no currículo escolar
diz respeito ao discurso que pretende apontar a contribuição da Educação Física para a “formação integral” do ser humano. Sua intenção era fugir
da dicotomia corpo e mente, que estabelecei uma relação hierárquica de superioridade da alma em relação ao corpo. Há também, outras tentativas
de justificar a Educação Física na escola pela sua inserção num projeto interdisciplinar. Nesses casos, a importância da Educação Física é
validada pelo que ela faz para auxiliar na aprendizagem das outras disciplinas escolares. Porém, quando sua importância refere-se a compensar a
atividade de sala, a Educação Física não é mais um prolongamento, mas a própria negação dos momentos vivenciados pelos alunos nas outras
disciplinas escolares, tidos como o tempo “sério” do trabalho escolar.
Contudo, na realidade da educação física escolar, o professor deve ter em mente que vários aspectos externos à escola influenciam
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diretamente nos conceitos e valores de seus alunos e terminam interferindo no desejo expresso por uma determinada prática social, o esporte, ou,
como comumente se vê, o futebol.
Como o professor de Educação Física não lida apenas com o corpo, mas principalmente com as interações sociais vividas pelos alunos,
ele pode aumentar consideravelmente sua contribuição tanto para o aluno quanto para a escola em que leciona, o que torna a aula de Educação
Física um ambiente propício para se observar e trabalhar a questão da interdisciplinaridade no contexto escolar.
Considerações finais
Com base nos levantamentos bibliográficos, vimos que a interdisciplinaridade é um tema bastante complexo no que se refere à sua
definição, uma vez que ainda não chegou a um consenso sobre o que é realmente sua prática de maneira integral.
Tentativas e ações interdisciplinares não são recentes, porém sua prática efetiva tem sido um desafio constante aos educadores que
acreditam ser vital à educação a construção de um espírito investigatório em alunos, baseados no hábito do debate e da pesquisa científica.
Na Educação Física escolar, a utilização de diferentes metodologias nas aulas que possibilita que os alunos vivenciem diversas
experiências: conheçam os limites de seu corpo, como trabalhar em equipe, aprendam a tomar decisões, a fazer escolhas, entre outros. Essas
experiências podem ser aproveitadas pelo aluno nas demais disciplinas e também em seu convívio social.
A partir da estruturação do currículo escolar, percebemos que este sempre procurou adequar, da melhor maneira possível, a suas
necessidades do momento histórico em que está sendo questionado. O currículo atual, com disciplinas representando campos de conhecimento e
apenas um professor lecionando para uma turma sustentável de alunos, foi a forma de organizar a estrutura escolar encontrada e padronizada na
atualidade desde a modernidade. Essa estrutura educacional deve continuar sendo analisada para, posteriormente, ser reestruturada e criar novas
possibilidades de educação que o momento histórico exige.
Essa atual estrutura curricular, às vezes, reduz o interesse dos alunos e a principal alternativa encontrada é a interação entre disciplinas,
como no caso da realização de projetos principalmente. Não somente na extensão de uma disciplina por outra, ou por outro professor que leciona
uma matéria distinta, mas uma interação de forma que o aluno utilize seu aprendizado em outras disciplinas e situações cotidianas externas à
escola.
Não se deve relacionar Educação Física como a matéria que auxilia as outras, mas com a aquisição de novos conhecimentos cognitivos,
emotivos e sociais, os dois últimos destacam-se, respectivamente, pela possibilidade de oferecer espaços de liberdade para expressões da
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subjetividade e pela constante interação e sociabilidade entre os alunos das referidas aulas.
Com isso, ressaltamos a importância da busca de alternativas para a interdisciplinaridade na Educação Física, e a necessidade de
reestruturação do conceito desse termo nas escolas, a fim de promover o desenvolvimento cultural do aluno.
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(coords). Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. 3. ed. Petrópolis. Vozes, 1995. Pg 97 a 125.
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VAGO, Tarcísio Mauro. A Educação Física na cultura escolar: discutindo caminhos para a intervenção e pesquisa. In Bracht, Valter; Crisorio, Ricardo
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Kunz, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí. Unijuí, 1994.
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Santomé, Jurjo Tones. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre. Artmed, 1998. (Tradução: Cláudia Schilling)
Disponível em http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/index.html. Acessado em 12/01/2005
Disponível em http://www.campogeral.com.br. Acessado em 12/01/2005
Disponível em http://www.forumeducacao.hpg.ig.com.br/textos/textos/didat_7.htm. Acessado em 12/01/2005
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Endereço para correspondência: Rua Mario Pinto Sobrinho, 434. Bairro: Progresso. Uberlândia, MG
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Educação Física e seu caráter interdisciplinar