11 a 14 de dezembro de 2012 – Campus de Palmas
GEOMETRIA NO CONTEXTO DOS ARTESÃOS EM
PALMAS
Jhennyffer Gonçalves dos Santos Bürgel de Castro1
Carmem Lucia Artioli Rolim2
RESUMO
O presente estudo tem por objetivo abordar a geometria no contexto da cultura
tocantinense, expressa pelas mãos dos artesãos de Palmas. Para seu desenvolvimento
seguimos abordagem quali-quantitativa, caracterizando-se como estudo de caso, tendo
por parâmetro o referencial histórico-cultural, apoiado principalmente em Vigotski
(2004) e D´Ambrósio (2011). Nesse contexto abordamos tanto aspectos históricos e
culturais como construções geométricas dos sujeitos em questão, com a finalidade de
trazer as perspectivas geométricas manifestas pelos artesãos através de suas obras. As
etapas do estudo envolveram um retrocesso no tempo, visando identificar as origens
geométricas ao longo de sua história, para que em momento seguinte chegássemos à
cultura de Palmas com enfoque nos artesãos e em suas obras. Os resultados permitiram
observar que esses artesãos são representantes da cultura tocantinense e através de suas
criações expressam costumes e tradições, que dizem da interação do homem com o
espaço, e dos conceitos geométricos que se manifestam em seu ‘fazer’, fato que mostra
amplo campo de discussão e necessário aprofundamento para estudos futuros.
Palavras-chave: cultura; artesãos; geometria.
INTRODUÇÃO
Este estudo esteve vinculado ao Macro Projeto Geometria (Re) significado pela cultura
tocantinense, onde se resgata a geometria construída pela comunidade de artesãos, como
expressão da relação do homem com o espaço, geometria essa, presente nas
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Aluna do Curso de Pedagogia; Campus de Palmas; e-mail: [email protected]; “PIBIC/CNPq”.
Orientadora do Curso de Pedagogia; Campus de Palmas; e-mail: [email protected].
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manifestações do pensamento visual, em valores culturais e estéticos. Nesse contexto
abordamos tanto aspectos históricos e culturais como construções geométricas dos
sujeitos em questão. Para identificar aspectos culturais consideramos os artesãos de
Palmas, por tratar do espaço delimitado em nosso plano de trabalho. O desenvolvimento
do projeto geometria no contexto dos artesãos mostrou sua relevância, ao pensar
perspectivas geométricas existentes nas manifestações culturais e representações
visuais, resultantes do artesanato que traz através da arte conhecimentos, que falam
também de emoção e sentimentos, sem esquecer a lógica geométrica, e o pensamento
matemático existente e representado em diferentes culturas ao longo da história da
humanidade.
MATERIAL E MÉTODOS
Para os procedimentos metodológicos, falamos com Severino (2007), e dessa forma,
optamos por: abordagem quali-quantitativa, pesquisa bibliográfica e documental,
entrevistas semiestruturadas e análise dos dados.
Levantamento e análise dos dados
O levantamento de dados ocorreu em três momentos, que por vezes, se interrelacionaram:
I) No período agosto a novembro de 2011 foi realizado o primeiro momento da
pesquisa: levantamento de dados mediante documentação obtida na Fundação Cultural
de Palmas (FCP) na Gerência de Difusão Cultural, onde tivemos acesso às fichas dos
artesãos, seguimos os padrões da FCP separando-as por segmentos: capim dourado e
decoração.
II) No segundo momento, foi retomado o estudo conceitual da, para análise das peças
produzidas pelos artesãos.
III) Após análise das peças, utilizamos entrevista semiestruturada, sendo dividida em
duas etapas: a etapa 1 teve por objetivo verificar o conceito de geometria nas falas dos
artesãos, na etapa 2 que envolveu filmagem e fotografia apenas 6 artesãos aceitaram
desenvolver a pesquisa, que teve por objetivo evidenciar nas minúcias a geometria
presente em seu fazer.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Considerando o arrazoado histórico, retomamos para finalização do trabalho alguns
conceitos geométricos, para posterior estudo das obras apresentadas. No momento
seguinte entrevistamos artesãos, buscando em suas falas a presença da geometria. A
finalização ocorreu no contraponto da geometria sistematizada e de suas construções
sociais.
As perspectivas geométricas
Objetivando refletir sobre perspectivas geométricas construídas como relação do
homem com o ‘espaço’, manifestas como expressão da cultural pelas mãos dos artesãos,
retrocedemos no tempo buscando origens geométricas. Constatamos que o estudo da
geometria vem de tempos antigos, com raízes em povos egípcios e babilônios, lá
surgiram os primeiros trabalhos geométricos, onde eram medidos campos para o cultivo
para que não invadissem terras vizinhas. Segundo Machado (2010), no século VI a.C.,
os gregos reuniram e aperfeiçoaram os trabalhos de medidas de outros povos. Sendo
assim podemos constatar que a geometria sempre esteve presente em nossas vidas.
O olhar geômetra considera a relação do homem com o espaço, através da percepção do
corpo a criança expande a noção de espacial, podendo-se dizer que a geometria
entrelaça o mundo sensível e o mundo geométrico. O humano é multiplicador de suas
vivências, capaz de construir uma rede de conhecimentos na interação com objetos,
ligando o sensível e o geométrico. Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam:
A localização é apontada como um fator fundamental de apreensão do espaço e
está ligada inicialmente à necessidade de levar em conta a orientação. Para
orientar-se no espaço é preciso começar por se orientar a partir de seu próprio
corpo, o conhecimento do espaço e, ao mesmo tempo a geometria. (BRASIL,
1997, p.82).
Quando buscamos resgatar conceitos geométricos considerando o contexto cultural, a
aprendizagem exerce papel fundamental. Os conceitos podem ser apreendidos, com
atividades envolvendo o aluno e seu espaço percebido, considerando a geografia, arte,
astronomia, ou seja, valorização do seu “estar” no mundo, seu trajeto, seu caminhar,
utilizando pontos referenciais. Através da visualização obtemos pensamentos
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geométricos, potencializados ao criar e imaginar figuras, o trabalho manual é
possibilidade no envolvimento da criança com a Geometria, fazendo com que seja
possível identificar a geometria em elementos da natureza e nas criações do homem.
Encontramos geometria em casas, prédios, artesanatos, em móveis, nos carros, e na
própria sala de aula. D’Ambrosio (2005) indica que ao buscar o olhar construído
socialmente teremos noções geométricas como promotoras de valores culturais e
estéticos importantes, fato também observado, à medida que percorremos a história da
humanidade, a geometria acontece na compreensão e apreciação das obras do homem
ou da natureza.
A geometria nasce de representarmos um fato e trabalharmos sobre essa
representação. Neste momento é importante esclarecer que entendo matemática
como uma estratégia desenvolvida pela espécie humana ao longo de sua
história para explicar, para entender, para manejar e conviver com a realidade
sensível, perceptível, e com seu imaginário, naturalmente dentro de um
contexto natural e cultural. (D´AMBRÓSIO, 2005, p.102).
Dessa maneira o ensino de geometria não se limita a habilidade de desenhar e medir;
está na construção e reconhecimento de si próprio e do espaço, no desenvolvimento da
representação visual construída nas relações físicas e sociais. As percepções das formas
geométricas variam de uma cultura para outra, no caso de Palmas, a geometria nos
artesanatos está presente em colares, pulseiras, nas diversas criações, nas expressões de
vida dos artesãos. Segundo Luria (1990), toda percepção visual apresenta estruturação
complexa baseada em um sistema que se altera com o desenvolvimento histórico. Os
esforços desenvolvidos para o fechamento dessa pesquisa resgatou o processo de
construção histórica e social, indicando sua relevância nas palavras de Vigotski (2004,
p. 204) “É sempre necessário conhecer o terreno e o material que se pretende tomar por
base da construção, senão corre-se o risco de sobre-edificar um edifício instável na
areia.”, buscando uma pesquisa de pilares firmes, nosso trabalho fez a “escavação” de
perspectiva histórica, e dessa maneira, permitiu que percebêssemos a geometria no
entrelaçamento do pensar teórico e do fazer, na expressão da relação “homem - espaço”
perpassando a matemática, arte, geografia, a história, e localizar o sujeito como ser
histórico-cultural contextualizado e capaz, ampliando assim, a percepção visual,
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evitando a fragmentação cartesiana descontextualizada, fato que mostra o amplo campo
de discussão, e necessário aprofundamento para estudos futuros.
LITERATURA CITADA
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
matemática. Brasília: MEC/SEF, 1997.
D´AMBRÓSIO, U. Etnomatemática: história, metodologia e pedagogia. São Paulo.
USP. p. 1 -11, 1998. Disponível em: < http://vello.sites.uol.com.br/program.htm>.
Acesso em: 15 mai. 2011.
D'AMBROSIO, U. Sociedade, cultura, matemática e seu ensino. Educação e Pesquisa,
São Paulo, v. 31, n. 1, p. 99-120, abr. 2005.
DOCZI, G. O poder dos limites: harmonias e proporções na natureza, arte e
arquitetura. São Paulo: Mercuryo, 1990.
LURIA. A. R. Desenvolvimento cognitivo: seus fundamentos culturais e sociais. 2. ed.
São Paulo: Ícone, 1990.
MACHADO, N. J. A geometria na sua vida. São Paulo: Ática, 2010.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007.
VIGOTSKI, L. S. Psicologia pedagógica. 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
AGRADECIMENTO
“O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico – CNPq – Brasil".
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