ROSENKRANZ MACIEL NOGUEIRA ESTIMATIVA DOS CUSTOS ECONÔMICOS CAUSADOS PELA OBESIDADE NO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL (CBMDF): EXPERIÊNCIA DE ENFRENTAMENTO À DOENÇA. Trabalho de conclusão de curso – Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requesito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia. Orientador: Engenheiro Simon Rosental Rio de Janeiro 2013 C2013 ESG Este trabalho, nos termos de legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É permitido a transcrição parcial de textos do trabalho, ou mencionálos, para comentários e citações, desde que sem propósitos comerciais e que seja feita a referência bibliográfica completa. Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade do autor e não expressam qualquer orientação institucional da ESG _________________________________ Rosenkranz Maciel Nogueira Biblioteca General Cordeiro de Farias Nogueira, Rosenkranz Maciel. O impacto econômico do absenteísmo de militares obesos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal / Pós-graduado - Rosenkranz Maciel Nogueira. - Rio de Janeiro: ESG, 2013. 48 f.: il. Orientador: Engenheiro Simon Rosental. Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), 2013. 1. Absenteísmo. 2. Diabetes. 3. Obesidade. 4.Hipertensão. 5. Custos econômicos. 6. Militares.I. Título RESUMO A obesidade é considerada um problema de saúde pública, o qual tem se proliferado como uma epidemia mundial. O CBMDF também enfrenta esse problema e observa as suas consequências negativas em vários momentos, as quais variam desde a falta do militar ao trabalho; sua limitação física para atuar, principalmente, na atividade-fim; até complicações na saúde, como o aparecimento do diabetes e da hipertensão. Tais problemas acarretam uma sobrecarga para outros militares, que passam a desempenhar a função de seu colega, além de ocasionar um maior dispêndio financeiro, pois o tratamento é oneroso para a Instituição. A proposta deste trabalho é avaliar o impacto financeiro do problema aos cofres públicos, pretendendo responder à seguinte pergunta: Quais são os custos econômicos associados à falta ao serviço operacional de militares obesos do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal? Para isso, foram analisados os dados recolhidos nos Testes de Aptidão Física de 2006 a 2009, para levantar a quantidade de militares com sobrepeso, obesidade e obesidade mórbida, mensuradas pelo IMC e ICQ, portadores de diabetes e hipertensão, a fim de projetar prejuízos em relação à falta do militar ao serviço. Com a pesquisa, percebe-se que o número de bombeiros obesos vem crescendo, assim como os afastamentos médicos relacionados às co-morbidades provocadas pela doença. O problema está sendo enfrentado por meio de políticas públicas adotadas pelo Comando da Corporação com investimentos em infraestrutura (centro de treinamento e academias) e incentivo à prática regular de atividades físicas, como formas de recuperação da saúde dos militares. Palavras-chave: Absenteísmo. econômicos. Militares. Diabetes. Obesidade. Hipertensão. Custos ABSTRACT Obesity is considered a public health problem, which has proliferated to a worldwide epidemic. The Corps of Military Firefighters of the Federal District of Brazil (CBMDF) is also facing and experiencing negative consequences of this problem, which range from absenteeism and lack of productivity at work to individual health complications such as diabetes and hypertension. These problem can create an increased burden for other military members resulting in them completing the function of their colleagues, as well as creating additional financial cost since the treatment of this condition is burden some for the institution. The purpose of this work is to evaluate the financial impact of using public funds to confront this problem , specifically : What are the economic costs associated with the inability to complete operational service by obese members of the CBMDF? Data collected from physical optitude tests from 2006 to 2009, were analyzed in order to identify the quantity of overweight, obese and morbidly obese military personal using (BMI and WHR), as well as, identifying these that suffer from diabetes and hypertension with the goal of projecting future loss of personnel and resources. Through research, it is clear that the number of military firefighters is increasing, as well as the medical leaves of absence due to problems of obesity. This problem is corrently being addressed through public policies adopted by the Command through investment in infrastructure (training center and gyms) and encouraging the practice of regular physical activity, as a method to improve the health of its military firefighters. Keywords: Absenteeism. Diabetes. Obesity. Hypertension. Economic costs. Military. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................ 6 2 METODOLOGIA ...................................................................................... 10 3 DISCUSSÃO TEÓRICA/MARCO TEÓRICO .......................................... 12 3.1 OBESIDADE ............................................................................................ 13 3.2 DIAGNÓSTICO DA OBESIDADE ............................................................. 14 3.3 OBESIDADE E OUTROS FATORES DE RISCO ..................................... 17 3.3.1 Pressão arterial........................................................................................ 17 3.3.2 Diabetes ................................................................................................... 17 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES.............................................................. 19 4.1 PORCENTAGEM DE GORDURA – OBESO ............................................ 22 4.2 ÍNDICE DE CINTURA QUADRIL E SUA RELAÇÃO COM COMPLICAÇÕES METABÓLICAS DE ALTO RISCO E RISCO MUITO ALTO ......................................................................................................... 23 4.3 MILITARES COM SOBREPESO E HIPERTENSOS ................................ 31 4.4 MILITARES DIABÉTICOS ........................................................................ 34 4.5 ESTIMATIVAS DE CUSTOS COM OBESIDADE ..................................... 34 4.6 O IMPACTO NO SERVIÇO OPERACIONAL ........................................... 37 4.7 CENÁRIO 5 ATUAL DO CBMDF QUANTO AO COMBATE À OBESIDADE ............................................................................................. 39 CONCLUSÃO ........................................................................................... 44 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 46 GLOSSÁRIO ............................................................................................. 48 1 INTRODUÇÃO A presente pesquisa visa analisar a obesidade nos bombeiros militares e avaliar o impacto financeiro que ela acarreta em relação ao absenteísmo de militares do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Afastamentos para tratamento das patologias causadas, em especial, a hipertensão e a diabetes, bem como as limitações dos militares acometidos pela doença causam prejuízos à Corporação, não só pela falta desses militares ao serviço, como pela sobrecarga dos outros servidores que precisam trabalhar mais para compensar as dificuldades motoras de seus companheiros. Em levantamentos realizados pela Seção de Auditoria da Diretoria de Saúde, foram traçadas estimativas de gastos provenientes da impossibilidade de o militar atuar na atividade de bombeiro, pela redução de produtividade, do absenteísmo devido à doença ou à incapacidade e pela perda de um profissional qualificado. Embora pareça, num primeiro momento, que os gastos com a enfermidade estão atrelados apenas à cirurgia e aos custos com tratamentos clínicos e médicos, deve-se acrescentar a falta do militar ao trabalho, bem como suas limitações operacionais, o que, de certa forma, onera ainda mais o custeio respectivo. Os custos médicos e operacionais são altos e se apresentam de modo direto e indireto. Os primeiros concernem ao impacto financeiro. Os demais abordam a perda de produtividade e o absenteísmo devido à doença ou à incapacidade para atividades físicas prolongadas em situações de socorro. Esta pesquisa fez estimativas de prejuízos com o afastamento de militares da atividade operacional para tratamento da doença e das anormalidades decorrentes (hipertensão arterial e diabetes mellitus 2). O alto custo econômico do absenteísmo associado à obesidade, o que pode ser particularmente verdadeiro entre militares do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), onde a síndrome, associada a diferentes doenças crônicas não-transmissíveis, pode resultar em maiores níveis de incapacidade para o trabalho. A falta de uma política de saúde preventiva para tratamento dos bombeiros militares obesos, no período compreendido entre 2006 a 2009, que também apresentavam hipertensão e diabetes mellitus, representou um elevado custo para tratamento dessas patologias para o sistema de saúde da Policlínica do CBMDF. O absenteísmo, além de prejudicar o próprio bombeiro militar, atinge os demais militares em atividade, pois ficam sobrecarregados, podendo correr riscos que a eles não estariam normalmente destinados. Diante desse quadro, esta pesquisa procura levantar quais são os custos econômicos associados à falta ao serviço operacional de militares com obesidade do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Na Antiguidade, ser "gordo" era considerado sinal de sucesso; enquanto que, para a Igreja Católica, isto era visto como consequência do pecado capital da gula. Na atualidade, a obesidade é considerada um caso de saúde pública (ANDRADE, 2009). A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2011) a reputa como uma doença epidêmica. Segundo projeções da OMS, em 2015, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos. As estatísticas brasileiras também a alocam como um problema de saúde pública, conforme afirma o Dr. Márcio Mancini, Presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO): “O excesso de peso acomete 40% da população brasileira, aumentando o risco de doenças como pressão alta, diabetes, colesterol alterado, entre outras” (CASTRO, 2009, p. 2). No Brasil, na última década, os números da síndrome aumentaram significativamente. Em 2006, o percentual de indivíduos com excesso de peso estava em 42,7% e em 2009 este valor foi para 48,1%. Com relação aos obesos, essa variação foi de 11,4% (2006) para 15,0% (2009). Para a indicação da cirurgia bariátrica, o indivíduo precisa ser considerado obeso mórbido. Em tais casos, já são comuns problemas de saúde, às vezes crônicos, como o diabetes mellitus, arteriosclerose, entre outros. A cirurgia nem sempre garante um indivíduo saudável, mas o mais próximo possível desse ideal (TELES, 2013). Conforme o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Distrito Federal, Neuton Dornelas Gomes, “os pacientes com obesidade mórbida podem ser comparados a portadores de necessidades especiais, por terem problemas de resistência física e locomoção” (CORREIO BRAZILIENSE, 2009, p. 16). O absenteísmo de bombeiros na atividade operacional, em decorrência da doença, é grande no Distrito Federal. Conforme dados estatísticos da Comissão de Aplicação do Teste de Aptidão Física (CATAF), resultantes da avaliação dos bombeiros militares em 2006, a enfermidade, em seu grau mais moderado, atingia 25% e a com grau de obesidade chegava a 9% do total (ressalte-se que os militares estavam na ativa, com faixa etária compreendida de 30 a 55 anos). Em 2008, o número de bombeiros militares com a doença aumentou para 34% no Distrito Federal. Esse preocupante incremento no número de obesos em um período de apenas dois anos, fundamenta a necessidade de mais avaliações sobre o impacto da obesidade entre os bombeiros militares do Distrito Federal. Nesse contexto, uma análise de cunho econômico poderá subsidiar eventuais políticas de intervenção, com vistas ao melhor controle do problema. Além da inevitável preocupação com as repercussões financeiras, há também um olhar com a saúde dos bombeiros militares, que desempenham as suas atividades operacionais e que, por isso, necessitam de resistência e saúde física. É possível constatar a necessidade do vigor físico, para atender às seguintes atribuições que o CBMDF deve desenvolver, de acordo com a Lei de Organização Básica (Lei n.° 8.255, de 20 de novembro de 1991): Art. 1º. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, organizado com base na hierarquia e na disciplina, em conformidade com as disposições contidas no Estatuto dos Bombeiros Militares da Corporação, destina-se a realizar serviços específicos de bombeiros na área do Distrito Federal. Art. 2°. Compete ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal: I - realizar serviços de prevenção e extinção de incêndios; II - realizar serviços de busca e salvamento; III - realizar perícias de incêndio relacionadas com sua competência; IV - prestar socorros nos casos de sinistros, sempre que houver ameaça de destruição de haveres, vítimas ou pessoas em iminente perigo de vida; V - realizar pesquisas técnico-científicas, com vistas à obtenção de produtos e processos, que permitam o desenvolvimento de sistemas de segurança contra incêndio e pânico; VI - realizar atividades de segurança contra incêndio e pânico, com vistas à proteção das pessoas e dos bens públicos e privados; VII - executar atividades de prevenção aos incêndios florestais, com vistas à proteção ambiental; VIII - executar as atividades de defesa civil; IX - executar as ações de segurança pública que lhe forem cometidas por ato do Presidente da República, em caso de grave comprometimento da ordem pública e durante a vigência do estado de defesa, do estado de sítio e de intervenção no Distrito Federal (DISTRITO FEDERAL, 1991, p. 1). Como não poderia ser diferente, esta pesquisa avaliará os testes e questionários que foram aplicados pela CATAF e levantará os gastos com cirurgias bariátricas, consultas médicas e medicamentos para tratamento dos bombeiros militares acometidos pela enfermidade. Enfim, o eixo principal é reunir elementos que possam responder, de alguma forma ao problema formulado. Para isso, o objetivo principal deste estudo é estimar o custo financeiro do absenteísmo entre bombeiros militares obesos, no âmbito do CBMDF. Além disso, também são objetivos secundários: comparar a presença de comorbidades, como hipertensão e diabetes mellitus, entre bombeiros militares obesos e não obesos no âmbito do CBMDF; estimar os gastos causados para a área operacional com militares dispensados da escala de serviço por problemas médicos relacionados à obesidade; e apresentar dados comparativos de militares com obesidade dos anos de 2006 a 2009. Essas informações são importantes, não só em termos financeiros, mas também de políticas de saúde, pois os dados preliminares mostram que a hipertensão arterial e diabetes mellitus já fazem parte da realidade dos militares da ativa do CBMDF. Levantar os gastos gerados para enfrentamento desse óbice de saúde pública no âmbito da Corporação também possui sua relevância, pois deste modo é possível gerir melhor as despesas, estabelecer convênios e procurar medidas preventivas para evitar o mal antes que ele se estabeleça, no caso de ser detectada uma tendência no padrão de crescimento de portadores de obesidade. 2 METODOLOGIA Trata-se de estudo bibliográfico, cuja população pesquisada é de bombeiros militares do Distrito Federal que participaram dos testes de aptidão física em 2006 a 2009. As aferições foram feitas no período matutino sempre com os mesmos avaliadores (monitores formados em educação física), os quais utilizaram o protocolo de Guedes e de outras avaliações como a medida da cintura-quadril; aferição da pressão arterial e medida de peso e altura. Ressalta-se que o teste de aptidão física é obrigatório a todos os militares da ativa, sem restrições médicas, dessa forma, praticamente todos os militares são examinados nesse período ou na segunda chamada, a qual visa avaliar os militares que, no primeiro momento, se encontram com afastamento temporário ou restrições médicas episódicas. As avaliações relacionadas ao estudo antropométrico dos militares foram incorporadas ao TAF desde 2006, as quais passaram também a ser obrigatórias. A não execução do TAF e, consequentemente, da avaliação antropométrica, implica uma série de limitações ao militar dentro da Corporação, como, por exemplo, impossibilidade de entrar no quadro de acesso (para oficiais e praças) e de realizar quaisquer cursos na Corporação. Tais medidas acabam fazendo com que a participação no teste seja praticamente massiva por parte de militares do CBMDF. Todavia os bombeiros militares hipertensos ou aqueles nos quais se constata alteração da pressão arterial na aferição, antes da realização do TAF, são impedidos de continuar os exames físicos por questão de segurança, sendo então encaminhados à Policlínica do CBMDF para avaliação médica. As avaliações foram realizadas em oficiais e praças no Centro de Treinamento Operacional e no Centro de Especialização Formação e Aperfeiçoamento de Praças. Sendo 4.042 avaliações realizadas no primeiro semestre de 2006. Em 2007, foram 4.217 militares. Em 2008, o número é 4.652 bombeiros e; em 2009, foram avaliados 4.215 militares. A avaliação antropométrica é composta da aferição do percentual de gordura por meio da medição de três dobras cutâneas (no homem corresponde às medidas do tríceps, supra-ilíaca e abdominal; nas mulheres, são medidas a coxa, supra-ilíaca e subescapular), de acordo com o protocolo de Guedes (1996), o qual foi escolhido por ter sido desenvolvido com as características da população brasileira. Além de utilizar o Índice de Massa Corporal (IMC) que é o método de referência que serve de parâmetro para determinar os diferentes níveis de obesidade. O IMC superior a 25 implica excesso de peso; o militar com índice superior a 40 encontra-se num nível de obesidade grau III, designada como obesidade mórbida. Na pesquisa, foi adotado o critério de Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual 30 kg por metro elevado ao quadrado para classificação como obeso. Na avaliação da pressão arterial foram considerados hipertensos os bombeiros que declararam na entrevista ser hipertensos e os militares, que na aferição, apresentaram valores acima de 140/90 mmHg. Conforme Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Nessa linha, parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas, o que facilita o levantamento dos dados documentais das fichas individuais de avaliações, artigos científicos sobre obesidade e monografias do CBMDF sobre o assunto. Quanto aos dados utilizados nesta pesquisa, ele consiste de todos os bombeiros militares do Distrito Federal que participaram das avaliações antropométricas de 2006 a 2009. Conforme Barbetta (2002), quando o tamanho da amostra é grande em relação ao tamanho da população, ou quando se exige o resultado exato, ou quando já se dispõe dos dados da população, é recomendado realizar um censo, que considera todos os elementos da população, o que foi feito nesta pesquisa. Ressalta-se que a amplitude da pesquisa terá o método dedutivo. Conforme Gil (2008), é o método que parte do geral e, a seguir, desce ao particular. Parte dos princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal. 3 DISCUSSÃO TEÓRICA/MARCO TEÓRICO Antigamente, acreditava-se que, com o desenvolvimento tecnológico, o homem teria mais tempo para realizar atividades físicas e uma alimentação balanceada e saudável. Entretanto, as facilidades do mundo moderno, como eletrodomésticos, telefone celular, computador, internet, fax e os meios de transportes tornaram o dia a dia das pessoas mais fácil. Tal fato teve o condão de tornar o homem acomodado, ou seja, fez com que ele deixasse de realizar caminhadas e fazer exercícios físicos. Aliado a isso, observou-se um incremento na renda familiar e uma maior facilidade na compra de produtos alimentícios industrializados e a chamada “fast food”, em substituição às refeições tradicionais (DIAS, 2009). O estudo do tema proposto justifica-se pela situação que é constatada por meio de todas as estatísticas brasileiras: problemas com a obesidade originam outros entraves, que diminuem a qualidade de vida e põem em risco essa mesma vida, pois 95% dos afetados pela doença apresentam hipertensão, diabetes melittus, apneia do sono, depressão e doenças vasculares e nas articulações (ARRUDA, 2009, p. 1). Nesse aspecto, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que sempre primou pelo condicionamento físico de seus militares (os quais têm como missão-fim salvar vidas, extinguir incêndios e proteger os bens patrimoniais), se preocupa com as doenças denominadas da era moderna. Ainda para dimensionar o problema, destaca-se que a Resolução n.° 1.942/2010, do Conselho Federal de Medicina, estabelece que pacientes com índice de massa corpórea acima de 40 quilos, que desenvolvem doenças que ameacem a vida (como diabetes melittus, apnéia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronária, osteoartrites), devem ser tratados como obesos mórbidos. O presente estudo apontará os grupos em que se concentram a maior quantidade de militares acometidos pelo excesso de peso, diabéticos e hipertensos, bem como o impacto financeiro advindo da falta desses militares ao serviço, a fim de auxiliar quanto às medidas preventivas e profiláticas a serem adotadas para recuperar os militares com obesidade, visando à redução de faltas ao serviço. Para realização deste estudo, é necessário delimitar o conceito de obesidade e relacioná-lo ao contexto atual, desfazendo mitos que envolvem o assunto, caracterizando-o como um problema associado à atualidade, à modernidade e à má alimentação, bem como à prática insuficiente de atividade física, a qual pode atingir qualquer pessoa, independente de sua condição socioeconômica. Configura-se como uma doença crônica de difícil tratamento, sendo um importante problema de saúde pública, que afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. A disponibilidade de uma dieta com altos teores energéticos e estilo de vida sedentário são os fatores ambientais mais associados à prevalência aumentada de obesidade (SHARMA, 2005). Observa-se que ela não é um problema exclusivo dos países desenvolvidos; ao contrário, afeta porções crescentes dos estratos de populações menos privilegiadas. Em países europeus e norte-americanos, pesquisas nacionais indicam sua prevalência aumentada na população adulta (KUCZMARSKI et al., 1994; KAC; MELENDEZ, 2003). E, em outras regiões, apesar da carência de informações representativas em âmbito nacional, dados disponíveis sugerem que o mal está aumentando a uma taxa alarmante e que tende a se tornar o principal problema de saúde, tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento (BOYLE et al., 1994; MONTEIRO et al, 1995; POPKIN; DOAK, 1998). A alimentação inadequada e o sedentarismo também atingem países em desenvolvimento, como o Brasil, onde a denominada transição nos padrões nutricionais (ocidentalização desses padrões), com decorrente redução da desnutrição e aumento da obesidade foram identificados (MONTEIRO et al., 1995). Nas últimas décadas, vários estudos confirmaram seu aumento em todas as faixas etárias e em diversos países. Crianças e adolescentes obesos tendem a se tornar adultos com a mesma característica (aproximadamente 80% dos adolescentes obesos tornam-se adultos obesos) (COLDITZ, 1999). 3.1 OBESIDADE Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afetar a saúde, tanto mais que, uma vez instalada, tende a perpetuar-se, constituindo-se como uma verdadeira doença crônica (OMS, 1999). Pode ser considerada como um acúmulo de tecido gorduroso, regionalizado ou em todo o corpo, causado por doenças genéticas ou endócrino-metabólicas ou por alterações nutricionais. O estilo de vida também tem se mostrado fator crítico no desenvolvimento da obesidade, associando alimentação inadequada e atividade física insuficiente (DAMIANI; CARVALHO; OLIVEIRA, 2000). Suas principais causas são genéticas e ambientais. A diminuição dos gastos energéticos associada aos atuais hábitos alimentares com excesso de gorduras e carnes, e com pouca ou nenhuma fibra, são os principais responsáveis pelo elevado índice existente, gerando muitas consequências para a saúde física e psicológica (GUYTON; HALL, 2006). Conforme os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que entrevistou 54.339 adultos, residentes nas 27 capitais. O Vigitel é realizado anualmente, desde 2006, pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP). O resultado da pesquisa apontou que quase metade da população adulta (48,1%) está acima do peso e 15% são obesos. Há cinco anos, a proporção era de 42,7% para excesso de peso e 11,4% para obesidade. Se for considerada somente a população masculina, mais da metade dos homens está acima do peso (52,1%). Entre as mulheres, a proporção é de 44,3%, com aumento significativo nos dois sexos. Em 2006, a pesquisa apontava excesso de peso em 47,2% dos homens e em 38,5% das mulheres. 3.2 DIAGNÓSTICO DA OBESIDADE Para se diagnosticar um indivíduo como obeso, utilizam-se dois índices: o Índice de Massa Corporal (IMC) e o Índice de Cintura Quadril (ICQ), os quais são considerados, por profissionais de saúde, como muito confiáveis e de fácil utilização. De acordo com Pereira (1995), o Índice de Massa Corporal (IMC) ou índice de Quetelet é reconhecido como padrão internacional para avaliar o grau de obesidade, cujo cálculo é feito pela divisão do peso do indivíduo estabelecido em quilogramas pela altura elevada ao quadrado, conforme a fórmula abaixo. Na prática, a obesidade é calculada a partir do IMC, que é o peso em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros. IMC = P / A² O índice de cintura quadril, uma das medidas antropométricas mais usadas, é a razão cintura-quadril, denotado por um indicador da distribuição do tecido adiposo e preditor de doenças. A Organização Mundial da Saúde preconiza o IMC para classificação da enfermidade em nível populacional. Esse critério retrata a razão entre o peso do indivíduo expresso em quilogramas e o quadrado da altura, expresso em metros. Cada indivíduo, na população, é pesado e medido, anotando-se os respectivos valores de peso e altura para que o IMC possa ser computado. O sobrepeso é definido por muitos especialistas como um valor igual ou superior a 25 kg/m². Para Pereira (1995), a caracterização da obesidade exigiria um IMC igual ou superior a 30. Segue abaixo a tabela que relaciona a categoria, o Índice de Massa Corporal e o risco de co-morbidades. Categoria IMC Risco de complicações Abaixo de 18,5 Baixo Peso normal 18,5 – 24,9 Médio Pré-obeso 25,0 – 29,9 Ligeiramente aumentado Obeso classe I 30,0 – 34,9 Moderado Obeso classe II 35,0 - 39,9 Grave Obeso classe III 40,0 Muito grave Abaixo do peso Tabela 1: relação entre categoria de obesidade, o IMC e o risco de co-morbidades Fonte: OMS (1999). Além do IMC, existe a avaliação de dobras cutâneas para diagnosticar o excesso de peso. O método mais utilizado é o proposto por Guedes (1994), o qual determina o percentual de gordura, por meio da aferição de três dobras cutâneas em homens (tríceps, supra-ilíaca e abdômen) e em mulheres (subescapular, supra-ilíaca e coxa). O cálculo do percentual de gordura por meio da densidade corporal utiliza: Porcentagem de gordura= [(4,95/DC)- 4,50] × 100 Segundo a OMS, homens com percentual de gordura acima de 25% e mulheres acima de 30% são considerados portadores do mal, com risco para a saúde, conforme a tabela a seguir. CLASSIFICAÇÃO HOMENS (% gordura) MULHERES (% gordura) BAIXO 5-7 8-11 IDEAL 8-13 12-17 SAUDÁVEL 14-18 18-23 GORDO 20-25 24-29 OBESO >25 >30 Tabela 2: porcentagem de gordura em relação ao sexo. Fonte – OMS (1998). O excesso de adiposidade corporal influencia o risco de doenças. Numa igual quantidade de gordura, o risco para a saúde pode divergir se a mesma se acumula na metade superior do corpo, se é localizada profundamente no abdome ou se predomina na metade inferior do corpo. Para uma distinção prática, adota-se como referência o nível do umbigo. Se a gordura predomina acima dele, chama-se “obesidade superior”, conhecida por andróide ou em forma de maçã. Se a gordura predomina abaixo da metade inferior do corpo, denomina-se ginóide ou em forma de pêra. Para quantificá-la, utiliza-se a relação cintura-quadril, o perímetro da cintura ou a medida do diâmetro sagital do abdome. 3.3 OBESIDADE E OUTROS FATORES DE RISCO 3.3.1 Pressão arterial A pressão alta ou hipertensão é associada às co-morbidades provenientes do aumento do peso. Ela também é um dos males que mais provoca a mortalidade de indivíduos em idade economicamente ativa ou a incapacidade física permanente. Dentro desse contexto, é necessário delimitar o que está sendo considerado como hipertensão, partindo dos valores normais estabelecidos pela Medicina, bem como perceber como esse sinal vital funciona no organismo humano. Conforme Simão (2003), pressão arterial pode ser considerada como sendo o produto do volume sistólico pela resistência periférica total, sendo regulada por uma complexa interação de fatores neurais, metabólicos, cardiovasculares e hormonais. Quando elevada cronicamente, como na hipertensão, torna-se um fator de risco independente para a doença coronariana, associando-se a muitas outras desordens cardiovasculares. A associação entre obesidade e hipertensão já foi reconhecida há algum tempo. Quando pacientes hipertensos são comparados a indivíduos normais, uma das maiores diferenças encontradas tem sido um aumento de prevalência de obesidade. Além disso, no estudo de Framingham apud Halpen (1998), 70% dos casos de hipertensão em homens e 61% nas mulheres, puderam ser diretamente atribuídos ao excesso de adiposidade. Nesse estudo, foi calculado que, para cada quilograma de peso ganho, a pressão arterial sistólica eleva-se, em média, 1 mmHg (milímetro de mercúrio). Por outro lado, vários estudos demonstraram claramente que a redução de peso, mesmo quando modesta, traz benefícios ao paciente hipertenso não só no que diz respeito à redução dos níveis pressóricos, como também no que diz respeito à melhora de outras condições frequentemente associadas à obesidade como o diabetes tipo 2 e a hiperlimia. 3.3.2 Diabetes A obesidade aumenta o risco de diabetes tipo 2 por induzir maior resistência à insulina na sua ação de estimular perifericamente a captação de glicose, componente importante do diabetes tipo 2. Ante a condição de resistência à insulina, numa primeira fase, o pâncreas responde aumentando sua secreção e gera uma condição de hiperinsulinemia. Quando essa maior quantidade de insulina secretada se mostra insuficiente para vencer o estado diabético, a redução de peso nos indivíduos obesos diminui a resistência à insulina e, consequentemente, eleva o risco de desenvolvimento do diabetes. Para Golay (1994), a presença do diabetes favorece o desenvolvimento de doença cardiovascular, uma vez que a exposição prolongada a níveis elevados de glicose no sangue provoca lesões no coração e no sistema vascular, o que, por sua vez, provocam alterações em órgãos como sistema nervoso, retina e rins. De acordo com a American Heart Association, mais de 80% dos indivíduos com diabetes tipo 2 morrem em consequência de derrame cardiovascular. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A população estudada no presente trabalho é economicamente ativa, de acordo com os padrões brasileiros (a idade média é de 37,6 anos), a qual apresenta o seguinte quantitativo de bombeiros com peso normal, sobrepeso e obesidade, conforme mostram os gráficos 1 e 2. N= 4042 N = 4217 Figura 1: Gráfico com a quantidade de militares com peso normal, sobrepeso e obesidade. Fonte: o autor. Constata-se que o número de bombeiros que realizaram as avaliações antropométricas em 2006 para 2007 aumentou em 4,2%. Quanto à quantidade de militares com obesidade grau I, IMC 30, houve um aumento de 16%. Percebe-se que a quantidade de avaliados com sobrepeso é maior em relação aos servidores com peso normal (IMC até 24,9). De 2006 para 2007, houve um aumento de 17,2% no número de acometidos com sobrepeso (IMC 25). O gráfico da Figura 2 trata a mesma população nos anos 2008 e 2009. Figura 2: Gráfico com a quantidade de militares com peso normal, sobrepeso e obesidade em 2008/2009. Fonte: o autor. Observa-se uma diminuição de 9,4% em relação ao número de bombeiros que realizaram as avaliações antropométricas de 2008 para 2009. Quanto aos que apresentam obesidade grau I (IMC 30), houve uma diminuição de 11,1%. A segunda chamada das avaliações de 2009 foi realizada em outubro, para os militares que faltaram por motivos justificados. Percebe-se que a quantidade com sobrepeso é maior em relação àqueles com peso normal (IMC até 24,9) dos que realizaram o teste em 2008 e 2009. O Índice de Massa Corporal da tabela a seguir se refere aos bombeiros com sobrepeso (IMC 25), avaliados de 2006 a 2009, sendo os dados do primeiro semestre dos anos especificados. ANO/ TOTAL DE MILITARES SEMESTRE SOBREPESO 2006/1 4042 1841 SOBREPESO HIPERTENSOS 431 SOBREPESO DIABÉTICOS Não houve 2007/1 4217 2222 107 Não houve 2008/1 4652 2184 209 Não houve 2009/1 4215 1952 87 27 Tabela 3 – quantidade de militares com sobrepeso hipertensos e diabéticos Fonte – CATAF (2006-2009). Observa-se que, de 2006 para 2007, houve um aumento de militares com sobrepeso e, em 2008, uma diminuição de bombeiros com sobrepeso, portanto, constata-se um aumento de obesos grau I, no ano de 2008. Quanto à hipertensão, o índice diminuiu de 2006 para 2007, mantendo-se estável de 2008 para 2009. Analisando os dados relacionados da CATAF/2009, gera-se a Tabela 4, na qual é constatado o número de militares com obesidade grau I: ANO/ OBESOS OBESOS SEMESTRE MILITARES HIPERTENSOS DIABÉTICOS 2006/1 4042 352 123 Não houve 2007/1 4217 474 51 Não houve 2008/1 4652 557 71 Não houve 2009/1 4215 501 28 OBESOS 13 Tabela 4: relação de militares com obesidade grau I, hipertensos e diabéticos Fonte – CATAF (2006-2009). Observa-se que, em 2009, houve uma diminuição de 9,4% no número de servidores que deixaram de realizar as avaliações antropométricas em relação ao ano anterior. Percebe-se o aumento de obesos do grau I, de 2006 a 2008 (IMC 30); quanto à hipertensão, também houve um acréscimo de 16,4% entre 2008 e 2009. Nos dados a seguir transcritos, evidenciamos a relação de militares com obesidade grau II e as respectivas doenças. ANO/ SEMESTRE 2006/1 MILITARES 4042 38 OBESOS HIPERTENSOS 11 OBESOS DIABÉTICOS Não houve 2007/1 4217 49 6 Não houve 2008/1 4652 60 11 Não houve 2009/1 4215 49 4 3 OBESOS Tabela 5: relação de militares com obesidade grau II, hipertensos e diabéticos Fonte – CATAF (2006-2009). Na seguinte, apresentam-se os casos relacionados à obesidade mórbida. ANO/ SEMESTRE 2006/1 4042 OBESO MÓRBIDO 56 OBESO HIPERTENSO 3 OBESOS MÓRBIDOS DIABÉTICOS Não houve 2007/1 4217 7 2 Não houve 2008/1 4652 7 3 Não houve 2009/1 4215 5 1 4 MILITARES Tabela 6: relação de militares com obesidade mórbida, hipertensos e diabéticos Fonte – CATAF (2006-2009). O Índice de Massa Corporal da Tabela 6 se refere aos bombeiros militares com obesidade mórbida (IMC 40), avaliados de 2006 a 2009, sendo todos os dados colhidos no primeiro semestre dos anos especificados. Observa-se que, em 2009, houve uma diminuição de obesos mórbidos, entretanto, não houve como constatar se foi por motivo de dispensa médica, ausência nas avaliações ou redução do IMC nos militares dessa classificação. Constata-se diminuição de obesos mórbidos de 2006 a 2008; quanto à hipertensão, houve uma diminuição de 2006 para 2007. 4.1 PORCENTAGEM DE GORDURA Conforme já demonstrado no item 7.2, o cálculo do percentual de gordura, por meio da densidade corporal, utiliza a fórmula: Porcentagem de gordura = [(4,95/DC)- 4,50] × 100 As medidas de dobras cutâneas foram realizadas também nas avaliações antropométricas de 2006 a 2009, sendo a metodologia adotada neste estudo o protocolo de Guedes (1994), utilizado para determinar o percentual de gordura, no qual são mensuradas três dobras cutâneas (em homens: tríceps, supra-ilíaca e abdômen e em mulheres: subescapular, supra-ilíaca e coxa). Em 2007, foram avaliados 4.217 bombeiros, sendo 4.012 homens e 205 mulheres. Seguem as tabelas, referentes ao quantitativo com obesidade e sua respectiva classificação, conforme critérios da OMS: ANO/SEMESTRE MILITARES TOTAL DE OBESO 2006/1 4042 668 2007/1 4217 516 2008/1 4652 639 2009/1 4215 523 Tabela 7: Quantidade de militares obesos Fonte – CATAF (2006-2009). SEXO TOTAL BAIXO IDEAL SAUDÁVEL GORDO OBESO HOMENS 4012 44 288 1094 1843 735 MULHERES 205 0 1 39 106 79 TOTAL 4217 44 289 1134 1945 794 Tabela 8: Classificação dos militares pelo percentual de gordura Fonte – CATAF (2006-2009). Segundo a Organização Mundial de Saúde, homens com percentual de gordura acima de 25% e mulheres com índices superiores a 30% são considerados obesos, com risco para a saúde. Constata-se que, pelas medidas de dobras cutâneas, 18% dos militares do sexo masculino e 38,5% do sexo feminino são obesos. Verifica-se que a porcentagem de militares gordos do sexo masculino é de 45,93% e bombeiros femininos é de 51,7%. Conclui-se, pelos dados apresentados, que na avaliação de militares gordos e obesos, a porcentagem de militares do sexo masculino corresponde a 64,25% e militares do sexo feminino a 90,24. 4.2 ÍNDICE DE CINTURA QUADRIL E SUA RELAÇÃO COM COMPLICAÇÕES METABÓLICAS DE ALTO RISCO E RISCO MUITO ALTO O índice de cintura quadril é mensurado pelo perímetro da cintura, medido no ponto intermediário entre a crista ilíaca e o bordo inferior da caixa torácica (última costela), e está diretamente correlacionado ao aumento de tecido adiposo abdominal. A Organização Mundial de Saúde considera a cintura a metade da distância entre a última costela e crista ilíaca, em posição de expiração; e o quadril corresponde ao perímetro no nível do trocanter maior. A tabela a seguir demonstra o risco de desenvolvimento de complicações metabólicas associado ao perímetro da cintura. SEXO AUMENTO DE RISCO RISCO MUITO AUMENTADO MASCULINO 94 cm 102 cm FEMININO 80 cm 88 cm Tabela 9: Índice de cintura quadril em relação ao sexo Fonte – OMS (1999). As avaliações abaixo foram realizadas de 2006 a 2009, sendo as medidas do Índice de Cintura Quadril atreladas ao risco de desenvolvimento de complicações metabólicas. ANO/SEMESTRE MILITARES TOTAL DE ALTO RISCO TOTAL DE RISCO MUITO ALTO 2006/1 4042 668 328 2007/1 4217 516 117 2008/1 4652 639 170 2009/1 4215 523 160 Tabela 10: Índice de cintura quadril em relação aos militares do CBMDF Fonte – CATAF (2006-2009). O índice de massa corporal é um indicador de medida da gordura corporal de baixo custo e prático para avaliações antropométricas de populações, sendo recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Observa-se nos gráficos abaixo a prevalência de militares com sobrepeso. Os resultados encontrados na pesquisa reforçam a aplicação dessas medidas para aferição do risco à hipertensão e ao diabetes. Constata-se no estudo o impacto financeiro que é gerado para o CBMDF com militares obesos que desenvolvem morbidades, ou seja, doenças não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade mórbida. Verifica-se que o desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis está associado aos elevados índices de gordura corporal. A porcentagem de militares com sobrepeso e obesidade apresentada nos gráficos a seguir, quando comparados ao restante da população brasileira, pode ser considerada elevada. !" Figura 3: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade (IMC/2006) Fonte – CATAF (2006). Observa-se que 3.787 militares do sexo masculino realizaram as avaliações antropométricas, sendo que 48,72% apresentam sobrepeso (IMC 25) e 10% dos bombeiros estão obesos (IMC 30,0). #$!" Figura 4: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade (IMC/2006) Fonte – CATAF (2006). Foram avaliadas 204 militares femininas, sendo que 20,09% estão com sobrepeso (IMC 25,0), e 3,43% estão obesas (IMC 30,0). Conforme dados da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino é de 314 militares, no qual 35% deixaram de realizar as avaliações antropométricas. %&!'$! !( !%($'$! !%$!)( !%$!)( Figura 5:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade obesidade (IMC/2006) Fonte – CATAF (2006). Dos 4.042 bombeiros masculinos e femininos que realizaram realizar as avaliações antropométricas em 2006, no primeiro semestre, constata-se cons se que 9,77% estão obesos, com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30; 30 e que 47,4% estão com sobrepeso. Conforme informação da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo, efetivo à época, era de 5.938 bombeiros. Verifica-se Verifica que 1.896 bombeiros não realizaram as medidas antropométricas, antropométricas o que corresponde a 32% do total da Corporação. Os militares requisitados constam dos dados e também são obrigados a realizar os testes. !" ! Figura 6:: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade (IMC/2007) Fonte – CATAF (2007). Observa-se se que 4.011 militares do sexo masculino realizaram as avaliações antropométricas, sendo que e 51,5% apresentam sobrepeso (IMC 25,0) e 12,98% obesidade (IMC 30,0). #$!, Figura 7:: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade (IMC/2007) Fonte – CATAF (2007). Foram avaliadas 206 militares femininas, das quais 27,18% com sobrepeso (IMC 25,0), e 3,42% obesas (IMC 30,0). Conforme dados da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino era de 314 militares, dessa forma, 34,4% deixaram de realizar as avaliações avaliaç antropométricas. %&!'$! !( !%($'$! !%$!)( !%$!)( !%$!*(%+! Figura 8:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade obesidade (IMC/2007) Fonte – CATAF (2007). Dos 4.217 bombeiros masculinos e femininos que realizaram real o Teste de Aptidão Física (TAF) em 2007, no primeiro semestre, semestre, constata constata-se que 13% estão obesos. Conforme informação da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo, à época, era de 5.797 bombeiros. Verifica-se a ausência de 1.580 militares para as medições antropométricas, o que corresponde a 27,3% do total da Corporação. !" Figura 9: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade (IMC/2008) Fonte – CATAF (2008). Observa-se que 4.405 militares do sexo masculino realizaram as avaliações antropométricas, nas quais 48% apresentam sobrepeso (IMC 25,0) e 13,87% obesidade (IMC 30,0). #$!" Figura 10: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade (IMC/2008) Fonte – CATAF (2008). Foram avaliadas 247 militares femininas, sendo constatado que 26,72% estão com sobrepeso (IMC 25,0) e 5,66% estão obesas (IMC 30,0). Conforme dados da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino era de 314 militares, sendo que 21,4% não realizaram realizaram as avaliações antropométricas. %&!'$! !( !%($'$! !%$!)( !%$!)( !%$!*(%+! Figura 11:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade obesidade (IMC/2007) Fonte – CATAF (2008). Dos 4.652 bombeiros masculinos e femininos que realizaram real o Teste de Aptidão Física no primeiro semestre de 2008, 14% estavam es avam obesos e 50,47% apresentavam sobrepeso. De acordo com os dados fornecidos pela Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo de militares,, no período, era de 5.717 servidores. Houve ausência de 1.065 bombeiros, os quais não realizaram as medidas antropométricas antropométricas, perfazendo 18,7% do total da Corporação. !" ! Figura 12:: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade (IMC/2009) Fonte – CATAF (2009). Houve participação de 4.004 militares do sexo masculino nas avaliações antropométricas, nas quais 47,42% apresentam sobrepeso (IMC 25,0) e 13,51% obesidade (IMC 30,0). #$!" Figura 13: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade (IMC/2009) Fonte – CATAF (2009). Foram avaliadas 211 militares femininas, sendo aferido que 25,11% estão com sobrepeso (IMC 25,0), e 6,16% obesas (IMC 30,0). Conforme dados da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino é de 324 militares, sendo que 34,9% deixaram de realizar as avaliações antropométricas. %&!'$! !( !%($'$! !%$!)( !%$!)( !%$!*(%+! Figura 14: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade (IMC/2009) Fonte – CATAF (2009). Dos 4.215 bombeiros masculinos e femininos que realizaram real as avaliações antropométricas no primeiro semestre de 2009, 14% estão e obesos e 51,47% apresentam sobrepeso. Conforme informação da Diretoria de Gestão de Pessoal, o número de militares, à época, era de 5.629 bombeiros. Constata-se a ausência de 1.414 combatentes, o que corresponde a 25,2% do efetivo da Corporação. Figura 15:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade obesidade no período de 2006-2009 2006 Fonte – CATAF (2006-2009). Constata-se se pela pel figura acima que os bombeiros com sobrepeso e obesidade correspondem a 62,11% da Corporação. A quantidade qu de militares com sobrepeso vem aumentando em torno de 10% e a de obesos 16% anualmente. 4.3 MILITARES COM SOBREPESO E HIPERTENSOS Quanto aos militares militar que apresentam sobrepeso e são hipertensos observam-se, se, por meio da análise de dados da estatística descritiva, os seguintes valores, esclarecendo que mediana é uma medida de tendência central, ou seja, um número que caracteriza as observações de uma variável; riável; desvio padrão demonstra o montante de variação ou dispersão existente existente em relação à média, a saber, saber o ponto de equilíbrio entre os dados de uma distribuição e a contagem contagem, que traduz o cômputo de dados de valores inteiros. Sobrepeso Média Valores 2049,75 Mediana 2068 Desvio padrão 183,3255 Mínimo 1841 Máximo 2222 Soma 8199 Contagem 4 Hipertensos Média Valores 208,5 Mediana 158 Desvio padrão 157,66 Mínimo 87 Máximo 431 Soma Contagem 834 4 Tabela 11: militares com sobrepeso e hipertensos Fonte – CATAF (2006-2009). Com a utilização da mediana, percebe-se que 7,64% dos militares com sobrepeso estão com a pressão arterial acima de 140/90 mmHg. Obeso grau I Valores Média 471 Mediana 487,5 Desvio padrão 43,26 Mínimo 352 Máximo 557 Soma Contagem 1884 4 Hipertenso Média Mediana Desvio padrão Valores 68,25 61 20,25 Mínimo 28 Máximo 123 Soma Contagem 273 4 Tabela 12: militares obesos grau I e hipertensos Fonte – CATAF (2006-2009). Os dados acima descritos, com a utilização da mediana, demonstram que 12,52% dos militares com obesidade grau I estão com a pressão arterial superior a 140/90 mmHg. Obeso grau II Valores Média Mediana Mínimo Máximo Soma Contagem 49 49 38 60 196 4 Hipertenso Média Mediana Mínimo Máximo Soma Contagem Valores 8 8,5 4 11 32 4 Tabela 13: militares obesos grau II e hipertensos Fonte – CATAF (2006-2009). Conforme os dados fornecidos, verifica-se que 16,32% dos militares com obesidade grau II estão com a pressão arterial acima de 140/90 mmHg. Obeso mórbido Média Mediana Mínimo Máximo Soma Contagem Hipertenso Média Mediana Mínimo Máximo Soma Contagem Valores 18,75 7 5 56 75 4 Valores 2,25 2,5 1 3 9 4 Tabela 14: militares obesos mórbidos Fonte – CATAF (2006-2009). De acordo com os dados estatísticos, 32% dos militares com obesidade mórbida estão com a pressão arterial acima de 140/90 mmHg. 4.4 MILITARES DIABÉTICOS As avaliações de militares diabéticos foram realizadas somente em 2009, sendo que os dados mencionados são daqueles que se declararam diabéticos. Do total, 27 estavam com sobrepeso, 13 apresentavam obesidade grau I, 3 obesidade grau II e 5 obesidade mórbida. Classificação Porcentagem 1,38% 2,60% 6% 80% Sobrepeso Obeso grau I Obeso grau I I Obeso mórbido Tabela 15: militares diabéticos e sua classificação quanto à obesidade Fonte – CATAF (2006-2009). 4.5 ESTIMATIVAS DE CUSTOS COM OBESIDADE E CO-MORBIDADES (DIABETES E/OU HIPERTENSÃO) Como o foco desta pesquisa é o levantamento de custos relacionados à obesidade, segue a Tabela sobre custos com profissionais relacionados ao tratamento com a obesidade de uma forma geral. Especialistas Endocrinologista Nutricionista Psicólogo Fisioterapeuta Cirurgião Especialistas Anestesista Cardiologista Clínico Gastro endoscopista Psiquiatra Pneumologista Educador físico Total Quantidade de consultas 4 4 4 4 2 Quantidade de consultas 1 2 2 1 1 1 1 27 Valor R$ 140,64 140,64 140,64 140,64 70,32 Valor R$ 35,16 70,32 70,32 35,16 35,16 35,16 35,16 949,32 Tabela 16: especialistas envolvidos no tratamento da obesidade e valores Fonte – UNIDAS (2007). As estimativas consistem na média anual das consultas que um paciente tem durante o período de acompanhamento antes da cirurgia e com os profissionais que geralmente acompanham o tratamento. Os valores e a média de consultas são atribuídos pela União Nacional das Instituições de Autogestão de Saúde (UNIDAS) em 2007. Conforme Benchimol (2006), uma equipe multidisciplinar bem-treinada deve avaliar o paciente e emitir pareceres técnicos devidamente documentados. Exames complementares laboratoriais e de imagem farão parte dessa rotina. Os valores com os exames obrigatórios para a realização da cirurgia bariátrica estão expostos na seguinte Tabela: Métodos gráficos /imagem Radiografia de tórax Prova de função respiratória Eletrocardiograma Eco cardiograma Endoscopia digestiva alta Ultra – sonografia abdominal total Quantidade 1 1 2 1 1 1 Custo R$ 26,00 32,00 176,00 83,00 302,00 96,00 1 660,00 8 1.375,00 Ecocolor – Doppler dos sistemas arterial e venoso dos membros inferiores. TOTAL DE GASTOS Tabela 17: Estimativa de gastos com métodos gráficos e imagem Fonte – Fundo de saúde do CBMDF Os valores dos métodos gráficos e de imagem são valores pagos pela Diretoria de Saúde do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal às clínicas conveniadas. Estão previstos, no preparo pré-operatório, os exames de gráficos e imagem. Conforme Benchimol (2006), o paciente deve ser submetido a uma avaliação clínica minuciosa. Exames Clínicos Hemograma Bioquímica Fezes e urina Sorologias e imunoquímica Total de gastos Quantidade Custos R$ 1 2 2 1 6 20,4 40,8 40,8 20,4 122,40 Tabela 18: Estimativa de gastos com outros exames Fonte – Unidas (2007). Há ainda os gastos com outros exames, igualmente obrigatórios e necessários, para qualquer tipo de avaliação pré-operatória, os quais fomentaram a Tabela 18: Os valores são atribuídos pela União Nacional das Instituições de Autogestão de Saúde (UNIDAS) em 2007. Como também é objeto desta pesquisa os militares diabéticos e hipertensos, a Tabela 19 mostra os gastos quinzenais com esses indivíduos. Tratamento cirúrgico Quantidade Custo R$ Cirurgia 1 22.000,00 Internação 1 6.112,45 Tabela 19: Custos estimados de clínicas para tratamento cirúrgico Fonte – Fundo de Saúde (2009). O valor de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais) foi o menor valor orçado pela Seção de Auditoria do CBMDF para a realização de cirurgias de redução de estômago e o valor da internação foi atribuído pela tabela da UNIDAS/2007. Tratamento cirúrgico Quantidade Custo R$ Cirurgia 1 22.000,00 Internação 1 6.112,45 Tabela 20: Custos estimados de clínicas para tratamento cirúrgico reparador Fonte – Diretoria de Saúde (2009). O tratamento cirúrgico reparador pós redução de estômago, além da questão estética plástica, há também o fator de saúde devido às lesões que são ocasionadas pelo excesso de peso. Medicamentos - materiais Insulina Lantus Seringas Tiras glicêmica advantage Medicamentos Quantidade 20 x 2,90 20 x 1,80 24h (2,17) x7,5 Exemplo de 1 paciente Custos R$ 58 36 15,19 3.080,00 Tabela 21: Casos extremos tratamento clínico do obeso com diabetes e/ou hipertensão Fonte – Diretoria de Saúde (2009). Os casos extremos de tratamento clínico do obeso com diabetes e/ou hipertensão foram computados com base em valores gastos em 24horas, sendo a insulina Lantus utilizada 20 vezes durante o dia, vinte seringas e 7,5 tiras glicêmicas e mais os gastos com medicamentos. Os dados aqui utilizados são de faturas hospitalares de um militar que ficou internado na UTI do Hospital X, pelo período de algumas semanas, de 2009. Os gastos hospitalares foram de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Apesar de todos os esforços, o militar faleceu. Embora seja um caso extremo e, de certa forma, episódico, ele consiste em uma realidade que não pode ser negligenciada, pois implicou o gasto de cerca de 28.198 contribuintes do fundo de saúde, proporcionais com os valores contabilizados referente a um mês. 4.6 O IMPACTO NO SERVIÇO OPERACIONAL Para avaliar o impacto em termos de produtividade relacionada ao afastamento do militar do serviço operacional, bem como a limitações físicas decorrentes da obesidade e suas co-morbidades, foi feito o cálculo de afastamento/dia, de acordo com o salário bruto dos militares. De acordo com a Lei n.º 10.486, de 4 de junho de 2002, e suas alterações, a remuneração é composta por diferentes rubricas, as quais combinadas apresentam os seguintes valores: Postos e graduações Coronel Tenente-Coronel Major Capitão 1º Tenente 2º Tenente Aspirante-a-Oficial Cadete 3º ano Cadete 2º ano Cadete 1º ano Subtenente 1º Sargento 2º Sargento 3º Sargento Cabo Soldado 1ª Classe Postos e graduações Soldado 2ª Classe Salário Bruto (R$) 15.244,24 14.550,72 12.732,51 10.134,72 9.149,73 8.644,97 7.428,45 3.788,09 3.033,50 3.033,50 7.550,78 6.742,93 5.985,27 5.267,39 4.319,34 4.117,77 Salário Bruto (R$) 3.029,16 Tabela 22: Tabela de remuneração dos militares Fonte: Seção de Pagamento (SEPAG) Os dados contidos na Tabela 22 podem ser utilizados para estipular a estimativa de custo operacional após a cirurgia e a reabilitação do bombeiro militar até o retorno às atividades da missão-fim, conforme feito na seguinte tabela. Graduação – posto Tempo de dispensa médica Custo diário R$ Custo total Soldado 180 137,26 24.706,80 Cabo 180 143,98 25.916,40 3º sargento 2º sargento 180 180 175,58 199,5 31.604,40 35.910,00 1º sargento 180 224,76 40.456,80 Subtenente 180 251,7 45.306,00 Aspirante 180 247,5 44.550,00 2º tenente 180 288,16 51.868,80 1º tenente 180 304,99 54.898,20 Capitão 180 337,82 60.807,60 Major 180 424,41 76.393,80 Tenente-coronel 180 485 87.300,00 Coronel 180 508,14 91.465,20 Tabela 23: Estimativa de custo para o serviço operacional após a cirurgia Fonte – O autor (2009). As estimativas de custos operacionais foram calculadas da seguinte forma : o custo diário de um bombeiro militar fora do serviço operacional foi mensurado sobre o vencimento bruto dividido por trinta dias e o período de cento e oitenta dias de afastamento do militar da escala de serviço é devido às dispensas médicas após a cirurgia de redução de estômago, cirurgia reparadora para retirada do excesso de pele e reabilitação. A falta de uma política de saúde preventiva à época para os bombeiros militares com obesidade, hipertensão e diabetes representava um elevado custo para o sistema de saúde da Corporação, conforme visto. A quantidade de militares com sobrepeso, obesidade grau I, grau II e obesidade mórbida, diabetes e hipertensão, de 2006 a 2009 apresentaram significativo aumento. É de clareza hialina que no período não havia uma política de saúde preventiva para os bombeiros militares em relação à obesidade. A atividade operacional sofria prejuízos financeiros com a quantidade de absenteísmo de militares relacionada a problemas de saúde associados à obesidade, embora não se mensurasse a realidade precisa do dano, por não haver dados tabulados acerca da quantidade de militares afastados do serviço por problemas relacionados à obesidade. Foi realizado apenas um levantamento com estimativas de gastos pelo tempo de ausência do serviço que apontou custos para todos os postos e graduações, sendo que o dispêndio de um soldado é de R$ 24.706,80 (vinte e quatro mil setecentos e seis reais e oitenta centavos) e o de um coronel chega a R$ 91.465,20 (noventa e um mil reais quatrocentos e sessenta cinco reais e vinte centavos). Os valores citados são relacionados aos 180 dias de afastamentos da atividade operacional. Além do prejuízo ao erário, também é gerado um ônus aos demais militares, vez que haverá a sobrecarga de trabalho a outros servidores, com a consequente diminuição da qualidade laboral. Segue a tabela com os valores mensurados da estimativa de custos econômicos da obesidade no CBMDF, gastos com o tratamento de obesidade e comorbidades. Gastos Total (R$) 24.706,80 Operacional 949,32 Consultas médicas 122,40 Exames Clínicos 1.375,00 Exames gráficos/imagem 22.000,00 Cirurgia bariátrica 6.112,45 Internação 22.000,00 Cirúrgico reparador 772,68 Reabilitação 78.038,65 Total de gastos Tabela 24: Estimativa de gastos com o tratamento de obesidade e comorbidades Fonte: o Autor. 4.7 CENÁRIO ATUAL DO CBMDF QUANTO AO ENFRENTAMENTO DE COMBATE À OBESIDADE Diante do quadro exposto ao longo desta pesquisa, o Comando do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, a partir de 2009, adotou várias providências para tentar reverter a crescente obesidade de sua tropa. As medidas foram bastante diversificadas, englobando tanto aspectos de infraestrutura como de incentivo à prática de atividades físicas regulares. Para tanto, a título de investimento, foi construído um centro de treinamento, dotado de campo de futebol, sala de musculação, pista de corrida homologada pela Federação Internacional de Atletismo, quadra polivalente, sala de lutas, laboratórios de fisiologia, piscina olímpica coberta e aquecida. Sua inauguração aconteceu em meados de 2012. Pelo fato do centro de treinamento ser localizado na região central de Brasília, o Comando adquiriu academias de musculação para 20 unidades operacionais, já instaladas e em funcionamento desde o início de 2013. Tal fato teve o condão de evitar grandes deslocamentos e proporcionar ganho de tempo ao servidor. Para incentivar os militares a se exercitarem, o advento da Lei n.° 12.086/2009 foi muito importante, pois um dos critérios para promoção a postos e graduações passou a considerar a aptidão física. Isto provocou a criação de uma portaria regulamentando o Teste de Aptidão Física anualmente, como critério para a ascensão funcional. Em virtude da falta de mão de obra (em decorrência da passagem para a reserva ou reforma, e da não realização de concursos públicos) no serviço operacional, foi criada a Gratificação de Serviço Voluntário remunerado, com jornada de 8 horas de trabalho para os militares que estejam no período de folga, no valor de R$ 200,00 (duzentos reais). Ademais, o bombeiro pode concorrer em até oito serviços mensais, desde que seja considerado apto no teste de aptidão física e que goze de boa saúde. Há, ainda, incentivo aos militares para participarem da corrida do fogo, realizada anualmente por ocasião do aniversário do CBMDF, com percurso de 10km. Como retribuição, é concedido um dia de folga da escala de serviço se o trajeto for completado. Além disso, outro ponto forte da Corporação é o trabalho multidisciplinar, que engloba profissionais da área de saúde, como endocrinologistas, cardiologistas, fisiologistas e fisioterapeutas; nutrição; psicologia e educação física. Tudo associado à cessão de espaço físico nas unidades operacionais, e a construção do centro de treinamento físico. Os militares, para utilizarem as academias nas unidades operacionais, necessitam realizar uma avaliação dos testes físicos com equipe especializada, visando à prevenção, anamnese, aferição de pressão arterial e glicemia. O panorama anterior, no período de 2006 a 2009, era caracterizado pela insuficiência de equipamentos de musculação, profissionais de educação física e médicos. No entanto, foram realizados investimentos na prevenção à obesidade, e liberação de recursos financeiros para a dotação da infraestrutura necessária. O resultado se evidencia na atividade operacional, com a redução do tempo resposta às ocorrências e aumento da resistência física dos servidores às atividades prolongadas de salvamento e combate a incêndio. Ressalte-se, também, que a profissão Bombeiro militar configura uma ocupação de risco, e as atividades de combate a incêndio e salvamento são extenuantes, exigindo altos níveis de aptidão física. Buscou-se investigar o efeito da obesidade e as morbidades dos bombeiros da ativa, bem como o custo econômico respectivo. As avaliações foram realizadas de 2006 a 2009, totalizando 17000 mil testes. Neste período foi possível analisar o índice de massa corporal dos militares e a correlação de hipertensão e diabetes com obesidade. Constata-se que a condição cardiorrespiratória diminui com o avançar da idade; no entanto, o declínio é atenuado nas pessoas com menor índice de massa corporal praticantes de atividades físicas, impactando significativamente sobre o declínio da obesidade. Nota-se que bombeiros mais bem preparados são propensos a manter os altos níveis de resistência, necessários para executar com segurança suas funções em atividades operacionais. Não obstante, em virtude do alto custo observado com a doença, a corporação se mobilizou para o enfrentamento da mesma, tendo realizado vários investimentos para reverter o quadro reinante no período em comento. As despesas relacionadas à obesidade têm sido estimadas com base nos custos diretos de saúde associados ao tratamento das doenças interligadas, como hipertensão e diabetes, além dos custos indiretos, como perda de produtividade. Os primeiros incluem gastos ambulatoriais, internação hospitalar, medicamentos e reabilitação. Os demais compreendem a perda de produtividade da força de trabalho, pela qual, mesmo o bombeiro que esteja em atividade, torna-se incapaz de atingir seu potencial máximo, além do absenteísmo (dias de trabalho perdidos por licença médica). A estimativa a médio e longo prazo dos custos respectivos seria de aproximadamente R$ 31.101,450 (trinta e um milhões cento e um mil e quatrocentos e cinquenta reais), no período de 3 a 5 anos caso não fossem adotadas providências de prevenção. Os investimentos realizados para reverter o problema foram de aproximadamente R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), sendo R$ 14.000.00,00 (quatorze milhões de reais) para o Centro de Treinamento e R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) para equipamentos de musculação destinados às unidades operacionais. De acordo com os dados estatísticos do CBMDF, após o advento da Lei n. 12.086/2009, houve uma considerável redução da obesidade nos anos de 2009 a 2011, com uma diminuição que totalizou nove mil quilos de gordura dos servidores. Observa-se no gráfico abaixo a estabilização e redução do peso dos bombeiros, apesar do acréscimo de idade, fator contributivo para o aumento da obesidade. Comparativo de Obesidade entre 2006 a 2009 e 2011 !" !"#$% #!&!" !" Figura 16 – Dados comparativos de obesidade Fonte: CATAF CBMDF Constata-se, ademais, que a política de enfrentamento à obesidade adotada pela Corporação, vem reduzindo a quantidade de militares com hipertensão arterial e diabetes, pelo fato dos servidores passarem a procurar tratamentos médicos, o que ocasiona um maior controle da doença. Embora o tema alimentação não seja o foco central deste trabalho, evidenciase que é um dos mais importantes componentes da saúde. É difícil, senão impossível, superar o impacto negativo de uma dieta pouco saudável somente com atividade física. A mudança nos hábitos alimentares foi fundamental para reverter a epidemia de obesidade enfrentada pelos bombeiros do Distrito Federal . O hábito alimentar tem um significado que não se limita à nutrição e proteção contra doenças. Está, outrossim, diretamente atrelado a uma melhor qualidade de vida. Observa-se que muitos quartéis estão em locais com difícil acesso a alimentos saudáveis, e alguns bombeiros enfrentam dificuldades financeiras, tornando difícil o consumo de refeições mais nutritivas. Aliado a este fato, no caso dos bombeiros do Distrito Federal não há mais refeitórios nas unidades militares, recebendo o servidor a cada mês o pagamento do auxílio alimentação diretamente em seu contracheque. Se por um lado isto significou uma economia para a Corporação, gerou-se uma maior liberdade na escolha dos alimentos, onde nem sempre o mais saudável é privilegiado, dando lugar ao “fast food” e demais opções de lanches rápidos com altos teores de açúcar e gordura. Diante da situação reinante, uma alimentação adequada pode se tornar mais distante também por influência do meio social. Não obstante, apesar dos desafios, é importante lembrar que a alimentação vai aumentar ou inibir a prontidão de um bombeiro. Nota-se que vários servidores, mesmo aqueles em circunstâncias muito difíceis, têm transformado seus hábitos e agora colhem as recompensas da melhoria da saúde. Enfim, aprender sobre nutrição e desenvolvimento de condutas alimentares saudáveis é um investimento importante para a si mesmo, para a família e para a equipe. Conclui-se que vários fatores contribuiram para o sucesso do combate à enfermidade, a saber: o advento da Lei n. 12.086/2009, os programas de reabilitação física, o plano de cargos e salários, a gratificação de serviço voluntário, o teste de aptidão física anual, bem como o acompanhamento da equipe de saúde multidisciplinar e a construção do Centro de Treinamento e instalação das academias nas unidades operacionais. 5 CONCLUSÃO Esta pesquisa levantou, por meio dos dados provenientes da Corporação, a quantidade de militares obesos mórbidos, obesos, com sobrepeso, hipertensos e diabéticos. O estudo possibilitou constatar que a obesidade é uma questão de saúde pública, caracterizada por ser uma doença crônica não transmissível, de difícil tratamento. A hipertensão acometia 7,64% do total de servidores com sobrepeso; 12,52% dos que apresentavam obesidade grau I; 16,32% dos obesos grau II; e 32% dos obesos mórbidos (a obesidade mórbida é classificada como sendo de grau III). Os valores expostos em porcentagens são provenientes da análise de dados desenvolvidos com estatística descritiva, na qual foi utilizada a mediana dos resultados do IMC. Antes da realização do TAF/2009, foi aplicado um questionário aos militares, sem necessidade de identificação, sendo que 48 dos mesmos se declararam diabéticos (ressalte-se que a maioria dos bombeiros deixou de responder à pergunta e que a quantidade citada não inclui aqueles que tiveram o teste glicêmico acima do normal) e, após a tabulação dos resultados, foi constatado que os entrevistados apresentavam os seguintes dados: 1,38% estavam com sobrepeso; 2,6% com obesidade grau I; 6% detinham obesidade grau II; e 80% obesidade mórbida. A pesquisa avaliou os dados antropométricos realizados pela Comissão de Avaliação do Teste de Aptidão Física (CATAF), no ano de 2006, em 4.042 bombeiros masculinos e femininos. Do total, 9,77% estavam obesos. Dos 4.217 bombeiros masculinos e femininos que realizaram as avaliações em 2007, 13% dos militares apresentaram obesidade. Dos 4.652 bombeiros masculinos e femininos que realizaram o Teste de Aptidão Física (TAF) de 2008, 14% também padeciam do mesmo mal, percentual que se manteve em 2009. O impacto financeiro para o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal com militares obesos, com hipertensão arterial e/ou diabetes é alto, como apresentado na estimativa de gastos com um soldado. Por consequência, o CBMDF adotou medidas preventivas de promoção à saúde, como o incentivo à prática de atividades físicas, além de fortalecer o programa de reabilitação existente na Corporação, com a aquisição de equipamentos de musculação para as unidades operacionais e a construção de um Centro de Treinamento Físico, a fim de recuperar os militares com sobrepeso e obesidade da Instituição. Outro fato relevante, foi a imposição legislativa, advinda com a Lei n.° 12.086, de 9 de novembro de 2009, na qual foi atrelada a ascensão funcional à boa condição física. Em decorrência, evidencia-se nos dados de 2011 uma tendência clara de reversão do quadro anteriormente existente, com a perda de peso e diminuição das doenças. Conclui-se que a estimativa de custos econômicos associados à falta ao serviço de militares obesos giraria em torno de aproximadamente R$ 31.101.450,00 (trinta e um milhões cento e um mil e quatrocentos e cinquenta reais), sem computar a cirurgia reparadora no valor de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais) por militar, conforme a estimativa de médio e longo prazo, no período de 3 a 5 anos, caso não fossem adotadas providências de prevenção. REFERÊNCIAS ANDRADE, C. D. Colaboradores com obesidade diante das organizações nos dias atuais. Rio de Janeiro: UCM, 2009. BAHIA, L. et al. The costs of overweight and obesity-related diseases in the Brazilian public health system: cross-sectional study. BMC Public Health, New York, v. 12, n. 440, jun. 2012. 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CO-MORBIDADE – Doenças associadas à obesidade que geralmente pioram com o aumento do grau da obesidade e melhoram quando o tratamento é bem sucedido. DISLIPIDEMIAS – são modificações dos níveis de lipídios na circulação, caracterizando qualquer alteração envolvendo o metabolismo lipídico. ÍNDICE DE MASSA CORPORAL – Medida de obesidade útil, embora grosseira, em nível populacional. Estima a prevalência de obesidade em uma população e os riscos associados a ela. Calcula-se o IMC pela seguinte fórmula IMC = Peso (kg) / Altura² (m²). OBESIDADE MÓRBIDA – Obesidade na qual o paciente possui IMC igual ou acima de 40 Kg /m². É classificada como obesidade de grau III. SÍNDROME METABÓLICA – Conjunto de alterações incluindo a hipertensão arterial sistêmica e a resistência insulínica com as consequentes alterações no metabolismo da glicose. TROCANTER - é a designação dada a cada uma das proeminências ósseas da parte superior do fémur da maioria dos mamíferos, incluindo os humanos. A designação é também aplicada a um dos segmentos em que se devide a perna dos artrópodes, localizada entre a coxa e o fémur.