

ROSENKRANZ MACIEL NOGUEIRA
ESTIMATIVA DOS CUSTOS ECONÔMICOS CAUSADOS
PELA OBESIDADE NO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR
DO DISTRITO FEDERAL (CBMDF): EXPERIÊNCIA DE
ENFRENTAMENTO À DOENÇA.

Trabalho de conclusão de curso – Monografia
apresentada ao Departamento de Estudos da
Escola Superior de Guerra como requesito à
obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos
de Política e Estratégia.
Orientador: Engenheiro Simon Rosental
Rio de Janeiro
2013


C2013 ESG
Este trabalho, nos termos de legislação que
resguarda os direitos autorais, é considerado
propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE
GUERRA (ESG). É permitido a transcrição
parcial de textos do trabalho, ou mencionálos, para comentários e citações, desde que
sem propósitos comerciais e que seja feita a
referência bibliográfica completa.
Os conceitos expressos neste trabalho são de
responsabilidade do autor e não expressam
qualquer orientação institucional da ESG
_________________________________
Rosenkranz Maciel Nogueira
Biblioteca General Cordeiro de Farias
Nogueira, Rosenkranz Maciel.
O impacto econômico do absenteísmo de militares obesos do Corpo
de Bombeiros Militar do Distrito Federal / Pós-graduado - Rosenkranz
Maciel Nogueira. - Rio de Janeiro: ESG, 2013.
48 f.: il.
Orientador: Engenheiro Simon Rosental.
Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada ao
Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à
obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia
(CAEPE), 2013.
1. Absenteísmo. 2. Diabetes. 3. Obesidade. 4.Hipertensão. 5. Custos
econômicos. 6. Militares.I. Título


RESUMO
A obesidade é considerada um problema de saúde pública, o qual tem se proliferado
como uma epidemia mundial. O CBMDF também enfrenta esse problema e observa
as suas consequências negativas em vários momentos, as quais variam desde a
falta do militar ao trabalho; sua limitação física para atuar, principalmente, na
atividade-fim; até complicações na saúde, como o aparecimento do diabetes e da
hipertensão. Tais problemas acarretam uma sobrecarga para outros militares, que
passam a desempenhar a função de seu colega, além de ocasionar um maior
dispêndio financeiro, pois o tratamento é oneroso para a Instituição. A proposta
deste trabalho é avaliar o impacto financeiro do problema aos cofres públicos,
pretendendo responder à seguinte pergunta: Quais são os custos econômicos
associados à falta ao serviço operacional de militares obesos do Corpo de
Bombeiros Militar do Distrito Federal? Para isso, foram analisados os dados
recolhidos nos Testes de Aptidão Física de 2006 a 2009, para levantar a quantidade
de militares com sobrepeso, obesidade e obesidade mórbida, mensuradas pelo IMC
e ICQ, portadores de diabetes e hipertensão, a fim de projetar prejuízos em relação
à falta do militar ao serviço. Com a pesquisa, percebe-se que o número de
bombeiros obesos vem crescendo, assim como os afastamentos médicos
relacionados às co-morbidades provocadas pela doença. O problema está sendo
enfrentado por meio de políticas públicas adotadas pelo Comando da Corporação
com investimentos em infraestrutura (centro de treinamento e academias) e incentivo
à prática regular de atividades físicas, como formas de recuperação da saúde dos
militares.
Palavras-chave:
Absenteísmo.
econômicos. Militares.
Diabetes.
Obesidade.
Hipertensão.
Custos


ABSTRACT
Obesity is considered a public health problem, which has proliferated to a worldwide
epidemic. The Corps of Military Firefighters of the Federal District of Brazil (CBMDF)
is also facing and experiencing negative consequences of this problem, which range
from absenteeism and lack of productivity at work to individual health complications
such as diabetes and hypertension. These problem can create an increased burden
for other military members resulting in them completing the function of their
colleagues, as well as creating additional financial cost since the treatment of this
condition is burden some for the institution. The purpose of this work is to evaluate
the financial impact of using public funds to confront this problem , specifically :
What are the economic costs associated with the inability to complete operational
service by obese members of the CBMDF? Data collected from physical optitude
tests from 2006 to 2009, were analyzed in order to identify the quantity of
overweight, obese and morbidly obese military personal using (BMI and WHR), as
well as, identifying these that suffer from diabetes and hypertension with the goal of
projecting future loss of personnel and resources. Through research, it is clear that
the number of military firefighters is increasing, as well as the medical leaves of
absence due to problems of obesity. This problem is corrently being addressed
through public policies adopted by the Command through investment in infrastructure
(training center and gyms) and encouraging the practice of regular physical activity,
as a method to improve the health of its military firefighters.
Keywords: Absenteeism. Diabetes. Obesity. Hypertension. Economic costs. Military.


SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO........................................................................................
6
2
METODOLOGIA ......................................................................................
10
3
DISCUSSÃO TEÓRICA/MARCO TEÓRICO ..........................................
12
3.1
OBESIDADE ............................................................................................
13
3.2
DIAGNÓSTICO DA OBESIDADE .............................................................
14
3.3
OBESIDADE E OUTROS FATORES DE RISCO .....................................
17
3.3.1 Pressão arterial........................................................................................
17
3.3.2 Diabetes ...................................................................................................
17
4
RESULTADOS E DISCUSSÕES..............................................................
19
4.1
PORCENTAGEM DE GORDURA – OBESO ............................................
22
4.2
ÍNDICE
DE
CINTURA
QUADRIL
E
SUA
RELAÇÃO
COM
COMPLICAÇÕES METABÓLICAS DE ALTO RISCO E RISCO MUITO
ALTO .........................................................................................................
23
4.3
MILITARES COM SOBREPESO E HIPERTENSOS ................................
31
4.4
MILITARES DIABÉTICOS ........................................................................
34
4.5
ESTIMATIVAS DE CUSTOS COM OBESIDADE .....................................
34
4.6
O IMPACTO NO SERVIÇO OPERACIONAL ...........................................
37
4.7
CENÁRIO
5

ATUAL
DO
CBMDF
QUANTO
AO
COMBATE
À
OBESIDADE .............................................................................................
39
CONCLUSÃO ...........................................................................................
44
REFERÊNCIAS ........................................................................................
46
GLOSSÁRIO .............................................................................................
48


1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa visa analisar a obesidade nos bombeiros militares e
avaliar o impacto financeiro que ela acarreta em relação ao absenteísmo de militares
do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Afastamentos para
tratamento das patologias causadas, em especial, a hipertensão e a diabetes, bem
como as limitações dos militares acometidos pela doença causam prejuízos à
Corporação, não só pela falta desses militares ao serviço, como pela sobrecarga dos
outros servidores que precisam trabalhar mais para compensar as dificuldades
motoras de seus companheiros.
Em levantamentos realizados pela Seção de Auditoria da Diretoria de
Saúde, foram traçadas estimativas de gastos provenientes da impossibilidade de o
militar atuar na atividade de bombeiro, pela redução de produtividade, do
absenteísmo devido à doença ou à incapacidade e pela perda de um profissional
qualificado.
Embora pareça, num primeiro momento, que os gastos com a enfermidade
estão atrelados apenas à cirurgia e aos custos com tratamentos clínicos e médicos,
deve-se acrescentar a falta do militar ao trabalho, bem como suas limitações
operacionais, o que, de certa forma, onera ainda mais o custeio respectivo.
Os custos médicos e operacionais são altos e se apresentam de modo direto
e indireto. Os primeiros concernem ao impacto financeiro. Os demais abordam a
perda de produtividade e o absenteísmo devido à doença ou à incapacidade para
atividades físicas prolongadas em situações de socorro.
Esta pesquisa fez estimativas de prejuízos com o afastamento de militares
da atividade operacional para tratamento da doença e das anormalidades
decorrentes (hipertensão arterial e diabetes mellitus 2).
O alto custo econômico do absenteísmo associado à obesidade, o que pode
ser particularmente verdadeiro entre militares do Corpo de Bombeiros Militar do
Distrito Federal (CBMDF), onde a síndrome, associada a diferentes doenças
crônicas não-transmissíveis, pode resultar em maiores níveis de incapacidade para
o trabalho.
A falta de uma política de saúde preventiva para tratamento dos bombeiros
militares obesos, no período compreendido entre 2006 a 2009, que também


apresentavam hipertensão e diabetes mellitus, representou um elevado custo para
tratamento dessas patologias para o sistema de saúde da Policlínica do CBMDF.
O absenteísmo, além de prejudicar o próprio bombeiro militar, atinge os
demais militares em atividade, pois ficam sobrecarregados, podendo correr riscos
que a eles não estariam normalmente destinados.
Diante desse quadro, esta pesquisa procura levantar quais são os custos
econômicos associados à falta ao serviço operacional de militares com obesidade do
Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
Na Antiguidade, ser "gordo" era considerado sinal de sucesso; enquanto
que, para a Igreja Católica, isto era visto como consequência do pecado capital da
gula. Na atualidade, a obesidade é considerada um caso de saúde pública
(ANDRADE, 2009).
A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2011) a reputa como uma doença
epidêmica. Segundo projeções da OMS, em 2015, cerca de 2,3 bilhões de adultos
estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos.
As estatísticas brasileiras também a alocam como um problema de saúde
pública, conforme afirma o Dr. Márcio Mancini, Presidente da Associação Brasileira
para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO): “O excesso de
peso acomete 40% da população brasileira, aumentando o risco de doenças como
pressão alta, diabetes, colesterol alterado, entre outras” (CASTRO, 2009, p. 2).
No Brasil, na última década, os números da síndrome aumentaram
significativamente. Em 2006, o percentual de indivíduos com excesso de peso
estava em 42,7% e em 2009 este valor foi para 48,1%. Com relação aos obesos,
essa variação foi de 11,4% (2006) para 15,0% (2009).
Para a indicação da cirurgia bariátrica, o indivíduo precisa ser considerado
obeso mórbido. Em tais casos, já são comuns problemas de saúde, às vezes
crônicos, como o diabetes mellitus, arteriosclerose, entre outros. A cirurgia nem
sempre garante um indivíduo saudável, mas o mais próximo possível desse ideal
(TELES, 2013).
Conforme o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia no Distrito Federal, Neuton Dornelas Gomes, “os pacientes com
obesidade mórbida podem ser comparados a portadores de necessidades especiais,
por terem problemas de resistência física e locomoção” (CORREIO BRAZILIENSE,
2009, p. 16).


O absenteísmo de bombeiros na atividade operacional, em decorrência da
doença, é grande no Distrito Federal. Conforme dados estatísticos da Comissão de
Aplicação do Teste de Aptidão Física (CATAF), resultantes da avaliação dos
bombeiros militares em 2006, a enfermidade, em seu grau mais moderado, atingia
25% e a com grau de obesidade chegava a 9% do total (ressalte-se que os militares
estavam na ativa, com faixa etária compreendida de 30 a 55 anos). Em 2008, o
número de bombeiros militares com a doença aumentou para 34% no Distrito
Federal.
Esse preocupante incremento no número de obesos em um período de
apenas dois anos, fundamenta a necessidade de mais avaliações sobre o impacto
da obesidade entre os bombeiros militares do Distrito Federal. Nesse contexto, uma
análise de cunho econômico poderá subsidiar eventuais políticas de intervenção,
com vistas ao melhor controle do problema.
Além da inevitável preocupação com as repercussões financeiras, há
também um olhar com a saúde dos bombeiros militares, que desempenham as suas
atividades operacionais e que, por isso, necessitam de resistência e saúde física. É
possível constatar a necessidade do vigor físico, para atender às seguintes
atribuições que o CBMDF deve desenvolver, de acordo com a Lei de Organização
Básica (Lei n.° 8.255, de 20 de novembro de 1991):
Art. 1º. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, organizado com
base na hierarquia e na disciplina, em conformidade com as disposições
contidas no Estatuto dos Bombeiros Militares da Corporação, destina-se a
realizar serviços específicos de bombeiros na área do Distrito Federal.
Art. 2°. Compete ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal:
I - realizar serviços de prevenção e extinção de incêndios;
II - realizar serviços de busca e salvamento;
III - realizar perícias de incêndio relacionadas com sua competência;
IV - prestar socorros nos casos de sinistros, sempre que houver ameaça de
destruição de haveres, vítimas ou pessoas em iminente perigo de vida;
V - realizar pesquisas técnico-científicas, com vistas à obtenção de produtos
e processos, que permitam o desenvolvimento de sistemas de segurança
contra incêndio e pânico;
VI - realizar atividades de segurança contra incêndio e pânico, com vistas à
proteção das pessoas e dos bens públicos e privados;
VII - executar atividades de prevenção aos incêndios florestais, com vistas à
proteção ambiental;
VIII - executar as atividades de defesa civil;
IX - executar as ações de segurança pública que lhe forem cometidas por
ato do Presidente da República, em caso de grave comprometimento da
ordem pública e durante a vigência do estado de defesa, do estado de sítio
e de intervenção no Distrito Federal (DISTRITO FEDERAL, 1991, p. 1).



Como não poderia ser diferente, esta pesquisa avaliará os testes e
questionários que foram aplicados pela CATAF e levantará os gastos com cirurgias
bariátricas, consultas médicas e medicamentos para tratamento dos bombeiros
militares acometidos pela enfermidade. Enfim, o eixo principal é reunir elementos
que possam responder, de alguma forma ao problema formulado. Para isso, o
objetivo principal deste estudo é estimar o custo financeiro do absenteísmo entre
bombeiros militares obesos, no âmbito do CBMDF.
Além disso, também são objetivos secundários: comparar a presença de comorbidades, como hipertensão e diabetes mellitus, entre bombeiros militares obesos
e não obesos no âmbito do CBMDF; estimar os gastos causados para a área
operacional com militares dispensados da escala de serviço por problemas médicos
relacionados à obesidade; e apresentar dados comparativos de militares com
obesidade dos anos de 2006 a 2009.
Essas informações são importantes, não só em termos financeiros, mas
também de políticas de saúde, pois os dados preliminares mostram que a
hipertensão arterial e diabetes mellitus já fazem parte da realidade dos militares da
ativa do CBMDF. Levantar os gastos gerados para enfrentamento desse óbice de
saúde pública no âmbito da Corporação também possui sua relevância, pois deste
modo é possível gerir melhor as despesas, estabelecer convênios e procurar
medidas preventivas para evitar o mal antes que ele se estabeleça, no caso de ser
detectada uma tendência no padrão de crescimento de portadores de obesidade.


2 METODOLOGIA
Trata-se de estudo bibliográfico, cuja população pesquisada é de bombeiros
militares do Distrito Federal que participaram dos testes de aptidão física em 2006 a
2009. As aferições foram feitas no período matutino sempre com os mesmos
avaliadores (monitores formados em educação física), os quais utilizaram o
protocolo de Guedes e de outras avaliações como a medida da cintura-quadril;
aferição da pressão arterial e medida de peso e altura. Ressalta-se que o teste de
aptidão física é obrigatório a todos os militares da ativa, sem restrições médicas,
dessa forma, praticamente todos os militares são examinados nesse período ou na
segunda chamada, a qual visa avaliar os militares que, no primeiro momento, se
encontram com afastamento temporário ou restrições médicas episódicas. As
avaliações relacionadas ao estudo antropométrico dos militares foram incorporadas
ao TAF desde 2006, as quais passaram também a ser obrigatórias.
A não execução do TAF e, consequentemente, da avaliação antropométrica,
implica uma série de limitações ao militar dentro da Corporação, como, por exemplo,
impossibilidade de entrar no quadro de acesso (para oficiais e praças) e de realizar
quaisquer cursos na Corporação. Tais medidas acabam fazendo com que a
participação no teste seja praticamente massiva por parte de militares do CBMDF.
Todavia os bombeiros militares hipertensos ou aqueles nos quais se constata
alteração da pressão arterial na aferição, antes da realização do TAF, são impedidos
de continuar os exames físicos por questão de segurança, sendo então
encaminhados à Policlínica do CBMDF para avaliação médica.
As avaliações foram realizadas em oficiais e praças no Centro de
Treinamento
Operacional
e
no
Centro
de
Especialização
Formação
e
Aperfeiçoamento de Praças. Sendo 4.042 avaliações realizadas no primeiro
semestre de 2006. Em 2007, foram 4.217 militares. Em 2008, o número é 4.652
bombeiros e; em 2009, foram avaliados 4.215 militares.
A avaliação antropométrica é composta da aferição do percentual de gordura
por meio da medição de três dobras cutâneas (no homem corresponde às medidas
do tríceps, supra-ilíaca e abdominal; nas mulheres, são medidas a coxa, supra-ilíaca
e subescapular), de acordo com o protocolo de Guedes (1996), o qual foi escolhido
por ter sido desenvolvido com as características da população brasileira. Além de


utilizar o Índice de Massa Corporal (IMC) que é o método de referência que serve de
parâmetro para determinar os diferentes níveis de obesidade. O IMC superior a 25
implica excesso de peso; o militar com índice superior a 40 encontra-se num nível de
obesidade grau III, designada como obesidade mórbida.
Na pesquisa, foi adotado o critério de Índice de Massa Corporal (IMC) maior
ou igual 30 kg por metro elevado ao quadrado para classificação como obeso.
Na avaliação da pressão arterial foram considerados hipertensos os
bombeiros que declararam na entrevista ser hipertensos e os militares, que na
aferição, apresentaram valores acima de 140/90 mmHg.
Conforme Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de
material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.
Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa
natureza,
há
pesquisas
desenvolvidas
exclusivamente
a
partir
de
fontes
bibliográficas.
A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao
investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que
aquela que poderia pesquisar diretamente. Nessa linha, parte dos estudos
exploratórios pode ser definida como pesquisas bibliográficas, o que facilita o
levantamento dos dados documentais das fichas individuais de avaliações, artigos
científicos sobre obesidade e monografias do CBMDF sobre o assunto.
Quanto aos dados utilizados nesta pesquisa, ele consiste de todos os
bombeiros
militares
do
Distrito
Federal
que
participaram
das
avaliações
antropométricas de 2006 a 2009. Conforme Barbetta (2002), quando o tamanho da
amostra é grande em relação ao tamanho da população, ou quando se exige o
resultado exato, ou quando já se dispõe dos dados da população, é recomendado
realizar um censo, que considera todos os elementos da população, o que foi feito
nesta pesquisa.
Ressalta-se que a amplitude da pesquisa terá o método dedutivo. Conforme
Gil (2008), é o método que parte do geral e, a seguir, desce ao particular. Parte dos
princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis possibilita chegar a
conclusões de maneira puramente formal.


3 DISCUSSÃO TEÓRICA/MARCO TEÓRICO
Antigamente, acreditava-se que, com o desenvolvimento tecnológico, o
homem teria mais tempo para realizar atividades físicas e uma alimentação
balanceada e saudável. Entretanto, as facilidades do mundo moderno, como
eletrodomésticos, telefone celular, computador, internet, fax e os meios de
transportes tornaram o dia a dia das pessoas mais fácil. Tal fato teve o condão de
tornar o homem acomodado, ou seja, fez com que ele deixasse de realizar
caminhadas e fazer exercícios físicos. Aliado a isso, observou-se um incremento na
renda familiar e uma maior facilidade na compra de produtos alimentícios
industrializados e a chamada “fast food”, em substituição às refeições tradicionais
(DIAS, 2009).
O estudo do tema proposto justifica-se pela situação que é constatada por
meio de todas as estatísticas brasileiras: problemas com a obesidade originam
outros entraves, que diminuem a qualidade de vida e põem em risco essa mesma
vida, pois 95% dos afetados pela doença apresentam hipertensão, diabetes melittus,
apneia do sono, depressão e doenças vasculares e nas articulações (ARRUDA,
2009, p. 1).
Nesse aspecto, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF),
que sempre primou pelo condicionamento físico de seus militares (os quais têm
como missão-fim salvar vidas, extinguir incêndios e proteger os bens patrimoniais),
se preocupa com as doenças denominadas da era moderna.
Ainda para dimensionar o problema, destaca-se que a Resolução n.°
1.942/2010, do Conselho Federal de Medicina, estabelece que pacientes com índice
de massa corpórea acima de 40 quilos, que desenvolvem doenças que ameacem a
vida (como diabetes melittus, apnéia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia,
doença coronária, osteoartrites), devem ser tratados como obesos mórbidos.
O presente estudo apontará os grupos em que se concentram a maior
quantidade de militares acometidos pelo excesso de peso, diabéticos e hipertensos,
bem como o impacto financeiro advindo da falta desses militares ao serviço, a fim de
auxiliar quanto às medidas preventivas e profiláticas a serem adotadas para
recuperar os militares com obesidade, visando à redução de faltas ao serviço.


Para realização deste estudo, é necessário delimitar o conceito de
obesidade e relacioná-lo ao contexto atual, desfazendo mitos que envolvem o
assunto,
caracterizando-o
como
um
problema
associado
à
atualidade,
à
modernidade e à má alimentação, bem como à prática insuficiente de atividade
física, a qual pode atingir qualquer pessoa, independente de sua condição
socioeconômica.
Configura-se como uma doença crônica de difícil tratamento, sendo um
importante problema de saúde pública, que afeta mais de 300 milhões de pessoas
em todo o mundo. A disponibilidade de uma dieta com altos teores energéticos e
estilo de vida sedentário são os fatores ambientais mais associados à prevalência
aumentada de obesidade (SHARMA, 2005).
Observa-se que ela não é um problema exclusivo dos países desenvolvidos;
ao contrário, afeta porções crescentes dos estratos de populações menos
privilegiadas. Em países europeus e norte-americanos, pesquisas nacionais indicam
sua prevalência aumentada na população adulta (KUCZMARSKI et al., 1994; KAC;
MELENDEZ, 2003). E, em outras regiões, apesar da carência de informações
representativas em âmbito nacional, dados disponíveis sugerem que o mal está
aumentando a uma taxa alarmante e que tende a se tornar o principal problema de
saúde, tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento
(BOYLE et al., 1994; MONTEIRO et al, 1995; POPKIN; DOAK, 1998).
A alimentação inadequada e o sedentarismo também atingem países em
desenvolvimento, como o Brasil, onde a denominada transição nos padrões
nutricionais (ocidentalização desses padrões), com decorrente redução da
desnutrição e aumento da obesidade foram identificados (MONTEIRO et al., 1995).
Nas últimas décadas, vários estudos confirmaram seu aumento em todas as
faixas etárias e em diversos países. Crianças e adolescentes obesos tendem a se
tornar
adultos
com
a
mesma
característica
(aproximadamente
80%
dos
adolescentes obesos tornam-se adultos obesos) (COLDITZ, 1999).
3.1 OBESIDADE
Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é uma
doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus


capazes de afetar a saúde, tanto mais que, uma vez instalada, tende a perpetuar-se,
constituindo-se como uma verdadeira doença crônica (OMS, 1999).
Pode ser considerada como um acúmulo de tecido gorduroso, regionalizado
ou em todo o corpo, causado por doenças genéticas ou endócrino-metabólicas ou
por alterações nutricionais. O estilo de vida também tem se mostrado fator crítico no
desenvolvimento da obesidade, associando alimentação inadequada e atividade
física insuficiente (DAMIANI; CARVALHO; OLIVEIRA, 2000).
Suas principais causas são genéticas e ambientais. A diminuição dos gastos
energéticos associada aos atuais hábitos alimentares com excesso de gorduras e
carnes, e com pouca ou nenhuma fibra, são os principais responsáveis pelo elevado
índice existente, gerando muitas consequências para a saúde física e psicológica
(GUYTON; HALL, 2006).
Conforme os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção
para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que entrevistou 54.339
adultos, residentes nas 27 capitais. O Vigitel é realizado anualmente, desde 2006,
pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e
Saúde da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP).
O resultado da pesquisa apontou que quase metade da população adulta
(48,1%) está acima do peso e 15% são obesos. Há cinco anos, a proporção era de
42,7% para excesso de peso e 11,4% para obesidade. Se for considerada somente
a população masculina, mais da metade dos homens está acima do peso (52,1%).
Entre as mulheres, a proporção é de 44,3%, com aumento significativo nos dois
sexos. Em 2006, a pesquisa apontava excesso de peso em 47,2% dos homens e em
38,5% das mulheres.
3.2 DIAGNÓSTICO DA OBESIDADE
Para se diagnosticar um indivíduo como obeso, utilizam-se dois índices: o
Índice de Massa Corporal (IMC) e o Índice de Cintura Quadril (ICQ), os quais são
considerados, por profissionais de saúde, como muito confiáveis e de fácil utilização.
De acordo com Pereira (1995), o Índice de Massa Corporal (IMC) ou índice
de Quetelet é reconhecido como padrão internacional para avaliar o grau de


obesidade, cujo cálculo é feito pela divisão do peso do indivíduo estabelecido em
quilogramas pela altura elevada ao quadrado, conforme a fórmula abaixo. Na
prática, a obesidade é calculada a partir do IMC, que é o peso em quilogramas
dividido pelo quadrado da altura em metros.
IMC = P / A²
O índice de cintura quadril, uma das medidas antropométricas mais usadas,
é a razão cintura-quadril, denotado por um indicador da distribuição do tecido
adiposo e preditor de doenças.
A Organização Mundial da Saúde preconiza o IMC para classificação da
enfermidade em nível populacional. Esse critério retrata a razão entre o peso do
indivíduo expresso em quilogramas e o quadrado da altura, expresso em metros.
Cada indivíduo, na população, é pesado e medido, anotando-se os
respectivos valores de peso e altura para que o IMC possa ser computado. O
sobrepeso é definido por muitos especialistas como um valor igual ou superior a 25
kg/m².
Para Pereira (1995), a caracterização da obesidade exigiria um IMC igual ou
superior a 30.
Segue abaixo a tabela que relaciona a categoria, o Índice de Massa Corporal
e o risco de co-morbidades.
Categoria
IMC
Risco de complicações
Abaixo de 18,5
Baixo
Peso normal
18,5 – 24,9
Médio
Pré-obeso
25,0 – 29,9
Ligeiramente aumentado
Obeso classe I
30,0 – 34,9
Moderado
Obeso classe II
35,0 - 39,9
Grave
Obeso classe III
 40,0
Muito grave
Abaixo do peso
Tabela 1: relação entre categoria de obesidade, o IMC e o risco de co-morbidades
Fonte: OMS (1999).
Além do IMC, existe a avaliação de dobras cutâneas para diagnosticar o
excesso de peso. O método mais utilizado é o proposto por Guedes (1994), o qual
determina o percentual de gordura, por meio da aferição de três dobras cutâneas em


homens (tríceps, supra-ilíaca e abdômen) e em mulheres (subescapular, supra-ilíaca
e coxa).
O cálculo do percentual de gordura por meio da densidade corporal utiliza:
Porcentagem de gordura= [(4,95/DC)- 4,50] × 100
Segundo a OMS, homens com percentual de gordura acima de 25% e
mulheres acima de 30% são considerados portadores do mal, com risco para a
saúde, conforme a tabela a seguir.
CLASSIFICAÇÃO
HOMENS (% gordura)
MULHERES (% gordura)
BAIXO
5-7
8-11
IDEAL
8-13
12-17
SAUDÁVEL
14-18
18-23
GORDO
20-25
24-29
OBESO
>25
>30
Tabela 2: porcentagem de gordura em relação ao sexo.
Fonte – OMS (1998).
O excesso de adiposidade corporal influencia o risco de doenças. Numa
igual quantidade de gordura, o risco para a saúde pode divergir se a mesma se
acumula na metade superior do corpo, se é localizada profundamente no abdome ou
se predomina na metade inferior do corpo.
Para uma distinção prática, adota-se como referência o nível do umbigo. Se
a gordura predomina acima dele, chama-se “obesidade superior”, conhecida por
andróide ou em forma de maçã. Se a gordura predomina abaixo da metade inferior
do corpo, denomina-se ginóide ou em forma de pêra. Para quantificá-la, utiliza-se a
relação cintura-quadril, o perímetro da cintura ou a medida do diâmetro sagital do
abdome.


3.3 OBESIDADE E OUTROS FATORES DE RISCO
3.3.1 Pressão arterial
A pressão alta ou hipertensão é associada às co-morbidades provenientes
do aumento do peso. Ela também é um dos males que mais provoca a mortalidade
de indivíduos em idade economicamente ativa ou a incapacidade física permanente.
Dentro desse contexto, é necessário delimitar o que está sendo considerado como
hipertensão, partindo dos valores normais estabelecidos pela Medicina, bem como
perceber como esse sinal vital funciona no organismo humano.
Conforme Simão (2003), pressão arterial pode ser considerada como sendo
o produto do volume sistólico pela resistência periférica total, sendo regulada por
uma complexa interação de fatores neurais, metabólicos, cardiovasculares e
hormonais. Quando elevada cronicamente, como na hipertensão, torna-se um fator
de risco independente para a doença coronariana, associando-se a muitas outras
desordens cardiovasculares.
A associação entre obesidade e hipertensão já foi reconhecida há algum
tempo. Quando pacientes hipertensos são comparados a indivíduos normais, uma
das maiores diferenças encontradas tem sido um aumento de prevalência de
obesidade.
Além disso, no estudo de Framingham apud Halpen (1998), 70% dos casos
de hipertensão em homens e 61% nas mulheres, puderam ser diretamente
atribuídos ao excesso de adiposidade. Nesse estudo, foi calculado que, para cada
quilograma de peso ganho, a pressão arterial sistólica eleva-se, em média, 1 mmHg
(milímetro de mercúrio). Por outro lado, vários estudos demonstraram claramente
que a redução de peso, mesmo quando modesta, traz benefícios ao paciente
hipertenso não só no que diz respeito à redução dos níveis pressóricos, como
também no que diz respeito à melhora de outras condições frequentemente
associadas à obesidade como o diabetes tipo 2 e a hiperlimia.
3.3.2 Diabetes
A obesidade aumenta o risco de diabetes tipo 2 por induzir maior resistência
à insulina na sua ação de estimular perifericamente a captação de glicose,


componente importante do diabetes tipo 2. Ante a condição de resistência à insulina,
numa primeira fase, o pâncreas responde aumentando sua secreção e gera uma
condição de hiperinsulinemia. Quando essa maior quantidade de insulina secretada
se mostra insuficiente para vencer o estado diabético, a redução de peso nos
indivíduos obesos diminui a resistência à insulina e, consequentemente, eleva o
risco de desenvolvimento do diabetes.
Para Golay (1994), a presença do diabetes favorece o desenvolvimento de
doença cardiovascular, uma vez que a exposição prolongada a níveis elevados de
glicose no sangue provoca lesões no coração e no sistema vascular, o que, por sua
vez, provocam alterações em órgãos como sistema nervoso, retina e rins. De acordo
com a American Heart Association, mais de 80% dos indivíduos com diabetes tipo 2
morrem em consequência de derrame cardiovascular.


4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A população estudada no presente trabalho é economicamente ativa, de acordo
com os padrões brasileiros (a idade média é de 37,6 anos), a qual apresenta o seguinte
quantitativo de bombeiros com peso normal, sobrepeso e obesidade, conforme mostram os
gráficos 1 e 2.
N= 4042
N = 4217

Figura 1: Gráfico com a quantidade de militares com peso normal, sobrepeso e obesidade.
Fonte: o autor.
Constata-se que o número de bombeiros que realizaram as avaliações
antropométricas em 2006 para 2007 aumentou em 4,2%. Quanto à quantidade de
militares com obesidade grau I, IMC  30, houve um aumento de 16%.
Percebe-se que a quantidade de avaliados com sobrepeso é maior em
relação aos servidores com peso normal (IMC até 24,9). De 2006 para 2007, houve
um aumento de 17,2% no número de acometidos com sobrepeso (IMC  25).
O gráfico da Figura 2 trata a mesma população nos anos 2008 e 2009.


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
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

Figura 2: Gráfico com a quantidade de militares com peso normal, sobrepeso e obesidade em
2008/2009.
Fonte: o autor.
Observa-se uma diminuição de 9,4% em relação ao número de bombeiros
que realizaram as avaliações antropométricas de 2008 para 2009. Quanto aos que
apresentam obesidade grau I (IMC  30), houve uma diminuição de 11,1%.
A segunda chamada das avaliações de 2009 foi realizada em outubro, para
os militares que faltaram por motivos justificados.
Percebe-se que a quantidade com sobrepeso é maior em relação àqueles
com peso normal (IMC até 24,9) dos que realizaram o teste em 2008 e 2009.
O Índice de Massa Corporal da tabela a seguir se refere aos bombeiros com
sobrepeso (IMC  25), avaliados de 2006 a 2009, sendo os dados do primeiro
semestre dos anos especificados.
ANO/
TOTAL DE
 MILITARES
SEMESTRE
SOBREPESO
2006/1
4042
1841
 SOBREPESO
HIPERTENSOS
431
 SOBREPESO
DIABÉTICOS
Não houve
2007/1
4217
2222
107
Não houve
2008/1
4652
2184
209
Não houve
2009/1
4215
1952
87
27
Tabela 3 – quantidade de militares com sobrepeso hipertensos e diabéticos
Fonte – CATAF (2006-2009).


Observa-se que, de 2006 para 2007, houve um aumento de militares com
sobrepeso e, em 2008, uma diminuição de bombeiros com sobrepeso, portanto,
constata-se um aumento de obesos grau I, no ano de 2008. Quanto à hipertensão, o
índice diminuiu de 2006 para 2007, mantendo-se estável de 2008 para 2009.
Analisando os dados relacionados da CATAF/2009, gera-se a Tabela 4, na
qual é constatado o número de militares com obesidade grau I:
ANO/

 OBESOS
 OBESOS
SEMESTRE
MILITARES
HIPERTENSOS
DIABÉTICOS
2006/1
4042
352
123
Não houve
2007/1
4217
474
51
Não houve
2008/1
4652
557
71
Não houve
2009/1
4215
501
28
 OBESOS
13
Tabela 4: relação de militares com obesidade grau I, hipertensos e diabéticos
Fonte – CATAF (2006-2009).
Observa-se que, em 2009, houve uma diminuição de 9,4% no número de
servidores que deixaram de realizar as avaliações antropométricas em relação ao
ano anterior.
Percebe-se o aumento de obesos do grau I, de 2006 a 2008 (IMC  30);
quanto à hipertensão, também houve um acréscimo de 16,4% entre 2008 e 2009.
Nos dados a seguir transcritos, evidenciamos a relação de militares com
obesidade grau II e as respectivas doenças.
ANO/
SEMESTRE
2006/1

MILITARES
4042
38
 OBESOS
HIPERTENSOS
11
 OBESOS
DIABÉTICOS
Não houve
2007/1
4217
49
6
Não houve
2008/1
4652
60
11
Não houve
2009/1
4215
49
4
3
 OBESOS
Tabela 5: relação de militares com obesidade grau II, hipertensos e diabéticos
Fonte – CATAF (2006-2009).
Na seguinte, apresentam-se os casos relacionados à obesidade mórbida.
ANO/
SEMESTRE
2006/1
4042
 OBESO
MÓRBIDO
56
 OBESO
HIPERTENSO
3
 OBESOS MÓRBIDOS
DIABÉTICOS
Não houve
2007/1
4217
7
2
Não houve
2008/1
4652
7
3
Não houve
2009/1
4215
5
1
4
 MILITARES
Tabela 6: relação de militares com obesidade mórbida, hipertensos e diabéticos
Fonte – CATAF (2006-2009).


O Índice de Massa Corporal da Tabela 6 se refere aos bombeiros militares
com obesidade mórbida (IMC  40), avaliados de 2006 a 2009, sendo todos os
dados colhidos no primeiro semestre dos anos especificados.
Observa-se que, em 2009, houve uma diminuição de obesos mórbidos,
entretanto, não houve como constatar se foi por motivo de dispensa médica,
ausência nas avaliações ou redução do IMC nos militares dessa classificação.
Constata-se diminuição de obesos mórbidos de 2006 a 2008; quanto à
hipertensão, houve uma diminuição de 2006 para 2007.
4.1 PORCENTAGEM DE GORDURA
Conforme já demonstrado no item 7.2, o cálculo do percentual de gordura,
por meio da densidade corporal, utiliza a fórmula:
Porcentagem de gordura = [(4,95/DC)- 4,50] × 100
As medidas de dobras cutâneas foram realizadas também nas avaliações
antropométricas de 2006 a 2009, sendo a metodologia adotada neste estudo o
protocolo de Guedes (1994), utilizado para determinar o percentual de gordura, no
qual são mensuradas três dobras cutâneas (em homens: tríceps, supra-ilíaca e
abdômen e em mulheres: subescapular, supra-ilíaca e coxa).
Em 2007, foram avaliados 4.217 bombeiros, sendo 4.012 homens e 205
mulheres.
Seguem as tabelas, referentes ao quantitativo com obesidade e sua
respectiva classificação, conforme critérios da OMS:
ANO/SEMESTRE
 MILITARES
TOTAL DE OBESO
2006/1
4042
668
2007/1
4217
516
2008/1
4652
639
2009/1
4215
523
Tabela 7: Quantidade de militares obesos
Fonte – CATAF (2006-2009).


SEXO
TOTAL
BAIXO
IDEAL
SAUDÁVEL
GORDO
OBESO
HOMENS
4012
44
288
1094
1843
735
MULHERES
205
0
1
39
106
79
TOTAL
4217
44
289
1134
1945
794
Tabela 8: Classificação dos militares pelo percentual de gordura
Fonte – CATAF (2006-2009).
Segundo a Organização Mundial de Saúde, homens com percentual de
gordura acima de 25% e mulheres com índices superiores a 30% são considerados
obesos, com risco para a saúde.
Constata-se que, pelas medidas de dobras cutâneas, 18% dos militares do
sexo masculino e 38,5% do sexo feminino são obesos.
Verifica-se que a porcentagem de militares gordos do sexo masculino é de
45,93% e bombeiros femininos é de 51,7%.
Conclui-se, pelos dados apresentados, que na avaliação de militares gordos
e obesos, a porcentagem de militares do sexo masculino corresponde a 64,25% e
militares do sexo feminino a 90,24.
4.2 ÍNDICE DE CINTURA QUADRIL E SUA RELAÇÃO COM COMPLICAÇÕES
METABÓLICAS DE ALTO RISCO E RISCO MUITO ALTO
O índice de cintura quadril é mensurado pelo perímetro da cintura, medido
no ponto intermediário entre a crista ilíaca e o bordo inferior da caixa torácica (última
costela), e está diretamente correlacionado ao aumento de tecido adiposo
abdominal.
A Organização Mundial de Saúde considera a cintura a metade da distância
entre a última costela e crista ilíaca, em posição de expiração; e o quadril
corresponde ao perímetro no nível do trocanter maior.
A tabela a seguir demonstra o risco de desenvolvimento de complicações
metabólicas associado ao perímetro da cintura.
SEXO
AUMENTO DE RISCO
RISCO MUITO AUMENTADO
MASCULINO
 94 cm
 102 cm
FEMININO
 80 cm
 88 cm
Tabela 9: Índice de cintura quadril em relação ao sexo
Fonte – OMS (1999).


As avaliações abaixo foram realizadas de 2006 a 2009, sendo as medidas
do Índice de Cintura Quadril atreladas ao risco de desenvolvimento de complicações
metabólicas.
ANO/SEMESTRE  MILITARES TOTAL DE ALTO RISCO
TOTAL DE RISCO
MUITO ALTO
2006/1
4042
668
328
2007/1
4217
516
117
2008/1
4652
639
170
2009/1
4215
523
160
Tabela 10: Índice de cintura quadril em relação aos militares do CBMDF
Fonte – CATAF (2006-2009).
O índice de massa corporal é um indicador de medida da gordura corporal
de baixo custo e prático para avaliações antropométricas de populações, sendo
recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Observa-se nos gráficos abaixo
a prevalência de militares com sobrepeso. Os resultados encontrados na pesquisa
reforçam a aplicação dessas medidas para aferição do risco à hipertensão e ao
diabetes.
Constata-se no estudo o impacto financeiro que é gerado para o CBMDF
com militares obesos que desenvolvem morbidades, ou seja, doenças não
transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade mórbida. Verifica-se que o
desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis está associado aos
elevados índices de gordura corporal.
A porcentagem de militares com sobrepeso e obesidade apresentada nos
gráficos a seguir, quando comparados ao restante da população brasileira, pode ser
considerada elevada.


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


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
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
Figura 3: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade
(IMC/2006)
Fonte – CATAF (2006).
Observa-se que 3.787 militares do sexo masculino realizaram as avaliações
antropométricas, sendo que 48,72% apresentam sobrepeso (IMC  25) e 10% dos
bombeiros estão obesos (IMC  30,0).
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
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
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
Figura 4: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade
(IMC/2006)
Fonte – CATAF (2006).
Foram avaliadas 204 militares femininas, sendo que 20,09% estão com
sobrepeso (IMC  25,0), e 3,43% estão obesas (IMC  30,0). Conforme dados da
Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino é de 314 militares, no qual 35%
deixaram de realizar as avaliações antropométricas.


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
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Figura 5:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade
obesidade (IMC/2006)
Fonte – CATAF (2006).
Dos 4.042 bombeiros masculinos e femininos que realizaram
realizar
as avaliações
antropométricas em 2006, no primeiro semestre, constata-se
cons
se que 9,77% estão
obesos, com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30;
30 e que 47,4% estão com
sobrepeso.
Conforme informação da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo,
efetivo à época,
era de 5.938 bombeiros. Verifica-se
Verifica
que 1.896 bombeiros não realizaram as
medidas antropométricas,
antropométricas o que corresponde a 32% do total da Corporação. Os
militares requisitados constam dos dados e também são obrigados a realizar os
testes.
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
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
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
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Figura 6:: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade
(IMC/2007)
Fonte – CATAF (2007).


Observa-se
se que 4.011 militares do sexo masculino realizaram as
avaliações antropométricas, sendo que
e 51,5% apresentam sobrepeso (IMC  25,0) e
12,98% obesidade (IMC  30,0).
 









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

#$!,

Figura 7:: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade
(IMC/2007)
Fonte – CATAF (2007).
Foram avaliadas 206 militares femininas, das quais 27,18% com
sobrepeso (IMC  25,0), e 3,42% obesas (IMC  30,0). Conforme dados da Diretoria
de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino era de 314 militares, dessa forma, 34,4%
deixaram de realizar as avaliações
avaliaç
antropométricas.
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
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Figura 8:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade
obesidade (IMC/2007)
Fonte – CATAF (2007).
Dos 4.217 bombeiros masculinos e femininos que realizaram
real
o Teste
de Aptidão Física (TAF) em 2007, no primeiro semestre,
semestre, constata
constata-se que 13% estão
obesos.


Conforme informação da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo, à
época, era de 5.797 bombeiros. Verifica-se a ausência de 1.580 militares para as
medições antropométricas, o que corresponde a 27,3% do total da Corporação.
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

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

Figura 9: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade
(IMC/2008)
Fonte – CATAF (2008).
Observa-se que 4.405 militares do sexo masculino realizaram as
avaliações antropométricas, nas quais 48% apresentam sobrepeso (IMC  25,0) e
13,87% obesidade (IMC  30,0).
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

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
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


Figura 10: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade
(IMC/2008)
Fonte – CATAF (2008).
Foram avaliadas 247 militares femininas, sendo constatado que
26,72% estão com sobrepeso (IMC  25,0) e 5,66% estão obesas (IMC  30,0).


Conforme dados da Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino era de 314
militares, sendo que 21,4% não realizaram
realizaram as avaliações antropométricas.
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Figura 11:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade
obesidade (IMC/2007)
Fonte – CATAF (2008).
Dos 4.652 bombeiros masculinos e femininos que realizaram
real
o Teste de
Aptidão Física no primeiro semestre de 2008, 14% estavam
es avam obesos e 50,47%
apresentavam sobrepeso.
De acordo com os dados fornecidos pela Diretoria de Gestão de Pessoal, o
efetivo de militares,, no período, era de 5.717 servidores. Houve ausência de 1.065
bombeiros, os quais não realizaram as medidas antropométricas
antropométricas, perfazendo 18,7%
do total da Corporação.
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
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Figura 12:: Gráfico com a classificação de militares do sexo masculino quanto à obesidade
(IMC/2009)
Fonte – CATAF (2009).


Houve participação de 4.004 militares do sexo masculino nas avaliações
antropométricas, nas quais 47,42% apresentam sobrepeso (IMC  25,0) e 13,51%
obesidade (IMC  30,0).
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Figura 13: Gráfico com a classificação de militares do sexo feminino quanto à obesidade
(IMC/2009)
Fonte – CATAF (2009).
Foram avaliadas 211 militares femininas, sendo aferido que 25,11% estão
com sobrepeso (IMC  25,0), e 6,16% obesas (IMC  30,0). Conforme dados da
Diretoria de Gestão de Pessoal, o efetivo feminino é de 324 militares, sendo que
34,9% deixaram de realizar as avaliações antropométricas.

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Figura 14: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade (IMC/2009)
Fonte – CATAF (2009).


Dos 4.215 bombeiros masculinos e femininos que realizaram
real
as avaliações
antropométricas no primeiro semestre de 2009, 14% estão
e
obesos e 51,47%
apresentam sobrepeso.
Conforme informação da Diretoria de Gestão de Pessoal, o número de
militares, à época, era de 5.629 bombeiros. Constata-se a ausência de 1.414
combatentes, o que corresponde a 25,2% do efetivo da Corporação.
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
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
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Figura 15:: Gráfico comparativo de militares quanto à obesidade
obesidade no período de 2006-2009
2006
Fonte – CATAF (2006-2009).
Constata-se
se pela
pel figura acima que os bombeiros com sobrepeso e
obesidade correspondem a 62,11% da Corporação. A quantidade
qu
de militares com
sobrepeso vem aumentando em torno de 10% e a de obesos 16% anualmente.
4.3 MILITARES COM SOBREPESO E HIPERTENSOS
Quanto aos militares
militar
que apresentam sobrepeso e são hipertensos
observam-se,
se, por meio da análise de dados da estatística descritiva, os seguintes
valores, esclarecendo que mediana é uma medida de tendência central, ou seja, um
número que caracteriza as observações de uma variável;
riável; desvio padrão demonstra
o montante de variação ou dispersão existente
existente em relação à média, a saber,
saber o ponto
de equilíbrio entre os dados de uma distribuição e a contagem
contagem, que traduz o
cômputo de dados de valores inteiros.


Sobrepeso
Média
Valores
2049,75
Mediana
2068
Desvio padrão
183,3255
Mínimo
1841
Máximo
2222
Soma
8199
Contagem
4
Hipertensos
Média
Valores
208,5
Mediana
158
Desvio padrão
157,66
Mínimo
87
Máximo
431
Soma
Contagem
834
4
Tabela 11: militares com sobrepeso e hipertensos
Fonte – CATAF (2006-2009).
Com a utilização da mediana, percebe-se que 7,64% dos militares com
sobrepeso estão com a pressão arterial acima de 140/90 mmHg.
Obeso grau I
Valores
Média
471
Mediana
487,5
Desvio padrão
43,26
Mínimo
352
Máximo
557
Soma
Contagem
1884
4
Hipertenso
Média
Mediana
Desvio padrão
Valores
68,25
61
20,25
Mínimo
28
Máximo
123
Soma
Contagem
273
4
Tabela 12: militares obesos grau I e hipertensos
Fonte – CATAF (2006-2009).


Os dados acima descritos, com a utilização da mediana, demonstram
que 12,52% dos militares com obesidade grau I estão com a pressão arterial
superior a 140/90 mmHg.
Obeso grau II
Valores
Média
Mediana
Mínimo
Máximo
Soma
Contagem
49
49
38
60
196
4
Hipertenso
Média
Mediana
Mínimo
Máximo
Soma
Contagem
Valores
8
8,5
4
11
32
4
Tabela 13: militares obesos grau II e hipertensos
Fonte – CATAF (2006-2009).
Conforme os dados fornecidos, verifica-se que 16,32% dos militares com
obesidade grau II estão com a pressão arterial acima de 140/90 mmHg.
Obeso mórbido
Média
Mediana
Mínimo
Máximo
Soma
Contagem
Hipertenso
Média
Mediana
Mínimo
Máximo
Soma
Contagem
Valores
18,75
7
5
56
75
4
Valores
2,25
2,5
1
3
9
4
Tabela 14: militares obesos mórbidos
Fonte – CATAF (2006-2009).
De acordo com os dados estatísticos, 32% dos militares com obesidade
mórbida estão com a pressão arterial acima de 140/90 mmHg.


4.4 MILITARES DIABÉTICOS
As avaliações de militares diabéticos foram realizadas somente em 2009,
sendo que os dados mencionados são daqueles que se declararam diabéticos. Do
total, 27 estavam com sobrepeso, 13 apresentavam obesidade grau I, 3 obesidade
grau II e 5 obesidade mórbida.
Classificação
Porcentagem
1,38%
2,60%
6%
80%
Sobrepeso
Obeso grau I
Obeso grau I I
Obeso mórbido
Tabela 15: militares diabéticos e sua classificação quanto à obesidade
Fonte – CATAF (2006-2009).
4.5 ESTIMATIVAS DE CUSTOS COM OBESIDADE E CO-MORBIDADES
(DIABETES E/OU HIPERTENSÃO)
Como o foco desta pesquisa é o levantamento de custos relacionados à obesidade,
segue a Tabela sobre custos com profissionais relacionados ao tratamento com a obesidade
de uma forma geral.
Especialistas
Endocrinologista
Nutricionista
Psicólogo
Fisioterapeuta
Cirurgião
Especialistas
Anestesista
Cardiologista
Clínico
Gastro endoscopista
Psiquiatra
Pneumologista
Educador físico
Total
Quantidade de consultas
4
4
4
4
2
Quantidade de consultas
1
2
2
1
1
1
1
27
Valor R$
140,64
140,64
140,64
140,64
70,32
Valor R$
35,16
70,32
70,32
35,16
35,16
35,16
35,16
949,32
Tabela 16: especialistas envolvidos no tratamento da obesidade e valores
Fonte – UNIDAS (2007).
As estimativas consistem na média anual das consultas que um paciente
tem durante o período de acompanhamento antes da cirurgia e com os profissionais
que geralmente acompanham o tratamento. Os valores e a média de consultas são


atribuídos pela União Nacional das Instituições de Autogestão de Saúde (UNIDAS)
em 2007.
Conforme Benchimol (2006), uma equipe multidisciplinar bem-treinada deve
avaliar o paciente e emitir pareceres técnicos devidamente documentados. Exames
complementares laboratoriais e de imagem farão parte dessa rotina.
Os valores com os exames obrigatórios para a realização da cirurgia
bariátrica estão expostos na seguinte Tabela:
Métodos gráficos /imagem
Radiografia de tórax
Prova de função respiratória
Eletrocardiograma
Eco cardiograma
Endoscopia digestiva alta
Ultra – sonografia abdominal total
Quantidade
1
1
2
1
1
1
Custo R$
26,00
32,00
176,00
83,00
302,00
96,00
1
660,00
8
1.375,00
Ecocolor – Doppler dos sistemas arterial e venoso dos
membros inferiores.
TOTAL DE GASTOS
Tabela 17: Estimativa de gastos com métodos gráficos e imagem
Fonte – Fundo de saúde do CBMDF
Os valores dos métodos gráficos e de imagem são valores pagos pela
Diretoria de Saúde do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal às clínicas
conveniadas. Estão previstos, no preparo pré-operatório, os exames de gráficos e
imagem. Conforme Benchimol (2006), o paciente deve ser submetido a uma
avaliação clínica minuciosa.
Exames Clínicos
Hemograma
Bioquímica
Fezes e urina
Sorologias e imunoquímica
Total de gastos
Quantidade
Custos R$
1
2
2
1
6
20,4
40,8
40,8
20,4
122,40
Tabela 18: Estimativa de gastos com outros exames
Fonte – Unidas (2007).
Há ainda os gastos com outros exames, igualmente obrigatórios e
necessários, para qualquer tipo de avaliação pré-operatória, os quais fomentaram a
Tabela 18:
Os valores são atribuídos pela União Nacional das Instituições de
Autogestão de Saúde (UNIDAS) em 2007.


Como também é objeto desta pesquisa os militares diabéticos e hipertensos,
a Tabela 19 mostra os gastos quinzenais com esses indivíduos.
Tratamento cirúrgico
Quantidade
Custo R$
Cirurgia
1
22.000,00
Internação
1
6.112,45
Tabela 19: Custos estimados de clínicas para tratamento cirúrgico
Fonte – Fundo de Saúde (2009).
O valor de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais) foi o menor valor orçado pela Seção
de Auditoria do CBMDF para a realização de cirurgias de redução de estômago e o valor da
internação foi atribuído pela tabela da UNIDAS/2007.
Tratamento cirúrgico
Quantidade
Custo R$
Cirurgia
1
22.000,00
Internação
1
6.112,45
Tabela 20: Custos estimados de clínicas para tratamento cirúrgico reparador
Fonte – Diretoria de Saúde (2009).
O tratamento cirúrgico reparador pós redução de estômago, além da
questão estética plástica, há também o fator de saúde devido às lesões que são
ocasionadas pelo excesso de peso.
Medicamentos - materiais
Insulina Lantus
Seringas
Tiras glicêmica advantage
Medicamentos
Quantidade
20 x 2,90
20 x 1,80
24h (2,17) x7,5
Exemplo de 1 paciente
Custos R$
58
36
15,19
3.080,00
Tabela 21: Casos extremos tratamento clínico do obeso com diabetes e/ou hipertensão
Fonte – Diretoria de Saúde (2009).
Os casos extremos de tratamento clínico do obeso com diabetes e/ou
hipertensão foram computados com base em valores gastos em 24horas, sendo a
insulina Lantus utilizada 20 vezes durante o dia, vinte seringas e 7,5 tiras glicêmicas
e mais os gastos com medicamentos. Os dados aqui utilizados são de faturas
hospitalares de um militar que ficou internado na UTI do Hospital X, pelo período de
algumas semanas, de 2009. Os gastos hospitalares foram de R$ 200.000,00
(duzentos mil reais). Apesar de todos os esforços, o militar faleceu. Embora seja um
caso extremo e, de certa forma, episódico, ele consiste em uma realidade que não
pode ser negligenciada, pois implicou o gasto de cerca de 28.198 contribuintes do
fundo de saúde, proporcionais com os valores contabilizados referente a um mês.


4.6 O IMPACTO NO SERVIÇO OPERACIONAL
Para avaliar o impacto em termos de produtividade relacionada ao
afastamento do militar do serviço operacional, bem como a limitações físicas
decorrentes da obesidade e suas co-morbidades, foi feito o cálculo de
afastamento/dia, de acordo com o salário bruto dos militares.
De acordo com a Lei n.º 10.486, de 4 de junho de 2002, e suas alterações, a
remuneração é composta por diferentes rubricas, as quais combinadas apresentam
os seguintes valores:
Postos e graduações
Coronel
Tenente-Coronel
Major
Capitão
1º Tenente
2º Tenente
Aspirante-a-Oficial
Cadete 3º ano
Cadete 2º ano
Cadete 1º ano
Subtenente
1º Sargento
2º Sargento
3º Sargento
Cabo
Soldado 1ª Classe
Postos e graduações
Soldado 2ª Classe
Salário Bruto (R$)
15.244,24
14.550,72
12.732,51
10.134,72
9.149,73
8.644,97
7.428,45
3.788,09
3.033,50
3.033,50
7.550,78
6.742,93
5.985,27
5.267,39
4.319,34
4.117,77
Salário Bruto (R$)
3.029,16
Tabela 22: Tabela de remuneração dos militares
Fonte: Seção de Pagamento (SEPAG)
Os dados contidos na Tabela 22 podem ser utilizados para estipular a
estimativa de custo operacional após a cirurgia e a reabilitação do bombeiro militar
até o retorno às atividades da missão-fim, conforme feito na seguinte tabela.
Graduação – posto
Tempo de dispensa médica
Custo diário R$
Custo total
Soldado
180
137,26
24.706,80
Cabo
180
143,98
25.916,40


3º sargento
2º sargento
180
180
175,58
199,5
31.604,40
35.910,00
1º sargento
180
224,76
40.456,80
Subtenente
180
251,7
45.306,00
Aspirante
180
247,5
44.550,00
2º tenente
180
288,16
51.868,80
1º tenente
180
304,99
54.898,20
Capitão
180
337,82
60.807,60
Major
180
424,41
76.393,80
Tenente-coronel
180
485
87.300,00
Coronel
180
508,14
91.465,20
Tabela 23: Estimativa de custo para o serviço operacional após a cirurgia
Fonte – O autor (2009).
As estimativas de custos operacionais foram calculadas da seguinte forma :
o custo diário de um bombeiro militar fora do serviço operacional foi mensurado
sobre o vencimento bruto dividido por trinta dias e o período de cento e oitenta dias
de afastamento do militar da escala de serviço é devido às dispensas médicas após
a cirurgia de redução de estômago, cirurgia reparadora para retirada do excesso de
pele e reabilitação.
A falta de uma política de saúde preventiva à época para os bombeiros
militares com obesidade, hipertensão e diabetes representava um elevado custo
para o sistema de saúde da Corporação, conforme visto. A quantidade de militares
com sobrepeso, obesidade grau I, grau II e obesidade mórbida, diabetes e
hipertensão, de 2006 a 2009 apresentaram significativo aumento.
É de clareza hialina que no período não havia uma política de saúde
preventiva para os bombeiros militares em relação à obesidade.
A atividade operacional sofria prejuízos financeiros com a quantidade de
absenteísmo de militares relacionada a problemas de saúde associados à
obesidade, embora não se mensurasse a realidade precisa do dano, por não haver
dados tabulados acerca da quantidade de militares afastados do serviço por
problemas relacionados à obesidade.
Foi realizado apenas um levantamento com estimativas de gastos pelo
tempo de ausência do serviço que apontou custos para todos os postos e
graduações, sendo que o dispêndio de um soldado é de R$ 24.706,80 (vinte e
quatro mil setecentos e seis reais e oitenta centavos) e o de um coronel chega a R$
91.465,20 (noventa e um mil reais quatrocentos e sessenta cinco reais e vinte


centavos). Os valores citados são relacionados aos 180 dias de afastamentos da
atividade operacional. Além do prejuízo ao erário, também é gerado um ônus aos
demais militares, vez que haverá a sobrecarga de trabalho a outros servidores, com
a consequente diminuição da qualidade laboral. Segue a tabela com os valores
mensurados da estimativa de custos econômicos da obesidade no CBMDF, gastos
com o tratamento de obesidade e comorbidades.
Gastos
Total (R$)
24.706,80
Operacional
949,32
Consultas médicas
122,40
Exames Clínicos
1.375,00
Exames gráficos/imagem
22.000,00
Cirurgia bariátrica
6.112,45
Internação
22.000,00
Cirúrgico reparador
772,68
Reabilitação
78.038,65
Total de gastos
Tabela 24: Estimativa de gastos com o tratamento de obesidade e comorbidades
Fonte: o Autor.
4.7 CENÁRIO ATUAL DO CBMDF QUANTO AO ENFRENTAMENTO DE COMBATE
À OBESIDADE
Diante do quadro exposto ao longo desta pesquisa, o Comando do Corpo de
Bombeiros Militar do Distrito Federal, a partir de 2009, adotou várias providências
para tentar reverter a crescente obesidade de sua tropa.
As medidas foram bastante diversificadas, englobando tanto aspectos de
infraestrutura como de incentivo à prática de atividades físicas regulares.
Para tanto, a título de investimento, foi construído um centro de treinamento,
dotado de campo de futebol, sala de musculação, pista de corrida homologada pela
Federação Internacional de Atletismo, quadra polivalente, sala de lutas, laboratórios
de fisiologia, piscina olímpica coberta e aquecida. Sua inauguração aconteceu em
meados de 2012.
Pelo fato do centro de treinamento ser localizado na região central de
Brasília, o Comando adquiriu academias de musculação para 20 unidades
operacionais, já instaladas e em funcionamento desde o início de 2013. Tal fato teve


o condão de evitar grandes deslocamentos e proporcionar ganho de tempo ao
servidor.
Para incentivar os militares a se exercitarem, o advento da Lei n.°
12.086/2009 foi muito importante, pois um dos critérios para promoção a postos e
graduações passou a considerar a aptidão física. Isto provocou a criação de uma
portaria regulamentando o Teste de Aptidão Física anualmente, como critério para a
ascensão funcional.
Em virtude da falta de mão de obra (em decorrência da passagem para a
reserva ou reforma, e da não realização de concursos públicos) no serviço
operacional, foi criada a Gratificação de Serviço Voluntário remunerado, com jornada
de 8 horas de trabalho para os militares que estejam no período de folga, no valor de
R$ 200,00 (duzentos reais). Ademais, o bombeiro pode concorrer em até oito
serviços mensais, desde que seja considerado apto no teste de aptidão física e que
goze de boa saúde.
Há, ainda, incentivo aos militares para participarem da corrida do fogo,
realizada anualmente por ocasião do aniversário do CBMDF, com percurso de
10km. Como retribuição, é concedido um dia de folga da escala de serviço se o
trajeto for completado.
Além disso, outro ponto forte da Corporação é o trabalho multidisciplinar,
que engloba profissionais da área de saúde, como endocrinologistas, cardiologistas,
fisiologistas e fisioterapeutas; nutrição; psicologia e educação física. Tudo associado
à cessão de espaço físico nas unidades operacionais, e a construção do centro de
treinamento físico.
Os militares, para utilizarem as academias nas unidades operacionais,
necessitam realizar uma avaliação dos testes físicos com equipe especializada,
visando à prevenção, anamnese, aferição de pressão arterial e glicemia.
O panorama anterior, no período de 2006 a 2009, era caracterizado pela
insuficiência de equipamentos de musculação, profissionais de educação física e
médicos. No entanto, foram realizados investimentos na prevenção à obesidade, e
liberação de recursos financeiros para a dotação da infraestrutura necessária.
O resultado se evidencia na atividade operacional, com a redução do tempo
resposta às ocorrências e aumento da resistência física dos servidores às atividades
prolongadas de salvamento e combate a incêndio.


Ressalte-se, também, que a profissão Bombeiro militar configura uma
ocupação de risco, e as atividades de combate a incêndio e salvamento são
extenuantes, exigindo altos níveis de aptidão física.
Buscou-se investigar o efeito da obesidade e as morbidades dos bombeiros
da ativa, bem como o custo econômico respectivo. As avaliações foram realizadas
de 2006 a 2009, totalizando 17000 mil testes. Neste período foi possível analisar o
índice de massa corporal dos militares e a correlação de hipertensão e diabetes com
obesidade.
Constata-se que a condição cardiorrespiratória diminui com o avançar da
idade; no entanto, o declínio é atenuado nas pessoas com menor índice de massa
corporal praticantes de atividades físicas, impactando significativamente sobre o
declínio da obesidade.
Nota-se que bombeiros mais bem preparados são propensos a manter os
altos níveis de resistência, necessários para executar com segurança suas funções
em atividades operacionais.
Não obstante, em virtude do alto custo observado com a doença, a
corporação se mobilizou para o enfrentamento da mesma, tendo realizado vários
investimentos para reverter o quadro reinante no período em comento.
As despesas relacionadas à obesidade têm sido estimadas com base nos
custos diretos de saúde associados ao tratamento das doenças interligadas, como
hipertensão e diabetes, além dos custos indiretos, como perda de produtividade. Os
primeiros incluem gastos ambulatoriais, internação hospitalar, medicamentos e
reabilitação. Os demais compreendem a perda de produtividade da força de
trabalho, pela qual, mesmo o bombeiro que esteja em atividade, torna-se incapaz de
atingir seu potencial máximo, além do absenteísmo (dias de trabalho perdidos por
licença médica).
A estimativa a médio e longo prazo dos custos respectivos seria de
aproximadamente R$ 31.101,450 (trinta e um milhões cento e um mil e quatrocentos
e cinquenta reais), no período de 3 a 5 anos caso não fossem adotadas providências
de prevenção. Os investimentos realizados para reverter o problema foram de
aproximadamente
R$
20.000.000,00
(vinte
milhões
de
reais),
sendo
R$
14.000.00,00 (quatorze milhões de reais) para o Centro de Treinamento e R$
6.000.000,00 (seis milhões de reais) para equipamentos de musculação destinados
às unidades operacionais.


De acordo com os dados estatísticos do CBMDF, após o advento da Lei n.
12.086/2009, houve uma considerável redução da obesidade nos anos de 2009 a
2011, com uma diminuição que totalizou nove mil quilos de gordura dos servidores.
Observa-se no gráfico abaixo a estabilização e redução do peso dos bombeiros,
apesar do acréscimo de idade, fator contributivo para o aumento da obesidade.
Comparativo de Obesidade entre 2006 a 2009 e 2011









 


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
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
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


Figura 16 – Dados comparativos de obesidade
Fonte: CATAF CBMDF
Constata-se, ademais, que a política de enfrentamento à obesidade adotada
pela Corporação, vem reduzindo a quantidade de militares com hipertensão arterial
e diabetes, pelo fato dos servidores passarem a procurar tratamentos médicos, o
que ocasiona um maior controle da doença.
Embora o tema alimentação não seja o foco central deste trabalho, evidenciase que é um dos mais importantes componentes da saúde. É difícil, senão
impossível, superar o impacto negativo de uma dieta pouco saudável somente com
atividade física. A mudança nos hábitos alimentares foi fundamental para reverter a
epidemia de obesidade enfrentada pelos bombeiros do Distrito Federal .
O hábito alimentar tem um significado que não se limita à nutrição e proteção
contra doenças. Está, outrossim, diretamente atrelado a uma melhor qualidade de
vida.
Observa-se que muitos quartéis estão em locais com difícil acesso a
alimentos saudáveis, e alguns bombeiros enfrentam dificuldades financeiras,
tornando difícil o consumo de refeições mais nutritivas. Aliado a este fato, no caso


dos bombeiros do Distrito Federal não há mais refeitórios nas unidades militares,
recebendo o servidor a cada mês o pagamento do auxílio alimentação diretamente
em seu contracheque. Se por um lado isto significou uma economia para a
Corporação, gerou-se uma maior liberdade na escolha dos alimentos, onde nem
sempre o mais saudável é privilegiado, dando lugar ao “fast food” e demais opções
de lanches rápidos com altos teores de açúcar e gordura.
Diante da situação reinante, uma alimentação adequada pode se tornar mais
distante também por influência do meio social. Não obstante, apesar dos desafios, é
importante lembrar que a alimentação vai aumentar ou inibir a prontidão de um
bombeiro.
Nota-se que vários servidores, mesmo aqueles em circunstâncias muito difíceis,
têm transformado seus hábitos e agora colhem as recompensas da melhoria da
saúde. Enfim, aprender sobre nutrição e desenvolvimento de condutas alimentares
saudáveis é um investimento importante para a si mesmo, para a família e para a
equipe.
Conclui-se que vários fatores contribuiram para o sucesso do combate à
enfermidade, a saber: o advento da Lei n. 12.086/2009, os programas de
reabilitação física, o plano de cargos e salários, a gratificação de serviço voluntário,
o teste de aptidão física anual, bem como o acompanhamento da equipe de saúde
multidisciplinar e a construção do Centro de Treinamento e instalação das
academias nas unidades operacionais.


5 CONCLUSÃO
Esta pesquisa levantou, por meio dos dados provenientes da Corporação, a
quantidade de militares obesos mórbidos, obesos, com sobrepeso, hipertensos e
diabéticos. O estudo possibilitou constatar que a obesidade é uma questão de saúde
pública, caracterizada por ser uma doença crônica não transmissível, de difícil
tratamento.
A hipertensão acometia 7,64% do total de servidores com sobrepeso;
12,52% dos que apresentavam obesidade grau I; 16,32% dos obesos grau II; e 32%
dos obesos mórbidos (a obesidade mórbida é classificada como sendo de grau III).
Os valores expostos em porcentagens são provenientes da análise de dados
desenvolvidos com estatística descritiva, na qual foi utilizada a mediana dos
resultados do IMC.
Antes da realização do TAF/2009, foi aplicado um questionário aos militares,
sem necessidade de identificação, sendo que 48 dos mesmos se declararam
diabéticos (ressalte-se que a maioria dos bombeiros deixou de responder à pergunta
e que a quantidade citada não inclui aqueles que tiveram o teste glicêmico acima do
normal) e, após a tabulação dos resultados, foi constatado que os entrevistados
apresentavam os seguintes dados: 1,38% estavam com sobrepeso; 2,6% com
obesidade grau I; 6% detinham obesidade grau II; e 80% obesidade mórbida.
A pesquisa avaliou os dados antropométricos realizados pela Comissão de
Avaliação do Teste de Aptidão Física (CATAF), no ano de 2006, em 4.042
bombeiros masculinos e femininos. Do total, 9,77% estavam obesos. Dos 4.217
bombeiros masculinos e femininos que realizaram as avaliações em 2007, 13% dos
militares apresentaram obesidade. Dos 4.652 bombeiros masculinos e femininos que
realizaram o Teste de Aptidão Física (TAF) de 2008, 14% também padeciam do
mesmo mal, percentual que se manteve em 2009.
O impacto financeiro para o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal
com militares obesos, com hipertensão arterial e/ou diabetes é alto, como
apresentado na estimativa de gastos com um soldado.
Por consequência, o CBMDF adotou medidas preventivas de promoção à
saúde, como o incentivo à prática de atividades físicas, além de fortalecer o
programa de reabilitação existente na Corporação, com a aquisição de


equipamentos de musculação para as unidades operacionais e a construção de um
Centro de Treinamento Físico, a fim de recuperar os militares com sobrepeso e
obesidade da Instituição. Outro fato relevante, foi a imposição legislativa, advinda
com a Lei n.° 12.086, de 9 de novembro de 2009, na qual foi atrelada a ascensão
funcional à boa condição física.
Em decorrência, evidencia-se nos dados de 2011 uma tendência clara de
reversão do quadro anteriormente existente, com a perda de peso e diminuição das
doenças.
Conclui-se que a estimativa de custos econômicos associados à falta ao
serviço de militares obesos giraria em torno de aproximadamente R$ 31.101.450,00
(trinta e um milhões cento e um mil e quatrocentos e cinquenta reais), sem computar
a cirurgia reparadora no valor de R$ 22.000,00 (vinte e dois mil reais) por militar,
conforme a estimativa de médio e longo prazo, no período de 3 a 5 anos, caso não
fossem adotadas providências de prevenção.
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GLOSSÁRIO
CIRURGIA BARIÁTRICA – Tratamento cirúrgico em pacientes obesos com Índice de
Massa Corporal superior a 35 Kg/m², portadores de co-morbidades associadas à
hipertensão, diabetes entre outras ou pacientes portadores de obesidade de grandes
proporções com IMC superior a 40 Kg  m² e resistentes aos tratamentos
conservadores (COTTA-PEREIRA, 2006).
CO-MORBIDADE – Doenças associadas à obesidade que geralmente pioram com o
aumento do grau da obesidade e melhoram quando o tratamento é bem sucedido.
DISLIPIDEMIAS – são modificações dos níveis de lipídios na circulação,
caracterizando qualquer alteração envolvendo o metabolismo lipídico.
ÍNDICE DE MASSA CORPORAL – Medida de obesidade útil, embora grosseira, em
nível populacional. Estima a prevalência de obesidade em uma população e os
riscos associados a ela. Calcula-se o IMC pela seguinte fórmula IMC = Peso (kg) /
Altura² (m²).
OBESIDADE MÓRBIDA – Obesidade na qual o paciente possui IMC igual ou acima
de 40 Kg /m². É classificada como obesidade de grau III.
SÍNDROME METABÓLICA – Conjunto de alterações incluindo a hipertensão arterial
sistêmica e a resistência insulínica com as consequentes alterações no metabolismo
da glicose.
TROCANTER - é a designação dada a cada uma das proeminências ósseas da
parte superior do fémur da maioria dos mamíferos, incluindo os humanos. A
designação é também aplicada a um dos segmentos em que se devide a perna dos
artrópodes, localizada entre a coxa e o fémur.
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