A QUALIDADE NA EDUCACAO BASICA MUNICIPAL: os sistemas de ensino e as escolas municipais - reflexões preliminares de uma pesquisa Andréia Ferreira da Silva – FE/UFG [email protected] Karine Nunes de Moraes – FE/UFG [email protected] Resumo: Este artigo tem como objetivo problematizar a questão da qualidade na educação básica, particularmente as questões que envolvem os sistemas e as escolas. Tendo em vista a complexidade da temática, torna-se fundamental apreender os principais conceitos, dimensões e reflexões que embasam as políticas e ações dos sistemas de ensino, da gestão escolar e do trabalho docente, sobretudo nas últimas décadas, objetivando a construção de uma educação de qualidade para todos. Este trabalho vincula-se a uma pesquisa em desenvolvimento, coordenada por professores da FE/UFG, que estuda a qualidade da educação em vinte e um municípios goianos. A investigação envolve quinze instituições de ensino superior do estado de Goiás e tem como principal parceira a Universidade do Estado de Goiás (UEG). Além da revisão bibliográfica sobre a temática, o grupo de pesquisa analisou os indicadores sócio-econômicocultural-educacional dos municípios estudados, além de problematizar as dimensões macro e micro que interferem na qualidade dos sistemas e escolas municipais. Palavras-chave: educação básica; sistemas municipais de ensino; qualidade do ensino. As experiências educacionais realizadas, a partir dos anos de 1980, no Brasil, assim como vários estudos nacionais e internacionais, mostram que a discussão e a investigação acerca da qualidade da educação não devem reduzir-se à análise de resultados de aprendizagem medidos por meio de provas estandardizadas. Deste modo, um entendimento mais amplo do que seja qualidade da educação, necessita incorporar e compreender outros aspectos relevantes. O termo qualidade da educação consiste em uma expressão polissêmica e com múltiplas significações. Entretanto, essa multiplicidade de significados não implica a impossibilidade de defini-la, tendo em vista a perspectiva de estudos que buscam aproximar-se cada vez mais da educação que se realiza nas escolas com o objetivo de apreendê-la. Estes estudos contribuem para uma maior clareza da expressão e, ao mesmo tempo, contribuem para a construção de uma escola transformada. É possível crer que as concepções e as representações sobre o que é uma educação de qualidade alteram-se no tempo e no espaço, assim como as políticas e ações que visam produzir o acesso a essa educação. Isso se expressa, sobretudo, na sociedade contemporânea se forem consideradas as suas transformações mais prementes, as reformas e políticas educacionais das últimas décadas e, ainda, os programas e projetos político-pedagógicos definidos e implementados nos diferentes sistemas de ensino e unidades escolares do país. Nesse sentido, Cury (s/d) esclarece que, A qualidade do ensino supõe, então, a busca do melhor, de um padrão científico e fundamentado dos conteúdos acumulados e transmitidos. Mas ela é também uma forma de responsabilidade face aos desafios da sociedade contemporânea. Essa exige um conjunto de conhecimentos e habilidades capazes de possibilitar a todos o acesso a formas de ser e de se comunicar como um participante do mundo. (s.p) Cury (s/d) ressalta ainda que, a qualidade consiste em uma meta a ser atingida, considerando tanto o caráter cumulativo do conhecimento, quanto as circunstâncias histórias que a condicionam. Desse modo, a qualidade do ensino consiste em um conceito que se modifica com as transformações da sociedade e a emergência de novas necessidades. Segundo a Unesco (2007) a qualidade da educação é um conceito com grande diversidade de significados, com freqüência não coincidente entre os diferentes atores, porque implica um juízo de valor concernente ao tipo de educação que se queira para formar um ideal de pessoa e de sociedade. E completa dizendo que As qualidades que se exigem do ensino estão condicionados por fatores ideológicos e políticos, pelos sentidos que se atribuem à educação num momento dado e em uma sociedade concreta, pelas diferentes concepções sobre o desenvolvimento humano e a aprendizagem, ou pelos valores predominantes em uma determinada cultura. Esses fatores são dinâmicos e mutantes, razão por que a definição de uma educação de qualidade também vaira em diferentes períodos, de uma sociedade para outra e de alguns grupos ou indivíduos para outros. (UNESCO, 2007, p. 29) Para Dourado (2007) O conceito de qualidade (...) não pode ser reduzido a rendimento escolar, nem tomado como referência para o estabelecimento de mero ranking entre as instituições de ensino. Assim, uma educação com qualidade social é caracterizada por um conjunto de fatores intra e extra-escolares que se referem às condições de vida dos alunos e de suas famílias, ao seu contexto social, cultural e econômico e à própria escola – professores, diretores, projeto pedagógico, recursos, instalações, estrutura organizacional, ambiente escolar e relações intersubjetivas no cotidiano escolar. (DOURADO, 2007, p. 940) A discussão e a pesquisa sobre qualidade da educação implicam o mapeamento dos diversos elementos necessários para qualificar, avaliar e precisar a natureza, as 2 propriedades e os atributos desejáveis ao processo educativo, tendo em vista a produção, a organização, a gestão e a disseminação de saberes e conhecimentos fundamentais ao exercício da cidadania e a melhoria do processo ensino-aprendizagem dos estudantes. Entendendo a educação como uma prática social que ocorre em diferentes espaços e momentos da produção da vida social, é possível ressaltar o papel da educação escolar e não-escolar nos processos formativos. Há que se considerar, pois, diferentes dimensões para uma melhor compreensão teórico-conceitual da situação escolar em termos de qualidade da educação. Nesse sentido, essa discussão articula-se a processos mais amplos do que a dinâmica intra-escolar, sem negligenciar, nesse percurso, a real importância do papel social da escola e dos processos relativos à organização, cultura e gestão intrínsecos a ela. Portanto, é fundamental não perder de vista que o processo educativo é mediado pelo contexto sociocultural, pelas condições em que se efetiva o ensino-aprendizagem, pelos aspectos organizacionais e, consequentemente, pela dinâmica com que se constrói o projeto político-pedagógico e se materializam os processos de organização e gestão da educação básica. (DOURADO, 2007, p. 922) Essas dimensões, entendidas de maneira articulada, dizem respeito às múltiplas determinações e às possibilidades de superação das condições de vida das camadas sociais menos favorecidas e, ainda, as condições relativas aos processos de organização e gestão, bem como, aos processos ensino-aprendizagem dos estudantes. Uma compreensão mais aprofundada de uma escola de qualidade não pode perder de vista a dimensão sócio-econômica e cultural, uma vez que o ato educativo escolar se dá em uma sociedade marcada por desigualdades sociais, e em um contexto de posições e disposições no espaço social de heterogeneidade e pluralidade sóciocultural, de problemas sociais presentes na escola, tais como: fracasso escolar, desvalorização social e escolar dos segmentos menos favorecidos, incluindo a autoestima dos alunos. Não se pode perder de vista, também, a esfera dos direitos, das obrigações e das garantias do Estado para com a oferta de uma educação pública, gratuita, obrigatória e de qualidade social para todos, o que significa compreendê-la como bem público e direito social. CURY (s/d), ao analisar a importância da educação como bem público, afirma que, 3 Hoje, praticamente, não há país no mundo que não garanta, em seus textos legais, o direito de acesso, permanência e sucesso de seus cidadãos à educação escolar básica. Afinal, a educação escolar é uma dimensão fundante da cidadania e tal princípio é indispensável para a participação de todos nos espaços sociais e políticas e para (re)inserção qualificada no mundo profissional do trabalho (s.p). Assim, o acesso à educação escolar consiste em patamar indispensável à inserção dos indivíduos na sociedade contemporânea. Ao socializar saberes socialmente produzidos e acumulados, valores, atitudes, habilidades, a escola, a educação escolar torna-se uma dimensão fundamental para a participação na vida societal. Além das dimensões macro que incidem sobre a qualidade da educação, encontram-se também as dimensões micro, ou seja, as propriamente escolares. Estas também são determinantes dos processos educativos e dos resultados escolares em termos de qualidade da educação, na medida em que incidem diretamente nos processos de organização e gestão, nas práticas curriculares, nos processos formativos, no papel e nas expectativas sociais dos alunos, no planejamento pedagógico, nos processos de participação, na dinâmica da avaliação e, portanto, na aprendizagem dos estudantes. (OLIVEIRA, DOURADO, SANTOS, 2005) No estudo da qualidade da educação, Oliveira, Dourado, Santos (2005) destacam quatro dimensões propriamente escolares, a saber: as condições de oferta do ensino; a gestão e organização do trabalho escolar; a formação, profissionalização e ação pedagógica do professor; e o acesso, permanência e desempenho escolar. No que se refere às condições de oferta do ensino, Silva, Loureiro, Oliveira, Moraes (2006) inferem que é possível identificar implicações diretas e indiretas desta dimensão na qualidade do ensino. As implicações diretas dizem respeito às condições das instalações físicas e infra-estrutura escolar; a organização do espaço e do ambiente físico; quantidade, qualidade e disponibilidade de equipamentos e recursos pedagógicos; existência e política de uso de biblioteca e/ou sala de leitura; disponibilidade de livros didáticos, para-didáticos e outros materiais impressos, tais como revistas, jornais, encartes, gibis, almanaques. Como implicações indiretas destacam: o transporte escolar: oferta, estado de conservação dos veículos, condições de uso, tempo gasto no percurso casa-escola-casa; a merenda escolar, incluindo a administração do recurso, o valor per capta da merenda escolar por nível e modalidade atendido, a adequação do cardápio às necessidades nutricionais e ao gosto local, a distribuição suficiente da merenda relativa aos dias 4 letivos; o clima de segurança na escola e no bairro, equipamentos de segurança; rotinas de vigilância e controle de acesso; a existência e utilização de laboratórios de ensino: laboratório de informática, laboratório de ciências e outros; a autonomia de financeira e de gestão financeira; a relação professor/aluno na escola; os percentuais de atendimento por nível e modalidade da educação básica; o serviço de apoio e orientação aos estudantes; as condições de acessibilidade, atendimento, permanência e sucesso dos portadores de necessidades educativas especiais. No tocante à dimensão da gestão e organização do trabalho escolar, é preciso inicialmente compreender que esta dimensão envolve os contextos escolares e das secretarias de educação. Deste modo, revela espaços, atores e situações diversificadas em movimento e em relação Pesquisas e estudos1, sobretudo qualitativos, indicam como aspectos importantes dessa definição: a estrutura e as características da escola, em especial quanto aos projetos desenvolvidos; o ambiente educativo e/ou clima organizacional; o tipo e as condições de gestão e da prática pedagógica; os espaços coletivos de decisão; o projeto político-pedagógico da escola; a participação e integração da comunidade escolar; a visão de qualidade dos agentes escolares; a avaliação da aprendizagem e do trabalho escolar realizado; a formação e condições de trabalho dos profissionais da escola, a dimensão do acesso, permanência e aprendizagem na escola, dentre outros. O valor custo aluno deve oferecer as condições para que estas dimensões sejam viabilizadas. Silva, Loureiro, Oliveira, Moraes (2006), destacam como variáveis integradoras para problematização da gestão e organização do sistema e da escola: estrutura organizacional e de gestão do sistema e da escola; existência, composição e formas de eleições dos conselhos e fóruns; existência, implementação e processo de elaboração do Plano Municipal de Educação; organização pedagógico-curricular do ensino; forma de provimento do cargo de diretor e coordenador escolar; ambiente profícuo ao estabelecimento de relações inter-pessoais, que valorizem atitudes e práticas educativas, contribuindo para a motivação e solidariedade no trabalho; relação alunos/docente adequada ao nível, ciclo ou etapa de escolarização; participação dos alunos nos conselhos escolares, grêmios, conselhos de classe; processo de elaboração do projeto político-pedagógico da escola. 1 A esse respeito Cf., sobretudo, Unesco (2002); Nóvoa (1999); Ação educativa (2004); Inep (2004). 5 A terceira dimensão refere-se ao professor, ou melhor, a sua formação, sua profissionalização e sua ação pedagógica. A defesa de um projeto amplo de formação, profissionalização e valorização do docente tem sido muito freqüente em estudos e pesquisas do campo educacional. Além disso, esta defesa consta dos processos de reforma e implementação de políticas educacionais em diferentes países, tendo em vista a relevância do trabalho docente para a qualidade da educação. Ainda persistem visões as mais diversas acerca da relação entre a formação do professor e a aprendizagem dos alunos o, indo desde uma priorização do segmento docente, entendido como importante protagonista do processo ensino-aprendizagem, até às concepções que secundarizam a ação desse profissional na garantia do sucesso dos alunos A despeito das diferentes abordagens, um fato é notório na maioria dos países, a insatisfação com as atuais estruturas salariais, carreiras profissionais e condições de trabalho, bem como os efeitos desses fatores na qualidade da educação. Destacam-se como variáveis para a análise da formação, profissionalização e ação pedagógica o plano de cargos e salários; o plano de qualificação dos professores e demais profissionais da educação; o estímulo à qualificação; a remuneração para professores e demais profissionais da educação; a garantia de carga horária para a realização de atividades de planejamento, estudo, reuniões pedagógicas, atendimento a pais etc; o quadro de professores e funcionários efetivos, contratos temporários, desvio de função e formação; a permanência e rotatividade docente no sistema e nas escolas; a existência de políticas/programas de formação continuada para professores e demais profissionais da educação; a forma de ingresso no serviço público municipal: magistério e demais profissionais da educação; o cumprimento dos direitos de professores e funcionários definidos na legislação vigente. Há que se considerar também, os processos que envolvem o acesso, a permanência e o desempenho escolar. A satisfação e o engajamento ativo do aluno no processo de aprendizagem é fator de fundamental importância na permanência e no desempenho escolar. Isso, no entanto, começa no processo de escolha da escola. Essa escolha tem relação com a visão que os pais, alunos e a comunidade, em geral, têm da escola. O desejo de estudar em determinada escola, muitas vezes, decorre das boas condições na oferta de ensino e de aprendizagem e na crença de que uma vida escolaracadêmica bem sucedida irá garantir uma formação profissional conseqüente. Dessa forma, é imprescindível analisar as relações entre o acesso, permanência e desempenho escolar e a qualidade do ensino. Portanto, faz-se mister analisar: a existência de projetos 6 culturais para alunos, professores e funcionários; as expectativas de pais e alunos em relação à escola; as atividades pedagógicas desenvolvidas utilizando a biblioteca, laboratórios, quadras, brinquedoteca, etc.; a participação dos pais nas tarefas escolares; as práticas pedagógicas para garantir a aprendizagem de todos os alunos e para a superação dos preconceitos; a avaliação no sistema e na escola; os índices de evasão e repetência no sistema e na escola; o acesso/aquisição de bens culturais (cinema, teatro, biblioteca, Internet, TV, aquisição de livros/revistas/jornais, esportes etc); a percepção dos alunos quanto ao processo ensino-aprendizagem, as condições educativas e a projeção de sucesso no tocante a trajetória acadêmico-profissional; os diferentes tempos e espaços escolares; a valorização da escola (pelos pais, alunos, professores, funcionários): engajamento no trabalho escolar; e a visão de qualidade da comunidade escolar. Se os pais são unânimes quanto ao motivo da escolha da escola de seus filhos, não o são sobre o significado do que seja uma escola de qualidade. As expectativas dessa qualidade são variadas, indo desde a escola que garanta segurança para seu filho até àquela que lhe garanta a aprendizagem de muito conteúdo. Pais de alunos de escolas conveniadas de Goiânia (LOUREIRO, 1993) revelam, em entrevistas, que esperam da escola, principalmente, a quantidade de conteúdo. O modelo é a escola tradicional da década de 1950, onde os alunos enchiam os cadernos de anotações das quais era cobrada a memorização. Para muitos, o modelo de qualidade é o da escola privada, que propicia aos alunos condições de competir no mercado de trabalho e, no caso específico da educação básica, ser aprovado no vestibular. A concepção de qualidade o vinculada a um ensino que propicie uma compreensão e participação crítica do aluno e o desenvolvimento de seu raciocínio, esteve presente em um número reduzidíssimo de pais entrevistados. Estes eram, em sua maioria, professores universitários. Se considerarmos a qualidade da educação, segundo a concepção acima, hoje, ela não existe na escola pública, na conveniada e nem na particular. A escola é considerada, muitas vezes, como de boa qualidade pelo fato dos alunos gostarem dela. Nessas escolas, parece interferir na escolha dos alunos o modo como aprendem, o que significa que as aulas e as atividades educativas da escola são atraentes e envolventes, muitas vezes porque os professores utilizam-se de estratégias e recursos pedagógicos adequados aos conteúdos e às características dos alunos. Essas quatro dimensões nem sempre são consideradas, analisadas e compreendidas no processo de planejamento e de tomada de decisão no âmbito dos 7 sistemas de ensino e das escolas. De igual modo, são poucas as pesquisas e os estudos realizados tendo a qualidade da educação como foco, em que pese sua relevância e importância para o avanço do conhecimento na área. A qualidade da educação básica em municípios do Estado de Goiás é o objeto de estudo da pesquisa “A qualidade na educação básica municipal: os sistemas de ensino e as escolas municipais” coordenada por docentes da FE/UFG. Para a realização da investigação foram selecionados municípios em que fosse possível estabelecer parceria com instituições de educação superior que formam professores. Esse critério se justificou porque se supôs que essa parceria seria de interesse dessas instituições e, ao mesmo tempo, viabilizaria as condições para a realização da pesquisa no município. Além disso, a existência de instituição de educação superior também pressupõe uma estrutura educacional mais consolidada que possibilitará a investigação das categorias de análise selecionadas para estudo, tanto nos sistemas quanto nas unidades escolares. Num primeiro momento foram identificados os municípios goianos que possuíam instituições de ensino superior com cursos de licenciaturas. Essas instituições foram convidadas a participar do Seminário Aberto “Qualidade da Educação Básica Municipal”, realizado na Faculdade de Educação/ UFG Do total de participantes, 15 instituições aderiram ao projeto se responsabilizando pelo estudo em 21 municípios do estado. Para a aproximação do objeto de estudo esta pesquisa desenvolveu um estudo bibliográfico da produção sobre a temática da educação básica municipal e da qualidade da educação. Além disso; está em curso pesquisa documental, tendo como referência as leis federais, estaduais e municipais sobre educação básica; dados estatísticos das escolas e sistemas municipais referentes às categorias em estudo. Objetivando um melhor entendimento do objeto de estudo, serão aplicados questionários de caracterização do município e da educação municipal e serão realizadas entrevistas semi-estruturadas com professores, diretores, secretários de educação, membros dos conselhos municipais de educação, pais e outros. A análise documental constituir-se-á, juntamente com as entrevistas, de um importante instrumento dessa pesquisa, tendo em vista que ela se propõe analisar políticas educacionais implantadas pelos sistemas municipais e que, por sua vez, fazem parte, na maioria das vezes, das políticas educacionais implementadas por governos federais, estaduais e organismos internacionais. Nessa análise, os documentos são 8 entendidos como produção de um determinado contexto histórico que contém em si expressões humanas com suas diferentes determinações. A importância do estudo da educação em Goiás e em outras regiões do Brasil se explica teoricamente porque a partir deles será possível falar em educação brasileira. É preciso elaborar a história da educação das várias regiões do Brasil e intensificar o intercâmbio entre historiadores de vários estados para nesse processo de construção teórica, reconstruir a história da educação brasileira. A história da educação escolar no Brasil com certeza se reveste de especificidades próprias de cada região e/ou estado no que se refere a espaços, ritmos, reivindicações, atores sociais, nos processos de implantação em cada lugar. A história local não é o espelho da história do país e da sociedade. Não é, nem pode ser o reflexo do global, porque se o fosse negaria a mediação que garante a particularidade dos processos locais e imediatos e que não se repetem nos processos mais amplos. Como dar conta da história da educação pública brasileira? Há o caráter universal da educação pública no país com sugestões de periodizações diversas, mas são generalizações abstratas para todo o país. É necessária a investigação concreta das múltiplas determinações em cada região e estado específicos. O micro-estudo é tão importante quanto a macro-interpretação, são apenas níveis de elaboração diferentes que podem servir uma à outra. Além das justificativas teóricas e da preocupação com a socialização dos conhecimentos educacionais locais para a realização desta pesquisa, há também a necessidade de trabalhos teórico-conceituais e teórico-empíricos a serem apresentados em eventos científicos, assim como a publicação de artigos em periódicos nacionais especializados. Vislumbra-se também a possibilidade de organização de uma coletânea de artigos que problematizem a questão da qualidade da educação na ótica dos sistemas municipais de ensino e das escolas com a participação de diferentes atores. Com a escassez de estudos educacionais sobre os municípios goianos é possível e desejável criar um banco de dados sobre a educação em municípios do Estado no Núcleo de Estudos e Documentação Educação Sociedade e Cultura - NEDESC/FE/UFG que irá subsidiar teses, dissertações e outros estudos sobre essa temática. 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AÇÃO EUCATIVA, UNICEF, PNUD, INEP-MEC. Indicadores da qualidade na educação. São Paulo: Ação Educativa, 2004. ADRIÃO, Thereza; PERONI, Vera (org). O público e o privado na educação: interfaces entre Estado e sociedade. São Paulo: Xamã, 2005. BRASIL. INEP. 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