CARACTERIZAÇÃO DOS PACIENTES CADASTRADOS NO HIPERDIA NO CENTRO DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE NOVA AURORAPARANÁ-BRASIL 2006. Manuela Aparecida Soares Dourado; Bruno Moreira Soares; Luciana Tagliari Brustolin e Raquel Soares Tasca. RESUMO Introdução: As doenças do aparelho circulatório representam um importante problema de saúde pública em nosso país. Há algumas décadas são a primeira causa de morte no Brasil, segundo registros oficiais. Em 2000, corresponderam a mais de 27% do total de óbitos, ou seja, neste ano 255.585 pessoas morreram em conseqüência de doenças do aparelho circulatório.A hipertensão arterial e o diabetes mellitus constituem os principais fatores de risco para as doenças do aparelho circulatório. Entre as complicações mais freqüentes decorrentes dessas patologias encontram-se o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral, a insuficiência renal crônica, a insuficiência cardíaca, as amputações de pés e pernas, a cegueira definitiva, os abortos e as mortes perinatais (HIPERDIA, 2006; WAITZBERG, 2004; CAVALLARI et al, 2002; COSTA & SILVA, 2002). Para Nobre & Serrano Jr (2005), a hipertensão arterial é uma doença poligênica que resulta de anormalidades dos mecanismos de controle da pressão arterial. Assim, existe um grande número de substâncias biologicamente ativas que interagem com os sistemas biológicos de maneira complexa. Isso garante a regulação do sistema cardiovascular, sendo a hipertensão arterial, uma disfunção desse sistema. Segundo a World health Organization (WHO, 1983), a Hipertensão Arterial (HA) pode ser definida como "uma doença caracterizada por uma elevação crônica da pressão arterial sistólica e/ou pressão arterial diastólica". Da mesma forma, o Ministério da saúde em seu Manual de Hipertensão Arterial (2002) define hipertensão arterial como uma pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva. Segundo Waitzberg (2004), o diabetes é uma síndrome de múltiplas causas, decorrente da falta e/ou incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos. Caracteriza-se por hiperglicemia crônica com distúrbios do metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. Onde especificamente o diabetes mellitus tipo-I, é caracterizado pela deficiência absoluta de insulina, sendo esta, na grande maioria dos casos, causada por processo auto-imune desencadeado após uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais (DE ANGELIS et al, 2006). Por outro lado, no diabetes mellitus tipo-II os pacientes possuem basicamente dois defeitos fisiológicos: secreção anormal de insulina e resistência a ação da insulina nos órgãos-alvo. Acredita-se que uma anormalidade nas células das ilhotas seja primária e necessária ao desenvolvimento do diabetes mellitus, contudo uma resistência adquirida a insulina, geralmente relacionada a obesidade, é necessária para se desenvolver a hiperglicemia (CARDOSO et al, 2002; GABBAY et al, 2003). O diabetes é considerado um importante problema de saúde pública, pois está associado a complicações que comprometem a produtividade, qualidade de vida e sobrevida dos indivíduos (WAITZBERG, 2004). O HIPERDIA é um Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à hipertensão arterial e ao Diabetes Mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde, gerando informações para os gerentes locais, gestores das secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde. Segundo Bispo Júnior & Gesteira (2006), o programa Hiperdia tem por objetivo estimular os estados e municípios a realizarem cadastramento dos hipertensos e diabéticos para acompanhamento e garantia do recebimento dos medicamentos e outros auxílios. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi caracterizar os pacientes cadastrados no Hiperdia segundo as patologias, faixa etária e o gênero, usuários do serviço da Rede Municipal do Centro de Saúde de Nova Aurora - Paraná. Materiais e métodos: A coleta de dados para a realização deste trabalho foi realizada no Centro de Saúde de Nova Aurora – Paraná, através de um de levantamento retrospectivo no sistema de cadastro e acompanhamento de indivíduos hipertensos que participam do programa HIPERDIA, seguidos de arquivos de pacientes atendidos pelo SUS. Na coleta de dados dos pacientes podem-se obter as seguintes informações: nome do paciente, gênero, idade, prescrições medicas e diagnósticos das patologias (hipertensão arterial e diabetes mellitus). Os pacientes foram agrupados em 5 categorias: P1-portador de hipertensão arterial, P2-portador de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo-I, P3- portador de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo-II, P4-portador de diabetes mellitus tipo-I e P5- portador de diabetes mellitus tipo-II. Resultados: A idade dos pacientes variou de 11 a 97 anos, sendo que 869 (62,47%) são do gênero feminino e 522 (37,53%) são do gênero masculino. Considerando-se a faixa etária, pode-se observar que a maior freqüência é de 60 a 70 anos onde se encontram 440 pacientes cadastrados, seguido pela faixa etária de 50 a 60 anos e 70 a 80 anos. Observou-se ainda que dos 1391 (100%) pacientes cadastrados, 999 (71,82%) eram portadores de hipertensão arterial, 222 (15,96%) eram portadores de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo-II, 123 (8,84%) portadores de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo-I, 35 (2,52%) portadores de diabetes mellitus tipo-II e 12 (0,86%) portadores de diabetes mellitus tipo-I. Quanto a medicação desses pacientes foi considerado todos os medicamentos disponíveis na farmácia do Centro de Saúde de Nova Aurora-Pr, sendo assim, dos pacientes cadastrados, os portadores de diabetes mellitus tipo-I utilizavam insulina NPH-humana como tratamento, já os portadores de diabetes mellitus tipo-II utilizavam: metformina 850 e/ou 500 mg, glibenclamida 5 mg, clorpropamida 250 mg e alguns utilizavam insulina NPH-humana; quanto aos portadores de hipertensão arterial utilizavam: captopril 25 mg, enalapril 10 e 20 mg, propranolol 40 mg, atenolol 50 mg, nifedipina 20 mg, verapamil 80mg, hidroclorotiazida 25 e 50 mg e furosemida 40 mg, clonidina 0,2 mg e metildopa 250 e 500 mg. Levando em consideração que, os medicamentos utilizados por esses pacientes que não se encontravam disponíveis no Centro de Saúde de Nova Aurora para o tratamento de hipertensão arterial e diabetes mellitus, estavam sendo comprados em farmácias comerciais, e ainda que o programa hiperdia disponibilize para o tratamento da hipertensão arterial, somente os medicamentos Captopril 25 mg, Hidroclorotiazida comp. 25 mg e Propranolol comp. 40 mg e para o tratamento de diabetes mellitus os hipoglicemiantes orais Glibenclamida comp. 5 mg e da Metformina comp. 500 mg e 850 mg, além da insulina NPH-100, não foi possível realizar uma média de consumo dos medicamentos disponibilizados no Centro de Saúde, uma vez que, somente os que fazem parte do programa HIPERDIA constam na ficha de cadastro dos pacientes, e o restante dos medicamentos utilizados pelos pacientes constam apenas como outros medicamentos na ficha de cadastro do paciente. Conclusão: Com o presente trabalho pode-se observar que no município de Nova Aurora-Pr a maioria dos pacientes cadastrados são hipertensos, seguidos de pacientes portadores de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo-II, portadores de hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo-I, verificando-se que a minoria eram portadores apenas de diabetes mellitus tipo-II e de diabetes mellitus tipo-I respectivamente. Sendo assim, fica evidente a necessidade de elaboração de mais trabalhos avaliando se os medicamentos oferecidos pela unidade básica de saúde de Nova Aurora-Pr, para o tratamento de hipertensão arterial e diabetes mellitus possuem resultados desejáveis quando comparados à literatura. Podendo assim, propor medidas que otimizem o tratamento do paciente com essas patologias. Palavras-chave: Hiperdia, Diabetes mellitus, Hipertensão Arterial.