Uma sensação de impotência...
Tento recapitular o que sei sobre avaliação. Julgamento, juízo de valor. Processo, caminho ou
ponto de partida para tomada de decisões.É pela avaliação que buscamos o melhor, aprimorar
um procedimento, redimensionar ações. Quando atrelada `quantificação, avaliar pode ser
tornar mera classificação e então, a irracionalidade encobre o certo, o devido, o justo. No caso
da Educação, avaliar como sinônimo de medição pode significar des-educação.
Escolas agora recebem notas. Pelo quê? Pelo número de processos administrativos, pelo
número de aprovados-reprovados ...e o resultado disso se reflete nos holerites dos
professores. Então, melhor calar, negar um fato, deixar de pedagogicamente discutir e ensinar
alunos os percalços que às vezes eles mesmos provocam no espaço escolar. Que ninguém
emita uma opinião, que os professores impeçam-se de trazer à aula o assunto que está no
pátio, nos corredores, entre carteiras e alunos. E assim, dizem que estamos fazendo educação.
Num Estado imbuído do todo poderoso Senhor da Avaliação é preciso o silêncio que consente
o atroz, que sustenta o monólogo, que confere mediocridade ao papel do professor para a
nota da escola seja mantida.
É...e dizem que estamos educando melhor, porque os professores, escolas e sistemas estão
constantemente sendo avaliados. Resta saber que educação é essa, que sentido é esse de ser e
estar professor. Por hora, apenas uma pesada sensação de que estamos sendo professores
pela metade, estamos numa escola em ruínas.E mesmo assim, dizem que estamos fazendo
educação.
O singular...marca da pós-modernidade?
Jamenson, no Brasil, reforça a ideia do fim dos universais e o predomínio do singular,
da performance. Até a arte sai do objeto como arte e se reduz(ou se amplia?) a um evento.
Expôr-se é a palavra. Isso me faz notar no absurdo de não termos nos livrado nem melhorado,
como humanos. Como em Roma, transformamos a luta, a violência em espetáculo e em fonte
de riqueza material. Os lutadores ganham rios de dinheiro e a platéia, comovida, aplaude os
socos no rosto. O nome disso agora é “esporte”e não se pode dizer nada contra. Afinal, “nossa,
isso é antigo e chique há muito tempo nos EUA”. Pois é, desde Roma, que os imperadores
agraciavam os súditos com a sua presença na arena.
É a espetacularização da violência, a performance de homens que se têm como
valentes, fortes e esportistas!!! Caramba, homens fortes e valentes são os que lidam dia-a-dia
para sobreviver, para manter o sonho, sem perder a ternura. Esses são os valentes e os fortes.
O que ouçam viver, apesar de todo o espetáculo da mediocridade.
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