INSTRUMENTOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL REGIONAL+ Armin Mathis++ Resumo O presente trabalha apresenta na sua primeira parte uma refle xão sobre alguns instrumentos para a implementação do desenvolvimento sustentável e uma discussão das suas possíveis adequações para a Amazônia. A segunda parte do texto se encarrega de discutir formas de fortalecimento do capital social levando em consideração que qualquer atitude de aumentar a capacidade de auto-organização e autogestão no nível local é uma contribuição para a democratização e sendo assim alvo de resistência por partes dos detentores do poder tradicional. A implementação do sistema político como sistema funcional corrompido confere pouca legitimidade às suas decisões, tomadas em geral em prol de interesses particulares. O sistema da ciência, mesmo na sua forma periférico, está submetido a um código de comunicação que busca ‘a verdade’ us ufruindo de uma grande confiabilidade dentro da sociedade. Essa confiança pode se constituir como fator importante para corroborar sua liderança e legitimar uma condução contextual do processo de agenda building que visa deliberadamente uma mudança do status quo. Uma mudança que é legitimada não por um consenso básico mas pela forma como o processo decisório foi dirigido. Introdução Quase uma década após a Rio 92, e a Amazônia ainda procura um novo modelo para guiar o seu caminho no início do novo século. O sonho dos militares de transformar o potencial da Amazônia em poder para um Brasil Grande foi enterrado, finalmente com a extinção da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM. Ainda que o Governo Federal tente um novo discurso para definir a sua postura + Publicado em: ADCONTAR. Revista do Centro de Estudos Administrativos e Contábeis. Belém. v.2 n2, p. 19-30. 2001. ++ Cientista Político. Prof. Adjunto do Núcleo de Altos Estudos Amazônico da Universidade Federal do Pará, Pesquisador da Universidade da Amazônia. 1 frente à região2, a sua atuação política mostra evidências de que a Amazônia deixou de ser prioridade para o Governo Federal. Se por um lado essa perda de interesse federal significa uma diminuição de verbas federais para o desenvolvimento da região, por outro lado os governos estaduais ganharam autonomia para definir os caminhos de desenvolvimento dos seus estados. Surge assim uma variedade de políticas de desenvolvimento para a região. O que todas as proposta tem em comum é a sua referencia ao conceito de desenvolvimento sustentável, seja de maneira explícita, como no caso do Amapá, ou de maneira muito tímida, como no caso do Pará, cujo atual modelo de desenvolvimento podemos classificar como modernização tradicional; isto é uma política de desenvolvimento regional, que visa ampliar a base industrial do Estado, e onde a preocupação com o meio ambiente é um mal necessário. Ao lado dos agentes oficiais, surgiram nas últimas duas décadas outros atores sociais tentando contribuir para uma melhora das condições de vida da popula ção. Inicialmente as atividades destes grupos - alguns ligados à igreja, outros organizados como ONG’s - visavam amenizar os impactos da política de valorização dos militares, no entanto logo se apropriaram do discurso de sustentabilidade que aflorou após 1992 e cada vez mais incluíram questões ambientais nas suas agendas de atuação. Mesmo que as diversas atividades de organizações e grupos da sociedade civil tenham conseguido muitas vezes um aumento significativo do bem estar do grupo alvo, frente às dema ndas da região atuações isoladas e pontuais ainda não constituem uma alternativa viável para a atuação do poder público. Poder público este que tornar-se-á responsável principal na implementação de um novo modelo de desenvolvimento que vise a satisfação da s necessidades das gerações atuais sem prejudicar as possibilidades das gerações futuras. Sustentabilidade regional Refletir sobre sustentabilidade para uma região nos coloca diante um modelo que se distingue da maneira tradicional de pensar o desenvolvimento regional em vários aspectos. O objetivo principal das políticas de desenvolvimento regional no passado era superar as desigualdades regionais através de uma série de instrumentos econômicos que pretendiam contrabalançar a tendência inerente do sistema econômico de aumentar as diferenças, seja em termos espaçais (entre países ou entre regiões) ou em termos sociais (entre 2 Ver sobre os novos planos Mathis 2000 2 os atores econômicos) 3 . Os princípios da justiça intragerações e intergerações que fundamentam o desenvolvimento sustentável introduze m um enfoque diferente. A política de desenvolvimento regional agora deve se preocupar não somente em definir um caminho de desenvolvimento para a região que está em conformidade com as suas potencialidades ecológicas mas também em considerar as conseqüências desse caminho para as outras regiões (= justiça intragerações) e para futuras gerações, tanto na mesma região quanto no resto do globo. Tentar colocar sustentabilidade em prática no nível regional pode ser descrito partindo das seguintes regras de atuação4 : - Definir seu lugar dentro do sistema global; - adequar - se às condições regionais; - preservar e ampliar a variedade. Uma política de desenvolvimento que tem como objetivo a sustentabilidade da região e que tenta operacionalizar essas regras de atuação tem que ser muito mais que política econômica. Ela tem que intervir ao mesmo tempo nas dimensões ambiental, econômico, social e institucional. Através da atuação em conjunto nessas esferas, será possível criar e usar efeitos de sinergia capaz de deslanchar na região círculos autofortalecentes de feedback positivo, aptos a colocar a região no caminho da sustentabilidade. Sustentabilidade que se manifeste em cada dimensão de uma forma diferente. Sustentabilidade ambiental no nível regional significa organizar as relações entre sociedade e natureza de uma maneira que os fluxos energéticos e materiais que resultam dessa relação estejam por um lado encaixados dentro de um fluxo sustentável no nível global, e por outro lado adequada às diversas condições ecológic as locais. Isso pressupõe reconhecer que cada região conforme sua dotação ecológica exige um modelo de desenvolvimento diferente, e que não existe a possibilidade de transferir ou copiar experiências de outras regiões. Planejamento para o desenvolvimento regional significa elaborar peças únicas. 3 Ver por exemplo os trabalhos de Hirschmann e Myrdal. 4 Ver Sustain (1994) e Gabher et al. (1998) 3 Sustentabilidade econômica no nível regional requer organizar as atividades econômicas, seus atores e as suas instituições (como mercados, conselhos, associações etc.) de tal maneira que elas são adequadas às condições regionais (conhecimentos, recursos, infra-estrutura etc.) e que elas têm capacidade de assegurar por um longo tempo a qualidade de vida da popula ção regional. Reforçar as forças próprias e maximizar a geração de valor regional não deve ser entendido como um apelo para autarquia regional; pelo contrário, uma intensa cooperação econômica é um forte instrumento para conseguir um bom desempenho econômico. Uma política que tem como alvo a sustentabilidade econômica não deve colocar no centro da sua atenção as condições que determinam a valorização do capital, mas sim a função social da economia, que é de produzir bens e serviços que possam garantir um certo grau de qualidade de vida para toda a sociedade. Sustentabilidade social no nível regional significa garantir ao longo prazo a coesão das comunidades locais,de modo que isto somente será possível se todos os cidadãos tivessem acesso a uma oferta básica de serviços sociais (educação, assistência médica etc.) que lhe coloquem em condiç ões de desenvolver as suas habilidades. À primeira vista, sustentabilidade social se assimila às políticas sociais tradicionais dos Estados modernos, cujos objetivos são: satisfação das necessidades básicas, nivelamento das condições de vida, nivelamento das oportunidades de desenvolvimento pessoal. A especificidade de quando se fala em sustentabilidade social se dá no fato do que o cumprimento desses objetivos fica relacionado com as outras dimensões de sustentabilidade. Na prática, isso significa que qualquer ação, além de levar em consideração sua contribuição para a sustentabilidade social, tem que ser avaliada também nas suas conseqüências para as outras dimensões de sustentabilidade (Schäfer / Schön 1999). Uma política social cujos recursos são oriundos de uma exploração nã o sustentável da natureza não pode ser considerada uma contribuição para um desenvolvimento sustentável. A necessidade de avaliar a qualidade que uma intervenção gera em uma certa dimensão, levando em conta os seus efeitos (intencionais ou não) nas outras dimensões, não fica restrita à dimensão social, ela se aplica a qualquer política pública para sustentabilidade. Sustentabilidade institucional no nível regional significa a existência de estruturas e instituições de interação que permitem que os cidadãos possam exercer a sua participação na tomada de decisões e seu 4 controle na implementação destas decisões5 . Isso requer uma condução política na qual os órgãos da administração pública tomem consciência do seu papel de moderadores de um processo cujo rumo e êxito depende da maneira como se organiza a inserção de organizações externas na administração pública deste. Em seguida apresentaremos alguns instrumentos que possam ser utilizados nas tentativas de modificar os caminhos da evolução regional em direção a uma maior sustentabilidade. Devido às limitações impostas pelo formato do trabalho, enfocaremos nossa abordagem nas dimensões ambiental e institucional. Análise de fluxos materiais - visualizando a relação sociedade natureza O desenvolvimento sustentável se distingue do desenvolvimento tradicional pela inclusão da observação da relação sociedade-natureza. A sociedade precisa organizar a sua inserção na natureza de tal maneira que ela seja a mais duradoura possível. Para poder enfrentar esse desafio é necessário que a sociedade tenha conhecimento como se dá a sua relação com a natureza. Em geral, a natureza exerce três funções básicas para a sociedade: ela fornece recursos naturais renováveis e não-renováveis, ela absorve os resíduos e emissões que resultam do uso desses recursos e ainda presta funções vitais para os seres vivos. Enquanto as funções vitais da natureza são ligadas diretamente aos seres humanos como espécie biológica, a sua função de fonte de recursos e absorvente de resíduos e emissões é socialmente definida e senda assim, sujeita a mudança. Desta forma para podermos definir a necessidade e os rumos dessa mudança, é imprescindível um conhecimento mais detalhado sobre a maneira como uma sociedade estabelece a sua relação com a natureza. No decorrer da discussão sobre o desenvolvimento sustentável foram criados instrumentos que tentam, através da descrição e análise de fluxos materiais, visualizar essa relação.6 O ponto de partida desse pensamento é a interpretação da sociedade como algo que possui um metabolismo 7 . Fazendo analogia ao conceito clássico de metabolismo que se refere aos processos 5 Nas ciências sociais sustentabilidade institucional também é tratada sob a categoria do capital social. Sobre o capital social ver além do clássico de Putnam (1996), o estudo bibliográfico de Abu-El-Haj (1999). 6 Embora aqui se incluem análises de fluxos materiais e energéticos, a nossa apresentação se concentra nos fluxos materiais, entendendo que em parte fluxos energéticos estão inclusos nos fluxos materiais. 7 A metáfora do metabolismo (industrial) foi usada primeiramente por Ayres (1989). Metabolismo social e colonização são as categorias usadas no grupo do IFF – Vienna. A partir de 1996 foi criada uma rede – 5 químicos da transformação material e energética dentro de organizações que possuem possibilidades de reprodução biológica, a sociedade é interpretada como um sistema que é mantido através de um fluxo contínuo de matéria e energia. Para que se torne sustentável o metabolismo social precisa ser sustentável tanto no lado das entradas (consumo de recursos) quanto no lado das saídas (depósitos feitos na natureza). Como a relação sociedade – natureza se modifica no decorrer da evolução social podemos distinguir pelo menos três tipos de metabolismo social. - Metabolismo social básico. Nesse estágio o metabolismo social é igual a soma dos metabolismos biológicos dos seres humanos que compõem a sociedade. Em média, cada membro do grupo retira e deposita na natureza cerca de uma tonelada de material por ano. - Metabolismo social intermediário. Com a tentativa de controlar o uso de recursos biológicos através da agricultura ou da pecuária, há um aumento de metabolismo devido às necessidades materiais dos animais e dos artefatos. Em termos qualitativos, o metabolismo social é parecido com o básico; o consumo material fica restringido basicamente a recursos naturais renováveis. Problemas de acesso a esses recursos são superados através de migração. O consumo de material é de 3 até 10 vezes maior do que no metabolismo básico. - Metabolismo social ampliado. Nessa fase a sociedade intensifica o uso de estoques acumulados de recursos naturais não-renováveis. Isso acontece primeiramente com os metais, e a partir do processo da industrialização o uso de energéticos (carvão mineral, petróleo) se torna indispensável. O uso de material é de 5 até 10 vezes maior do que em sociedades agríc olas. O problema principal nesse estágio da sociedade deixa de ser a escassez no lado da entrada (acesso ao recurso), e sim a limitação no lado da saída (possibilidade de depositar os rejeitos). O metabolismo social descreve a quantidade e qualidade de material que a sociedade retira e deposita da natureza. A sustentabilidade de uma sociedade se mostra além da quantidade e qualidade do material usado e da maneira como essa retirada aconteceu. Isso é expresso através do conceito de colonização. ConAccount para facilitar a troca de experiências dos vários grupos que estavam desenvolvendo metodologias de análise de fluxos material. 6 Colonização é definida como manipulação direcionada, douradora e intencionada de processos naturais como condição primordial para a satisfação das demandas sociais. Ela envolve a necessidade de trabalho e a capacidade para organizar o processo de trabalho. Uma vez feita a colonização, ela só pode ser mantida contra a dinâmica da natureza usando inputs de energia e matéria. Pela co-evolução entre sociedade e natureza, a colonização tende a ser um processo irreversível tanto para os sistemas colonizados quanto para as sociedades que os usam. Mostrar a quantidade total e a composição das entradas e saídas entre a natureza e a sociedade é o objetivo geral de todos instrumentos que se baseiam em contabilidades de fluxos materiais. Conforme objetivos específicos de interesse, existem métodos de medição específicas. Bringezu e Kleijn (1997) enumeram seis tipos diferentes de análises relacionadas com fluxos materiais conforme o objetivo principal da investigação. - Análise de fluxos de substâncias (substance flow analysis SFA), no caso de problemas ambientais ligados a impactos específicos de certas substâncias (por exemplo Cadmium, Mercúrio, Zinco, CO2). - Análise de fluxos materiais no caso de problemas ambientais ligados a impactos específicos de certos materiais (por exemplo plásticos, material de escavação, materiais energéticos, biomassa). - Análise de ciclo de vida (Life cicle assessment LCA), no caso de problemas ambientais ligados a impactos de certos produtos (por exemplo baterias, carros). - Contabilidade e análise de fluxos materiais para conhecer o throughput (metabolismo) de empresas (por exemplo plantas industriais, grandes companhias). - Contabilidade e análise de fluxos materiais para conhecer o throughput (metabolismo) de sectores (por exemplo indústria química, indústria da construção civil). - Contabilidade e análise de fluxos materiais para conhecer o throughput (metabolismo) de regiões (por exemplo comunidade, região, país). Todos os tipos de análise podem fornecer informações importantes para guiar políticas públicas pa ra um desenvolvimento sustentável. Através deles é possível: - detectar novos problemas ambientais (por exemplo: acúmulo de mercúrio em indústrias de cloro); - detectar novas soluções (redução da entrada na fonte em caso de materiais não degradáveis); 7 - comparar eficiências materiais de empresas ou ciclos de produção; - calcular indicadores de consumo de material; - visualizar o impacto ambiental de uma economia nacional fora da sua fronteira; - calcular perdas e desperdícios de material. Análise de fluxos materiais como instrumentos de uma política de desenvolvimento regional sustentável Os resultados dos estudos de fluxos materiais em nível nacional mostram que não há uma correlação entre bem-estar geral da população e a maneira como a sociedade se relaciona com a na tureza. A demanda total de material (total material requirement TMR)8 nos países industrializados oscila entre 75 t/cap/ano e 85 t/cap/ano9. Na maioria dos países industrializados a eficiência material aumentou na última década, e eles conseguem produzir os mesmos produtos e serviços com menos material. No entanto, o aumento da eficiência é muito pequeno, para reduzir o consumo de material em termos absolutos, e isso se dá devido à tendência de crescimento das principais economias10 . Na Comunidade Européia a demanda total de material em 1997 foi de 52 t/cap/ano, o mesmo valor de 1980 (Bringezu / Schütz 2001: 19). No nível das 8 A demanda total de material é o indicador mais abrangente de consumo material. Ele inclui além do consumo direto de material os fluxos escondid os (hidden flows) ou mochilas ecológicas (ökologische Rucksäcke), isto é material retirado da natureza sem entrar no circuito econômico como mercadoria. Exemplo disso é o material estéril que precisa ser retirada antes de poder acessar uma jazida de recursos minerais. No cálculo da demanda total de material estão incluso também os fluxos escondidos ligados à produção das mercadorias que um país importa, possibilitando assim, a comparação entre países como bases de recursos naturais distintos. Eurostat (2001). 9 Uma exceção é o Japão com 45 t/cap/ano devido ao reduzido consumo energético. 10 A discussão sobre o grau de aumento da eficiência material foi iniciada por F. Schmidt-Bleek e seus colegas do Wuppertal Institut em Alemanha. As opções variam entre o fator 4; isso corresponde a uma redução do consumo de recursos naturais e energia por unidade de produção para um quarto do consumo atual dentro de um prazo de 20 até 30 anos. O fator 10 prevê uma diminuição para um décimo do consumo atual dentro de um pra zo de 30 até 50 anos. Essa discussão é de grande importância para países em desenvolvimento, porque somente através de um redução significativa do consumo de matéria e energia nos países do primeiro mundo, os outros países terão a sua disponibilidade material e energia para produzir as mercadorias e serviços necessários para aumentar o bem-estar da sua população. 8 econômicas nacionais a análise de fluxos material ganha-se cada vez mais o status de um instrumento oficial de monitoramento de desempenho econômico11 . Uma região que procura a sua uma inserção dentro de uma relação sustentável entre sociedade e natureza no nível global, deve organizar o seu metabolismo de tal maneira, - que o impacto da sua economia fora da região seja mínimo; - que os seus processos de colonização sejam organizados de tal forma que eles minimizem a emissão de materiais tóxicos ou nocivos ao meio-ambiente; - que ele busque o aumento permanente da sua eficiência material e energética. Para todas essas tarefas a análises de fluxos materiais oferece um instrumento capaz de subsidiar a tomada de decisões políticas. Evidentemente, a qualidade dessa análise depende da qualidade de dados estatísticos disponíveis para o cálculo. No nível das unidades sub-federais, as contas regionais podem servir como ponto de partida, a ser aprofundado por outros dados disponíveis na administração pública (exportação / importação / balanço energético etc.). Através do balanço de fluxos materiais que o nível regional fornece é possível identificar os setores que contribuem mais para o consumo material e aqueles que empregam materiais que constituem uma ameaça ambiental. Dentro de um processo decisório, essas informações podem ser cruzadas com dados econômicos tradicionais (empregos no setor, inserção regional do setor, contribuição fiscal etc.) para uma análise multi-criterial possibilitando assim um amplo leque de visões12 . A decisão política de exigir dos agentes econômicos uma redução dos seus fluxos materiais através do aumento da sua eficiência material, funciona também como um indutor de uma modernização ecológica no nível das empresas. Ao longo prazo elas devem adquirir sistemas de contabilidade dos seus fluxos materiais, que permitem um monitoramento permanente da eficiência material e energética do seu 11 Veja as tentativas da Comissão Européia através do Eurostat em conjunto com os órgãos de estatística nacional de elaborar padrões metodológicas para o MFA. Sobre as possibilidade de intercâmbio entre MFA e o sistema integrado de contabilidade econômica e ecológica (SEEA) veja Bartelmus / Vésper (2000) 12 Sobre o uso análises multi-criteriais (multi-criteria analysis) em processos decisórios sobre questões de sustentabilidade ver Rauschmeyer (1999). 9 processo de produção completando assim as informações de desempenho financeiro que a contabilidade tradicional lhes oferece13 . Eficiência como critério de decisão não precisa ficar restrita à analise de processos de produção, é possível medir e comparar a demanda material de serviços, produtos e obra de infra-estrutura. A categoria ‘entrada material por unidade de serviço’ (Material Input per Service Unit MIPS) expressa o total de input de matéria e energia necessária para a prestação de uma unidade de um certo serviço14 . No cálculo entra todo o material que movimentado na natureza (inclusive as mochilas ecológicas) até conseguir a unidade de serviço. Essa análise de intensidade material fornece um valor em toneladas. O MIPS é um indicador que visa sobretudo o lado da produção e menos o lado do consumo. A entrada de material por unidade de serviço pode ser reduzida através do aumento da eficiência no aproveitamento do material ou através do aumento dos serviços que um produto pode prestar15 . Uma outra fonte de redução da demanda material e a emissão - além da modificação da composição setorial da economia regional – consiste no aumento do reaproveitamento de materiais dentro intra-regional. Para que isso seja possível, é preciso dispor de informações detalhadas sobre os fluxos materiais (entradas e saídas) dos agentes econômicos. Com essa informação, é possível identificar as saídas que possam servir de entradas para outros processos econômicos 16 . A modernização ecológica dos processos de produção e a formação de redes de reaproveitamento de material no nível regional ou local não se implementarão sem uma participação ativa do poder público. Este precisa, além de estabelecer metas para as empresas, oferecer possibilidades de adquirir as habilidades e conhecimentos necessários para poder cumprir as metas17 . 13 Sobre as diferentes formas de Eco-Audit (ISO, EIA/RIMA, certificações etc.) ver Fischer (1999) 14 Esse indicador elaborado no âmbito do Instituto Wuppertal (Schmidt-Bleek 1997). 15 Ver sobre MIPS os trabalhos de Föhlich / Hinterberger / Rosinski / Wiek (2000) (2000 a) 16 Um exemplo que mostra que redução de demanda material também se expressa em redução de custos é o reaproveitamento de resíduos das serrarias pelas padarias para substituir a lenha ou a energia elétrica. Sobre possibilidades e experiências com rede local/regionais de aproveitamento de material ver Fichter / Kujath (2000) 17 Existem hoje vários instrumentos que visam a transformação de empresas em empresas sustentáveis. Um desses instrumentos é a metodologia COMPASS (COMPAnies and Sectors to Sustainability) elaborado pelo Instituto 10 Sistema de indicadores como guias para a sustentabilidade Definido os objetivos gerais da sustentabilidade nas suas diversas dimensões e munidos de instrumentos para medir o grau de sustentabilidade, podemos agora iniciar a nossa caminhada em direção a sustentabilidade. Para não perder o rumo nessa árdua tarefa usaremos indicadores como guia que nos mostrarão se estamos no caminho certo ou faz-se necessário uma mudança de rumo. Um indicador de sustentabilidade é a representação quantitativa de um certo parâmetro que fornece informações sobre um fenômeno que é importante para o desenvolvimento sustentável (de Bryn / van Druinen 1999). Isso significa que a escolha dos indicadores é um reflexo da maneira como é definida a sustentabilidade, da escolha do sistema de referência para qual se procura a sustentabilidade, e da escolha das informações para representar o modelo escolhido. Um marco inicial no uso de indicadores de sustentabilidade foi sem dúvida o traba lho do Clube of Rome que se utilizou dados sobre crescimento econômico e uso de recursos naturais para alertar sobre a insustentabilidade da atual forma de atuação econômica. Após a publicação do relatório Brundtland, as tentativas de elaborar instrumentos para guiar a transformação em direção a um mundo mais sustentável se multiplicaram. Uma das primeiras tentativas de derivar uma ampla gama de indicadores de sustentabilidade foi feita por Liverman et al. (1988)18. Como exemplos de sistemas indicadores com diferentes sistemas de referência podemos enumerar: - A tentativa do World Watch Institute de medir a sustentabilidade global; - o trabalho de John Peet (1997, 1996) que tem como referência a sustentabilidade de Nova Zelândia ; - e Sustainable Seattle como tentativa de desenvolver indicadores para uma cidade. Argumentando contra um certo empirismo e voluntarismo na escolha dos indicadores, Hartmut Bossel (1999, 1996a, 1996b ) defende uma abordagem sistêmica para definir padrões de sustentabilidade e a derivação de indicadores. Na sua proposta ele trabalha com sete orientadores básicos de sistemas que são: Wuppertal. Ela tenta integrar aspectos ambientais - no nível do produto (life cycle) e de processos de produção – e aspectos sociais (Kunhdt / Liedke 1999). 18 Lá, em Morati et al (1993) encontram-se também exemplos para sistemas de indicadores desenvolvidos antes de Brundtland. 11 - existência, para garantir a sobrevivência do sistema ; - efetividade, no seu esforço de segurar escassos recursos; - liberdade de ação, frente a variedade ambienta l; - segurança, contra os efeitos detrimentais da variabilidade ambiental; - adaptabilidade, através da mudança das suas estruturas aos desafios postos pelas mudanças ambientais; - coexistência, com outros sistemas do seu ambiente; - reprodução, para sistemas autopoiéticos; - necessidades psicológicas, para sistemas que tem sentimentos; - responsabilidade, para sistema s baseados na consciência. Desses orientadores ele deriva um conjunto de indicadores para os setores da sociedade: sistema de infraestrutura, sistema econômico, sistema social, sistema de desenvolvimento do indivíduo, sistema político, sistema ambiental e sistema de recursos. Através da elaboração de orientadores básicos para cada setor da sociedade é construído o conjunto final dos indicadores. Embora o trabalho de Bossel se distingue das demais tentativas de elaboração de sistemas de indicadores pelo rigor que ele dispensa para com a sua fundamentação teórica, o sistema tem várias falhas que prejudicam a sua praticidade. Encarregado de acompanhar o processo de implementa ção da Agenda 21, a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CDS) da ONU foi obrigada a buscar instrumentos de avalia ção deste processo. Esses instrumentos deviam ser capazes de guiar a tomada de decis ões políticas em direção a um desenvolvimento sustentável, melhorar o grau de informação e possibilitar uma análise comparativa e específica para cada país sobre o estado atual e o progresso em direção ao desenvolvimento sustentável (UN 1995). Para isso os indicadores deveriam ser: - baseados em critérios científicos amplamente reconhecidos; - relevante para o desenvolvimento sustentável; - transparente na sua seleção, no seu cálculo e compreensível fora do mundo acadêmico; - quantificável, sempre quando for possível; - limitado, conforme do seu objetivo. 12 Para sua primeira conferência após da Rio-92 a CDS lançou o desafio de desenvolver sistemas capaz de serem integrados no sistema existente de relataria e análise dos estados nacionais. Os esforços conjuntos levaram a uma primeira lista de indicadores a ser testado nos próximos cinco anos, aprovado na terceira sessão da CDS, em maio de 1995. Aprimorado sobretudo na parte que dissesse respeito à metodologia do levantamento dos dados, a CDS-4, em 1996, resultou finalmente em uma lista com 134 indicadores e 125 anotações metodológicas. Os indicadores seguem à estrutura da Agenda 21 e se baseiam no conceito de driving forces - state - response. Dentro do processo de elaboração da lista, chegou-se ao compromisso sobre a necessidade de uma quarta dimensão, não mencionada na Agenda 21: a sustentabilidade institucional. Na fase de teste dos indicadores participaram 22 países voluntários, entre eles o Brasil, que em 2001 devem apresentar os seus resultados. Embora ainda não concluído a fase de teste, desde já podemos constatar algumas necessidades de mudança, sobretudo devido a problemas conceituais do sistema em vigor 19 . - Ele é baseado no princípio de causa - dano - solução. Isso implica uma preferência para 'end-of-thepipe policies' em vez de uma política pró-ativa para evitar danos. - O esquema causa - dano - solução não pode ser aplicado à sustentabilidade institucional. Instituições têm uma genêse muito mais complexa, que não pode ser descrita somente com esse esquema20. - O pensar em quadro dimensões dificulta a construção de indicadores que demonstram as ligações existentes entre essas dimensões. - O número de 134 indicadores é de menos para dar uma visão complexa do estado de sustentabilidade de um país, mas é de mais para uma comunicação efetiva com o sistema político. Baseado nesses pontos críticos um novo sistema de indicadores devia: - abdicar do esquema 'causa - dano – solução; 19 Esse capítulo segue em grande parte dos termos de referencia elaborado por Spangenberger (2000). O objetivo do projeto coordenado por ele é o desenvolvimento e teste de um novo sistema de indicadores (no nivel de macroregiões) para a UN a ser apresentado na CSD 9 em 2001. A validação do sistema será feita na Ásia Central (Bacia do Lago Aral). 20 O problema é a limitada capacidade de explicação de abordagens linear para phenómenos complexos não-lineares como organizações ou a sociedade moderna 13 - o número de indicadores deve ser limitado; - manter as quadro dimensões; - manter os critérios de definição para o levantamento de dados estabelecido no Blue Book (UN 1996). Agenda 21 local – o improvável compromisso público com a sustentabilidade Dentro do espírito da Agenda 21, uma agenda local representa o compromisso de uma comunidade que expressa a sua vontade de modificar o seu caminho de desenvolvimento em direção a um desenvolvimento sustentável. Sobre o papel do poder público na elaboração da Agenda existem divergências. Enquanto Grabher et al. (1998), nas suas recomendações para a Áustria atribuem ao poder público um papel fundamental para o processo da formulação da agenda Hart (1998), formulando recomendações para os Estados Unidos e Canadá, defende uma abordagem que enfatiza mais o papel das organizações não-governamentais e grupos de indivíduos interessados no destino da sua comunidade 21 . A participação maior do poder público como promotor do processo da elaboração das Agendas 21 na Europa se reflete também na política da União Européia que acompanha e documenta os progressos na implementação dos compromissos firmados por seus membros na Agenda 2122. A definição do estado de sustentabilidade que uma comunidade quer alcançar deve ser resultado de um processo de ampla participação23 . Isso é (talvez o único) ponto de convergência tanto da Agenda 21 como das avaliações feitas dos processos de formulação de Agenda 21 locais fora da Amazônia 24 . 21 Sustainable Seattle, talvez o caso mais famoso de uma Agenda Local nos Estados Unidos, surgiu como iniciativa de um grupo de voluntários. Sobre a experiência de Seatte ver Atkisson (2000). 22 Até agora foram realizadas as seguintes grandes conferências: Aalborg 1994, Lisboa 1996. Em 1996 foi publicado o relatório final sobre cidades sustentáveis na Europa pela Direção Geral XI. Além disso, há um acompanhamento no nível dos estados membros da UE. Ver para a Bélgica (Belgian Government 1996) 23 Ver por exemplo sobre as experiências de Agendas no Norte em Greiner (1999), Zimmermann / OttoZimmermann (1999) 24 Na internet há vários sites que documentam exemplos de processos de formação de Agendas 21 Locais . Ver por exemplo o site do Internacional Council of Local Environment [http://www.iclei.org/iclei/la21.htm]. Sobre avaliações desses processos ver por exemplo : Kreusel (1997), Bossel (1999), Grabher et al. (1998). 14 A forma como interesses fora do processo tradicional de tomada de decisão podem se fazer presentes dentro de um processo discursivo depende das formas institucionais que a região possui ou é disposta a criar. Podemos esperar diferenças significativas entre a Amazônia e as regiões dos países do Norte que já passaram por processos de elaboração de Agendas locais. A diferença é ao mesmo tempo expressão de enfoques sobre o desenvolvimento sustentável nos países do Norte e do Sul e de formas diferentes de inserção no processo de modernização. Enquanto nos países do Norte a leitura do desenvolvimento sustentável se concentra na tentativa de tornar sustentável o estilo de vida atual, nos países do Sul prevalece a procura pelo desenvolvimento com a sua eterna promessa de um futuro melhor. A necessidade - imposta pelas leis da natureza - de mudar o atual caminho para poder assegurar o status quo de bem-estar, consegue nos países do Norte criar um grande comprometimento com a causa, que por sua vez funciona como um consenso inicial facilitando os processos discursivos. Em uma região de modernidade periférica como a Amazônia, esse consenso inicial dificilmente pode ser encontrado. Aqui, a modernidade se processa como instituição da diferenciação funcional da sociedade global no nível regional. Ela se implanta assim, com caraterísticas regionais e conforme a maneira como o Estado nacional se comporta na concorrência das nações. O Estado nacional se coloca portanto entre o nível regional e o nível global25, sem muita liberdade de ação, porque a diferenciação funcional da sociedade global define as estruturas em que o Estado nacional pode condicionar a região para o seu ingresso na modernidade. A modernização, no nível regional, se processa dentro das estruturas da sociedade funcionalmente diferenciada, e vale lembrar que na sociedade global não há uma distância de coordenação, nem a necessidade de uma evolução para um equilíbrio. Isso tem diversas conseqüências para a forma de modernização no nível regional. O que se observa no nível regional é um duplo obstáculo que impede a formação de ordem. Primeiro, a formação dos sistemas funcionais é resultado de um processo evolutivo, e por isso não há como planejar 25 Foi mostrado isso em um trabalho anterior, tomando por exemplo a garimpagem como forma de valorização da Amazônia, mas usando as categorias espaços funcionais (Mathis 1995, Mathis 1997). 15 ou repetir no nível regional, o que aconteceu no nível global durante o processo da formação da sociedade moderna. Evolução no nível regional significa que a modificação da estrutura da sociedade sempre é modificação de estruturas antigas, através da seleção de alternativas que se incluam dentro dessas estruturas antigas. O novo sempre carrega consigo o velho. Nada garante que a improvável formação de sub-sistemas como funções exclusivas aconteça. É muito mais provável que se formem sistemas funcionais corruptos, no sentido de não conseguirem para si a exclusividade de uma função dentro da sociedade regional. Expressão clara disso é a meta-diferenciação inclusão/exclusão que corta verticalmente os sistemas funcionais e que transforma a sua competência, a qual deveria ser universal, – em algo sujeito de uma decisão contingente dos sistemas sociais da sociedade26 . Desta maneira, não há uma contenção mútua dos sistemas funcionais, e a sua integração é muito baixa. A formação corrupta dos sistemas funcionais é mais acentuada naqueles sistemas que ainda conseguem evitar a sua integração total nas regras do jogo do sistema funcional da sociedade global. O sistema funcional da política com a sua segmentação em Estados Nacionais é, por isso, muito mais propício do que a economia ou a ciência. Em uma região onde em grande parte ainda existe uma cultura política que mal respeita as instituições formais do sistema político e que tenta inibir qualquer participação democrática, a manifestação e a inclusão de interesses não-organizados dentro de um processo discursivo não é de se esperar. Em geral, qualquer tentativa de ampliar a base de participação nos processos decisórios é uma ameaça ao status quo daqueles que sabem lidar com as instituições de poder político. Esse quadro da falta de um consenso básico dentro da sociedade é reforçado pelo fato de que o caminho em direção ao desenvolvimento sustentável não pode ser construído como algo que mantém o status quo, mas como algo que explicitamente visa a mudança. E qualquer mudança gera resistência daqueles que não vejam os seus objetivos contemplados após a mudança. Embora na dimensão ambiental ainda seja possível pensar em uma solução win-win para os interesses antagônicos, a sustentabilidade econômica, social e institucional dificilmente poderá ser construída como projeto consensual, tão grande os antagonismos que sentarão-se à mesa da negociação. 26 “Para os amigos tudo que é possível, para os inimigos o rigor da lei”. 16 Sustentabilidade acadêmica – a universidade como mediadora Frente ao quadro posto, dentro de uma região de modernização periférica não se deve esperar do poder público um papel pro-ativo no processo de implementação do desenvolvimento sustentável, seja no nível local ou regional. Considero esse fato como chance para as universidades inseridas nesse contexto de reviver o seu papel humanista e transformador assumindo para si o papel de promotor nesse processo. Por vários motivos elas são qualificadas para exercer essa liderança. A atuação para um desenvolvimento sustentável exige uma alta capacidade de lidar com complexidade e integração para poder processar as ligações e interdependências que existem entre as dimensões sociais, ambientais, econômicas e ecológicas do desenvolvimento. Processar complexidade e reduzir complexidade através de modelos são atividades comuns da academia. Essa capacidade é importante para subsidiar um processo de discussão sobre sustentabilidade, mas falta para as universidades em geral habilidade de comunicar os seus conhecimentos para grupos e organizações que tem uma capacidade muito restrita de lidar com complexidade. Superar essas deficiências sem reduzir complexidade ao senso comum é um dos desafios colocados para as universidades na periferia moderna. Colocar uma região no caminho da sustentabilidade é um processo árduo e longo. Tomar a frente desse processo requer uma organização cuja ‘expectativa de vida’ acompanha esse horizonte temporal e que é capaz de fazer e ao mesmo tempo apreender com os erros e sucessos cometidos. As universidades se enquadram nesse perfil mais do que as organizações do sistema político – cujo horizonte de tempo é definido pelas eleições- ou organizações da sociedade civil – cuja existência sempre depende de um problema na sociedade e de acesso a recursos para poder ‘sanar’ esse problema. A implementação do sistema político como sistema funcional corrompido confere pouca legitimidade às suas decisões, tomadas em geral em prol de interesses particulares. O sistema da ciência, mesmo na sua forma periférico, está submetido a um código de comunicação que busca ‘a verdade’ usufruindo de uma grande confiabilidade dentro da sociedade 27 . Essa confiança pode se constituir como fator importante para 27 Caso essa confiabilidade se torna automática ou cega, o compromisso social da academia está em jogo, e uma tecnocracia ante portas. 17 corroborar sua liderança e legitimar uma condução contextual do processo de agenda building que visa deliberadamente uma mudança do status quo. Uma mudança que é legitimada não por um consenso básico mas pela forma como o processo decisório foi dirigido. Bibliografia ABU-EL-HAJ, J. (1999). O debate em torno do capital social: uma revisão crítica. BIB 47 (1o sem. 1999), pp. 65-79. Rio de Janeiro. ATKISSON, A. (2000). Desenvolvimento de Indicadores de Comunidades Sustentáveis - Lições do Seattle Sustentável [http://www.bsi.com.br/unilivre/centro/Forum/deincom.htm (16/07/2000)] Ayres, Robert U. (1989), ‘Industrial Metabolism’, in J. Ausubel, H. Sladovich (eds.): Technology and Environment, Washington D.C. Bartelmus, Peter und Adré Vesper, 2000, Green Accounting and Material Flow Analysis. 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