Atividade Antioxidante e Antibacteriana
dos Compostos Fenólicos dos Extratos de
Plantas Usadas como Chás
Antioxidant and Antibacterial Activities
of Phenolic Compounds from Extracts of
Plants Used as Tea
AUTORES
AUTHORS
Fabia Cristina Asolini
Adriana Maria Tedesco
Solange Teresinha Carpes
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFP/PR)
Via do Conhecimento, Km 01, Cx Postal 571
Pato Branco-PR, CEP: 85501-970, Brasil,
Fone:+ 55 3220 2596 ; +55 41 3262 99 97
Fax: +55 46 3220 2511,
e-mail: [email protected]
Cristina Ferraz
Faculdade Assis Gurgacz (FAG), Cascavel-PR, Brasil;
Severino Matias de Alencar
Universidade de São Paulo, ESALQ-USP
Piracicaba-SP, Brasil
e-mail:[email protected]
RESUMO
Os chás são bebidas populares e fontes significativas de compostos fenólicos, são
considerados importantes integrantes das dietas devido ao seu alto potencial antioxidante.
Neste trabalho, foram avaliadas as propriedades antibacterianas e antioxidantes de compostos
fenólicos encontrados em fitoterápicos comumente consumidos na região sudoeste do Paraná,
como: arruda (Ruta graveolens), camomila (Matricaria chamomilla), macela (Achyrocline
satureioides), alcachofra (Cynara scolymus), erva-mate (Ilex paraguariensis), tanchagem
(Plantago major), malva (Malva silvestris), sálvia (Salvia officinalis), capim-limão (Cymbopogon
citratus) e alecrim (Rosmarinus officinalis). A atividade antibacteriana dos extratos etanólicos e
aquosos das plantas foi avaliada utilizando as bactérias Staphylococcus aureus, Pseudomonas
aeruginosas, Bacillus cereus e Bacillus subtilis. Os extratos aquosos dos chás não apresentaram
atividade antibacteriana com exceção da alcachofra. Os extratos aquosos e etanólicos da
alcachofra inibiram o crescimento das quatro bactérias analisadas. Os extratos alcoólicos de
todos os chás analisados mostraram o maior halo de inibição contra o Staphylococcus aureus. A
quantidade de compostos fenólicos totais extraídos de ambas as condições de extração variou
de 18 a 145 mg EAG/g de folha seca (EAG – equivalente em ácido gálico). Todas as amostras
de extratos aquosos e etanólicos dos chás apresentaram atividade antioxidante superior à
do controle que continha apenas etanol (80% v/v). Os extratos aquosos da macela, alecrim,
erva-mate e malva apresentaram maior atividade antioxidante (acima de 97%) entre os chás
analisados e não diferiram estatisticamente entre si pelo teste de Tukey.
SUMMARY
PALAVRAS-CHAVE
KEY WORDS
Chás; Compostos Fenólicos;
Atividade Antioxidante; Antibacteriana.
Teas are popular beverages providing a significant source of phenolic compounds,
important components of the human diet due to their high antioxidant potential. The aim of
this work was to evaluate the antibacterial and antioxidant activities of phenolic compounds
found in teas widely consumed in the southwestern region of Paraná State, Brazil, including
rue (Ruta graveolens), camomile (Matricaria chamomilla), “macela” (Achyrocline satureioides),
artichoke (Cynara scolymus), mate (Ilex paraguariensis), plantain (Plantago major), mallow
(Malva silvestris), sage (Salvia officinalis), lemon grass (Cymbopogon citratus) and rosemary
(Rosmarinus officinalis). The antibacterial activity of the ethanolic and aqueous extracts was
analysed against Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Bacillus cereus and Bacillus
subtilis. The aqueous extracts presented no antibacterial activity with the exception of the
artichoke extract, but the aqueous and ethanolic artichoke extracts inhibited the growth of the
four bacteria. The ethanolic extracts of all the teas tested showed the largest halos of inhibition
against Staphylococcus aureus. The amounts of total phenolic compounds extracted under
both conditions varied from 18 to 145 mg GAE/g dry leaf (GAE – gallic acid equivalents). All
extracts presented antioxidant activity significantly higher (p>0.05) than that of the control
containing only a solution of ethanol (80% v/v). The aqueous extracts of “macela”, rosemary,
mate and mallow presented the highest antioxidant activities, but the difference among them
was not significant (p<0.05).
Tea; Phenolic Compounds; Antioxidant;
Antibacterial Activity.
Braz. J. Food Technol., v.9, n.3, p. 209-215, jul./set. 2006
209
Recebido / Received: 17/11/2005. Aprovado / Approved: 21/08/2006.
ASOLINI, F. C. et al.
1. INTRODUÇÃO
Os chás têm atraído muita atenção nos últimos anos
devido a sua capacidade antioxidante e sua abundância na
dieta de milhares de pessoas em todo o mundo. São ricos em
catequinas, uma das seis classes dos flavonóides. As catequinas
dos chás apresentam propriedades biológicas como atividade
antioxidante e são seqüestradoras de radicais livres.
Os antioxidantes podem ser definidos como substâncias
capazes de retardar ou inibir a oxidação de substratos oxidáveis,
podendo estes ser enzimáticos ou não enzimáticos, tais como
que α-tocoferol (vitamina E), β-caroteno, ascorbato (vitamina
C) e os compostos fenólicos (flavonóides) (HALLIWELL, 2001).
O consumo de antioxidantes naturais, como os compostos
fenólicos presentes na maioria das plantas que inibem a
formação de radicais livres, também chamados de substâncias
reativas, tem sido associado a uma menor incidência de doenças
relacionadas com o estresse oxidativo (DROGE, 2002).
O estresse oxidativo ocorre como um desequilíbrio entre
o balanço pró-oxidante/antioxidante, em favor da situação próoxidante, promovendo um dano potencial. O dano oxidativo
que as biomoléculas sofrem está relacionado com as patologias
de um grande número de doenças crônicas, incluindo doenças
cardiovasculares, câncer e doenças neurodegenerativas
(MENDEL & YOUDIM, 2004; WISEMAN et al., 2001; LIAO et
al., 2001; JAVANMARDI et al., 2002; KIM et al., 2003; LU &
YEAP FOO, 2002).
Várias pesquisas no Japão mostraram que o consumo
de cinco ou mais xícaras de chá por dia correlacionava-se
negativamente com a recorrência das Fases I e II do câncer de
mama em mulheres (JANKUN et al., 1999; SAKANAKA et al.,
1989). Os chás ingeridos na forma de infusão contribuem para
a extração dos compostos fenólicos (HINDON & FREI, 2003),
compostos estes benéficos à saúde (BUNKOVA et al., 2005;
MENDEL & YOUDIM, 2004).
Segundo GUO et al. (2005), os compostos fenólicos
presentes no chá verde apresentaram efeitos protetores às
células contra a neurotoxina pro-parkinsoniana (6-OHDA).
JAVANAMARDI et al. (2003) avaliaram 21 amostras de
manjericão ( Ocimum basilicum L.) e encontraram uma
correlação linear positiva entre a atividade antioxidante e o teor
de compostos fenólicos totais.
Segundo COELHO DE SOUZA et al. (2004), os extratos
metanólicos de sete espécies de ervas apresentaram alguma
atividade antimicrobiana. Nesse estudo, a Parapiptadenia rígida
apresentou atividade contra quatro bactérias Gram positivas
e inibiu especialmente Micrococcus luteus. Outros autores
demonstraram importante atividade dos extratos etanólicos
de Malva sylvestris contra Bacillus subtilis (IZZO et al., 1995),
Pseudomonas aeruginosa (ALKOFAHI et al., 1996) e Escherichia
coli (IZZO et al.,1995; ALKOFAHI et al., 1996).
Este trabalho tem por intuito quantificar e avaliar
as atividades antioxidante e antimicrobiana dos compostos
fenólicos de dez chás tradicionalmente usados na medicina
popular do Brasil.
Braz. J. Food Technol., v.9, n.3, p. 209-215, jul./set. 2006
Atividade Antioxidante e Antibacteriana
dos Compostos Fenólicos dos Extratos de
Plantas Usadas como Chás
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Preparo das amostras
As folhas de chás foram colhidas no campo, na
região sudoeste do Paraná, nas proximidades da cidade de
Pato Branco-PR. Foram coletadas amostras de arruda (Ruta
graveolens ), camomila ( Matricaria chamomilla ), macela
( Achyrocline satureioides ), alcachofra ( Cynara scolymus ),
erva-mate (Ilex paraguariensis), tanchagem (Plantago major),
malva (Malva silvestris), sálvia (Salvia officinalis), capim-limão
(Cymbopogon citratus) e alecrim (Rosmarinus officinalis). As
folhas foram ligeiramente lavadas com água corrente para a
retirada do pó e qualquer outro tipo de material estranho e,
secas à sombra durante quinze dias. Após a secagem, foram
trituradas e armazenadas à temperatura ambiente.
Foram preparados extratos aquosos (EAC) e etanólicos
(EEC) a partir de dez gramas de folhas secas e trituradas.
Para a obtenção do EAC, as folhas secas foram submetidas à
infusão com água fervente. Os extratos etanólicos (EEC) foram
obtidos através da adição de uma solução de etanol a 80%, e
manutenção em banho-maria a 70°C durante trinta minutos,
sob agitação constante. Após a extração, as amostras foram
filtradas e os sobrenadantes acondicionados em tubos de ensaio
para posterior análise.
2.2Determinação dos compostos fenólicos totais nos
Extratos Etanólicos (EEC) e Aquosos dos Chás
(EAC)
Os compostos fenólicos totais foram quantificados
através do método espectrofotométrico de Folin-Ciocalteau,
utilizando o ácido gálico como padrão de referência. A 0,5 mL
de cada amostra, adicionou-se 2 mL do reagente FolinCiocalteau diluído 1/10 e 2 mL de Na2CO3 a 4% (p/p) e a mistura
foi armazenada ao abrigo da luz por 2 horas. O tubo controle
continha 0,5 mL de etanol a 80%. A absorbância foi medida a
740 nm usando um espectrofotômetro UV-VIS. Todas as análises
foram realizadas em duplicatas. Os resultados foram expressos
em mg de ácido gálico equivalente por g de peso seco (mg
EAG/g) (SINGLETON et al., 1965).
2.3Determinação da atividade antibacteriana de EEC
e EAC
A atividade antibacteriana dos extratos dos chás foi
determinada pelo método de difusão em disco segundo
BAUER et al. (1966) com algumas modificações. Cepas de
Staphylococcus aureus ATCC 25.923, Pseudomonas aeruginosa
ATCC 15.442, Bacillus cereus e Bacillus subtillis ATCC 21.332
foram cultivadas em ágar nutriente (Difco Lab.). Culturas ativas
destes microrganismos foram inoculadas por espalhamento com
“swabs” estéreis em placas de Petri. Quarenta microlitros dos
extratos etanólicos e aquosos dos chás e 40 µL de etanol a 80%
210
2.4Determinação da atividade antioxidante de EEC e
EAC
A atividade antioxidante dos EEC foi determinada pela
oxidação acoplada do β-caroteno e do ácido linoléico. Cinco
mg de β-caroteno foram dissolvidos em 5 mL de clorofórmio
e adicionados a um frasco contendo 60 mg de ácido linoléico
e 200 mg de Tween 40. O clorofórmio foi removido por
evaporação a 40°C por 5 min, adicionando-se suavemente
ao resíduo 50 mL de água destilada para a formação de uma
emulsão. Um mL desta emulsão foi adicionado aos tubos de
ensaio contendo 0,5 mL de extrato etanólico ou aquoso dos
chás diluído 1/10 (PARK e IKEGAKI, 1998). Os tubos foram
colocados em banho-maria a 40°C efetuando-se leitura da
absorbância em espectrofotômetro a 470 nm no tempo zero,
1 h, 2 h e 3 h. Os tubos controles continham apenas 0,5 mL de
etanol a 80% e 1 mL da emulsão. Todas as determinações foram
efetuadas em duplicata. A atividade antioxidante dos extratos
foi avaliada em termos do descoramento do β-caroteno usando
a seguinte equação (ALENCAR, 2002):
AA =
absorbância após 3 horas de reação
× 10
00
absorbância inicial
2.5Análise estatística
Os dados foram processados pela análise de variância
ANOVA. Diferenças significativas entre as medias foram
determinadas pelo teste de Tukey ao nível de p<0,05 (MSTATC, 1998).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A quantidade de compostos fenólicos totais nos extratos
aquosos de chás variou de 18 a 145 mg EAG/g de folha seca,
como mostrado na Figura 1. Os valores dos compostos fenólicos
totais nos extratos aquosos de tanchagem, erva-mate e alecrim
foram maiores do que os respectivos extratos etanólicos (Figura
2). A erva-mate apresentou a maior quantidade de compostos
fenólicos (145 mg EAG/g folha seca) e diferiu estatisticamente dos
demais tipos de chás analisados. O teste de Tukey mostrou que
não houve diferença significativa para os teores de compostos
fenólicos dos extratos aquosos de macela e alcachofra, bem como
os extratos aquosos de sálvia e arruda também não diferiram
estatisticamente entre si. Entretanto, o teor de compostos
fenólicos totais do extrato de malva foi significativamente menor
que o dos demais extratos de chás (Figura 1).
Braz. J. Food Technol., v.9, n.3, p. 209-215, jul./set. 2006
Tanchagem Erva-mate
Arruda
Atividade Antioxidante e Antibacteriana
dos Compostos Fenólicos dos Extratos de
Plantas Usadas como Chás
Alecrim
Macela
Alcachofra
Sálvia
Camomila Capim-limão Malva
Amostras de Extratos Aquosos dos Chás (EAC)
Obs: letras iguais acima das colunas indicam não haver diferenças a nível de 5% pelo teste
de Tukey
EAG = Equivalente em ácido gálico
Figura 1. Compostos fenólicos totais de Extratos Aquosos
dos Chás (EAC).
Os teores de compostos fenólicos totais dos extratos
etanólicos variaram de 15 a 56 mg EAG/g folha seca (Figura
2). A maior quantidade de compostos fenólicos por g de
planta seca (> 55 mg EAG/g) foi detectada nos extratos de
tanchagem e erva-mate, mas não houve diferença significativa
entre os teores destas duas amostras. A arruda e o alecrim
apresentaram diferenças significativas quando comparadas
a tanchagem e a erva-mate. Os extratos etanólicos de sálvia
e camomila apresentaram teores de compostos fenólicos em
torno de 25 mg GAE/g e não diferiram estatisticamente entre
si. Entretanto, os extratos de capim-limão e malva apresentaram
os menores teores de compostos fenólicos totais e diferiram
estatisticamente dos demais extratos de chá analisados (Figura
2).
Compostos fenólicos totais (mg EAG/g folha seca)
(controle) foram aplicados em disco de papel e colocados sobre
as placas. A atividade antibacteriana dos extratos etanólicos e
aquosos das dez amostras de chás foi determinada pela medida
do halo inibitório formado ao redor dos discos após 24 h de
incubação a 37°C. A zona de inibição de crescimento das
bactérias foi expressa em mm. Todas as análises foram realizadas
em duplicatas.
Compostos fenólicos totais (mg EAG/g folha seca)
ASOLINI, F. C. et al.
Tanchagem Erva-mate
Arruda
Alecrim
Macela
Alcachofra
Sálvia
Camomila Capim-limão Malva
Amostras de Extratos Etanólicos dos Chás (EEC)
Obs: letras iguais acima das colunas indicam não haver diferenças a nível de 5% pelo teste
de Tukey
EAG = Equivalente em ácido gálico
Figura 2. Compostos fenólicos totais de Extratos Etanólicos
dos Chás (EEC).
211
ASOLINI, F. C. et al.
Atividade Antioxidante e Antibacteriana
dos Compostos Fenólicos dos Extratos de
Plantas Usadas como Chás
O grupo dos extratos de tanchagem e erva-mate
apresentou teor de compostos fenólicos significativamente
diferente dos apresentados pelos extratos de sálvia e camomila,
os quais ficaram em torno de 25 mg EAG/g de folha seca. Entre
os extratos etanólicos de chás analisados, a malva foi a que
apresentou a menor quantidade de compostos fenólicos em
mg EAG/g de folha seca (Figura 2).
A Tabela 1 apresenta as medidas dos halos de inibição dos
extratos aquosos de chás, contra Staphylococcus aureus ATCC
25.923, Pseudomonas aeruginosa ATCC 15.442, Bacillus cereus
e Bacillus subtillis ATCC 21.332. Com exceção da alcachofra, os
demais extratos aquosos dos chás não apresentaram atividade
antibacteriana contra as bactérias testadas.
Tabela 1. Atividade antibacteriana de EAC, determinada pelo
método de difusão em disco.
Bactérias
EAC#
Bacillus
cereus*
Bacillus
subtilis
Pseudomonas
aeruginosa
Staphylococcus
aureus
Sálvia
0
0
0
0
Tanchagem
0
0
0
0
Alcachofra
4,0
2,5
1,0
4,0
Macela
0
0
0
0
Alecrim
0
0
0
0
Malva
0
0
0
0
Arruda
0
0
0
0
Erva-Mate
0
0
0
0
Camomila
0
0
0
0
Capim-Limão
0
0
0
0
#
Extrato Aquoso dos Chás
* diâmetro do halo de inibição (mm)
O extrato aquoso da alcachofra inibiu o crescimento
de todos os microrganismos testados. A maior inibição foi
observada sobre Bacillus cereus e Staphylococcus aureus, ambos
com halo de inibição de 4 mm (Figuras 3 e 4).
Figura 4. Atividade antibacteriana de EAC de alcachofra
contra Staphylococcus aureus.
A Tabela 2 mostra as medidas dos halos de inibição
dos extratos etanólicos dos chás. Pode-se perceber uma
sensível melhora na extração dos compostos antibacterianos
quando utilizado o etanol como solvente nos extratos de
sálvia, alcachofra, macela e arruda contra os microrganismos
Pseudomonas aeruginosa e Staphylococus aureus. Entretanto,
os extratos etanólicos de malva, camomila e capim-limão
não apresentaram nenhuma inibição contra as bactérias
Bacilus cereus, Bacilus subtilis e Pseudomonas aeruginosa,
porém apresentaram alguma atividade antibacteriana sobre
Staphylococcus aureus. O teste controle provou que o etanol
usado nas extrações não teve nenhuma ação inibitória.
Tabela 2. Atividade antibacteriana de
pelo método de difusão em disco.
EEC, determinada
Bactérias
EEC#
Bacillus
cereus *
Bacillus
subtilis
Pseudomonas
aeruginosa
Staphylococcus
aureus
Sálvia
1,0
0
0,5
2,0
Tanchagem
2,0
0
0
1,0
Alcachofra
4,0
0,5
4,0
6,0
Macela
4,0
4,0
5,0
7,0
Alecrim
0
2,0
2,0
7,0
Malva
0
0
0
3,0
Arruda
0
1,0
3,0
4,0
Erva-Mate
0
1,0
1,0
0,5
Camomila
0
0
0
2,0
Capim-Limão
0
0
0
0,5
Controle (etanol)
0
0
0
0
#
Extrato Etanólico dos Chás
* diâmetro do halo de inibição (mm)
Figura 3. Atividade antibacteriana de EAC de alcachofra
contra Bacillus cereus.
Braz. J. Food Technol., v.9, n.3, p. 209-215, jul./set. 2006
ALZOREKY e NAKAHARA (2003) avaliaram a atividade
antibacteriana de extratos de plantas comumente consumidas
212
ASOLINI, F. C. et al.
Atividade Antioxidante e Antibacteriana
dos Compostos Fenólicos dos Extratos de
Plantas Usadas como Chás
de β-caroteno altamente insaturadas. Como resultado disso,
o β-caroteno é oxidado, as moléculas menores são quebradas
e subsequentemente o sistema perde o cromóforo. A
descoloração amarelada do β-caroteno pode ser monitorada
espectrofotometricamente.
A arruda (Ruta graveolens) também conhecida como
arruda-dos-jardins, tem como princípio ativo óleos essenciais
e flavonóides (MARTINS, 1995). Segundo ALZOREKY e
NAKAHARA (2003) e OJALA et al. (2000) a arruda possui
atividade antibacteriana principalmente contra Bacilllus cereus
e Staphylococcus aureus.
A absorbância dos extratos de chás foi medida a 470
nm no tempo zero e em intervalos de 60 min até que a cor
do β-caroteno desaparecesse na reação controle. Quanto
maior a atividade antioxidante da substância teste maior será
a manutenção da cor característica do β-caroteno, pela menor
degradação do mesmo.
Todos os extratos etanólicos de chás analisados foram
inibitórios para Staphylococcus aureus. Os maiores halos
inibitórios foram obtidos com os extratos etanólicos de macela
e alecrim (7 mm), seguido da alcachofra (6 mm), como mostra
a Figura 5.
Neste estudo, os extratos aquosos e etanólicos das
dez amostras de chás impediram a descoloração amarela do
β-caroteno por neutralizar o radical livre do ácido linoléico
formado na reação. A atividade antioxidante dos extratos
aquosos e etanólicos dos chás após 3 horas de reação de
oxidação acoplada do β-caroteno e ácido linoléico é mostrada
nas Figuras 6 e 7, respectivamente.
Atividade Antioxidante (%)*
na Ásia ( P. orientalis, R. chalepensis, Ruta graveolens e
Zingiber officinale) e constataram que Bacillus cereus foi o
microrganismo mais sensível aos extratos de plantas analisados.
Independentemente do solvente usado, as bactérias grampositivas foram as mais suscetíveis.
Tanchagem Erva-mate Arruda
Alecrim
Macela Alcachofra
Sálvia
Camomila Capim-limão Malva
Controle
Amostras de Extratos Aquosos dos Chás (EAC)
Obs: letras iguais acima das colunas indicam não haver diferenças a nível de 5% pelo teste
de Tukey
* Atividade antioxidante após 3 horas de reação
A macela ( Achyrocline satureioides ) é uma er va
medicinal usada em função de suas propriedades colerestética,
antiinflamatória, antispasmódica e hepatoprotetiva. A A.
satureioides tem demonstrado atividade mutagênica in vitro
contra Salmonella e Escherichia coli, o que pode explicar o seu
uso popular em infecções intestinais, diarréias e desinterias.
Este efeito mutagênico é devido principalmente à quercetina
(OHSHIMA et al.,1998; DE SOUSA et al., 2002; POLYDORO et
al., 2004).
Segundo vários autores (ABDILLE et al., 2005; KULISIC
et al., 2004; GORISTEIN et al., 2004), a medida da atividade
antioxidante através do método de descoloração do β-caroteno
é baseada na perda da cor amarela devido às reações com
radicais formados durante a oxidação do ácido linoléico em
uma emulsão. Neste método, o β-caroteno sofre uma rápida
descoloração na ausência de um antioxidante devido à oxidação
acoplada do do β-caroteno e do ácido linoléico, os quais
geram radicais livres. Esses radicais livres atacam as moléculas
Braz. J. Food Technol., v.9, n.3, p. 209-215, jul./set. 2006
Atividade Antioxidante (%)*
Figura 5. Atividade antibacteriana de EEC de macela,
alcachofra, tanchagem e sálvia contra Staphylococcus aureus.
Figura 6. Atividade antioxidante de Extratos Aquosos dos
Chás (EAC).
Tanchagem Erva-mate Arruda
Alecrim
Macela Alcachofra
Sálvia
Camomila Capim-limão Malva
Controle
Amostras de Extratos Etanólicos dos Chás (EEC)
Obs: letras iguais acima das colunas indicam não haver diferenças a nível de 5% pelo teste
de Tukey
* Atividade antioxidante após 3 horas de reação
Figura 7. Atividade antioxidante de Extratos Etanólicos dos
Chás (EEC).
213
ASOLINI, F. C. et al.
Todas as amostras de extratos aquosos e etanólicos
dos chás apresentaram atividade antioxidante acima de 84%,
conseqüentemente acima do controle (62%). Os extratos
aquosos da macela, alecrim, erva-mate e malva apresentaram
maior atividade antioxidante (acima de 97%) entre os chás
analisados e não diferiram estatisticamente entre si pelo teste
de Tukey (Figura 6).
A atividade antioxidante do controle foi significativamente
mais baixa que a observada nos extratos aquosos e etanólicos
(p< 0,05) (Figura 6 e 7).
Através da análise da Figura 6 podemos verificar que
os extratos aquosos de chás de arruda e capim-limão não
apresentaram diferenças significativas ao nível de 5% de
probabilidade pelo teste de Tukey na análise de atividade
antioxidante.
O extrato etanólico da macela, quando comparado
ao extrato etanólico de alecrim, não apresentou diferenças
significativas ao nível de 5% no teste de Tukey com atividade
antioxidante acima de 98%, como mostra a Figura 7 e
ambos extratos mostraram ser mais efetivos na inibição do
Staphylococcus aureus (Tabela 2).
O extrato etanólico de erva-mate apresentou menor
teor de compostos fenólicos e menor atividade antioxidante
quando comparado ao extrato aquoso, no entanto, a atividade
antibacteriana dos compostos extraídos foi sensivelmente
melhorada com o uso do etanol como solvente (Tabela 1 e 2).
Esse efeito, da melhora da atividade antibacteriana pelo uso do
etanol como solvente foi também observado nos extratos de
macela e alecrim, porém com maior teor de compostos fenólicos
totais extraídos (Figura 1 e 2).
Embora, nenhuma atividade antibacteriana foi
obser vada no extrato aquoso da er va-mate, a mesma
apresentou uma grande quantidade de compostos fenólicos
totais, com atividade antioxidante acima de 95%. No entanto,
ambos extratos aquoso e etanólico da alcachofra apresentaram
baixos teores de compostos fenólicos totais (32,27 e 40,03
mg GAE/g respectivamente), com atividade antibacteriana
elevada e atividade antioxidante acima de 85%. Isto sugere que
provavelmente a concentração de compostos fenólicos não
determina a atividade antioxidante e/ou antibacteriana, mas sim
a natureza dos compostos fenólicos presente nos extratos.
A quercetina é um dos principais flavonóides presentes
na macela (Achyrocline satureioides). Esse composto possui
propriedades inibitórias da peroxidação lipídica através do
seqüestro de espécies reativas ao oxigênio e quelação de
metais responsáveis pela geração destas espécies (OHSHIMA
et al.,1998). Através de cromatografia líquida de fase reversa,
DE SOUSA, SCHAPOVAL e BASSANI, (2002) detectaram a
presença de quercetina, luteolina e 3-σ-metilquercetina
nos extratos de Achyrocline satureioides. Vários autores
demonstraram propriedades antiinflamatórias e antioxidantes
e imunomodulatórias na macela (DESMARCHELIER, COUSSIO
e CICCIA,1998; POLYDORO et al., 2004).
Braz. J. Food Technol., v.9, n.3, p. 209-215, jul./set. 2006
Atividade Antioxidante e Antibacteriana
dos Compostos Fenólicos dos Extratos de
Plantas Usadas como Chás
4. CONCLUSÃO
Os resultados obtidos indicaram que existe uma
grande variação na concentração dos compostos fenólicos
nos diversos tipos de chás analisados, tanto nos extratos
etanólicos quanto nos aquosos. O uso do etanol como solvente
melhorou sensivelmente a extração dos compostos fenólicos
presentes nos chás, bem como sua atividade antibacteriana.
Somente o extrato aquoso de alcachofra demonstrou atividade
antibacteriana, diferentemente dos extratos etanólicos em
que todos apresentaram alguma atividade contra a bactéria
Staphylococcus aureus. Os extratos alcoólicos de alcachofra,
macela e alecrim foram os que apresentaram as melhores
atividades contra as bactérias testadas.
Todas as amostras de extratos aquosos e etanólicos
dos chás apresentaram atividade antioxidante acima de 84%
e superiores a do controle (62%). Esses resultados podem
contribuir para avaliação dos efeitos antioxidantes in vitro
dos chás. Entretanto maiores estudos in vivo devem ser feitos
para elucidar o mecanismo de ação e a biodisponibilidade dos
flavonóides presentes .
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Atividade Antioxidante e Antibacteriana dos Compostos