DESENVOLVIMENTO HUMANO E ORGANIZACIONAL - O DESAFIO MAIS IMPORTANTE DA ATUALIDADE PARA AS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS – IES HUMAN AND ORGANIZATIONAL DEVELOPMENT – NOWADAYS THE MOST IMPORTANT CHALLANGE FOR THE EDUCATIONAL INSTITUTIONS – IES Marco Antônio Vieira Gomes1 Resumo: O artigo aborda a fundamental importância do setor de serviços e educacional, bem como do Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO) envolvendo todos os públicos da instituição educacional, focando todas as unidades e a inserção do aluno (agente do processo educacional) e demais colaboradores nas políticas e práticas institucionais, visando o alcance de metas e a superação de resultados em um cenário, cada vez mais, competitivo e de grandes transformações. Neste cenário, descrever as perspectivas do comportamento educacional e institucional, enfatizando o modelo de gestão e a nova proposta do modelo estratégico de Desenvolvimento Humano e Organizacional, abrangendo todos os agentes educacionais e destacando as conseqüências e impactos nas relações educacionais, organizacionais e, principalmente, nas práticas institucionais. Abstract: The article discusses the fundamental importance of the service sector and educational as well as the Human and Organizational Development (DHO) involving all public educational institution, focusing on all units and the insertion of the student (agent of the educational process) and other collaborators policies and institutional practices aimed at achieving goals and overcoming the results of a scenario, increasingly competitive and major transformations. In this scenario, describe the perspectives of educational and institutional behavior, emphasizing the management model and the new proposal of the strategic model of Human and Organizational Development, covering all educational agents and highlighting the consequences and impacts on educational relations, organizational, and especially in institutional practices. Palavras-Chave: Gestão Estratégia, Serviços, Instituições Educacionais, Desenvolvimento Humano e Organizacional, Agentes do Processo Educacional, Resultados. Key Words: Strategic Administration, Service, Educational Institutions, Human and Organizational Development, Educational Process Agents, Results 1 Coordenador e Professor do MBA em Gestão e Liderança Estratégica do Centro Universitário Newton Paiva. 1 INTRODUÇÃO “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam”. (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas) Este artigo objetiva retratar e sistematizar que o processo vivenciado pelas diversas instituições educacionais de mudança para a competitividade caracteriza-se por transformações profundas e rápidas e a efetiva participação de todas as pessoas (atores e agentes do processo educacional) vem se tornando fundamental e estratégica na construção e condução de políticas e ações que sejam mais condizentes com a nova realidade educacional e organizacional desejada. Perceber que as instituições educacionais são essencialmente organizações prestadoras de serviços e que as novas exigências deste segmento exigem, cada vez mais, uma gestão estratégica de serviços com foco na excelência (diferencial e vantagem competitiva). Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas instituições educacionais que buscam transformações internas, visando à qualidade, excelência e a competitividade, referem-se às resistências relacionadas não aos aspectos técnicos, mas as questões diretamente relacionadas ao comportamento e relacionamento no ambiente interno, ou seja, o desenvolvimento de estratégias, técnicas, processos e de atitudes exigidas pelos novos modelos de gestão institucional. Compreender o processo de mudança como o elemento propulsor e catalisador do surgimento, implantação e crescimento dos novos modelos de gestão, bem como da consolidação de uma nova realidade educacional e institucional na nossa sociedade. Neste cenário, descrever as perspectivas do comportamento educacional e institucional, enfatizando o modelo de gestão e a nova proposta do modelo estratégico de Desenvolvimento Humano e Organizacional, abrangendo todos os agentes educacionais e destacando as conseqüências e impactos nas relações educacionais, organizacionais e, principalmente, nas práticas institucionais. 2 A GESTÃO ESTRATÉGICA E OS SERVIÇOS EDUCACIONAIS Conforme retrata Fahey (1999), a gestão estratégica é o nome do desafio mais importante, árduo e abrangente com que se defronta qualquer organização, pois as escolhas que compõem a exploração do presente e a construção do futuro impõem aos dirigentes e gerentes um conjunto de complexas opções excludentes. Gestão contempla o processo sistemático, planejado, dirigido, executado, acompanhado e monitorado pelos líderes e com o comprometimento de todos os colaboradores da Instituição Educacional. Abrange as funções do processo administrativo de planejamento, organização, execução e controle. Estratégia é o padrão de ações e de alocações de recursos projetadas para atingir os objetivos da Instituição Educacional. É um referencial, um valioso guia para direcionar e auxiliar na solução de problemas. Estratégia é sinônimo de melhores alternativas, opções e escolhas. A soma das alternativas e escolhas determina se a instituição educacional tem chance de vencer no mercado – se é capaz de conquistar e preservar clientes e superar o desempenho dos concorrentes (Fahey, 1999) Gestão Estratégia nada mais é do que definir como uma organização será melhor por ser diferente. As organizações que são melhores por fazerem diferentemente das demais são aquelas que definem claramente seus objetivos e metas, estruturam e alinham suas políticas e práticas, priorizam e investem na criatividade e no Desenvolvimento Humano e Organizacional de forma contínua e permanente. De acordo com Fahey (1999), os conflitos entre as demandas do presente e as exigências do futuro se situam no cerne da Gestão Estratégica por pelo menos três razões: a) O ambiente em que os êxitos de amanhã serão conquistados provavelmente será muito diferente do ambiente com que hoje se depara a organização. b) Para ser bem-sucedida no novo ambiente de amanhã, a própria organização deve submeter-se a mudanças significativas e por vezes radicais. c) A adaptação à mudança (e, em muitos casos, a indução da mudança) no e em torno do mercado nas épocas de transformações internas significativas impõe um ônus extremamente pesado sobre os líderes de qualquer organização. A mudança é a preocupação central da gestão estratégica: a mudança no ambiente, a mudança dentro de empresa, à mudança em como a empresa estabelece os elos entre a estratégia e a empresa. Assim, é preciso que as empresas se comprometam com o enfrentamento da mudança – compreendendo-as e transformando-as em oportunidades. Fahey (1999) ressalta que para enfrentar com êxito a mudança, a Gestão Estratégica deve abranger três tarefas interligadas: a) Gestão da Estratégia de Mercado: projetar, executar e aperfeiçoar estratégias “vitoriosas” no mercado em mutação. b) Gestão da Instituição Educacional: repensar e configurar continuamente a organização – sua maneira de pensar e de operar. c) Exercício da Gestão Estratégica: fortalecer constantemente os elos e a “interface” entre a estratégia (a atuação da instituição no mercado) e a instituição (o que ocorre no interior da organização). 2.1 O setor de serviços, a área educacional e sua expansão O setor de serviços vem apresentando uma participação na economia e empregando, cada vez mais, pessoas do que todos os demais setores. Vivemos em uma economia e sociedade centrada em serviços e muito sensível aos serviços, pois quando analisamos a participação do setor de serviços no Produto Interno Bruto - PIB ou na absorção de mão-de-obra, encontramos dados que comprovam tal afirmativa, ou seja, no Brasil a participação dos serviços no PIB gira em torno de 65% e o setor absorve 55% dos trabalhadores. Já nos Estados Unidos da América tais indicadores sobem para 74% do PIB e 80 milhões de empregos, o que corresponde a aproximadamente 65%, destaca Fitzsimmons (2000). Ainda de acordo com Fitzsimmons (2000), a competição em serviços também se tornou global e estratégias de expansão no setor de serviços (e também no sistema produtivo capitalista) é a utilização de franquias em ramos que variam de fastfoods aos planos de saúde, passando por instituições educacionais e envolvendo grandes corporações multinacionais e nacionais. Podemos afirmar que os serviços se transformaram em um poderoso motor e em pista de alta velocidade da economia em todo o mundo. As empresas que enfatizam e prestam serviços de alta qualidade aumentam rapidamente a sua participação no mercado, apresentam indicadores de retorno de vendas e econômico-financeiros mais altos e rápidos. De uma maneira geral, podemos caracterizar o serviço como o trabalho realizado por uma pessoa ou equipe em benefício de outra ou de outras pessoas (Albrecht, 2002). Mas qual o segredo do sucesso na prestação de serviços? Existe alguma coisa mágica? Poder de pessoas e organizações especiais? Evidentemente que não é mágica e nem poder de pessoas ou de empresas especiais. Simplesmente o que ocorre é a prestação de serviços, desenvolvida por pessoas com muita competência, habilidade e com foco total na qualidade e excelência nos resultados. Está comprovado que a qualidade e a variedade de serviços complementares são os principais fatores que fazem a diferença crítica entre o sucesso e o fracasso no mercado, conforme salienta Albrecht (2002). O setor de serviços vem experimentando mudanças significativas, principalmente pela evolução da tecnologia. Um exemplo é a internet e seus diversos provedores e prestadores de serviços. Outro é a televisão por assinatura ou a cabo e ainda os serviços de entrega (“delivery”) e as instituições educacionais também apresentam mudanças significativas na economia. A Educação a Distância (EaD) é a consolidação da aplicação destas novas tecnologias e que está mudando o processo de ensino-aprendizagem e as ações estratégicas das Instituições Educacionais. No Brasil nos últimos anos o vigoroso surgimento de novas e a expansão das Instituições Educacionais e o lançamento frenético de novos cursos é um fator que merece destaque especial. A definição de serviço de qualidade superior é o fundamento da estratégica de serviços: a maneira como se conceitua a qualidade dos serviços, por que a qualidade é importante para as pessoas e para os colaboradores e para a organização (Hoffman, 2003). Uma estratégia de serviços consolida a crença da organização de que os serviços aos seus diversos públicos são o vetor mais importante do seu sucesso. As organizações de serviços que primam pela excelência estão conscientes de que as informações conferem poder e, conseqüentemente, não poupam esforços para ajudar pessoas e conhecer os desejos e necessidades dos seus diversos públicos. Elas também zelam para que todos os colaboradores recebam feedback, reconhecimento e demonstração de apreço por suas contribuições ao fornecimento de valor para os seus diversos públicos. É o alinhamento de ações, estratégias e foco no negócio. Conforme acentua Lovelock (2002), a qualidade total dos serviços é o estado de coisas em que a organização fornece valor superior a seus principais “stakeholders”: clientes, dirigentes e colaboradores. Com o setor educacional não é diferente. Num mercado, cada vez mais, competitivo como o brasileiro, as instituições educacionais precisam, com a vigorosa expansão que o ensino privado vive hoje no país, enfrentar um desafio que pode definir o futuro de sucesso ou fracasso em seu segmento de atuação: a Gestão Estratégica Institucional. No Brasil, a partir de 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e demais normatizações e regulamentações, ocorreu uma mudança muito grande no segmento educacional, com a ampla flexibilização e expansão das atividades deste segmento. Diversos fatores e a própria composição entre educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, cursos tecnológicos, educação superior e a Educação a Distância (EaD) trouxeram novos caminhos, horizontes e grandes desafios para as instituições educacionais. A instituição educacional caracteriza-se por ser uma organização essencialmente prestadora de serviços e um fator diferencial e de vantagem competitiva está exatamente na Gestão Estratégica e no Desenvolvimento Humano e Organizacional (DHO), conforme veremos a seguir. 3 O DESENVOLVIMENTO HUMANO E ORGANIZACIONAL (DHO) NAS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS Historicamente, sistematicamente e erroneamente as pessoas vêm sendo rotuladas e tratadas pelas diversas organizações como apenas “mais um recurso a ser gerenciado”. Entretanto, o novo contexto educacional impõe pressões, novas demandas e grandes desafios institucionais, surgindo daí, a grande necessidade de buscarmos e adotarmos um novo modelo de Desenvolvimento Humano e Organizacional. A filosofia e o foco das Instituições Educacionais deve ser na “Liderança Transformacional e no Trabalho em Equipe”, partindo da fundamental definição que as pessoas não são simplesmente e indevidamente “recursos organizacionais” (recursos humanos?). As pessoas compõem e constituem as organizações. As organizações são as pessoas. As pessoas fazem as organizações. E que a liderança deve sempre ser realizada “com as pessoas” e não através de pessoas, o que pressupõe uma liderança transformacional, cada vez mais, participativa, horizontal e com foco nas pessoas e no negócio (resultados). Os “recursos” a serem gerenciados são materiais, tecnológicos, capital, insumos, produtos, processos e métodos. Pessoas são lideradas. Recursos são gerenciados. Desta forma, o Desenvolvimento Humano e Organizacional nas Instituições Educacionais deve focalizar a liderança transformacional, envolvendo a complexidade do comportamento humano no contexto organizacional e suas diversas dimensões, variáveis e fatores (internos e externos), tais como: comunicação, motivação, liderança, valores, moral, ética, percepção; atitudes; emoções; frustrações; capacidade de aprendizagem; conhecimento; normas, procedimentos e regulamentos; coesão grupal; políticas da organização; sistemas de recompensa e de punição; grau de confiança, relações de poder; dentre outros. O adequado Desenvolvimento Humano e Organizacional deve sempre enfatizar a individualidade num contexto de políticas educacionais e institucionais comuns e globais. Conforme salienta Bock (1999) é fundamental perceber o ser humano em todas as suas expressões, as visíveis (nosso comportamento) e as invisíveis (nossos sentimentos), as singulares (porque somos o que somos) e as genéricas (porque somos todos assim). É o ser humano, é o corpo, o espírito, o pensamento, o afeto, a ação. Ser humano único e integral. É o núcleo central, fundamental e constituinte das nossas organizações. São as pessoas que constituem e fazem as organizações. São as pessoas e equipes, suas relações, complexidade e dinâmica peculiar no contexto organizacional. O grande desafio do Desenvolvimento Humano e Organizacional é como tratar a individualidade e como liderá-la dentro de um ambiente de diversidade e em constante movimento e transformação. O modelo proposto de Desenvolvimento Humano e Organizacional busca exatamente um maior comprometimento, participação e efetivas ações, integrando permanentemente as pessoas e a gestão da instituição educacional (resultados). Dentro deste cenário, a função do Desenvolvimento Humano e Organizacional assume importância fundamental e estratégica, pois, a liderança transformacional com eficácia, eficiência e efetividade é condição fundamental e imprescindível para assegurar o sucesso e excelência de qualquer instituição. Para as diversas Instituições Educacionais, esta condição é ainda mais relevante em face da própria atividade educacional e considerando que todos os empregados são identificados como colaboradores e agentes do processo educacional. É imperativo que as Instituições Educacionais tenham em seus quadros líderes com ampla percepção e sensibilidade para se enxergarem e exercerem, em todos os níveis, como líderes, além de gestores de recursos materiais, financeiros, tecnológicos e educacionais e de resultados. É essencial a consciência de que a qualidade das pessoas precisa ser percebida como atribuição e responsabilidade indelegável de todos os líderes institucionais, muito mais no sentido de liderança do que de gestão. É necessário, então, a total participação e comprometimento nas atividades voltadas à captação de alunos, professores e colaboradores, formação de equipes, fidelização (manutenção) e desenvolvimento dos alunos, professores e colaboradores em cada área de atuação, ou seja, o líder deve assumir de maneira inequívoca o compromisso e o comprometimento de captar, admitir, fidelizar, manter e desenvolver os alunos, professores e os colaboradores devendo utilizar para isso o suporte de funções institucionais de apoio, disponíveis na organização, especificamente do Desenvolvimento Humano e Organizacional. Importante neste contexto é o desenvolvimento dos líderes institucionais em cada grupo executor, função ou área ou unidade organizacional de atuação, ou seja, é cada Diretor, Gerente, Coordenador e Professor, assumindo o seu papel de Líder no âmbito da sua área, unidade de atuação, curso ou sala de aula. Desta forma, todos os líderes institucionais passam a exercer o efetivo papel de líderes-gestores de suas unidades organizacionais, direcionam suas atividades para a consecução de objetivos e metas e a superação de resultados. Cada curso é definido como uma “Unidade Educacional - UE” e deve ser liderado e coordenado de acordo com tal proposta. Então, torna-se imperativo e inadiável a reflexão sobre a necessidade de uma nova missão e comportamento dos coordenadores de cursos e professores (agentes do processo educacional) e que devem, necessariamente, assumirem o seu efetivo e fundamental papel de líderes transformacionais e de gestores de resultados nos cursos, nas salas de aulas e nas Instituições Educacionais. Outro aspecto fundamental e imprescindível é a percepção do aluno como agente do processo educacional e não simplesmente cliente (ele é cliente da sociedade), que deve ser e estar integrado em todas as políticas e ações da liderança e da gestão institucional, principalmente porque ele (o aluno) vivência no dia-a-dia todas as políticas e ações, validando (legitimando) a cultura institucional junto com os demais colaboradores (professores, pessoal administrativo e dirigentes). O processo vivenciado pelas instituições educacionais de mudança para a qualidade e competitividade caracteriza-se, por transformações profundas e rápidas onde a efetiva participação e comprometimento (não somente envolvimento) das pessoas e equipes (todos os diretores, gerentes, coordenadores, colaboradores, professores e alunos), vêm se tornando fator imprescindível na elaboração de políticas e na construção de ações que sejam mais condizentes com a nova realidade educacional e institucional. Desta forma, torna-se também necessário refletir sobre a necessidade de uma nova visão do próprio papel que o aluno (agente do processo educacional) e os colaboradores representam na instituição e a consciência que deve surgir do próprio indivíduo. Assim as pessoas estarão mais abertas à aprendizagem e terão condições de gerar melhores resultados nas suas atividades e no processo educacional. O ambiente institucional tem que se transformar em um ambiente de educação e aprendizagem contínua, ou seja, um ambiente de bom relacionamento humano, aberto à criatividade, a novas idéias, em que haja respeito e confiança mútua, em que a comunicação flua permitindo a circulação do conhecimento para a inovação. O ambiente e o clima institucional devem refletir e consolidar o discurso e as efetivas políticas e ações institucionais voltadas para uma educação de qualidade e excelência. A infra-estrutura da instituição educacional (salas de aula, biblioteca, laboratórios, unidades e centros de pesquisas, estudos e extensão, unidades de apoio educacional, administrativo e tecnológica) devem funcionar adequadamente e conspirando a favor da qualidade e excelência na educação. A sala de aula, por exemplo, deve ser percebida por todos, principalmente pelos alunos (agentes do processo educacional), como o local sagrado de trabalho do professor, ou seja, é o seu ambiente de trabalho e que precisa ser acima de tudo, respeitado e valorizado. Inclusive o arranjo físico da própria sala de aula deve ser urgentemente modificado. Deve-se evitar o atual e repetitivo modelo de alunos enfileirados e de costas um para o outro. A sala de aula deve ser organizada no formato de “U “, evitando-se que um aluno fique de costa para o outro e contribuindo efetivamente para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma mais interativa, participativa e com melhores resultados. A comunicação e as relações entre dirigentes, coordenadores e professores com os alunos deve ser, cada vez mais, horizontalizada e menos verticalizada, pois se busca maior comprometimento e participação de todos em busca de resultados comuns. Todos precisam estar profundamente inseridos, identificados comprometidos com a filosofia, a missão, a visão e os valores da e instituição educacional. A cultura de qualidade e excelência deve estar efetivamente presente em todos os espaços, ações e atividades institucionais. É necessário respirar “educação de qualidade e excelência” em todos os locais da Instituição Educacional. A missão, visão, os valores e as metas da instituição educacional devem ser amplamente divulgados e afixados em todas as unidades, salas de aula; locais e áreas da organização, objetivando a sua internalização e comprometimento pelos seus diversos públicos. Quanto vale uma equipe engajada com as metas da instituição educacional, atuando de forma mais produtiva e eficiente e, sobretudo satisfeita com o trabalho e o clima organizacional? Na disputa acirrada por alunos, professores e profissionais qualificados, o ambiente educacional e de trabalho transformou-se em vantagem competitiva e em uma forte moeda de negociação na retenção desses talentos. O clima de bem estar gera e proporciona confiança, credibilidade e harmonia, promove o senso de justiça, inspira respeito e estimula o sentimento de camaradagem e o orgulho dos colaboradores, alunos e professores e de toda equipe de pertencerem à Instituição Educacional. Por isso, a preocupação em garantir um bom clima organizacional e investir na melhoria global da qualidade de vida educacional é realidade cada vez mais freqüente nas Instituições, uma vez que a relação dos benefícios e demais programas dependem da criatividade existente na instituição. 4 CONCLUSÃO Não resta dúvida que uma adequada e criativa Gestão Estratégica Institucional e que proporciona um bom ambiente, é mais valorizada e terá mais sucesso em captar, fidelizar, desenvolver e reter seus talentos (alunos, professores e colaboradores – agentes do processo educacional), bem como atingir seus objetivos e superar suas metas. As mudanças necessárias no comportamento dos dirigentes, coordenadores, colaboradores e alunos, para o sucesso do modelo de desenvolvimento da Instituição Educacional, devem contemplar: a) o comprometimento e o alinhamento de todos (alunos e colaboradores) com a filosofia para o desenvolvimento e a condução da Instituição e o seu compromisso em estarem sempre orientados e buscando entender e atender as necessidades educacionais e institucionais; b) a implementação e condução de uma política de Desenvolvimento Humano e Organizacional que permita a Instituição contar com um quadro de alunos e colaboradores altamente capacitados e motivados a alcançarem e superarem os resultados educacionais e institucionais preestabelecidos; c) o orgulho e satisfação pessoal e profissional com a educação, o trabalho e a Instituição, base sólida para assegurar a qualidade, através de um Programa de Melhoria Contínua da Instituição Educacional (PMC/IE). É essencial elaborar um plano de implementação e consolidação de equipes realista e pragmático. O plano deve definir claramente as metas educacionais e institucionais e, principalmente do Desenvolvimento Humano e Organizacional alinhada permanentemente com a Gestão Estratégica da Instituição Educacional. O hiato existente entre o discurso e a prática educacional e institucional (inclusive é o que provoca grande insatisfação nos colaboradores, alunos e professores) deve ser banido do ambiente organizacional. As políticas e ações do Desenvolvimento Humano e Organizacional (captação, fidelização e desenvolvimento) devem necessariamente contemplar e envolver todos os agentes do processo educacional da instituição (alunos, professores, colaboradores e dirigentes). Uma estratégia de serviços educacionais consolida a crença da instituição de que os serviços aos seus diversos públicos são o vetor mais importante do seu sucesso. Para assegurar o sucesso é necessário manter um olho na educação e outro na liderança e na gestão, pois a melhor forma de se gerenciar uma instituição educacional (de qualquer porte) é através de uma efetiva gestão estratégica com foco nos resultados educacionais e institucionais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBRECHT, Karl. A única coisa que importa – Trazendo o poder do cliente para dentro da sua empresa. São Paulo: Pioneira, 1999. ____________ Revolução dos Serviços – Como as empresas podem revolucionar a maneira de tratar os seus clientes. São Paulo: Pioneira, 2000. ALBRECHT, Karl. ZEMKE, Ron. Serviço ao Cliente – A reinvenção da Gestão do Atendimento ao Cliente - Edição Ampliada e Atualizada. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2002. BATESON, John E. G. Marketing de Serviços. Porto Alegre: Bookman, 2001. BOCK. Ana Mercês Bahia. Psicologias. São Paulo: Editora Saraiva, 1999. COSTA, Eliezer Arantes. Gestão Estratégica. São Paulo: Saraiva, 2002. 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