Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus São Paulo O Professor Como Agente na Reconstrução Educacional de Jovens e Adultos do Programa PROEJA WILDIMA RÉGIA AZEVEDO SILVA São Paulo Setembro - 2009 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus São Paulo O Professor Como Agente na Reconstrução Educacional de Jovens e Adultos do Programa PROEJA WILDIMA RÉGIA AZEVEDO SILVA Monografia apresentada ao curso de Pós Graduação Especialização Lato Sensu em Educação Profissional Integrada à Educação Básica com a Modalidade de Educação Jovens e Adultos – Proeja, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP – Campus São Paulo, como parte dos requisitos para a obtenção de certificado de Especialista em Educação de Adultos. Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos da F. Bragança Pinheiro São Paulo Setembro - 2009 Dedico este trabalho em especial a minha família, pela compreensão, amor, carinho, dedicação, que me oferta em todos os momentos de minha vida. Aos mestres e colegas que me proporcionaram desenvolvimento e crescimento. E a todos comprometidos com a educação em acreditar que ela pode transformar um mundo melhor. Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais... Rubem Alves II AGRADECIMENTOS Ao meu orientador Professor Doutor Antônio Carlos da F. Bragança Pinheiro a aos meus mestres que muito colaboraram para a minha formação. Aos alunos que auxiliam nas encantadoras experiências de educação III RESUMO A educação de jovens e adultos destaca-se como um importante campo de pesquisa no sistema educacional brasileiro, tendo em vista o grande contingente da população que, por muitas razões, não pode ter acesso à escola formal na idade adequada para o ingresso no ensino regular. Objetivou-se, analisar e refletir sobre algumas práticas pedagógicas desenvolvidas pelos educadores que atuam na Educação de Jovens e Adultos. Para a investigação será utilizada a pesquisa exploratória de campo que proporcione subsídios acerca das questões que norteiam a formação de educadores de jovens adultos de EJA. Para subsidiar o trabalho serão utilizadas teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso, artigos científicos, livros e reportagens em internet. Os sujeitos envolvidos nessa pesquisa serão prioritariamente os educadores de EJA, assim como seus respectivos alunos. Constatou-se que para se desenvolver um ensino de educação de jovens e adultos adequado, exige-se formação inicial específica e geral consistente, assim como formação continuada. Percebe-se, então, que o aluno trabalhador atribuiu uma responsabilidade muito forte à escola, o que torna necessário um repensar de sua função no atual contexto político, econômico e social. Desse modo, os educadores devem atualizar-se no sentido de proporcionar aos educandos de educação de jovens e adultos a oportunidade de fazer a ligação entre a aprendizagem no âmbito escolar com o mundo do trabalho. Palavras chave: EJA, Ensino e Aprendizagem, Educação. IV ABSTRACT The youths' education and adults stand out as an important research field in the Brazilian education system, tends in view the great contingent of the population that, for a lot of reasons, he/she cannot have access to the formal school in the appropriate age for the entrance in the regular teaching. It was aimed at, to analyze and to contemplate on some pedagogic practices developed by the educators that act in the Education of Youths and Adults. For the investigation it will be used the exploratory research of field to provide subsidies. For the investigation it will be used the exploratory research of field that provides subsidies concerning the subjects that orientate the adult youths' of EJA educators' formation. To subsidize the work doctorate theories they will be used, master's degree dissertations, works of course conclusion, scientific goods, books and reports in internet. The subjects involved in that research will be priorly the educators of EJA, as well as their respective students. It was verified that adapted to develop a teaching of youths' education and adults, specific and general initial formation solid is demanded, as well as continuous formation. It is noticed, then, that the hard-working student attributed a very strong responsibility to the school, what turns necessary to a rethink of his/her function in the current context political, economical and social. This way, the educators should be updated in the sense of providing to the students of youths' education and adults the opportunity to do the connection among the learning in the school extent with the world of the work. Key words: EJA, Teaching and Learning Education. V SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 07 1.1 Objetivo Geral 13 1.2 Objetivos Específicos 14 1.3 Metodologia da Pesquisa 14 2. REFLEXÃO SOBRE A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS 16 E ADULTOS 3. ESTUDO DE CASO 28 3.1 Metodologia da Pesquisa Exploratória 28 3.2 Análise das Entrevistas 29 CONCLUSÃO 40 REFERÊNCIAS 42 APÊNDICE 45 VI 1. INTRODUÇÃO A educação de jovens e adultos destaca-se como um importante campo de pesquisa no sistema educacional brasileiro, tendo em vista o grande contingente da população que, por muitas razões, não pode ter acesso à escola formal na idade adequada para o ingresso no ensino regular, como prevê a legislação (OLIVEIRA, 1999, p. 82). Embora muitas iniciativas tenham sido adotadas pelos sucessivos governos para minimizar essa desigualdade no âmbito da educação formal no país, essas não têm sido suficientes para dar conta dessa problemática, em função da baixa oferta de escolaridade e dos altos índices de evasão e repetência do ensino regular. Tais fatos vieram a confirmar a necessidade de ações permanentes no campo da educação de jovens e adultos, pois ainda se configura na realidade uma educação tradicional, pela aplicação de métodos ultrapassados na seleção de conteúdos programáticos, muitas vezes fragmentados e desvinculados da vida dos educandos. Segundo Paiva (1997, p.21): Com isso, o processo de ensino e aprendizagem do adulto busca restabelecer sua trajetória escolar de modo a readquirir a oportunidade de um ponto igualitário no jogo conflitual da sociedade, uma vez que o analfabeto, mesmo sendo um adulto era considerado uma criança grande, que desempenhava suas responsabilidades de homem de família com deficiência, por não ser considerado apto a desempenhar as atividades do mundo adulto e, por não dominar o mundo das letras. Esse adulto era considerado, "Adultocriança; como as crianças, ele tem que viver num mundo de egocentrismo que não lhe permite ocupar os planos em que as decisões comuns têm que ser tomadas" A realidade das classes nos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) é ainda, não reconhecida pelo professor, que acredita que os alunos não aprendem porque não tem vontade de aprender. A verdade, não só o professor, mas, também o sistema educacional, acaba por atribuir ao aluno a culpa pelo seu fracasso, sem fazer uma reflexão que possibilite reconhecer as verdadeiras causas desse fracasso, que pode estar tanto no processo de ensino-aprendizagem, na relação professor-aluno, nos currículos, na situação sócio-econômica dessa clientela, dentre tantas possíveis causas. 7 Por outro lado, a educação nos modelos tradicionais, não leva o indivíduo a refletir sobre sua condição, configurando-se assim, como uma educação opressora, que não dá condições a esse indivíduo de libertar na busca de seu crescimento pleno, não lhe possibilitando entender a realidade em que vive de forma a poder transformá-la e, mais ainda, transformar-se. O professor não deve esquecer que a sala de aula é espaço propício para a existência de interações entre si e os alunos e entre alunos/alunos, criando as possibilidades para emergir a produção ou construção do conhecimento, tendo em vista que essas interações assumem um papel relevante na formação das capacidades cognitivas e afetivas de seus educandos. Além disso, o educador deve encorajar os alunos a perceberem os conhecimentos que fazem parte de seu contexto sociocultural, enfatizando o seu significado no processo de assimilação dos conhecimentos escolares. Os educadores precisam dá uma maior atenção a esses sujeitos, rever sua prática e refletir sobre os conteúdos do currículo oferecido a esta modalidade de ensino, do contrário a escola continuará sem sentido para alguns educandos que passaram por seus bancos, cite: [...] ao selecionar criteriosamente, dentre todos os conhecimentos desenvolvidos, aqueles relevantes para a iniciação dos jovens no mundo social. Ao mesmo tempo, exerce seu papel transformador ao preparar criticamente os jovens, capacitando-os a analisar sua sociedade, avaliar as relações existentes, equacionar seus problemas e propor transformações (MOURA, 1999, p. 97). A educação de jovens e adultos é um requisito básico para o acesso ao saber sistematizado, necessário à conscientização e participação conseqüente do homem e da mulher na dinâmica social, nos processos econômico, cultural e político. Por essa razão, é que se deve estar buscando metodologias novas, apropriadas a realidade do educando. Sobre essa perspectiva, deve-se levar em consideração a carga de conhecimentos com que o educando jovem e adulto chega à sala de aula, pois o educador, a partir dessa constatação, poderá trabalhar os métodos adequados que auxiliem no processo educativo, partindo da própria vivência desses educandos, de suas experiências, de sua condição social. Assim, o desenvolvimento intelectual desses 8 sujeitos, ao considerar a sua realidade e experiência de vida, possibilitará a eles seu desenvolvimento, ampliando suas possibilidades de alcançar benefícios na sociedade em que vive, na qual o trabalho, a família, as responsabilidades sociais e políticas, os conduzam à busca de sua realização plena como seres individuais e sociais. Assim, o compromisso do educador é levar o educando a reconhecer seu papel enquanto sujeito da práxis, problematizando o cotidiano de sua realidade, pois é nessa consciência do mundo que, ao refletir sobre si mesmo, o homem se descobre e age em favor de mudanças. Levando-se em conta a importância do papel de educador nesse processo de conscientização do aluno diante de sua realidade, o professor não poderá, ao trabalhar com esses jovens e adultos excluídos da educação formal, lançar mão dos métodos tradicionais de ensino, que já não o atraíram para a escola anteriormente, mas, sim, partir, de maneira inovadora e motivadora, à procura de métodos, técnicas e práticas pedagógicas que estejam de acordo com as condições e expectativas dessa clientela diferenciada. É inegável que as transformações econômicas, sociais, políticas e culturais da sociedade contemporânea vêm provocando na educação e no ensino, impactos que exigem dos educadores uma constante reflexão do papel da educação e da escola. É diante dessas transformações e a partir das condições concretas oferecidas e promovidas com articulações necessárias para construção de alternativas em luzes da coletividade que a educação deve estar a serviço do desenvolvimento das relações verdadeiramente democráticas. Com as transformações, uma dimensão a ser considerada é a formação do educador, seja ela inicial ou continuada, possuindo como referência a busca de competências e habilidades, exigindo não só o trato com conteúdos, mas, principalmente, com formas metodológicas que permitam a utilização do conhecimento na intervenção da realidade, associando esses conhecimentos ao cotidiano e ao aluno trabalhador. Essa maneira de agir do educador exige competências de ensino que vão além do domínio de um programa conteudista. Formar em verdadeiras competências durante a escolaridade geral supõe - e talvez estejamos a entendê-lo - uma considerável transformação da relação dos professores com o saber, de sua maneira de "dar 9 a aula" e, afinal de contas, de sua identidade e de suas próprias competências profissionais (PERRENOUD, 1999, p.53). Essa problemática considera que a prática do professor, iluminada por competências, sofrerá mudanças no seu modo de ser e de fazer o processo de ensinar. Ou seja, o professor que traçar seu caminho pelo prisma das competências precisará, obviamente, implementar novas metodologias na sua prática pedagógica, assim como diminuir conteúdos disciplinares e reformular o tipo de avaliação, orientando-as para as competências. Sabe-se que inexiste uma política nacional de formação de educadores de jovens e adultos e a conseqüência é a pouca preparação dos professores que atuam nesse campo, sem esquecer-se da escassez de recursos públicos destinados para essa modalidade de ensino. Esses entraves influenciam na formação dos educadores, gerando práticas descontextualizadas, como também influenciam na aprendizagem do alunado, pois das práticas descontextualizadas dos educadores resultarão alunos desmotivados, gerando o fenômeno da evasão escolar, principalmente quando se leva em consideração que os saberes aprendidos na escola são em sua maioria desligados das situações reais da vida dos alunos, logo, de suas necessidades intelectuais. Portanto, fica óbvio que, nessa modalidade de ensino, os alunos geralmente são oriundos das camadas populares com valores e expressões diferenciados daqueles que se estabelecem na cultura escolar, pois na maioria das vezes foram excluídos da escola regular por dificuldades de acesso ou pela necessidade de ingresso precoce no mundo do trabalho ou ainda da falta de adaptação da própria organização escolar diante da realidade desse aluno trabalhador. Conforme Oliveira (1999, p.59): O adulto no âmbito da educação de jovens e adultos, não é o estudante universitário, o profissional qualificado que freqüenta cursos de formação continuada ou de especialização [...] Ele é geralmente o migrante que chega às grandes metrópoles provenientes de áreas rurais empobrecidas, filho de trabalhadores rurais desqualificados e de baixo nível de instrução escolar (muito freqüentemente analfabetos), ele próprio com uma passagem curta e não sistematizada pela escola e trabalhando em ocupações urbanas não qualificadas, após experiência no trabalho rural na infância e na adolescência, que busca a escola tardiamente para alfabetizar-se ou cursar algumas séries do ensino supletivo. 10 Diante dessa caracterização do público de EJA, a inserção do aluno na escola ainda causa um impacto muito grande, pois a escola não foi originariamente concebida para atender a esse público. Nesse sentido, a EJA caracteriza-se por ter um público com duas especificidades: uma etária, pois os alunos são em uma faixa etária superior aos 14 anos de idade, e outra, sociocultural, por serem, em sua maioria, migrantes do êxodo rural. Para confirmar o deslocamento da população rural para o urbano, basta observar o resultado da pesquisa realizada pelo IBGE, Departamento de Emprego e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD (1999 e 2001), conforme afirma Teixeira, (2002, p.32): [...] a população brasileira, em 2001, contabilizava 169.369.557 pessoas, ou seja, 5,6% acima do número de 160.336.471, registrado em 1999. No mesmo período, a população rural passou de 31.585.066 pessoas, para 27.269.877 pessoas, o que expressa uma redução de 16,3%. Levando-se em consideração os dados postos para a área rural, e relacionandoos com a educação, especificamente relacionado à alfabetização, vai se notar que apesar de um crescente nível de alfabetização, o número de analfabetos no Brasil ainda é muito alto, conforme cita Teixeira, (2002, p.34): “Os não alfabetizados a partir dos 20 anos somavam 5 milhões de pessoas, em 2001, o equivalente a 68,4% do total de analfabetos da área rural e 20,4% da população rural total nessa faixa”. É notório que o histórico da EJA, em geral, mostra os equívocos presentes nesta modalidade de ensino desde a sua concepção original como uma educação compensatória, supletiva e de caráter emergencial, abordando que o professor carece de uma formação específica para atuar nessa modalidade de ensino. É por isso, que a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (BRASIL, 2000), n. 9.394/96, em seu artigo 61, faz alusão a respeito da formação de profissionais para atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino, e, nos artigos 11 37 e 38, refere-se à educação de jovens e adultos, traçando um novo olhar sobre a abordagem da EJA no Brasil. Para tanto, essa pesquisa a partir da justificativa acima referendada, quer adentrar na investigação da formação dos educadores de EJA para o mundo do trabalho e nessa pesquisa a autora se propõe averiguar como essa formação estão sendo trabalhadas, quais as mudanças necessárias na função do educador mediante o contexto do aluno trabalhador, e como os educadores devem empregar as competências em sua prática pedagógica. A Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional n. 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, põe em questão duas situações inerentes à educação: A primeira remete-se à formação dos profissionais da educação: Art. 61 A formação de profissionais da educação de modo a atender aos objetivos os diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos. I – A associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço; II – Aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades. A segunda referência da mesma Lei remete-se a educação de jovens e adultos: Art. 37 A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. Obviamente que esses artigos citados na LDB n. 9.394/96 estão postos para assegurar tanto a formação do educador, quanto a escolarização dos alunos que se apresentam em uma faixa etária destinada para a EJA. Assim sendo, a EJA não deve ser entendida a partir de uma visão de apenas erradicar o analfabetismo. Mas, compreender a EJA a partir de um resgate do conceito de educar para a vida, que envolve uma multiplicidade de processos de aprendizagem 12 relevante e por isso a inclusão das situações-problemas na escolarização, como um dos eixos norteadores do ensino por competências. Logo, ao trabalhar o processo de ensinar e aprender tendo por foco principal as competências, o educador não terá fórmulas prontas para esse exercício, mas irá ter presente em sua prática pedagógica as necessidades do meio em que os educandos convivem, o que norteará toda a sua ação pedagógica. E se o educador perceber que seus educandos necessitam de determinadas competências, então deverá implementar atividades focalizando as situações problemas a serem analisadas, criticadas, e com possibilidades de encontrarem soluções. Assim, o educador no enfoque de ensinar por competências sofrerá modificações em seu comportamento de ensinar, passando do conceito de repassador absoluto do saber para o intermediário entre o conhecimento e a necessidade do alunado. A partir disso surgem questões como: 1. Quais competências e habilidades deverão ser exigidas dos formadores de EJA? 2. Que perfil deve ter os profissionais que trabalharam com a EJA? 3. Quais critérios são desenvolvidos para manifestar a busca das competências e habilidades pelos educadores? 4. Que competências adquiridas pelo professor, estão contribuindo para a aprendizagem dos alunos de EJA na sua preparação para o mundo do trabalho? 1.1 Objetivo Geral Analisar e refletir sobre algumas práticas pedagógicas desenvolvidas pelos educadores que atuam na Educação de Jovens e Adultos. 13 1.2 Objetivos Específicos Os objetivos específicos serão estabelecidos da seguinte forma: 1. Apontar alguns relacionamentos entre teoria e prática, acerca das competências e habilidades que são inerentes a formação do educador de EJA. 2. Apresentar algumas das características que devem estar presentes no perfil de alguns dos profissionais que trabalham com a educação de jovens e adultos. 3. Verificar qual a relação que há entre o conteúdo ministrado e a realidade de trabalho vivenciada pelos alunos trabalhadores (estudo de caso). 4. Registrar como ocorre o ingresso do aluno trabalhador na escola (objeto do estudo de caso) e como fica sua vida após sua escolarização. 1.3 Metodologia da Pesquisa Para a investigação será utilizada a pesquisa exploratória de campo que proporcione subsídios acerca das questões que norteiam a formação de educadores de jovens adultos de EJA. Para subsidiar o trabalho serão utilizadas teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso, artigos científicos, livros e reportagens em internet. Os sujeitos envolvidos nessa pesquisa serão prioritariamente os educadores de EJA, assim como seus respectivos alunos. O ponto de partida deste estudo será a pesquisa bibliográfica que servirá de fonte para pesquisa de campo e envolverão os autores Phillippe Perrenoud, Paulo Freire, Jean Piaget, Miguel Arroyo e outros que irão contribuir para a fundamentação teórica. Para a pesquisa de campo será utilizado como instrumento de coleta de dados, o questionário. Conforme cita Vergara (1997 p.52):“O questionário caracteriza-se por uma série de questões apresentadas ao respondente (...) o questionário pode ser aberto, pouco ou não estruturado, ou fechado, estruturado [...]”. 14 Partindo desse conceito, define-se o questionário do tipo fechado estruturado, para a coleta dos dados, pois segundo Vergara (1997 p.53): “o respondente fará escolhas diante de alternativas apresentadas”. Após a pesquisa de campo e a coleta de dados estes serão processados e sistematizados, tendo em consideração o referencial teórico que fundamenta e orienta a presente pesquisa. 15 2. REFLEXÃO SOBRE A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Os educadores procuram métodos e práticas educativas adequadas à realidade cultural e ao nível de subjetividade dos jovens e adultos. Por muito tempo, o ato de aprender foi considerado sinônimo de memorização. Isso justificava que a escola se organizasse para exercer a função primordial de repasse do maior número possível de informações aos alunos. Os conteúdos a ser transmitidos eram organizados em grandes blocos, por áreas, e, em geral, partiam dos mais simples para os mais complexos. Acreditava-se que, juntando as pequenas partes, os alunos conseguiriam compreender o todo. Por se tratar de alunos adultos, de certa forma estes apresentavam um bloqueio, demonstrando também um medo em relação ao modo de aprendizagem. Sentiam-se a princípio, "encabulados" por terem de decorar e repetir sons e letras. Porém, pesquisas a respeito dos processos de aprendizagem da leitura e da escrita vêm comprovando que a estratégia necessária para um indivíduo se alfabetizar não é a memorização, mas a reflexão sobre a escrita. Essa constatação pôs em xeque uma antiga crença, na qual a escola apoiava suas práticas de ensino, e desencadeou uma revolução conceitual, uma mudança de paradigma. Tais mudanças ocasionaram vantagens e prejuízos que caracterizam um período de transição, de transformação de idéias e práticas cristalizadas ao longo de muitos anos. Qual o estudante inicial que não se sente coagido ao ser solicitado que se expresse através da escrita ou leitura? Essa reação é presenciada constantemente por professores durante o trabalho em sala de aula. Os argumentos dizendo que não sabem escrever é o mais usado entre os alunos, muitos educadores ficam perplexos ao ouvir essas mensagens negativas, mas é a realidade. Sabe-se que tal situação para ser resolvida depende do esforço do educador. É preciso exercer um papel mediador, daí a necessidade de conhecer os mecanismos, para, a partir de então, tornar fácil escrever sem receio. Em um processo de alfabetização de adultos é fundamental considerar que práticas de leitura essa pessoas se envolvem e com que objetivos almejam ler. Muitos 16 alunos, em suas demandas mais urgentes, revelam que gostariam de aprender a ler para poder identificar os ônibus que devem tomar fazer a leitura da Bíblia, reconhecer seu nome na folha de presença do trabalho, acompanhar as noticias nos jornais, dentre outras. Tais necessidades não justificam que devem aprender apenas atividades de leitura e de escrita que tenham apenas esses fins específicos. Não se deve pensar que os alunos precisam de comunicação escrita apenas para fins instrumentais. Na concepção de Nico (2000, p. 20): “para adquirir a habilidade de leitura e escrita, é necessário que haja a automatização de função, além da capacidade de síntese (interpretação)”. É de conhecimento de todos os educadores que a escola é o caminho certo quando se fala em processo ensino-aprendizagem, tendo em vista o compromisso que ele exerce perante a sociedade, por isso tem-se o compromisso de apresentar um plano que vá proporcionar aos educandos mais maturidade no exercício da escrita e leitura. Somente com análise profunda do problema é que vai ter bons resultados, pois como diz Goulart (2003, p. 106): [...] alfabetizar é menos impor modelos que permitir que o sujeito desenvolva sua forma de captar o simbólico social nos textos (e aí está incluído o sistema de escrita), a partir de sua subjetividade, com a sua marca, a sua assinatura. A construção da identidade individual no processo de produção de textos parece estar fundada na construção da identidade social. Não somente nas atividades de leitura, mas também nas escritas é fundamental que os alunos possam ir compreendendo e penetrando na organização da linguagem escrita socialmente relevante. Alfabetizar-se em um sentido amplo, é “aprender a manipular e utilizar a linguagem deliberadamente para participar em eventos socialmente valorizados, implica tomar parte em situações geradoras de leitura e escrita onde estas práticas são mobilizadas e utilizadas” (KALMAN, 2004, p. 25). A busca pelo conhecimento é um processo amplo de aprendizagem, que envolve responsabilidade do educador e do educando. A escola é de suma importância, uma vez que, é potencialmente um dos instrumentos a ser usado na construção do aprendizado escolar. O educando é o sujeito principal, a escola é o meio e o educador é o mediador de todo os conhecimentos desenvolvidos dentro da escola. É por essa razão que Ribeiro (1999, p. 5) defende que a “alfabetização e a educação de base de adultos 17 deveriam partir sempre de um exame crítico da realidade existencial do educando, da identificação das origens de seus problemas e das possibilidades de superá-los”. Uma das dificuldades enfrentada pelos educadores que trabalham na EJA é com a leitura e a escrita, especialmente na 1ª etapa, que corresponde às séries iniciais. Nesse curso depara-se com jovens e adultos que se encontram fora de sala de aula há vários anos e ainda, com mais incidência, alunos que nunca freqüentaram uma sala de aula. Essa é uma das razões de tantos fracassos, desistências e esvaziamento das salas de aulas da EJA. Como a maioria, dos alunos da EJA passa o dia todo trabalhando, estas não podem ter o mesmo rendimento dos demais estudantes, principalmente, se tratando de aulas tidas como tradicionais: quadro, giz e exposição oral dos conteúdos, muitos fora da realidade dos educando. Essa modalidade de ensino necessita de aula diferenciada, com dinâmicas e técnicas de ensino facilitadoras da aprendizagem, condizente com a realidade dos alunos. A concepção educacional freireana centra-se no potencial humano para a criatividade e a liberdade no interior de estruturas político-econômico-culturais opressoras. Ela aponta para a descoberta e a implementação de alternativas libertadoras na interação e transformação sociais, via processo de "conscientização". "Conscientização" foi definida como o processo no qual as pessoas atingem uma profunda compreensão, tanto da realidade sócio-cultural que conforma suas vidas, quanto de sua capacidade para transformá-la. Ela envolve entendimento praxiológico, isto é, a compreensão da relação dialética entre ação e reflexão. Freire propõe uma abordagem praxiológica para a educação, no sentido de uma ação criticamente reflexiva e de uma reflexão crítica que seja baseada na prática. Há décadas que se buscam métodos e práticas adequadas ao aprendizado de jovens e adultos: Como diz Freire (1997, p. 72): [...] a alfabetização não pode se fazer de cima para baixo, nem de fora para dentro, como uma doação ou uma exposição, mas de dentro para fora pelo próprio analfabeto, somente ajustando pelo educador. Esta é a razão pela qual procuramos um método que fosse capaz de fazer instrumento também do educando e não só do educador e que identificasse, como observou um jovem sociólogo brasileiro (Celso Beisiegel), o conteúdo da aprendizagem com o processo de aprendizagem. Por essa razão, não acreditamos nas cartilhas que pretendem fazer montagem de sinalização 18 gráfica com uma doação e que reduzem o analfabeto mais a condição de objeto de alfabetização do que de sujeito da mesma. Com isso, notamos que desde os anos 70, ou até mesmo antes, o uso da cartilha e metodologias inadequadas na educação de jovens e adultos preocupava os educadores da época e, infelizmente, essa problemática permeia os tempos atuais, segundo (FUCK, 1994, p.14 e 15): Que a educação seja o processo através do qual o indivíduo toma a história em suas próprias mãos, a fim de mudar o rumo da mesma. Como? Acreditando no educando, na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as conseqüências de sua escolha. Mas isso não será possível se continuarmos bitolando os alfabetizandos com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copiarem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende. Hoje, como ontem, as posições de Paulo Freire (1996, p.59 e 60) com respeito à busca de novas práticas educativas ganham força e nos levam a refletir: Alfabetização é a aquisição da língua escrita, por um processo de construção do conhecimento, que se dá num contexto discursivo de interlocução e intera-ção, através do desvelamento crítico da realidade, como uma das condições necessárias ao exercício da plena cidadania: exercer seus direitos e deveres frente a sociedade global. O sistema escrito é produzido historicamente pela humanidade e utilizado de acordo com interesses políticos de classe. O sistema escrito não é um valor neutro. A alfabetização não pode ser reduzida a um aprendizado técnico-linguístico, como um fato acabado e neutro, ou simplesmente como uma construção pessoal intelectual. A alfabetização passa por questões de ordem lógico-intelectual, afetiva, sóciocultural, política e técnica. É preciso conduzir o adulto a compreender que a escrita e a leitura vão além da decifração e transcrição de letras e sons, são atividades orientadas pela busca do sentido e do significado. O sujeito está intimamente ligado ao objeto, procurando buscar coordenadas para a tomada de consciência deste processo. O domínio da leitura e da escrita está diretamente relacionado à progressão da escolaridade que por sua vez, está ligado á cidadania. Para o jovem e adulto que não 19 sabe ler e escrever, o seu mundo é pequeno, pois é impossibilitado de acesso a notícias e informações escrita, sem contar, que a interpretação de informações visuais e auditivas, em decorrência do seu baixo senso critico, torna-se difícil. Na procura incansável pelo desejo de aprender a ler, dominar a escrita e de calcular, muitos adultos matriculam-se nas séries iniciais da Educação de Jovens e Adultos, em busca de melhoria e qualidade de vida, pelo domínio e utilização do seu espaço. Muitos ainda acalentam o sonho de estudar "para ser alguém na vida", e eles têm a escola como uma possibilitadora de novas condições de vida pessoal, profissional e humana. Ser alguém na vida parece que esta resposta adia a esperança. No entanto, é preciso orientar os educandos que eles já são alguém na vida; que são responsáveis pelo processo evolutivo dos acontecimentos históricos, das grandes viradas industriais e do desenvolvimento do país. Que ele é o agente, o mentor de sua história. Ser alguém é assumir o seu papel de anteriormente. As motivações não se limitam ao aspecto citado anteriormente. Muitos se referem também à vontade mais ampla de “entender melhor as coisas”, “se expressar melhor”, de “ser gente”, de “não depender sempre dos outros”. Especialmente, as mulheres, referem-se muitas vezes também ao desejo de ajudar os filhos com os deveres escolares ou, simplesmente, de lhes dar um bom exemplo. Outros voltaram aos estudos justamente para atender as necessidades exigidas pelo trabalho. As transformações científicas, tecnológicas e sociais e a famosa globalização mundial exigem do homem uma nova postura profissional, uma reciclagem geral. A esse respeito Libâneo (1994, p. 35) destaca que: Pela educação escolar democratizam-se os conhecimentos, sendo na escola que os trabalhadores continuam tendo a oportunidade de prover escolarização formal aos seus filhos, adquirindo conhecimentos científicos e formando a capacidade de pensar criticamente os problemas e desafios postos pela realidade social. A atividade que impulsiona o trabalhador a estudar também é a mesma que o ajuda a desistir. A ânsia de exercer uma função mais remunerada e respeitada faz a procura da escolarização, pois para eles, a dignidade como trabalhador viria a partir de uma mudança concreta de vida, posta numa sociedade que privilegia o letrado. O educador adulto tem de admitir sempre que os indivíduos com os quais atua são homens normais e realmente cidadãos úteis. 20 Muitos voltaram aos estudos justamente para atender as necessidades exigidas pelo trabalho. As transformações científicas, tecnológicas e sociais e a globalização mundial, exigem do homem uma nova postura profissional, uma ampla atualização e essa postura/atualização/mudança têm que ser rápida, ou o homem pagará um alto preço pela demora. Os jovens e adultos precisam se adequar a esse ritmo rápido e, por isso, necessita muito do estudo, do conhecimento, buscar o novo, o inusitado. A desvalorização social, que se acentua e se estabelece no mundo do trabalho, por meio da desqualificação profissional dentro das instituições, poderia ser superada a partir do domínio de determinadas capacidades. Desta forma, estes Jovens e Adultos buscam a escola para ascender profissionalmente, serem reconhecidos socialmente e melhorar a qualidade de vida. Porém, ao atrair o adulto para a escola, é preciso garantir que ele não a abandone. As altas taxas de evasão (menos de 30% concluem os cursos) têm origem no uso de material didático inadequado para a faixa etária, nos conteúdos sem significado, nas metodologias infantilizadas aplicadas por professores despreparados e em horários de aula que não respeitam a rotina de quem estuda e trabalha. Não se trata apenas de ensinar a ler e escrever. Para inserir esta população no exercício pleno da cidadania e ampliar suas oportunidades de colocação no mercado de trabalho, a alfabetização deve compreender a oferta de uma formação equivalente, pelo menos, às quatro séries iniciais do Ensino Fundamental. Muitos professores alfabetizadores da EJA não levam em consideração os conhecimentos e experiências vividas pelo discente durante sua história de vida, quando na realidade sabe-se que esses educandos têm toda uma experiência de vida, de luta, cabendo ao professor como também, a escola, respeitar e aproveitar os saberes acumulados dessa clientela e, tentar reconstruir com eles novos conhecimentos. Funck (1994, p. 14-15), entende que é preciso acreditar: [...] no educando, na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as conseqüências se sua escolha. Mas isso não será possível se continuarmos oferecendo aos 21 alfabetizados desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copiarem, em caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levem em conta a lógica de quem aprende. A voz dos alfabetizados, ao serem ouvidas e respeitadas, propicia um contexto de aprendizagem onde o “saber da experiência vivida’ é considerado; ao participarem de atividades letradas, suas vozes, mesmo que não portadoras da norma da língua considerada padrão, se tornam também legitimadas socialmente”. Kalman (2004) ressalta que as políticas para a Educação de Jovens e Adultos precisam enfatizar três princípios essenciais, a saber: 1º - o contexto onde os educandos vivem e realizam suas atividades cotidianas devem ser considerados pelas ações educativas; 2º - o ponto de partida dos programas educativos deve ser aquilo que os participantes conhecem e sabem fazer e; 3º - a heterogeneidade dos usuários deve ser reconhecida e atendida pelas propostas educativas. É preciso considerar que jovens e adultos são portadores de uma bagagem cultural rica e diversa, construída em diferentes âmbitos de suas vidas, sendo, portanto, o ponto de partida para novas aprendizagens. Se os Jovens e Adultos são capazes de fazer com competência a leitura do mundo, podem também ser competentes para a leitura de revistas, livros, jornais, gibis, bíblia, folhetos, bilhetes, anúncios, pois como afirma Freire (1983, p. 11), a leitura do mundo precede da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre texto e contexto. Nesse sentido, o ato de ler, é antes de tudo, um ao crítico, pois aquele que está aprendendo a ler e a escrever deve ser concebido como sujeito do conhecimento, ou seja, isto é, por meio das interações que se constrói o contexto. Freire (1983) defendia que o processo educativo não consiste de conhecimentos prontos, acabados, mas sim sobre os conhecimentos que circulam e, que estão em constante transformação; professores e alunos são sujeitos da educação e estão em permanente processo de aprendizagem. 22 Trabalhar com a Educação de Jovens e Adultos significa conscientizar-se de que é necessário utilizar-se de estratégias para que possa criar vínculos de amizade e um respeito mútuo entre aluno e professor. No entendimento de Arroyo (2000, p. 56), o professor precisa inventar uma nova prática que desperte o: Interesse [dos alunos] por outras lições, por exemplo, como aprender os valores em uma sociedade sem valores, como aprender a amizade, o amor, o relacionamento humano, os valores e leis que regulam o relacionamento entre gêneros, classes, raças, idades. Pode ser que queiram saber como vão se inserir no trabalho, nas artes, na cidadania, como funciona a produção... Como ser gente. É preciso ser possuidor de uma consciência verdadeiramente crítica, que não pretende se sobrepor ao educando adulto, que se identifique com ele, utilizando um método adequado onde seja bom para ambos. Melhorando a convivência dentro da sala de aula, e fora dela também. "Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção" (FREIRE, 1996, p. 32). O educador precisa compreender como o adulto vê a aprendizagem da expressão escrita e oral, e assim levá-los a desmistificar esse processo, fazendo com que o mesmo perceba que escrever não depende de dom de palavras, que essa é uma idéia errônea, pois é sabido que todos têm algo a dizer, que têm o que compartilhar que precisam documentar sua vivência e o que querem refletir sobre as coisas da vida e sobre o próprio trabalho. Não tratando adequadamente a escrita e a fala na alfabetização, a escola encontrará dificuldades sérias para lidar com a leitura. Afinal a leitura, na sua função mais básica, nada mais é do que a realização do objetivo de quem escreve (CAGLIARI, 1992, p. 8). Tem que considerar o educando não como uma criança em fase de alfabetização, ou como um sujeito marginalizado, e sim como um ser normal da sociedade em que se vive, enfim, um ser pensante é um ser portador de idéias e um produtor de idéias, que se revela espontaneamente em sua conversação, em sua critica aos fatos, em sua literatura oral. O que ocorre é que, na presença do professor que se 23 põe como possuidor de todo o conhecimento, inferioriza o aluno, retraindo seu comportamento até provocar a desistência. Numa alfabetização de jovens e adultos, o fundamental, é que mesmo quando os alunos dizem que não sabem ler, eles sejam levados a crer que a leitura não é um processo de decifração, mas um processo de construção se sentidos do texto. Como ressalta Kalman (2004, p. 77) ao afirmar que é preciso “compreender a leitura e a escrita mais como práticas sociais do que como um conjunto de habilidades centrado na manipulação mecânica dos elementos isolados do texto”. As experiências com eventos de leitura e escrita contam muito para a formação de todos. Geralmente, trabalha-se com alunos que tiveram muito pouco ou quase nenhum contato com a leitura e escrita desde a infância. O aprendizado desse aluno com certeza será mais difícil do que aquele que desde pequeno, por influência dos pais, tem contato com esses materiais. Alfabetizar letrando significa orientar a criança para que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e de escrita: substituindo as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura que circula na escola e na sociedade, e criando situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos. Este é o desafio posto para a educação de jovens e adultos. O letramento possibilita a inclusão no universo cultural. Por meio da cultura letrada, pode-se comunicar e integrar com outras pessoas pode-se ter acesso a uma gama infinita de informações, tem-se a possibilidade de uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da política. Os jovens e adultos analfabetos envolvem-se em práticas sociais de leitura e de escrita, diariamente, quer seja ao pedir para alguém que leia o nome de um ônibus ou de uma rua, quer leia uma carta que recebe que veja o prazo de validade de um produto ao supermercado, que anote um recado para alguém. Embora não saibam ler e escrever, essas pessoas, de certo modo já apresentam graus de letramento, uma vez que estão imersas num mundo letrado e fazem uso, de uma forma, da leitura e da escrita. Estar imerso em um ambiente letrado é fundamental, mas não parece ser suficiente, é preciso que o professor leve seus alunos a refletirem sobre a escrita, a estabelecerem relações entre diferentes tipos de textos e produzirem textos significativos, o mais próximos que for possível de seu uso social. Estes precisam saber 24 que “a escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural, resultado de esforço coletivo da humanidade” (FERREIRO, 2001, p. 43). Proporcionar conhecimentos e métodos sobre as formas de aplicabilidade dos conteúdos didáticos aos integrantes do processo educativo, mostrando a necessidade do uso de instrumentos e procedimentos de métodos adequados proporcionando aos educandos uma forma de aprendizagem coerente com as suas necessidades e também, que seja compatível com suas diferenças de idade que sempre haverá dentro da sala de aula. O professor de EJA pode utilizar-se de muitas situações como estas para contextualizar um ambiente de letramento nas atividades de alfabetização. Por meio da leitura compartilhada, o professor pode aproximar seus alunos do mundo letrado, mesmo aqueles que ainda não lêem convencionalmente. Pela leitura, todos os envolvidos - professores e alunos - podem: ser estimulados a desejar fazer outras leituras; a imaginar as situações lidas, exercitando o imaginário; a se confrontar com outros pontos de vista diferentes dos seus; a estabelecer relações entre o que está sendo lido e o que está escrito; a compreender o sentido de comunicação da escrita. No entanto, é muito difícil para um não leitor formar leitores. Só se podem formar leitores se oportunizar situações de leitura significativas na sala de aula. O mesmo ocorre com a escrita. O professor preocupado em inserir seus alunos no mundo letrado precisa antes de tudo ter uma relação positiva com a leitura e a escrita. É preciso que ele tenha uma relação de prazer com os textos e reconheça sua importância e suas diferentes funções: informar, refletir, comunicar, divertir. O professor torna-se então um modelo de leitor para o aluno. Por meio da leitura realizada pelo professor, o aluno pode observar procedimentos de um leitor eficiente, pode perceber a relação que existe entre o texto e o leitor. Por meio da leitura e da escrita, o professor pode ampliar seu universo letrado, utilizando plenamente suas capacidades de uso da linguagem (oral e escrita) e de suas capacidades intelectuais e assim construir novas competências profissionais. Segundo Soares (2001), ao professor cabe tomar algumas atitudes importantes para que haja vinculação imediata entre o aluno e a escrita/leitura, tais como: Respeitar a diversidade de expressões orais dos alunos; 25 Saber ampliar as suas diferentes formas de expressão, abrindo espaços cotidianamente para conversas e narrativas; Saber proporcionar aos alunos reais situações comunicativas, incentivando-os a exporem suas dúvidas oralmente, a interferirem na fala dos outros fazendo contrapontos, a organizar debates e seminários, a promoverem saraus literários ou poéticos; Saber ler para os alunos; Saber aproximar os alunos de fontes de informação diversificadas e instigantes: livros, jornais, revistas, vídeos, cartazes; Saber comunicar um comportamento leitor (comentar uma leitura que fez indicar uma leitura a alguém, expressar o que sentiu numa determinada leitura, comparar diferentes autores, comparar diferentes fontes de informação); Saber selecionar textos para diferentes propósitos de leitura: ler para se divertir, ler para buscar informações, ler para apreciar; Saber selecionar textos para diferentes faixas etárias, e gostos dos alunos; Saber propor a leitura e escrita de diferentes tipos de textos: listas, receitas e textos instrucionais, formulários e questionários, anúncios folhetos e cartazes, textos em versos, poemas, letras de músicas, bilhetes, cartas e ofícios, jornais, contos, crônicas, fábulas e anedotas, relatos, biografias, textos com informações históricas, textos com informações científicas; Saber ser escriba para os alunos; Saber propor atividades diversificadas para os diferentes grupos de alunos com diferentes apropriações de escrita; Muitas circunstâncias de uso da leitura e da escrita podem ser favorecidas no contexto da sala de aula. Formar usuários autônomos da leitura e da escrita é papel da escola. Para isso, é fundamental que ela tome para si esta tarefa, principalmente na educação de jovens de adultos, que é constituída por um público que geralmente foi privado do acesso à cultura letrada. Favorecendo um contexto de letramento o professor possibilita que os alunos ampliem seus conhecimentos, compreendam o mundo que os rodeia e sintam-se participantes dele. 26 O papel do educador é mediar a aprendizagem, priorizando, nesse processo, a bagagem de conhecimentos trazida por seus alunos, ajudando-os a transpor esse conhecimento para o "conhecimento letrado". “A escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade” (FERREIRO, 2001, p. 43). Numa concepção construtivista de educação, o professor não é, e nem tampouco pode ser, mero espectador da construção de conhecimentos de seus alunos. Cabe a ele o papel de organizar as situações de aprendizagens, as intervenções pedagógicas que auxiliem os alunos em suas próprias construções, que considere seus conhecimentos e os mecanismos envolvidos nessa construção, além das questões relacionadas à didática do objeto a ser ensinado e aprendido. Esse deve ser a função do educador que trabalha com a educação de jovens e adultos. Para atuar e cumprir o seu papel o educador necessita de voltar aos bancos escolares a fim de atualiza-se, adquirir mais competências para realização do trabalho. Exigindo das autoridades e instituições o cumprimento das leis e estatutos vigentes. 27 3. ESTUDO DE CASO O Estudo de caso deste trabalho de conclusão de curso foi desenvolvido junto a uma escola pública municipal, situada a Avenida Engenheiro Milton de Alvarenga, nº 20, Bairro Vila Gilda, município de São Paulo, a escola situa-se em uma região populosa composta de migrantes de todos os estados do Brasil que se estabeleceram no bairro pela facilidade de moradia mais barata. Embora a escola esteja situada na periferia da cidade de São Paulo, ela interage com a sociedade atual, globalizada, que exige o homem ideal como pessoa instruída e com conhecimentos e autonomia. A intenção é identificar e analisar, através dos discursos dos educadores do 1º segmento da Educação de Jovens e Adultos, (referente às quatro primeiras séries do Ensino Fundamental), quais as principais dificuldades de aprendizagem apresentada por esse seguimento de ensino. 3.1 Metodologia da Pesquisa Exploratória Para alcançar o objetivo proposto, utilizou-se como suporte metodológico, a abordagem qualitativa, por proporcionar uma compreensão mais detalhada da realidade pesquisada. Esta opção é ratificada por Minayo (1996, p. 134), quando caracteriza a pesquisa qualitativa como importante para: (a) compreender os valores culturais e as representações de determinados grupos sobre temas específicos; b) para compreender as relações que se dão entre atores sociais tanto no âmbito das instituições como dos movimentos sociais; c) para avaliação das políticas públicas e sociais tanto do ponto de vista de sua formulação, aplicação, técnica, como dos usuários a quem de dedica. 28 Acoplada a essa abordagem, optou-se pela pesquisa bibliográfica, definida pelo conjunto de materiais escritos e/ou gravados, seja mecânico ou eletrônico que contém informações pré-elaboradas e publicadas por diversos atores. São consideradas fontes biográficas os livros de leitura corrente ou de referência, como dicionários enciclopédias, anuários e outros; as publicações periódicas (jornais, revistas) fitas de vídeo, áudio e páginas de web, sites, relatórios de simpósios e seminários. Vale salientar que a utilização de quaisquer destas fontes poderão ser total ou parcialmente. Segundo Gil (1994, p.46), a principal vantagem desse tipo de pesquisa consiste em permitir ao investigador uma cobertura ampla dos fatos/fenômenos, bem mais ampla do que poderia se pesquisar diretamente. Tal vantagem ainda sob os olhos desse autor se torna de crucial importância quando o problema da pesquisa “requer dados dispersos como se julga ser o caso deste estudo”. Para a coleta de dados, utilizou-se o questionário (anexo) contendo 05 questões abertas (subjetivas) onde as entrevistadas escreveram livremente, acerca da temática em que questão. Estes dados serão confrontados, na medida do possível, com os autores que teorizam sobre a EJA. As entrevistadas serão identificadas pela a letra (E), de Educador, seguida pelos quatro primeiros numerais. 3.2 Análise das Entrevistas A partir das falas dos educadores, busca-se delinear as principais dificuldades enfrentadas pelos educandos do primeiro seguimento da EJA. Para tanto, serão analisadas as falas de quatro educadores da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo (Zonal Sul) que trabalham nessa modalidade de ensino. Foram entrevistados quatro educadores, que foram denominados de E1, E2 e E3 e E4. Ao serem questionados sobre as principais dificuldades enfrentadas pelos educadores ao trabalhar com os alunos da EJA? Estes responderam que: “As dificuldades mais acentuadas são relacionadas à evasão e freqüência” (E1). 29 “Não participam das aulas. São, na maioria, sem paciência, agressivos, dificultando a aprendizagem. Querem, a todo custo ficar com nota. Faltam constantemente. Alegam está ali para adquirir um certificado” (E2). “A grande falta de interesse, de compromisso com o professor e com a escola” (E3). “A falta de estímulo e o cansaço por causa da jornada de trabalho” (E4). Percebe-se na fala dos entrevistados, que as dificuldades apontadas são praticamente as mesmas. Em função dos poucos investimentos financeiros, (destinados pelos órgãos federais, estaduais e municipais) da ausência de profissionais especialmente habilitados além de material didático muitas vezes inadequado, à escolarização básica dos jovens e adultos, muitas vezes, é precária. A maioria das atitudes apresentadas pelos educandos como: falta de interesse e estímulo, impaciência, freqüência, dentro outros são causados principalmente, por aulas cansativas, desinteressantes, descontextualizadas. O desestímulo dos alunos pode ter diversas causas, por exemplo, as dificuldades em assimilar os conteúdos muitos deles foram da realidade do aluno, junto ao medo de ser reprovado, de vir a fracassar, a falta de tempo para estudar e o cansaço por causa das horas de trabalho excessivas. Como a escola, para a maioria dos Jovens e Adultos, não corresponde ao que estes esperam dela, os alunos da EJA acabam reagindo, pois segundo Paschoal (apud SALLES, 1998, p. 18) “a escola é percebida como opressiva pelos alunos que sentem o ensino como: cansativo e desinteressante, pois não corresponde às suas expectativas”. Muitos educadores acabam tratando os alunos da EJA, da mesma forma do sistema comum de ensino, quando se sabe que a essa modalidade de ensino, requer um currículo diferenciado, aulas mais diversificadas e eficazes de acordo com a real conjuntura dos educandos, só desta forma será possível vencer o desinteresse e o desestímulo ocasionado pelo dia de trabalho, pela auto-estima baixa. Sabe-se das dificuldades de manter o interesse dos alunos - que chegam cansados do trabalho, de planejar aulas que tenham relação com a vida deles e que não sejam uma versão empobrecida do que é dado a crianças e adolescentes. 30 No entanto, o professor não deve esquecer que a sala de aula é espaço propício para a existência de interações entre si e os alunos e entre alunos/alunos, criando as possibilidades para emergir a produção ou construção do conhecimento, tendo em vista que essas interações assumem um papel relevante na formação das capacidades cognitivas e afetivas de seus educandos. Além disso, o educador deve encorajar os alunos a perceberem os conhecimentos que fazem parte de seu contexto sociocultural, enfatizando o seu significado no processo de assimilação dos conhecimentos escolares. Os educadores precisam dá uma maior atenção a esses sujeitos, rever sua prática e refletir sobre os conteúdos do currículo oferecido a esta modalidade de ensino, do contrário a escola continuará sem sentido para alguns educandos que passaram por seus bancos. [...] ao selecionar criteriosamente, dentre todos os conhecimentos desenvolvidos, aqueles relevantes para a iniciação dos jovens no mundo social. Ao mesmo tempo, exerce seu papel transformador ao preparar criticamente os jovens, capacitando-os a analisar sua sociedade, avaliar as relações existentes, equacionar seus problemas e propor transformações (MOURA, 1999, p. 97). Para ensinar é preciso saber qual o conhecimento que é prévio no aluno. Essa é mais uma verdade que deve ganhar espaço na escola. O que os alunos da EJA precisam é desenvolver as capacidades e competências necessárias para enfrentar as transformações culturais, científicas e tecnológicas que repercutem inclusive no mercado de trabalho. Observa-se, também, que as educadoras ao mencionarem as dificuldades em trabalhar com a EJA, atribuem às dificuldades apresentadas alunos como:- falta de estímulos, motivação, interesse, cansaço - e não as delas mesmas. Elas geralmente, não admitem que tenham dificuldades de trabalhar aulas diversificadas, de inovar metodologicamente, de alfabetizar, de lidar com alunos de idades heterogêneas e interesses diversos. Muitos educadores acreditam que estão trabalhando a prática de uma maneira coerente surpreendem-se quando observam que, apesar do seu discurso avançado mantêm-se numa prática absolutamente conservadora. 31 De acordo com Gadotti (2000, p. 8), não é por outra razão que todo debate em torno da função do educador e do exercício da função educativa tem "esbarrado na dificuldade da persistência de que os alunos adultos têm a cultura de um fracasso escolar". Como se tem ainda pouca preocupação em pensar no próprio discurso e, sim, na prática, o educador precisa se auto-analisar em sala de aula, para que ele possa utilizar o saber prático associado aos conhecimentos teóricos em um diálogo coerente com aquilo que se constroem e se acredita. Ainda, segundo Gadotti (2000, p. 84): É lógico que o professor poderá fantasiar no seu discurso a prática que desenvolve. Existe uma tendência natural de disfarçar os insucessos e ampliar os sucessos. A maneira de contornar isso é não ficar apenas na descrição das práticas reflexionar os motivos dessa prática. A esse respeito, Freire (1997, p. 21) comenta que: [...] o ensino não é a alavanca para a mudança ou a transformação da sociedade, mas sei que a transformação social é feita de muitas tarefas pequenas e grandes, grandiosas e humildes! Estou incumbido de uma dessas tarefas... A questão agora é pôr minha prática ao lado de meu discurso. Isto é, como posso ser coerente em classe. O processo de aprender a ler e escrever não se desenvolve espontaneamente, só pelo fato de "o sujeito interagir com a escrita" dentro de um ambiente alfabetizador como supõem algumas escolas. Ensinar como se lê, bem como ensinar como se escreve exigem do professor domínio de conhecimentos específicos, tais como: estrutura e funcionamento da língua em determinada sociedade, alfabetização nos diferentes gêneros textuais, os quais, para serem compreendidos, precisam ser estudados no contexto do discurso social. Esses e outros conhecimentos específicos da área, articulados a uma formação profissional genérica sobre educação, sobre processo ensino-aprendizagem, são indispensáveis para que o professor desenvolva um ensino de leitura e escrita de boa qualidade. Equivale dizer que o processo ensino-aprendizagem da leitura e escrita pressupõe formação e informação, esforço 32 intelectual, método, disciplina, autodisciplina, desejo, tanto por parte de quem se propõe a ensinar como parte do aprendiz. Em seguida, indagou-se: E, com relação aos alunos, quais as maiores dificuldades apresentadas por estes? Nesta questão, foram obtidas as seguintes respostas: “Desmotivação, freqüência, distorção idade/série” (E1). “A jornada de trabalho exercida e muitos anos fora da sala de aula” (E2). “São alunos que possuem muitas dificuldades e, no entanto não dispõe a superar estas dificuldades” (E3). “Na interpretação de textos não domina bem a metodologia. Idéias vagas na produção textual. Quando Escrevem, não fazem a coesão” (E4). Ver-se que as dificuldades apresentadas pelos educandos, são semelhantes mostradas pelos educadores para trabalhar com os alunos da EJA, exceto o (E4) que mencionou a interpretação e produção de textos. A sociedade em 2009 tem cada vez mais, exigido do ser humano maior capacidade de comunicação (falar, escrever e interpretar) para sua participação efetiva na sociedade, incluindo a capacidade de interpretar e produzir textos. Faundez (1999, p. 34), defendendo a Pedagogia do Texto, argumenta: A maior parte dos conhecimentos (ciências, crenças, emoções, etc.) se exprimem e se comunicam por meio de textos orais e/ou escritos. Para poder se apropriar desses conhecimentos, o ser humano necessita dominar uma infinidade de gêneros de textos, sem os quais ele será confrontado a obstáculos, seja na aprendizagem, seja no ensino de tais conhecimentos. A linguagem oral e escrita são elementos de comunicação importantíssimos ao desenvolvimento intelectual dos seres humanos e a capacidade escritora em especial de cada um vai depender muito do ambiente. 33 A capacidade de produção textual, tão necessária na era moderna e contemporânea, depende de um exaustivo exercício de leitura. Por esta razão, a produção de texto, não pode ser encarada como atividade apenas de Língua Portuguesa, restrita à composição textual que focalize apenas um tema proposto, deve sim permear todos os campos e disciplinas uma vez que a utilização freqüente da escrita contribuirá para ampliar o conhecimento do aluno sobre o funcionamento da escrita e sua capacidade de comunicação. Nesse aspecto, cabe ressaltar as palavras de Freire (1997, p. 29) quando explicita que: [...] na prática democrática e crítica, a leitura do mundo e a leitura das palavras estão dinamicamente juntas. O comando da leitura e da escrita se dá a partir de palavras e de temas significativos à experiência comum dos alfabetizandos e não de palavras e de temas apenas ligados à experiência do educador. Escrever é uma atividade que exige exercício contínuo, para que o aluno perca o medo e adquira, através do estímulo constante do professor, o gosto e o domínio da arte de redigir. Uma das maiores queixas apresentadas pelos educadores, seja da EJA ou não é realmente fazer com que os alunos transponham para o papel as suas idéias de forma coerente e coesa. Fazer com que a leitura/escrita faça parte da vida dos Jovem e Adulto que há muito estava afastado dos bancos escolares não é tarefa fácil, pois como diz Freire (1979, p. 71-72): O analfabeto aprende criticamente a necessidade de aprender a ler e a escrever. Prepara-se para ser o agente desta aprendizagem. E consegue faze-lo na medida em que a alfabetização é mais que o simples domínio mecânico de técnicas para escrever e ler. Com efeito, ela é o domínio dessas técnicas em termos conscientes. É entender o que se lê e escrever o que se entende. É comunicar-se graficamente. É uma incorporação. Implica não em uma memorização mecânica das sentenças, das palavras, das sílabas, desvinculadas de um universo existencial – coisas mortas ou semimortas -, mas uma 34 atitude de criação e recriação. Implica uma autoformação da qual pode resultar uma postura atuante do homem sobre seu contexto. Isto faz com que o papel do educador seja fundamentalmente dialogar com o analfabeto sobre situações concretas, oferecendo-lhe simplesmente os meios com os quais possa se alfabetizar. A aquisição e demônio da língua oral e escrita é uma tarefa altamente complexa, sujeita à influência de inúmeras variáveis. Nela interagem diversos fatores – pedagógicos, psíquicos, sociais e lingüísticos – cada um dos quais responde parcialmente pela consecução do objetivo final: habilidade de ler e escrever. Esta exige muito esforço tanto do educador em repassar da melhor maneira possível para educando de forma que este assimile, como deste na apreensão destas habilidades. O mais importante na aprendizagem da língua não pode ser o aluno saber escrever sem nenhum erro ortográfico ou nomear corretamente categorias gramaticais. O ensino da gramática é relevante se a considerarmos e entendermos como um conjunto de recursos que possibilitam a compreensão do funcionamento da língua. Na alfabetização de Jovens e Adultos, cuja concepção mais recente extrapola ou amplia o entendimento do termo alfabetizar, todos estes fatores são canalizados no sentido de preparar o indivíduo para que enfrente com sucesso os desafios que a vida lhe impõe. A Alfabetização de Jovens e Adultos é um requisito básico para o acesso ao saber sistematizado, necessário à conscientização e participação conseqüente do homem e da mulher na dinâmica social, nos processos econômico, cultural e político. Por essa razão, é que se deve buscar metodologias novas, apropriadas a realidade do educando. Ao perguntar para os educadores que fatores contribuem para que ocorram as dificuldades de aprendizagem, a maioria respondeu que: “A situação financeira. São pessoas que passam o dia trabalhando, e quando chegam à classe, não assimilam bem os conteúdos, porque estão cansados” (E1). “A falta de perseverança” (E2). “Em alguns casos o trabalho diário, em outros, a distorção idade/série a desmotivação” (E3). 35 “A jornada de trabalho exercida e muitos anos fora da escola” (E4). Para muitos estudantes que são trabalhadores, a estrutura escolar nem sempre está adequada ao contexto de vida desse aluno, não dispõe de um currículo específico, nem metodologia adequada. Não é à toa que o desempenho e a aprendizagem dos alunos que trabalham é bem inferior aos dos alunos que não trabalham. Papalia e Olds (2000), afirmam que para estabelecer se houve ou não aprendizagem é preciso que as mudanças ocorridas sejam relativamente permanentes. Segundos os autores, existem pelo menos sete fatores fundamentais para que tal aprendizagem se efetive, são eles: saúde física e mental, motivação, prévio domínio, amadurecimento, inteligência, concentração ou atenção e memória. A falta de um desses fatores pode ser a causa de insucessos e as dificuldades de aprendizagem. Todas as dificuldades apontadas pelas educadoras podem-se transformar em verdadeiras inabilidades para falar, para ler e escrever. Dentre os fatores mencionados pelos autores, as professoras apontam a desmotivação como causadora da não aprendizagem. A definição de dificuldades de aprendizagem é ampla, pois inclui problemas decorrentes do sistema educacional, de características próprias do individuo e de influências ambientais. Segundo Paín (1992), "os problemas de aprendizagem são aqueles que se superpõem ao baixo nível intelectual, não permitindo ao sujeito aproveitar as suas possibilidades". Na Educação de Jovens e Adultos a questão se agrava ainda mais, pois estes carregam o estigma de menos capaz ao contexto e às exigências escolares. Qualquer percalço nessa trajetória poderá significar uma dificuldade ou interferência na aprendizagem e no desenvolvimento da linguagem. E isto deve merecer a atenção dos professores. “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos ignoraram alguma coisa” (FREIRE, 1997, p. 69). Quando se questionou: Qual a sua maior preocupação enquanto professor na promoção dos alunos? Os educadores apontaram que: “A minha maior preocupação é a respeito da aprendizagem” (E1). 36 “A falta de aprendizagem ocasionada pela grande falta de participação dos mesmos” (E2). “Sem dúvida, a aprendizagem, pelo menos no que se refere ao básico” (E3). “A dificuldade para aprender, ou seja, uma aprendizagem lenta” (E4). As educadoras foram unânimes ao afirmar que a aprendizagem é com certeza a principal preocupação desta na promoção do aluno. Os problemas vividos pelos adultos são na maioria das vezes vivenciados como situação de fracasso, pois, por não conseguirem obter êxito nas demandas escolares, acabam por se sentirem incapazes, gerando sentimentos de frustração e comportamento desestabilizado, entre outros. O fracasso decorrente de situações específicas pode se traduzir num fracasso geral, resultando no próprio abandono da escola. Para que se dê o processo de ensino-aprendizagem, na alfabetização de jovens e adultos, é necessário conhecer as estratégias cognitivas desenvolvidas pelos alunos. Partir do conhecimento já produzido pelo sujeito da aprendizagem é o ponto essencial para orientar a ação pedagógica e nortear a produção de material didático. Ferreiro (2001), em trabalho realizado com analfabetos mexicanos, observou que além deles saberem palavras encontradas no seu cotidiano (nome de ruas, de estação de ônibus, dos produtos comerciais), tem também uma percepção das possibilidades combinatórias das letras. O conhecimento já constituído pelos alunos tem sua origem na luta do dia-adia, fruto das relações sociais por eles vividas, do tipo de vida decorrente dessas relações, bem como de suas experiências lingüísticas, culturais e sociais. Nesse aspecto, o processo de ensino-aprendizagem não tem por alicerce somente conhecimentos trazidos pelo educador, definidos numa ordem onde só ele conhece a lógica e os procedimentos pedagógicos. Mas deve ter por base situações significativas, que são verdadeiras motivações para que os alunos busquem se alfabetizar. Ao serem interrogados sobre as estratégias que utilizam quando detectam que o aluno não está avançando, estes apontaram as seguintes: 37 “Começo a trabalhar de forma diferente. Procuro dar mais atenção a eles. Dou aulas mais atrativas e faço a avaliação processual. Sou mais flexível” (E1). “Procuro dialogar, elaborar aulas prazerosas a fim de chamar a atenção dos mesmos. Mas mesmo assim, é muito difícil” (E2). “Procuro incentivá-los, motivando-os com atividades inovadoras, reflexão de auto-estima, visita domiciliar, conversa informal, etc.”. (E3). “Muito diálogo e trabalho com música, vídeo, procuro diversificar as atividades da melhor maneira possível” (E4). As estratégias apontadas pelos interlocutores poderiam e deveriam fazer parte das práticas diárias das educadoras em analise e não apenas quando estas detectam que seu aluno vai mal. Os currículos estão aí, abertos, abarcando a diversidade de realizações. Muitas necessidades e desejos dos educandos se encaixam nessas diretrizes. Inserindo essa proposta contextualizada na escola, efetivando e dando corpo à programação de cada área, de cada professor, desvelam-se os primeiros passos a serem dados. Esse posicionamento dá direção e é uma forma de verificar até que ponto o professor quer, acredita e se convence de sua prática pedagógica com sentido e adequação. Essa opção é uma forma de revelar o convencido e o seu acreditar. Como diz Freire (1997, p. 42-43): Ensinar exige reflexão sobre a prática, o pensar certo sabe, por exemplo, que não é a partir dele como um dado, que se conforma a prática docente crítica, mas sabe também que sem ele não se funda aquela. A prática docente implicante do pensar certo envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. É bem verdade que os educadores e a escola como um todo não são os únicos culpados por oferecer uma educação limitada, precária. Todos os envolvidos no processo educativo têm sua parcela de contribuição a começar pelo poder público que não oferece as condições adequadas bem estruturadas, formação contínua e de qualidade 38 para os professores ou se não uma remuneração digna e condizente com seu trabalho para os próprios possam se responsabilizar por isso. O atendimento a essa enorme população, extremamente diversificado em termos de interesses e de competências adquiridas fora da escola, não pode ser feito através de um currículo unificado, aulas cansativas e enfadonhas. Os educadores mais do que nunca precisar rever suas práticas pedagógicas, do contrário, tem-se um numero cada vez maior de jovens e adultos evadidos, desestimulados, sem interesse. 39 CONCLUSÃO Através de análise da realidade pesquisada, verificou-se que o mundo do jovem e adulto que não teve acesso a educação é muito complexo. A pesquisa indica que é mais complicado do que se apresenta superficialmente. É perceptível a necessidade de se fazer alguma coisa para mudar a situação desta população. A educação apresenta-se, para a maioria desses jovens e adultos, como único meio possível para alcançarem uma posição social destacada. É possivelmente a única chance de "ser alguém na vida". A posição social implica em valorizar-se modificar a realidade a partir do que se percebe, e ficar imaginado um mundo que pode vir a ser. Percebe-se que a autoestima desses jovens é muito baixa. Há certo desanimo diante da vida. A educação de jovens e adultos depende de uma prática educativa que tenha como eixo a formação de um cidadão autônomo e participativo. Essa prática pressupõe que os jovens sejam sujeitos do seu processo de aprendizagem e que construam significados para o que aprendem, por meio de múltiplas e complexas interações com os objetos de conhecimento, tendo para tanto, o educador como mediador. A intervenção dos jovens entre si é outro aspecto essencial nesse processo. Para inserir esta população no exercício pleno da cidadania e ampliar sua colocação no mercado de trabalho, a alfabetização deve compreender a oferta de uma formação equivalente, pelo menos, que possibilite uma inserção digna e respeitosa. As falas das educadoras entrevistados mostraram uma realidade preocupante e muito comum no interior de muitas salas de aulas da EJA. O professor que há anos está no magistério, já cansado do conteúdo, que há tempo ensina não vê nada de novo. Por outro lado, o aluno se vislumbra achando que irá encontrar na escola algo que lhes falta para melhorar a sua vida, ascender socialmente. Há, ao mesmo tempo, a busca da novidade por parte do aluno e a rotina do professor. Cabe ao professor, fazer o assunto suado e rotineiro, um assunto atraente e chamativo. O educando da EJA exige muito da presença do professor. É no professor que ele encontra a vontade de aprender, de ser alguém. Por isso, os laços afetivos são indispensáveis para o processo ensino aprendizagem, porém, não deve criar uma dependência dos alunos para com o professor. O professor deve ser o facilitador da 40 aprendizagem e não a aprendizagem em si. Pode ser o canal da aprendizagem, mas nunca deve reter em si toda "a sabedoria" e se tornar a única via de acesso ao saber. Tanto a escola como o professor não são os únicos responsáveis pelo desenvolvimento do educando. O educando também tem que fazer por merecer e estudar muito para alcançar seus objetivos. Considerando-se que grande parte da população ainda não chegou à sala de aula em nosso país, que a educação escolar pode ajudar a construir cidadãos, e que o desenvolvimento humano é questão de oportunidade. O professor tem um compromisso social de estudar e de apresentar alternativas para os problemas pedagógicos. É preciso elaborar uma proposta juntamente com os alunos a fim de incluir assuntos que chegue mais perto de sua realidade. Traçar planos e metas a partir do interesse do educando. Tarefa desafiadora, pertinente, que pode ter resultados surpreendentes. O tema do trabalho é amplo e a pesquisa foi restrita a um pequeno universo de entrevistados. Assim, são necessários novos estudos que possam aprofundar o conhecimento sobre as questões abordadas. 41 REFERÊNCIAS ARROYO, Miguel. Ofício de Mestre: imagens e auto-imagens. Petrópolis: Vozes, 2000. BRASIL. Lei LDB: de diretrizes e bases da educação: lei n. 9.394/96. Apresentação Esther Grossi. 3. ed. Brasília: DP&A, 2000. CAGLIARI, Luís Carlos. Leitura e Alfabetização. Cadernos de Estudos lingüísticos. Campinas: São Paulo, 1992. FAUNDEZ, Antônio. A pedagogia do texto em algumas palavras. In: Intercâmbios: Informativo semestral do Instituto para o Desenvolvimento e Educação de Adultos. IDEA, n.12, jul./1999. FERREIRO, Emília. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2001. FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. _______.Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. _______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. _______. Pedagogia do Oprimido. 6 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. FUNCK, Irene Terezinha. Alfabetização de adultos. Relato de experiência construtivista. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1994. GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, Sul 2000. 42 GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1994. GOULART, CECÍLIA Maria Araújo. A produção de textos narrativos, descritivos e argumentativos na alfabetização: evidências do sujeito na/da linguagem. In ROCHA, G; VAL M. G. (Orgs). Reflexões sobre práticas escolares de produção de textos: o sujeito-autor. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. KALMAN, Judith. El studio de la comunidad como um espaço para leer y escribir. In: Revista de Educação. nº 26, mai/jun/jul/ago de 2004. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. MOURA, Tânia Maria de Melo. A prática pedagógica dos alfabetizadores de jovens e adultos: contribuições de Freire, Ferreiro e Vugotsky. Maceió: Edufal, 1999. MINAYO, Maria Cecília de Souza. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1996. NICO, Maria Ângela. O distúrbio das letras. Revista Nova Escola. ano XV, nº 135 de setembro de 2000. OLIVEIRA, Marta Kohl. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. In Revista Brasileira de Educação. N. 12. Set., 1999. PAÍN, Sara. Diagnósticos e tratamentos dos problemas de aprendizagem. 4ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. PAIVA, Vanilda P. Educação Popular e Educação de Adultos: contribuição à história da educação brasileira. São Paulo: Loyola.1997. PAPALIA, Diane E.; OLDS, Sally W. Desenvolvimento humano. 7ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. 43 PERRENOUD, Phillippe. Construir as Competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. RIBEIRO, Vera Maria Masagão. Alfabetismo e atitudes: pesquisa com jovens e adultos. Campinas: Papirus. Ação Educativa, 1999. SALLES, M. F. Adolescência, escola e cotidiano – contradições entre o genérico e o particular. São Paulo: Unimep, 1998. SOARES, Magda. Linguagem e escala: uma perspectiva social. 17. ed. São Paulo: Ática, 2001. TEIXEIRA, Gerson. Êxodo e Miséria no Rural Brasileiro: 1999 a 2001. In. Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA. Brasília: 2002. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 1. Ed., Rio de Janeiro: Atlas, 1997. 44 APÊNDICE QUESTIONÁRIO DOS PROFESSORES Caro (a) professor (a) este questionário faz parte de uma pesquisa, nele contém questões sobre a sua prática pedagógica. Sua opinião é muito importante para este trabalho. Obrigado. Parte I: perfil do educador 1. Disciplina que ministra: ___________________________________________ 2. Formação: _____________________________________________________ 3. Tempo que trabalha na Educação de Jovens e Adultos: __________________ 4. Situação funcional: ( ) efetivo ( ) contratado PARTE II: QUESTÕES SOBRE A TEMÁTICA 1. Na sua opinião, quais os benefícios do EJA para aluno ? ( ) Permanência do aluno na escola ( ) Certificação ( ) Preparação do aluno para o ingresso e permanência no mercado de trabalho ( ) Aprendizagem 2. Para desempenhar bem seu papel de professor quais ações você realiza para aprimorar sua prática na educação de jovens e adultos: ( ) Metodologia diversificada ( ) Uso de livros paradidáticos ( ) Recursos da informática ( ) Apostilas ( ) Outros 3. Você participa de cursos de capacitação: ( ) Anualmente ( ) Semestralmente ( ) Bimestralmente ( ) Sempre que tem disponibilidade ( ) Raramente participa ( ) Nunca participa 4. Quais as principais dificuldades enfrentadas por você ao trabalhar com os alunos da EJA? ( ) Falta de interesse por parte dos alunos. ( ) Assiduidade. ( ) Dificuldades de aprendizagem ( ) Outro. Qual_______________________________________________