GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade A LIGAÇÃO COVALENTE E AS PROPRIEDADES DE SEUS COMPOSTOS As propriedades das substâncias formadas por ligações covalentes são muito diferentes das propriedades dos átomos que as formam. Quando as moléculas de uma substância são formadas por um número determinado de átomos, essas substâncias são denominadas moleculares. Em condições ambiente, as substâncias moleculares podem ser encontradas nos três estados físicos: As substâncias moleculares geralmente apresentam temperatura de fusão (TF) e temperatura de ebulição (TE) inferiores às das substâncias iônicas; quando puras, não conduzem corrente elétrica. Quando a ligação covalente origina compostos com grande número de átomos — geralmente indeterminado —, forma estruturas identificadas como macromoléculas. Tais substâncias são denominadas covalentes; em condições ambiente são sólidas e apresentam elevadas TF e TE. Exemplos: sílica — areia (SiO2)n celulose (C6H10O5)n grafita = Cgraf; Cn polietileno (C2H4)n diamante = Cdiam; Cn proteína ALOTROPIA Ao compartilharem elétrons, os átomos podem originar uma ou mais substâncias simples diferentes. Esse fenômeno é denominado alotropia. Alotropia: é a propriedade pela qual um mesmo elemento químico pode formar duas ou mais substâncias simples diferentes, que são denominadas variedades alotrópicas do elemento. As variedades alotrópicas podem diferir quanto à quantidade de átomos (atomicidade) e/ou à sua estrutura cristalina. Vejamos os principais casos de alotropia. Oxigênio O elemento oxigênio (O) forma duas variedades alotrópicas; uma delas, mais abundante, é o oxigênio comum (O2) e a outra, o ozônio (O3). Carbono Na natureza, o elemento químico carbono (C) forma três variedades alotrópicas: diamante, grafita e fulerenos. Essas três substâncias simples diferem entre si no arranjo dos átomos que formam o retículo cristalino, isto é, a sua estrutura. Enxofre O elemento enxofre (S) forma duas variedades alotrópicas: o enxofre rômbico e o enxofre monoclínico. Essas duas variedades são formadas por moléculas com oito átomos (octatômicas) e podem ser representadas pela fórmula S8. 1 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade Fósforo O elemento fósforo (P) forma diversas variedades alotrópicas, sendo o fósforo branco e o fósforo vermelho as duas mais comuns. GEOMETRIA MOLECULAR As moléculas são formadas por átomos unidos por ligações covalentes e podem apresentar, na sua constituição, de dois a milhares de átomos. A disposição espacial dos núcleos desses átomos irá determinar diferentes formas geométricas para as moléculas. Assim, toda molécula formada por dois átomos (diatômicas) será sempre linear, pois seus núcleos estarão obrigatoriamente alinhados. Uma das maneiras mais simples e mais usada atualmente para prever a geometria de moléculas que apresentam mais de dois átomos consiste na utilização da teoria da repulsão dos pares eletrônicos da camada de valência. Essa teoria está baseada na idéia de que os pares eletrônicos ao redor de um átomo central, quer estejam ou não participando das ligações, comportam-se como nuvens eletrônicas que se repelem entre si, de forma a ficarem orientadas no espaço com a maior distância angular possível. Para você visualizar melhor essa teoria, representaremos cada par eletrônico (2 elétrons de valência) ao redor de um átomo central como uma nuvem eletrônica de formato ovalado. Assim, a orientação espacial dessas nuvens dependerá do número total de pares eletrônicos ao redor de um átomo central A. A geometria das moléculas, porém, será determinada pela posição dos núcleos dos átomos ligados ao átomo central A. Considerando a orientação das nuvens e o número de átomos ligados ao átomo central, temos as possíveis geometrias moleculares, de acordo com a posição dos núcleos dos átomos. No quadro a seguir, podemos observar a relação da geometria das moléculas com o número de nuvens eletrônicas localizadas ao redor do átomo central: 2 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade POLARIDADE DAS LIGAÇÕES O acúmulo de cargas elétricas em determinada região é denominado pólo, que pode ser de dois tipos: Ligações iônicas Em uma ligação iônica ocorre transferência definitiva de elétrons, o que acarreta a formação de íons positivos (cátions) ou negativos (ânions), os quais originam compostos iônicos. Como todos os íons apresentam excesso de cargas elétricas positivas ou negativas, eles sempre terão pólos. Portanto: Toda ligação iônica é uma ligação polar. Ligações covalentes Nessas ligações, a existência de pólos está associada à deformação da nuvem eletrônica e depende da diferença de eletronegatividade entre os elementos. Quando a ligação covalente ocorre entre átomos de mesma eletronegatividade, não ocorre distorção da nuvem eletrônica, ou seja, não ocorre formação de pólos. Assim, essas ligações são denominadas apolares. Na ligação covalente entre átomos de eletronegatividades diferentes, ocorre deformação da nuvem eletrônica em decorrência do acúmulo de carga negativa em torno do elemento de maior eletronegatividade. Essas ligações são denominadas polares. Para comparar a intensidade de polarização das ligações, utilizamos a escala de eletronegatividade de Pauling: Quanto maior for a diferença de eletronegatividade, maior será a polarização da ligação. A partir dos itens já discutidos, podemos estabelecer a seguinte relação: 3 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade A polaridade de uma ligação é caracterizada por uma grandeza denominada momento dipolar, ou dipolo elétrico, que normalmente é representada por um vetor orientado no sentido do elemento menos eletronegativo para o elemento mais eletronegativo. Assim, o vetor é orientado do pólo positivo para o pólo negativo . Veja alguns exemplos: POLARIDADE DE MOLÉCULAS As moléculas podem ser classificadas quanto à sua polaridade em dois grupos: polares ou apolares. Experimentalmente, uma molécula é considerada polar quando se orienta na presença de um campo elétrico externo, e apolar quando não se orienta. O pólo negativo da molécula é atraído pela placa positiva do campo elétrico externo e vice-versa, como mostrado na figura abaixo. Teoricamente, pode-se determinar a polaridade de uma molécula pelo vetor momento dipolar resultante, isto é, pela soma dos vetores de cada ligação polar da molécula. Para determinar o vetor devem-se considerar dois fatores: a) a escala de eletronegatividade, que nos permite determinar a orientação dos vetores de cada ligação polar; b) a geometria da molécula, que nos permite determinar a disposição espacial desses vetores. Veja alguns exemplos: 4 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade Outra maneira de determinar a polaridade da maioria das moléculas é estabelecer uma relação entre o número de nuvens eletrônicas ao redor do átomo central A e número de átomos iguais ligados a ele. AS FORÇAS INTERMOLECULARES E OS ESTADOS FÍSICOS As interações de moléculas decorrem da existência de forças denominadas intermoleculares; tais interações estão relacionadas com as mudanças de estado físico da matéria. Quanto menos intensas forem as forças intermoleculares, mais volátil será a substância e menor será a sua temperatura de ebulição. As forças intermoleculares são genericamente denominadas forças de Van der Waals em homenagem ao físico holandês Johannes Van der Waals que, em 1873, propôs a existência dessas forças. As atrações existem tanto em substâncias formadas por moléculas polares como por moléculas apolares, mas nessas últimas a explicação foi dada por Fritz London apenas em 1930. 5 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade TIPOS DE FORÇAS INTERMOLECULARES 1. Forças dipolo induzido-dipolo induzido Essas forças ocorrem em todos os tipos de moléculas, mas são as únicas que acontecem entre as moléculas apolares. Quando essas moléculas estão no estado sólido ou líquido, devido à proximidade existente entre elas, ocorre uma deformação momentânea das nuvens eletrônicas, originando pólos + e -. Alguns exemplos de substâncias formadas por moléculas apolares que interagem por forças intermoleculares dipolo induzido-dipolo induzido: 2. Forças dipolo permanente-dipolo permanente ou dipolo-dipolo Esse tipo de força intermolecular é característico de moléculas polares. Veja, como exemplo, a interação que existe no HCl sólido: Esse tipo de interação é o mesmo que ocorre entre os íons Na+ e Cl– no retículo do NaCl (ligação iônica), porém com menor intensidade. Alguns exemplos de substâncias polares em que suas moléculas interagem por dipolo- dipolo: Pontes de hidrogênio A ponte de hidrogênio, por ser muito mais intensa, é um exemplo extremo da interação dipolo-dipolo e ocorre mais comumente em moléculas que apresentam átomos de hidrogênio ligados a átomos de flúor, oxigênio e nitrogênio, os quais são altamente eletronegativos e, que, por isso, originam dipolos muito acentuados. O conhecimento da polaridade e das forças intermoleculares é fundamental para entender propriedades, como temperaturas de fusão e ebulição, e solubilidade. FORÇAS INTERMOLECULARES E TEMPERATURAS DE FUSÃO E EBULIÇÃO Dois fatores influem nas TE: a) o tipo de força intermolecular: quanto mais intensas as atrações intermoleculares, maior a sua TE. 6 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade b) o tamanho das moléculas: quanto maior o tamanho de uma molécula, maior será sua superfície, o que propicia um maior número de interações com outras moléculas vizinhas, acarretando TE maior. Para comparar as temperaturas de ebulição de diferentes substâncias, devemos considerar esses dois fatores da seguinte maneira: • Em moléculas com tamanhos aproximadamente iguais: Quanto maior a intensidade de interação, maior a sua TE. • Em moléculas com mesmo tipo de interação: Quanto maior a intensidade de interação, maior a sua TE. Quanto maior o tamanho da molécula, maior a sua TE. Vejamos alguns exemplos: O diagrama a seguir mostra as TE dos compostos formados pelo hidrogênio com os elementos da família IVA (grupo IVA). Vamos, agora, comparar as TE das substâncias formadas pelo hidrogênio com os elementos das famílias VIA e VIIA: 7 GRUPO EDUCACIONAL KROTON UNIVERSIDADE DE CUIABÁ - UNIC Faculdade de Agronomia Disciplina: Química Geral Professora: Me Patrícia Andrade POLARIDADE, FORÇAS INTERMOLECULARES E SOLUBILIDADE Vejamos uma situação comum: Uma maneira de explicar o fato de o óleo não se dissolver na água é considerarmos que os processos de dissolução estão associados às interações moleculares. O tipo de força intermolecular existente na água deve ser diferente da existente no óleo. Como sabemos que a água é uma substância polar, podemos concluir que as moléculas do óleo devem ser apolares, mesmo sem conhecer sua estrutura. Baseados nesse fato, podemos afirmar que: Substâncias polares tendem a se dissolver em solventes polares. Substâncias apolares tendem a se dissolver em solventes apolares. LIGAÇÃO METÁLICA Algumas propriedades apresentadas pelos metais são muito diferentes das observadas em outras substâncias. A maioria dos metais é sólida à temperatura ambiente (25 °C) e apresenta cor prateada. As exceções são o mercúrio — único metal encontrado no estado líquido, cujo brilho característico é denominado aspecto metálico —, o cobre (Cu) e o ouro (Au), os quais apresentam, respectivamente, cor avermelhada e dourada. Experiências com raios X levam a crer que os retículos cristalinos dos metais sólidos consistem em um agrupamento de cátions fixos, rodeados por um verdadeiro "mar" de elétrons. Esses elétrons são provenientes da camada de valência dos respectivos átomos e não são atraídos por nenhum núcleo em particular: eles são deslocalizados. Esses elétrons ocupam o retículo cristalino do metal por inteiro e a liberdade que têm de se moverem através do cristal é responsável pelas propriedades que caracterizam os metais: • condutibilidade — são excelentes condutores de corrente elétrica e de calor; • maleabilidade — capacidade de produzir lâminas, chapas muito finas; • ductibilidade — capacidade de produzir fios. Com a aplicação de uma pressão adequada numa determinada região da superfície do metal, provocamos um deslizamento das camadas de átomos, produzindo lâminas ou fios. Formação de ligas metálicas Ligas metálicas: são materiais com propriedades metálicas que contêm dois ou mais elementos, sendo pelo menos um deles metal. As ligas metálicas possuem algumas características que os metais puros não apresentam e por isso são produzidas industrialmente e muito utilizadas. Referência: USBERCO, João. Química: volume único. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2002. FELTRE, Ricardo. Fundamentos da química. 2 ed. São Paulo: Moderna, 1996. 8