UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Mestrado em Ciências da Educação Especialização em Supervisão Pedagógica O Docente do Ensino Recorrente e o Supervisor Pedagógico Maria de Jesus Aguiar Cardoso Gomes Orientador: Prof. Doutor Armando Paulo Ferreira Loureiro Vila Real / 2014 UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Mestrado em Ciências da Educação Especialização em Supervisão Pedagógica O Docente do Ensino Recorrente e o Supervisor Pedagógico Tese de mestrado elaborada com vista à obtenção do grau de Mestre em Ciências da Educação, na especialidade de Supervisão Pedagógica em conformidade com o disposto no artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 74/2006 de 24 de março, com as alterações introduzidas pelos Decretos de Lei n-º 107/2008 de 25 de junho e 230/2009 de 14 de dezembro. Vila Real / 2014 AGRADECIMENTOS Ao Professor Doutor, Armando Paulo Ferreira Loureiro meu orientador, por ter abraçado com generosidade este projeto, pela sua competência científica, pela sua crítica sempre tão atempada e construtiva, pela permanente disponibilidade que muito contribuíram para a concretização desta Tese de Mestrado. Aos professores da Escola da Região Norte do Distrito de Viseu, por terem aceitado participar neste estudo, contribuindo de forma decisiva para a sua execução. Ao meu marido Artur Jorge e aos meus filhos Tomás e Matilde, pelo apoio e incentivo constantes. Aos meus pais Olivete e Joaquim, por estarem sempre presentes nos momentos mais importantes da minha vida. A todos os meus professores, pelo seu exemplo, pelos conhecimentos e atitudes que me transmitiram. A todos os meus alunos por me fazerem crescer profissionalmente e por contribuírem para a minha realização profissional. III Resumo O presente trabalho de investigação pretende demonstrar a importância da supervisão pedagógica no contexto da formação inicial e contínua dos professores do ensino regular e recorrente, para além do papel essencial desempenhado pelo supervisor/orientador. Através deste estudo demonstrámos que uma escola que não ignora os problemas e que envolve todos os intervenientes do contexto educativo na resolução dos mesmos tem mais hipóteses de se desenvolver e obter êxito. Esta pesquisa teve como finalidade analisar o papel do supervisor pedagógico no desenvolvimento da atuação do professor principiante no ensino recorrente. O tema da supervisão pedagógica sobre o qual incidiu este trabalho diz respeito a um projeto mais amplo, que na sua elaboração, a nível da escola deve fazer valer a participação dos vários intervenientes. A supervisão em educação é perspetivada como um processo cuja finalidade é basear-se no melhoramento e eficácia do ensino, estimulando os novos docentes a aperfeiçoar a sua ação educativa, promover a seleção e avaliação de métodos e materiais didáticos. O supervisor pedagógico tem um papel fundamental. Ele tende a ajudar o docente a desenvolver a sua capacidade de reflexão crítica, valorizando a escola como espaço de referência para a prática e o relacionamento com a comunidade. Assim, o critério de recolha de dados assentou na criação de um guião de inquérito por questionário que pretendeu compreender as relações interpessoais que se estabelecem entre o supervisor pedagógico e o professor principiante no ensino recorrente, com o propósito de contribuir para o conhecimento e desenvolvimento tanto dos docentes quanto do supervisor. Em primeiro lugar foram formuladas três questões semi-abertas: A fim de tornar a pesquisa mais esclarecedora, decidimos incluir neste estudo quatro questões de resposta aberta, que julgámos fundamentais para a valorização do trabalho fazendo uma leitura mais eficaz do papel do supervisor pedagógico na melhoria da prática letiva do docente principiante no ensino recorrente neste tipo de ensino. Palavras-Chave: Professor; Ensino-recorrente; Supervisão-pedagógica. IV Abstract This research work aims to demonstrate the importance of supervision teaching in the context of initial and ongoing training of regular and recurrent teachers, in addition to the essential role played by the supervisor / leader. Through this study we demonstrated that a school that does not ignore the problems and involving all stakeholders in the educational context in solving them has more likely to develop and succeed. This research aimed to examine the role of the educational supervisor in development of the performance of novice teacher. The theme of pedagogical supervision focused on which this work relates to a larger project, which in its development , the level of school should enforce the participation of various stakeholders . Supervision in education is perspected as a process whose purpose is based on the improvement and effectiveness of teaching, encouraging new teachers to improve its educational activities, promoting the selection and evaluation of methods and materials. The educational supervisor plays a key role. It tends to help the teacher to develop their capacity for critical reflection, enhancing the school environment for reference to the practice and the relationship with the community. Thus, the criterion of data collection was based on creating a script of survey questionnaire that sought to understand the interpersonal relationships established between the educational supervisor and the novice teacher in recurrent education, with the purpose of contribute to the knowledge and development of both the faculty as the supervisor. Keywords : Teacher ; Recurrent -teaching; Pedagogical supervision. V Índice Geral Agradecimentos………………………………………………………………….III Resumo………………………………………..………….……………………...IV Abstract……………………………………………………………………..…...V Índice……………………………………………………………………….........VI Índice de Tabelas e Figuras.…………………………………………..………....VIII Índice de Gráficos………………………………………………………….……IX Índice Introdução 1. Apresentação da Situação……………………………………………………. 1 2. Objetivo do Estudo…………………………………………………………. 2 3. Importância da Pesquisa……………………………………………………… 3 4. Organização da Dissertação…………………………………………………. 4 Parte I – Enquadramento Teórico Capítulo I – A Organização Escolar……………………………………………...7 1. A Escola enquanto organização aprendente…………………………………...8 2. Relações humanas no seio da organização……………………………………10 Capítulo II – Da Formação inicial ao Professor Supervisor……………………..11 1. A profissão do docente………………………………………………………..13 2. Desenvolvimento e Identidades Profissionais………………………………...14 3. A prática pedagógica………………………………………………………….16 4. O choque com a realidade…………………………………………………….18 VI Capítulo III – O conceito de supervisão pedagógica - O ensino recorrente e o regular 1. Conceito de Supervisão pedagógica………………………………………… 20 2. Funções e Papéis do Supervisor pedagógico nos dois ensinos……………… 21 3. Relação entre o supervisor com os professores dos dois ensinos…………… 24 4. O Ensino Recorrente………………………………………………………… 26 Parte II – Estudo Empírico Capítulo IV – Metodologia…………………………………………………….. 32 1. Natureza do Estudo………………………………………………………….. 33 2. Recolha de dados – Inquérito por questionário………………………………33 3. Participantes – Docentes Inquiridos (I1 a I12)……………………………….. 34 Capitulo V – Apresentação e Análise dos Resultados…………………………. 34 1. Caracterização dos Participantes no estudo…………………………………. 35 2. Análise das respostas dos inquiridos às questões abertas…………………… 50 Conclusões……………………………………………...…………………………... 60 Referências bibliográficas…………………………………………………............. 64 Legislação Consultada………………………………………………………………69 Anexos………………………………………………………….................................70 VII Índice de Tabelas e Figuras Figura 1- Esquema de ensino em contexto de sala de aula………………………….……………..25 Figura 2 - Esquema das relações existentes no sistema de ensino tradicional…………….............25 Tabela 1 - Categorização dos inquiridos…………………………………………………………..35 Tabela 2 - Opiniões dos inquiridos quanto à categoria: "Como a supervisão pedagógica influencia o desempenho pessoal e profissional do Docente……………..50 Tabela 3 - Opiniões dos inquiridos quanto à categoria: "Relação entre o docente principiante e o supervisor pedagógico no ensino recorrente…………………………53 Tabela 4 - Opiniões dos inquiridos quanto à categoria: "Considera determinante no seu desempenho enquanto docente do ensino recorrente a relação entre o docente principiante e o supervisor pedagógico…………………………………….54 Tabela 5 - Opiniões dos inquiridos quanto à categoria: "Tipo de acompanhamento que o supervisor deverá prestar ao docente principiante no ensino recorrente……….56 VIII Índice de Gráficos Gráfico 1 – Habilitações académicas dos inquiridos………………….….……………… Gráfico 2 – Relacionamento com os alunos……………………………………………. Gráfico 3 – Manter a disciplina na sala de aula………………………………………… Gráfico 4 – Domínio dos Conteúdos Programáticos…………………………………… Gráfico 5 – Transmissão do Conteúdo aos alunos……………………………………… Gráfico 6 – Metodologias ensino/aprendizagem……………………………………….. Gráfico 7 – Gestão da sala de aula……………………………………………………... Gráfico 8 - Planificação das aulas……………………………………………………… Gráfico 9 - Preparação de atividades…………………………………………………… Gráfico 10 - Avaliação dos alunos……………………………………………………… Gráfico 11 - Acompanhamento do supervisor………………………………………….. Gráfico 12 - Relacionamento com o supervisor………………………………………… Gráfico 13 - Metodologias usadas pelo supervisor……………………………………… Gráfico 14 - No ambiente da sala………………………………………………………... Gráfico 15 - No controlo da disciplina………………………………………………….. Gráfico 16 - Na planificação das aulas………………………………………………….. Gráfico 17 - No cumprimento dos programas curriculares……………………………… Gráfico 18 - No domínio dos conteúdos………………………………………………… Gráfico 19 - Na relação com os pais dos alunos………………………………………… Gráfico 20 - Na relação com os alunos………………………………………………….. Gráfico 21 - Na avaliação dos alunos……………………………………………………. Gráfico 22- Na participação em reuniões………………………………………………... Gráfico 23 - Observar aulas, analisar, reunir e dar feedback ao docente principiante…... Gráfico 24- Ajudar a avaliar os alunos…………………………………………………... Gráfico 25 - Ajudar a organizar o trabalho da sala de aula……………………………… Gráfico 26 - Acompanhar o professor principiante na sala de aula……………………... Gráfico 27 - Fomentar horário para o esclarecimento de dúvidas………………………. IX 36 37 38 38 39 39 40 40 41 41 42 42 43 43 44 44 45 45 46 46 47 47 48 48 49 49 50 Introdução 1. Apresentação da situação A necessidade de compreender melhor o conceito de supervisão pedagógica e de refletir sobre o papel do supervisor pedagógico no desenvolvimento correto da prática pedagógica do professor principiante no ensino recorrente, levou-nos a desenvolver este trabalho de investigação. É perfeitamente natural que, no começo da nossa prática docente, o facto de estarmos diante de uma turma composta por alunos heterogéneos e com ideias e vontades distintas, isso nos suscite algumas dúvidas quanto à forma como devemos gerir a sala de aula, planearmos os conteúdos de maneira a transmiti-los aos aprendentes de forma eficaz e escolhermos as melhores estratégias no sentido de garantirmos o desenvolvimento educativo dos nossos alunos. Numa primeira fase de seu surgimento, a supervisão pedagógica era apenas considerada fiscalizadora. No entanto, e à medida que o ramo das Ciências da Educação começou a ganhar terreno no âmbito da prática pedagógica e devido aos vários cursos criados pelas universidades nesta área, este conceito adquiriu alguma relevância, sendo que hoje em dia, a supervisão não pode ser apenas fiscalizadora, mas também revestir-se de ideias como o acompanhamento e a partilha de experiências. Durante a formação inicial, o professor principiante no ensino recorrente apreendeu os conhecimentos teóricos e práticos, adquiriu estratégias e procedimentos a aplicar na sala de aula. Todavia, um professor está em constante formação e precisa de um acompanhamento formativo através de orientação, avaliação e observação de um orientador mais experiente. Entre os autores que abordaram o conceito de supervisão pedagógica, importa mencionar Alarcão e Tavares (1987), Vieira (1993) e Zeichner (1993). Todos eles consideraram a supervisão no âmbito educativo como uma atividade, cuja meta fundamental consiste no aperfeiçoamento e eficácia da prática pedagógica. O professor principiante no ensino recorrente, mais facilmente, poderá melhorar o seu desempenho (pessoal/profissional) se a seu lado tiver alguém com mais experiência, de 1 forma a acompanhá-lo e guiá-lo no sentido de melhorar as suas habilidades enquanto docente. Na problemática da supervisão pedagógica, a ação do supervisor reveste-se da máxima importância como alude Smith (1996) em Sá Chaves (2003: 70) ao dizer que “a tarefa do supervisor é complexa, ele é um facilitador de aprendizagens, um promotor de desafios, um amigo crítico (…)”, ou como disse Smith um “criticalfriend”. Por isso, cabe-lhe o papel de ajudar o docente em início de carreira a estruturar metodologias reflexivas, que o ajudarão no seu processo de crescimento profissional repercutindo-se, obviamente, no desenvolvimento dos alunos. Sendo assim, julgamos adequado e pertinente um acompanhamento por parte de um supervisor pedagógico, a fim de estabelecer um relacionamento interpessoal e uma comunicação eficaz com o docente principiante no ensino recorrente, valorizando a dinâmica da instituição educativa de forma a uma melhoria da prática letiva no contexto da sala de aula. 2. Objetivo do Estudo Demonstrar a importância da supervisão pedagógica no contexto da formação inicial e contínua dos professores do ensino regular e recorrente, para além do papel essencial desempenhado pelo supervisor/orientador. A constante reflexão sobre a supervisão remete-nos (objetivos específicos) para: - compreender qual a melhor maneira de contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional no início da carreira docente; - demonstrar a relevância de uma avaliação, acompanhamento, reflexão, trabalho colaborativo e feedback frequentes para o docente na gestão da sala de aula, promovendo uma relação de empatia entre orientador e orientado; 2 - esclarecer o conceito de supervisão pedagógica, determinando o papel do supervisor e perceber a importância do acompanhamento prestado pelo supervisor pedagógico no sentido de melhorar ou não a prática pedagógica dos novos docentes. Assim, o nosso problema de investigação é: - Compreender em que medida as relações interpessoais entre professor principiante e supervisor pedagógico no ensino recorrente são ou não determinantes para a prática daqueles. Por esse motivo, decidimos colocar três questões essenciais através de um questionário direcionado a doze docentes do ensino recorrente no sentido de recolher ideias sobre a amplitude da supervisão e do supervisor no desenvolvimento e eficácia da prática pedagógica: 1. Regularidade das dificuldades sentidas; 2. Caraterização ou valoração das relações entre professores e supervisores; 3. Grau de importância das estratégias do supervisor face ao acompanhamento / superação de dificuldades dos professores. 3. Importância da Pesquisa Este trabalho de investigação pode ser benéfico para a escola e contexto educativo, pois se o acompanhamento prestado pelo docente supervisor for o mais adequado, os professores em início de carreira no ensino recorrente melhorarão seu desempenho profissional e sua prática pedagógica, sendo que a relação de empatia criada entre ambos será uma ponte essencial para a existência de um bom ambiente de trabalho no sentido de aperfeiçoar esses mesmos docentes e, por consequência, o desempenho e resultados dos alunos. Assim sendo, este estudo reveste-se de importância, na medida em que, com base nas experiências vivenciadas pelo professor principiante no ensino recorrente, acreditamos que ele pode auxiliar o supervisor pedagógico no desempenho de suas funções: orientar, guiar, 3 acompanhar, partilhar ideias e técnicas no sentido de indicar caminhos e métodos que os novos docentes poderão utilizar, particularmente, nos primeiros anos da carreira docente. O início de carreira é um período de superação de dificuldades, receios e dúvidas, além de aprendizagens relevantes para a construção da identidade profissional dos docentes principiantes no ensino recorrente. Durante o tempo de estágio e sob influência de um supervisor pedagógico, o novo docente aprende a aliar a teoria aprendida no curso de formação de professores em instituições universitárias com a prática pedagógica em contexto de sala de aula. Neste sentido, Franco (2006:22) considerou “a aprendizagem dos saberes como um processo contínuo de amadurecimento, que inclui o conhecimento sobre métodos e técnicas, a reflexão e avaliação constante sobre a prática modificando-a, se necessário, e a reflexão sobre a atividade de outros.” Uma preocupação sempre latente na formação de professores é oferecer aos novos docentes as ferramentas necessárias para saberem construir e desenvolver, no exercício de sua prática pedagógica, os saberes inerentes à docência e, mais que isso, ensiná-los a utilizarem os conhecimentos pedagógicos que já adquiriram na transformação e aprimoramento das suas práticas e dos próprios saberes. Houssaye (2004) questiona a possibilidade de os saberes serem desenvolvidos durante a formação inicial de professores, acabando por mencionar que a experiência é fundamental para o docente em início de carreira, desde que abranja as três ideias essenciais: a) Um saber do saber fazer; b) Um saber para o saber fazer; c) Um saber a partir do saber fazer. Com base nestes aspetos já enunciados, consideramos pertinente abordar esta temática, esclarecendo alguns conceitos que derivam do tema, como: prática pedagógica, formação inicial de professores, professor principiante no ensino recorrente, choque com a realidade no início da carreira docente, supervisão pedagógica no ensino recorrente e funções do supervisor neste tipo específico de aprendizagem. 4. Organização da Dissertação Este estudo temo objetivo de descortinar o papel do supervisor pedagógico na melhoria da prática educativa do docente principiante no ensino recorrente, valorizando a 4 importância que ele detém na condução de uma aprendizagem assertiva, no sentido de ajudálo a estruturar metodologias reflexivas e auxiliá-lo no seu processo de desenvolvimento profissional. O presente trabalho de investigação organiza-se da seguinte forma: Introdução, Revisão da Literatura e Enquadramento teórico, que abrange os primeiros três capítulos (A Organização Escolar, Da Formação Inicial ao Professor Supervisor e o Conceito de Supervisão Pedagógica – Ensino Recorrente e Regular), a Metodologia, onde identificamos o tipo de estudo, justificamos os dados utilizados, assim como as técnicas e recolhas dos mesmos; a Análise e Discussão dos Resultados, onde caracterizamos o alvo e o campo da pesquisa analisando os resultados através de diversas categorias; a Conclusão onde apresentamos as nossas Considerações Finais e, por fim, as Referências Bibliográficas e os Anexos. Ao adotarmos esta estrutura, o nosso objetivo primordial foi obter uma articulação e coerência entre as diversas partes que constituem o trabalho, de acordo com as características inerentes a um projeto de investigação. Na Introdução, apresentamos a temática abordada, esclarecendo os objetivos do estudo e justificando a sua relevância no âmbito do contexto educativo. Os capítulos I, II e III dizem respeito ao Enquadramento Teórico e incidem sobre a revisão da literatura relacionada com a temática em análise. No capítulo I, abordamos a Organização Escolar, destacando a importância da Escola como organização aprendente, onde salientamos a relevância das relações humanas que se estabelecem no seio da mesma. Em seguida, destacamos o conceito de Formação Inicial de Professores e justificamos a sua importância no aprimoramento das capacidades dos novos docentes, tratamos a questão da profissão docente, onde salientamos o conceito de professor e quais as características que ele deve ter para desempenhar com eficácia as suas funções. Além disso, mencionamos o desenvolvimento e identidades profissionais, salientando a formação contínua dos docentes como requisito primordial para a melhoria da prática pedagógica do estagiário a docente. Quanto à questão da prática educativa, referimos vários autores que abordaram esta temática e a consideraram fundamental no processo de formação inicial e contínua dos docentes, aflorando a importância que ela adquire nos dias de hoje, particularmente, em contextos escolares tão complexos de lecionar. Por último, destacamos 5 o conceito designado por vários autores, como “choque com a realidade”, explicitando as dificuldades, dúvidas e receios dos docentes principiantes no ensino recorrente quando se vêem, pela primeira vez, diante de uma turma heterogénea. No capítulo III, tratamos do conceito de supervisão pedagógica, caracterizando o papel do supervisor no relacionamento interpessoal com os professores do ensino regular e recorrente, onde apelidamos como inequívoca a sua relevância no contexto educativo. Para além disso, através das opiniões manifestadas por diversos autores, destacamos a importância da existência de uma relação de empatia, afetividade, cooperação e partilha de experiências entre o orientador e o orientado. Concluímos este capítulo com uma breve incursão pelo ensino recorrente, salientando a importância da educação de adultos na erradicação do analfabetismo e na promoção do desenvolvimento pessoal, cultural e local. Na parte II, capítulo IV explicitamos a metodologia utilizada na nossa investigação. Em primeiro lugar, mencionamos a utilização de um inquérito por questionário realizado a 12 docentes do ensino recorrente como o método escolhido para a recolha dos dados sobre os quais incide o trabalho de análise. Relativamente ao capítulo V, apresentamos e discutimos os resultados do inquérito, começando por caracterizar os inquiridos e, em seguida, através de diversos gráficos e tabelas procuramos interpretar as respostas dos inquiridos por categorias. A Conclusão é a fase final deste trabalho de investigação, espaço destinado à abordagem de limitações encontradas em todo o percurso, bem como, a sugestões de pistas para futuras investigações, referentes à temática em análise. 6 Capítulo I - A Organização Escolar Ao analisarmos uma organização, obrigatoriamente, devemos pensar no envolvimento das pessoas que a constituem, que trabalham e cooperam para que os objetivos sejam atingidos. A pensar nessa ligação entre os vários intervenientes que constituem a organização Teixeira (1995:162) afirma que “(...) uma organização é um conjunto de indivíduos que interagem. O que fizerem com as suas relações definirá o que é a organização (...)”. É, então, de inegável importância que todos os que fazem parte integrante da dinâmica da organização e que, por isso, contribuem para a partilha de saberes possam ter um melhor conhecimento de si próprios aceitando com delicadeza a posição e as ideias dos outros, de modo a desenvolverem as aprendizagens e competências agradáveis, nos seus relacionamentos diários. Como toda a organização, quer ela seja associativa, económica ou política, a escola é uma organização especial. Ela é definida, entre outros fatores, pelos relacionamentos interpessoais e pela reciprocidade de ideias e ações entre os seus membros. À semelhança com outras organizações empresariais, a escola é um espaço onde interagem diferentes agentes transformadores, o que, torna imprescindível que cada um desses elementos contribua ativamente para a escola, fomente e regule o conhecimento e o progresso dos alunos capacitando-os a viverem em harmonia com as regras de socialização. A escola é, portanto, um sistema de ação onde os professores, alunos, pais e funcionários desenvolvem estratégias preponderantes que definem como eles devem estar e participar na organização escolar. No seio da organização escolar, a motivação é à partida um fator essencial para unir esforços e conjugar conhecimentos e experiências, de modo a canalizar todas as energias na criação de um trabalho cooperativo e eficaz, como o advoga Delgado (1985:171), quando define a escola “(…)como um lugar de encontros de professores, pais e alunos com o objetivo de realizar uma educação que se caracterize pela comunicação, pela participação e pelo respeito da singularidade de cada pessoa e de cada grupo(…)”. 7 É de salientar que entre todos os membros exista uma ambiência organizacional que fomenta a existência de uma interação saudável e propicie, de forma vital, o desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos, de forma a sentirem-se integrados no ambiente escolar. 1. A Escola como Organização Aprendente Nos dias de hoje, a escola tem sido encarada como uma área educativa que, para além de ensinar também está solícita a aprender. Numa escola atual que é tida como “organização aprendente”, conceito exposto por Senge (1999), equiparado ao ideal de escola reflexiva, amplamente explanado por Alarcão (2002), o desenvolvimento organizacional e o profissional devem caminhar lado a lado. Para Senge (2002: 11), o ideal de organização é onde: (…) os membros expandem continuamente a sua aptidão para criar os resultados que desejam, onde se criam novos e expansivos padrões de pensamento, onde a aspiração colectiva fica em liberdade, e onde os membros aprendem continuamente a aprender em conjunto. Tendo em conta esses autores, a supervisão não se pode limitar à sala de aula, ou seja, ao âmbito da supervisão pedagógica. Em vez disso, a avaliação deve cumprir duas etapas que se julgam pertinentes: a formação e desenvolvimento profissional dos docentes e sua influência no melhoramento e aprendizagem dos discentes, e o desenvolvimento e aprendizagem organizacionais – supervisão escolar. No modelo mencionado, que adota a escola como organização que aprende, a aprendizagem torna-se um sistema constante e renovado. A sociedade exige que ela seja ativa, dinâmica e aberta à comunidade. Portanto, ela deve estar alicerçada numa cultura de participação predisposta a partilhar a educação com a família, com os trabalhadores não docentes e com toda a comunidade envolvente que, em uníssono, contribuem para uma melhoria do ensino. A escola é, então, um sistema de ação onde os professores, alunos, pais e funcionários desenvolvem estratégias preponderantes que definem como eles devem estar e participar na organização escolar. 8 Como organização, a escola tem suscitado muitas reflexões e nos últimos anos, tem-se destacado mais propriamente nas áreas do pensamento educacional. São muitos os autores que, nas suas reflexões educacionais formulam ideias que atentam para a edificação de uma escola aprendente. O conceito escola é tratado em Alarcão (2001: 15) como uma “(…)escola reflexiva(…)”, ou seja “(…)a escola que gera conhecimento sobre a instituição chamada escola(…)”. Ao longo dos tempos a escola esteve sempre associada à componente social. Nesse sentido, é viável que a escola procure relacionar-se com a comunidade. Essa interação deve ser incentivada pela própria escola, pela ação dos professores e, ainda, pela transmissão de saberes que é ministrada aos alunos. É essa transmissão de saberes que muitos especialistas identificam como uma certa consistência educativa que é benéfica e produtiva para o desenvolvimento da aprendizagem. Foi o que referiu Etzioni (1974: 72) ao constatar que “(…)as organizações são unidades sociais, ou agrupamentos humanos intencionalmente construídos e reconstruídos, a fim de atingir objetivos específicos(…)”. De acordo com o ponto de vista desse autor observa-se que a organização escolar é uma comunidade e não um aglomerado de pessoas, e que os seus intervenientes são o ativo relevante dessa instituição. Eles constituem, então, uma rede de cooperação fundamentada na responsabilidade e no compromisso e atuam, quer individualmente, quer coletivamente, tomando decisões partilhadas e produzindo uma aprendizagem organizacional de acordo com os projetos educativos conducentes ao desenvolvimento e progresso dos alunos. Porém, a atividade educativa não deve ser exclusiva de educadores e professores. A própria sociedade em geral na qual se inserem as autarquias e outras entidades representativas ligadas a causas sociais, económicas e culturais devem, assumidamente, imitar essa organização qualificante. 9 Na opinião de Costa (1996) a educação não visa apenas uma vertente individual mas também a social que depende da interação entre gerações e dos vários membros com funções educativas, como a escola, família, meios de comunicação, grupos e outras associações. No universo hierarquizado da organização escolar, os alunos são vistos como os principais beneficiários desse sistema organizativo que, em conjunto com outros intervenientes e impulsionados por um corpo docente habilitado e dinâmico contribuem para o sucesso do ensino. Já os professores assumem, de forma inegável, o papel primordial de ensinar facilitando o trabalho de autoconstrução dos seus alunos para além de serem o pólo mobilizador dos outros intervenientes, em particular, dos pais dos alunos, incentivando-os a ser mais informados e participativos na organização escolar. Sendo assim, é imprescindível que no âmbito escolar todos os que corroborem com essa organização se sintam confortáveis como membros da família-escola, criem um espaço de interação para que as relações de proximidade sejam maximizadas. Eles devem trocar ideias, partilhar experiências, ou seja, participar de forma ativa no processo educativo inteirando-se dos estatutos de cada membro e dos deveres que lhes são atribuídos e, principalmente pôr em prática um sistema de regras que denominamos por “normas organizacionais” que, se por um lado são encaradas como um princípio de orientação por outro são motivo de constrangimento dado que se confrontam entre o aceitável e o não aceitável. Essas normas cooperam também para o desenvolvimento de estratégias que fomentam francas relações interpessoais entre professores, alunos, pais e funcionários a fim de que o cumprimento e a boa prossecução das atividades escolares sejam evidentes. 2. Relações humanas no seio da Organização Nas organizações, as relações interpessoais fundamentam-se. As pessoas convivem, associam-se, formam grupos, trocam experiências em prol de vivências partilhadas e recíprocas, de acordo com o lugar que ocupam no universo hierarquizado da organização. Logo, entende-se ser questionável saber de que forma esses intervenientes se relacionam no 10 espaço organizacional, como desempenham eles as funções que lhes são confiadas e quais os estatutos por que se regem. Portanto, participar numa organização admite pensar nas pessoas que a compõem e nas relações que elas estabelecem entre si. Ao integrar-se nela, o indivíduo procura satisfazer, não só a necessidade de estar inserido num grupo social, como de se auto valorizar como pessoa. Nesse sentido, Bajoit (1992:90) afirma que “(…) tudo o que pode ser qualificado como social, de facto, apenas pode ter origem nas relações entre os indivíduos(...)”, sendo que Teixeira (1995:162) também menciona que o tipo de organização depende da qualidade das interações entre os vários intervenientes: “(…) uma organização é um conjunto de indivíduos que interagem. O que fizerem com as suas relações definirá o que é a organização”. Nas relações humanas, cada indivíduo possui uma personalidade característica, que influencia o comportamento e as atitudes dos outros com quem mantém contacto. Para Chiavenato (2005), o ambiente humano de uma organização, influencia a motivação, o desempenho e a satisfação no trabalho. Para além de ser uma estrutura física a escola é também uma realidade social com uma composição muito própria, na qual os membros interagem entre si ocupando lugares identificados segundo determinados estatutos e funções específicas. Foi o que referiu AlvesPinto (1995:146) quando considerou a escola como um espaço de “(...) ações levadas a cabo por pessoas situadas num sistema de interação caracterizado por estatutos, papéis e regras de funcionamento (...)”. Capítulo II – Da Formação Inicial ao Professor Supervisor O conceito de formação inicial de professores é extremamente relevante no ambiente escolar. De acordo com Honoré (cit. Garcia, 1999), esse conceito está relacionado com um tipo de atividade ou profissão. 11 Se atentarmos à etimologia da palavra, profissão é um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade e exercida por um profissional, ou seja, o exercício habitual de uma atividade económica como meio de vida, ofício, emprego, ocupação (Dicionário da Língua Portuguesa, 2004). Para exercer determinada profissão, é necessário que o profissional detenha conhecimentos amplos relativos a uma dada disciplina ou área de conhecimento. Na opinião de Hughes (cit. por Loureiro, (2001:18-19), há dois conceitos fundamentais que permitem esmiuçar o fenómeno profissional: o “diploma” e o “mandato”. O primeiro diz respeito à permissão legal para exercer determinada profissão e o segundo, consiste na obrigação de assegurar essa mesma atividade. A formação inicial de professores remete-nos para a função social de transmissão de saberes. A sua aquisição abordada na prática pedagógica é apreendida em Canário (2001:38) “(...) no contexto de trabalho, e não na escola de formação inicial, que se decide o essencial da aprendizagem profissional (...)”. Ela adquire um papel imprescindível na preparação e adaptação dos professores principiantes no ensino recorrente para o choque com a realidade, ou seja, o ambiente real da sala de aula, dando-lhes as ferramentas necessárias para a prática pedagógica e auxiliando-os no desenvolvimento e aperfeiçoamento das suas capacidades práticas no exercício da atividade. Tal como acontece em muitas outras atividades, o ensino como área profissional, tanto no contexto legal quanto moral, exige que o indivíduo que exerce a atividade docente detenha as competências técnicas e práticas, apenas apreendidas no contexto de uma formação profissional inicial. De acordo com Estrela (2002:18), a formação inicial deve ser considerada como “(…) o início, institucionalmente enquadrado e formal, de um processo de preparação e desenvolvimento da pessoa, em ordem ao desempenho e realização profissional numa escola ao serviço de uma sociedade (…)”. A formação de professores deve ser encarada como um processo composto por diversos estágios de desenvolvimento, tanto ao nível pessoal quanto profissional do aspirante a professor, descurando que o exercício da atividade docente deve ser alicerçado na dialética entre teoria e prática; a teoria apreendida nas universidades, sendo parte do 12 conteúdo curricular dos vários cursos que, hoje em dia, permitem o ingresso na carreira de professor, e a prática como parte englobante da formação inicial de professores. 1. A Profissão do Docente Quando a pessoa opta pela carreira docente, é imprescindível que tenha vocação pedagógica, sensibilidade e prazer pela profissão e o gosto pelo contacto diário com os alunos. Para destacar esta ideia, Cruz (1988:90), no seu estudo assevera que “(…) a maioria dos docentes refere a vocação como principal razão de ingresso na profissão (…)”. O professor é aquele que transmite saber e conhecimento a alguém, porém não se trata de uma atividade ao alcance de qualquer pessoa, pois para além da vocação, fator indispensável para o exercício da mesma, outros fatores concorrem para que o professor seja bem sucedido na prática docente, como saber dar e receber, ter a capacidade de amar, da aceitação das ideias do outro, possuir tolerância e empatia. Como afirma Simões (2008: 49): (…) profissão de professor implica uma arte, vocação para a qual nem todos nasceram, algo que se tem ou não se tem e que opera milagres – um dom pessoal, uma ajuda permanente aos alunos que por vezes funciona como catarse, um conhecimento na acção que uma explicação puramente racional, didáctica ou tecnicista não explica, capazmente (…). Contudo, esta atividade profissional é influenciada por uma diversidade de aspetos que não se restringem ao ambiente da sala de aula. Infelizmente, a atividade não tem vindo a gozar de grande prestígio junto dos pais dos alunos e da própria sociedade. Como afirma Marques (2007) ser professor, é nos dias de hoje, uma tarefa que se reveste de complexidade, graças a diversas condições, entre as quais ressaltam a desvalorização do papel dos professores, as lacunas em termos das condições laborais e dos espaços físicos em que muitos professores trabalham, a diversidade das turmas com vários níveis de aprendizagem, onde interagem quer os alunos regulares quer os que carecem de necessidades educativas especiais. Para Couto (1998) o professor deverá cumprir os seguintes requisitos no sentido de obter um bom desempenho enquanto profissional: 13 - promover de um ambiente de sala de aula favorável à aprendizagem dos alunos; - dominar os conteúdos curriculares e pedagógicos, - ser comunicativo; -ter competência para refletir sobre sua própria prática pedagógica, e; - diversificar as estratégias de aprendizagem que aplica diariamente. 2. O Desenvolvimento e as Identidades Profissionais Para que o professor evolua no exercício da docência, ele deverá submeter-se a uma aprendizagem e formação contínuas, com o intuito de aprimorar a sua capacidade profissional. Logo, dada a relevância dessa questão no desenvolvimento profissional do professor, abordaremos pormenorizadamente essa temática, apresentando as perspetivas de diferentes autores sobre essa temática. Depois da formação inicial, o desenvolvimento profissional deve ser encarado como a segunda fase e a mais relevante no aperfeiçoamento da prática pedagógica de um docente ajudando-o a desempenhar as suas funções com competência e frontalidade. Hoje em dia, é ponto assente o incalculável contributo que o desenvolvimento profissional, caracterizado pela clarificação de novas práticas e por uma renovação de ideias para a promoção de um ensino de qualidade, presta à escola e à comunidade educativa, como nos afirmam Gusky e Huberman (1995). Para Oliveira-Formosinho (1998), a carreira docente não engloba apenas lecionar, apresentar o conteúdo curricular. Essa atividade exige da parte do docente a capacidade de se preocupar com o bem-estar e segurança dos educandos, prestar-lhes apoio pessoal sempre que dele necessitem e procurar incessantemente os métodos de aprendizagem mais eficazes. Uma das definições mais amplas sobre o desenvolvimento profissional docente foi exposta com clareza por Day (1999:4): O desenvolvimento profissional docente inclui todas as experiências de aprendizagem natural e aquelas que, planificadas e conscientes 14 tentam, direta ou indiretamente, beneficiar os indivíduos, grupos ou escolas e que contribuem para a melhoria da qualidade da educação nas salas de aula. É o processo mediante o qual os professores, sós ou acompanhados, revêem, renovam e desenvolvem o seu compromisso como agentes de mudança, com os propósitos morais do ensino, e adquirem e desenvolvem conhecimentos, competências e inteligência emocial, essenciais ao pensamento profissional, à planificação e à prática com as crianças, com os jovens e com os seus colegas, ao longo de cada uma das etapas das suas vidas enquanto docentes. Outro autor que se destaca no estudo da formação contínua de professores é Marcelo (2009:9) ao mencionar que o desenvolvimento profissional docente tem merecido um lugar de destaque e uma particular atenção por parte dos investigadores ligados ao mundo educacional nos últimos anos. Rudduck (1991:129) acrescenta, “(…) a capacidade do professor em manter a curiosidade acerca da sua turma; identificar interesses significativos nos processos de ensino e aprendizagem; valorizar e procurar o diálogo com colegas experientes como apoio na análise de situações (…)”. Também o perito em pedagogia Delval (cit. Savater, 1998:42), afirma que: “(…) uma pessoa capaz de pensar, de tomar decisões, de buscar a informação relevante de que necessita, de relacionar-se positivamente com os outros e cooperar com eles, é muito mais polivalente e tem mais possibilidades de adaptação que aquela que possui apenas uma formação específica.” A escola deve, em síntese, aperfeiçoar não só o desenvolvimento de uma série de capacidades, mas também incorporar a tarefa da formar a personalidade do docente para melhorar a sua atividade profissional e a sua identidade pessoal. Assim, a formação contínua de docentes pode considerar-se um processo regular e uma exigência profissional constante, evolutiva e cumulativa, com a finalidade de promover uma melhor prática docente. 15 3. A Prática Pedagógica Hoje em dia, seguir a carreira docente é ser detentor da capacidade de compreender os meandros da sociedade do saber, na qual os alunos vivem e irão possivelmente trabalhar. A prática pedagógica, consequência do estágio da formação inicial de professores tem vindo a ser perspetivada por prismas diferentes, consoante a posição defendida pelos mais variados autores. Por exemplo, Alarcão (1991:6) menciona que: (…) a componente de formação profissional prática, em situação oficinal, real ou simulada é concebida como uma espécie de prisma rotativo que possibilita ao formando uma visão caleidoscópica do mundo do trabalho e dos seus problemas e, permitindo uma reflexão dialogante entre o observado e o vivido, conduz à construção activa do conhecimento na acção, segundo uma metodologia de aprender a fazer fazendo (learningbydoing). Já para Formosinho (2001: 53), a prática pedagógica é referida como: (…) a componente intencional da formação de professores cuja finalidade explícita é iniciar os alunos no mundo da prática profissional docente. (…) É a fase da prática docente acompanhada, orientada e reflectida, que serve para proporcionar ao futuro professor uma prática de desempenho docente global em contexto real, que permita desenvolver as competências e atitudes necessárias para um desempenho consciente, responsável e eficaz. A prática pedagógica desempenha um papel fulcral no processo que se designa como formação inicial de professores sendo um dos elementos de avaliação para quem deseja ingressar na carreira docente. É vivendo situações reais do quotidiano escolar que o candidato a professor adquire as competências necessárias para lecionar ou levar os alunos a aprenderem. Nesse sentido, torna-se imprescindível que o estagiário aprenda e domine um conhecimento, o mais amplo possível, sobre o crescimento dos alunos face à aprendizagem em contexto de sala de aula. É inegável a importância que nos dias de hoje adquire a aprendizagem e o desenvolvimento em contexto real de sala de aula, ou se quisermos, o aprimoramento da prática pedagógica ao longo da vida profissional do docente. Nas palavras de Alarcãoetal. (1997: 8): 16 (...) a experiência de várias décadas de formação de professores em Portugal e a investigação educacional (tanto no nosso país como no estrangeiro) mostram que esta formação não se pode reduzir à sua dimensão académica (aprendizagem de conteúdos organizados por disciplinas), mas tem de integrar uma componente prática e reflexiva. Ainda que existam vários modelos e cursos de formação profissional de docentes no nosso ensino superior, o certo é que não se pode descurar a prática pedagógica, pois trata-se de uma componente básica na formação de todos os docentes, munindo-os das ferramentas e competências que, no futuro, lhes permitirão exercer eficazmente essa atividade profissional. De acordo com Ludovico (2007: 58), a prática pedagógica: (…) é a componente curricular que visa a aprendizagem das componentes básicas para o desempenho docente, ou seja, a que exige a capacidade de mobilização de saberes necessários para a resolução de problemas da prática docente no quotidiano das escolas. Assim, esse conceito dota os estagiários de aprendizagens assimiladas nas várias áreas curriculares, oferecendo-lhes a capacidade de transformar aquilo que aprenderam, nas várias componentes curriculares, num conhecimento profissional da prática docente que, por sua vez, irá determinar a sua ação quotidiana como professor. Neste cenário, Shulman (cit. por Galveias, 2008: 9), reflete sobre a importância da prática pedagógica e menciona que o conhecimento profissional reflete a “(…) capacidade do professor transformar o seu conhecimento dos conteúdos específicos das disciplinas em formas pedagogicamente adaptáveis às variações das capacidades básicas dos alunos”. Através da prática pedagógica inerente a todos os cursos de formação inicial de professores, o que se pretende construir é o conhecimento profissional do aspirante a professor, com base numa articulação e transversalidade constantes entre a teoria e a prática, com o objetivo de ensinar o professor a agir corretamente e de forma diversificada levando em consideração o progresso da escola e dos alunos. Para que isso se torne realidade, é necessário que durante o tempo de estágio, os professores participem ativamente e interventivamente na vida da escola e dos alunos. 17 4. O Choque com a Realidade O início de uma atividade profissional como docente caracteriza-se por um período de dúvidas, receios, dissabores e algumas alegrias. Para minimizar esse desconforto, o professor deve, no início de carreira tentar adaptarse à recente realidade adquirindo novos hábitos sociais, de modo a fundamentar a sua identidade profissional para que a transição na carreira seja o menos traumática possível. A teoria de Murray e Male (cit. Wood e Borg, 2010: 17-18),“It his well recognised that new teacher experience a career transition as they need to learn new social mores in creation of a new professional identity”,elucida a transitoriedade vivenciadada pelos professores principiantes no ensino recorrente. Também Adams e Rytmeister(2000:17-18) evidenciam de uma forma metafórica a mudança da escola para o primeiro emprego como algo de traumático, que designam por “estrada acidentada” (TheRockyRoad), dada a frequência de conflitos e tensões entre o eu pessoal e o eu profissional: “The Road for new teacher educators fresh from the school classroom, has been described metaphorically as rocky”. Após percorrerem todas as fases de formação, os docentes estão ansiosos por enfrentar os desafios em prol da sua realização pessoal, bem como as recompensas associadas à carreira que tanto ambicionam. O contacto direto com o contexto educativo faz com que o professor principiante no ensino recorrente experiencie frequentemente incidentes críticos, confrontando-o muitas vezes com uma realidade bem diferente e que é imposta pelos problemas disciplinares motivacionais dos alunos. É nessa altura que muitos dos aspirantes à carreira docente abandonam os ideais que advogam, dando lugar a possíveis dúvidas e inseguranças que são colocadas à sua formação académica e que conduzem a um processo denominado de “choque com a realidade”. Esse “choque” é considerado a primeira fase da carreira docente e reflete o impacto exercido sobre os professores quando iniciam o exercício da docência. A teoria apreendida durante a formação inicial, a prática educativa e os diferentes papéis desempenhados pelo professor numa sociedade marcada pela mudança transforma o 18 primeiro ano de ensino de um professor em início de carreira num cenário que favorece o aparecimento de algumas dúvidas e questões. Arends (1995), chama a atenção para essa situação, focando o facto de ser pedido aos educadores principiantes no ensino recorrente “as mesmas responsabilidades de liderança” desenvolvidas pelos mais experientes, o que dificulta o processo de socialização nas instituições educativas. Para além disso, ele também ressalva a posição do professor principiante no ensino recorrente que “deixa de ser audiência e passa a ser actor”, ou seja, abandona a posição de observador e deixa de agir sob orientação de um supervisor, tendo de gerir sozinho uma turma composta por diversas personalidades, e uma multiplicidade de desafios e exigências, que até então não tinha. A lei de Bases do Sistema Educativo (lei nº46/86) alerta para que a formação dos professores seja realizada de uma forma contínua, de maneira a uniformizar a formação inicial e a torná-la permanente para ampliar e consolidar os conhecimentos adquiridos. Contudo, são os primeiros anos de prática pedagógica os mais determinantes no desenvolvimento pessoal e profissional do professor, uma vez que é nesse período de tempo, que ele adquire um painel variado de conhecimentos e diferenciadas tomadas de posição face aos inúmeros comportamentos e modos de agir, tornando-se imprescindíveis para um correto desempenho profissional. Com a aquisição do estágio pedagógico, o processo de formação inicial sofre uma mutação, dando lugar à construção de um novo ciclo de consolidação de saberes, que serão a base do desenvolvimento profissional. 19 Capítulo III – O Conceito de Supervisão Pedagógica, o Ensino Recorrente e o Regular 1. Conceito de Supervisão Pedagógica Em qualquer comunidade educativa, a supervisão pedagógica é semelhante a uma tese e destina-se a orientar candidatos a professor, tendo em consideração a sua capacidade humana e o seu desempenho como profissional. Alarcão e Tavares (2003: 16) define a supervisão pedagógica como “o processo em que um professor em princípio mais experiente e mais informado, orienta um outro professor ou candidato a professor no seu desenvolvimento humano e profissional.” Essa supervisão é quantificada em um determinado período de tempo, quase sempre um ano letivo, no qual o orientador escolar é vocacionado para envolver os futuros professores em aprendizagens sociais e afetivas, de partilha e ajuda recíproca, capacitandoos para um trabalho de equipa em união com toda a comunidade educativa. Na transmissão de saberes a orientação pedagógica não deve ser vista apenas, como um veículo para o desenvolvimento de competências profissionais, mas como caminhos para um progresso pessoal dos futuros docentes. Foi esta teoria que Alarcão e Tavares (2007: 1724) reconheceram e apelidaram de modelos pedagógicos. Há uns anos a esta parte, a supervisão pedagógica era interpretada como uma investigação problemática às práticas dos novos docentes. A formação a que eles eram submetidos era caracterizada por ser uma abordagem sem conteúdo, em que o único objetivo era a certificação ou a avaliação sumativa dessa formação. Hoje, a supervisão como organização qualificante, trás uma mais-valia aos contextos de desenvolvimento profissional dos docentes em que o supervisor pedagógico estimula o futuro professor à prática da reflexão, induzindo-o a fazer avaliações críticas aos problemas identificados, enquanto o auxilia na procura de soluções. É de especial importância que a formação dada aos candidatos a professor seja sólida, fundamentada em aprendizagens científico-pedagógicas para a qual foi criada, como nos reporta Perrenoud (1999: 9) uma “(…) base de competências profissionais onde se possa ancorar a prática reflexiva”, amplamente explanada por Alarcão(2002), a fim de que tanto o seu desenvolvimento pessoal quanto o profissional possa ser dimensionado segundo modelos que obedeçam às ideias concebidas pelo orientador. 20 O primeiro referencia o “cenário de imitação artesanal” em que os aspirantes a docentes seguiam como modelo de comportamento o seu mestre ou orientador. Esse modelo foi considerado um instrumento de referência prestigiante durante o período de estágio. Trata-se, assim, de um “cenário de aprendizagem pela descoberta guiada”, como alertam Alarcão e Tavares (2007: 18) e tem como finalidade permitir que os estagiários sejam capazes de melhorar o seu processo de ensino-aprendizagem. Com esse modelo, o docente estagiário ficará munido dos requisitos necessários para efetivar uma boa prática pedagógica, visto serem a observação da teoria e a análise da prática realizada por outros professores, as fontes fundamentais para adquirir um maior conhecimento. Outro dos modelos adotados é o cenário clínico. De acordo com esta abordagem o supervisor em contato com o estagiário menciona a prática pedagógica como uma metodologia de ensino, de forma a cumprir as normas básicas e fundamentais da aprendizagem que são: planificar – interagir – avaliar. Essa problemática é defendida em Alarcão e Tavares (2003: 24) quando assumem que é reservado ao supervisor, no exercício do aperfeiçoamento da prática docente, no qual o futuro professor assume um papel ativo, a tarefa de “o ajudar e a repensar o seu próprio ensino”. Por isso, é de toda a conveniência que entre o supervisor e o professor em formação haja uma maior colaboração de forma a serem efetuadas análises pormenorizadas aos fenómenos e comportamentos observáveis. Assim, apraz-nos dizer que o supervisor exerce uma ação educativa sobre o estagiário, visível na partilha de conhecimentos e que será propício a um maior desenvolvimento pessoal e profissional do docente. 2. Funções e Papéis do Supervisor com os Professores dos Dois Ensinos Numa sociedade complexa, dinâmica e desafiadora, é imprescindível que todos os participantes no processo pedagógico se esforcem para acompanhar as novas características da sociedade. 21 Assim, o supervisor no desempenho das suas funções necessita, forçosamente, de adaptar o seu trabalho à rigidez dessas características, sob pena de não ver os resultados pretendidos. Contudo, a tarefa do supervisor não deve cingir-se, apenas, ao controlo do desempenho pedagógico do professor na sala de aula. Essa é a ideia advogada por Medina (2004: 32): (…) é o trabalho do professor (…) que dá sentido ao trabalho do supervisor no interior da escola. O trabalho do professor abre espaço e indica o objecto da ação/reflexão ou de reflexão/ação para o desenvolvimento da ação supervisora. Também Alarcão e Tavares (1987: 55-56) falam dessa relação de entre ajuda salientando que os dois intervenientes, “supervisor e professor são atores dinamizadores de um processo conjunto, uma vez que ambos são adultos que continuam a desenvolver-se e a aprender (…) num processo de informação-reflexão / acção-reflexão”. Assim sendo, apercebemo-nos que a posição do supervisor nada tem a ver com uma função mecanizada, como era prática corrente alguns anos atrás, mas acredita-se que ele deve estimular o futuro professor à prática da reflexão, induzindo-o a fazer avaliações críticas aos problemas identificados e, ao mesmo tempo, ajudá-lo na procura de soluções. A pensar nessa teoria, Alarcão e Tavares (1987: 65) defendem ainda que a função primordial do supervisor pedagógico é: “ajudar o professor a tornar-se um bom profissional, para que os seus alunos aprendam melhor e se desenvolvam mais.” Nesse sentido, também, Ribeiro (2000: 89) refere-se ao supervisor como “(…) alguém que deve acompanhar, ajudar, desenvolver aptidões e capacidades, enfim, criar condições de sucesso (…)”. No exercício da orientação pedagógica, a forma como o supervisor se relaciona com o estagiário candidato a docente poderá ser dirigida, segundo dois caminhos ou modos de pensar. Para Wallace (cit. Vieira, 1993), esses caminhos diferenciados ou modos de conceber os papéis do supervisor podem ser prescritivos, atendendo a que ele deve agir como um juiz do pensamento e das atitudes do docente, ou colaborativos quando considerado como um 22 colega de profissão, porém, mais experiente, com mais saber e portanto com mais capacidade para se relacionar com o estagiário que orienta, auxiliando-o na procura da sua autonomia enquanto professor orientado. No desempenho do processo de orientação pedagógica, é importante que entre os dois vértices: o do orientador e do docente seja criado um clima de confiança. Nesse contexto, Oliveira-Formosinho (1997: 20), refere que ao supervisor no âmbito, por exemplo, da formação contínua de professores, compete: Criar um contexto educativo favorável ao desenvolvimento do professor, nomeadamente através de um clima de confiança e de apoio, mas simultaneamente confrontando os professores em situações de desafio, dissonância cognitiva, potencializadoras do seu contínuo desenvolvimento. Das palavras proferidas pela autora citada depreende-se que a finalidade do supervisor é criar um clima de confiança e recetividade entre ele (orientador) e o professor, para que a partilha de ideias e vivências, que engloba a prática pedagógica seja um sucesso. A supervisão, ainda segundo a mesma autora, deve comportar duas vertentes: a supervisão da prática letiva e a documental. A supervisão da prática letiva decorre presencialmente nos períodos letivos do professor supervisionado: Para todos os docentes em início de carreira; Na sequência de contatos do Coordenador de Escola ou partindo da análise documental; Quando um professor a solicita. A supervisão documental pode ser realizada nas horas de coordenação do supervisor, de maneira formal ou não, sobre: Planificações a longo prazo; Planificações a médio prazo; Planificações a curto prazo; Planificações de aula; A construção de materiais pedagógicos; Resultados de fichas formativas; Resultados das avaliações finais de período; 23 Atas de conselho de turma. Além disso, a supervisão pedagógica ocorre também no decorrer do processo de avaliação do desempenho docente: Na sala de aula; Na reunião mensal de acompanhamento; Em outros momentos considerados essenciais ou adequados pelo avaliador. Sempre que se considerar necessário, o supervisor deverá também sugerir leituras que o docente supervisionado deve realizar, com o propósito de complementar e melhorar a sua prática letiva. No contexto da supervisão, os dois elementos fulcrais para a construção do conhecimento profissional através da interação frequente entre a teoria e a prática são o supervisor e o estagiário de educação. Um dos objetivos da supervisão e consequentemente do supervisor é proporcionar um suporte para que os professores ou educadores e supervisores aumentem a sua compreensão acerca do processo de aprendizagem. No quadro educativo atual, os supervisores não devem ser vistos única e exclusivamente como consumidores de investigação, mas também como portadores e criadores do saber, descortinando o que é a aprendizagem e o ensino. 3. Relação entre o Supervisor e os Professores dos dois Ensinos O Ensino presencial, também conhecido como tradicional, é caracterizado particularmente pela imposição da presença física no mesmo espaço e à mesma hora, de todos os atores do contexto educativo. Com base neste modelo, podemos constatar que o professor, munido de metodologias adotadas, transmite saberes definindo conteúdos e ritmos de aprendizagem sendo que as suas avaliações, são parte integrante do processo de aprendizagem de seus alunos. Esta teoria é esquematizada corretamente na seguinte figura, através de uma adaptação feita ao esquema simplificado do ensino em sala de aula baseado em Makrakisetal (cit.Leal, s/d). 24 Tempo (T) Professor (P) Alunos (A) Conteúdos (C) Figura 1- Esquema de ensino em contexto de sala de aula Nesta figura, destacam-se todos os elementos que estão inseridos no processo de aprendizagem, identificados como o Professor (P), os Conteúdos (C) e os Alunos (A) e, ao mesmo tempo, fazem-se algumas limitações relativamente ao Espaço (E) e ao Tempo (T). Trata-se de um tipo de ensino muito ligado à metodologia do ensino tradicional, que é caracterizado pela aquisição de conhecimentos quer por transmissão vertical, quer pelo caráter unilateral da relação entre o docente e o discente. Este processo é esquematizado corretamente na seguinte figura, através de uma adaptação feita ao esquema proposto por Silva (2006). Professor Fonte de Conhecimento Comunicação Unilateral Recetivos Alunos Passivos Reprodução de saberes Figura 2 - Esquema das relações existentes no sistema de ensino tradicional 25 4. O Ensino recorrente A educação de adultos tem ocupado um lugar de destaque por todo o mundo. A sua disseminação apoia-se em várias práticas, como a alfabetização, a formação profissional e a animação sociocultural. As instituições do estado, do setor privado e das organizações não lucrativas, além dos vários agentes que desempenham funções na educação de adultos têm promovido esse tipo de ensino. Desde o final da II Grande Guerra foram decorrendo diversas conferências mundiais que foram pilares em questões de educação para adultos: Elsinore (1949); Montreal (1960); Tóquio (1972); Paris (1985); Hamburgo (1997) e Belém da Pará (2009). A Conferência Internacional de Montreal, em 1960, foi claramente o ponto de viragem. Nessa conferência, foi destacado o papel da educação de adultos no desenvolvimento rural e local, tanto no âmbito nacional como no internacional. A associação estreita defendida nessa conferência entre educação de adultos e o desenvolvimento/progresso passou a ser uma realidade. Como Bhola (cit. Canário, 1999: 13) afirma: “a partir deste momento, o desenvolvimento passará a estar no centro da ideologia da Educação de Adultos no Terceiro Mundo”. Essa mesma ideia esteve bem patente na declaração de Julius Nyerere, primeiro presidente da república da Tanzânia: Devemos, em primeiro lugar, instruir os adultos. As nossas crianças não desempenharão nenhum papel importante no nosso desenvolvimento económico, no decurso dos próximos cinco, dez ou mesmo vinte anos, enquanto o impacto dos adultos se faz sentir a partir de hoje mesmo (Canário, 1999: 13) No caso português, a educação de adultos conheceu um intenso desenvolvimento quer através de diversos tipos de instituições, como associações e centros de formação que promoveram e fizeram proliferar esse tipo de ensino através da ação política, que tem investido monetariamente, afastando-se do contexto do sistema de ensino formal. A prova desse investimento feito pelo poder político aconteceu em 1999, tendo sido estabelecido através do decreto-lei nº387/99 a Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos (ANEFA), depois substituída pela atual Direção Geral de Formação Vocacional (DGFV). Já em 2006 criou-se a Agência Nacional para a Qualificação, tendo como missão estabelecer 26 uma ponte entre as políticas educativas e a formação profissional de jovens e adultos. Atualmente tem-se dado um desinvestimento político no sector da educação de adultos. Hoje em dia, torna-se complexo classificar os diferentes tipos de educação de adultos. No plano teórico, vários autores tentaram classificá-los, fazendo uso de terminologias distintas, mas, no entanto, elas se assemelhavam quer na designação atribuída, quer no seu conteúdo. De acordo com Canário (1999) existem quatro tipos de práticas educativas: alfabetização, formação profissional contínua, animação sociocultural e os processos articulados de educação de adultos e desenvolvimento local. Essas práticas distinguem as modalidades da educação de adultos. A formação profissional contínua, orientada para a qualificação e requalificação da mão-de-obra, foi fundamental para uma gestão adequada dos recursos humanos e a alfabetização e o ensino recorrente, figuram como ofertas educativas de segunda oportunidade. Importa também mencionar a ligação existente entre esse tipo de ensino e o desenvolvimento local, com base na valorização da participação dos educandos adultos. Outros autores abordaram essas mesmas práticas, sobre as quais se aprimora a educação de adultos, fazendo uso de outras terminologias. Desde Knox (1993) a Romane Viladot (1998), muitos foram os teóricos que utilizaram classificações diferentes para apresentar as modalidades que englobam, de forma geral, as práticas de educação de adultos já existentes. É importante destacar que a educação compensatória de adultos propicia um tipo de aprendizagem que eles deveriam ter beneficiado através do sistema de ensino regular, contudo por ação de diversos fatores a escola não lhes proporcionou. Em Portugal, a maioria das atividades educativas direcionadas para o público adulto tinha como meta a alfabetização de educandos que nunca tiveram contato com o ambiente escolar nem tiveram a oportunidade de adquirir capacidades de leitura e de escrita dentro de qualquer outro âmbito. A responsabilidade de alfabetizar os educandos adultos recaiu sobre o ensino recorrente (Canário, 1999). Esse tipo de ensino insere-se na oferta educativa de segunda oportunidade. 27 Segundo esta abordagem, a natureza compensatória do ensino recorrente permitirá recuperar aprendizagens e conhecimentos não adquiridos em idade escolar, adquirir competências para uma melhor e mais fácil integração no mercado de trabalho e propiciar o desenvolvimento de aptidões em ambos os domínios. O Ensino Recorrente surgiu na década de 80 como uma variante eficaz ao sistema educativo tradicional. De início, pensava-se que seria apenas um projeto experimental focado em cursos noturnos, direcionados para o ensino secundário, e que hoje denominamos por 3º Ciclo. Este tipo de ensino é dirigido e disponibilizado aos adultos, nem sempre cumpre o papel de ensino alternativo e, supostamente, inclusivo, estimulador das aprendizagens e do desenvolvimento social e profissional dos adultos que o procuram numa idade mais avançada, muitas vezes como forma de inclusão social. Este foi estruturado e planificado em função dos despachos legais emanados do Ministério da Educação (ME, 1991, 1999). Mas com toda esta restruturação no ensino destinado a uma população adulta, será que o corpo docente estaria disponível e preparado para se enquadrar num sistema de ensino tão diferente daquele que conheciam e para o qual tinham sido formados? Torres e Nogueira (2008: 2425), salientam a necessidade de contemplar noções como a de equidade e justiça social, na formação de professores, desenvolvendo o que César (2008) designa por “consciência epistemológica dos professores”. Uma grande parte dos docentes não possui formação adequada para trabalhar com adultos (Badalo e César, 2008) e quando, como salientam Smyth, Angus, Downe McInerney (2009), vivemos numa sociedade, em geral, muito competitiva, que explora uns para benefício de outros e onde a necessidade de escolas críticas, que promovam a equidade no acesso ao sucesso escolar e à inclusão social, se faz sentir de forma premente. Os cursos de ensino possuem um currículo próprio, com um programa escolar dividido em unidades capitalizáveis totalmente divergentes do ensino regular, sendo direcionados para uma população que, na sua generalidade, nunca puderam frequentar a escola ou abandonaram-na precocemente ou, ainda, o seu percurso escolar foi marcado pelo insucesso, oferecendo a cada um deles que não conseguira enquadrar-se no sistema de ensino, uma oportunidade de frequentarem os cursos do ensino básico e secundário. 28 Esse tipo de ensino, suportado por um sistema de aprendizagem alternativo, rege-se segundo normas orientadoras que facilitam a aquisição de conhecimentos, por forma a eliminar o analfabetismo e a baixa escolaridade, ideia defendida por Elias (2009). Regras como a integração de saberes, onde é feito um reconhecimento das matérias dadas e adquiridas; a flexibilização na escolha dos cursos tendo em vista as necessidades e o gosto dos alunos; a sua recorrência, uma vez que a aprendizagem é facultada de maneira a iniciar ou reiniciar os cursos a qualquer momento e também a capitalização, ou seja, a avaliação dos saberes apreendidos é creditada cumulativamente. Os cursos são estruturados para permitir que os alunos adultos e na maioria inseridos no mercado de trabalho possam adquirir a formação académica necessária para enriquecerem o seu currículo pessoal e profissional. Segundo Elias (2009) ao longo dos últimos vinte anos, o ensino recorrente tem sofrido alterações, tendo sido criadas novas reformas e melhorias que convém salientar: 1992/1993: início da experiência pedagógica experimental do ensino recorrente por unidades capitalizáveis; 1996/1997: generalização do ensino por unidades capitalizáveis no ensino secundário; 1999/2000: início da experiência pedagógica do ensino por blocos capitalizáveis no ensino recorrente; 2004/2005: início da experiência pedagógica do ensino por módulos capitalizáveis no ensino recorrente; 2007/2008: início da experiência pedagógica dos cursos profissionais, denominados como Novas Oportunidades por módulos capitalizáveis no Secundário Recorrente. Este sistema de ensino é flexível e as disciplinas que compõem o conteúdo curricular de cada curso estão organizadas em unidades capitalizáveis, sendo pedido aos alunos, que as concluem com sucesso, que façam um teste escrito a todas as disciplinas, uma prova oral para as línguas não nativas e uma prova de teor mais prático nas disciplinas técnicas, ideia asseverada por Elias (2009). 29 Trata-se de um modelo de ensino individualizado, visto ser o exame de conclusão de cada unidade solicitado pelo aluno, logo que se sente preparado. Essa condição permite ao avaliado definir o seu ritmo de aprendizagem. Também a frequência das aulas fica a cargo do aluno, o que facilita a gestão do trabalho escolar. Assim também o afirma Elias (2009: 35): “Este modelo de ensino [recorrente] não obriga à frequência das aulas, sendo a gestão do trabalho escolar, do tempo e da frequência das aulas da exclusiva responsabilidade dos alunos de acordo com a sua disponibilidade.” Apesar dessa “liberdade” de ensino, esse modelo parece ser uma aposta falhada, pois a maioria dos alunos não consegue, ou enfrenta muitas dificuldades em capitalizar as unidades, culminando no colapso desse sistema de ensino, como aborda o documento orientador da Revisão Curricular do Ensino Secundário Recorrente (2003: 9): (...) constata-se a inoperatividade, incapacidade de atracção e elevado défice de resultados do sistema de unidades capitalizáveis, claramente refletidos na elevada taxa de abandono e na reduzida capitalização. (...) este sistema revelou-se incapaz de responder ao amplo universo de alunos que necessitam de um ensino e de uma aprendizagem mais apoiada e orientada, satisfazendo apenas uma minoria de alunos portadores de manifestas capacidades de autoformação. No âmbito do Ensino Recorrente, o perfil do professor deve ser distinto do ensino regular. Espera-se que o docente desse modelo de aprendizagem seja acolhedor, tolerante, com mente aberta e adaptável às mais diversificadas situações. Porém, o que ocorre neste modelo de ensino contraria o princípio pedagógico, dada a falta de formação específica dos candidatos a professor, às lacunas existentes na planificação e ao défice de manuais de aprendizagem que cumpram os requisitos desse tipo de ensino, mais vocacionado para uma comunidade educativa adulta. Nesse sentido, o docente deve ter como característica essencial, a aptidão para o relacionamento humano, o gosto pelo trabalho em grupo e uma ótima capacidade para comunicar com sucesso. 30 Para além disso, o docente deve mostrar-se interessado por tomar conhecimento dos problemas escolares, tendo em simultâneo um conhecimento amplo de todos os serviços, acessórios e recursos que a escola coloca ao seu dispor: mass-média, rádio, som, vídeo, informática e outros. Assim, a Formação dos Supervisores para a prática na Formação Inicial dos Professores que lecionam o Ensino Recorrente, deve abranger todas essas características. 31 PARTE II – Estudo Empírico Capítulo IV- METODOLOGIA Tendo como base a ideia de Bogdan e Biklen (1994: 49), este estudo revela contornos de natureza qualitativa, dado que “(…) a abordagem da investigação qualitativa exige que o mundo seja examinado com a ideia que nada é trivial, que tudo tem potencial para constituir uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais esclarecedora do nosso objeto de estudo”. Assim, o critério de recolha de dados assentou na criação de um guião de inquérito por questionário que pretendeu compreender as relações interpessoais que se estabelecem entre o supervisor pedagógico e o professor principiante no ensino recorrente, com o propósito de contribuir para o conhecimento e desenvolvimento tanto dos docentes quanto do supervisor. Em primeiro lugar foram formuladas três questões semi-abertas: Dificuldades que sentiu com mais regularidade enquanto docente principiante no ensino recorrente; Caracterização da relação entre o docente principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico; Estratégias que o supervisor pedagógico deve ter para ajudar o professor em início de carreira no ensino recorrente de modo a superar as suas dificuldades. A fim de tornar a pesquisa mais esclarecedora, decidimos incluir neste estudo quatro questões de resposta aberta, que julgámos fundamentais para a valorização do trabalho fazendo uma leitura mais eficaz do papel do supervisor pedagógico na melhoria da prática letiva do docente principiante no ensino recorrente neste tipo de ensino. De que maneira o processo de supervisão pedagógica influencia o seu desempenho pessoal e profissional; Que tipo de relação deve ser mantido entre o professor em início de carreira no ensino recorrente e o supervisor pedagógico; Considera que essa relação é determinante para o seu desempenho enquanto docente do ensino recorrente; Que tipo de acompanhamento deve prestar o supervisor pedagógico neste tipo de ensino. 32 Após termos apresentado os procedimentos metodológicos utilizados, a saber: as questões de pesquisa que serviram de base à recolha de dados, falaremos da natureza do estudo, do instrumento de recolha de informação – inquérito por questionário e dos participantes – docentes inquiridos (I1 a I12), que clarificaram a investigação de acordo com o objetivo e a finalidade do estudo. 1. Natureza do Estudo Sabendo que qualquer estudo de cariz educacional é caracterizado por ser “(…) uma atividade de natureza cognitiva que consiste num processo sistemático, flexível e objecto de indagação e que contribui para explicar e compreender os fenómenos educativos”como assevera Pacheco(1995: 9), então, e de acordo com esta afirmação, a investigação educacional deverá procurar ser exigente, metódica e adequada ao objeto de estudo. Com esta investigação, pretendemos salientar o valor do acompanhamento pedagógico por parte do supervisor ao docente em início de carreira no ensino recorrente, visto estarmos cientes que os conhecimentos teóricos e práticos serão mais facilmente absorvidos se forem implementadas ferramentas e estratégias específicas de acompanhamento, de forma a objetivar o aperfeiçoamento e eficácia do ensino. Verificámos que cada um dos docentes inquiridos tem uma visão diferente em relação às questões apresentadas, o que enriquece a investigação, uma vez que contribuíram para uma reflexão produtiva, corroborando assim, para a ideia de Alarcão (2000), ao referir que o professor abandona o individualismo e assume-se como elemento integrante do todo coletivo, ou seja, aprende na partilha e no confronto com os outros. 2. Recolha de dados – Inquérito por questionário Para dar forma e consistência à metodologia, privilegiámos como instrumento fundamental da recolha de dados o inquérito por questionário, o que nos apraz tirar ilações sobre o significado e a importância das respostas obtidas a determinadas questões. Optámos por esta técnica, visto ser uma forma rápida de obter dados e uma das mais utilizadas em projetos de investigação. Bell (1997: 100) que clarifica esta ideia ao afirmar “(…) os inquéritos constituem uma forma rápida e relativamente barata de recolher um determinado tipo de informação.”. A mesma autora assevera ainda que o “objetivo de um inquérito e 33 obter informação que possa ser analisada, extrair modelos de análise e tecer comparações.” (p.25). Através do uso do guião, houve uma relação direta entre o investigador e o inquirido, criando a vantagem do anonimato, o que favoreceu indiscutivelmente a autenticidade das respostas. Segundo a opinião de Quivy e Campenhout (1992: 190) este “questionário”, neste caso particular é denominado de “administração indireta”, visto ter sido preenchido pelo próprio inquirido. 3. Participantes – Docentes inquiridos (I1 a I12) Este trabalho de investigação procurou conhecer as ações e decisões dos atores educativos no domínio da temática – O Professor principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico – o que como refere Afonso (2005:75) “(..) implica perseverança, num esforço contínuo para ligar, relacionar e confrontar ação e reflexão.” Com o objetivo de recolher informação específica prosseguimos com questões de pesquisa dirigidas a docentes devidamente preparados e com diferentes níveis de experiência, de modo a ter uma maior diversidade de situações (Bell, 2004) e que contribuíram para a efetivação deste trabalho, fornecendo-nos dados relevantes, de modo a “ajudar professores e grupos de professores a enfrentarem os desafios e problemas das suas práticas e a concretizarem inovações de uma forma reflexiva” Altrichtetal., (cit. Afonso, 2005: 74). Cap. V - Apresentação e análise dos resultados Neste capítulo procedemos à apresentação e análise dos resultados obtidos com a nossa pesquisa de campo. Começamos por atestar que esta investigação tem uma natureza qualitativa, uma vez que faz uma abordagem ao tema em estudo “O professor principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico”, não se limitando apenas em organizar e descrever os dados recolhidos, mas possibilitando ao investigador codificar e classificar os 34 dados, assim como demonstrar os resultados subjacentes, agrupando-os em categorias e subcategorias. Na opinião de Bogdan e Biklen (1994: 113), o campo de investigação “trata-se de locais onde sujeitos se entregam às suas tarefas quotidianas, sendo este ambiente natural, por excelência, o objeto de estudo dos investigadores”. Assim, é nesse campo de ação que ocorre a investigação e onde se obtiveram os dados a serem tratados. Deste modo, o campo da nossa investigação teve por base docentes de uma Escola Secundária, localizada na região centro, na cidade de Viseu. 1 - Caracterização dos participantes no estudo Considerámos pertinente aplicar o inquérito por questionário a um grupo de doze docentes do ensino recorrente sobre o papel da Supervisão Pedagógica na sua prática letiva no ensino recorrente. Esse corpo docente é maioritariamente masculino, uma vez que apenas três dos seus elementos são do sexo feminino. Esses atores educativos têm idades compreendidas entre trinta e um e mais de cinquenta e um anos de idade, e possuem entre seis e mais de vinte e um anos de serviço. A tabela que se segue agrupa um conjunto de dados que nos permite realizar uma caracterização dos participantes no estudo realizado. Tabela 1 – Categorização dos inquiridos Idade Género Tempo de serviço Situação Profissional Habilitações literárias Formação em Supervisão Pedagógica Cód. Inquirido 41-50 anos M + 21 anos Licenciatura Sim I1 41-50 anos M 16 a 20 anos Licenciatura Não I2 41-50 anos M 16 a 20 anos Licenciatura Não I3 31-40 anos 31-40 anos M M 6 a 15 anos 6 a 15 anos Docente e Coordenador do Departamento Docente e Diretor de Turma Docente e Diretor de Turma Docente Docente. Docente de Licenciatura Licenciatura Não Não I4 I5 M F 35 6 a 15 anos 6 a 15 anos + 51 anos + 51 anos + 51 anos M Não se sabe F F M + 51 anos + 51 anos F M +21 anos +21 anos 31-40 anos 31-40 anos + 21 anos +21 anos +21 anos Educação Especial Docente (CPCJ) Subcoordenador . Docente Docente Docente (CPCJ), Diretor de turma, Coordenador e Membro da Direção Docente Docente Licenciatura Licenciatura Não Não I6 I7 Licenciatura Licenciatura Licenciatura Não Sim Não I8 I9 I10 Mestrado Doutoramento Não respondeu Não I11 I12 De acordo com a Tabela 1, todos os inquiridos têm como formação inicial a Licenciatura. Dois deles possuem formações mais recentes: um está habilitado com o doutoramento (I12) e o outro possui mestrado (I11). Habilitações Académicas dos Inquiridos 10% 10% Licenciatura Mestrado 80% Doutoramento Gráfico 1- Habilitações Académicas dos Inquiridos Neste gráfico, podemos ver a distribuição percentual dos inquiridos por habilitação académica: 80% dos inquiridos possui Licenciatura, 10% Mestrado e 10% Doutoramento. Quanto às funções/situação profissional dos inquiridos verificámos que um inquirido é Docente e Coordenador do Departamento (I1); dois são Docentes e Diretores de Turma (I2e 36 I3); outro é Docente e Docente de Educação Especial (I5); um outro é Subcoordenador (I7); existe ainda um outro que é apenas Docente (CPCJ) (I6); e um outro que acumula funções de: Docente, Docente (CPCJ), Diretor de Turma, Coordenador do Departamento e Membro da Direção (I10); Existem ainda três inquiridos que são apenas Docentes (I4, I8 eI9) e dois que possuem experiência de Supervisão Pedagógica (I1 e I9). De forma a poder codificar e organizar os dados recolhidos referentes às questões de análise foram criados Gráficos, que permitem fazer uma leitura clara, sucinta e rápida desses mesmos dados. Para procedermos à apresentação do tratamento de dados, elaborámos gráficos de categorização e subcategorização das respostas semi-abertas do inquérito por questionário, sendo que a primeira questão foca as “Dificuldades que sentiu com mais regularidade enquanto docente principiante no ensino recorrente”, tendo as respostas dos inquiridos variado entre “muito frequentemente”, “frequentemente”, “raramente” e “nunca”. Relacionamento com os alunos 80% Muito frequentemente Frequentemente Raramente Nunca 10% Gráfico 2- Relacionamento com os alunos Através da leitura do gráfico 2, constatamos que: a) A maioria dos inquiridos (10) afirma que “raramente” sentiu dificuldade no que respeita ao relacionamento com os alunos; b) Um dos inquiridos responde que nunca experienciou qualquer dificuldade nesse âmbito; c) O inquirido (I9) não respondeu; d) As opções “muito frequentemente” e “frequentemente” não foram assinaladas por nenhum dos inquiridos. 37 Manter a disciplina na sala de aula Muito frequentemente Frequentemente Raramente Nunca 0% 22% 24% 54% Gráfico 3 – Manter a disciplina na sala de aula No gráfico 3, constatamos que 56% dos inquiridos responde que “raramente” sentiu dificuldades em manter a disciplina na sala de aula, 28% afirma que “nunca” teve qualquer dificuldade e apenas 16% menciona que sente frequentemente a indisciplina como obstáculo ao bom funcionamento da sala de aula. O inquirido (I9) não respondeu a esta subcategoria. Dificuldades quanto ao domínio dos conteúdos programáticos 27% Muito frequentemnete Frequentemente 73% Raramente Nunca Gráfico 4- Domínio dos conteúdos programáticos Através da leitura do gráfico 4, podemos constatar que, entre os inquiridos, a maioria (8) refere que “nunca” sentiu qualquer dificuldade no domínio dos conteúdos programáticos durante o primeiro ano de docência, e apenas 3 dos inquiridos optou pela resposta “raramente”. O inquirido (I9) não respondeu a esta subcategoria. 38 Transmissão do Conteúdo aos alunos Muito frequentemente Frequentemente Raramente Nunca 0% 0% 33% 67% Gráfico 5 – Transmissão do Conteúdo aos alunos O gráfico 5, permite-nos verificar que 60% dos inquiridos afirma que “raramente” sentiram dificuldade em transmitir o conteúdo curricular aos alunos, 30% considera que “nunca” sentiram qualquer obstáculo e apenas um dos inquiridos (I9) não respondeu a esta subcategoria Metodologias ensino/aprendizagem 50% 40% 30% 20% 10% 0% Metodologias ensino/aprendizagem Gráfico 6- Metodologias ensino/aprendizagem Neste gráfico, constatamos que 45% dos inquiridos (5) responde que “raramente” teve dificuldade em aplicar metodologias de ensino/aprendizagem, 45% (5) afirma que “nunca” experienciou qualquer obstáculo na sua utilização e 10% (1) responde que sentiu “frequentemente” dificuldade em articular e aplicar as metodologias de ensino. O inquirido (I9) não respondeu a esta subcategoria. 39 Gestão da sala de aula 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Gestão da sala de aula Gráfico 7- Gestão da sala de aula No que respeita à Gestão da sala de aula, o gráfico 7 referencia que 55% dos inquiridos responde que “nunca” teve dificuldade em gerir a sala de aula, 27,5% afirma que “raramente” sente obstáculos para fazer essa gerência e 17,5% menciona que “frequentemente” denota dificuldades em gerir a turma. O inquirido (I9) não respondeu a esta subcategoria. Planificação das aulas 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Raramente Nunca Frequentemente Muito frequentemente Planificação das aulas Gráfico 8 - Planificação das aulas De acordo com o gráfico 8, percebemos que 8 dos inquiridos raramente sentiram dificuldade em planificar as suas aulas, 3 deles afirmam nunca terem tido dificuldade e apenas 1 dos docentes constata que, para ele, a planificação é frequentemente uma situação difícil. O inquirido (I9) optou por não responder. 40 Preparação de atividades/propostas de trabalho Raramente Nunca Frequentemente Muito frequentemente 36% 64% Gráfico 9 - Preparação de atividades No gráfico circular 9, denota-se que 7 dos inquiridos (64%) respondeu que “nunca” sentiram dificuldades na preparação das atividades. Outros 4 (36%) responderam que “raramente” sentiram dificuldades na elaboração de propostas de trabalho. O inquirido (I9) não respondeu. Relativamente à última subcategoria da primeira questão semi-aberta presente no inquérito por questionário, constatamos que a maioria dos docentes não considera difícil a avaliação dos alunos. Avaliação dos alunos Muito frequentemente Frequentemente Avaliação dos alunos Nunca Raramente 0 1 2 3 4 5 6 Gráfico 10 - Avaliação dos alunos Conforme os dados presentes neste gráfico, constatamos que 5 dos inquiridos afirmaram que “nunca” tiveram problemas na avaliação dos alunos, 4 atestaram que “raramente” ela era um impedimento à sua prática letiva. Apenas 2 optaram por salientar que “frequentemente” tinham dificuldade em lidar com a avaliação dos alunos. 41 Quanto à segunda categoria do questionário semi-aberto, que aborda a “Caracterização da relação entre o docente principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico”, as opções de resposta variaram entre “muito bom”, “bom”, “suficiente” e “insuficiente”. Acompanhamento do supervisor 10 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Acompanhamento do supervisor Gráfico 11 - Acompanhamento do supervisor Segundo o gráfico 11, há 8 inquiridos que consideraram o acompanhamento do supervisor pedagógico “muito bom”, 1 deles considerou “bom”. Dois docentes definiram esse acompanhamento como “insuficiente”. O inquirido (I10) não respondeu. Relacionamento com o supervisor 10 5 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Relacionamento com o supervisor Gráfico12 - Relacionamento com o supervisor De acordo com o gráfico 12, verificamos que 8 dos inquiridos responderam “muito bom” à subcategoria “Relacionamento com o supervisor”, 3 assinalaram a opção “bom” e o docente (I10) não respondeu. 42 Metodologias usadas pelo supervisor 9% Muito Boas 9% Boas 9% Suficientes 73% Insuficientes Gráfico 13 - Metodologias usadas pelo supervisor Segundo o gráfico 13, apercebemo-nos que 8 dos inquiridos (71%) classificaram as metodologias adotadas pelo supervisor de “muito boas”, 1 (9%) dos docentes definiu-as de “boas” e apenas 1 (9%) assinalou a opção “suficientes”. O inquirido (I10) não respondeu. No ambiente da sala 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 No ambiente da sala Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 14 - No ambiente da sala Conforme os dados do gráfico 14, constatamos que 8 dos inquiridos responderam que o ambiente na sala de aula foi “muito bom”, o que mostra que a relação entre docente principiante no ensino recorrente e supervisor pedagógico foi muito proveitosa. Um dos inquiridos considerou esse ambiente “bom” e dois definiram-no de “insuficiente”. Um dos inquiridos (I10) não respondeu. 43 No controlo da disciplina 10 8 6 No controlo da disciplina 4 2 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 15 - No controlo da disciplina Analisando o gráfico 15, reconhecemos que a maioria dos inquiridos considerou de “muito bom” a relação entre supervisor e docente estagiário em relação ao controlo da disciplina na sala de aula. Dois dos inquiridos assinalaram a opção “suficiente”, por considerarem que poderia ter existido da parte do supervisor um acompanhamento mais adequado no que respeita ao controle da disciplina. Um dos inquiridos respondeu “bom” expressando ser adequada a relação interpessoal entre esses dois atores educativos. Nenhum dos inquiridos considerou a opção “insuficiente”. Na planificação das aulas 10 8 6 Na planificação das aulas 4 2 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 16 - Na planificação das aulas O gráfico 16 assevera que a maioria dos inquiridos (8) avaliou de “muito bom” o auxílio prestado pelo supervisor pedagógico na planificação das aulas. Porém dois dos inquiridos consideraram “suficiente” e apenas um “bom”. Nenhum dos inquiridos assinalou a resposta “insuficiente”. O inquirido (I10) não respondeu. 44 No cumprimento dos programas curriculares 9 8 7 6 5 No cumprimento dos programas curriculares 4 3 2 1 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 17 - No cumprimento dos programas curriculares Segundo os dados do gráfico17, aferimos que 8 dos inquiridos consideraram de “muito bom” o acompanhamento dado pelo supervisor, de acordo com o cumprimento dos programas curriculares, enquanto 2 dos docentes consideraram esse acompanhamento “suficiente”. Só 1 dos inquiridos assinalou a opção “bom” para caraterizar essa subcategoria. O inquirido (I10) não respondeu. No domínio dos conteúdos 10 8 6 No domínio dos conteúdos 4 2 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 18 - No domínio dos conteúdos Respeitante à subcategoria “No domínio dos conteúdos”, o gráfico 18 mostra-nos que a maioria dos inquiridos consideraram de “muito bom” o auxílio prestado pelo supervisor pedagógico aos docentes principiantes do ensino recorrente no domínio dos conteúdos curriculares. Nenhum dos docentes assinalou a opção “insuficiente”. As alternativas de resposta: “bom” e “suficiente” ficaram equilibradas, uma vez que ambas foram utilizadas por um dos inquiridos. O inquirido (I10) não respondeu. 45 Na relação com os pais dos alunos 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Na relação com os pais dos alunos Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 19 - Na relação com os pais dos alunos Com a leitura do gráfico 19, constatamos que 7 inquiridos assinalaram a opção “muito bom” para caracterizar a relação que mantiveram com os pais dos alunos, sendo que 4 optaram pela alternativa “bom”. Nenhum dos inquiridos definiu esse relacionamento como “suficiente” ou “insuficiente”. O inquirido (I10) não respondeu. Na relação com os alunos 10 8 6 Na relação com os alunos 4 2 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 20 - Na relação com os alunos Através da análise ao gráfico 20, reconhecemos que a maioria dos inquiridos (8) considerou de “muito bom” o relacionamento que mantiveram com os alunos durante o ano letivo. Dois dos inquiridos mostraram-se satisfeitos com esse relacionamento assinalando a opção “bom” e nenhum dos inquiridos definiu-o como “insuficiente”. O inquirido (I10) não respondeu. 46 Na avaliação dos alunos 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Na avaliação dos alunos Muito bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 21 - Na avaliação dos alunos O gráfico 21 mostrou-nos que 7 dos inquiridos consideraram de “muito bom” o acompanhamento dado pelo supervisor ao docente em início de carreira no ensino recorrente perante a avaliação dos alunos, permitindo assim aferir os conhecimentos dos discentes. Três docentes assinalaram a opção “bom” e outros dois “suficiente”. Nenhum inquirido utilizou a opção “insuficiente”. O inquirido (I10) não respondeu. Na participação em reuniões 10 8 6 Na participação em reuniões 4 2 0 Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente Gráfico 22- Na participação em reuniões O gráfico 22 expressa de forma clara que os inquiridos consideraram de “muito bom” o auxílio prestado pelo supervisor em relação à participação em reuniões. Apenas dois inquiridos assinalaram a opção “bom”, sendo que nenhum dos inquiridos considerou as alternativas “suficiente” ou “insuficiente”. O inquirido (I10) não respondeu. 47 Relativamente à terceira categoria do questionário semi-aberto, que aborda as “Estratégias que o supervisor pedagógico deve ter para ajudar o professor em início de carreira no ensino recorrente a superar as suas dificuldades”, as opções de resposta variaram entre “muito importante”, “importante”, “pouco importante” e “nada importante”. Observar aulas, analisar, reunir, dar feedback ao docente principiante no ensino recorrente 18% Muito importante 9% Importante 73% Pouco importante Nada importante Gráfico 23 - Observar aulas, analisar, reunir e dar feedback ao docente principiante no ensino recorrente O gráfico 23 apresenta os seguintes dados: - 8 dos inquiridos (73%) respondeu “muito importante” relativamente à possibilidade de o supervisor pedagógico analisar o trabalho do docente. - Um dos docentes (9%) considerou como “importante” e outros dois (18%) como “pouco importante”. O inquirido (I10) não respondeu. Ajudar a avaliar os alunos 9% 36% Muito importante Importante Pouco importante 55% Nada importante Gráfico 24- Ajudar a avaliar os alunos 48 Através da leitura do gráfico 24, depreendemos que 4 inquiridos (36%) consideram o auxílio prestado pelo supervisor pedagógico como “muito importante”, 6 (55%) definem-no como “importante” e 1 (9%) considerou-o “pouco importante”. O inquirido (I10) não respondeu. No que respeita à organização do trabalho da sala de aula, constatamos no gráfico seguinte como a maioria dos inquiridos consideraram esse elemento fundamental para que o docente estagiário melhore seu desempenho profissional. Ajudar a organizar o trabalho da sala de aula 9% Muito importante 27% Importante 64% Pouco importante Nada importante Gráfico 25 - Ajudar a organizar o trabalho da sala de aula Através do gráfico 25, observamos que 3dos inquiridos (27%) consideraram de “muito importante” a possibilidade do supervisor pedagógico auxiliar na organização do trabalho da sala de aula. Além disso, 7 dos inquiridos (64%) assinalaram a hipótese “importante” e apenas 1 (9%) mencionou que se tratava de algo com pouca importância. Acompanhar o professor principiante do ensino recorrente na sala de aula 18% 9% Muito importante Importante 73% Pouco importante Nada importante Gráfico 26 - Acompanhar o professor principiante do ensino recorrente na sala de aula 49 Pela leitura do gráfico 26, aferimos que a maioria dos inquiridos (7, ou seja, 73%) considerara “importante” o processo de acompanhamento prestado pelo supervisor pedagógico dentro da sala de aula. Três docentes (18%) optaram pela resposta “muito importante” e apenas um (9%) pela alternativa “nada importante”. O inquirido (I10) não respondeu. Fomentar horário para o esclarecimento de dúvidas 18% 9% Muito importante Importante 73% Pouco importante Nada importante Gráfico 27 - Fomentar horário para o esclarecimento de dúvidas Com o gráfico 27 aferimos que a maioria dos docentes inquiridos (73%) considera “importante” que o supervisor pedagógico consiga agendar reuniões frequentes com os docentes estagiários. Um dos inquiridos (9%) assinalou a opção “muito importante” e, por contraste, outros dois (18%) definiram essa subcategoria como “pouco importante” para a melhoria de sua prática letiva. O inquirido I10 não respondeu. 2. Análise das respostas às questões abertas Nas tabelas seguintes, referimos as opiniões dadas pelos docentes inquiridos no ensino recorrente, de acordo com as questões abertas do inquérito por questionário. Tabela 2- Opiniões dos inquiridos quanto à Categoria: “Como a supervisão pedagógica influencia o desempenho pessoal e profissional do Docente” Subcategoria Orientar Respostas dos inquiridos “Motivou-me para uma maior exigência e auto-exigência” (I1); “Proporcionou-me maior segurança na 50 ação de ensinar.” (I1); “Melhoria da prática pedagógica.” (I2); “Onde ela existe, considero-a muito importante para a melhoria da minha prática pedagógica.” (I3) Cooperar/Partilhar Desenvolver Competências “Criou-me um espírito de cooperação entre professores” (I1); “Ajudou-me a melhorar as práticas letivas pela troca entre pares” (I1); “Conferiu-me para o interesse e capacidade de experimentar novas abordagens” (I1); “Melhoria da minha prática pedagógica”(I2) “De forma positiva, gosto de partilhar experiências vividas em sala de aula” (I7) “Em início de carreira, a supervisão pedagógica é fundamental para o aperfeiçoamento da prática pedagógica, sobretudo neste nível de ensino com especificidades muito concretas.” (I4); “Influencia de forma positiva, dado o profissionalismo das partes” (I6); “A supervisão é fundamental, principalmente a nível deste ensino.” (I8); “Melhorar as estratégias pedagógicas, por forma a uma eficaz transmissão de conteúdos, com o objetivo de um bom aproveitamento por parte dos alunos” (I9); “Criação de oportunidades de desenvolvimento.” (I12) Relativamente a esta categoria constatamos que os inquiridos I1, I2 e I3 consideram a orientação um fator da máxima importância para capacitar o docente principiante no ensino recorrente a estruturar metodologias reflexivas, que o ajudarão no seu processo 51 educativo. Para compreender melhor o valor da orientação, referimos Smith (1996) citado em Sá Chaves (2003: 70) quando classifica a tarefa do supervisor como “ (…) é complexa, ele é um facilitador de aprendizagens, um promotor de desafios, um amigo crítico (…)”. Deste modo, os inquiridos acentuam que a supervisão desempenha claramente um papel relevante no acompanhamento da prática pedagógica, abordado no capítulo referente à formação inicial de professores, consagrando, assim, a necessidade de preparar professores para serem profissionais qualificados. Registamos, igualmente, o valor da partilha, tratada pelos inquiridos I1, I2 e I7 como sendo um trabalho que, de acordo com o pensamento de Fullan e Hargreaves (2001: 83), assenta em práticas como planificação conjunta, discussão, reflexão conjunta, tomada de decisões e partilha, gerando um clima de confiança no seio dos professores, relativamente às suas práticas, metodologias e estratégias de ensino. Realçamos como os inquiridos se sentem envolvidos numa relação de partilha de ideias, saberes e experiências, a fim de poderem evoluir e melhorar o processo de supervisão. Identificamos também a subcategoria desenvolvimento de competências, como relevante no âmbito da supervisão pedagógica. De acordo com as opiniões dos inquiridos I4, I6, I8, I9 e I12, todos mencionaram a melhoria das competências pessoais e profissionais dos docentes em início de atividade como imprescindíveis para o processo de ensino/aprendizagem. Neste contexto, o supervisor surge como um facilitador do desenvolvimento do professor, para melhor poder intervir enquanto docente no desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. No conceito moderno de supervisão, a prática de ensino aprimora-se através do desenvolvimento das competências interpessoais e técnicas do docente. Essa noção foi claramente abordada na secção do Desenvolvimento e as Identidades Profissionais, onde Day (1999: 4) menciona que esse processo de desenvolvimento de competências acontece quando: “(…) os professores, sós ou acompanhados, revêem, renovam e desenvolvem o seu compromisso como agentes de mudança (…) e adquirem e desenvolvem conhecimentos, competências e inteligência emocional (…)”. 52 Tabela 3 – Opiniões dos inquiridos quanto à Categoria: “Relação entre o docente principiante e o supervisor pedagógico no ensino recorrente” Subcategoria Monitorar/Avaliar Cooperar/Partilhar Respostas dos inquiridos “Fazer a observação do seu próprio ensino, a analisar, interpretar e refletir sobre os dados recolhidos.” (I1) “O supervisor deve acompanhar o desenvolvimento das atividades (desde a planificação à avaliação e análise dos resultados.” (I4) “Deve ser, antes de mais, a de ajudar o professor em início de carreira no ensino recorrente.” (I1) “Deve basear-se numa relação de cooperação a três níveis: planificação, avaliação e evolução do processo de ensino-aprendizagem.” (I2) “Uma relação de proximidade que lhes permita planificar, avaliar e gerir em conjunto o processo ensino/aprendizagem.” (I3) “Uma relação de cooperação e transmissão de experiências.“ (I4) Quanto à segunda categoria constatamos que os inquiridos I1 e I4 consideraram as ideias de monitorização e avaliação como fundamentais, sendo que essa maneira de definir o conceito de supervisão encontra base de sustentação na ideia advogada por Vieira (1993), que destaca na supervisão a coesão de dois campos: o primeiro mais analítico, que se refere aos processos de operacionalização e monitorização da prática pedagógica do estagiário que implica alguma reflexão e um segundo mais ligado à dimensão interpessoal, referindo-se à interação de reciprocidade que deve vigorar entre o supervisor e o docente principiante no ensino recorrente. Além dessas ideias, outros inquiridos referem mais uma vez os valores de cooperação e partilha, salientando-os, de acordo com importância que eles adquirem no processo de supervisão pedagógica. De acordo com os inquiridos I1, I2, I3 e I4, uma 53 interação entre supervisor e estagiário que seja orientada com base nessas duas conceções será mais eficaz, permitindo ao professor em início de carreira no ensino recorrente planificar, avaliar e gerir melhor aquilo que se denomina por processo de ensino ou aprendizagem. Nesse âmbito, Fachada (2010: 107) refere que ”uma das exigências fundamentais para que as relações interpessoais se tornem progressivamente ricas, positivas e maduras, é a necessidade de compreensão de si próprio e dos outros”. Tabela 4 – Opiniões dos inquiridos quanto à Categoria: “Considera determinante no seu desempenho enquanto docente do ensino recorrente a relação entre o docente principiante e o supervisor pedagógico” Subcategoria Respostas dos inquiridos Cooperar/Partilhar “Sem dúvida que essa relação é determinante para o meu desempenho enquanto docente do ensino recorrente na medida em que a experiência de outro colega e as suas opiniões e estratégias me podem ajudar nas práticas e metodologias a aplicar aos alunos do ensino recorrente”. (I1) “Sem dúvida, dado que sou principiante neste tipo de ensino” (I2) Acompanhar “Determinante não, mas importante sim porque o acompanhamento permite que a prática letiva seja mais bem concretizada; mas não a determina.” (I3) Transmitir/Partilhar conhecimentos “No meu caso não tive supervisão pedagógica no âmbito do ensino recorrente. Esta ocorreu de modo informal, com transmissão de conhecimentos e práticas por parte de colegas mais velhos e experientes, quer de modo formal (não com a designação de um supervisor) através do 54 Desenvolver competências funcionamento das diferentes estruturas pedagógicas: coordenação do ensino recorrente, equipas pedagógicas” (I4) “Não.” (I5) “Sim, é sempre importante.” (I6) “É sempre importante.” (I7) “Sim, através das diferentes estruturas pedagógicas: coordenação do ensino recorrente e equipas pedagógicas.” (I8) “Não, porque o que é fundamental é a transmissão de conteúdos (conhecimentos, relacionamento com alunos, bom senso na resolução de situações-problema.” (I9) “Não.” (I11) “Sim, muito determinante no desempenho que tenda para a qualidade total com o desenvolvimento de competências que permitem melhorar continuamente o aperfeiçoamento profissional.” (I12) No que respeita à terceira categoria, a maioria dos inquiridos acredita que essa interação é fundamental para um melhor desempenho do docente e da sua prática letiva. Na opinião do I1, são as experiências vivenciadas por outro colega mais experiente, além das suas ideias ou estratégias que poderão dar ao estagiário soluções quanto à sua prática letiva e, em simultâneo apresentar as melhores estratégias a aplicar com os alunos do ensino recorrente. Para o I3, essa relação não é fundamental, sendo apenas importante, pois o acompanhamento dado pelo supervisor auxilia o docente estagiário a melhorar a sua prática letiva. Nos últimos anos foram-se desvanecendo as ideias dominantes que caracterizavam a supervisão pedagógica como fiscalizadora, autoritária e dirigista. Aliás, foi graças à evolução sofrida pelo ramo das Ciências da Educação e à criação de novos cursos de mestrado e de pós-graduação nesta área que o vocábulo supervisão ganhou novas conceções, 55 tornando-se cada vez mais relevante no contexto da educação. Assim sendo, em paralelo com essa função fiscalizadora, a preocupação do supervisor pedagógico em acompanhar o processo de formação do professor principiante no ensino recorrente tem sido alvo de destaque. Na seção dois do capítulo III do presente estudo, mencionou-se que o teórico Ribeiro (2000) destaca essa ideia do acompanhamento como sendo fundamental para que o docente estagiário obtenha sucesso quando estiver sozinho dentro de uma sala de aula, onde terá de saber planificar os conteúdos a serem lecionados, gerir os problemas ou situações que possam surgir e avaliar os alunos. O inquirido I4 menciona que não teve supervisão pedagógica no âmbito do ensino recorrente. Ele informa que ela ocorreu de forma informal, através da “transmissão de conhecimentos e práticas por parte de colegas mais velhos e experientes” e de “diferentes estruturas pedagógicas: coordenação do ensino recorrente e equipas pedagógicas”. Na opinião dos inquiridos I5, I9eI11, essa relação não é relevante para o trabalho que o docente em início de carreira no ensino recorrente precisa executar. Inclusivamente, o docente I9 acredita que o fundamental é: “a transmissão de conteúdos, o relacionamento com os alunos e o bom senso na resolução de situações-problema”. Tabela 5 – Opiniões dos inquiridos quanto à Categoria: “Tipo de acompanhamento que o supervisor deverá prestar ao docente principiante no ensino recorrente” Subcategoria Acompanhar/Método reflexivo Abertura/Relação de proximidade Opiniões dos inquiridos “Acompanhamento por método reflexivo (como por exemplo) - Fomentar a reflexão acerca das práticas, das metodologias e dos resultados; - Ver a sua função como forma recíproca de aprendizagem. Professor do ensino recorrente e supervisor pedagógico aprendem em muito com a experiência (I1); - Dar oportunidade ao professor do ensino recorrente de expor as suas dúvidas, receios e outras questões que 56 eventualmente o preocupem (I1); Atitude construtiva do SP para com o docente principiante Monitorar/Avaliar Cooperar/Partilhar Orientar/Acompanhar - Exibir uma atitude construtiva, elogiar em vez de criticar, não enfatizando muito os problemas.” (I1) “Observar aulas com o objetivo de orientar situações em que não estão tão à vontade de as praticar.” (I2) “Acompanhar a fase da planificação e implementação do Programa; acompanhar o processo de avaliação dos alunos; observar aulas com o propósito de corrigir de forma aberta possíveis situações menos corretas que o docente possa involuntariamente estar a praticar. (I3) “A todos os níveis, desde a planificação, acompanhamento do decorrer das atividades, reunião e reflexão conjunta com todos os intervenientes, análise dos resultados, reflexão sobre estratégias de melhoria, atividades de apoio, etc…” (I4) “Orientação e acompanhamento.” (I5) “Deve orientar os docentes no sentido de os esclarecer e orientar em todos os procedimentos neste tipo de ensino. Posteriormente, deve estar disponível para colaborar em todas as necessidades dos docentes.” (I6) “Deve estar disponível para colaborar em todas as dúvidas/procedimentos a adoptar para melhorar a aprendizagem.” (I7). De acordo com a última categoria, o docente I1 afirma que é tarefa primordial do supervisor desenvolver nos docentes principiantes no ensino recorrente hábitos de reflexão sobre a forma como ensinam, preparando-os para, de uma forma crítica, serem capazes de 57 examinar, gerir e avaliar a sua própria prática letiva. A reflexão deverá, então, partir da ação, isto é de situações e práticas reais e ocorrer antes, durante e após o ato educativo (Schön,1992: 9). O cenário reflexivo abordado no capítulo III advoga que: Uma abordagem reflexiva na formação de profissionais que veio a ter enorme repercussão na formação de professores. Esta abordagem baseia-se no valor da reflexão na e sobre a ação, com vista à construção situada do conhecimento profissional que se apelidou de epistemologia da prática (Alarcão e Tavares, 2003: 35) Nesse cenário, a figura do supervisor pedagógico é de extrema relevância para auxiliar o docente principiante no ensino recorrente a compreender o contexto, a saber agir em conformidade e a sistematizar o conhecimento que advém da interação entre a ação e o pensamento. Também o I1 menciona que é importante existir uma abertura e relação de proximidade entre orientador e orientado. Para que o supervisor pedagógico possa desempenhar eficazmente as suas funções terá de existir uma relação de empatia e dialogante que permita aos dois intervenientes conhecerem-se melhor e trabalharem em conjunto na resolução dos problemas, na avaliação da prática docente e nas estratégias a aplicar. Gonçalves (1997) refere que no processo de formação, a interação entre o supervisor pedagógico e o docente é decisiva, pois ela pode surgir como impeditiva do desenvolvimento se for fechada e fiscalizadora ou, ao invés disso, promotora do crescimento de ambos, se ela for isenta, autêntica, empática e aberta. Sem empatia, será difícil realizar um trabalho colaborativo. Alarcão e Tavares (2003: 62) consideram a atmosfera do processo de supervisão pedagógica fundamental, isto é, acreditam que uma boa relação entre supervisor e docente estagiário será importante e, por isso: é desejável e necessário desfazer, quanto antes, toda uma série de preconceitos e até alguns mitos que se foram criando e alimentando ao longo do tempo, em torno do estatuto e do relacionamento entre o supervisor e o professor em formação, tais como: superior-inferior, independente-subordinado, professor-aluno, avaliador-avaliado, fiscalizador-fiscalizado e pôr mais em relevo as características e os comportamentos e atitudes de entreajuda, de colaboração entre colegas num processo em que se procura atingir os mesmos objetivos, ainda que de pontos de vista e planos diferentes: o seu desenvolvimento humano e 58 profissional como um fator importante de competência para poder intervir de um modo mais eficiente na educação dos alunos. Na opinião do inquirido I1, a atitude do supervisor perante o docente principiante no ensino recorrente deve ser construtivista, isto é, o orientador deve tecer considerações positivas sobre o trabalho do docente, elogiando mais o seu desempenho e criticando menos, tentando sempre não colocar o enfoque sobre os problemas. Quanto ao I2, ele menciona a importância da monitorização e avaliação do desempenho do docente durante a sua prática letiva, no sentido de orientar melhor o professor em início de carreira para as dificuldades que poderão advir no contexto de sala de aula. Para o I3, o supervisor deve ter uma atitude mais colaborativa para com o supervisionado e “acompanhar a fase de planificação e implementação do programa, acompanhar o processo de avaliação dos alunos e observar aulas com o propósito de corrigir de forma aberta possíveis situações menos corretas que o docente possa involuntariamente estar a praticar”. Dessas palavras, infere-se que o processo de acompanhamento do orientador para com o orientado é de extrema relevância para o aprimoramento das competências e aptidões do docente estagiário no contexto da prática letiva. 59 Conclusões No nosso quotidiano deparamo-nos constantemente com organizações de vários tipos, sejam elas financeiras, políticas, culturais ou outras e é através da cooperação entre os vários intervenientes que integram essas organizações que o sucesso e a eficácia se tornam reais. Também a escola deve ser entendida como uma organização, da qual fazem parte integrante os supervisores, coordenadores de escola, professores, pessoal não docente, alunos e pais. Através deste estudo demonstrámos que uma escola que não ignora os problemas e que envolve todos os intervenientes do contexto educativo na resolução dos mesmos tem mais hipóteses de se desenvolver e obter êxito. Esta pesquisa teve como finalidade analisar o papel do supervisor pedagógico no desenvolvimento da atuação do professor principiante no ensino recorrente. O tema da supervisão pedagógica sobre o qual incidiu este trabalho diz respeito a um projeto mais amplo, que na sua elaboração, a nível da escola deve fazer valer a participação dos vários intervenientes mencionados anteriormente. O trabalho do supervisor focado na atuação do docente não deve ser confundido como “acessoria ou consultoria” como afirma Medina (1997: 31), por ser um trabalho que requer envolvimento e compromisso. Para esta autora, “o supervisor tem como objeto de trabalho a produção do professor – o aprender do aluno – e preocupa-se de modo especial com a qualidade dessa produção”. A supervisão em educação é perspetivada como um processo cuja finalidade é basear-se no melhoramento e eficácia do ensino, estimulando os novos docentes a aperfeiçoar a sua ação educativa, promover a seleção e avaliação de métodos e materiais didáticos. O supervisor pedagógico tem um papel fundamental. Ele tende a ajudar o docente a desenvolver a sua capacidade de reflexão crítica, valorizando a escola como espaço de referência para a prática e o relacionamento com a comunidade. 60 Hoje em dia, as três funções fundamentais da supervisão são: diagnosticar os problemas na prática pedagógica dos novos docentes, avaliar o trabalho do estagiário e aperfeiçoar o seu desempenho. O supervisor deve ser a ponte entre a teoria e a prática letiva, refletir sobre o trabalho realizado em contexto da sala de aula, estudar, e conceber metodologias e técnicas que possam ajudar o docente estagiário a desempenhar melhor as suas funções. Durante o nosso trabalho, que intitulámos “O docente do ensino recorrente e o supervisor pedagógico”, pretendemos conduzir o estudo de forma coerente no sentido de encontrar respostas às questões que problematizámos no inquérito por questionário, cujo guião se encontra no anexo deste mesmo estudo. Para tal, foi relevante o fato de termos sustentado o enquadramento da investigação na teoria consultada para a realização deste trabalho. Aliás, as referências bibliográficas deste estudo refletem uma ampla pesquisa no campo da educação, supervisão pedagógica, prática educativa, papel do docente, formação de professores, todos eles conceitos que foram abordados ao longo deste trabalho de investigação. De acordo com este estudo, tentámos mostrar como a avaliação do desempenho do docente é fundamental para o desenvolvimento profissional dos professores, contribuindo assim para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. A avaliação é essencial em qualquer organização para garantir a qualidade do serviço prestado e a melhoria das práticas profissionais. Ela deve ser planificada de uma forma coerente, quando se quer atingir um ensino de qualidade. Neste trabalho de investigação constatámos, através das respostas dadas pelos docentes ao inquérito por questionário, que manter a disciplina na sala de aula não foi uma dificuldade para a maioria dos inquiridos, apesar de esta ser considerada como um dos grandes obstáculos com que os novos docentes se deparam. No que respeita à transmissão do conteúdo aos alunos, a maioria dos docentes não sentiu, muitas vezes, qualquer dificuldade. Quanto à gestão da sala de aula, 17% dos docentes inquirido sindicaram-na como uma das dificuldades que sentiram, o que se coaduna com a questão aflorada na Parte 61 Teórica deste estudo, onde pretendemos evidenciar o papel fulcral do supervisor pedagógico como auxiliar do docente principiante no ensino recorrente na organização de uma sala de aula. Também a avaliação dos alunos se mostrou como uma dificuldade para dois dos inquiridos. Relativamente ao acompanhamento prestado pelo supervisor pedagógico ao docente estagiário, que caracterizámos como fundamental para o desenvolvimento da sua prática pedagógica, 2 dos inquiridos definiram-no como insuficiente. Quanto ao relacionamento com o supervisor, os docentes caracterizaram-no como “muito bom” ou “bom”, o que demonstra que para que o estágio decorra com sucesso é imprescindível um bom relacionamento, de partilha e empatia entre os dois atores educativos. No que toca às Metodologias usadas pelo supervisor, a maioria dos inquiridos considerou-as como “muito boas”. No que respeita às categorias auxílio do supervisor no controle da disciplina, na planificação das aulas, no cumprimento dos programas curriculares, no domínio dos conteúdos e na avaliação dos alunos, a maioria dos inquiridos afirmaram como sendo muito importante o papel desempenhado pelo supervisor pedagógico no sentido de acompanhar o docente principiante em todos estes momentos que foram explicitados na parte teórica do presente estudo. No decorrer da investigação, deparámo-nos com algumas limitações que, de uma forma ou de outra, interferiram na nossa análise e, que posteriormente, podem ser colmatadas com pesquisas futuras. Inicialmente, como limitação à nossa investigação apontámos para o facto de não termos conseguido reunir uma amostra mais abrangente, no que toca ao tema da supervisão pedagógica no ensino recorrente. No preenchimento do inquérito por questionário constatámos que alguns dos inquiridos não responderam a todas as questões propostas e outros fizeram-no muito vagamente, o que restringiu o nosso campo de análise, pois teria sido mais frutífero se os docentes, na globalidade, tivessem participado de forma ativa nas questões abertas, 62 definindo os seus posicionamentos quanto à relevância e papel do supervisor pedagógico num sistema de ensino tão específico, como é o do ensino recorrente. Apesar disso, trabalhámos com o maior número de respostas possíveis. Não obstante estas limitações, tentámos dar uma noção objetiva do papel fulcral que o supervisor pedagógico desempenha na melhoria da prática educativa do docente estagiário no ensino recorrente, ideia aliás corroborada pela maioria dos docentes inquiridos. Face às situações apontadas que dificultaram este estudo e, com base nos resultados da nossa investigação, gostaríamos de deixar algumas sugestões e pistas para futuras investigações, pois parece-nos que esta temática se reveste de alguma importância e tem implicações fortes na qualidade do trabalho desenvolvido nas escolas, no âmbito do ensino recorrente: Alargar o estudo a uma amostra mais ampla, para que se possa ter uma compreensão mais abrangente das dificuldades sentidas e manifestadas pelos docentes em início de carreira no ensino recorrente e do papel do supervisor pedagógico no seu desenvolvimento profissional e prática educativa, de forma a poder comparar os resultados obtidos com outras variáveis, realidades e hipóteses. Aprofundar ainda mais o tema, mencionando também a questão da formação de professores para o Ensino Secundário Recorrente, no âmbito da Educação de Adultos. Abordar a questão do não desenvolvimento de modelos de formação de professores para esse tipo de ensino, facto que contrasta com o que acontece, atualmente, no ensino regular. Estender a análise do papel da supervisão a outros níveis de ensino, como por exemplo: primário, básico e secundário, de maneira a potenciar a comparação das análises. Em suma, reconhecemos que uma das mais-valias ao nosso trabalho é ter-nos proporcionado uma reflexão aprofundada sobre a missão da carreira docente no ensino recorrente e o modo como as escolas estão organizadas para responder, tão prontamente quanto possível, às carências educativas do seu corpo discente. 63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS, M. e RYTMEISTER, C. (2000). “Beginning the Academic Career: How can it best be supported in the changing university climate?”. Conference proceedings of the Australian Society of Australasia. 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Lisboa: INCM. 69 ANEXOS UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Escola de Ciências Humanas e Sociais - Departamento de Educação e Psicologia Mestrado em Ciências da Educação – Especialização em Supervisão Pedagógica – O professor principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico Por meio deste inquérito pretendemos conhecer as opiniões dos professores principiantes do ensino recorrente, saber quais as suas percepções no primeiro ano da carreira docente e qual a relação que mantiveram com o seu supervisor pedagógico neste tipo de ensino. A finalidade deste inquérito serve para obter os dados imprescindíveis que permitem compreender as relações interpessoais entre o professor principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico. Neste sentido agradecemos a sua participação neste estudo, cujos dados são confidenciais e apenas serão usados no âmbito do mesmo (tese de Mestrado em Ciências da Educação/Especialização em Supervisão Pedagógica). Este inquérito é composto por três grandes questões, que se encontram especificadas em vários itens em cada tabela apresentada abaixo. Pedimos-lhe que relativamente a cada um destes itens os classifique de acordo com as escalas. 70 i. Quais as dificuldades vivenciadas no início da carreira docente; ii. A relação entre o supervisor pedagógico e o professor principiante; iii. Entre as dificuldades que sentiu, quais as estratégias que o supervisor pedagógico deve ter para auxiliar o professor no início de carreira a superá-las. A confidencialidade das informações facultadas é garantida. (Verifique no final, se todas as perguntas foram respondidas) 1.Género: o Feminino o Masculino 2.Idade: o de 20 a 30 anos o de 31 a 40 anos o de 41 a 50 anos o mais de 51 anos 3.Tempo de Serviço: o até 5 anos o de 6 a 15 anos o de 16 a 20 anos o mais de 21 anos 71 4.Exerce funções/cargo de: o Docente o Docente (CPCJ) o Docente de Educação Especial o Diretor de Turma o Técnico SPO o Coordenador de Departamento o Subcoordenador o Coordenador Pedagógico o Membro da Direção 5.Habilitações Académicas: o Bacharelato o Licenciatura o Mestrado o Doutoramento o Outra: _________________________________ 6.Possui alguma formação em Supervisão Pedagógica? o Sim o Não 72 Categoria: Quais as dificuldades que sentiu com mais regularidade enquanto docente principal? Muito frequentemente Frequentemente Raramente Nunca Relacionamento com os alunos Domínio dos conteúdos programáticos Gestão da sala de aula Transmissão do conteúdo aos alunos Planificação das aulas Metodologias ensino/aprendizagem Manter a disciplina na sala de aula Preparação de atividades ou propostas de trabalho Avaliação dos alunos Categoria: Caracterização da relação entre o docente principiante no ensino recorrente e o supervisor pedagógico. Muito Bom Bom Acompanhamento do supervisor Relacionamento com o supervisor Metodologias usadas pelo supervisor No ambiente da sala Na planificação das aulas No cumprimento dos programas curriculares No domínio dos conteúdos Na participação em reuniões Na relação com os pais dos alunos Na relação com os alunos 73 Suficiente Insuficiente No controlo da disciplina Na avaliação dos alunos Categoria: Quais as estratégias que o supervisor pedagógico deve ter para ajudar o professor em início de carreira a superar suas dificuldades? Muito importante Importante Pouco importante Nada importante Observar as aulas, analisar, reunir e dar feedback ao professor principiante Ajudar a avaliar os alunos Ajudar a organizar o trabalho da sala de aula Acompanhar o professor principiante na sala de aula Fomentar horário para o esclarecimento de dúvidas Decidimos incluir também neste pequeno inquérito quatro questões de resposta aberta, às quais os inquiridos poderão responder livremente: 1. De que maneira o processo de supervisão pedagógica influencia o seu desempenho pessoal e profissional? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 74 2. Que tipo de relação deve ser mantido entre o professor em início de carreira no ensino recorrente e o supervisor pedagógico? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 3. Considera que essa relação é determinante para o seu desempenho enquanto docente do ensino recorrente? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 4. Que tipo de acompanhamento deve prestar o supervisor pedagógico neste tipo de ensino? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 75