Jornalismo digital e hipertexto:
em busca da informação personalizada
Aluna: Priscila Frare Cambraia
Orientadora: Profª Paula Cristina Veneroso
Resumo
Pode-se afirmar que a internet provocou – e ainda vem provocando –
uma verdadeira revolução na transmissão de informações.
O objetivo principal deste trabalho é verificar a influência do recurso de
hipertexto na aquisição e seleção de informações pelo leitor de jornais digitais,
para identificar como se dá o processo de personalização da informação, o que
resulta, a nosso ver, numa nova maneira de se ler jornais ou revistas.
As possibilidades de seqüência de leitura na internet são infinitas e,
conseqüentemente, o grau de personalização da informação é superior ao
proporcionado por mídias como a televisão ou a imprensa.
A interpretação de cada fato lido é diferente para cada usuário, devido aos
diversos contextos e motivos de leitura, o que diferencia a leitura na WWW da feita
na imprensa ou na TV, que oferecem um número muito reduzido de pontos de
vista diferentes.
Portanto, buscamos, a partir dos sites noticiosos brasileiros disponíveis, um
que pudesse representar a evolução que a internet vem provocando na
distribuição da informação por meio eletrônico. Escolhemos, para efeito de
análise, o site da revista Veja, pelo fato de tratar-se – em sua versão impressa –
da maior revista de informação em circulação atualmente no Brasil e, também, por
ser uma das empresas jornalísticas pioneiras no lançamento de versões
eletrônicas de seu conteúdo editorial.
Palavras chave : Hipertexto, jornalismo online/digital., personalização da
informação
Summary
It can affirmed that the Internet provoked and it still comes provoking true
revolution in the transmission of information.
The objective main of this work is to verify the influence of the resource of
hypertext in the acquisition and election of information for the digital reader, to
identify as if it gives the process of personalization of the information, what it
results, a new way to read newspapers or magazines
The possibilities of sequence of reading are infinites at Internet and
consequently, the degree of personalization of the information is superior to the
proportioned one for medias as the television or the press.
The interpretation of each read fact is different for each user whom had to
the diverse contexts and reasons of reading, what it differentiates the reading in
the WWW of the made one in the press or the TV, that offers a reduced number of
different points of view.
Therefore, we search, from the available Brazilian news sites, one that could
represent the evolution that the InterNet comes provoking in the distribution of the
information for half electronic. We choose, for effect analysis, the site of the
magazine “Veja”, for the fact to treat itself? in its version printed it is a the best
magazine of information in circulation currently in Brazil and, also, for being one of
the pioneering journalistic companies in the launching of electronic versions of its
publishing content.
Words key: Hypertext, journalism online/digital., personalization of the
information
O avanço da tecnologia,que influência a vida de todos, contribui para tornar
o leitor mais informado, mais seletivo, mais exigente, mais participativo, mais
conhecedor dos seus direitos, enfim mais preparado para exercer de corpo inteiro
a cidadania.
Atualmente, como já é sabido, convivemos com milhares de informações
em tempo real: rádio, tv, jornais, atualizações para aumentar nossa experiência
diante de novos desafios, tanto profissionais quanto pessoais.
A internet, pelo fato de não possuir uma única fonte alimentadora, mas, ser
alimentada por diversas redes individuais, provenientes de diversas culturas, de
muitos países, de diferentes realidades socioeconômicas, está em permanente
metamorfose. Portanto, pode ser considerada como um reflexo da sociedade. E
esta metamorfose traduz-se num meio atualizado ininterruptamente sobre os
acontecimentos ocorridos no mundo, tornando a internet a fonte mais dinâmica de
notícias já surgida.
Em nenhuma época anterior do desenvolvimento humano foi tão fácil
buscar informações sobre temas diversos. Com isso, a internet demonstra ter
potencial libertário, pois possibilita aos indivíduos e aos veículos de comunicação
de qualquer tamanho a busca por informação que não passa necessariamente por
grandes conglomerados de mídia ou agências de notícias.
Na internet é possível encontrar os mais variados assuntos, pessoas podem
criar o seu website e disponibilizar essas informações a qualquer um.
Além disso, na internet, a busca por informações, notícias ou artigos é bem
mais ágil e rápida, assim, o usuário tem a possibilidade de estar sempre
atualizado dentro dos assuntos que mais lhe interessem.
Um dos recursos mais utilizados para a conexão de informações é o
hipertexto. Tal recurso pode ser definido como uma forma de escrita não
seqüencial, na qual o texto possui bifurcações (a partir de palavras ou expressões
destacadas) que permitem que o leitor tenha livre escolha para ler apenas
assuntos de seu interesse, geralmente a partir de uma tela interativa.
O recurso hipertextual do jornal digital pode levar o leitor a realizar diversas
conexões semânticas (estabelecer elos com outros textos, buscando assuntos
afins e de seu interesse), o que se torna praticamente inviável quando pensamos
num jornal impresso.
Por exemplo, quando lemos um texto, visualizamos várias palavras, frases,
parágrafos, páginas, capítulos, e tudo isso possui várias significações. Tais
significações podem ser de senso comum ou da personalidade de cada pessoa.
O pensamento cria uma rede semântica, na qual uma simples palavra pode
ser associada a vários conceitos, bons ou ruins, dependendo de cada pessoa.
Essa rede de conexões nos auxilia no dia-a-dia para decodificar
informações, notícias, lembranças... e conseguirmos, assim, criar uma opinião
própria para os acontecimentos em nossa volta, associando, por exemplo, uma
notícia a uma anterior que explicaria as causas da notícia atual.
O hipertexto é uma ferramenta com a qual o leitor pode desenhar o seu
próprio percurso dentro de um texto, personalizar ou aprofundar uma informação.
Tudo isso ocorre a partir do momento em que o usuário usa a sua subjetividade na
escolha de um determinado link dentro de um texto na internet. Esse mecanismo é
não linear, ou seja, não seqüencial, e está em constante renovação e
reorganização.
Com o hipertexto, não é mais necessária a existência de textos limitados
porque na internet não há preocupação com o espaço. Portanto, em um texto
podem ser inseridos vários links para elucidar o seu usuário sobre determinado
assunto. E, assim, remeter o leitor a outros textos, indefinidamente.
A importância da personalização no jornalismo digital
Porém, a demanda de leitores em busca de dados foi suprida e atualmente
temos uma avalanche de informações, fazendo com que o leitor que apenas
busca por informações atualizadas se veja perdido e confuso diante de tantas
informações.
Por que é necessária a personalização da informação? Lucia Leão comenta
sobre as dificuldades em se buscar informações na internet, fazendo uma analogia
à sua própria pesquisa, quando levantava dados para escrever o livro “O Labirinto
da Hipermídia”, lançado em 1999:
“Enfim, durante a pesquisa realizada para este livro, vivi
profundamente o aspecto duplo e paradoxal da experiência
hipermediática. Por um lado, convivi com a euforia de estar
conectada com o resto do planeta, discutindo questões
emergentes e colhendo informações preciosas. Por outro,
sofri para conseguir manusear uma profusão de dados”
(1999: 25).
A autora, já conhecedora da rede, dos mecanismos de busca, do e-mail
para se comunicar com pessoas no mundo inteiro e da consulta em livros de
bibliotecas estrangeiras, sentiu-se perdida no mar de informações que são
disponibilizadas na internet. E como se sente o usuário que está iniciando a sua
experiência na web?
“Pesquisar na WWW é ao mesmo tempo se encontrar nas
multiplicidades e se perder; é avançar e recuar o tempo todo;
é não mais separar e ao mesmo tempo, com todas as forças,
tentar distinguir; é o ilimitado e o limitado que tentam se
manifestar e se confundem” (idem:25).
O jornalista necessita da informação correta e específica. Nesse sentido, o
profissional tem a possibilidade de obter, por exemplo, a notícia de uma
descoberta científica, acompanhada de uma lista de discussão sobre saúde; e
pode, portanto, selecionar e adicionar novas fontes para a apuração da
informação.
Por isso, o jornalista é um elemento indispensável para a tarefa de mediar a
informação, selecionar, formatar e transmiti-la de uma forma que o leitor assimile o
conteúdo sem nenhum tipo de ruído.
Ocorre que atualmente já existem programas que facilitam a filtragem de
informações e notícias, adequando-as às necessidades do usuário. Alguns
exemplos de personalização da informação podem ser observados na internet.
Alguns sites possuem ferramentas de personalização, que consistem no
envio de e-mails para o usuário que previamente se cadastrou para receber
notícias sobre um determinado assunto.
Com a informação personalizada, o site de notícias pode elaborar matérias
para um perfil específico de usuário do website. Após encontrar o perfil de usuário,
o site poderá oferecer conteúdos específicos para o seu leitor, geralmente
utilizando um login e uma senha para o estabelecimento da identidade do usuário
– para que os administradores do site possam entender quem é o seu leitor e,
além disso, controlar e obter informações mais específicas sobre a sua audiência.
Além disso, pode-se disponibilizar também sites de conteúdo específico de acordo
com o interesse de um grupo de usuários.
Com a participação ativa do leitor, o jornalista pode desenvolver atividades
e percursos (utilizando links), além do contato direto com o seu público por meio
de e-mails, fóruns de discussão e chats.
Além da personalização da busca pelo conteúdo, a internet permite também
a expressão de gostos e desejos pessoais de maneira jamais vista nos meios de
comunicação.
Alguns especialistas não concordam com a personalização da informação
porque acreditam que o usuário/leitor não poderá vislumbrar da pluralidade que os
jornais e mídias tradicionais apresentam.
Porém, na internet há uma clara potencialização da personalização, pois ela
volta-se agora para indivíduos e não para públicos segmentados.
Algumas empresas jornalísticas oferecem o serviços personalizados para
um segmento de mercado.
Tal mecanismo, com a utilização dos links, pode proporcionar a criação de
uma argumentação própria, subjetiva, pela qual o leitor pode formar a sua própria
opinião sobre determinado assunto. Isso ocorre tanto pela leitura de notícias na
internet como na participação em fóruns onde o leitor pode inserir novas
informações sem a intermediação de nenhum jornalista ou editor.
Ao final, o leitor do site tem várias opções de escolha, por exemplo, ele
poderá criar a sua própria argumentação de pensamento ou idéias a partir dos
links.
No momento do acesso à notícia, o usuário está abrindo uma nova
possibilidade de leitura justamente pela possibilidade de o leitor escolher
determinado link entre tantos, para que o leitor chegue a sua própria conclusão a
partir da leitura dos textos pelo hipertexto.
O usuário da internet encontra, a sua disposição, uma variedade de fontes
noticiosas, oficiais ou não, grandes veículos de comunicação ou veículos
independentes, os quais pode percorrer livremente, através de links nos próprios
sites ou por meio de ferramentas de busca:
“As tecnologias ligadas aos novos media estão a criar virtualmente
um novo meio de comunicação pública. Permitindo pela convergência das
telecomunicações, da computação e dos media, o novo panorama
mediático oferece interatividade e controle total por parte do utilizador e
comunicação em formato multimídia”. (Bastos,2000:20)
Escrever seu próprio texto é a primeira opção interativa da internet, graças
ao uso do hipertexto. Portanto, há um alto grau de apropriação e personalização
da mensagem recebida.
Com a inclusão do hiperlink a leitura é personalizada, pois depende de um
percurso delineado subjetivamente pelo leitor. Ele pode abrir esse link ou não. O
link complementa a informação e também aguça, atrai o leitor para outros
assuntos.
Por meio de um sistema de análise estatística de dados, consegue-se
identificar o perfil e os interesses dos usuários. Seguindo essa tendência, a
Corretora Coinvalores, em 1999, decidiu fazer uma pesquisa para identificar em
que aspectos poderiam mudar o site, que fora lançado no final de 1995. A
empresa consultou 2,5 mil internautas de todo Brasil.
Em jornais digitais, por exemplo, é possível fazer com que o usuário veja,
logo na primeira página, somente as notícias das editorias que lhe interessem,
bastando, para isso, que ele se cadastre e informe suas preferências.
Percebendo esta realidade, desenvolvedores de ferramentas, sejam eles
empresas ou ainda – mesmo que sem fins lucrativos – usuários avançados da
internet, criaram linguagens de programação que permitem que o conteúdo seja
cada vez mais adequado ao usuário.
O jornalista Nilson Lage, professor titular do Departamento de Jornalismo
da Universiade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentou um artigo1 sobre
softwares que atuam à distância, os agentes inteligentes, que têm a capacidade
de compreender, selecionar, organizar e sintetizar informações percorrendo vários
sites.
Esses softwares utilizam o conceito da “inteligência artificial” baseando-se
no cálculo seqüencial e podem chegar a sistemas semelhantes à mente humana.
Lage comenta, no artigo, que tais softwares conseguem, “por exemplo, compor
letras e espaços para formar sentenças e distribuí-las na área retangular das
páginas ou nas colunas da diagramação, competindo com imagens que se
estendem, pixel por pixel, nas dimensões pretendidas”.
O programa descrito por Lage pode procurar por uma determinada
informação, como também organizar e resumir a informação, personalizado-a da
maneira como o usuário predeterminou.
“Capazes de programar os seus computadores para
recolherem as suas próprias notícias personalizadas, a partir
de fontes mais diversificadas do que as dos próprios
jornalistas, os utilizadores das redes de comunicação podem
de certa forma antecipar a produção noticiosa dos jornalistas”
(Bastos, 2000:66).
O “News in Essence” é outro sistema que resume notícias e também coleta
informações em vários sites de notícias sobre assuntos previamente selecionados
pelo usuário.
A diferença é que este sintetiza e redige informações, além de seguir
diferentes classificações conforme a editoria que a notícia se enquadre, utilizando,
para tanto, o conceito da inteligência artificial.
1
Disponível em : www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da301020021p.htm
Seguindo esse novo tipo de software, o motor de busca Google está
oferecendo um novo serviço: o Google News. O funcionamento é idêntico ao do
News In Essence, verificando notícias por tópicos específicos em mais de 4.000
publicações da web. Este serviço é atualizado de quinze em quinze minutos.
No que concerne às novas tecnologias, é possível questionar se o uso
desse tipo de serviço pode prejudicar um site ou agência de notícias quanto à
audiência e obtenção de novos usuários.
Ocorre que esses programas não substituem o site ou agência, apenas
fornecem mais um modo de o internauta chegar até a notícia, com a vantagem de
que o usuário não necessita acessar o site para verificar se houve alguma
atualização.
Ganham, assim, o internauta – pela praticidade e economia de tempo – e a
agência, que passa a receber um público mais qualificado e realmente interessado
no material disponibilizado, já
que a credibilidade da internet como fonte de
notícias é bastante questionada.
Afinal, em meio a milhões de sites, com uma quantidade incontável de
informação sendo despejada na rede diariamente, a forma mais lógica de ficar
imune às falhas é recorrer somente a sites de veículos ou personalidades de
idoneidade confirmada – o que reduz, consideravelmente, o número de fontes
existentes, quase o igualando ao disponível antes do surgimento da rede.
Mesmo assim, sabe-se que o crivo e os métodos dos profissionais da
informação devem ser utilizados com ainda mais afinco no momento da apuração
da informação proveniente da internet.
Portanto, podemos verificar que a tendência na internet, diante de uma
cada vez maior oferta de notícias, é a da personalização da informação.
Veja On-line: a busca pela informação personalizada
A revista Veja elaborou um site especial sobre a crise da Argentina dentro
da sua homepage. O site continha um apanhado das matérias que já haviam sido
publicadas, como também publicava notícias diárias que foram acompanhadas
pela revista entre novembro de 2001 e abril de 2002.
Durante esse período, a equipe de jornalismo de Veja alimentou o site com
entrevistas de especialistas, jornalistas e economistas, o histórico do país e de sua
economia, tanto por meio de matérias jornalísticas como por meio de fotos e
gráficos.
O objetivo da revista era de que o leitor que já lê a revista Veja, ou mesmo
o internauta que não lê Veja, compreendesse a situação do nosso país vizinho,
por meio de vários links que contextualizavam e explicavam a crise.
A respeito da estrutura gráfica das páginas de sites, Pierre Lévy comenta:
“A página da web é um elemento, uma parte do corpus
intangível composto pelo conjunto dos documentos da World
Wide Wed. Mas, pelos links que lança em direção ao
restante da rede pelos cruzamentos ou bifurcações que
propõe, constitui também uma seleção organizadora, um
agente estruturador, uma filtragem desse corpus” (1999:160).
Podemos relacionar esse comentário de Lévy à questão das possibilidades
que a internet pode oferecer ao leitor, no caso, da revista Veja. Ela fez um
apanhado de informações que já haviam sido publicadas na versão impressa e as
complementou com áudios de entrevistas, galeria de fotos, entre outros,
possibilitando uma leitura não linear e, principalmente, personalizada.
Nota-se a preocupação da redação de Veja em organizar o conteúdo
cronologicamente, da forma mais clara possível, apresentando todas as possíveis
respostas, desde a opinião da revista até a de especialistas, leitura de artigos,
análises e reportagens de veículos da imprensa argentina e internacional, que
podem ser acessadas por meio de links, para novamente estimular o leitor a
chegar à sua própria opinião sem a interferência de Veja para as causas da crise
na Argentina.
O acesso ao link personaliza a informação, pois, mesmo com a
característica da internet de ser uma mídia de massa, com a disponibilização de
inúmeras notícias, esse mesmo meio massificado, com uma infinidade de
informações, é caracterizado também pela segmentação, que é personificada pelo
hipertexto:
“Pensar no leitor como um agente ativo – como um
construtor de seu próprio labirinto – no processo de
atualização da obra hipermidiática envolve mexer com
antigos esquemas em que os papéis de autor e leitor eram
bem definidos e separados” (Leão, 1999:42).
O hipertexto auxilia a ligação entre vários dados e oferece diversos níveis
de informação ao leitor, que poderá escolher qual caminho percorrer, aceitar ou
não as análises, notícias e críticas, entre outros serviços oferecidos pelo site:
“Na internet a opinião é mola propulsora. O simples ato de
associar informações no modelo hiperlink pode vir recheado
de juízos e valores semelhantes aos da arte do repasse de
informações nas entrelinhas” (Simone & Monteiro, 2001:12).
A partir da integração dos bancos de dados que são disponibilizados aos
assinantes da revista Veja, aliada às possibilidades online, abre-se a janela para
mais um recurso hipermidiático: o acesso a dados em tempo real (online) e a
diversas bases de informação.
A quantidade de informações disponíveis no jornalismo digital é infinita
porque não está sujeita às limitações da publicação impressa. A partir de recursos
oferecidos pelo hipertexto, pode-se acessar informações que transcendem as
edições impressas.
Portanto, há uma evidente personalização da notícia dentro de uma mídia
tradicional – no caso, a revista Veja – com o acesso às informações adicionais que
não puderam ser oferecidas ao leitor tradicional da revista impressa, pela limitação
de espaço.
Conclusão
Apresentamos neste trabalho várias formas de personalização da
informação intermediadas pelo hipertexto, já que tal recurso possibilita o acesso a
milhões de informações disponíveis na rede mundial de computadores apenas por
um simples clique no mouse.
Ao acessar um site, o internauta define mentalmente uma hierarquia
própria, que será seguida por ele independente de como o site está organizado,
justamente pela característica da não linearidade – reforçada pelos recursos
hipertextuais – e das peculiaridades de cada usuário (ao ser guiado por seu
próprio juízo de valor ou ainda por palavras-chaves que possam interessá-lo em
sua busca).
Mais do que isso, podemos afirmar que os recursos da tecnologia digital
permitem, atualmente, que o leitor/usuário personalize sua informação, recebendo
via internet somente notícias sobre assuntos de seu interesse, imprimindo
qualidade – não seria exagerado dizer – à sua leitura ou pesquisa.
Realizamos a análise da estrutura do website especial da revista Veja sobre
a crise na Argentina, estabelecendo uma relação entre os conceitos de hipertexto,
hipermídia e redes de conexão semântica de informações, com o objetivo de
verificar como se dá a personalização da informação a partir da infinidade de
informações armazenadas na internet e disponibilizadas aos internautas. Além
disso, apresentamos uma comparação entre a quantidade de informações que o
leitor encontra na revista impressa e o que é disponibilizado diariamente no
website de Veja a respeito do assunto em questão: crise na Argentina.
As notícias eram atualizadas várias vezes durante o dia e podiam ser
acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Assim, a
revista atendeu a um determinado público que precisava estar constantemente a
par das informações do nosso país vizinho.
Também mostramos neste trabalho um outro tipo de personalização que
seleciona somente informações pré-determinadas pelo usuário, por meio de
exemplos de sites e programas que realizam essa seleção.
A esse respeito, Nicholas Negroponte, especialista na investigação sobre
jornais personalizados, afirmou em 1995: “Imagine um futuro no qual seu agente
de interface vai poder ler todos os jornais e captar todos os noticiários de tv e rádio
do planeta, construindo a partir daí um sumário personalizado para você. Esse tipo
de jornal terá uma tiragem de uma única cópia” (1995:147).
Nos dias de hoje, esse jornal descrito por Negroponte pode ainda parecer
um tanto utópico, porém, devemos lembrar que, até poucos anos atrás, era
também considerada utopia a popularização do telefone fixo, do telefone celular e
do computador. Hoje, esses equipamentos fazem parte do dia a dia da população
e não seria insensato dizer que são indispensáveis para agilizar a vida do homem
moderno.
Portanto, diante da avalanche de informações disponíveis na sociedade
industrializada, a personalização da informação é uma opção, entre muitas, para a
adequação das necessidades de cada usuário.
Nesse sentido, pode-se dizer que a afirmação de Negroponte, nos dias
atuais, está a um passo de sair do âmbito da imaginação e se transformar em
realidade.
8. Referências Bibliográficas
BASTOS, Helder. Jornalismo electrónico. Internet e reconfiguração de
práticas nas redações. Coimbra: Minerva, 2000.
LAGE, Nilson. Jornalistas-robôs: a era das máquinas inteligentes, ano 1.
Disponível em:
<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/da301020021.htm>. Acesso
em: 16 nov. 2002.
LEÃO, Lucia. O labirinto da Hipermídia. Arquitetura e navegação no
ciberespaço. São Paulo: Iluminuras, 1999.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
NEGROPONTE, Nicholas. A vida digital. São Paulo: Companhia das Letras,
1995.
SIMONE, José Fernando; MONTEIRO, Mariana. Jornalismo Online: o futuro da
informação. São Paulo: Webmeio, 2001.
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