O uso do patrimônio arqueológico como atrativo turístico Rosângela Custodio Cortez Thomaz 1 Thalita Aranda Ferreira2 Resumo: O patrimônio arqueológico de uma região serve como recurso para instrumentalizar o desenvolvimento comunitário, pois a partir dele pode fomentar-se a autovaloração e coesão da comunidade, que por sua vez serve como desenvolvimento econômico através de sua utilização como atrativo turístico. Na Espanha, mais especificamente na Galícia, há uma notável preocupação em analisar a problemática do patrimônio Histórico e Cultural sob a perspectiva de seu uso, seu valor, sua rentabilização. A exemplo do que ocorre em vários países da América Latina, o Brasil é herdeiro de uma imensa diversidade cultural. Apesar de toda essa diversidade, no Brasil a integração dos setores da cultura e do turismo, bem como o envolvimento das comunidades e a integração de suas dinâmicas e seus processos culturais, para desenvolver o turismo, é ainda muito recente. Esta é uma das características que fundamenta o interesse em analisar realidades diferenciadas no trato do patrimônio arqueológico como atrativo turístico. Palavras-chave: Patrimônio. Turismo. Arqueologia. Introdução A atividade do homem ao longo da história vem gerando uma herança, tanto material como imaterial, da qual somos receptores na atualidade: pensamentos, sensibilidades, costumes, formas construtivas, manifestações artísticas. Essa herança está indissoluvelmente ligada ao território em que ocorre, por tanto, causa uma enorme variedade e riqueza de respostas humanas. O Patrimônio Cultural é um conjunto de valores tangíveis e intangíveis que se tem conservado até nossos dias e que se identificam a um grupo humano. Um patrimônio, que vai desde o próprio meio natural ao artístico, passando pelo histórico, etnológico, documental, as formas do pensamento. É, por tanto, fruto da natureza e da ação do homem, pelo qual se constitui como elo das sociedades antecedentes, que nós temos a responsabilidade de não só recuperá-lo, conservá-lo e transmiti-lo senão também de acrescentá-lo as contribuições de nosso tempo. A noção de patrimônio, com a ideia de posse que lhe é implícita, sugere imediatamente que se está na presença de algo de valor. Valor que os seres humano, tanto individual como socialmente, atribuem ao legado material do passado, valor no sentido do apreço individual ou social atribuído aos bens patrimoniais numa dada circunstância histórica e conforme o quadro de referências de então. Trata-se de um conceito relativo, que varia com as pessoas e com os grupos que atribuem esse valor, permeável às flutuações da moda e aos critérios de gosto dominantes, matizado pelo figurino intelectual, cultural e psicológico de uma época. É patrimônio o que se assume como tal por um grupo, no que se reconhece, e sobre o que 1 Professora e Pesquisadora do Curso de Turismo da UNESP – Campus Rosana/SP, Pós-Doutora em Turismo pela Universidade de Santiago de Compostela – Espanha e Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Turismo no Espaço Rural – GEPTER. E-mail: [email protected]. 2 Discente do curso de Turismo da UNESP Campus de Rosana - SP. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Turismo no Espaço Rural – GEPTER. E-mail: [email protected] 1 adota uma atitude consciente e ativa. Mas, por outro lado, a história e os seus objetos ganham um valor e um interesse sem precedentes. Através do patrimônio o indivíduo sequestra um pedaço de passado, sob a forma de totens pessoais, em relação aos quais percebe uma vinculação direta. Como um artifício idealizado com finalidades de identificação no espaço e no tempo, como elemento de referência, o patrimônio representa, para a sociedade atual, uma verdadeira necessidade. De tal forma que o “patrimônio” se converteu, nos últimos anos, num verdadeiro culto popular e também, numa etiqueta extraordinariamente extensiva a uma enorme quantidade de elementos e objetos, do individual ao coletivo, do material ao intangível, de um passado mais remoto a um passado mais recente. Além da manifesta homogeneização de diversos aspectos do quotidiano, verifica-se hoje uma reafirmação das identidades coletivas face às tendências da uniformização individual. Por outro lado observam-se “movimentos de revitalização e reinterpretação da especificidade cultural” (Moreira, 1996: 23) que parecem constituir reações locais aos efeitos da globalização. Estas preocupações traduzem-se num aumento da importância atribuída à preservação do patrimônio, como elemento de afirmação das singularidades locais. Este sentimento coletivo de nostalgia fez aparecer um mercado patrimonial e à lógica da singularidade do objeto acrescenta-se a lógica da sua valorização comercial. O patrimônio tornou-se uma componente essencial da indústria turística com implicações econômicas e sociais evidentes. A exploração turística dos recursos patrimoniais permite inverter a forte tendência de concentração da oferta turística junto ao litoral, dispersando o turismo para o interior, para as pequenas cidades, com uma distribuição mais equitativa dos seus benefícios, funcionando assim como fator de criação de emprego e de revitalização das economias locais. Representa também benefícios evidentes no que concerne aos custos de preservação do patrimônio, que muitas vezes não podem ser assegurados pelos poderes locais. Por outro lado, com frequência se reclama a utilização do patrimônio para fins turísticos para se fazer em face de um turismo massificado que ameaça as identidades locais. Não só os vestígios materiais das culturas passadas como também culturas inteiras são convertidas em espetáculos virtuais que vendem a ilusão do passado através de “modelos de um real sem origem nem realidade” (Baudrillard, 1991: 8). Mas a identidade representada por estes sítios patrimoniais é ainda menos identitária que a suposta identidade urbana que a fabricou. Não podemos considerar o patrimônio como um recurso turístico sui gêneris. E ao invés de se configurarem como instrumentos de conservação ambiental e de criação de benefícios socioeconômicos para as comunidades receptoras, estes estabelecimentos, acabam em geral, por aumentar o processo de degradação ambiental, gerando desequilíbrios socioeconômicos e 2 desvalorização cultural. O Patrimônio Arqueológico Galego como atrativo turístico Num momento em que redescobrimos o valor do patrimônio, como elemento de identidade cultural, torna-se comum a discussão sobre as formas de seu uso. Países europeus como Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, França, República Tcheca e outros perceberam que investir na restauração e preservação dos bens culturais, traz o benefício da dinamização do turismo, ao mesmo tempo em que fortalece a identidade nacional. Consequentemente, empresários e sociedade organizada se beneficiam com o aumento da riqueza interna, pois o turismo gera negócios e empregos. Estes patrimônios devem possuir a estrutura necessária para receber os turistas, que encontrar sinalização adequada, folhetos, guias e uma série de serviços para a visitação do bem cultural. Com o recente aumento da produção e da procura cultural, as indústrias culturais surgem como um domínio de interação social e de atividade econômica no contexto atual da União Europeia. As indústrias culturais apresentam-se simultaneamente como motor do emprego e catalisador da identidade regional, nacional europeia. A União Europeia dispõe do potencial de crescimento econômico e da riqueza cultural necessário para o desenvolvimento do setor das indústrias culturais. Aos Estados-Membros da União não faltam ideias inovadoras nem talentos para enfrentar a concorrência cultural à escala mundial. Embora já existam as condições necessárias para esta abordagem, os poderes públicos devem encorajar a criação de empresas culturais. Ao incitarem os indivíduos à plena exploração das suas energias criativas, as indústrias culturais podem oferecer muito mais possibilidades de criação de novos postos de trabalho do que as medidas clássicas de preservação do patrimônio cultural. Tanto no plano econômico como no plano sociocultural, é realçada a importância de uma abordagem integrada e global no que se refere às indústrias culturais. As potencialidades destas últimas não deveriam ser negligenciadas pelos poderes públicos. Para apoiar de forma adequada às indústrias culturais, é necessário visar e atuar nas áreas em que as possibilidades de êxito parecem ser mais promissoras. Para que o potencial da cultura se torne realidade, é essencial adotar-se uma abordagem nova e atual das necessidades específicas do setor. O balanço da situação das indústrias culturais da União Europeia revela que a gama de possibilidades de produção e de consumo culturais é extremamente diversificada e promissora. Entre os diferentes setores culturais analisados, as áreas de atividade que apresentam melhores perspectivas são as dos projetos associados ao patrimônio, bem como as atividades ligadas às novas 3 tecnologias, nomeadamente as do audiovisual e da sociedade da informação. O turismo cultural é considerado uma área susceptível de vir a tornar-se o ponto de arranque e de reforço das indústrias culturais. O apoio ao turismo cultural permitirá consolidar e aumentar as atividades econômicas clássicas que estão relacionadas com o patrimônio cultural. A revitalização e a redefinição do turismo cultural poderão servir de base às ações inovadoras associadas às novas tecnologias e aos meios de comunicação social. Este desenvolvimento estimulará a criação de novas empresas com boas possibilidades de expansão. Por isso o turismo cultural é identificado como um espaço de desenvolvimento "empresarial" com grandes possibilidades de favorecer a coesão econômica, social e cultural das regiões em declínio. Os benefícios decorrentes do turismo cultural induzem uma tomada de consciência da necessidade de conceder um forte apoio político ao setor. O turismo cultural implica, ao mesmo tempo, a dinamização do emprego e a valorização da cultura europeia. Contudo, uma intervenção pública deste gênero também deverá ter em conta o eventual impacto negativo de um turismo cultural não integrado sobre o equilíbrio socioeconômico de uma região. É necessário velar para que os fluxos turísticos aumentem os rendimentos de uma zona, valorizando as idiossincrasias locais, regionais e nacionais. As atividades culturais ligadas à "alta cultura" e as que decorrem das novas tecnologias poderão começar por centrar a sua oferta em locais turísticos frequentados por um público atraído pelas atividades lúdico-culturais. Nos setores de atividade da "alta cultura", a ligação turismo cultural - visitas ao patrimônio será o polo de atração de outras ofertas culturais. Américo Pelegrini apresenta vários exemplos de patrimônio usado para fins culturais e que viabilizam a manutenção de heranças culturais, assim como, o consumo da própria cultura (PELLEGRINI FILHO, 1993. págs. 112 a 116). Ainda este autor (2001:92) aponta que a noção moderna de patrimônio cultural vai além da questão arquitetônica, incluindo produtos do sentir, do pensar e do agir humanos, manifestadas também por meio de inscrições de povos pré-históricos, sítios arqueológicos e objetos nele pesquisados, peças de valor etnológico, dentre outros. O Patrimônio Arqueológico tem alguns indubitáveis caracteres específicos que tem gerado a consideração de que se trata de um patrimônio difícil na hora de sua valoração e apresentação ao público. Os documentos, convenções, recomendações, cartas, etc., dos organismos internacionais que entendem o Patrimônio, como a UNESCO, ICOMOS ou o Conselho da Europa, os jazimentos arqueológicos eram tratados até a poucos anos, só de três maneiras: como lugares onde se havia de realizar uma atividade regulamentada (a arqueologia era tida apenas como uma atividade profissionalizada), como imóveis de interesse arqueológico, quando o permitiam a monumentalidade das estruturas ou o valor artístico dos achados, ou simplesmente, como lugares onde se realizavam atuações de salvamento, recuperações que, por outro lado, quase nunca se conservavam. A este 4 respeito resulta expressivo a linguagem utilizada neste tipo de documentos: os monumentos se conservam e os jazimentos arqueológicos se salvam. A mudança da concepção do uso do patrimônio arqueológico como atrativo turístico, está ocorrendo porque a disciplina acadêmica – a arqueologia – e a atividade econômica – o turismo, possa hoje não só justapor-se com naturalidade, senão encarregar-se de um significado conjunto, pois os objetivos, os planejamentos, os conceitos delas tem mudado. E estas mudanças específicas de cada uma se inserem, de uma maneira geral, em outra mudança mais global: o que poderíamos denominar uma mudança na experiência cultural. Esta mudança deriva de uma relativamente recente demanda social de cultura nos países desenvolvidos. Cabe lembrar que a presença do Patrimônio Arqueológico na sociedade é também recente. E que a arqueologia estava confinada a ambientes acadêmicos e eruditos, que o turismo que poderíamos chamar de arqueológico era do tipo educativo e com destinos muito singulares, como Egito, Grécia e, sobre tudo, reduzido a pessoas de um determinado nível econômico e cultural; ou as recentes incorporações da arqueologia ao planejamento urbanístico e as obras públicas e do arqueólogo, como profissional livre, ao mercado de trabalho. O turismo cultural como um fenômeno organizado se desenvolve em consequência da evolução do mercado turístico. À medida que o modelo tradicional de desenvolvimento turístico começa a saturar-se, a própria indústria busca alternativas que deem resposta a uma demanda cada vez mais exigente, segmentada e dinâmica. O modelo anterior, baseado na exploração massiva de alguns limitados centros de atração turística (sol e praia ou grandes cidades) não permite continuar com os mesmos ritmos de crescimento e rentabilidade. O novo cenário se caracteriza por ser mais dinâmico e competitivo, de onde proliferam muitas ofertas especializadas a custos decrescentes. Um incremento generalizado com melhores condições de mobilidade e transporte, a oferta de novos destinos com custos locais mais baixos e o grande aumento do nível de informação disponível graças às novas tecnologias da comunicação. Os agentes turísticos se movem em um mercado cada vez mais global e competitivo, o que os obriga a buscar novas ofertas para dar resposta a uma distribuição cada vez mais personalizada e diferenciada da demanda turística. Neste contexto, a oferta cultural, em suas múltiplas expressões e realidades, se convertem em um excelente destino para dar resposta a esta necessidade de alternativas, novas experiências e diversificação. A este fato, cabe salientar o descobrimento por parte de muitos responsáveis governamentais e empresariais, do potencial do turismo cultural como fator estratégico para o desenvolvimento econômico local, em termos de geração de ocupação e renda. A própria Comissão Europeia propõe a potencialização do turismo cultural como um meio para reduzir o 5 congestionamento e a estacionalidade, ao mesmo tempo em que expandem a nível territorial e temporal os efeitos positivos do desenvolvimento turístico (European Comisión, 1995). Com base neste argumento, localidades e regiões excluídas das grandes rotas e centros turísticos, ou sem os recursos clássicos de atração neste âmbito (sol, praia, monumentos ou atração simbólica), veem a revalorização e acondicionamento de seu patrimônio (natural, etnológico, arqueológico, monumental ou artístico) um elemento de atração turística e de desenvolvimento econômico. Assim, só cabe adaptar ou redesenhar produtos específicos para este novo mercado e dispor de uma oferta de acolhida suficiente (vias de comunicação, alojamento, restauração e serviços complementares) com o propósito de atrair os agentes turísticos e ao turista com interesses culturais a novos destinos. Por outro lado, o incremento do número de visitantes que toda operação de turismo cultural implica representa um perigo ao expor as comunidades, monumentos e territórios de uma especial sensibilidade paisagística, cultural ou ecológica a uma pressão incompatível com sua manutenção e conservação. Assim, bens patrimoniais como a Ilha de Páscoa, a Alhambra de Granada, a Festa da Patum ou as pinturas rupestres de Altamira 3 possuem estratégias protecionistas que sem excluir o turismo, e os respectivos recursos econômicos associados, permitem tornar compatível o desfrute e difusão pública de uma obra ou manifestação cultural com a conservação da mesma. Desta maneira, estratégias como a limitação do número de visitantes anuais, a diferenciação da festa entre semana para a comunidade local e o fim de semana para os turistas, ou a construção de uma réplica situada ao lado da original e em seu entorno natural, permitem resolver o problema. Porém, parece que até o momento tem sido muito difícil, salvo exemplos pontuais como os citados acima e ilustrados a baixo, onde há um equilíbrio entre a conservação e o aproveitamento do Patrimônio Cultural. Este desencontro entre identidade e inovação, proteção e uso, conservação e desenvolvimento econômico... tem provocado problemas para o equilibrado uso do patrimônio. Segundo Margarida Barreto o uso do patrimônio torna-se interessante quando, ao indicar que um centro histórico ou bairro revitalizado pode se transformar em “site museums”, entendidos como “museu de sítio” ou, ainda, “museu no local”, cujo espaço pode ser preparado para representar uma época: construções, vestuário, culinária e costumes devem “espelhar” uma época, permitindo com que os visitantes conheçam a história e a cultura (BARRETO, 2000. p 58 e 59). É, inclusive, uma forma de a população local conhecer-se e discutir sua identidade. Para Cuellar (1997) o patrimônio atrai investimentos tanto públicos quanto privados, principalmente de países industrializados, sendo motivado pelo compromisso social e pelo entusiasmo de um pessoal qualificado. O autor explica que a “preservação histórica foi uma das primeiras áreas culturais a serem consideradas capazes de obter financiamento bancário”, enquanto 3 Ilustrações ver site: http://images.search.yahoo.com/search/images. 6 que nos dias de hoje já existem grandes financiamentos para programas que primem à preservação do patrimônio natural. Para ele a preservação dos centros históricos e a reutilização de monumentos foram consideradas eficientes em termos de custo-benefício. O retorno mais durável do investimento não tem sido financeiro e sim educacional e social. O slogan forjado pelo Reino Unido citado por Cuellar (1997:241) “A preservação compensa”, deve haver uma preocupação, onde não pode perder de vista, que a conservação jamais poderá ser bem sucedida sem que haja as relações entre espaço construído e fatores tais como a qualidade de vida. O turismo é sem dúvida alguma um grande propulsor para o desenvolvimento local, é uma ferramenta para a preservação do patrimônio, seja natural ou cultural (arqueológico). Para Cuellar (1997:244) a contribuição do patrimônio arqueológico para a promoção do turismo tem se tornado latente, e o patrimônio que tem fornecido forças para o turismo, assim, o patrimônio cultural se transformou um bem a serviço do turismo, e consequentemente, do desenvolvimento local. Todo este conjunto de ideias e ações está acompanhado de uma alternativa de desenvolvimento local e preservação do patrimônio arqueológico: a criação de um Parque Arqueológico, o qual se concebe como uma opção muito mais razoável que a musealização e a descontextualização dos vestígios, que integraria o patrimônio arqueológico na cidade. Esta é uma aposta em que se propõe um duplo uso do patrimônio cultural: resgatar a história para a população reafirmando a identidade social armazenada e organizar um espaço em que seja compatível o passado com o futuro. Esta proposta abre uma nova via, como a mercantilização do patrimônio arqueológico a serviço da atividade turística. Afirma Guzmán (1989:194), que no Parque Arqueológico, os objetivos propostos estão entre a arqueologia, à cultura e a sociedade, e ao se definir esses objetivos, é preciso, portanto, tratar “cada parque como um mundo diferente”. Assim ao analisar o Parque Arqueológico pela ótica social e projetar o Parque como serviço público, o autor enumera algumas situações: a) O modelo endomuseu ou “museu de sítio” ou, ainda, “museu no local” (como citado a cima por Margarida Barreto), que se distingue do museu tradicional não só pelo seu conteúdo material, mas pela sua concepção funcional, onde a experiência cultural é capaz de provocar no visitante um estado de recreação; b) O Parque Arqueológico concebido como complexo emblemático e uma forma de valorização da origem por meio dos recursos arqueológicos. Através do Parque Arqueológico é possível desvendar o passado e recuperar o tempo perdido em virtude de uma perspectiva histórica. Cada objeto retido num Parque Arqueológico não reflete apenas alguma coisa, e sim uma situação. 7 Tendo em conta os problemas de gestão do território, com que se deparam estas áreas protegidas, pode-se também imaginar que tipo de problemas terá a administração de um parque arqueológico para impor a nova figura legal, principalmente na área da cultura, geralmente o setor mais sacrificado de qualquer orçamento em cenários de crise econômica. O grande desafio que se coloca é o de assumir, por parte das instituições públicas, a importância destas novas figuras legais: parque arqueológico e plano de ordenamento de parque arqueológico. Atualmente na Europa existem dois exemplos importantes de projetos e implantação de parques arqueológicos, que podem ser citados como exemplo e que ilustram a interação existente entre a preservação do patrimônio e o desenvolvimento das comunidades que se beneficiam do patrimônio natural e arqueológico, são: o Parque Arqueológico do Vale do Côa – Portugal, que é bastante ilustrativo, bem como o conjunto de parques arqueológicos da Rede Galega do Patrimônio Arqueológico da Galícia (RGPA) - Espanha. O propósito é “salvar” o patrimônio arqueológico, não isoladamente, mas sim com o seu contexto envolvente, com a sua vida natural animal e vegetal, as habitações humanas tradicionais. No caso do Côa (ilustrações – http://cm-fozcoa.pt), o conjunto que compreende a paisagem e o ambiente humanizado das rochas gravadas que não se podem de modo algum separar da sua circunstância histórica. Trata-se também de ordenar e racionalizar o território e de dar à arte rupestre o sentido educativo e o valor social que lhe correspondem como parte viva da nossa história. A Rede Galega do Patrimônio Arqueológico (RGPA), criada pela Xunta da Galicia, se estrutura fundamentalmente em torno de três missões básicas: a difusão, conservação e investigação do patrimônio arqueológico de todo o território da Comunidade Autônoma. Os programas de ações são desenvolvidos em jazimentos a fim de contribuir na sua conservação, tornando-o compatível ao seu uso como recurso para promover e incrementar a conscientização do público acerca de seus valores culturais e poder conhecer o passado histórico da Galicia (Xunta de Galícia, 2004). Segundo dados da Conselheria de Cultura, Comunicação Social e Turismo (2010), a Galícia possui um território de 29.575 Km2 e uma população de 2.772.533 habitantes e conta atualmente com cerca de 15.000 jazimentos arqueológicos inventariados, que são gestionados pelo Serviço de Arqueologia da Administração Autônoma, desde 1985, integrado, junto a Direção Geral do Patrimônio Cultural no Conselho de Cultura, Comunicação Social e Turismo. O programa da RGPA possui quatro grandes parques arqueológicos. Enfocados de maneira temática sobre os quatro fenômenos culturais mais importantes do patrimônio arqueológico galego encontram-se localizados em cada uma das quatro províncias galegas, com a finalidade de abarcar a 8 totalidade do território da Galícia; Estes parques se encontram em diferente estágio de execução (RGPA, 2010). O uso do Patrimônio Arqueológico como atrativo turístico: Parque Arqueológico do Megalitismo – província de A Coruña; Parque Arqueológico de Arte Rupestre – província de Pontevedra; Parque Arqueológico da Cultura Castreña – província de Ourense; Parque Arqueológico do Mundo Romano – província de Lugo; Figura 1 - Distribuição dos Parques Arqueológicos da RGPA de Galícia Estes parques arqueológicos possuem objetivos que vão além da revalorização e difusão de uma área arqueológica concreta. Os parques arqueológicos gozam do máximo grau de proteção estabelecido na lei – como bens de interesse cultural – e representam, dentro da RGPA, a infraestrutura mais ambiciosa para a apresentação ao público do patrimônio arqueológico e será capaz de gerar recurso patrimonial que incida no desenvolvimento sustentável o entorno rural ou urbano próprio do parque. Em essência, procura-se a compatibilização deste valor educativo, científico e social dos diversos elementos do parque arqueológico com a proteção que cada um deles merece, evitando as causas de degradação, mesmo que exista uma limitação de acesso, e, sobretudo, dotar os visitantes da informação suficiente em relação ao nível cultural e aos propósitos de cada um. O uso do Patrimônio Arqueológico como atrativo turístico: a situação brasileira No Brasil o cenário é muito diferente, pois o único Parque Arqueológico constituído no país é o Parque Nacional Serra da Capivara, que atualmente luta por condições financeiras para se manter. O Parque Nacional Serra da Capivara com a finalidade de preservar o ambiente e o 9 patrimônio arqueológico constituído por centenas de sítios de pinturas rupestres pré-históricas, foi criado, em 1979 a pedido dos pesquisadores da Missão Franco-Brasileira do Piauí. Pelo valor cultural de seu patrimônio o Parque Nacional foi inscrito, em 1991, pela UNESCO, na lista dos sítios do Patrimônio Mundial. As áreas de atuação são: Pesquisa; Museologia; Educação; Ensino Profissionalizante; Saúde Pública; Produção Alternativa; Artes; Comunicação Social e Documentação; e Turismo O Parque Nacional Serra da Capivara está situado na região semi-árida do Nordeste do Brasil (Figura 2). É uma fronteira entre duas grandes formações geológicas e uma fronteira ecológica entre o sertão nordestino e a floresta amazônica. Figura 2 - Parque Nacional Serra da Capivara - Localização (Piauí, Brasil, Mundo). Mais de 700 sítios arqueológicos foram descobertos no Parque Nacional e na área de proteção permanente. A maioria são abrigos sob-rocha. Durante milênios nas suas paredes foram realizadas pinturas e gravuras rupestres, verdadeiros sistemas de comunicação dos diversos grupos humanos que viveram na região. As pinturas dominantes são de caráter narrativo, permitem reconhecer cenas da vida cotidiana e cerimonial, evocadoras de sua vida material, seus interesses e crenças. Deixaram, também, a demonstração de sua capacidade técnica. Peças de pedra lascada evidenciam uma tecnologia de muito boa qualidade que evolui durante milênios se adequando às necessidades de seu ambiente e sua história. A FUMDHAM construiu e instalou 14 trilhas turísticas que permitem a visita, com segurança, a mais de cem sítios de pinturas rupestres. Essas instalações visam a proteção do visitante e impedem o acesso às pinturas evitando sua destruição. Em parceria com o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a FUMDHAM é co-gestora do 10 Parque Nacional Serra da Capivara (http://www.fumdham.org.br/parque.asp). O Parque Nacional está estruturado para a visitação, nele existem quatorze circuitos compostos por várias trilhas para acessar os sítios arqueológicos e lugares de interesse natural para visitar monumentos geológicos, a paisagem, formações vegetais, aves e outros animais, sem perigo para as pinturas e para os visitantes. Certas trilhas foram utilizadas pelo homem na pré-história, sendo comum achar abrigos pintados em ambos os lados. A preservação deste Parque Nacional, ímpar por sua riqueza cultural e pela natureza única de sua vegetação, não depende somente dos organismos encarregados de sua proteção. O turista, também tem sua responsabilidade para permitir que esta tradição cultural que atravessou os séculos possa ser admirada pelas novas gerações. Espera-se que este Parque seja um exemplo de manejo de recursos culturais e naturais, que possa ser o motor do desenvolvimento da região, que graças à ele a população local deixe de viver em condições sub-humanas. O Centro de Visitantes do Parque é um ponto de encontro e também o ponto final de algumas trilhas, onde os visitantes podem repor as energias e encontrar com outras pessoas que estão visitando o Parque ou que nele trabalham. Os pontos de visitação no Parque Nacional são muito diversificados, como, também, os diferentes modos de acessá-los. Como exemplo pode ser observado a Passarela no sítio da Toca do Baixão da Vaca, entre paredões com pinturas rupestres, com gravuras antropomorfas e de animais simbolizando a caça (Ver figuras 3a, 3b e 3c a seguir). . Figuras 3 a, 3b e 3c – Passarela no sítio da Toca do Baixão da Vaca, entre paredões com pinturas rupestres. Fotos: Arquivo FUMDHAM A FUMDHAM realizou um estudo para definir o programa de desenvolvimento turístico e para avaliar a viabilidade econômica do mesmo e a capacidade de atração que a região pode alcançar. O resultado indicou que seria uma atividade autossustentável, capaz de oferecer trabalho e de mudar o quadro socioeconômico de todo o entorno dos Parques. Quando todos os projetos estiverem realizados e a infraestrutura completada, quando o aeroporto estiver pronto e os hotéis 11 construídos, a região terá capacidade de atrair de 3 a 5 milhões de turistas/ano. Um fator importante, salientado pelos técnicos, é que a pesquisa deveria prosseguir, pois seus resultados são a garantia da manutenção do interesse público. Foi decidido que manter todo o acervo proveniente das pesquisas em um Museu, na região, aumentaria os atrativos turísticos e que a criação de um centro dedicado à educação e pesquisa, de nível internacional, completaria o quadro, atraindo pesquisadores e alunos de todo o mundo. Utilizando os dados da análise feita, a FUMDHAM iniciou a fase de captação de recursos e, desde então, foram investidos na região cerca de 20 milhões de dólares, provenientes do BID, governo da França, governo da Itália, de doadores particulares, de doações de empresas privadas e empresas estatais, e de diferentes instituições do Governo Federal (Ibama, Iphan, BNDES, Ministério da Cultura, FNMA, Finep, CNPq). Esses investimentos resultaram na construção de uma infraestrutura que fez do Parque Nacional Serra da Capivara o melhor Parque da América do Sul. O sistema de trilhas turísticas e sítios arqueológicos preparados para a visitação é, hoje, o maior e melhor do mundo. Um palco ao ar livre foi construído e criamos o Festival Internacional Serra da Capivara, que se repetirá anualmente. O Museu do Homem Americano é o melhor e mais moderno das Américas. Seus laboratórios estão entre os mais modernos e bem equipados do mundo. Em 2004, a Universidade Federal do Vale do São Francisco criou o curso de graduação em arqueologia e conservação do patrimônio, e vai construir um campus na cidade de São Raimundo Nonato. Foram ministrados cursos para formar a mão de obra local, para atividades turísticas e para a pesquisa. Paralelamente, a FUMDHAM investiu no turismo, comprando terras, instalando criadouros de animais para repovoar o Parque Nacional, elaborando projetos para construir e instalar um parque temático pré-histórico, Arkeópolis, que seria único no mundo. Estes trabalhos foram realizados com financiamentos do BNB e recursos próprios de diretores da Fundação e abriram mais uma série de postos de trabalho. Previa-se que a renda a ser gerada por esses empreendimentos seria utilizada para: manejar e proteger o Parque Nacional, manter os trabalhos de pesquisa, manter os programas educacionais e de formação técnica da FUMDHAM, preservar os sítios arqueológicos, manter o Museu do Homem Americano e assegurar a conservação de seu acervo, propriedade da nação brasileira. Depois de um desastroso início, em 1998, as obras do aeroporto foram retomadas em 2004, com financiamento do Ministério do Turismo. O Governador do Piauí anunciou que o mesmo será inaugurado em 2005. A área dos dois Parques (Serra da Capivara e da Serra das Confusões) está sofrendo dois graves problemas: assentamentos desordenados e invasões. Justamente uma região onde já foram 12 investidos mais de 20 milhões de dólares para que fosse criado um centro internacional de turismo ecológico e cultural, com capacidade de atrair 3 milhões de turistas/ano. Todo o programa educacional que foi mantido até agora pode não ter servido para nada: os cursos que foram dados para formar guias, pessoal técnico para manutenção das pinturas, para os trabalhos de pesquisa em arqueologia, desde a escavação até a análise em laboratório e preparo de publicações, especialistas em informática, parece ter sido em vão. Dois ministros mostraram sensibilidade para o problema e tomaram atitudes imediatas: o do Turismo, Mares Guia, e o da Cultura, Gilberto Gil: O ministro Walfrido já visitou o parque e até repassou o dinheiro para construção do aeroporto. Ele defendeu o fantástico valor do acervo cultural ali guardado. O ministro Walfrido ligou imediatamente para o governador Welington Dias, do Piauí, para o ministro Rosseto e se propôs a defender o Parque Nacional da Serra da Capivara, o Corredor Ecológico e o Parque da Serra das Confusões. O ministro Gilberto Gil é de parecer que a região não pode ser utilizada para assentamentos. De acordo com o presidente do IPHAN, decidiu que será preparado um pedido ao Presidente Lula para que se crie uma comissão técnica dos quatro ministérios envolvidos para buscar uma saída única e definitiva para a situação. Considerações Finais Diante deste quadro de perspectivas e apontamentos, podemos constatar que, é inegável que nos encontramos em um momento de novos tempos tanto no que diz respeito a novos princípios de gestão do patrimônio, como na aparição de uma série de novos produtos turísticos, motivados por uma mudança nos hábitos de consumo da população, entre os que se destacam é o turismo cultural. Diante deste quadro, é necessário definir novas estratégias de intervenção que permitam estabelecer planejamento comum entre as políticas de proteção, conservação e investigação do patrimônio e sua valorização como recurso turístico, portanto sujeito a uma série delineamentos técnicos de produção que permitam obter bons resultados econômicos em base à exploração racional e sustentável destes recursos. É óbvio que a pujança do turismo pode contribuir ao desenvolvimento e a revitalização de cidades e regiões, mas, às vezes é susceptível de criar pressões sobre o patrimônio que afetem a qualidade de vida de suas comunidades. As políticas e estratégias de turismo cultural devem estar enquadradas na perspectiva de uma “utilização equilibrada e sustentável do patrimônio” reservando as possibilidades de uso deste patrimônio para as gerações futuras. Por outro lado, é necessária a presença e participação de profissionais que, com um amplo conhecimento da problemática do patrimônio cultural em todos seus aspectos (legislação, documentação, catalogação, conservação e restauração, e difusão cultural), sejam capazes de unir 13 patrimônio e turismo dentro do respeito e do princípio de sustentabilidade. Somente uma boa gestão do patrimônio cultural poderá arbitrar soluções eficazes aos muitos problemas que a conservação deste tem em nossos dias. O turismo cultural e a crescente demanda por "consumir" o patrimônio arqueológico e cultural é uma realidade, um feito que não podemos negar nem reverter. Neste contexto histórico, como atores sociais e investigadores da cultura, é necessário ter a responsabilidade de atuar e tomar partido. Participar de maneira direta ou indireta das políticas estatais que fomentam o turismo cultural, reflexionando, discutindo, assessorando e educando sobre a correta utilização dos bens patrimoniais, assumindo uma postura crítica. Referências ALVAREZ, C. y GRANDE, J. Turismo cultural: análisis de la oferta; el producto y su comercialización. In: Grande, J., Coord. Actas del Congreso Europeo sobre Itinerarios Culturales y Rutas Temáticas; 1997 Logroño: Fundación Caja Rioja; 1998: 115-178. AZEVEDO, J. Turismo, cultura e patrimônio. In: CORIOLANO, N.M.T. (org.). Turismo com ética. v.1. Fortaleza: UECE, 1998 BALLART, Josep. El Patrimonio Histórico y Arqueológico: Valor y Uso, Barcelona, Ariel Patrimonio Histórico, 1997. BAPTISTA, A. Martinho. O complexo de gravuras rupestres do Vale da casa (Vila Nova de Foz Côa). Arqueologia. 8, 1993, p. 57-69. BARRE, J. Vendre le Tourisme Culturel. Paris: Económica; 1995. 316 pp. Patrimoine. BARRETO, Margarida. Turismo e legado cultural. 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