UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E
MUCURI – UFVJM
MIRIÃ CRISTINA PEREIRA FAGUNDES
CARACTERIZAÇÃO FENOLÓGICA E PRODUTIVA DE
CULTIVARES DE AMOREIRA-PRETA
DIAMANTINA - MG
2014
MIRIÃ CRISTINA PEREIRA FAGUNDES
CARACTERIZAÇÃO FENOLÓGICA E PRODUTIVA DE
CULTIVARES DE AMOREIRA-PRETA
Dissertação apresentada ao Curso de PósGraduação Stricto Sensu em Produção Vegetal da
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha
e Mucuri, como parte das exigências do Programa
de Pós-Graduação em Produção Vegetal, área de
concentração Produção Vegetal, para a obtenção
do título de “Mestre”.
Orientadora: Profa. Dra. Maria do Céu Monteiro Cruz
DIAMANTINA - MG
2014
Ficha Catalográfica – Serviço de Bibliotecas/UFVJM
Bibliotecária Nathália Machado Laponez Maia – CRB6/3002
F156c
2014
Fagundes, Miriã Cristina Pereira.
Caracterização fenológica e produtiva de cultivares de
amoreira-preta / Miriã Cristina Pereira Fagundes. – 2014
71 p.: il.
Orientadora: Profa. Dra. Maria do Céu Monteiro Cruz.
Dissertação (Mestrado - Programa de Pós-Graduação em
Produção Vegetal) – Faculdade de Ciências Agrárias,
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri,
Diamantina, MG, 2014.
1. Rubus 2. Fenologia. 3. Exigência térmica. 4. Pequenas
frutas. 5. Produtividade. I. Cruz, Maria do Céu Monteiro.
II. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
III. Título.
CDD 634.38
Elaborada com dados fornecidos pela autora.
CARACTERIZAÇÃO FENOLÓGICA E PRODUTIVA DE
CULTIVARES DE AMOREIRA-PRETA
MIRIÃ CRISTINA PEREIRA FAGUNDES
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Produção Vegetal,
nível de Mestrado, como parte dos
requisitos para obtenção do título de
Mestre.
APROVADA EM 11 / 03 / 2014
Pesq. Dr. Emerson Dias Gonçalves - FEMF/EPAMIG
Profa. Dra. Lílian de Araújo Pantoja - PPGBIOCOMB/UFVJM
Profa. Dra. Maria José Hatem de Souza - PPGCF/UFVJM
Profa. Dra. Maria do Céu Monteiro Cruz – PPGPV/UFVJM
Presidente
DIAMANTINA - MG
2014
OFEREÇO
Ao Senhor meu Deus, sempre
presente na minha vida e me
guiando pelos caminhos mais
diversos.
DEDICO
À minha mãe, fonte de minha inspiração
e exemplo de vida. Aos meus familiares,
em especial minha irmã Sirlene e meu
avô Marcelino (in memoriam).
Toda manhã, na África, a gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais
rápido que o mais rápido dos leões para sobreviver. Toda manhã um leão
acorda. Ele sabe que precisa correr mais rápido que a mais lenta das gazelas
senão morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando
o sol nascer, comece a correr.
(Provérbio Africano)
AGRADECIMENTOS
A Deus, fonte de vida e sabedoria.
Aos meus pais e familiares, em especial à minha mãe, principal promotora da consolidação
deste sonho.
À minha avó e ao meu avô, por terem plantado a primeira sementinha que daria origem ao
meu interesse pelo curso de Agronomia.
À Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), pela minha
formação em nível de graduação e mestrado, em especial a todo o corpo docente e todos
aqueles que fazem parte do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal.
À Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela concessão
de bolsa de estudos.
À professora Dra. Maria do Céu Monteiro Cruz, pelo exemplo de professora no qual me
espelho para seguir minha vida profissional, me orientando nessa longa trajetória de
graduação e mestrado, sempre com a mesma paciência, confiança e amizade.
À professora Dra. Maria José Hatem de Souza, por ter processado os dados meteorológicos e
pela elaboração e o fornecimento das planilhas básicas para os cálculos do número de horas
de frio, do acúmulo de graus dias e das demais variáveis climáticas utilizadas neste estudo.
À professora Dra. Lílian de Araújo Pantoja e ao pesquisador Dr. Emerson Dias Gonçalves,
por terem aceitado o convite de participar da banca de defesa de dissertação, contribuindo
para o enriquecimento deste trabalho.
Aos técnicos de laboratório, em especial ao Abraão Viana, que ajudou, sempre que
necessário.
A todos os integrantes e responsáveis do Laboratório de Bioprocessos e Biotransformação
(LBBio) e do Laboratório de Microvinificação e Qualidade de Bebidas (LabVin). Em
especial, ao professor Dr. Alexandre Soares dos Santos, pelas dúvidas sanadas e ao Philipe
Brito, verdadeiro anjo da guarda na execução das análises de qualidade das frutas.
Ao Grupo de Estudos em Fruticultura (GEFRUT), pela colaboração na execução do trabalho
árduo, pelas risadas e pelo companheirismo em todos os momentos.
A todos os meus amigos e companheiros que fizeram parte desta jornada, os quais não seria
possível nomear a todos sem correr o risco de esquecer alguém.
Por fim, agradeço à Diamantina, cidade que me acolheu durante os seis anos e da qual me
tornei cidadã de coração.
i
RESUMO
Fagundes, M. C P. Caracterização fenológica e produtiva de cultivares de amoreirapreta. 2014. 71p. (Dissertação - Mestrado em Produção Vegetal) – Universidade Federal dos
Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2014.
A temperatura é considerada o elemento climático mais importante para a produção da
amoreira-preta (Rubus sp.). Em Diamantina, no Alto Vale do Jequitinhonha, em função de sua
altitude, ocorrem baixas temperaturas durante o inverno, o que pode viabilizar o cultivo da
amoreira-preta com boas expectativas econômicas. Entretanto, o estudo fenológico é
fundamental para a identificação de cultivares adaptadas às novas regiões de cultivo. Diante
disso, a pesquisa foi realizada com o objetivo de avaliar o comportamento fenológico e
produtivo de cultivares de amoreira-preta em Diamantina, MG. As mudas foram plantadas no
Setor de Fruticultura do Campus Juscelino Kubitschek, UFVJM, localizado a 1.384 m de
altitude. O clima da região é do tipo Cwb, temperado úmido, com inverno seco e o período
chuvoso compreendido de outubro a março, com precipitação anual de 1.404 mm e
temperatura média do mês mais quente inferior a 20,1 ºC. O tipo de solo da área de cultivo é o
Neossolo Quartzarênico Órtico Típico. O trabalho foi conduzido em blocos ao acaso, com
quatro cultivares de amoreira-preta, ‘Brazos’, ‘Guarani’, ‘Tupy’ e ‘Xavante’, cinco blocos e
cinco plantas por unidade experimental. A caracterização fenológica foi realizada nas
cultivares de amoreira-preta por meio de observações visuais para determinar o início da
floração, da formação e do amadurecimento das frutas, duração do período de florescimento e
colheita. Para a caracterização da exigência térmica, foi calculado o número de horas de frio
acumuladas inferiores a 13 °C, 10 °C e 7,2°C, antes da fase de emissão de gemas e durante
cada estádio, a partir dos dados horários de temperatura coletados pela estação automática
instalada no Campus Juscelino Kubitschek, em Diamantina, MG. Os graus-dia acumulados,
nas diversas fases fenológicas, foram determinados a partir da diferença entre a temperatura
média diária e a temperatura basal inferior, que foi considerada como 10 °C. A qualidade e a
produção das amoras foram avaliadas a partir das características físico-químicas, da
composição centesimal, da atividade antioxidante, da massa das frutas colhidas por planta e
da produtividade por hectare. As cultivares de amoreira-preta apresentaram boa adaptação às
condições climáticas de Diamantina, MG. A ocorrência de frio com temperaturas acima de
7,2 °C foi suficiente para a produção das cultivares de amoreira-preta Brazos, Guarani, Tupy
e Xavante no Alto Vale do Jequitinhonha. A cultivar Brazos apresentou comportamento
precoce, com a antecipação da fase produtiva. O ciclo produtivo das cultivares de amoreirapreta, nas condições de climáticas de Diamantina, foi prolongado. Essas condições climáticas
proporcionaram produção satisfatória para a cultivar Brazos, no seu segundo ciclo produtivo.
A qualidade das amoras produzidas em Diamantina foi mantida, com variações condizentes
com as alterações climáticas da região. A qualidade das amoras é melhor quando colhidas na
época seca, com baixa incidência de chuvas e alta radiação solar.
ii
ABSTRACT
Fagundes, M. C. P. Phenological and productive characterization of blackberry cultivars
2014. 71p. Dissertation (Masters in Vegetable Production) – Universidade Federal dos Vales
do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2014.
Temperature is considered the climatic element most important for the production of
blackberry (Rubus sp.). Diamantina, in the Alto Vale do Jequitinhonha, due to its altitude,
shows the occurrence of low temperatures during winter, which may enable the cultivation of
the blackberry with good economic expectations. However, the phenological study is essential
for the identification of cultivars adapted to new growing regions. Therefore, the research was
carried out to evaluate the phenological and productive behavior of blackberry cultivars in
Diamantina, Minas Gerais. The nursery blackberry were planted in the Fruitculture Sector of
Campus Juscelino Kubitschek, UFVJM, located at 1,384 m altitude. The climate is the type
Cwb, temperate humid with dry winter and rainy season from October to March, with annual
precipitation of 1,404 mm and mean temperature of warmest month lower to 20,1ºC. The soil
type of the crop area is Quartzarenic Neosol. The study was conducted in a randomized block
design with four blackberry cultivars Brazos, Guarani, Tupy and Xavante, with five blocks
and five plants per experimental unit. The phenological characterization was carried in
blackberry cultivars through visual observations to determine the beginning of flowering,
formation and ripening fruits, length of the period flowering and harvest. To characterize the
thermal demand was calculated the number of chilling hours accumulated less than 13 °C, 10
°C and 7,2 °C before the stage of issuance of gems and during each stage from hours
temperature data collected by automatic station installed in Campus Juscelino Kubitschek,
Diamantina, MG. The degree-days in the different phenological phases were determined from
the difference between the daily average temperature and lower basal temperature, which was
taken as 10 °C. The quality and production of blackberries were evaluated from the physicochemical characteristics, centesimal composition, antioxidant activity, the fruit mass
harvested per plant and the productivity per hectare. The cultivars of blackberry showed good
adaptation to climatic conditions Diamantina, MG. The cold occurrence with temperatures
above 7.2 °C was enough to production of blackberry cultivars Brazos, Guarani, Tupy e
Xavante in Alto Vale do Jequitinhonha. The cultivar Brazos showed precocious behavior,
with the anticipation of the production phase. The productive cycle of blackberry cultivars in
the conditions of climate Diamantina was prolonged. These climatic conditions provided
satisfactory production to cultivate Brazos in its second productive cycle. The blackberry
quality produced in Diamantina were maintained, with variations consistent to climate change
in the region. The blackberry quality is best when harvested in the dry season with low
rainfall and high solar radiation.
iii
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Hábito de crescimento ereto (A), semi-ereto (B) e prostrado ou rasteiro
(C) de amoreiras.......................................................................................... 06
Figura 2. Plantio das cultivares de amoreira-preta: (A) condução das plantas até a
espaldeira (B), desponte das hastes principais a 15 cm da espladeira (C),
planta em fase de floração (D), planta em fase de frutificação (E) e amoras
com a coloração preta, na época de colheita, em Diamantina,
MG............................................................................................................... 22
Figura 3
Figura 4
Figura 5
Relação do teor de glicose e absorbância, a 540 nm, para a determinação
do fator de correlação para calcular os teores de açúcares
redutores......................................................................................................
24
Relação do ácido gálico e a absorbância a 750 nm para de determinação
do
fator
de
correlação
para
calcular
os
compostos
fenólicos.......................................................................................................
25
Velocidade média do vento durante o cultivo das amoreiras em
Diamantina, MG, Campus JK, UFVJM.......................................................
32
Figura 6
Duração, em dias e acúmulo, em graus-dias, dos estágios fenológicos na
cultivar Brazos. Emissão de botões florais (EB); abertura da flor (AF);
formação do fruto (FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes
produtivas para o ano seguinte (ENH), período de floração e período de
colheita (PC), em Diamantina, MG, safra 2012/2013 e
2013/14........................................................................................................ 33
Figura 7
Duração, em dias e acúmulo, em graus-dia dos estágios fenológicos na
cultivar Guarani. Emissão de botões florais (EB); Abertura da flor (AF);
formação do fruto (FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes
(ENH), período de floração e período de colheita (PC), em Diamantina,
MG, safra 2013/2014...................................................................................
35
Duração, em dias e acúmulo, em graus-dia dos estágios fenológicos na
cultivar Tupy. Emissão de botões florais (EB); Abertura da flor (AF);
formação do fruto (FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes
(ENH), período de floração e período de colheita (PC) em Diamantina,
MG, safra 2013/2014...................................................................................
36
Duração, em dias e acúmulo, em graus-dia dos estágios fenológicos na
cultivar Xavante. Emissão de botões florais (EB); Abertura da flor (AF);
formação do fruto (FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes
produtivas para o ano seguinte (ENH), período de floração e período de
colheita (PC) em Diamantina, MG, safra 2013/2014...................................
37
Figura 8
Figura 9
iv
Figura 10 Médias mensais das temperaturas: média (T. média), máxima (T.
máxima), mínima (T. mínima), amplitude térmica (AT) e precipitação
mensal acumulada, durante o cultivo das amoreiras, em Diamantina, MG,
Campus JK, UFVJM....................................................................................
Figura11
Média de radiação solar global mensal durante o cultivo das amoreiras
em Diamantina, MG, Campus JK, UFVJM.................................................
36
50
v
LISTA DE TABELAS
Tabela 1
Tabela 2.
Tabela 3
Tabela 4
Tabela 5
Tabela 6
Análise química do solo da área experimental na profundidade de 0 a 20 e
21 a 40 cm, realizada pelo Laboratório de Fertilidade do Solo da
UFVJM.........................................................................................................
18
Número de hastes (NH), comprimento de hastes (CP), diâmetro das hastes
(mm) (DH) e número de perfilhos (NP) de diferentes cultivares de
amoreira-preta em Diamantina, MG............................................................
31
Época de floração e frutificação de diferentes cultivares de amoreira-preta
nos ciclos produtivos 2012/13 e 2013/14, em Diamantina,
MG...............................................................................................................
34
Acúmulo de horas de frio com temperatura inferior a 13 °C, 10 °C e 7,2
°C, durante os ciclos 2012/2013 e 2013/2014, para cada estádio
fenológico de diferentes cultivares de amoreira-preta, em Diamantina,
MG................................................................................................................
40
Número de frutas por planta, massa das frutas, produção por planta e
produtividade por hectare, nos ciclos produtivos 2012/13 e 2013/14, de
diferentes
cultivares
de
amoreira-preta,
em
Diamantina,
MG................................................................................................................
42
Diâmetro longitudinal, diâmetro transversal e pH em frutas de diferentes
cultivares de amoreira-preta, em Diamantina, MG.......................................
Tabela 7
Tabela 8
Tabela 9
Tabela 10
Tabela 11
44
Acidez titulável (AT), teores de sólidos solúveis (SS), ratio e açúcares
redutores (AR) em frutas de diferentes cultivares de amoreira-preta, em
Diamantina, MG............................................................................................
45
Compostos fenólicos totais e antocianinas em frutas de diferentes
cultivares
de
amoreira-preta,
em
Diamantina,
MG.................................................................................................................
46
Teores de umidade, cinzas, proteínas, lipídeos, fibra bruta e carboidratos
em frutas de diferentes cultivares de amoreira-preta, em Diamantina,
MG...............................................................................................................
47
Diâmetro longitudinal (DL), diâmetro transversal (DT) e massa, avaliados
em amoras da cultivar ‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas, em
Diamantina, MG...........................................................................................
49
Potencial hidrogeniônico (pH), teor de sólidos solúveis (SS), acidez
titulável (AT), ratio e açúcares redutores (AR) em amoras da cultivar
‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas, em Diamantina,
MG.................................................................................................................
50
vi
Tabela 12
Tabela 13
Compostos fenólicos totais (CFT) e antocianinas (ANT) avaliados em
amoras da cultivar ‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas, em
Diamantina, MG...........................................................................................
51
Atividade antioxidante pelo método DPPH e FRAP em frutas de
diferentes
cultivares
de
amoreira-preta,
em
Diamantina,
MG...............................................................................................................
52
SUMÁRIO
RESUMO......................................................................................................................
i
ABSTRACT..................................................................................................................
ii
LISTA DE FIGURAS...................................................................................................
iii
LISTA DE TABELAS..................................................................................................
v
INTRODUÇÃO............................................................................................................
01
2 REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................
03
2.1 Origem e cultivo da amoreira-preta.....................................................................
03
2.2. Caracterização botânica.....................................................................................
04
2.3 Escolha de cultivares...........................................................................................
05
2.4 Exigência climática.............................................................................................
09
2.5 Comportamento fenológico................................................................................
10
2.6 Fatores que influenciam nas características nutracêuticas e na qualidade.........
12
3 MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................................
17
3.1 Local de instalação e condução da unidade experimental..................................
17
3.2 Cultivo................................................................................................................
18
3.3 Avaliações..........................................................................................................
19
3.3.1 Crescimento................................................................................................
19
3.3.2 Caracterização fenológica..........................................................................
21
3.3.3 Produtividade..............................................................................................
21
3.3.4 Qualidade das frutas...................................................................................
22
3.4 Análise estatística...............................................................................................
30
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...............................................................................
30
4.1 Crescimento vegetativo das cultivares...............................................................
30
4.2 Caracterização fenológica..................................................................................
33
4.3 Produtividade......................................................................................................
41
4.4 Qualidade das frutas...........................................................................................
44
5 CONCLUSÃO...........................................................................................................
53
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................
54
ANEXOS.......................................................................................................................
66
1
1 INTRODUÇÃO
A amoreira-preta (Rubus sp.) é uma espécie frutífera de clima temperado que é
adaptada a regiões de clima frio no inverno (CLARK et al., 2007).
No Brasil, o cultivo de pequenas frutas tem despertado a atenção de produtores,
comerciantes e consumidores, com destaque para a amoreira-preta, devido à sua boa
produtividade, à facilidade de manejo, à rusticidade e a pouca utilização de defensivos
agrícolas (ANTUNES, 2002). Além disso, a amoreira apresenta boas perspectivas, por
apresentar baixo custo de implantação e retorno econômico rápido.
Além das vantagens relacionadas ao manejo, a amoreira-preta tem se destacado devido
ao fato de sua fruta ser apontada como um alimento funcional, graças às elevadas
concentrações de compostos fenólicos e de carotenoides, podendo prevenir contra doenças
degenerativas (FERREIRA et al., 2010; JACQUES et al., 2010).
Dentre as várias características dessa cultura, também merecem destaque as
antocianinas, pigmentos naturais importantes pelos efeitos benéficos à saúde associados a
suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e a atividade quimio-preventiva e
biológica contra cânceres do esófago, cólon e oral (TULIO JR et al., 2008).
A amora apresenta, ainda, quantidades expressivas de vitaminas A, B e cálcio (TATE
et al., 2006). É rica em pectina, um carboidrato que tem função estrutural, mas com
características análogas aos não estruturais (WASCHECK et al., 2008), que auxilia na
redução do colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares e circulatórias (STOCLET
et al., 2004) e também auxilia na prevenção de diabetes e do mal de Alzheimer (TATE et al.,
2006).
Além da elevada quantidade de vitaminas e cálcio, há quantidades expressivas de
ácido elágico (C14H6O8). Esse ácido tem mostrado propriedades inibidoras contra replicação
do vírus HIV causador da AIDS, além de ser um potente inibidor da indução química do
câncer (MAAS et al.,1991).
Devido a todas essas características, o interesse pelo consumo da fruta aumentou,
fazendo-se necessária a expansão da área cultivada no Brasil, que hoje se concentra,
principalmente, no estado do Rio Grande do Sul, que é o principal produtor da fruta, tendo
alguns cultivos pontuais em São Paulo e no sul de Minas Gerais. Este cenário evidencia a
necessidade de informações sobre o cultivo em novas regiões, para que a produção consiga
suprir a demanda do mercado nacional.
2
O sucesso do cultivo em regiões subtropicais, dotadas de pouco frio hibernal, em
alguns municípios da serra da Mantiqueira e do sul de Minas Gerais, indica as boas
perspectivas para o crescimento da área cultivada com a amoreira-preta (ANTUNES et al.,
2000b; BOTELHO et al., 2009). Entretanto, informações sobre o comportamento fenológico e
produtivo em regiões com menor ocorrência de frio são fundamentais para a introdução de
cultivares, bem como a adequação de práticas de manejo e para a expansão de áreas de cultivo
com a amoreira-preta no Brasil.
A introdução do cultivo da amoreira-preta na região de Diamantina, no alto Vale do
Jequitinhonha, pode ser favorecida pela altitude, que possibilita a ocorrência de baixas
temperaturas durante o inverno. Isso representa nova alternativa de renda para os pequenos
produtores da região, visto que a fruticultura é uma fonte geradora de divisas para o produtor
e para a região onde a atividade é introduzida, pois requer muita mão de obra, devido às
diversas práticas culturais que são realizadas para a sua produção.
Com esse perfil, as pequenas frutas, a exemplo da amoreira-preta, surgem como opção
para a diversificação da atividade agrícola na região do Alto Vale Jequitinhonha. Diante do
exposto, a pesquisa foi realizada com o objetivo de avaliar o comportamento fenológico e
produtivo de diferentes cultivares de amoreira em Diamantina, Minas Gerais.
3
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Origem e cultivo da amoreira-preta
A amoreira-preta é nativa do Continente Asiático, da Europa e das Américas do Norte
e do Sul, sendo adaptada a regiões com o clima frio no inverno (JENNINGS, 1988; MOORE,
1984). Seu cultivo comercial teve início no século XVII, na Europa e sua exportação
comercial teve início entre 1850 e 1860, nos Estados Unidos, (SANTOS et al., 1997). Os
primeiros cultivos nos Estados Unidos da América ocorreram a partir da segunda metade do
século XIX, onde a fruta é conhecida como “blackberry”.
Os dados de produção apontam que o aumento no cultivo da amoreira-preta, em
âmbito mundial, foi de 45%, nos últimos 10 anos, sendo a projeção, para 2015, de 27.932
hectares cultivados (STRIK et al.,2007), indicando a expansão, em relação à área atual, de
20.035 ha.
No Brasil, apesar de existirem espécies nativas do gênero Rubus, a pesquisa com
amoreira-preta só teve início em 1972, no Centro de Pesquisa da Embrapa Clima Temperado,
localizada em Pelotas, RS. No entanto, somente em 1974 foi implantada a primeira coleção na
cidade de Canguçu, RS (RASEIRA et al., 1984; ATTILIO et al., 2009).
Na última década, a produção apresentou aumento em decorrência de variedades
melhoradas, plantas que apresentam melhor adaptação, que produzem frutas com melhor
qualidade e com maior tempo de conservação, além do aumento da tecnologia no manejo e
maior interesse pela fruta, em virtude dos seus benefícios à saúde (CLARK, 2006).
Apesar dos fatores que têm contribuído para o aumento no cultivo da amoreira-preta, o
registro de área plantada no Brasil, em 2007, somava apenas 250 hectares, sendo cultivada
principalmente a ‘Tupy’, com produção de 780 toneladas, das quais cerca de 15% foram
exportadas e a maior parte processada, sendo destinada para o consumo no mercado interno.
Cerca de dois terços da produção são destinados ao processamento para a produção de polpas,
geleificados, doces e sucos naturais, enquanto somente um terço é designado para o consumo
ao natural (STRIK et al., 2007).
A produção ainda é insuficiente para atender à demanda do mercado nacional, fazendo
com que as importações aumentem em grande escala. No país, o principal produtor é o estado
do Rio Grande do Sul, onde metade da plantação está localizada no município de Vacaria
(PAGOT, 2006) que, junto com o município de Feliz, atinge 70% da área cultivada.
4
Além do Rio Grande do Sul, outros estados com potenciais edafoclimáticos estão
produzindo a amora-preta em menores proporções, a exemplo de Minas Gerais, em Planalto de
Poços de Caldas, na região da serra da Mantiqueira (GONÇALVES et al., 2011), além de Santa
Catarina e Paraná (PAGOT, 2006).
O levantamento atualizado de informações referentes à produção de amoreira no Brasil
é dificil, pois os dados relacionados à produção e às áreas cultivadas com a fruta ainda não
aparecem nas estatísticas. As informações existentes são fornecidas por pesquisadores que
trabalham com o cultivo da amoreira, possivelmente pelo fato de ser uma atividade recente e
pouco conhecida pela maioria dos produtores. Dados mais recentes apontam o crescimento da
área plantada no Brasil, destacando, no estado de São Paulo, o cultivo de 213,47 hectares, na
safra 2007/08, que tem no município de Tarumã a maior área plantada, com 24,2 hectares,
seguido pelos municípios de Duartina, com 21,2 hectares, Itatinga e Pariqueraçu, com
aproximadamente 20,0 hectares plantadas (CATI, 2013).
O aumento da área cultivada tem contribuído para o crescimento da produção de frutas
de clima temperado no Brasil. Atualmente, estas espécies estão distribuídas em 11 dos 26
estados brasileiros. O Rio Grande do Sul ocupa o primeiro lugar, com 49,3% do total
produzido no país, seguido de Santa Catarina (23,2%), São Paulo (10,3%), Paraná (6,2%),
Pernambuco (5,3%), Bahia (3,0%) e Minas Gerais (1,8%) (FACHINELLO et al., 2011).
Dentre as espécies de clima temperado, a amoreira-preta vem se destacando, nos últimos
anos, pelo seu potencial para comercialização e industrialização (HIRSCH et al., 2012).
2.2 Caracterização botânica
A amoreira-preta pertence à família Rosaceae e ao gênero Rubus, que tem número
básico de cromossomos igual a 7 (ANTUNES, 2002). O gênero contém 12 subgêneros, sendo
dois de maior importância econômica, Idaeobatus e Eubatus (SHOEMAKER, 1978). A
amoreira se encontra dentro do subgênero Eubatus, que constitui um grupo variado e
complexo de plantas (MOORE, 1984; POLING, 1996).
As plantas são arbustivas, suas hastes podem ter espinhos ou não, sendo este último
um caráter genético recessivo. Estas hastes necessitam de um período de repouso antes da
frutificação (RASEIRA et al., 2007). Há grande diversidade quanto ao hábito de crescimento,
variando entre decumbente, semiereto e ereto (RASEIRA et al., 2004).
As principais variedades comerciais têm os ramos dotados de espinhos, o que exige
grande atenção do colhedor em relação à sua integridade física e para manter a qualidade das
5
frutas. A densidade de espinho que compõe uma planta de amoreira-preta varia de acordo com
a cultivar, sendo algumas desprovidas de espinhos (ANTUNES; RASEIRA, 2004; ELLIS et
al., 1991)
As amoreiras produzem em ramos de um ano; após a produção, essas hastes
produtivas secam e devem ser eliminadas. Durante a produção, enquanto algumas hastes estão
em plena produção, há o surgimento de novas hastes, que serão responsáveis pela produção
do próximo ano (SHOEMAKER, 1978; FACHINELLO et al., 1994).
As folhas das amoreiras são compostas de folíolos cartáceos, glabrescentes em cima e
com pelos esparsos embaixo, com 4 a 7 cm de comprimento. Geralmente, durante o inverno,
as folhas caem e, por isso, a planta de amoreira é classificada como caducifólia, mas, em
lugares com frio mais ameno, nem sempre se observa essa característica. As flores andrógenas
são solitárias, axilares, formadas na primavera, têm cinco sépalas e cinco pétalas e numerosos
estames e carpelos dispostos ao redor de um receptáculo, geralmente de forma cônica
(ANTUNES; RASEIRA, 2004). Essas flores apresentam coloração comumente branca e rosa
(CLARK; FINN, 2011; RASEIRA; FRANZON, 2012).
Em geral, as variedades comerciais de amoreira são autopolinizáveis, embora ocorra
um percentual de flores com fecundação cruzada, necessitando de insetos para a polinização
(PAGOT et al., 2007). Quando ocorre a polinização cruzada, o rendimento e a qualidade
tendem a melhorar (DICKERSON, 2000).
O fruto verdadeiro da amoreira é denominado de minidrupa ou drupete, no qual existe
uma pequena semente e a junção das minidrupas forma a fruta classificada como agregada, de
coloração escura e sabor ácido a doce-ácido (POLING, 1996).
2.3 Escolha de cultivares
Na América do Norte, o interesse pela domesticação da amoreira-preta começou com
o lançamento de três cultivares, ‘Lawton’, ‘Dorchester’ e ‘Texas Early’ que, selecionadas de
material selvagem em 1830 e introduzidas em 1850, contribuíram para o desenvolvimento de
seleções e cultivares de amoreira-preta (POLING, 1996; MOORE, 1986).
No Brasil, o melhoramento genético em amoreira-preta foi iniciado em 1975, pela
Embrapa Clima Temperado, com o plantio de sementes produzidas por mais de cinquenta
cruzamentos efetuados na Universidade de Arkansas, que originaram mais de 12.000 mudas e
que deram origem às primeiras cultivares brasileiras, como a ‘Ébano’, em 1981 (BASSOLS;
MOORE, 1981) e a ‘Negrita’, em 1983 (RASEIRA et al., 1992).
6
Em 1988 foram lançadas a ‘Tupy’ e a ‘Guarani’ (SANTOS; RASEIRA, 1988); em
1992, a ‘Caingangue’ (RASEIRA et al., 1992) e, em 2004, a ‘Xavante’. Os objetivos do
melhoramento genético foram obter maior produtividade, melhor qualidade de frutos, plantas
sem espinho, além de cultivares com menor exigência de horas de frio e mais eretas.
Normalmente, as cultivares de amoreira-preta são agrupadas de acordo com o hábito
de crescimento de suas hastes, sendo classificadas em três tipos, de acordo com a Figura 1, em
eretas, semieretas e prostradas ou rasteiras (CLARK, 2006).
(A)
(B)
(C)
Figura 1. Hábito de crescimento ereto (A), semiereto (B) e prostrado ou rasteiro (C) de
amoreiras. Fonte: Fernandez e Ballington (1999).
As cultivares rasteiras e semieretas têm pouca produção de brotos de raiz e,
normalmente, produzem novas hastes de brotações da coroa. Já as cultivares eretas têm
grande capacidade para formar brotações vegetativas das raízes e prontamente produzem
hastes novas de raízes e coroas (FERNANDEZ; BALLINGTON, 1999).
Algumas cultivares de amoreira-preta, como ‘Tupy’, ‘Guarani’, ‘Brazos’, ‘Ébano’ e
‘Xavante’, entre outras, já foram testadas e adaptadas às condições do Sul do Brasil
(RASEIRA et al., 2007). A seguir serão feitas abordagens relacionadas às carcterísticas das
cultivares Brazos, Guarani, Tupy e Xavante, alvo de estudo desta pesquisa, as quais foram
escolhidas por apresentarem baixa exigência em frio.
2.3.1 ‘Brazos’
A cultivar Brazos é considerada precoce, com hastes semieretas e espinhos, e
originou-se no Texas, lançada pela Universidade do Texas (Texa A&M University), em 1959.
Ela resultou de uma seleção de segunda geração, proveniente do cruzamento entre as
cultivares Lawton e Nessberry.
A ‘Brazos’ é resistente a baixas temperaturas, suportando em torno de -17 °C
(ANTUNES; RASEIRA, 2004). No primeiro ano, pode alcançar a produtividade de 16 t ha-1
e, no segundo ano, 25 t ha-1 (GONÇALVES et al., 2011). Produtividade de 25 toneladas foi
7
observada na região sul de Minas Gerais, onde cada planta chegou a produzir 5,3 kg
(ANTUNES et al., 2000b).
Trabalhos de cultivos conduzidos em outros locais envidenciam esta cultivar tem
potencial, porém, pode variar em função das condições climaticas da região e do sistema de
manejo. Em Lavras, MG, alcançou a produtividade de 20 t ha-1 no segundo ano após o plantio
(CURI, 2012) e, em condições de clima subtropical úmido, em Pelotas, RS, no sistema
agroecológico, a média de produtividade de três anos de cultivo foi de 2,8 t ha-1 (ANTUNES
et al., 2010).
As frutas desta cultivar apresentam coloração preta, com massa em torno de 6 a 7 g, de
consistência firme, com sabor doce ácido e adstringente, sobressaindo a acidez e um pouco de
adstringência. Devido ao sabor mais ácido, é recomendada para o processamento. O teor de
sólidos solúveis é, em geral, entre 8,0 e 8,5 ºBrix (RASEIRA; FRANZON, 2012), com
período de colheita em início de novembro.
Dentre as cultivares de origem norte-americana, a 'Brazos' é a cultivar mais adaptada
às condições brasileiras, apresentado boa produção em regiões com a ocorrência de 200 horas
de frio, a 7,2 °C.
2.3.2 ‘Guarani’
A cultivar Guarani teve origem nos Estados Unidos da América, mas foi no Brasil que
ela foi selecionada a partir de um cruzamento realizado nos EUA (Arkansas), entre as
cultivares Lawton x (Darrow x Brazos) x (Shaffer Tree x Brazos), sob o número 799-8.
Enquadra-se no grupo de plantas de porte semiereto, vigorosas e com espinhos.
Produz frutas de coloração preta, com massa média em torno de 5 g, firmes, película
resistente e aroma ativo. As frutas são de sabor doce-ácido, sendo um pouco mais ácido que
doce. O teor de sólidos solúveis varia de 8 a 10 °Brix (ANTUNES; RASEIRA, 2004). As
frutas têm dupla finalidade, ou seja, é recomendado para o consumo ao natural e para a
industrialização (SANTOS; RASEIRA, 1988). É considerada de maturação precoce. No Rio
Grande do Sul, o florescimento ocorre no final de agosto e durante todo o mês de setembro
ou, em alguns anos, de setembro ao início de outubro, sendo a colheita em novembro,
necessitando em torno de 300 horas de frio, com temperaturas de 7,2 °C, para a produção.
No primeiro ano após o plantio, a produtividade pode chegar 12 t ha-1, aumentando
para 22 t ha-1 no segundo ano (GONÇALVES et al., 2011). Em regiões de clima subtropical
úmido, a produção tem variado de 2,7 a 15,1 t ha-1 (CAMPAGNOLO, 2012) e de 7,5 a 16,9 t
8
ha-1, em região de clima tropical de altitude (CURI, 2012), do primeiro para o segundo ano de
cultivo.
2.3.3 ‘Tupy’
Atualmente, ‘Tupy’ é a cultivar mais plantada no Brasil, além de ocupar uma posição
de destaque no México, onde é produzida, principalmente, para exportação para os Estados
Unidos. A cultivar é resultante de um cruzamento, realizado em 1982, entre as cultivares
Uruguai e a Comanche e apresenta como características hastes eretas, vigorosas e com
espinhos.
Na região de Pelotas, RS, o florescimento ocorre em meados de setembro a outubro,
com colheita no mês de novembro ao início de janeiro. Tem perfilhamento médio, as frutas
têm 8 a 10 g de massa, sabor equilibrado (acidez/açúcar), com teor de sólidos solúveis entre 8
e 9 °Brix. Devido ao sabor equilibrado e ao fato de apresentar baixa acidez, é recomendada
para o consumo ao natural (SANTOS; RASEIRA, 1988).
É considerada uma cultivar com baixa necessidade de frio, 200 horas para produção
satisfatória (ANTUNES; RASEIRA, 2004). Em relação à produtividade, a 'Tupy' tem
apresentado, no primeiro ano, 8 t ha-1 e 17 t ha-1, no segundo pós-plantio (GONÇALVES et
al., 2011). Em regiões de clima tropical de altitude no Brasil, a cultivar alcançou
produtividades de 9,0 e 13,8 t ha-1, no primeiro e no segundo ano após o plantio (CURI,
2012); sob condições de clima subtropical, em Pelotas, RS, de 9,7 t ha-1 (PEREIRA, 2008) e,
em Marechal Cândido Rondon, PR, de 0,9 e 10,6 t ha-1 (CAMPAGNOLO, 2012) .
2.3.4 ‘Xavante’
A cultivar Xavante foi lançada em 2004, pela Embrapa Clima Temperado, em
conjunto com a Universidade de Arkansas. Tem como características a ausência de espinhos e
hastes vigorosas e eretas (ANTUNES; RASEIRA, 2004).
A cultivar é resultante da segunda geração do cruzamento entre as seleções A. 1620 e
A. 1507. Na região de Pelotas, RS, a cultivar floresce em setembro, estendendo-se até
outubro, e as frutas apresentam maturação precoce (RASEIRA, et al., 2007). Tem baixa
necessidade em frio, em torno de 200 horas. As frutas têm forma alongada, com massa média
de 6 g e sabor doce-ácido (ANTUNES; RASEIRA, 2004).
A produtividade é variável em função da região de cultivo e da idade do pomar. Na
região sul, as produtividades variaram de 0,3 t ha-1, no primeiro ano a 3,5 t ha-1, no terceiro
9
ano (FINKENAUER, 2010) e, no sudeste, de 1,4 t ha-1 a 3,0 t ha-1 (CURI, 2012), podendo
alcançar 5,9 t ha-1, logo no primeiro ano de cultivo (PEREIRA, 2008).
As diferenças apresentadas pelas cultivares podem ser devido a fatores intrínsecos
relacionados à própria adaptação, como a exigência em frio e as variações climáticas locais
ou, ainda, pela densidade de plantio empregada (RASEIRA et al., 2007). A produtividade da
amoreira-preta sob condições adequadas pode alcançar a produção de 5,0; 7,5; 12,0 t ha-1,
para o primeiro, o segundo e o terceiro ano, respectivamente, assim como tem se observado
nas regiões de clima temperado (SANTOS et al., 1997).
2.4 Exigências climáticas
A amoreira-preta é uma espécie originária de regiões de clima ameno, portanto, o
sucesso do seu cultivo está relacionado aos elementos climáticos, principalmente a
temperatura, que exerce papel-chave para a produção da planta. Entretanto, cada cultivar
apresenta peculiaridade quanto à necessidade térmica, podendo ocorrer diferenças do
desempenho produtivo nas diversas regiões de cultivo.
A ocorrência de baixas temperaturas é importante, pois, para a amoreira, o frio é
necessário no período que antecede a floração, para que haja a quebra de dormência das
gemas e boa brotação, mas, se as baixas temperaturas ocorrerem fora desta fase, pode ocorrer
danos às gemas, às flores e aos frutos (WREGE; HERTER, 2004).
Cada cultivar necessita de um número variável de horas de frio acumuladas com
temperaturas abaixo de 7,2 °C e, caso essa exigência não seja atendida, a produção pode ser
inviável. Isto varia em função da espécie, da cultivar e da temperatura adequada, mesmo nas
épocas mais quentes (SILVEIRA, 2007). Segundo Lorenzi et al. (2006), a necessidade de frio
pode variar de 100 a 1.000 horas.
Dessa forma, é de extrema importância compreender os hábitos de frutificação das
amoreiras em função das horas de frio abaixo do local de cultivo, visto que a necessidade em
frio para a superação da dormência das hastes é elevada. A necessidade do número de horas
de frio diverge entre as cultivares, podendo, em alguns casos, inviabilizar o cultivo em regiões
de clima de inverno ameno (CLARK et al., 2005).
A altitude também é considerada um fator importante, pois as modificações na
temperatura média do ar são maiores em regiões mais altas, o que contribui para alterar o
ciclo da amoreira-preta e, principalmente, a época de floração. Algumas observações mostram
10
que o início da floração retarda de oito a dez dias a cada 300 m de aumento da altitude
(PAGOT et al., 2007).
De acordo com Wrege e Herter (2004), a variação de temperatura entre o dia e a noite,
em algumas regiões no sul do Brasil, é elevada, geralmente maior que 10 °C, principalmente
na primavera e no outono, quando ocorrem, ainda, temperaturas baixas, favorecendo a
amplitude térmica e que, associada às temperaturas baixas, tornam-se importantes para dar
coloração e equilíbrio de acidez e açúcar, as quais refletem no sabor da fruta consumida ao
natural. Estes autores reportam, ainda, que, apesar de a temperatura ser apontada como o
principal elemento climático limitante para a cultura, a disponibilidade de água também pode
afetar a produção, uma vez que a planta apresenta raízes superficiais. Assim, faz-se necessário
o suprimento de água para planta, o que favorece a produção de frutas de maior tamanho,
alcançando o padrão para exportação.
Além da influência dos elementos climáticos, as características intrínsecas da espécie
ou cultivar também podem afetar o comportamento da planta (ANTUNES et al., 2000a).
Dessa forma, são importantes informações sobre o comportamento produtivo em diferentes
regiões, visando à expansão das áreas de cultivo com a amoreira-preta no Brasil. Para isso, o
estudo fenológico é fundamental.
2.5 Comportamento fenológico
O comportamento fenológico da amoreira-preta pode ser modificado de um ano para o
outro, devido às constantes variações climáticas que ocorrem anualmente e que, geralmente,
descaracterizam zonas típicas de clima temperado, com a redução da disponibilidade de frio
hibernal (WREGE et al., 2006) e em função das condições climáticas da região de cultivo. Por
ser uma espécie frutífera de clima temperado, a temperatura é o principal elemento climático
limitante para a sua produção (CLARK et al., 2005). Dessa forma, a indicação de cultivares
depende de informações relacionadas ao comportamento produtivo no ambiente de cultivo.
Apesar de os trabalhos de pesquisa para acompanhar o comportamento produtivo e
fenológico serem demorados, somente a partir deles é que se têm informações corretas sobre o
comportamento da cultivar a ser recomendada (ANTUNES, 1999).
A fenologia é a ciência que estuda os fenômenos relacionados à floração, à
frutificação, ao brotamento e à queda de folhas nas mais diferentes fases, com a finalidade de
identificar e conhecer o ciclo anual das espécies, que é ligado diretamente às condições
climáticas e ao caráter adaptativo da espécie as novas regiões (ANDREIS et al., 2005).
11
Assim, estudos sobre a fenologia e o desempenho produtivo de amoreiras nas novas
regiões de cultivo permitirão a identificação dos períodos de crescimento e reprodução,
contribuindo para a recomendação de cultivares adaptadas, além da adoção de práticas de
manejo e programação da colheita e comercialização ou processamento das frutas.
Algumas pesquisas têm confirmado que o comportamento das cultivares adaptadas às
condições brasileiras apresenta variação de acordo com as condições climáticas da região de
cultivo. Nas condições do Rio Grande do Sul, a ‘Tupy’ floresce em setembro e outubro, e a
colheita pode se estender do final de novembro ao início de janeiro (RASEIRA et al., 2007).
A ‘Guarani’ tem floração durante todo o mês de setembro e a primeira dezena de outubro,
com período de colheita estendendo-se pelo mês de dezembro (SANTOS; RASEIRA, 1988).
Para a 'Brazos', considerada uma cultivar precoce, a plena floração ocorre na segunda semana
de outubro e a maturação inicia-se em meados de novembro, estendendo-se até meados ou,
mesmo, final de dezembro (ANTUNES; RASEIRA, 2004).
A diferença no comportamento fenológico da ‘Brazos’ já foi notificada em regiões de
clima subtropical, onde a colheita da cultivar iniciou-se na segunda quinzena de novembro e
se encerrou na primeira quinzena de janeiro, sendo o período concentrado em 54 dias
(ANTUNES et al., 2010). Já em condições de clima tropical de altitude, a colheita da cultivar
Brazos durou 122 dias, com período de floração entre os meses de agosto a dezembro e
colheita de outubro a janeiro (CURI, 2012).
Em estudos realizados em Videira, SC, o início da floração para a cultivar Brazos tem
ocorrido na segunda semana de setembro e as cultivares Tupy e Guarani floresceram em
outubro (PERUZZO et al., 1995).
O comportamento fenológico da ‘Tupy’ variou na região de Selvíria, MS, com o início
de brotação na segunda semana de julho e o fim do florescimento, com o fruto totalmente
preto, na terceira de outubro (ATTÍLIO, 2009).
Nas condições de Guapevara, PR a ‘Xavante’ tem iniciado o período de brotação
regular entre a segunda quinzena de agosto e o final de setembro, floração entre início de
outubro a meados de novembro e colheita do final de novembro até janeiro (BOTELHO et al.,
2009). Nas condições de Pelotas, RS, o início do florescimento tem sido observado de
setembro ao final de novembro, com duração de 68 dias (FINKENAUER, 2010). Em Poços
de Caldas, MG, a colheita das frutas da 'Xavante', em manejo convencional, tem ocorrido de
outubro a fevereiro (ANTUNES et al., 2000b).
Nas condições climáticas do Paraná, a floração tem ocorrido entre meados de agosto e
o início de setembro, com o período de colheita entre outubro e início de novembro, com
12
duração de 50 dias para a ‘Xavante’, 61 dias para a ‘Tupy’, 57 dias para a ‘Guarani’ e 101
dias para a ‘Brazos’ (CAMPAGNOLO, 2012).
Essa variação no padrão fenológico é decorrente das características genéticas de cada
cultivar (ANTUNES et al., 2000) e de parâmetros climáticos, como temperatura e
fotoperíodo, que interferem na brotação e na floração. Além disso, o próprio sistema de
produção adotado pode alterar características intrínsecas da cultivar (SWAIN; DARNELL,
2002).
Em relação aos elementos climáticos, a alteração na floração se deve a variações
anuais relacionadas ao acúmulo em horas de frio, oscilações de temperatura ocorridas entre os
meses de maio a setembro, período que antecede o florescimento de cada cultivar
(CHILDERS; LYRENE, 2006).
A alteração do período de florescimento pode ser interessante para os produtores,
principalmente aqueles que destinam sua produção para o consumo ao natural, pois se têm
verificado diferenças significativas no preço da amora, ao longo do ano. No Ceasa RS, na
safra 2011-2012, frutas embaladas em embalagens de 150 g foram vendidas por até R$ 32,00
o quilo, em setembro. No entanto, em novembro, época que concentra a maior oferta no
mercado, o quilo custava R$ 5,00. Situação semelhante foi notada na safra 2012-2013. Em
julho, a amora foi vendida por R$ 25,00 o quilo, decrescendo para R$ 7,00 o quilo, em
dezembro. Isso ocorre porque a safra gaucha se inicia em outubro e vai até novembro,
dezembro e janeiro, podendo haver alguma oferta sazonal em agosto (ANTUNES, 2002), com
frutas provenientes de São Paulo.
A procura pela fruta no mercado consumidor mostra que há grandes possibilidades
para a produção de amora-preta no Brasil, principalmente nos estados do sul, em São Paulo e
no sul de Minas Gerais, regiões cujas condições climáticas favorecem o cultivo dessa espécie
frutífera (ANTUNES, 2002).
2.6 Fatores que influenciam nas características nutracêuticas e na qualidade
As características nutracêuticas estão relacionadas com os benefícios à saúde,
incluindo a prevenção e/ou o tratamento da doença. Alguns dos compontentes com estas
características, também são responsáveis pelo cor e sabor das frutas, importantes atributos
para a classificação da qualidade das amoras.
13
As amoras apresentam, em sua constituição, 85% de água e 10% de carboidratos, com
elevado conteúdo de minerais, vitaminas A, B e cálcio (POLLING, 1996), além de apresentar
características atrativas, como cor e sabor.
A coloração atraente, que varia do vermelho púrpura ao azul, se deve ao elevado teor
de antocianinas que, juntamente com os carotenoides, compõem os pigmentos naturais
presentes em maior quantidade (FERREIRA et al., 2010). Diversos autores têm relatado a
importância destes pigmentos naturais como protetores e/ou inibidores de doenças
degenerativas (JACQUES et al., 2010).
A proteção que os vegetais desempenham nos seres humanos contra doenças
degenerativas, como câncer e doenças cardiovasculares, está associada com substâncias
vegetais caracterizados por suas propriedades antioxidantes (ACOSTA MONTOYA et al.,
2010; ALMEIDA et al., 2011). A atividade antioxidante é a capacidade que um composto tem
de inibir a degeneração oxidativa (ROGINSKY; LISSI, 2005). Estudos envolvendo a
atividade antioxidante de alimentos e substâncias isoladas de fontes naturais demonstram que
o consumo de frutas está relacionado à redução de risco de câncer e de doenças
cardiovasculares (AJILA et al., 2007).
A amora-preta apresenta atividade antioxidante frente aos radicais superóxidos (O2-),
peróxido de hidrogênio (H2O2), hidroxila (OH) e oxigênio singlete (O2) (WANG; JIAO,
2000).
Extratos de amora-preta têm apresentado efeito antimutagênico (TATE et al., 2006) e
anticarcinogênico, em linhagens humanas, de câncer de útero, câncer de cólon (LAZZE et al.,
2004), câncer oral, câncer de mama, câncer de próstata (SEERAM et al., 2006) e câncer de
pulmão (DING et al., 2006).
Segundo Tate et al. (2004), extratos de amora-preta podem prevenir a formação de
metástase. Em muitos casos, o efeito anticarcinogênico da amora-preta ocorre devido ao
efeito anti-inflamatório de seus extratos. Foi demonstrado que a capacidade antioxidante do
plasma aumenta em 30% após a ingestão de suco contendo amora-preta (NETZEL et al.,
2002).
As propriedades benéficas à saúde têm contribuído para o aumento da área cultivada
com amoreira-preta, nos últimos anos. Além disso, vários pigmentos naturais, principalmente
antocianina, são utilizados na fabricação de produtos láteos, doces e geleias (ANTUNES,
2002).
As antocianinas são pigmentos fenólicos de plantas do grupo dos flavonoides
(VENDRAMINI; TRUGO, 2004), responsáveis pela maioria das cores azul, violeta e todas as
14
tonalidades de vermelho presentes em frutos (ABE et al., 2007) e que apresentam alta
capacidade antioxidante (MOTA, 2007).
O potencial antioxidante das antocianinas é regulado por diferenças na sua estrutura
química. Variando a posição e os grupamentos químicos nos anéis aromáticos das mesmas, a
capacidade de reagir com radicais livres também varia (GALVANO et al., 2004). Seu
potencial antioxidante também é dependente do número e da posição dos grupos hidroxilas e
sua conjugação na estrutura (KUSKOSKI et al., 2004).
Frutas da amoreira-preta ‘Tupy’ podem apresentar teores de antocianinas de 116,76
mg 100 g-1 de frutas (HASSIMOTO et al., 2008). De acordo com Sellappan et al. (2002), o
conteúdo de antocianinas entre cultivares pode variar de 12,70 a 197,34 mg 100 g-1 fruta.
Estudos realizados amoras-pretas indicaram que frutas maduras constituem fontes
ricas em antocianinas, com 152,8 mg 100 g-1 fruta, superior à framboesa vermelha, que
apresenta em torno de 68,0 mg 100 g-1 fruta e ao morango, que contém cerca de 31,9 mg 100
g-1 fruta (WANG; LIN, 2000).
Os compostos fenólicos fazem parte do crescimento e da reprodução dos vegetais,
promovendo proteção contra patógénos e predadores, além de contribuírem para a qualidade
sensorial de frutas e vegetais e seu equilíbrio oxidativo (BALASUNDRAM et al., 2006;
ANGELO; JORGE, 2007).
Os compostos fenólicos têm um papel na coloração e no “flavor”, contribuindo para a
adstringência, a acidez ou para o sabor amargo das frutas (CHITARRA; CHITARRA, 2006).
A presença de compostos fenólicos específicos em cada fruta pode estar relacionada a fatores
como o tipo, a variedade, a localização geográfica da planta e as condições climáticas durante
o crescimento da planta, assim como a incidência de doenças (KING; YOUNG, 1999; ROSS;
KASUM, 2002).
O consumo de antioxidantes fenólicos de frutas e cereais tem sido o principal
responsável pela redução da incidência de doenças crônicas e degenerativas em populações
cujas dietas são ricas nesses alimentos (ROESLER et al., 2007). Sua funcionalidade
antioxidante está relacionada, principalmente, à sua ação sequestradora de radicais livres
(SIRIWOHARN et al., 2004; ZADERNOWSKI et al., 2005).
A amora-preta apresenta-se como uma fonte importante de compostos fenólicos
bioativos, destacando-se a presença das antocianinas, cianidina-3-glicosídio e cianidina-3rutinosídio; dos flavonóis, quercetina e kaempferol; dos flavanóis, catequina e epicatequina e
dos ácidos fenólicos, ácido p-cumárico, ácido cafeico, ácido ferúlico, ácido p-
15
hidroxibenzoico, ácido elágico e ácido gálico (MAATA-RIIHINENN et al., 2004;
SIRIWOHARN et al., 2004).
A variação nos teores de compostos fenólicos totais em amora-preta tem sido apontada
em alguns trabalhos, os quais variam de 261,95 a 929,62 mg equivalente de ácido gálico100
g-1 de fruta fresca (VIZZOTO, 2008), 569,89 mg ácido gálico 100 g-1 fruta (CHIM, 2008), até
1.938,70 mg de ácido gálico 100 g-1 fruta (JACQUES, 2009). Quando comparada com a
framboesa, a amora-preta se sobressai, já que a framboesa contém em torno de 30 mg de
ácido gálico 100 g-1 da fruta (AGAR et al., 1997).
Entretanto, como as amoreiras podem ser cultivadas em diferentes regiões, com
comportamentos distintos em função da amplitude térmica, das variações de temperaturas e de
precipitação, além da cultivar utilizada, são extremamente relevantes a caracterização e a
comparação de frutas produzidas em climas tropicais e subtropicais com frutas originadas de
clima temperado. Embora já seja estabelecido que as pequenas frutas vermelhas sejam fontes
de compostos bioativos, como polifenóis e antocianinas, esses estudos são, principalmente,
focados em frutas cultivados em climas temperados da Europa, da Ásia e da América do
Norte (CHEN et al., 2013).
A composição das frutas varia com uma série de fatores como a espécie, a cultivar, o
manejo cultural, a região, as condições climatológicas e meteorológicas, a maturação, o tempo
de colheita e as condições de armazenamento (AHERNE; O'BRIEN, 2002; HAFFNER et al.,
2002; RICKMAN et al., 2007).
Em trabalhos realizados em 18 cultivares diferentes de amoras-pretas (Rubus spp.) dos
Estados Unidos, da França, da Macedônia, do Chile e do México foram determinados teores
de antocianinas de 70 a 201 mg 100 g-1 de polpa fresca (FAN-CHIANG; WROLSTAD,
2005). Em sete cultivares de R. fruticosus da Itália foram observados teores de compostos
fenólicos totais de 289,3±55,8 mg 100 g-1 de polpa fresca (BENVENUTI et al., 2004). Em
amoras-pretas cultivadas na Bulgária, foram observados teores de carotenoides de 440 mg 100
g-1 de polpa fresca (MARINOVA; RIBAROVA, 2007).
Em amoras-pretas (R. eubatus) das cultivares Cainguangue, Brazos, Tupy, Guarani e
Seleção 97, produzidas na Estação Experimental da EPAMIG, em Minas Gerais, Brasil, os
teores de antocianinas variaram de 116 a 194 mg 100 g-1 de polpa fresca; os flavonoides
totais, de 123 a 233 mg 100 g -1 de polpa fresca e os compostos fenólicos, de 373 a 499 mg
100 g -1 de polpa fresca (HASSIMOTO et al., 2008).
Em pesquisas recentes determinou-se a presença de vitamina C, proteínas, fibras e
lipídios, mas a amora é uma fruta com baixo valor calórico (VIZZOTTO, 2008). Trabalhos de
16
quantificação de vitamina C foram realizados com amora-preta, mostrando que cultivar Tupy
foi a que apresentou maior quantidade de vitamina C, seguida da 'Guarani' e a 'Brazos', mas
estes resultados podem variar de acordo com a cultivar, o tipo de solo, a forma de cultivo e as
condições climáticas, entre outros (AGAR et al., 1997)
As condições de cultivo também podem influenciar o tamanho das amoras. Embora a
massa seja correlacionada à característica varietal, ao atingirem o pleno desenvolvimento, as
frutas devem apresentar massa correspondente à variedade, dentro dos limites típicos da
cultivar, os quais são bastante flexíveis. O tamanho é uma das características importantes que
compõem a qualidade das frutas, podendo o conjunto dos parâmetros considerados na
avaliação dos consumidores variar entre cultivares de uma mesma espécie, de acordo com a
origem e as condições de produção. Do mesmo modo, se modifica com o armazenamento, a
comercialização e a forma de utilização do produto (CHITARRA; CHITARRA; 2006)
17
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Local de instalação e condução da unidade experimental
A área de cultivo das amoreiras está localizada no Setor de Fruticultura do Campus
Juscelino Kubitschek (JK), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
(UFVJM), em Diamantina, MG, situado a 1.387 m altitude.
O município de Diamantina está situado a 18°10’S de latitude e 43°30’W de
longitude, no Alto Vale do Jequitinhonha, MG, caracterizado pela predominância de solos
arenosos, com baixo poder de retenção de umidade, entremeando os grandes afloramentos
rochosos (ABREU et al., 2005).
O solo da área experimental é do tipo Neossolo Quartzarênico Órtico Típico
(EMBRAPA, 2006), com 83% de areia, 10% de argila e 7% de silte.
O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é Cwb e, de acordo com
Vianello e Alves (2012), classificado como temperado úmido, com inverno seco e
temperaturas amenas e o verão suave e chuvoso, sendo a temperatura média do mês mais
quente inferior a 22 °C. Segundo dados das Normais Climatológicas do Brasil, de 1961 a
1990 (INMET, 2009), a temperatura média anual é de 18,3 °C, a média das mínimas é de 14,1
°C e a média das máximas, de 23,7 °C, sendo a temperatura média do mês mais quente de
20,1 °C. A insolação média anual é de 6,55 horas dia-1 e a velocidade média do vento é de
2,37 m s-1, com direção predominante NE (GIANOTTI et al., 2013). A precipitação média
anual é de 1.404 mm, com período chuvoso de outubro a março, que representa 88% do total
precipitado durante o ano (VIEIRA et al., 2010).
As baixas temperaturas ocorrem nos meses de maio a agosto e o maior volume de
chuvas, de novembro a janeiro. Segundo o Balanço hídrico climatológico de Thornthwaite e
Mather (1955), a evapotranspiração potencial anual é de 819 mm, o excedente hídrico anual é
de 661 mm e a deficiência hídrica anual de 75 mm (EMBRAPA, 2003).
Durante o período experimental, as variações de temperatura e de precipitação do local
de cultivo, as variações de intensidade de radiação solar e a velocidade do vento foram
registradas utilizando-se de dados coletados pela estação automática, composta de uma
unidade de memória central ("data logger") ligada a vários sensores dos parâmetros
meteorológicos (pressão atmosférica, temperatura e umidade relativa do ar, precipitação,
radiação solar, direção e velocidade do vento, etc.), que integra os valores observados minuto
18
a minuto e automaticamente a cada hora, instalada no Campus JK, a, aproximadamente, 300
m de distância do pomar de amoreira.
3.2 Cultivo
As cultivares de amoreira-preta (Rubus sp.) avaliadas nas condições climáticas de
Diamantina foram ‘Brazos’, ‘Guarani’, ‘Tupy’ e ‘Xavante’. As mudas foram obtidas da
FRUTPLAN, viveiro idôneo que assegura a identidade genética das plantas, para possibilitar
a identificação do comportamento fenológico e produtivo das cultivares na região.
O preparo da área e as práticas de manejo foram realizados de acordo com a
recomendação proposta por Antunes e Raseira (2004).
As covas para o plantio das mudas foram abertas nas dimensões de 40 x 40 x 40 cm de
largura, comprimento e profundidade, previamente preparadas e adubadas. Antes do plantio,
foi realizada a análise do solo da área de cultivo (Tabela 1), a fim de se efetuar a correção e a
adubação de fundação por ocasião do plantio, conforme a recomendação para a cultura. Dessa
maneira, no plantio, a adubação foi baseada na recomendação de 150 kg de P2O5 e 90 kg de
K2O por hectare e 5 L de esterco de curral por cova. A correção das covas foi baseada na
recomendação de 2,34 t ha-1, com correção apenas na linha de cultivo, aplicando-se 125 g de
calcário por cova.
Tabela 1. Análise química do solo da área experimental na profundidade de 0 a 20 e 20 a 40
cm, realizada pelo Laboratório de Fertilidade do Solo da UFVJM1.
pH
P
K
---- mg dm-3 -----
Ca
Mg
Al+3
H +Al
---------------- cmolc dm-3 ------------------
Profundidade (cm)
H2O
0-20
5,2
1,6
22
0,6
0,2
0,6
3,7
20-40
5,1
2,4
14
0,5
0,2
1,0
3,3
Profundidade (cm)
SB
T
T
V
---------- cmolc dm-3--------
m
-------- % -------
M.O
Areia
--------- dag kg-1 ------
0-20
0,9
1,5
4,6
19,0
41,0
1,2
83
20-40
0,7
1,7
4,0
18,0
58,0
0,8
83
¹SB soma de bases; t- CTC efetiva; T- CTC a pH 7,0; V - saturação de bases; m - índice de
saturação de Alumínio.
O plantio das mudas da ‘Brazos’ foi realizado no final do período chuvoso, em março
de 2012 (Figura 2A). Após o plantio, as mudas foram irrigadas para assegurar o pegamento
19
das mudas no campo. O plantio das demais cultivares na área de cultivo foi realizado em
setembro de 2012, quando as mudas atingiram o tamanho adequado para o plantio no campo.
O experimento foi conduzido em blocos casualizados, com quatro tratamentos
(cultivares), cinco blocos e cinco plantas por unidade experimental.
As amoreiras foram conduzidas em espaldeira a 0,8 m do solo, com dois fios de
arames paralelos a 0,5 m de distância, plantadas no espaçamento de 0,8 m entre plantas e 2,5
m entre linhas.
Foi realizado o tutoramento das brotações emitidas pelas plantas junto ao solo,
amarrando-as com barbante para conduzi-las aos fios de arame da espaldeira (Figura 2B) até
atingir 1 m de altura, quando foi realizado o desponte das hastes principais.
O manejo das plantas daninhas foi feito periodicamente, conforme a incidência na área
de cultivo, realizando-se a roçagem entre as linhas e capina manual na projeção da copa, para
evitar a competição.
A poda foi realizada no período de janeiro a fevereiro de 2013, eliminando as hastes
secas que já haviam produzido e redução das novas hastes emitidas pela cultivar Brazos, pelo
fato de as plantas já terem frutificado no ano 2012. Nas demais cultivares, esta poda foi feita
para a condução das plantas, eliminando-se as hastes mal localizadas e procedendo-se ao
desponte das hastes a 15 cm acima do fio de arame da espaldeira (Figura 2C).
As adubações de manutenção com fósforo e potássio foram feitas em agosto,
aplicando-se 15 g de P2O5 e 5 L de esterco por planta. No mês de setembro, realizou-se
adubação nitrogenada aplicando-se 15 g de N por planta e 10 g de K2O, visto que, no primeiro
ano, não foi aplicado nitrogênio, devido ao risco de queimar as gemas vegetativas e a segunda
adubação nitrogenada após a colheita.
3.3 Avaliações
3.3.1 Crescimento
A avaliação do crescimento das cultivares de amoreira na área de cultivo foi
determinada mediante a determinação do tamanho, do número e do diâmetro das hastes e a
contagem do número de perfilhos por planta.
Para avaliar o comprimento das hastes, utilizou-se uma trena graduada em milímetro,
medindo-se a distância entre o colo e o ápice da muda. A avaliação do diâmetro foi feita com
o auxílio de um paquímetro digital (Caliper Within 300 mm®), com precisão de 0,01 mm. O
20
número de perfilhos foi quantificado por meio de contagem direta na área do experimento, a
partir do início do ciclo 2013/2014.
A
B
C
D
E
F
Figura 2. Plantio das cultivares de amoreira-preta: (A) condução das plantas até a espaldeira
(B), desponte das hastes principais a 15 cm da espladeira (C), planta em fase de
floração (D), planta em fase de frutificação (E) e amoras com a coloração preta,
na época de colheita, em Diamantina, MG.
21
3.3.2 Caracterização fenológica
A caracterização fenológica foi realizada por meio de observações visuais, após o
plantio das mudas no campo. A partir de março de 2012, foi avaliada a duração, em dias, dos
seguintes estádios fenológicos: surgimento de flores, formação de frutas, crescimento ao
amadurecimento das frutas, duração do período de floração e de colheita e emissão das novas
hastes produtivas, assim como a duração de todo o ciclo.
A cultivar Brazos foi avaliada quanto ao ciclo produtivo de 2012/13 e 2013/14; já para
as outras cultivares, as avaliações foram realizadas para o ciclo produtivo de 2013/14.
Para a caracterização da exigência térmica, calculou-se o número de horas de frio
(NHF) acumuladas inferiores a 13 °C, 10 °C e 7,2 °C, antes da fase de emissão de gemas e
durante cada estádio a partir dos dados horários de temperatura.
A soma térmica (ou graus dias acumulados) para cada fase fenológica foi calculada
utilizando-se a temperatura base (Tb) de 10 °C, valor este recomendado para algumas
olerícolas (MOTA, 1983) e espécies frutíferas, como abacateiro (LUCCHESI et al., 1977),
evideira das cultivares Niágara Rosada (PEDRO JR. et al., 1994) Itália e Rubi (BOLIANI;
PEREIRA, 1996, citado por PEREIRA et al., 2002), por não existir, na literatura, valor para
amoreira (Rubus spp).
Os graus-dia acumulados, nas diversas fases fenológicas, foram determinados a partir da
diferença entre a temperatura média diária e a temperatura basal inferior, sendo considerada a
temperatura de 10 °C, conforme a equação 1.
GDA= ∑(Tmd-10)
(1)
em que
GDA= soma dos graus dias acumulados.
Como as fases fenológicas da amoreira-preta se sobrepõem, foram levadas em
consideração a plena floração e a plena colheita, ou seja, quando foi observado o maior
número de flores e frutos maduros nas cultivares da área experimental.
3.3.3 Produtividade
A produção foi determinada durante todo o período de colheita, a partir da massa das
frutas colhidas em cada planta, determinando-se, assim, a produção por planta. A partir dos
dados obtidos e do espaçamento utilizado no plantio, calculou-se a produtividade por hectare.
22
Além disso, foi determinado o número de frutos por planta, por meio da divisão da produção
pela massa média das frutas.
3.3.4 Qualidade das frutas
Para determinar a qualidade das amoras, foram analisadas as seguintes características:
tamanho (diâmetro longitudinal, transversal e massa), teor de sólidos solúveis, acidez
titulável, ratio (relação SS/AT), pH, açúcares redutores, compostos fenólicos totais,
antocianinas totais e composição centesimal.
A avaliação da qualidade das frutas na cultivar Brazos foi realizada em diferentes
épocas, devido ao fato de a colheita ter se iniciado no mês de junho, fora da época de safra
normal. Assim, para comparar a qualidade das frutas colhidas nas diferentes épocas, adotou-se
o delineamento em parcelas subdivididas no tempo, com sete épocas de avaliação: junho,
julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, com cinco repetições. Os dados da
última colheita foram comparados com as frutas das demais cultivares, na época em que todas
estavam produzindo.
Uma amostra de 100 frutas por parcela foi utilizada para avaliação da massa média das
frutas, a qual foi pesada em balança analítica eletrônica, com precissão de 0,001 g e dos
diâmetros longitudinal e transversal, utilizando um paquímetro digital (Caliper Within 300
mm®), com precisão de 0,01 mm.
Para a caracterização química, as amostras de frutas foram batidas em liquidificador,
para a retirada da polpa, que foi congelada para a realização das análises.
O pH foi determinado a partir da leitura direta das amostras em pHmêtro digital
(Hanna HI 221®) previamente calibrado com padrões de pH 4,0 e 7,0. Os resultados foram
expressos em números absolutos.
A acidez titulável foi determinada segundo metodologia do Instituto Adolfo Lutz
(2008), a qual se baseia na neutralização dos ácidos presentes na fruta com uma solução
padronizada de álcali por meio da titulometria. Para a análise, foi preparada em Erlenmeyer
de 125 mL contendo 2 mL da polpa, adicionada de 19 mL de água e 3 gotas de fenolftaleína.
Após homogeneização, a solução foi titulada com solução de hidróxido de sódio 0,1 mol L-1
padronizada com o auxílio de uma bureta, até o ponto de virada, coloração rósea persistente.
O volume de NaOH utilizado foi anotado e o resultado de acidez foi calculado conforme
equação 2 e expresso em g de ácido cítrico por 100 mL de polpa.
23
AT % de ácido cítrico = ((V x M x F x mEq)/ P) x 100
(2)
em que
V = volume da solução de hidróxido de sódio gasto na titulação em mL.
M = molaridade da solução de hidróxido de sódio.
F = fator de correção da solução de hidróxido de sódio.
mEq = miliequivalente do ácido cítrico = 0,06404.
P = peso ou volume da amostra
A mensuração do teor de sólidos solúveis foi feita utilizando-se um refratômetro
portátil, baseado na alteração do índice de refração da água pura, resultante da presença de
sólidos solúveis. A análise foi feita a partir de leitura do suco da amora-preta natural e os
resultados foram expressos em °Brix (IAL, 2008).
A partir dos resultados do teor de sólidos solúveis e da acidez, foi calculado o ratio
pela relação do teor de sólidos solúveis/acidez.
Os teores de açúcares redutores foram determinados de acordo com o método ácido
dinitrosalicílico (DNS) (MILLER, 1959). Esse método baseia-se na reação entre o açúcar
redutor e o ácido 3,5-dinitrosalicílico (cor amarelo), que é reduzido a um composto colorido
avermelhado, o ácido 3-amino-5-nitrosalicílico, oxidando o monossacarídeo redutor e máxima
absorção da luz visível no comprimento de onda de 540 nm.
As amostras foram diluídas, uma vez que a linearidade da curva de calibração é de até
1,0 g L-1. A quantificação dos teores de açúcares foi realizada adicionando-se, em microtubos
do tipo Eppendorf, 100 μL da amostra diluída e 100 μL de DNS. Após a homogeneização, a
amostra foi levada ao banho de água fervente, a 95 °C, por 5 minutos e, então, resfriada em
banho de gelo a 0 °C. Em seguida, foram adicionados 800 μL de água destilada. A leitura das
amostras ocorreu em espectrofotômetro, a 540 nm, assim como a curva padrão.
A curva foi composta por 6 pontos que variaram de 0 a 1,0 g L-1. A partir dos valores
das absorbâncias obtidos para cada ponto da curva, foi feita a correlação entre concentração
de glicose e os valores das absorbâncias apresentadas (Figura 3).
24
1,4
Absorbância 540 nm
1,2
y = 1,179x
R² = 0,996
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
Glicose (g L-1 )
Figura 3. Relação do teor de glicose e absorbância, a 540 nm, para a determinação do fator de
correlação para calcular os teores de açúcares redutores.
Para calcular os teores de açúcares redutores nas amostras de suco de amora-preta,
procedeu-se seguindo a equação 3, expressando-se os resultados em g L-1 de glicose.
Concentração= (Abs/ y) x diluição
(3)
em que
Abs = absorbância obtida para as amostras;
y = coeficiente angular da curva de calibração.
Os compostos fenólicos totais foram quantificados de acordo com o método do FolinCiocalteu, descrito por Singleton e Rossi (1965). O método se baseia nas reações de
oxirredução envolvendo os compostos fenólicos e os íons metálicos. O ácido fosfotúngstico
(H3PW12O40) e o ácido fosfomolíbdico (H3PMo12O40), presentes no Folin-Ciocalteu, oxidam
os fenóis, sendo reduzidos a óxidos de tungstênio (W8O23) e de molibdênio (Mo8O23),
resultando em uma coloração azul. A coloração azul tem o máximo de absorção na faixa
próxima de 750 nm, sendo proporcional ao teor de compostos fenólicos.
As amostras dos compostos fenólicos totais foram previamente diluídas em metanol a
80%. Em seguida, uma alíquota de 100 μL contida em microtubos de Eppendorf foi
adicionada de 100 μL do reagente Folin-Ciocalteau. Após 5 minutos de repouso, foram
acrescentados 1.000 μL de carbonato de sódio (NaCO3) e 800 μL de água destilada. Após 90
minutos de repouso no escuro, as soluções foram submetidas à leitura em espectrofotômetro, a
750 nm. Para o cálculo, foi preparada uma curva de calibração, utilizando-se ácido gálico
25
como padrão, nas concentrações de 0 a 0,1 g L-1, seguindo o mesmo procedimento empregado
para as amostras (Figura 4).
0,6
Absorbância 750 nm
0,5
y = 5,32x
R² = 0,999
0,4
0,3
0,2
0,1
0
0
0,02
0,04
0,06
0,08
0,1
0,12
Ácido gálico (g L-1)
Figura 4. Relação do ácido gálico e a absorbância a 750 nm, para a determinação do fator de
correlação para calcular os compostos fenólicos.
O cálculo dos teores de compostos fenólicos totais presentes nas amoras das diferentes
cultivares foi realizado seguindo-se a equação 5, sendo os resultados expressos em g L-1 de
ácido gálico.
Compostos fenólicos (g L-1) = (Abs/y) x D
(5)
em que
Abs = absorbância da amostra a 750 nm
y = coeficiente de correlação da curva de calibração
D = diluição das amostras
O teor de antocianinas nas amoras foi determinado utilizando-se o método do pH
diferencial descrito pela Association of Official Analytical Chemistri-AOAC (2002), que se
baseia na propriedade das antocianinas de apresentarem colorações diferentes, de acordo com
o pH do meio em que se encontram.
As amostras foram diluídas em solução tampão com acetato de sódio 0,4 M (pH 4,5) e
cloreto de potássio 0,025 M (pH 1,0), seguindo-se leitura em espectrofotômetro, conforme
descrição a seguir: As amostras previamente diluídas em acetato de sódio foram submetidas à
leitura em espectrofotômetro previamente “zerado”, com a solução tampão de acetato de
26
sódio, a 520 e a 700 nm, sendo o aparelho “zerado” a cada mudança de comprimento de onda.
Em seguida, com o espectrofotômetro previamente “zerado” com tampão cloreto de potássio,
foram realizadas, nas amostras diluídas em cloreto de potássio, as leituras de absorbância a
520 e a 700 nm. O teor de antocianinas foi obtido de acordo com a equação 6 e expresso em
mg L-1 de antocianinas totais.
Antocianinas = (A x 449,2 g mol-1 x diluição x 103)/26900
(6)
em que
A= (Abs 520 nm – Abs 700 nm) Cloreto de potássio – (Abs 520 nm – Abs 700 nm) Acetato de sódio
A atividade antioxidante foi realizada seguindo o método DPPH (2,2-difenil-1-picrilhidrazil) e FRAP (Ferric reducing/ antioxidant power), conforme descrito a seguir.
A metodologia DPPH foi realizada segundo Brand-Willams (1995), a qual se baseia
na captura do radical DPPH (2,2-difenil-1-picril-hidrazil) por antioxidantes, produzindo o
decréscimo da absorbância a 517 nm. Consiste no monitoramento das reações entre o radical
DPPH˚ (2,2-difenil-1-picril-hidrazil) e os compostos antioxidantes, por meio do decaimento
da absorbância causada durante a redução do radical DPPH˚.
Na execução do método foi preparada, inicialmente, uma solução metanólica de DPPH
0,1 mmol L-1. Acrescentaram-se 3 mL de solução de DPPH em tubos de ensaio contendo 10
µL de cada amostra. O branco foi feito contendo 3,0 mL da solução de DPPH preparada. Os
tubos de ensaio contendo a mistura foram mantidos fechados e armazenados na ausência de
luz, durante 30 minutos. As leituras das soluções contidas nos tubos de ensaio foram
efetuadas a 517 nm, em cubeta de vidro.
A determinação da atividade antioxidante em equivalente mmolar de Trolox (6hidroxi-2,5,7,8-tetrametilchroman-2-ácido carboxílico) de cada uma das amostras foi feita por
meio de uma curva analítica previamente preparada, utilizando-se soluções metanólicas
contendo o antioxidante Trolox, com concentração variando de 0,0 mmol L-1 a 0,02 mmol L-1,
seguindo procedimento semelhante ao adotado para as amostras.
A porcentagem de inibição da concentração inicial do radical DPPH˚, provocada pelas
amostras diluídas e pelas soluções padrão de Trolox, foi calculada de acordo com equação 7.
27
%Inibição = (Abs DPPH - Abs amostra)/Abs DPPH * 100
(7)
em que
AbsDPPH = absorbância do controle (contendo somente a solução de DPPH);
AbsAmostra= absorbância da amostra ou da solução padrão de Trolox.
A metodologia FRAP foi adaptada de Benzie e Strain (1999) e consiste no
monitoramento da mudança na coloração do reagente FRAP a 593 nm, ocasionada pela
redução do Fe+3 a Fe+2, intermediada por substâncias com capacidade antioxidantes.
Durante a execução da metodologia, preparou-se o reagente FRAP, que é constituído
de três soluções previamente preparadas: solução de TPTZ (2,4,6-tri(2-piridil)-1,3,5-triazina)
10 mmol L-1, tampão acetato 0,3 mol L-1, pH 3,6 e solução de cloreto férrico 20 mmol L-1.
O reagente FRAP foi, então, obtido por meio da combinação das soluções tampão,
TPTZ e de cloreto férricoentre, na proporção de 10:1:1.
Alíquotas de 10 μL das amostras previamente diluídas (10 vezes) foram acrescidas de
3 mL de reagente FRAP e a leitura foi efetuada a 593 nm, após 4 minutos de reação.
Procedimento semelhante foi adotado para a leitura da curva analítica preparada a partir de
solução de Trolox 0,2 mmol L-1. A porcentagem de inibição do método FRAP, provocada
pelas amostras diluídas e pelas soluções padrão de Trolox, foi calculada de acordo com
equação 8.
% Inibição = (Abs amostra - Abs FRAP)/ Abs FRAP * 100
(8)
em que:
AbsFRAP = absorbância do controle (contendo somente a solução do reativo FRAP);
AbsAmostra = absorbância da amostra ou da solução padrão de Trolox.
O teor de umidade foi determinado de acordo com as Normas do Instituto Adolph Lutz
(2008). Para a quantificação, 5,0 g de amora foram pesados em placas de Petri previamente
desumidificadas em estufa, a 105 °C e pesadas. Em seguida, esta amostra foi mantida em
estufa, a 105 °C, até atingir massa constante. O resultado foi expresso em g 100 g-1 de amostra
íntegra, obtido por meio da equação 9.
Umidade = ((Pmf – Pms)/ Pmf) x 100
em que:
U= teor de umidade (%);
Pmf = peso da amostra úmida (g);
(9)
28
Pms = peso da amostra seca (g).
Os teores de minerais, ou cinzas, foram determinados de acordo com as Normas do
Instituto Adolph Lutz (2008). Foi pesado 0,1 g de amostra seca e triturou-se em cadinho de
porcelana, previamente desumidificado em mufla, a 550 ºC e pesado. A amostra foi
carbonizada em bico de bunsen e, em seguida, o cadinho contendo a amostra foi levado a
mufla, a 550 °C, até que a carbonização da matéria orgânica fosse completa. O resultado
obtido foi expresso em g 100 g-1 de matéria íntegra e calculado de acordo com a equação 10.
C = ((M-P)/A) x 100
(10)
em que
C = teor de cinzas (%);
M = massa do cadinho com cinzas (g);
P = massa do cadinho vazio (g);
A = massa da amostra (g).
O teor de proteínas foi determinado de acordo com a Metodologia Kjeldahl, segundo
adequação da Embrapa (2006). Foi pesado 0,1 g amostra seca e triturada, e transferido para o
tubo de ensaio. Foram adicionados 0,3 g de sulfato de cobre anidro (CuSO4), 0,6 g de sulfato
de potássio (K2SO4) e 5 mL de ácido sulfúrico (H2SO4). Em seguida, a amostra foi
submetida à digestão, até obter um líquido claro, para, então, ser destilada em aparelho
Kjeldahl. O sal formado após a destilação foi titulado com HCl 0,1N, com fator de correção
igual a 1,1125. Os resultados foram expressos em g 100 g-1 de material integral e calculados
de acordo com a equação 11:
PROT = (((V(HCl) x N(HCl) x F x 0,014 x 100)/P) x 6,25)
sendo
PROT = proteína (%);
V(HCl) = titulação com HCl (mL);
N(HCl) = normalidade do HCl;
F= fator de correção para o ácido clorídrico 0,01 mol/L;
P = peso da amostra (g).
(11)
29
As quantidades de lipídeos foram obtidas de acordo com as normas do Instituto
Adolph Lutz (2008). Foram pesados 0,5 g de amostra seca, triturados em cartucho de papel de
filtro e transferidos para o aparelho extrator de Soxhlet. Os lipídeos foram extraídos com éter
etílico P.A., durante 4 horas e coletados em balão de fundo chato, previamente
desumidificado em estufa, a 105 °C e pesado. Em seguida, o mesmo foi levado à estufa, até a
completa evaporação do éter e pesado. Os resultados foram expressos em g 100 g-1 de amostra
integral, calculados de acordo com a equação 12.
LIP = ((M-P)/ A) x100
(12)
em que
LIP = teor de lipídeos ou extrato etéreo (%);
M = massa do balão com amostra (g);
P = massa do balão vazio (g);
A = massa da amostra inicial (g).
O conteúdo de fibra bruta foi quantificado de acordo com as normas do Instituto
Adolph Lutz (2008). Foram pesados 0,5 g de amostra seca, triturada e desengordurada e
adicionados ao tubo digestor; em seguida, foram acrescentados 17,5 mL de ácido acético
(CH3COOH) 70%, 0,5 g de ácido tricloroacético (CCl3COOH) e 1,2 mL de ácido nítrico
(HNO3). A digestão ocorreu em sistema de refluxo, por 60 minutos, a contar a partir da
ebulição. Logo depois, o material foi filtrado em cadinho de filtro sinterisado contendo lã de
vidro, previamente tarado, e foi lavado com água destilada quente, até a retirada total da
acidez. Os cadinhos foram levados à estufa para secagem até peso constante e os resultados
expressos em g 100 g-1 de amostra íntegra. A equação 13 foi utilizada para o cálculo do teor
de fibra bruta.
FB = ((C-P)/A) x 100
em que
FB = teor de fibra bruta (%);
C = massa do cadinho com a fibra (g);
P = massa do cadinho sem fibra (g);
A= massa da amostra (g).
(13)
30
3.4 Análise estatística
Os dados foram submetidos à análise de variância e comparação de médias pelo teste
Tukey, a 5% de probabilidade de erro, para comparar os aspectos de crescimento, fenológicos,
produtivo e qualitativo das diferentes cultivares de amoreira-preta nas condições estudadas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram observadas diferenças entre as cultivares para número, comprimento e diâmetro
das hastes (Anexo/Tabela 1A); número e massa das frutas, produção por planta e
produtividade por hectare (Anexo/Tabela 2A); diâmetro longitudinal e transversal
(Anexo/Tabela 3A); acidez titulável, teores de sólidos solúveis e açúcares redutores
(Anexo/Tabela 4A); umidade, proteínas, lipídeos, fibra bruta e carboidratos (Anexo/Tabela
Anexo/6A) e atividade antioxidante (Anexo/Tabela 7A).
Houve diferenças entre as épocas de colheita para o tamanho das frutas (Anexo/Tabela
8A), pH, teores de sólidos solúveis, acidez titulável, ratio, açúcares redutores (Anexo/Tabela
9A), compostos fenólicos e antocianinas (Anexo/Tabela 10A), nas frutas da cultivar Brazos.
4.1 Crescimento vegetativo das cultivares
O maior número de hastes foi observado na ‘Guarani’ (Tabela 2), com média de 2,96
hastes por planta, enquanto a ‘Brazos’ tinha 2,3 hastes; a ‘Tupy’, 1,7 e a ‘Xavante’,1,8.
Considerando que o plantio foi feito no espaçamento de 0,8 m entre plantas, a maior
densidade por metro linear foi de 3,7 hastes, na cultivar Guarani, abaixo do número
recomendado para a cultura, que é em torno 13,1 a 5,7 hastes por metro linear (PAGOT et al.,
2007). Esta baixa densidade pode ser atribuída à idade das plantas, visto que a primeira
adubação nitrogenada foi realizada em setembro, depois da emissão das hastes.
O N é considerado o principal fator responsável por variações no número de hastes em
amoreira-preta, sendo o desenvolvimento vegetativo e a emissão de novas hastes estimulados
pela adubação com este componente (GALLETTA; HILMELRICK, 1990). Portanto, para se
obter o número adequado de hastes por hectare, a aplicação de N é necessária (CRANDALL,
1995), o que, normalmente, pode ser alcançado a partir do segundo ano, quando é possível a
realização das adubações nitrogenadas, visto que, no primeiro ano, não se recomenda aplicar
nitrogênio, devido ao risco de queimar as gemas vegetativas.
31
Em relação ao diâmetro e ao comprimento das hastes, a ‘Brazos’ foi a cultivar que
apresentou os maiores tamanhos, com hastes de 1,38 m de comprimento e 15,1 mm de
diâmetro. O desenvolvimento das hastes serve como indicativo para a produção, pois hastes
com diâmetro superior a 10 mm proporcionam aumento na produtividade e no tamanho das
frutas (CRANDALL, 1980). Esta diferença pode ser atribuída ao fato de essa cultivar ter sido
plantada no campo seis meses antes que as demais, que foram plantadas em setembro, época
de elevada velocidade de vento de 3,8 m s-1 no local de cultivo (Figura 5), ou por ela ter se
adaptado melhor às condições de cultivo, visto que o comportamento da planta em relação ao
crescimento pode variar em função da cultivar testada, da região e do manejo empregado
(PEREIRA, 2008), sendo, portanto, um indício de adaptação da planta.
Tabela 2. Número de hastes (NH), comprimento de hastes (CP), diâmetro das hastes (mm)
(DH) e número de perfilhos (NP) de diferentes cultivares de amoreira-preta, em
Diamantina, MG.
Cultivares
NH
DH (mm)
CP (m)
NP
‘Brazos’
2,32 ab
15,10 a
1,38 a
2,20 a
‘Guarani’
2,96 a
12,49 b
1,05 b
2,88 a
‘Tupy’
1,75 b
11,34 b
1,21 ab
2,08 a
‘Xavante’
1,80 b
12,51 b
1,06 b
2,72 a
10,6
19,1
21,1
24,2
CV (%)
(1)
Médias seguidas de mesma letra minúscula na linha não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
O vento pode afetar significativamente o crescimento das plantas, principalmente na
fase inicial. Caramori (1981) relatou acentuada redução nos incrementos de altura de mudas
de café plantadas em região com ventos na velocidade a partir de 2 m s-1, média de 7,6 km h-1.
32
Velocidade do vento ( m s -1 )
6
5
4
3
2
1
0
mar/12 jun/12 set/12 dez/12 mar/13 jun/13 set/13 dez/13 mar/14
Figura 5. Velocidade média do vento durante o cultivo das amoreiras em Diamantina, MG,
Campus JK, UFVJM (Fonte: Estação Automática Campus JK).
Em relação ao número de perfilhos, as cultivares não apresentaram diferenças na área
de cultivo. As médias observadas são inferiores às observadas em outras regiões e podem ser
consideradas baixas. Para a ‘Xavante’ cultivada nas condições de Pelotas, RS, o
perfilhamento observado por planta foi de 8,75 e 11,0, no primeiro e no segundo ano de
cultivo, respectivamente (FINKENAUER, 2010). De acordo com esta autora, o perfilhamento
é influenciado pelas características genéticas de cada acesso de amoreira-preta,
principalmente pela variação de vigor das mesmas, sendo a 'Xavante', portanto, uma cultivar
pouco vigorosa, pois há genótipos com até 20 perfilhos por planta.
Apesar de a literatura mencionar que o perfilhamento na cultura da amoreira-preta é
elevado (ANTUNES, 2002), poucos são os trabalhos em que se relata o perfilhamento das
cultivares plantadas no Brasil. Informações referentes ao comportamento das cultivares em
relação à emissão de perfilhos são importantes para a adoção de práticas de manejo, além de
contribuírem para o planejamento da densidade de plantio mais adequada à cultura.
Os resultados observados no presente trabalho sugerem que as cultivares estão
apresentando comportamento semelhante, podendo as diferenças no crescimento estar
relacionadas com a idade das plantas, pois, dentre os fatores que podem influenciar, como a
poda, a disponibilidade hídrica, o manejo de plantas e a adubação, estes foram realizados da
mesma forma para todas as cultivares.
33
4.2 Caracterização fenológica
No ciclo produtivo 2012/2013, apenas a cultivar Brazos floresceu, com o início da
floração em julho (25/07), encerrando em dezembro (15/12), com duração de 145 dias e com
o acúmulo de energia de 1.067,7 graus-dia e a colheita iniciada em setembro (06/09),
prolongando-se até janeiro (08/01), com total de 122 dias, com o somatório de 1.114,1 grausdia (Figura 6). O tempo entre a abertura da flor a formação de fruto foi de, aproximadamente,
12 dias, com o acúmulo de 139,3 graus-dia. O período entre a formação do fruto e o
amadurecimento foi em torno de 30 dias.
Datas correspondentes à transição das fases
Brazos ciclo 2012/2013
15/07
25/07 06/08
06/09
01/10
CF
FF
EB
AF
ENH
10
12
30
25
10
68,7 GD
22 dias
139,3 GD
52 dias
299,8 GD
77 dias
485,5 GD
145 dias
1065,7 GD
75
15/12
PF
08/01
PC
23
122 dias
1114,1 GD
Brazos ciclo 2013/2014
19/04
26/04 01/05
7
5
7 dias
43,4 GD
12 dias
76,8 GD
10/06
39
45
24/02
20/01
15/07
185
34
51 dias
341,6 GD
96 dias
459,2 GD
264 dias
1978,0 GD
254 dias
2028,1 GD
Figura 6. Duração, em dias e acúmulo, em graus-dias, dos estágios fenológicos na cultivar
Brazos. Emissão de botões florais (EB); abertura da flor (AF); formação do fruto
(FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes produtivas para o ano
seguinte (ENH), período de floração e período de colheita (PC), em Diamantina,
MG, safra 2012/2013 e 2013/14.
34
A ausência de produção na safra de 2012/2013 nas demais cultivares se deve à
diferença na época de plantio entre as cultivares, pois, quando a ‘Brazos’ iniciou a floração
(Tabela 3), as demais cultivares ainda não tinham sido plantadas na área experimental.
Tabela 3. Período de floração e colheita de diferentes cultivares de amoreira-preta nos ciclos
produtivos de 2012/13 e 2013/14, em Diamantina, MG.
------------------- Floração --------------Cultivar
Início
Final
Duração da
floração (dias)
----------------- Colheita --------------Início
Final
Duração da
colheita (dias)
--------------------------------------------- Ciclo 2012/2013 ---------------------------------‘Brazos’
25/07
15/12
145
06/09
08/01
122
‘Guarani’
----
----
----
----
----
----
‘Tupy’
----
----
----
----
----
----
‘Xavante’
----
----
----
----
----
----
--------------------------------------- Ciclo 2013/2014 -----------------------------------‘Brazos’
26/04
20/01
264
10/06
24/02
254
‘Guarani’
30/09
20/02
140
13/11
24/03
131
‘Tupy’
21/10
26/02
125
26/11
27/03
121
‘Xavante’
25/09
15/01
110
03/11
20/02
107
Em relação ao ciclo produtivo 2013/14, a ‘Brazos’ antecipou a floração, com início em
abril (26/04), finalizando em janeiro (20/01), com duração de 264 dias. Durante este período,
foi observado o acúmulo de 1.978,0 graus-dias (Figura 6). Comportamento semelhante foi
observado para o período de colheita das frutas, visto que o tempo decorrido entre a floração e
o amadurecimento da amora é de, aproximadamente, 30 dias. Assim, ‘Brazos’ foi a cultivar
que apresentou maior período de colheita de 254 dias, compreendido entre junho (10/06) e
final de fevereiro (24/02), 34, com o acúmulo de 2.028,1 graus-dia para todo o período. No
entanto, para as subfases fenológicas, o somatório foi em torno de 43,4 graus-dias, da emissão
do botão floral à abertura da flor; 139,3 graus dias até a formação da fruta e 299,8 graus-dias
até a colheita da fruta (Figura 6).
O primeiro ciclo produtivo das demais cultivares ocorreu na safra 2013/2014 (Tabela
3). A 'Guarani' iniciou a floração no final de setembro (30/09) e encerrou em fevereiro
35
(20/02), com duração de 140 dias, para o período o acúmulo em graus-dia foi de 1.284,2. A
colheita teve duração de 131 dias, realizada de novembro (13/11) a março (24/03), com o
acúmulo de 1.259,3 graus-dia. O período entre a formação do botão floral e o
amadurecimento foi de 58 dias, havendo um acúmulo de 476,6 graus-dias (Figura 7).
Datas correspondentes à transição das fases
Guarani ciclo 2013/2014
15/09
30/09
05/10
13/11
13/12
CF
FF
EB
AF
ENH
15
5
38
30
20/02
PF
67
24/03
PC
34
15 dias
143,0 GD
20 dias
180,3 GD
58 dias
476,6 GD
88 dias
743,9 GD
140 dias
1284,2 GD
131 dias
1259,3 GD
Figura 7. Duração, em dias e acúmulo, em graus-dias, dos estágios fenológicos na cultivar
Guarani. Emissão de botões florais (EB); abertura da flor (AF); formação do fruto
(FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes produtivas para o ano
seguinte (ENH), período de floração e período de colheita (PC), em Diamantina,
MG, safra 2013/14.
A ‘Tupy’ floresceu durante o período de 125 dias, entre outubro (21/10) e fevereiro
(26/02). Para completar a fase de floração, as plantas acumularam 1.209,6 graus-dia.
Comportamento semelhante foi observado em relação à época de colheita que se iniciou em
novembro (26/11) e encerrando em março (27/03), totalizando 121 dias de colheita e 1.163,6
graus-dia acumulados. O acúmulo em graus-dias para do período entre a emissão do botão
floral ao amadurescimento da fruta foi de 367,2 (Figura 8), semelhante ao observado nas
demais cultivares.
36
Datas correspondentes à transição das fases
Tupy ciclo 2013/2014
15/10
21/10
26/10
26/11
21/12
CF
FF
EB
AF
ENH
7
5
30
25
7 dias
52,7 GD
12 dias
100,1 GD
42 dias
367,2 GD
67 dias
589,7 GD
125 dias
1209,6 GD
26/02
PF
65
27/03
PC
31
121 dias
1163,6 GD
Figura 8. Duração, em dias e acúmulo, em graus-dias, dos estágios fenológicos na cultivar
Tupy. Emissão de botões florais (EB); abertura da flor (AF); formação do fruto
(FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes produtivas para o ano
seguinte (ENH), período de floração e período de colheita (PC), em Diamantina,
MG, safra 2013/14.
O florescimento da ‘Xavante’ teve duração de 110 dias, com início no mês de
setembro (25/09) e término em janeiro (15/01), resultando no acúmulo de 979,6 graus-dia. A
colheita foi iniciada em novembro (03/11) e finalizada em fevereiro (20/02), o que resultou
em 107 dias de colheita, com o acúmulo de 1.036,0 graus dias. O tempo entre a emissão do
botão floral ao amadurecimento do fruto foi de, aproximadamente, 45 dias, o que resultou em
um acúmulo de 366,9 graus-dia (Figura 9). Para a duração do ciclo de floração e colheita, a
Xavante foi a cultivar que teve o menor acúmulo de graus-dias, o que pode ser atribuído ao
menor período produtivo desta cultivar, quando comparada às demais da área experimental.
Os acúmulos observados para as amoreiras são menores que os valores verificados em
outras espécies frutíferas, possivelmente porque a amoreira é uma espécie que, geralmente,
apresenta curtos períodos entre a abertura das flores e a formação da fruta, em média, 40 dias,
o que, geralmente, ocasiona a produção concentrada. Além disso, em locais com a altitude
elevada, as modificações na temperatura média do ar alteram o ciclo da amoreira-preta e,
principalmente, a época da floração. Assim como observado no presente trabalho, o maior
acúmulo foi observado na cultivar Brazos, por ter apresentado o período produtivo mais
longo, principalmente no ciclo 2013/2014. Entre as subfases, praticamente não houve
diferenças entre as cultivares.
37
Datas correspondentes à transição das fases
Xavante ciclo 2013/2014
18/09
25/09
30/09
03/11
03/12
CF
FF
EB
AF
ENH
7
5
33
30
7
76,9 GD
12 dias
118,6 GD
45 dias
366,9 GD
75 dias
620,4 GD
110 dias
979,6 GD
15/01
PF
42
20/02
PC
35
107 dias
1036,0 GD
Figura 9. Duração, em dias e acúmulo, em graus-dias, dos estágios fenológicos na cultivar
Xavante. Emissão de botões florais (EB); abertura da flor (AF); formação do fruto
(FF), colheita de fruto (CF), emissão de novas hastes produtivas para o ano
seguinte (ENH), período de floração e período de colheita (PC), em Diamantina,
MG, safra 2013/14.
O comportamento da ‘Brazos’, nos dois anos de cultivo, evidencia o seu hábito de
produção precoce. No entanto, a diferença observada entre o início das brotações das hastes,
possivelmente, ocorreu porque, no primeiro ano, as plantas ainda eram jovens. A antecipação
da produção com a maturidade das plantas também foi observada em regiões de clima
subtropical em Pelotas, RS (ANTUNES et al., 2010) e no oeste do Paraná (CAMPAGNOLO,
2012) e de clima tropical de altitude em Caldas, MG (ANTUNES et al., 2000b) e em Lavras,
MG (CURI, 2012). Porém, nessas regiões, o período de florescimento ocorreu depois da
segunda quinzena de agosto e o início de setembro, diferente da época de floração que
ocorreu nas condições de cultivo do presente trabalho. Esse fato pode estar relacionado com o
as variações climáticas dos locais de cultivo (Figura 10). Observou-se, em Diamantina,
durante o período em que foi conduzida a presente pesquisa, que temperaturas abaixo de 13
°C ocorrem até os meses de outubro e novembro, o que pode ter contribuído para o
alongamento do ciclo produtivo das cultivares.
O comportamento fenológico das cultivares de amoreira nos diferentes locais de
cultivo é importante para direcionar os produtores que queiram produzir amoras para o
consumo ao natural ou para o processamento, dada a rapidez com que as frutas completam a
sua formação e atingem o ponto de colheita, auxiliando no planejamento de colheita e na
infraestrutura para o armazenamento, considerando a alta perecibilidade das frutas.
35,0
700
30,0
600
25,0
500
20,0
400
15,0
300
10,0
200
5,0
100
0,0
mar/12
jun/12
Precipitação
set/12
T. média
dez/12
mar/13
T. máxima
jun/13
set/13
T. mínima
dez/13
Precipitação (mm)
Temperatura (o C)
38
0
mar/14
Amplitude térmica
Figura 10. Médias mensais das temperaturas: média (T. média), máxima (T. máxima),
mínima (T. mínima), amplitude térmica (AT) e precipitação mensal acumulada,
durante o cultivo das amoreiras, em Diamantina, MG, Campus JK, UFVJM
(Fonte: Estação Automática Campus JK).
Esse comportamento é importante, do ponto de vista da comercialização, pois a
antecipação do período de florescimento das amoreiras-pretas favorece colheitas em épocas
que os preços são mais atrativos, pois se têm verificado diferenças de cinco a seis vezes
maiores no preço da amora, fora da época de safra normal. Além disso, isso representa
oportunidade de emprego e renda para os pequenos produtores da região Vale do
Jequitinhonha, visto que o prolongamento do ciclo produtivo da amoreira requer muita mão
de obra, devido às diversas colheitas realizadas ao logo da fase de produção.
Os resultados observados em relação ao maior período de produção da
‘Brazos’(Tabela 3) se deve à antecipação do seu florescimento, o que resultou em
prolongamento na produção em relação às demais cultivares. A duração e a época de
produção observadas neste trabalho diferem do comportamento apresentado por estas
cultivares em outras regiões de cultivo. Comparando-se o comportamento da ‘Brazos’ em
locais que apresentam clima mais frio, como na região sul, a colheita das amoras desta
cultivar ocorre entre a segunda quinzena de novembro e a primeira quinzena de janeiro, com
duração média de 54 dias (ANTUNES et al., 2010) .
39
Em relação ao comportamento da ‘Tupy’, observou-se que esta cultivar foi a mais
tardia, tendo as colheitas se iniciado somente depois da segunda quinzena de novembro
(Tabela 3), diferente das demais regiões, onde se tem observado o início da floração entre
agosto e setembro e colheitas entre setembro e o início de novembro (CURI, 2012;
CAMPAGNOLO, 2012). Essa variação no comportamento fenológico pode ser devido à
necessidade de acúmulo de horas de frio no período que antecede o florescimento, pois ele é
responsável pela quebra de dormência (CLARK et al., 2005). No entanto, em climas mais
frios, pode ocorrer atraso na colheita das amoras, pois, nas condições de Pelotas, mesmo
ocorrendo o florescimento entre agosto e setembro, o início da colheita acontece entre
novembro e dezembro (ANTUNES et al., 2010).
Resultados semelhantes aos observados neste trabalho foram constatados na região de
Poços de Caldas, MG, para a cultivar Tupy, que iniciou o florescimento a partir de outubro,
nos anos agrícolas de 97/98 e 98/99 (ANTUNES, 1999).
Apesar de alguns dias de diferença em relação ao início do período de floração das
cultivares Guarani e Xavante (Tabela 3) em relação ao comportamento dessas cultivares em
outras regiões, a maior variação é referente à duração do florescimento e da colheita que, no
sul, em média, é de 59 dias (ANTUNES et al., 2010) e 60 dias (BOTELHO et al., 2009;
CAMPAGNOLO, 2012), enquanto, no sudeste, o ciclo varia em torno de 85 dias, em Caldas,
MG (ANTUNES et al., 2000b) e de 118 dias, em Lavras, MG (CURI, 2012), sendo este
último semelhante ao comportamento observado neste trabalho.
Variações no florescimento em diferentes regiões podem ocorrer em função da
quantidade de horas de frio acumuladas pelas plantas, decorrente das oscilações térmicas que
ocorrem de uma região para outra, como também podem estar relacionados à data de início de
temperaturas elevadas favoráveis ao crescimento (Figura 10). Assim, a diferença apresentada
pelas cultivares pode estar relacionada a fatores intrínsecos da adaptação das cultivares, como
a exigência em frio e as variações climáticas locais (RASEIRA et al., 2007).
Apesar de a temperatura ser apontada como o principal elemento climático
relacionado à produção satisfatória da amoreira-preta, assim como para outras frutíferas de
clima temperado, sendo, portanto, pré-requisito para que as gemas se diferenciem em
reprodutivas, superarem a dormência e floresçam. No entanto, observou-se que, nas condições
do presente trabalho, a ocorrência de baixas temperaturas no período que antecede a floração
foi menor que aquela apontada, na literatura (Tabela 4), para atender à necessidade de frio das
cultivares de amoreiras avaliadas, que é de 200-300 horas abaixo de 7,2 °C (ANTUNES;
40
RASEIRA, 2004; RASEIRA et al., 2007), indicando a necessidade de pesquisas para
identificar a temperatura limite para a indução floral das amoreiras-pretas.
Observou-se variação entre as cultivares em relação à exigência térmica necessária
para completar cada estádio fenológico (Tabela 4). No ciclo produtivo de 2012/13 para a
‘Brazos’, o número de horas de frio acumuladas até a floração foi 417 horas abaixo de 13 °C e
uma 1 hora abaixo de 10 °C, enquanto, no ciclo de 2013/14, a emissão de botões florais foi
observada após a ocorrência de 35 horas abaixo de 13 °C.
Tabela 4. Acúmulo de horas de frio com temperatura inferior a 13 °C, 10 °C e 7,2 °C, durante
os ciclos 2012/2013 e 2013/2014, para cada estádio fenológico de diferentes
cultivares de amoreira-preta, em Diamantina, MG.
‘Brazos’
Estádios
‘Guarani’
‘Tupy’
‘Xavante’
NHF NHF
NHF
NHF
NHF
NHF
NHF
NHF
NHF
NHF
NHF NHF
< 13
< 10
< 7,2
< 13
< 10
< 7,2
< 13
< 10
< 7,2
< 13
<10
< 7,2
°C
°C
°C
°C
°C
°C
°C
°C
°C
°C
°C
°C
2012/2013
AEG
272
0
0
-
-
-
-
-
-
-
-
-
EB-AF
417
1
0
-
-
-
-
-
-
-
-
-
AF - FF
632
20
0
-
-
-
-
-
-
-
-
-
FF- CF
708
47
0
-
-
-
-
-
-
-
-
-
PF
489
54
0
-
-
-
-
-
-
-
-
-
PC
130
54
0
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2013/2014
AEG
2
0
0
477
31
0
548
31
0
477
31
0
EB-AF
35
0
0
548
31
0
640
43
0
548
31
0
AF - FF
93
0
0
640
43
0
640
43
0
548
31
0
FF- CF
173
0
0
654
43
0
654
43
0
654
43
0
PF
654
42
0
179
11
0
108
11
0
179
11
0
PC
563
42
0
17
0
0
17
0
0
17
0
0
AEG - antes da emissão da gema floral; EB - emissão de botões florais; ABF = abertura do botão floral; FF =
formação do fruto; CO = colheita do fruto; período de floração (PF) e período de colheita (PC).
As cultivares Guarani e Xavante apresentaram comportamento semelhante, com o
acúmulo de 548 horas abaixo de 13 °C e 31 horas abaixo de 10 °C, até o florescimento
(Tabela 4), acumulando, durante todo o período de floração, 179 horas abaixo de 13 °C e 43
41
horas abaixo de 10 °C. Já a cultivar Tupy apresentou o acúmulo de 640 horas abaixo de 13 °C
e 43 horas abaixo de 10 °C, com o acúmulo 108 horas abaixo de 13 °C e 11 horas abaixo de
10 °C, durante todo o período de floração.
O comportamento fenológico diferiu entre as cultivares e variou de um ano para outro
na cultivar Brazos. No entanto, pode-se observar que, na área de cultivo onde foi realizada
esta pesquisa, não ocorreu nenhuma hora de frio com temperaturas abaixo de 7,2 °C,
sugerindo que, além das temperaturas, outros fatores podem estar relacionados com o
florescimento das amoreiras. Em outras espécies de clima temperado, como a oliveira, a
adaptação em novas regiões de cultivo tem ocorrido em locais que apresentam temperaturas
amenas durante o inverno e amplitude térmica (CORDEIRO et al., 2001), que é um dos
aspectos que podem ser destacados em relação aos fatores climáticos de Diamantina, MG,
que, geralmente, ultrapassam 10 °C (Figura 10).
4.3 Produtividade
Com relação ao desempenho produtivo das cultivares de amoreira-preta, a produção
no primeiro ciclo produtivo avaliado na cultivar Brazos foi de 250 g de frutas por planta, o
que correspondeu à produtividade de 1,2 t ha-1. Essas frutas apresentaram massa média de 6,9
g (Tabela 5).
Na safra de 2013/2014, as demais cultivares que ainda estavam no primeiro ciclo
produtivo alcançaram produção de 5.912, 4.290 e 1.468 g por planta, para as cultivares
Guarani, Tupy e Xavante, respectivamente, correspondendo às produtividades de 5,9 t ha-1,
4,3 t ha-1 e 1,5 t ha-1 (Tabela 5).
No ciclo da ‘Brazos’, safra de 2013/2014, a produção foi de 4.472 g por planta,
alcançando a produtividade de 22,4 t ha-1 (Tabela 5). Essas diferenças, possivelmente,
ocorreram em função da idade das plantas e do prolongamento do período de colheita (Tabela
3). No primeiro ciclo, apenas a 'Brazos' frutificou, pelo fato de as plantas desta cultivar terem
sido plantadas seis meses antes que as demais cultivares e, por isso, diferiu em relação ao
início das brotações das hastes. No entanto, na safra de 2013/2014, quando aconteceu a
primeira produção das demais cultivares, observou-se que as produções por planta foram
superiores à que foi obtida pela cultivar Brazos em seu primeiro ciclo, pois as cultivares
Guarani, Tupy e Xavante estavam com um ano e, dessa forma, tinham maior número e
tamanho de hastes (Tabela 2).
42
Tabela 5. Número de frutas por planta, massa das frutas, produção por planta e produtividade
por hectare, nos ciclos produtivos 2012/13 e 2013/14, de diferentes cultivares de
amoreira-preta, em Diamantina, MG.
Cultivares
Número de
Massa
Produção
Produtividade
frutas por planta
(g)
(g planta-1)
(t ha-1) (2)
Ciclo 2012/2013 (1)
‘Brazos’
36
6,9
250
1,2
‘Guarani’
-
-
-
-
‘Tupy’
-
-
-
-
‘Xavante’
-
-
-
-
CV (%)
15,5
15,5
15,5
15,5
Ciclo 2013/2014 (1)
‘Brazos’
711,14 a
6,45 a
4.472 b
22,4 a
‘Guarani’
339,99 b
3,56 b
5.912 a
5,9 b
‘Tupy’
121,86 c
7,05 a
4.290 b
4,3 b
‘Xavante’
64,76 c
4,65 b
1.468 c
1,5 c
CV (%)
17,99
14,53
14,92
14,74
(1)
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferme entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
(2)
Cálculo considerando espaçamento 2,5 m x 0,8 m, com densidade de 5.000 plantas ha-1.
Os resultados observados para cultivar Brazos nas condições de Diamantina são
considerados promissores, pois alguns autores mencionam que esta cultivar tem potencial
para alcançar a produtividade 22 t ha-1 no segundo ano após o plantio (GONÇALVES et al.,
2011), semelhante ao observado no presente trabalho. Tem-se observado que o
comportamento produtivo das cultivares adaptadas às condições brasileiras tem variado entre
os locais de cultivo, a idade das plantas e a densidade de plantio. O desempenho produtivo da
‘Brazos’ nas condições de clima tropical de altitude foi avaliado por Curi (2012), que
verificou a produtividade de 20 t ha-1 e por Campagnolo (2012), em condições de clima
subtropical, em que o desempenho produtivo foi de 18,6 t ha-1 no segundo ciclo produtivo
com a densidade de plantio de 6.667 plantas por hectare.
As variações na capacidade produtiva das cultivares de amoreira estão relacionadas
aos fenômenos climáticos que interferem na floração e na brotação (ANTUNES et al., 2000) e
ao sistema de produção adotado, que pode alterar características intrínsecas da cultivar
trabalhada (SWAIN; DARNELL, 2002). Em condições de clima subtropical úmido no Brasil,
43
em sistema agroecológico, a média de produtividade, em três anos de cultivo da ‘Brazos’, foi
de 2,8 t ha-1 (ANTUNES et al., 2010).
A produtividade de 5,9 t ha-1, observada na ‘Guarani’; de 4,3 t ha-1, na ‘Tupy’ e de 1,5
t ha-1, na ‘Xavante’, podem ser atribuídas à idade das plantas, que se encontravam em seu
primeiro ano produtivo, pois, em outras regiões de cultivo, tem se verificado evolução no
potencial produtivo dessas cultivares ao longo dos anos. Em Marechal Cândido Rondon, PR,
estas cultivares apresentaram, em seus primeiros ciclos, produtividades de 2,7 t ha-1, 0,9 t ha-1
e 0,06 t ha-1, respectivamente (CAMPAGNOLO, 2012), médias abaixo das encontradas neste
trabalho. Em Guarapuava, PR, a cultivar Xavante apresentou evolução em relação às
produtividades de 2,7; 5,9 e 5,2 t ha-1, no período de 2005 a 2007 (BOTELHO et al., 2009).
4.4 Qualidade das frutas
Com relação à massa das frutas (Tabela 5), observaram-se, nas cultivares Brazos e
Tupy, amoras com maior massa, evidenciando que o número de frutas por planta não
interferiu no tamanho, pois a ‘Brazos’ foi a cultivar que apresentou maior número de frutas
por planta. No entanto, os valores de massa foram semelhantes aos observados em outras
regiões produtoras (ANTUNES; RASEIRA, 2004; GONÇALVES et al., 2011).
Comparando-se o tamanho das frutas produzidas pelas cultivares nas condições de
Diamantina, a ‘Tupy’ e a ‘Brazos’ foram as que produziram frutas com maior diâmetro
longitudinal e transversal (Tabela 6), assim como observado em relação às massas das frutas,
correspondendo às características próprias destas cultivares. Ressalta-se que as frutas das
cultivares Guarani e Xavante apresentaram tamanhos menores, com a produção de frutas de
formato arredondado, característica própria dessas cultivares.
Diferenças no tamanho das amoras provenientes de outras regiões de cultivo
provavelmente se devem às diferentes condições edafoclimáticas que estimulam o mesmo
genótipo a responder de maneira distinta, além dos aspectos relacionados a manejo, diferentes
sistemas de condução, poda, raleio e adubação, entre outras práticas, que atuam diretamente
no tamanho das frutas.
44
Tabela 6. Diâmetro longitudinal (DL), diâmetro transversal (DT) e pH em frutas de diferentes
cultivares de amoreira-preta, em Diamantina, MG.
Cultivares (1)
(1)
(2)
DL
DT
------------------------- mm -----------------------
pH
‘Brazos’
19,49±0,92 a
16,32±0,37 b
3,02±0,05 a
‘Guarani’
13,74±1,09 b
14,14±0,65 c
3,07±0,02 a
‘Tupy’
19,87±1,92 a
18,69±0,79 a
3,09± 0,05 a
‘Xavante’
16,30±1,59 b
15,38±0,78 b
3,09 ±0,05 a
CV (%)
9,23
4,08
1,48
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Os valores de pH das amoras não diferiram entre as cultivares, variando entre 3,02 a
3,09 (Tabela 6), semelhante aos encontrados nas amoras das cultivares Guarani, Tupy e
Cherokee, do banco de germoplasma da Estação Experimental da EPAMIG em Caldas, MG
(MOTA, 2006) e nas amoras das cultivares Tupy e Xavante, cultivadas em Pelotas, RS
(FINKENAUER, 2010). Os valores obtidos neste estudo estão de acordo com o esperado para
as cultivares avaliadas, devido ao fato de suas características intrísecas remeterem ao sabor
ácido a doce-ácido, indicando que as frutas apresentavam maturação uniforme. O sabor mais
ácido é uma característica desejável para a industrialização da fruta. Segundo a CETEC
(1985), o pH ótimo para a formação do gel, na fabricação de geleias, é de 3,0 a 3,2, o que
reduz os custos com acidulantes. Além disso, o pH baixo em amoras as tornam suscetíveis à
degradação fúngica porque grande parte da população bacteriana prefere pH próximo do
neutro (TOURNAS; KATSOUDAS, 2005).
Em relação à acidez titulável, a‘Tupy’ foi a cultivar que produziu amoras com menor
valor, enquanto ‘Guarani’ e a 'Xavante' as que apresentaram as frutas mais ácidas. Essa
diferença refletiu no sabor final das amoras, observando-se, nas frutas destas cultivares, o
maior e o menor ratio, respectivamente (Tabela 7), apesar de a ‘Xavante’ ter produzido as
frutas com maior teor de sólidos solúveis. O fato de a cultivar Tupy produzir as amoras com
baixa acidez faz com que ela seja recomendada para o consumo ao natural e a ‘Guarani’, por
ser mais ácida, para industrialização (SANTOS; RASEIRA, 1988).
Esses resultados evidenciam diferenças nas propriedades intrínsecas de cada cultivar,
o que está relacionado com a capacidade de síntese de ácidos orgânicos, principalmente dos
ácidos não dissociáveis, além de capacidade inerente do ambiente cultivo, visto que as
cultivares foram submetidas as mesmas práticas de manejo.
45
Tabela 7. Acidez titulável (AT), teores de sólidos solúveis (SS), ratio e açúcares redutores
(AR) em frutas de diferentes cultivares de amoreira-preta, em Diamantina, MG.
(2)
Cultivares
(1)
(2)
(1)
AT
SS
AR
Ratio
(g 100 g -1 fruta)
(% ác. cítrico)
(°Brix)
‘Brazos’
0,95±0,02 ab
6,14±0,52 ab
6,46 ±0,42 ab
2,56±0,49 a
‘Guarani’
1,28±0,09 a
6,92±0,60 ab
5,40 ±0,54 b
3,33±0,55 a
‘Tupy’
0,87±0,02 b
5,94±0,52 b
6,68 ±0,58 a
2,88±0,94 a
‘Xavante’
1,34±0,07 a
7,66±1,32 a
5,68 ±0,75 ab
4,14±1,50 a
CV (%)
4,8
12,97
10,9
22,06
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
Em relação aos teores de açúcares redutores, não foram observadas diferenças
significativas entre as amoras das diferentes cultivares, que apresentaram valores entre 2,56 a
4,14 g de glicose 100 g-1 de fruta. Os teores de açúcares observados nas amoras produzidas
em Diamantina são maiores que os teores verificados nas frutas destas cultivares produzidas
sob condições de clima tropical de altitude, no Sul de Minas, onde os teores variaram entre
1,51 g 100 g-1, nas amoras da ‘Tupy’ e 2,44 g 100 g-1 de fruta, na ‘Brazos’ (GUEDES, 2013)
Segundo Kafkas et al. (2006), o acúmulo de açúcares, especialmente o alto conteúdo de
açúcares redutores (glicose e frutose), é muito importante para a fisiologia pós-colheita das
amoras, os quais são responsáveis pela sabor doce nas frutas.
Em relação aos compostos fenólicos e antocianinas, as amoras das diferentes
cultivares não apresentaram diferenças (Tabela 8), sendo verificada a variação de 102,58 a
156,21 mg 100 g-1 de fruta para os compostos fenólicos totais. Resultados semelhantes foram
observados por Silva (2007), em amoras das cultivares Guarani e Brazos. Entretanto, os
compostos fenólicos foram menores que os teores de 400 mg 100 g-1, encontrados por
Antunes et al. (2006), para as cultivares Brazos e Comanche e os de 373 a 499 mg 100 g -1 de
polpa fresca, relatados por Hassimoto et al. (2008) nas frutas produzidas em Caldas, MG. Os
compostos fenólicos têm papel na coloração e no “flavor”, contribuindo para a adstringência,
a acidez ou para o sabor amargo das frutas (CHITARRA; CHITARRA, 2006). A variação
desses compostos em cada fruta pode variar de acordo com a cultivar, o manejo, as condições
climáticas, o estádio de maturação, o tempo de colheita e as condições de armazenamento
(AHERNE; O'BRIEN, 2002; HAFFNER et al., 2002; RICKMAN et al., 2007). Segundo
Moyer et al. (2002), o conteúdo de compostos fenólicos está diretamente ligado à similaridade
46
genética entre as espécies e às condições a que a planta é submetida, uma vez que a síntese
desses compostos está relacionada aos fatores de metabolismo e proteção da planta
Tabela 8. Compostos fenólicos totais e antocianinas em frutas de diferentes cultivares de
amoreira-preta, em Diamantina, MG.
(2)
Cultivares (1)
Compostos fenólicos totais
Antocianinas
---------------------- mg 100 g-1 de fruto --------------
‘Brazos’
142,45±0,02 a
61,58±5,78 a
‘Guarani’
129,28±0,04 a
65,06±20,39 a
‘Tupy’
102,58±0,02 a
53,96±4,11 a
‘Xavante’
156,21±0,04 a
69,07±6,23 a
CV (%)
25,45
16,0
(1)
(2)
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
Os valores de antocianinas variaram entre 53,96 e 69,07 mg 100 g-1 de fruta (Tabela
9). Os resultados encontrados neste trabalho foram inferiores aos relatados por Ferreira et al.
(2010), que observaram 104,1 mg 100 g-1 na cultivar Tupy. Chiang et al. ( 2005) observaram
valores médios de 137 mg 100 g-1, em frutas de diferentes genótipos de amoreira-preta
originadas de diferentes locais.
As diferenças observadas quanto ao conteúdo de antocianinas totais entre as diferentes
cultivares podem estar relacionadas com as variações genéticas, as condições ambientais
durante a colheita e, também, devido à ação enzimática na pós-colheita, principalmente
devido a processos oxidativos das polifenoloxidases, cujo principal substrato é a cianidina-3glicosídio (BEATTIE et al., 2005). Dentre estes fatores, o que, provavelmente, influenciou os
teores de compostos fenólicos nas amoras foram as temperaturas, pois, apesar de o frio ser um
fator importante durante o período de dormência, para proporcionar índices adequados de
brotação, se as plantas forem submetidas ao frio fora dessa fase, pode haver danos aos frutos
em desenvolvimento (DEGÁSPARI; WASZCZYNSKY, 2004). Em Diamantina, a altitude
elevada proporciona a ocorrência de temperaturas amenas, mesmos após o período de indução
floral (Figura 10), com a temperatura abaixo de 10 °C durante o período de colheita (Tabela
3).
47
Em relação à composição centesimal, as amoras com maior umidade foram da cultivar
Tupy, com 87% (Tabela 9), resultado semelhante ao encontrado por Chim (2008), que relatou
o percentual de 88% de umidade nas frutas da mesma cultivar. O menor conteúdo de água foi
observado na cultivar Xavante (84%), o que pode ser indício de menor grau perecibilidade das
frutas desta cultivar, já que a alta umidade aumenta a probabilidade ao ataque por
microorganismos, fato que diminui e dificulta a conservação do fruto ao natural. Raseira e
Antunes (2004) afirmam que, por esse motivo, a produção de amora-preta é, normalmente,
destinada à produção de polpa, produtos geleificados e sucos naturais. Quanto aos teores de
cinzas, as cultivares não apresentaram diferenças significativas, variando entre 0,29% e
0,43%. Estes valores estão dentro dos relatados pela United States Departament of
Agriculture, que é de 0,4% para amora-preta (USDA, 2011). Os teores de cinzas podem
refletir na qualidade, uma vez que os maiores teores de cinzas retratam altos teores de cálcio,
magnésio, ferro, fósforo, sódio e outros componentes minerais nos frutos (WANG et al.,
2003).
Tabela 9. Teores de umidade, cinzas, proteínas, lipídeos, fibra bruta e carboidratos em frutas
de diferentes cultivares de amoreira-preta, em Diamantina, MG.
(2)
Cultivares
(1)
Umidade
Cinzas
Proteínas
Lipídeos
Fibra bruta
Carboidratos
---------------------------------------------- % ------------------------------------------‘Brazos’
85±1bc
0,3±0,08a 1,0±0,16b
0,23±0,03ab
‘Guarani’
86±1ab
0,3±0,07a 1,3±0,30ab
0,32±0,05 a 2,6±0,12ab
9,4±0,48b
‘Tupy’
87±1a
0,4±0,12a 1,6±0,11a
0,18±0,03b
1,8±0,6b
9,1±1,11b
‘Xavante’
84±1c
0,4±0,12a 1,3±0,21ab
0,23±0,10ab
3,3±0,4 a
10,96±0,98b
CV (%)
1,33
16,84
16,81
9,67
(1)
(2)
25,52
14,42
2,3±0,3b
11,5±0,86a
Médias seguidas de mesma letra minúscula na linha não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
As amoras apresentam baixos teores de proteínas e lipídeos entre as cultivares
avaliadas. As frutas da cultivar ‘Tupy’ apresentaram os maiores valores de proteína e as da
‘Guarani’, os maiores teores de lipídeos (Tabela 9), próximos aos valores que se observam em
amoras cultivadas em outras regiões, de 1,01% a 1,58% e 0,19% a 0,32%, para proteínas e
lipídeos, respectivamente. Vale ressaltar que a variação nos valores destes constituintes pode
ser relacionada ao elevado conteúdo de água apresentado pelas cultivares, conforme
48
observado nas frutas da cultivar ‘Tupy’. Em relação à fibra bruta, os valores oscilaram entre
1,83% e 3,33%, tendo o maior percentual sido verificado nas amoras da cultivar ‘Xavante’. O
alto percentual de fibras presentes nas frutas das cultivares de amoreira-preta, quando
comparado com os das frutas em geral, sugere benefícios de sua ingestão, em relação ao
auxílio nos movimentos peristálticos do trato intestinal (CHIM, 2008).
Em relação aos teores de carboidratos, houve variação entre 9,06% e 11,50%, sendo a
‘Brazos’ a cultivar com maior percentual (Tabela 9). Os valores encontrados neste estudo
foram superiores aos encontrados por Mota (2006) em amoras da cultivar Tupy oriunda da
cidade de Poços Caldas, MG de 4,72% carboidratos.
Conforme já mencionado por alguns autores, as pequenas frutas são fontes de
compostos bioativos, como polifenois e antocianinas (CHEN et al., 2013). A sua composição
pode variar em função da cultivar, do manejo cultural e da região de cultivo, em virtude das
condições meteorológicas (AHERNE; O'BRIEN, 2002; RICKMAN et al., 2007). Entretanto,
observou-se que as variações observadas nas frutas produzidas pelas cultivares de amoreirapteta em Diamantina não comprometeram a sua qualidade final e que as diferenças
apresentadas em algumas características se devem às variações climáticas da região,
principalmente em decorrência da época de colheita das amoras, visto que a época de floração
das cultivares e a duração do ciclo (Tabela 3) diferiram em relação ao comportamento dessas
cultivares em condições de climas temperados como na Europa, na Ásia e na América do
Norte (CHEN et al., 2013).
A influência do clima sobre a qualidade das frutas ficou evidente quando a avaliação
foi feita comparando-se as amoras colhidas da cultivar ‘Brazos’ em diferentes épocas em
Diamantina.
Quanto às características físicas, observaram-se amoras de maiores tamanhos nas
colheitas realizadas em junho e julho, com a combinação das maiores massas, diâmetros
longitudinal e transversal, o que, possivelmente, se deve ao fato de, nesse período, não ter a
ocorrência de chuvas (Figura 10), o que favorece a polinização, além de as plantas estarem
iniciando a produção, portanto, tinham menor quantidade de frutas e maior disponibilidade de
fotoassimilados, favorecendo a presença de frutas de maiores calibres. No entanto, a partir de
setembro, época do início das chuvas e do segundo surto de floração, as plantas estavam com
elevado número de frutos imaturos da primeira floração, o que, possivelmente, ocasionou
forte competição entre as flores e os frutos por fotoassimilados, resultando em frutas com
menor tamanho final (Tabela 10).
49
Tabela 10. Diâmetro longitudinal (DL), diâmetro transversal (DT) e massa, avaliados em
amoras da cultivar ‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas, em Diamantina,
MG.
Época (1)
(1)
(2)
(2)
DL (mm)
DT (mm)
Massa (g)
junho
21,53±1,70 a
19,92±1,37 a
6,56±0,74 ab
julho
21,05±1,26 ab
18,56±0,91 ab
7,30±0,92 a
agosto
18,04±1,32 c
16,53±1,18 c
6,46±0,73 ab
setembro
17,62±1,34 c
16,52±1,18 c
5,39±0,96 b
outubro
19,13±1,33 bc
17,33±0,73 bc
5,84± 0,79 b
novembro
19,64±0,64 abc
17,50±0,58 bc
5,87±0,56 b
dezembro
19,49±0,92 abc
16,32±0,37 c
6,45±1,03 b
CV (%)
5,94
4,54
12,65
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
Comportamento semelhante foi observado em relação às características químicas das
amoras, tendo as maiores diferenças ocorrido nos meses de junho, julho e dezembro, por
serem os meses com menor e maior precipitação no local de cultivo (Figura 10), favorecendo
a colheita de amoras com melhor ratio em junho, devido à baixa acidez e, em dezembro,
embora as frutas apresentassem baixo percentual de acidez, os teores de sólidos solúveis
também diminuíram (Tabela 11). Os teores de açúcares das frutas foram influenciados pelas
condições climáticas. Maior incidência de luz solar e menor precipitação ajudam na produção
de frutas de melhor qualidade, que ocorreu no mês de agosto, antes do período das chuvas
(Figuras 10 e 11).
Estes resultados evidenciam ao se produzir amoras fora da época de safra normal,
além das vantagens em relação aos melhores preços que podem ser obtidos no mercado, as
frutas podem apresentar características atrativas para o consumidor que prefere frutas de boa
qualidade, pois o tamanho da fruta e o sabor são atributos que promovem a boa aceitação por
parte dos consumidores e determinam o valor de comercialização, tanto para o consumo ao
natural quanto para a indústria.
50
Tabela 11. Potencial hidrogeniônico (pH), teor de sólidos solúveis (SS), acidez titulável
(AT), ratio e açúcares redutores (AR) em amoras da cultivar ‘Brazos’
produzidas em diferentes épocas, em Diamantina, MG.
junho
2,97±0,05 b
7,63±0,32b
0,93±0,05b
julho
2,97±0,03 b
8,14±0,34ab
1,26±0,12a
AR
(g 100 g-1 fruto)
2,71±0,82bc
8,23±0,25a
4,43±1,68ab
6,46±0,23b
agosto
3,03±0,03 a
8,76±0,41a
0,96±0,08b
9,17±0,42a
5,83±0,99a
setembro
3,07±0,01 a
7,92±0,38b
1,09±0,12ab
7,29±0,38ab
3,06±0,63bc
outubro
3,02±0,02ab
6,60±0,28ab
0,95±0,13b
7,85±0,49ab
2,06±1,02c
novembro
3,02±0,04ab
7,37±0,22ab
1,08±0,21ab
7,29±0,86ab
3,28±1,31bc
dezembro
3,02±0,01ab
6,14±0,53c
0,97
5,09
6,46±0,17b
15,1
2,56±0,49bc
CV (%)
0,95±0,02b
11,5
Época (1)
(1)
(2)
(2)
pH
SS (°Brix)
AT
(% ác. citrico)
Ratio
(SS/AT)
21,2
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
Velocidade do vento ( m s -1 )
6
5
4
3
2
1
0
mar/12 jun/12 set/12 dez/12 mar/13 jun/13 set/13 dez/13 mar/14
Figura 11. Média mensal de radiação solar global durante o cultivo das amoreiras em
Diamantina, MG, Campus JK, UFVJM (Fonte: Estação Automática Campus JK).
Os teores de compostos fenólicos variaram entre 192,93 e 112,6 mg 100 g-1 de fruta,
sendo o maior valor obtido no mês de agosto e menor em outubro. Os teores de antocianinas
foram maiores no mês de setembro, com 65,6 mg 100 g-1 de fruto e menores para o mês de
junho, 33,21 mg 100 g-1 de fruto. Essas diferenças em relação às épocas de colheita
51
evidenciam a influência dos fatores climáticos sobre a composição desses compostos. A
antocianina é um pigmento muito influenciado pela radiação solar, assim como observado
neste trabalho, pois se verificou que, quando ocorreu aumento da intensidade solar a partir do
mês de agosto (Figura 10), os teores de antocianina aumentaram (Tabela 12). Segundo Mazza
e Miniati (1993), em plantas cultivadas em ambiente de pouquíssima luminosidade, o nível de
antocianina é baixo, podendo alcançar 0,35 nmol g-1 e aumentar rapidamente para o nível 5,0
nmol g-1, em apenas seis dias de exposição à luminosidade adequada.
A variação nos compostos fenólicos influencia diretamente a qualidade das frutas,
pois, além da participação na cor, eles atuam no “flavor”, contribuindo para a adstringência, a
acidez ou para o sabor amargo das frutas (CHITARRA; CHITARRA, 2006).
Tabela 12. Compostos fenólicos totais (CFT) e antocianinas (ANT) avaliados em amoras da
cultivar ‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas, em Diamantina, MG.
Épocas (1)
junho
(1)
(2)
CFT
ANT
-1
----------------------- mg 100 g de fruta -----------------152,03±0,02 abc
33,21±7,42 b
(2)
julho
173,92±0,03 ab
50,57±8,33 ab
agosto
192,23±0,03 a
55,86±5,44 ab
setembro
129,67±0,04 bc
65,60±20,99 a
outubro
112,56±0,03 c
58,54±21,47 a
novembro
129,06±0,02 bc
49,49±10,00 ab
dezembro
142,45±0,02 bc
61,58±5,78 a
CV (%)
19,84
22,76
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si, pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
Em relação à atividade antioxidante, observou-se, por ambos os métodos aplicados,
DPPH e FRAP, que a cultivar Tupy foi a que produziu frutas com menor capacidade
antioxidante (Tabela 13). No entanto, pode ocorrer variação no percentual de inibição
conforme a metodologia empregada para determinação. Além disso, a atividade antioxidante
nas amoras é proveniente dos compostos fenólicos que fazem parte de sua constituição e,
portanto, os fatores genéticos e ambientais influenciam a acumulação e a degradação de
compostos antioxidantes em frutos, variedades e estádio de maturação (KOCA;
KARADENIZ, 2009). Chim (2008) que verificou percentual de inibição de 83,1, em amoras
da cultivar ‘Brazos’; 86,3, na 'Guarani' e 87,73, nas frutas da ‘Tupy’, maiores que os
52
observados neste trabalho. Há variação na literatura em relação aos valores absolutos
encontrados. Isso pode estar relacionado ao fato de esses compostos bioativos serem
influenciados pelo ambiente. Pesquisas realizadas comparando-se frutos da mesma cultivar,
produzidos em diferentes locais, demonstraram que o fator ambiente está altamente
relacionado ao teor de compostos bioativos sintetizados (REYES-CARMONA et al., 2005;
OLIVEIRA et al., 2009).
Tabela 13. Atividade antioxidante pelo método DPPH e FRAP em frutas de diferentes
cultivares de amoreira-preta, em Diamantina, MG.
(1)
Cultivares
(2)
‘Brazos’
(1)
(2)
DPPH (µmol trolox
100 g-1 de fruto)
8,11±0,88 a
% Inibição
DPPH
13,87 a
FRAP (µmol trolox
100 g-1 de fruto)
12,88±0,46 b
% Inibição
FRAP
46,44 ab
‘Guarani’
8,77±0,82 a
13,98 a
15,29±1,06 a
51,47 ab
‘Tupy’
3,11±0,50 b
8,91 b
6,19±1,09 c
37,39 b
‘Xavante’
7,57±0,63 a
14,03 a
11,37±1,03 b
70,94 a
CV (%)
11,31
11,47
9,22
15,6
Médias seguidas de mesma letra minuscula na coluna não difere entre si pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05).
Dados representam a média de cinco repetições, com análises realizadas em triplicata ± o desvio padrão.
Diferenças entre cultivares também foram observadas por Pantelidis et al. (2007) que
verificaram menores teores de antocianinas totais, compostos fenólicos e a atividade
antioxidante em cultivares de amoreira-preta com espinhos, quando comparadas a cultivares
sem espinho. Segundo Vizzotto et al. (2012), alguns tipos de compostos fenólicos podem ser
sintetizados em maiores ou menores concentrações entre cutivares, embora os teores totais de
compostos fenólicos passam ser semelhantes, justificando a diferença na síntese de compostos
secundários, analisados individualmente, entre as cultivares de amoreiras-preta.
Independente da cultivar, todas as amoras são ricas em compostos que exercem
atividade antioxidante que apresentam papel importante no sistema de defesa, sendo
responsáveis pela inibição e a redução das lesões causadas pelos radicais livres nas células e
que podem ser empregados nas indústrias de alimentos, cosméticos, bebidas e na medicina.
Isso porque, se os radicais livres podem causar danos oxidativos aos lipídeos, proteínas e
ácidos nucleicos, assim podendo causar patologias, a ingestão de antioxidantes capazes de
neutralizar os radicais livres passa ter um papel importante na redução do risco dessas
doenças (DING et al., 2006; WANG; JIAO, 2000; TATE et al., 2006; SEERAM et al., 2006;
TATE et al., 2004).
53
5 CONCLUSÕES
As cultivares de amoreira-preta apresentaram boa adaptação às condições climáticas
de Diamantina, MG.
A ocorrência de frio com temperatura acima de 7,2 °C foi suficiente para a produção
das cultivares de amoreira-preta Brazos, Guarani, Tupy e Xavante no Alto Vale do
Jequitinhonha.
A cultivar Brazos apresentou comportamento precoce, com a antecipação da fase
produtiva.
O ciclo produtivo das cultivares de amoreira-preta, nas condições de climáticas de
Diamantina, foi prolongado.
As condições climáticas de Diamantina proporcionaram produção satisfatória para a
cultivar Brazos, no seu segundo ciclo produtivo.
A qualidade das amoras produzidas em Diamantina foi mantida, com variações
condizentes com as alterações climáticas da região.
A qualidade das amoras é melhor quando colhidas na época seca, com baixa
incidência de chuvas e alta radiação solar.
54
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66
ANEXOS
67
Tabela 1A. Resumo da análise de variância para número de hastes (NH), comprimento das
hastes (CH), diâmetro de hastes (DH) e número de perfilhos (NP) de diferentes
cultivares de amoreira preta. UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
NH
CH
DH
NP
4
0,689195ns
0,012283ns
3,263645ns
0,655895 ns
Cultivar
3
1,584378*
0,123393**
6,409952*
1,937645ns
Resíduo
12
0,357462
0,015789
7,132685
1,106562
21,07
10,66
19,18
24,20
CV (%)
** F significativo, a 1% e * F significativo a 5%; ns F não significativo, a 5%
Tabela 2A. Resumo da análise de variância para o número de frutas (NF), massa de frutas
(MF), produção por planta (PP) e produtividade (P) de diferentes cultivares de
amoreira-preta. UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
NF
MF
PP
P
4
3072,43 ns
0,339407ns
0,080743 ns
17288783,82 ns
Cultivar
3
428920,57**
12,902218**
17,281018**
442956624,07**
Resíduo
12
3099,72
0,624
0,362456
1572269,51
17,99
14,53
14,7
14,7
CV (%)
* F significativo, a 1%; ns F não significativo, a 5%
68
Tabela 3A. Resumo da análise de variância para o diâmetro longitudinal (DL), diâmetro
transversal (DF) e potencial hidrogeniônico (pH) em frutas de diferentes
cultivares de amoreira-preta. UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
DL
DT
pH
4
0,568317ns
0,500023 ns
0,001 ns
Cultivar
3
41,822487**
18,562858**
0,006 ns
Resíduo
12
2,5641
0,433
0,002
9,23
4,08
1,48
CV (%)
** F significativo, a 1%; ns F não significativo a 5%
Tabela 4A. Resumo da análise de variância para a acidez titulável (AT), sólidos solúveis
(SS), ratio e açúcares redutores (AR) em frutas de diferentes cultivares de
amoreira-preta. UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
AT
SS
Ratio
AR
4
0,003683ns
0,43027 ns
0,067355ns
0,455 ns
Cultivar
3
0,267387**
3,085885*
1,872173**
2,33 ns
Resíduo
12
0,002866
0,75769
0,436165
1,07
4,8
12,97
10,92
32,06
CV (%)
** F significativo, a 1% e * F significativo a 5%; ns F não significativo a 5%
69
Tabela 5A. Resumo da análise de variância para os compostos fenólicos (CF) e antocianinas
(ANT) em frutas de diferentes cultivares de amoreira-preta. UFVJM, Campus JK,
Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
CF
ANT
4
839,148218ns
196,414862 ns
Cultivar
3
2613,570940ns
205,73778ns
Resíduo
12
1096,924478
102,912
24,45
16,25
CV (%)
ns
F não significativo a 5%
Tabela 6A. Resumo da análise de variância para umidade (U), cinzas (C), proteínas (P),
lipídeos (L), fibra bruta (FB) e carboidratos (CB) em frutas de diferentes
cultivares de amoreira-preta. UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
U
C
P
4
0,481 ns
0,01572ns
0,0661 ns
Cultivar
3
10,0645**
0,02188ns
0,277*
0,015618*
Resíduo
12
1,28
0,008163
0,035282
0,004273
0,182164
0,97811
1,33
25,52
14,42
16,84
16,81
9,67
CV (%)
L
FB
0,000733ns 0,091007ns
** F significativo, a 1% e * F significativo a 5%; ns F não significativo a 5%
CB
0,24077 ns
1,945818** 6,745218**
70
Tabela 7A. Resumo da análise de variância da atividade antioxidante pelo método DPPH e
FRAP em frutas de diferentes cultivares de amoreira-preta. UFVJM, Campus
JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
DPPH
FRAP
4
0,27 ns
0,25 ns
Cultivar
3
32,86**
73,99**
Resíduo
12
-
0,61
1,11
11,31
9,22
CV (%)
** F significativo, a 1% e ns F não significativo a 5%
Tabela 8A. Resumo da análise de variância para o comprimento do fruto (CF), diâmetro do
fruto (DF) e massa do fruto (MF) em amoras da amoreira-preta ‘Brazos’
produzidas em diferentes épocas. UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
DL
DT
MF
4
3,00485ns
2,713776ns
1,106261ns
Época
6
10,335553**
8,552**
1,96*
Resíduo
24
1,343862
0,6343
0,628995
CV (%)
-
5,94
4,54
12,65
** F significativo, a 1% e * F significativo a 5%; ns F não significativo a 5%
71
Tabela 9A. Resumo da análise de variância para o potencial hidrogeniônico (pH), sólidos
solúveis (SS), acidez titulável (AT), ratio e açúcares redutores (AR) em amoras
da amoreira-preta ‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas. UFVJM, Campus
JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
pH
SS
AT
Ratio
AR
4
0,00121ns
0,064926ns
0,01239ns
0,550004ns
0,349 ns
Época
6
0,005685**
4,06569**
0,075459**
4,827583** 10,271836**
Resíduo
24
0,000863
0,146399
0,014315
1,299663
1,043785
0,97
5,09
11,5
15,13
21,20
CV (%)
* F significativo, a 1%; ns F não significativo a 5%
Tabela 10A. Resumo da análise de variância dos compostos fenólicos (CF) e antocianinas
(A) em amoras da amoreira-preta ‘Brazos’ produzidas em diferentes épocas.
UFVJM, Campus JK, Diamantina, MG.
FV
GL
Bloco
Quadrado médio
CF
A
4
85,133353ns
298,45 ns
Época
6
3721,453252**
565,722283**
Resíduo
24
524,735651
148,5828
15,54
22,76
CV (%)
** F significativo, a 1%; ns F não significativo a 5%