6980_C&T_14.book Page 31 Friday, September 12, 2003 8:57 AM ABC-Custeio Baseado em Atividades: uma Aplicação em Empresas de Construção Civil ABC-Activity-based Costing: an Application to Civil Construction Companies JOÃO GUALBERTO C. ROCHA QG Engenharia e Planejamento Ltda. [email protected] JOSÉ CELSO SOBREIRO DIAS KVA Engenharia Elétrica e Comércio Ltda. [email protected] NIVALDO LEMOS COPPINI Universidade Metodista de Piracicaba [email protected] RESUMO – As empresas de construção civil normalmente fazem uso de critérios de apropriação dos custos indiretos que não permitem uma avaliação correta do seu resultado. O presente artigo pretende apresentar uma simulação da adoção dos critérios de apropriação de custos pelo método de rateio e pela utilização do sistema ABC (custos baseados em atividades). A análise dos resultados apresentados permite a formulação de conceitos que proporcionem melhor escolha quanto à utilização dos sistemas de apropriação de custos. Palavras-chave: CUSTOS – MÉTODO ABC – CUSTOS EM CONSTRUÇÃO CIVIL. ABSTRACT – The criteria used by civil construction companies for the appropriation of indirect costs do not permit the correct evaluation of its result. The present article intends to demonstrate a simulation of the appropriation of costs criteria usage, by means of the pro rata method and the ABC system. The analysis of the thus obtained data will permit the formulation of concepts for a better choice between the two systems of appropriation of costs. Keywords: COSTS – ABC ACTIVITY-BASED COSTING – BUILDING COSTS. REVISTA DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA • 14 – pp. 31-44 31 6980_C&T_14.book Page 32 Friday, September 12, 2003 8:57 AM INTRODUÇÃO O setor de construção civil brasileiro é considerado um dos maiores empregadores de mãode-obra no país, tendo assim uma importância vital na economia nacional. Ao longo dos últimos anos o segmento tem enfrentado uma retração em seu mercado devido à redução geral da atividade econômica, tendência verificada em todo o mercado latino-americano, objeto de estudos de Stecher (1997). Nesse contexto, a competitividade no setor tende a ser mais acirrada, induzindo as empresas a uma reestruturação funcional que lhes conceda maior capacidade de sobrevivência, o que sem dúvida, entre outros fatores, exigirá um posicionamento mais acurado com respeito às práticas de apuração de custos adotadas, tornando-as mais competitivas e melhorando sua eficiência e desempenho, como explica Stecher (1997). De modo geral, as empresas de construção civil contam com boa instrumentação para o gerenciamento de seus custos diretos, havendo publicações sistemáticas de indicadores médios de produtividade, custos de materiais e de mão-de-obra, como os índices PINI, publicados pela Revista Construção. Ao longo dos últimos anos, dispõem de diferentes softwares especializados para orçamento e controle de custos em obras civis de todas as naturezas, como o Sistema de Administração e Planejamento de Obras (SAPO), muito utilizado no final dos anos 80, ou o RM ORCA, de largo uso atualmente. Nesse instante, portanto, o que se prioriza é o tratamento eficiente dos custos indiretos no setor. A avaliação da possibilidade de aplicação do sistema de custeio baseado em atividades (ABC) – voltado às despesas e custos indiretos dentro do processo produtivo e gerencial no segmento de construção civil como um sistema de informação de administração efetivo – assumiu, assim, a condição de objeto do presente artigo. A análise tanto de custos diretos como indiretos, quando submetidos a um tratamento no padrão ABC, pode conduzir a decisões gerenciais voltadas à conquista de maior padrão de competitividade, além de remeter a uma visão holística das operações, de acordo com Matteson (1994). Apesar de se reconhecer que também para custos diretos seria interessante uma avaliação da aplicação do ABC para o setor de construção civil, optou-se, neste 32 artigo, em centrar o foco sobre os custos indiretos, dada a precariedade metodológica com que estes vêm sendo tratados no setor. Para cumprir o seu propósito com clareza, o artigo está dividido em duas partes. Na primeira, procurar-se-á apresentar as características básicas do setor de construção civil, a estrutura funcional típica de uma empresa do setor (destacando as peculiaridades a serem observadas no tratamento dos custos indiretos incorridos) e, ainda, os resultados de uma pesquisa com sete empresas do setor, com o que se confirma a adoção de métodos de apropriação dos custos indiretos às obras baseados em parâmetros potencialmente promotores de distorções. Em sua segunda parte, o texto discutirá a possibilidade de adoção do ABC como critério de apropriação dos custos indiretos, também apresentando uma simulação demonstrativa de seus impactos positivos no que concerne à interpretação dos resultados de obras distintas. Ao final, procurar-se-á apresentar as conclusões a que o presente trabalho conduziu. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA EMPRESA DE CONSTRUÇÃO CIVIL No presente artigo, a definição de “empresa de construção civil” estará limitada àquelas exclusivamente realizadoras de obras para terceiros, sejam clientes públicos ou privados. Sendo assim, empresas de projetos, incorporadoras imobiliárias e as de comércio de materiais de construção, entre outras do setor, não serão objeto da presente análise. Nesse universo limitado de empresas, é importante, inicialmente, destacar que a empresa de construção civil é possuidora de certas peculiaridades, em especial no que tange a diversidade de atuação – segundo Matteson (1994) –, que a distingue de empresas de outros segmentos, como: • produção essencialmente por encomenda; • comum ocorrência de ociosidade de equipamentos e de pessoal, por um período de tempo muitas vezes indefinido, aguardando pelo início de (novas) obras; • as obras são, ao mesmo tempo, o produto da empresa (fonte de receita) e uma estrutura funcional independente dentro dela, como se fosse uma empresa sobreposta a outra(s); e Novembro • 1999 6980_C&T_14.book Page 33 Friday, September 12, 2003 8:57 AM • área comercial da empresa sujeita a insucessos em suas propostas, característica comum às empresas de construção civil que participam de licitações públicas e privadas, nas quais, em ambos os casos, os índices de sucesso de propostas são baixos. Estrutura Funcional Típica De modo a compreender os problemas associados à apropriação dos custos indiretos nas empresas de construção civil, apresentamos, na tabela 1, o desenho de uma estrutura típica de uma empresa de construção (baseado nos organogramas das duas maiores das sete empresas pesquisadas, conforme item Pesquisa sobre critérios adotados para rateio dos custos indiretos adiante). Tal estrutura está apresentada de acordo com um organograma clássico, como definido por Chiavenato (1993), o qual estabelece os níveis hierárquicos da empresa. A operacionalidade dos departamentos nas empresas de construção civil, porém, não acompanha sua estrutura hierárquica, sendo melhor interpretada quando analisada por suas características funcionais, de acordo com, por exemplo, o disposto no Plano de Ação Empresarial da Concic (1995), no qual as atividades estão estruturadas em quatro níveis funcionais: • a estrutura diretiva (direção geral e os diretores de áreas); • os órgãos administrativos centrais (normalmente localizados na matriz da empresa: área jurídica, pessoal, contabilidade, serviços gerais e departamento financeiro); • os departamentos de suporte à produção (máquinas, engenharia, área comercial e suprimentos – também tendo como base a matriz ou uma unidade central independente das obras); e • as unidades de produção: as obras. Nessa estrutura genérica para uma empresa de construção civil, na qual estruturas hierárquica e funcional são distintas, e em que cada obra é tratada como um produto sobre o qual se deve determinar seu custo total, via de regra observa-se a adoção de mecanismos simples de apropriação dos custos diretos e de rateio dos custos indiretos, conforme depreende-se, por exemplo, em Concic (1995) ou em Planurb (1998). De modo geral, nos casos levantados, e aqui tomados como referência, os custos diretos limitamse aos incorridos nos canteiros de cada obra e àqueles que mesmo realizados na matriz, clara e diretamente, são imputáveis às obras, ou seja: os custos comerciais específicos para a conquista da obra (que lhes são apropriados no início de sua implantação), os relativos à aquisição e à despesa de transporte de materiais adquiridos pela unidade central de suprimentos e os custos-hora de máquinas requisitadas à central de equipamentos. Tabela 1. Estrutura funcional genérica de uma empresa de construção civil. REVISTA DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA • 14 – pp. 31-44 33 6980_C&T_14.book Page 34 Friday, September 12, 2003 8:57 AM Tabela 2. Respostas às questões pesquisadas. EMPRESA PORTE PERGUNTA 1 A B C D E F G Peq. Peq. Peq. Med. Med. Med. Gde. Proporcionalmente ao faturamento de cada obra Não se faz apropriação Proporcionalmente aos homens/hora de cada obra Proporcionalmente aos homens/hora de cada obra Proporcionalmente ao faturamento de cada obra Atribui-se 7,5% de custos indiretos para cada obra Proporcionalmente ao faturamento de cada obra Todos os demais custos e despesas são tratados como indiretos. Nestes, estão incorporados aqueles aqui mencionados como vinculados à estrutura diretiva e aos órgãos administrativos centrais e também as despesas das unidades de apoio à produção (como suprimentos, comercial, máquinas e engenharia) naquilo que não é diretamente atribuível a uma obra específica, por exemplo: os salários do almoxarife central, os custos com propostas derrotadas em licitações, a depreciação das máquinas ociosas, os custos com desenvolvimento de controles de qualidade e produtividade pela área de engenharia central etc. Tais custos indiretos são, usualmente, apropriados às obras com base em um critério de rateio global, que varia de empresa a empresa, como observado na pesquisa apresentada a seguir. Pesquisa sobre Critérios Adotados para Rateio dos Custos Indiretos De modo a levantar os critérios que as empresas de construção civil usualmente adotam como de rateio de seus custos indiretos, procedeu-se a uma pesquisa em sete empresas do setor,1 de portes distintos, na qual se fez duas perguntas: 1. qual o critério adotado para apropriação, às diferentes obras, dos custos indiretos promovidos nos departamentos da matriz da empresa?; 2. por que tal critério é adotado? A essas duas perguntas foram obtidas as respostas apresentadas na tabela 2, destacando que, 1 As empresas pesquisadas foram, em ordem alfabética: CONCIC Engenharia S.A., Construtora Akyo Ltda., Construtora Garantia Ltda., Encav Engenharia e Construtora Ltda., KVA Engenharia Elétrica e Comércio Ltda. (PLANURB), Planejamento e Construções Ltda., e Tucumann Engenharia e Empreendimentos Ltda. 34 PERGUNTA 2 É a prática usual no setor Vamos definir um modelo É o mais aproximado da realidade É o mais aproximado da realidade É a prática usual no setor É a média da empresa É uma determinação da diretoria para efeito de classificação do porte das empresas, adotou-se como: • pequenas: aquelas com faturamento anual inferior a R$ 10 milhões; • médias: as de faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 100 milhões de reais; e • grande: a de faturamento acima de R$ 100 milhões. Tomando como referência as empresas focadas nessa pesquisa, a apropriação por obra dos custos indiretos é implementada a partir de uma proporção entre uma grandeza específica da obra (seu faturamento ou sua quantidade de homens/ hora) e o total desta mesma grandeza em toda a empresa. Essa proporção é traduzida, então, como um valor percentual que passa a ser aplicado como custo indireto, na forma de rateio, pelas obras. Principais Limitações e Distorções do Modelo Descrito A metodologia de apropriação adotada pelas empresas de construção civil, conforme descrita anteriormente, promove potencialmente diversas distorções, em especial no caso de uma carteira de obras diversificada, tanto em termos construtivos como gerenciais (fato relativamente comum nas empresas de construção civil). Como destaques de tais distorções, podem ser citados: 1. caso de obras com material adquirido pelo cliente: as obras cujos materiais são adquiridos pelo cliente (caso típico de obras de adutora, por exemplo, cuja tubulação é, muitas vezes, fornecida pela companhia de água) acabam, de acordo com o modelo anteriormente descrito, assumindo, como parte de seus custos, as despesas gerais da área central de suprimentos, sem dela nada utilizar; 2. obra com mão-de-obra terceirizada: de forma semelhante ao caso anterior, uma obra total- Novembro • 1999 6980_C&T_14.book Page 35 Friday, September 12, 2003 8:57 AM mente terceirizada quanto a mão-de-obra acaba assumindo, como parte de seus custos, quota das despesas geradas no departamento de pessoal da empresa, não tendo contribuído efetivamente para tal despesa, na medida em que a mão-de-obra mobilizada é de terceiros; 3. a questão da ociosidade de máquinas e de recursos humanos: sendo especialmente peculiar ao setor de construção, máquinas e RHs têm ciclos de mobilização que incluem períodos de ociosidade, na expectativa de novas obras, e durante sua ociosidade seus custos de manutenção são tratados como custos da matriz (centrais), portanto, indiretos e passíveis de rateio pelas obras que, de forma alguma, guardam qualquer relação com os custos diretos; e 4. desempenho da área comercial: tendo em vista que a conquista de novos contratos (obras) é função de participação em concorrências (públicas e privadas), daí derivando diversas despesas, o tratamento de dessas despesas como custos indiretos também imputa às obras em curso quotas de custos sem qualquer relação com seus custos efetivos. Assim, a adoção do modelo descrito anteriormente traz consigo distorções quanto à apropriação de custos às obras, atribuindo-lhes despesas para as quais não contribuem. Dessa forma, o modelo acaba por não se prestar, de maneira eficiente, a uma avaliação de custos (e resultados) das obras e, também, dos departamentos da matriz (área comercial, gerência de máquinas e equipamentos etc.). APLICAÇÃO DO ABC À SOLUÇÃO DO PROBLEMA Avaliados esses aspectos, observa-se a possibilidade de implantação do ABC no segmento de construção civil, na medida em que se constitui em metodologia de custeio “que procura corrigir as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos” – de acordo com Martins (1996, p. 93). Por outro lado, de acordo com Brimson (1996), o objeto e a resultante da adoção da metodologia ABC é a excelência empresarial, que visa a integração eficaz dos diferentes custos das atividades para a melhora contínua da qualidade dos serviços, o que no ambiente concorrencial das empresas de REVISTA DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA • 14 – pp. 31-44 construção civil é uma imposição de competitividade (em especial, se levado em conta que o mercado das empresas de construção civil divide-se de acordo com sucesso nas licitações, para o qual uma correta avaliação de custos é fundamental), o que reforça a prioridade de sua adoção no setor. Finalmente, como último argumento quanto à propriedade de seu uso, deve-se destacar que a adoção da metodologia ABC, num conceito amplo das aplicações, tem o seu uso dirigido para fins gerenciais, de apuração e posteriormente de gestão de custos e produtividade, conforme preconizado no que se convencionou chamar de ABM (gerenciamento baseado em atividades), segundo Martins (1996), sendo esse mais um fator estimulante à sua adoção no setor de construção civil. O uso do ABC na construção civil possibilita ainda melhor apuração da viabilidade econômica de projetos de construção, pois proporciona uma visão clara das atividades envolvidas e seus custos, como destaca Piirainen (1996). Identificação das Áreas Passíveis de Tratamento pelo ABC A adoção da metodologia ABC implica, primeiramente, identificar as áreas/departamentos passíveis de tratamento segundo tal metodologia. Conforme explica Dibble (1994), de modo geral são aquelas cujo desenvolvimento de determinadas atividades pode, em última instância, ser atribuído a um produto específico (no caso em análise, a uma determinada obra). Por esse conceito, é evidente que toda central de suprimentos pode ter seus custos apropriados, a cada obra, em proporção direta à demanda de cada uma delas, devendo-se estudar para isso as atividades da área, seus custos e a forma como estes podem ser vinculados às obras através de direcionadores de custos, de acordo com o que recomenda Martins (1996). Do mesmo modo, o departamento de pessoal pode ter parte de seus custos vinculado às obras (aqueles referentes a contratação, registro, controle e demissão de operários contratados especificamente para a obra), idem quanto ao departamento de engenharia (no pertinente às atividades de planejamento, elaboração de projetos ou soluções de problemas 35 6980_C&T_14.book Page 36 Friday, September 12, 2003 8:57 AM específicos das obras); à área de contabilidade (que tem a atribuição de preparar balancetes mensais, obra a obra) e à área financeira (no que tange a contas a pagar e contas a receber – sempre passíveis de vínculo por obra). Outras áreas ou departamentos, de maneira distinta, não se prestam ao tratamento ABC, como, por exemplo, a estrutura diretiva da empresa. Como vincular os custos associados ao presidente de uma empresa de construção civil ao de cada obra? Suas atividades, via de regra, são de caráter estratégico e geral, e qualquer tentativa de sua abertura tende a se mostrar inviável em uma análise custo/benefício. Da mesma forma, áreas como serviços gerais, assessoria jurídica e os custos gerenciais de supervisão e controle do parque de máquinas têm caráter não associável diretamente às obras, devendo sobre tais parcelas de custo indireto utilizar-se um critério de rateio. Um terceiro grupamento de dispêndios merece, por sua vez, tratamento especial. São os dispêndios que, incorridos pela matriz, não devem ser apropriados às obras sem uma prévia avaliação de seu caráter. Isso se dá em função da natureza que tais dispêndios podem assumir, podendo não se constituir nem em despesas ou custos, assumindo a característica de investimentos, sendo, nesta condição, estrategicamente definidos pela direção das empresas. Incluem-se, nesse grupamento, em primeiro lugar, a ociosidade de máquinas (custos de depreciação) e de recursos humanos, cujo nível pode ter sido determinado por uma política empresarial de investimentos em equipamentos e em manutenção de recursos humanos estratégicos. Outro item de natureza semelhante são as despesas da área comercial em concorrências (não conquistadas), que, ao invés de refletirem o grau de eficiência na conquista de novos negócios, podem estar associados a uma estratégia de risco e seletividade empresarial de atuação no mercado. Finalmente, as atividades do departamento de engenharia, enquanto área de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e padrões de produtividade – cujos custos sempre estarão associados a resultados futuros, e não aos presentes –, também podem representar uma estratégia, e não uma atividade operacional corrente. 36 Assim, todos esses itens exigem a análise prévia de sua natureza, podendo ser tratados como custo ou despesa, ou, na hipótese de representarem uma decisão estratégica de investimento sob a alçada decisória e corporativa da direção da empresa, não deveriam, de modo geral, se vincular direta ou indiretamente às obras em curso. Nessa última suposição, para tal grupamento de dispêndios (no caso, investimentos) deve-se promover controle à parte, avaliando seus custos e benefícios (a longo prazo e sobre a carteira geral de obras futuras), desvinculando-os de qualquer tentativa de apropriação às obras em curso, por se tratarem de atividades estratégicas empresariais. Com essa divisão entre o que é possível de tratamento pelo ABC, do que deve em princípio ser apropriado às obras por um critério de rateio e o que eventualmente pode demandar um tratamento especial, cria-se a efetiva possibilidade de implantação de uma gerência eficiente de custos no setor de construção civil. Definição de Atividades e Direcionadores de Custos Para aquelas áreas/departamentos definidos como passíveis de tratamento pelo método ABC, procurou-se, na tabela 3 a seguir, a identificação das atividades e dos direcionadores de custos adequados ao segmento de construção civil. Em realidade, essa tabela não pretende se apresentar como uma equação completa para a questão, tendo por finalidade a indicação da factibilidade do que ora se preconiza: a viabilidade de adoção do ABC na construção civil. Adotados os direcionadores de custo por atividade, pode-se praticar a metodologia ABC, apurando-se para tanto previamente os custos incorridos em cada atividade e as ocorrências, obra por obra, de demanda por cada atividade, quantificada na forma dos direcionadores selecionados. Com tais elementos, para as atividades passíveis de submissão ao ABC, tem-se a apropriação dos custos indiretos de modo muito mais segura entre o que se atribui a uma obra e aquilo a que ela deu causa, conforme se poderá confirmar na simulação a ser adiante apresentada. Novembro • 1999 6980_C&T_14.book Page 37 Friday, September 12, 2003 8:57 AM Tabela 3. Atividades e direcionadores de custos. DEPARTAMENTOS/ ATIVIDADES DIRECIONADORES SETORES Administrativo Financeiro Contabilidade Fazer Lançamentos N° Lançamentos Contas a Pagar Emitir Balancetes Consolidar Balanço Lançar Duplicatas Efetuar Pagamento Baixar Duplicatas N° Balancetes N° Balanços Qtde. Duplicatas Qtde. Duplicatas Qtde. Duplicatas Contas a Receber Emitir Faturas/NFs Qtde. NFs Efetuar Cobranças Efetuar registros Entrevistar Candidatos Emitir Folha Demitir Pessoal Qtde. Ligações N° Registros N° Entrevistas Armazenar os produtos Distribuir os produtos Receber os materiais Efetuar cotações Emitir pedidos N° Volumes Qtde. Requisições Qtde. RRMs Qtde. Cotações Qtde. Pedidos Pessoal Suprimentos Almoxarifado Compras Produção Engenharia N° Empregados N° Demissões Efetuar levantamentos N° Levantamentos Elaborar projetos N° Projetos Planejar Obras Qtde. Homens/hora Dessa forma, pela proposta de se aplicar o ABC como critério de apropriação para todas as despesas indiretas que assim o permitam, evita-se as distorções derivadas de critérios lineares, que não levam em conta as diversas peculiaridades de uma obra para outra, quer as de caráter gerencial, quer de caráter construtivo, concedendo maior transparência à avaliação de resultado das obras. As despesas indiretas cuja individualização por obra são de mais difícil vinculação (se não impossíTabela 4. Carteira de obras. OBRA TIPO veis ou inviáveis) tendem a não representar mais do que 2% ou 3% dos custos totais da carteira de obras, permitindo que seu rateio linear (por faturamento, homens/hora ou outro critério que se mostre mais apropriado) minimize as distorções de análise de custos e resultados em relação à hipótese de rateio de toda a despesa indireta (cujo montante usualmente situa-se na faixa de 7% a 8% dos custos globais no setor). No sentido de confirmar tais observações, será apresentada uma simulação de apropriação de custos de uma empresa de construção civil possuidora de uma carteira diversificada de obras, utilizando-se dos critérios emanados do método ABC e dos métodos usuais de rateio. Simulação e Visualização dos Efeitos da Adoção do ABC Vis-à-vis o Critério de Rateio Foram montados tabelas demonstrativas do efeito da adoção do modelo usual de rateio e do ABC, para uma empresa de construção civil hipotética, no qual se pode, de modo numérico, exemplificar as distorções que se busca evitar com a adoção do ABC. Todos os dados numéricos foram, aproximadamente, proporcionais aos levantados em uma das empresas pesquisadas, de modo a garantir que a simulação se assemelhasse a um caso real. Suponha-se, para efeito da simulação que ora se irá proceder, uma empresa de construção civil com carteira de obras conforme a descrita na tabela 4. SISTEMA DE CUSTEIO POR RATEIO – Primeiramente será feita a análise dos resultados das obras segundo o critério de rateio, ora com base no faturamento, ora com base no volume de homens/hora. Os critérios foram escolhidos conforme visto no item Pesquisa sobre Critérios. A tabela 5 apresenta a situação da empresa considerada relativamente ao faturamento de cada uma das obras. CARACTERÍSTICAS BÁSICAS Intensiva em uso de equipamentos, mão-de-obra especializada, Pavimentação Terraplenagem e pavimentação de uma rodovia. geograficamente distante da sede da empresa. Material adquirido pelo cliente, intensiva em mão-de-obra Saneamento Implantação de um sistema de abastecimento d’água. local e rotativa. Intensiva em compra diversificada de materiais, mão-deEdificações Construção de um edifício comercial. obra local e rotativa. REVISTA DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA • 14 – pp. 31-44 37 6980_C&T_14.book Page 38 Friday, September 12, 2003 8:57 AM Tabela 5. Faturamento anual. OBRAS FATURAMENTO ANUAL (R$) Pavimentação Saneamento Edificações Total 20.000.000,00 10.000.000,00 5.000.000,00 35.000.000,00 Tabela 6. Tempos despendidos. PESSOAL HORAS/ OBRAS (QTDE) ANO Pavimentação Saneamento Edificações Total 40 120 55 215 2.400 2.400 2.400 TOTAL HOMENS.HRS/ANO 96.000 288.000 132.000 516.000 A tabela 6 relaciona os tempos despendidos para a execução das tarefas necessárias à realização das obras. Interessante destacar que tanto a tabela 5 como a tabela 6 representam uma razoável aproximação da realidade em relação à simulação que se desenhou. Considerado o período de um ano para desenvolvimento das três obras tipificadas nas tabelas, a obra de pavimentação, intensiva no uso de equipamentos, tende a ser mais produtiva no referente a faturamento por homem/hora, seguida da obra de saneamento, caracterizada por serviços repetitivos, que permitem desempenho razoável em faturamento/homem/hora, ficando por último a obra de edificação, cuja demanda no acabamento tende a impor menor rendimento nessa relação. No que tange ao quadro de pessoal adotado para cada obra, igualmente é razoável supor uma menor mobilização na obra de pavimentação, cuja produção baseia-se mais no desempenho do maquinário utilizado. A obra de edificação ficaria em posição intermediária, mobilizando pessoal para serviços em seqüência (estrutura, alvenaria, instalações, acabamento) e a obra de saneamento teria o maior quadro, haja vista a demanda por um grande conjunto de atividades não especializadas em diversas frentes de serviços (escavar, remover material, escorar solo, lançar tubulação, recompor sistema viário). Como seqüência à simulação, o passo seguinte consiste no levantamento e organização dos custos incorridos e/ou apropriados diretamente às obras (custos diretos), estando estes demonstrados na tabela 7. Em seguida será tratada a apropriação dos custos indiretos, objeto principal desta análise. De modo a classificar os custos indiretos por departamento, estão apresentados na tabela 8 os departamentos empresariais promotores de custos indiretos, divididos em dois blocos: “de apoio” e “administrativos”. Os tratados como de apoio são aqueles classificados como passíveis de submissão ao ABC e os nomeados como administrativos, os que manterão a apropriação de suas despesas por critério de rateio. As despesas listadas na tabela 8 (aluguel, energia etc.) são divididas pelos diferentes departamentos por critérios relativamente consagrados, conforme Martins (1995), sendo o aluguel rateado em proporção da área ocupada, a energia dividida na proporção da potência das máquinas instaladas, os salários em relação direta ao pessoal de cada unidade, e assim por diante. Com isso, constrói-se a tabela 8, permitindo a identificação dos custos de cada departamento. Findando o processo de simulação pelo método de custeio por absorção direta (rateios), está apresentado na tabela 9a e 9b a demonstração dos resultados obtidos, utilizando-se os dois critérios propostos de rateio: • rateios proporcionais ao faturamento (prática mais usual); • rateio baseado na quantidade de homens/hora. Tabela 7. Custos diretos. Mão Obra Direta Materiais Equipamentos Comerciais Total 38 PAVIMENTAÇÃO % SANEAMENTO % EDIFICAÇÕES % 6.688.000,00 7.920.000,00 2.112.000,00 880.000,00 17.600.000,00 38 45 12 5 100 4.902.000,00 2.752.000,00 516.000,00 430.000,00 8.600.000,00 57 32 6 5 100 1.997.500,00 1.912.500,00 127.500,00 212.500,00 4.250.000,00 47 45 3 5 100 Novembro • 1999 6980_C&T_14.book Page 39 Friday, September 12, 2003 8:57 AM Tabela 8. Custos indiretos por departamentos e totais. DESP. ALUGUEL ENERGIA SAL/ENC. Eng. Sup. Pessoal Cont. Fin. Apoio Direção Jurídico Sv Ger Contábil Cial AdmMaq Admin Geral DEPRE. MAT. CONS. 111.812,40 43.482,60 341.649,00 49.694,40 15.346,80 5.968,20 46.893,00 6.820,80 72.349,20 28.135,80 221.067,00 32.155,20 6.577,20 2.557,80 20.097,00 2.923,20 13.154,40 5.115,60 40.194,00 5.846,40 219.240,00 85.260,00 669.900,00 97.440,00 23.814,00 9.261,00 72.765,00 10.584,00 6.350,40 2.469,60 19.404,00 2.822,40 14.288,40 5.556,60 43.659,00 6.350,40 17.463,60 6.791,40 53.361,00 7.761,60 66.679,20 25.930,80 203.742,00 29.635,20 30.164,40 11.730,60 92.169,00 13.406,40 158.760,00 61.740,00 485.100,00 70.560,00 378.000,00 147.000,00 1.155.000,00 168.000,00 Nas tabelas 9a e 9b os valores apresentados de faturamento para cada obra são os dispostos na tabela 5; os custos diretos foram extraídos da tabela 7; os custos indiretos totais coincidem com o da tabela 8, tendo sido rateados em proporção direta ao faturamento, no caso da tabela 9a, e em proporção ao volume de homens/hora, no caso da tabela 9b. Pela análise das tabelas demonstrativas de resultados baseados nos dois métodos de apropriação de custos por rateio (por faturamento e por homens/hora) evidencia-se que a simples modificação da base do rateio promove resultados distintos na análise obra por obra. Como os custos diretos são conhecidos, o tratamento dos custos indiretos é que se torna o foco da questão, e a adoção de critérios diferenciados para sua apropriação por obra pode levar a resultados diferentes e, potencialmente, distorcidos da realidade, mesmo considerando seu pequeno peso na composição dos custos totais (no exemplo, na faixa de 7%). 20.000.000,00 17.600.000,00 1.199.940,00 1.200.060,00 6,00% 3º REVISTA DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA • 14 – pp. 31-44 TOTAL 621.180,00 85.260,00 401.940,00 36.540,00 73.080,00 1.218.000,00 132.300,00 35.280,00 79.380,00 97.020,00 370.440,00 167.580,00 882.000,00 2.100.000,00 De modo geral, não se pode apontar qual dos dois critérios de rateio mais se aproxima da realidade ou de uma apropriação mais justa, o que só poderá ser possível após a adoção do ABC e sua comparação com os resultados até aqui obtidos. Sistema de Custeio por Atividades – Para a mesma base de dados será desenvolvida a apropriação de custos baseada em atividades. A análise concentrarse-á no tratamento dos custos indiretos incorridos nos departamentos de apoio (considerados aqueles passíveis de aplicação do ABC), mantendo-se nos departamentos administrativos a apropriação por rateio. Considerações como as destacadas no final do item Identificação das Áreas Passíveis de Tratamento pelo ABC, referentes a atividades com características de investimento, passíveis portanto de tratamento a parte, serão tratadas na presente simulação como despesas administrativas correntes, sem caráter estratégico, haja vista que o objetivo do presente artigo é o de centrar a discussão no uso do método ABC. Tabela 9a. Quadro resumo/obra (custos apropriados pelo faturamento). PAVIMENTAÇÃO SANEAMENTO Faturamento (Custos Diretos) (Custos Indiretos) Lucro Bruto % Margem Posicionamento OUTROS 18.635,40 55.906,20 2.557,80 7.673,40 12.058,20 36.174,60 1.096,20 3.288,60 2.192,40 6.577,20 36.540,00 109.620,00 3.969,00 11.907,00 1.058,40 3.175,20 2.381,40 7.144,20 2.910,60 8.731,80 11.113,20 33.339,60 5.027,40 15.082,20 26.460,00 79.380,00 63.000,00 189.000,00 10.000.000,00 8.600.000,00 599.970,00 800.030,00 8,00% 2º EDIFICAÇÕES 5.000.000,00 4.250.000,00 300.090,00 449.910,00 9,00% 1º TOTAL 35.000.000,00 30.450.000,00 2.100.000,00 2.450.000,00 7,00% 39 6980_C&T_14.book Page 40 Friday, September 12, 2003 8:57 AM Tabela 9b. Quadro resumo/obra (custos apropriados por homens/hora). PAVIMENTAÇÃO SANEAMENTO Homens/hora Faturamento (Custos Diretos) (Custos Indiretos) Lucro Bruto % Margem Posicionamento 96.000.000,00 20.000.000,00 17.600.000,00 390.697,67 2.009.302,33 10,05% 1º 288.000,00 10.000.000,00 8.600.000,00 1.172.093,02 227.906,98 2,28% 3º O levantamento dos custos das atividades predefinidas como relevantes será realizado em cada departamento de apoio. O custo total de cada conjunto de atividades será dimensionado a partir de dados a serem levantados em cada unidade da empresa, para o período em análise, procurando-se Tabela 10. Levantamento dos custos por atividades. DEPTOS ATIVIDADES CUSTOS Eng. Eng. Eng. Total Sup Alm Alm Alm Cpas Cpas Total Pes Pes Pes Pes Total Contab Contab Contab Total Fin Crec Crec Cpag Cpag Cpag Total 40 EDIFICAÇÕES TOTAL 132.000,00 5.000.000,00 4.250.000,00 537.209,31 212.790,69 4,26% 2º 516.000,00 35.000.000,00 30.450.000,00 2.100.000,00 2.450.000,00 7,00% definir seu montante pelos custos totais incorridos no departamento e o peso daquela atividade no escopo de atividades desenvolvidas no departamento (por exemplo, em proporção direta aos homens/hora despendidos no total do departamento e naquela atividade específica). DIRECIONADOR QTDE. VALOR Efetuar Levantamentos Elaborar Projetos Planejar Obras 93.177,00 341.649,00 186.354,00 621.180,00 N° Levantamentos N° Projetos H/h 660 132 50.000 141,18 2.588,25 3,73 Receber Materiais Armazenar Produtos Distribuir produtos Efetuar cotações Emitir Pedidos 20.462,40 8.526,00 17.052,00 25.578,00 13.641,60 85.260,00 52.252,20 40.194,00 229.105,80 80.388,00 401.940,00 19.000,80 13.885,20 3.654,00 36.540,00 N° RRMs N° Volumes N° Requisições N° Cotações N° Pedidos 4.500 22.500 50.000 15.000 4.000 4,55 0,38 0,34 1,71 3,41 N° Entrevistas N° Registros N° Empregados N° Demissões 900 500 2.580 600 58,06 80,39 88,80 133,98 N° Lançamentos N° Balancetes N° Balanços 50.000 36 12 0,38 385,70 304,50 16.077,60 13.154,40 17.539,20 19.000,80 7.308,00 73.080,00 N° NFs N° Ligações N° Duplicatas N° Duplicatas N° Duplicatas 4.752 11.880 9.000 9.000 9.000 3,38 1,11 1,95 2,11 0,81 Entrevista candidatos Efetuar Registros Emitir Folha Demitir Pessoal Fazer Lançamentos Emitir Balancetes Consolidar balanço Emitir Faturas/NFs Emitir Cobranças Lançar Duplicatas Efetuar Pagamentos Baixar Duplicatas Novembro • 1999 6980_C&T_14.book Page 41 Friday, September 12, 2003 8:57 AM Tabela 11. Direcionadores de custos das atividades. DIRECIONADORES PAVIMENTAÇÃO SANEAMENTO N° Levantamentos N° Projetos H/h N° RRMs N° Volumes N° Requisições N° Cotações N° Pedidos N° Entrevistas N° Registros N° Empregados N° Demissões N° Lançamentos N° Balancetes N° Balanços N° NFs N° Ligações N° Duplicatas N° Duplicatas N° Duplicatas 280 18 23.000 700 3.000 5.000 3.000 900 200 70 480 100 10.000 12 4 800 1.600 1.600 1.600 1.600 Da mesma forma será procedido o levantamento quantitativo de ocorrências medidas pelos direcionadores de custo de cada atividade, as quais, indistintamente das obras que as demandaram, serão totalizadas para efeito de cálculo do custo unitário de cada atividade. A tabela 10 apresenta tal cenário de informações por departamento. Tabela 12. Custos indiretos apropriados por ABC. PAVIMENTAÇÃO Efetuar Levantamentos Elaborar Projetos Planejar Obras Receber Materiais Armazenar Produtos Distribuir Produtos Efetuar Cotações Emitir Pedidos Entrevista Candidatos Efetuar Registros Emitir Folha Demitir Pessoal REVISTA DE CIÊNCIA & TECNOLOGIA • 14 – pp. 31-44 39.530,40 46.588,50 85.742,00 3.185,00 1.140,00 1.700,00 5.105.00 3.069,00 11.612,00 5.627,30 42.624,00 13.398,00 220 40 10.000 1.800 4.000 10.000 5.000 1.100 500 250 1.440 180 12.000 12 4 1.452 4.280 2.900 2.900 2.900 EDIFICAÇÕES TOTAL 160 74 17.000 2.000 15.500 35.000 7.000 2.000 200 180 660 320 28.000 12 4 2.500 6.000 4.500 4.500 4.500 660 132 50.000 4.500 22.500 50.000 15.000 4.000 900 500 2.580 600 50.000 36 12 4.752 11.880 9.000 9.000 9.000 A seguir, a ocorrência de demanda por atividades, medida pelos direcionadores de custo, deve ser desdobrada por obra, o que nesse exemplo apresenta a configuração apresentada na tabela 11. Com a definição da quantidade de ocorrências dos diversos direcionadores, pode-se passar à apropriação dos custos envolvidos de acordo com a metodologia proposta, conforme tabela 12. SANEAMENTO 31.059,60 103.530,00 37.250,00 8.190,00 1.520,00 3.420,00 8.525,00 3.751,00 29.028,20 20.096,50 127.873,80 24.116,40 EDIFICAÇÕES 22.587,00 191.530,50 63.362,00 9.087,40 5.866,00 11.932,00 11.948,00 6.821,60 11.612,00 14.470,20 58.608,00 42.873,60 TOTAL 93.177,00 341.649,00 186.354,00 20.462,40 8.526,00 17.052,00 25.578,00 13.641,60 52.252,20 40.194,00 229.105,80 80.388,00 41 6980_C&T_14.book Page 42 Friday, September 12, 2003 8:57 AM PAVIMENTAÇÃO Fazer Lançamentos Emitir Balancetes Consolidar Balanço Emitir Faturas/NFs Emitir Cobranças Lançar Duplicatas Efetuar Pagamentos Baixar Duplicatas Custos Rateáveis (Fat) Total Custos Rateáveis (H/h) Total SANEAMENTO 3.800,00 4.628,40 1.218,00 2.704,00 1.776,00 3.115,00 3.376,00 1.296,00 503.974,80 785.209,40 164.093,02 445.327,62 4.560,00 4.628,40 1.218,00 4.917,76 4.730,40 5.650,00 6.129,00 2.364,00 251.987,40 684.545,46 492.279,07 924.837,13 Tabela 13a. Quadro resumo/obra (ABC + rateio por faturamento). PAVIMENTAÇÃO SANEAMENTO Faturamento (Custos Diretos) (Custos Indiretos) Lucro Bruto % Margem Posicionamento 20.000.000,00 17.600.000,00 785.209,40 1.614.790,60 8,07% 1º 10.000.000,00 8.600.000,00 684.345,46 715.454,54 7,15% 2º Tabela 13b. Quadro resumo/obra (ABC + rateio por homens/hora). PAVIMENTAÇÃO SANEAMENTO Homens/hora Faturamento (Custos Diretos) (Custos Indiretos) Lucro Bruto % Margem Posicionamento 96.000 20.000.000,00 17.600.000,00 445.327,62 1.924.672,38 9,77% 1º 288.000 10.000.000,00 8.600.000,00 924.837,13 475.162,87 4,75% 2º As tabelas 13A e 13B apresentam os resultados apurados mediante a utilização da metodologia de apropriação de custos pelo ABC, na tabela 13A apropriando-se os custos dos departamentos administrativos em proporção ao faturamento e, na tabela 13B, em proporção ao volume de homens/hora. Verifica-se que houve significativa modificação nos resultados entre os apurados pelos critérios simples de rateio e aqueles quando da adoção do ABC. Entre estes, mesmo variando um pouco relativamente à forma de apropriação dos custos dos departamentos administrativos, em ambas as situações verificou-se a mesma ordenação de resultado 42 EDIFICAÇÕES 10.640,80 4.628,40 1.218,00 8.455,84 6.648,00 8.774,20 9.495,80 3.648,00 126.037,80 630.245,14 225.627,91 729.835,25 EDIFICAÇÕES 5.000.000,00 4.250.000,00 630.245,14 119.754,86 2,40% 3º TOTAL 19.000,80 13.885,20 3.654,00 16.077,60 13.154,40 17.539,20 19.000,80 7.308,00 882.000,00 2.100.000,00 882.000,00 2.100.000,00 TOTAL 35.000.000,00 30.450.000,00 2.100.000,00 2.450.000,00 7,00% EDIFICAÇÕES TOTAL 132.000 5.000.000,00 4.250.000,00 729.835,25 20.164,75 0,40% 3º 35.000.000,00 30.450.000,00 2.100.000,00 2.450.000,00 7,00% entre as obras, o que indica a possibilidade de mesma base de análise para ações gerenciais. A adoção do ABC permitiu, por exemplo, que se contornasse distorções como as provenientes de se imputar significativo volume de custos do departamento de suprimentos à obra de saneamento, que dele pouco demanda, assim como evitou que se imputasse a maior parcela dos custos do departamento de pessoal à obra de pavimentação (caso do rateio por faturamento), quando esta é a obra de menor contigente de mão-de-obra. Comparado os resultados do ABC com os obtidos sob o critério de rateio, pode-se ainda obser- Novembro • 1999 6980_C&T_14.book Page 43 Friday, September 12, 2003 8:57 AM var que as alterações são menos significativas quando a base de rateio é por homem/hora, em especial no que tange ao ordenamento de rentabilidade entre as obras. A despeito da possibilidade de tal ser derivado do exemplo com que se trabalhou, observa-se certa tendência deste ser um parâmetro melhor do que o faturamento, uma vez que boa parte das atividades indiretas vincula-se ao quadro de pessoal mobilizado ou à produção física por ele proporcionado (e não à produção financeira). b) c) CONCLUSÕES d) Um trabalho estruturado sobre um maior universo de empresas fundamentaria de forma mais consistente o que aqui se tratou como “modelo usualmente adotado”, porém o presente artigo, de qualquer sorte, permite as seguintes conclusões principais: a) o setor de construção guarda peculiaridades próprias quanto ao rateio e à apropriação de suas despesas indiretas sobre sua carteira de obras, e) especialmente porque as obras normalmente podem ser bastante distintas quanto a demanda aos departamentos centrais das empresas; a situação observada, em muitas empresas, quanto aos critérios adotados para a apropriação dos custos indiretos, é simplista e pode promover distorções de análise, decisão e gerenciamento; os custos diretamente apropriados às obras podem ter tratamento de apropriação de custos utilizando-se os sistemas de custeio por atividades, não sendo objeto desta análise; há a clara possibilidade de incorporação de procedimentos, em um modelo ABC, para a maioria dos itens de custo indireto, sem com isso ter de se introduzir instrumentos gerenciais complexos; e os resultados quanto à transparência e a efetividade de custos, por obra, quando adotado o método ABC são suficientemente grandes para que sua adoção torne-se uma meta estratégica nas empresas do setor. 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