Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos Reginaldo Gonçalves 4.1 - Análise das demonstrações contábeis e as ferramentas para tomada de decisões. 4.2 - A Importância da Contabilidade de Custos, na Gestão dos Negócios. 4.3 - Pressupostos, na análise do custo-volume-lucro e a sua aplicabilidade Objetivos de aprendizagem Após estudar este capítulo, você deverá estar apto a: 1) Efetuar uma análise segura dos demonstrativos contábeis básicos e minimizar os riscos em uma análise econômico-financeira. 2) Discernir as diferenças elementares de custos, sua aplicabilidade e sua importância para gestão de negócios. 3) Identificar e optar pela melhor ferramenta de custos para controle e tomada de decisões. 4.1 - Análise das demonstrações contábeis e as ferramentas para tomada de decisões. É comum afirmar que a análise das demonstrações contábeis é tão antiga como a própria Contabilidade, principalmente, se houver o reporte da sua existência a mais ou menos de 4.000 anos a.C. A necessidade de uma depuração das demonstrações contábeis para auxiliar o administrador financeiro, na tomada de decisões, começou a ser exigida a partir do século XIX, pois para fomentar as organizações, foi necessária a utilização da análise. Vários demonstrativos são suscetíveis de análise, mas os principais estão relacionados ao balanço patrimonial e à demonstração de resultado. Outros demonstrativos poderão ser usados se houver necessidade de um detalhamento mais específico, como a demonstração das origens e aplicações de recursos, demonstração do fluxo de caixa, demonstração do valor adicionado, demonstração das mutações do patrimônio líquido. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 11 Sugere-se, para efeitos de análise econômico-financeira, sejam observados os seguintes detalhes: - Demonstrações contábeis publicadas em jornais que sejam de grande circulação e que mantenham padrões de exigência legal. Diversas empresas não são obrigadas à publicação, como exemplo, algumas Sociedades Ltda. que exigiram, na análise, maior cuidado com as informações. - As Demonstrações contábeis deverão, além dos demonstrativos, serem também complementadas pelo relatório da diretoria e por notas explicativas. Através dessas informações são verificadas a performance anterior, a atual e uma premissa futura de resultados. - Parecer de auditoria (Externa) para verificar se os procedimentos contábeis adotados pelo profissional seguiram as determinações do CFC – Conselho Federal de Contabilidade- com a finalidade de espelhar a realidade da empresa, não permitindo desvios de finalidade. A auditoria interna possui outra finalidade dentro da estrutura organizacional, trabalhando de forma fundamental nos controles internos. A auditoria interna se diferencia da externa em virtude da independência que não possui, pois são empregados e subordinados aos dirigentes ou proprietários. O grande problema está centralizado em demonstrações financeiras não auditadas, sem publicações, publicações muito simplificadas sem notas explicativas, empresas que trabalham e optam pelo Lucro Presumido e que não mantêm escrituração contábil regular etc. Esses detalhes tornam qualquer relatório fraco para efeito de avaliação, falta informação adequada para estruturála. Algumas instituições quando efetuam empréstimos para essas organizações exigem a apresentação das demonstrações contábeis pró-forma e a apresentação da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para confrontação dos valores e validação dos dados. Não é surpresa se as informações, geradas pela declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, não coincidirem com as demonstrações contábeis próforma, pois além da falta de controle de várias empresas, algumas delas trabalham de forma duvidosa, gerando o famoso “caixa 2”. 2 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Livro: Contabilidade de Custos. Autor: : Maher, Michael. ISBN: 8522429804. Páginas: 901. Formato: 29,5X 21,5. Esta nova edição tem por objetivo tornar este livro muito mais valioso para os leitores. Foram incluídas questões de contabilidade de custos que ocorrem no mundo real. O livro contém inúmeros exemplos e pesquisas da prática. O autor utiliza fotos como instrumento pedagógico, para fazer com que os estudantes pensem a respeito das questões discutidas no texto e apresenta aplicações gerenciais que desafiam os estudantes a conceberem maneiras de adicionar valor às organizações. As técnicas de análise básica e que geram informações muito úteis para avaliação, controle e gestão serão detalhadas, logo abaixo: • Análise econômico-financeira através de índices: por meio de fórmula matemática, é identificado um fator, que comparado durante o tempo e com outras empresas no mesmo ramo de atividade, apresenta a situação econômicofinanceira da organização, apresentando os pontos fortes/fracos e apontando possíveis soluções. Alguns índices são abaixo explicados: - Liquidez: esse índice representa a capacidade de pagamento que a empresa possuí; ou seja, pode indicar se a empresa tem condições de saldar suas dívidas. - Endividamento: esse índice representa o grau de endividamento da empresa, seja a curto ou a longo prazo, a garantia ofertada pelo capital próprio. - Rentabilidade: esse índice representa o retorno que a empresa tem com relação ao seu ativo, patrimônio líquido, receita líquida etc. - Ciclometria Financeira: esse índice demonstra, em número de dias, qual é o tempo que a organização leva para receber suas vendas, para pagar suas compras e para giro do estoque. Demonstra também se a empresa necessita de recursos para saldar suas dívidas, em virtude do tempo que leva para girar o seu estoque e receber suas vendas. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 33 CT = Capital de Terceiros (PC + ELP). Capital de Terceiros = são os recursos contraídos através de pessoas fora da sociedade, como exemplo: financiamentos bancários, impostos e contribuições gerados pela organização, dívidas contraídas com fornecedores etc. CP = Capital Próprio (PL). Capital Próprio = são os recursos existentes no grupo patrimônio líquido (Balanço Patrimonial); ou seja, tudo que foi investido pelos proprietários e os lucros ainda não retirados. Para efeito de avaliação dos índices, alguns cuidados são importantes com a finalidade de evitar erros na avaliação: - Os índices de liquidez podem trazer imagens distorcidas com relação à avaliação das demonstrações contábeis, pois analisando fora do organização, é difícil verificar a qualidade do saldo da conta clientes se o estoque está obsoleto, se no caixa o valor apontado como dinheiro é na realidade vales diversos representativo de dívidas, cuja empresa a empresa é credora; - Utilização de um índice padrão para enquadramento da atividade, pois não é possível comparar o supermercado com uma indústria de cosméticos e assim por diante; - Reclassificações de contas são necessárias para melhor a padronização da análise, como exemplo: duplicatas descontadas, saldo devedor em conta corrente etc. - Falta de documentação que comprove a veracidade das peças contábeis. 4 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Para efeito de análise, o resumo dos índices é o seguinte: Aplicações de recursos são as operações decorrentes de investimentos, nas contas de ativo de uma organização; ou seja, onde foram aplicados os recursos, como por exemplo: aplicação financeira, compra de veículo e imóveis, compra de mercadorias etc. AC = Ativo Circulante AP = Ativo Permanente Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 55 Abaixo, demosntra-se um exemplo de análise econômica-financeira: Análise por meio dos índices e breves comentários Liquidez corrente Um exemplo bem clássico, envolvendo as demonstrações financeiras da TÊXTIL ÉRICA é: a empresa tem condições de saldar suas dívidas a curto prazo? Sem um detalhamento diríamos que sim, pois no ativo circulante da empresa, há um total de R$ 5.000 e no passivo circulante há R$ 4.000, demonstrando a possibilidade de saldar as dívidas de curto prazo, mantendo uma folga financeira. Aspectos do índice: - Fórmula: AC/PC 5.000/4000 = 1,25 - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: superior a R$ 1,00 é bom ou satisfatório - Interpretação: A cada R$ 1,00 de dívidas a curto prazo, a empresa possui R$ 1,25 de ativos para saldar suas dívidas. - Conceituação: O índice de liquidez corrente de modo geral é bom, pois supera o valor de R$ 1,00. 6 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi - Cuidados: Nem sempre um índice superior a R$ 1,00 é bom, faz-se necessário a comparação com outras empresas do mesmo ramo de atividades por meio de índices padrões. Cabe ressaltar que muitas vezes a empresa não tem condições de pagar dívidas em um curto prazo, mesmo tendo um índice bastante favorável, isto porque as dívidas podem vencer em quinze dias e a maioria dos ativos da empresa seriam convertidos em dinheiro no prazo de sessenta dias, então como pagar a fatura? Outro fator que distorce o valor é o ramo de atividade da empresa, por isso cada grupo tem seu índice padrão. Liquidez seca É um índice significativo para fins de análise, principalmente para as empresas comerciais e industriais, mas irrelevante para as empresas prestadoras de serviços. Aspectos do índice: - Fórmula: (AC-Estoques)/PC (5.000-2.000)/4000 = 0,75 - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: superior a R$ 1,00 é bom ou satisfatório - Interpretação: A cada R$ 1,00 de dívidas a curto prazo, a empresa possui R$ 0,75 de ativo, excluídos os estoques para saldar suas dívidas. - Conceituação: O índice de liquidez seca de modo geral é regular, pois não supera o valor de R$ 1,00. Disponibilidades: é o conjunto representado pelo: caixa, bancos conta movimento (conta corrente) e aplicações de liquidez imediata (FIF, FAF etc.) ELP = Exigível a Longo Prazo. Índice = Relação que se estabelece entre duas grandezas. LC = Liquidez Corrente. LG = Liquidez Geral. LL = Lucro Líquido. LS = Liquidez Seca. Lucro Contábil = é o lucro apurado pelo resultado das receitas – custos e despesas apontados através dos (falta palavra???) Livros da Contabilidade= são independentes de alterações no caixa da empresa, exemplo: depreciações. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 77 Aspectos do índice: - Fórmula: (Capital de terceiros/Capital Total)*100 ((4.000+500)/10.000)*100 = 45% - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou inferior a 50% é bom ou satisfatório - Interpretação: A empresa tem comprometido 50% de seu ativo com dívidas de terceiros. - Conceituação: O índice de participação do capital de terceiros tem-se demonstrado satisfatório, pois está abaixo de 50%. - Cuidados: O trabalho com capital próprio, integralmente como é pregado por alguns analistas, é um risco muito grande, agora, o analista não pode ficar “a mercê” de um índice favorável ou bom, pois se o endividamento da empresa for totalmente oneroso, a empresa poderá pagar mais juros, pressionando o resultado e podendo gerar prejuízos. Garantia do capital de terceiros É um índice que mensura a relação capital próprio X capital de terceiros; ou seja, qual a garantia que o financiador possui com relação ao investimento efetuado pelos proprietários. Aspectos do índice: - Fórmula: (patrimônio líquido/capital de terceiros) *100 (5.500/ (4.000+500))*100 = 122%. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou superior a 100% é bom ou satisfatório. - Interpretação: A empresa com os recursos próprios garante o pagamento do endividamento e há uma folga financeira de 22% sobre suas dívidas com terceiros. - Conceituação: O índice de garantia do capital de terceiros tem demonstrado satisfatório, pois está acima dos 100%. - Cuidados: O endividamento oneroso pode mascarar a análise do índice, pois se a pressão nos resultados, em virtude dos juros, for muito grand,e automaticament, a garantia reduziria. Grau de endividamento Mede o grau de comprometimento do capital próprio em relação ao capital de terceiros. É um índice importante na verificação do capital de terceiros, nos negócios usuais da companhia. 8 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Aspectos do índice: - Fórmula: (capital de terceiros/patrimônio líquido)*100 ((4.000+500)/ (5.500))*100 = 82%. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou inferior a 100% é bom ou satisfatório. - Interpretação: Mensura o grau de endividamento da empresa com relação aos recursos investidos pelos proprietários. A empresa tem condições, com seus recursos próprios, de honrar com seus compromissos. - Conceituação: O índice de grau de endividamento tem-se demonstrado satisfatório, pois está abaixo dos 100%. - Cuidados: O endividamento oneroso pode mascarar a análise do índice, pois se a pressão nos resultados, em virtude dos juros, for muito grande, automaticamente, haverá mudanças no grau de endividamento. Perfil do endividamento Identifica a participação do endividamento de curto prazo com relação ao endividamento total da companhia. Esse índice é importante por demonstrar como estão se movimentando os recursos da companhia. Aspectos do índice: - Fórmula: (passivo circulante/capital de terceiros)*100 ((4.000)/ (4.000+500))*100 = 89%. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou inferior a 60% é bom ou satisfatório. - Interpretação: Mede o endividamento de curto prazo com relação ao total do endividamento. Esse índice não leva em conta o capital próprio da companhia, na composição do fator. - Conceituação: O perfil do endividamento tem-se demonstrado acima do satisfatório, pois está acima dos 60%. - Cuidados: Nem todas as empresas têm a sua disposição recursos para o longo prazo, principalmente as micro e pequenas empresas. O grande cuidado que a companhia deve tomar é com relação a contrair financiamentos de longo prazo e investir no ativo circulante, pois a finalidade de empréstimos de longo prazo e dar fôlego para a empresa investir no patrimônio que gerará renda por vários exercícios. Rentabilidade da empresa A rentabilidade mede o grau de retorno de um investimento e poderá ser analisada com relação ao faturamento, ao patrimônio líquido e ao ativo da companhia. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 99 Antes de fazer uma análise mais aprofundada, vejamos um exemplo de rentabilidade entre uma empresa pequena e uma empresa de grande porte: A General Motors teve um lucro de R$ 5.000.000,00. A empresa analisada Érica teve um lucro de R$ 5.000,00 Qual será a empresa mais rentável? Tudo dependerá de alguns fatores, como exemplo: volume financeiro de vendas, volume de recursos aplicados no ativo e valor investido pelos proprietários, no negócio. Lucro Financeiro: é o lucro decorrente das receitas – custos e despesas que envolvem entradas e saídas de caixa; as contas que não envolvem o caixa são ajustadas. Oneroso: que gera alguma forma de encargo financeiro. Origens de Recursos: são as operações decorrentes do financiamento das contas do ativo de uma organização; ou seja, de onde surgiram os recursos, por exemplo: os empréstimos contraídos, a integralização do capital de uma sociedade, a compra de mercadorias a prazo etc. Margem líquida Identifica o retorno através do lucro líquido em relação ao faturamento líquido (receita de vendas e serviços reduzidos dos impostos, contribuições, devoluções e abatimentos) Aspectos do índice: - Fórmula: (lucro líquido/receita líquida)*100 ((1.500)/(5.000))*100 = 30%. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou superior a 15% é bom ou satisfatório. - Interpretação: Mede o retorno apurado por meio do faturamento líquido; ou seja, quanto de retorno cada venda gera para o negócio. Nesse exemplo, a cada R$ 1,00 de faturamento é gerado R$ 0,30 de retorno. - Conceituação: O perfil da lucratividade tem-se apresentado satisfatório, pois está acima dos 15%. - Cuidados: Nem todas as empresas têm a sua disposição recursos para implantação de controles que facilitem a tomada de decisão em questão de preços. Portanto, a fidelidade do cliente dependerá mais da pessoa ou colaboradora que intermediará a venda ou serviço. 10 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Retorno do ativo (ROA) Identifica o retorno através do lucro líquido em relação ao total do ativo. Aspectos do índice: - Fórmula: (lucro líquido/ativo)*100 ((1.500)/(10.000))*100 = 15%. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou superior a 15% é bom ou satisfatório. - Interpretação: Mede o retorno apurado através do ativo; ou seja, quanto de retorno cada ativo gera para o negócio. Nesse exemplo, a cada R$ 1,00 de investimento, no ativo, é gerado R$ 0,15 de retorno. - Conceituação: O perfil da lucratividade tem apresentado-se satisfatório, pois está acima dos 15%. - Cuidados: Para as empresas em geral que possuem pouco lucro ou prejuízo, não há o que se falar em retorno. As crises econômicas internas e externas prejudicam muito as organizações. Retorno dos proprietários (ROE) Identifica o retorno através do lucro líquido em relação ao total do patrimônio líquido. Aspectos do índice: - Fórmula: (lucro líquido/PL)*100 ((1.500)/(5.500))*100 = 27%; - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou superior a 20% é bom ou satisfatório. - Interpretação: Mede o retorno apurado através do patrimônio líquido; ou seja, quanto de retorno cada investimento do proprietário gera para o negócio. Nesse exemplo, a cada R$ 1,00 é gerado R$ 0,20 de retorno. - Conceituação: O perfil da lucratividade tem-se apresentado satisfatório, pois está acima dos 20%. - Cuidados: Para as empresas em geral que possuem pouco lucro ou prejuízo, não há o que se falar de retorno. As crises econômicas internas e externas prejudicam muito as organizações, inclusive no investimento do proprietário. Pay Back Identifica o tempo médio de retorno do investimento. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 1111 Aspectos do índice: - Fórmula: 1,00/ROI 1,00/0,15 = 6,67 anos; - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou superior a quatro anos é bom ou satisfatório. - Interpretação: Mede o tempo médio de um retorno sobre o investimento. - Conceituação: O perfil médio de retorno tem-se apresentado alto, pois está acima dos quatro anos. - Cuidados: As empresas que possuem baixa rentabilidade terão de tomar uma postura diferenciada para perpetuar o negócio, reduzindo os custos e despesas possíveis. Índice de prazo médio ou ciclometria financeira Mede em número de dias o giro do estoque, de recebimentos e de pagamentos. É de suma importância para se apurar a necessidade de caixa da empresa. PC = Passivo Circulante. PL = Patrimônio Líquido. Precificação = metodologia para fixar o preço nos diversos produtos. RLP = Realizável a Longo Prazo. ROA = Retorno sobre o Ativo. ROE = Retorno sobre o patrimônio líquido PMRV – Prazo Médio de Recebimento de Vendas Identifica o tempo médio em que a empresa está recebendo as vendas de seus clientes. Essa análise é importante para identificar como a empresa financia os seus clientes. Se os dados informados na demonstração do resultado forem mensais, o número de dias a ser considerado deverá ser de trinta dias. Caso o período na demonstração do resultado fosse de doze meses, o número de dias a ser considerado deverá ser de trezentos e sessenta dias. No exemplo utilizado, a demonstração do resultado acoberta um mês; ou seja, trinta dias. 12 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Aspectos do índice: - Fórmula: clientes/vendas brutas médias (2.500/(5.000/30)) = 1quinze dias. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou inferior a trinta dias é bom ou satisfatório para empresas comerciais ou de prestação de serviços; para as empresas industriais, a média é de quarenta e cinco dias. - Interpretação: Mede o tempo médio de recebimento das vendas ocorridas na empresa. - Conceituação: O prazo de recebimento tem-se apresentado satisfatório, pois está abaixo de trinta dias. - Cuidados: A rapidez no recebimento de vendas poderá prejudicar aquelas facilitadas pelo financiamento, pois o sacrifício das vendas com a redução dos prazos podem fazer com que a empresa perca competitividade por redução nas vendas. Atualmente, a falta de financiamento nas vendas reduz o faturamento em virtude da competição acirrada. São raras as empresas que conseguem manter as vendas basicamente a vista ou com pouco prazo de recebimento sem perda de negócios. PMPC – Prazo Médio de Pagamento de Compras Identifica o tempo médio em que a empresa está pagando os seus fornecedores. Essa análise é importante para identificar como a empresa está financiando as compras. Se os dados informados na demonstração do resultado forem mensais, o número de dias a ser considerado deverá ser de trinta dias. Caso o período na demonstração do resultado fosse de doze meses, o número de dias a ser considerado deveria de ser de trezentos e sessenta dias., No exemplo utilizado, a demonstração do resultado acoberta um mês; ou seja, trinta dias. Aspectos do índice: - Fórmula: fornecedores/compras médias(*) (1.000/(3.500/30)) = nove dias. (*) As demonstrações contábeis não informam o valor das compras, sendo necessária a identificação do estoque inicial do período anterior. O exemplo utilizará, no estoque inicial, o valor de R$ 1.000,00 e o custo das mercadorias vendidas de R$ 2.500,00. A fórmula a ser aplicada para identificação das compras é C = EF + CMV – EI total apurado R$ 3.500,00. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou superior a trinta dias é bom ou satisfatório para empresas comerciais ou de prestação de serviços; para as empresas industriais, a média é de quarenta e cinco dias. - Interpretação: Mede o tempo médio de pagamento de suas compras. - Conceituação: O prazo de pagamento não está satisfatório, pois, está abaixo de trinta dias. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 1313 - Cuidados: Uma das principais fontes de financiamento e parceria é o fornecedor, pois a dependência das compras é uma das grandes armas para gerir as finanças das empresas por dois motivos principais: o custo do financiamento basicamente não é oneroso, deixando de gerar o encargo financeiro e, como a maioria das organizações dependem dos parceiros para desovar seus produtos, há a união de interesses entre cliente e fornecedor para fomentar os negócios. O prazo superior a trinta dias é bastante saudável, desde que não existam atrasos no pagamento dos títulos ou duplicatas. PMGE – Prazo Médio de Giro dos Estoques Identifica o tempo médio em que a empresa está conseguindo desovar os estoques. Essa análise é importante para identificar o tempo que a empresa demora com a mercadoria estocada, pois mercadoria parada em estoque é dinheiro parado. Se os dados informados na demonstração do resultado forem mensais, o número de dias a ser considerado deverá ser de trinta dias; caso o período na demonstração do resultado fosse de doze meses, o número de dias a ser considerado deveria ser de trezentos e sessenta dias. No exemplo utilizado, a demonstração do resultado acoberta um mês; ou seja, trinta dias. Aspectos do índice: - Fórmula: estoques / custo médio das mercadorias vendidas (2.000/(2.500/ 30)) = vinte e quatro dias. - Parâmetro para análise sem considerar o padrão: igual ou inferior a trinta dias; é bom ou satisfatório para empresas comerciais ou de prestação de serviços, para as empresas industriais, a média é de quarenta e cinco dias. - Interpretação: Mede o tempo médio de giro dos estoques. - Conceituação: O tempo de giro está satisfatório, pois está abaixo de trinta dias. - Cuidados: Procurar evitar, sempre que possível, os estoques de baixo giro, estimulando os de maior giro. A obsolescência pode causar estoques sem giro em virtude de evolução tecnológica, deixando de gerar renda para a empresa. Ciclo Operacional e Ciclo de Caixa É usado para avaliar se a empresa possui ou não necessidade de recursos e para identificar a posição da empresa na captação ou aplicação dos recursos. O ciclo operacional é composto pela soma do PMGE e PMRV = 15 + 24 = 39 O ciclo de caixa é composto pela diferença entre PMPC – (PMGE+PMRV) = 9 – (15 + 24) = (30) dias. A empresa tem uma necessidade de caixa de trinta dias; ou seja, a empresa estoca e vende em trinta e nove dias e os fornecedores financiam somente por nove dias, causando um problema de falta de dinheiro para honrar os compromissos. 14 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi http://www.marion.pro.br http://www.prenhall.com/pereira_br Exemplo para fixação dos conceitos Concessão de crédito a Cia. Playboy O doutor Coelho Arruda assume a Diretoria da Cia. Playboy no início do ano de X5. Bastante conhecido como eficiente administrador, o Dr. Coelho dirigi-se ao seu velho amigo Sr. Vesperal, presidente do Banco Exigente S.A., solicitando um financiamento de $ 50 milhões a longo prazo (normalmente a financeira do Banco Exigente concede cinco anos de prazo para os financiamentos). As demonstrações financeiras da Cia Playboy são as seguintes: Cia. Playboy Balanço Patrimonial – Em R$ milhões Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 1515 Cia. Playboy Demonstração do resultado do exercício – Em R$ milhões Informações Adicionais 1. A atividade da empresa é trefilar metal não ferroso e distribuí-lo como matéria-prima para outras empresas. Esse ramo de atividade é bastante promissor, pois a Cia. Playboy possui a maior quota para adquirir o metal não ferroso da maior siderúrgica do país, enquanto outras trefiladoras possuem uma pequena cota. 2. Não houve amortização de financiamentos, apenas variação cambial contabilizada no grupo de despesas financeiras e de novos financiamentos. 3. O manual de normas do Banco Exigente SA determina que só concederá financiamentos para empresas que apresentem uma satisfatória situação econômico-financeira. No entanto, a determinação do presidente é a que prevalece. 4. Total de compras: 10.000, 15.000 e 21.000 em X2, X3 e X4 respectivamente (em $ 1 mil). Você está convidado a analisar a Cia Playboy e dar seu parecer. O Banco Exigente SA tem o seguinte o roteiro de análise: 1. Quadro clínico com o objetivo de fazer uma análise geral da empresa por meio de seus indicadores financeiros 16 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Companhia Playboy Diagnóstico: Vamos ver quais são os problemas do doente: O doente (no caso, a empresa) tem não só pontos fracos, como também pontos fortes, pois se não tivesse nenhum ponto forte certamente estaria à morte. A)Pontos fracos obtidos no quadro clínico A1) Rentabilidade. A2) Liquidez. A3) Endividamento. B) Pontos Fortes obtidos no quadro clínico B1) Rotação de estoques (PMRE). B2) PM recebimento de vendas. B3) Vendas (aumento de vendas em relação ao ativo). Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 1717 Comentários: A) Pontos fracos (motivos que levaram a empresa a possuí-los) A1) Rentabilidade A rentabilidade é deficitária, dá prejuízo; logo, é preciso procurar na DRE a causa desse prejuízo. - Em x2 = (CPV/Vendas) * 100 = 46% - Em x4 = (CPV/Vendas) * 100 = 46% O CPV não está aumentando proporcionalmente mais do que as vendas; logo, não são os responsáveis pela má rentabilidade. Fazendo essa mesma análise com outros itens, será identificado que os grandes responsáveis são: as despesas financeiras. Todavia, se for reduzida em um pouco mais de (2 milhões) das despesas financeiras, haveria um lucro de 600 mil no final (já que ocorreria prejuízo). O problema é ter despesas financeiras tão altas. A2) Liquidez A empresa tem um alto endividamento no passivo, decorrente de financiamentos que geram encargos financeiros lançados no resultado. A3) Endividamento Embora a empresa tenha um endividamento muito alto, a preocupação é com os encargos por eles gerados. B) Pontos fortes (Será que superam os pontos fracos?) B1) Rotação dos estoques Posição relativa (PMGE + PMRV) - Ano X2 = 166 dias - Ano X3 = 124 dias - Ano X4 = 86 dias A empresa está diminuindo o seu ciclo operacional; logo, a empresa vem apresentando sensível melhora. B2) Prazo médio de recebimento de vendas A empresa está diminuindo o seu prazo de recebimento sem o comprometimento de suas vendas. 18 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi B3) Potencial de vendas A empresa apresentou um crescimento de 60%, demonstrando que a mesma possui produtos vendáveis e que geram recursos para a organização. Parecer do analista: O analista fará um breve comentário sobre a situação da empresa e, em seguida, dará seu parecer, escolhendo uma das opções: ( ) a) Concedo o crédito irrestritamente. ( ) b) Não concedo o crédito (financiamento). (X) c) Concedo o crédito impondo as seguintes condições: Parecer Final: Podemos dar créditos à empresa, pois ela possui grande potencial de vendas. O mercado está disposto, pelo visto, a consumir a produção da empresa, mesmo reduzindo o seu prazo de vendas (financiamento de vendas – PMRV). A empresa necessita de 50 milhões, entretanto antes de conceder-lhe o empréstimo, deve-se impor duas condições, justamente por estar em situação precária , de onde se conclui que os recursos não estão sendo bem administrados, apesar de apresentarem bom potencial de vendas. 1ª condição: Com os 50 milhões, deve utilizar 30 milhões para sanar suas dívidas a curto prazo (que estão gerando elevado ônus). 2ª condição: Aplicar os 20 milhões restantes no giro (estoque empresarial por ela vender bem). Justificativa para a concessão do empréstimo Se seguir tal esquema: • Rentabilidade: reduzindo sua despesa financeira, terá lucro (certamente, daqui para frente). • Liquidez: será boa, se considerarmos que houve troca da dívida a curto prazo por dívida a longo prazo). Pago 30 milhões e deve ao banco 50 milhões (mas a longo prazo = 5 anos). Toda liquidez a curto prazo melhorará, exceto a liquidez geral (longo prazo). • Endividamento: melhorará por dois motivos: 1º) aumento do PL, uma vez que a empresa terá lucro; 2º) composição do endividamento: troca de dívida de curto prazo. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 1919 - Análise vertical e horizontal: é efetuada a análise a partir dos dados contábeis, informados nas demonstrações, sendo a avaliação efetuada para complementação do relatório econômico-financeiro da organização. A análise vertical é a análise de composição ou participação de um item em relação ao seu todo, já a análise horizontal é a análise de evolução ou crescimento. Exemplo: - Análise vertical: (AC/Total)*100 o denominador não muda; somente se houver alteração no numerador; - Análise horizontal: ((AC ano 2001 / AC ano 2000)-1)*100, mudando o numerador e o denominador a cada operação. Modelo de análise vertical e horizontal, do balanço patrimonial Modelo de análise vertical e horizontal da demonstração do resultado A análise vertical e horizontal tem a finalidade de apontar as grandes variações e demonstrar os prováveis problemas, sendo a confirmação efetuada pela análise dos índices. Na análise vertical e na conta do imobilizado, verifica-se um aumento da participação de 10% para 22% e na análise horizontal, um crescimento de 150%. Esse impacto poderá gerar empréstimos, aumentando as despesas financeiras. 20 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Outros indicadores são também utilizados para detalhamento das operações e um aperfeiçoamento da análise através dos índices abaixo indicados: - Termômetro de Kanitz: utilizado para prever insolvências através da combinação dos seguintes índices: ((ROE * 0,05) + (LG * 1,65) + (LS * 3,55) – (LC * 1,06) – (CT/PL * 0,33)). Como prever falências (Modelo Kanitz) +7 Solvência 0 -3 -7 Penumbra Insolvência - Valor Patrimonial da Ação: VPA = (PL / no. Ações do Capital Social); - Lucro Líquido por Ação: LLA = (LL / no. Ações do Capital Social); - Índice Preço / Lucro = (Valor de Mercado da Ação / Lucro Líquido por Ação). O uso do índice padrão, para efeito de análise e elaboração do relatório, é de suma importância, pois não temos um índice padrão para todos os seguimentos, cada um dos grupos tem seus índices em virtude de situações diversas, exemplo: porte da empresa, segmento em que atua, tipo de produto, restrições legais quanto à importação e exportação. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 2121 22 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Fonte: Marion, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis. São Paulo: Atlas, 2001 – Pg. 158 Adaptado. Tabela 16 – Índice médio das empresas por área de atividade 4.2 - A importância da contabilidade de custos na gestão dos negócios A contabilidade de custos é muito importante para a gestão da organização, em virtude de várias ferramentas que poderão ser utilizadas: gestão de preços, estoques, controle e redução de custos entre outros, mas para isso é importante conhecer os elementos básicos dessa ferramenta e verificar qual é a melhor forma de utilizá-la. A contabilidade de custos surgiu na era da Revolução Industrial, pois na época não existia essa forma de apuração, sendo utilizada apenas a contabilidade financeira ou comercial; com a necessidade de apuração dos custos e determinação do preço dos produtos em geral, surgiu essa nova modalidade. Com o passar dos anos a necessidade de sua utilização foi ampliada, sendo utilizada atualmente para fins gerenciais, tornando-se assim um grande mecanismo de apoio à tomada de decisões. As principais terminologias utilizadas na contabilidade de custos são: - Gasto: é todo sacrifício financeiro que visa à compra de um bem ou serviço, exemplo: compra de veículo, compra de estoque de matéria-prima etc.; - Desembolso: é o pagamento efetuado por meio de um bem ou serviço, exemplo: o pagamento do salário, pagamento de fornecedores etc.; - Investimento: é todo o gasto alocado no ativo da empresa, exemplo: compra de matéria-prima e insumos para o estoque etc.; - Custo: é todo o gasto consumido para a produção de um produto ou serviço, exemplo: consumo de matéria-prima, MOD e MOI aluguel da fábrica etc.; - Despesa: é todo o gasto necessário para gerar uma receita, exemplo: a receita de venda, as receitas financeiras etc.; - Perda: é todo gasto ocorrido de forma anormal e involuntária, como exemplo: um incêndio. A perda normal, previsível, quando ocorre no departamento produtivo, é considerada custo, exemplo: a rebarba no uso de tecido no corte é custo. As principais classificações de custos são as seguintes: - Custos fixos: são todos os custos que independem do volume de produção ou serviços, eles sempre existiram. Exemplo: aluguel da fábrica: independente de haver produção, todo mês haverá o pagamento por sua utilização. - Custos variáveis: são todos os custos que variam de acordo com o volume de produção ou serviço. Exemplo: matéria prima utilizada: se houver produção, haverá o custo; caso contrário, esse custo não existirá. - Custos diretos: são todos os custos em que é possível a identificação, no processo produtivo ou de serviços. Exemplo: na produção de uma mesa, é possível identificar a matéria-prima (madeira, parafuso, cola etc.) e a mão-de-obra diretamente vinculada a ela. - Custos indiretos: são todos os custos em que não há possibilidade de identificação no processo produtivo, ou,que em virtude da dificuldade de identificação, são abandonados por gerarem gastos maiores para seu controle. Exemplo: aluguel da fábrica, depreciação das máquinas etc; - Custos primários: são os custos iniciais de um processo produtivo ou de serviços; ou seja, são os custos básicos para transformar matérias (ainda não manipuladas) em produtos. Exemplo: matéria-prima e a mão-de-obra-direta. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 2323 - Custos de transformação ou custos de conversão: são os custo utilizados na transformação e término do produto ou serviço. Exemplo: mão-de-obra direta e indireta, embalagem e outros custos indiretos de fabricação. Logo abaixo, é desenvolvido um exemplo prático para a “amarração” dos conceitos básicos de custos: A empresa Apucarana de metais produz metais sanitários (torneiras) e os seus custos e despesas, no período, estão abaixo detalhados: - Matéria-prima consumida Mão-de-obra direta Custos de aluguéis da fábrica Mão-de-obra indireta Consumo de embalagem Energia elétrica da fábrica Despesas financeiras Despesas com aluguéis Despesas com comissões - R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 30.000,00 10.000,00 5.000,00 8.000,00 3.000,00 2.000,00 1.000,00 2.000,00 3.000,00 A classificação dos custos e despesas é a seguinte: - Custos variáveis Custos fixos Custos diretos Custos indiretos Custos primários Custos de transformação Custo de produção Despesas - R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 43.000,00 15.000,00 43.000,00 15.000,00 40.000,00 28.000,00 58.000,00 6.000,00 Os custos poderão ser aplicados em qualquer tipo de atividade, embora muitos pensem que a aplicação dos custos esteja vinculada às empresa industriais em virtude da fabricação dos produtos. Hoje, é muito comum a aplicação em: hotéis, hospitais, bancos comerciais e de investimentos, construtoras, empresas comerciais etc. Usuário externo = corresponde às pessoas que estão fora da empresa e dependem do relatório gerado pela contabilidade para efetuar empréstimos, investimentos, identificação da capacidade de compra, controle e apuração de impostos e contribuições etc. Usuário interno = corresponde às pessoas que estão dentro da organização e utilizam os relatórios detalhados para tomada de decisões. 24 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Essa confusão está centrada no problema dos estoques, pois as empresas industriais possuem diversos tipos de estoques: estoque de matérias-primas, estoque de produtos em elaboração e estoque de produtos acabados, enquanto empresas comerciais possuem apenas estoque de mercadorias, as empresas prestadoras de serviços possuem estoques de insumos. Voltando ao exemplo da empresa Apucarana, produtora de torneiras, seria extremamente simples se a organização fabricasse apenas um único modelo. Para efeito de análise, a empresa produz 5.000 torneiras no mês e vende 50% do estoque por R$ 20,00. Identifique o custo de produção, o custo unitário, o custo de vendas (CPV), a receita de vendas, o lucro bruto, o lucro líquido e o estoque de produtos acabados no mês: - Custo de produção (mês) Custo unitário (mês) Custo de vendas (mês) Receita de vendas (mês) Lucro bruto (mês) Lucro líquido (mês) Estoque produtos acabados - R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 58.000,00 11,60 (58.000,00 / 5.000) 29.000,00 (11,60 * 2.500) 50.000,00 (20,00 * 2.500) 21.000,00 (50.000,00 – 29.000,00) 15.000,00 (21.000,00 – 6.000,00) 29.000,00 (11,60 * 2.500) Demonstração do resultado do exercício (mês) Receita de vendas (-) Custo dos prod. vendidos (=) Lucro bruto (-) Despesas (=) Lucro líquido - R$ R$ R$ R$ R$ 50.000,00 29.000,00 21.000,00 6.000,00 15.000,00 Em uma nova simulação, considerando os mesmos dados, mas sendo que a empresa produziu dois modelos de torneiras, a popular e a especial, como será o comportamento dos custos e do lucro na operação? Para efeito de simulação, serão estabelecidos os seguintes parâmetros: - Quantidade produzida: 3.000 torneiras “especiais” e 2.000 torneiras “populares”. - Tempo para produção: 500 horas para a produção da torneira especial e 100 horas para produção da torneira popular. - O preço de venda da torneira especial é de R$ 25,00 e da torneira popular é de R$ 17,00. - Considerar as outras informações com relação aos custos e despesas: - Dados complementares: a distribuição dos custos será efetuada da seguinte forma: - Matéria-prima consumida – proporcional à quantidade produzida. - Mão-de-obra direta – proporcional às horas trabalhadas. - Os custos indiretos de fabricação – proporcional à quantidade produzida. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 2525 De acordo com os dados informados, será apresentado o resultado abaixo: - Matéria-prima e embalagem – custo total – R$ 33.000,00 (forma de alocação - quantidade produzida): - 33.000,00 /5.000 = 6,60 (custo da matéria-prima por unidade). - 6,60 * 2.000 = 13.200,00 (custo atribuído à torneira popular). - 6,60 * 3.000 = 19.800,00 (custo atribuído à torneira especial). - Mão-de-obra direta – custo total – R$ 10.000,00 (forma de alocação – horas de mão-de-obra): - 10.000,00 / 600 = 16,67 (custo da de mão-de-obra por unidade). - 16,67 * 100 = 1.667,00 (custo atribuído à torneira popular). - 16,67 * 500 = 8.333,00 (custo atribuído à torneira especial). - Custos indiretos de fabricação – Custo Total – R$ 15.000,00 (critério de rateio – quantidade produzida): - 15.000,00 / 5.000 = 3,00 (custo indireto por unidade). - 3,00 * 2.000 = 6.000,00 (custo rateado à torneira popular). - 3,00 * 3.000 = 9.000,00 (custo rateado à torneira especial). É importante ressaltar que por esse sistema, o custo unitário poderá ficar com valores distorcidos porque o grande problema está na mensuração dos custos indiretos de fabricação, pois para sua alocação aos diversos produtos, a base utilizada é o rateio que utiliza mecanismos arbitrários para a distribuição dos custos indiretos aos diversos produtos. E onde estão as distorções, já que o custo total de produção foi atribuído aos diversos produtos? O grande problema está justamente no rateio que atribui de forma arbitrária os custos indiretos de fabricação. Veja o exemplo em que o rateio utilizado foi com relação à quantidade produzida. Se fossem utilizadas as horas de mão-de-obra, o custo unitário teria sido outro e a diferença poderia ser significativa na tomada de uma decisão sobre precificação. 26 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Outro fator bastante significativo é que por ser arbitrário o rateio, muitas vezes, não leva em conta as característica dos custos; ou seja, no rateio juntam,-se todos os custos indiretos, independente da relação que o rateio tenha com os custos que estão ali inseridos. Se adotadas, como critério de rateio, as quantidades produzidas e o custo indireto for única e exclusivamente aluguel, será que não seria melhor distribuir os custos por área ocupada? Para que o custo unitário chegue mais próximo da realidade precisa haver a análise dos custos em sua relação de causa e efeito. Atualmente, com a evolução das máquinas e equipamentos, os custos variáveis estão sendo minimizados e os custos fixos, que não eram tão importantes, começaram a se tornar o ponto fundamental e preocupante das organizações. Esquema básico Para minimizar esses impactos, as organizações, sejam elas as que explorem a industrialização, comercialização ou serviços, procuram identificar os custos fixos de maneira mais clara, evitando as distorções que poderão gerar o custo unitário, pois a distorção gera, por conseqüência, preço de venda fora da realidade. As organizações estão minimizando os impactos do rateio, utilizando os seguintes mecanismos: - Departamentalização: é a separação dos custos indiretos, nos departamentos produtivos e de serviços. Os departamentos produtivos manipulam diretamente a mercadoria, bem como os serviços que são suporte aos departamentos produtivos. Depois de separado, cada custo ou grupo de custos é rateado de acordo com uma medida que possa vincular ao seu objeto principal. São vários os critérios de rateio que poderão ser usados. Dentre os principais, são utilizados os seguintes: horas mão-de-obra, horas máquina, kw utilizado, custos diretos, custos da MOD, área ocupada etc. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 2727 Esquema básico - Custeio baseado em atividades – ABC: ferramenta bastante utilizada no Brasil, principalmente na década de 90, cuja como finalidade básica é modificar a conceituação do rateio e somente utilizá-lo caso não haja alternativa para a atribuição dos custos. A sua característica está centrada no consumo de atividades pelos objetos de custos e não a atribuição dos custos, aos objetos, como é efetuado pelos sistemas tradicionais. Os objetos de custo poderão ser os seguintes: o produto, o departamento, o setor, o procedimento etc.. É o item que recebe os custos; - RKW: ferramenta utilizada, ainda hoje, por muitas empresas que, na determinação do custo do produto ou serviço, não leva em conta a separação dos custos e despesas, pois o objetivo é que o cliente assuma todos os custos e despesas da empresa independente dos valores ali agregados. Para fins fiscais é aceito o custeio por absorção, pois leva em conta, para composição dos produtos, todos os custos, sejam eles fixos ou variáveis. As outras formas de custeio não são aceitos pela legislação, mas são aceitos para fins gerenciais. 4.3 - Pressupostos na análise do custo-volume-lucro e a sua aplicabilidade A análise CVL é uma ferramenta tanto gerencial na determinação dos impactos do preço de venda, dos custos e do volume, quanto na identificação e manutenção do equilíbrio da organização. 28 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi Com o uso do CVL, é possível a identificação de seu poder gerencial, destacando os seguintes fatores: - identificação da viabilidade de projetos; - identificação do preço de vendas; - identificação da quantidade necessária para equilíbrio entre as receitas e os custos e despesas. Para determinar a margem de contribuição, é utilizada a seguinte fórmula: - MC/Unid. = PV/unid. – (CV+DV)/unid. se a apuração for por unidade. - MC = PV - (CV +DV) se a apuração for pelo total. - MC = q * MC/Unid. Se houver a margem de contribuição por unidade. Para determinar o ponto de equilíbrio, utilizam-se as seguintes fórmulas: - PEC(qtde.) = (CF+DF) / (PV/unid.-CV/unid.-DV/unid) = ponto de equilíbrio contábil em quantidade. - PEC($) = (CF+DF) / (MC%) = ponto de equilíbrio contábil em valor. - PECLF(qtde.) = (CF + DF + LF) / (PV/unid.-CV/unid.-DV/unid.) = ponto de equilíbrio contábil com lucro em quantidade. - PECLF($) = (CF + DF + LF) / (MC%) = ponto de equilíbrio contábil com lucro em valor. - PECLV(qtde.) = (CF + DF) / (PV/unid.-CV/unid.-DV/unid.-LV/unid.) = ponto de equilíbrio contábil com lucro variável em quantidade. - PECLV($) = (CF + DF) / (MC%-LD%). Há outras fórmulas para avaliação do ponto de equilíbrio, como por exemplo: o ponto de equilíbrio econômico que leva em conta o retorno e o ponto de equilíbrio financeiro que considera os valores que movimentam o caixa. Com a utilização dessas fórmulas adaptadas, é possível fixar o preço de vendas nos mercados interno e externo, para fins de fixação do preço de vendas. Abaixo será utilizada a aplicação de algumas fórmulas para aplicação e análise: - Produto Impressoras - Preço de venda por unidade R$ 300,00. - Custo variável por unidade R$ 150,00. - Custo fixo no mês R$ 80.000,00. - Despesa variável por unidade R$ 50,00. - Despesa fixa no mês R$ 20.000,00. - A margem de contribuição por unidade é de R$ 100,00. - A quantidade necessária para o ponto de equilíbrio é de 1.000 unidades. - A quantidade necessária para o ponto de equilíbrio se o lucro desejado for de R$ 20.000,00 será de 1.200 unidades. - A quantidade necessária para o ponto de equilíbrio se o lucro desejado for de 20% da Receita de Vendas será de 2.500 unidades. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 2929 - O valor da receita total necessária para que a empresa tenha um lucro de R$ 30.000,00 será de R$ 390.000,00. - O valor da receita total necessária para que a empresa tenha um lucro de 10% da receita será de R$ 428.571,43. Na fixação do preço de vendas, poderão ser usadas as mesmas fórmulas do ponto de equilíbrio, mas com as adaptações necessárias. Esse mecanismo facilita a visualização da competitividade que o produto poderá ter com relação a concorrência, mesmo porque, existem os fatores limitantes com relação à produção, ao preço de vendas, à concorrência etc. Abaixo são dadas algumas informações para análise e fixação do preço de vendas: - Produto Quantidade produzida Custos e despesas fixas Custos e despesas variáveis Impostos e contribuições Lucro desejado - Televisor. 2.000 unidades. R$ 100.000,00. 50% da receita. 20% da receita. 10% da receita O preço de venda por unidade de acordo com os dados acima é de R$ 250,00. - Fórmula para cálculo = [(CF + DF) / (100%-CV%-DV%-Impostos%-LD%)] / qtde... É importante ressaltar que existe sempre uma meta nas organizações para que não haja a perda do objetivo que é a produção de um produto com qualidade e com preço competitivo. As empresas precisam buscar a competitividade e por meio da gestão de custos e com ferramentas apropriadas será possível atingir essas metas. Diversas organizações não possuem condições de trabalhar em competitividade, mas devem observar e estimularem a produção de itens em que são mais capazes, que colaboram mais fortemente com a margem de contribuição. Outras estratégias estão sendo utilizadas pelas organizações para reduzir os custos produtivos e que estão conseguindo sucesso. São eles: - JIT – Just In Time: tem como finalidade reduzir os estoques no parque produtivo, fazendo com que haja redução dos custos em virtude da falta de necessidade de espaço físico, além disso, em virtude do trabalho no tempo certo, a produção é efetuada, basicamente, por encomenda, limitando as ações da empresa em aumentar exageradamente a produção. Existem falhas no sistema, mas os pontos positivos superam os negativos; - TOC – Teoria das restrições: tem como finalidade melhorar o parque industrial, ou mesmo as empresas de serviços na identificação dos gargalos na organização; ou seja, onde o processo não está funcionando. O problema todo é a solução de um gargalo, gerando outros gargalos, por isso é importante uma análise cuidadosa verificando-se novos problemas que poderão ocorrer nos processos posteriores ao gargalo. 30 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi MAHER, Michael. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 2001. MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis. São Paulo: Atlas, 2001. ________. Contabilidade Básica. 7ª Edição. São Paulo: Atlas, 2004. ________. Contabilidade Empresarial. 10ª Edição. São Paulo: Atlas, 2003. MATARAZZO, Dante Carmine. 6a. Edição. São Paulo: Atlas, 2003. NEVES, Silvério das; VICECONTI Paulo E. V. 7ª. Edição. São Paulo: Frase, 2003. TRACY, John A. MBA Compacto - Finanças. 4a Edição. Rio de Janeiro: Campus, 2000. Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi 3131 32 Análise de Demonstrações Contábeis e Noções da Gestão de Custos / Anhembi Morumbi