FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO GOVERNO DE MINAS GERAIS Academia de Polícia Militar Nirlane de Souza Barroso GERENCIAMENTO ESTRATÉGICO: FORMULAÇÃO DO PLANO DE GESTÃO INTERMEDIÁRIA NAS REGIÕES DE POLÍCIA MILITAR DA PMMG Orientador: Prof. Dr. Marcus Vinicius Gonçalves da Cruz Belo Horizonte – MG 2008 ii Nirlane de Souza Barroso GERENCIAMENTO ESTRATÉGICO: FORMULAÇÃO DO PLANO DE GESTÃO INTERMEDIÁRIA NAS REGIÕES DE POLÍCIA MILITAR DA PMMG Monografia apresentada à Academia de Polícia Militar de Minas Gerais e à Fundação João Pinheiro, como requisito parcial para obtenção do título de especialista no Curso de Especialização em Segurança Pública. Orientador: Prof. Dr. Marcus Vinicius Gonçalves da Cruz Belo Horizonte – MG 2008 iii Aos policiais militares, em especial aos gestores da PMMG, que muito têm contribuído para a perenidade dessa Organização bissecular. iv A DEUS, que me permitiu alcançar mais uma etapa vitoriosa em minha vida pessoal e profissional; À Polícia Militar de Minas Gerais, pela oportunidade proporcionada, que me possibilitou a realização desse estudo; À Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, pelo espaço do saber, oferecido a cada um de nós; Aos Comandantes e Chefes de P/3 das RPM, pela distinta contribuição na etapa de coleta de dados para esta pesquisa; Ao Comandante e policiais militares da Guarnição da 11ª RPM, pelo incentivo e apoio imensuráveis; À Fundação João Pinheiro, pela forma como recepcionou e conduziu o desenvolvimento do curso naquele educandário; Ao Prof.Dr. Marcus Vinicius G. da Cruz, meu orientador. Pela maestria na arte de orientar, tendo sido, nos momentos de dúvidas, referencial incondicional para determinar o melhor caminho, não medindo esforços no compartilhamento de seu alto nível de conhecimento e sabedoria; Aos colegas do CESP I 2008, pela convivência harmoniosa durante todo o curso; À minha filha Nathália, uma garota maravilhosa, que entendeu minha ausência, sendo fonte de inspiração e sustentação para cada passo dado neste curso e cada degrau atingido. Agradeço de forma extremamente carinhosa a sua existência, visto que a amo sem medida; Aos meus familiares, em especial minha mãe, que na sua simplicidade me deu muita força e energia; A todos que de alguma maneira contribuíram para a realização deste trabalho. OBRIGADA! v Dê ao mundo o melhor de si, mas o melhor pode não ser o suficiente. Dê o melhor assim mesmo. “Madre Tereza de Calcutá” vi RESUMO Esta pesquisa tem a intenção de analisar o processo de gerenciamento estratégico, procurando identificar como ocorre a elaboração do plano de gestão intermediária, nas Regiões da Polícia Militar de Minas Gerais. A estrutura da monografia expõe um referencial teórico, que contempla, de forma resumida, conceitos e uma visão geral dos principais aspectos relacionados ao gerenciamento estratégico. No processo de implementação a estratégia é formulada a partir de uma metodologia, faz-se a análise do ambiente, definindo-se os objetivos e as metas. Buscou-se as diversas concepções da estratégia, segundo as dez escolas de pensamento estratégico de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel. O gerenciamento estratégico possibilita a integração entre os níveis estratégico, tático e operacional na execução das estratégias. Assim, conhecer as principais características e o processo de formulação do planejamento estratégico é fundamental para o sucesso das organizações. A estrutura e o ambiente são considerados variáveis contextuais que trazem implicações na gestão estratégica, pela necessidade de ajuste da estrutura e adequação ao ambiente para o alcance do futuro desejado. O estudo deu enfoque ao plano estratégico da Polícia Militar de Minas Gerais e, às condições de formulação do plano tático do nível de direção intermediária. A pesquisa identificou alguns resultados que mostraram a importância do gerenciamento estratégico e alguns problemas enfrentados pela organização na operacionalização do modelo. O planejamento estratégico contribui para melhorar os resultados da organização, para integrar as Unidades e departamentos; ainda, para facilitar o processo de descentralização da tomada de decisão. Para aperfeiçoar o processo de planejamento estratégico, a organização poderia melhorar as condições de capacitação e aprendizado dos gestores, investir no treinamento, e incentivar o envolvimento de todos. Palavras-chave: planejamento estratégico, gestão estratégica, estrutura, ambiente, plano tático e Polícia Militar de Minas Gerais. vii ABSTRACT This research’s intention is to analyze the process of “Stratetic Management”, trying to identify how elaboration of the intermediary administration occurs within the Military Police of Minas Gerais’ Regions. The structure o this monograph exposes a theoric reference, viewing, in short, notion and a general view about main aspects related to stratetic management. In the implement’s process strategy is formed respecting a methodology, analyzing environment, defining goals and aims. Diverse conceptions of strategy were searched for, concerning the ten schools of stratetic thinking de Mintzberg, Ahlstrand and Lampel. Stratetic management makes it possible to integrate the stratetic, tactical and operational levels ins execution of the strategies. Thos, having knowledge about main features and the process of stratetic management, is primordial for the organization’s success. The structure and environment are considered being variable contexts which bring involvement to stratetic management, due to the necessity of the structure’s adjustment and fitting in the environment for the desired future achievement. This paper focused the stratetic plan of Minas Gerais’ Military Police and the conditions to the formulation of the tactic plan in the intermediary level. The survey identified some results which showed the importance of stratetic management and some problems faced by the organization of the functionalism of the model. Stratetic planning contributes to the results’ improvement, to integrate units and departments, still, to smooth the process of decentralizing the takings of decision. To improve the process of stratetic planning, the organization could improve the conditions of aptness city and learning of the invest in training and stimulate everyone’s involvement. Key-words: stratetic planning, stratetic management, structure, environment, tactical plan and Military Police of Minas Gerais. viii LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Modelo SWOT ...................................................................................... 24 FIGURA 2 - O processo de tomada de decisão ....................................................... 32 FIGURA 3 - Modelo de administração estratégica .................................................... 44 FIGURA 4 - Níveis de decisão e tipos de planejamento .......................................... 51 FIGURA 5 – Etapas do processo de planejamento estratégico ................................ 53 FIGURA 6 – Modelo de análise ................................................................................. 58 FIGURA 7 – Estrutura Geral da PMMG .................................................................... 81 FIGURA 8 – Organograma da PMMG ....................................................................... 82 FIGURA 9 - Mapa de Minas Gerais por Regiões da PMMG - 2008 .......................... 92 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - Premissas do planejamento e da administração estratégica ............... 45 QUADRO 2 – Tipos de configuração estruturais de uma organização ..................... 74 ix LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Relação das RPM em Minas Gerais – ano de 2008 ............................. 96 TABELA 2 – Índice de reposta ............................................................................... 103 TABELA 3 – Índice de respostas e o tempo de exercício na função P/3 ................ 106 TABELA 4 – Tempo de exercício da função P/3 .................................................... 108 TABELA 5 – Motivação para implementar o PGI .................................................... 110 TABELA 6 – Existência de indicador de desempenho na RPM .............................. 112 TABELA 7 – Nível de conhecimento e domínio da metodologia ............................. 115 TABELA 8 – Instrumento que melhor auxiliaria na implementação do PGI ............ 117 TABELA 9 – Como implementou as estratégias na atual estrutura e o nível de conhecimento do P/3............................................................................................... 119 TABELA 10 – Quais foram os principais membros da comunidade consultados .... 121 TABELA 11 – Como foram discutidos e avaliados os cenários ............................... 121 TABELA 12 – Para quanto tempo foi projetado o PGI ............................................ 122 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 - Nível de conhecimento e domínio das informações.......................... 109 GRÁFICO 2 – Acompanhamento das metas .......................................................... 110 GRÁFICO 3 – Feedback das metas pelo nível superior.......................................... 111 GRÁFICO 4 – Percepção do nível de conhecimento da RPM ................................ 113 GRÁFICO 5 – Avaliação da produção interna sobre gestão estratégica ................. 114 GRÁFICO 6 – Como ocorreu o processo de implementação da estratégia ............ 116 GRÁFICO 7 – Dificuldades encontradas para elaborar o PGI................................. 118 GRÁFICO 8 – O que mudou na RPM com a implantação do PE ............................ 120 x SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 14 2 TEORIAS DO PLANEJAMENTO E DO GERENCIAMENTO ESTRATÉGICO20 2.1 As Organizações ............................................................................................... 21 2.2 As Escolas do Planejamento Estratégico ......................................................... 22 2.3 Conceito de Estratégia: da visão militar à empresarial ..................................... 35 2.4 Formulação da Estratégia nas Organizações................................................... 39 2.4.1 A importância do Processo de Formulação de Estratégia. ............................... 40 2.5 Administração & Gerenciamento Estratégico ................................................... 42 2.5.1 Diferença entre Administração Estratégica e Planejamento Estratégico .......... 45 3 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, ESTRUTURA E AMBIENTE .................. 47 3.1 Abordagens ao Planejamento Estratégico ....................................................... 48 3.1.1 Considerações sobre o Processo de Planejamento Estratégico ...................... 49 3.1.2 Níveis do planejamento estratégico ................................................................ 50 3.1.3 Tipos de Plano ............................................................................................. .. 51 3.1.4 Visão Crítica do Planejamento Estratégico ..................................................... 52 3.1.5 Metodologia do Planejamento Estratégico Segundo Tavares ......................... 53 3.2 Dimensões Contextuais do Planejamento: Estrutura e Ambiente .................. 57 3.2.1 A Estrutura Organizacional.............................................................................. 59 3.2.2 O Ambiente . .................................................................................................... 64 3.3 O Modelo das Configurações Estruturais de Mintzberg ................................... 67 4 A PMMG E O PROCESSO ESTRATÉGICO ................................................... 76 4.1 A Polícia Militar de Minas Gerais: breve histórico ............................................ 77 4.2 A Estrutura da PMMG ...................................................................................... 78 4.3 Evolução da estratégia na PMMG .................................................................... 83 4.3.1 Políticas dos Planos Estratégicos da Instituição .............................................. 84 4.3.1 O Plano Estratégico da PMMG: Quadriênio 2004-2007 ................................... 86 xi 4.4 A Região de Polícia Militar(RPM): Nível de Direção Intermediária da PMMG ....................................................................................................................... 91 4.4.1 Composição Funcional da RPM ....................................................................... 93 4.5 O Plano de Gestão Intermediária ..................................................................... 94 4.5.1 Recebimento e Comunicação das Estratégias da Corporação ...................... 95 5 METODOLOGIA .............................................................................................. 98 5.1 Tipo de Pesquisa .............................................................................................. 99 5.2 Natureza da Pesquisa .................................................................................... 100 5.3 Método de Abordagem ................................................................................... 100 5.4 Método de Procedimento ............................................................................... 100 5.5 Técnicas ......................................................................................................... 101 6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .................................... 105 6.1 O Perfil do Gestor de Planejamento ................................................................ 106 6.2 Administração e Gerenciamento Estratégico...................................................108 6.3 Formulação da Estratégia .............................................................................. 113 6.4 Metodologia do Processo de Planejamento .................................................... 114 6.5 Estrutura Organizacional e o Processo Estratégico da RPM .......................... 117 6.6 O Ambiente e o Processo Estratégico da RPM ............................................... 120 6.7 Prazo de vigência do PGI ................................................................................ 122 7 CONCLUSÃO ................................................................................................. 123 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 131 APÊNDICE .............................................................................................................. 135 xii LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS PMMG - Polícia Militar de Minas Gerais RPM - Região da Polícia Militar PE - Plano Estratégico EMPM - Estado Maior da Polícia Militar SWOT - Strengs – Weaknesses - Opportunities - Threats PM - Polícia Militar LOB - Lei de Organização Básica BPM - Batalhão de Polícia Militar UEOp - Unidade de Execução Operacional COPOM - Centro de Operações Policial Militar PGI - Plano de Gestão Intermediária 14 1 INTRODUÇÃO O planejamento tem se constituído em uma ferramenta administrativa imprescindível para a sobrevivência e o desenvolvimento das organizações, visto que a sistematização e os elementos técnicos favorecem o futuro desejado e permitem melhor controle e avaliação, face à complexidade do ambiente em que atuam. Por outro lado, torna-se necessário proceder algumas reflexões dos desafios e dificuldades inerentes à formulação e implantação do planejamento estratégico. Os desafios vão desde a dificuldade de percepção e visualização do horizonte futuro para a organização, até obstáculos organizacionais, culturais e gerenciais. Conforme Motta (1995, p.86), sempre deve se fazer algumas considerações ao decidir implementar a gestão estratégica em uma organização, visto que: A adoção do planejamento estratégico requer normalmente uma mudança bastante significativa na filosofia e na prática gerencial da maioria das instituições públicas e privadas. O planejamento estratégico não é implementado por meio de simples modificações técnicas nos processos e instrumentos decisórios da organização. É, na realidade, uma conquista organizacional que se inicia em nível de mudanças conceituais da gerência, resultando em novas formas de comportamento administrativo, além de novas técnicas e práticas de planejamento, controle e avaliação. Depreende-se dessa assertiva que para a adequada utilização e emprego do planejamento estratégico, torna-se necessário entender o planejamento como um processo organizacional. Para tanto, deve ser pensado e construído de forma integrada e contínua, considerando todos os aspectos: estratégico, tático e operacional. O planejamento estratégico tem se constituído, a partir do final do século XX - período pós- guerra, como algo imprescindível à maioria das organizações mundo afora. Todavia, cumpre executá-lo, elaborando planos de ação específicos, 15 que vão assegurar a implantação das estratégias e sua plena execução, com vistas a alcançar os objetivos e metas. Além da capacidade de compreender e assimilar o processo de planejamento, deve-se ajustar a estrutura organizacional às estratégias, de forma a facilitar a operacionalização dessas estratégias, adequando-se ainda, às constantes mudanças ambientais. Para Porter (1991), as estruturas das organizações devem se modificar freqüentemente e de maneira fundamental, pois essa evolução assume importância decisiva para a formulação e implantação das estratégias. Dessa forma, esta monografia tem como objetivo fazer uma abordagem inerente ao gerenciamento estratégico, através de revisão bibliográfica e documental, sobre o desenvolvimento de um planejamento estratégico, visando ainda, abranger discussões específicas do processo de planejamento e gestão intermediária, nas Regiões de Polícia Militar (RPM) de Minas Gerais. Assim, pretende-se contribuir para que a PMMG possa ter sua dinâmica de planejamento aprimorada, promova de forma mais hábil a integração do processo com as suas diversas Unidades de Execução Intermediária e, desta forma, fomente motivação, capacidade produtiva e satisfatória para o desenvolvimento das estratégias organizacionais. Entende-se que a gestão estratégica apresenta condições de lidar, em certa medida, com o dinamismo do ambiente, a evolução da tecnologia, a busca da eficácia e da efetividade. Segundo Tavares (2000), a gestão estratégica compreende um processo contínuo de decisão que vai determinar o grau de excelência da organização, levando-se em consideração as oportunidades e ameaças do ambiente em que se está inserido e também as forças e fraquezas da própria organização. Nesse sentido o gestor estratégico ultrapassa a perspectiva de um bom planejador e atinge a condição de facilitador das decisões em todos os níveis da organização. Portanto, há que se reconhecer que a forma como as estratégias estão sendo implementadas e são executadas depende do gestor executivo, dos planos táticos, onde a estratégia se desdobra. Costa (2003) ressalta que, ainda que exista uma utilização universal do planejamento estratégico por inúmeras organizações, sendo que 89% das empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia em 1996, o adotavam como uma ferramenta gerencial, o grau de sucesso na implantação e utilização pelos gestores, tem sido variável. Alguns problemas típicos na implementação podem ser atribuídos: ao 16 diagnóstico inadequado, fazendo com que as pessoas trabalhem com base em impressões, opiniões pessoais ou idéias pré concebidas; a falta de comprometimento da alta e média gerência que não vêem a implantação da gestão estratégica como um investimento e sim como algo apenas controlador; a falta de metodologia adequada e consensual com conceitos pouco claros e entendida de forma diferente ou divergente entre os gestores; falta de flexibilidade no processo tanto em razão da estrutura burocrática quanto da inflexibilidade diante do ambiente. Observa-se que a Polícia Militar de Minas Gerais adota o modelo de planejamento do tipo estratégico, enquanto processo gerencial que permite estabelecer um direcionamento a ser seguido pela Organização, com o objetivo de se obter uma otimização na relação entre a instituição e seu ambiente. (MINAS GERAIS, 2003) Segundo Ansoff e McDonnell (1993), o planejamento estratégico foi criado na década de 1960 e, é um dos enfoques mais conhecidos de planejamento institucional. Esta proposta integra um conjunto de princípios, procedimentos e ferramentas que são aplicáveis aos diferentes tipos de organização. O Planejamento Estratégico possibilita às organizações, em linhas gerais: identificar fatores e incertezas que afetam seu futuro; compreender melhor as mudanças no meio e seus impactos; localizar suas potencialidades e vulnerabilidades; e promover realinhamentos necessários para atender às demandas do novo contexto. Assim, refere-se a planejamento estratégico, o processo que instrumentaliza a resposta que a organização apresenta ao seu ambiente, diante de um contexto de mudanças. Considera-se processo estratégico, de uma forma genérica, de acordo com Bethlem (2002) a forma como se faz a elaboração e o desenvolvimento de um plano, referindo-se a maneira pela qual a organização toma decisões sobre o conteúdo da estratégia. Pode se resumir em uma série de etapas ordenada, que tem por objetivo fornecer um produto ou serviço. Existem critérios de transição de uma etapa para outra. Cada etapa produz subprodutos consumidos pela etapa posterior, até que se conclua o processo. Cabe sintetizar que com a inovação na gestão administrativa da PMMG, a partir da adoção do planejamento estratégico, traduzido no Plano Estratégico 20042007, (MINAS GERAIS, 2003) assimilaram-se conceitos e métodos contemporâneos da gestão estratégica, este remetido ao nível intermediário da Organização, para 17 conhecimento e desdobramento do documento em plano tático, definido na instituição como Plano de Gestão Intermediária (PGI). O nível de direção intermediária é também chamado de nível mediador ou nível gerencial. É o nível existente na organização, colocado entre o nível institucional e o nível operacional e cuida da articulação entre esses dois níveis. O nível intermediário é responsável pelos problemas de adequação das decisões tomadas no nível institucional (no topo) com as ações realizadas no nível operacional (na base da organização). Compõe-se das pessoas ou órgãos que transformam as estratégias formuladas para atingir os objetivos organizacionais em programas de ação. Na PMMG, organização analisada neste estudo, o nível intermediário é denominado de Região de Polícia Militar (RPM). Buscou-se ainda neste estudo conhecer um pouco do processo e da metodologia utilizada pelo nível intermediário da Corporação, na elaboração do plano de gestão intermediária. Para tanto, está sendo considerado, o perfil do cotidiano do gestor da Seção de Planejamento e Emprego Operacional da RPM, assim como, questões atinentes ao planejamento estratégico. O problema proposto e que fundamentou esta monografia foi: a metodologia utilizada no processo estratégico, para elaboração do plano de gestão intermediária, no nível intermediário da PMMG, tem atendido as condições de implementação e execução das estratégias? Os dois pressupostos que seguem o problema acima citado são: (i) o processo estratégico empregado pelo nível de direção intermediária da PMMG, na elaboração do plano de gestão intermediária, interfere na execução das estratégias constantes do Plano Estratégico da organização; (ii) a execução das estratégias necessita do ajustamento da estrutura organizacional e adequação ao ambiente, facilitando a integração entre os níveis estratégico e tático. A formulação do plano de gestão intermediária passa a constituir uma questão importante para a gestão estratégica da PMMG, considerando que a RPM, enquanto nível intermediário de decisão organizacional, define como as estratégias serão executadas, intermediando a implementação das ações operacionais que vão garantir o grau de sucesso do planejamento estratégico. Assim, elegeu-se como objetivo geral desta pesquisa, verificar o processo estratégico utilizado na RPM, para formulação do plano de gestão intermediária no desdobramento do plano estratégico institucional. Para isso, busca-se ainda como 18 objetivos específicos: identificar concepções e evolução histórica de planejamento nas organizações e respectivos documentos que norteiam a elaboração, gestão e desdobramentos do Plano Estratégico na PMMG; descrever teorias que abordam o planejamento estratégico e sistematização metodológica do processo de planejamento organizacional; conhecer, a partir de pesquisa, as situações do cotidiano do assessor de planejamento e do planejamento estratégico na RPM. A motivação do tema surgiu, em primeiro lugar, em razão da inovação dos aspectos gerenciais da Instituição nos idos de 2004, como já mencionado e, depois, resultante da experiência vivida pela autora, que enquanto integrante da organização Polícia Militar de Minas Gerais, conviveu com inúmeros questionamentos e dificuldades no processo de construção do plano de gestão intermediária da RPM a que pertencia. Para tanto, este estudo está estruturado em sete capítulos. No primeiro, são descritas a apresentação, a justificativa do desenvolvimento do tema e a construção do objeto da pesquisa, citando o problema, as hipóteses e os objetivos geral e específicos. No segundo capítulo encontra-se a fundamentação dos princípios teóricos do planejamento, tendo a perspectiva de contribuir para uma melhor compreensão, no que concerne à genealogia das idéias intelectuais e conceituais do pensamento estratégico, a partir de constatações recorrentes da sua trajetória histórica, para elucidar o sentido e a importância do planejamento nas organizações. As considerações sobre o gerenciamento estratégico são realizadas a partir das acepções atribuídas pela literatura para a administração estratégica, evoluindo para a gestão estratégica. Como imperativo desse gerenciamento, delineia-se a evolução e conceito da estratégia. Segue-se, contextualizando a formulação da estratégia e a compreensão do que está sendo considerado como organização. No terceiro capítulo pondera-se acerca do planejamento estratégico surgido em decorrência da imensa velocidade das transformações e do aumento da concorrência, características de um período pós-guerra, com fins de viabilizar e facilitar o processo de tomada de decisão nas empresas. O entendimento do processo de planejamento está inserto no modelo de formulação do planejamento estratégico, segundo Tavares (2000). 19 Ainda, discute-se as dimensões contextuais estrutura e ambiente, como variáveis do modelo de análise do gerenciamento estratégico. Identificadas em uma rica literatura, a configuração da estrutura deve se ajustar à estratégia e, esta geralmente acompanha as mudanças ambientais. Reconstitui-se, ainda que de forma bastante resumida, um breve histórico da PMMG, no capítulo 4 retratando-a enquanto organização pública que aplica a gestão estratégica. Prossegue-se com algumas considerações do planejamento estratégico na PMMG, nos últimos anos. Também, se contextualiza o plano estratégico da PMMG do quadriênio 2004-2007 e o plano de gestão intermediária (plano tático). A metodologia empregada na elaboração da pesquisa é apresentada no capítulo 5, que contém a organização para o estudo dos dados coletados, a partir do estabelecimento de métodos específicos de análise. No capítulo 6, enquanto resultado da pesquisa de campo realizada no nível de direção intermediária da PMMG, apresenta-se a análise dos dados, sob a perspectiva da análise de conteúdo e estatística. Finalmente, apontam-se as conclusões do estudo. E, as referências bibliográficas completam a monografia. 20 2 TEORIAS DO PLANEJAMENTO E DO GERENCIAMENTO ESTRATÉGICO Neste capítulo busca-se a fundamentação dos princípios teóricos do planejamento, tendo a perspectiva de contribuir para uma melhor compreensão, no que concerne à genealogia das idéias intelectuais e conceituais do pensamento estratégico, a partir de constatações recorrentes da sua trajetória histórica, para elucidar o sentido e a importância do planejamento nas organizações. Para tanto, inicia-se com as concepções abstraídas das escolas do pensamento estratégico, identificadas em Mintzberg et al (2007). Na abordagem do gerenciamento estratégico, torna-se imperativo a definição da palavra estratégia. Pretende-se, na seqüência, fundamentar a discussão sobre o processo de formulação da estratégia. 21 2.1 As Organizações As organizações se apresentam como uma das mais admiráveis instituições sociais, fruto da criatividade humana, desenvolvidas para produzir os mais variados tipos de produtos e serviços, destinados aos mais variados consumidores e usuários. Operam em ambientes diferentes, modificam-se no tempo e no espaço, de modo a atender as demandas humanas através dos tempos. As organizações são sistemas abertos, nos quais estas se relacionam dialeticamente com o seu ambiente, que recebe vários insumos, que os transforma de diversas formas, exportando tais produtos para a sociedade. Nesse contexto, o sistema deve receber entrada suficiente de recursos para manter suas operações e, também devolver esses recursos transformados ao ambiente em quantidade e qualidade suficientes para dar continuidade a esse ciclo de intercâmbio. A organização, segundo Tavares (1991), é composta de vários subsistemas, cada um com diferentes níveis de complexidade e funções. Assim como, constituem totalidades integradas e em constante mudança, sujeita às influências de seu meio ambiente, ainda que em graus variados. Tavares (2000, p.156), ao enunciar as questões relativas à organização e seu processo de gestão estratégica, deixa evidente que: A definição de um processo de gestão estratégica deve seguir as características próprias de cada organização. Sua natureza, porte, estilo de gestão, cultura e clima, certamente irão influenciar a maneira como esse tipo de atividade será desenvolvida. Para contextualizar o conceito de organização, remeteu-se às contribuições de estudiosos do assunto e extraiu-se as seguintes definições, entendendo-se relevante para o estudo: Para Mintzberg (1995, p.17) “as organizações são estruturas para apreender e dirigir sistemas de fluxos e determinar os interrelacionamentos das diferentes partes.” Conforme Lawrence & Lorsh (1973, p.3), “uma organização é a coordenação de diferentes atividades de contribuintes individuais com a finalidade de efetuar transações planejadas com o ambiente”. 22 Para Daft (1999, p.7) "as organizações são entidades sociais dirigidas por metas, projetadas como sistemas de produtividade deliberadamente estruturados e coordenados e são interligadas ao ambiente externo" Percebe-se como ponto comum dessas definições, o aspecto de que a organização se configura como sistema aberto, portanto, sujeito às influências do ambiente. Ainda, entendida como estrutura, considera que nas organizações ocorre o processo de planejamento estratégico, e por sua vez, este contribui significativamente para a tomada de decisões, respaldada nos objetivos delineados e no fluxo surgido pela gestão estratégica.´ Por fim, um princípio relevante no primeiro conceito é considerar que na organização existe um sistema de relação entre as partes, pois a mesma não pode sobreviver se não houver interação entre os elementos do ambiente. 2.2 As Escolas do Pensamento Estratégico A categorização do pensamento estratégico, realizada a partir da observação de como as organizações lidam com a estratégia tem a finalidade não apenas de facilitar a compreensão do tema, mas também de apresentar o desenvolvimento da administração estratégica sob diversos ângulos, orientações e tendências. Assim, em decorrência de uma significativa revisão da literatura mundial das premissas do planejamento organizacional, quanto às contribuições do pensamento estratégico, foi procedida pelos estudiosos Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007) uma classificação sistematizada de cerca de 40 autores, no período médio de 20 anos. Desse estudo, tem-se o surgimento de 10 diferentes escolas, que ao concluírem seus estudos, foram categorizando-as e reunindo os principais autores de cada escola, respectivamente. A categorização dessas escolas, a partir da análise e crítica de uma vasta produção teórica e científica ao longo dos anos, representou um marco na classificação do que havia em termos de correntes da estratégia. Assim, tem-se a Escola do Design, a Escola do Planejamento, a Escola do Posicionamento, a Escola 23 Empreendedora, a Escola Cognitiva, a Escola de Aprendizado, a Escola do Poder, a Escola Cultural, a Escola Ambiental e por último, a Escola de Configuração. a) A Escola do Design Segundo Mintzberg, et al (2007), na primeira dimensão figura-se a escola do design, que propõe um modelo de formulação da estratégia com vistas à adaptação do ambiente interno1 ao externo2. Para essa corrente, o principal papel do gestor é a análise desses ambientes, competindo-lhe desenhar os pontos fortes e fracos da organização e relacioná-los com as oportunidades e ameaças do ambiente externo. A partir daí, esse gestor estabelece as estratégias políticas a serem seguidas. Explicita Mintzberg (2007 p.29) que: Uma vez determinadas as estratégias alternativas, o próximo passo no modelo é avaliá-las e escolher a melhor. Em outras palavras, supõe-se que várias estratégias alternativas foram projetadas e devem ser avaliadas para que uma seja selecionada. Richard Rumelt [...] talvez tenha fornecido a melhor estrutura para fazer essa avaliação, em termos de uma série de testes: - Consistência: a estratégia não deve apresentar objetivos e políticas mutuamente inconsistentes. - Consonância: a estratégia deve representar uma resposta adaptativa ao ambiente externo às mudanças críticas que ocorrem dentro do mesmo. - Vantagem: a estratégia deve propiciar a criação e/ou manutenção de uma vantagem competitiva na área de atividade selecionada. - Viabilidade: a estratégia não deve sobrecarregar os recursos disponíveis, nem criar subproblemas insuperáveis. Para se determinar a formulação das estratégias alternativas, a ferramenta mais utilizada nessa escola é a matriz SWOT, em que se identificam os Strengths – pontos fortes; Weaknesses – pontos fracos; Opportunities – oportunidades e Threats 1 A avaliação desse ambiente, quanto à identificação dos pontos fortes e fracos, tem como parâmetros de análise os quesitos: marketing, pesquisa e desenvolvimento, sistema de informações gerenciais, equipe gerencial, operações, finanças e recursos humanos. (Mintzberg et al, 2007 p.32) 2 As variáveis ambientais externas, traduzidas enquanto oportunidades e ameaças, são referentes às mudanças: na sociedade, governamentais, econômicas, na competição, nos fornecedores e no mercado. (Mintzberg et al, 2007 p.31) 24 – ameaças. Na finalização desse processo, faz-se a escolha da melhor estratégia para a organização, formuladas como perspectiva3. No contexto de sistematização do processo identificado nesse modelo, destaca-se que: A escola do design representa, sem dúvida, a visão mais influente do processo de formação da estratégia. Seus conceitos-chave continuam a formar a base dos cursos de graduação e mestrado em estratégia, bem como grande partes da prática da administração estratégica (MINTZBERG et al, 2007, p.28). Todavia, apontam-se como críticas dessa escola, a separação entre ação e pensamento, processo de concepção da estratégia desconsiderando-se o passado da organização e a crença de que todas as variáveis foram levantadas e são previsíveis. Em síntese, embora se registre problemas nessa escola, pode-se atribuir à metodologia prevista nessa escola, a consagração da administração estratégica e dos métodos, como por exemplo, a utilização da matriz SWOT, que significa força e fraqueza da organização, oportunidade e ameaça do ambiente externo, conforme FIG. 1. 3 Estratégia como perspectiva é entendida como: “a maneira fundamental de uma organização fazer as coisas, [...] como perspectiva a estratégia olha para dentro – dentro da organização, dentro da 25 A matriz SWOT, melhor compreendida por meio da FIG. 1, apresenta um esquema desenvolvido por Mintzberg et al (2007), tratando da análise ambiental. Ainda, vê-se que tem sido difundida nos tempos atuais, até mesmo, na formação dos administradores e por inúmeras organizações. b) A Escola do Planejamento Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007), essa escola caracteriza-se primordialmente pela formalidade dos procedimentos, do treinamento e da análise. Vê-se que mantém as premissas básicas da escola do design, com a aplicação de uma matriz, em sua maior parte, a matriz SWOT. A dinâmica das etapas e a própria matriz citada, que circundam o desenvolvimento e construção de um planejamento estratégico será abordada em seção específica, visto sua pertinência ao nosso estudo, possibilitando melhor compreensão do objeto. O planejamento estratégico apresenta-se como um modelo constituído de etapas, iniciando pela fixação dos objetivos, entendidos de alguma forma como meta. A segunda etapa refere-se à análise externa, também remanescente da escola do design. Esse passo consiste na avaliação das condições externas da organização, que “é o conjunto de previsões feitas a respeito das condições futuras”, conforme Mintzberg et al (2007, p.45). Segue-se à etapa denominada de auditoria interna, estabelecida para verificação dos pontos fortes e fracos da organização, objetivando identificar competências distintivas. A quarta etapa propõe-se à avaliação da estratégia, orientada para a mensuração do resultado gerado pela implementação da estratégia, que pontualmente direciona-se para a análise financeira. Para tanto, utiliza-se comumente, de acordo com Mintzberg et al (2007, p.47), técnicas de “avaliação da estratégia competitiva, análise de riscos e curva do valor”. A operacionalização da estratégia aparece como quinta e última etapa, onde ocorre o desdobramento e o detalhamento minucioso do planejamento. Para Steiner (1979) (apud Mintzberg, 2007, p.47) “todas as estratégias precisam ser cabeça dos estrategistas – mas também para cima – para a grande visão da empresa.” (Mitnzberg. 2007 p 19) 26 divididas em subestratégias para o sucesso da implementação.” Entende-se que nesse espaço, é possível reconhecer uma alusão no que se refere ao plano de médio prazo, também denominado de plano tático. Ressalta-se que a escola do planejamento agrega grande parte das premissas da escola do design. Em resumo, nas premissas da escola do planejamento, segundo Mintzberg (2007, p.51), tem-se que: - As estratégias devem resultar de um processo controlado e consciente de planejamento formal, decomposto em etapas distintas, cada uma delineada por cheklists e apoiada por técnicas. - A responsabilidade por todo o processo está, em princípio, com o executivo principal; na prática, a responsabilidade pela execução está com os planejadores. - As estratégias surgem prontas deste processo, devendo ser explicadas para que possam ser implementadas através da atenção detalhada a objetivos, orçamentos, programas e planos operacionais de vários tipos. O referido esclarecimento é indispensável, visto que alcançam além do conceito de estratégia, desenvolvido e discutido na subseção seguinte, outras premissas pertinentes ao processo de planejamento. Assim a relevância está em destacar o propósito do autor, ao indicar que esse processo formal deve ser concebido, seguindo-se etapas, apoiadas em técnicas. Dessa forma, o planejamento propriamente dito, refere-se a assuntos como, declaração de missão de negócios e objetivos de longo prazo. Também é marcado pelo desdobramento de estratégias e objetivos de médio prazo, já que a melhor maneira de se atingir um objetivo de longo prazo é dividi-lo em objetivos de médio prazo. Cada um desses quesitos se materializa ao se desenvolver etapas, onde vão se construindo os produtos finais esperados. Denota-se portanto, que subestratégias, sub-objetivos e sub-planos seguem este mesmo raciocínio (STEINER apud MINTZBERG et al, 2007). Em síntese, pode se dizer que um dos grandes desafios que viabilizam uma estratégia, refere-se ao planejamento a curto prazo, metas, programas de ação, planos em nível tático e operacional, considerando principalmente a necessidade de envolvimento significativo da organização em toda sua extensão. 27 Mintzberg (2007) elaborou críticas a esta escola, apresentando como falácias do processo a predeterminação, podendo ser entendida como pensamento presunçoso de que o ambiente em que a organização se encontra permanece estável, o que não acontece. Outro aspecto discutido é a falácia do desligamento, que compreenderia a separação entre formulação e implementação da estratégia. Assim o pensamento fica afastado da ação, comprometido pelos pretéritos relatórios e informações produzidos para a formulação dessas estratégias, abstraídos dos detalhes do dia-a-dia. Nesse aspecto, o autor afirma que: Gerentes desligados, juntamente com planejadores abstraídos, não só fazem más estratégias, mas, na maioria dos casos, não fazem estratégia nenhuma. Olhe para dentro das organizações com pessoas em busca de uma visão, em meio a todo o seu planejamento estratégico, e é quase certo que você encontrará executivos fazendo exatamente o que o planejamento lhes diz para fazer – desligarem-se dos detalhes. (MINTZBERG, 2007 p.59) A questão da formalização compreende a falácia seguinte, pela concentração da importância a ela creditada. Ainda, critica-se pelo fato de que o puro rito formal é insuficiente ou quase intangível enquanto estímulo para a recriação requerida à escolha das melhores estratégias. Para tanto, evoca-se Mintzberg (2007) referindo-se à atividade de produção dos inúmeros quadros e planilhas, e depois “volte a todos aqueles mapas de planejamento estratégico e procure o quadro que explica como as estratégias são realmente criadas. Você não irá encontrá-lo [...].” Por fim, embora se encontrem falácias nessa escola, como as apresentadas, o planejamento estratégico tem escopo na contribuição para a seleção e fornecimento de dados importantes ao estrategista. Assim como, continua sendo muito utilizado por empresas e organizações, possibilitando-as a pensar o futuro de forma sistemática. c) A Escola do Posicionamento Observa-se que as diversas escolas do planejamento não se apresentam como excludentes entre si, ao contrário, no sentido axiológico percebe-se que guardam certa complementaridade e não se afastam radicalmente. 28 Nesse sentido, a escola do posicionamento preserva premissas das escolas do planejamento e do design como a formalização do processo e o desligamento entre formulação e implementação, com alguma exceção, inovando no aprofundamento do conteúdo das estratégias. O autor que se destacou, considerado emblemático nessa linha de pensamento foi Michel Porter (PORTER, 1986). Há uma introdução de ferramentas que vão contribuir significativamente para a definição de estratégias, podendo ser citadas a título de exemplo, as matrizes de portfólio de produtos e o modelo da curva de experiência. Ainda, acrescenta-se o modelo das cinco forças competitivas de Porter4, podendo ser considerado um dos mais conhecidos e utilizados para análise da estratégia, atualmente. Mintzberg et al (2007), apresentam cinco premissas da escola do posicionamento, conhecidas como 5 P´s da estratégia, dentro do processo de produção de estratégias deliberadas, antes da sua implementação formal. A primeira refere-se às estratégias como posições genéricas, especificamente comuns e identificáveis no mercado, ou seja, a diferenciação deve consistir em um posicionamento ímpar da empresa no mercado. A seguinte consiste na idéia de que o mercado é econômico e competitivo. Dessa forma, a delimitação da atividade econômica é feita pelo mercado que é caracterizado pela competição. A terceira se remete ao processo de formação de estratégia enquanto seleção analítica dessas posições genéricas, inserindo-se aqui o método baseado na análise de dados contextuais para orientar a escolha de opções estratégicas. Na seqüência, tem-se que os analistas desempenham um papel fundamental no suporte a decisão, ou seja, as escolhas estratégicas dependem das informações interpretadas pelos analistas, levadas aos executivos. Por último, depara-se com a premissa de que as estratégias saem desse processo totalmente desenvolvidas, sendo posicionais e deliberadas, as quais dirigem a estrutura organizacional. Considerando o propósito da busca de formulação da melhor estratégia para a organização que atinja a implementação adequada, cabe citar um conceito desenvolvido por Porter (1986), de que a estratégia é uma opção excludente, no 4 Porter, M. (1986): as cinco forças são a ameaça de novos entrantes, poder de barganha dos fornecedores e dos clientes, ameaça dos produtos substitutos e intensidade da rivalidade entre empresas concorrentes. 29 momento em que a empresa para fazer uma escolha, deve procurar a combinação de recursos ideal para atingi-la e ao fazê-la, automaticamente, elimina algumas outras possibilidades. São apresentados três fatores concorrentes à esta situação, sendo: 1) a inconsistência em imagem e reputação, sendo que este ocorre quando uma empresa está associada à determinada categoria de produto ou serviço e fica difícil atuar em outra direção. 2) as opções excludentes demandam escolha de atividades excludentes, o que significaria que uma empresa com determinada estrutura sedimentada de sucesso dificilmente conseguiria diversificar sua prestação de serviços ou produtos para uma rede diferente. 3) dificuldades de coordenação e controle interno, baseada na opção estratégica, a empresa coordena seus funcionários em uma determinada orientação. Assim, a atuação em diferentes direções dificulta a coordenação de esforços. Por fim, Mintzberg et al (2007) tecem críticas à Escola do Posicionamento, afirmando que seu foco é bastante voltado para o lado econômico das organizações, em um contexto que contempla as grandes organizações. Quanto ao processo de planejamento, baseia-se na análise de dados, desprezando a vivência das situações e a escolha da estratégia ocorre com opções genéricas reduzidas, a partir da combinação de fatores. d) A Escola Empreendedora A apresentação dessa escola tem origens pertinentes a alguns estudos de economia, semelhante à escola do posicionamento, onde a formulação da estratégia é focada no líder empreendedor. Esse processo visionário do líder centrase na pessoa de nível hierárquico mais elevado da organização, que utiliza das etapas de percepção ou observação da realidade para formação estratégica, com menor ênfase na implementação. 30 Esta escola enquadra-se dentro da perspectiva descritiva, ou seja, preocupada em descrever de que forma as estratégias são concebidas mais do que no resultado delas. Na concepção de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007), há uma valorização de variáveis intangíveis, como a intuição, o julgamento, a sabedoria e a experiência na conformação da idiossincrasia humana. Stevenson e Gumpert (apud Mintzberg et al, 2007), mencionam empreendedor como pessoa “constantemente sintonizada com o mudanças ambientais que possam sugerir uma oportunidade favorável, ao passo que o administrador [...] quer preservar recursos e reage de forma defensiva às possíveis ameaças para neutralizá-las”. Todavia, a visão enquanto conceito central dessa escola tende a ser um plano articulado pela mente do líder empreendedor, sustentado pelas suas experiências, deduzindo-se a presença de uma perspectiva menos coletiva ou cultural, associada ao censo de direção. Segundo Mintzberg et al (2007), essa escola baseia-se nas seguintes premissas: a estratégia existe na mente do líder, como perspectiva de futuro; a formulação de estratégias é semi-consciente pautada na experiência e na intuição do líder; o líder promove a visão, mantendo controle pessoal na implementação; a estratégia empreendedora tende a ser deliberada e emergente; a organização é mantida simples e maleável facilitando a ação do líder. As críticas estão relacionadas à obscuridade ou ausência de esclarecimento de como ocorre o processo de formação da estratégia, privilegiando o papel da intuição do líder nas decisões, além de mostrá-la como comportamento de um indivíduo. e) Escola Cognitiva Para a escola da cognição, definida por Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007), o seu foco está em compreender a mente do estrategista. Ou seja, leva-se em consideração as estruturas do conhecimento e raciocínio desse estrategista, acreditando que para se entender o processo de formulação de estratégias é 31 imprescindível estudar o funcionamento da sua mente. Destacaram-se nesta escola, as obras de Lyles (1990), Duhaime e Schwenk (1985) e, Reger e Huff (1993). Em relação à importância dada para mente do estrategista, tem-se em Makridakis (apud Mintzberg et al 2007), a afirmação de que a forma do estrategista ver o mundo influencia a maneira de como ele toma decisões e formula estratégias. Essa condição se fundamenta nos motivos de que há uma disposição em buscar fatos que indiquem uma certa conclusão e desprezar outros que possam ameaçá-la; dificilmente se consegue aplicar os mesmos critérios de decisão em condições semelhantes e a tendência a resistir a novas informações ou evidências, buscandose a manutenção da situação atual. A idéia de que o estrategista utiliza todo o seu conhecimento, partindo de suas experiências para desenvolver processos de pensamento e tomada de decisões e, que a partir dessa experiência, a utiliza para dar forma ao planejamento, geraram duas propostas distintas. Uma mais positivista, em que o processamento e a estruturação do conhecimento prescindem a produção das estratégias. Outra, considerada mais subjetiva, a formação da estratégia é considerada uma interpretação do mundo. Nesse sentido, para Kinicki e Keats (apud MINTZBERG e QUINN, 1998, p.120), o pensamento e a tomada de decisões nada mais são do que sistemas de processamento de informações. Esse processo foi sistematizado conforme sugerido pelos mesmos autores, de acordo com o modelo da FIG. 2: 32 Figura 2: O processo de tomada de decisão. Fonte: MINTZBERG e QUINN, 1998. Foram estabelecidas como premissas desta escola, segundo Mintzbert et al (2007, p.131), a formação da estratégia como processo cognitivo existente na mente do estrategista; as estratégias emergem como perspectivas e sua forma é dada pela análise subjetiva de como as pessoas interpretam o ambiente. f) Escola do Aprendizado Enfatiza-se nesta escola que a organização aprende ao longo do tempo, acumulando-se experiência, na convivência com as situações do ambiente. Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007), entre suas premissas encontram-se a idéia de que a formação da estratégia emerge dentro de um processo de aprendizado coletivo e de forma natural, na organização; a aprendizagem está afeta a toda organização; a gerência desse processo de aprendizagem é conduzido pelos líderes; o surgimento da estratégia parametriza-se inicialmente pelo desenho do passado, para depois transformar-se em um plano para o futuro. 33 Em contra ponto, critica-se essencialmente o processo de emergência da estratégia, visto que, em deixando de ocorrer a cooperação dentro da organização, até mesmo pela ausência de feedback, a organização pode vir a entrar em crise. Diz-se que a preocupação central dos pensadores dessa escola é saber como as estratégias são formadas na organização. Quinn (1980), Prahalad e Hamel (1990) são alguns dos autores inseridos nessa abordagem, defendendo que o redirecionamento estratégico não decorre de um processo formal de planejamento e sim de pequenas ações implementadas ao longo do tempo. g) Escola do Poder A linha de pensamento da escola do poder projeta a formação da estratégia como um processo relacionado ao poder e à política, na definição e negociação das estratégias a serem adotadas. Considerando-se os eixos que balizam a escolha estratégica, há duas vertentes de explicação dessa relação, sendo: o “poder micro” que vê a estratégia como resultado dos interesses políticos internos da organização. E o “poder macro” que diz respeito à forma como a organização visa influenciar o ambiente externo, ou seja, a sociedade em ela se insere e onde se encontram seus stakeholders5. Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007), citam como premissas dessa escola: a formação de estratégia é moldada por poder e política; as estratégias que podem resultar desse processo tendem a ser emergentes e assumem mais a forma de posições e meios de iludir do que de perspectivas. Considera-se como mérito da escola o reforço da importância do poder e da política no processo de formulação de estratégias. 5 Os stakeholders inclui qualquer grupo ou indivíduo que possa afetar ou é afetado pelos objetivos organizacionais. Ainda, Os primários seriam aqueles sem os quais a empresa não sobreviveria, como aciononistas, empregados, fornecedores e consumidores. Os secundários são aqueles que têm algum grau de importância, sem contudo, comprometer a existência da organização, podendo ser comunidade, governo e outras organizações. (CAMPOS, Taiane Las Casas. Administração de Stakeholders: uma questão ética ou estratégia. Disponível em www.iceg.pucminas/apimec/nucleos/stack.pdf. Acessado em 10 de junho de 2008 ) 34 h) Escola Cultural O pressuposto da escola cultural refere-se à influência que a cultura organizacional pode exercer sobre a estabilidade estratégica, ou mesmo, proporcionar resistência à implementação de novas estratégias. Segundo Mintzberg et al (2007), pode se dizer que a cultura de uma organização traduz as crenças, tradições e hábitos , assim como, as interpretações comuns do público que a integra. Assim, entende-se que há um compartilhamento de valores e crenças comuns entre eles. Em conseqüência, afirma-se que a formação da estratégia advém de um processo enraizado na cultura organizacional. Os aspectos culturais têm sido considerados, algumas vezes enquanto facilitadores, outras vezes como complicadores do sucesso. Cabe ao gestor, a capacidade de construir ou fazer bom uso da cultura organizacional, ou seja, para mudar a estratégia, o mesmo precisa de capacidade de promover mudanças culturais também. Apresentam-se como premissas dessa escola: a formação de estratégias enquanto processo de interação social, baseado em crenças e interpretações comuns aos membros de uma organização. Ainda, de que o indivíduo adquire essas crenças através de um processo de aculturação ou socialização; os membros de uma organização podem descrever os valores de uma organização, porém sem explicá-los; a estratégia assume a forma de perspectiva, com intenções sustentadas coletivamente; a cultura e, em especial, a ideologia são fatores desencorajadores das mudanças estratégicas. (MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL, 2007) i) Escola Ambiental Nessa escola o agente principal a ser considerado para a formulação das estratégias relaciona-se ao ambiente externo à organização, em uma forma de subordinação a ele. Nesse sentido, as estratégias são traçadas segundo as mudanças desse ambiente, condicionadas às opções oferecidas. De acordo com essa corrente de pensamento, em havendo resistência às mudanças, a organização estaria fadada ao insucesso. 35 Mintzberg et al (2007), destacaram as seguintes premissas da escola ambiental: o ambiente se apresentando como o centro do processo de geração de estratégia; a organização deve responder as forças ambientais; a liderança é imprescindível na leitura do ambiente e adaptação adequada pela organização. j) Escola da Configuração As duas características centrais dessa escola são a configuração e a transformação. A primeira pode ser entendida como a descrição do estado da organização e seu contexto. A segunda descreve o processo de construção da estratégia. Por outro lado, existe uma integração de várias premissas das escolas anteriormente discutidas. Entende-se que a organização deve passar por momentos de grandes mudanças para se adaptar ao contexto, ou seja, mudança no contexto levaria a mudanças na estrutura. As premissas apontadas por Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007) são: uma organização pode ser descrita como um tipo de configuração estável; os períodos de estabilidade são ocasionalmente interrompidos por um processo de transformação; os processos de configuração e transformação podem se ordenar ao longo do tempo em seqüências padronizadas, formatando um ciclo de vida da organização; a chave da estratégica é sustentar a estabilidade ou se adaptar às necessidades de transformação; o processo de formulação de estratégias deve assimilar conceitos e metodologias das demais escolas, que melhor se adapta ao contexto. 2.3 Conceito de Estratégia: da visão militar à empresarial Como as pessoas têm compreendido e empregado o termo “estratégia” torna-se relevante, visto que certas definições se aplicam melhor a determinados contextos que em outros. As abordagens clássicas da estratégia remontam suas origens na arte do combate militar e posteriormente, a partir da década de 1960, 36 adquire significados empresariais com os teóricos das organizações, principalmente na área da administração. Esse entendimento tem por escopo, a afirmação contida em Silva ( apud Batalha 2008, p. 188), de que: A partir da década de 1960, os teóricos das organizações passaram a visualizar a importância do ambiente em que as empresas se encontravam inseridas e começaram a desenvolver estudos acerca da estratégia das organizações, compreendida como a forma pela qual elas administram seus pontos fortes e fracos (existentes ou potenciais) para atingir seus objetivos, levando em consideração as mudanças do ambiente. Ainda assim, muitos autores entendem que o conceito de estratégia é bastante efêmero, tanto quanto abstrato. Ou seja, a construção de uma estratégia, mesmo com extremado rigor e qualidade, sua formulação não significa ou corresponde a um resultado imediatamente produtivo para a organização, (ANSOFF, 1993). Dentro da genealogia militar, estratégia é uma palavra de origem grega, Strategus, significando o general superior e Strategia, que denominava a arte desse general. Registra-se que há 2.500 anos já se empregava a palavra estratégia como a arte da guerra. O emprego da palavra na Europa ocorreu no século XVIII, denominando a arte do general, em estreita relação à sua origem grega. Conservando-se a conotação militar do vocábulo, de acordo com Caminha (1982, p.63) há o entendimento que: Para Clausewitz, a Tática era o emprego das forças militares no combate, a Estratégia, a teoria do emprego de todos os combates, ligando-os entre si, a fim de atender os propósitos da guerra. Segundo Jomini, a Estratégia abrangia o que se passava no teatro de operações, enquanto a tática era a maneira de combater na batalha. Também o Almirante Castex, em pleno século XX, manteve seu fiel significado militar, afirmando que a finalidade da Estratégia era o preparo para os combates, esforçando-se para que estes se desenvolvam nas melhores condições possíveis e deles se obtenham os melhores resultados. (grifo nosso) A concepção militar indexada à guerra vai se evoluindo, considerando cada vez mais fatores não militares, como os fatores políticos, econômicos e 37 técnicos, a partir do período pós guerra, principalmente em razão das grandes mudanças do ambiente. A partir da segunda metade do século XX passa a ser incorporado nas organizações. Ansoff (1993) contribui com a solidificação do conceito no meio empresarial e afirma que essa transição e ligação com os negócios apareceram em 1948 por Von Neumann e Morgenstern, com o estabelecimento da teoria dos jogos. No mesmo autor, são tratadas duas acepções do conceito, assim estabelecidos: Uma estratégia pura é uma manobra, ou uma série específica de manobras de uma empresa, tal como um programa de desenvolvimentos de produtos, no qual sucessivos produtos e mercados são claramente delineados. Uma estratégia maior ou mista é uma regra estatística de decisão para ajudar a escolher a estratégia pura específica que a empresa deve adotar numa dada situação. (ANSOFF, 1993, p. 99) A teoria dos jogos atrai e “rotula” a estratégia enquanto manobra para alguns autores, que a definem como um conjunto de áreas específicas em termos de produtos e mercados. Por outro lado, como expansão do termo militar, a estratégia refere-se ao campo de atuação da empresa. Considerada uma das maiores autoridades mundial em estratégia, Porter (2002, p. 30) definiu que “Estratégia é sinônimo de escolha. É preciso escolher quais as necessidades, de quais clientes, a empresa quer satisfazer. Essa é uma forma fundamentalmente diferente de ver um negócio.” Na definição proposta por Ohmae (2002, p. 102) concebe-se a estratégia como sendo o modo pelo qual a empresa se distingue da concorrência, tratando-a como “um plano de ação para a companhia, elaborado a partir das necessidades do consumidor, ou seja, cria-se um programa para atender melhor a suas necessidades.” Para Vasconcelos Filho e Pagnoncelli (2001, p. 298), há o entendimento da “estratégia competitiva como o que a empresa decide fazer e não fazer, considerando o ambiente, para concretizar a visão e atingir os objetivos, respeitando os princípios, visando cumprir a missão no seu negócio”. Para Ansoff (1993), “a estratégia é um conjunto de regras6 de tomada de decisão para orientação do comportamento de uma organização.” 6 Para o autor, há quatro tipos distintos de regras, sendo: 1) padrões pelos quais o desempenho presente e futuro da empresa é medido. Em termos qualitativos são chamados de objetivos, em seu aspecto quantitativo são chamados de metas. 2) regras para desenvolvimento da relação da empresa com seu ambiente externo. 3) Regras para o estabelecimento das relações e dos processos internos 38 Revistando Mintzberg et al (2007), muito conhecido por seus estudos de desenvolvimento de estratégia e práticas gerenciais, depara-se com uma discussão um pouco mais detalhada e complexa, na medida em que o autor segmenta a estratégia em cinco características, podendo ser entendido como cinco conceitos, que de alguma maneira, interagem entre si. Dessa forma, inicialmente a estratégia se apresenta como um plano ao associá-la a um conjunto de ações planejadas para nortear uma determinada situação. Esse entendimento é bastante utilizado no militarismo e na administração. Em outra concepção, considera-se a estratégia como um padrão, ao referenciar o seu processo de construção como uma seqüência de ações pautadas no comportamento observado dentro das organizações, ao longo do tempo. Nesse ponto, Andrews (1971) observa que a estratégia é um padrão de decisões, onde se determina os objetivos, metas e políticas da organização. Enfatiza-se que a estratégia deve ser um processo coerente com a estrutura, o comportamento e a cultura organizacional. A estratégia vista como um jogo é a concepção seguinte, segundo Mintzberg (2007), ela pode ser entendida como uma manobra específica, ou seja, esconder a verdade perante os concorrentes. A característica subseqüente apresenta a estratégia como uma posição, e assim sendo, a estratégia é abstraída a partir da análise ambiental, em uma combinação entre ambiente externo (ameaças e oportunidades) e interno (pontos fortes e fracos). Por último, define-se estratégia como perspectiva, ou seja, sua definição ocorre ou é determinada a partir do pensamento coletivo dos membros da organização, baseada nas percepções e visões de mundo dos estrategistas da empresa. Nesse sentido, segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2007) há uma intensa correlação entre os cinco conceitos de estratégia, que pode ser vista tanto como planos para o futuro, assim como padrões do passado. Precisa também se posicionar dentro de um ambiente que apresenta vários fatores intervenientes. Os autores esclarecem que as organizações não atingem completamente a estratégia planejada, mas também não se desviam dela, ponderando que o contrário, representaria uma projeção de futuro extremamente acertada. na organização. 4) Regras pelas quais a empresa conduzirá suas atividades do dia-a-dia, chamadas de políticas operacionais. (Ansoff, 1993, p. 70) 39 Ao apresentar os conceitos relativos ao termo estratégia, não se teve a intenção de esgotá-lo dentre a vasta literatura que o aborda, bem como, não se pretendeu verificar se existe um conceito melhor que os outros. No entanto, relevase a existência de princípios gerais que devem ser observados para ajustarem aos aspectos peculiares que conduzem ao sucesso das organizações. 2.4 Formulação da Estratégica nas Organizações A abordagem do processo de elaboração de estratégias nesse estudo, busca demonstrar que, a forma como as organizações desenvolvem estes processos, pode influenciar sobremaneira na melhoria de suas condições de competitividade, dependendo da trajetória percorrida. A partir da década de 50 registram-se alguns trabalhos que fomentaram importantes referenciais para a área de estratégia organizacional. Andrews (1971) apontou a necessidade de se considerar o ambiente como sujeito a constante mudanças, a fim de que o gerenciamento da organização pudesse se ajustar constantemente. Nesse contexto, emerge assim, alguns conceitos chave da área de estratégia corporativa, como ameaças e oportunidades do ambiente (externo) combinadas com forças e fraquezas da organização. Com o surgimento desses conceitos, registram-se assim, as preocupações e construções teóricas, durante a década de 60, das premissas básicas para a compreensão do que seria a formulação de estratégias. Fazendo uma clara distinção entre o processo de formulação e implementação, Andrews (1971, p.44) considerava que a estratégia deveria ser planejada e conscientemente formulada e só depois seria implementada. Para o autor, [...] as principais sub-atividades da formulação estratégica incluem identificar oportunidades e ameaças no ambiente da empresa e relacionar estimativas e riscos com as alternativas disponíveis. Antes de uma escolha ser feita, as forças e fraquezas deveriam ser analisadas de forma conjunta com os recursos disponíveis. 40 Deste modo, Andrews interpretou o processo estratégico como racional e conduzido conscientemente. Fez também as primeiras considerações quanto à adequação estratégica ou “strategic fit”, ao destacar que a análise do ambiente e a análise interna deveriam buscar um ponto de equilíbrio ótimo. Os aspectos envolvidos na formulação descritos eram: a) Identificação de oportunidades e riscos; b) Determinação dos recursos materiais, técnicos, financeiros e gerenciais da empresa; c) Valores pessoais e aspirações da alta gerência; d)Reconhecimento de responsabilidades não econômicas para a sociedade. Tomando por base os aspectos acima descritos, Ansoff apregoa esta proposta e passa a considerar a formalização do processo de formulação estratégica (MINTZBERG, 2007). Assim, na formulação de planos a empresa passa a conhecer o ambiente em que está inserida e identifica os meios para atingir uma vantagem competitiva. Levando-se em consideração o aspecto do ambiente, enquanto fator que interfere diretamente na formulação e sucesso das estratégias, torna-se necessário que a organização identifique o grau de habilidade para observar e compreender as mudanças em seu ambiente. De igual forma, é preciso ter a disposição para adaptar-se aos feedbacks externos para ajustar suas estratégias, considerando as suas forças e fraquezas. 2.4.1 A importância do processo de Formulação de Estratégia A formulação da estratégia é relevante para que se possa capacitar a empresa a focalizar e alinhar suas equipes executivas, unidades de negócio, recursos humanos, tecnologia da informação e recursos financeiros na estratégia da organização. Essa formulação organiza as contribuições que as diversas áreas têm a dar à organização, servindo como linha de orientação à integração dos esforços desenvolvidos pelos vários executivos dispersos em todas essas áreas. 41 Como as organizações obtêm sucesso em suas estratégias, e na mesma medida, como o processo de formulação estratégica ocorre, vem consistido alvo de debates. Nesse ponto de vista, procura-se buscar a evidência de como a estratégia adotada foi elaborada, ou seja, quais os procedimentos seguidos, que conduziram a organização a um amoldamento com o seu ambiente, conseguindo alcançar um desempenho superior. Para Porter (1991), o alinhamento da organização com o propósito de se alcançar a vantagem competitiva7 consiste no objetivo central da estratégia. Nesse sentido, a escolha estratégica é influenciada por uma série de fatores. Porter (1991) afirma que essa escolha em parte é influenciada pelos fatores externos. Além do que, no ambiente organizacional externo, determinadas forças têm maior peso do que outras, sobre as decisões da empresa. Acrescenta ainda, que o processo estratégico deve considerar a necessidade, fundamentalmente, de satisfazer três partes interessadas diretamente com a organização: clientes, funcionários e fornecedores. Não se pode desconsiderar outros grupos externos, que devem ter suas necessidades satisfeitas. Por outro lado, apresenta como um dos grandes problemas, o fato de como adequar a formulação de estratégias com vistas a resultados para todos os interessados, ou mesmo questionar, se todos os interessados influenciam diretamente o processo estratégico, assim como, devem ser atendidos. Por fim, jamais deve se esquecer da influência dos stakeholders como fatores importantes na decisão da estratégia, o que significa entender mais sobre o que contribui e o que não contribui para o sucesso de uma estratégia. Para Porter (1991), importa também, como fator preponderante, o entendimento da extensão do processo de formulação da estratégia da empresa adequado ao seu ambiente competitivo, e como a cultura da empresa facilita a efetiva decisão e execução da estratégia. 7 Vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor que uma empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa o custo de fabricação pela empresa. Existem dois tipos básicos de vantagem competitiva: liderança de custo e diferenciação. A estratégia competitiva deve surgir de uma compreensão sofisticada das regras de concorrência que determinam a atratividade da empresa. Essas regras estão englobadas em cinco forças competitivas: a entrada de novos concorrentes, a ameaça de substitutos, o poder de negociação dos compradores, o poder de negociação dos fornecedores e a rivalidade entre os concorrentes existentes. (Livro: Vantagem competitiva de Michael E.Porter, 1991 p.2-3) 42 Conforme a literatura visitada e de acordo com a abordagem feita anteriormente, na conceituação da estratégia, verifica-se a diversidade de posicionamento na definição, não ocorrendo unanimidade. Todavia identifica-se que: “A prática da estratégia resulta em um processo interativo no qual a empresa testa o seu próprio futuro através de um aprendizado contínuo. Dirigentes devem estar conscientes desse processo, para nele poderem melhor intervir. Sem a visão estratégica, não se pode conhecer o conjunto de necessidades, demandas, apoios e recursos existentes na sociedade.” (MOTTA, 1996, p. 102) Nesse sentido, quando a organização decide implantar o espírito estratégico dentro da organização, almeja-se que os seus integrantes e envolvidos tenham uma participação ativa e consciente, aplicando a criatividade, responsabilizando-se pelo crescimento da instituição. Por fim, a formulação da estratégia antes de ser uma ciência exata, se constitui numa arte que requer discussões permanentes e participação constantes na abordagem do futuro da organização. 2.5 Administração & Gerenciamento Estratégico A Administração Estratégica, nos anos 1950, teve sua delimitação estabelecida pela primeira vez a partir de pesquisas realizadas na Fundação Ford e Carnegie Corporation, patrocinadoras do estudo. Um resumo dessa pesquisa, chamada de relatório Gordon-Howell, recomendava que o ensino de negócios tivesse uma natureza mais ampla e incluísse um curso de capacitação em uma área chamada de política de negócios. Logo em seguida passou a fazer parte do currículo das escolas de negócios. Todavia, ainda se vê uma falta de uniformidade nas opiniões sobre o significado que expresse, fielmente e com clareza, o conceito de Administração Estratégica, que vem evoluindo e continuará a evoluir. Com o propósito de fornecer um conceito mais recorrente, procurou-se localizar no arcabouço teórico pesquisado, aqueles que mais pudessem contribuir para o entendimento do proposto. 43 De acordo com Certo e Peter (1993), “a administração estratégica é definida como um processo contínuo e interativo que visa manter uma organização como um conjunto apropriadamente integrado a seu ambiente.” Nessa definição é possível verificar o quanto importa a interação do que ocorre dentro e fora de uma organização, no sentido de que esta se posicione perante o futuro e se antecipe diante de situações de ameaça. Mostra-se que esse processo é contínuo e após iniciado a elaboração do planejamento, sugere-se passar por revisões, para melhor se adequar à situação ambiental. Em contra ponto, evoca-se Costa (2003) que discorre sobre o assunto, apontando a ampliação e modulação do termo, denominando-o de gestão estratégica. Para o autor a gestão é muito mais ampla que a administração estratégica, pois vai desde o processo de avaliação diagnóstica até a atribuição de responsabilidade para o detalhamento dos planos de implantação. Sendo o processo bastante adequado, alcança-se o envolvimento e comprometimento de todos os integrantes, pelo que se pode conceituar gestão estratégica como: processo sistemático, planejado, gerenciado, executado e acompanhado sob a liderança da alta administração da instituição, envolvendo e comprometendo todos os gerentes responsáveis e colaboradores da organização. A gestão estratégica tem por finalidade assegurar o crescimento, a continuidade e a sobrevivência da instituição, por meio da contínua adequação de sua estratégia, de sua capacitação e de sua estrutura, possibilitando-lhe enfrentar e antecipar-se às mudanças observadas ou previsíveis no seu ambiente externo. (COSTA, 2003, p. 54) Verifica-se que a gestão estratégica compreende um campo maior de abrangência, visto que todos os aspectos inerentes à administração e ao planejamento estão inseridos em seu contexto, ou seja, são partes do processo. No mesmo sentido, Tavares (2000, p.33) afirma que a gestão estratégica procura reunir planejamento estratégico e administração em um só processo, que “corresponde assim, ao conjunto de atividades planejadas e intencionais, estratégias organizacionais que visa integrar a capacidade interna ao ambiente externo.” 44 O autor op cit expõe o conceito de administração estratégica enquanto “processo contínuo e interativo que visa capacitar a organização de forma a permitir que as tomadas de decisões estejam de acordo com as decisões estratégicas8. Segundo Gaj (2003), como aporte ao planejamento estratégico, a gestão estratégica é entendida como um sistema em tempo real, que integra as estratégias emergentes e que inclui o fator capacitação como instrumento transformador da própria estratégia. FIGURA 3 – Modelo de Administração Estratégica Fonte: Peleias, I.R (1992, p. 71) Como se vê, na FIG. 3, é importante conhecer e entender que a empresa está inserida em um ecossistema, onde são identificadas as variáveis econômicas, sociais, políticas, culturais, éticas, tecnológicas, etc. e, realiza constante interação interna e externa, através da aquisição de recursos dos fornecedores e disponibilização de produtos aos clientes. Assim, a administração estratégica abrange a empresa e seu ambiente como um todo. Por fim, a implantação do gerenciamento estratégico oferece benefícios para a instituição, visto que o caminho a ser seguido pela organização, previsto no planejamento estratégico, fica mais claro, seus esforços são direcionados a um 8 Tavares (2000) preceitua que decisão estratégica é toda decisão que resulta em uma nova maneira de distribuir ou utilizar os recursos básicos da organização. 45 propósito comum, concentrando os esforços e os resultados mais alinhados com as metas organizacionais. 2.5.1 Diferença entre Administração Estratégica e Planejamento Estratégico As diferenças entre administração estratégica e planejamento estratégico são apresentadas por Gaj (2003). Para o autor, os primeiros estudos conceituando e empregando a administração estratégica, surgiram na década de 50, coincidindo com o já mencionado. Com a evolução das pesquisas acadêmicas, nos anos seguintes, entendeu-se que o processo utilizado para a formulação da estratégia receberia a designação de planejamento estratégico. Contudo, percebe-se uma extensão dos aspectos correlacionados ao planejamento estratégico que remeteu à administração estratégica, tendo surgido enquanto denominação para o respectivo processo estratégico. As diferenças existentes são básicas e simples, mas elementares, como sugeridas por Gaj (2003, p. 23). As premissas estabelecidas para as duas proposições e sua correlação, constantes do QUADRO 1 descrevem o entendimento do que vem a ser um e outro. QUADRO 1 Premissas do planejamento e da administração estratégica PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGIA Estabelece uma postura em relação aos Acresce capacitação estratégica. ambientes. Lida com fatos, idéias, probabilidades. Acresce aspirações em gente, mudanças rápidas da organização. Termina com um plano estratégico. Termina com um novo comportamento. Sistema de planejamento. Sistema de ação. Fonte: GAJ, 2003. Administração estratégica. com 46 Como pode ser visto nas diferenças apresentadas acima, interessase especialmente as perspectivas geradas, no que diz respeito à mudança na organização e o foco direcionado à ação, decorrente da implementação do plano. Na nova abordagem, em que a estratégia passa a considerar o ambiente interno e externo, clientes, fornecedores e cenários, a então nominada administração estratégica, a partir da década de 70, vem permeada de muita complexidade, frente a esses ambientes. Referente à essa consideração e tendo em vista os objetivos deste estudo, deixar-se-á de discorrer sobre os limites que vão caracterizar os problemas decorrentes do ambiente complexo, para se restringir a citar o sistema básico de administração estratégica, proposto por Gaj (2003, p. 28). Para o autor, este sistema9 compreende: “o diagnóstico estratégico; o desenvolvimento estratégico; a administração do processo de planejamento e o orçamento.” Conclui-se que todos os fatores são levados em consideração na administração estratégica, e que os elementos apresentados são interligados, portanto vinculados à condição sistêmica. Quanto ao planejamento estratégico será feita uma abordagem específica no capítulo seguinte, visto a necessidade de maior compreensão do assunto. 9 Gaj (2003, p. 31) estabeleceu que a administração estratégica considere como elementos do diagnóstico, a administração de resistência e conflitos e o diagnóstico em si; do desenvolvimento estratégico propõem o sistema de informação, o desenvolvimento do processo e o treinamento em administração estratégica. Para a administração de processos, ele considerou a administração de eventos, do processo e dos projetos. Por última, para o orçamento estabeleceu a administração da estrutura organizacional, orçamento propriamente dito e sistema de recompensas. 47 3 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, ESTRUTURA E AMBIENTE Nesta seção são explicados aspectos específicos, inerentes ao planejamento estratégico, abordando alguns conceitos, seus tipos, níveis e críticas. Assim como, tendo o planejamento estratégico surgido em decorrência da imensa velocidade das transformações e do aumento da concorrência, características de um período pós-guerra, com fins de viabilizar e facilitar o processo de tomada de decisão nas empresas se fará seqüencialmente, uma breve contextualização do processo de planejamento, seguindo-se à apresentação de um modelo do processo de planejamento estratégico, segundo Tavares. Para finalizar a seção, discute-se as dimensões contextuais “estrutura e ambiente”, como modelo de análise do gerenciamento estratégico. Identificadas em uma rica literatura, a configuração da estrutura deve se ajustar à estratégia e, esta geralmente acompanha as mudanças ambientais. 48 3.1 Abordagens ao Planejamento Estratégico A década de 1990 foi denominada a “Era da Eficiência Operacional” em razão das exigências do ambiente, no sentido de fazer melhor que os concorrentes, em busca da eficiência nas melhores práticas empresariais, segundo Porter (2002). O planejamento estratégico formal teve seu desenvolvimento a partir dos clássicos trabalhos de Andrews, Chandler e Ansoff, entre outros (Mintzberg et al., 2007). A idéia central desses autores apregoa a utilização de planos escritos, de longo e médio prazo, e seus desdobramentos nas diferentes funções e níveis da organização. O planejamento estratégico integra um processo de gestão e o seu desenvolvimento se desencadeia em fases que devem ser capazes de aproveitar as oportunidades e pontos fortes, assim como, minimizar ou neutralizar as ameaças e pontos fracos apresentados pelo ambiente. Por conseguinte, refere-se a um processo de reflexão que conduz uma organização na definição dos principais objetivos, políticas e estratégias. Para alcançar tal mister, esse processo deve seguir uma metodologia adequada, podendo a mesma sofrer alguma adaptação para atender as características da organização. Essa metodologia é utilizada para garantir a otimização da capacidade dos gestores e possibilitar a participação de todos os envolvidos que possam contribuir para a produção do melhor conjunto possível de diretrizes. Na literatura existem diversas definições para o termo ‘Planejamento Estratégico’, conduzindo para sentidos semelhantes. Torna-se então, pertinente, enfocar alguns conceitos que contribuam para a contextualização dessa ferramenta administrativa. Nesse sentido, Tavares (2000) apresenta o conceito de planejamento estratégico enquanto “a técnica administrativa que objetiva manter uma organização como um conjunto apropriadamente integrado a seu ambiente, identificando oportunidades e ameaças, pontos fortes e fracos para o cumprimento de sua missão”. De acordo com Oliveira (2003, p. 47) o planejamento estratégico pode ser visto como uma atividade gerencial que possibilita aos executivos o estabelecimento 49 de uma direção para a organização, visando maior grau de interação com o ambiente, definindo-o como: Processo administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa, visando a otimização do grau de interação com o ambiente e atuando de forma inovadora e diferenciada. Por conseguinte, Vasconcelos Filho e Pagnoncelli (2001), descrevem o planejamento estratégico como uma técnica administrativa que cria a consciência de suas ameaças e oportunidades, de seus pontos fortes e fracos para o cumprimento dos objetivos, motivando a organização na escolha e construção de futuro desejado. Levando em consideração as acepções conceituais descritas, conclui-se acrescentando que o conhecimento e discernimento das funções do planejamento estratégico são essenciais para o processo de sua implantação, (Tavares, 1991). Para tanto, as principais funções do PE resultam em: interação entre a organização e seu ambiente, coerência ao processo decisório, direção dos objetivos e ação, adequação de modelos organizacionais às demandas ambientais, otimização na alocação de recursos, avaliação e controle. 3.1.1 Considerações sobre o Processo de Planejamento Estratégico A organização que escolhe implantar a gestão estratégica adota e institui, concomitantemente, uma linguagem comum, com o intuito de oferecer um significado e direção ao processo selecionado. Para tanto, a organização empreende o desenvolvimento de conceitos e posturas concernentes a gestão estratégica. (TAVARES, 2000) O Planejamento Estratégico diz respeito à determinação de diretrizes estratégicas em nível macro, e diretrizes táticas em nível de áreas. Segundo Motta (1984, p. 11): O planejamento estratégico se volta para o alcance de resultados, através de um processo contínuo e sistemático de antecipar mudanças futuras, tirando vantagem das oportunidades que surgem, examinando os pontos fortes e fracos da organização, estabelecendo 50 e corrigindo cursos de ação a longo prazo. Portanto, é essencialmente um processo gerencial, que se concentra nos níveis hierárquicos mais elevados da organização e que não pode ser concebido como atividade clássica de planejamento, delegável a comissões ou grupos de planejamento. Constitui a essência da gerência de alto nível sobre a qual recai o maior peso da responsabilidade externa e interna pelos rumos da organização. Seguindo essa premissa, ressalta-se que a gestão estratégica pauta-se pelo estabelecimento do planejamento estratégico como ferramenta administrativa, para o delineamento das estratégias organizacionais, com vistas ao melhor aproveitamento das oportunidades e neutralização das ameaças ambientais. Segundo Tavares (2000), os modelos de planejamento estratégico formal clássico e suas derivações têm por objetivo nortear o processo de elaboração de estratégias de sucesso para as organizações. 3.1.2 Níveis do planejamento estratégico O planejamento, entendido como ferramenta administrativa, é processado em três níveis: o estratégico, o tático e o operacional. Os respectivos níveis mantêm relação com a hierarquia organizacional e com o tempo para o qual é projetado, ou seja, se remetem à longo, médio ou curto prazo. Seus objetivos e objetos de análise também se diferem no que diz respeito ao seu alcance (parte ou empresa como um todo). Conforme Oliveira (2003, p. 45), apesar de apresentarem diferenças em seus focos, os níveis de planejamento devem guardar estreita relação, como pode ser visto na FIG. 4. Verifica-se que, os planejamentos estão subordinados ao planejamento estratégico e a esse devem se alinhar. Esse alinhamento10 assegura que a organização caminhe para uma mesma direção, atingindo seus resultados como um todo. 10 A consideração citada refere-se ao alinhamento das estratégias, visto que “embora a necessidade de conexões unificadoras e de processos de alinhamento possam parecer óbvia e direta, muitas empresas não interligaram suas unidades de negócio e de serviço, compartilhado à estratégia divisional e corporativa. (KAPLAN e NORTON, 2000, p. 177). Assim, alinhamento não está se referindo à passividade e sim entendimento e compreensão dos objetivos da organização. 51 NÍVEL Decisões Planejamento ESTRATÉGICO estratégicas estratégico NÍVEL Decisões Planejamento TÁTICO táticas tático NÍVEL Decisões Planejamento OPERACIONAL operacionais operacional FIGURA 4 - Níveis de decisão e tipos de planejamento Fonte: Oliveira, 2003, p. 45 Dessa forma vê-se que os níveis do planejamento demonstram sua a amplitude nas organizações. Todavia, estas classificações não são independentes entre si, ou seja, existe por exemplo, uma relação de sobreposição nos planos estratégicos e planos de longo prazo. A correlação se faz de acordo com o nível hierárquico e o tempo de vigência. 3.1.3 Tipos de Planos A classificação dos planos também se faz possível, tomando por referência, o prazo e os objetivos. Portanto, considerando-se os dois fatores citados, tem-se a identificação dos três tipos de planos, o estratégico, tático e operacional. (ROBBINS, 2006) O plano estratégico, estando sob responsabilidade da alta administração da organização, estabelece os objetivos globais e busca de posicioná-la em termos de seu ambiente. Quanto ao tempo, o mesmo tende a abranger um período extenso de tempo, de cinco anos ou mais. Ainda, este tipo de plano se aplica à organização como um todo, cobrindo uma área mais ampla e lidam menos com particularidades. O plano tático, desenvolvido no nível intermediário da organização, referese a planos que especificam os detalhes de como os objetivos organizacionais 52 globais devem ser alcançados. Contém o desdobramento dos objetivos e estratégias do nível superior, com a finalidade de melhor utilização dos recursos para a consecução dos resultados propostos. No tocante ao prazo, o plano tático tende a cobrir um período menor de tempo que o anterior, considerado de médio prazo e elaborado para um período de até cinco anos. Por último, o plano operacional corresponde a um conjunto de partes homogêneas do plano tático, com amplitude mais restrita. Quanto ao conteúdo, possuem objetivos mais estreitos e mais limitados. No que se refere ao tempo, o este plano é de prazo curto, ou seja, abrange menos de um ano. (ROBBINS, 2006; OLIVEIRA, 2003) 3.1.4 Visão Crítica do Planejamento Estratégico O planejamento estratégico formal utilizado com freqüência pelas organizações atuais é também alvo de críticas de autores, que o denominam de burocrático e rígido. Outro aspecto mencionado pelos críticos refere-se à sua utilização como instrumento de controle dentro das organizações. (MINTZBERG, 2007; TAVARES, 2000). Ressalta-se que a efetiva execução operacional na prática, guarda restrita relação com o que foi planejado previamente. Nesse aspecto, pode-se verificar o uso de termos distintos na literatura, estabelecendo-se estratégia realizada (a que efetivamente foi posta em prática), estratégia emergente (decorrente das adaptações ao ambiente) e estratégia deliberada (a que tinha sido previamente planejada). Para tanto, a estratégia realizada seria uma soma das duas últimas. (MINTZBERG et al, 2007) A falta de sincronia e uniformidade entre o que foi planejado e o que é executado pela organização, tem sido a crítica mais recorrente ao processo de formulação formal. Para Mintzberg (2007), essa circunstância poderia ser resolvida ou amenizada com a incorporação de um “pensamento estratégico”11, que consistiria 11 Pensamento estratégico trata-se do pensamento que o tempo todo leva em conta a estratégia e a criação de valor, focalizado na intenção estratégica, analisando passado, presente e futuro, e movido a hipóteses. (Coletânea Estratégia e planejamento, organizada por Carlos Alberto Júlio e José Salibi Neto, 2002). 53 no desenvolvimento do processo de formulação estratégica de forma mais integrada e com apoio da intuição e da criatividade. 3.1.5 Metodologia do Planejamento Estratégico segundo Tavares (2000) Existe uma vasta literatura sobre planejamento estratégico, apresentando inúmeras metodologias de elaboração e implementação de estratégias, que trazem perspectivas semelhantes, podendo citar alguns autores: Andrews, 1980; Ansoff, 1990; Porter, 1986; Costa, 2003; Mintzberg & Quinn, 1998; Certo E Peter, 1993; Tavares, 2000; Mintzberg, 2007. Contudo, o modelo de metodologia demonstrado será o de Tavares (2000), conforme FIG. 5. A escolha se deu em razão do modelo que melhor se adequa à organização em estudo e ter sido utilizado como uma das bases teóricas no planejamento estratégico da PMMG dos anos de 2004 a 200712, como explicitado pelo Coronel PM Renato Vieira de Souza, durante suas aulas, na disciplina de Planejamento Estratégico do Curso de Especialização de Segurança Pública – CESP. (2) Análise macroambiental (3) Análise do ambiente competitivo e dos tipos de relacionamento do ambiente (1) Negócio Visão Missão Competências distintivas (4) Análise do ambiente interno (5) Valores e políticas (6)Formulação e implementação de estratégias (7)Definição de objetivos (8)Elaboração do orçamento (9 a 11)Avaliação e controle Gerenciamento e responsabilidades FIGURA 5 - Etapas do processo de planejamento estratégico 12 Nas referências bibliográficas do Plano Estratégico da PMMG, dos anos 2004/2007 encontra-se a citação do livro “Gestão Estratégica”, do autor Mauro Calixta Tavares, 2000. 54 Fonte: TAVARES, 2000, p. 156 A visão geral da metodologia, conforme exposta acima, fornece a sistematização do que deve ser analisado e construído, etapa a etapa, para a elaboração do planejamento estratégico de uma organização. Nessa perspectiva, se fará uma breve e resumida consideração dos aspectos gerais que constituem as respectivas etapas. Etapa 1 – Delimitação do negócio, formulação da visão, da missão e o inventário das competências distintivas. Nessa etapa realiza-se a reflexão do espaço de negócio desejado pela organização, desde o significado de sua existência até o que deve ser atingido para que seja diferente de outras organizações, com vistas ao futuro esperado. A definição do negócio compreende uma escolha que diz respeito às condições do ambiente externo da organização. Tendo definido o negócio, procedese a formulação da visão13 e da missão14. Etapa 2 – Análise macroambiental De acordo com a concepção de Tavares (2000), no nível externo da organização estão as variáveis macroambientais, sendo que este macroambiente é constituído de forças que se apresentam enquanto ameaças e oportunidades, que influenciam a organização. Para Tavares (2000), o ambiente externo da organização é composto pelos fornecedores, concorrentes, órgãos governamentais, sindicatos e associações, comunidade local, imprensa e público em geral. Na análise dessa etapa são levadas em consideração as principais variáveis macroambientais: conjuntura econômica, estruturas sociais, ações do governo, legislação em vigor, demografia, cultura, tecnologia e ecologia. Também conhecido como ambiente externo, caracterizando-se como sendo “as oportunidades e ameaças do mundo externo a organização que poderão 13 A visão inclui o cenário de atuação da organização, semelhante a um sonho, estabelecendo um foco de direção rumo ao futuro. (Tavares, 1991) 14 A missão corresponde ao enunciado do papel que a organização pretende desenvolver em torno do seu negocio. (Tavares, 1991) 55 afetar as suas ações estratégicas e sobre as quais ela não exerce controles diretos” (RICHERS, 1981). Após sistematizado as dimensões desse macroambiente, desenvolve-se as correspondentes hipóteses das possibilidades dos impactos negativos ou positivos que podem afetar a organização. A essa configuração de hipóteses, dá-se o nome de cenários, que corresponde ao desenvolvimento de ambientes futuros. Citado por Tavares (2000) como segundo nível do ambiente externo, com proximidade e influência mais direta na organização, são os denominados públicos externos, com relevância e interesses de relacionamento. Os segmentos apontados pelo autor englobam os acionistas, imprensa, associações e sindicatos, comunidade local, financiadores, fornecedores, concorrentes e públicos em geral. Etapa 3 – Análise do ambiente competitivo Equivale-se a avaliação das forças competitivas que atuam sobre a organização, atingindo-a de alguma forma. Para diagnosticar a vantagem competitiva, considera-se a cadeia de valores15 referentes à infra estrutura, a gerencia de recursos humanos, a tecnologia, marketing e serviços . A vantagem competitiva refere-se a diferença da organização em relação aos seus concorrentes e compreendida em termos do valor atribuído pelos clientes. Etapa 4 – Análise do ambiente interno A análise do ambiente interno propicia a identificação e conhecimento dos pontos fortes e pontos fracos da organização. Consiste basicamente em realizar um diagnóstico levantando a situação atual interna da organização, confrontando-a com a pretendida. Pode ser realizado por consultoria externa ou pessoas da própria organização. Alguns fatores de interesse que podem ser analisados são os produtos e serviços atuais e novos, imagem institucional, sistema de informação, estrutura organizacional, tecnologia, fator humano, controle e outros. Etapa 5 – Valores e políticas 15 Toda empresa em uma reunião de atividades que são executadas para projetar, produzir, comercializar, entregar e sustentar seu produto. Todas essas atividades podem ser representadas com o uso de uma cadeia de valores. A cadeia de valores de uma empresa e o modo como ela executa atividades individuais são um reflexo de sua historia. As atividades de valor são as atividades 56 Nessa fase a organização busca explicitar as crenças que irão pautar suas ações e sustentar a implementação do processo de gestão estratégica. Devem ser específicos, públicos, claros, obrigatórios e possíveis de reformulação. As políticas devem expressar a vontade da organização em ter normas que orientem seu processo decisório. (TAVARES, 2000) Etapa 6 – Formulação e implementação das estratégias A avaliação do ambiente somado a rigorosa avaliação do ambiente interno, serão o ponto de partida para a formulação da estratégia. “Deve resultar a partir do estabelecimento do escôo competitivo, perspectiva apresentadas pelos cenários, análise dos relacionamentos e do ambiente competitivo.” Na elaboração da estratégia, procura-se explorar as oportunidades e minimizar ou neutralizar as ameaças. (TAVARES, 2000) A implementação da estratégia abrange três dimensões: a coordenação e integração de esforços entre as áreas e departamentos, para concentração de esforços; o comprometimento das pessoas envolvidas; a competência técnica e gerencial no equacionamento e solução dos problemas. Etapa 7 – Definição de objetivos Assim como as estratégias, os objetivos estratégicos estão baseados nos cenários futuros da organização e devem ser metas mensuráveis que a organização se compromete a alcançar. Para defini-los deve haver uma dinâmica entre as dimensões externa e interna da organização, em um movimento convergente entre elas. Na sua construção podem ser delineadas para o posicionamento da organização, a orientação da ação, definição do ritmo dos negócios, motivação do pessoal, avaliação de desempenho e racionalidade de esforços. Etapa 8 – Elaboração do orçamento Como integrante do plano de ação, sua elaboração processa-se na definição dos objetivos. Sua alocação abrange todas as áreas da organização que físicas e tecnologicamente distintas, por meio do qual a empresa cria um produto valioso para seus clientes. (Porter, 1991, p. 41) 57 necessitam desse recurso. Deve sofrer um processo de aprovação para sua execução, assim como admite-se a avaliação, para correção de possíveis desvios. Etapa 9 a 11 – Envolve a definição de parâmetros de avaliação e controle. Compreende a formulação de um sistema de gerenciamento e responsabilidades no acompanhamento de implementação e execução das estratégias. Por fim, o planejamento estratégico vislumbra o alcance da efetividade, considerando o cumprimento das metas estabelecidas, implantando-se as estratégias formuladas que seguiram um método, visando uma vantagem competitiva. A avaliação consiste no mecanismo para medir essa efetividade, com o papel de identificar o impacto das decisões do processo estratégico, verificar o possível distanciamento entre os objetivos existentes e seu cumprimento. O controle facilita o monitoramento do constante no plano e seu real cumprimento. A execução da avaliação e controle permite e facilita o processo de gerenciamento com um feedback que realimenta toda a gestão estratégica. 3.2 Dimensões Contextuais do Planejamento: Estrutura Organizacional e Ambiente A vinculação entre a estratégia, estrutura e ambiente é tema bastante abordado por diversos autores (Lawrence e Lorst, 1973; Mintzberg, 1995, 2007; Chandler, 1998; Richers, 1981; Daft, 1999). A estrutura normalmente tende a refletir a adoção de uma ou outra estratégia estabelecida pela organização, e esta geralmente acompanha as mudanças ambientais. A estrutura organizacional é concebida como um dos fatores fundamentais que facilita o processo de tomada de decisão. Nesse sentido, uma estrutura inadequada pode também inviabilizar a implementação de uma estratégia. Portanto, torna-se recorrente que a organização incorpore um modelo de gestão 58 flexível, o bastante, para facilitar a gestão estratégica, permitindo um bom desempenho administrativo e funcional. O papel da estrutura nas organizações é possibilitar a previsibilidade do comportamento de seus membros, mapear suas relações de subordinação e proporcionar o alcance dos objetivos organizacionais. Para o alcance desses objetivos organizacionais, delimitando-se a abordagem de interesse direto do estudo, tomam-se para análise organizacional, as dimensões contextuais: ambiente, metas e estratégias, dimensão, tecnologia, cultura e estrutura, conforme FIG. 6 . Por sua vez, seguindo a problemática proposta, serão discutidas duas dessas dimensões, a estrutura e o ambiente, sendo que a estratégia já fora analisada anteriormente. FIGURA 6 – Modelo de análise Fonte: DAFT ,1999, p. 10 É possível perceber que há uma intercessão ligando as diversas dimensões organizacionais. Conforme mencionado, para este estudo, serão analisadas as dimensões, estrutura e ambiente, foco deste estudo. 59 3.2.1 A Estrutura Organizacional A organização sempre está inserida em um ambiente que exerce influência sobre sua forma de atuar e seu conseqüente desempenho, estando sob um conjunto de condições que vão desde a economia, tecnologia, demografia, política até a ecologia. Observa-se que esse ambiente encontra-se em constate mudança. Por sua vez, essas mudanças exigem que a organização se adapte a elas, modificando e implantando novas estratégias. Para que essa estratégia consiga atingir um alto grau de desempenho, autores como Chandler (1998 ) afirmaram que seria preciso, acima de tudo, proceder a adequação, a fim de adaptar a estrutura interna da organização à estratégia escolhida. Na abordagem sobre estrutura organizacional, de forma heterodoxa, mas de enorme importância para a administração organizacional, o estudioso Alfred Chandler, na versão final de Strategy and Structure16 em 1962, apresenta crises e sucessos de quatro mega-empresas norte americanas – Du Pont, General Motors, Standard Oil e Sears, Roebuck, que conduziram-nas a adotar uma estrutura multidivisional17, representando a revolução e inovação organizacional. De acordo com Chandler (1998), a estrutura das empresas deve se ajustar às estratégias por ela adotadas, para levar em consideração as mudanças do meio ambiente externo. Segundo o autor, assim como a estratégia deve se adaptar às oportunidades e às ameaças colocadas pelo ambiente externo, a estrutura deve seguir a estratégia, ou seja, a estrutura organizacional deve ser vista como um recurso para possibilitar a operacionalização das estratégias adotadas pela organização. 16 Obra de Alfred Chandler, Strategy and Structure, foi publicada em 1962. As citadas empresas migraram de uma estrutura organizacional centralizada e funcionalmente departamentalizada, para uma estrutura descentralizada. A estrutura multidivisional refere-se a várias divisões operacional, administrada por um escritório geral. O escritório geral compõe-se de executivos gerais e um amplo quadro de consultores financeiros e assessores. Além de coordenar, monitorar e avaliar o desempenho das divisões, o escritório geral faz plano para o crescimento da empresa e aloca os recursos materiais e humanos necessários à execução desses planos. A forma multidivisional foi adotada pelas grandes empresas gerenciais, geralmente centralizadas, ao ingressarem em novos mercados geográficos e de produtos. Quando uma empresa diversificava ou passava a operar em áreas geográficas distantes, isso implicava a adoção de alguma variante da forma multidivisional de organização. (Chandler, 1998) 17 60 No conceito de estratégia definida por Chandler, encontram-se dimensões conceituais que contribuem para o sustentáculo da assertiva de que “a estratégia precede a estrutura”. Por conseguinte, o autor op cit (1998, p.21), na retaguarda dessa afirmação, acrescentou que: [...] as empresas, assim como outras organizações, são governadas por inércia; só mudam de orientação (ou de estratégia) quando obrigadas pelas pressões competitivas; e uma mudança de estratégia somente tem êxito quando se faz acompanhar de uma mudança decisiva na estrutura organizacional. Essas assertivas passaram a fazer parte do discurso do empresariado da época, com o propósito de esclarecer a seus clientes sobre a necessidade e o momento da mudança estratégica, para a legitimidade no ajuste de suas estruturas organizacionais. Perseguindo seu propósito, Chandler (1998) indaga o seguinte: “qual a relação entre estrutura interna, estratégia e mudança econômica e tecnológica‽”. Para responder essa questão, o autor realizou uma pesquisa comportamental das 50 maiores empresas norte-americana. No estudo, verificou-se que a estratégia que marca o surgimento da grande empresa foi basicamente a integração vertical, com uma estrutura geralmente centralizada. Nas empresas verticalmente integradas, as funções mais importantes foram departamentalizadas. Geralmente, o presidente e o vice presidente integravam a coordenação dos diversos departamentos. A coordenação necessária para viabilização da integração desses departamentos ocorria em uma estrutura operadora centralizada, portanto uma organização centralizada. Depois de 1900 assistiu-se à notável expansão da indústria elétrica, advento da indústria automobilística e a grandes mudanças na indústria de implementos e máquinas motrizes. Atribuem-se às essas mudanças econômicas e tecnológicas a probabilidade de mudanças organizacionais, no sentido do desenvolvimento de novos produtos e processos e de novas formas de estrutura e estratégias empresariais. Depreende-se, do exposto acima, que quando o desenvolvimento e a integração da organização estão concentrados em condições menores, elas têm relativamente pouca dificuldade em gerir suas atividades mediante estruturas 61 organizacionalmente centralizadas e funcionalmente departamentalizadas. Em situação contrária, essa estrutura demonstra-se ineficiente e limitada. Observou Chandler que, a diversificação de produtos em duas empresas de equipamentos elétricos, demandou a criação de cadeias de distribuição e varejo. Em outro ramo de atividade, registrou-se que produtos originados nos laboratórios de pesquisas tendiam a organizar-se em unidades mais autônomas, portanto implantou-se estruturas descentralizadas. De maneira destacada, tem-se a General Electric, que até depois da II Guerra Mundial, manteve uma estrutura complexa, com duas formas organizacionais concomitantes, sendo parte centralizada e parte descentralizada. Logo em seguida, assiste-se na empresa à tentativa de simplificação, porém os planos foram protelados pela guerra. Em 1946, com a sucessão da sua presidência à Ralph Cordiner, presencia-se a redefinição estrutural da empresa, movida pelas mudanças estratégicas de crescimento, com a criação de novos produtos, sendo que a nova estrutura, conforme Chandler, (1998, p. 80) assim se arranjou: Cordiner prontamente redefiniu as atividades da empresa conforme as linhas de produtos, criando seis novos departamentos principais [...]. Cada qual era chefiado por um alto executivo que controlava todas as funções necessárias e era responsável pelo desempenho financeiro de todos os produtos de seus departamentos. Os antigos departamentos funcionais tornaram-se unidades consultivas com funções de planejamento e coordenação. As políticas e os planos da empresa eram estabelecidos por comitês que geralmente incluíam os três executivos gerais. De maneira concreta, por meio do exemplo citado, confirma-se uma situação em que o estabelecimento de novas políticas e mesmo a expansão organizacional e ambiental dirigiram e exigiram adequação estrutural, redefinindo o desenho organizacional e funcional da empresa. Entretanto, na General Electric, a reorganização não parou por aí. Após quatro anos, o mesmo presidente subdividiu os departamentos em mais de 70 unidades, extinguindo também os comitês de planejamento e coordenação. Nesse caso, a estrutura passou, de acordo com os escritos de Chandler (1998, p. 83) a funcionar assim: 62 A supervisão e o planejamento de várias unidades foram confiados a um gerente geral de divisão, que não tinha auxiliares para não conflitar com os chefes de departamento. Na sede, designaram-se quatro novos vice-presidentes de grupo. Individualmente eles avaliavam o desempenho dos vários departamentos e divisões colocados sob sua orientação. Coletivamente eram responsáveis – junto com o presidente, o presidente do conselho de administração e o chefe dos departamentos de serviço – pelas políticas gerais. Portanto, no exemplo demonstrado, a estrutura tem conformação descentralizada, constituída por unidades operacionais autônomas, com a instalação de uma sede coordenada por executivos gerais e assessorias especializadas18. Tudo isso derivou de uma estrutura organizacional centralizada e funcionalmente departamentalizada. Percebe-se claramente que a estrutura anterior denotara inadequada para comportar a diversificação de produtos e serviços novos. “Fundamentalmente, a nova estrutura foi a resposta organizacional à estratégia de diversificação de produtos desenvolvida nos anos 20.” (CHANDLER, 1998) Por fim, considera-se por meio do exposto, ter apresentado e demonstrado a vinculação com devida justificação do corolário assertivo de que a estratégia precede a estrutura para atender às condições ambientais. Nesse sentido, as empresas que sobreviveram e expandiram foram aquelas em que se administrou com habilidade a adaptação de sua estratégia às oportunidades do ambiente e devido ajuste da estrutura, para um mínimo de conflito na implementação da estratégia. - Conceitos de Estrutura Na discussão sobre estratégia e estrutura, já tendo situado as acepções da palavra estratégia em seção anterior, procede neste caso, reportar ao que vem sendo considerado como estrutura, em referência ao que se discutiu anteriormente. Assim, a denotação emprestada ao vocábulo, na concepção de Chandler (1998, p.136), pode-se dizer que estrutura refere-se ao 63 Modelo de organização pelo qual se administra a empresa. Tal modelo, formal ou informalmente definido, apresenta dois aspectos. Abrange em primeiro lugar, as linhas de autoridade e comunicação entre os diferentes níveis e funcionários administrativos e, em segundo lugar, as informações e os dados que fluem por essas linhas de comunicação e autoridade. Essas linhas e esses dados que fluem por essas estruturas são fundamentais para efetivamente garantir a coordenação, a avaliação e o planejamento, indispensáveis à execução de metas e políticas básicas e à concentração dos recursos totais da empresa. Observa-se que nessa afirmativa, o autor apresenta dois aspectos importantes na estrutura organizacional. Assim, primeiro inclui as linhas de autoridade e de comunicação entre as diferentes unidades e seus integrantes. Segundo, cita-se as informações e os dados que fluem através dessas linhas. Um aspecto relevante é que essas linhas de autoridade e esses dados/informações são essenciais para a garantia da coordenação, avaliação e para o processo de planejamento, visto que, são extremamente necessários à formulação das metas e políticas organizacionais. Para Richers (1981), a estrutura é uma variável inteiramente dependente, que embora possa ser modificada inúmeras vezes, de acordo com a conveniência administrativa da organização, deve sempre acompanhar o intuito de adaptação mais adequada para dar suporte à estratégia e atender às condições ambientais, a fim de atingir o melhor desempenho. Segundo Mintzberg (1995, p.10) “a estrutura de uma organização pode ser simplesmente definida como a soma total das maneiras pelas quais o trabalho é dividido em tarefas distintas e como é feita a coordenação entre essas tarefas.” Essa definição enfatiza, de forma bastante simples, a divisão e a coordenação do trabalho na organização através da estrutura que se adota. Nos conceitos abordados, os principais elementos da estrutura organizacional, que devem ser considerados na implementação da estratégia são: a forma da divisão do trabalho e a especialização, as linhas hierárquicas, a amplitude de controle, a departamentalização, a definição da centralização ou descentralização, a comunicação e a distribuição da autoridade e responsabilidade. 18 Nota-se também em outro exemplo de descentralização, que uma vez implementada a estratégia de linha completa e a estrutura descentralizada, a General Motors rapidamente superou a Ford em lucros e participação no mercado. 64 - Tipos de Estrutura Para McGill apud Aleixo (2005, p. 30), a organização pode estabelecer estruturas do tipo funcional, por projetos e matricial. A organização de estrutura funcional estabelece o agrupamento das pessoas por funções semelhantes, como recursos humanos, logística, financeiro, operacional, dentre outras. Na estrutura por projetos, as pessoas são dispostas em equipes, utilizando como critério o projeto ou a pasta em que estão envolvidos naquele período de tempo. Destaca-se que esse tipo de estrutura apresenta considerável flexibilidade e alta eficácia nas respostas a mudanças ambientais. Quanto à estrutura matricial, a organização incorpora funcionalmente as pessoas em departamentos para fins de administração interna, e concomitantemente as pessoas de dois ou mais departamentos são agrupados em equipes por projetos. Trata-se de uma combinação entre os tipos Funcional e por Projetos. 3.2.2 O Ambiente O ambiente como variável genealógica das estratégias também hospeda as ameaças e oportunidades que são forças incontroláveis da organização, bem como as forças e fraquezas existentes no ambiente organizacional interno. A habilidade da organização realizar com maior exatidão a avaliação do ambiente, mais a possibilitará decifrar os sinais deixados nesse ambiente. Depreende-se do arcabouço teórico que a maioria das mudanças ambientais de mais concernência para a organização, em algum momento, repercutem nos ´mercados` por ela visados. Associando-se à administração pública, esses mercados podem obter a configuração de sociedade. Chandler (apud Lawrence, 1973, p. 220), considera que as novas opções estratégicas surgem de alterações ambientais: “o crescimento estratégico resultou da consciência das oportunidades e necessidades – criadas pelas variações de 65 população, renda e tecnologia, no sentido de empregar com maior rentabilidade os recursos existentes ou em expansão.” Percebe-se uma conformidade entre o pensamento de Lawrence (1973) e Chandler (1998) ao afirmarem que diferentes condições de ambiente exigem estruturas diferentes. Para este último autor citado, o ritmo de transformação do ambiente cria a pressão em favor de uma modificação estratégica e posteriormente estrutural. Quanto ao ambiente organizacional, identificou-se dois fatores relevantes ao processo de implementação estratégica dentro de uma organização departamentalizada, de médio e grande porte. Esses fatores são a diferenciação e a integração. A explicação mais conducente indica que à divisão do trabalho entre os departamentos e a necessidade do esforço unificado conduzem a um estado de diferenciação e integração dentro da organização. (Lawrence e Lorsch, 1973) A diferenciação é compreendida como “as diferenças de atitude e comportamento” ou “diferença entre orientação cognoscitiva e emocional nos diferentes departamentos funcionais”, quanto ao modo de agir e de pensar desenvolvidos pelos administradores de unidades funcionais. Em uma elucidação bem restrita, mas pertinente, visto que o assunto é amplo, a diferenciação entre unidades pode se referir à orientação das tarefas e ao formalismo da estrutura. Lawrence e Lorsch (1973, p. 26-27), apresentam quatro dimensões específicas das diferenças, a saber: a) Em primeiro lugar, as diferenças entre os administradores em diferentes tarefas funcionais na sua orientação dirigida a metas particulares. b) Em segundo lugar, as diferenças na orientação relativa ao tempo possuído pelos administradores em diversas partes da empresa. c) Em terceiro lugar, as diferenças na maneira em que os administradores de vários departamentos funcionais tratam tipicamente com seus colegas, isto é com sua orientação interpessoal. d) A quarta dimensão é a variação no formalismo da estrutura. Lawrence e Lorsch (1973, p. 28) definem integração como a qualidade do estado de colaboração existente entre departamentos necessários para realizar a unidade de esforço de acordo com as exigências do ambiente. Para os autores, a 66 integração não se consegue por um processo automático, por meio da simples expedição de ordem através da hierarquia administrativa. Finalizando a abordagem sobre os aspectos do ambiente organizacional, exprimem-se a seguir, algumas considerações sobre o conceito de ambiente, elaborados por alguns autores da área. Na definição de Richers (1981, p. 25), tem-se a argumentação expressando dois sentidos de ambiente: Um deles mais lato e o caracteriza como sendo as oportunidades e ameaças do mundo externo à empresa que poderão afetar as suas ações estratégicas e sobre as quais ela não exerce controles diretos. Num sentido mais restrito, ambiente também pode ser entendido como sendo as oportunidades e ameaças dos mercados em que a empresa opera ou pretende operar. Percebe-se que os enfoques atribuídos ao ambiente, remetem à organização inserida em um ecossistema maior, onde o primeiro sentido refere-se ao ambiente externo e o segundo diz respeito às condições internas da própria organização. O ambiente remete a todo o universo que envolve externamente uma empresa tomada como ponto de referencia, ou seja, tudo aquilo que está situado fora da empresa. O ambiente é a própria sociedade maior, constituída de outras empresas, organizações, grupos sociais e outros. As organizações não vivem isoladas, nem mesmo são auto-suficientes. Ao contrário, funcionam dentro de um contexto, do qual tem uma relação de interdependência. É do ambiente que as empresas obtêm os recursos e informações necessárias para sua subsistência e funcionamento, e é no ambiente que colocam os resultados de suas operações. Essa é a idéia contida na concepção de Richers sobre ambiente como lócus em que a organização está inserida. Daft (1999, p.54) aponta que o “ambiente organizacional é definido como todos os elementos que existem fora dos limites da organização e que têm o poder de afetar toda ou parte dela.” Mintzberg (1995, p.140) destaca que “não é o ambiente de per si que importa, mas a habilidade da organização para enfrentá-lo – para predizê-lo, compreendê-lo, tratar com sua diversidade e responder rapidamente a ele. E propõe cinco hipóteses de respostas organizacionais às condições ambientais: 67 Hipótese 1 – quanto mais dinâmico o ambiente, mais orgânica será a estrutura. Hipótese 2 – quanto mais complexo o ambiente, mais descentralizada será a estrutura. Hipótese3 – quanto mais diversificados forem os mercados e áreas geográficas da organização, maior a propensão para ela se dividir em unidades por mercado. Hipótese 4 – a extrema hostilidade em seu ambiente leva qualquer organização a centralizar temporariamente sua estrutura. Hipótese 5 – disparidades no ambiente encorajam a organização a descentralizar seletivamente em constelações diferenciadas de trabalho. A questão chave em termos de ambiente organizacional é qual o tipo de resposta a organização dará para as condições ambientais em que se encontra inserida, ou seja, qual será sua estrutura em termos de departamentalização, integração organizacional, planejamento e coordenação. 3.3 O Modelo das Configurações Estruturais de Mintzberg O modelo das configurações estruturais de Mintzberg contribui para o estudo, no aspecto de apresentar a classificação das organizações e mostrar a identificação das tendências evolutivas. Esse modelo inova a visão estruturalista, visto que, teoricamente, demonstra a possibilidade de uma organização assumir cinco tipos de configurações ao longo do tempo, e especificamente neste caso, para se ajustar à gestão das estratégias para alcançar o seu desempenho e o resultado desejado. a) Os mecanismos de coordenação Mintzberg (1995) especifica cinco mecanismos de coordenação das tarefas dentro de uma organização. Eles compreendem em: • ajustamento mútuo – refere-se à coordenação do trabalho pelo simples processo da comunicação informal; 68 • supervisão direta – trata-se da coordenação por intermédio de uma pessoa que se responsabiliza pelo trabalho dos outros, tanto no aspecto de lhes oferecer instruções, quanto na monitoração de suas ações; • padronização dos processos de trabalho – esse mecanismo se realiza pela especificação e programação da execução do trabalho; • padronização dos resultados – especificação das saídas, dos resultados, ou seja, medido pela produção ou o desempenho; • padronização das habilidades dos trabalhadores – relaciona-se à especificação da espécie de treinamento necessário para execução do trabalho. Os níveis dos meios de coordenação do trabalho se desencadeiam do mais simples, que trata do ajuste mútuo à supervisão direta, e por último para a padronização. Isso parece ocorrer de acordo com o grau de complexidade do processo de trabalho. b) As Cinco Formas de Operar da Organização Mintzberg (1995) distinguiu cinco formas de demonstrar como uma organização pode operar, sendo o seguinte: • Fluxo de autoridade formal – é indicado pela representação constante do organograma, que expõe a divisão do trabalho em unidades e como a autoridade formal emana sobre elas. Destaca-se a supervisão direta. • Fluxo da atividade regulamentada – concebe-se por ordens e instruções hierarquizadas, ou seja, de cima para baixo; ainda, pela retro-informação dos resultados gerados, e pelas informações e recomendações. Concentra-se no modelo da padronização. • Fluxo de comunicações informais – representa um desenho demonstrando quem comunica com quem, estabelecendo uma rede de comunicação informal, além de indicar centros de poder dentro da organização que podem suplementar ou neutralizar o poder formal. Ênfase no ajustamento mútuo. • Conjunto de constelações de trabalho – constituído pela agremiação de amigos para realizar um trabalho. Não há uma padronização de forma de trabalho, sendo que cada agrupamento ou constelação de trabalho atua de forma distinta na administração da equipe, de acordo com o nível hierárquico. 69 • Fluxo de um processo decisório específico – o fluxo de uma decisão estratégica é demonstrado do início até o fim. Pode-se inferir, a partir do exposto e analisando a combinação dessas cinco formas de como uma organização pode funcionar, o quão complexo é o funcionamento de uma organização. c) Os Cinco Componentes Básicos da Estrutura Segundo Mintzberg (1995), qualquer estrutura organizacional é composta por cinco componentes básicos (níveis hierárquicos), assim apresentados: a) Cúpula Estratégica: Neste nível encontram-se os cargos com total responsabilidade pela organização. Essa cúpula é encarregada de assegurar que a organização cumpra sua missão de maneira eficaz e satisfaça as exigências daqueles que controlam e/ou exercem poder sobre a organização; b) Linha Intermediária: É a cadeia de gerentes com autoridade formal que faz a ligação entre a cúpula estratégica e o núcleo operacional; c) Tecnoestrutura: Nesse nível são encontrados os analistas, que prestam serviços à organização, atuando sobre as tarefas dos outros. São encarregados de padronizar as atividades organizacionais; d) Assessoria de Apoio: Nesse nível encontram-se as atividades de apoio da organização fora de seu fluxo de trabalho operacional. e) Núcleo Operacional: Engloba os participantes que realizam o trabalho básico, diretamente relacionado com a produção de bens e serviços e sua comercialização. d) As Cinco Configurações Estruturais De acordo com as diferentes circunstâncias, as estruturas foram classificadas em: estrutura simples; burocracia mecanizada; burocracia profissional; estrutura divisionalizada e adhocracia, segundo Mitnzberg (1995). 1) Estrutura Simples: Na estrutura simples a coordenação é realizada principalmente pela supervisão direta. No aspecto do poder, as decisões mais importantes geralmente tendem a ser centralizadas nas mãos do executivo principal. 70 A cúpula estratégica é a parte central da organização de estrutura simples. Em razão dessa centralidade vertical, a responsabilidade pelo processo de formulação da estratégia da organização submete-se ao principal executivo, tornando o processo pouco analítico. (MINTZBERG, 1995) A estrutura simples pode funcionar adequadamente sob condições de um ambiente simples e dinâmico, assim como dispensa uma forma burocrática e formalizada. As organizações novas às vezes deixam de fazer uma consideração mais refinada do seu ambiente, sendo mais comum a adoção dessa estrutura simples. (MINTZBERG, 1995). Algumas críticas pertinentes à esse tipo de estrutura são a centralidade nas mão de poucas pessoas e risco de haver interposição entre questões estratégicas e operacionais. 2) Burocracia mecanizada: A burocracia19 mecanizada apresenta como principais parâmetros de delineamento desse tipo de estrutura: especialização do trabalho vertical e horizontal; tarefas operacionais com procedimentos rotineiros, ou seja, rotina padronizada por meio de normas, regulamentos e comunicações; o trabalho se agrupa de acordo com a função, recorrente a unidades operacionais de dimensão maior; o poder é centralizado verticalmente quanto à tomada de decisão, sendo limitada a descentralização20 horizontal, distinguindo-se autoridade de linha e assessoria. (MINTZBERG, 1995) Nessa estrutura destaca-se a coordenação pela padronização do processo de trabalho. A elaboração da estratégia é feita de cima para baixo, com 19 O modelo Burocrático de Max Weber serviu de inspiração para uma nova teoria administrativa. As características da burocracia são: caráter legal, formal e racional, impessoalidade, hierarquia, rotinas e procedimentos padronizados, competência técnica e meritocracia, especialização, profissionalização, e completa previsibilidade do funcionamento. 20 Borja (apud CKAGNAZAROFF, 1995) caracterizou três formas distintas de descentralização:[...] Descentralização territorial – Este processo objetiva fazer com que os habitantes de uma região sejam representados através da eleição de pessoas para uma organização [...] neste tipo de descentralização a capacidade de investimento pode ser distribuída entre as unidades descentralizadas, a execução das políticas pode ser melhorada, os planos podem refletir de maneira mais adequada às necessidades dos cidadãos. Descentralização funcional – é um tipo de descentralização setorial que procura uma gerência pública mais flexível e ágil através do estabelecimento de organizações autônomas com o objetivo específico em determinado setor. A intenção é tornar a administração mais próxima do cidadão. 71 grande ênfase no planejamento para a ação. E uma das tarefas desenvolvidas pela linha intermediária refere-se ao suporte do fluxo vertical na estrutura, mediando informações entre o nível estratégico e baixando planos de ação para o nível operacional, o que faz com que a alta administração receba informações filtradas, com atraso e às vezes abstratas. A burocracia mecanizada inclui como condições de funcionamento adequado que o ambiente em que a organização se insere seja simples e estável, com alto grau de controle externo, sendo inviável para um ambiente complexo e dinâmico. Os aspectos críticos mencionados foram a redução da autonomia do núcleo operacional, diminuição do poder dos gerentes de primeira linha em razão da existência de padrões a serem seguidos, inibição da comunicação e, o espaço para as pessoas conversarem sobre seus problemas é quase inexistente. 3) Burocracia profissional: A burocracia profissional se sustenta na padronização das habilidades dos peritos e especialistas, aqui denominados profissionais. A formação inicial passa pela educação em universidades, escolas técnicas ou instituições, com conteúdo programático que inclua as habilidades e conhecimentos modelados ao perfil daquele profissional. Na aplicação prática do conhecimento adquirido, que ocorre como treinamento do serviço é acompanhado por outros profissionais com experiência. Assim se completa o denominado processo de doutrinação. A atuação dos profissionais no núcleo operacional da estrutura é bastante autônoma, considerando que o trabalho é altamente especializado na dimensão horizontal. Assim, mesmo junto aos colegas de trabalho, o profissional possui relativa independência, porém próximo aos clientes ou usuários de serviços a quem serve. A linha intermediária é mais restrita em função de existir necessidade mínima de supervisão direta, sendo que o ajustamento mútuo entre eles favorece a existência de unidades operacionais enormes e poucos gerentes na primeira linha de supervisão, bem como acima deles. A burocracia profissional encontra condições favoráveis onde haja uma organização repleta de trabalhadores com habilidades para tarefas difíceis e com 72 existência de procedimentos bem definidos e específicos. Nesse sentido, a organização tem atuação em um ambiente complexo, porém estável. Considerando ambientes dinâmicos, as mudanças exigem novas habilidades e novas classificações das questões, requerendo esforços criativos das equipes. Portanto, a burocracia profissional21 se configura como insuficiente, demandando um outro tipo de configuração (adhocracia). 4) Forma divisionalizada: essa estrutura traduz-se em um conjunto de entidades, praticamente autônomas, conectado a uma estrutura administrativa central. Essas entidades correspondem a unidades na linha intermediária, denominadas divisões, que respondem ao escritório central. O fluxo do poder se mantém de cima para baixo. Cada divisão possui suas próprias funções operacionais, inexistindo interdependência entre elas, com atuação quase autônoma, que dispensa coordenação entre si. Nessa estrutura o escritório central tem grande amplitude de controle sobre diversas divisões, embora o poder esteja descentralizado. Na forma divisionalizada, o primeiro mecanismo de coordenação é a padronização de resultados e o parâmetro principal de delineamento é o sistema de controle de desempenho. Outros mecanismos de coordenação possíveis nesta configuração são a padronização das habilidades dos gerentes de cada divisão e a supervisão direta. Como crítica, a estrutura divisionalizada conduz as divisões a comportamentos mais centralizados e mais formalizados do que seriam como entidades independentes. Ocorre que os gerentes do escritório central exercem pressão para centralizar certas decisões, obtendo de modo indevido os poderes das divisões. 21 A questão da substituição do modelo burocrático para gerencial foi abordada por Junquilho (2003), com ênfase na pretensão de se transformar o perfil dos administradores públicos, no Brasil, de burocráticos para gerentes. O estudo de caso sobre a ação gerencial na administração pública de um estado da Região Sudeste revelou que certos traços da cultura brasileira que restringem e facilitam as ações ao mesmo tempo, configurando um certo perfil gerencial, deixando claro que qualquer mudança nesse perfil envolve uma reconstrução social de significados das ações no seio das organizações do setor público.(Souza, 2005) 73 5) Adhocracia: Consiste em uma configuração capaz de agregar especialistas de diversas áreas em equipes de projeto ad-hoc, isto é, para determinado fim específico. Possui uma estrutura basicamente orgânica, com baixa formalização do comportamento, grande especialização horizontal do trabalho. As equipes de projeto utilizam como instrumento de interligação o ajustamento mútuo intra e entre equipes. Nesta configuração a forma funcional do trabalho é fluida, dinâmica, flexível e orgânica, buscando sempre inovações. Para tanto, os padrões préestabelecidos e as armadilhas de uma estrutura burocrática são impertinentes, tais como nítida divisão do trabalho, alta diferenciação22 de unidades, grande formalização dos comportamentos, ênfases nos sistemas de planejamento e controle. De todas as configurações estruturais, a Adhocracia demonstra maior distanciamento dos princípios clássicos da administração. Na Adhocracia os profissionais de diversas áreas se reúnem, de forma interdisciplinar, ao redor de um projeto ou inovação específicos. A grande questão da Adhocracia consiste em manter os profissionais em seu campo de origem, e utilizar, concomitantemente, as bases funcionais em uma estrutura matricial, que agrupa os peritos em unidades funcionais para fins de administração interna (admissões, comunicações e outros.) e são efetivamente destacados para equipes de projeto. A descentralização é seletiva nas dimensões vertical e horizontal, visto que o poder para a tomada de decisão fica distribuído entre os gerentes e não gerentes de todos os níveis da hierarquia. A coordenação nessa situação acontece por ajustamento mútuo, podendo adotar a figura do gerente integrador para coordenar os esforços entre as unidades funcionais e as equipes de projeto (forçastarefa). A Adhocracia é dividida em dois tipos, sendo a operacional e a administrativa. A Adhocracia Operacional inova para garantir a resolução dos problemas no atendimento aos anseios de seus clientes. Nessa perspectiva, para cada 22 Adhocracia Operacional, existe uma correspondência na Burocracia A diferenciação é entendida como as diferenças de atitude e de comportamento e não simplesmente o fato da segmentação e do conhecimento especializado. Existem várias dimensões da 74 Profissional, sendo que as duas executam o mesmo projeto, com uma orientação mais refinada e estreita para a segunda. Os quadros de dirigentes da cúpula estratégica da Adhocracia precisam dedicar certa parte do seu tempo na direção dos projetos. Todavia, outra parte do tempo podem se dedicar a verificar e redesenhar as escolhas estratégicas. Para o sucesso dessa configuração, o papel mais importante da direção na Adhocracia, em especial a Operacional23 consiste em assegurar a estreita relação com o ambiente externo. A Adhocracia se apresenta melhor situada no ambiente complexo e dinâmico, constantemente. Resumindo, observa-se no QUADRO 2, a visão estruturalista das organizações no modelo das configurações, apresentando-se como um processo de evolução e inovação, partindo de uma configuração estrutural simples, tendo como primeiro mecanismo de coordenação a supervisão direta, centralizada na cúpula estratégica à uma estrutura de Adhocracia, com coordenação por ajustamento mútuo, descentralização seletiva e a assessoria de apoio como parte-chave da organização. QUADRO 2 Tipos de configurações estruturais de uma organização diferenciação, interessando-se a quarta dimensão da diferenciação entre as unidades, que é a variação no formalismo da estrutura. (Lawrence, 1973) 23 a Adhocracia Operacional empenha-se num esforço de inovação para encontrar uma solução adequada a cada problema demandado por um cliente novo, ao passo que a Burocracia Profissional faz a captação desse empreendimento e solução aplicada, classificando-os entre os casos conhecidos, no intuito de poder lhe aplicar um programa-padrão a toda organização. 75 Fonte: Mintzberg, 1995, p.154. O quadro apresentado sintetiza o esforço e os resultados pretendidos na busca da compreensão das diferentes tendências teóricas, no sentido de explicar e entender a questão da estrutura organizacional. Na comparação entre elas, a estrutura mais propícia que absorve melhor a administração estratégica é a adhocracia. O grande desafio das organizações contemporâneas na implementação da estratégia é que sua configuração em sua maioria advém dos parâmetros burocráticos de gestão em temos de estrutura, o que implica em esforços maiores para a efetivação da mudança. 76 4 A PMMG E O PROCESSO ESTRATÉGICO A proposta que fundamenta esta seção surgiu a partir da premissa de que a Polícia Militar de Minas Gerais, enquanto organização pública, adota a administração estratégica em seus diversos níveis de decisão. Será apresentada, ainda que de forma bastante resumida, a histórica da PMMG. Prossegue-se a seção com algumas considerações do planejamento estratégico na PMMG, explanando as filosofias institucionais implantadas nos últimos anos, que delinearam sua adaptação às mudanças ambientais e caracterizaram seu planejamento. Também, será contextualizado o plano estratégico da PMMG do quadriênio 2004-2007 e o plano de gestão intermediária (plano tático), do mesmo período, parâmetros de análise deste estudo. 77 4.1 A Polícia Militar de Minas Gerais: breve histórico As primeiras Companhias de Dragões, institucionalizadas no ano de 1775, pelo então Governador Dom Antônio de Noronha são consideradas o marco inicial da organização Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), que se constituía a tropa paga da Capitania de Minas Gerais, denominada Regimento Regular de Cavalaria de Minas. As atividades iniciais desse “exército estadual” consistiam na defesa do território da Capitania, na contenção de tumultos e principalmente na garantia do envio do ouro para o Reino Português (CASTRO, 1998, p.37). No aspecto organizacional, considera-se que no início da década de 1960, a PMMG apresentava-se como uma organização de sistema fechado, com um modelo hierárquico militar a exemplo do Exército Brasileiro, com uma cadeia rígida de tomada de decisões, com pouca ou nenhuma interferência do ambiente externo. Com esta estrutura, quase inexistia interação com o ambiente externo, conseqüentemente os anseios da comunidade eram desconsiderados. Com a edição do Decreto-lei 317/1969, seguido do 667/1969 assiste-se à Grande Reforma Policial, assim denominada por Espírito Santo e Meireles (2003 p. 201). A Polícia Militar que mantinha os seus integrantes aquartelados, inicia uma nova fase, com seus policiais militares realizando um policiamento ostensivo fardado, nas ruas das cidades, com vistas a manter a ordem pública. Assiste-se na PMMG, a partir de 1979, as primeiras tentativas iniciais da produção de algumas obras doutrinárias pontuais sobre policiamento, demarcando a consolidação desta nova perspectiva de prestar serviços no campo da segurança pública. Por outro lado, as transformações ocorridas na legislação brasileira, aliadas à exigência de solução rápida para se aprender a executar o policiamento ostensivo e compreender os anseios da comunidade provocaram mudança gradual na PMMG. Tudo isso decorrente da nova configuração, que passa a caracterizá-la como uma organização de sistema aberto, uma maior descentralização das unidades policiais, maior aproximação e interação com a comunidade (ambiente externo). Essa condição apresenta-se como uma nova configuração da organização, 78 fazendo com que passasse a desenvolver habilidade para receber e sofrer influência direta do ambiente. Com a promulgação da atual Constituição Federal de 1988, registra-se um período de reconstrução democrática da Polícia Militar, com a busca por uma maior profissionalização e principalmente, verifica-se a elaboração de uma linha estratégica e de planejamento, inserindo a sociedade como o público participativo dos serviços de Polícia Militar (ESPÍRITO SANTO e MEIRELES, 2003 p. 203) De acordo com Cardoso (2006), a PMMG passou a receber interferências do ambiente externo e da sociedade brasileira, como toda organização de sistema aberto. Com escopo no processo de abertura política e redemocratização do país, observa-se uma exigência relacionada a uma formação de melhor qualidade a seus integrantes, com uma visão de cidadania e de garantia dos Direitos Humanos. Todos os aspectos pontuados recontam de forma bastante resumida a evolução da trajetória histórica da PMMG, de maneira um pouco reducionista, visto que muito se tem a considerar da sua condição organizacional, social e cultural. Mas há que se esclarecer que o propósito foi o de oferecer uma rápida contextualização sobre a organização que se está discutindo, seu sistema e sua estrutura. Por fim, considera-se como imprescindível limitar-se e dedicar-se a descrever um pouco mais sobre a questão estrutural dessa organização e, seguindose o desencadeamento do estudo, aprofundar o suficiente na abordagem de alguns aspectos da inter-relação da PMMG e respectivo processo de planejamento estratégico. 4.2 A Estrutura da PMMG Em conformidade com o que se desenhou na seção III, a estrutura indica o modelo de administração aplicado pela organização, podendo adotar as formas funcional, por projetos e matricial, dentre outras, para configurar a sua estrutura organizacional. Conforme o aporte teórico dos modelos de gestão e tipo de estrutura organizacional, verifica-se que a Polícia Militar de Minas Gerais é uma instituição24 24 Instituição: associação ou organização de caráter social, educacional, religioso, etc. 79 pública com gestão burocrática25, e estruturada de forma funcional. Enquanto organização com modelo de estrutura funcional, de gestão burocrática, a PMMG tem sua administração dividida em Órgãos de Direção Geral, de Direção Intermediária e de Execução. Nesse sentido, recorre-se à Lei nº. 6624 de 18 de julho de 1975 (LOB), alterada pela Lei n. 9 774, de 7 de Junho de 1989, onde se encontra estabelecida a formalização da estrutura geral da PMMG, já com as alterações mais atuais inseridas, que assim dispõe: Art. 6º - A Polícia Militar estrutura-se em: I - Unidades de Direção-Geral; II - Unidades de Direção Intermediária: a) Comandos Regionais de Policiamento; b) Diretoria. III - Unidades de Execução: a) Unidades de Execução Operacional; b) Unidades de Execução de Apoio. Art. 7º - As Unidades de Direção realizam: I - o planejamento geral, visando à organização da Corporação, em todos os pormenores, às necessidades de pessoal e material e ao emprego da Corporação para o cumprimento de suas missões; II - o acionamento, por meio de diretrizes e ordens, dos órgãos de apoio e de execução; III - a coordenação, o controle e a fiscalização da atuação desses órgãos. IV - o acionamento das Unidades de Direção Intermediária e de Execução; V - a coordenação, o controle e a fiscalização da atuação dessas Unidades. Art. 8º - As Unidades de Direção Intermediária são responsáveis, perante o Comandante-Geral, pela condução das respectivas Unidades, nos campos operacional e de apoio. Art. 9º - As Unidades de Execução realizam as atividades- fim e atividades-meio da Polícia Militar, em cumprimento a diretrizes, ordens e instruções das Unidades de Direção. Quanto às áreas de Responsabilidade e Desdobramento, a referida lei estabelece que: 25 A burocracia baseia-se numa divisão automática de funções, na atividade rotineira, na permanência e em uma longa hierarquia vertical. Decisões são tomadas no topo; instruções são emitidas; e a ação é realizada na base. Esse sistema burocrático está preparado para realizar um número limitado de funções repetitivas, em ambientes relativamente previsíveis. Toffler (1985, p.118) 80 Art. 51 - O Estado será dividido em regiões, áreas, subáreas, setores, e subsetores em função das necessidades decorrentes das missões e das características regionais. Art. 52 - Entende-se por: I - região: espaço geográfico de responsabilidade de um Comando Regional de Policiamento; II - área: espaço geográfico de responsabilidade de um Batalhão ou Grupamento; III - subárea: espaço geográfico de responsabilidade de uma Companhia ou Subgrupamento; IV - setor: espaço geográfico de responsabilidade de um Pelotão ou Seção; V - subsetor: espaço geográfico de responsabilidade de um Grupo ou Subseção. Parágrafo único - Os Comandos de Batalhão em todo o Estado e os Comandos de Companhia e Pelotão de Polícia Militar no interior do Estado deverão ter sua sede na área, subárea ou setor de sua responsabilidade. De acordo com o que se acabou de apresentar, pode-se verificar que a PMMG organiza-se em um tipo “piramidal hierárquico”, tendo como componentes básicos, os níveis estratégico, tático e operacional. A estrutura funcional é departamentalizada "por funções" - atividade-fim e atividade-meio - e a forma de operar "por território", segundo a localização geográfica de suas Unidades, articulando-se em Regiões, Áreas, Subáreas e Setores, denominados "espaços geográficos", que determinam os locais de responsabilidade atribuídos às Frações PM. A estrutura organizacional e funcional da PMMG, compartimentada nos três níveis de decisão, acrescida da divisão por funções operacionais e funções administrativas ou de apoio, pode ser demonstrada conforme FIG. 7: 81 Figura 7 – Estrutura Geral da PMMG Fonte: Adaptado de MINAS GERAIS, 2002 Embora a referência se remeta ao ano de 2002, em relação aos três níveis de direção da estrutura geral permanece a mesma divisão, havendo sim modificação na quantidade de Diretorias. Assim, atualmente existem 6 Diretorias (Recursos Humanos, Finanças, Saúde, Apoio Logístico, Meio Ambiente e Trânsito, Tecnologia e Sistema). Além da Academia de Polícia Militar, Corregedoria da Polícia Militar, 16 Comandos Regionais de Polícia Militar, 01 Comando de Policiamento Especializado e 48 Unidades de Execução Operacional em nível de Batalhão de Polícia Militar (BPM), no Estado de Minas Gerais, de acordo com a Resolução 3960 de 11 de Fevereiro de 2008. O desenho da estrutura de uma organização pode ser representado em um organograma, que mostra a divisão do trabalho em Unidades e como a autoridade formal emana sobre as mesmas. Nesse sentido, a FIG. 8 evidencia o atual organograma operacional da PMMG. 82 FIGURA – 8 Organograma da PMMG Fonte: MINAS GERAIS, 2008 Stoner (1985, p.180) escreve que “para mostrar a estrutura da organização, os administradores normalmente fazem um organograma, que diagrama as funções, os departamentos ou os cargos da organização e mostra como eles se relacionam”. Representação gráfica que apresenta as subordinações, níveis hierárquicos, abrangência de comando, e os agrupamentos de atividades e ou processos de uma organização. A articulação administrativa e operacional diz respeito à divisão estrutural e funciona da PMMG no Estado de Minas Gerais, para fins de planejamento, comando, coordenação, execução e controle organizacional, podendo ser alterada de acordo com a o plano de articulação/desdobramento construído e aprovado anualmente. 83 4.3 Evolução da Estratégia na PMMG De acordo com Oliveira (2003), o planejamento estratégico tem como objetivo o desenvolvimento de processos, técnicas e atitudes administrativas que proporcione uma situação viável para avaliar as implicações futuras das decisões presentes em função dos objetivos previamente estabelecidos, que facilitarão a tomada de decisão de modo mais rápido e coerente. Segundo Souza (2003), a PMMG estabeleceu filosofias institucionais destinadas a promover sua adaptação às mudanças ambientais e assegurar a eficácia do seu planejamento, no transcorrer de sua existência. Assim, o planejamento na PMMG, ante a evolução doutrinária, foi se transformando ao longo dos anos dentro da própria Instituição. Souza (2003, p.167-169) definiu seis fases doutrinárias que orientaram o planejamento estratégico da PMMG: - 1ª Fase - período de 1775 a 1967: a PMMG funcionava como um verdadeiro Exército Estadual, sendo restrita e quase inexistente a sua atuação como força pública de preservação da ordem pública. Durante este período, foi criado em Belo Horizonte o patrulhamento a pé, representado pelas duplas de "cosme-edamião". - 2ª Fase - final da década de 60: período marcado pelas atividades voltadas para manutenção da ordem pública, cuja característica principal era o policiamento ostensivo fardado. Nesta fase há um vazio de elementos doutrinários que orientassem o cumprimento da nova missão institucional. - 3ª Fase - início da década de 70 até 1985: caracterizada pelo lançamento maciço de efetivo nas ruas, em que pese a ênfase na repressão, trouxe importantes avanços para a instituição. Em dezembro de 1973, a PMMG lançou o primeiro plano estratégico da organização, para vigência durante o ano de 1974, onde foram descritas as ações necessárias à implementação dos pressupostos formulados na diretriz mencionada. A nova estratégia de policiamento foi denominada "Ideologia da Operacionalidade" - 4ª Fase - período de 1985 até 1993: a nova estratégia de policiamento foi denominada de “Ideologia da Efetividade”, com preocupações claras para as questões relacionadas com a qualidade na prestação de serviço pela 84 PMMG, manutenção da ordem, redução do medo e maior controle do crime é o objetivo central. - 5ª Fase - período de 1993 até 1999: O modelo estratégico foi denominado de Polícia Comunitária - "Polícia Militar-Comunidade, Solidárias na Segurança”. Assiste-se o compartilhamento com a comunidade dos problemas relacionados à segurança pública. - 6ª Fase - período de 1999 até 2002: o crescimento exorbitante das taxas de criminalidade violenta em Minas Gerais conduziu à implantação de mudanças no modelo de gestão operacional da PMMG. Em 1999, na cidade de Belo Horizonte, passou a utilizar ferramentas de administração gerencial. O modelo foi denominado "Polícia de Resultados" e institucionalizada para toda a PMMG através da edição da Diretriz para a Produção de Serviços de Segurança Pública 01/2002. Essa síntese permitiu o conhecimento da evolução e transformação do planejamento da Polícia Militar de Minas Gerais, no que diz respeito ao conteúdo dos planos elaborados ao longo do período considerado. 4.3.1 Políticas dos Planos Estratégicos da Instituição Como apresentado, em 1974 a PMMG, editou o primeiro plano estratégico pelo nível institucional, datado de dezembro de 1973, denominado “Diretrizes para Ação de Comando”. Para a sua formulação, Mota (apud Souza, 2003, p. 193) levou em consideração o ambiente como variável estratégica, como pode perceber ao afirmar em sua avaliação que Embora curto o novo período, podemos passar a uma avaliação de nosso desempenho, através de estudos que nos levam a uma conclusão sobre o ambiente em que serve a Polícia Militar e adoção de medidas segundo dois enfoques: - medidas independentes do espaço; - medidas levando em conta o ambiente. Todavia, parece que o objetivo principal dessa análise ambiental era somente de resgatar a imagem da PMMG como burocracia pública. “Em nenhum momento vislumbrou-se a possibilidade do envolvimento concreto da sociedade na definição de serviços”. (SOUZA, 2003). Em 1985, a PMMG estabeleceu em suas políticas uma diretriz que contemplava a interação com a comunidade ou a forma de 85 relacionamento externo. Essa condição foi estabelecida pelo Comandante Geral da época, como descrito por Affonso apud Souza (2003, p. 218): - Resguardar a caracterização da Polícia Militar (PM) como instituição prestadora de serviços essenciais e basilares. - Manter procedimentos que façam jus à honrosa qualificação de patrimônio do povo mineiro. - Manter e ampliar espaço ocupado pela Instituição PM, ao longo dos séculos, em estrita obediência ao interesse público. - Contribuir para definição do papel da Polícia de Manutenção da Ordem pública. - Estabelecer indicativos que auxiliem na definição de um novo Sistema de Defesa Social. - Implementar reciprocidade, visando a contribuir para preenchimento de necessidades de comunidades específicas, em Segurança, bem como permitir a estas conhecerem melhor sua PM, reduzindo óbices, ensejando um clima de mútua satisfação. Quanto à descentralização do poder, percebe-se que a instituição conviveu com uma certa dificuldade de autonomia para o planejamento e execução das atividades entre os níveis estratégico e intermediário, conforme Castro apud Souza (2003, p.212) ao relatar que: Entre 1983 e 1985, apesar de alguns instrumentos descentralizadores [...] a Polícia Militar de Minas Gerais viveu uma crise de autonomia que dificultou a comunicação entre a DireçãoGeral e a intermediária, com prejuízo para o desempenho das Unidades de Execução. A Direção Intermediária estava indecisa entre seguir os processos estabelecidos pela Direção-Geral e tomar iniciativas espontâneas, o que sufocou o processo de comando. O desenvolvimento da Corporação, tanto na atividade-fim quanto na atividade-meio, bloqueado por incertezas engastadas em desconfiança, exigia o incremento da delegação de poderes. Muitas transformações no modelo de planejamento são observadas ao longo da existência da organização policial militar mineira, contudo, vários aspectos críticos da administração estratégica podem se observados. Conforme Souza (2003, p.274), foi publicado no ano de 1997, em um artigo da revista O Alferes, número 45, Abr-Jun/1997, pp. 64-65, intitulado Cultura Organizacional da PMMG: uma visão diagnóstica, a percepção do perfil organizacional da PMMG, onde se expressava a existência de um "estilo gerencial autocrata e as relações de trabalho caracterizadas pela utilização do poder para anular oposições e dominar subordinados [...]”. 86 Embora a citação acima evidencie traços preocupantes, que interferem no processo de planejamento, assim como uma aversão às mudanças ambientais contemporâneas, muito tem se modificado na última década, com uma evolução considerável. A primeira obra elaborada no âmbito da PMMG com o objetivo de oferecer bases conceituais e padronizar o processo de planejamento foi publicada em 1987, constituindo-se no Manual de Trabalho de Comando. Além de formulários para estudos de situação, planos, ordens de serviço, dentre outros, o manual apresenta aspectos da teoria geral da administração, técnicas de resolução de problemas e teoria da tomada de decisão. (MINAS GERAIS, 1987) A Diretriz de Produção de Serviço de Segurança Pública (DPSSP) 01/2002, editada pelo Comando Geral da PMMG, descreve uma lista de pressupostos básicos, com orientação para prevalecer em todo o processo de planejamento, coordenação, execução e controle da missão constitucional da PMMG. Inclui também a gestão e informações para coordenação e controle de ocorrências de destaque. O pressuposto que se refere ao planejamento estratégico, retrata a maneira pela qual a organização se comporta frente ao ambiente onde está envolvida. Devendo saber ajustar-se às situações, focalizando a estabilidade e a continuidade de procedimentos em ambientes previsíveis ou o redirecionamento com vistas a reagir de modo a vencer turbulências de um ambiente dinâmico e incerto. Assim, verifica-se que a Polícia Militar de Minas Gerais adota o modelo de planejamento do tipo estratégico, enquanto processo gerencial que, permite estabelecer um direcionamento a ser seguido pela Organização, com o objetivo de se obter uma otimização na relação entre a instituição e seu ambiente. 4.3.2 O Plano Estratégico da PMMG: Quadriênio 2004-2007 Para que as políticas do planejamento estratégico possam ser instrumentalizadas, é necessário formalizar as decisões estratégicas, sendo 87 realizado através de um plano, que normalmente é um documento formal em que se inserem os objetivos da organização e a direção a ser seguida. O plano estratégico é um documento elaborado para detalhar e governar o processo. Deve orientar o estabelecimento de ações táticas e operacionais, sendo um instrumental técnico que expressa as decisões, ações e operações definidas no nível estratégico dentro de um processo de gestão. O Plano Estratégico do quadriênio 2004-2007 foi tomado como parâmetro para análise das condições e circunstâncias de seu implementação no nível de direção intermediária da PMMG. desdobramento e Como se vê, foi elaborado para um período de quatro anos, e a metodologia adotada pela organização assemelha-se à metodologia apresentada na seção III, segundo Tavares (2000). Conforme o documento que contém o PE 2004-2007, foram designadas várias comissões: de coordenação, proposição dos objetivos, definição da identidade organizacional e revisão final. Todas as comissões foram compostas de forma multisetorial, com integrantes do nível estratégico, cotando ainda com sugestões dos diversos níveis institucionais. (MINAS GERAIS, 2003) Após a introdução, contém uma alusão da importância do planejamento estratégico para a PMMG. Segue-se com o diagnóstico da segurança pública em Minas Gerais, confeccionado em conjunto com a Fundação João Pinheiro, pautado em sua maioria, em informações referentes ao fenômeno da violência e taxas de criminalidade. Para Vasconcelos Filho e Pagnoncelli (2003, p. 51), o diagnóstico estratégico é “um processo formal e estruturado que procura avaliar a existência e a adequação das estratégias vigentes na organização em relação ao andamento de transformações para a construção de seu futuro”. O mesmo autor afirma que o diagnóstico deve verificar os seguintes elementos mínimos: 1. Como está a competitividade da organização; 2. Como está o portifólio de serviços ou produtos; 3. Como está a flexibilidade em relação as mudanças e o grau de vulnerabilidade em relação as ameaças; 4. Como está a capacitação para construir as transformações necessárias; 5. Como estão os recursos estratégicos; 6. Como estão os processos de desenvolvimento e inovação; 88 7. Como estão sendo tratados os temas societários; 8. Como estão sendo acompanhados e tratados os temas e problemas estratégicos da organização; 9. Como está a estrutura de poder e de liderança; 10. Existe um processo de projetar e construir o futuro da organização. Portanto, o diagnóstico demonstra como a organização se encontra, analisando e verificando todos os processos inerentes à realidade externa e interna da organização. Para Oliveira (2003), o diagnóstico compreende a análise externa e interna, tendo como componentes de análise ambiental os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. Resumidamente, o plano apresenta a metodologia, noticiando as atribuições realizadas pelas comissões responsáveis pela elaboração do plano. Por conseguinte, citou como etapas do planejamento: “a identidade organizacional, o desdobramento de cada objetivo em estratégias, metas e meios de implementação e por último, formas de operacionalização do plano”. (MINAS GERAIS, 2003) Tavares (2000) afirma que a explicitação da metodologia de gestão estratégica está integrada aos demais processos organizacionais. Ressalta que a participação e o envolvimento dos gestores precedem as etapas decorrentes do processo, sendo imprescindível que se reconheça o papel de cada administrador na construção do planejamento. Em seguida, vem constando a identidade organizacional, estabelecendo-se o negócio, missão, visão e valores. Segundo Vasconcelos Filho (2001), negócio refere-se ao entendimento do principal benefício esperado pelo cliente; missão consiste na razão de existir da empresa no seu negócio e visão é entendida como desafio estratégico e pode funcionar como um “sonho”. O negócio de uma organização precisa ser definido considerando-se duas dimensões: os desejos ou necessidades que ela pretende satisfazer e a disponibilização de competências e habilidades para satisfazê-los. A missão implica na compreensão comum do papel da organização em face da realidade, expressando sua razão de existir. A visão é uma projeção das oportunidades futuras do negócio da organização, para permitir uma concentração de esforços em sua busca. 89 A identidade organizacional da PMMG, prevista no Plano Estratégico 2004-2007, foi assim formulada: a) O Negócio da Polícia é a “Paz Social”. b) A missão é “proporcionar um ambiente seguro em Minas Gerais: com a participação comunitária, protegendo a vida, e garantindo a lei e reduzindo o crime e o medo”. c) A visão é “sermos reconhecidos como referencia na produção de serviços públicos e orgulho do povo mineiro”. Após a identidade organizacional, vêm descritas as políticas setoriais. Na política de recursos humanos menciona-se a valorização dos recursos humanos, mediante aperfeiçoamento de normas; seleção dentro de um perfil necessário ao exercício da missão institucional; aperfeiçoamento do ensino e do treinamento. A política setorial de inteligência indica a necessidade de produção de conhecimentos de inteligência com oportunidade, segurança, objetividade, imparcialidade, amplitude e legalidade. Já a política setorial das operações, indica a necessidade de priorizar a prevenção do delito, acompanhamento da mutabilidade e mobilidade do crime, de modo a perceber a demanda operacional, o que deve ser feito em sintonia com a participação da comunidade. A política de logística prioriza a garantia de suprimento logístico mínimo necessário ao desenvolvimento da polícia ostensiva e melhoria da gerência de manutenção e do emprego dos recursos materiais, com vistas a reduzir custos. A política setorial de comunicação organizacional indica a necessidade de fortalecimento da comunicação organizacional, de modo a consolidar a imagem da PM e potencializar sua presença objetiva e subjetiva. Finalmente, a política setorial de orçamento, finanças e modernização administrativa, menciona a necessidade de incrementar metodologias de gestão, de modo a priorizar a destinação dos recursos segundo a prioridade ditada pela demanda operacional. A política de relacionamento interinstitucional enfatiza o relacionamento da PM com o público que faz parte de seu ambiente, segundo parâmetros que permitam integração, parceria e respeito. Com o título de “Gestão Estratégica”, seguem-se os objetivos que podem ser entendidos como os resultados que a empresa precisa alcançar em prazo determinado para concretizar sua visão sendo competitiva no ambiente atual e 90 futuro. Dentro do plano estratégico, a partir do capítulo 6, estão listados os objetivos a serem alcançados pela corporação no período de 2004 a 2007. Os objetivos estão divididos segundo as seis políticas setoriais, sendo: recursos humanos, inteligência, operações, logística, comunicação organizacional; orçamento e modernização administrativa. Ainda, para cada objetivo, tem-se a justificativa, a estratégia, as metas, meios de implementação e recursos necessários. No plano existe um somatório geral de 42 objetivos. A operacionalização do plano se apresenta de forma bastante resumida, restringindo-se na citação da avaliação e da gestão, genericamente. Para a avaliação, cita-se que serão designados um coordenador e um grupo de gerentes de projetos, segundo capacidade técnica e experiência profissional. Na gestão foi previsto que caberá à Subchefia do EMPM avaliar o desempenho dos gerentes de projeto. Todavia, além da ausência de como os resultados seriam avaliados, a implementação do Plano Estratégico não ocorreu por meio de projetos. O desdobramento das políticas e objetivos estratégicos no nível intermediário, em plano tático, seguiu a mesma formatação do nível estratégico. Por último, vem descrita a conclusão do plano, com enfoque na implementação, conforme Minas Gerais (2003, p. 86): O passo seguinte, que é a efetiva realização do planejado, requer, para além do esforço de gerência dos projetos, a efetiva consciência de todos, de que é preciso dar prosseguimento, mediante o comprometimento individual de cada integrante da Polícia Militar, como agente capaz de tornar mais próxima do ideal a concretização do objetivo maior, neste Plano especificado como visão (item 4.3), sermos reconhecidos como referência na gestão de recursos e prestação de serviços à comunidade. Contudo, reafirma-se que a administração por projetos não foi implantada como planejado. Segundo Souza (2008)26 as principais causas de fracasso do plano estratégico 2004-2007 da PMMG foram: - Inadequação dos instrumentos de controle e de avaliação; - falta de foco; 26 Nota de aula do Coronel PM Renato Vieira de Souza, na disciplina de Planejamento Estratégico, curso de especialização em segurança pública da PMMG. Belo Horizonte, 2008. 91 - ausência de divulgação interna e de conscientização. Conclui-se que o planejamento estratégico do quadriênio 2004-2007, na forma como foi concebido, demonstra um modo inovador de gerenciamento estratégico na PMMG, um pouco diferente em relação aos anteriores. Os aspectos avaliativos sobre o grau de implementação e alcance das estratégias não constituem objeto direto deste estudo, por isso, deixa-se de realizar uma análise nessa direção, limitando-se a apresentação sumária do conteúdo do plano, com algumas considerações, como exposto. 4.4 A Região de Polícia Militar (RPM): Nível de Direção Intermediária da PMMG O nível de direção intermediária é também chamado de nível mediador ou nível gerencial. É o nível existente na organização, colocado entre o nível institucional e o nível operacional e cuida da articulação entre esses dois níveis. O nível intermediário é responsável pelos problemas de adequação das decisões tomadas no nível institucional (no topo) com as operações realizadas no nível operacional (na base da organização). Compõe-se das pessoas ou órgãos que transformam as estratégias formuladas, para atingir os objetivos empresarias em programas de ação. As Regiões da Polícia Militar (RPM) correspondem às Unidades de Direção Intermediária da PMMG, responsáveis pelo desenvolvimento de atividades operacionais e administrativas, de competência da polícia militar, dentro de suas respectivas áreas de atuação27. (MINAS GERAIS, 1996) A área de atuação da RPM é definida como região, que compreende o espaço geográfico de responsabilidade de um Comando Regional de Polícia Militar (CRPM), das áreas contíguas de duas ou mais Unidades de Execução Operacional (UEOp) subordinadas, conforme Resolução 3.283 de 1996 expedida pelo Comando Geral da PMMG. No Estado de Minas Gerais existe atualmente um total de 16 RPM, distribuídas no Estado, segundo alguns critérios, como perfil do município, 27 A região compreende o espaço geográfico de responsabilidade de um CRPM, áreas contiguas de duas ou mais Unidades de Execução Operacional (UEOp) subordinadas, conforme Resolução nr 3283 de 1996 – Comando Geral – PMMG. 92 localização, índices de criminalidade e outros. Há 3 RPM na região metropolitana de Belo Horizonte e em 13 municípios de médio porte do Estado, conforme FIG. 9, que apresenta as Regiões da PMMG e as cidades onde se encontram instaladas. FIGURA 9 – Mapa de Minas Gerais por Regiões da PMMG - 2008 Fonte: Polícia Militar, Estado-Maior. (2008) Em todo o Estado de Minas Gerais, foram criadas estrategicamente as RPM, que de maneira bastante razoável e adequada, se encontram geograficamente bem definidas, atendendo aos propósitos da administração gerencial de uma organização. 93 4.4.1 Composição funcional da RPM A composição funcional da RPM, dentre as normas que subsumem as regulamentações para o funcionamento da Polícia Militar de Minas Gerais, está prevista no regulamento dos Comandos Regionais da Polícia Militar28, que estabelece a departamentalização funcional para esse nível organizacional, prevendo ainda a finalidade, competência e as linhas gerais de funcionamento. Portanto, a RPM funciona com a seguinte composição: I - Comandante; II - Estado-Maior: a) Chefia; b) 1ª Seção (P1) - Pessoal e Ensino; c) 2ª Seção (P2) - Inteligência; d) 3ª Seção (P3) - Operações; e) 4ª Seção (P4) - Logística-Administração Financeira e Orçamentária; f) 5ª Seção (P5) - Comunicação Social. III - Seção Administrativa: a) Secretaria; b) Centro Regional de Comunicações (COPOM). Em termos de gerência e hierarquia funcional, o Comandante é cargo privativo de Coronel PM. No Estado Maior, a função do chefe é de Tenente Coronel PM, a chefia das seções de P1 a P5 é função privativa de Major PM. Na seção administrativa, a secretaria é função de Tenente PM e o COPOM é função de Capitão PM. Compete ao Comando Regional da Polícia Militar, desdobrar diretrizes, planos e ordens emanadas do Comando-Geral. Em específico, atribui-se aos chefes de seções de estado maior das RPM, “desdobrar diretrizes, planos e ordens do Comando-Geral, no seu campo de atividades, para difusão às UEOp subordinadas”. (MINAS GERAIS, 1996) O Chefe da P/3 da RPM, dentre as atribuições estabelecidas, tem a responsabilidade de elaborar e desdobrar planos emanados pelo nível estratégico 94 da instituição. De acordo com o regulamento da RPM (MINAS GERAIS, 1996) está descrito que: O Chefe da 3ª Seção do Estado-Maior (P3 RPM) tem as seguintes atribuições: [...] II - elaborar e difundir, de acordo com as orientações vigentes e os prazos estabelecidos: a) Estudos de Situação; b) Planos e Ordens de Operações, bem como os respectivos relatórios de avaliação e controle; [...] VI - desdobrar, assegurando amplo entendimento e difusão aos militares e às frações subordinadas, todos os documentos referentes a operações, oriundos do escalão superior. (grifo nosso) O que se conclui, a partir do exposto e do observado é que há um consenso, bem como, constitui uma questão pragmática e cultural da PMMG, que as atribuições de difundir e condensar a elaboração e desdobramento de planos, passam pelo gestor de planejamento e emprego operacional da RPM(P3). 4.5 O Plano de Gestão Intermediária O plano tático, denominado na PMMG de Plano de Gestão Intermediária (PGI), é elaborado nas Regiões de Polícia Militar de Minas Gerais, seguindo-se as diretrizes do Estado Maior da PMMG (EMPM). (MINAS GERAIS, 2004) Na perspectiva de Oliveira (2003), o planejamento tático é a metodologia gerencial que tem por finalidade a otimização de determinada área de resultado, trabalhando com a decomposição dos objetivos, estratégias e políticas estabelecidos no planejamento estratégico. Ainda, salienta que o conhecimento detalhado de uma metodologia de elaboração e implementação de planejamento tem o propósito de propiciar ao 28 Resolução 3.283 de 1996 expedida pelo Comando Geral da PMMG. 95 gestor, o embasamento teórico na otimização de sua aplicação. O gestor deve ter o domínio da teoria e da prática a fim de realizar um planejamento bem sedimentado. Conforme Oliveira (2003, p. 66): A teoria aparece como base de sustentação no processo decisório. E, nessa atual conjuntura de constantes mudanças nos ambientes organizacionais, a teoria ganha importância extra sobre a prática. Esta fica como sedimentação de uma vivência passada, procurando evitar a ocorrência de erros anteriores, bem como proporcionando melhor base de conhecimento sobre a realidade da empresa considerada. Logo, a definição e explicitação de uma metodologia pautada em correntes intelectuais, sustentam um processo de planejamento, visto que o gestor necessita recorrer a uma doutrina institucional que contemple o detalhamento do processo e respectivas etapas para nortear seus trabalhos. 4.5.1 Recebimento e Comunicação das Estratégias da Corporação As estratégias corporativas definidas pelo nível estratégico e, formalizadas através do Plano Estratégico 2004-2007, publicado em dezembro de 2003 foram repassadas às Unidades de Execução Intermediária através de documento interno. A comunicação às RPM, das estratégias e metas, com a edição do PE 2004-2007, ocorreu através do nível estratégico que realizou seminário para divulgação e treinamento de policiais militares, com participação de alguns integrantes das regiões, podendo citar, o Comandante e o P/3, em oficinas e worshops sobre planejamento estratégico, para assegurar a consistência das informações. (MINAS GERAIS, 2003) Ainda, foi expedida a instrução 3.002.7/2004 procedente do EMPM, datada de maio de 2004, que regula a elaboração de Plano de Gestão Intermediária, enquanto um segundo documento institucional que versa sobre o planejamento estratégico atual, na PMMG. 96 Nele é possível identificar conceitos pertinentes ao gerenciamento estratégico, orientações para designação de comissões responsáveis pela formulação do PGI, alguns prazos de remessa ao nível estratégico (embora prorrogados), seqüência de formatação de conteúdo do planejamento intermediário. (MINAS GERAIS, 2004) Entretanto, sendo uma metodologia bastante nova para a instituição, a citada instrução apresenta-se um tanto quanto difícil de compreender, além de conteúdo esparso, carecendo um pouco mais de profundidade na consistência sobre o “como” desdobrar as diretrizes institucionais, processo de análise ambiental, formulação da estratégia, de metas, de indicadores de desempenho para monitorar estratégias, controle e avaliação das melhores práticas internas e externas. Tavares (2000, p. 78-102) descreve os fatores que interferem no processo de decomposição das diretrizes, relacionando: “a ausência de prática do aprendizado organizacional, falta de informações apropriadas, insuficiência de tempo dos envolvidos, falta de recursos, ausência ou falhas na leitura ambiental e enfoque nos sintomas e não nas causas”. Os PGI seguiram uma rígida integração ao plano de longo prazo, com forte visão vertical, sendo elaborados para a vigência durante o mesmo período do PE, portanto, para quatro anos, cujo desdobramento foi realizado com recomendação superior para designação de comissões nas RPM. Na ocasião existiam 13 RPM, sendo que atualmente existem 16 RPM, enumeradas ordinalmente e estão localizadas nos respectivos municípios que se seguem, como demonstrado na TAB. 1: TABELA 1 Relação das RPM e cidades de localização em Minas Gerais – ano de 2008 RPM 1ª RPM 2ª RPM 3ª RPM 4ª RPM 5ª RPM 6ª RPM 7ª RPM 8ª RPM 9ª RPM 10ª RPM Cidade Belo Horizonte Contagem Vespasiano Juiz de Fora Uberaba Lavras Divinópolis Governador Valadares Uberlândia Patos de Minas 97 11ª RPM Montes Claros 12ª RPM Ipatinga 13ª RPM Barbacena 14ª RPM Curvelo 15ª RPM Teófilo Otoni 16ª RPM Unaí Fonte: Resolução 3960 de 11 de fevereiro de 2008. Nesse sentido, o plano tático, ferramenta administrativa incumbida de indicar como as estratégias serão executadas, tem importância fundamental para a organização, para se atingir seus objetivos. Assim, no capítulo VI, apresenta-se a análise das condições de implementação e desdobramento do planejamento estratégico no nível intermediário. 98 5 METODOLOGIA Neste capítulo será tratada a metodologia de pesquisa adotada para a realização da pesquisa. Conforme Gil (1987) existe basicamente dois critérios fundamentais para classificar o tipo de pesquisa na área social: quanto aos objetivos (fins) da própria pesquisa e quanto aos procedimentos técnicos adotados no processo de investigação (meios). 99 5.1 Tipo de Pesquisa Quanto aos objetivos: Foi adotada a tipologia descrita por Gil (2007) para classificar a pesquisa com base em seus objetivos. Desta forma, a pesquisa pode ser denominada como descritiva, pois procurou estabelecer uma relação entre o modelo de gerenciamento estratégico existentes nas teorias escolhidas e o modelo do processo estratégico existente na Polícia Militar de Minas Gerais. Quanto aos procedimentos técnicos adotados: Quanto aos meios, na pesquisa foi empregada a estratégia da pesquisa bibliográfica, sendo utilizado o referencial inserto em Lakatos(2007)29. A pesquisa bibliográfica serve para fundamentar a investigação ao proporcionar o conhecimento consolidado na teoria da administração de empresas e modelos de gestão disponíveis ao público em geral. O escopo do trabalho está perfeitamente enquadrado dentro da definição estabelecida pelas autoras, quando se buscou o referencial teórico existente que aborda o assunto, objeto do estudo, que trata do planejamento, da organização no aspecto funcional e estrutural, bem como sobre o gerenciamento estratégico. A presente pesquisa também é documental, pois paralelamente à pesquisa bibliográfica, são analisados documentos, manuais de procedimentos e documentos legais de criação da Região da Polícia Militar de Minas Gerais. Um documento de relevante importância para esta pesquisa foi o plano estratégico 2004-2007, consolidado pela organização, que compila o planejamento estratégico da PMMG. Na utilização da pesquisa documental foi feito o levantamento de informações em documentos e diretrizes institucionais internas da PMMG e contemporâneas que são pertinentes ao assunto em estudo. “A característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está em documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias”. MARCONI; LAKATOS (2007) 29 MARCONI, Marina de Andrade. LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6 ed. São Paulo: Atlas. 2007. Entende-se a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de 100 5.2 Natureza da Pesquisa A pesquisa realizada foi de natureza qualitativa e quantitativa, uma vez que se aplicou questionário com questões fechadas e abertas, com propósito de conhecer como ocorre o desdobramento do plano estratégico e a elaboração do plano de gestão intermediária, buscando verificar o perfil do cotidiano do P/3 das RPM da PMMG e aspectos relacionados ao gerenciamento estratégico. 5.3 Método de Abordagem Para a abordagem foi utilizado o método hipotético dedutivo, uma vez que o conhecimento teórico sobre o objeto da pesquisa merece investigação do assunto, dado às especificidades do tema para um determinado espaço geográfico e nível institucional estabelecido que são as RPM. Houve o levantamento sobre um determinado problema, resumido em uma pergunta, cuja busca de resposta passará pela estruturação de um modelo teórico e a formulação de hipóteses que serão testadas no decorrer dos trabalhos de pesquisa. 5.4 Método de Procedimento Como procedimentos, foram empregados o método comparativo e estatístico, uma vez que se pretendeu abordar o tema com base teórica, descrevendo a trajetória do planejamento, na perspectiva histórica conceitual, finalizando com a discussão contemporânea do planejamento nas diversas regiões da Polícia Militar, objeto de estudo. A pesquisa em documentos e diretrizes institucionais foram perseguidas na identificação do tratamento metodológico dado à elaboração de planos na PMMG. A realização da pesquisa de campo, com aplicação de questionários, visaram os aspectos que diretamente influenciam na formulação de planejamento tático e que guardam estreita relação com o gerenciamento estratégico. bibliografia – livros, revistas, monografias, teses e outros, já tornada pública, relacionado ao tema de estudo. 101 5.5 Técnicas a) Documentação indireta Pesquisa documental – Através desta técnica foram examinados principalmente, os documentos doutrinários que contém o Plano Estratégico da PMMG, de 2004/2007 que trata das políticas, objetivos e estratégias institucionais a longo prazo e a Instrução 3.002.7 de maio de 2004 que regula a elaboração de planos de na PMMG. Pesquisa bibliográfica - Esta pesquisa ocorreu como base nas teorias relativas ao planejamento nas organizações e o processo de elaboração de planos na administração, estrutura e ambiente e o gerenciamento por estratégias. b) Documentação direta Foi realizada de forma direta intensiva através da técnica de questionário, em que se buscou o posicionamento dos Chefes da Seção de Planejamento e Emprego Operacional das RPM, como um dos gestores do PGI. c) Delimitação do universo A técnica de delimitação do universo utilizada foi a censitária, visto que o universo envolvido é restrito. De acordo com Gil (2007), os levantamentos de dados normalmente tem abrangência a um universo de elementos muito grande, o que conduz a ao trabalho por amostragem de parte dos elementos que compõe o universo. No estudo em pauta, a situação se inverte, possibilitando a coleta de dados, sendo o universo composto de 16 Oficiais da PMMG, compreendendo todos os Chefes de P/3 das 16 RPM em Minas Gerais. d) Forma de aplicação Os questionários foram remetidos via rede de comunicação eletrônica da PMMG, denominada “ZWork”, para as caixas de correio eletrônico das Sedes das 16 RPM existentes em 2008, acompanhado de um ofício de solicitação ao Comandante da RPM, para direcionamento ao Chefe da P/3, enquanto respondente do instrumento, que depois de respondido deveria retornar a esta pesquisadora, no 102 mesmo meio de comunicação. Para garantia e agilidade do procedimento, também foi remetido via rede de informações da PMMG – intranet, na caixa postal da Seção de Planejamento das 16 RPM. e) Tratamento dos dados Para a elaboração e análise das matrizes de dados coletados nos questionários, foi utilizado um software SPSS, versão 14. Este programa é apropriado para tabulação e categorização de dados, que permitiu a elaboração de gráficos e tabelas que facilitam a interpretação do material coletado. Foram analisados através da técnica de tabulação, análise e interpretação de dados e elaboradas tabelas como método estatístico descritivo, com o propósito de apresentar idéias coletadas. De igual forma, utilizar-se-á gráficos para a representação dos dados de forma clara e de fácil interpretação. Para Marconi e Lakatos(2007)30: Uma vez manipulados os dados e obtidos os resultados, o passo seguinte é a análise e interpretação dos mesmos, constituindo-se ambas no núcleo central da pesquisa. [...] Análise e interpretação são duas atividades distintas, mas estreitamente relacionadas e, como processo, envolvem duas operações. [...] Análise é a tentativa de evidenciar relações existentes entre o fenômeno estudado e outros fatores. [...] Interpretação é a atividade intelectual que procura dar um significado mais amplo às respostas, vinculando-se a outros conhecimentos. Para as questões abertas, os dados coletados nos questionários foram analisados através da técnica de Análise de Conteúdo. Para Gomes (1994)31: A técnica de análise de conteúdo, atualmente compreendida muito mais como um conjunto de técnicas, surgiu nos Estados Unidos no início do atual século. Seus primeiros experimentos estavam voltados para a comunicação de massa. Até os anos 50 predominava o aspecto quantitativo da técnica que se traduzia, em geral, pela contagem da freqüência da aparição de características nos conteúdos das mensagens veiculadas. Atualmente podemos destacar duas funções na aplicação da técnica. Uma se refere à verificação de hipóteses e / ou questões. Ou seja, através da análise de conteúdo, podemos encontrar respostas para as questões formuladas e também podemos confirmar ou não as afirmações 30 31 MARCONI, Marina de Andrade. LAKATOS, Eva Maria. p. 169 GOMES, Romeu. A análise de dados em pesquisa qualitativa. In MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. p.74. 103 estabelecidas antes do trabalho de investigação (hipóteses). A outra função diz respeito à descoberta do que está por trás dos conteúdos manifestos, indo além das aparências do que está sendo comunicado. As duas funções podem ser aplicadas a partir de princípios da pesquisa quantitativa ou da qualitativa. Portanto, a interpretação dos dados constantes das questões abertas ocorreu mediante a análise qualitativa do conteúdo. No ano de 2004 quando houve a recomendação do nível estratégico da PMMG para que o nível intermediário realizasse o desdobramento do plano estratégico 2004-2007, existiam 13 RPM criadas e instaladas, sendo da 1ªRPM à 13ª RPM. No ano de 2007 foram criadas e instaladas mais 3 regiões de nível intermediário, sendo da 14ª a 16ª RPM. Nesse sentido, os questionários foram remetidos a todas elas, porém com a ressalva de que as questões exclusivas, pertinentes ao PGI anterior (2004-2007) receberam por parte dos respondentes a resposta de “prejudicada” em razão de sua data de instalação e a resposta na análise foi categorizada com a designação “não se aplica” (NA). Na análise e interpretação dos dados estabeleceu-se um perfil entre as 13 RPM com PGI e 3 RPM sem PGI elaborados no período considerado de 20042007, criando possibilidades de se extrair conclusões, sem prejuízo para a análise. Os questionários, como citado, foram enviados a todas as RPM da PMMG com a solicitação de que fossem respondidos. Dos 16 questionários enviados para obtenção dos dados, retornaram 15. Sendo assim, obteve-se 93,75% das respostas esperadas. O questionário que não retornou foi o da 7ª RPM – Divinópolis. Entre os questionários que retornaram, alguns estavam com questões em branco, outros 3 referem-se às RPM com recente instalação. Para melhor possibilidade de análise procedeu-se a freqüência dos questionários respondidos, conforme TAB. 2: TABELA 2 Índice de respostas Satisfatório Faltando informação Recente instalação Freqüênci Percentu a al 9 60,0% 3 20,0% 3 20,0% 104 Total 15 100,0% Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 A variável “satisfatório” refere-se a 9 questionários com todas as questões respondidas; a variável “ faltando informação” diz respeito a 3 questionários com algumas questões em branco e; por último a variável “recente instalação”, refere-se aos questionários aplicados para as 3 regiões PM recentemente instaladas, totalizando 15 questionários respondidos. 105 6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Nesta seção serão feitas a apresentação, a análise e a interpretação dos dados da pesquisa realizada através de questionários aplicados ao Chefe da Seção de Planejamento e Emprego Operacional (P/3) das RPM. Os instrumentos de coleta de dados foram enviados a todas as RPM da PMMG, com a solicitação de que fossem respondidos. Dos 16 questionários enviados para obtenção dos dados, houve o retorno de 15. Sendo assim, obteve-se 93,75% das respostas esperadas. Para os dados deixados de ser informados pelas três RPM recém instaladas, colocou-se na análise a observação “não se aplica(NA)”, evitando-se um prejuízo para a avaliação. 106 6.1 O Perfil do Gestor de Planejamento De acordo com Vasconcelos Filho e Pagnoncelli (2003, p. 51), dentre os elementos que a organização deve verificar para obter uma boa análise do ambiente (etapa do diagnóstico), na fase de planejamento, é questionar como está a capacitação para construir as transformações necessárias. Afirma ainda, que o diagnóstico estratégico é “um processo formal e estruturado que procura avaliar a existência e a adequação das estratégias vigentes na organização em relação ao andamento de transformações para a construção de seu futuro”. Na concepção de Mintzberg (2007), de acordo com o pensamento empreendedor e cognitivo da estratégia, há uma valorização de variáveis intangíveis, como a experiência do gestor. Defende-se a idéia de que o estrategista utiliza todo o seu conhecimento, partindo de suas experiências para desenvolver processos de pensamento e tomada de decisões. Os gestores de planejamento da PMMG, pesquisados, compreendem um total de 15 Oficiais PM, sendo que na linha de hierarquia funcional da organização, apresentaram o seguinte perfil: 11 com cargo de Major PM (73,3%), considerado Oficial superior e 4 com cargo de Capitão PM (26,7%), considerado Oficial intermediário, todos ocupando a função de Chefe da Seção de Planejamento das RPM. TABELA 3 Índice de respostas e o Tempo de exercício da Função P/3. Tempo de exercício da função P/3 Inferior a 2 anos Freq % entre 2 e 5 anos Freq % 7 anos acima Freq % Total Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Freq % Sobre as respostas Faltando Recente Satisfatório informação instalação 4 3 3 Total 10 44,4% 100,0% 100,0% 66,7% 3 0 0 3 33,3% 0% 0% 20,0% 2 0 0 2 22,2% 0% 0% 13,3% 9 3 3 15 100% 100% 100% 100% 107 Desse total, o tempo de experiência de exercício na função, como Chefe da Seção de Planejamento (P/3) é equivalente a: 66,7 % com menos de 2 anos; 20% entre 2 e 5 anos; 13,3% há mais de 7 anos, conforme TAB. 3. Levando-se em consideração o tempo de exercício na função, foi possível observar que o resultado quanto ao índice de respostas satisfatórias (55,5% na freqüência relativa acumulada) correspondem aos gestores com considerada experiência (acima de 2 anos), ou seja todos responderam aos questionamentos de forma completa. Por outro lado, somente dos gestores com pouca experiência (inferior a 2 anos) apresentaram um resultado parcial no índice de respostas, ou seja 3 deles ficaram faltando informação. Outro aspecto importante, considerado por Lawrence e Lorsch (1973), como relevante para o processo de implementação da estratégia, remete-se ao fator diferenciação, que no entendimento do autor, existem quatro dimensões específicas das diferenças, sendo a segunda delas, as diferenças na orientação relativa ao tempo possuído pelos administradores em diversas partes da empresa. Ainda, Tavares (2000), ressalta que a participação e o envolvimento dos gestores precedem as etapas decorrentes do processo, sendo imprescindível que se reconheça o papel de cada administrador na construção do planejamento. Quanto à participação dos integrantes da organização, no processo de formulação da estratégia, segundo Motta (1996, p.102), “a prática da estratégia resulta em um processo interativo, no qual a empresa testa o seu próprio futuro através de um aprendizado contínuo. [...] Sem a visão estratégica, não se pode conhecer o conjunto de necessidades, demandas, apoios e recursos existentes na sociedade.” Nesse sentido, verifica-se uma restrita participação do atual gestor de planejamento da RPM no processo de formulação das estratégias de sua área, ou melhor, de sua Unidade de Direção Intermediária, o que pode ser constatado pela TAB. 4. 108 TABELA 4 Tempo de Exercício da Função P/3 por Perfil de Participação no Desdobramento do Plano Estratégico Perfil de Participação Tempo de Exercício da Função P/3 Total Inferior a 2 anos Freq. 3 Não participou da formulação 7 % 30,0% 70,0% 100,0% Entre 2 e 5 anos Freq. 1 2 3 % 33,3% 66,7% 100,0% 7 anos acima Freq. 2 0 2 % 100,0% ,0% 100,0% Total Freq. % 6 40,0% 9 60,0% 15 100,0% Participou da formulação 10 Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Portanto, é possível analisar que 60% dos gestores das 16 RPM não participaram do processo de formulação das estratégias, que por sua vez, declararam que não tiveram participação no desdobramento do Plano Estratégico da organização. Ressaltando-se que se levou em consideração o atual gestor do departamento de Planejamento e Emprego Operacional do nível de direção intermediária da PMMG. 6.2 Administração e Gerenciamento Estratégico Dentro do contexto de administração estratégica, Certo e Peter (1993) a define como “um processo contínuo e interativo que visa manter uma organização como um conjunto apropriadamente integrado ao seu ambiente.” No que se refere ao gerenciamento estratégico, Tavares (2000, p.33) afirma que a gestão estratégica procura reunir planejamento estratégico e administração em um só processo, que “corresponde assim, ao conjunto de atividades planejadas e intencionais, traduzidas em estratégias organizacionais que visa integrar a capacidade interna ao ambiente externo.” Uma das variáveis utilizadas para se fazer a análise das condições da gestão estratégica nas RPM, ocorreu por meio da seguinte questão: “Faça uma 109 auto-avaliação quanto ao seu nível de conhecimento e domínio das informações sobre administração estratégica na RPM.” A partir disso, de acordo com GRAF. 1, verifica-se que 40% dos respondentes têm pouco conhecimento e domínio do assunto. O nível elevado ficou como última condição, com apenas 13,3% dos gestores tendo adquirido e assimilado bem o conteúdo sobre o processo estratégico. Para uma gestão, com premissas baseada no sistema de ação, acrescida de aspirações em gente, com mudanças rápidas da organização, somada à capacitação estratégica e finalizada com um novo comportamento; a falta de conhecimento e domínio podem prejudicar o processo. 40% 40% 26,7% 35% 30% 25% 20% 13,3% 20% 15% 10% 5% 0% Elevado Bom Adequado Pouco GRÁFICO 1 – Auto avaliação do nível de conhecimento e domínio das informações do P3 sobre administração estratégica. Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Em outra variável indicativa do alcance da administração estratégica na organização, diz respeito ao acompanhamento do processo pela presidência (nível estratégico) até o último nível da empresa. A administração estratégica refere-se a um “processo contínuo e interativo que visa manter uma organização como um conjunto apropriadamente integrado a seu ambiente,” no sentido de que esta se posicione perante o futuro e se antecipe diante de situações de ameaça.(CERTO e PETER, 2003). 110 Nessa acompanhamento perspectiva, da foi administração perguntado superior se no houve cobrança cumprimento das e metas estabelecidas. Observa-se que 40% dos respondentes informaram não ter havido esse acompanhamento e 20% não respondeu. Assim como, somente 13,3% declarou que houve acompanhamento das metas pela administração superior, conforme GRAF. 2. 20,0% 40,0% 13,3% 26,7% Não Sim NR NA GRÁFICO 2 – Acompanhamento das metas pela administração superior Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 No aspecto da motivação para implementação e execução do planejamento de gestão estratégica intermediária, apenas foi possível fazer uma inferência, visto o limite de alcance da questão para se tirar conclusões, conforme TAB. 5. TABELA 5 Qual foi a motivação para implementar e executar o PGI. Freqüência Percentual Expectativa na concretização do planejamento 4 26,7% Compromisso com a Corporação 3 20,0% Pequena Motivação 1 6,7% Boa motivação 1 6,7% NR 3 20,0% NA 3 20,0% Total 15 100% Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 111 Assim, percebe-se que não houve nenhuma resposta demonstrando um nível alto de motivação e sim, frases afirmativas quanto à expectativa e compromisso com a organização. Especificamente, um respondente afirmou que a motivação foi “pequena”, representando 6,7% das RPM pesquisadas. Outra questão ponderada na pesquisa, refere-se a avaliação e ao controle, sendo portanto perguntado sobre a existência de indicadores de desempenho para controle, mensuração e alinhamento das estratégias estabelecidas. Ainda, se a RPM recebeu feedback do atingimento ou não das metas elaboradas. Para Tavares (2000), a execução da avaliação e do controle permite e facilita o processo de gerenciamento com um feedback que realimenta toda a gestão estratégica. A avaliação e controle são etapas do processo estratégico, pelo fato de que planejamento estratégico vislumbra o alcance da efetividade, considerando o cumprimento das metas estabelecidas. Assim, tem-se, de acordo com o GRAF. 3 o seguinte resultado, quanto ao feedback que a RPM tenha recebido do nível superior, quanto ao atendimento ou não das metas: 13,3% 46,7% 20,0% 20,0% Sim Não NR NA GRÁFICO 3 – A RPM recebeu feedback do atendimento ou não, das metas, pelo nível superior Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 112 Analisa-se que desconsiderando as três RPM que não têm o PGI, a maioria respondeu que não houve feedback sobre o alcance ou não das metas, com base nas informações de 7 RPM, que representa 46,7% dos respondentes. Apenas 20% responderam que sim, houve o retorno sobre as metas. Quanto ao controle, tomou-se por base a existência ou não de indicadores, ou seja, para mensuração do alcance das metas pelas RPM. Foi perguntado quantos indicadores de desempenho foram construídos para o controle, mensuração e alinhamento das estratégias estabelecidas. Veja, portanto, a TAB 6. TABELA 6 Existência de indicadores de desempenho na RPM Freqüênc ia Percentu al Avaliações e acompanhamentos realizados periodicamente 3 20,0% Ainda não foi implementado 1 6,7% Não foram definidos indicadores 5 33,3% NR 3 20,0% NA 3 20,0% Total 15 100,0% Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Nesse sentido, fica fácil perceber que nenhuma RPM desenvolveu um mecanismo de controle e até de recompensa, por meio indicadores, conforme previsto no plano estratégico 2004-2007 da PMMG, sendo que cinco RPM foram taxativas em afirmar que os indicadores não foram definidos. Ressalta-se que a 1ª RPM fez a seguinte referência em sua resposta: “ o PGI foi levado adiante de forma coincidente com outras demandas. Os indicadores construídos foram um esforço de dar instrumentalidade de dar à ação tática da RPM. Mas indicadores específicos, ligados ao que previa o Plano Estratégico, não houve.” 113 6.3 Formulação da Estratégia Ao considerar a formulação da estratégia, revisita-se o conceito de estratégia, para melhor compreensão e sensibilização da relevância na sua definição, para a organização. Assim, Ansoff (1993), definiu que “a estratégia é um conjunto de regras de tomada de decisão para orientação do comportamento de uma organização.” Nessa direção, o nível de informação que se deve ter para o desdobramento e formulação da estratégia na RPM passa a ser algo que necessita de atenção. Foi perguntado, qual a percepção do P3, quanto ao nível de conhecimento e informação da RPM para o desdobramento do Plano Estratégico. Conforme GRAF. 4 foi possível verificar que: . 6,7% 6,7% 26,7% 33,3% 26,7% Elevado Bom Adequado Pouco NR GRÁFICO 4 – Percepção do P3 quanto ao nível de conhecimento e informação da RPM para o desdobramento do plano estratégico Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Foi verificado que na percepção do P3, apenas 6, 7% das RPM tem um nível elevado; a percepção de que o nível de conhecimento é pouco foi de 33,3% das RPM e, em 26,7% entende-se ser adequado. 114 No aspecto de fonte de informação interna da organização para a formulação das estratégias, tomou-se por referência o questionamento de como o P/3 analisa a produção interna (bibliografia) existente na PMMG sobre gestão estratégica e suas técnicas de aplicação. O GRAF.5 aponta o resultado obtido: 50% 46,7% 40% 30% 20,0% 20,0% 20% 6,7% 6,7% 10% 0% Deficiente/Limitado Mediano/Razoável Ótima NS NR GRÁFICO 5 – Como o P3 analisa a produção interna (bibliografia) existente na PMMG sobre gestão estratégica e suas técnicas de aplicação Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Nas respostas dos respondentes, encontra-se que 46,7% acham que é deficiente e limitada; 20% analisam como mediana e razoável; sendo que apenas 6,7 informaram que é ótima. 6.4 Metodologia do Processo de Planejamento Conforme discorrido no referencial teórico, existe uma vasta literatura sobre planejamento estratégico, apresentando inúmeras metodologias de elaboração e implementação de estratégias, podendo citar alguns autores: Andrews, 1980; Ansoff, 1990; Porter, 1986; Costa, 2003; Mintzberg & Quinn, 1998; Certo E Peter, 1993; Tavares, 2000; Mintzberg, 2007 e outros. Tomando por base a metodologia apresentada, a pergunta que direcionou a análise sobre a metodologia, abordou a auto-avaliação do P/3 quanto ao seu nível 115 de conhecimento e domínio das informações sobre a metodologia utilizada no PE da PMMG. Na TAB 7, tem-se que: TABELA 7 Auto-avaliação do P3 quanto ao nível de conhecimento e domínio da metodologia utilizada no PE da PMMG Freqüência Percentual Já ouvi falar, mas não conheço a metodologia. 6 40,0% Conheço superficialmente 4 26,7% Sim. Conheço e compreendo a metodologia 5 33,35 Total 15 100,0% Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Pelo observado, conclui-se que 40% embora já tenha ouvido falar, não conhece a metodologia; 33,35% conhece e compreende, todavia, acumulando-se a freqüência entre quem não conhece ou conhece superficialmente, corresponde à maioria; visto que 26,7% conhece superficialmente. A opção de resposta foi oferecida no instrumento de pesquisa, portanto uma questão fechada, por isso possibilita esta conclusão. Um aspecto que contrapõe a questão anterior, onde desconhece ou conhece superficialmente, foi o questionamento de como foi o processo de implementação estratégica e se houve a contratação/ participação de consultoria externa. O resultado pode ser visualizado no GRAF 6. 116 20,0% 13,3% 40,0% 26,7% 0% 10% 20% 30% 40% NA NR Esforço da equipe do Comando da RPM local Não houve participação de Consultoria GRÁFICO - 6 Como foi o processo de implementação estratégica? Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Pode-se inferir que não houve contratação ou participação de consultoria externa, tendo as RPM contado apenas com o conhecimento dos seus gestores para a elaboração do PGI. Assim, 40% dos respondentes informaram que ocorreu com o esforço da própria equipe e 26% afirmaram que não houve a participação de consultoria externa. Por fim, os conceitos da metodologia não foram internalizados em sua plenitude, conforme informações dos respondentes. Entretanto a metodologia do plano constitui uma inovação institucional, requerendo um tempo maior para internalização e assimilação dos conceitos. Quanto ao instrumento que melhor auxiliará o gestor de RPM para compreender a metodologia e desenvolver o processo de formulação das estratégias, questionou-se qual o instrumento que melhor auxiliaria na implementação do planejamento de nível intermediário. Os resultados foram os constantes da TAB. 8, como se segue: 117 TABELA 8 Instrumento que melhor auxiliaria na implementação do PGI Sim Não Total Freq. % Freq. % Freq. % Manual de Planejamento 7 46,7% 8 53,3% 15 100,0% Instrução Normativa 6 40,0% 9 60,0% 15 100,0% Canal de Acesso Direto via Telefone 3 20,0% 12 80,0% 15 100,0% Reuniões de Aplicação Assessoria para acompanhamento do processo 9 60,0% 6 40,0% 15 100,0% 8 53,3% 7 46,7% 15 100,0% Outro 1 6,7% 14 93,3% 15 100,0% Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Foi citada em maior preferência, a realização de reuniões de aplicação (60%), seguido da assistência de uma assessoria para acompanhamento do processo (53%). As outras duas opções que se destacaram foram a edição de um manual de planejamento (46,7%) e a produção de instrução normativa sobre o assunto (40%). Nessa questão, era opcional aos respondentes a indicação de mais de uma resposta. 6.5 A Estrutura Organizacional e o Processo Estratégico da RPM De acordo com a revisão bibliográfica, Chandler (1998) afirma que a estrutura das empresas deve se ajustar às estratégias por ela adotadas, para levar em consideração as mudanças do meio ambiente externo. Segundo o autor, assim como a estratégia deve se adaptar às oportunidades e às ameaças colocadas pelo ambiente externo, a estrutura deve seguir a estratégia, ou seja, a estrutura organizacional deve ser vista como um recurso para possibilitar a operacionalização das estratégias adotadas pela organização. Nessa perspectiva, a análise das contribuições da estrutura como variável contextual para o sucesso das estratégias, tomou-se por escopo a teoria de Mintzberg(1995) da configuração das cinco estruturas organizacionais. Assim, as organizações podem adotar: estrutura simples, burocracia mecanizada, burocracia profissional, divisionalizada e a adhocracia. 118 Considerando ambientes dinâmicos, as mudanças exigem novas habilidades e novas classificações das questões, requerendo esforços criativos das equipes. Portanto, a burocracia profissional se configura como insuficiente, demandando um outro tipo de configuração. (JUNQUILHO, 2003) A PMMG possui uma estrutura do tipo burocrática, conforme abordado. Entretanto, a estrutura que possibilitaria a substituição do modelo burocrático para o gerencial seria a estrutura do tipo adhocracia. Para essa análise as variáveis questionadas foram: quais as dificuldades encontradas pelo nível intermediário da PMMG para fazer o PGI levando-se em consideração a estrutura organizacional existente e, como a RPM conseguiu implementar as estratégias do PE 2004-2007 com cruzamento do nível de informação do gestor; e por último, o que mudou com a implementação do planejamento estratégico na RPM. No GRAF. 7 pode se verificar as dificuldades encontradas nas RPM: 20,0% 6,7% 6,7% 20,0% 6,7% 40,0% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% NA NR Fixação da metodologia adotada Pouca experiência na elaboração de planos Adequação do conteúdo a realidade da região Falta de Instrução e/ou Qualificação GRÁFICO 7 – Dificuldades encontradas para elaborar o PGI Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Assim, tem-se que 40% dos respondentes declararam que a maior dificuldade encontrada é a falta de instrução e/ou qualificação da equipe. A segunda maior dificuldade refere-se a pouca experiência no processo estratégico. Os 20% que não se aplica, são as três RPM criadas no ano de 2007 e 6,7% diz respeito à questão sem resposta (NR). 119 TABELA 9 Como a RPM implementou as estratégias na atual estrutura e o nível de conhecimento do P/3. Nível de conhecimento e domínio das informações sobre a metodologia utilizada no Plano Estratégico da PMMG Como a RPM conseguiu implementar as estratégias propostas no Plano Estratégico da PMMG 2004/2007 ? Buscando Cumprir os objetivos que foram propostos Freq Recente instalação Freq % Freq % Freq % Freq % Freq % Freq % Freq % Exercitando a atividade de coordenação e controle Empenho das pessoas envolvidas Ocorreu uma adequação Houve pouco interesse e envolvimento NR Total % Já ouvi falar, mas não conheço a metodologia 1 Conheço superficia lmente 1 Sim. Conheço e compreendo a metodologia 2 16,7% 25,0% 40,0% 26,7% 2 33,3% 0 ,0% 0 ,0% 1 16,7% 1 16,7% 1 16,7% 6 100,0% 1 25,0% 1 25,0% 1 25,0% 0 ,0% 0 ,0% 0 ,0% 4 100,0% 0 ,0% 2 40,0% 1 20,0% 0 ,0% 0 ,0% 0 ,0% 5 100,0% 3 20,0% 3 20,0% 2 13,3% 1 6,7% 1 6,7% 1 6,7% 15 100,0% Total 4 Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Na TAB. 9, vê-se a implementação da estratégia de acordo com a atual estrutura organizacional da PMMG por nível de conhecimento dos gestores. Percebe-se uma diversidade nas informações obtidas nas RPM, não sendo coincidentes e congruentes entre si, ou mesmo, harmônicas ou concordantes em sua maioria. Assim, na dispersividade das respostas, tem-se que 26,7% resumem ao cumprimento dos objetivos propostos, podendo inferir que não se considera a adequação necessária à execução. Segue-se com 20% executaram as estratégias voltadas ao controle e coordenação. Nesse sentido, Mintzberg (2007) afirma que uma das críticas ao planejamento é sua utilização como instrumento de controle dentro das organizações. E, 13% das RPM só conseguiu implementar em razão do esforço das pessoas envolvidas. Também infere-se que a estrutura não contribuiu com a execução das estratégias. Segundo Porter (1991), a estrutura deveria sustentar a vantagem competitiva. 120 No GRAF.8 figuram as mudanças ocorridas com a implementação do PE: 20,0% 26,7% 6,7% 20,0% 20,0% 6,7% Resultados positivos obtidos pelo cumprimento das metas Criou-se consciência da necessidade de planejamento Propiciou melhor aplicação de recursos disponíveis Não há visão prática de mudança NR NA GRÁFICO 8 – O que mudou na RPM com a implementação do PE Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Das mudanças citadas, 26,7% relatam a obtenção de resultados positivos no cumprimento das metas; com mesma diversidade de informações, 20% consideraram a criação da consciência da necessidade de planejamento e 20% que não viu visão prática de mudança. Esse último percentual deve receber atenção especial pela organização, pois todo o esforço do gerenciamento estratégico para um futuro de sucesso, ainda não atingiu essas três RPM. Talvez com a mudança ou adequação de estrutura esse quadro possa ser modificado. 6.6 O ambiente e o processo estratégico da RPM A estratégia organizacional deve se adequar às mudanças do ambiente. É no ambiente externo e interno que devem ser diagnosticadas as oportunidades, as ameaças, os pontos fortes e os pontos fracos. A avaliação do ambiente interno tem como parâmetros de análise os quesitos: marketing, pesquisa e desenvolvimento, sistema de informações gerenciais, equipe gerencial, operações, finanças e recursos humanos. (Mintzberg et al, 2007 p.32) 121 As principais variáveis macroambientais são: conjuntura econômica, estruturas sociais, ações do governo, legislação em vigor, demografia, cultura, tecnologia e ecologia. (RICHERS, 1981; TAVARES, 2000; LAWRENCE e LORSCH, 1973) Nas informações obtidas sobre o ambiente, considerou como ocorreu a discussão e avaliação dos cenários e quais os principais membros da comunidade consultados. Assim, foi possível verificar, conforme TAB 10, o seguinte resultado: TABELA 10 Quais foram os principais membros da comunidade consultados? Freqüênci a Percentua l 2 13,3% 2 13,3% Não foram consultados 5 33,3% NR 3 20,0% NA 3 20,0% Total 15 100,0% Lideranças e instituições com visibilidade na sociedade CONSEP Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Conclui-se que a maioria das RPM não consultou qualquer membro da comunidade (33,3%); 20% das RPM não responderam. E, em uma freqüência acumulada das lideranças e dos CONSEP que foram consultados, tem-se um resultado de 26,6% das RPM que o fizeram, assim mesmo a consulta foi para um público restrito, as demais variáveis foram desconsideradas. No que se refere aos cenários e banco de dados com informações para o diagnóstico, pode ser visto na TAB 11. TABELA 11 Como foram discutidos e avaliados os cenários Avaliações feitas através de bancos de dados da PMMG Através de Reuniões para apresentação e validação dos dados Não houve base específica de dados NR NA Total Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Freqüê ncia Percent ual 5 33,3% 3 20,0% 1 3 3 15 6,7% 20,0% 20,0% 100,0% 122 Verifica-se que 33,3% das RPM avaliaram os cenários com base em banco de dados da própria organização; 20% o fizeram através de reuniões para apresentação de dados e 6,7% informou que não avaliaram cenários para elaboração das estratégias. Ainda, o resultado de 3 questionários ficaram prejudicados em razão do gestor não ter respondido a citada questão. 6.7 Prazo de vigência do PGI Na classificação dos planos, no tocante ao prazo, o plano tático tende a cobrir um período menor de tempo que o plano estratégico, considerado de médio prazo e elaborado para um período de até cinco anos. (ROBBINS, 2006). De acordo com a TAB. 12, o PGI (plano tático) foi projetado para o mesmo período do plano estratégico 2004-2007 em 9 RPM e apenas uma RPM informou ter sido para um período menor (2 anos). TABELA 12 Para quanto tempo foi projetado o PGI ? 4 anos 2 anos NR NA Total Freqüência 9 1 1 4 15 Percentual 60,0% 6,7% 6,7% 26,7% 100,0% Fonte: Coleta Direta de Dados/2008 Por último, considera-se a partir dos resultados obtidos que os objetivos do estudo foram alcançados, pela condição oferecida na pesquisa de se conhecer o “como” vem ocorrendo a formulação das estratégias nas RPM da PMMG. Muitas outras observações relevantes podem ser extraídas, todavia o uso da técnica de questionário carrega algumas limitações, que foram consideradas ao longo da apresentação e análise dos dados. 123 CONCLUSÃO A organização policial para se ajustar à estratégia compreende um desafio aos gestores que administram esse processo na Polícia Militar de Minas Gerais. Primeiro, por conhecer com sensibilidade e consciência, a importância de se incorporar à prática da administração pública, os processos do planejamento estratégico, pelo relevado papel da estratégia em uma organização. Segundo, em razão da estrutura organizacional e das mudanças necessárias e inerentes ao processo, para que se ocorra o alinhamento estratégico, a integração e a participação dos gestores e executores. Entretanto, convence-se de que sua implantação na organização é um empreendimento meritório e inovador. Assim, para as considerações finais, retoma-se aos passos que guiaram este estudo, para acompanhar melhor a lógica percorrida até o alvo que se buscou atingir, ou seja, um objetivo para responder a um problema. Para tanto, o objetivo proposto foi a verificação do processo estratégico utilizado na RPM, para formulação do plano de gestão intermediária, no desdobramento do plano estratégico institucional. O problema formulado, a ser respondido foi: a metodologia utilizada no processo estratégico, para elaboração do plano de gestão intermediária, no nível intermediário da PMMG, tem atendido as condições de implementação e execução das estratégias institucionais? No sentido de chegar às considerações finais, algumas colocações ainda se fazem necessárias para corroborar a afirmativa de que o gerenciamento estratégico deve constituir um caminho a ser perseguido pela PMMG. Além de consistir em uma técnica de gestão, correspondendo a um dos mecanismos utilizados pelas grandes empresas e organizações públicas, que lhes garantiu resultados de sucesso é também, uma necessidade, para atender as exigências colocadas às instituições públicas nas últimas décadas. Para essa última colocação, cita-se Bresser Pereira (1998, p. 24) que apresenta a seguinte explicação: 124 Os cidadãos estão-se tornando cada vez mais conscientes de que a administração pública burocrática não corresponde às demandas que a sociedade civil apresenta aos Governos, no capitalismo contemporâneo. Os cidadãos exigem do Estado muito mais do que o Estado pode fornecer. E a causa imediata da lacuna que assim se cria não é apenas fiscal, como observou O’Connor (1973), nem apenas política, como Huntington (1968) destacou : é também administrativa. Os recursos econômicos e políticos são escassos por definição, mas se pode superar parcialmente a limitação com o uso eficiente pelo Estado, quando não se pode contar com o mercado, [...]Neste caso, a função de uma administração pública eficiente passa a ter valor estratégico, ao reduzir a lacuna que separa a demanda social e a satisfação desta demanda. (grifo meu) Fundamentado na assertiva evidenciada no trecho citado, que vão além de uma simples teorização, visto que são alicerçadas em uma realidade pragmática e, que a PMMG convive integralmente em seu labor, enquanto instituição de segurança pública, verifica-se a inviabilidade de retroceder ou fraquear o processo de gerenciamento estratégico iniciado na organização. Ao contrário, para responder às demandas da sociedade, a Polícia Militar deve fortalecer e ampliar as condições de formulação de estratégias que vão posicionar melhor a organização na tomada de decisão, para execução de ações acertadas e almejadas. O planejamento estratégico, como ferramenta administrativa, oferece possibilidades de alinhamento da organização para nortear o futuro desejado no atendimento às demandas dos cidadãos. Esse aporte na estratégia merece destaque, a partir do que foi descrito neste estudo, por intermédio da contribuição de Ansoff (1990) ao acreditar na estratégia, ao ponto de mencionar que “uma estratégia maior ou mista é uma regra estatística de decisão para ajudar a escolher a estratégia pura, específica, que a empresa deve adotar numa dada situação.” Todavia, prossegue-se, no sentido de demonstrar que o processo estratégico como um novo enfoque gerencial é algo que precisa ser assimilado, aperfeiçoado e ampliado, ou seja, requer que toda a organização tenha envolvimento nesse processo. 125 O gerenciamento estratégico deve procurar reunir planejamento estratégico e administração em um só processo, correspondendo ao conjunto de atividades planejadas que precisa procurar integrar a capacidade interna ao ambiente externo. A capacitação estratégica e a assimilação de um novo comportamento integram esse modelo de gestão. (TAVARES, 2000) Tomando-se o processo de planejamento estratégico da organização PMMG, foi possível verificar, de acordo com Dornelas (2006), que o Plano Estratégico 2004 – 2007 se apresenta como um instrumento que norteou ações e relacionamentos, para todos os níveis da instituição, trazendo a delineação de objetivos e metas clarificadas, pela primeira vez na história da organização. O planejamento constituiu um parâmetro para a elaboração de diretrizes e outros documentos resultantes do processo de planejamento, afirmando-se como políticas de relacionamento institucional, integração, parceria e respeito. Ainda, quanto ao planejamento estratégico, este pode ser plenamente visto como uma atividade gerencial, que possibilita aos executivos o estabelecimento de uma direção para a organização, visando maior grau de interação com o ambiente Nesse sentido, Oliveira (2003) o define como um “processo administrativo que proporciona sustentação metodológica [...], visando a otimização do grau de interação com o ambiente e atuando de forma inovadora e diferenciada.” No trabalho apresentou-se uma metodologia de planejamento estratégico em que se observa a consecução de fases que se estendem do diagnóstico à formulação, implementação e avaliação da estratégia, assim apontadas: delimitação da identidade organizacional, sendo o negócio, visão e missão; análise macroambiental e do ambiente competitivo; análise do ambiente interno; explicitação dos valores e crenças; formulação e implementação das estratégias; definição dos objetivos; elaboração do orçamento; avaliação e controle. Observa-se ainda, que o planejamento estratégico institucional, elaborado e conhecido de forma isolada é insuficiente, uma vez que para o alcance de objetivos a longo prazo, requer dos níveis inferiores da organização, a 126 operacionalização de como esses objetivos serão executados e portanto, implementados. A PMMG editou seu primeiro plano estratégico pelo nível institucional no ano 1973, denominado “Diretrizes para Ação de Comando”. A primeira obra elaborada no âmbito da PMMG com o objetivo de oferecer bases conceituais e padronizar o processo de planejamento foi publicada em 1987, constituindo-se no Manual de Trabalho de Comando. A cultura de planejamento da organização foi se evoluindo, vários outros planos e diretrizes foram sendo expedidos. No ano de 2003 a PMMG editou seu Plano Estratégico de longo prazo, para o quadriênio 2004-2007, que foi apresentado neste estudo, na seção IV. As Regiões da Polícia Militar (RPM), que correspondem às Unidades de Direção Intermediária da organização são responsáveis pelo desdobramento do respectivo plano estratégico, devendo elaborar o plano tático, denominado pela instituição de Plano de Gestão Intermediária. Verificou-se que foram expedidos pela alta administração, o documento contendo o PE e outro contendo as normas que regulam o desdobramento e elaboração do PGI, para a RPM, enquanto produção bibliográfica interna pertinente ao processo estratégico. Além de ter ocorrido um seminário de treinamento a alguns funcionários das RPM, que contemplou o conteúdo e metodologia do PE e do PGI. O processo estratégico para elaboração do PGI e implementação do PE foram alvos desta pesquisa, através de aplicação de questionários aos Chefes da Seção de Planejamento das RPM. A apresentação e análise dos dados foram expostas na Seção VI, bem como, algumas conclusões possíveis serão apresentadas mais à frente desta seção. Importa agora afirmar que, ao decidir implantar a gestão estratégica, passa a ser um fator que merece destaque e a respectiva implementação das estratégias precisa de atenção da organização. Para tanto, é de igual necessidade que se considere as dimensões contextuais que interferem nesse processo. 127 Assim, o estudo também abordou a estrutura e o ambiente, enquanto variáveis que integram essas dimensões contextuais do processo estratégico. A vinculação entre a estratégia, estrutura e ambiente é tema bastante abordado por diversos autores, como discorrido no referencial teórico. A estrutura organizacional é concebida como um dos fatores fundamentais que facilita o processo de tomada de decisão. Nesse sentido, uma estrutura inadequada pode também inviabilizar a implementação de uma estratégia. De acordo com Chandler(1998), assim como a estratégia deve se adaptar às oportunidades e às ameaças colocadas pelo ambiente externo, a estrutura deve seguir a estratégia, ou seja, a estrutura organizacional deve ser vista como um recurso para possibilitar a operacionalização das estratégias adotadas pela organização, assunto discutido na seção III. Ainda, considerou como conceito de estrutura, o modelo de organização pelo qual se administra a empresa. Os tipos de estrutura discutidos foram: estrutura simples, burocracia mecânica, burocracia profissional e adhocracia. De acordo com as discussões teóricas, verificou-se que a Polícia Militar de Minas Gerais é uma organização pública, que adota a gestão burocrática, e estruturada de forma funcional. Nessa estrutura destaca-se a coordenação pela padronização do processo de trabalho e a elaboração da estratégia é feita de cima para baixo, com grande ênfase no planejamento para a ação. Uma das tarefas desenvolvidas pela linha intermediária refere-se ao suporte do fluxo vertical na estrutura, mediando informações entre o nível estratégico e baixando planos de ação para o nível operacional, o que faz com que a alta administração receba informações filtradas, com atraso e às vezes abstratas. Segundo Mintzberg (1995), os principais elementos da estrutura organizacional, que devem ser considerados na implementação da estratégia são: a forma da divisão do trabalho e a especialização, as linhas hierárquicas, a amplitude de controle, a departamentalização, a definição da centralização ou descentralização, a comunicação e a distribuição da autoridade e responsabilidade. 128 Quanto à variável ambiente, Daft (1999) o definiu “como todos os elementos que existem fora dos limites da organização e que têm o poder de afetar toda ou parte dela.” Foi possível verificar que diferentes condições de ambiente exigem estruturas diferentes. E, o ritmo de transformação do ambiente cria a pressão em favor de uma modificação estratégica e posteriormente estrutural. (Lawrence, 1973; Chandler, 1998) Por tanto, quanto maior a habilidade da organização em realizar com mais exatidão a avaliação do ambiente, mais a possibilitará decifrar os sinais deixados nesse ambiente, necessitando para isso de um ajuste estrutural. Nessa direção, as considerações finais sobre a metodologia utilizada no processo estratégico, para elaboração do plano de gestão intermediária, pelas RPM da PMMG e as condições de implementação e execução das estratégias institucionais, se desenvolvem a partir de todo o referencial teórico descrito, apresentado de forma resumida nesta seção e da discussão dos resultados analisados e interpretados na seção VI. Por tanto, foi possível investigar que o processo de planejamento da PMMG, até a versão do quadriênio 2004-2007, não vislumbrava uma visão estratégica para a organização, não definia missão e visão, uma vez que tinha ênfase instrutiva teórica, sem observação de tempo, espaço e, sem perspectiva orçamentária. Eram chamados de “Políticas do Comandante Geral”, faltava uma ferramenta que pudesse instrumentalizar o Comandante a ter uma visão melhor e mais prospectiva. Assim, no que concerne ao ajuste da estrutura às estratégias, considerando-se a interação do nível estratégico com as Unidades de Execução Intermediária, para a execução das metas, sucederam-se algumas dificuldades encontradas pelos gestores, no processo estratégico. Todavia, o grande desafio das organizações contemporâneas na implementação da estratégia é que sua configuração em sua maioria advém dos 129 parâmetros burocráticos de gestão em termos de estrutura, o que implica em esforços maiores para a efetivação da mudança. Assim, conclui-se que o instrumento de planejamento estratégico, pode muito bem funcionar em meio à estrutura da PMMG, bastando para isso alguns ajustes dentro da estrutura atual, como por exemplo, a promoção do alinhamento estratégico, tático e operacional, bem como melhor estruturação na sistemática de acompanhamento, controle e avaliação. Não menos importante e até imprescindível é o enfoque nas pessoas, buscando-se prover os gestores de capacitação e treinamento a fim de os conceitos inerentes ao processo sejam conhecidos e assimilados. Para fazer frente às dificuldades apresentadas pelos gestores de RPM, sendo a primeira delas, o problema de qualificação e conhecimento, seguido de pouco experiência com o processo, pode-se promover a otimização do aprendizado organizacional, ampliando ainda, as produções internas e incentivando pesquisas na área, aplicadas à organização. As RPM perceberam mudanças com a implementação do PGI, como melhoria dos resultados e crença na necessidade de planejamento, que devem ser reforçadas pela organização com a disseminação e conscientização da importância e dos benefícios oferecidos pelo gerenciamento estratégico. Percebe-se uma inexistência de cadastro de indicadores vinculados aos objetivos estratégicos, embora tenha aparecido o registro de reuniões de avaliação em alguma RPM. Nota-se que o acompanhamento integrado, níveis estratégico e intermediário, com remessa de mensagens de alerta de pendências aos responsáveis é algo que pode ser efetivado pelos integrantes da RPM. Dessa forma, o estabelecimento e implementação de indicadores são importantes para criar condições mais favoráveis ao processo. O desdobramento das estratégias para o nível intermediário foi realizado pela regiões, sendo que somente três RPM ainda não tiveram experiência no processo, justificado pela sua recente instalação. Uma maior intensificação nas 130 discussões necessárias ao entendimento e domínio dos conceitos afetos à gestão estratégica podem vir a suprir a deficiência de experiência, no desdobramento do plano estratégico, com a devida sensibilização aos integrantes das RPM. Sugere-se o empreendimento de um canal de comunicação e monitoramento dos serviços e produtos do planejamento estratégico para o público interno: portal da estratégia, mapa estratégico, sistema de informações gerenciais, reuniões com os gestores das RPM e um escritório de negócios, para que possam auxiliar a organização e favorecer os seus integrantes. Por último, espera-se que esta monografia represente uma contribuição para a instituição, no sentido de que possa ter sua dinâmica de planejamento aprimorada, promova de forma mais hábil a integração do processo com as suas diversas Unidades de Execução Intermediária e, desta forma, fomente motivação, capacidade produtiva e satisfatória para o desenvolvimento das estratégias organizacionais. REFERÊNCIAS ALBRECHT, Karl. Programando o futuro. São Paulo : Makron Books, 1994. ALEIXO, Luis Fernando de Oliveira. Municipalização das vagas dos concursos ao curso técnico de segurança pública. Monografia apresentado 131 no CEGESP. Belo Horizonte. 2005. ANDREWS, K. R. The concept of corporate strategy. New York: Dow JonesIrwin, Inc,1971. ANSOFF, H. Igor. Do planejamento estratégica. São Paulo: Atlas, 1990. estratégico à administração ________, H. Igor. Implantando a administração estratégica. São Paulo : Atlas, 1993. BATALHA, Mário Otávio. Gestão Agroindustrial. 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A participação de V.Sª. é de relevante importância para verificar os óbices e dificuldades encontrados na formulação do PGI, pelo que solicito a especial fineza em responder o questionário abaixo. Coloco-me à disposição para esclarecimentos que se fizerem necessários, através do “ZWork”. Solicito que a remessa do questionário possa ocorrer até o dia 30 de junho de 2008 - Sex. Desde já antecipo os agradecimentos, Nirlane de Souza Barroso, Cap PM Aluna do CESPI/2008 INSTRUMENTO DE PESQUISA - QUESTIONÁRIO Dados Gerais 1. Cidade de Exercício do Trabalho: 4ª RPM – Juiz de Fora. 2. Posto Oficial P/3 da RPM: ( ) Major PM ( ) Cap PM ( ) Outro – Citar:________ 3. Tempo de exercício na função de P/3: 136 ( ) inferior a 2 anos ( ) entre 2 e 5 anos ( ) entre 5 e 7 anos ( ) 7 anos acima As questões de 4 a 16 referem-se ao cotidiano do P/3 de RPM 4. Como o Senhor analisa a produção interna (bibliografia) existente na PMMG sobre gestão estratégica e suas técnicas de aplicação? 5. Quais os cursos/treinamentos realizados pela PMMG em que foi abordado o conteúdo sobre metodologia de elaboração de planejamento estratégico o Senhor freqüentou? ( ) curso de Formação de Oficiais ( ) curso de Especialização em Segurança Pública da PMMG (CESP antigo CAO) ( ) curso de Especialização em Gestão Estratégica em Segurança pública (CEGESP) ( ) Outros. Citar_____________________. 6. Marque a opção em que o Senhor se enquadra, quanto ao perfil de participação no desdobramento do Plano de Estratégico da PMMG, do período 2004/2007. ( ) participou da formulação do PGI ( ) não participou da formulação do PGI 7. Faça uma auto-avaliação quanto ao seu nível de conhecimento e domínio das informações sobre administração estratégica na RPM: ( ) elevado ( ) bom ( ) adequado ( ) pouco 8. O processo de implementação e execução do plano de gestão intermediária compreende etapas e fases a serem seguidas. Nesse sentido, qual é a principal fonte de informação que o Senhor utiliza para obtenção desses conhecimentos? ( ) Referencial bibliográfico externo à instituição, entendido como livros, revistas, publicações, consultas via internet e outros; ( ) Troca de informações com professores e profissionais afins ao assunto; ( ) Produção interna (diretrizes, memorandos e documentos institucionais) da PMMG; ( ) Outras. Quais?_______________________________. 9. Qual sua percepção quanto ao nível de conhecimento e informação da RPM para o desdobramento do plano estratégico? ( ( ( ( ) elevado ) bom ) adequado ) pouco 137 10. Faça uma auto-avaliação quanto ao seu nível de conhecimento e domínio das informações sobre a metodologia utilizada no Plano Estratégico da PMMG: ( ( ( ( ) Não ) Já ouvi falar, mas não conheço a metodoloiga ) Conheço superficialmente ) Sim. Conheço e compreendo a metodologia 11. Qual o instrumento de gestão que melhor o auxiliaria na implementação do planejamento de nível intermediário? (Marque mais de uma opção se couber) ( ) Manual de Planejamento ( ) Instrução Normativa ( ) Canal de Acesso Direto via Telefone (hotline) ( ) Reuniões de Aplicação ( ) Assessoria para acompanhamento do processo ( ) Outros (Cite): ______________________________________ 12. No que se refere aos policiais militares que coordenam o PGI na RPM, quem são os participantes do processo de formulação estratégica? Função:_______________Posto/Grad:________ Tempo na Corporação: ___ (anos) Função:_______________Posto/Grad:________ Tempo na Corporação: ___ (anos) Função:_______________Posto/Grad:________ Tempo na Corporação: ___ (anos) 13. De que forma o plano estratégico chegou e foi repassado à RPM? ( ( ( ( ) ordem expressa por meio de documento institucional ) reunião/seminário com integrantes da RPM ) distribuição do documento que contém o Planejamento Estratégico ) encaminhamento via “intranet PM” 14. Quais são as dificuldades encontradas pelo nível intermediário da PMMG, para fazer o plano de gestão intermediária, na visão do Senhor? As questões de 15 a 27 referem-se ao Plano Estratégico da PMMG 2004/2007 15. Levando-se em consideração a estrutura organizacional existente, como a RPM conseguiu implementar as estratégias propostas no Plano Estratégico da PMMG 2004/2007 ? 16. Como foi o processo de implementação contratação/participação de uma consultoria externa? estratégica? 17. Qual foi a motivação para implementar e executar o PGI ? Houve a 138 18. Quanto tempo demorou o processo de formulação e implementação do PGI? 19. Para quanto tempo foi projetado o PGI ? 20. Na avaliação do Senhor, qual é a realidade local da RPM, no aspecto da participação e motivação da RPM, no processo de formulação e implementação do PGI? 21. Quantos indicadores de desempenho foram construídos para controle, mensuração e alinhamento das estratégias estabelecidas? Se existentes, ocorre acompanhamento sistêmico desses indicadores e em qual freqüência? 22. O que mudou com a implementação do planejamento estratégico na RPM? 23. Como foram discutidos e avaliados os cenários, do global ao local, existia alguma base de dados com as informações? 24. Quais foram os principais membros da comunidade consultados? 25. Qual o nível de interação da alta administração (nível estratégico) na atuação como protagonista desse processo? 26. Houve uma cobrança e acompanhamento da administração superior no cumprimento das metas estabelecidas? 27. A RPM recebeu feedback do atingimento ou não, das metas elaboradas do nível superior?