UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOUTO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM BIOTECNOLOGIA E QUALIDADE ALIMENTAR “Avaliação da aceitabilidade do Manto de Pota Congelado. Análise Sensorial, Microbiológica e Quantificação do valor em ABVT” Joana Rito Santos VILA REAL, 2010 II Orientador: Professor Doutora Alexandra Sofia Miguéns Fidalgo Esteves (Departamento de Ciências veterinárias, UTAD) III IV Agradecimentos Ao Magnífico Reitor da UTAD, Professor Doutor Carlos Sequeira pela disponibilidade e facilidades concedidas durante a realização deste trabalho. À Professora Doutora Alexandra Esteves por tudo o que me ensinou, pela sua disponibilidade, apoio e amizade durante todo o trabalho. Ao Professor Doutor Luis Patarata por me ter apoiado em todas as questões necessárias à realização do trabalho com extrema simpatia e disponibilidade. Ao Professor Doutor Fernando Nunes por me ter ajudado a definir o método químico. Ao Sr. Felisberto e D. Ana que sempre foram um grande apoio durante a elaboração da parte prática, sem eles seria muito complicado finalizar este projecto. À Professora Doutora Cristina Saraiva, à Professora Doutora Conceição Fontes, ao Professor Doutor António Silva que fizeram parte integrante do painel de provadores. Ao Luis Carlos por estar ao meu lado em todos os momentos importantes. A todos os meus amigos, em especial, à Hajer, Liliana, Sofia, Sarah, Dani, Ana pela amizade e carinho demonstrados. À Yazmín por ser um grande exemplo de força de vontade, coragem e trabalho para mim… Aos meus pais que sempre me apoiaram e ajudaram. Às minhas avós (Lurdes e Ilda) por todo o amor e confiança. Finalmente a todos aqueles, que de forma directa ou indirecta me incentivaram ou ajudaram no decorrer dos trabalhos. A todos um muito Obrigado… V VI …Deja que tus sueños sean olas que se van libres como el viento en mitad del mar… (Diego Torres) VII VIII “Avaliação da aceitabilidade do Manto de Pota Congelado. Análise Sensorial, Microbiológica e Quantificação do valor em ABVT” Resumo Os produtos da pesca são alimentos onde ocorrem fenómenos de deterioração precoce. Os responsáveis por esta deterioração são as suas enzimas, reacções químicas e microrganismos. A avaliação do estado de frescura dos produtos da pesca é genericamente efectuada pela sua avaliação organoléptica. A existência de valores objectivos resultantes de determinações laboratoriais não está definida para alguns destes produtos. É o que ocorre com o Manto de Pota congelado, alimento alvo do nosso estudo. O objectivo do nosso trabalho consiste em tentar estabelecer uma relação entre os parâmetros: valor de Azoto Básico Volátil Total (ABVT), teor em microrganismos mesofilos totais, teor em Enterobactereaceae e a avaliação organoléptica antes e após tratamento térmico, efectuada por um painel de provadores. O trabalho é constituído por três fases. Para alcançar estes objectivos, na primeira fase foi construída uma ficha de prova com 20 descritores com o intuito de avaliar as amostras nas duas fases de processamento. Na segunda fase do nosso trabalho foram analisadas amostras provenientes de 11 diferentes lotes quanto ao teor em ABVT, teores microbianos e avaliação organoléptica. As amostras apresentaram sempre um teor elevado em ABVT (média dos 11 lotes 104,21± 44,10 mg/100g) e teores de contaminação microbiana considerados aceitáveis (média de Mesófilos Totais nos 11 lotes: 4,02 ± 0,76 log u.f.c./g e enterobactereaceas: 1,73 ± 1,45 u.f.c./g). Relativamente à apreciação global obtivemos uma apreciação pouco positiva do painel de provadores (média A.G.: 3,49 ± 0,9631, numa escala de 1 a 9), que atribuímos à falta de experiencia em provas com produtos similares. Não foi verificada qualquer relação estatisticamente significativa entre a apreciação global e as restantes determinações, contudo, observou-se a existência de correlações significativas positivas, entre as determinações microbiológicas e o teor em ABVT. Numa terceira fase do trabalho, um único lote de Manto de Pota, foi acompanhado durante 17 dias (0, 3, 7, 12 e 17 após descongelação) quanto à evolução do ABVT, teores microbianos e avaliação organoléptica. Como resultado mais importante IX foi possível destacar correlações significativas positivas entre as variáveis associadas à perda frescura (ABVT, Totais, Enterobacterias) assim como características sensoriais também associadas normalmente a degradação (Cheiros Pútrido, Amoniacal). A característica apreciação global não apresentou correlação significativa com os teores em ABVT, mas sim uma correlação significativa negativa com os teores microbianos. Através da análise de componentes principais, foi possível distinguir claramente um grupo de características identificativo de um alimento em bom estado de frescura, e outro grupo associado à deterioração alimentar, onde estão incluídos valores elevados de ABVT e teores microbianos. Trabalho Financiado por Operador Económico Interessado. X “Evaluation of the acceptability of Jumbo Squid (Dosidicus Gigas) Mantle. Sensorial, Microbiological and TVB-N determinations.” Abstract Fishery products suffer early-stage degradation. Within the responsible factors for this degradation we can find enzymes, chemical reactions and microorganisms. Usually, freshness of fishery products is measured via organoleptic evaluation; however, there is a lack of objective experimental values for some of these products. This is the case of frozen giant squid mantle, the study case of the present work. The objective of this work is to establish a correlation between the following parameters: TVB-N, total mesophiles microorganisms content, Enterobactereaceae content and the organileptic evaluation before and after termic treatment, this last test performed with the aid of a taster’s panel. The work is divided in three parts. To reach these objectives, in the first phase, it was designed a taster’s card with 20 relevant giant squid mantle characteristics aiming to evaluate the samples before and after the treatment. At the second part an organoleptic evaluation was performed to samples coming from 11 different batches. The content of TVB-N and microorganisms were determined as well. The samples presented a high TVB-N content (average for the 11 batches was 104,21± 44,10 mg/100g) and representative values for microbial contamination (average for total mesophiles: 4,02 ± 0,76 log u.f.c./g and Enterobactereaceae: 1,73 ± 1,45 u.f.c./g). It was observed a slightly positive appreciation from the tatster´s panel when the global evaluation was performed (average A.G.: 3,49 ± 0,9631, in a scale from 1 to 9). This was attributed to the lack of experience with similar products. No significant statistical relation was found between the global evaluation and the content of TVB-N and microorganisms, nonetheless, relevant positive correlations were observed between the microbial contamination and the TVB-N In the third phase, one batch of giant squid mantle was evaluated for 17 days (i.e. days 0, 3, 7, 12, and 17) regarding its ABVT evolution, microbial contamination and organoleptic evaluation. Important correlations between the variables (TVB-N, total microorganisms and Enterobactereaceae) and sensorial characteristics (smells) XI associated to the loss of freshness were observed. The global evaluation did not show important correlation with the TVB-N content even though it showed an important negative correlation with the microbial content. Through a principal components analysis (PCA), it was possible to clearly identify two set of characteristics proper of fresh and degraded products, this last including high levels of ABVT and microbial content. XII Índice I. Introdução…………………………………………………………………………..1 1. Pota (Dosidicus Gigas) ……………………………………………………………………………..1 1.1. Constituição como alimento e formas de apresentação na comercialização…………….2 2. A qualidade dos produtos da pesca……………………………………………………………….33 4 2.1. Alterações post mortem nos produtos da pesca………………………………...................4 2.1.1. Alterações Sensoriais……………………………………………………………………… 5 2.1.2. Alterações Autolíticas………………………………………………………………………… 8 2.1.3. Alterações Microbiológicas…………………………………………………..................10 2.1.4. Alterações Químicas……………………………………………………………………….. 12 2.2 Métodos para a avaliação da qualidade dos produtos da pesca………………………………. 13 2.2.1. Métodos Sensoriais…………………………………………………………………………. 13 2.2.2. Métodos Químicos…………………………………………………………………………… 15 2.2.3. Métodos Físicos………………………………………………………………................... 18 2.2.4. Métodos Microbiológicos………………………………………………………………….. 19 II- Interesse e Objectivos……………………………………………………………… 21 III- Material e Métodos…………………………………………………………………. 22 1. Estrutura do trabalho……………………………………………………………………………… 22 2. Determinações Laboratoriais………………………………………………………………………23 2.1. Quantificação do Azoto Básico Volátil Total (ABVT)…………………………………………. 23 2.2. Análises Microbiológicas………………………………………………………………………… 23 2.3. Análise sensorial……………………………………………………………………………………. 24 2.3.1. Condições técnicas………………………………………………………………………..24 XIII 2.3.2. Prova QDA (Qualitative Data Analisis)……………………………………..................25 2.3.2.1. Geração de vocabulário……………………………………………………………. 25 2.3.2.2. Execução da prova……………………………………………………………….. 25 2.4. Análise de dados…………………………………………………………………………………. 26 IV- Resultados e discussão…………………………………………………………… 27 1.Elaboração da ficha de Análise Sensorial…………………………………………………………27 2. Estudo das amostras do manto de pota congelado………………………………………………. 32 2.1. Análise de 11 diferentes lotes de manto de pota…………………………………………….. 32 2.2. Teste de envelhecimento do manto de pota……………………………………..................37 2.2.1. Análise multifactorial…………………………………………………………………………. 46 V. Conclusões ………....................................................................................... 51 VI. Referências Bibliográficas …………………………………………………… 52 VII. Anexos…………………………………………………………………………….58 XIV Índice de Quadros Quadro I.1: Classificação taxonómica Dosidicus Gigas ……………………………………. 2 Quadro I.2: Dados nutricionais Dosidicus Gigas ………………………………………………………3 Quadro I.3: Classes de odores em produtos da pesca e exemplos de compostos que contribuem para o odor …………………………………………………………………………………..7 Quadro I.4: Exemplos de Microrganismos Específicos de Degradação em produtos da Pesca……………………………………………………………………………………………………….….. 11 Quadro IV.1: Descritores que apresentaram diferenças significativas (p< 0,05) em relação ao afeito tempo após descongelação (envelhecimento)………………………………………………28 Quadro IV.2: Descritores que apresentaram diferenças significativas (p< 0,05) em relação ao afeito tempo após descongelação (envelhecimento)……………………………………………………… 28 Quadro IV.3: Valores obtidos nas determinações do teor em ABVT, Microrganismos Mesófilos Totais e Enterobactereaceae e valor obtido na Apreciação Global nos 11 lotes monitorizados.…………………………………………………………………………………………... 32 Quadro IV.4: Correlações e respectivas significâncias obtidas entre as variáveis em estudo: teor de ABVT, microrganismos Mesófilos Totais e Enterobactereaceae e Apreciação Global nos 11 lotes monitorizados ………………………………………………………………………………… 34 Quadro IV.5: Correlações significativas (p <0,05) observadas entre as várias variáveis avaliadas nos 11 lotes monitorizados.…………………………………………………………………..35 Quadro IV.6: Algumas Correlações significativas positivas e negativas observadas em relação às variáveis em estudo...…………………………………………………………………………. 38 Quadro IV.7: Evolução dos parâmetros sensoriais, microbiológicos e químico ao longo dos cinco tempos de armazenamento após descongelação…………………………………………….. 40 Quadro IV.8: Pesos factoriais, comunalidades e valores próprios da solução inicial com 23 variáveis, e da solução após redução a 18 variáveis………………………………………………….47 XV XVI Índice de Figuras Figura I.1: Visão ventral de uma espécie da família Ommastrephidae……………………...... 2 Figura I.2: Fenómeno Rigor Mortis ……………………………………………………………………6 Figura I.3: Sequência de degradação de ATP ………………………………….…..……………. 9 Figura I.4: Alterações autolíticas..……………………………….................................................. 10 Figura I.5: Alguns exemplos de provas sensoriais ………………………………..........................14 Figura I.6: Etapas da determinação do ABVT em produtos da pesca, segundo o método proposto pela União Europeia …………………………………………………………………………… 16 Figura IV.1: Dendograma representativo da relação entre os diferentes descritores existentes na ficha de prova de análise sensorial ……………………………………………………… 29 Figura IV.2: Evolução dos valores de ABVT e da apreciação global ao longo dos dias em Armazenamento………………………………………………………………………………………….42 Figura IV.3: Evolução dos teores em Mesófilos totais, Enterobactereaceas e Apreciação global ao longo do tempo ………………………………………………………………………………43 Figura IV.4: Pesos factoriais, após rotação, das variáveis originais para as duas primeiras CPs (figura superior) e primeira e terceira CPs (figura inferior)..……………………………………. 49 Figura IV.5: Projecção das observações no espaço definido pelas 3 primeiras componentes principais; parte superior CP 1 vs CP 2; parte inferior CP 1 vCP3 …………………………………50 XVII XVIII Introdução I. Introdução 1. Pota Gigante (Dosidicus Gigas) A pota gigante é um cefalópode de nome científico Dosidicus Gigas (D’Orbigny, 1835) é a maior espécie da família Ommastrephidae. Pertence á sub-família Ommastrephinae que é a mais desenvolvida filogeneticamente, mas curiosamente Dosidicus Gigas é o membro menos desenvolvido desta sub-familia como está demonstrado no quadro I.1 (Nigmatullin et al., 2001). Na figura I.1 está representado um membro da família Ommastrephidae. Esta espécie pelágica tem origem na zona este do Pacífico entre 40º N e 47º S até 43º W do equador (Olson et al., 2006; Valencia-Perez et al., 2008). Esta espécie de pota é encontrada desde a superfície até 1200 m de profundidade (Yatsu et al., 1999; Nigmatullin et al., 2001). Tem-se verificado uma migração mais para norte que o normal (algumas chegam ao Alaska). Aumento da temperatura média dos oceanos e sobrepesca dos predadores da pota gigante (ex. Tubarões; peixe-espada, cachalotes etc.) (Http://marinebio.org/species.asp?). A distribuição desta espécie foi documentada aquando da pesquisa da alimentação dos cachalotes existentes na corrente do Peru. No interior desses cachalotes foram encontradas potas gigantes com um manto que atingia 1,20 m de comprimento e o seu corpo um peso de 58-65 kg. (Clarke et al., 1988; Smith e Whitehead, 2000). Refira-se ainda que estes animais são capazes de atingir a velocidade de 25 km/h quando se deslocam (http://marinebio.org/species.asp?id=249). A Dosidicus Gigas distingue-se dos demais quatro membros da sub-família ommastrephinae pela ausência de fotóforos grandes na pele do manto (apenas os fotóforos pequenos estão presentes), pela ausência do olho e do fotóforo intestinal em paralarvae, por apresentar tentáculos alongados e as suas extremidades atenuadas. O tentáculo da Dosidicus Gigas tem para cima de 200 pares de ventosas enquanto as outras espécies tem 32-35 pares (Bizikov, 1996; Nigmatullin et al., 2001). 1 Introdução Figura I.1- Visão ventral de uma espécie da família Ommastrephidae (Roper, 1984) Quadro I.1- Classificação taxonómica Dosidicus Gigas (Http://marinebio.org/species.asp?) CLASSIFICAÇÃO TAXONÓMICA Reino Animalia Filo Mollusca Classe Cephalopoda Ordem Teuthida Família Ommastrephidae Género Dosidicus Epécie Dosidicus Gigas As potas desta dimensão alimentam-se essencialmente de micronecton mesopelágico principalmente myctophids, mas também de cavalas, sardinhas e camarão. (Markaida et al., 2003; Http://marinebio.org/species.asp?). 1.1. Constituição como alimento e sua forma de apresentação na comercialização Como se pode observar no quadro I.2 a pota gigante é um alimento com um teor proteico bastante satisfatório, mais elevado que o polvo (12,4 g/100 g) e até que a carne de porco (13,4/100g) e bastante próximo da carne de vaca (20,4 g/100g) e do frango (20,2 g/100 g). Este alimento tem também um teor bastante baixo em gordura. Em termos de calorias este tem um valor intermédio, superior ao do polvo 2 Introdução (59 kcal/100g) mas contém menos de metade da quantidade calórica do frango (167 kcal/100g) e porco (180 kcal/100 g). Este é também uma fonte de fósforo comparado com o polvo animal da mesma classe (109 mg/100 g) (FAO Latin-Foods 2002). Os ácidos gordos do pescado são predominantemente insaturados o que os torna muito benéficos para a saúde, já que previnem determinadas doenças (Shewan, 1974). A percentagem edível desta espécie é também elevada com aproveitamento total de 75% após retiradas as vísceras (Salinas et al., 2003 Luna Raya, 2006). Algumas das características nutricionais (p.e. valor proteico) da pota gigante podem variar com o estado de maturação e até local e temporada de captura (Ezquerra et al., 2002). A pota gigante é normalmente vendida congelada ou congelada após cozida em pedaços do manto aglomerados (Luna Raya et al., 2006). Esta pode-se apresentar em rodelas, em forma de palitos ou em pedaços rectangulares. A carne deste animal após confeccionada possui uma consistência suave. Quadro I.2- Dados nutricionais Dosidicus Gigas (Adaptado de FAO Latin-Foods, 2002) Dados nutricionais /100g Água (g) 81 Proteínas(g) 16,4 Gordura(g) 1,1 Cinzas(g) 1,5 Hidratos de Carbono Totais (g) 0 Energia (Kcal) 76 Ácidos Gordos Saturados (g) 0,3 Ácidos Gordos Monoinsaturados (g) 0,2 Ácidos Gordos Poliinsaturados (g) 0,5 Cálcio (mg) 12 Fósfoto (mg) 119 Ferro (mg) 0,5 Zinco (mg) 4 Tiamina (mg) 0,02 Riboflavina (mg) 0,12 3 Introdução 2. A qualidade dos produtos da pesca A deterioração, como sinónimo de alteração de um alimento poderá ser qualquer modificação que torna um produto alimentar impróprio para o consumo humano. (Forsythe e Hayes, 1999). A condição “deterioração” não está claramente definida, mas fazem parte dela os seguintes elementos: detecção de cheiros e sabores estranhos; formação de exsudados; produção de gases; perdas de cor e mudanças na textura. A deterioração pode ter várias causas, tais como: lesões físicas evidentes; estragos causados pelos insectos; desenvolvimento microbiano e ou modificações bioquímicas; entre outros (Huss, 1997). O pescado é um produto onde os fenómenos de deterioração se verificam precocemente. Esta alteração é o resultado de um conjunto complexo de mudanças que ocorrem no tecido do animal depois de morto, originado pelas suas: enzimas; reacções químicas e microrganismos (Burgess et al., 1965; Hanna, 1992). Para melhor preservar a qualidade dos produtos da pesca e atrasar os fenómenos de degradação é necessário haver boas práticas na captura e uma refrigeração eficaz e contínua (Howgate, 1982). Em termos de constituição os produtos da pesca caracterizam-se pela sua riqueza em azoto proteico e não proteico (aminoácidos, creatinina, etc), e por um conteúdo de hidratos de carbono escasso a que se deve um pH post mortem considerado alto (Shewan, 1974). 2.1. Alterações post mortem nos produtos da pesca Os produtos da pesca a partir do momento em que são capturados sofrem alterações na composição química e na textura dos tecidos. Estas alterações são normalmente muito mais extensivas do que na carne. Para os produtos da pesca que crescem e se desenvolvem nos oceanos, mares e rios não existe nenhum tipo de controlo sobre a desova ou a alimentação. Na maioria dos casos os produtos da pesca são capturados em condições fisiológicas inadequadas o que pode favorecer a deterioração precoce (Castell, 1971). 4 Introdução Após captura as alterações dos produtos da pesca dão-se normalmente em quatro passos: primeiramente rigor mortis, em segundo a conclusão do rigor mortis, em terceiro a autólise (perda de frescura) e por fim a degradação microbiológica (Oceano-Higuera, et al., 2006). 2.1.1. Alterações Sensoriais As primeiras alterações sensoriais dos produtos da pesca estão relacionadas com a aparência e textura. A alteração sensorial mais significativa dá-se aquando da ocorrência do rigor mortis. Enquanto o animal está vivo as duas maiores proteínas, actina e miosina formam um complexo denominado acto-miosina resultante da presença de iões de cálcio. O ATP que resulta deste complexo fornece energia para a contracção muscular. A quando do relaxamento do músculo o ATP entra de novo em acção mas agora para posteriormente remover os iões de cálcio do meio. Quando o animal morre o sistema circulatório pára e os níveis de ATP descem bruscamente (Borresen, 1995). Numa fase inicial os músculos estão relaxados e têm uma textura flexível e elástica (Huss, 1976). Seguidamente os iões de cálcio concentram-se no meio e o complexo acto-miosina forma-se e os músculos contraem-se exactamente da mesma forma que aconteceria se o animal estivesse vivo. Mas devido às baixas concentrações de ATP no meio os iões de cálcio que deveriam ser removidos para um relaxamento muscular permanecem no meio e o músculo continua contraído. Quando ocorre o rigor mortis os músculos ficam completamente inflexíveis, esta condição dura durante algumas horas dependendo da espécie como podemos ver na figura I.2 (http://nzic.org.nz/ChemProcesses/animal/5D.pdf). Assim que os músculos voltam a estar relaxados no fim do rigor mortis a textura flexível é recuperada mas o mesmo não acontece com a elasticidade (Lugasi et al., 2007). 5 Introdução Musculo relaxado Rigor Ca2+ - ATP ATP Complexo actomiosina ATP Contracção Figura I.2- Fenómeno Rigor mortis Outra alteração sensorial resultante também da ausência de ATP, é o início de uma glucólise anaeróbia, com transformação do glucogénio em glucose e ácido láctico, diminuindo o pH. Se esta diminuição chegar ao ponto isoeléctrico das proteínas miofibrilares estas desnaturam e perdem a capacidade de retenção de água, alterando a textura da carne do produto da pesca. Também a perda de energia celular forma um desiquilíbrio químico que acaba por activar enzimas endógenas proteolíticas que geram rupturas nas ligações péptidicas e provocam amolecimento da carne (Cascado, 2005). Existem variadíssimos odores que podemos detectar nos produtos da pesca e relacioná-los com alterações post mortem específicas, como se pode ver no quadro I.3. 6 Introdução Quadro I.3- Classes de odores em produtos da pesca e exemplos de compostos que contribuem para o odor (Adaptado de Ólafsdóttir, et al., 1997a) Peixe Fresco Odor Classe da espécie Química Exemplo de Compostos Verde; Aldeído, C6-C9 Alcóois e carbonilos Hexanal; t-2-hexenal 1-octan-3-ol; 1-octan-3-um 1,5- octadieno- 3-ol 2,6-nonadienal 3,6- nonadienol Bromofenóis 2,6- dibromofenol 2,4,6- tribromofenol 2- bromofenol Iodo; camarão Salmoura Mar Compostos N-cíclicos Pirrolidina Piperidina Terra Etanol; propanol; butanol 3-metil-1-butanol Acetona; butanona Carbonilos de cadeia Etanal; propanal curta 3- metilbutanal; 2- metilbutanal Degradação Microbiana Alcóois de cadeia curta Aminas Compostos sulfurosos Oxidação Descrição do Aromas Cogumelos, Gerânio Pepino Pepino; melão Solvente Solvente Malte Amónia TMA DMA Histamina Putrescina Cadaverina Amoniacal Peixe; amoniacal Sulfeto de Hidrogénio Metilmarcaptano Metilsulfido Dimetil disulfido Dimetil Trisulfido Sulforoso; Ovos Cozidos Podre; repolho Repolho Pútrido; cebola Pútrido; cebola e Repolho Hexanal C4-heptenal Aldeídos Insaturados 2,4-heptadienal 2,4,7-decatrienal 7 Putrído Verde Batata, papelão Flavor a peixe oxidado Queimado,Peixe, Óleo de fígado de bacalhau Introdução 2.1.2. Alterações Autolíticas As alterações (bio)químicas do tecido dão-se basicamente por dois passos que são o rigor mortis e a autólise (autodigestão).Nas fases iniciais post mortem, concretamente nos primeiros 4 a 6 dias as perdas de qualidade que resultam da autólise, originam uma perda de flavores de frescura mas não são habitualmente responsáveis pela rejeição do alimento (Hanna, 1992). Contudo a autólise, está associada à produção de compostos azotados resultantes da acção de enzimas proteolíticas teciduais. Essas enzimas degradam compostos proteicos (proteínas, peptídeos, aminoácidos livres, aminas) e compostos não proteicos (ex. creatinina, ureia entre outros) que dão origem a bases azotadas voláteis. O teor de azoto básico volátil total (ABVT) permite-nos avaliar de forma objectiva o grau de frescura dos produtos da pesca (Huss, 1997; http://nzic.org.nz/ChemProcesses/ani mal/5D.pdf), e é para algumas espécies de pescado referido como uma forma objectiva capaz de decidir a rejeição ou aprovação do alimento. Também no músculo dos produtos da pesca a adenosina- 5’ trifosfato (ATP) é metabolizada na seguinte sequência: ATP» Adenosina- 5’ difosfato (ADP)» Adenosina5’ monofosfato (AMP)» Inosina- 5’ monofosfato (IMP)» Inosina (HxR) » Hipoxantina (Hx) » Xantina (X) (Oceaño-Higuera, et al., 2009). Na figura I.3 está esquematizada a degradação de ATP em Hipoxantina. 8 Introdução ATP ATPase Sarcoplasmática Fosfato ADP Adenilquinase Fosfato AMP AMP desaminase NH3 IMP 5’ Nucleotidase Fosfato Inosina Nucleósido fosforilase Nucleósido hidrolase Hipoxantina Ribose- P Hipoxantina- P Ribose RIBOSAPXANTINA RIBOSA-P Figura I.3 – Sequência de degradação de ATP (Adaptado de Oceaño-Higuera et al., 2009 e Cascado, 2005) Nos produtos da pesca congelados as alterações autolíticas são muito importantes. Nos produtos da pesca congelados a acção bacteriana está inibida e o OTMA é decomposto pela acção de enzimas autolíticas em dimetilamina (DMA) e formaldeído (FA) (Yamanaka et al., 1977, Yoshida e Imaida, 1980): (CH3)N:O → (CH3)2NH+HCHO As enzimas autolíticas, actuam até -20ºC ou a temperaturas ainda mais baixas, mas obviamente a sua acção a uma temperatura mais elevada é muito mais rápida (Yamanaka et al., 1977, Yoshida e Imaida, 1980). 9 Introdução Na figura I.4 encontram-se representadas as principais alterações autolíticas observadas. Figura I.4- Alterações autolíticas (Cascado, 2005) 2.1.3. Alterações microbiológicas Os microrganismos são os principais responsáveis da degradação da maioria dos produtos da pesca (Gram e Dalgaard, 2002). A contaminação inicial é feita por microrganismos aeróbios, que actuam nos hidratos de carbono, libertando dióxido de carbono e água. Como a superfície começa a ficar coberta de limo, as condições propiciam a multiplicação de anaeróbicos. Estes reduzem o óxido de trimetilamina em trimetilamina (responsável pelo característico cheiro desagradável a peixe) através da trimetilamina-N-oxido reductase. Muitos dos produtos desagradáveis são formados a partir da quebra do enxofre dos aminoácidos. Os produtos voláteis típicos são o sulfureto de hidrogénio; metil mercaptano e sulfureto de dimetilo (Huis in’t Velt, 1996). A deterioração de origem microbiana depende de características e interacções dos microrganismos que contaminam o alimento, e ainda das características intrínsecas e extrínsecas como são por exemplo as condições do armazenamento do alimento (Hanna, 1992). No limo superficial, nas brânquias e intestinos do peixe existem 10 Introdução milhões de bactérias e outros microrganismos que são potenciais agentes de deterioração. Por sua vez os tecidos do peixe são uma óptima fonte de azoto para a multiplicação bacteriana (Burgess et al., 1965). Os parâmetros que afectam a proliferação dos microrganismos nos produtos da pesca podem ser agrupados em quatro grupos: (1) Parâmetros intrínsecos - são as propriedades químicas, físicas e estruturais do alimento (potencial redox, acidez, disponibilidade de água, etc.); (2) Parâmetros extrínsecos - são factores no ambiente onde o alimento é armazenado (temperatura, humidade, etc.); (3) Praticas de processamento e preservação - tratamentos químicos ou físicos que alteram frequentemente a estrutura do alimento determinando desta forma a microbiota associada ao produto. (4) Parâmetros implícitos - são influências simultâneas, sinergéticas e antagonistas. Estas são o resultado do desenvolvimento de microrganismos que podem ter um efeito sinergético ou antagonista na actividade microbiana de outros microrganismos presentes nos alimentos (Mossel et al., 1995). Existe um grupo de microrganismos denominados de organismos específicos de degradação (MED) que dão origem a off-flavores associados com a degradação dos produtos da pesca (Gram e Dalgaard, 2002). A capacidade de produzir cheiros desagradáveis e a capacidade de produzir metabolitos de degradação são essenciais para identificar um MED, como apresenta o quadro I.4. Quadro I.4- Exemplos de Microrganismos Específicos de Degradação em produtos da pesca Produto OED Produto da pesca de água salgada congelado Shewanella putrefaciens Produto da pesca de água doce congelado Pseudomonas spp. CO2- peixe fresco embalado Photobacterium phosphoreum (Gram e Dalgaard, 2002) 11 Introdução 2.1.4. Alterações Químicas Na deterioração química as mudanças na fracção lipídica do pescado têm repercussão nas características deste. Os processos oxidativos, são reacções nas que apenas paticipam o oxigénio e os lípidos insaturados. Os ácidos gordos insaturados são oxidados por radicais livres da auto-oxidação (Ackman e Ratnayake, 1992). No entanto as alterações químicas e físicas não podem ser totalmente separadas, algumas das causas da degradação caracterizadas pelas alterações do flavor e cor são originadas pela oxidação, irradiação, lipólise e calor. Os processos químicos podem resultar em alterações físicas, tais como, viscosidade, gelatinização, sedimentação ou alterações da cor (Huis in’t Velt, 1996). A elevada quantidade dos ácidos gordos poliinsaturados presentes nos produtos da pesca tornam-nos bastante susceptíveis à oxidação (King et al., 1993). Os ácidos gordos insaturados são oxidados por radicais livres na presença de oxigénio (autooxidação), em que reacção em cadeia é catalizada pelos produtos da reacção (Huis in’t Velt, 1996). O primeiro passo leva à formação de hidroperóxidos, estes são insípidos mas poderão originar uma coloração ascastanhada e amarelada ao músculo do pescado. A degradação destes hidroperóxidos dá origem a aldeídos e cetonas que têm um sabor muito forte a ranço (Ackman e Ratnayake, 1992). De referir que as lípases que actuam na oxidação dos lípidos permanecem activas mesmo a temperaturas de congelação (Pascual-Anderson, 2000 citado por Cascado, 2005). 12 Introdução 2.2. Métodos para a avaliação da qualidade dos produtos da pesca Existem vários métodos utilizando análises químicas, físicas, microbiológicas e sensoriais para medir a qualidade e frescura do peixe. 2.2.1. Métodos sensoriais A avaliação sensorial é uma disciplina científica, usada para evocar, medir, analisar e interpretar características do alimento detectadas através dos cinco sentidos (vista, olfacto, tacto, gosto e audição) (Meilgaard et al., 1991). Os métodos de avaliação sensorial podem estar agrupados em três grupos: (1) Testes discriminativos, que indicam se existem diferenças entre as amostras; (2) Testes descritivos, determinam a natureza da e a magnitude das diferença; (3) Testes hedónicos, medem a preferência ou aceitação das amostras. Os testes discriminativos e descritivos são testes analíticos objectivos, onde se recorre a um painel treinado. Os testes afectivos são de carácter subjectivo muito dependente de provador para provador (Ólafsdóttir et al., 1997). No grupo dos testes discriminativos poderemos efectuar provas de qualificação, em que qualificamos as amostras por ordem segundo o grau existente de determinada característica (ex. por ordem decrescente se sabor a amargo). Neste mesmo grupo temos as provas triangulares, estas determinam se existem diferenças ou não detectáveis entre duas amostras (os provadores recebem amostras codificadas e élhes dito que duas das amostras são idênticas e uma é diferente) (Müller e Ardoíno, 2003). Dentro dos testes descritivos temos como por exemplo o método do índice da qualidade (QIM) e também a escala estruturada. O QIM é baseado na avaliação objectiva de certos atributos dos produtos da pesca crus (pele, olhos, tentáculos, etc.) usando uma pontuação de 0 a 3. Este método é relativamente rápido e não destrutivo, que é baseado apenas na observação directa das propriedades dos produtos da pesca e especificidades da sua espécie. O método do índice da qualidade tem uma característica de extrema importância que é a possibilidade de ser utilizado na primeira fase 13 Introdução de armazenamento onde outros métodos instrumentais não podem ser aplicados (Barbosa et al., 2003). Nas provas estruturadas o painel de provadores tem definições muito precisas para as avaliações. Pode ser realizada com números ou com definições, correspondendo cada número a um estado de frescura. Existem três tipos de escala: intensidade (em que a questão é avaliada segundo a intensidade), qualidade (opinião sobre a qualidade e hedónica em que os provadores avaliam se a amostra agrada ou não agrada.) (Müller e Ardoíno, 2003). Os produtos da pesca são avaliados e classificados em termos de grau de frescura, seguindo determinados parâmetros de carácter organoléptico (Reg. CE nº 2406, 1996). A análise sensorial após tratamento térmico é igualmente importante, permitindo-nos uma avaliação de determinados descritores referentes ao pescado, de importância capital para a aceitabilidade por parte do consumidor. Na figura I.5 estão alguns exemplos de provas sensoriais. Prova de Pares Provas Discriminativas Existe alguma diferença? Prova Triangular Prova de Ordenação Prova de Qualificação com Escalas Provas Descritivas Qual é a diferença ou o valor absoluto e qual a sua magnitude? Medição de atributos relativos ao tempo Defenição de Perfis Sensoriais Provas de Preferências Provas de aceitação A diferença é significativa? Medida do Grau de Satisfação Provas de Aceitação Figura I.5- Alguns exemplos de provas sensoriais (adaptado de Müller e Ardoíno, 2003) 14 Introdução 2.2.2. Métodos químicos Os métodos químicos medem a concentração de produtos de degradação. Alguns indicadores de degradação têm sido usados, incluindo Azoto básico volátil total (ABVT), Trimetilamina (TMA) e Aminas biogénicas (Özogul et al., 2004). Bastantes métodos foram usados para a avaliação objectiva da qualidade do peixe durante o armazenamento medindo as alterações na qualidade. Os mais comuns são a determinação do Azoto básico volátil total (ABVT), Trimetilamina (TMA), Dimetilamina (DM) (Métodos relacionados com as alterações da fracção azotada básica), Hipoxantina (HX) (Métodos baseados na medida de degradação de ATP) (Ryder, 1985; Özogul, 1999). A determinação de TMA e ABVT tem algumas desvantagem nomeadamente o facto de ser em análise com necessidade de exposição a alguns químicos tóxicos (Ruiz-Capillas, 1999). O composto volátil azotado que se forma em maior quantidade nos produtos da pesca armazenados em gelo é a Trimetilamina obtida da redução do Oxido de Trimetilamina, sendo esta considerada a maior razão para os odores desagradáveis nos produtos da pesca (Baixas-Nogueras, 2002). A determinação de ABVT nos produtos da pesca contabiliza todos os compostos azotados voláteis existentes na amostra, principalmente os níveis de amoníaco, TMA e DMA que vão aumentando com a degradação quer enzimática quer microbiana. O resultado destes testes tem como objectivo a predição do grau de frescura do produto da pesca (Özogul, 1999). Habitualmente o recurso a métodos de análise objectivos para avaliação da qualidade do pescado é apenas sugerida quando o exame organoléptico nos suscita algumas dúvidas. De entre os controlos químicos previstos para evitar a colocação no mercado de produtos impróprios para consumo, o Regulamento CE Nº. 2074/05, estabelece níveis de ABVT que não podem ser excedidos no caso de determinadas categorias de pescado. 15 Introdução A determinação de ABVT utilizando o método de referência recomendado é um método por destilação. Este baseia-se na destilação dos componentes básicos em meio alcalino, para que sejam retidos os aldeídos, as cetonas e ou os alcóois de carácter volátil. O destilado é recebido por um ácido e determina-se o conteúdo de ABVT por volumetria. Tal como está indicado na figura I.6. Figura I.6 - Etapas da determinação do ABVT em produtos da pesca, segundo o método proposto pela União Europeia (CE Nº. 2074/05) Uma das limitações da determinação de ABVT como índice de frescura ou deterioração é o facto de apresentar níveis variáveis em função da espécie, estação do ano, habitat (Cascado, 2005). Como consequência do reduzido número de espécies de produtos da pesca para as quais existem valores limite de ABVT previstos, a indústria tem tido dificuldades quando pretende utilizar este tipo de determinação objectiva na avaliação de outros produtos da pesca. O centro de inspecção e comércio exterior espanhol sugeriu em 1986 valores de ABVT para rejeição dos produtos da pesca, estes variam consoante o tipo de processo aplicado ao produto: Peixe Fresco: Animais pertencentes á ordem Selachimorpha: 50 – 70 mg/100 g Todas as outras espécies: 23 – 30 mg/100 g Fumados e Salgados: Até 80 mg /100 g Conservas: Boa qualidade: 40 – 50 mg/100 g Comuns: 50 – 60 mg/100 g Medíocres: 60 – 70 mg/100 g 16 Introdução Crustáceos: Boa qualidade: < 30 mg/100 g Comuns: 30 – 40 mg/100 g Medíocres: 40 – 60 mg/100 g Em 2005 a União Europeia estabeleceu um limite de máximo de 30-35 mg ABVT/100 g para algumas espécies da família Merlucciidae, Gadidae e Salmo salar (CEE/149/95). A TMA como já foi referido é resultante da acção das enzimas bacterianas que convertem o OTMA em TMA, existindo uma relação muito próxima entre a carga microbiana e o nível de TMA. Este método não detecta a deterioração na etapa inicial (Babbit, 1972). A TMA é um método rápido e objectivo para medir a qualidade dos procutos da pesca. A correlação existente entre o índice de TMA [TMA = log (1 + valor de TMA)] e a qualidade comestível tem tido bons resultados em muitos trabalhos (Hoogland, 1958; Wong e Gill, 1987). As aminas tais como a TMA volatilizam aquando de um pH baixo. A maioria dos métodos de análise consiste em executar uma desproteinação utilizando ou ácido perclorico ou tricloroacético. A volatização das aminas das amostras causa grandes erros no cálculo do teor em TMA. Portanto, as amostras devem ser neutralizadas antes da análise e quando mantidas na sua forma ácida devem estar em embalagens seladas (Huss, 1995). A determinação de Dimetilamina é usual em produtos da pesca congelados armazenados em congelação. Em congelação o OTMA transforma-se em DMA e Formaldeído. Muito do Formaldeído produzido une-se ao tecido, deixando de ser possível extraí-lo. No entanto sabe-se que a quantidade de Formaldeído é proporcional ao da DMA. O método mais comum para esta determinação é colorimétrico em amostras de produtos da pesca desproteinizados (Babbit, 1972). 17 Introdução Relativamente aos métodos baseados na degradação do ATP temos a determinação do valor K. Como já foi mencionado o ATP degrada-se em ADP, AMP, IMP, Inosina e Hipoxantina. O valor K é calculado a partir dos produtos de degradação do ATP. A percentagem da soma da Inosina e Hipoxantina dividida pela soma de ATP, ADP, AMP, IMP, Inosina e Hipoxantina (Hattula, 1997): %K=[(Inosina+Hx)/(ATP+ADP+AMP+IMP+Inosina+HX)]x 100) Este método tem algumas vantagem nomeadamente a de determinar a perda de frescura prévia à proliferação microbiana e porque a Hipoxantina é um metabolito termoestável sendo possível esta análise em vários estados de conserva do produto da pesca (Burns e Ke, 1985). O valor K é determinado através de técnicas cromatográficas (Ólafsdóttir, 1997). Muitos autores referem que a determinação de valor K será o método de eleição para avaliar alterações precoces dos produtos pesca. 2.2.3. Métodos Físicos Os métodos físicos são simples e de fácil aplicação. A informação que nos proporciona é incompleta sendo necessário ser suportada por outros métodos de avaliação da qualidade (Vaz-Pires et al., 1995). As propriedades eléctricas da pele e tecido muscular alteram após a morte do animal. Existem vários tipos de medidores eléctricos com sistemas de eléctrodos diferentes, tais como RTmeter (Islândia), Torrymeter (Reino Unido), entre outros. Mas o princípio básico é similar. Este método consiste na medição da condutância e capacitância em corrente alterna do músculo do peixe. À medida que as membranas vão ficando mais deterioradas existe uma diminuição de passagem de corrente eléctrica (Òlafsdóttir et al., 2004). 18 Introdução Como foi referido anteriormente nas alterações sensoriais post mortem dos produtos da pesca o aumento da produção de ácido láctico diminui o pH. A determinação de pH é um teste rápido e simples, mas tem a desvantagem de ser destrutivo. Outra desvantagem deste teste é a dificuldade de relacionar o valor de pH com a frescura do peixe pois como foi explicado anteriormente este depende das reservas glucolíticas do animal. A textura é outra propriedade muito importante do músculo do pescado (Huss, 1995). Alterações da textura como a perda de firmeza são consequência directa das alterações microbiológicas e autolíticas. A alteração mais visível após a captura é o rigor mortis devido à perda de elasticidade do músculo tornando-se muito rígido (Abbas et al., 2008). Também a congelação dos produtos da pesca leva a um aumento da rigidez do músculo devido à formação de formaldeído. Johnson (1980) e colaboradores reportam um método baseado na deformação na compressão para poder medir a dureza ou a suavidade da carne (Huss, 1995). 2.2.4. Métodos microbiológicos Os métodos para determinar as características bacteriológicas dos produtos da pesca podem ser de dois tipos: métodos para determinar o tamanho da população bacteriana presente no alimento (métodos microbiológicos) e métodos para quantificar os produtos do metabolismo dos microrganismos (métodos bioquímicos). A degradação microbiana é variável entre produtos da pesca, depende muito da espécie em questão, a temperatura de armazenamento, a composição química, na forma como o produto é processado (se é mantido inteiro ou eviscerado), entre outros factores. O crescimento da população microbiana varia também da zona do produto que é analisado (Tarr, 1954). Os métodos microbiológicos mais frequentes para determinar a decomposição dos produtos da pesca são: a contagem total de microrganismos existentes nos produtos da pesca e a contagem de um grupo específico. Estes métodos são de confiança e reprodutíveis quando são mantidas determinadas condições definidas e nenhuma delas é alterada, pois tornará o método inválido. A dificuldade da contagem é determinar qual a origem do elevado número de microrganismos. Os elevados valores obtidos 19 Introdução da deterioração microbiana podem depender mais da contaminação na preparação do que propriamente a degradação microbiana normal post mortem causada pelos microrganismos existentes no animal (Howgate,1982). Actualmente as técnicas para determinar os microrganismos específicos de deterioração têm assumido bastante importância. Claramente os métodos microbiológicos podem providenciar importantes indicações de frescura dos produtos da pesca, no entanto os resultados mais promissores resultam de métodos de detecção relativamente lentos tais como contagem de placas e outras técnicas que envolvem um período de incubação. O desenvolvimento de técnicas práticas de separação e concentração dos microrganismos da carne dos produtos da pesca, será importante na diminuição do tempo de resposta, na sensibilidade e na especificidade de ambos os métodos quer clássicos quer dos novos métodos rápidos (Ólafsdóttir, 1997). 20 Interesse e Objectivos II- Interesse e objectos do trabalho O nosso trabalho resulta da solicitação por parte da indústria de produtos da pesca congelados, relativamente à necessidade de encontrar uma metodologia de carácter objectivo que possibilite a classificação dos produtos da pesca que recebe em termos de aceitabilidade por parte do consumidor. Concretamente o produto em estudo é Manto de Pota congelado (Dosidicus Gigas, nome comum Pota gigante). Tal necessidade surgiu de queixas por parte dos clientes relativamente a evidentes alterações da natureza sensorial do produto em causa. Refira-se, a ausência na legislação comunitária, de qualquer critério objectivo a aplicar nesta situação específica. Podemos definir vários objectivos do presente trabalho: (1) verificar que tipo de relações existem entre os diferentes parâmetros, níveis de ABVT, contagens microbianas (microrganismos mesofilos totais e Enterobactereacea) e análise organoléptica antes e pós processamento térmico deste produto; (2) aumentar o grau de conhecimento desta espécie, contribuindo para a definição de parâmetros indicativos da frescura e qualidade do Manto de Pota congelado, (3) contribuir para o aumento do nível de aceitabilidade dos produtos desta industria, diminuindo o número de reclamações, tornando-a mais atractiva para os seus clientes. 21 Material e Métodos III. Material e Métodos 1. Estrutura do trabalho A indústria, nossa parceira neste trabalho, recebe o Manto de Pota congelado (preparado em alto mar em navios fábrica), e envia as amostras para o nosso laboratório devidamente embaladas e mantendo as condição de congelação. O trabalho experimental foi constituído por três fases diferenciadas. Assim e de forma sucinta podemos definir: - Numa primeira fase foram desenvolvidos trabalhos com o objectivo de elaborar uma ficha de prova específica para este tipo de amostra (Manto de Pota). Esta foi utilizada posteriormente nas segunda e terceira fases do trabalho, aquando da avaliação sensorial. - Numa segunda fase foram analisadas amostras de 11 lotes de Manto de Pota quanto: ao teor em Azoto Básico Volátil Total (ABVT), contagens em microrganismos mesofilos totais e Enterobactereaceae. Foi ainda efectuada uma avaliação organoléptica em duas etapas: avaliação do aspecto e cheiro após descongelamento em refrigeração e prova após cocção controlada. De cada lote foram avaliadas duas amostras. Todos os procedimentos analíticos foram efectuados sempre em duplicado. - Numa terceira fase do trabalho, amostras provenientes de um mesmo lote foram analisadas após descongelação em refrigeração e avaliadas quanto à evolução do Azoto Básico Voláil Total (ABVT), teores microbianos apresentados e análise sensorial. As análises foram efectuadas no primeiro, 3º, 7º,12º e 17º dias após descongelação. 22 Material e Métodos 2. Determinações Laboratoriais 2.1 Quantificação do Azoto Básico Volátil Total (ABVT) De entre os controlos químicos previstos para evitar a colocação no mercado de produtos impróprios para consumo o Regulamento CE nº. 2074/05, estabelece níveis de ABVT que não podem ser excedidos no caso de determinadas categorias de pescado. Refira-se que estes valores não estão previstos para a espécie alvo do nosso trabalho. O método utilizado foi o método de referência no Regulamento CE nº 2074/05 que determina o teor de azoto sob a forma de bases azotadas voláteis. As bases azotadas foram extraídas da amostra com uma solução de ácido perclórico a 6 g/100 ml. Após alcalinização com NaOH, o extracto foi submetido a destilação por arrastamento de vapor, sendo os componentes de base volátil fixados pelo Ácido Bórico. A concentração de ABVT é determinada por titulação das bases fixadas com ácido clorídrico a 0,01 mol/L. 2.2. Análises Microbiológicas Foram efectuadas pesagens assépticas de 10 g de Manto de Pota para posterior contagem de microrganismos mesófilos e microrganismos da família Enterobactereaceae. Após trituradas 10 g de amostra foram diluídas em 1:10 com solução de triptona (0,3%) e NaCl (0,85%). As amostras foram homogeneizadas e foram realizadas diluições decimais sucessivas em 9 ml da mesma solução. A contagem de microrganismos mesofilos totais foi efectuada em meio Plate Count Agar (Oxoid CM325), após sementeira por incorporação de 1ml de cada diluição decimal. Após incubação a 30ºC durante 72h (NP 1995, 1982), foram contadas as colónias e os resultados expressos em unidades formadoras de colónias por g de produto (ufc/ g). 23 Material e Métodos A contagem de Enterobactereaceae foi efectuada pela técnica de contagem de colónias em meio Violet Red Bile Agar With Glucose (VRBG) (Biokar 011HA), por incorporação, em dupla camada, de 1ml de cada diluição decimal. As placas foram incubadas a 35-37ºC durante 24 2h. Foi efectuada confirmação bioquímica de 5 colónias típicas (de cor rosa a vermelho, com ou sem halos de precipitação, ou colónias mucóides sem cor definida) por placa contável. A confirmação bioquímica dos isolados seleccionados foi efectuada por pesquisa da enzima oxidase e da capacidade de fermentação da glucose utilizando meio glucose agar (Harrigan & McCense, 1979). Após contagem das colónias, e, em função dos testes de confirmação bioquímica, os resultados foram expressos em unidades formadoras de colónias por g de produto (International Standard ISO, 5552). 2.3. Análise sensorial 2.3.1. Condições técnicas Todas as sessões de análise decorreram num laboratório de análise sensorial, equipado com lugares de prova individualizados, com a mesma intensidade de luz e temperatura estabilizada a cerca de 20ºC. Os provadores dispuseram sempre de água mineral sem gás e pão para limpeza de boca. As amostras foram sempre apresentadas, numa ordem arbitrária com um código aleatório. Refira-se que o painel de provadores (6 provadores), se encontra treinado para provar essencialmente carne e produtos cárneos tendo sido esta a primeira vez que foi utilizado para outro tipo de alimentos. Como anteriormente foi referido com esta prova pretendia-se uma análise das amostras antes da sua confecção (amostras cruas) com o objectivo de obter informação acerca de características como o cheiro, homogeneidade de superfície e cor, e após cozimento controlado, em Banho Maria a 100ºC cerca de uma hora e trinta minutos, estabilizadas posteriormente em estufa a 20ºC, para obtermos informações sobre características como o sabor, tenrura, textura, cor etc. Em qualquer das fases de apreciação das amostras, fase crua ou cozida as amostras eram apresentadas ao painel de provadores no interior de placas de petri. 24 Material e Métodos 2.3.2. Prova QDA (Qualitative Data Analisis) 2.3.2.1. Geração de vocabulário A geração de vocabulário foi realizada de acordo com o método descrito por Barthélémy (1990): sessões abertas para geração de terminologia, onde a cada provador se pediu que na presença de nove amostras de Manto de Pota (as nove amostras, provenintes 3 diferentes lotes, com tempos de armazenamento em refrigeração diferentes concretamente 0, 2 e 4 dias), descrevessem as características que considerassem mais pertinentes nesses produtos seguidamente procedeu-se à síntese da terminologia utilizada, frequência de uso e eliminação de descritores incorrectamente usados (anexo I). Com o vocabulário de utilização mais frequente constitui-se uma Ficha de Prova (anexo II) com uma escala de 9 pontos, com a qual numa segunda sessão se voltaram a provar as mesmas amostras. Com base nos resultados da segunda sessão, procedeu-se a uma nova selecção de vocabulário, privilegiando as características com melhor capacidade discriminativa seleccionadas pelo valor de significância (p) obtido após aplicação do teste de Turkey-Kramer, tendo em conta para cada descritor, os três diferentes lotes analisados e os três diferentes tempos após descongelação. Em seguida foram eliminados descritores redundantes através do método descrito por Barthélémy (1990) com o objectivo de não cansar os provadores com descritores que “avaliam” a mesma característica sensorial. 2.3.2.2. Execução da prova Na execução da prova pediu-se a cada provador que, perante a Ficha de Prova (anexo III), classificasse cada característica em cada amostra numa escala de 9 pontos (1 representa pouco intenso e 9 muito intenso), tendo em conta as características seleccionadas. Adicionalmente, foi colocada uma pergunta de carácter hedónico, a apreciação global das amostras também cotada numa escala de 1-9. 25 Material e Métodos 2.4. Análise de dados Na elaboração da ficha de prova, concretamente na fase da geração de vocabulário, a capacidade discriminativa dos descritores, foi efectuada por análise de variância simples utilizando como efeito os três diferentes lotes de amostras de manto de pota descongelada e o envelhecimento (3 tempos de refrigeração: 0,2 e 4 dias) e como variável dependente cada um dos termos do vocabulário em estudo. A redundância dos descritores foi estudada por análise de classificação hierárquica ascendente, utilizando como medida de similaridade o coeficiente de Pearson e como método de aglomeração a distância média não ponderada (UPGMA- Unweighted Pair Group Method with Arithmetic Mean). Os resultados da segunda fase do trabalho (onde são avaliadas amostras provenientes de diferentes lotes, n=11) foram tratados através do teste Tukey-Kramer sendo avaliadas as correlações existentes entre as diferentes variáveis em estudo e respectiva significância. Os resultados obtidos na terceira fase do trabalho em que foi estudada a evolução das variáveis ao longo do tempo de armazenamento em refrigeração, foram analisados através análise de variância simples. Sempre que foram detectadas diferenças significativas (p<0,05), as médias foram comparadas através do teste de Tuckey HSD (“Honestly Significantly Different”). O tratamento estatístico foi efectuado com o programa STATISTICA versão 7 (StatSoft, Inc.2004). Os dados foram analisados através de Análise de Componentes Principais com o objectivo de conhecer a relação global entre as variáveis em estudo, as variáveis que apresentaram uma maior contribuição para as variabilidades observadas assim como o relacionamento global entre as amostras. 26 Resultados e Discussão IV. Resultados e discussão 1. Elaboração da ficha de Análise Sensorial Prova QDA Geração de vocabulário O resultado da primeira fase do trabalho que tinha por objectivo a elaboração uma ficha de prova específica para este tipo de amostra (Manto de Pota), encontra-se no anexo I. Para a elaboração da primeira ficha de prova foi realizada uma síntese da terminologia utilizada, ou seja associaram-se sinónimos, descritores que correspondiam à mesma característica (p.e. a uniformidade e homogeneidade; consistência e firmeza). Com o vocabulário de utilização mais frequente e outros descritores referidos por Ólafsdóttir (1997), constituiu-se uma ficha de prova com 46 descritores associados a uma escala de nove pontos, com a qual numa segunda sessão, foram provadas as mesmas amostras (anexo II). Da análise dos dados obtidos pela ficha apresentada no anexo II, foi efectuado o estudo da capacidade discriminativa dos descritores, analisando-se a variância simples (p) e utilizando como efeito o tempo de descongelação (tempo 1,2 e 3) como podemos observar no quadro IV.1 e o efeito lote da amostra (três lotes) como representa o quadro IV.2 e como variável independente, cada um dos descritores de utilização mais frequente. Os descritores estão apresentados por ordem crescente de valor de significância (p), aos valores inferiores de p correspondem aos com melhor capacidade discriminativa. Nestes quadros encontram-se apenas referidos os descritores para os quais foram observadas diferenças significativas. 27 Resultados e Discussão Quadro IV.1- Descritores que apresentaram diferenças significativas (p< 0,05) em relação ao afeito tempo após descongelação (envelhecimento) Tempo após descongelação/Descritor Descritores P Cor Marfim (Aspecto depois de cozer) 0,012934 Grupos 2 Adocicado (Flavor durante a prova) 0,020222 2 Cor Amarela (Aspecto depois de cozer) 0,025474 2 Bacalhau (Cheiro antes de cozer) 0,034670 2 Legenda quadro IV.1:p- significância p< 0,05 significativo; p< 0,01 muito significativo e p< 0,001 altamente significativo Quadro IV.2- Descritores que apresentaram diferenças significativas (p< 0,05) em função do efeito lote da amostra Lote da amostra/Descritor Descritores P Cor Amarela (Aspecto antes de cozer) 0,000000 Grupos 3 Homogeneidade (Aspecto antes de cozer) 0,000061 4 Cor Amarela (Aspecto depois de cozer) 0,006626 2 Cor Marfim (Aspecto depois de cozer) 0,008802 2 Brilho (Aspecto antes de cozer) 0,009144 2 Integridade Musculo (Aspecto antes de cozer) 0,017232 2 Adocicado (Flavor durante a prova) 0,033634 2 Pútrido (Flavor durante a prova) 0,037101 1* Legenda quadro IV.2: *- Com o teste utilizado não nos foi possível detectar diferentes grupos; p- significância; p< 0,05 significativo; p< 0,01 muito significativo e p< 0,001 altamente significativo Pela análise dos quadros IV.1 e IV.2 apresentados podemos sumariar os descritores que têm a capacidade de detectar diferenças significativas tanto entre amostras com tempos após descongelação como amostras provenientes de lotes diferentes. Referimo-nos aos descritores cor marfim (no aspecto depois de cozer), adocicado (flavor durante a prova) cor amarela (aspecto depois de cozer). De referir os descritores que detectam diferenças significativas apenas entre amostras de diferentes lotes: homogeneidade (aspecto antes de cozer), brilho (aspecto antes de cozer); integridade do músculo (aspecto antes de cozer), adocicado (flavor durante a prova), pútrido (flavor durante a prova). Por fim o descritor que apenas distingue amostras com diferentes tempos de envelhecimento: bacalhau (cheiro antes de cozer). 28 Resultados e Discussão Nesta fase do trabalho procedeu-se ainda a detecção e eliminação de descritores redundantes, ou seja, que nos conduziriam à mesma característica sensorial. Para estudar a redundância dos descritores estes foram agrupados por classificação hierárquica ascendente, utilizando como medida, o coeficiente de Pearson e como método de aglomeração a distância média não ponderada (UPGMA) (figura IV.1). O tratamento de dados foi efectuados através do programa Statistica (StatSoft,Inc. 2004). 1-HS 1-IntMu 1-CM 3-CA 3-Hom 7- Firm 8- Firm 8-IntMusc 7- Elastic 8-Eslastic 4- Lula 1-HC 1-CB 2- Px 1-B 2- Bac 5- Ama 6- Ama 8-Sucul 5- Quei 1-CA 7- Fibro 8- Fibro 8-Esponj 1-Visc 2- Pep 4- OFB 5-OFB 6- OFB 5-Putrido 6- Putrido 4-Putrido 2- OFB 2- Cog 2- Solv 3-CR 8-Viscosi 2- Amo 2- alg 5-Adoci 4-Bac 6- Bac 5- Bac 3- CM 3- Hum 3-Dest.Pele Figura IV.1- Dendograma representativo da relação entre os diferentes descritores existentes na ficha de prova de análise sensorial (anexo II) 0 5 10 15 20 25 30 Legenda figura IV.1: 1-Aspecto antes de cozer 2- Cheiro antes de cozer 3- Aspecto depois de cozer 4Cheiro depois de cozer 5-flavor durante a prova 6-flavor depois da prova 7-textura antes da prova 8- textura durante a prova; HS- Homogeneidade da superfície; HC- Homogeneidade da cor; CA- Cor amarela; CB- Cor branca; CM- Cor marfim; B- Brilho; Visc- Viscosidade; IntMusc- Integridade do Músculo; AmoAmoniacal; Bac- Bacalhau; Px- Peixe; Cog- Cogumelos; OFB- Óleo de Fígado-de-Bacalhau; SolvSolvente; CR-Cor rosa; Hom- Homogeneidade; Dest.Pele- Destacamento de pele; Ama- Amargo; QueiQueimado, Ado-Adocicado; Put-Pútrido 29 Resultados e Discussão A título orientativo cortamos o dendograma na distância euclideana de valor 15, considerando este valor o limite para definir quais as características redundantes. Como podemos observar na figura, existem características com elevado nível de similaridade (ou uma distância muito similar) o que nos indica que estas características são redundantes. Refira-se que as questões que são apresentadas na ficha da análise sensorial são referentes às características identificadas com um algarismo determinado que passamos a referir: aspecto antes de cozer representado com o número 1; cheiro antes de cozer número 2; aspecto depois de cozer número 3; cheiro depois de cozer número 4; flavor durante a prova com o número 5; flavor depois da prova com o número 6; textura antes da prova com o número 7; textura durante a prova com o número 8. As abreviaturas utilizadas referem-se às características referidas de seguida: HSHomogeneidade da superfície; HC - Homogeneidade da cor; CA - Cor amarela; CB Cor branca; CM - Cor marfim; B - Brilho; Visc - Viscosidade; IntMusc - Integridade do Músculo; Amo - Amoniacal; Bac - Bacalhau; Px - Peixe; Cog - Cogumelos; OFB - Óleo de Fígado-de-Bacalhau; Solv - Solvente; CR - Cor rosa; Hom - Homogeneidade; Dest.Pele - Destacamento de pele; Ama - Amargo; Quei - Queimado; Ado - Adocicado; Put - Pútrido. Pela interpretação da figura IV.1 verificamos como principais resultados: - As características 1- Cor Marfim, 1- Integridade Músculo e 1 - Homogeneidade da superfície têm distâncias muito próximas, conduzindo-nos assim a resultados muito similares. Optamos por definir esta característica por Homogeneidade da superfície de forma aleatória. - Também no caso dos descritores 8- Firmeza, 7- Firmeza, 8-Eslasticidade, 7- Elasticidade e a 8- Integridade do Músculo ao serem indicativas de igual característica sensorial optámos por escolher a característica 8 - Firmeza (avaliada durante a degustação). - A característica 8-Fibrosidade foi escolhida em detrimento de 8 - Esponjosidade e 7Fibrosidade; pois a Fibrosidade pareceu-nos mais fácil de avaliar que a esponjosidade e a textura durante a prova mais simples que a textura antes da prova. 30 Resultados e Discussão - No caso dos descritores: 5 - Bacalhau, 6 - Bacalhau, 4 - Bacalhau, 5-Adocicado, 2algas, 2 - Amoniacal, 8 -Viscosidade, 3 - Cor rosa, 2 - Solvente, 2 - Cogumelo, 2 Óleo-de-fígado de Bacalhau, 4 - Putrido, 6 - Pútrido, 5 - Putrido, 6 - Óleo-de-fígado de Bacalhau, 5 - Óleo-de-fígado de Bacalhau, 4 - Óleo-de-fígado de Bacalhau todas tinham uma distância muito curta e todas as características, optamos assim, por optámos por escolher apenas os descritores 2 - Amoniacal, 4 - Bacalhau e 4 - OFB aleatoriamente. -Relativamente às características 3-Destacamento de Pele 3 - Humidade 3 - Cor Marfim escolhemos o 3 - Cor marfim também aleatoriamente. Sob pena de ficarmos com uma ficha de prova demasiado pequena, e pelo facto de acharmos que estas características podem ser importantes descritores diferenciadores das amostras, relativamente aos descritores 5 - Queimado, 8 -Suculência, e 5 - Amargo, 6- Amargo apenas excluímos da nossa ficha de análise sensorial a ultima característica referida. Os descritores 1 - HC, 1 - CA, 1 - CB, 1 - B, 2 - Bac, 3 - CA, 3 - Hom foram seleccionados para a ficha de prova final pelo baixo nível de similaridade com as demais características, ou seja, são características pouco redundantes. Por fim acrescentámos uma pergunta de carácter hedónico para melhor entender os resultados (Apreciação Global). Baseados nos resultados das análises descritas e da figura IV.1 elaborou-se a ficha de prova de análise sensorial final (anexo III). 31 Resultados e Discussão 2. Estudo das amostras de manto de pota congelado 2.1. Análise de 11 diferentes lotes de manto de Pota Foram estudados onze diferentes lotes de manto de pota descongelada, quanto ao seu teor em ABVT, teor em microrganismos nomeadamente Mésofilos totais e Enterobactereaceas e por fim foi elaborada uma analise sensorial destes onze lotes de manto de pota utilizando a ficha de análise sensorial previamente elaborada. No quadro IV.3 estão referidos os resultados médios obtidos em alguns dos parâmetros estudados. Nesta fase da apresentação dos resultados, a característica Apreciação global foi destacada das restantes avaliadas na análise sensorial, por reflectir de forma mais clara o sentido de escolha do provador. Quadro IV.3 – Valores obtidos nas determinações do teor em ABVT, Microrganismos Mesófilos Totais e Enterobactereaceae e valor obtido na Apreciação Global nos 11 lotes monitorizados Lote 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Média± DP (mg/100g) Mesófilos Totais Enterobactereaceae (log u.f.c./g) (log u.f.c./g) 145,23 101,70 130,50 70,51 84,49 67,88 45,31 197,60 94,98 103,91 176,57 104,21± 44,10 5,51 3,79 4,10 4,45 2,96 3,06 3,77 4,79 3,94 3,88 5,09 4,02 ± 0,76 4,59 1,24 0,00 1,00 0,00 1,87 2,39 3,30 0,74 2,21 3,11 1,73 ± 1,45 A.G. ABVT (1-9) 4,67 3,50 4,60 3,17 2,33 1,83 4,50 3,00 4,00 3,33 3,04 3,49 ± 0,9631 Legenda do quadro IV.3: ABVT- Azoto Básico Volátil Total; u.f.c.-Unidades formadores de colónias; A.G.-Apreciação global O teor em ABVT observado foi sempre superior ao referenciado para as espécies nas quais está legislado. No Regulamento (CE) nº 2074/2005 da Comissão de 5 de Dezembro apenas temos valores limite de ABVT para determinadas categorias de produtos da pesca: 25 mg de azoto/100 g de tecido muscular para Sebastes spp., Helicolenus dactylopterus, Sebastichthys capensis; 30 mg de azoto/100 g de tecido muscular para as espécies que pertencem à família Pleuronectidae (à excepção do 32 Resultados e Discussão alabote: Hippoglossus spp.); 35 mg de azoto/100 g de tecido muscular para Salmo salar, espécies que pertencem à família Merluccidae, espécies que pertencem à família Gadidae. Nas amostras analisadas o teor mínimo em ABVT observado foi obtido em amostras do lote 7 (45 mg/100 g de amostra). Refira-se que não está referido legalmente nem foi encontrado na bibliografia consultada qualquer referência ao limite máximo aconselhável para cefalópodes. Os teores microbianos observados mostraram-se aceitáveis uma vez que estamos perante um alimento manipulado e portanto sujeito a contaminação secundária. Para alguns autores apenas contagens de microrganismos viáveis em aerobiose superiores a 6 log ufc por grama sugerem um alimento de características microbiológicas insatisfatórias (Kelly, 1977 citado por Candlish et al., 2001). Assim, em termos médios os teores observados nas amostras analisadas podem ser considerados aceitáveis, não sendo observada nenhuma amostra que supera-se o valor referido. Apenas quando às contagens em microrganismos totais e/ou enterobactereaceas supera os 7 log ufc por grama se sugere a existência de deterioração microbiológica (ICMSF, 1984). Nenhum dos lotes analisados apresentou tão elevada carga microbiana. De notar ainda a existência de lotes com ausência de enterobactereaceas. Este grupo de microrganismos é frequentemente indicativo de contaminação quer de origem fecal como ambiental. De destacar ainda uma grande variabilidade entre os valores de ABVT obtidos entre amostras de lotes diferentes. Da análise dos valores absolutos obtidos, o lote 1 destaca-se, por ser dos que apresenta maior teor ABVT e contagens mais elevadas em microrganismos, mas curiosamente, por ter sido o lote que apresentou uma melhor classificação na característica Apreciação Global (AG). As características sensoriais entre os quais incluímos a AG são analisadas numa escala de 1-9 como se pode ver na ficha de prova previamente apresentada (anexo III). Esperávamos uma maior dispersão de classificação atribuída pelo painel de provadores dado existir uma grande variabilidade de resultados entre os 11 lotes relativamente às restantes determinações efectuadas (ABVT, e contagens microbianas). Curiosamente, o painel atribuiu sempre classificações abaixo de cinco, ou seja 33 Resultados e Discussão nenhuma amostra em análise foi classificada com a pontuação máxima “Gostei muito 9”. Este resultado poderá ser explicado pelo tipo de processamento efectuado antes das provas de degustação efectuada, que se limitou a uma cozedura controlada em Banho-maria sem quaisquer tipos de condimentação prévia da amostra. Outro dos factores que poderá também ter influído no resultado obtido é o facto do nosso painel de provadores não ser experiente em análise sensorial deste tipo de alimento (produtos da pesca). Da análise do quadro IV.4 é possível concluir que apenas foram observadas correlações significativas (p <0,05) entre a contagem de mesofilos totais e enterobactereaceas, e entre as contagens de Mesófilos Totais e o teor em ABVT dos diferentes lotes analisados. Refira-se que as correlações observadas entre estas variáveis foram correlações positivas, ou seja quanto maior o teor em microrganismos mesofilos totais maior foi o teor em ABVT e mais elevado a contaminação por enterobacterias nos lotes. Quadro IV.4 - Correlações e respectivas significâncias obtidas entre as variáveis em estudo: teor de ABVT, microrganismos Mesófilos Totais e Enterobactereaceae e Apreciação Global nos 11 lotes monitorizados ABVT Enterobactereaceae (mg/100g) (log u.f.c./g) Variável Mesófilos Apreciação Totais Global (log u.f.c./g) (1-9) Apreciação 0,0721 0,1638 0,4725 1,0000 Global p=0,833 p= 0,630 p= 0,142 p= --- Mesófilos 0,7049 0,7042 1,0000 Totais p=0,015 p=0,016 p= --- 0,4911 1,0000 p=0,125 p= --- Enterobactereaceae ABVT 1,0000 p= --- Legenda quadro IV.4: p- Significância entre os descritores; Correlação significativa (p <0,05); ABVT Azoto Básico Volátil Total. 34 Resultados e Discussão O teor em Mesófilos totais está correlacionado positivamente com o teor ABVT, uma das explicações para este facto poderá estar associada ao papel que alguns microrganismos específicos, incluídos nas contagens dos microrganismos mesofilos totais, que têm a capacidade de reduzirem o TMAO em TMA (em respiração anaeróbica através do seu sistema enzimático) (Gram, e Dalgaard, 2002). Refira-se ainda que o composto maioritário contabilizado no ABVT é a TMA (Lundstrom e Racicot, 1983). Nesta fase do trabalho não foi observada qualquer correlação estatisticamente significativa com a característica “Apreciação global” e qualquer das características objectivas (microbiológicas e química) efectuadas. No quadro IV.5 estão sumariados todas as correlações significativas observadas considerando como variáveis dependentes as características objectivas das amostras (ABVT, Teores microbianos) e característica hedónica a Apreciação Global, e variáveis dependentes, todos os descritores seleccionados na ficha de análise sensorial. Quadro IV.5- Correlações significativas (p <0,05) observadas entre as várias variáveis avaliadas nos 11 lotes monitorizados Variável Dependente AG (1-9) ABVT (mg/100g) Mesófilos Totais (Log u.f.c.) Enterobactereaceae (Log u.f.c.) R p Homogeneidade da superfície (Aspecto antes de cozer) Variável Independente -0,65 0,031 Amargo (Flavor durante a prova) -0,80 0,003 Queimado (Flavor durante a prova) -0,73 0,010 Suculência (Flavor depois da prova) 0,68 0,022 Brilho (Aspecto antes de cozer) 0,60 0,049 Firmeza (Flavor durante a prova) -0,70 0,016 Fibrosidade (Flavor durante a prova) -0,76 0,006 Suculência (Flavor durante a prova) 0,69 0,018 Fibrosidade (Flavor durante a prova) -0,76 0,006 Lula (Cheiro depois de cozer) 0,67 0,023 Bacalhau (Cheiro depois de cozer) 0,74 0,009 Legenda quadro IV.5: R - Correlação; p - Significância entre os descritores; Correlação significativa (p <0,05); Correlação muito significativa (p <0,01); ABVT- Azoto Básico Volátil Total. 35 Resultados e Discussão Como podemos observar a Apreciação Global apresenta uma correlação negativa significativa com a homogeneidade da superfície (aspecto antes de cozer), e muito significativa com características relacionadas com o sabor, o sabor amargo e queimado (flavor/ sabor durante a prova). Ou seja, quanto maior for a homogeneidade da superfície a amargura e o sabor a queimado menos apreciada é a nossa amostra. O cheiro a queimado detectado em amostras de pescado pode ser consequência da oxidação lipídica nomeadamente dos aldeídos insaturados existentes (2,4,7- decatrienal) (Ólafsdóttir, et al., 1997a). Pelo contrário a Apreciação Global apresenta uma correlação positiva com a suculência (textura durante a prova), ou seja quanto maior a suculenta da amostra em prova maior a aceitabilidade por parte do consumidor. O teor em ABVT e o teor em Mesófilos totais apresentam correlações significativas apenas com características que reflectem a “Textura” das amostras durante a prova e no caso do ABVT com o “Brilho” das amostras antes do processamento térmico. É ainda possível observar que quanto maior o teor em ABVT mais brilho (aspecto antes de cozer) apresentam as amostras. Este aumento de brilho poderá ser atribuído a uma maior exsudação nas amostras. Este facto pode estar relacionado com a diminuição da capacidade de retenção de água que acompanha normalmente o processo de deterioração dos alimentos. De referir que o processo de deterioração é acompanhado por aumentos dos teores microbianos e actividade enzimática no alimento. A correlação positiva e significativa observada entre o teor em Mesófilos Totais e Suculência poderá estar relacionada com as alterações que a acompanham o aumento do teor microbiano das amostras, com aumento dos fenómenos exsudativos. As enterobactereaceas estão positivamente relacionadas com as características de cheiro, o cheiro a lula e a bacalhau (depois do processamento térmico), características sensoriais que podemos relacionar com a perda da frescura, podendo portanto sugerir que o aumento desta família de microrganismos potencia estes odores. 36 Resultados e Discussão 2.2. Teste de envelhecimento do manto de pota Nesta fase do trabalho um único lote de manto de pota foi envelhecido artificialmente ao longo do tempo. Amostras desse mesmo lote foram analisadas no 1º, 3º,7º,12º e 17º dia quanto ao seu teor em ABVT, microrganismos Mesófilos Totais, microrganismos da família Enterobactereaceae e ainda avaliado sensorialmente. Foram calculadas as correlações entre as variáveis em estudo. Destacamos de seguida as correlações significativas existentes entre as variáveis mais esclarecedoras, (quadro IV.6), quando os resultados desta fase do trabalho são analisados na globalidade. 37 Resultados e Discussão Quadro IV.6- Algumas Correlações significativas positivas e negativas observadas em relação às variáveis em estudo Correlação Positiva Descritor Ent. (log u.f.c.) Mesófilos Totais (log u.f.c.) ABVT (mg/100g) Apreciação Global (1-9) Variável R Correlação Negativa Descritor p R 0,000 -0,73 0,000 -0,79 Pútrido (Cheiro depois de cozer) 0,000 -0,77 Enterobactereaceae 0,022 -0,51 0,01 -0,56 0,022 -0,51 Brilho (Aspecto antes de cozer) 0,037 -0,47 0,68 Bacalhau (Cheiro antes de cozer) 0,005 -0,60 0,038 0,47 Cor Amarela (Aspecto depois de cozer) 0,003 -0,62 Pútrido (Cheiro depois de cozer) 0,001 0,68 Enterobactereaceae 0,000 0,82 Óleo-de- fígado de bacalhau (Cheiro depois de cozer) 0,026 -0,50 Pútrido (Cheiro depois de cozer) 0,001 0,68 Apreciação global 0,003 -0,63 0,000 0,81 0,004 -0,61 0,000 0,81 0,003 -0,64 0,024 0,50 Brilho (Aspecto antes de cozer) 0,000 -0,72 Bacalhau (Cheiro antes de cozer) 0,003 -0,63 0,039 -0,47 0,000 -0,73 0,026 -0,50 0,001 -0,69 0,003 -0,62 Cor branca (Aspecto antes de cozer) Brilho (Aspecto antes de cozer) p 0,012 0,06 0,028 0,49 Cor amarela (Aspecto depois de cozer) 0,000 0,86 Óleo-de- fígado de bacalhau (Cheiro depois de cozer) 0,003 0,62 Mesofilos totais 0,001 0,69 Enterobactereaceae 0,002 0,64 0,000 0,73 0,001 Amoniacal (Cheiro antes de cozer) Cor marfim (Aspecto depois de cozer) Homogeneidade (Aspecto depois de cozer) Amoniacal (Cheiro antes de cozer) Cor marfim (Aspecto depois de cozer) Homogeneidade (Aspecto depois de cozer) Amoniacal (Cheiro antes de cozer) Cor marfim (Aspecto depois de cozer) Homogeneidade (Aspecto depois de cozer) Amoniacal (Cheiro antes de cozer) Cor marfim (Aspecto depois de cozer) Homogeneidade da Superfície (Aspecto antes de cozer) Cor branca (Aspecto antes de cozer) Homogeneidade da Superfície (Aspecto antes de cozer) Cor branca (Aspecto antes de cozer) Homogeneidade da cor (Aspecto antes de cozer) Cor amarela (Aspecto depois de cozer) Óleo-de-fígado de bacalhau (Cheiro depois de cozer) Homogeneidade da superfície (Aspecto antes de cozer) Cor branca (Aspecto antes de cozer) 0,000 0,79 0,000 0,72 0,001 0,67 Brilho (Aspecto antes de cozer) 0,007 -0,58 Pútrido (Cheiro depois de cozer) 0,002 0,66 Bacalhau (Cheiro antes de cozer) 0,006 -0,59 Mesofilos totais 0,000 0,82 Cor amarela (Aspecto depois de cozer) 0,001 -0,70 ABVT 0,002 0,64 Apreciação global 0,022 -0,51 Legenda quadro IV.6: ABVT- Azoto Básico Volátil Total; Ent - Enterobactereaceas; R- Correlação; p - Significância entre os descritores; Correlação significativa (p <0,05); Correlação muito significativa (p <0,01). 38 Resultados e Discussão Como resultado mais importante, destacamos a existência de correlações significativas positivas entre as variáveis associadas à perda frescura (ABVT, Totais, Enterobacterias) e, entre estas, e características sensoriais também associadas normalmente a degradação (Pútrido, Amoniacal). Relativamente à variável teor em ABVT este resultado poderá estar relacionado com a existência nas amostras de compostos como a Amónia, Trimetilamina e Dimetilamina (que são integrantes do ABVT) (Ólafsdóttir, et al., 1997a). A Apreciação Global, que reflecte a preferência do painel de provadores, apresenta uma correlação significativa negativa com as características sensoriais anteriormente referidas, assim como com o teor em enterobacterias das amostras analisadas. Os descritores cor branca e brilho (antes de cozer) relacionam-se negativamente com os descritores indicadores da perda de frescura das amostras, no entanto apresentam uma correlação positiva com a apreciação global, ou seja, quanto mais brancas e brilhantes se apresentarem as amostras mais valorizadas se tornam pelo nosso painel de provadores. Parece-nos importante destacar a existência de correlações significativas positivas entre as variáveis objectivas em estudo e características sensoriais como a Cor Marfim e Homogeneidade (ambas provadas após processamento térmico). Tal resultado encontra-se de acordo com o facto de se ter observado uma correlação negativa significativa entre a Apreciação Global das amostras e a característica Cor Marfim. O facto de o mesmo não ter sido observado em relação à característica Homogeneidade, poderá ser devido à subjectividade que envolve a avaliação desta característica. Da interpretação do quadro IV.6 podemos ainda inferir, que a característica Homogeneidade da Superfície das amostras antes de serem submetidas a tratamento térmico se encontra negativamente correlacionada com o teor em ABVT, Enterobactereaceas e Totais. A avaliação da característica de aspecto “Homogeneidade”, quando as amostras são submetidas ao tratamento térmico, passa a estar positivamente correlacionadas com as variáveis objectivas referidas. Parece importante que, a avaliação sensorial seja efectuada nas duas fases descritas, antes e após o tratamento térmico, uma vez que algumas características podem deixar de ser interpretadas no mesmo sentido. De notar que, relativamente a este descritor (Homogeneidade antes e depois 39 Resultados e Discussão do processamento térmico) não se verifica uma correlação significativa com a apreciação global, o que indica que este não influencia de forma determinante a valorização das amostras por parte dos provadores. No quadro IV.7 estão representados os valores das determinações obtidas nos diferentes tempos monitorizados das amostras armazenadas em refrigeração. Quadro IV.7- Evolução dos parâmetros sensoriais, microbiológicos e químico ao longo dos cinco tempos de armazenamento após descongelação (ABVT; Mesófilos totais, Enterobactereaceae e variáveis de carácter organoléptico e os 5 tempos) (média ± desvio padrão) Tempo após descongelação (dias) Carácter Hedónico (1-9) 1 Ap. Global Amonical (Ch.) Cor Branca (Asp.) Brilho (Asp.) Bacalhau (Ch.) 3 7 12 17 p 3,04 ±0,49a 2,95±0,19a 3,04 ± 0,52a Antes de cozer (1-9) 3,17±0,41a 1,92±0,28a 2,13 ± 028a 2,21 ± 0,86a 3,24±0,25b 5,54±0,29c 0,000 6,63± 0,44a 6,71±0,53a 6,25±0,59ab 6,22±0,34ab 5,33±0,43b 0,007 a a ab b 0,001 b 4,63±0,37 0,008 6,75±0,22 a 5,92±0,50 6,63±0,28 5,33±0,45 ab b 5,5±0,73 6,00±0,35 ab 5,50± 0,43 4,45±0,83 b 1,50±0,43b 0,000 5,38±0,37 Depois de cozer (1-9) Cor Amarela (Asp.) Cor Marfim (Asp.) Pútrido (Ch.) a 6,54±0,48 6,70±0,37a 6,50±0,14a 6,50±0,23a 4,58±0,44b 0,000 2,21±0,34a 2,04±0,16ª 2,46±0,08ª 2,57±0,12a 4,75±0,40b 0,000 1,25±0,09a 1,29±0,16a 1,21±0,08a 1,32±0,13a 1,96±0,16b 0,000 b ab ab a ab Lula (Ch.) 4,21± 1,0 4,83±0,61 0,029 OFB (Ch) 2,67±0,45ab 3,00±0,36a 2,46±0,28ab 2,83±0,24ab Textura Durante a prova (1-9) 2,25± 0,29b 0,045 Fibroso 3,79±0,61a 3,29±0,34ab 2,67±0,45b 2,78±0,28ab 2,88±0,55ab 0,022 a b ab ab ab Suculência ABVT 4,75± 0,62 4,08±0,62 5,38±0,44 5,67±0,27 4,71±0,42 Análise Química (mg/100g) 145,96 ± 154,63± 12,40ab 16,72abc 137,38± 6,78a 5,47±0,11 4,54±0,16 4,62±0,75 0,042 168,26± 4,49bc 176,57 ± 5,33c 0,000 Análises Microbiológicas (log u.f.c.) Mesófilos Totais Entero Legenda quadro IV.7: a 5,09 ±0,70 3,11 ± 0,59a a, b, c 4,64 ± 0,20a 5,83 ± 0,47ab 6,64 ±0,86bc 7,70±0,16c 0,000 3,61 ± 0,74ab 4,01 ± 1,13ab 4,82 ±0,70bc 5,74 ±0,54c 0,002 - Na mesma linha as médias seguidas de letras diferentes apresentam dife- renças significativas na análise de variância. Diferenças significativas (P <0,05); Ch - Cheiro, Asp.- Aspecto; ABVT - Azoto Básico Volátil Total; Entero - Enterobactereaceas. 40 Resultados e Discussão Numa primeira observação geral podemos referir que em relação à maioria dos descritores apenas se verificou uma diferença significativa nos resultados obtidos, entre os primeiros e os últimos dias de refrigeração. Como podemos observar no quadro IV.7 os teores de ABVT tal como as contagens dos microrganismos da família Enterobactereaceae vão aumentando com o aumento do tempo de envelhecimento, sendo apenas significativamente superiores no tempo 5. Ou seja apenas após 17 dias em refrigeração nos foi possível observar aumentos significativos em relação ao primeiro tempo (amostras analisadas após descongelação). Quanto aos Mesófilos Totais temos também um aumento de valores com o aumento do tempo de descongelação, embora apenas o tempo 1( um dia após descongelação) e 2 (três dias após descongelação) se distinguem do tempo 5 (dezassete dias após descongelação). Os resultados das contagens obtidas nos restantes tempos não apresentam diferenças estatisticamente significativas. Quanto ao descritor apreciação global podemos verificar que não foram observadas diferenças entre os primeiros tempos da descongelação. Apenas do 12º dia para o 17º dia de manutenção em refrigeração se observa uma diminuição significativa da classificação destas amostras. Resultado que apresenta coerência com os obtidos relativamente às determinações objectivas efectuadas. Na figura IV.2 e IV.3 encontram-se graficamente representados os valores obtidos na evolução das características objectivas e a Apreciação Global ao longo do tempo. 41 Resultados e Discussão Figura IV.2- Evolução dos valores de ABVT e da apreciação global ao longo dos dias em armazenamento Como está representado na figura IV.2 há um aumento dos valores de ABVT ao longo do tempo atingindo no tempo 5 (17º dia após descongelação) um valor próximo dos 180 mg/100 g. No caso de Özogul e colaboradores (2005) os valores de ABVT para Enguia armazenada sem gelo houve um pico de ABVT no 12º dia de armazenamento em que este passou os 100 mg/100 g de amostra. Em trabaho de Oceaño-Higuera e colaboradores (2009) o cação que foi estudado, armazenado em gelo, atingiu um valor máximo próximo dos 50 mg/100 g em dezoito dias de armazenamento. Este valor tão elevado de ABVT no caso da pota gigante pode-se dever ao facto de os cefalópodes terem uma actividade proteolítica intensa que leva a uma elevada produção de azoto (Barbosa et al., 2003). Quanto à apreciação global podemos observar que há uma diminuição ao longo do tempo de armazenamento, notando-se uma diminuição abrupta da aceitabilidade do produto do 12º para o 17º dia de armazenamento. No trabalho realizado por Antonacopoulos (1971), os provadores atribuiam valores muito baixos de apreciação de Gadus morhua (Bacalhau) no 17º dia mas era no 22º se obtiveram valores próximos do não aceitável. Já no caso do Sebastes Marinus armazenado 42 Resultados e Discussão em gelo no 17º dia de armazenamento não se verificavam valores tão baixos e no 21º dia os valores atribuídos eram próximos do 1 (numa escala de 0 a 15). . Como a espécie tratada é diferente do nosso objecto de estudo a comparação dos resultados será imprópria. Figura IV.3 – Evolução dos teores em Mesófilos totais, Enterobactereaceas e Apreciação global ao longo do tempo Como se pode observar na figura IV.3 o teor em microrganismos nas amostras em refrigeração aumenta atingindo o seu valor máximo no 17º dia de armazenamento (tanto de Enterobacteraceae como de Microrganismos Mesófilos Totais). No trabalho realizado por Özogul e colaboradores (2005) no qual se estudou a enguia europeia, as amostras armazenadas em gelo atingiram o máximo teor de microrganismos Mesófilos Totais no 19º e último de dia de armazenamento (valores próximos de 8 log u.f.c.) enquanto as amostras eram mantidas a temperaturas de refrigeração (3±1 ºC) atingiram o mesmo valor no 12º dia de armazenamento. 43 Resultados e Discussão No trabalho realizado por Özogul e colaboradores (2005) os valores de demérito foram aumentando, atingindo um máximo de 20 (numa escala de 0-25) no 19º dia de armazenamento em gelo e no caso do armazenamento sem gelo (em refrigeração) no 12º dia atingiram um valor próximo de 20. Nesta fase do trabalho poderíamos sugerir que os valores obtidos no tempo 4 são os indicadores de que a aceitabilidade por parte dos consumidores será alterada. Assim amostras com teores de 168,26± 4,49 mg de ABVT/100 g analisadas, 6,64 log. u.f.c./g de Microrganismos Mesófilos Totais e de 4,82 log. u.f.c./g de Enterobactereaceas seriam factores limitantes para o consumo deste produto. Refira-se que se o valor de ABVT referido é muito superior ao referenciado para outras espécies como limitante da sua aceitação, os teores em microrganismos referidos estão de acordo com os referidos como próximos do máximo aceitável para o consumo de alimentos na sua generalidade ((CE) nº 2074/2005 ; Kelly, 1977 citado por Candlish et al, 2001). Retomando a análise do quadro IV.7, relativamente à evolução dos descritores avaliados na análise sensorial, destacamos a característica Amoniacal (Cheiro antes de cozer) relativamente à qual podemos observar um aumento dos valores cotados pelos provadores com o aumento do tempo na câmara de refrigeração. Este resultado é indicativo de que esta característica sensorial está relacionada com a perda de frescura deste produto da pesca. Nesta característica o tempo 1,2 e 3 distingue-se do tempo 4 e estes distinguem-se do tempo 5. Podemos entender que existe um aumento do cheiro a Amoniacal no tempo quatro que é ainda mais perceptível no tempo 5 (17 dias após descongelação). No caso cor branca analisada antes de cozer apenas o tempo 5 se distingue do tempo 1 e 2, nos restantes tempo não foram verificadas diferenças. Relativamente ao brilho aspecto antes de cozer, a presença de diferenças significativas ocorre precisamente no tempo 3 podemos observar que o tempo 1 e o tempo 2 se distinguem do tempo 3 e 5, já o tempo 4 não apresenta diferenças. De destacar que relativamente a estas características sensoriais tal como verificámos na análise global dos dados, elas evoluem de forma semelhante à apreciação global, ou seja, ao longo do tempo as amostras vão diminuindo o seu “Brilho” e perdendo a “Coloração Branca”. 44 Resultados e Discussão Destacamos a esperada evolução nos valores obtidos no “Cheiro a pútrido” que aumentam ao longo do tempo, acrescentando contudo que este aumento apenas é estatisticamente significativo no tempo 5 (17 dias após refrigeração). Por fim parece-nos interessante realçar a evolução inversa das características de textura durante a prova concretamente do descritor “Fibroso” e “Suculência” pois tal como esperaríamos evoluem em sentidos inversos. Enquanto a suculência aumenta com o tempo de envelhecimento a fibrosidade diminui. Uma das razões que poderá explicar a obtenção dos resultados obtidos será o facto de que entre o tempo 3º e o 4º e o 4º e o 5º dias de armazenamento existem 5 dias enquanto que os primeiros 3 tempos monitorizados (1,2,3) são separados por um menor número de dias. 45 Resultados e Discussão 2.2.1. Análise multifactorial Até esta fase do trabalho os resultados foram apresentados e discutidos tentando ligar as variáveis em estudo (23), sejam objectivas, como as decorrentes da análise sensorial, através de alusões pontuais e correlações dignas de destaque. Relativamente aos dados obtidos nesta fase do trabalho, resultados obtidos de amostras de manto de pota descongelado e armazenado em refrigeração durante 17 dias consecutivos, no sentido de obter uma visão mais abrangente, procedeu-se à sua abordagem por análise de componentes principais, objectivando conhecer o relacionamento global entre as variáveis em estudo, as variáveis que mais contribuíram para as variações observadas, assim como o relacionamento global entre as amostras, quando analisadas sob essa perspectiva multifactorial. Numa primeira fase, o cálculo foi efectuado com a maioria das variáveis em estudo. Optou-se por considerar somente as três primeiras componentes principais (CP), dada a possibilidade de fazer uma interpretação dos resultados num espaço tridimensional, que deixa de ser clara quando se aumenta o número de componentes principais. Com o conjunto de 23 variáveis, as três primeiras componentes principais explicam somente cerca de 65,26% da variância total da matriz de resultados (quadro IV.8). Esta solução é caracterizada pela existência de variáveis originais que têm correlações (pesos factoriais) muito baixas com as componentes principais, introduzindo mais “ruído” do que informação na solução. Assim, desenhou-se uma nova solução, eliminando progressivamente as variáveis que apresentavam comunalidades menores, ou seja, que apresentavam uma baixa correlação com o conjunto das três componentes principais retidas. Foram assim eliminadas todas as variáveis que apresentavam comunalidades menores ou iguais a 0,5, permanecendo na solução final 18 variáveis, que explicam, através das 3 CP, cerca de 74,38% da variância dos dados. Os pesos factoriais e comunalidades de cada variável, assim como os valores próprios de cada componente principal, com as 23 e 18 variáveis, são apresentados no quadro IV.8. A representação gráfica dos pesos factoriais, das variáveis seleccionadas (18) com as três componentes principais em estudo é apresentada na figura IV.4. 46 Resultados e Discussão Quadro IV.8- Pesos factoriais, comunalidades e valores próprios da solução inicial com 23 variáveis, e da solução após redução a 18 variáveis. Solução Inicial Variável PF Solução Final PF CM CP 1 CP 2 CP 3 7- AG ABVT Totais Entero 1-HS 1-HC 1-CA 1-CB 1-B 2- Amo 2- Bac 3-CA 3- CM 3-Hom 4- Lula 4-Bac 4- OFB 4-Putrido 5- Ama 5- Quei 6- Firm 6- Fibro 6- Suc -0,741 0,756 0,900 0,873 -0,655 -0,506 0,470 -0,809 -0,736 0,941 -0,639 -0,868 0,914 0,486 0,111 -0,076 -0,465 0,840 0,062 -0,097 -0,281 -0,396 -0,020 0,358 0,196 -0,061 0,157 -0,032 -0,119 0,053 0,122 -0,016 -0,032 0,025 0,218 -0,142 0,467 0,868 0,738 0,273 -0,183 -0,157 0,239 -0,634 -0,654 0,540 -0,009 -0,249 -0,078 -0,115 0,374 -0,549 0,651 -0,235 -0,435 -0,193 0,233 0,072 -0,069 -0,519 0,081 0,140 -0,495 -0,265 -0,541 -0,623 -0,118 -0,356 -0,234 Valores próprios % variância explicada 9,104 3,126 2,781 39,582 13,591 12,089 =65,26 0,68 0,67 0,82 0,80 0,57 0,57 0,65 0,73 0,73 0,92 0,46 0,81 0,86 0,72 0,77 0,57 0,54 0,81 0,32 0,45 0,49 0,71 0,35 CM CP 1 CP 2 CP 3 -0,752 0,739 0,895 0,864 -0,669 -0,518 0,487 -0,817 -0,740 0,934 0,405 0,070 -0,010 0,088 0,008 -0,464 0,384 -0,084 -0,285 -0,111 0,192 0,357 0,081 0,219 -0,403 0,494 -0,606 0,308 0,357 0,173 0,77 0,68 0,81 0,80 0,61 0,73 0,75 0,77 0,76 0,91 -0,882 0,326 0,928 -0,184 0,463 0,282 0,099 0,869 -0,057 0,758 -0,489 0,162 0,846 -0,299 -0,011 0,032 0,698 0,200 0,086 0,554 0,157 0,88 0,90 0,78 0,80 0,58 0,57 0,83 -0,364 -0,563 -0,041 0,45 8,655 2,620 48,081 14,558 2,114 11,747 =74,38 Legenda do quadro IV.8: PF- Pesos Factoriais; CM - Comunalidade; CP - Componente Principal; - é relativo aos três valores que o precedem (em linha), ou seja, é a % de variância explicada acumulada das três CP em estudo; A.G.- Apreciação Global; ABVT- Azoto Básico Volátil Total; Totais - Microrganismos Mesófilos Totais; Entero - Enterobactereaceas; 1- Aspecto antes de cozer 2- Cheiro antes de cozer 3Aspecto depois de cozer 4- Cheiro depois de cozer 5-flavor durante a prova 6- textura durante a prova; HSHomogeneidade da superfície; HC- Homogeneidade da cor; CA- Cor amarela; CB - Cor branca; CM - Cor marfim; B - Brilho; Visc- Viscosidade; IntMusc- Integridade do Músculo; Amo- Amoniacal; Bac- Bacalhau; Px Peixe; Cog - Cogumelos; OFB - Óleo de Fígado-de-Bacalhau; Solv - Solvente; Hom- Homogeneidade; Ama Amargo; Quei - Queimado, Ado - Adocicado; Put - Pútrido. Analisando a parte superior da figura IV.4., relativa aos pesos factoriais das duas primeiras componentes principais, que sintetizam, em conjunto, cerca de 62,63% da variância explicada na solução, pode observar-se que a CP 1 é definida principalmente por duas dimensões onde se localizam as diferentes variáveis. Assim do lado direito da CP1 observamos a localização da variável A.G. (7-AG) e daquelas variáveis com que ela podem estar relacionadas. Passamos a descrever: cor amarela depois do processamento térmico (3-CA), cor branca antes do processamento térmico (1-CB); 47 Resultados e Discussão homogeneidade da superfície antes do processamento térmico (1-HS); brilho antes do processamento térmico (1-B); homogeneidade da cor antes do processamento térmico (1-HC). A outra dimensão, do lado esquerdo da CP1 concentra as variáveis habitualmente associadas a uma apreciação negativa. Passamos a descrever: a cor amarela antes de processamento térmico (1-CA); homogeneidade relativa ao aspecto depois de cozer (3-Hom); ABVT; Micorganismos Mesófilos Totais (MT); Enterobactereaceae (ENT); cheiro a amoniacal antes de cozer (2-Amo); cor marfim depois de cozer (3- CM) e cheiro a pútrido depois de cozer (4- Pútrido). Cada uma das dimensões referidas concentra variáveis que estão relacionadas positivamente. Em consequência variáveis inclusas em uma das dimensões relacionam-se negativamente com as variáveis da dimensão oposta. A CP2 é definida principalmente por variáveis associadas ao cheiro numa dimensão (cheiro a bacalhau e a lula depois do processamento térmico, 4- Bac e 4 – Lula respectivamente) e por características de textura e aspecto na outra dimensão (fibrosidade depois do processamento térmico e homogeneidade da cor antes do processamento térmico, 6- Fibro e1-HC respectivamente.) Da análise da figura apenas nos apraz referir o facto dos cheiros descritos habitualmente ligados a uma apreciação menos positiva das amostras se situam num plano oposto a características tidas como positivas na avaliação destas como a “Homogeneidade da cor” antes do processamento térmico e o “Brilho” das amostras antes do processamento térmico. Da análise da CP3 não é possível retirar mais informações dignas de referência. Sobre a CP 2 e a CP 3 não há nenhuma tendência que mereça relevo, indicando que as variáveis associadas a essa componente não foram determinantes para a ocorrência de grupos de amostras que partilham características. 48 Resultados e Discussão 1 4- Lula 4-Bac 0,5 CP2 (14,56 %) 7- AG 3-CA 1-CA 3-Hom 4- OFB ABVT ENT MT 2- Amo 3- CM 1-HS 1-CB 0 1-B 4-Putrido 1-HC 6- Fibro -0,5 -1 -1 -0,5 0 0,5 1 CP1(48,08 %) 1 3-Hom 4- OFB 1-HC 0,5 CP3 (11,75 %) 1-B 1-CB ABVT ENT 4-Putrido 2- Amo 4- Lula 7- AG 4-Bac 0 3-CA MT 3- CM 6- Fibro 1-HS -0,5 1-CA -1 -1 -0,5 0 0,5 1 CP1 (48,08 %) Legenda da figura IV.4: CP- Componente Principal 1; A.G.- Apreciação Global; ABVT- Azoto Básico Volátil Total; Totais - Microrganismos Mesófilos Totais; Entero - Enterobactereaceas; 1- Aspecto antes de cozer 2Cheiro antes de cozer 3- Aspecto depois de cozer 4- Cheiro depois de cozer 5-flavor durante a prova 6textura durante a prova; HS- Homogeneidade da superfície;HC- Homogeneidade da cor; CA- Cor amarela; CB- Cor branca; CM- Cor marfim; B - Brilho; Visc- Viscosidade; IntMusc- Integridade do Músculo; Amo Amoniacal; Bac - Bacalhau; Px - Peixe; Cog - Cogumelos; OFB - Óleo de Fígado-de-Bacalhau; Solv Solvente; Hom - Homogeneidade; Ama - Amargo; Quei - Queimado, Ado - Adocicado; Put - Pútrido. Figura IV.4 - Pesos factoriais das variáveis originais para as duas primeiras CPs (figura superior) e primeira e terceira CPs (figura inferior). 49 Resultados e Discussão A representação gráfica da projecção das amostras com os 5 tempos de armazenamento em refrigeração no espaço definido pelas 3 componentes é ilustrada na figura IV.5. Quando as amostras são projectadas nos planos definidos pelas componentes principais em estudo (figura IV.5), podemos observar a influência do tempo de envelhecimento das amostras, particularmente sobre a primeira componente principal. Observando a parte esquerda do plano definido pelas CP1 e CP2, encontramos projectadas as amostras mais frescas (4 horas e três dias de armazenamento) que correspondem às melhor apreciadas. As amostras progressivamente mais velhas foram projectadas num espaço progressivamente mais á direita, espaço esse caracterizado por características associadas à deterioração (ABVT; Microrganismos Mesófilos Totais (MT) e Enterobactereaceae (ENT); cheiro a amoniacal antes de cozer (2-Amo); cor 6 6 4 4 7d-1 2 3d-1 4h-1 0 3d-2 3d-4 4h-4 4h-2 -2 7d-4 7d-3 12d-1 12d-3 7d-2 12d-2 3d-3 17d-1 17d-2 12d-4 CP3(11,75 %) CP2 (14,56 %) marfim depois de cozer (3- CM) e cheiro a pútrido depois de cozer (4- Pútrido)). 17d-3 17d-4 12d-4 3d-1 2 3d-4 4h-1 4h-2 7d-1 0 3d-3 12d-2 7d-2 12d-3 4h-3 -2 4h-4 3d-2 4h-3 -4 17d-1 12d-1 17d-2 17d-3 17d-4 7d-3 7d-4 -4 -6 -6 -6 -4 -2 0 CP1(48,08 %) 2 4 6 -6 -4 -2 0 CP1(48,08 %) --> 2 4 6 Legenda da figura IV.5: CP- Componente Principal;4h-4 horas;3d-3 dias;7d-7 dias;12d-12 dias;17d-17 dias Figura IV.5- Projecção das observações no espaço definido pelas 3 primeiras componentes principais; parte superior CP 1 vs CP 2; parte inferior CP 1 vs CP 3. 50 ___________ Conclusão VI. Conclusões Os resultados obtidos no decurso deste trabalho, são reveladores de que o manto de pota é um alimento que apresenta valores de ABVT elevados, quando comparados com os valores referidos como limitadores da aceitabilidade regulamentados para outras espécies de produtos da pesca. Refira-se que os lotes em estado de comercialização analisados apresentavam em média 104,21± 44,10 mg/100 de amostra. Os teores microbianos apresentados encontravam-se contudo dentro do que é considerado aceitável pelo que podemos concluir que não estávamos perante um género alimentício em estado de deterioração. A análise de alguns resultados no nosso trabalho, pode ter sido dificultada pelas características do painel de provadores de que dispúnhamos. Refira-se, que este fez uma apreciação global das amostras analisadas sempre abaixo do valor médio da escala apresentada. Este resultado, pode estar associado ao modo de processamento, sem quaisquer tipo de temperos, utilizado no tratamento térmico das amostras, mas também não devemos descartar a falta de experiência do painel para provar este tipo de alimentos. Apesar de a característica mais reveladora da aceitabilidade do produto, a apreciação global, nem sempre se ter mostrado correlacionada de forma significativamente negativa com os teores em ABVT, e contagens microbianas, este relacionamento foi evidente e demonstrado através da aplicação de análise multifactorial aos dados obtidos ao longo do envelhecimento artificial de amostras de manto de pota. Gostaríamos finalmente de destacar de entre os descritores utilizados na ficha de análise sensorial por nós construída, a importância que demonstraram ter as características “Brilho” e “Cor branca” (antes do tratamento térmico), e cheiro a “Pútrido” e “Amoniacal”, as primeiras como indicadores importantes de frescura e as ultimas como consequência da perda desta. Mais trabalhos terão que ser efectuados, no sentido de averiguar em que medida o valor de ABVT poderá ser usado como medida objectiva da aceitabilidade ou de índice de perda de frescura neste tipo de produtos. 51 Referências Bibliográficas V. Referências Bibliográficas Ackman R. , Ratnayake W. (1992). Non enzymatic oxidation of seafood lipids. In: Advances in Seafood Biochemistry. ed. Flick G. e Martin R. pp 245–267. Basel: Technomic Publishing. Antonacopoulos N. (1971). Comparison of Sensory and Objective Quality Evaluation of Fresh and Frozen Saltwater Fish. In: Fish Inspection and Quality Control, e d. 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Yoshida A., Imaida M.(1980).”Studies on the formation of formaldehyde in the bleached shrimps with sulfite”. Journal of Food Hygiene and safety Science. 21: 288-29. 57 ______ Anexos VII. Anexos Anexo I Quadros V.1,V.2,V.3,V.4- Resultados brutos da geração do vocabulário Frequência da Frequência da Utilização de vocabulário Utilização de vocabulário 2-Cheiro antes cozer 1-Aspecto antes cozer 3-Aspecto depois de cozer Homogeneidade Superfície 34 Amoniacal 13 Cor Amarela Cor amarela 33 Bacalhau 30 (Intensidade) Brilho 38 Peixe 18 Branco leitoso 2 Algas Humidade 14 Cor branca Homogeneidade cor 4-Cheiro depois cozida 41 Algas 2 Cor rosa 10 Moluscos 1 10 Aderente 1 Lulas 17 Maresia 2 Uniformidade 4 Queimado 13 21 Irritativa 1 Humidade 11 Adocicado 3 28 S/ cheiro 1 Homogeneidade 20 Salgado 1 13 Pútrido 2 7 Camarão 2 Cor branca 1 Bacalhau 4 Brilho 1 Cor Cor branco sujo/ marfim/branco sujo Viscosidade Marfim 11 Acídolo 3 Cor rosa 1 Molusco 1 Integridade Músculo 12 Amoniacal 13 Bacalhau Frescura 1 Bacalhau 30 Destacamento da pele 5 Fumo 3 Destaque da pele 3 Peixe 18 Suculento 1 Peixe 3 Espuma 1 Viscosidade 1 Polvo 1 Fibrosidade 2 Pota 2 Frequência da Frequência da Utilização de vocabuário Utilização de vocabuário 5-Flavor durante a prova 6- Flavor depois da prova Amargura 14 Amargura 11 Queimado 9 Camarão 1 Doçura 12 Bacalhau 6 Acidez 3 Algas 2 Bacalhau 6 Bacalhau Bacalhau Queimado Lula detiorada Adstrigente 2 Suculenta 1 8- Textura durante a prova Consistência 27 Esponjoso 1 Aderência 1 Consistência 41 Fibrosidade 10 Fibrosidade/ 26 Filamentosa Esponjoso 4 Elasticidade 18 Humidade 14 Humidade 4 Elasticidade 18 Suculenta 3 Homogeneidade 2 Esponjoso 4 em camadas 2 Retráctil 3 Pastosa 1 Flexibilidade 4 Retráctil ou não retráctil 3 1 deteriorado 1 7-Textura antes da prova 1 deteriorado 1 1 Deteriorado Adstringente 1 58 ______ Anexos Anexo II ANÁLISE SENSORIAL DE MANTO DE POTA Nome:______________________________________ Data:____/_____/________ Código da amostra: __________ Aspecto antes de cozer Homogeneidade da superfície Homogeneidade da cor pouco homogénea 1 2 média 3 4 pouco homogénea 1 2 1 2 3 4 3 4 1 Cor marfim/branco sujo pouco intensa 1 2 2 3 4 3 4 1 1 1 7 5 6 7 5 5 2 3 4 2 3 4 2 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 5 6 7 6 7 9 8 9 8 9 muito intensa 8 9 muito intenso 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 8 9 muita média 5 8 muito intensa média 5 9 muito intensa médio pouca Integridade musculo 6 média pouca Viscosidade 5 8 muito homogénea média pouco intenso Brilho 7 média pouco intensa Cor Branca muito homogénea 6 média pouco intensa Cor amarela 5 8 9 muita 8 9 Cheiro antes de cozer pouco intenso Amoniacal 1 2 médio pouco intenso Bacalhau 1 2 1 2 1 2 1 2 Óleo de figado-debacalhau 1 2 2 1 2 5 5 59 8 9 8 9 8 9 muito intenso 8 9 muito intenso médio 5 9 muito intenso médio pouco intenso Tinta/solvente 5 8 muito intenso médio pouco intenso 1 5 9 muito intenso médio pouco intenso Cogumelos 5 8 muito intenso médio pouco intenso Pepino 5 médio pouco intenso Algas muito intenso médio pouco intenso Peixe 5 8 9 muito intenso 8 9 ______ Anexos Aspecto depois de processamento térmico pouco intensa Cor Amarela 1 média 2 3 4 3 4 3 4 2 3 4 2 3 4 3 4 pouco intensa Cor Rosa 1 1 1 7 6 7 6 7 6 7 pouco húmido 1 6 7 8 9 8 9 muito homogénea 5 8 9 muito 5 médio 2 9 muito intensa 5 médio 1 Humidade 6 8 muito intensa 5 média pouco Destacamento da pele 7 média 2 pouco homogénea Homogeneidade 6 média 2 pouco intensa Cor Marfim/Branco Sujo muito intensa 5 8 9 muito húmido 5 8 9 Cheiro depois de processamento térmico pouco intenso Lulas/potas 1 2 médio 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 pouco intenso Bacalhau Óleo de fígadode-bacalhau 1 2 2 1 2 7 5 6 7 5 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 9 8 9 muito intenso médio 5 8 muito intenso médio pouco intenso Putrido muito intenso 6 médio pouco intenso 1 5 8 9 muito intenso 8 9 Flavor durante a prova pouco intenso Amargo 1 2 médio pouco intenso Bacalhau 1 2 1 2 1 2 Óleo de Fígadode-bacalhau 1 2 2 5 5 60 8 9 8 9 muito intenso 8 9 muito intenso médio 5 9 muito intenso médio pouco intenso 1 5 8 muito intenso médio pouco intenso Pútrido 5 médio pouco intenso Adocicado muito intenso médio pouco intenso Queimado 5 8 9 muito intenso 8 9 ______ Anexos Flavor depois da prova pouco intenso Amargura 1 2 médio 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 2 3 4 2 3 4 2 3 4 pouco intenso Bacalhau 1 2 Óleo de Fígadode-bacalhau 1 2 2 7 5 6 7 5 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 9 8 9 muito intenso médio 5 8 muito intenso médio pouco intenso 1 muito intenso 6 médio pouco intenso Pútrido 5 8 9 muito intenso 8 9 Textura antes da prova pouco firme Firmeza 1 2 média pouco fibroso FIbrosidade 1 2 1 2 muito firme médio pouco elástico Elasticidade 5 5 9 muito fibroso médio 5 8 8 9 muito elástico 8 9 Textura durante a prova pouco firme Firmeza 1 2 média pouco fibroso FIbrosidade 1 2 1 2 1 2 1 Integridade musculo 1 5 5 61 9 8 9 8 9 muito esponjoso 8 9 muita média 5 8 muito húmido média pouca 1 5 9 muito elástico médio pouca Viscosidade 5 8 muito fibroso médio pouco esponjoso Esponjosidade 5 médio pouco húmido Suculência muito firme médio pouco elástico Elasticidade 5 8 9 muita 8 9 ______ Anexos ANEXO III ANÁLISE SENSORIAL DE MANTO DE POTA Nome:______________________________________ Data:____/_____/________ Código da amostra: __________ Aspecto antes de cozer pouco homogénea Homogeneidade da superfície 1 2 média 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 pouco homogénea Homogeneidade da cor 1 2 1 1 1 5 6 7 5 6 7 5 6 7 5 6 7 9 8 9 muito intensa 8 9 muito intensa médio 2 8 muito homogénea média 2 pouco intenso Brilho 7 média 2 pouco intensa Cor Branca muito homogénea 6 média pouco intensa Cor amarela 5 8 9 muito intenso 8 9 Cheiro antes de cozer pouco intenso Amoniacal 1 2 médio 3 4 3 4 5 pouco intenso Bacalhau 1 2 muito intenso 6 7 6 7 médio 5 8 9 muito intenso 8 9 Aspecto depois de processamento térmico pouco intensa Cor Amarela Cor Marfim/Branco Sujo 1 2 média 3 4 3 4 3 4 pouco intensa 1 2 1 2 muito intensa 6 7 6 7 6 7 média pouco homogénea Homogeneidade 5 5 62 9 muito intensa média 5 8 8 9 muito homogénea 8 9 ______ Anexos Cheiro depois de processamento térmico pouco intenso Lulas/potas 1 2 médio 3 4 3 4 3 4 3 4 pouco intenso Bacalhau Óleo de fígado-debacalhau 1 2 2 1 2 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 6 7 8 9 muito intenso 5 médio pouco intenso Putrido 6 médio pouco intenso 1 muito intenso 5 8 9 muito intenso 5 médio 8 9 muito intenso 5 8 9 Sabor/ Flavor durante a prova pouco intenso Amargo 1 2 médio 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 3 4 pouco intenso Queimado 1 2 5 muito intenso médio 5 8 9 muito intenso 8 9 Textura durante a prova pouco firme Firmeza 1 2 média pouco fibroso FIbrosidade 1 2 1 2 muito firme médio pouco húmido Suculência 5 5 9 muito fibroso médio 5 8 8 9 muito húmido 8 9 Apreciação Global gosto pouco Apreciação Global 1 2 gosto médio 63 5 6 gosto muito 7 8 9