LEITURA LITERÁRIA: EXPERIÊNCIA DE DIÁLOGO COM O TEXTO Janaina Pieruccini – PPGEd/UCS 1 Flávia Brocchetto Ramos 2 RESUMO Este artigo apresenta uma análise da narrativa popular “Bran, o viajante do tempo”, presente na coletânea de contos do folclore mundial Lá vem história, organizada e escrita por Heloísa Prieto (2008). Inicialmente, exploram-se possibilidades de significação do texto a partir de elementos do enredo e da ilustração. A partir das potencialidades de sentido do conto, investiga-se a relação entre o pensamento e a linguagem que se estabelece no enredo, a forma como a narrativa em análise se configura enquanto enunciado, além de aspectos que apontam a leitura da obra como uma experiência para o leitor, inclusive o mirim. Utilizam-se como referenciais estudos de Larrosa (2002, 2003), Benjamin (1986) e Bakhtin (2000). O estudo é um recorte da dissertação de mestrado Letramento Literário: leitura de contos populares na educação, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação da Universidade de Caxias do Sul. Palavras-chave: Conto popular. Literatura infantil. Leitura. Letramento literário. ABSTRACT This paper presents an analysis of popular narrative "Bran, o viajante do tempo”, this narrative is of the collection of short stories in the folklore world Lá vem história, organized and written by Heloísa Prietto. Initially, this paper explores the possibilities of meaning of the text from elements of the plot and illustration. Based on the potential effect of the tale, it is 1 Mestre em Educação pela Universidade de Caxias do Sul. Especialista em Alfabetização e em Psicopedagogia Clínica e Escolar. E-mail: [email protected] 2 Professora no PPGEd/UCS e no PPGL/UNISC. Doutora em Letras PUCRS. E-mail: [email protected] 2 investigated the relationship between thought and language that sets the plot, how the narrative in question is regarded as a statement, and also topics that link to read the stories as an experience for the reader, including the child. It is used as benchmarks studies Larrosa (2002, 2003), Benjamin (1986) and Bakhtin (2000). The study is a clipping of the dissertation Letramento Literário: leitura de contos populares na educação, developed in the Programa de Pós-graduação em Educação, na Universidade de Caxias do Sul. Keywords: Folktale. Children‗s literature. Read. Literacy literary. INTRODUÇÃO A formação de um leitor proficiente é um dos objetivos que compete à escola. Para isso, o professor, principal agente nesse contexto, deve se valer de estratégias que priorizem a exploração do texto literário em seus diversos aspectos (linguísticos, culturais e artísticos) em detrimento de atividades que priorizem conteúdos programáticos, lições moralizantes e outras propostas que ignoram a natureza artística da literatura. Pensando nos contos populares, é necessário que o docente tenha conhecimento das suas especificidades para que consiga auxiliar os estudantes a ultrapassarem a decodificação de sinais gráficos e visuais, atingindo níveis mais abrangentes de significação frente ao material oferecido. Este estudo é um recorte da dissertação de mestrado Letramento Literário: leitura de contos populares na educação, cujo objetivo principal é desenvolver práticas de leitura a partir de estratégias intencionalmente planejadas pelo professor-pesquisador. Busca-se propor ações que contribuam para o alargamento das potencialidades de leitura do sujeito e, consequentemente, de sua competência narrativa. Entre os contos analisados na dissertação, selecionamos “Bran, o viajante do tempo”, da obra Lá vem história, de Heloisa Prieto (2008). A narrativa é estudada visando a destacar aspectos relevantes na leitura do conto, de modo a possibilitar a exploração de tais aspectos no processo de formação do leitor literário. Nesse mergulho à obra, buscamos analisar e responder três questões básicas. Inicialmente, investigamos como as relações entre o pensamento e a linguagem se revelam no conto, utilizando como referencial teórico Larrosa. Em um segundo momento, verificamos como e por que esse texto narrativo se configura em um enunciado, no sentido bakthiniano. 3 Por fim, discorremos sobre alguns aspectos que apontam a leitura da obra como uma experiência ao leitor mirim. 1 UM OLHAR SOBRE O CONTO “BRAN, O VIAJANTE DO TEMPO” O conto “Bran, o viajante do tempo”, proveniente do folclore celta, tem como protagonista um navegador que vive na Irlanda antiga e cujo nome já é apresentado no título. Em uma viagem, junto com sua tripulação, Bran encontra um objeto mágico, uma varinha de prata. Ao balançar o objeto, surge uma bela jovem. Essa jovem, ao cantar, seduz o navegador. Na canção, descreve as maravilhas do local de onde vem: as ilhas encantadas de Outro Mundo, onde não há tristezas nem sofrimentos. Após ter dado pistas do seu destino, a mulher apanha a varinha mágica e desaparece sob um passe de mágica, deixando a tripulação imóvel diante do acontecido. Bran, apaixonado pela moça, reúne sua tripulação e sai à procura de sua amada, em busca da ilha encantada até então desconhecida. Nessa viagem, atravessa o mundo real e encontra um lugar belíssimo, a ilha da felicidade, e, nela, a jovem que o encantara. Na ilha, a tripulação se casa, com exceção de um dos tripulantes. Este lembra com saudades de sua amada, que ficou na Irlanda Antiga. A saudade é tanta que decide voltar. Bran, então, embarca e leva o amigo de volta a sua terra natal. Ao chegar, percebem que tudo estava modificado, mas, mesmo assim, o jovem apaixonado resolve ficar: lança-se ao mar. Ao pisar em terra firme, transforma-se em cinzas e desaparece sem deixar rastros. Bran se emociona ao ver o amigo desvanecer, porém resiste à idéia de regressar a sua terra, preferindo voltar para os braços de sua amada na ilha da felicidade. Esse conto, adormecido entre tantos, esconde em seu universo a história da cultura de um povo, revivida através das palavras do narrador. Ao significá-lo, o pensamento dá asas à imaginação e convida o leitor a viajar em um mundo construído pela fantasia, no qual há um destemido navegador, Bran. Esse viajante, encantado pelas palavras e pela melodia entoada por uma canção de mulher, descobre um grande amor. Nessa canção, uma jovem expressa e descreve seu universo, no qual "não há tristeza ou sofrimentos" (PRIETO, 2008, p. 18). A magia da história não ganha vida apenas por meio do objeto mágico, mas também pela palavra da jovem. É a palavra que impulsiona a ação de Bran. Com sua canção, a moça encanta e deixa indicativos do local onde vive, introduzindo uma nova informação, algo que 4 desperta a curiosidade do leitor e de Bran, que sai à sua procura seguindo as pistas implícitas na canção. Ao leitor cabe perceber e significar esses constituintes do texto. Conforme destaca Larrosa, as palavras determinam nossos pensamentos, porque pensamos com palavras. "Eu creio no poder das palavras, na força das palavras, creio que fazemos coisas com as palavras e, também, que as palavras fazem coisas conosco” (LARROSA, 2002, p. 2). Assim como Larrosa, percebemos que a canção da jovem entrou no ser de Bran, enfeitiçando-o, gerando uma mudança no percurso de sua viagem, e, ao mesmo tempo, modificando o rumo de sua história, de sua vida. Ao concluir sua canção, a jovem tira a varinha das mãos de Bran, “faz com ela um gesto” e desaparece. Nesse momento, há um profundo silêncio, provocando, nos interlocutores – Bran e sua tripulação – e, consequentemente, no público leitor, indagações, questionamentos sobre o acontecido. A tripulação fica imóvel, pensando, elaborando internamente o fato acorrido. A fala interioriza-se em pensamento. O silêncio suscita dúvidas. Quem é essa jovem? Será uma sereia? Dizem as lendas que as sereias seduzem com o poder de suas canções, com o poder de suas palavras. Novamente a palavra cria mundos. Bran está sonhando? Mas, então, como a tripulação toda estaria participando de um mesmo sonho? A força da palavra moveu o navegador em busca de uma nova experiência, lançando-o ao mar, em um mundo desconhecido. "Depois de muito navegar, a nau de Bran atravessou o limiar do mundo real e penetrou nas águas enfeitiçadas do universo mágico." (PRIETO, 2008, p. 18) Nesse momento, o navegador deixa de existir no plano da realidade e passa a existir no imaginário, no qual o mar se transforma em flores e em árvores aquáticas; é a ilha da felicidade que se mostra à tripulação. No mundo imaginário, a linguagem passa a ter um aspecto mais simbólico, o que auxilia o leitor a conversar com o texto, significando-o através de suas vivências e fantasias. Chegando à ilha, Bran e sua tripulação tentam atracar, com dificuldade, pois o mar revolto não permite a ancoragem. Para se chegar ao mundo da imaginação, é preciso enfrentar turbulências, despir-se dos medos que nos desafiam, como o foi para Bran. Nesse mundo, nos defrontamos com problemas reais e testes que a vida invoca, os quais podemos enfrentar por meio da fantasia, de elementos mágicos, mostrando que as dificuldades existem, mas são passíveis de serem superadas. "A imaginação, assim como a linguagem, produz realidade, a incrementa e a transforma" (LARROSA, 1995, p. 135). Nesse sentido, percebemos que a 5 imaginação tem o poder de transformar o real e de, a partir dele, criar outros mundos. Diante da dificuldade encontrada, surge outro elemento mágico, “uma corda” que, lançada pela jovem, alcança o barco, amarrando-o e puxando-o até o porto. Já no outro mundo, Bran e seus amigos se casam com as moças que vivem na ilha, exceto um, que queria retornar à Irlanda. As saudades de sua namorada e de sua história o ligavam ao mundo irlandês. Em pensamento, estava fora da ilha da felicidade, preso à sua cidade natal. Quando Bran retorna com o amigo, percebe que tudo está mudado e vê sua imagem em uma estátua no meio do porto: ele se tornara uma lenda. Entretanto, cabe questionar quem realmente mudou: Bran, suas origens ou ambos? Enquanto o protagonista busca outras vivências, outras experiências, seu amigo está preso, em pensamento, ao passado. A experiência da viagem tocou o grande navegador. No entanto, percebemos que a experiência não se configura a todos tripulantes da mesma forma. Experiência é algo individual que “nos passa, nos acontece, o que nos toca” e, nesse sentido, é singular, particular, relativa e pessoal (LARROSA, 2002, p. 21). Bran se mostra modificado e resiste a voltar às suas origens. Ao avistar o porto, o navegador aconselha o amigo a ficar e retornar à ilha mágica, “(...) são outros tempos” (PRIETO, 2008, p. 19). O amigo ignora seus conselhos, lança-se ao mar e nada até a praia. Entretanto, ao colocar o pé na areia, seu corpo transforma-se em “uma estátua de cinzas que rapidamente se desvaneceu” (PRIETO, 2008, p. 19). Nesse momento, o leitor é provocado a fazer indagações. Será que essa experiência modificou Bran? Seu amigo virou uma estátua de cinzas, porque teve medo de enfrentar os desafios que a vida lhe impôs? Preferiu ficar preso na sua vida a modificar-se? Mas Bran também se tornara uma lenda. Quem é Bran e essa tripulação? Observando o narrador, percebemos que ele não se inclui na história. Conta como se estivesse observando o fato ocorrido de fora, em terceira pessoa. Nessa perspectiva, por ser um conto popular, podemos imaginar que a situação narrada pode ter ocorrido. Sabemos que, na Irlanda antiga, aconteciam com frequência naufrágios, nos quais desapareciam navios com tripulações inteiras, muitas vezes sem deixar vestígios. Seria o narrador um sobrevivente? Para Benjamin (1986), aquele que conta sempre tem o que dizer. Narrar histórias é a arte de continuar contando e, nesse sentido, o narrador relata o que vê e sente, transmite suas 6 experiências. Dessa forma, podemos dizer que, nesse conto, encontram-se variadas experiências de vida, um discurso vivo que relata a cultura de um povo. Ficar ou partir, dúvida cruel que, muitas vezes, permeia nossos pensamentos diante de muitas dificuldades que a vida nos apresenta. O amigo de Bran resolve ficar, deixando o navegador e a tripulação. Com os olhos cheios de lágrimas, com dúvidas e medos, o protagonista começa a se questionar: “E se eu me perder no mar? E se não conseguir regressar à ilha?” (PRIETO, 2008, p. 19). Ele teve medo. O medo gera insegurança, suscita dúvida. Diante de tantas indagações, “a corda mágica de sua amada enroscou-se na proa da embarcação” (PRIETO, 2008, p. 19), levando-o de volta à ilha, onde vive até hoje. 2 LITERATURA E DIÁLOGO COM O LEITOR A transformação do real através do simbólico torna possível a vivência de outras experiências, de outras culturas, através da leitura. Dessa forma, ao ingressar nesse conto literário, o leitor passa a pertencer a um universo de experiências. Quando falamos em experiência, estamos nos referindo àquela experiência que Larrosa (2003) enfatiza: a vivência pessoal, singular, que atravessa a subjetividade do leitor, deixando nele marcas e o desejo de retornar a essa e a outras possíveis leituras. Por ser polissêmico, o texto acolhe o leitor, permitindo que este partilhe com o escritor suas distintas formas de ver o mundo, oferecendo ao leitor a possibilidade de empregar sua imaginação. A literatura desafia, levando o leitor a não se limitar à superficialidade do que está escrito ou à simples informação que ele contém. É da natureza do texto artístico, já que a plurissignificação e a capacidade de instalar sensações são traços fundamentais do texto literário. Ao possibilitar inúmeras leituras, a ambiguidade é fator de enriquecimento semântico que abre o texto a variadas interpretações. Esse movimento entre o leitor e o texto, mediante a construção de vários sentidos, torna o sujeito leitor vivo. Para Bakhtin (2000), toda palavra é viva por natureza, é dialógica, e, nesse sentido, só existe na ação, no diálogo, na interação. Percebemos, nesse conto, uma possibilidade de diálogo entre o leitor e a obra. O locutor termina seu enunciado deixando espaços que o leitor deverá completar com suas vivências, com seus conhecimentos. O dialoga com o leitor, suscita indagações, permite que ele se posicione, se identifique, intervenha no texto. Dessa forma, a compreensão dos enunciados do texto é acompanhada por uma atitude responsiva do 7 sujeito leitor, que busca respostas, faz questionamentos, concorda ou não com os fatos revelados, assim como a narrativa é uma resposta a sociedade de onde o conflito nasce. Portanto, o leitor não é mero destinatário, não se encontra em uma situação passiva, mas interativa frente ao texto. Essa liberdade de interação com o discurso se estabelece devido à estrutura do texto literário, que abre a possibilidade de distintas significações a cada nova leitura. A simbologia, os significados implícitos no conto em análise não se entregam ao leitor facilmente, nem se esgotam em uma única leitura. Assim são as narrativas, passíveis de inúmeras leituras e de múltiplos significados. Quando o leitor entrega-se à leitura, transita pelas rotas imaginárias, desvenda “mistérios e enigmas” que podem ou não estar explícitos no texto. A interpretação desses “enigmas” torna-se uma brincadeira, um momento lúdico, um jogo entre o leitor e o texto, repleto de segredos por conter em sua essência o imaginário do autor, suas ideologias, convicções, vivências. Ao traduzir as tradições de um povo, o autor propõe um diálogo entre ele, seu mundo, suas vivências, leituras e as do sujeito leitor. A possibilidade de diálogo também se dá pela ilustração. Essa narrativa está acompanhada por uma única imagem, situada na parte superior das duas páginas do texto, acima do discurso escrito, apresentado Bran viajando em sua nau pelas águas revoltas do mar. A significação que a imagem produz ultrapassa uma função decorativa. Além de dar pistas para elucidar o título, antecipa as informações que serão desvendadas no decorrer da narrativa. No entanto, apesar de o texto retratar a aventura de uma tripulação, a imagem apresenta Bran solitário. Esse detalhe nos possibilita refletir sobre a solidão que a leitura exige. Ler é um ato de solidão, um percurso solitário, de significações próprias. Na leitura, há silêncio, mas um silêncio que comunica, que dialoga com o leitor (LARROSA, 2003). Para significar esse diálogo é necessário despir-se das amarras do cotidiano e permanecer solitário, assim como Bran, em seu barco navegando por mares desconhecidos. Para Larrosa (2003), na solidão da leitura encontramos um modo singular de experiência, porque saímos de uma modalidade de uso da linguagem como uma ferramenta de comunicação, para uma relação mais intrínseca com a palavra. Isso se dá porque, na linguagem cotidiana, prática, utilizamos as palavras, geralmente, sem refletir sobre elas. Entretanto, na leitura literária, podemos saborear, sentir, ouvir as palavras. É necessário estarmos em solidão, distanciados de outros, para que a leitura seja tomada como experiência singular e prazerosa. 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao transitar pelas margens desse conto, entramos nas rotas da imaginação de um povo, descrita pela voz do seu narrador. Prieto (1999) propõe que utilizemos a metáfora do mar para pensar sobre essa aventura em que se constitui a leitura do texto literário. Segundo a autora, ao navegar é necessário traçar um percurso, mas conscientes de que quem navega pode encontrar mares brandos ou revoltos. Bran permitiu-se navegar em mares desconhecidos, lançando-se em uma aventura que modificou a rota do seu destino, da sua história de vida e até mesmo de outras pessoas, sejam as moradoras da ilha da felicidade, sejam os irlandeses que o lembravam como uma lenda. O mesmo se dá na aventura literária, que exige coragem, persistência para trafegar por mundos imaginários, viagens cheias de descobertas que nem sempre se entregam facilmente na primeira leitura e não se limitam à palavra em seus sentidos práticos, cotidianos, mas em suas diferentes dimensões e relações: pensamento, enunciado, discurso. REFERÊNCIAS BAKHTIN, Mikhail Mikhailovitch. Estética da criação verbal. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. BENJAMIN, Walter. O narrador. In: ______. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Tradução de Sérgio Rouanet. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. Série Obras Escolhidas. LARROSA, Jorge. La experiência de la lectura. México: FCE, 2003. ______. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Tradução de João Wanderley Geraldi. Revista Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, jan./abr. 2002. Disponível em: <http:// http://www.anped.org.br/rbe/rbe/rbe.htm>. Acesso em: 10 fev. 2010. ______. Caminhos investigativos: novos olhares na pesquisa em educação. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. p. 133 a 160. PRIETO, Heloisa. Lá vem história: contos do folclore mundial. 21. ed. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2008. ______. Quer ouvir uma história? Lendas e mitos no mundo da criança. São Paulo: Angra, 1999. 9