ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO Vivências comunicacionais de Enfermeiros face à criança com surdez profunda Communicational experiences of nurses confronted with children with profound deafness Cristina Maria Fernandes dos Santos* Telma Alexandra Lourenço Gaspar* Vera Cristina de Carvalho Correia* João Manuel Garcia do Nascimento Graveto** Resumo Abstract A comunicação é um elemento de competência substancial para o estabelecimento das relações do ser humano. Sendo esta um processo complexo, revela-se mais difícil quando um dos elementos detém limitações. Neste contexto, o presente estudo centrou-se na relação estabelecida entre enfermeiros e crianças com surdez profunda. Os objectivos da investigação foram descrever as vivências comunicacionais sentidas por Enfermeiros dos Serviços de Otorrinolaringologia e Cardiotorácica do Centro Hospitalar de Coimbra (CHC), face às crianças com surdez profunda e identificar sentimentos de Enfermeiros na comunicação estabelecida com estas crianças. Para a sua realização, recorreuse à metodologia qualitativa de cariz fenomenológico. Utilizou-se como modo de abordagem a entrevista semi-estruturada e como instrumentos de colheita de informação o guião de entrevista e o gravador áudio. A análise das entrevistas foi efectuada com o software NU*DIST (Non-numerical Unstructured Data Indexing Searching Theorizing). Desta análise evidenciaram-se quatro áreas temáticas: “um primeiro impacto” – dificuldades sentidas, estratégias comunicacionais, percepção de enfermeiros e sentimentos e significados das experiências vividas. Considerando a última temática como a essência do fenómeno em estudo. Os achados desta investigação proporcionaram uma reflexão acerca das vivências comunicacionais de enfermeiros, sendo possível considerar a adopção e adequação de diferentes estratégias comunicacionais para se poder aperfeiçoar neste tipo de relações. Communication is a substantial ability for the establishment of human relationships. Since it is a complex process, it becomes harder when one of the elements possesses have some kind of handicap. In �������������������������������������������������������� this context, this study focused on the relationship between nurses and children with profound deafness. The aims of this investigation were to describe the communicational experiences lived by the nurses of Otorhinolaryngology and Cardiothoracic Services from the Hospital Center of Coimbra (CHC), when dealing with children with profound deafness and to identify the feelings of the nurses based on the communication established with these children. To carry out this investigation, the methods used included the qualitative phenomenological methodology. The findings were collected through half-structured interviews and the instruments used for data collection were the script interview and the audio-recorder. The assessment of the interview was done with NU*DIST (non-numerical Unstructured Data Indexing Searching Theorizing) software. In result of this analysis, four thematic areas were outlined: first impact – difficulties felt, communicational strategies, perception of the nurses and feelings and meanings of these experiences, considering this one as the essence of the phenomenon in study. The findings of this investigation led to a reflection about the communicational experiences lived by nurses, admitting the possibility of adopting and adapting different communicational strategies ���������������������������������������������������� to be able to get a better performance in this type of relationship�. Palavras chave: criança, surdez, enfermeiros. Keywords: child, deafness, nurses. *Enfermeiras de Nível I **Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, Mestre em Toxicodependência e Patologias Psicossociais – ISMT – Coimbra. Doutor em Desarrollo y Intervención Psicológica – Universidad de Extremadura – Badajoz, Professor Adjunto na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Recebido para publicação em: 05-09-07 Aceite para publicação em: 26-10-2008 II.ª Série - n.°8 - Dez. 2008 pp.69-78 Introdução Os objectivos delineados para a sua consecução foram: descrever as vivências comunicacionais sentidas por Enfermeiros dos Serviços de Otorrinolaringologia e Cardiotorácica do Centro Hospitalar de Coimbra (CHC), face à criança com surdez profunda e identificar sentimentos de Enfermeiros na comunicação estabelecida com crianças com surdez profunda. A comunicação é um instrumento precioso na (para a) profissão de Enfermagem, isto é, para a relação enfermeiro/utente, pois é impossível não comunicar. Na vida profissional do enfermeiro, a comunicação é a prática mais comum, pois ao relacionar-se com o utente (prestar cuidados directos, conversar, fazer ensinos, um simples olhar, um simples carinho…), mesmo que este não fale, ou que não falem, os seus corpos comunicam impelindo-os a entrar obrigatoriamente em relação e, em simultâneo, no processo comunicacional. Sendo assim, se os enfermeiros estiverem despertos para os diferentes tipos de comunicação, bem como para as diversas alterações na comunicação aquando da prestação de cuidados, nomeadamente quando se trata de crianças com surdez profunda, será mais fácil desenvolver o processo comunicacional. De acordo com Rodrigues (2000), é devido ao mau funcionamento da cóclea que surgem os graus mais acentuados de surdez, como é o caso da surdez. Não existe percepção da palavra, apenas os ruídos intensos são percebidos. Nas crianças com surdez profunda não existe desenvolvimento espontâneo da linguagem (Lafon, 1989). Nenhuma sensação auditiva verbal pode ser captada pela criança espontaneamente. Decorrente disto, é necessário adoptar métodos especiais na estimulação da linguagem e fazer um treino intenso de maneira a aproveitar os resíduos auditivos. No entanto, pode e deve-se recorrer à língua gestual (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2007). De forma a contribuir para o desenvolvimento do corpo de conhecimentos da Enfermagem, considerámos relevante a elaboração de um estudo que abordasse as “Vivências Comunicacionais de Enfermeiros face à Criança com Surdez Profunda”, devido à escassez de estudos desenvolvidos neste campo de conhecimentos, entendemos como importante identificar/descrever conceitos inerentes a esta temática que podem ser cruciais para o entendimento da comunicação face à criança com surdez profunda. Este estudo de investigação desenvolveu-se a partir da seguinte questão: quais as vivências comunicacionais sentidas por Enfermeiros dos Serviços de Otorrinolaringologia e Cardiotorácica do CHC, face à criança com surdez profunda? Metodologia Sendo uma área onde o conhecimento é, ainda, escasso, esta investigação situa-se ao nível I (exploratório-descritivo), com vista a reconhecer um fenómeno, de forma a torná-lo público. Este consiste em descrever e identificar um fenómeno, acontecimento ou situação, de forma a torná-lo conhecido (Fortin, 2000). Optou-se pelo método qualitativo visto que este, de acordo com Queirós (2001), centra-se na forma como os sujeitos interpretam e sentem as suas experiências, bem como, o meio em que se encontram inseridos com intuito de promover uma melhoria nos cuidados de enfermagem prestados. Este método preocupa-se com a compreensão absoluta e ampla do fenómeno em estudo, observa, descreve e interpreta o meio e o fenómeno tal como se apresentam, sem os controlar e segundo a perspectiva dos sujeitos. Tem como objectivo descrever ou interpretar, mais do que avaliar, isto porque o método fenomenológico visa a busca da essência do fenómeno, assim como a sua natureza intrínseca e o sentido que as pessoas lhe atribuem (Fortin, 2000). Para a selecção dos participantes foram tidos em conta os seguintes critérios de inclusão: que os enfermeiros exercessem a profissão nos Serviços escolhidos e que tivessem experiência comunicacional com crianças com surdez profunda, tendo sido respeitados os procedimentos éticos e formais. Estabelecidos os referidos contactos, foram realizadas onze entrevistas no total, nove a enfermeiros do Serviço de Otorrinolaringologia e duas a enfermeiros do Serviço de Cardiotorácica Nos estudos de cariz qualitativo devem ser incluídos participantes até obter saturação “isto é, quando não emergem novos temas ou essências dos participantes e os dados se repetem…” (Streubert e Carpenter, 2002, p.67). Em concreto, neste estudo verificou-se que as 11 entrevistas permitiram a saturação de informação. Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Vivências comunicacionais de Enfermeiros face à criança com surdez profunda 70 Dos onze participantes, seis eram do sexo feminino e cinco do sexo masculino, variando as suas idades entre vinte e três e quarenta e cinco anos. No momento da colheita de dados, constatou-se que a experiência profissional dos participantes varia entre oito meses e vinte e quatro anos. No entanto, no que diz respeito ao tempo de exercício da profissão nos actuais serviços, varia entre os oito meses e os dezasseis anos. Relativamente à categoria profissional, participaram dois Enfermeiros de Nível II, oito Enfermeiros Graduados e uma Enfermeira Especialista. No que concerne ao modo de abordagem, utilizouse a entrevista semi-estruturada e como instrumento de colheita de informação o guião de entrevista e o gravador áudio. Para que os participantes tivessem maior liberdade de resposta este guião foi composto por duas perguntas abertas, sendo elas: – Descreva-nos as suas vivências pessoais de comunicação, enquanto enfermeiro do Serviço de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar de Coimbra, na relação que estabelece perante criança com surdez profunda, que o(a) tenha marcado de algum modo; – O que sente quando comunica com crianças com surdez profunda? As entrevistas decorreram no período de 29 de Março a 7 de Abril de 2007, com uma duração de aproximadamente dez a quinze minutos, em média. Para o procedimento de análise dos achados optámos pelo método fenomenológico, proposta de análise fenomenológica de Loureiro (2002), que converge num único de vários modelos de abordagem, mantendo o essencial da proposta de Husserl, apresentada posteriormente por Spiegelberg. O processo de validação foi, tal como as outras etapas, realizado de acordo com o modelo supracitado, tendo-se após a obtenção das unidades naturais de significado e construção do perfil constitutivo, recorrido a um especialista com experiência de investigação e orientação de trabalhos de investigação fenomenológica, possibilitando a validação do processo desde a formação das unidades naturais de significado até aos perfis constitutivos. Numa primeira fase, as entrevistas foram analisadas por cada um dos investigadores, para evitar uma possível “contaminação” do pensamento. A posteriori, reuniram-se as análises realizadas individualmente, compararam-se, tendo-se chegado a um consenso acerca das mesmas. Assim, foi possível definir, além da estrutura dos achados, um índice temático. Na última etapa, etapa de validação, retornámos ao serviço onde os informantes exercem funções, para que estes validassem os achados. De acordo com Streubert e Carpenter (2002) esta é uma actividade fundamental para aumentar a credibilidade do estudo. Apresentação, análise e discussão dos achados Neste estudo, através do processo de análise fenomenológica de Loureiro (2002) realizado às informações obtidas nas entrevistas, identificaramse quatro temas centrais, sendo eles: “um primeiro impacto” – dificuldades sentidas, estratégias comunicacionais, percepção de enfermeiros e sentimentos e significados das experiências vividas. Consideraram-se os sentimentos e significados das experiências vividas como a essência do fenómeno em estudo, embora todos os temas em conjunto se encontrem intimamente relacionados entre si e em constante interacção. Está subjacente a estes temas centrais o contexto onde o fenómeno foi estudado, como por exemplo, a disponibilidade dos participantes e investigadores e o local onde foram realizadas as entrevistas. O diagrama I abarca toda a estrutura do fenómeno investigado, tornando possível uma melhor reflexão sobre os resultados da investigação. Diagrama I – Estrutura do Fenómeno em Estudo Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Cristina Maria Fernandes dos Santos, et al. 71 “Um primeiro impacto” – dificuldades sentidas doentes de Otorrinolaringologia onde estão as crianças. Neste contexto, a comunicação com a criança surda é dificultada, conforme relata um dos enfermeiros, “…porque (…) ela está no meio de adultos, começa logo por aí, pelos vistos são razões técnicas, é que só neste bloco é que existe determinado aparelho (…) A enfermaria não tem nem de longe nem de perto condições para as crianças, muito menos crianças com mães.” (E9: 27 - 31) Na subsequência destes factores e devido ao facto de ser um serviço com grande movimentação de doentes, há uma sobrecarga de trabalho e stress para os enfermeiros, sendo também estes factores que contribuem para uma diminuição da capacidade de comunicação do enfermeiro face à criança com surdez profunda (Rosas, 1989). As limitações sentidas pelos enfermeiros na relação estabelecida com crianças com surdez profunda poderão estar relacionadas com a falta de formação nestas áreas, o que irá dificultar a comunicação e, consequentemente, o cuidar. Esta ideia foi reforçada quando foi referido que “nós também não somos especializadas nem em crianças, nem neste tipo de cirurgias, mas vamos tentando dar o nosso melhor que é isso que nos é pedido….” (E10: 106 – 108) Segundo Lapassade (1933) apud Gomes (1999, p.178), ‘O homem moderno aparece cada vez mais em todos os planos da sua existência, como um ser inacabado. O inacabamento da formação torna-se uma necessidade num mundo marcado pela transformação permanente das técnicas o que implica uma educação igualmente permanente’. Na mesma perspectiva Honoré (2004, p.120) refere que o objectivo da formação tanto inicial como contínua consiste em contribuir para o desenvolvimento de uma “pessoa enfermeira cujo perfil é determinado pelos conhecimentos, aptidões e qualidades humanas”. Aquando da realização das entrevistas, os participantes referiram sentir uma dificuldade redobrada na comunicação quando a surdez se apresentava em simultâneo, ou seja, tanto no acompanhante (mãe) – como na criança. A complexidade desta situação deve-se ao facto do enfermeiro ter dificuldade em apelar a estratégias alternativas de comunicação não verbal, uma vez que, tendo em conta a dificuldade de comunicar com estas crianças, uma das estratégias dos enfermeiros é a colaboração dos pais, pois são eles que melhor conhecem os filhos. Quando estes últimos são não ouvintes verifica-se uma maior dificuldade Devido à complexidade inerente à relação comunicacional estabelecida entre o enfermeiro e a criança com surdez profunda num “primeiro impacto”, muitos são, os momentos, em que os enfermeiros vivenciam dificuldades, podendo estas dever-se a inúmeras razões. Silva (1980) apud Augusto (1995, p.67) refere que ‘o processo da relação inicia-se no primeiro momento em que o enfermeiro-doente e família se encontram. É um factor (…) [que] marca logo o cariz das relações futuras’. As dificuldades sentidas pelos enfermeiros, acabam por constituir uma barreira ao estabelecimento de uma relação comunicacional eficaz. Uma dessas dificuldades deve-se ao facto de lidar com crianças, sobretudo quando estas apresentam surdez profunda. Este facto é patente, por exemplo, quando dizem que “…é sempre difícil lidar com uma criança surda, nós temos aqui crianças com 2/3 anos e é sempre difícil lidar com estas crianças, mais ainda, quando tem outra doença associada que nos interfere um pouco na comunicação visto serem surdos e terem dificuldade na comunicação.” (E10: 5 – 8). Estas dificuldades poderão estar relacionadas com o facto de a sociedade humana atribuir maior importância à comunicação oral, por ser mais adequada a transmissão de informação; dificultando a comunicação entre ouvintes e não ouvintes. No entanto, de acordo com Souto (2006), nós transmitimos uma maior quantidade de mensagens pelo nosso comportamento não verbal. Desta forma, os enfermeiros poderão desenvolver uma comunicação não verbal eficaz em muitos dos seus relacionamentos com a criança surda e a sua família. As condições do serviço também influenciam a comunicação estabelecida com a criança. A falta de algumas condições, dos recursos do serviço pode quebrar o contínuo de uma comunicação, assim como causar mal-estar e desconforto a ambos os sujeitos que intervêm na comunicação. Essa deficiência de condições do serviço foi referida por alguns participantes como algo que marca em termos de comunicação e de compreensão, uma vez que as mesmas instalações físicas, são partilhadas pelos Serviços de Otorrinolaringologia e Urologia, estando em contacto os doentes de urologia adultos e os Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Vivências comunicacionais de Enfermeiros face à criança com surdez profunda 72 comunicacional. Esta dificuldade foi descrita como, por exemplo, “...lembro-me de uma situação em que a criança era surda e a mãe também o era e daí resultou uma situação em que era extremamente difícil comunicar quer com uma quer com outra (…) e era extremamente difícil comunicar com a mãe da criança, que fará com a criança.” (E8: 5 – 12) A comunicação é uma necessidade do Ser Humano e este é, essencialmente, um ser comunicativo, ‘... Então, se está aceite que todo o comportamento, numa situação interaccional, tem valor de mensagem, isto é, é comunicação, segue-se que, por muito que o indivíduo se esforce, é-lhe impossível não comunicar’ (Watzlawick, 1993 apud Rebelo, 2002). O envolvimento dos familiares nos cuidados prestados à criança proporciona e mantém o direito que a família tem de estar unida. Pode trazer conforto e tranquilidade a ambos, ajudar a reduzir a ansiedade e o medo (incluindo o medo da hospitalização). Neste contexto, os pais são agentes facilitadores da comunicação, mas devido à situação de saúde dos filhos surgem sentimentos de desespero e ansiedade, constituindo uma barreira na relação enfermeirocriança, actuando como factor destabilizante. Da experiência dos enfermeiros ressalta que, “às vezes as mães são umas barreiras, porque algumas sentem-se um pouco… e acredito que não seja uma situação fácil, vir para um hospital com uma criança pôr um implante, mas despejam em nós por vezes alguma… raiva não direi, mas algum desespero pela situação em que o filho está e por vezes, travam ali um pouco a relação entre a criança e o enfermeiro. Isso é um bocado difícil para nós, porque acabamos por não fortalecer aquela relação que queríamos com a criança e pronto acaba por ser uma coisa mais distante, o que acabava por serem as mães as culpadas destas situações.” (E10: 97 – 103) Para as crianças e seus familiares, a hospitalização constitui um potencial de stress mais grave que nas pessoas ouvintes, gerando, simultaneamente, sentimentos de frustração nos profissionais de saúde (Oliveira e Pedro, 2005). Convém, no entanto, realçar que a família também vive o processo de doença com muita intensidade e angústia, o que deve ser alvo da atenção dos enfermeiros. A autora refere, ainda, que a ansiedade produzida pela doença interfere na comunicação, sobretudo na habilidade de comunicar. Sendo assim, as pessoas ficam irritadas, nervosas, impacientes e descontroladas, não sabendo por vezes o que dizem ou o que ouvem (Augusto, 1995). Segundo os participantes, um factor que também dificulta o processo comunicacional é a hospitalização, uma vez que a criança se encontra num ambiente estranho e desconhecido, ou seja, “como é que a criança estando num ambiente fora do ambiente rotineiro dela, como é que ela enfrenta as dificuldades todas e ainda mais essa de nos tentar compreender…” (E8: 33 – 35) Castanheira et al (1988) já apelou para esta situação, dizendo que muitas vezes os enfermeiros podem influenciar positiva ou negativamente a maneira da criança considerar a hospitalização, dependendo da comunicação entre estes. O mesmo autor acrescenta que o enfermeiro tem de perceber como é que a criança expressa satisfação ou insatisfação para saber se as necessidades da criança estão a ser satisfeitas. O enfermeiro poderá vivenciar uma relação de ajuda no encontro com qualquer ser humano, principalmente com a criança com surdez profunda, materialização do acto do cuidar, simultaneamente simples e complexo: a razão e a essência de se ser enfermeiro (Cabete, 1999). Estratégias comunicacionais A comunicação é um processo que se efectiva pelo uso das palavras, sendo estas enriquecidas por um conjunto de mensagens não verbais. Os enfermeiros, na sua prática diária comunicam constantemente com a criança, daí que tenham que ser detentores de conhecimentos relativos às diversas estratégias comunicacionais. Neste sentido, a maioria dos enfermeiros do presente estudo parecem estar atentos a estes aspectos, valorizando alguns indícios não verbais como os gestos, o toque, a expressão labial, o brincar entre outros. A comunicação com a criança com surdez profunda exige do enfermeiro a utilização de estratégias comunicacionais diferentes das utilizadas em outras situações e que se adeqúem ao contexto, no sentido de promover a eficácia comunicacional. Uma destas estratégias utilizadas prende-se com o acto de brincar. Tendo em conta que é uma actividade lúdica, contribui para que a criança aprenda a conhecer-se a si próprio e aos outros, ou seja, pretende levar à compreensão da criança através da Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Cristina Maria Fernandes dos Santos, et al. 73 brincadeira revestindo-se das mais diversas formas. Garvey (1992, p.7) afirmou que “a actividade lúdica desempenha qualquer função única ou uniforme na vida de uma criança”. O brincar é uma das estratégias mais praticadas pelos participantes, uma vez que lhes permite estabelecer uma relação comunicacional com a criança surda, proporcionando uma maior proximidade. Esta ideia é reforçada com a descrição “normalmente nós comunicamos, portanto utilizamos todo o tipo de estratagemas e peripécias que nós fazemos no dia-a-dia para comunicar com as crianças, desde brincar com elas, portanto fazer um balãozinho com uma luva se for preciso, situações do género.” (E1: 49 – 52) É normal que as crianças sintam ansiedade em diversas fases do internamento (Oliveira e Pedro, 2005). As crianças surdas experimentam com frequência dificuldades na comunicação com os profissionais de saúde, por incapacidade de acompanhar uma conversa, deste modo a presença da família ao longo do internamento é fundamental para o bem-estar desta e para o estabelecimento da comunicação com a equipa de enfermagem, como foi referido, “…nós aqui não temos grandes problemas e temos sempre os pais por perto para nos fazerem a ligação, que é muito importante se não estivessem então!.. aí sim, iria ser complicado.” (E11: 66 – 73), “a mãe sinceramente neste serviço é a nossa ponte de ligação sem dúvida, muitas vezes eu própria para tentar fazer alguma coisa, às vezes tinha-lhe de pedir colaboração…” (E2: 42 – 45) Com intuito de diminuir estas dificuldades, Salt (1991) apud Augusto (1995), refere que o envolvimento dos familiares nos cuidados prestados à criança ajuda a manter o lugar desta na família, a continuidade como unidade familiar através da conservação do seu lugar e a ligação com o ambiente familiar na sua rotina, prevenindo, assim, que a criança sinta um “corte” e fornecendo mais oportunidades para exprimirem as suas preocupações. Outra estratégia apontada pelos participantes, de forma a facilitar a comunicação com a criança surda, é os gestos: “temos que comunicar por gestos, indicar para o bracinho dizer que vamos colocar uma agulhinha…” (E1: 23 - 25), pois é considerada como uma espécie de linguagem universal, facilitando muito mais a comunicação. Na opinião de Phaneuf (2005), na profissão de Enfermagem, os gestos traduzem o nosso estado interior. Daí que, quando o enfermeiro precisa de comunicar através de gestos, necessita de os adaptar às suas necessidades. Nesta medida, os enfermeiros quando comunicam com a criança surda através de gestos pretendem transmitir uma mensagem, de forma a superar as dificuldades da impossibilidade da comunicação oral por parte das crianças. A face humana é carregada de expressão, transmitindo as nossas reacções ao que vemos, ouvimos e percebemos interiormente. É, muitas vezes, através da expressão labial que o enfermeiro se consegue fazer entender perante a criança surda, sendo este um dos meios mais fáceis para a criança interpretar o que lhe está a ser dito. De acordo com esta ideia, afirmaram que “… para comunicar com um surdo é preciso arranjar sempre estratégias e então em crianças… a criança normalmente consegue ler pelos lábios (…).” (E10: 77 – 78) Na opinião de Souto (2006), para facilitar a interacção, pode-se desenvolver várias estratégias, entre as quais: ter o cuidado de falar olhando para a criança de maneira a que ela possa ler através dos seus lábios e pronunciar as palavras clara e lentamente para que a criança as distinga. O toque desperta sentimentos tanto em quem toca como em quem é tocado, pelo que, é importante que o enfermeiro tenha consciência da imensa potencialidade desta estratégia comunicacional. Neste contexto, os participantes referiram este método como sendo um dos mais utilizados aquando da comunicação com a criança surda: “comunicamos de todas as maneiras com todos os métodos que tenho à mão para me fazer entender, para ele me entender e para eu o entender a ele, faço um esforço para o compreender, faço de tudo, gestos, o toque embora eles inicialmente sejam um bocado esquivos, não gostam muito que a gente lhes toque. Mas depois a gente acaba por fazer umas palhaçadas, desde que seja para ajudar a gente faz o que for possível.” (E11: 76 – 81) Esta forma de comunicação “pode ser usada como meio de transmitir informação e ainda como meio de intervenção” (Chalifour, 1989, p.104 apud Gemito, 1999 p. 176). De acordo com o que nos é relatado pelos participantes, é notório o sentimento de necessidade auto-protecção, quando lidam com situações que consideram ser mais difíceis para as crianças, ajustando as estratégias para lidar com as mesmas. Este aspecto foi descrito como: “…nós quando Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Vivências comunicacionais de Enfermeiros face à criança com surdez profunda 74 vamos “picar” uma criança, se a criança não for muito susceptível, a gente sai de lá a chorar como se fossemos nós a criança, e quando vamos, vamos muitas que é para não ser só eu, quer dizer (risos), eu quando vou para “picar” uma criança nunca quero ir sozinha, isto não só pelo facto de a estarem a segurar de um movimento mais brusco para que não haja nenhum acidente, mas também por uma questão de sentirmo-nos mais protegidos, não nos sentimos tão sós a fazer uma coisa que sabemos que é dolorosa.” (E10: 23 – 30) O que foi explanado anteriormente é corroborado por Lisboa, Loureiro e Lucas (1995) que afirmam que, muitas vezes, os profissionais de Enfermagem sentem necessidade de adoptar uma postura profissional e técnica de distanciamento. Esta postura decorre da necessidade de evitar a identificação ao sofrimento do outro, o que poderia ser angustiante e incapacitante. Esta estratégia é adaptativa e previne o surgimento de stress profissional. Alguns enfermeiros referiram sentir “… que háde ser muito difícil perceber o que nós queremos dizer e não entender assim, sem ser por gestos. E é muito difícil para eles perceberem nomeadamente porque são crianças muito pequenas com três anos, até às vezes com dois anos e meio…” (E5: 12 - 15), no entanto, não se pode deixar de comunicar. Nesta perspectiva, Watzlawick apud Rispail (2003) defende que se admitimos que numa interacção todo o comportamento tem um valor de mensagem, significa que há comunicação. As nossas emoções e as nossas manifestações corporais falam por nós. O nosso corpo, a nossa posição corporal, os nossos gestos representam a nossa relação com o mundo. Alguns participantes referiram que as crianças com surdez são mais espertas e desenvolvidas que outras crianças. Esta vivência é descrita como, “é com agrado que tratamos dessas crianças. Eles são muito mais espertos do que os outros garotos têm surdez mas têm outros sentidos mais apurados e mais desenvolvidos.” (E6: 47 - 49). Isto pode deverse ao facto de ao longo do seu curto período de vida se terem deparado com situações que as obrigaram a uma adaptação ao mundo, que, genericamente, assenta numa comunicação oral. Assim, é importante não esquecer que, de certo modo, são raras as circunstâncias que elas não compreendem apesar das suas limitações. A interpretação que a criança surda faz da experiência hospitalar pode advir da sua necessidade de avançar ao longo de uma sequência, explorando muito o contexto que a rodeia, tem uma capacidade de observação e de memória visual apurada e potenciada, estando muito atenta aos pormenores e na ausência de uma fonte de distracção possui uma boa capacidade de concentração (Souto, 2006). Daí ter sido mencionado que “… elas são espectaculares, têm uma capacidade extraordinária, são fora de série. Costuma-se dizer que quando não se tem um sentido apura-se os outros e é mais ou menos isso, porque eles… têm uma força.” (E10: 45 - 47) Percepção de enfermeiros A percepção que temos do outro é influenciada por algumas das nossas tendências e dos nossos hábitos perceptuais, que se podem revelar determinantes na avaliação e relação com o outro. “Em psicologia a percepção define-se como um conhecimento imediato de origem sensorial” (Jimenez, 1997, p.81). Neste contexto a percepção dos enfermeiros, não se baseia apenas na primeira ideia que chega à mente através da informação recebida pelos órgãos dos sentidos, ou seja, a percepção do objecto. Muito pelo contrário, é uma transcendência que permite a compreensão do outro ou da situação, a representação do meio, a percepção das características, posterior à percepção imediata (Miller apud Jimenez, 1997). Segundo Phaneuf (2005, p.94) “é da percepção que emerge as nossas avaliações positivas ou negativas das pessoas e das coisas.” Deste modo, das relações comunicacionais surgem percepções, das quais resultam sentimentos e significados que vão influenciar as relações comunicacionais futuras. Como tal, é através das percepções dos enfermeiros, da ideia que eles têm das crianças com surdez e da forma como as tentam compreender que as vivências comunicacionais se tornam marcantes, quer pela positiva, quer pela negativa. Sentimentos e significados das experiências vividas A relação com as crianças com surdez profunda desencadeia no enfermeiro diversas emoções, as quais estabelecem um desafio para o próprio. De Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Cristina Maria Fernandes dos Santos, et al. 75 acordo com o que foi referido pelos participantes, o desenvolvimento de uma comunicação com elas gera múltiplos sentimentos e significados de conforto e de desconforto. É importante realçar que os sentimentos não podem ser considerados obstáculos ou ameaças a um agir adequado. Pelo contrário, o facto de reconhecer e reflectir sobre as circunstâncias em que são experienciadas determinadas emoções e sentimentos, permite uma melhor compreensão e opções mais pertinentes em situações futuras similares (Mateus, 2005). Consideramos os sentimentos e significados das experiências vividas pelos participantes um tema central de bastante relevância, pois é através dos sentimentos provenientes das experiências vivenciadas que os enfermeiros irão atribuir significados. Por sua vez estes significados poderão vir a influenciar futuramente as relações comunicacionais com as crianças surdas, constituindo, então, a essência do fenómeno em estudo. Dos sentimentos e significados de conforto mencionados pelos participantes destacam-se a gratidão e a ternura. Estes sentimentos e significados advêm da relação com a criança surda, bem como, da satisfação na realização do trabalho que desenvolvem com esta e pela sua evolução a nível do tratamento. Esta ideia é realçada através da expressão, “… é bom, é gratificante ver a evolução que eles têm.” (E4: 60 61). A gratificação é, deste modo, sentida com grande intensidade e geradora de bem-estar no indivíduo. As dificuldades sentidas pelos enfermeiros na comunicação com as crianças surdas vão fortalecer a relação entre ambos, uma vez que implica uma maior disponibilidade por parte do enfermeiro, com o intuito de ultrapassar essas dificuldades, intensificando assim os laços de ternura. O afecto dá, assim, o verdadeiro sentido a tudo. Este sentimento é descrito da seguinte forma, “acho que é um grande afecto, por pouco tempo que seja que estamos com eles, criamos aqui um elo bastante grande, porque talvez pela dificuldade, quanto mais difícil mais tempo nós temos que lá estar e sei lá, é um carinho diferente.” (E2: 23 – 25) Quando a intervenção do enfermeiro não tem o efeito desejado, surgem sentimentos de desconforto, que advém de situações que, de algum modo, despertam emoções difíceis de superar. Os sentimentos e significados mencionados pelos participantes foram: o receio, ansiedade, angústia, impotência e situação difícil. Os participantes referiram sentir receio de não conseguir comunicar com as crianças surdas, devido às dificuldades intrínsecas às mesmas, “…é uma situação um pouco difícil não é? principalmente quando não lidamos com crianças todos os dias, há sempre um certo receio da nossa parte.” (E1: 37 – 39), no entanto, usam algumas estratégias comunicacionais para diminuir as dificuldades sentidas. Porém, mesmo com a sua utilização, podem não conseguir ultrapassar todas as dificuldades, sentindo-se angustiados por não conseguirem comunicar, principalmente aquando da realização de procedimentos invasivos, isto porque, “enfrentar uma criança para fazer um tratamento já por si há sempre uma certa angústia quanto a tratamentos mais agressivos (…) causam mais angústia, que sabemos que é daquelas situações que a criança à partida sofre mais, pelo menos manifesta mais esse sofrimento e portanto causa sempre uma certa angústia, mas pronto tentamos ultrapassar isso e não mostrar muito isso.” (E1: 54 – 60), o que vai gerar ansiedade, pois, “…o sentimento é sempre um sentimento de expectativa um sentimento de ansiedade…” (E9: 32 – 33). De acordo com a Academia das Ciências de Lisboa (2001), a angústia é um mal-estar profundo, físico e psicológico, que se manifesta por ansiedade, inquietação e tristeza especifica, provocado por uma situação penosa que não é dominada ou da qual se tem medo. Os participantes experienciaram “uma certa impotência em tentar comunicar e às vezes não conseguir, não se conseguir estabelecer mesmo essa comunicação.” (E5: 38 – 39) No entanto, referemna, também, como um significado atribuído aos sentimentos de desconforto vivenciados aquando da comunicação. De acordo com Lazure (1994), nalgumas situações os enfermeiros sentem-se impotentes, contudo a prática da relação de ajuda contribui para avaliar essa impotência, permitindo identificar na criança com surdez profunda as dimensões onde poderão oferecer uma ajuda profissional de qualidade. Apesar dos participantes tentarem encontrar estratégias para conseguirem estabelecer uma comunicação funcional com estas crianças, eles salientam que esta comunicação não deixa de ser uma situação difícil, “…comunicar com uma criança Revista Referência - II - n.°8 - 2008 Vivências comunicacionais de Enfermeiros face à criança com surdez profunda 76 estrutura do fenómeno foi constituída com base nas vivências comunicacionais de enfermeiros em estudo, num determinado contexto. Contudo, as informações contidas no estudo poderão servir de reflexão sobre a prática profissional, uma vez que se trata de um estudo transferível. Tendo em conta as dificuldades sentidas pelos participantes aquando da relação comunicacional com as crianças com surdez, consideramos oportuno que estes recorram à utilização da língua gestual com o intuito de superar ou diminuir as dificuldades sentidas. Será fundamental que os enfermeiros estejam mais despertos para esta língua, uma vez que ela é utilizada não só pelas crianças surdas mas também pelos ouvintes, nomeadamente os seus familiares. Pensamos que será oportuno a continuação deste estudo, pois ainda há muito para conhecer nesta área e dar a conhecer. Somos da opinião que é extremamente importante que as sugestões referidas sejam alargadas a todos os profissionais e se possível a todos os serviços do Hospital, a fim de que as crianças com surdez tenham oportunidades iguais nos diferentes serviços, maior bem-estar e uma melhor relação de confiança em relação às instituições hospitalares e seus profissionais. O Hospital é um centro de atendimento público, logo é um espaço no qual são acolhidas uma grande diversidade de pessoas com problemas de saúde. Neste contexto os profissionais de enfermagem devem apetrechar-se cada vez mais de conhecimentos, tanto técnicos como relacionais, de forma a satisfazer as necessidades fundamentais dos doentes, tendo como principal objectivo o seu bem-estar e conforto. é complicado e comunicar com uma criança que não ouve ainda mais complicado é…” (E9: 5 – 6). Aparentemente, a comunicação estabelece-se mais facilmente quando as pessoas em presença possuem uma boa acuidade auditiva e visual, mas isso não constitui, no entanto, um obstáculo insuperável (Phaneuf, 2005). A preparação da criança, bem como, a prestação de cuidados, nomeadamente, cuidados invasivos, constituem situações difíceis quer para os enfermeiros, quer para as crianças e familiares. Isto porque, “…é muito raro uma criança aceitar logo à partida que se faça esse tipo de tratamento não é, tem que ser, somos dois ou três de volta dela, a mãe segura o braço, um de nós segura na criança, isto é uma situação complicada...” (E1: 26 – 29) Neste contexto, quando estas crianças se revelam retraídas e inseguras, comunicar com elas pode tornarse um grande desafio para a equipa de Enfermagem. Conclusões/implicações para a enfermagem Perante um tema com o qual, diariamente, os participantes deste estudo se deparam e sendo este pouco explorado, os mesmos tiveram oportunidade de partilhar as suas experiências e reflectir de uma forma sistematizada acerca da sua actuação aquando da relação com estas crianças. No decorrer da elaboração desta pesquisa objectivouse a importância de se ter enveredado por uma abordagem epistemológica compreensiva qualitativa numa perspectiva fenomenológica hermenêutica, tendo em conta que o que se pretende conhecer é a essência do fenómeno, através das experiências, dos sentimentos e dos significados atribuídos às vivências comunicacionais. No que diz respeito aos objectivos da investigação, entendemos que os mesmos foram logrados. No entanto, sentimos algumas dificuldades na sua consecução, principalmente devido à escassez de estudos e bibliografia nesta área, tendo dificultado a confrontação dos achados identificados com outros autores. Devido ao facto de ser um trabalho de cariz qualitativo, o fenómeno em estudo não é passível de ser generalizado a todos os enfermeiros que cuidam de crianças com surdez profunda, isto porque a Bibliografia Academia das Ciências de Lisboa (2001) - Dicionário da língua portuguesa contemporânea. Lisboa : Editorial Verbo. Vol. 1. 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