Lei de Hooke e movimento harmônico simples no sistema massa-mola J. C. Filho, M. S. M. Júnior Instituto de Física - Universidade Federal de Uberlândia Av. João Naves de Ávila, 2121 - Santa Mônica – 38400-902 – Uberlândia – MG - Brasil. E-mail: [email protected] Resumo. Neste relatório, apresentam-se as medidas efetuadas e as análises verificando a Lei de Hook, e a conservação da Energia Mecânica no movimento vertical de um sistema massa-mola. Na montagem experimental uma massa pendurada em uma mola executa pequenas oscilações. Após a análise dos nossos resultados, obteve-se o valor estático e dinâmico da constante elástica da mola utilizada, sendo 14,10 06 N/m e 17,28 0,13 N/m, respectivamente. erro digitação Palavras chave: Lei de Hook, conservação da energia mecânica, constante elástica da mola. Citar referências no text usando ABNT ex: ...mas amortecido (Araujo,2002) 1. O corrente relatório, referido a disciplina de laboratório de Física 2 do curso de física de materiais, sobre o tema Lei de Hooke e movimento harmônico simples no sistema massa mola vertical, apresenta os resultados obtidos de acordo com os experimentos realizados. Esse tipo de sistema é muito usado no cotidiano, por exemplo, os amortecedores de um carro, porém, funcionam como um movimento harmônico não simples, mas amortecido. O objetivo desse trabalho é verificar a lei de Hook,e almejando estudar o movimento harmônico simples de um sistema massa-mola vertical, verificando a relação entre o período e a massa. Com esses estudos pretende-se encontrar o valor da constante da mola, estático e dinâmico, comparando-os em seguida. O trabalho está organizado na seguinte sequência: Introdução teórica sobre o trabalho, procedimento experimental, resultados e discussões, e por fim a conclusão. 2. Teoria Um corpo de massa m está inicialmente em repouso suspenso por uma mola de constante elástica k. Uma mola ao sofrer deformações acumula energia potencial elástica. Esta energia possui uma força associada que é chamada força restauradora, ou força elástica, que é proporcional ao deslocamento da posição de equilíbrio. Esta força é dada por: (1) Essa equação é descreve a lei de Hook. No equilíbrio as únicas forças que atuam são a força elástica, equação (1), e a força peso, equação (2). (2) Quando a massa é acoplada a mola, ela sofre uma deformação x, tal que as únicas forças atuantes, equação (1) e (2), se igualam, resultando na seguinte relação: (3) Se o corpo de massa m for deslocado de sua posição de equilíbrio, o sistema massa mola irá sofrer uma oscilação. O sistema massa mola vertical, as forças atuantes, no equilíbrio, estão representadas na figura 1. Conforme o desenho pode-se encontrar as funções de deslocamento, velocidade e aceleração, partindo da equação (3), ao 1 solucionar a equação diferencial, descrito pela seguinte relação: Introdução (4) Resulta na equação do deslocamento do movimento vertical: (5) (6) Resultando na expressão do período de oscilação: Figura 1: Sistema massa mola vertical, em equilíbrio. (7) Porém, essa equação, não possui uma relação linear entre o período e a massa. Ao elevar os dois lados da equação (7) ao quadrado, resulta numa relação linear entre e , que pode ser vista na equação a seguir: (8) Por meio da técnica de derivação na equação (4), encontra-se a velocidade e a aceleração do movimento: (9) (10) Após o início do movimento oscilatório, desconsiderando as perdas de atrito, devido à deformação da mola, ocorrerão trocas de energias. As energias envolvidas são as energias cinética, Ek, potencial elástica, EPe, e potencial gravitacional, Epg, descritas abaixo, respectivamente: (11) (12) (13) No qual, v é a velocidade em cada instante, y é a altura em relação ao referencial inicial e x é a deformação da mola, definido na equação (3). Assim, a energia mecânica do sistema é definida por: (14) Analisando a figura 2, percebe-se que ao alongar a mola, a uma distância H, a partir do nível A, o equilíbrio, a massa chega à posição no nível B. Neste ponto, considera-se o referencial inicial da variável y, e é de fácil raciocínio que a Letras em negritos seguinificam grandezas vetoriais. Por exemplo, F, P, g, x. velocidade neste nível é nula. Conclui-se que neste instante t, no nível B, com o valor do deslocamento é, ,a energia mecânica é somente: (15) Pelo principio da conservação da energia mecânica essa grandeza deve-se conservar, então, no momento que essa massa for solta e chegar ao nível A, a energia mecânica deve ser igual à energia mecânica no nível B. No instante em que o sistema é liberado do nível B, ele possui energia potencial elástica armazenada, que proporciona o surgimento de energia cinética e energia potencial gravitacional. Assim sendo, a energia mecânica neste nível B, é dada por: (16) Em que , é definido pela equação (3). Assim ocorrendo à conservação da energia a energia no nível B e a energia no nível A devem ser a mesma, ou seja, igualando as equações (15) e (16) temos: (17) 1. Colocar o sistema massa-mola para oscilar, e medir dez oscilações completas [ , três vezes para cada massa colocada no suporte. 2. Fazer uma tabela e o gráfico correspondente com os dados obtidos. 3. Encontrar o valor da constante da mola dinâmico. Por fim anotaram-se os erros associados à balança digital, régua e do cronômetro. 4. Resultados e Discussão Conforme descrito no procedimento, foram medidos para massas m diferentes, valores de três medidas do período de oscilação do sistema. Os valores colhidos na primeira parte do procedimento foram: comprimento da mola em repouso, , com erro associado . Em seguida efetuou-se o procedimento e obteve os valores para o deslocamento h, conforme alterasse a massa m. Os respectivos erros e os dados obtidos estão catalogados na tabela 1. Tabela 1: Dados do deslocamento x, conforme se aumenta a massa do objeto no suporte acoplado à mola. Figura 2: Figura que representa os níveis de deslocamento do sistema massa mola, quando posto para oscilar. 3. m (kg) Δm (kg) x (m) Δx (m) 0,050 0,100 0,150 0,200 0,250 0,001 0,001 0,001 0,001 0,001 0,035 0,071 0,106 0,140 0,174 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 0,0005 Por meio dos dados da tabela 1, criou-se o gráfico, descrito na figura 4, que relaciona a dependência do deslocamento pela massa. Procedimento Experimental Figura 3: Aparato experimental. A figura 3 demonstra o aparato experimental. Além desses foram usados conjunto de corpos com massa, cronômetro e balança digital. O procedimento experimental foi divido em duas partes: 1ª parte: Verificar a lei de Hook.e 1. Medir o comprimento da mola em repouso. 2. Medir o deslocamento x, para cada massa acoplada à mola. 3. Fazer uma tabela e em seguida um gráfico, com os dados obtidos de m(kg) e x(m). 4. Encontrar o valor da constante da mola estático. 2ª parte: Verificar o movimento harmônico simples. Figura 4: Gráfico do deslocamento x, por massa m, conforme dados da tabela 1. As barras de erros não são visualizadas devido a escala usada. A figura 4 representa o gráfico relacionando as grandezas x e m, via equação (3), com sua respectiva reta, obtida pelo programa Scidavis, pelo ajuste linear dos dados da tabela 1, juntamente com seus erros associados. De acordo com a equação de uma reta, , é fácil perceber que, , , , . Conforme ajuste linear via Scidavis, a equação da reta que melhor define os dados é: Sabendo os valores dos parâmetros da reta acima, e usando para a aceleração da gravidade o valor tabelado para a cidade de Uberlândia , é possível encontrar o valor desejado para a constante da mola estática ke, que resulta no seguinte valor: Para a segunda parte da experiência foi avaliado o sistema oscilando, obedecendo ao movimento harmônico simples. Mediu-se para cada massa apoiada a mola, dez oscilações completas, [ , três vezes. Os dados estão apresentados na tabela 2, porém, já se encontra o valor de uma oscilação completa, ou seja, dividiu-se o valor de por dez, visto que o valor de um único período é suficiente para efetuar os cálculos, pois foram medidos dez, para reduzir o erro e aumentar a precisão. Tabela 2: Medidas de três vezes o períodos de oscilações associados as massas. m (kg) T1 (s) T2 (s) T3 (s) 0,050 0,398 0,390 0,410 0,100 0,512 0,510 0,515 0,150 0,618 0,613 0,613 0,200 0,709 0,697 0,697 0,250 0,777 0,779 0,782 De acordo com o cronômetro usado, verificou-se um erro associado de , que interfere no resultado do período calculado. As massas também possuem um erro associado de , referente ao valor medido na balança digital. Para análise dos dados, é viável trabalhar com a média do período medido. A tabela 3 a seguir, é referente aos valores da média do período para cada massa, e seus respectivos erros associados. Tabela 3: Valores da média dos períodos de oscilações, associados às massas, e seus respectivos erros associados. m (kg) (kg) (s) (s) 0,050 0,001 0,40 0,01 0,100 0,001 0,51 0,01 0,150 0,001 0,61 0,01 0,200 0,001 0,70 0,01 0,250 0,001 0,78 0,01 De acordo com a equação (7), nota-se que entre o período e a massa não existe uma relação linear, mas a equação (8), já possui uma relação linear entre o período ao quadrado de oscilação com a massa. Os dados que relacionam essa relação linear estão descritos na tabela 4, juntamente com seus erros associados. Tabela 4: Valores da média dos períodos ao quadrado, associados às massas, e seus respectivos erros associados. m (kg) (kg) (s) (s) 0,050 0,001 0,16 7,99E-03 0,100 0,001 0,26 1,02E-02 0,150 0,001 0,38 1,23E-02 0,200 0,001 0,49 1,40E-02 0,250 0,001 0,61 1,56E-02 Esses dados serão usados para desenhar o gráfico T2 vs m e averiguar a relação entre essas grandezas. De acordo com a tabela 4, é possível averiguar que conforme aumenta a massa, o período ao quadrado aumenta, ou seja, T2 é proporcional a massa. O gráfico pode ser visualizado na figura 5 a seguir. Figura 5: Gráfico do período ao quadrado pela massa, com barras de erros, conforme dados da tabela 4. A figura 5 representa o gráfico relacionando as grandezas T2 e m, com sua respectiva reta, obtida pelo programa Scidavis, pelo ajuste linear dos dados da tabela 4, juntamente com seus erros associados. De acordo com a equação de uma reta, , é fácil perceber que, , , , . Conforme ajuste linear via Scidavis, a equação da reta que melhor define os dados é: Sabendo os valores dos parâmetros da reta acima, e usando para a aceleração da gravidade o valor tabelado para a cidade de Uberlândia , é possível encontrar o valor desejado para a constante da mola dinâmica kd, que resulta no seguinte valor: Com os valores da constante da mola encontrado para o modo estático e dinâmico, percebe-se uma dispersão no valor, em média de 20% uma relação à outra. Com base nos dados colhidos, foi escolhido um valor de massa, para efetuar a análise das funções deslocamento, velocidade e aceleração, respectivamente as equações (5), (9) e (10). Como no ato do experimento, por interpretação errada dos experimentadores, não foi anotado o valor da amplitude usada para colocar o sistema em oscilação. Com isso, para efetuar os cálculos, supõe-se o valor da amplitude . É necessário ainda saber o valor da frequência angular de oscilação , encontrada via equação (6). A análise das funções deslocamento, velocidade e aceleração podem ser visualizadas nos gráficos referente a cada uma, descritos nas figuras 6, 7 e 8 a seguir. Conforme a figura 9 nota-se que no inicio do tempo, ou seja, quando puxa o sistema massa-mola numa distância A, a amplitude, e é iniciado o movimento de oscilação, o mesmo só possui energia potencial elástica. Após o início do movimento o corpo terá os três tipos de energias atuando. Antes e depois do movimento pelo princípio da conservação da energia mecânica a energia do sistema deve-se conservar, conforme equação (17). Figura 6: Função deslocamento, descrita pela equação (5), para uma massa com m= 0,1 kg e com w = 13,15 rad/s e amplitude A= 0,03 m. Figura 7: Função velocidade, descrita pela equação (9), para uma massa com m= 0,1 kg e com w = 13,15 rad/s e amplitude A = 0,03m. Figura 8: Função aceleração, descrita pela equação (10), para uma massa com m= 0,1 kg e com w = 13,15 rad/s e amplitude A = 0,03m. De acordo com os gráficos obtidos é possível compreender o que ocorre durante o processo de oscilação. Ao realizar o experimento percebe-se que ao levar o sistema massa para uma determinada posição, a amplitude, para iniciar seu movimento de oscilação, o sistema não possui velocidade, porém, possui aceleração. É de melhor compreensão quando se fizer a análise das energias cinéticas, potencial elástica e potencial gravitacional, que serão expostas a seguir, na figura 9, conforme equações (11), (12) e (13), respectivamente. 5. Conclusão Neste relatório, apresentamos os resultados do estudo do comportamento de um sistema massa-mola para a verificação da Lei de Hook e observar o movimento harmônico simples vertical. Foram medidos valores dos períodos para diferentes valores de massas. De acordo com as tabelas e os gráficos apresentados foi possível perceber que entre o deslocamento e a massa existe uma relação linear e que essas grandezas são proporcionais. Outra análise obtida diz que conforme a um aumento no valor da massa o período aumenta. Esses diagnósticos estão descritos nos gráficos das figuras 4 e 5, respectivamente. Conforme a análise dos dados foi possível cumprir o objetivo do relatório, encontrar o valor da constante elástica da mola por dois métodos. Os valores encontrados foram N/m, pelo método estático, e N/m, pelo método dinâmico. Houve uma dispersão no valor, em média de 20% uma relação à outra. Alguns fatores externos podem ter causado flutuação aos resultados, como o peso do suporte que sustenta as massas a mola, que considera desprezível. Outro fator relevante é o tempo de vida da mola usada, que por ser usada por vários estudantes de diversos cursos, já podem ter alteração no valor da sua constante elástica. Entretanto, percebe-se que a alteração pelo método dinâmico e estático não é tão relevante, concluindo que a mola ainda possui utilidade. Então, para um melhor resultado convém fazer mais do que três medições do período para cada valor de massa, e se quiser ser mais rigoroso na recolha dos dados, utilizar uma mola nova. Referências ARAÚJO, L. FÍSICA I - C - Roteiros experimentais. Acesso em 18 de Dezembro de 2013, disponível em UFRGS: http://www.if.ufrgs.br/fis181/roteiros/Exp3.pdf NUSSENZVEIG, H. M. (2002). Curso de Física Básica 2 Fluidos, Oscilações e Ondas e Calor (4ª Edição ed.). Rio de Janeiro: Edgard Blücher. -Se incluem referências que são usadas no texto, onde devem ser citadas! -Checar normas ABNT sobre como citar o ano de publicação de um livro Figura 9: Gráfico das energias cinética, potencial elástica e potencial gravitacional.