Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das
famílias associadas à cooperativa extremo norte
MEMLAK, Adriana Fátima51
DEWES, Fernando52
RESUMO
Este artigo relata as perspectivas dos filhos de associados da Cooperativa Mista de
Produção Extremo Norte. A região de abrangência da Cooperativa é essencialmente
de agricultura familiar. Identificar se os jovens pretendem ou não permanecer na
agricultura, seguindo os passos dos seus pais, é importante para projetar o futuro da
Cooperativa e definir estratégias de ação. Através de entrevistas e observações de
campo, verificou-se que a maioria dos jovens (60%) pretende permanecer na
atividade agrícola. Sugestões para atrair novos associados, especialmente os
jovens, e incentivar a maior participação dos atuais associados nos destinos da
Cooperativa também foram fornecidas. Conclui-se que os jovens têm interesse em
continuar na agricultura quando conseguem uma renda que valha a pena e que,
quando eles conseguem se organizar e ter uma renda própria, sentem-se
valorizados e motivados a continuar na atividade agrícola.
Palavras-chave: Cooperativismo. Juventude. Participação. Sucessão na Agricultura
Familiar.
ABSTRACT
This article reports on the prospects of the children of members of the Cooperativa
Mista de Produção do Extremo Norte. The region covered by the Cooperative is
essentially of family farms. Identify whether or not young people want to stay in
agriculture, following in the footsteps of their parents, it is important to design the
future of Cooperative and define strategies. Through interviews and field
observations, it was found that most young people (60%) plan to stay in farming.
Suggestions for attracting new members, especially young people, and encourage
greater participation of current members in the Cooperative destinations were also
provided. It is concluded that young people have an interest to continue in agriculture
when they get an income worth and that, when they are able to organize and have an
income of their own, they feel valued and motivated to continue in agriculture.
Keywords: Cooperativism. Young. Participation. Succession in family farming.
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52
Acadêmica do Curso de Especialização em Gestão de Cooperativas.
Professor Orientador.
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Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
1 INTRODUÇÃO
Desde os tempos remotos da história da humanidade, em todas as partes do
mundo, a cooperação e a ajuda mútua foram formas de organização social muito
utilizadas pelos diferentes coletivos. No Brasil, as comunidades indígenas antigas já
viviam de forma organizada, onde a ajuda mútua era princípio primordial para a
sobrevivência do grupo. Com o passar do tempo, começaram a se consolidar em
todo o mundo as cooperativas.
Na atualidade, uma das principais formas de promover o desenvolvimento
econômico e social ao gerar e distribuir renda, e também promover o capital social
nas comunidades onde é praticado, é o cooperativismo. (BIALOSKORSKI NETO,
2002). A cooperativa também resgata a cidadania por meio da participação, do
exercício da democracia e da liberdade e autonomia, podendo ser considerada uma
das mais avançadas formas de organização da sociedade civil. (MORATO; COSTA,
2001).
Dentre os vários legados das cooperativas, um deles é o de contribuir para a
permanência do homem no campo, principalmente as do setor agropecuário, que
geram uma melhor distribuição de renda e trazem bem-estar às comunidades que
ganham importância social e econômica.
Mesmo com toda esta importância, as cooperativas têm dificuldades de se
desenvolver nas comunidades em que atuam. Muitas são as causas para estas
dificuldades: problemas de má gestão, limites na sua atuação em função dos seus
princípios e falta de capitalização, são algumas delas.
Este trabalho foi realizado com o intuito de identificar e entender a
participação dos agricultores associados na Cooperativa Extremo Norte, nas
atividades que ela desenvolve, e, também, verificar se a família, principalmente os
filhos, participam e são sócios da mesma. Enfoca-se a importância do envolvimento
de todos os familiares nas atividades desenvolvidas e nas decisões tomadas pela
diretoria da cooperativa. Ressaltamos que o envolvimento dos filhos é de suma
importância, pois assim eles tomam conhecimento do funcionamento da cooperativa
e das oportunidades oferecidas, e poderão futuramente assumir a gestão da
propriedade. Eles darão continuidade ou não ao processo iniciado pelos seus pais.
Como os jovens se inserem no trabalho das propriedades? Pensam em
continuar o trabalho dos pais? Quais as ações que a Cooperativa e sua diretoria
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Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
estão fazendo a respeito disso? Existem iniciativas de auxílio à permanência das
famílias no campo? Existe, por parte da Cooperativa, alguma política voltada à
inserção de jovens na propriedade e até mesmo na própria cooperativa?
A sucessão familiar é um tema de extrema importância e deve ser discutida e
avaliada constantemente, pois se não houver sucessão nas propriedades, não
haverá nas cooperativas. A principal tarefa da educação cooperativista é a de
promover a integração social e a participação dos cooperados, fazendo com que
eles se insiram de forma crítica na gestão do empreendimento e desfrutem dos
produtos e serviços econômicos e assistenciais oferecidos pela mesma. Segundo
Nascimento (2000), a maioria dos problemas enfrentados pelas cooperativas,
inclusive os financeiros e gerenciais, pode ser resolvida com a maior participação de
todos os envolvidos, e isto passa pela formação cooperativista, adquirida através da
educação baseada nos seus princípios.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 HISTÓRIA DO COOPERATIVISMO MUNDIAL
A primeira cooperativa do mundo moderno surgiu em 1844, em Rochdale na
Inglaterra, conhecida como a “Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale”, com
seus próprios estatutos e princípios doutrinários e filosóficos. Começou com um
grupo de 28 tecelões, os quais deram origem ao cooperativismo no mundo, após
terem passado por algumas adequações. Inicialmente, pelos próprios pioneiros, para
atender suas necessidades práticas, e, ao longo do tempo, pela Aliança Cooperativa
Internacional (ACI), desde sua fundação em 1895, para “continuar a obra dos
Pioneiros de Rochdale”. (PINHO, 2003).
O
movimento
operário
da
época
estava
sendo
pressionado
pelas
transformações sociais que produziam instabilidade social, rompendo as estruturas
hierárquicas, aumentando a miséria, a exploração e a dominação da mão de obra, e,
também, os conflitos de classes. Foi assim que, a partir destas desigualdades,
emergiu o cooperativismo. (SEIBEL, 2003).
Na visão destes operários, a forma de comprar e vender em conjunto seria
uma maneira de contornar os efeitos nocivos do capitalismo sobre a classe
assalariada em condições inferiores. Eles, então, alugaram um armazém onde
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estocavam produtos adquiridos em grande quantidade, que, assim, poderiam ser
repassados a preços menores. Isto tudo teve início com a quantidade ínfima de uma
libra.
Essa experiência dos trabalhadores se difundiu da Inglaterra para outros
países, influenciando a organização de cooperativas de trabalho na França e as de
crédito na Alemanha. Mais tarde, essas experiências foram difundidas pelo mundo
inteiro, e, atualmente, as cooperativas são reconhecidas legalmente como uma
forma de organização no Brasil. (PINHO, 1988).
2.2 HISTÓRIA DO COOPERATIVISMO NO BRASIL
No Brasil, o cooperativismo surgiu oficialmente em 1847, por intermédio do
médico Francês Jean Maurice Faivre. O mesmo fundou a colônia Santa Tereza
Cristina no Sertão do Paraná, que teve pouco tempo de duração, mas foi muito
importante para o florescimento do ideal cooperativista.
A colônia não era uma cooperativa, e sim uma organização comunitária que
funcionava de acordo com os ideais cooperativistas. Ainda tivemos outros exemplos
de organizações, como as sociedades de Socorro Mútuo, que surgiram a partir de
1850 e que também não eram cooperativas, mas deram grande impulso ao
movimento. E, assim, começaram as associações cooperativistas no Brasil.
No Estado do Rio Grande do Sul, a experiência cooperativista foi trazida pelo
Pe. Theodor Amstad, em 1902. O Padre jesuíta trouxe para o Estado o modelo
alemão de cooperativismo, introduzindo no país as primeiras cooperativas de crédito
e agrícola, aplicado às pequenas comunidades rurais, com base na honestidade dos
cooperados.
1.3 PRINCÍPIOS COOPERATIVISTAS
Os sete princípios do cooperativismo foram instituídos na Inglaterra, em 1844,
pelos pioneiros de Rochdale, que com a aplicação dos mesmos tiveram um
crescimento considerável atingindo um número imenso de sócios. Os ideais destes
princípios são mantidos até hoje, sendo, apenas, adaptados à modernidade. Isso
porque estes princípios serviram de base para a doutrina cooperativista, por sua
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preocupação na relação entre sócios e pela estrutura de poder formal, que faz com
que as cooperativas se diferenciem das empresas tradicionais.
A seguir, os sete princípios do cooperativismo:
1º Princípio: Adesão Livre e Voluntária
As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas
aptas a utilizarem seus serviços e assumir responsabilidades como associados, sem
discriminação social, racial, política, religiosa e de sexo. O princípio da porta aberta,
todavia, não deve ser tomado com um sentido absoluto.
2º Princípio: Gestão Democrática pelos Cooperados
As cooperativas são organizações democráticas, controladas por seus
associados, que participam ativamente na formulação de suas políticas e na tomada
de decisões. A gestão democrática é a essência operacional do cooperativismo.
3º Princípio: Participação Econômica dos Cooperados
Os cooperados contribuem equitativamente para o capital de suas
cooperativas e o controlam democraticamente. Pelo menos parte deste capital é,
normalmente, propriedade comum da cooperativa. Os associados recebem,
habitualmente, uma limitada remuneração – se houver – ao capital subscrito. Os
excedentes são destinados a um ou mais dos seguintes objetivos:
a) desenvolvimento de suas cooperativas, eventualmente por intermédio da
criação de reservas, parte das quais, pelo menos, será indivisível.
b) benefício dos associados, na proporção de suas transações com a
cooperativa.
c) apoio a outras atividades aprovadas pelos associados.
4º Princípio: Autonomia e Independência
As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, geridas pelos
seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações – incluindo
instituições públicas – ou recorrerem a capital externo, devem fazê-lo em condições
que assegurem o controle democrático pelos seus associados e se mantenha a
autonomia das cooperativas.
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5º Princípio: Educação, Formação e Informação
As cooperativas promovem a educação e a formação dos seus associados
eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em
geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as
vantagens da cooperação.
6º Princípio: Intercooperação
As cooperativas servem de forma mais eficaz a seus membros e dão mais
força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, por intermédio das
estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.
7º Princípio: Interesse pela Comunidade
As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado de suas
comunidades, por meio de políticas aprovadas pelos seus associados.
Estes princípios são as linhas orientadoras que até hoje são seguidos pelas
cooperativas e por meio dos quais as mesmas colocam em prática seus valores, e é
isso o que difere as cooperativas. Isso faz com que o associado se sinta parte da
mesma, trabalhando com ela e por ela.
1.4 EDUCAÇÃO COOPERATIVISTA
Para a cooperativa apresentar um bom desempenho, a educação tem
importância fundamental. A compreensão da relação dos conceitos de educação e
cooperação é indispensável para o aperfeiçoamento organizacional das práticas
cooperativas.
Ferreira e Amodeo (2008), em trabalho apresentado no V Encontro de
Pesquisadores Latino-americanos de Cooperativismo, referem-se à educação
cooperativa como um dos pilares fundamentais de sustentação do movimento
cooperativista de produção. Eles argumentam que a educação cooperativa é
essencial, não só para capacitar tecnicamente as pessoas, mas, também, deve
avançar no sentido de congregar e aproximar os indivíduos ao movimento. Essa
educação deve produzir e proporcionar a efetiva participação democrática e focar na
construção do “saber ser” cooperante, e, simultaneamente, preparar cooperados,
colaboradores, parceiros e comunidade, também no sentido técnico, com a
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construção de competências, a fim de melhorar permanentemente os níveis de
competitividade das cooperativas.
Schneider (2003) afirma que a educação e a capacitação são indispensáveis
em qualquer instituição, mas nas cooperativas elas são questões de sobrevivência.
Sem essas atividades, as cooperativas são desvirtuadas ou até absorvidas pelo
sistema socioeconômico e pelo processo social dominante, que é a livre
concorrência e o conflito.
Neste mesmo sentido, Ferreira e Amodeo (2008) promulgam que a educação
cooperativista tem como principal objetivo contribuir para que os associados
aprendam a cooperar, participar e gerir a cooperativa da qual são donos,
compreendendo, deste modo, qual o seu papel na organização. Para isso, é
necessário que entendam o que é uma cooperativa, o que a diferencia de outros
tipos de empresas, como se dá o seu funcionamento, como se estrutura, atentando,
ao mesmo tempo, para os valores e princípios que norteiam o cooperativismo e que
determinam diretamente sua identidade e a sua cultura organizacional.
Para autores como Frantz e Schönardie (2007), ainda não se aplicou no
cooperativismo todo o potencial social a favor do desenvolvimento, pois foca-se
muito o econômico, sendo ele dominante, e a mudança deste modelo só acontecerá
através da educação. Na visão destes autores, “é preciso construir estruturas
coletivas, de pensamento e de comportamento, que possam abrigar a liberdade dos
indivíduos e, inclusive, a liberdade econômica de seus interesses. Porém, sem ferir a
convivência ética dos seres humanos”. (FRANTZ; SCHÖNARDIE, 2007, p. 6).
Após se comprovar a importância que a educação cooperativista tem para
estas organizações, podemos falar também sobre a participação como um aspecto
fundamental para o desenvolvimento das mesmas. A participação dos sócios é tão
importante que é enfocada em dois dos princípios cooperativistas: um deles, o
“Controle democrático dos sócios” e o outro é a “Participação econômica dos
sócios”. O primeiro encarrega os associados pela organização, pela tomada de
decisão e destaca o poder de participação ao estabelecer a relação “um homem, um
voto”. O outro menciona a questão do capital, em que todos são donos e têm o
direito de participar das sobras e das decisões sobre o destino das mesmas.
Entende-se que a participação é essencial ao cooperativismo e imprescindível para
o seu desenvolvimento e sucesso.
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A participação é o que diferencia uma cooperativa de uma empresa normal.
Nas cooperativas, os associados devem participar das atividades e das decisões,
intervindo sempre que necessário. Isso torna mais fácil a administração dos
conflitos.
1.5 SUCESSÃO FAMILIAR
Dentro desta questão da educação temos, ainda, que abordar a sucessão.
Assunto este de relevante importância, pois quem serão os cooperados do futuro?
Quem assumirá as propriedades e as cooperativas quando os sócios de hoje já não
estiverem mais em idade hábil para exercer suas funções? Esta discussão traz à
tona uma preocupação que figura entre as muitas categorias que atuam com a
classe agricultora.
Partindo da perspectiva do cooperativismo como promotor de melhores
condições de vida para seus associados, pode-se atribuir a ele um importante aporte
no processo sucessório dos estabelecimentos familiares cooperativamente atuantes:
quanto maior a capacidade da cooperativa de atender as necessidades dos
sucessores enquanto produtores e jovens rurais, maior a possibilidade de
concretização da sucessão. (SPANEVELLO; LAGO, 2007).
Segundo Ferreira e Braga (2004), em algumas regiões as cooperativas
representam para os produtores o único canal de comercialização e de aquisição
dos insumos agrícolas. Ademais, podem também representar um setor gerador de
empregos. Estes aspectos reforçam o papel das cooperativas no desenvolvimento
regional.
2 MÉTODO, RESULTADOS E DISCUSSÃO
2.1 UNIVERSO
A Cooperativa Mista de Produção Agroindustrial Familiar de Alpestre –
Extremo Norte – foi fundada oficialmente no dia 08 de maio de 2007. Iniciativa de um
grupo de jovens estudantes do curso de Agrozootecnia da Universidade Regional
Integrada e das Missões (URI) – Frederico Westphalen. A ideia era viabilizar
algumas estruturas de agroindústrias desativadas no município e também fazer uma
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corrente de atendimento aos produtores rurais, com a produção, agroindustrialização
e comercialização de seus produtos. Para isso teriam assessoria, desde o
atendimento técnico, até o fim da cadeia de comercialização. No princípio, eram 20
jovens, ao final de 2011, contavam com 52 associados.
Uma das demandas a ser atendida pela cooperativa também é a assistência
técnica, uma vez que, devido à grande extensão do município, as entidades já
existentes, como a Secretaria da Agricultura e a EMATER, não conseguem atender
a todas as famílias de produtores rurais. A cooperativa já tem o seu trabalho dividido
em departamentos, que são os seguintes: Departamento de Citros, Departamento
de Videira, Departamento de Bovino de Leite, Departamento de Aquacultura,
Departamento
de
Agroindústria,
Departamento
da
Educação
do
Campo,
Departamento da Extensão Rural e Departamento da Biotecnologia.
2.2 AMOSTRA, INSTRUMENTOS E RESULTADOS
Segundo informações de um dos técnicos que faz o atendimento em campo,
a cooperativa está constituída por 56 sócios. Deste total, 6 deles, mesmo ainda
estando com o seu nome na mesma, não fazem mais parte dela, e a maioria nem
mesmo no município reside. Do restante, 13 deles participam muito pouco das
atividades. Ainda existem 15 sócios que apresentam um percentual médio de
envolvimento com a cooperativa. Os outros 22 associados são os que realmente se
envolvem na cooperativa, participando das propostas na tomada de decisões, na
entrega dos produtos e em outras atividades desenvolvidas pela cooperativa.
Para a coleta dos dados, foram realizadas entrevistas com 20% dos
cooperados. A entrevista constituía-se de algumas perguntas diretas e outras
discursivas (Anexo A). Durante o processo de entrevistas, também aconteceram
visitas a propriedades dos mesmos, para a realização de observações, e também na
sede da cooperativa, onde foram mantidas conversas com os técnicos de campo e
diretores.
No
questionário,
quando
se
perguntou
se
a
cooperativa
prestava
esclarecimentos sobre o que é cooperativismo, seus objetivos e princípios, 100%
dos entrevistados responderam que sim, que a mesma presta estes esclarecimentos
para os seus associados.
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associadas à cooperativa extremo norte
Cinquenta por cento dos entrevistados responderam que participam da
tomada de decisões da cooperativa e os outros 50% responderam que não
participam. Surge, então, uma dúvida, pois quando se perguntou se eles participam
das reuniões, todos eles respondem que sim, que participam das reuniões e
assembleias promovidas pela mesma. Então, se eles participam das reuniões e não
das decisões, como são decididos os assuntos de interesse coletivo da cooperativa?
E temos ainda colocações sobre o porquê da participação deles nas reuniões e
assembleias. Seguem algumas delas:
a)
para acompanhar o andamento da mesma e dar minha opinião;
b)
para me manter informado sobre o que acontece na cooperativa e me
capacitar;
c)
sou associado e tenho meus direitos e deveres com a mesma.
Estas são algumas colocações dos produtores associados. O que mostra que
eles têm interesse em participar. Quando perguntamos se eles têm benefícios sendo
sócios da cooperativa, um dos associados respondeu que não. Mas quando
questionamos se eles já participaram de cursos promovidos pela mesma, os quais
visam o crescimento profissional deles, este mesmo associado respondeu que não,
que nunca participou. Os outros responderam que a cooperativa traz benefícios para
eles e já participaram de, pelo menos, um curso oferecido pela mesma.
Na questão em que se indaga se a cooperativa se preocupa em envolver a
família dos cooperados em atividades, seja de lazer, assistência social ou educação,
70% responderam que sim e 30% que não. Ainda no questionário para os
associados sobre os seus filhos e a relação deles com a cooperativa, conseguimos
observar a importância de se inserir um trabalho de sucessão para os mesmos.
Dentre todos os entrevistados, não identificamos nenhum que o filho já seja sócio da
cooperativa. Quarenta por cento dos entrevistados alegaram que os filhos são “de
menor”, então não têm idade suficiente para isso. Outros, porque nem pensaram no
assunto, outro, ainda, porque o pai é sócio e dois deixam claro que não pensam
nisso, pois não querem continuar na agricultura.
Na questão de relevante importância que é: – “Quais são os planos dos filhos
em relação ao futuro?”, obtivemos um resultado interessante, pois 60% dos pais
afirmou que seus filhos querem continuar na agricultura, produzindo frutas e
hortaliças, exercendo as atividades da propriedade, progredindo financeiramente.
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associadas à cooperativa extremo norte
Dois informaram que os filhos querem trabalhar na cidade, e outros dois, que ainda
não decidiram.
Sobre a participação dos filhos nas atividades da cooperativa 70% afirmaram
que seus filhos participam pouco e os 30% restantes participam mais ou menos, e a
explicação é porque ainda não são sócios, não têm interesse, ou, também, porque
não têm idade para participar. Um dos entrevistados disse: – “eu participo para que
ele participe quando crescer”.
A grande maioria (70%) julga que a cooperativa deveria incentivar mais o
quadro social, com tentativas de melhorar a organização e o preço dos produtos,
para, assim, aumentar a renda das famílias associadas. Também sugerem promover
mais capacitações para estes jovens, para despertar o interesse e a importância da
continuidade deles na sucessão da propriedade.
Nas entrevistas com os filhos dos associados, tivemos um resultado que
mostra a preocupação que devemos ter com a sucessão, tanto das propriedades
rurais como da cooperativa, pois, se não tivermos perpetuação nestas atividades,
nosso município, que tem como base a agricultura familiar, terá muitos problemas no
futuro. E a cooperativa sofrerá as perdas juntamente, pois, se não tivermos
produtores, não teremos sócios para a mesma.
Dos jovens que responderam o questionário, apenas 60% asseguram que
continuarão exercendo a atividade agrícola. Os outros 40% não pretendem continuar
na propriedade. Destes jovens, nenhum deles é associado da cooperativa, como
eles mesmos afirmam, e o que é muito positivo é que os mesmos 60% que
pretendem continuar exercendo a atividade agrícola também mostram a intenção de
associar-se na cooperativa.
Fizemos um questionário para os jovens perguntando sobre como gostariam
que a cooperativa os incentivasse para que se tornassem sócios. A seguir, algumas
respostas:
a) fizesse algum projeto que desse certo e boa assistência técnica no campo;
b) dando bons exemplos de administrar. Trazendo novos incentivos e apoio e
incentivando a fazer novos cursos;
c) não botar as coisas só no papel e sim pôr elas em prática.
Ainda temos uma questão que é sobre o apoio da família para a permanência
dos jovens na propriedade. Um deles afirma que a família não incentiva a
permanência dele na propriedade, pois isso não dará resultados lucrativos. Entre os
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outros jovens, 30% relata que a família incentiva e gostaria que eles
permanecessem na propriedade, mas isso não é o que eles querem, pois não vão
continuar o trabalho dos pais. Um total de 60% das famílias incentiva os filhos a ficar
na agricultura e ainda “auxilia no desenvolvimento de projetos para melhorar o
manuseio na agricultura”, incentivando, ainda, a “implantar novas culturas, dando
condições de renda mensal, ou quinzenal, tentando melhorar cada vez mais na
propriedade”.
Quanto ao apoio para se associarem na cooperativa, se a família acha
importante ou não, 20% acha que não é importante ser sócio e coloca que “não é
interessante, não ajuda muita coisa, só fala o que a gente já sabe”.
Os outros 80% têm o apoio da família, que acha importante ser associado de
uma entidade que represente o interesse deles. Sendo que alguns relatam: “é
importante trabalhar no sistema cooperado”; “sim, a cooperativa é uma grande saída
para que os agricultores possam fazer o enfrentamento com as grandes empresas
de alimentos”; “apesar das falhas, temos uma cooperativa”.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante de todo o questionamento e estudo realizados em torno da
Cooperativa Mista de Produção Extremo Norte, podemos observar que, quando nos
deparamos com a problemática da sucessão familiar, a permanência do jovem no
campo não é um assunto discutido por todos. Analisando as ações realizadas pela
Cooperativa observa-se que elas são diretamente ligadas às famílias, de acordo
com o que os próprios associados colocam quando respondem os questionários,
mas nenhuma delas abrange diretamente os sucessores que residem na
propriedade. Apesar da Cooperativa Extremo Norte estar diretamente ligada à Casa
Familiar Rural, existem apenas oito jovens frequentando a mesma. Isso mostra que
é preciso organizar uma forma de incentivar os jovens a aproveitar a oportunidade
de estudar naquela instituição.
No questionamento que envolve a participação dos associados em
treinamentos, temos um percentual de 30% que não participou de nenhum
treinamento. Qual seria a razão da não participação? Será falta de interesse ou
deveriam ser feitas capacitações com mais motivações? Para os 70% que
participam destes momentos, a oportunidade poderia ser aproveitada para trabalhar
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Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
com os associados o assunto sucessão familiar na propriedade. Começando com
um chamamento para que os filhos, apesar de serem menores de idade, comecem a
participar e discutir os assuntos junto com os associados, para que se integrem à
Cooperativa e, assim, corroborem para um fortalecimento dos laços entre os
associados, os sucessores e a cooperativa.
Do total de entrevistados, 60% querem permanecer na propriedade rural, mas
todos fazem ressalvas. Deste percentual, a maioria, tanto os associados como os
filhos, ressalta que poderia ser mais incentivada pela Cooperativa, seja através de
projetos que viabilizem a permanência deles no campo, seja pelo atendimento
técnico que alegam estar um pouco deficiente. Chegam a colocar que existem
alguns planos bons, mas que não são colocados em prática.
Um dos aspectos a ser considerado é que, dos 40% que não têm interesse de
permanecer no campo, todos são do sexo feminino. Aí mais uma vez se confirma e
levanta a discussão da masculinização do campo. O que pode ser feito para
incentivar as meninas a ficarem no campo? De que forma podemos trabalhar esta
questão na Cooperativa, ou o que se pode realizar para que elas permaneçam no
campo?
O que podemos concluir é que os jovens têm interesse em continuar na
agricultura quando conseguem uma renda que valha a pena. Quando eles
conseguem se organizar e ter uma renda própria, sentem-se valorizados e
motivados a continuar.
Desta forma, a Cooperativa deveria, necessariamente, adotar uma política de
inclusão dos jovens na mesma para também dar-lhes a oportunidade de mercado, e,
assim, prepará-los para uma possível sucessão nas propriedades. Pois se estes
jovens não permanecerem no campo, quem serão os associados do futuro? Os
sócios de hoje estão em uma faixa de idade entre 40 e 60 anos e, portanto, já é hora
de começar a preparar seus sucessores.
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profissional na agricultura familiar. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA
DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, 45., 2007, Londrina. Anais... Londrina:
Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural, 2007. 1 CD-ROM.
ANEXO A – ROTEIRO DA ENTREVISTA
QUESTIONÁRIO:
Prezado(a) Senhor(a),
Este questionário destina-se à investigação e análise sobre "A Cooperativa Mista de
Produção Extremo Norte." Visa atender a um dos requisitos para conclusão do
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Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
Curso de Especialização de Gestão em Cooperativas, ministrado pela ESCOOP.
Tem fins especificamente acadêmicos e as informações aqui coletadas serão
mantidas em sigilo.
Você não precisa se identificar.
1. Idade: ......anos
2. Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino
3. Seu nível de escolaridade é:
( ) ensino fundamental (1A A 4ª série)
( ) ensino médio (2° grau)
( ) nível superior (faculdade)
( ) outros
4. A Cooperativa da qual você faz parte, presta esclarecimentos sobre o que é
cooperativismo, seus objetivos e princípios? ( ) Sim ( ) Não
5. Você participa da tomada de decisões da Cooperativa da qual você faz parte? ( )
sim ( ) não
6. Em sua opinião ser sócio da cooperativa traz benefícios pra você? Você tem
vantagens?
( ) sim ( ) não
7. O seu grau de satisfação como sócio da cooperativa pode ser considerado como:
( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) péssimo
8. Você participa das reuniões, assembleias promovidas pela cooperativa?
( ) sim ( ) não
Porque?_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
9. Já participou de treinamentos ou cursos promovidos pela Cooperativa, visando
seu crescimento profissional?
( ) sim ( ) não
10. Em caso positivo, quantos?
( ) 01 ( ) 02 ( ) 03 a 05 ( ) 05 a 07 ( ) mais de 07
11. A cooperativa se preocupa em envolver a família dos cooperados em atividades
de lazer, assistência social ou educação?
( ) sim ( ) não
Os tópicos-guia para os ASSOCIADOS são:
1.
Seu filho é sócio da Cooperativa? Porque razão ele é (ou não) sócio?
__________________________________________________________________
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Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
__________________________________________________________________
Quais são os planos de seu filho com relação ao trabalho no futuro?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
O quanto o senhor acha que seu filho participa das atividades da Cooperativa?
( ) muito
2.
( ) mais ou menos( ) pouco
Como é a participação de seu filho nas atividades da Cooperativa?
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________
3.
O que faz com que o seu filho participe muito, mais ou menos ou pouco das
atividades da Cooperativa?
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________
4.
O que faz ou poderia fazer com que o seu filho participasse mais das
atividades da Cooperativa?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Os tópicos-guia para os filhos dos associados são:
1. Você como jovem, filho de agricultores associados na Extremo Norte, gostaria de
permanecer no meio rural como agricultor?
( ) sim ( ) não
2. Você já é associado desta cooperativa?
( ) sim ( ) não
3. Se você ainda não é associado, gostaria de associar-se à cooperativa?
( ) sim ( ) não
4. O que você gostaria que a cooperativa fizesse como incentivo para que você se
associasse à mesma?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
5. Como você avalia o apoio da sua família para que você permaneça na
propriedade?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
6. Se você permanecer na propriedade sua família apoia você para que se associe
da cooperativa? Ou não acha importante que participe da mesma. Por quê?
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Capítulo XVII - Cooperativismo e Juventude: as perspectivas de participação dos jovens das famílias
associadas à cooperativa extremo norte
Obrigada por sua colaboração.
Adriana Fátima Memlak
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