Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
MATTOS, Silvana Avila de19
SANTOS, José Zigomar Vieira dos20
RESUMO
Este trabalho aborda o tema participação, comprometimento e satisfação dos
associados, estabelecendo uma relação com a Educação Cooperativa, elemento
fundamental para o exercício do cooperativismo. O Cooperativismo é um modelo de
organização que tem como objetivo principal o desenvolvimento econômico e social
de seus associados, tendo em seus princípios as linhas orientadoras, através das
quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Analisa a participação e o
comprometimento dos sócios nas rotinas, nas atividades e decisões da Cooperativa
Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA. Com relação à metodologia, utilizou-se como
técnica de pesquisa entrevistas, com questionário estruturado e semiestruturado,
junto aos associados da cooperativa. Como resultado, verificou-se que os
cooperados estão satisfeitos e pensam ser importante participar como membros da
organização, fazem-se presentes nas reuniões e assembleias realizadas, porém não
são ativos nas tomadas de decisões e no planejamento das ações, preferem ser
ouvintes, uma vez que muitos não se consideram qualificados para interferir na
gestão da cooperativa.
Palavras-chave: Cooperativismo. Participação. Satisfação.
ABSTRACT
This work approaches the subject participation, commitment and satisfaction of
members by establishing a relationship with Cooperative Education, a key element
for the exercise of the cooperative. The Cooperativism is an organization model that
has the main objective of economic and social development of the associates, in its
principles the guidelines by which cooperatives put their values into practice.
Examines the participation and commitment of the partners in the routines, activities
and decisions of the Vista Gaúcha Cooperative - COOPERVISTA. Regarding
methodology, it was used as a research technique interviews, using a structured and
semistructured questionnaire, that was applied to the members of the cooperative.
As a result, it was found that the cooperative members are satisfied and think they
are important members of the organization, they are present in the meetings and
assemblies, but are not active in decision-making and in the action planning, they
prefer to be listeners, once many of them do not feel qualified to interfere in the
management of the cooperative.
Keywords: Cooperativism. Participation. Satisfaction.
19
Bacharel
em
Administração,
Extensionista
Rural
da
Emater-RS/Ascar
[email protected].
20
Mestre, Professor Orientador, ESCOOP - email: [email protected]
121
-
email:
Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
1 INTRODUÇÃO
O tema das relações entre as pessoas é um assunto que pode parecer
demagógico, enquanto discurso para resolução de conflitos, mas não é
ultrapassado, pois as inter-relações entre os associados podem tanto contribuir
como atrapalhar o processo de gestão. Neste sentido, o modelo de gestão utilizado
pelas cooperativas aparece como uma solução, pois a responsabilidade de cada
pessoa e a mobilização realizada em grupo trazem excelentes resultados.
As organizações cooperativas representam um percentual importante no setor
econômico, pois são organizações que podem preencher todas as exigências, em
termos de eficiência e eficácia, para competir no mercado, desde que se adaptem ao
momento atual de mudanças causado pela abertura de mercado, trazendo
exigências de revisão de estruturação das empresas, criando alternativas
competitivas e que vêm se fortalecendo, com o passar do tempo. Além de buscar a
relação positiva entre as pessoas e as diferentes ferramentas gerenciais utilizadas,
as organizações cooperativas também se utilizam da mobilização dos seus
cooperados e de sua responsabilidade social para com estes. O ponto positivo do
cooperativismo é o fato de que as cooperativas, além de trazerem benefícios para
seus sócios também contribuem para o desenvolvimento econômico e social de sua
localidade.
De acordo com José Roberto Ricken, superintendente da Organização das
Cooperativas do Estado do Paraná (OCEPAR), as cooperativas representam
atualmente 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Conforme reportagem
publicada na Revista Brasileira de Administração, a transformação positiva que
ocorre devido ao cooperativismo traz benefícios econômicos e sociais para os
municípios onde este setor está atuando, sendo que todo o modelo cooperativista se
desenvolve no interior do país de forma consideravelmente satisfatória. Ou seja, o
retorno financeiro através da cooperativa se concentra, geralmente, em sua
localidade de origem, ou município, pois cada relação de troca ou de
comercialização, consequentemente gera outra, e assim por diante. Desta forma, o
investimento na cooperativa e seus retornos permanecem no local. (RICKEN apud
ANDRICH,
2013).
Contudo,
as
cooperativas
precisam
se
reformular
e,
principalmente, comprometerem seus cooperados em relação aos seus direitos e
obrigações para com sua organização. Desta forma, compreende-se a importância
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
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dos sócios dentro da organização, sendo que a atuação ativa destes contribui no
fortalecimento da cooperativa perante o mercado.
Como proposta para manter ou aumentar o nível de participação e
engajamento dos associados com a cooperativa, há um processo que vem sendo
discutido mais recentemente pela academia e que se denomina como “Educação
Cooperativista”, também apresentado enquanto um dos princípios cooperativistas:
educação, formação e informação, e que propõe que as cooperativas devem
proporcionar educação e treinamento para os sócios de modo a contribuir
efetivamente para o seu desenvolvimento. A partir deste processo, há a informação
e a comunicação com o público em geral, particularmente os jovens e os líderes
formadores de opinião, sobre a natureza e os benefícios da cooperação.
A principal tarefa da educação cooperativista é promover a integração social e a
participação dos cooperados. Fazer com que estes se insiram de forma crítica na
gestão do empreendimento e desfrutem dos produtos e serviços econômicos e
assistênciais oferecidos pela mesma. Segundo Nascimento (2000), a maioria dos
problemas enfrentados pelas cooperativas, inclusive financeiros e gerenciais, pode ser
resolvida pelo maior nível de participação dos associados, o que é possível através do
processo de educação cooperativa desenvolvido com os membros da organização.
2 A EDUCAÇÃO E SEU PAPEL NA PRÁTICA DOS VALORES E PRINCÍPIOS
COOPERATIVISTAS
2.1 ORIGEM DO COOPERATIVISMO
Segundo Singer (1988), o movimento cooperativista teve seu início através do
líder Robert Owen, que propunha formar comunidades onde as pessoas pudessem
se agrupar em aldeias exercendo uma atividade em comum, produzindo o que fosse
possível e dividindo igualitariamente tudo o que fosse ganho entre eles. Deste
processo teriam surgido as cooperativas de produção e de trabalho no século XIX,
mais efetivamente, com o advento do trabalho industrial e o movimento operário. O
cooperativismo surgiu como forma de amenizar os problemas provocados pela
Revolução Industrial, como o desemprego, devido à emigração dos camponeses
para as cidades, na Grã-Bretanha, em busca de melhores condições de vida.
Durante décadas, vários grupos se organizaram com características cooperativistas.
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Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
Em 1844 é datado o histórico do surgimento e da formação consciente das
cooperativas no mundo, com o surgimento da “Rochdale Society of Equitable
Pioneers”, em Rochdale, distrito de Lancashire, na Inglaterra, uma cooperativa de
consumo, inicialmente formada por 28 tecelões, denominados Pioneiros de
Rochdale. Esta cooperativa se expandiu rapidamente e, em 1850, criou uma
cooperativa de produção industrial, um moinho e, em 1854, uma tecelagem e fiação.
No Brasil, uma das principais experiências históricas do cooperativismo foi no
Rio Grande do Sul (PINHO, 2003), com a criação da primeira cooperativa de crédito,
através de colonos alemães, representados pelo padre Theodor Amstad, no ano de
1902, em Linha Imperial, atual município de Nova Petrópolis.
2.2 CONCEITO DE COOPERATIVA
As organizações cooperativas se caracterizam enquanto sociedade de
pessoas com o mesmo ramo de atuação e objetivos em comum. Estas tem caráter
econômico, mas não objetivam o lucro. Devem ser constituídas e dirigidas pelos
próprios associados, onde todos têm os mesmos direitos e deveres e buscam o
desenvolvimento social, cultural e econômico para todos, privilegiando a ajuda
mútua. As sociedades cooperativas têm como valores essenciais ao seu
funcionamento a ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade,
solidariedade, honestidade, transparência e responsabilidade social.
De acordo com a Lei n° 5764, “as cooperativas são sociedades de pessoas,
com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência,
constituídas para prestar serviços aos associados”. (BRASIL, 1971). Uma
cooperativa é considerada uma sociedade de pessoas porque os seus membros
constituem a própria organização, não havendo nenhuma distinção entre estes.
Como as cooperativas não são empresas mercantis, estas não podem falir, mas sim,
entrar em dissolução.
2.3 DESAFIOS DO COOPERATIVISMO
Singer (2002) afirma que a autogestão está presente, principalmente, na
economia solidária. Trata-se de uma gestão democrática em que os sócios têm que
trabalhar de forma coletiva em todas as etapas do processo produtivo. Para o autor,
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o associado é dono de seu empreendimento, e, por isso, cabe a ele tomar decisões
em conjunto. De acordo com Albuquerque (2003) e Singer (2002), a participação dos
associados é fundamental, no sentido de que o processo participativo impulsiona a
criatividade dos membros, aumenta a produtividade, cria uma identidade de grupo,
corrige falhas gerenciais e direciona novos rumos para a organização. Todavia,
quando todos participam do gerenciamento, é comum a falta de coordenação das
atividades, de regras e de sanções. Portanto, a teoria de Friedberg (1995) é bem
aplicada a esta situação. Segundo este autor, as relações de poder têm que ser
estruturadas. Para o autor, a autogestão se apresenta, muitas vezes, como
problema, em vez de solução, sendo um desafio nos empreendimentos associativos.
Como diz Albuquerque (2003), a autogestão não significa necessariamente
cooperação entre aqueles que produzem. Por isto, a ação coletiva fica prejudicada,
pois a cooperação, muitas vezes, não se efetiva. Outras situações dificultam a ação
coletiva, como a falta de transparência no gerenciamento.
Dois aspectos importantes devem caminhar concomitantemente: a gestão
transparente e democrática e a participação ativa dos associados nas decisões da
cooperativa. O simples fato de o cooperado entregar sua produção para a
cooperativa não constitui cooperação, ela só se constitui quando este – o sócio –
exerce suas obrigações de dono da cooperativa, também se envolvendo nas
decisões da sua organização, por exemplo, se informando do que acontece no dia a
dia da cooperativa. Há a necessidade de gestores comprometidos e preparados
para o gerenciamento da cooperativa, mas não cabe somente a estes tomar todas
as decisões sobre o planejamento da organização, pois a cooperativa deve ser
gerida democraticamente pelos associados, ou seja, quem deve decidir o futuro da
cooperativa é o cooperado, municiado de informações precisas e fundamentadas,
fornecidas pelos gestores, para que a assembleia, órgão máximo de uma
cooperativa, possa decidir que rumos a cooperativa pode tomar a curto, médio e
longo prazo.
2.4 PARTICIPAÇÃO
Para Bordenave (1994, p. 22), a palavra participação vem da palavra parte.
“Participação é fazer parte, tomar parte e ter parte [...]”. Estas três expressões não
têm o mesmo significado, pois um indivíduo pode fazer parte de um grupo (por
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exemplo, uma associação de moradores), sem tomar parte das reuniões, ou ainda
pode fazer parte da população de um país, sem tomar parte nas grandes decisões,
ou, enfim, fazer parte de uma empresa sem ter parte alguma na sociedade
(BORDENAVE, 1994). Isso indica, segundo Bordenave (1994, p. 22), que é possível
fazer parte sem tomar parte e que “a segunda expressão representa um nível mais
intenso de participação”. Disso deriva a diferenciação entre participação ativa e
participação passiva. Conforme o autor, existe ainda mais um tipo de participação,
denominada voluntária, em que o grupo é criado pelos próprios participantes que
definem sua forma de organização, objetivos e métodos. O autor cita enquanto
exemplo os sindicatos livres, as associações de moradores, as cooperativas e os
partidos políticos. Acrescenta, ainda, que, ao se avaliar a participação num grupo ou
organização, duas perguntas são fundamentais: “qual é o grau de controle dos
membros sobre as decisões?” e “quão importantes são as decisões de que se pode
participar?”. Como resposta a estas duas perguntas o autor apresenta uma escala
que vai da participação à informação, cujos membros de um grupo são apenas
informados sobre algo, passando pela consulta, a recomendação, a cogestão, a
delegação, chegando até ao estágio máximo de participação, que é a autogestão.
Para o autor, o poder decisório da população envolvida está relacionado tanto com a
capacitação como com a experiência.
2.5 VALORES COOPERATIVISTAS
Precedendo aos princípios, os valores posicionam-se acima destes na
determinação hierárquica da Doutrina Cooperativista. Segundo Irion (1997, p. 49),
"valores são experiências morais, de caráter permanente que se constituem no
arcabouço do pensamento e da conduta dos cooperativistas". A interação dos
valores e dos princípios com as ideias gerais constitui a base doutrinária que
embasa e legitima o cooperativismo. De acordo com Irion (1997, p. 47), "os valores
são permanentes e os princípios, ao interpretar os valores, podem ser adaptados às
circunstâncias relativas ao local e ao tempo em que é posta em prática a doutrina
cooperativista".
A existência de valores básicos do cooperativismo permite que a sociedade
cooperativa construa pilares essenciais, que visam promover melhorias nas pessoas
cooperadas, refletindo positivamente nas suas atividades e ações desenvolvidas na
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
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organização, proporcionando benefícios à sociedade como um todo. Os valores
básicos que foram utilizados na confecção dos princípios cooperativistas são:
A Solidariedade − A solidariedade é um valor essencial que deve estar
presente nas diversas instâncias de uma cooperativa, é um fator primordial para a
existência e o fortalecimento da cooperação entre os associados da cooperativa.
A Liberdade − O valor cooperativista da liberdade permite aos associados da
cooperativa retirar-se do empreendimento no momento que lhe for conveniente e
também aos pretendentes de tornarem-se cooperados por livre e espontânea
vontade. A liberdade é relativa dentro da organização, limitada por regras de
conduta impostas pelo próprio grupo.
A Democracia − A democracia não tem seu sentido aqui entendido apenas na
forma de participação e organização política dentro das cooperativas, mas sim, na
participação de todos os associados nas reuniões, do direito de opinião, da
oportunidade do exercício das funções diretivas, entre outros. A aplicação do valor
de democracia inibe a distinção entre pessoas, bem como o surgimento de grupos
de interesse ou figuras de poder.
A Justiça Social − Com a promoção da Justiça Social, é adquirida a evolução
pessoal dos indivíduos, que se concretiza através da promoção das pessoas,
através da educação, cultura, qualidade de vida oportunidade de trabalho e de
realização pessoal.
A Equidade − A equidade garante o tratamento igual, de acordo com o grau
de participação nas relações humanas e de contribuição para os associados.
Através da equidade, as cooperativas põem em prática um direito igual para todos
os associados de participarem da organização, partilhando igualmente os benefícios
resultantes.
Segundo Irion (1997, p. 49-50), a equidade pode ser examinada por três
vertentes:
a) associativa – que estabelece direitos e deveres iguais para todos os
sócios;
b) econômica – que garante a distribuição dos resultados proporcional à
participação do associado nos negócios, e
c) social – que obriga a cooperativa a assistir aos associados sem
discriminação.
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
A Participação − A participação ativa de todos os cooperados nos diversos
estágios de desenvolvimento organizacional de uma cooperativa determina até que
ponto os objetivos traçados pelo empreendimento serão alcançados de forma eficaz.
A participação deve ser entendida, ao mesmo tempo, como um direito e um
dever dos cooperados, pois, do mesmo jeito que são donos do empreendimento e
podem participar livremente da gestão e da tomada de decisões, são obrigados a
participar para contribuir com o coletivo.
A Universalidade − Através do valor da universalidade as pessoas e os
grupos associados descobrem o seu maior valor e enriquecimento, não em ações
individuais, mas no trabalho coletivo em prol de objetivos de interesse universal. A
cooperação universal auxilia na inexistência de qualquer distinção de classe, raça,
cor ou religião, estabelecendo a união entre todos, em razão de interesses que
atendam às necessidades da coletividade.
A Honestidade − A honestidade é um aspecto componente da formação do
caráter do ser humano, cada vez mais desprezado na sociedade. Com a intenção de
promover uma reforma moral das pessoas, os pioneiros do cooperativismo
buscavam sempre alertar para as atitudes e o comportamento dos indivíduos na
sociedade. Através da honestidade, a cooperativa é capaz de estender cada vez
mais sua influência com o ambiente externo, haja vista que, devido às suas ações a
sociedade acreditará cada vez mais no sistema cooperativista.
2.6 PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO
Os princípios cooperativistas foram elaborados inicialmente em 1844, quando
os Pioneiros de Rochdale criaram normas para a sua cooperativa. Em 1995, os
princípios cooperativistas foram reformulados pela Aliança Cooperativa Internacional
(ACI) como linhas orientadoras através das quais as cooperativas levam à prática os
seus valores. São os Princípios:
a) adesão livre e voluntária − Cooperativas são organizações voluntárias
abertas a todas as pessoas aptas a usar seus serviços e dispostas a
aceitar as responsabilidades de sócios, sem discriminação social, racial,
política ou religiosa e de gênero;
b) controle democrático pelos sócios − As cooperativas são organizações
democráticas controladas por seus sócios os quais participam ativamente
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
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no estabelecimento de suas políticas e na tomada de decisões. Homens e
mulheres, eleitos como representantes através da Assembleia Geral, órgão
máximo da organização, a quem cabe as decisões mais importantes e o
planejamento das ações da entidade. Os eleitos são responsáveis para
com os demais sócios de prestar contas de suas ações. Nas cooperativas
singulares, os sócios têm igualdade na votação (um sócio um voto)
independente da sua participação financeira (quota parte); as cooperativas
de outros graus são também organizadas de maneira democrática;
c) participação econômica dos sócios − Os sócios contribuem de forma
equitativa e controlam democraticamente o capital de suas cooperativas.
Parte desse capital é propriedade comum das cooperativas. Usualmente
os sócios recebem juros limitados (se houver algum) sobre o capital, como
condição de sociedade. Os sócios destinam as sobras aos seguintes
propósitos: desenvolvimento das cooperativas, possibilitando a formação
de reservas, parte dessas podendo ser indivisíveis; retorno aos sócios na
proporção de suas transações com as cooperativas, e apoio a outras
atividades que forem aprovadas pelo sócio;
d) autonomia e independência − As cooperativas são organizações
autônomas para ajuda mútua, controladas por seus membros. Entretanto,
em acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou
recebendo capital de origem externa, elas devem fazê-lo em termos que
preservem o seu controle democrático pelos sócios e mantenham sua
autonomia;
e) educação,
treinamento
e
informação
−
As
cooperativas
devem
proporcionar educação e treinamento para os sócios de modo a contribuir
efetivamente para o seu desenvolvimento. Elas deverão informar o público
em geral, particularmente os jovens e os líderes formadores de opinião,
sobre a natureza e os benefícios da cooperação. Este princípio é de
fundamental importância, uma vez que o cooperativismo constitui doutrina
própria, com princípios específicos, formas de atuação definidas e não
pode ser confundido com outros tipos de associação comuns em qualquer
sociedade. É necessário que a cooperativa, assim como as federações,
confederações e demais entidades que congregam estas empresas
peculiares, invistam na educação de seus membros e da comunidade em
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
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geral, como forma de esclarecimento a respeito do pensamento
cooperativo e incentivo às novas iniciativas de associação de indivíduos,
segundo o modelo proposto por esta doutrina. Para a maior efetivação
deste princípio, a Lei 5.764/71, art. 28, inciso II, determina às cooperativas,
a obrigatoriedade da constituição de um Fundo de Assistência Técnica,
Educacional e Social, com o recolhimento de, no mínimo, 5% das sobras
líquidas do exercício;
f) cooperação entre cooperativas − As cooperativas atendem seus sócios
mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando
juntas, através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais;
g) preocupação com a comunidade − As cooperativas trabalham pelo
desenvolvimento sustentável de suas comunidades, através de políticas
aprovadas por seus membros.
2.7 EDUCAÇÃO COOPERATIVISTA
Ferreira e Amodeo (2008), em seu trabalho no V Encontro de Pesquisadores
Latino-Americanos de Cooperativismo, mencionam a educação cooperativa como
um dos pilares fundamentais de sustentação do movimento cooperativista de
produção. Defendem que a educação cooperativa não somente capacita
tecnicamente pessoas, mas também deve avançar no sentido de congregar e
aproximar
os
indivíduos
para
o
movimento
cooperativista,
produzindo
e
proporcionando a efetiva participação democrática. Um de seus objetivos é focar na
construção do “saber ser” cooperante.
A pessoa só se compromete e interage com aquilo que é de seu interesse,
apenas através de sua participação passiva em reuniões por obrigação ou porque
sua presença está condicionada ao pagamento de taxa, não significa que ela está
envolvida com a organização da qual faz parte.
Frantz (2001) coloca a educação cooperativa como instrumento de libertação
humana e comprometimento. Defende ele que a educação cooperativa tem papel
insubstituível na proposição e instrumentalização de novos sujeitos sociais, em
decorrência de que, também, o fenômeno educativo é a expressão de interesses
sociais em conflito na sociedade.
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
A
Educação
Cooperativista
é
fundamental
no
desenvolvimento
da
Democracia Cooperativista, uma vez que é através da educação que se difundem a
doutrina e os princípios do cooperativismo. Os valores em que se baseia a
sociedade cooperativa são a identidade de propósitos e interesses das pessoas que
a compõem, ajuda mútua, ação em conjunto, busca de um resultado útil e comum a
todos, responsabilidade, igualdade, solidariedade, democracia e participação. Podese dizer que a solução dos problemas e a satisfação do interesse coletivo são
alcançadas com base na troca de ideias e nas discussões entre as pessoas, e que a
educação cooperativa consiste na aquisição do hábito de ver, pensar e julgar de
acordo com os princípios e ideais cooperativos.
Schneider (2003, p. 13) afirma que a educação e a capacitação são
indispensáveis em qualquer instituição, mas nas cooperativas elas são questão de
sobrevivência. Sem essas atividades, as cooperativas são desvirtuadas ou até
absorvidas pelo sistema socioeconômico e pelo processo social dominante que é a
concorrência e o conflito.
Ao falarmos em educação, devemos destacar que esta visa explorar as
potencialidades e habilidades do indivíduo, fazendo com que o ser humano pense,
reflita, discuta e aja. Sabe-se que a educação cooperativa deve ser um ato
constante dentro das organizações cooperativas. O conceito de Educação
Cooperativista ainda é bastante embrionário dentro do movimento, não possui um
consenso normativo quanto à sua finalidade e objetivo. O desafio futuro, para a
Educação Cooperativista, será o de direcionar em tempo, em conteúdo e em custo
adequados o conhecimento básico para uso e aplicação por parte dos agentes em
busca de benefícios mútuos.
Existem
vários
níveis
de
aprofundamento
para
se
transmitir
esse
conhecimento, de modo que não se perca por falta de direcionamento adequado e
pela falta de um meio – veículo de comunicação – eficiente de seu fornecimento. A
educação aumenta o conhecimento e o treinamento aumenta a habilidade, assim o
foco da estrutura de Ensino em Cooperativismo deverá estar centrado em facilitar as
comunicações de conceitos, termos e técnicas, e estimular uma maior “durabilidade”
à capacitação dos agentes integrantes das cooperativas. Os fundos determinados
por lei para investimentos no “ser humano”, principalmente em conhecimentos
institucionais, técnicos e científicos, devem receber receitas – compondo reservas
especiais – independentes do encerramento das atividades do ano fiscal das
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
cooperativas, quando lançam mão de parte das sobras líquidas para tais fins. As
mesmas terão que possuir outro modo adicional de captação de recursos financeiros
para investimentos centrados na Educação Cooperativista, que poderão vir dos
contratos com tomadores de serviços cooperativos.
O que vem a ser realmente a Educação Cooperativista? A educação
cooperativista consiste na preparação do cooperado para a participação efetiva na
cooperativa, abrange a consciência de grupo gerando a participação dos membros,
capacita os cooperados para o desenvolvimento da cooperativa como empresa, leva
os cooperados a entender a importância de seu papel como dono e usuário da
cooperativa. O trabalho de educação nas cooperativas é tão importante que, sem
ela, a cooperativa não se desenvolve plenamente. Para se concretizar este trabalho,
as cooperativas têm por obrigação destinar, no mínimo, 5% de suas sobras líquidas
para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). Este fundo é
destinado a financiamentos de projetos que visem à preparação das pessoas que
fazem parte da cooperativa. Os trabalhos de educação podem ser realizados através
de cursos, seminários, reuniões, etc. Além disso, muitas cooperativas têm comitês
educativos, uma das alternativas para a concretização de planos desta natureza.
A experiência ensina e a vida educa. A cooperação educa quando formula
exigências a seus participantes que são capazes de adquirir novos conhecimentos e
adotar novas formas de comportamento. A educação é um princípio, é indispensável
porque é essencial para a existência das cooperativas.
A cooperação não pode confiar na educação inconsciente ou ao acaso, mas
deve empregar formas e métodos adequados de educação, como instrumentos para
alcançar seus fins. O indivíduo precisa apreender a ser cooperativista, da mesma
forma que desde a infância somos estimulados e educados a colaborar e ajudar os
outros seres humanos. Já que a educação cooperativa não envolve somente
conhecimentos, mas também prática, para alcançar seus objetivos, deve então ter
uma significação ampla, que seja equivalente à soma dos atos e experiências que
promovem o crescimento moral e mental dos cooperadores e o desenvolvimento de
sua capacidade para trabalhar com outros, segundo os valores e os princípios
cooperativos. A educação deve ser considerada como uma experiência para toda a
vida, aprender para si não significa aprender só por si, é necessária a colaboração
de outros para que a educação seja permanente, e deve, ainda, ser direcionada a
conseguir também o aperfeiçoamento dos associados. Portanto, não basta preparar
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
os futuros sócios por meio da difusão da doutrina cooperativa, é preciso capacitar
tecnicamente e em diferentes níveis os que vão ser os responsáveis pelo fator
empresarial.
Uma das formas de educação cooperativa é a informação geral sobre os
princípios e os objetivos do sistema. É condição essencial deste trabalho informativo
que os princípios sejam explicados com clareza, porém é desaconselhável falar com
exagero sobre as vantagens e enfatizar os privilégios do sistema cooperativo, pois
se corre o risco de os indivíduos se entusiasmarem demais, por outro lado, com a
exposição clara e transparente é bem provável que alguns se afastem. Por esta
razão, muitas organizações cooperativas preferem não promover grupos de
educação cooperativa com receio de perda de associados, pois a clareza do que é
ser cooperativista pode afastar alguns membros.
Contudo, isso não deveria ser a causa para a não aplicabilidade deste
princípio cooperativo que é a educação cooperativa, sendo que um dos valores do
cooperativismo é a participação, onde designa que a participação deve ser
entendida ao mesmo tempo como um direito e um dever dos cooperados, pois,
assim como são donos do empreendimento e podem participar livremente da gestão
e da tomada de decisões, devem participar de forma ativa para contribuir com o
coletivo, logo, para a cooperativa seria mais interessante manter somente aqueles
membros que realmente entendam quem são e quais são suas obrigações dentro da
organização cooperativa.
Os principais responsáveis pela educação cooperativista são especialmente
os dirigentes eleitos e os encarregados da formação e capacitação. Porém, um
desafio, hoje, é o esclarecimento a estes dirigentes do que é educação cooperativa
e sua importância para os associados, porque o que se encontra na prática é o valor
do fundo FATES reservado no Balanço Patrimonial, porque é lei, mas muitas vezes
não utilizado pela administração da cooperativa.
As oportunidades informais, como visitas e interações dos associados com
sua cooperativa, são, também, meios adequados para a educação, pois estas
podem e devem ser importantes momentos de formação e capacitação dos
cooperados. Dentre outros recursos formais de educação há a propaganda oral,
conferências, palestras de especialistas, cartazes, folhetos, jornais, revistas, etc.
Outra oportunidade de educação e de capacitação são as assembleias gerais,
mas por terem um caráter muito formal e protocolar e por contarem com a presença
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
de um grande número de pessoas, onde as autoridades usam uma linguagem
técnica e muito difícil para a maioria dos associados, estes tendem a ficar inibidos e
não participar. Sendo assim, é muito importante informalizar as assembleias gerais e
simplificar mais a linguagem das demonstrações contábeis e financeiras, para que
todos os sócios possam participar e colaborar dando sua opinião.
A educação cooperativa sempre esteve em destaque e é a mola mestra, o
pré-requisito para que a cooperativa cumpra com as suas funções sociais. A
educação cooperativista só é exaltada com grande importância na teoria, visto que
na prática pouco se faz a favor da mesma. As cooperativas que se ocupam do tema
são alguns casos isolados, que pouco ou nada refletem no todo do movimento.
Não se nasce cooperador num ambiente onde o que prevalece é a
competitividade e a individualidade. Não se pode mudar um comportamento sem
mudar a mentalidade das pessoas, e uma mentalidade diferente só se adquire por
meio de uma educação continuada e persistente, motivada em prol de ideias e
valores, princípios e atitudes que apelem à solidariedade e à ajuda mútua.
É normal que o candidato a associado entre numa cooperativa visando só os
benefícios individuais, contudo, não é normal que a cooperativa deixe que ele
permaneça com esta atitude durante anos, por isso cabe à associação a educação
de seus sócios, motivando-os em prol da aquisição de uma autêntica cultura
cooperativista, de solidariedade e de ajuda mútua.
O princípio da educação cooperativa é a base do cooperativismo, é a sua
regra de ouro, e é condição indispensável para o bom funcionamento dos demais
princípios. Não só os momentos de educação explícita – de cursos e de formação –
devem ser considerados como atividade educativa, mas todo e qualquer contato do
associado com a cooperativa será um momento propício para o processo educativo.
Sendo a educação cooperativista o caminho para o fortalecimento da
democracia, fica claro que essa iniciativa teve êxito e continuará tendo na medida
em que cada cooperado entender que sua participação é fundamental para o
desenvolvimento de sua cooperativa.
As cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus
membros, que devem participar ativamente na formulação das suas políticas e na
tomada de decisões. Os eleitos como representantes dos demais membros são
responsáveis perante estes. Aqui vale ressaltar a importância de fomentar a
participação das mulheres e dos jovens nos conselhos da cooperativa, visando
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
sempre o fortalecimento e o incentivo à participação dos associados. Todos os
associados em uma empresa cooperativa devem ter os mesmos direitos e deveres,
entre eles está o direito/dever de participar das decisões, do planejamento, do
trabalho, da distribuição das sobras. Cada experiência de cooperação deve definir os
espaços (instâncias) e as formas que permitam, organizadamente, a participação de
todos. Quem tem a função de dirigir, o faz em nome de todos. Quem é coordenador
de um setor de trabalho ou de um núcleo de base deve saber coordenar de forma
participativa, para que todos se sintam bem e aprendam com isso.
Tudo que envolve a vida da cooperativa deve estar vinculado à vida de cada
sócio e à democracia interna. É preciso distribuir as responsabilidades para que haja
participação integral de todos os sócios. A pessoa só se interessa plenamente por
aquilo que lhe diz respeito diretamente, logo, é necessário um chamamento
constante do associado para dentro da cooperativa. Por outro lado, a democracia
significa também participação econômica, tanto no pagamento das quotas partes
como na distribuição das sobras.
3 CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO ESTUDADO
Para a elaboração da presente pesquisa foi escolhida a Cooperativa Mista
Vista Gaúcha, COOPERVISTA, em virtude da sua localização, mais adequada para
a pesquisadora. A cooperativa tem sede no município de Vista Gaúcha-RS, tendo
sido constituída em 21 de maio de 2007. Seu início está ligado à expansão da
atividade leiteira na mesorregião noroeste. Consta, de acordo com depoimentos, que
os produtores rurais de leite, por sugestão de um professor universitário, foram
incentivados a comercializar o seu produto de uma forma associativa, pois
comercializando o leite em conjunto teriam maior volume, logo, poderiam negociar o
seu produto por preço melhor. A cooperativa iniciou com o número de 48 associados
e, desde então, vem aumentando o seu quadro social, que hoje conta com 105
associados, sendo 101 ativos.
A negociação em conjunto do leite pelos associados da cooperativa, desde os
seus primeiros tempos, acrescentou valor ao produto, em comparação ao leite
comercializado individualmente – em um primeiro momento, o acréscimo foi de R$ 0,10
por litro. Entretanto, o volume comercializado de leite ainda é considerado pequeno.
Comercializa-se em torno de 384.000 litros de leite ao mês. A quase totalidade dos
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
agricultores é caracterizada como produtores de pequeno porte, uma vez que apenas
dois associados comercializam mais do que 15.000 litros de leite ao mês.
Quanto às suas atividades econômicas, a COOPERVISTA, que atualmente
comercializa leite in natura com empresas de laticínios da região, projeta
futuramente a expansão do seu quadro social e o aumento da produção de leite,
seja pela captação de novos associados, seja pelo aumento da produção nas
unidades de produção já existentes. Além do regramento que consta no seu Estatuto
Social, criou uma regra para a participação dos sócios em reuniões e assembleias,
sendo que o não comparecimento dos associados aos encontros sem uma
justificativa legal gera a cobrança de uma taxa Esta regra foi aprovada em
assembleia e o valor é revisto anualmente na assembleia geral ordinária.
4 RESULTADOS
A presente pesquisa foi realizada no mês de julho de 2013, quando foram
visitados, em suas propriedades rurais, 34 cooperados do quadro social da
cooperativa. Destes, 04 associados não estavam em casa no momento da visita.
Para a elaboração da pesquisa foi desenvolvido um questionário semiestruturado,
composto de 11 questões abertas e fechadas.
Neste tópico, apresenta-se os resultados e as análises, desenvolvidos através
da pesquisa realizada junto aos associados da cooperativa.
Em relação ao tempo em que estão associados na cooperativa, 73% dos
sócios são fundadores e 27% dos sócios se associaram à cooperativa entre 4 a 5
anos.
Sobre o objetivo de trabalhar de modo cooperativo, 80% disseram que o
objetivo é o trabalho em conjunto e 20% não responderam, pela falta de
compreensão da questão.
Quanto à participação em capacitações sobre cooperativismo, 60% dos
associados responderam terem participado de uma capacitação inicial e 40% nunca
participaram de nenhuma capacitação. Quando questionados sobre a possibilidade
de participação em capacitações em torno do tema do cooperativismo, 80% dos
associados responderam achar importante e que participariam.
Sobre o motivo pelo qual se associaram na cooperativa, 100% dos
associados foram motivados pelo aumento do preço do leite, porém, destes, 80%
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
acreditam que a união de um grupo de pessoas com o mesmo objetivo os torna mais
fortes perante a negociação com o mercado comprador, e que, com a cooperativa,
os preços pagos pelas empresas são constantes e não oscilam mês a mês como
quando negociavam individualmente, 20% dos entrevistados manifestaram que
entraram na cooperativa unicamente porque o preço pago era maior.
Quanto à importância de ser sócio da cooperativa, 100% acham importante
fazer parte de uma cooperativa, sendo que 70% acham que sem a cooperativa
estariam desprotegidos, pois, individualmente, estariam expostos às empresas
compradoras de leite que exploram os produtores. Outra vantagem seria a garantia
do preço a ser pago pelas compradoras, pois a cooperativa baliza o preço do
mercado local. Os 30% restantes ressaltam a importância de trabalhar em conjunto
destacando a força da união.
Com relação à participação em assembleia, 90% responderam que participam
sempre, porém nem sempre é o associado quem vai e sim um representante do
núcleo familiar, a esposa ou um dos filhos, e 10% responderam que às vezes
participam.
Quanto a atender o convite para uma reunião, todas as repostas foram
positivas, então foi questionado se o atendimento ao chamado estava condicionado
à cobrança da taxa de presença e 60% responderam que vão à reunião
independentemente da cobrança, argumentaram que seria para saber o que está
acontecendo na cooperativa, 20% vão à reunião em detrimento da cobrança da
tarifa, 10% responderam positivamente, mas que o número de reuniões deveria ser
maior durante o ano, 10% manifestaram que às vezes comparecem às reuniões.
Durante as reuniões e assembleias você se manifesta, dá sua opinião? Com
relação a esta pergunta, 50% responderam que fazem algum questionamento e 50%
responderam que não, que vão apenas para ouvir, justificando que os assuntos
duvidosos já são tratados independente da sua manifestação.
Neste item está clara a dependência dos associados quanto à tomada de
decisão pela direção da cooperativa, necessitando um processo de educação
participativa a fim de despertar neles o interesse e o comprometimento com os
assuntos decisórios.
Quando questionados se gostariam de fazer parte dos Conselhos de
Administração ou Fiscal, 50% responderam positivamente, 40% disseram que não,
mas a principal justificativa seria a de que são sozinhos ou que contam apenas com
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
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a ajuda da esposa nas lidas da propriedade, não tendo disponibilidade de tempo
para se dedicar à cooperativa, e 10% somente fariam parte se fossem indicados.
Na pergunta: “você está insatisfeito, relativamente satisfeito, satisfeito ou
plenamente satisfeito com a cooperativa”, a totalidade respondeu que está satisfeito.
Quando se fez uma última pergunta aberta, se teria alguma sugestão para
melhoria da organização da cooperativa, 100% disseram que está bom como está,
porém, surgiram algumas ressalvas quanto aos tópicos: maior transparência nas
ações e comunicação com o associado, e 90% destes sugeriram que a cooperativa
deveria articular a compra em conjunto de insumos, como adubo, ureia, sementes e
ração para as vacas.
De uma maneira informal foi perguntado se os sócios tinham uma cópia do
Estatuto Social da Cooperativa, e todos os entrevistados responderam que não o
receberam.
5 CONCLUSÃO
A COOPERVISTA foi criada com o objetivo de negociar o leite produzido
pelos seus associados, e, desta maneira, resolver alguns problemas enfrentados por
eles na negociação do seu produto o “leite in natura”. Conforme relatos dos
associados, estes eram explorados pelas empresas compradoras de leite, quando
negociavam individualmente. As empresas pagavam o preço que queriam aos
produtores e, nesta forma de negociação, o preço pago mensalmente pelo produto
oscilava muito e as empresas acabavam por não cumprir os preços acordados com
os produtores no mês anterior, e, como o volume do produto individualmente é
pequeno, o preço negociado também é baixo. Muitos citaram o termo “explorado”
para qualificar a relação do produtor com as empresas compradoras de leite.
A formação da cooperativa seria, para eles, uma força conjunta para se
relacionar com as grandes empresas. No conjunto, o volume de leite aumentou,
logo, conseguem um melhor preço durante a negociação. Por estarem negociando
através de uma instituição, as empresas têm um pouco mais de respeito e
normalmente cumprem com os valores acordados. E, por consequência, não só os
associados da COOPERVISTA recebem mais pelo seu produto, pois a cooperativa
acaba por balizar o preço do leite no mercado local, mas há, também, a melhora
para os produtores maiores que vendem individualmente.
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Capítulo VI - Participação, Comprometimento e Satisfação dos Associados: uma análise da
Cooperativa Mista Vista Gaúcha - COOPERVISTA
Os
associados
reconhecem
a
importância
da
cooperativa
para
a
comercialização da sua produção, mas, de uma maneira geral, não são
comprometidos na gestão, nas decisões da COOPERVISTA, estão sempre
presentes na vida da cooperativa, mas não interferem, preferem esperar que a
direção tome as decisões.
Para um maior fortalecimento da cooperativa seria necessario uma inserção
de forma crítica dos associados na gestão e isto só é possivel através da Educação
Cooperativa,
trabalhando
de
forma
continuada
os
valores
e
princípios
cooperativistas, a fim de despertar e manter sempre ativo em cada membro o
sentido de posse e comprometimento com a sua cooperativa. Com uma cooperativa
forte e coesa ganham os cooperados e a comunidade onde estão inseridos.
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