1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ TATIANA DE GIRONI A INSERÇÃO DA MULHER NA CARREIRA MILITAR EM FUNÇÕES ATÉ ENTÃO TIDAS COMO PREDOMINANTEMENTE MASCULINAS: Estudo de caso no 7° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Itajaí – SC. Balneário Camboriú 2010 2 TATIANA DE GIRONI A INSERÇÃO DA MULHER NA CARREIRA MILITAR EM FUNÇÕES ATÉ ENTÃO TIDAS COMO PREDOMINANTEMENTE MASCULINAS: Estudo de caso no 7° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Itajaí – SC. Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração – Gestão Empreendedora, na Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação Balneário Camboriú. Orientador: Prof. MSc. Laércio A. Braggio Balneário Camboriú 2010 3 TATIANA DE GIRONI A inserção da mulher na carreira Militar em funções até então tidas como predominantemente masculinas: Estudo de caso no 7° Batalhão do Corpo de Bombeiros de Itajaí – SC. Esta Monografia foi julgada adequada para a obtenção do título de Bacharel em Administração e aprovada pelo Curso de Administração – ênfase em Gestão Empreendedora da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação de Balneário Camboriú. Área de Concentração: Administração com ênfase em Gestão Empreendedora Balneário Camboriú, 05 de Julho de 2010. _________________________________ Prof. MSc. Laercio A. Braggio Orientador ___________________________________ Prof. MSc. Marcio Daniel Kiesel Avaliador ___________________________________ Prof. MSc. Marco A. Batista Avaliador 4 EQUIPE TÉCNICA Estagiário(a): Tatiana De Gironi Área de Estágio: Administrativa Professor Responsável pelos Estágios: Lorena Schröder Supervisor da Empresa: Marcio Weber Professor(a) orientador(a): Prof. Msc. Laércio A. Braggio 5 DADOS DA EMPRESA Razão Social: WebDigi Distribuidora Endereço: R: JAMAICA 484, Bairro Nações Setor de Desenvolvimento do Estágio: Administrativo Duração do Estágio: 240 horas Nome e Cargo do Supervisor da Empresa: Marcio Weber, Gerente Carimbo do CNPJ da Empresa: 6 AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA Balneário Camboriú, 05 de Julho de 2010. A Empresa WebDigi Distribuidora, pelo presente instrumento, autoriza a Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, a divulgar os dados do Relatório de Conclusão de Estágio executado durante o Estágio Curricular Obrigatório, pelo acadêmico Tatiana De Gironi. ___________________________________ Responsável pela Empresa 7 “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”. (Albert Einstein) 8 AGRADECIMENTOS Á Deus! Minha eterna gratidão por me permitir lavrar meus próprios registros no livro da vida. Em especial, sou grata a minha mãe pelos ensinamentos dados e por me conduzir no caminho do crescimento. Obrigado ao meu orientador Laércio A.Braggio, pelas estimulantes provocações, encorajamento, orientações e diálogos que travamos. Tais desafios fundamentaram de forma marcante este trabalho. Ao meu filho que acabou de chegar em minha vida, ao meu marido por me compreender, ajudar e apoiar em todos os momentos. Com mesma relevância, agradeço a todos os professores, por dividirem seu conhecimento, para que eu alcançasse o sucesso acadêmico. 9 RESUMO Hoje é indiscutível a presença da mulher no mercado de trabalho, os textos modernos destacam diariamente as conquistas da mulher nos mais diversos postos e campos de atuação, em especial nos cargos antes predominantemente masculinos. As mulheres decidiram entrar num universo que antes era só dos homens como o corpo de bombeiros. O presente trabalho busca entender o comportamento da mulher de uma forma mais ampla, neste sentido, é um desafio para elas atuarem num espaço com características tão masculinas como no militarismo, onde as mulheres podem galgar até o posto mais alto da corporação militar, com os mesmos direitos e deveres dos homens. Sob este panorama, esta pesquisa tem como principal objetivo compreender a evolução da mulher no atual mercado de trabalho em funções até então predominantemente masculinas, desta forma buscaram-se através do estudo bibliográfico, conceitos, fundamentos e pesquisas que ponderaram a trajetória da inserção feminina em diversos campos, como também descrever a inserção da mulher nas Instituições Militares. A metodologia da pesquisa teve como objetivo a pesquisa exploratória, com uma abordagem qualitativa, utilizando-se de uma entrevista para a coleta das informações. Conclui-se que as mulheres lutaram para conquistar seu espaço em instituições que eram compostas apenas por homens. É uma oportunidade de promover soluções para dificuldades enfrentadas. No bombeiro não é diferente, mesmo não sendo uma instituição privada a competência da mulher continua presente e indiscutível. Palavras Chave: Mulher. Instituições Militares. Bombeiros 10 ABSTRACT Today is the indisputable presence of women in the labor market, most modern texts daily highlight the achievements of women in various positions and fields, especially in male-dominated positions before. The women decided to enter a universe that was previously only men as the fire department. This study seeks to understand the behavior of women in a broader sense this is a challenge for them to act in a masculine space with features such as the military, where women can climb up to the highest rank of military corporation, with same rights and duties of men. Under this scenario, this research has as main objective to understand the evolution of women in today's labor market functions hitherto predominantly male, so were sought by studying literature, concepts, foundations and research that are considering the trajectory of women's insertion into various fields, but also describe the integration of women in military institutions. The research methodology aimed at the exploratory research with a qualitative approach, using an interview to collect information. We conclude that women fought for their place in institutions that were composed only of men. It's an opportunity to develop solutions to difficulties. No firefighter is no different, although not a private institution the competence of women is still present and undeniable. Keywords: Women. Military Institutions. Fire 11 LISTA DE QUADROS Nº. Titulo...........................................................................................................Pg. 1 Respostas da 8ª Pergunta ...........................................................................61 2 Respostas da 9ª Pergunta ...........................................................................61 3 Respostas da 10ª Pergunta .........................................................................62 4 Respostas da 11ª Pergunta..........................................................................62 5 Respostas da 12ª Pergunta .........................................................................62 6 Respostas da 13ª Pergunta..........................................................................63 7 Respostas da 14ª Pergunta..........................................................................63 8 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 8ª Pergunta...............................................64 9 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 9ª Pergunta ..............................................64 10 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 10ª Pergunta.............................................64 11 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 11ª Pergunta.............................................64 12 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 12ª Pergunta.............................................65 13 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 13ª Pergunta ............................................65 14 DSC – Discurso Sujeito Coletivo 14ª Pergunta ............................................65 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 14 1.1 Tema de estágio ...................................................................................... 15 1.2 Problema de pesquisa ............................................................................. 16 1.3 Objetivo geral ........................................................................................... 17 1.4 Justificativa da pesquisa .......................................................................... 17 1.5 Contextualização do ambiente de estágio ............................................... 18 1.6 Organização do trabalho ......................................................................... 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................. 19 2.1 A Evolução da Mulher no Mercado de Trabalho...................................... 19 2.1.1 A mulher empreendedora........................................................................ 21 2.1.2 A mulher nas organizações...................................................................... 23 2.1.3 A mulher e o Preconceito no mercado de trabalho.................................. 24 2.1.4 Mulher versus homem no mercado de trabalho Inversão de papéis....... 26 2.2 As origens do exercito brasileiro.............................................................. 27 2.2.1 Exército moderno...................................................................................... 30 2.2.2 Missão e visão do Exercito Brasileiro....................................................... 31 2.2.3 Síntese dos Deveres, Valores e da Ética do Exército.............................. 31 2.2.4 Fatores Críticos para o Êxito da Missão do Exército............................... 32 2.2.5 Mulheres no Exército............................................................................... 33 2.2.6 Histórico do Ingresso da Mulher no Exército........................................... 35 2.3 Criação e Evolução do Corpo de Bombeiros no Brasil............................ 38 2.3.1 Cronologia: Historia do Corpo de Bombeiros........................................... 41 2.3.2 Bombeiros no Brasil.................................................................................. 47 2.3.3 Bombeiros em Santa Catarina.................................................................. 49 2.3.4 Bombeiro.................................................................................................. 50 2.3.5 Classificação............................................................................................. 51 3 METODOLOGIA DA PESQUISA ............................................................ 53 3.1 Tipologia de pesquisa .............................................................................. 53 3.2 Sujeito do estudo ..................................................................................... 54 3.3 Instrumentos de pesquisa ........................................................................ 55 13 3.4 Análise e apresentação dos dados ......................................................... 56 3.5 Limitações da pesquisa........................................................................... 56 4 ANÁLISE DOS DADOS........................................................................... 57 4.1 Perfil das Respondentes........................................................................... 57 4.2 Entrevista.................................................................................................. 58 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................... 64 5.1 Sugestões de Trabalhos Futuros............................................................. 66 6 REFERÊNCIAS....................................................................................... 67 APÊNDICE............................................................................................. 70 14 1. INTRODUÇÃO As relações de trabalho ganham novos significados e complexidades a partir da inserção feminina no espaço organizacional. A disputa acirrada no espaço de trabalho passa a ser vivida por homens e mulheres que buscam igualar suas oportunidades por cargos, posições hierárquicas, destaque e reconhecimento na profissão. O processo de construção de identidade feminina é delimitado pela concepção de feminilidade interiorizada pela educação, e pelas normas de comportamentos impostas pelo mundo do trabalho (Belle, 1987). Neste processo a mulher não deve abandonar suas características femininas e, em contrapartida, precisa absorver características tipicamente masculinas que predominam no espaço público de trabalho. Percebe-se, com isto, que a mulher vivencia um processo ambíguo, porque precisa desenvolver habilidades que, às vezes, são opostas. Se antes as mulheres não assumiam funções consideradas exclusivamente masculinas, hoje a realidade mostra uma mudança no mercado de trabalho. Na antiguidade a mulher foi impedida de dar opinião, de ter desejos próprios, de desenvolver uma profissão além da dona de casa. Belle (1993) relata que não existem mais espaços reservados, papéis atribuídos em caráter definitivo, separações estritas ou muros intransponíveis entre o feminino e o masculino. O que se nota é uma segregação velada e disfarçada que atinge as mulheres em relação ao trabalho, denominado como fenômeno do teto de vidro (Steil 1997), que consiste em uma barreira sutil e transparente, mas suficientemente forte para bloquear a ascensão das mulheres a níveis hierárquicos mais altos. Ao longo do tempo a mulher reivindica por melhores condições sociais, ou seja, o direito de existir com suas diferenças pessoais. Hoje a mulher pode dar sua opinião diante de situações específicas, ganhou as conquistas no mercado de trabalho. A necessidade de existir, não significa competir, a competição no mercado de trabalho, é uma realidade. Sendo assim, uma de suas conquistas mais marcantes sem duvida foi seu ingresso nas instituições militares, como por exemplo o Exercito Brasileiro que desde sua criação sempre foi formado exclusivamente por homens. Neste processo, a 15 mulher diversificou sua participação na vida pública e amplia seu espaço de atuação na sociedade ao ocupar cargos na vida militar. No ano de 1981, a Marinha Brasileira passa a aceitar mulheres no seu corpo de oficiais, esse foi o estopim para a inserção da mulher nas forças armadas, ao longo da década seguinte. A pesquisa em questão visa entender como a entrada oficial das mulheres no Exército Brasileiro, durante a década de 1990, pode ser considerada como um exemplo do caráter moderno dessa instituição. Portanto, o processo de diferenciação entre masculino e feminino é construído individual e coletivamente no imaginário das pessoas, e a compreensão deste envolve a percepção de que indivíduos de um mesmo grupo se aproximam uns dos outros como conseqüência de sua experiência social comum, de seu pensamento e de sua ação. Contudo, estes não abandonam as características que os tornam diferentes (Wagner, 1995). 1.1 Tema: O aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e, conseqüentemente, no âmbito organizacional, tem acontecido sob a forma de ocupação de cargos que exigem menores qualificações e competências. Entretanto, muitas mulheres já estão alcançando postos mais elevados e importantes, como gerentes, diretoras, ou mesmo empreendedoras de seus próprios negócios, ou ainda essas posições, pode constituir-se em cargos originalmente masculinos como bombeiras, delegadas, caminhoneiras, cargos no Exercito Brasileiro, etc. Profissões que antes eram antes exclusivas e predominantemente masculinas ganham cada vez mais representantes femininas, com a ajuda do avanço tecnológico, a estratégia se sobrepõe à força, cenas de mulheres fazendo trabalhos ditos masculinos estão sendo cada vez mais comuns, mais preparadas avançam no mercado de trabalho não só em funções estratégicas, mas também operacionais, graças a mulheres corajosas e ambiciosas, a versatilidade fez a mulher conquistar os mais diversos postos de trabalho, a fragilidade dá lugar a força e habilidade, a paciência e a delicadeza femininas são qualidades que fazem sucesso. Nesse contexto, Bardwick (1984) afirma que as mulheres não são melhores nem piores que os homens. Não são completamente diferentes deles, nem totalmente iguais. Por esse motivo, ao analisar a inserção das mulheres como 16 empresárias, torna-se interessante considerar alguns aspectos comuns ao comportamento de pessoas que obtiveram sucesso na gestão de seus negócios, bem como outras características específicas à conduta empresarial feminina. Juntamente com as mudanças na mentalidade da sociedade brasileira, fizeram com que as muitas funções, assim como a do Exército fossem além do campo de batalha e a inserção da mulher fosse incentivada. Além disso, essa abertura fez com que o Exército Brasileiro repensasse a sua estrutura, o seu ensino e no papel do soldado na sociedade. Pensar num Exército voltado exclusivamente para o campo de batalha torna a inserção da mulher difícil, mas ao pensar nessa instituição como um pilar da sociedade brasileira, voltada para a produção de conhecimento e inteligência, essa inserção torna-se possível. 1.2 Problema: Com a crescente demanda de mulheres atuando em funções conhecidas e consideradas masculinas, percebe-se a importância de se fazer uma pesquisa que analise e verifique os traços mais marcantes e que fazem a diferença no mercado de trabalho, identificando a sua capacidade de igual ou maior responsabilidade ao exercer essas funções, e o reflexo do perfil de um profissional e sua visão de sucesso e futuro, analisando o potencial dessas mulheres em seus cargos de trabalho. A inserção da mulher no mercado de trabalho em funções ditas como predominantemente masculinas age como uma via de mão dupla. Ela só foi possível com a modernização sofrida pelo mercado de trabalho, na sociedade no Exército Brasileiro, na vida militar, no decorrer de sua história. E a própria mulher é também, um dos aspectos impulsionadores dessa modernização, e muito ainda precisa ser pensado sobre a inserção da mulher nas diversas áreas profissionais, que talvez, só a experiência e o tempo possam demonstrar a sua efetividade. Mas o importante é que, enquanto civis e militares refletem sobre as questões femininas, refletem também sobre as mudanças de comportamento da sociedade. Sendo assim este trabalho procura responder a seguinte questão: Como se deu inserção da mulher na carreira Militar em funções até então tidas como predominantemente masculinas? 17 1.3 Objetivos Objetivo geral: Reconhecer a inserção da mulher na carreira Militar em funções até então tidas como predominantemente masculinas. Objetivos Específicos: - Identificar as dificuldades de ingresso da mulher na carreira militar. - Identificar o perfil das mulheres que atuam na carreira militar. - Descrever a inserção da mulher nas Instituições Militares. - Reconhecer os motivos que levaram ao ingresso na carreira militar. 1.4 Justificativa: A expansão dos estudos de gênero em diferentes espaços da historiografia instigou o interesse de descobrir a mulher como sujeito da história e objeto de estudo. Neste processo, a mulher diversificou sua participação na vida pública e amplia seu espaço de atuação na sociedade ao ocupar cargos em diferentes ramos de atividades entre eles nas Instituições Militares. O desenvolvimento deste trabalho terá a finalidade de descrever a trajetória da inserção feminina em diversos campos, e apresentar os espaços hoje ocupados pela mulher no mundo, no mercado de trabalho e nas Instituições Militares. Nesta perspectiva é que se faz necessário um estudo mais aprofundado sobre a evolução e participação das mulheres, neste contexto o presente trabalho busca elucidar a temática na sociedade e nas organizações aprofundando as principais contribuições dos autores, o problema a ser alcançado e os objetivos estabelecidos. 1.5 Contexto do ambiente de estágio: Bombeiros fazem uma parte importante e essencial do mundo atual, e são indispensáveis para a população geral. Bombeiros são aqueles homens e mulheres que arriscam as vidas, para ajudar a apagar incêndios em casas, incêndios em 18 empresas e incêndios na natureza. Sua missão é prover e manter serviços profissionais e humanitários que garantam a proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente, visando proporcionar qualidade de vida a sociedade. O presente trabalho teve como ambiente de estagio o 7BBM, que esta localizado na cidade de Itajaí, e teve sua inauguração em 15/05/1962, atualmente sob o comando do tenente-coronel Onir Mocellin, a cidade possui 62 homens e 3 mulheres trabalhando como bombeiros. Porem o 7 Batalhão atende da cidade de Tijucas até Itapoá, compreendendo o total de 323 homens e 5 mulhers. Em todo estado de Santa Catarina estima-se, que haja mais ou menos, 50 mulheres trabalhando no militarismo, onde para cada 20 homens, aproximadamente uma mulher atue na área. 1.6 Organização do trabalho: A primeira parte do trabalho apresenta a introdução, contextualização, o tema da pesquisa, bem como a identificação dos objetivos a serem cumpridos, além da justificativa e a apresentação do ambiente pesquisado. O segundo capítulo apresenta o embasamento teórico desta pesquisa, sendo dividido em sub-capítulos que abordam os conceitos da evolução da mulher no mercado de trabalho, a mulher empreendedora, a mulher nas organizações, a mulher e o preconceito no mercado de trabalho, mulher versus homem no mercado de trabalho, inversão de papéis, as origens do exercito brasileiro e histórico e atuação da mulher nas instituições militares. O terceiro capítulo refere-se à metodologia utilizada para a coleta, apresentação e caracterização da pesquisa, definindo o delineamento utilizado desencadeadas no processo. Assim, o quarto capítulo apresenta os resultados da pesquisa feita pela acadêmica através de uma pesquisa exploratória e dados primários, bem como análise dos dados e compreensões a respeito do tema pesquisado. O quinto capítulo apresenta as considerações finais feitas acerca do estudo realizado, bem como uma análise dos objetivos propostos que foram alcançados no decorrer do trabalho, também as limitações e sugestões a trabalhos futuros. 19 Por fim são apresentadas as referências bibliográficas dos autores citados no trabalho, bem como anexos e apêndices que auxiliaram na realização desta pesquisa. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA No presente capítulo será apresentado à fundamentação teórica que orientam o desenvolvimento deste trabalho. Serão abordados temas sobre a evolução da mulher no mercado de trabalho em funções predominantemente masculinas como os bombeiros. 2.1 A Evolução da Mulher no Mercado de Trabalho De acordo com Cohen (2009) a luta da mulher por melhores condições de trabalho e por sociedades mais justas e igualitárias é muito antiga tendo ao longo da historia a participação de grandes personagens femininas. A mulher veio a assumir lugar de destaque primeiramente durante o Renascimento ao ser associada à ciência por meio da figura das “preciosas”, das “sábias” ou das “enciclopédias” e reconhecida por suas habilidades manuais, na produção da seda de Milão e dos veludos de Florença. Já em 1789, durante a Revolução Francesa, Olympe de Gouges, jornalista e escritora feminista lança a primeira “Declaração dos Direitos das mulheres e do Cidadão” reivindicando o “direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos de acordo com suas capacidades”. Segundo Cohen (2009, p. 161) “O documento datado de 1791, reclamava uma participação feminina mais efetiva na sociedade, com melhores condições de vida e de trabalho, maior participação política, acesso à instrução, fim da prostituição e igualdade de direitos entre os sexos”. Olympe Gouges, esta pioneira dos direitos da mulher foi condenada à morte sendo guilhotinada em 1793, clandestinamente na França. levando as associações feministas agirem Já as autoridades para justificar sua morte, declararam que ela queria ser um homem de estado esquecendo as virtudes femininas. (COHEN, 2009) Contudo desde a morte de Olympe aos tempos modernos, construiu-se uma extensa ponte de submissão sobre a condição feminina desembocando em plena 20 Revolução industrial, na segunda metade do século XVIII, momento em que o ambiente de trabalho estava impregnado de insalubridade e reivindicações trabalhistas. (COHEN, 2009). Nesta época a situação não era menos impiedosa para as mulheres muito pelo contrário, a absorção da mão de obra feminina nas indústrias, como forma de baratear salários, obrigou-as a jornadas de trabalhos diários de até 17 horas. Eram submetidas a agressões e espancamentos e sujeitas ao assédio sexual, recebendo por seu trabalho salários desiguais, metade dos recebidos pelos homens. Porém a luta operária naquele período, confundia-se com reivindicações de homens e mulheres. (COHEN, 2009). Ainda a mesma autora esclarece que na Inglaterra a situação era dramática, sendo um dos berços do Iluminismo, onde pululavam instalações fabris, trabalhavam-se 14 horas diárias sob uma temperatura de 29°C. Assim como os homens as mulheres operárias eram confinadas em locais úmidos, com portas e janelas fechadas, sendo proibidas até mesmo de ir ao banheiro e beber água. Não demorara muito para as primeiras manifestações operarias começarem a surgir, trazendo o enfrentamento com a policia para a crônica da vida diária. Desde então a classe trabalhadora, homens e mulheres passaram a ter como principal foco a redução da jornada de trabalho. Já em meados do século XIX em meio às manifestações pela redução da jornada de trabalho nos Estados Unidos, deu-se a primeira greve conduzida por mulheres. Esta paralisação fora violenta reprimida pela policia e, em 8 de março de 1857, as operárias foram mortas por asfixia, depois que os patrões atearam fogo na fábrica. Quase meio século depois, em Berna, Alemanha, seria elaborado o primeiro projeto de convenção internacional proibindo o trabalho noturno das mulheres na indústria. O documento elaborado em 1906, não se concretizou como lei. (COHEN, 2009) Ainda a mesma autora elucida que esta data 8 de março de 1857, foi lembrada durante a II Conferência Internacional de Mulheres, em 1910, por proposta de instituição do Dia Internacional da Mulher. Durante o encontro realizado na Dinamarca a ativista Clara Zetkin, sugeriu que o mundo refletisse sobre os direitos da mulher no mesmo dia em que as operarias deram suas vidas por mais dignidade. Já no século XX aconteceriam alguns marcos importantes na luta pela emancipação feminina a exemplo do artigo 2° da Decl aração Universal dos Direitos 21 Humanos de 1948, o qual relatava que todos os seres humanos têm direitos e liberdades iguais perante a lei, sem distinção de nenhum tipo, raça, cor ou sexo. De acordo com Cohen (2009, p. 104) “Seis anos mais tarde em 1954, a ONU reconhecia que as mulheres ainda estavam sujeitas as leis, costumes e pratica em contradição com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e convocava todos os governos a acabar com eles”. A descriminação contra a mulher na época não se dava apenas no chão de fabrica, mas integrava a pauta de discussões dos organismos internacionais de modo que entre 1967 e 1973 teve inicio no processo de organização e preparação da Conferência Mundial do Ano Internacional da Mulher. Este evento teve lugar na cidade do México em 1975 com a presença de 8 mil mulheres representando 113 países. Cohen (2009) elucida ainda que a Conferência patrocinada pela ONU tivesse em debate três temas principais: a igualdade entre os sexos, a integração da mulher no desenvolvimento e a promoção da paz. Na mesma oportunidade a ONU declarou o período entre 1976 e 1985 como a Década da mulher. O objetivo em questão era incentivar e zelar pela participação feminina na vida social, econômica e política das nações. Para tanto a ONU convocou seus paises-membros com o intuito de promoverem a igualdade sexual perante a lei, bem como o acesso igual à educação, a formação profissional e ao emprego. Já em 1981 entra em vigor a “Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher”. 2.1.1 A mulher empreendedora De acordo com McClelland (apud WILKENS 1989) as mulheres empreendedoras possuem necessidades de realização superiores e seguem alguns padrões de comportamento citados a seguir: • Pessoas que buscam realizar-se e gostam de trabalharem sozinhas. Buscam por situações as quais são capazes de assumir responsabilidades e resolver problemas. • Pessoas que buscam realizar-se profissionalmente não gostam de trabalhos rotineiros e triviais, evitam situações em que necessitem repetir o mesmo processo por várias vezes. Quando conseguem resolver um problema, procuram em seguida partir para a solução de um próximo, são pessoas visionárias. 22 • Pessoas que visam realizações buscam especialistas como sócios e não seus amigos. Quando se deparam com problemas ou precisam de ajuda, não hesitam em procurar ajuda de pessoas que possuem o conhecimento que lhes faltam. • Pessoas que buscam realizações querem algum tipo de medida concreta de seu desempenho. São pessoas que persistem em trabalhar para ganhar muito dinheiro não apenas porque o querem, mas porque a recompensa financeira é uma medida de suas realizações e sucesso. • Pessoas que visam realizações estabelecem objetivos moderados assumindo riscos calculados. Estabelecem objetivos os quais podem alcançar, maximizando seu senso de realização. Por outro lado pessoas que estabelecem objetivos irreais estão sempre lutando ou fracassando, são pessoas que dificilmente se realizam. De acordo com dados do GEM 2007 (Global Entrepreneurship Monitor), estudo do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e do IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), 52,4% os novos negócios (com até 42 meses de criação) estão sob controle de mulheres, o que indica um grande salto da presença feminina na população empreendedora do país, caracterizando uma mudança na história, onde o homens eram líderes. Em 2001, de cada 100 brasileiras, aproximadamente 13 estavam envolvidas em atividades empresariais, com este índice o Brasil ficava na sétima posição do ranking mundial de empreendedoras, composto por 42 países, com 7,7 milhões de mulheres à frente dos negócios. Segundo dados do GEM 2007 apontam que 37% das empreendedoras brasileiras estão inseridas no comércio varejista – artigos de vestuário e complementos – 27% delas na indústria de transformação – confecções, fabricação de produtos alimentícios, fabricação de malas, bolsas e 14% nas atividades de alojamento e alimentação Segundo o SEBRAE, (2007, p. 73-74). Apesar da crescente participação feminina, muito fatores ainda atuam como restritivos em relação às condições de trabalho e ao rendimento, entre os quais destacam-se: a responsabilidade maior da mulher com a família, a execução das tarefas domésticas que continuam como responsabilidades da maioria das mulheres, a maternidade e a exigência de cuidados com os filhos. De acordo ainda com o Sebrae (2007), as mulheres buscam alternativas de empreendimentos para completar a renda familiar ou pelo fato de que nos ultimos anos elas vem assumindo cada vez mais o sustento do lar como chefes de familia. 23 2.1.2 A mulher nas organizações De acordo com Wittenberg-cox; Maitland, (2009) as organizações mais inovadoras estão percebendo que as mulheres representam uma fonte de talento essencial e ainda inexplorada, para gerações de lideranças atuais e futuras. O perfil demográfico e a escassez de habilidades estão começando a prejudicar outras empresas a ponto delas serem obrigadas a levar a questão do gênero com mais seriedade. Ainda os mesmos autores esclarecem que as mulheres não constituem apenas a maioria do banco de talentos elas também compõe a maior parte do mercado de muitas empresas. Wittenberg-cox e Maitland, (2009) esclarecem que nos Estados Unidos, as mulheres são responsáveis por 80% de todas as decisões de compra, e a maioria dos responsáveis pelas compras ou gerentes de compras são mulheres. As mulheres empresárias respondem por 70% das empresas recém-criadas. A vida profissional compartilhada com as mulheres tem se revelado mais ativa, mais colorida e mais interessante. Esse intercâmbio de conhecimentos e sensibildades tem se mostrado proveitoso para ambas as partes. Troca-se razão por criatividade, matemática por poesia disciplina por afetividade. E vice-versa. Reafirmo a necessidade de aprendizado permanente e as mulheres são boas professoras por natureza. Enfim, diria que não importa o sexo ou opção sexual. Quem aspira a uma carreira de sucesso tem que assumir, de agora em diante, um perfil feminino. E este conselho vale também para as mulheres que ainda não descobriram suas próprias virtudes. (JULIO, 2002, p. 136) Cohen (2009) ressalta que as mulheres possuem uma caracteristica inerente a elas que é poder dar atenção a vários assuntos ao mesmo tempo e gerenciar simultaneamente diversas situações, como a carreira, a família e os filhos, um talento quase inexistente no universo masculino. Ainda o mesmo autor elucida que as mulheres são lideres por natureza, desde criança aprendem a gerir a casa, organizar suas coisas e cuidar da familia e essas qualidades quando transferidas para o lado profissional faz com que seja um diferencial. Júlio (2002, p. 135) ressalta que: Recordo-me de uma palestra de Tom Peters, proferida em 2000. Perguntaram-lhe: “Se o senhor tivesse uma grande empresa e fosse se 24 aposentar, o que faria?” Sem titubear, ele respondeu que contrataria para o mais alto cargo executivo uma mulher dinâmica e inteligente, recrutada em uma boa escola. Em seguida, selecionaria 100 jovens talentosos, ja familiarizados com os instrumentos e ambientes da era digital, e os colocaria sob as ordens dessa líder. Segundo ele, essa seria a fórmula ideal para garantir a longevidade da empresa, com elevados padrões de qualidade e competitividade. Exageros à parte, concordo que a proposta de Peters aponta para modelos corretos de reinvindicação das organizações. As mulheres, sem dúvida, têm se adaptado mais rapidamente a essa realidade competitiva dos novos tempos. Já Cohen (2009) salienta que as mulheres estão cada vez mais atuantes e operantes, de modo a aumentar a estatistica que demonstra a presença delas em cargos de liderança. Ocupando presidências, vice-presidências, diretorias, gerências e outros níveis hierarquicos e mais que ceder à simples ganância pessoal, elas têm influenciado nas últimas décadas e em todo o mundo a formulação de novas relações de trabalho, mais humanas, novas maneiras de exercer o poder e maior integração. 2.1.3 A mulher e o Preconceito no mercado de trabalho Cohen (2009) ressalta que as dificuldades dos preconceitos do qual tradicionalmente padecem nas socidades patriarcais, onde o poder sempre esteve nas mãos dos homens, só fizeram fortalecer as mulheres. No inicio ao ascender um cargo de comando as executivas necessitavam espelhar-se em padrões masculinos para execer sua função, hoje cada vez mais se busca se impor devido as competências femininas sendo elas: sensibilidade, intuição, subjetividade entre outras, talentos estes valorizados no mercado de trabalho. De acordo com Wittenberg-cox e Maitland, (2009 p. 87), as empresas inovadoras examinam item por item processos e sitemas existentes em busca de preconceitos ivoluntários que podem afetar a carreira das mulheres ou sua experiência como clientes. Há dois enfoques nesses esforços um voltado aos funcionários internos e outro voltado ao mercado, sendo que internamente diz respeito a examinar os sistemas de gestão de carreira e dados sobre promoções, tendo como base as seguintes perguntas: • Recrutamento – As campanhas de recrutamento são eficazes para atrair mulheres ou os gerentes alegam que adorariam contratar mais mulheres, mas que “simplesmente não conseguem encontrá-las? 25 Onde os empregos são anunciados, e que imagens são usadas para transmitir a cultura da empresa? Muitas empresas são de opinião que tem que instruir e até treinar seu pessoal de RH e as agências de recrutamento para eliminar preconceitos na fase de entrevistas. • Remuneração – Há imparcialidade no sistema de remuneração? As mulheres permanecem por mais tempo que os homens em certas faixas de remuneração? As funcionárias só conseguem aumento se pedirem? Analisar as práticas e tendencias de remuneração é a forma ideal de descobrir a descriminação velada. • Identificação de pessoas com alto potencial – A empresa tem um programa estruturado para identificar pessoas com alto potencial, com idade estipulada ou participantes? Se a idade for limitada (normalmente a faixa etária nesses programas é de 28 a 35), ele ivoluntariamente discrimina as mulheres grávidas. Empresas modernas estão elevando o maximo para 40 ou 45 anos ou, a exemplo de algumas empresas escandinavas, eliminando-o completamente. • Planejamento de sucessão e promoção – Existem listas mistas de planejamento sucessório? Se as mulheres estiverem sistematicamente ausentes dessas listas, isso talvez seja indicação de que haja outros preconceitos em jogo. Existe um nível hierárquico no qual o percentual de mulheres diminui acentuadamente? Esse “teto de vidro” normalmente indica a existência de preconceito. • Avaliação de desempenho – Em geral, as avaliações de desempenho são mais subjetivas do que imaginam os gerentes, e mais auto-realizáveis. Elas tendem a reproduzir uma norma dominante de líder alinhado a cultura de cada organização, e podem não corresponder ao estilo com o qual muitas mulheres se sentem à vontade. Treinar os gerentes para entender as diferenças entre os gêneros normalmente os ajuda a examinar com mais atenção quem eles estão promovendo e por quê. • Trabalho flexível – Ele é destinado principalmente à mulheres? Os altos cargos da empresa são negados? Os homens são incentivados a ser modelos para todos os tipos de trabalho flexível? Os programas de trabalho flexível com frequência ainda são considerados “benefícios para o funcionário”, destinados às mulheres com filhos. Isso as lança em um gueto associado a baixo comprometimento. Contudo flexibilidade e controle são cada vez mais procurados 26 pelos funcionários de todos os tipos e podem conferir vantagem competitiva as empresas que os incentivam. Os autores esclarecem ainda que externamente banir o preconceito implica examinar todas as maneiras como as empresas analisam e correspondem às exigências de seus clientes e stakeholders, seja através da pesquisa de mercado; desenvolvimento de produtos; campanhas de marketing e de produtos e atendimento ao cliente. 2.1.4 Mulher versus homem no mercado de trabalho Inversão de papéis De acordo com Cohen (2009) em 2006 o ingresso das mulheres no mercado formal de trabalho aumentou 6,59% superando o número de vagas ocupadas por homens no mesmo período, 5,21% destaque-se que no ano, o Brasil registrou um crescimento recorde de 1,9 milhão de novos postos de trabalho. Ainda o mesmo autor esclarece que a mão de obra feminina teve aumento real superior ao dos homens, os salários médios cresceram 6,74% entre elas, enquanto o dos homens registrou um ganho de 5,46%. Contudo a diferença salarial entre os sexos é um ponto negativo ainda evidente no Brasil e tende a se acentuar proporcionalmente a escolaridade, exemplo disto esta que uma mulher com nivel superior completo recebe cerca de 57,19% do salário de um homem nas mesmas condições e, que apesar de suas conquistas as mulheres ainda tem muito a trilhar. Segundo a Fundação Carlos Cabral a associação entre a escolaridade e a participação das mulheres no mercado de trabalho é intensa. Assim como os homens, a atividade das mulheres aumenta entre os que têm mais de oito anos de estudo, porém são as que possuem nivel superior as mais ativas com uma taxa de 83% em 2002, ou mais de uma vez e meia a taxa de atividade feminina em geral. Ja no diz respeito a fatia formalizada do mercado de trabalho onde se encontram os melhores empregos, a exigência por maiores níveis de escolaridade parece incidir mais sobre as mulheres do que sobre os homens.Em 2002 de 59% dos postos de trabalho ocupados por mulheres requeriam nível de instrução médio e superior, mas a proporção de empregos masculinos que exigiam esses mesmos níveis eram inferior, 36%. Apesar de disporem de credenciais de escolaridade superior aos colegas de trabalho, não tem revertido em questão de ganhos semelhantes, pois homens e mulheres com igual escolaridade obtém rendimentos 27 diferentes. O fato se dá as relações de gênero que vão determinar valores diferentes para profissionais no mercado de trabalho e se os maiores patamares de escolaridade estão associados a maiores salários isso esta atrelado aos homens e não para as mulheres. Ainda conforme a Fundação Carlos Chagas a desigualdade dos rendimentos femininos frente aos masculinos persistem durante os últimos 26 ano, seja qual for o ângulo sob qual se análise a questão sendo evidenciados a seguir: • As mulheres ganham menos que os homens independentemente do setor de atividade econômica em que trabalhem. No ramo da educação, saúde e serviços pessoais, espaço de trabalho tradicionalmente feminino, por exemplo, encontram-se uma maior proporção de homens (30% versus 15% de mulheres) com rendimentos superiores a cinco salários mínimos; • No que tange à posição na ocupação, elas sempre ganham menos do que eles sejam como empregadas, autônomas, empregadoras ou trabalhadoras domésticas. Veja-se o que ocorre no campo do trabalho doméstico, onde predominam as trabalhadoras: em 2002, 94% delas, mas 84% dos trabalhadores domésticos do sexo masculino ganhavam até dois salários mínimos; • Da mesma forma, são menores os patamares de rendimento feminino, independentemente da jornada semanal de trabalho adotada pelo trabalhador. Em 2002, entre aqueles que trabalhavam em período integral (de 40 a 44 horas semanais), por exemplo, ganhavam até dois salários mínimos, 57% das ocupadas e 51% dos ocupados; na outra ponta, ganhando mais de cinco salários mínimos, estavam 16% dos homens e 13% das mulheres; • Quanto maior a escolaridade, maiores as chances de obter melhores rendimentos. Se isso é verdadeiro para trabalhadores de ambos os sexos, porém, parece se aplicar mais a eles do que a elas. Observando os rendimentos dos que atingiram os mais altos níveis de escolarização, 15 anos ou mais, ou que cursaram uma faculdade, tem-se que 42% dos homens, mas apenas 18% das mulheres têm rendimentos superiores a dez salários mínimos. 2.2 As origens do exercito brasileiro Desde os primórdios da colonização portuguesa na América, desenvolveu-se em terras brasileiras uma sociedade marcada pela intensa miscigenação. O 28 sentimento nativista aflorou na gente brasileira, a partir do século XVII, quando brancos, índios e negros, em Guararapes, expulsaram o invasor estrangeiro. O Exército, sempre integrado por elementos de todos os matizes sociais, nasceu com a própria Nação e, desde então, participa ativamente da história brasileira. Nas décadas posteriores ao descobrimento do Brasil, a Força Terrestre foi representada pelo povo em armas nas lutas pela sobrevivência, conquista e manutenção do território. Em verdadeira simbiose da organização tática portuguesa com operações irregulares, índios, brancos e negros formaram a primeira força que lutou e expulsou os invasores do nosso litoral. Portanto, a partir da memorável epopéia de Guararapes (1648), não havia apenas homens reunidos em torno de um simples ideal de libertação, mas sim, as bases do Exército Nacional de uma Pátria que se confirmaria a 7 de setembro de 1822. A união entre a coroa lusa e a espanhola, em 1580, que tornou as terras da América pertencentes a um só rei e senhor, permitiu o alargamento da base física da colônia portuguesa, pela extraordinária ação exploradora empreendida pelas Entradas e Bandeiras. Naquela época, os portugueses, estimulados por notável visão estratégica, buscaram fixar os limites da colônia em acidentes geográficos bem nítidos e o mais possível a Oeste. Assim, no interior da Amazônia, nos pampas sulinos e nos confins dos sertões, à medida que avançava a marcha desbravadora dos bandeirantes, surgiam fortes e fortins – sentinelas de pedra a bradar: "esta terra tem dono!". Após a Independência, em 1822, a atuação do Exército Brasileiro, internamente, foi decisiva para derrotar todas as tentativas de fragmentação territorial e social do País. A manutenção da unidade nacional, penosamente legada por nossos antepassados, é decorrente das suas ações, em particular, da atuação do Duque de Caxias. Desse modo, ontem, como hoje, prevaleceu à necessidade de segurança e integração nacionais, reflexo da vontade soberana do povo, expressa, como ideal intangível, nas Constituições brasileiras de todos os tempos. Já no âmbito internacional, participou vitoriosamente do conflito que, na segunda metade do século XIX, ocorreu no cone sul do continente sul-americano: a Guerra da Tríplice Aliança. Em decorrência da sintonia permanente que o Exército sempre teve com a sociedade brasileira, seu papel foi decisivo na Proclamação e na Consolidação da 29 República. Naquele período particularmente conturbado, os militares desempenharam papel de moderação, idêntico ao exercido pelo Imperador na monarquia, garantindo a sobrevivência das instituições. Após a I Guerra Mundial, o Exército experimentou um período de soerguimento profissional, que iria completar-se com a contratação, em 1920, da Missão Militar Francesa. Porém, foi à obra ciclópica de Rondon, interligando os sertões interiores aos grandes centros, reconhecida internacionalmente como conquista da humanidade, o que mais marcou esse início de século. A II Guerra Mundial trouxe modificações significativas na evolução do Exército Brasileiro. Em 1942, em resposta ao torpedeamento de vários de seus navios mercantes, o Brasil declarou guerra às potências do Eixo. Em 1944, o País enviou para o teatro de operações europeu uma força expedicionária organizada em curto espaço de tempo, sob o comando do General Mascarenhas de Moraes. Designada para operar na Itália, durante o tempo em que esteve em combate, compondo o V Exército dos Estados Unidos da América, a Divisão brasileira sofreu mais de 400 baixas por morte em ação. Antes que o conflito terminasse, havia feito mais de 15.000 prisioneiros de guerra e capturado duas divisões inimigas. Na Itália, a FEB cobriu-se de glórias, combatendo tropas aguerridas, ao lado de soldados calejados por anos de campanha. Nada ficaria a dever a uns e outros. As glórias colhidas em Monte Castello, Montese e Fornovo, e em tantas outras ações, estão gravadas com letras de sangue na História Militar brasileira. Aos nossos pracinhas devemos, em difícil hora, a garantia da dignidade de nossa Pátria. A partir dos anos 60, o Exército passou por importantes transformações. Acompanhando o acelerado desenvolvimento econômico e industrial do País, realizou consideráveis investimentos em Ciência e Tecnologia, o que permitiu fornecer à tropa equipamentos e armamentos projetados e fabricados pelas indústrias nacionais, particularmente viaturas blindadas. Além dessa evolução tecnológica, foi renovado o sistema de instrução e foram estruturadas as atuais divisões de exército e brigadas, combinações de tropas mais leves e flexíveis, consentâneas com as peculiaridades do ambiente operacional brasileiro. Honrando compromissos internacionais assumidos, o Brasil já se fez ou está presente em inúmeras operações de manutenção da paz em diversas partes do mundo. 30 Na atualidade, o Exército Brasileiro consolida sua individualidade. Exercita e desenvolve uma doutrina militar genuinamente nacional, gerada com base em perspectivas de emprego realistas, e tem procurado evoluir sua concepção estratégica de maneira compatível com as demandas do futuro. O Exército honra no presente os exemplos legados por Caxias – seu Patrono –, cultiva suas mais caras tradições e cumpre, diuturnamente, seu sagrado dever de preservar a soberania e a integridade do Brasil. 2.2.1 Exército moderno Vários aspectos podem ser apresentados quando se pergunta o que caracteriza um Exército moderno. Normalmente, a questão da ciência e da tecnologia. Esse trabalho busca demonstrar que a modernização está além disso. O Exército norte-americano pode ser considerado um dos mais modernos do mundo, também, por causa de suas especializações e o envolvimento que essa instituição tem com a sociedade. Os norte-americanos apresentam em suas fileiras mulheres combatentes, as Women Marines, e mostram na prática as possibilidades da adoção da mulher no meio militar. Só com uma concepção de Exército especializado, voltado para a meritocracia e composto pela sociedade é que isso é possível. No Brasil, a mulher só pode ingressar ativamente nas forças armadas quando surgiram funções onde a atuação da mulher não fosse polemizada, como na área de saúde. As especializações promovidas pelo Exército Brasileiro no decorrer do século XX, as mudanças nas suas instituições de ensino, juntamente com as mudanças na mentalidade da sociedade brasileira, fizeram com que as funções do Exército fossem além do campo de batalha e a inserção da mulher fosse incentivada. Além disso, essa abertura fez com que o Exército repensasse a sua estrutura, o seu ensino e no papel do soldado na sociedade. Pensar num Exército voltado exclusivamente para o campo de batalha torna a inserção da mulher difícil, mas ao pensar nessa instituição como um pilar da sociedade brasileira, voltada para a produção de conhecimento e inteligência, essa inserção torna-se possível. Concluindo, a inserção da mulher age como uma via de mão dupla. Ela só foi possível com a modernização sofrida pelo Exército no decorrer de sua história. 31 E ela é, também, um dos aspectos impulsionadores dessa modernização, muito ainda precisa ser pensado sobre a inserção da mulher, a questão da presença dela no combate é uma polêmica, que talvez, só a experiência possa demonstrar a sua efetividade. Mas o importante é que, enquanto civis e militares refletem sobre as questões femininas, refletem também sobre a instituição Exército Brasileiro. 2.2.2 Missão e visão do Exercito Brasileiro Missão do Exército • Preparar a Força Terrestre para defender a Pátria, garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem. • Participar de operações internacionais. • Cumprir atribuições subsidiárias. • Apoiar a política externa do País. Visão de Futuro do Exército • Ser uma Instituição compromissada, de forma exclusiva e perene, com o Brasil, o Estado, a Constituição e a sociedade nacional, de modo a continuar merecendo confiança e apreço. • Ser um Exército reconhecido internacionalmente por seu profissionalismo, competência institucional e capacidade de dissuasão. Respeitado na comunidade global como poder militar terrestre apto a respaldar as decisões do Estado, que coopera para a paz mundial e fomenta a integração regional. • Ser constituído por pessoal altamente qualificado, motivado e coeso, que professa valores morais e éticos, que identificam, historicamente, o soldado brasileiro, e tem orgulho de servir com dignidade à Instituição e ao Brasil. 2.2.3 Síntese dos Deveres, Valores e da Ética do Exército. 32 • Patriotismo - amar a Pátria - História, Símbolos, Tradições e Nação sublimando a determinação de defender seus interesses vitais com o sacrifício da própria vida. • Dever - cumprir a legislação e a regulamentação, a que estiver submetido, com autoridade, determinação, dignidade e dedicação além do dever, assumindo a responsabilidade pelas decisões que tomar. • Lealdade - cultuar a verdade, sinceridade e sadia camaradagem, mantendose fiel aos compromissos assumidos. • Probidade - pautar a vida, como soldado e cidadão, pela honradez, honestidade e pelo senso de justiça. • Coragem - ter a capacidade de decidir e a iniciativa de implementar a decisão, mesmo com o risco de vida ou de interesses pessoais, no intuito de cumprir o dever, assumindo a responsabilidade por sua atitude. 2.2.4 Fatores Críticos para o Êxito da Missão do Exército 1. Comprometimento com a Missão, a Visão de Futuro e os Valores, Deveres e a Ética do Exército. 2. Coesão, alicerçada na camaradagem e no espírito-de-corpo, capaz de gerar sinergia para motivar e movimentar a Força na consecução de seus objetivos. 3. Liderança que motive direta ou indiretamente, particularmente pelo exemplo, o homem e as organizações militares para o cumprimento, com determinação, da Missão do Exército. 4. Qualificação profissional e moral, que desenvolva a autoconfiança, autoestima e motivação dos componentes da Instituição, reforcem o poder de dissuasão do Exército e, ainda, contribua para a formação de cidadãossoldados úteis à sociedade. 5. Tecnologia moderna e desenvolvida, buscando reduzir o hiato em relação aos exércitos mais adiantados e a dependência bélica do exterior. 6. Equipamento adequado em qualidade e quantidade para conferir, no campo material, o desejado poder de dissuasão à Força Terrestre. 33 7. Adestramento capaz de transformar homem, tropa e comando - desde os escalões elementares - num conjunto harmônico, operativo e determinado no cumprimento de qualquer missão. 8. Integração Interforças nas operações combinadas e atividades de cunho administrativo em tempo de paz, compartilhando e otimizando recursos. 9. Excelência Gerencial, caracterizada pela contínua avaliação, inovação e melhoria da gestão, que resulte na otimização de resultados, seja do emprego de recursos, seja dos processos, produtos e serviços a cargo da Força. 10. Integração à Nação, identificando suas necessidades, interpretando seus anseios, comungando de seus ideais e participando de suas realizações, conforme nossa Missão Constitucional ou por meio de Ações Subsidiárias. 2.2.5 Mulheres no Exército Mulheres estão isentas do serviço militar, na forma prevista pela Constituição. Todavia, é permitida a prestação do serviço militar pelas mulheres que forem voluntárias, segundo critérios de conveniência e oportunidade de cada Força Armada. Hoje em dia, mulheres fazem parte do Exército, firmando-se como "militares de carreira" ou "militares temporárias". Se analisado sob uma perspectiva histórica, a presença da mulher nas fileiras do Exército já é por todos conhecida há muito tempo. Bastará lembrar os bravos feitos da jovem Maria Quitéria, heroína do Brasil nos conflitos pela consolidação da Independência. Também nos reportaremos às enfermeiras que atuaram na 2ª Grande Guerra. Atualmente, a mulher pode servir, voluntariamente, como militar de carreira ou temporária. Para ser de carreira, a mulher precisa cursar um dos seguintes estabelecimentos de ensino: a Escola de Administração do Exército, localizada em Salvador, que matriculou a primeira turma de 49 mulheres em 1992; o Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro, que forma militares para o Quadro de Engenheiros Militares; além da Escola de Saúde do Exército, também no Rio de Janeiro, que forma oficiais médicas, dentistas, farmacêuticas, veterinárias e enfermeiras para o Quadro de Saúde do Exército. Podem prestar serviços temporários médicas, dentistas, farmacêuticas, veterinárias e enfermeiras de nível superior que tenham concluído o Estágio de Serviço Técnico. 34 O Exército instituiu o Estágio de Serviço Técnico – que já recebeu advogadas, administradoras de empresas, contadoras, professoras, analistas de sistemas, engenheiras, arquitetas, jornalistas, entre outras profissionais das áreas de ciências humanas e exatas – atendendo a necessidades da Instituição; e o Serviço Militar Feminino, voluntário para sargentos auxiliares e técnicas de enfermagem. Excetuando-se a área combatente, não há restrições para as mulheres à carreira militar no Exército. Primeiro, porque a Instituição não criou um quadro feminino. Segundo, porque a mulher passou a integrar, desde o início, quadros de profissionais militares que já existiam anteriormente. Elas desempenham os cargos previstos nas mesmas condições dos oficiais de sexo masculino e concorrem às promoções em condições de igualdade com os homens. Nesse sentido, os critérios de avaliação de desempenho profissional não discriminam o sexo; e o acesso aos postos mais elevados da carreira não discrimina homens e mulheres nos respectivos Quadros. Todas recebem a mesma instrução militar básica ministrada aos homens. Participam de marchas, acampamentos, exercícios de tiro, jogos de guerra (em computadores) e manobras logísticas, na esfera de suas especialidades. Na atualidade, as mulheres ocupam cargos em organizações militares de todas as regiões do País. A maioria das oficiais encontra-se nos quartéis-generais, organizações militares de saúde, estabelecimentos de ensino e órgãos de assessoramento do Exército. A primeira turma de mulheres graduadas oficiais (EsAEx – 1992) já atingiu o posto de capitão e prosseguirá, como as demais turmas seguintes, concorrendo aos postos mais elevados, de acordo com a legislação de promoções em vigor, para os respectivos quadros. Entretanto, várias já trabalham em organizações militares operacionais, prestando atendimento de saúde ou assessorando no cumprimento de diversas missões por todos os recantos do país. Vários fatores motivam as mulheres a seguirem a carreira militar, como: a vocação, o respeito que a Instituição tem na sociedade, a perspectiva de ascensão na carreira, alternativa no mercado de trabalho e estabilidade no emprego. O número crescente de candidatas inscritas nos concursos para as escolas de formação do Exército indica o grande interesse das mulheres pela profissão militar. 35 “O exercício da profissão militar exige uma rigorosa e diferenciada formação. Ao longo de sua vida profissional, o militar de carreira passa por um sistema de educação continuada, que lhe permite adquirir as capacitações específicas dos diversos níveis de exercício da profissão militar e realiza reciclagens periódicas para fins de atualização e manutenção dos padrões de desempenho (VERDE OLIVA, Nº177, 2003)”. A opção pela carreira militar é, portanto, um processo reflexivo que exige de cada pessoa um período de busca e de afirmações de suas próprias convicções e desejos, no qual cada um questiona aptidões, compromissos perante a família e a sociedade, na difícil tarefa de decidir por algo importante que terá conseqüências futuras. A escolha envolve não só a sua vida, como a satisfação pessoal que, por sua vez, baseia-se em crenças, valores, filosofia de vida e sonhos. Tais aspectos devem ser compatíveis com as necessidades do mercado de trabalho dentro de um projeto de realização profissional. Neste contexto podemos observar que a mulher que opta pela carreira militar é aquela que busca estabilidade em sua vida, tanto financeira quanto profissionalmente. Outro fator importante observado é que as profissionais militares continuam se aperfeiçoando ao longo de sua carreira, mantendo-se informada em relação aos avanços técnicos científicos. 2.2.6 Histórico do Ingresso da Mulher no Exército Como militar de carreira Ano de 1992. A Escola de Administração do Exército-EsAEx (Salvador-BA) - matriculou a primeira turma de 49 (quarenta e nove) mulheres. Ao final do mesmo ano, formou-as Oficiais (1º Tenente) do Quadro Complementar de Oficiais. Ano de 1997. Instituto Militar de Engenharia - IME (Rio de Janeiro-RJ) - matriculou a primeira turma de 10 (dez) mulheres alunas, a serem incluídas no Quadro de Engenheiros Militares. A Escola de Saúde do Exército - EsSEx (Rio de Janeiro-RJ) matriculou e formou, no mesmo ano, a primeira turma de oficiais médicas, dentistas, farmacêuticas, veterinárias e enfermeiras de nível superior, no Quadro de Saúde do Exército. 36 Ano de 2001. A Portaria n.º4 do Estado-Maior do Exército, de 18 de dezembro de 2000, criou o Curso de Formação de Sargentos de Saúde - Auxiliar de enfermagem. Como militar temporário Ano de 1996. O Exército instituiu o Serviço Militar Feminino Voluntário para Médicas, Dentistas, Farmacêuticas, Veterinárias e Enfermeiras de nível superior. Naquela oportunidade, incorporou a primeira turma de 290 (duzentos e noventa) mulheres voluntárias para prestarem o serviço militar na área de saúde. Essa incorporação ocorreu em todas as 12 (doze) Regiões Militares do País. Ano de 1998. O Exército instituiu o Estágio de Serviço Técnico, para profissionais de nível superior que não sejam da área de saúde. Naquela oportunidade, incorporou a primeira turma de 519 (quinhentos e dezenove) mulheres advogadas, administradoras de empresas, contadoras, professoras, analistas de sistemas, engenheiras, arquitetas, jornalistas, entre outras áreas de ciências humanas e exatas, atendendo às necessidades da Instituição. Iniciou-se, também, o Serviço Militar Feminino voluntário para auxiliares e técnicas de enfermagem. Essas voluntárias são formadas Sargentos de enfermagem. O Exército já conta com Sargentos enfermeiras incorporadas nas Organizações Militares de Saúde distribuídas nas 12 (doze) Regiões Militares do País. Implantou-se, ainda, em caráter experimental, um projeto-piloto que permitiu a prestação do Serviço Militar voluntário por mulheres, como "Atiradoras", nos Tirosde-Guerra em áreas carentes da Amazônia. Foram matriculadas um total de 80 (oitenta) mulheres, distribuídas nos Tiros-de-Guerra de Manicoré-AM, Maués-AM, Lábrea-AM e Boca do Acre-AM. Atualmente, por motivos conjunturais, este projeto encontra-se desativado. 37 Situação das Militares de Carreira De acordo com as necessidades da Força Terrestre, Escola de Administração do Exército poderá formar Oficiais (homens e mulheres) do Quadro Complementar nas seguintes especialidades: administração, direito, informática, ciências contábeis, economia, estatística, comunicação social, psicologia e magistério nas áreas de biologia, física, geografia, história, inglês, português, matemática e química. O curso tem a duração de, aproximadamente, um ano e a perspectiva na carreira é de 1º Tenente a Tenente-Coronel (homens e mulheres). Da mesma forma, a Escola de Saúde do Exército (Essex) poderá formar Oficiais e Sargentos (homens e mulheres) do Quadro de Saúde nas seguintes áreas: medicina, odontologia, farmácia, veterinária e enfermagem. O curso tem a duração de um ano. O Instituto Militar de Engenharia forma Oficiais (homens e mulheres) do Quadro de Engenheiros Militares. Nesse Instituto, há dois tipos de curso. O de um ano para profissionais (homens e mulheres) formados em engenharia e o de cinco anos para jovens (homens e mulheres) com segundo grau completo que prestam vestibular. Em ambos os cursos, forma-se Oficiais nas seguintes especialidades: cartografia, comunicações, fortificação e construção, eletricidade, eletrônica, mecânica (armamento e automóvel), metalurgia, química e computação. A perspectiva na carreira é de 1º Tenente a General-de-Divisão (homens e mulheres), independente do tipo de curso de formação. Na atualidade, as mulheres ocupam cargos em Organizações Militares de todas as regiões do país. A maioria das Oficiais encontra-se lotadas nos QuartéisGenerais, Organizações Militares de Saúde, Estabelecimentos de Ensino e Órgãos de Assessoramento do Exército. Nesses locais e nas Escolas, as adaptações restringiram-se às instalações sanitárias, com banheiro feminino privativo e vestiários. As mulheres procuram a carreira militar motivadas por diversos fatores, dos quais se destacam: a vocação pela profissão militar; o respeito e a organização que a Instituição desfruta perante a sociedade; a perspectiva de ascensão funcional na carreira; constitui mais uma alternativa no mercado de trabalho; estabilidade no emprego, proporcionando um plano de vida. O número de candidatas inscritas nos concursos para as escolas de formação do Exército indica o grande interesse das 38 mulheres pela profissão militar. Quanto ao desempenho, as mulheres vêm correspondendo às expectativas da Instituição, demonstrando possuir habilidades e capacidade para o cargo que desempenham. Situação das Militares Temporárias O militar temporário não faz carreira no Exército. Sua permanência máxima no serviço ativo é de oito anos. Após esse tempo, o militar é licenciado das fileiras do Exército como reservista e passa a integrar o efetivo de mobilização. Seu ingresso dá-se pelo Sistema do Serviço Militar. No caso feminino, tem caráter voluntário e abrange as seguintes áreas: - para Oficiais (Aspirantes-a-Oficial, Segundo Tenente e Primeiro Tenente): saúde, administrativa, técnica, jurídica e de ensino. Nesse caso, exige-se o diploma de curso superior nas respectivas especialidades; - para Sargentos (Terceiro Sargento): enfermagem. Nesse caso, exige-se o diploma de nível técnico da respectiva especialidade. O acesso ao Sistema do Serviço Militar é realizado pelas Regiões Militares sediadas no território nacional, onde a mulher concorre à seleção nas mesmas condições dos homens. Vale destacar que as funções de Sargentos auxiliares ou técnicas de enfermagem são cargos temporários privativos das mulheres. O Exército instituiu o Estágio de Serviço Técnico – que já recebeu advogadas, administradoras de empresas, contadoras, professoras, analistas de sistemas, engenheiras, arquitetas, jornalistas, entre outras profissionais das áreas de ciências humanas e exatas – atendendo a necessidades da Instituição; e o Serviço Militar Feminino, voluntário para sargentos auxiliares e técnicas de enfermagem. A dureza das tarefas e o fato de estarem rodeadas de homens não as assustam. As mulheres são a cada dia que passa uma presença mais marcante nos quartéis militares. 2.3 Criação e Evolução do Corpo de Bombeiros no Brasil No tempo em que as construções começaram a ser mais valiosas, começouse a pensar em combater as chamas. Em caso de incêndio, mulheres, homens e crianças ficavam em fila, e, do poço mais próximo iam os baldes passando de mão 39 em mão, até chegarem ao prédio em chamas. Em 1851 foram aprovadas as primeiras posturas municipais relativas aos casos de fogo, tomadas em conseqüência de um incêndio havido em dezembro de 1850, na Rua do Rosário, hoje XV de Novembro, com a aquisição de 2 bombas que não foram utilizadas até 1862, pois nesses 12 anos, não ocorreu um único incêndio. Em 1870, novo incêndio, nova "turma de bombeiros", e, mais 7 anos sem ocorrências. A 10 de março de 1880, começaram oficialmente os trabalhos de extinção de incêndio na Capital do Estado de São Paulo, com a criação da Seção de Bombeiros composta de 20 homens. O Chefe de Polícia, Dr. João Augusto de Pádua Fleuri, incumbido pelo Presidente da província, foi à Capital do país a fim de providenciar os materiais necessários para o levantamento do núcleo de bombeiros. Trouxe ele duas bombas vienenses, uma das quais doada pelo governo Imperial, que eram muito importantes, pois tinham força suficiente para projetar água ao telhado de prédios de 2 (dois) andares (construção de taipa, com altura de 8 a 9 metros). Foram também adquiridos na época, pipas, mangueiras e outros materiais necessários à extinção de fogo. Da então Capital do país vieram alguns homens que haviam servido no Corpo de Bombeiros local, que, com alguns recrutas de São Paulo, completaram o efetivo do núcleo de soldados do fogo. O primeiro comandante da Seção, em 1887, depois de muitos pedidos, secundado pelo Chefe de Polícia, recebeu da Corte mais alguns aparelhamentos. Esses materiais vieram preencher falhas de que se ressentia a Seção. Entre elas veio para São Paulo a primeira bomba a vapor, denominada "Greenwich". Surgiu, então, o problema da acomodação do material adquirido, que não seria possível no prédio da Central de Urbanos. Em vista disso, em 1887, a Seção foi transferida para o prédio da Rua do Trem (hoje Rua Anita Garibaldi, local da atual sede do Corpo de Bombeiros). Em 1888, já era insuficiente o efetivo de 20 homens e, por isso, o governo provincial elevou a 30 o número de praças. Naquela época, os avisos de incêndios eram transmitidos por meio de rebates nos sinos das igrejas ou por comunicações verbais de particulares, que corriam até a porta do quartel de bombeiros para tal fim. Até a proclamação da república, a Seção de Bombeiros de São Paulo teve três comandantes, o primeiro deles foi o tenente José Severino Dias, que assumiu o 40 comando em julho de 1880, iniciando de imediato os trabalhos de organização dos serviços de combate a incêndios, de instrução e da instalação da Seção. Procedia do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, onde tinha o posto de alferes. Em 1883, a pedido, foi substituído por poucos dias e interinamente, pelo Tenente Manoel José Branco, do Corpo Permanente da Guarda Urbana. Logo depois, foi nomeado o Tenente Alfredo José Martins de Araújo, que era também oriundo do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Após um aumento brusco no efetivo sem o tempo necessário para o treinamento e instrução dos novos bombeiros, que num total de 168 homens compunham a então Companhia de Urbanos, em outubro de 1891 assume o comando o capitão José Maria O’ Connel Jersey, um rígido e disciplinado oficial de engenharia que a dissolve, reorganiza, e cria em 14 de novembro do mesmo ano, o Corpo de Bombeiros com 240 homens melhor selecionados. Nesse período, a Companhia Telefônica montou 50 aparelhos para agilizar o aviso de incêndio. No local da ocorrência era utilizada a corneta e nas ruas era usado o sistema alemão que só seria desativado por volta de 1920. São também criadas as oficinas de conserto e manutenção dos materiais que o Corpo já dispunha. Em abril de 1896 são inauguradas 50 caixas de aviso e incêndio chamadas "Linhas Telegráficas de Sinaes de Incêndio" com aproximadamente 70 Km de extensão, operadas por civis graduados militarmente. Em 1910, foram adquiridos na Inglaterra os primeiros veículos automotores, junto à empresa Merrryweather & Sons, num total de seis (três para o combate ao fogo), a serem entregues em 1911, ano em que foi inaugurado o popular sistema de alarme Gamewell, americano, com 146 caixas e que sob a manutenção do Corpo funcionou por mais de quatro décadas. Todo o material de tração animal foi desativado em 1921. Com o desenfreado crescimento da cidade, porém, os automóveis adquiridos não eram suficientes. Entra em cena então a criatividade dos bombeiros. Foram aproveitadas duas bombas a vapor que pertenciam ao equipamento recém aposentado e adaptado sobre dois chassis (Mercedes Saurer e Fiat), e o Corpo ganhou mais dois veículos. Um oficial chamado Affonso Luiz Cianciulli (que mais tarde chegaria a comandar a instituição) projetou e custeou do próprio bolso o desenvolvimento de 41 uma bomba, que se tornou o primeiro equipamento de combate a incêndios fabricado no Brasil. Batizado de "Bomba Independência" fez sua apresentação no desfile da Pátria de 1922. Os bombeiros começaram a se expandir para o interior em 1943, através de acordos com as municipalidades, iniciando um processo de organização a nível estadual. Existiam no efetivo dessa época 1212 homens. Em 1955 é inaugurada a rede de rádio, facilitando a comunicação entre as viaturas e o quartel, que informava o melhor caminho, a evolução da ocorrência, centralizava os pedidos e os distribuía de forma racional entre os Postos. Um ano depois foram desativadas as caixas de alarme, mas o seu sucessor, o telefone, ainda não atendia totalmente as necessidades da população. Havia poucos aparelhos e o número não era de fácil memorização. Somente 23 anos depois seria adotado o número de emergência 193. Em 1964 inaugura-se a Companhia Escola e é criado o Curso de Bombeiro para Oficiais. Em 1967 a Estação Central (localizada à Praça Clóvis Bevilácqua) é demolida para a edificação de uma nova, concluída somente em 1975. Reflexo dos catastróficos incêndios dos edifícios Andrauss (1972) e Joelma (1974) onde centenas de vidas foram ceifadas, são importados auto-bombas, auto-escadas, auto-plataformas, veículos de comando e de apoio e todas as viaturas passam a contar com rádio, além do aperfeiçoamento das exigências legais quanto aos aspectos de prevenção de incêndios. Em 1990, visando melhorar a qualidade do atendimento pré-hospitalar das ocorrências de salvamento, é implantado o sistema de Resgate na Grande São Paulo e em mais 14 municípios, contando com pessoal, veículos especializados e apoio de helicópteros. 2.3.1 Cronologia: História do Corpo de Bombeiros 1850 - Ocorre um incêndio na Rua do Rosário (atual Rua XV de Novembro), o incêndio é extinto por uma bomba manual emprestada por um francês chamado Marcelino Gerard. 1852 - Em decorrência de tal incêndio, é apresentado na Assembléia Provincial, pelo então Brigadeiro Machado de Oliveira um Projeto de Lei de um Código sobre Prevenção de Incêndios. Nesse Código estavam regulamentados os serviços de 42 prevenção e extinção de incêndios, ficando o povo, por lei, obrigado a cooperar com a Policia nos dias de incêndio. 1856 - Surge o Corpo de Bombeiros da Corte (atual Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro). 1861- Ocorre um incêndio em uma livraria na Rua do Carmo. 1863 - Novo incêndio, desta vez na Rua do Comércio em uma loja de ferragens. 1870 - Um barril de pólvora explode no centro da cidade de São Paulo. 1875 - É criada uma "Turma de Bombeiros" com 10 homens egressos do Corpo de Bombeiros da Corte e que ficaram adidos à Cia de Guarda de Urbanos. 1880 - Um incêndio na Faculdade de Direito, determina a criação Oficial do Corpo de Bombeiros (10 de março de 1880). O então Alferes José Severino Dias é designado em 24 de julho Comandante da Seção de Bombeiros com 20 homens (praças) oriundos da Cia de Urbanos. 1883 - Ocorre a 1ª troca de comando. 1888 - O efetivo da Seção de Bombeiros aumenta para 30 praças. 1890 - Elevação a categoria de "Companhia de Bombeiros". O efetivo aumenta para 60 homens. O Comandante passa a ser um Capitão. É criada a 6ª Zona de Bombeiros no município de Santos (atual 6º Grupamento de Incêndio). 1891- O’Connel Jersey assume o comando. É criada a Estação Oeste de Bombeiros (2ª Zona) - atual 2º Grupamento de Incêndio responsável pelo atendimento dos bairros da Barra Funda, Campos Elíseos e Lapa e a Estação Norte de Bombeiros (3ª Zona). 1893 - Os movimentos de tropas federalistas no sul do país e a situação agitada do povo diante dos acontecimentos subversivos (Revolta da Armada), faziam com que os brasileiros temessem uma guerra civil. Um contingente do Corpo de Bombeiros segue para Santos integrando a Força Policial, juntando-se às tropas em defesa da causa republicana. 1895 - É inaugurada a 3ª Zona de Bombeiros, responsável pelo atendimento dos bairros da Moóca, Brás, Belém, Penha e Vila Prudente (atual 3º Grupamento de Incêndio). 1896 - São inauguradas as estações do Norte e Oeste, inicia-se o funcionamento do 1º Sistema de Alarmes, o "GENERST". 43 1900 - Unem-se todas as forças policiais em uma só "FORÇA PÚBLICA". É criado o Corpo Municipal de Bombeiros de Campinas, seu efetivo inicial era de 8 homens. 1906 - A Força Pública recebe instrução de uma missão francesa. 1909 - É impresso o 1º Manual de Instrução. Chegam os primeiros veículos automóveis. Inaugura-se o 2º Sistema de Alarmes, o "GAMEWELL". 1911 - São colocadas em todos os bairros da cidade de São Paulo 160 novas caixas de avisos de incêndio. 1912 - Começam a funcionar as Oficinas do Corpo de Bombeiros, cuidando de suas viaturas e equipamentos. 1915 - É impresso o 2º Manual de Instrução. 1917 - O Coronel Soares Neiva deixa o Corpo de Bombeiros para comandar a Força Pública. 1924 - O Corpo de Bombeiros é transformado em Batalhão de Bombeiros Sapadores. 1929 - Ocorre uma grande compra de automóveis e equipamentos. 1930 - Afonso Luiz Cianciulli assume o Comando do Batalhão de Bombeiros Sapadores. 1931- Volta à denominação "Corpo de Bombeiros". 1932 - Mulheres são empregadas no Corpo de Bombeiros para suprir a falta de efetivo, que estava sendo empregado nas frentes de luta durante a Revolução Constitucionalista. O Corpo de Bombeiros entrega a sua Invernada ao Regimento de Cavalaria por não possuir mais cavalos ou muares. 1935 - Os serviços de extinção de incêndios são transferidos para o Município da Capital. 1936 - O Corpo de Bombeiros deixa a tutela do Estado e passa a ser administrado pelo município. É impresso o 3º Manual de Instrução. 1942 - É firmado o primeiro convênio entre o Estado e a Prefeitura de São Paulo. O Corpo de Bombeiros passa a ser Estadual. 1947 - Ocorre a manifestação de desejo de autonomia. É destacada em Santos a 6ª Companhia do Corpo de Bombeiros (hoje 6º Grupamento de Incêndio). 1948 - As oficinas do Corpo de Bombeiros são transferidas para a Força Pública. 1949 - Pela 1ª vez um Oficial do Corpo de Bombeiros segue em viagem de estudos para os EUA. 44 1951- Entra em funcionamento a Escola de Bombeiros. 1952 - O Corpo de Bombeiros recebe 9 viaturas importadas dos EUA e Alemanha. 1954 - São editados os novos Manuais de Instrução em vários volumes. É criado o 4º Grupamento de Incêndio com sede na região da Vila Mariana, na capital. 1955 - É inaugurada a rede de rádio do Corpo de Bombeiros. 1957 - Vários Oficiais do Corpo de Bombeiros são transferidos. 1959 - São lançadas ao mar 10 lanchas destinadas ao Serviço de Salvamento. 1961- O Serviço de bombeiros atravessa uma grande crise gerada por fatores políticos e econômicos que atingem a Força Pública como um todo. Jovens Oficiais do Corpo de Bombeiros iniciam uma greve, ao final frustrada, mas que paralisaram os serviços de bombeiros por cerca de 24 horas. O motivo principal da greve eram os salários que se apresentavam em níveis insuportáveis. De imediato o Corpo de Bombeiros perde toda uma geração de Oficiais, que por haverem participado do movimento por melhores salários, é transferida para outras unidades principalmente no interior. Há, em conseqüência uma quebra na transmissão das técnicas e da experiência, obrigando que o aprendizado a nível de Oficiais voltasse à estaca zero. 1964 - Grande compra de Auto-Bombas (Os famosos "Volta ao Mundo"). É fundada a Companhia Escola de Bombeiros, seu 1º Comandante e fundador, foi o Capitão PM Luis Sebastião Malvásio. 1967- Inicia-se a demolição da Estação Central. É criado o 8º Grupamento de Incêndio, na região do ABCD. 1970 - É criado o 10º Grupamento de Incêndio, com sede no município de Marília. 1972 - Em 24 de fevereiro, ocorre o incêndio do Edifício Andraus de 31 andares, 16 pessoas morrem e 375 ficam feridas, o Corpo de Bombeiros envia 31 viaturas e dezenas de carros pipas. O Incêndio provoca o surgimento de um Grupo de Trabalho para estudar e propor reforma dos Serviços de Bombeiros. 1973 - É criado o 2º Grupamento de Busca e Salvamento, na zona sul da capital. 1974 - Em 01 de fevereiro ocorre o incêndio do Edifício Joelma de 23 andares, 189 pessoas morrem, o Corpo de Bombeiros envia ao local 26 viaturas e 318 bombeiros. É criado o 1º Grupamento de Busca e Salvamento, na área central da Capital. 1975 - Ocorre a preconizada reestruturação dos serviços de bombeiros. Em razão do incêndio do Joelma, é publicado o novo Código de Obras de São Paulo. É criado o 9º Grupamento de Incêndio, com sede no município de Ribeirão Preto. 45 1979 - Entra em funcionamento o 3º Sistema de Alarmes, o telefone 193. É firmado convênio entre o Estado e a Prefeitura. Médicos do Hospital das Clínicas da USP preocupados com a alta mortalidade nos Pronto-Socorros, produzidas pela ineficiência e inadequação do atendimento préhospitalar e transporte de vítimas, começam a se interessar no gerenciamento do atendimento das emergências em geral. 1981 - Em 14 de fevereiro, ocorre um incêndio na Avenida Paulista, no edifício Grande Avenida de 23 andares, o Corpo de Bombeiros envia ao local 20 viaturas e 300 bombeiros, 17 pessoas morrem e 53 são feridas, entre elas 11 bombeiros e 10 do efetivo do Comando de Operações Especiais da PM. 1983 - É oficializado pela Secretaria Estadual da Saúde a CRAP - Comissão de Recursos Assistenciais de Pronto Socorro, com a participação de inúmeros órgãos ligados ao atendimento das vítimas, contando com a participação do Corpo de Bombeiros. 1985 - É criado o 3º Grupamento de Busca e Salvamento, responsável pelas atividades de Prevenção de Afogamentos e Salvamento Marítimo, com sede no município do Guarujá. 1986 - Através da Associação de Intercâmbio entre EUA e Brasil, denominada "Companheiros da América", o Corpo de Bombeiros envia um grupo de 4 Oficiais, juntamente com 01 Oficial da Defesa Civil e 3 médicos à cidade de Chicago, para a realização de um Curso de Técnicos em Emergências Médicas. 1987 - É criado a CAMEESP - Comissão de Atendimento Médico às Emergências do Estado de São Paulo, que apresentou proposta para a criação de um projeto piloto de atendimento pré-hospitalar denominado “SISTEMA INTEGRADO DE ATENDIMENTO ÀS EMERGÊNCIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO”. 1988 - É criado o Projeto Salva-Mar (3º GBS), criando um novo perfil do "GuardaVidas" no litoral paulista possibilitando uma cobertura mais abrangente e eficiente, com a aquisição de novos equipamentos e maior grau de instrução, diminuindo o número de óbitos por afogamento. 1989 - Os Secretários Estaduais da Segurança e da Saúde assinam a resolução Conjunta SS/SSP Nº 42, que definia as formalidades de implantação do PROJETO RESGATE. São criados os 13º, 14º, 15º e 16º Grupamentos de Incêndio. 46 1990 - É colocado em prática o Serviço de Resgate com atuação na Grande São Paulo e em 14 municípios do estado, sendo empregadas 36 Unidades de resgate, 02 Unidades de Suporte Avançado e 01 helicóptero. 1991 - É formada uma turma de 40 "bombeiras", entre elas, 05 Oficiais, denominadas "Pioneiras do Fogo". 1992 - O Corpo de Bombeiros promove o 3º Seminário Nacional de Bombeiros na cidade de Ribeirão Preto. 1994 - O Serviço de Resgate do Estado de São Paulo é consolidado através do Decreto Lei nº 38.432, garantindo sua operacionalização através da Polícia Militar do Estado de São Paulo, por intermédio do Corpo de Bombeiros e do Grupamento de Radiopatrulha Aérea. É criado o 1º Grupamento de Incêndio (Comando de Bombeiros da Capital). 1995 - Em 29 de janeiro, ocorre uma explosão em uma loja de fogos no bairro de Pirituba na Capital, 33 casas são atingidas e 15 pessoas morrem, o Corpo de Bombeiros enviou ao local 15 viaturas e 62 bombeiros. O Corpo de Bombeiros realiza o seu 1º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças. 1996 - É implantado o Sistema de Despacho assistido por computador no Centro de Operações de Bombeiros (COBOM) na Capital. É criado o 12º Grupamento de Incêndio (sede em Bauru). Ocorre em 11 de junho uma explosão no Shopping Center Plaza de Osasco causada por vazamento de GLP sob o piso da área de restaurantes, 41 pessoas morrem e mais de 48o pessoas são feridas, o Corpo de Bombeiros envia para o local 38 viaturas e 167 bombeiros. Ocorre em 31 de outubro à queda da aeronave Fokker 100 da TAM no bairro do Jabaquara, 99 pessoas morrem, o Corpo de Bombeiros envia para o local 28 viaturas e 107 bombeiros. O Corpo de Bombeiros realiza o seu 2º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças. 1997 - É lançado o MANUAL DE FUNDAMENTOS do Corpo de Bombeiros. Com mais de 360 páginas e mais de 880 ilustrações, o MANUAL aborda 18 temas ligados às principais áreas de atuação dos serviços de bombeiros. A SIRENE, popularmente conhecida como BITONAL (dois tons lá-lá/ré-ré), com 4 (quatro) cornetas, freqüência de 435/450 Hz e 580/600 Hz, com intensidade de som 47 de 113 dh, a aproximadamente 7 (sete) metros, passa a ser destinada, para uso exclusivo e restrito aos veículos pertencentes ao CORPO DE BOMBEIROS da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Seguindo uma nova filosofia de atendimento à grandes emergências - SICOE (Sistema de Comando de Operações em Emergência). É apresentada a nova viatura de "COMANDO DE OPERAÇÕES, destinada a ser empregada em grandes ocorrências servindo sempre como Posto de Comando e oferecendo ao Comandante das Operações todo o suporte técnico necessário ao planejamento estratégico e à coordenação tática das ações inerentes à emergência. O Corpo de Bombeiros realiza o seu 3º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças. 2.3.2 Bombeiros no Brasil No Brasil existem mais de 5.500 municípios e, destes, menos de 350 possuem bombeiros militares. A solução, principalmente na região sul do país, tem sido os bombeiros civis, que atuam como voluntários em ONGs. No Estado do Paraná existe o Projeto Bombeiro Comunitário, que é uma parceria entre o Estado do Paraná e os municípios, onde o governo estadual fornece viaturas, o financiamento para a construção dos Postos de Bombeiros e coloca à disposição um bombeiro militar (sargento), pertencente ao Corpo de Bombeiros, que será o responsável pelo treinamento do efetivo, realização de vistorias técnicas e organização geral do posto; e as prefeituras municipais colocam à disposição funcionários municipais, denominados Agentes de Defesa Civil. O projeto se destina aos municípios que possuem um índice menor de ocorrências, para dar uma primeira resposta no combate a incêndios à população destes municípios. Na maioria dos estados do Brasil o Corpo de Bombeiros Militar é autônomo. Somente nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia são vinculados administrativamente ao Comando da Polícia Militar e à Secretaria Estadual de Segurança Pública. No estado do Rio de Janeiro o Corpo de Bombeiros Militar está vinculado à Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil. O Bombeiro Civil existe como profissional nos grandes centros desde os anos de 1960, principalmente nas grandes montadoras automobilísticas e metalúrgicas.Como voluntário desde 1835. Para ser um Bombeiro Civil a pessoa 48 precisa ser aprovada em um curso de formação regido preferencialmente pela NBR 14608 da ABNT e recentemente pela Lei 11.901 de 12 de Janeiro de 2009. Existem várias escolas em todo pais e poucas sérias, mas ainda não existe regulamentação aprovada (alguns projetos de lei são expressivos), dando margem a ilegalidades pouco ou nada combatidas. Certo é que o Bommbeiro Profissional Civil, já conquistou muitos avanços, entre eles a NBR 14608 da ABNT e sua Menção na IT 17 Item 5 do Decreto Estadual 46076 de 2001 que culminou com a Lei 11.901 acima mencionada. Um dos grandes desafíos do bombeiro profissional civil no Brasil é a união, bem como ser dotado de aparelhamento e especilaizações como o bombeiro militar, uma vez que ao contrário daquele, este tem que pagar por sua especialização. Não a obtem às custas do estado. Há ações isoladas como a do Grupamento Organizado de Bombeiros Civís de São Paulo, outra grande referência no apoio ao Bombeiro Civil, está no trabalho feito pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, que passou a avaliar e credenciar o Bombeiro Civil em atuação naquele estado. Já para ser bombeiro voluntário faz-se necessário procurar um Corpo de Voluntários e submeter-se a um treinamento básico para poder desempenhar as atividades. Apesar de terem sido inicialmente constituídos com a função de combate a incêndios, as funções dos bombeiros alargaram-se para quase todas as áreas da proteção civil. Conforme o país e o corpo de bombeiros, as várias áreas de intervenção dos bombeiros são: • Combate a incêndios florestais; • Combate a incêndios urbanos; • Combate a incêndios industriais; • Resgate em grande ângulo; • Emergência médica pré-hospitalar; • Salvamento aquático. • Desencarceramento em acidentes rodoviários e ferroviários; • Intervenção em incidentes eléctricos; • Intervenção em incidentes hidráulicos; • Intervenção em incidentes com matérias perigosas; • Intervenção em incidentes com redes de gás; • Corte de Árvores em risco iminente de queda; • Captura de animais correndo ou oferecendo risco. 49 • Resgate de corpos ou bens submersos. • Prevenção contra Incêndio e Pânico. 2.3.3 Bombeiros em Santa Catarina O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina (CBMSC) é uma Corporação cuja missão primordial consiste na execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndios, buscas, salvamentos e socorros públicos no âmbito do estado de Santa Catarina.Para fins de organização é uma força auxiliar e reserva do Exército Brasileiro, fazendo parte do Sistema Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, estando subordinado ao Governo do Estado de Santa Catarina, através da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa do Cidadão (SESPDC).Seus integrantes são denominados militares estaduais (artigo 42 da CRFB), assim como os membros da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina. Histórico Em 16 de setembro de 1919, foi sancionada pelo então Governador do Estado de Santa Catarina, Doutor Hercílio Luz, a Lei Estadual nº 1.288, que criava a Seção de Bombeiros, constituída de intergrantes da então Força Pública. Somente em 26 de setembro de 1926 foi inaugurada a Seção de Bombeiros da Força Pública, com a presença do Presidente do Estado, Secretário do Interior e Justiça, Presidente do Congresso Representativo e do Superior Tribunal de Justiça, Chefe de Polícia e outras autoridades, além de muitas pessoas do povo. A nova Seção, instalada provisoriamente nos fundos do prédio onde funcionava a Inspetoria de Saneamento, à Rua Tenente Silveira, em Florianópolis, tinha como Comandante o 2º Tenente PM Waldomiro Ferraz de Jesus, e era constituída pelas seguintes Praças: 1º Sargento PM Júlio João de Melo, 2º Sargento PM João Luciano Nunes, 3º Sargento PM Audério Silvério dos Santos, Cabos-deesquadra Francisco Pereira de Alcântara, Elyseu Brasil, Bento Quirino Cavalheiro, e os Soldados PM Antônio Maestri, Geraldo Paumert, João Joaquim dos Santos, Ricardo Pereira de Castilhos, José Ismael Vieira, Manoel Gonçalves de Mello, José Almeida de Oliveira, Antônio dos Santos Carvalho, Domingos Pereira de Castilhos, Martinho Diogo Mafra, Hygino Godinho de Oliveira, Secundino da Costa Lemos, Antenor Quadros, José Pereira de Arcanjo, Adolfo Xavier de Freitas, Francisco 50 Adriano Rodrigues, Constantino Idalino de Arcanjo, José Amaro Luiz, Nelson Gomes dos Santos, e os Soldados corneteiros João Luiz da Rosa e Silva e João Onofre da Cunha. Era instrutor o 2º Tenente Domingos Maisonette, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, então a cidade do Rio de Janeiro, auxiliado pelo 2º Sargento da mesma Corporação Antônio Rodrigues de Farias. A Seção de Bombeiros atendeu o seu primeiro chamado no dia 5 de outubro, quando extinguiu, com emprego da bomba manual, um princípio de incêndio que se originara no excesso de fuligem da chaminé da casa do Sr. Achilles Santos, à Rua Tenente Silveira, nº 6. A primeira descentralização da Corporação, ocorreu em 13 de agosto de 1958, com a instalação de uma Organização Bombeiro Militar no município de Blumenau. A Lei Estadual nº 6.217, de 10 de fevereiro de 1983, criou a atual Organização Básica da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, por ser orgânico daquela Corporação e em 13 de junho de 2003, a Emenda Constitucional nº 033, concedeu ao Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina - CBMSC o status de Organização independente, formando junto com a Polícia Militar, o grupo de Militares Estaduais. A Lei Estadual Complementar nº 259, de 19 de janeiro de 2004, fixou o novo efetivo do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina em 4.123 militares e 144 civis e em 29 de setembro de 2004, o Decreto Estadual nº 2.497, aprovou o Regulamento de Uniformes do CBMSC; e, o Decreto Estadual nº 2.499, instituiu a Carteira de Identidade - CI funcional dos bombeiros militares. Em 27 de dezembro daquele ano, a Lei Estadual nº 13.240, criou o Fundo de Melhoria do Corpo de Bombeiros Militar - FUMCBM e a Lei Estadual nº 13.385, de 22 de junho de 2005, criou as condecorações e títulos Honoríficos do CBMSC. Presente em mais de 90 municípios, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina é atualmente comando pelo Coronel BM Alvaro Maus, Comandante-Geral da Corporação desde 2008. 51 2.3.4 Bombeiros Bombeiros fazem uma parte importante e essencial do mundo atual, e são indispensáveis para a população geral. Um Bombeiro é um profissional/voluntário que possui treino e equipamento adequado para apagar ou minimizar incêndios, resgatar pessoas em situação de perigo, salvaguardar bens materiais e ajudar e fornecer assistência nos desastres naturais e nos causados pelo homem. No Brasil o serviço de bombeiro mais conhecido é o mililtarizado, porém também existe o bombeiro civil; o qual é empregado nas empresas (normalmente nas brigadas de incêndio) ou participa de atendimento público como voluntário . 2.3.5 Classificação Na PM e nos CBM dos Estados, assim como nas Forças Armadas do Brasil, os militares estão distribuídos em duas classes: oficiais, que estão classificados por postos; e praças, que estão classificados por graduações. Essas classes se subdividem em outras de acordo com o nível de responsabilidade e qualificação profissional. Os graus hierárquicos são basicamente os mesmos do Exército, sendo somente acrescentadas as iniciais PM e BM. A hierarquia é a base da organização das instituições militares, a qual compõe a cadeia de comando a ser seguida por todos os integrantes. Na estrutura hierárquica da Polícia Militar (PM) e nos Corpos de Bombeiros Militares (CBM), seus diversos níveis são representados por insígnias, usadas sobrepostas aos uniformes. Bombeiros Profissionais Civis São bombeiros privativos de grandes empresas industriais, portuárias, aeroportuárias, ou florestais; os quais são vocacionados para a actuação especializada no seu ramo de actividade. 52 Bombeiros Voluntários Os Corpos de Bombeiros Voluntários estão espalhados por praticamente todas as sedes de município, sendo responsáveis pela grande maioria das operações de socorro no país, em virtude do reduzido número de Corpos Profissionais existentes. Os Corpos de Bombeiros Voluntários dependem de associações humanitárias de âmbito local, que são financiadas através dos seus sócios, de peditórios à população, de subsídios públicos e do desenvolvimento de actividades de cariz lúdico e cultural. Bombeiros Militares O Exército, a Marinha e a Força Aérea,dispõem de Corpos de Bombeiros para combate a incêndios e operações de socorro em algumas das suas unidades. Os Bombeiros das bases da Força Aérea são chamados Operadores de Sistemas de Assistência e Socorro (OPSAS). Os Bombeiros das unidades da Marinha são chamados Especialistas de Limitação de Avarias. Na Guarda Nacional Republicana foi criada em 2006 uma unidade especializada em operações de combate a incêndios florestais e Protecção Civil, denominada Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS). O GIPS funciona como uma força de primeira intervenção cujas equipas actuam rapidamente, transportadas por helicópteros ou veículos ligeiros, em áreas de risco, realizando uma primeira intervenção até à chegada de reforços com equipamento mais pesado. 53 3. METODOLOGIA DA PESQUISA No presente capítulo serão apresentados os procedimentos que serão utilizados para a realização desta pesquisa, que tem a finalidade de embasar o presente estudo e orientar a metodologia utilizada, a fim de apurar o problema de pesquisa. 3.1 Tipologia de pesquisa: O tipo de pesquisa a ser utilizada será exploratória, uma vez que procura descobrir idéias, percepções, gerar hipóteses ou explicações prováveis sobre profissões que eram predominantemente masculinas, (CHURCHILL; PETER, 2005). A pesquisa exploratória para Collis e Hussey (2005, p.24), “é realizada sobre um problema ou questão de pesquisa quando há pouco ou nenhum estudo anterior em que possamos buscar informações sobre a questão ou problema”. Assim, foram encontradas poucas informações sobre as funções que eram essencialmente masculinas no início do séc. 20, desta forma justifica-se a importância de se fazer um estudo sobre o tema em questão. Ainda de acordo com Gil (1991, p. 45) a pesquisa exploratória é desenvolvida com o objetivo de proporcionar uma visão geral, acerca de determinado fato. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas. Inicialmente, um levantamento bibliográfico teve a finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com discursos elaborados sobre determinado assunto (MARCONI; LAKATOS, 2005), temas relacionados a funções que até então eram ditas como exclusivamente masculinas, e foram feitas análises que estimularam a compreensão dos fenômenos. Para responder o nosso problema a abordagem qualitativa é mais indicada do que a quantitativa, Cooper e Schindler (2003) dizem que: “Qualitativo vem de qualidade que é o caráter ou natureza essencial de alguma coisa, qualidade é “o que” e Quantidade “o quanto”” identificamos o método qualitativo como mais indicado por ser mais subjetivo e envolve examinar e refletir as percepções para obter um entendimento de atividades sociais e humanas.A coleta de dados será 54 através de estudo de caso, e de identificação nas publicações, em relatórios técnicos, projetos, artigos científicos, livros. Portanto, esse método não é apenas útil, mas, às vezes, uma indispensável ferramenta no processo de desenvolvimento da teoria. Em sua análise, Yin (2001) acrescenta que, quando o foco da pesquisa está direcionado para um problema contemporâneo a aplicação do estudo de casos é considerada a mais apropriada. Para Lima (2004, pg. 31) diz que “o método de estudo de caso corresponde a uma das formas de realizar pesquisas empíricas de caráter qualitativo sobre um fenômeno em curso e em seu contexto real”. A utilização do método do estudo de caso, segundo Yin (2001), tem por finalidade explorar, descrever, ilustrar e explicar diferentes fenômenos. O estudo de caso investiga as situações tecnicamente distintas nas quais há muito mais variáveis de interesse do que os dados indicam; como resultado, estabelece-se a confiança em múltiplas fontes de evidências com dados que demandam uma triangulação (YIN, 2001). O estudo de caso tem maior utilização em explicações causais em intervenções ou situações na vida real que são complexas demais para tratamento através de estratégias experimentais ou de levantamento de dados. A presente pesquisa foi desenvolvida nas seguintes etapas: 1. Fazer uma revisão bibliográfica sobre o assunto. 2. Descrever a trajetória da inserção feminina em diversos campos. 3. Descrever a inserção da mulher nas Instituições Militares. A coleta de dados deu-se através da identificação nas publicações, em relatórios técnicos projetos, artigos científicos, livros. Fez-se a analise qualitativa da pesquisa realizada com as agentes do corpo de bombeiros do 7 BBM de Itajaí/SC, onde a entrevista e seus dados qualitativos foram transcritos e posteriormente ao conjunto de entrevistas realizadas com as agentes foi aplicada a técnica do DSC – Discurso do Sujeito Coletivo, “uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de natureza verbal, obtidos de depoimentos, etc.” (LEFÉVRE & LEFÉVRE,2003, P. 15-16). 55 3.2 Sujeito de estudo A população alvo desta pesquisa foram mulheres que ocupam cargos antes exercidos especialmente por homens, mais especificamente os cargos militares, neste caso o corpo de bombeiros militar de Itajaí, onde atuam 3 mulheres sendo 1 tenente e 2 soldado. 3.3 Instrumentos de pesquisa Foi utilizado o método do Estudo de Caso que não é uma técnica especifica. É um meio de organizar dados sociais preservando o caráter unitário do objeto social estudado" (GOODE & HATT, 1969, p.422). De outra forma, BRESSAN (APPUD TULL 1976, p 323) afirma que "um estudo de caso refere-se a uma análise intensiva de uma situação particular" e BRESSAN (APPUD BONOMA 1985, p. 203) coloca que o "estudo de caso é uma descrição de uma situação gerencial". BRESSAN (APPUD YIN 1989, p. 23) afirma que "o estudo de caso é uma inquirição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas". O Método do Estudo de Caso obtém evidências a partir de seis fontes de dados: documentos, registros de arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos e cada uma delas requer habilidades específicas e procedimentos metodológicos específicos. Utilizaremos algumas destas fontes, conforme descritas abaixo: Entrevistas Esta é uma das fontes de dados mais importantes para os estudos de caso, apesar de haver uma associação usual entre a entrevista e metodologia de 'survey' BRESSAN (APPUD YIN, 1989). A entrevista, dentro da metodologia do Estudo de Caso, pode assumir várias formas: • Entrevista de Natureza Aberta-Fechada - onde o investigador pode solicitar aos respondentes- chave a apresentação de fatos e de suas opiniões a eles relacionados; • Entrevista Focada - onde o respondente é entrevistado por um curto período 56 de tempo e pode assumir um caráter aberto-fechado ou se tornar conversacional,mas o investigador deve preferencialmente seguir as perguntas estabelecidas no protocolo da pesquisa; • Entrevista do tipo Survey - que implicam em questões e respostas mais estruturadas. De forma geral, as entrevistas são uma fonte essencial de evidências para o estudo de Caso BRESSAN (APPUD YIN, 1989), uma vez que os estudos de caso em pesquisa social lidam geralmente com atividades de pessoas e grupos. O problema é que isto pode sofrer a influência dos observadores e entrevistadores e, por isto, podem ser reportadas e interpretadas de acordo com as idiossincrasias de quem faz e relata a entrevista. Por outro lado, os respondentes bem informados podem fornecer importantes insights sobre a situação. Ao se considerar o uso das entrevistas, portanto, deve-se cuidar para que estes problemas não interfiram nos resultados provendo treinamento e habilitação dos investigadores envolvidos. 3.4 Análise e apresentação Para facilitar a compreensão e disposição das informações utilizamos a transcrição das entrevistas e aplicamos a técnica do DSC Discurso do Sujeito Coletivo. A análise dos dados coletados através da pesquisa serviu para um melhor entendimento das informações. As técnicas selecionadas demonstraram informações, no decorrer do trabalho, proporcionando uma visão global das informações levantadas. 3.5 Limitações da pesquisa Esta pesquisa limitou-se a falta de informações ao histórico do 7 batalhão de bombeiros militar de Itajaí, onde não constam dados oficiais e atualizados. 57 4. ANÁLISE DOS DADOS Os resultados apresentados neste capítulo têm por sua finalidade atingir os objetivos propostos desta pesquisa que se constitui na evolução da mulher no atual mercado de trabalho em funções ate então predominantemente masculinas, para alcançar tal objetivo foi aplicada uma entrevistas com as mulheres do batalhão de bombeiros da cidade de Itajaí. Os entrevistados não serão identificados por seus nomes, mas apenas por números seqüenciais, embora isto não tenha sido uma exigência delas ou da organização. A entrevista foi composta com 15 perguntas conforme apêndice A: Entrevistas: No ambiente de entrevistas explicamos os motivos do trabalho e da entrevista a cada um dos participantes, este trabalho durou exatamente 3 dias, um dia para cada entrevistada. Neste momento passamos a relatar a opinião dos entrevistados a respeito de cada uma das perguntas. 4.1 Perfil das respondentes Neste momento buscou-se identificar semelhanças e disparidades entre as respondentes, tentando traçar o perfil em comum das mulheres que exercem funções antes predominantemente masculinas. As análises foram realizadas, tendo por base questões elaboradas na entrevista. Num primeiro momento identificou-se a faixa etária das respondentes, podese observar que ambas tem idade entre 24 anos e 26 anos, posteriormente identificou-se o estado civil das respondentes, observou-se que todas são solteiras, e não possuem filhos, outro fator considerado quanto ao perfil das respondentes diz respeito ao nível de escolaridade todas possuem nível superior, quanto ao cargo que exercem na corporação duas são soldados e uma tenente, identificou-se também o tempo de atuação na corporação que varia de 2 anos a 4 anos, e por ultimo as entrevistadas relataram que devem estar 24h disponível a corporação pra qualquer tipo de emergência existe sim certa dificuldade em ter horários fixos, e compromissos fora da corporação por que na hora que surge uma emergência tem 58 que parar tudo que está fazendo, seja cursinho, faculdade, festa, e ir pro quartel o mais rápido possível. 4.2 Entrevistas 8. Profissão Anterior Idéia Central da Resposta E1 Estudante E2 Professora Educação Física E3 Socorrista Civil Palavras chaves Estudante Educação Física Socorrista Quadro 1: Profissão Anterior. 9. Como e por que você escolheu ingressar na carreira militar; teve alguma influencia? Qual? Idéia Central da Resposta E1 Escolheu ser militar por influência dos pais. A mãe é soldado da PM e o pai é capitão também da PM de Curitiba. Os irmãos também desejam seguir a mesma profissão. Tentou concurso no Paraná, mas não passou, surgiu à oportunidade aqui, que foi o que a trouxe pra cá. Palavras chaves Militar Pai Mãe E2 Queria ser professora de Educação Física e na faculdade surgiu à oportunidade de trabalhar de guarda-vidas civil como voluntária em Florianópolis, foi onde gostou e fez um curso de bombeiro comunitário e quando abriu a oportunidade de fazer concurso público para militar, ela fez e passou. Apesar de os pais serem policiais militares, não sofreu influência pra trabalhar como militar. Guarda-vidas Voluntária Oportunidade Influência E3 Quando mais nova, trabalhava em uma loja, Bombeiro fez curso de bombeiro voluntario, gostou e Militarismo ficou por 5 anos. Prestou concurso pra tentar Voluntario efetivação no Corpo de Bombeiro, passou e já está há 1 ano. Entrou pro militarismo por vontade própria, sem influências. Quadro 2: Como e por que você escolheu ingressar na carreira militar; teve alguma influencia. 59 10. Qual é a sua satisfação em trabalhar como militar? Idéia Central da Resposta E1 A satisfação está em sua realização profissional, e o apoio e aprovação de sua família por sua escolha. E2 A satisfação está em poder ajudar a comunidade onde mora, e estar representando as mulheres numa profissão tão masculina. Palavras chaves Satisfação Aprovação Família Satisfação Profissão Mulheres Comunidade E3 Sua satisfação está em estar realizada em sua Realizada escolha profissional e em ver o agradecimento Agradecimento das pessoas que ajuda de alguma forma. Quadro 3: Qual é a sua satisfação em trabalhar como militar. 11. Quais as dificuldades que você encontrou para ingressar na carreira militar? Idéia Central da Resposta Palavras chaves E1 Ela sentiu dificuldades, principalmente no Provas período do curso, em relação a provas Salvamento realizadas em lugares altos como rapel, salvamento em prédios altos. E2 A maior dificuldade encontrada por ela dentro dessa profissão foi o preconceito por ser mulher militar, por conta do porte físico e fragilidade, apesar de o treinamento e critérios de avaliação ser igual para todos, independente do sexo. Preconceito Militar Fragilidade Treinamento E3 Sente dificuldades por ser bombeiro mulher Ocorrência durante ocorrências, pois nem sempre é Respeito respeitada, sente também que existem Indiferenças indiferenças fora do quartel por conta do sexo. Quadro 4: Quais as dificuldades que você encontrou para ingressar na carreira militar. 12. Enfrentou ou enfrenta algum tipo de preconceito com a sociedade ou companheiros de profissão? Idéia Central da Resposta E1 Durante o curso, os futuros militares são ensinados a trabalharem com todo tipo de preconceito, pois ficam direto com as fardas. Aprendem que nem todo tipo de trabalho a mulher pode fazer por conta do seu tipo físico. E não enfrenta preconceitos, pois faz somente trabalhos internos onde sua função é Palavras chaves Ensinados Preconceitos Trabalho Administrativa 60 administrativa. E2 No começo enfrentou preconceito da parte de seus companheiros por ser uma mulher em um ambiente onde sua grande maioria são homens, e por acharem que ela não daria conta de suas tarefas braçais. E3 Por ser mulher, existe certo preconceito vindo da comunidade em ser bombeiro. Dentro do quartel todos se respeitam. Enfrentar Preconceito Ambiente Tarefas Mulher Comunidade Quartel Quadro 5: Enfrentou ou enfrenta algum tipo de preconceito com a sociedade ou companheiros de profissão. 13. Você observa alguma dificuldade em relação ao crescimento dentro da corporação por ser mulher? Idéia Central da Resposta E1 Não vê dificuldades. E2 Existem dificuldades para um soldado subir de cargo hoje, pois não abrem vagas e oportunidades para que haja esse crescimento por conta da grande quantidade de efetivos na área, mas isso é para todos e não pelo fato de ser mulher. Palavras chaves Dificuldades Soldados Dificuldades Crescimento Efetivos E3 Como em qualquer organização o crescimento Organização é difícil, No militarismo não é diferente, Militarismo independentemente do sexo. O ingresso da Difícil mulher na instituição quebrou uma série de paradigmas. Antes, acreditava-se que a mulher só podia ser empenhada em atividades administrativas, agora atuam no caminhão e nas ambulâncias. Quadro 6: Você observa alguma dificuldade em relação ao crescimento dentro da corporação por ser mulher. 14. É difícil se manter feminina profissão como a sua? Idéia Central da Resposta E1 Não á dificuldade alguma, claro que se deve manter o bom senso. E2 A feminilidade nunca se perde, mas é necessário ser mais dura em certas ocasiões, e também não podemos usar jóias, ate mesmo para nossa segurança durante operações. E3 O uniforme não nos favorece muito e com os Palavras chaves Bom senso Feminilidade Feminina 61 cabelos sempre presos, não há muito que se fazer. Mas a essência feminina nunca se perde. Quadro 7: É difícil se manter feminina profissão como a sua. DSC Entrevistados – Profissão Anterior. Apesar de nossas entrevistadas antes exercerem funções, e formação acadêmica totalmente diferente das que exercem hoje, sempre tiveram o gosto pela carreira militar. Quadro 8: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 8ª pergunta. DSC Entrevistados – Escolha da carreira militar e influencia. A escolha da vida profissional é uma escolha que influencia diretamente no nosso futuro. A escolha pela carreira militar requer muita dedicação e disponibilidade permanente, sabedoria e cautela para lidar com emoções, e acima de tudo saber enfrentar barreiras e preconceitos. As oportunidades e as influencias e o apoio tanto de amigos como da família pesam muito na hora de decidir por esta profissão, o gosto pela profissão, pela sua responsabilidade perante a sociedade É preciso amar o que faz. E o fato de que esta carreira possibilita uma estabilidade, bem como a expectativa de crescimento. E sempre há o histórico de algum familiar estar ligado ao militarismo onde sem duvida sofre a influencia para seguir os mesmos passos. Quadro 9: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 9ª pergunta. DSC Entrevistados – Satisfação em trabalhar como militar. A satisfação está em sua realização profissional, onde o enriquecimento do trabalho com ênfase no desenvolvimento pessoal do indivíduo, onde o apoio da família, o agradecimento da comunidade e por representar as mulheres em postos de trabalho antes só para homens é o que as motiva para fazerem sempre o melhor para si mesmas e para a comunidade. Ser militar não é fazer parte de um emprego, mas é estar vocacionado para uma missão. Esta também no sentimento de solidariedade e amor ao próximo, uma vez que o bombeiro não tem um horário fixo e, muitas vezes tem de deixar a família de lado, para proteger a sociedade. Quadro 10: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 10ª pergunta. DSC Entrevistados – Dificuldades encontradas para ingressar na carreira militar. Uma das dificuldades encontradas são as várias disciplinas ministradas durante o curso distribuídas entre teóricas e práticas, que visam ao aluno soldado compreender sua função e sua missão perante a sociedade, bem como fazê-lo compreender o compromisso que esta assumindo. Quadro 11: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 11ª pergunta. 62 DSC Entrevistados – Preconceito com a sociedade ou companheiros de profissão. É uma relação com poucos preconceitos. Apesar de estar numa instituição em que 98% dos integrantes são homens, em sua maioria não teve nenhuma dificuldade nem com meus subordinados nem com meus superiores. A trajetória tem sido feita no alicerce de disciplina, de determinação, de participação mútua, de um trabalho bem interativo, onde a maioria dos preconceitos sofridos vem da sociedade. Quadro 12: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 12ª pergunta. DSC Entrevistados – Dificuldade em relação ao crescimento dentro da corporação por ser mulher. Como em qualquer organização, a dificuldade de crescimento há para todos independente do sexo. Quadro 13: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 13ª pergunta. DSC Entrevistados – Manter-se feminina na profissão. O fato de estar numa instituição militarizada não significa que você precisa se masculinizar. Você pode continuar com a sua doçura, com a sua delicadeza e fazer seu trabalho com muita determinação, com muita eficácia, com muita garra, sem deixar de ser mulher, sem deixar de ser vaidosa tomando os devidos cuidados para que não haja exageros. Quadro 14: DSC – Discurso do Sujeito Coletivo 14ª pergunta. Nossa entrevista ainda nos forneceu algumas informações adicionais durante a entrevista: a entrevistada E1, tem seu horário fixo das 13h às 19h, porem deve estar 24h disponível para qualquer tipo de emergência. As outras mulheres da guarnição E2 e E3 trabalham 24h e folgam 48h, porém, igualmente devem estar apostas para possíveis chamados. Existem duas formas de ingresso nas forças estaduais (Policia e Bombeiro), que seria soldado ou oficial. Pra ingressar como soldado o candidato tem que fazer o concurso ou vestibular, se passar faz os testes necessários que são exames psicotécnicos, médicos e físicos, passando nos exames, faz oito meses de curso, passando o aluno soldado é mandado para uma unidade do estado onde passa a trabalhar. O oficial passa pelos mesmos testes que o soldado, porém, faz um curso de três anos pois quanto mais sobe na hierarquia dentro do militarismo, mais responsabilidades assume, sendo todos da corporação de suma importância. Depois dos três anos de curso, o aluno escolhe a classificação e ser exercida e tem mais seis meses de aspiratório, como se fosse um estágio probatório. Esses seis meses são pra definir se o aluno tem condições de ser um oficial. Tem a chance 63 de reprovar uma vez, não passando, faz mais seis meses de curso se o comandante geral permitir. Passando nesses seis meses de curso, o aluno entra como 2º Tenente, passa para 1º Tenente, depois Capitão, Major, Tenente Coronel e Coronel sendo o último posto. Atualmente, no 7º Batalhão trabalham 5 mulheres, sendo a Priscila como 2º Tenente e quatro soldados, onde 2 ficam em Itajaí, 1 em Itapema e 1 em Porto Belo. 64 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O velho título de sexo frágil definitivamente está cada vez mais longe da realidade das mulheres. Primeiro, elas deixaram as funções de casa para trabalhar fora e, posteriormente, passaram a ocupar gradativamente cargos ditos masculinos. Apesar de muitas vezes os salários ainda não se equipararem e o preconceito ainda existir, tamanha conquista, segundo especialistas, deve seguir a tendência de ser ampliada em proporções gigantescas. Isso porque as mulheres buscaram a superação quando perceberam que tinham de competir com os homens e sobreviver em meio ao acúmulo de funções. De quebra, descobriram que são donas de qualidades diretamente relacionadas a resultados, desta forma é imprescindível fazer um estudo sobre a evolução da mulher no mercado de trabalho. Assim, o presente trabalho teve como objetivo principal Investigar evolução da mulher no atual mercado de trabalho em funções até então tidas como predominantemente masculinas, bem como fazer uma revisão bibliográfica sobre o assunto, descrever a trajetória da inserção feminina em diversos campos e descrever a inserção da mulher nas Instituições Militares. As constatações têm explicação histórica, antigamente, quando a força física era valorizada em detrimento do conhecimento, os homens saíam e de certa forma até hoje saem na frente das mulheres. Mas no começo do século passado, quando as fábricas foram crescendo e houve falta de mão-de-obra, as mulheres foram recrutadas para exercer trabalhos rotineiros e repetitivos, foi o passo chave. Daí percebeu-se suas habilidades e viu-se que tinham capacidade., a partir daí, a tecnologia começou a substituir gradativamente os trabalhos manuais, o que resultou na sobra de mão-de-obra. Elas ficaram com menos empregos e mais disponibilidade de tempo. Partiram, então, para a educação e começaram a disputar mais cargos. Estima-se hoje, que as mulheres com algum tipo de colocação profissional têm, em média, dois anos a mais de escolaridade que os homens e vêm ocupando cargos de liderança nas empresas, se tornando competidoras em potencial. À medida que se tenha mais pessoas preparadas e mais mecanização, ou seja, menos necessidade de força física, vão sobrar cargos inteligentes. E quem vai ganhá-los são os mais preparados. A constatação é que hoje já quase não existem 65 mais funções exclusivas de homens ou de mulheres, elas foram para o mercado de trabalho e eles passaram a dividir as funções de casa. Nesse caso, a soma das habilidades de cada um dos sexos tem conseqüências extremamente positivas. A exigência vai ser cada vez mais por cabeças racionais, como para as áreas de engenharia e planejamento de produção, onde aparentemente homens têm mais vocação, e ao mesmo tempo por pessoas com funções e posições predominantemente emocionais, como por exemplo motivação, chefias e liderança. Há, no entanto, mulheres avançando para áreas reconhecidamente masculinas, como, além da área de exatas, cargos de gestão nas empresas. Muitas pessoas achavam que as mulheres não resistiriam a pressões psicológicas e por resultados e que, em função da emocionalidade, não conseguiriam tomar decisões racionais envolvendo pessoas. Mas, à medida que foram crescendo, também se tornaram mais aptas a isso. Apesar de tudo isso, é inegável que exista ainda o preconceito em diversos setores do mercado, apesar de serem ainda em pequeno numero, as mulheres não se intimidam, e garantem ser bem vistas pelo grande contingente de homens com quem trabalham. A partir do momento que elas mostram competência, existe respeito. O militarismo por ser profissão que envolve riscos, nem sempre é vista como área para mulheres. Mas isso muda no momento em que elas demonstram que não são frágeis e que não é para qualquer uma. Além do preconceito que enfrentam por parte de homens elas têm de fazer de tudo, desde empurrar e lavar as viaturas até pilotar e dar instrução. A mulher é versátil, faz de tudo, elas acham, no entanto, é que além da falta de estímulo para a profissão, o que faz ter ainda pouquíssimas mulheres nesse meio são a correria e o excesso de responsabilidade, o militarismo sobrecarrega, exige dedicação total. Assim existem ainda alguns aspectos a serem aperfeiçoados, sendo mais liberdade e ousadia não se prendendo em situações passadas, regras e velhos paradigmas, Pode-se concluir que o militarismo é um ramo de atividade que emprega mais homens que mulheres e que as mulheres que estão inseridas neste ramo de atividade são profissionalmente mais cobradas e testadas pelos homens, e pela sociedade, ou seja, ainda é necessário continuar a luta pela igualdade profissional, para que vença aquele que tiver melhor qualificação e capacidade, sem discriminação de gênero. 66 O desenvolvimento deste trabalho foi de extrema importância, pelo aprendizado acadêmico que culminou no aprofundamento teórico e nas práticas vivenciadas pelo mercado. O trabalho realizado alcançou todos os objetivos propostos, visto que depois de definidos os objetivos específicos, foi possível conhecer os aspectos positivos e limitantes das mulheres em relação ao seu lugar no mercado de trabalho em funções ate então predominantemente masculinas. 5.1 Sugestões de trabalhos futuros Com base nos estudos vivenciados nesta pesquisa, algumas sugestões são pertinentes para o desenvolvimento de futuros estudos e pesquisas que poderão ser realizadas complementando as conclusões apresentadas: • Fazer uma pesquisa com os colegas de trabalho e a chefia; • Fazer comparativos com corporações de outras cidades e entre outros estados; 67 6. REFERÊNCIAS BARDWICK, J.M. Mulher, sociedade, transição: como o feminismo, a liberação sexual e a procura da auto–realização alteram as nossas vidas. São Paulo: Difel, 1984. BELLE, F. Cadres au féminin et cultures d’entreprises. Le’cas de trois entreprises de Grenoble. 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Porto Alegre: Bookman, 2001. 69 APÊNDICE A ENTREVISTA 1- Idade 2- Estado Civil 3- Filhos 4- Nível de Escolaridade 5- Cargo Exercido 6- Tempo de Atuação 7- Horários Livres 8- Profissão Anterior 9- Como e por que você escolheu ingressar na carreira militar; teve alguma influencia? Qual? 10- Qual é a sua satisfação em trabalhar como militar? 11- Quais as dificuldades que você encontrou para ingressar na carreira militar? 12- Enfrentou ou enfrenta algum tipo de preconceito com a sociedade ou companheiros de profissão? 13- Você observa alguma dificuldade em relação ao crescimento dentro da corporação por ser mulher? 14- É difícil se manter feminina profissão como a sua?