NOVA LICENCIATURA EM EXPRESSÃO GRÁFICA:
PARCERIAS PARA UM FUTURO PROMISSOR
Thyana Farias Galvão de Barros
UFPE, Departamento de Expressão Gráfica
[email protected]
Franck Gilbert René Bellemain
UFPE, Departamento de Expressão Gráfica
[email protected]
Resumo
O curso de Licenciatura em Expressão Gráfica da UFPE precisou passar
por uma reformulação para propiciar aos egressos a inserção no mercado
de trabalho. A abordagem proposta dos conhecimentos de geometria, ao
longo do curso, tem um foco claramente gráfico. As representações
gráficas de figuras obtidas a partir de desenho, planificações e construções
com instrumentos é o lugar privilegiado da investigação geométrica. Sabese que a principal fonte de mercado de trabalho do egresso deve ser a
Educação Básica. Nesse sentido, o Governo do Estado de Pernambuco,
através do desenvolvimento do ensino médio integrado, apresentou
claramente a necessidade do Licenciado em Expressão Gráfica. Um
campo de trabalho recente e extremamente importante para os licenciados
em expressão gráfica são as ETE’s (Escolas Técnicas Estaduais) e os IF’s
(Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia). Para almejar uma
colocação nesse novo mercado de trabalho é necessário o
estabelecimento de uma maior conexão entre conhecimentos-meios e
habilidades-fins. Esta é uma dos objetivos propostos na reformulação do
curso. Entretanto, sabe-se que o Licenciado em Expressão Gráfica tem
capacidade para atuar em outras áreas: modelagem digital, produção e
avaliação de material didático impresso e digital, entre outros.
Palavras-chave: licenciatura, geometria gráfica, mercado de trabalho
educação básica.
Abstract
The Bachelor's Degree in Graphic Expression from UFPE needed to pass
through some changes in order to provide the graduates with better
opportunities and chances to enter the job market. The way the knowledge
of the geometry is proposed to be presented during the course focus at a
graphical approach. Geometric research aims at the production of graphical
representations of figures obtained from design and the planning to
construction with instruments. It is known that the main source of job
market of graduates should be the Basic Education. Taking this into
consideration, the Government of the State of Pernambuco, through the
development of integrated school, clearly showed the need for a degree in
Graphic Expression. A recent and extremely important field work for
graduates in graphic expression are the ETE's (State Technical Schools)
and IF's (Federal Education, Science and Technology Institutes). The need
to establish a greater connection between knowledge-means (in the case of
those that are acquired by the students) and skill-purposes is particularly
important when it comes to the high school that combines integrated
regular high school and technical ones. However, it is known that the
degree in Graphic Expression has the capacity to act in other areas: digital
modeling, production and evaluation of print and digital educational
materials, among others.
Keywords: Bachelor’s degree, graphical geometry, job market, education.
1
Introdução
O curso de Licenciatura em Expressão Gráfica da UFPE prima por formar o aluno
imbuído dos conteúdos com os quais alcançará as competências e habilidades
necessárias (de acordo com Lei nº. 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional e a Resolução CNE/CP 1, de 18/02/2002), para atuar no campo da Educação
Básica, mais especificamente no ensino de nível Médio e Médio Integrado na área de
Geometria Gráfica e suas Aplicações.
A geometria gráfica é o fio condutor que dá suporte ao aluno durante todo curso,
permitindo-o, de acordo com seu perfil, a escolha de um ou mais eixos profissionais
oferecidos.
A principal fonte de mercado de trabalho do egresso deve ser a Educação Básica.
Nesse sentido, o Governo do Estado de Pernambuco, através do desenvolvimento do
ensino médio integrado, apresentou claramente a necessidade de nosso Licenciado.
Contudo, o egresso também se mostra apto a atuar na área editorial voltada à
concepção e elaboração de recursos didáticos, sejam estes digitais ou não (livros,
dispositivos, jogos e software educacionais) para o ensino e a divulgação da
matemática e das ciências.
2
Historiando o curso
O curso de Licenciatura em Expressão Gráfica originou-se do curso de “Professorado
em Desenho” da Universidade do Recife, que teve a sua criação em 19 de maio de
1951. Segundo registros, em documentos que tratam de reformas deste curso, a
criação do curso de Professorado em Desenho se deu em função da deficiência
didática de engenheiros e arquitetos, que tradicionalmente lecionavam Desenho.
Na década de 40, todas as disciplinas de matemática foram unificadas e a
geometria ficou como última unidade do programa de cada série. Acumulada uma
deficiência em seu suporte teórico, o Desenho ainda persistiu como disciplina
obrigatória dos cursos de nível Fundamental II e Médio (antigo “ginasial” e “científico”)
nas décadas de 50 e 60; mas, cada vez mais reduzido à simples memorização de
receitas de traçado.
Assim mesmo, os cursos superiores ainda remediavam a situação. Nos anos 60,
os cursos de engenharia ainda incluíam em seu currículo mais de 500 horas de
disciplinas específicas de Desenho.
A essa altura a demanda pelo curso de Professorado em Desenho, já então
denominado Licenciatura, era bastante reduzida. Numa tentativa de conquistar um
mercado de trabalho mais amplo, que atraísse melhores candidatos ao vestibular, o
curso foi transformado em Licenciatura em Desenho e Plástica, absorvendo assim o
curso superior de Pintura e Escultura, que vinha funcionando sem o reconhecimento
do Ministério de Educação e Cultura (MEC), durante muitos anos, na Escola de Belas
Artes.
A promulgação da Lei 5.692/CFE trouxe uma enorme gama de interpretações
quanto à obrigatoriedade ou não do ensino do Desenho no ensino básico.
Esta lei definiu a existência de um núcleo comum, composto por um
grupo de matérias que obrigatoriamente deveriam ser incluídas nos
currículos plenos de 1º e 2º graus, em âmbito nacional, e uma parte
diversificada, para atender às peculiaridades e necessidades locais
dos estabelecimentos de ensino.
De acordo com o parecer nº 853/71, tem-se:
O núcleo comum terá que voltar-se para a educação geral, por sua
natureza, embora nem toda a educação geral, dele procederá.
Exemplificando com o Desenho ou Língua Estrangeira, que, por
acréscimo, poderão ser incluídos no currículo pleno.
A consequência imediata da Lei 5.692 foi a inteira exclusão do Desenho das
provas dos vestibulares de acesso ao ensino superior na década de 70.
Concretamente, esse foi o maior golpe no ensino do Desenho, pois os Colégios não
iriam incluir em seu currículo, como lhes faculta a lei, uma disciplina não exigida
naqueles concursos.
Concomitantemente à Lei 5.692, o MEC tentou a unificação dos cursos de
licenciatura. Com a criação da “Licenciatura em Educação Artística”, que contava com
uma formação polivalente (dois anos) e outra, específica (mais dois anos),
contemplando as áreas de “Música”, “Teatro”, “Artes Plásticas” e “Desenho”, o curso
de “Professorado de Desenho” foi desativado.
Entretanto, por motivos de diversas ordens, quer no sentido de não haver uma
demanda ou por não ser possível formar o professor polivalente que se pretendia, a
partir da década de 80, as antigas licenciaturas específicas foram restauradas. E, em
1983, a UFPE reativou o curso de “Licenciatura em Desenho e Plástica”.
Em 1993, o curso passou por uma profunda mudança no seu perfil (válido para o
vestibular 1994), com o objetivo de buscar adequar-se às necessidades do mercado,
aproximando o seu egresso das então denominadas “novas tecnologias”, vinculadas
aos instrumentos computacionais. As mudanças realizadas também se refletiram
positivamente nas discussões levadas a efeito nos congressos promovidos pela então
ABPGDDT (Associação Brasileira de Professores de Geometria Descritiva e Desenho
Técnico), atual ABEG (Associação Brasileira de Expressão Gráfica).
Ainda em 1996, após intenso processo de avaliação interna, o Curso integrou o
Programa de Avaliação Externa promovido pela UFPE, cuja comissão, na época, já
destacava a necessidade de incluso, no concurso vestibular, de uma prova de
habilitação específica para este e outros cursos que integravam o mesmo grupo
(Arquitetura, Design, Artes Plásticas), além da ampliação e modernização do
laboratório de computação. Além disso, de modo a atender também as prerrogativas
legais, salientou como imperativo a instituição do professor orientador.
Assim, no primeiro semestre de 2001, entrou em vigor um novo perfil, com a
implantação de um elenco de disciplinas eletivas, inexistente nos perfis anteriores. Tal
alteração teve como finalidade a flexibilização do currículo, além da possibilidade de
interação dos estudantes com outras áreas do conhecimento que faziam interface com
o curso. Entretanto, diante das dificuldades enfrentadas pela instituição com relação
ao seu quadro docente, as disciplinas eletivas acabaram funcionando, na prática,
como obrigatórias.
Diante das constantes e profundas transformações sociais, o colegiado do curso
propôs a extinção do curso de Licenciatura em Desenho e Plástica e a criação do
curso de Licenciatura em Expressão Gráfica, com caráter bem mais inovador. A partir
dessa decisão, iniciaram-se discussões no âmbito do Colegiado e Pleno do
Departamento âncora; não podemos esquecer que tais discussões foram ainda
promovidas pelo Ministério de Educação e tratadas pelos colegiados competentes
desta Universidade desde 2006.
Desde então, especificamente, o colegiado do Curso vem discutindo o perfil do
profissional que devemos formar de modo a melhor atender as necessidades da
sociedade brasileira no atual cenário. Nesta direção, estamos buscando a identidade
do nosso curso dentro de um perfil mais científico-tecnológico que, acreditamos, irá ao
encontro de tais expectativas.
Tendo como foco específico a Geometria, estudada graficamente, e as suas
Aplicações (nas áreas de tecnologia e artes), destacamos que o novo curso visa
caracterizar um licenciado mais apoiado no caráter científico-tecnológico sem, no
entanto, ser dissociado do humanístico, também fundamento para a ciência que
estudamos como meio.
O processo formal para a criação do curso de Licenciatura em Expressão Gráfica,
então, deslanchou com a publicação de um site: http://www.expressaograficarecife.net,
onde docentes e egressos do curso de Licenciatura em Desenho e Plástica
interagiram para a construção deste novo profissional.
3
Porque estudar geometria gráfica?
A Educação Básica de qualquer país sempre passa por reformas e mudanças que
visam acompanhar a evolução das demandas da sociedade e suas traduções pela
ideologia dos dirigentes do país. De 1931 a 1971, a disciplina de Desenho (natural,
geométrico, decorativo e convencional) aparecia como componente obrigatório na
grade curricular da Educação Básica. Contudo, desde o início da década de 1960, a
disciplina começou a sofrer uma forte desvalorização. Progressivamente, as quartas
opções iniciais se reduziram a duas, distribuídas entre suporte à expressão
(linguagem) e complemento da matemática. Como já foi dito, em 1951, o curso de
“Professorado em Desenho” da Escola de Belas Artes da UFPE foi instituído e,
conforme revelado em registros da época, esta criação se deu, entre outros, em
função da deficiência didática de engenheiros e arquitetos, que tradicionalmente
lecionavam Desenho. Entretanto, apenas na década posterior, o curso de
“Professorado em Desenho” passou a ser reconhecido, através do parecer MEC 59/61
de 20 de março de 1961, e denominado como Licenciatura em Desenho e Plástica.
Essa denominação seguia as orientações do CFE da época que regulamentava o
curso caracterizando o professor de desenho e plástica como capaz de reunir os dois
polos da disciplina de desenho: artes (plástica) e ciência (desenho).
Na reforma de 1971 (Lei nº. 5.692) que instituiu a educação artística como
obrigatória, o papel da disciplina de Desenho não ficou claro e deixou de ser
componente obrigatório, tendo parte dos seus conteúdos diluídos nos programas
curriculares de Matemática (desenho geométrico) e de Artes (desenho decorativo e
desenho a mão livre). Algumas escolas (Colégio de Aplicação da UFPE, em Recife e
Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, por exemplo) mantiveram e continuam mantendo
nas suas grades curriculares disciplinas de Desenho Geométrico como componente
eletivo. Com essa reforma, a necessidade de uma formação específica de professor
de Desenho diminuiu, contudo, o curso de Licenciatura em Desenho e Plástica
continuou formando professores de Desenho bipolares: artes e ciências.
Já a partir de 1961, sem que seja necessariamente explicitado nas leis, o ensino
da matemática foi influenciado pelo movimento da Matemática Moderna no qual a
geometria é abordada formalmente (axiomas, noção de conjunto, vetores, álgebra).
Nesse contexto, o desenho geométrico, como parte da matemática, ficou ainda mais
desvalorizado, uma vez que não garantiu espaço na lógica estrutural da Matemática
Moderna. Essa tendência se reverteu como consequência do fracasso da reforma da
Matemática Moderna e a evidenciação da importância dos conhecimentos de
geometria gráfica na educação básica, seja para a formação do cidadão, seja para a
formação científica. A respeito da reforma da matemática moderna, observa-se que,
além do fato dos professores não serem suficientemente preparados para colocá-la
em prática, a algebrização da matemática, e da geometria, na qual a reforma se
apoiava é um processo e não um fato. O ensino da matemática não deve se limitar a
ensinar linguagens e algoritmos, o importante é a constituição e o sentido da
racionalidade matemática: intuição, abstração, modelização; e nesse processo, a
geometria gráfica tem contribuições importantes, pois, enquanto linguagem e sistema
de representação, permite uma compreensão nova de situações do ponto de vista da
racionalidade e da intuição.
O Desenho não é só natural, geométrico, decorativo ou convencional, ele é
também representativo: funciona como registro de representação gráfica na
matemática e nas ciências. O desenho representativo e a geometria gráfica são
objetos de ensino incontornáveis tanto do ponto de vista do estudo das situações
espaciais quanto da constituição da racionalidade matemática.
A revalorização da geometria gráfica e a reintrodução de conteúdos de geometria
no ensino da matemática na educação básica brasileira aparecem claramente na LDB
de 1996 e na resolução CEB Nº 3, de 26 de junho de 1998. A partir de extratos da
redação da LDB, mostraremos que a geometria gráfica aparece, a nosso ver, em duas
grandes áreas de conhecimento (linguagem e matemática), inclusive na sua dimensão
digital:
Art. 10: A base nacional comum dos currículos do ensino médio será
organizada em áreas de conhecimento, a saber:
I - Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, objetivando a
constituição de competências e habilidades que permitam ao
educando:
a) Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes
linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela
constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
[...]
g) Entender a natureza das tecnologias da informação como
integração de diferentes meios de comunicação, linguagens e
códigos, bem como a função integradora que elas exercem na sua
relação com as demais tecnologias.
[...]
II - Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias,
objetivando a constituição de habilidades e competências que
permitam ao educando:
[...]
h) Identificar, representar e utilizar o conhecimento geométrico para o
aperfeiçoamento da leitura, da compreensão e da ação sobre a
realidade. (Extratos da RESOLUÇÃO CEB Nº 3, de 26 de junho de
1998).
Sabe-se que o Licenciado em Expressão Gráfica tem capacidade para atuar em
outras áreas, entretanto este Projeto foca o estudo nos conteúdos de geometria
gráfica abordados na Educação Básica, mais especificamente os conteúdos relativos
ao ponto II- Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias no ensino médio.
Assim, observa-se que os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), particularmente
nos PCN+, a geometria aparece claramente como área de conhecimento importante
compondo o Tema 2 - Geometria e medidas, integrante do volume Orientações
Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (2002, p.123):
A Geometria, ostensivamente presente nas formas naturais e
construídas, é essencial à descrição, à representação, à medida e ao
dimensionamento de uma infinidade de objetos e espaços na vida
diária e nos sistemas produtivos e de serviços. No ensino médio, trata
das formas planas e tridimensionais e suas representações em
desenhos, planificações, modelos e objetos do mundo concreto.
A abordagem proposta dos conhecimentos de geometria tem um foco, mesmo se
não unicamente, claramente gráfico. As representações gráficas de figuras obtidas a
partir de desenho, planificações e construções com instrumentos é o lugar privilegiado
da investigação geométrica:
Para desenvolver esse raciocínio de forma mais completa, o ensino
de Geometria na escola média deve contemplar também o estudo de
propriedades de posições relativas de objetos geométricos; relações
entre figuras espaciais e planas em sólidos geométricos;
propriedades de congruência e semelhança de figuras planas e
espaciais; análise de diferentes representações das figuras planas e
espaciais, tais como desenho, planificações e construções com
instrumentos (PCN+, 2002, p.123).
Além disso, encontramos nas orientações educacionais as duas funções do
desenho geométrico citadas anteriormente de representação da realidade e de suporte
à constituição da racionalidade matemática:
Usar as formas geométricas para representar ou visualizar partes do
mundo real é uma capacidade importante para a compreensão e
construção de modelos para resolução de questões da Matemática e
de outras disciplinas. Como parte integrante deste tema, o aluno
poderá desenvolver habilidades de visualização, de desenho, de
argumentação lógica e de aplicação na busca de solução para
problemas (PCN+, 2002, p.123).
Resumindo, estudar Geometria Gráfica, assim como estudar português ou
matemática é essencial, pois se trata de uma forma de linguagem necessária à
formação de qualquer cidadão.
4
Por que lecionar geometria gráfica?
Enquanto profissão, a docência tem uma trajetória construída historicamente.
Transpôs diferentes períodos, contrapondo-se ou adequando-se a contextos
sociopolíticos diversos, onde nem sempre se questionou a necessidade de cursos de
licenciatura voltados para as realidades sociais e que subsidiassem, realmente, a
formação profissional de professores.
No caso específico da formação profissional de professores de geometria
gráfica e suas aplicações deve-se considerar as finalidades no ensino desse campo do
conhecimento e, ainda, o papel e o modelo de professor que se busca e se quer, o
lugar dado à educação no desenvolvimento do ser humano, bem como, as
construções do conhecimento na área.
Diante do exposto, a proposta de criação de uma Nova Licenciatura em
Expressão Gráfica se justifica pela necessidade de oferecer aos alunos uma ampla
formação teórica e prática, comprometida com o contexto educacional brasileiro.
Trata-se da implementação de um curso que se preocupa com a apropriação sensível
do conhecimento em geometria gráfica e suas aplicações; e como estes saberes
poderão ser trabalhados em diferentes situações e níveis de ensino, sem perder a
sintonia com os sujeitos e o mundo contemporâneo manifesto em facetas de
multiplicidade e dinâmicas constantes.
Comprometida com estas posições e atenta aos debates atuais sobre as
questões relativas a formação de professores, a equipe docente do curso pautou suas
discussões sobre o perfil que se pretendia formar, não esquecendo os preceitos da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (lei 9.394/96, de 20 de dezembro de
1996), da Resolução nº1, de 03 de fevereiro de 2005 e da Resolução nº1, de 27 de
março de 2008.
Sendo assim, faz-se necessária uma formação profissional ampla e sem perda
da especificidade da educação de um modo geral e do ensino da geometria gráfica em
nível da educação básica (ensino fundamental, ensino médio e médio integrado).
A obrigatoriedade de uma sólida formação profissional que permita ao
licenciado a competência para atuar consistentemente no ensino da geometria gráfica
(e sua aplicações), levou o NDE (Núcleo Docente Estruturante) do curso a montar uma
estrutura
curricular condizente
com a
contemporaneidade
e
suas diversas
necessidades, além de pensar no estado permanente de (re)construção diária do
mundo contemporâneo.
Assim, a Nova Licenciatura em Expressão Gráfica terá uma duração de quatro
anos. As disciplinas de conteúdo epistemológico da geometria gráfica e suas
aplicações ficarão, em sua maior proporção, sob a responsabilidade do Departamento
de Expressão Gráfica. As disciplinas vinculadas às Licenciaturas Diversas serão
alocadas no Centro de Educação e as disciplinas eletivas serão alocadas tanto no
Departamento de Expressão Gráfica quanto nos demais departamentos, conforme a
natureza de seus conteúdos.
5
Parcerias por um futuro promissor
O Estado de Pernambuco, situado no Nordeste do Brasil (Figura 1), apresenta uma
especificidade em relação a Educação: um programa criado pelo Governo do Estado,
por meio da Secretaria de Educação, cujo objetivo maior é a reestruturação do ensino
médio local, oferecendo jornada ampliada de ensino aos jovens pernambucanos – a
Educação Integral.
Figura 01: Mapa do Brasil, com destaque para a localização do estado de Pernambuco
Fonte: http://www.baixarmapas.com.br/mapa-de-pernambuco/
O Programa de Educação Integral pauta-se na visão da educação
interdimensional como espaço privilegiado do exercício da cidadania e empenha-se no
sentido de fazer do protagonismo juvenil um traço importante de sua estratégia
educativa. Além disso, o programa garante ao jovem a oportunidade de tornar-se
autônomo, solidário e produtivo.
Em 2013, o Governo do Estado de Pernambuco, ampliou o número de escolas
atendidas pelo programa, passando a contar com 260 Escolas de Referência em
Ensino Médio: 122 unidades funcionam em horário integral e 138 oferecem jornada
semi-integral. Elas estão localizadas em 160 municípios pernambucanos, incluindo o
Arquipélago de Fernando de Noronha.
Com a ampliação no número de escolas, o Programa de Educação Integral
passou a atender cerca de 110 mil estudantes este ano. Esses jovens têm a
oportunidade de uma formação diferenciada, pois em algumas dessas escolas o
Governo inseriu a educação profissional na sua matriz curricular - o que significa
oferecer aos jovens uma oportunidade de qualificação para ingressar no mercado de
trabalho mais cedo.
O Estado de Pernambuco, visando atender a uma crescente demanda do
mercado de trabalho por profissionais de nível técnico, conta com 16 Escolas Técnicas
Estaduais (ETE), incluindo a ETE de Criatividade Musical.
As ETEs oferecem, atualmente, 30 cursos presenciais e sete cursos na
modalidade educação a distância, contabilizando 15 mil estudantes. A estimativa do
governo é que até 2014 estejam em funcionamento 60 unidades técnicas.
As ETEs oferecem educação profissional na forma subsequente e integrada: a
primeira é destinada a jovens e adultos que tenham concluído o ensino médio e que
buscam uma formação profissional técnica, já a segunda modalidade é voltada para os
jovens estudantes concluintes do ensino médio fundamental que queiram, além de
concluir o ensino médio, obter um diploma de formação técnica profissional. Os cursos
têm duração de três anos.
A necessidade de estabelecer uma maior conexão entre conhecimentos-meios
(é o caso dos que são adquiridos pelos nossos alunos do curso) e habilidades-fins é
particularmente importante no que trata do ensino médio integrado que agrega ensino
médio e técnico. Não que consideremos como prioritário que o ensino de matemática
ou das outras ciências tenha uma utilidade imediata, ao contrário, acreditamos que a
formação humanística do cidadão seja fundamental, independentemente de fornecer
(em curto prazo) a mão de obra necessária para as indústrias locais. Entretanto,
percebemos que os alunos dos cursos técnicos devam ter domínio nos conteúdos
básicos que suas formações técnicas exijam. Assim, assumimos que o Licenciado em
Expressão Gráfica tem o preparo suficiente para estabelecer essa ponte entre os
conhecimentos-meios de geometria gráfica e as habilidades técnicas de desenho
(técnico, arquitetônico, mecânico, etc.), entre a geometria gráfica e suas aplicações,
inclusive através da utilização das ferramentas digitais e computacionais.
Assim, as ETEs (Escolas Técnicas Estaduais) e o IFs (Institutos Federais de
Educação, Ciência e Tecnologia) são dois campos de trabalho extremamente
importantes e recentes para os Licenciados em Expressão Gráfica. Com efeito, em
2005, foi caracterizado o ensino médio integrado definido como “Educação Profissional
de nível técnico” e denominado de “Educação Profissional Técnica de nível médio”.
O ensino médio integrado é regido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB), que considera que os docentes da educação básica devem ser
formados prioritariamente em licenciatura plena:
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica farse-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena,
em universidades e institutos superiores de educação, admitida,
como formação mínima para o exercício do magistério na educação
infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a
oferecida em nível médio na modalidade Normal.
A LDB foi completada pela Resolução nº 1 (CNE, 2008) que define o estatuto
dos profissionais que atuam no ensino médio integrado e que devem ser
prioritariamente licenciados:
Art. 4º Integram o magistério da Educação Básica, de componentes
profissionalizantes do Ensino Médio integrado com a Educação
Profissional Técnica de nível médio, os docentes:
I – habilitados em cursos de licenciatura plena e em Programas
Especiais de Formação Pedagógica de Docentes.
Pela lei, o ensino médio integrado deve dar prioridade à contratação de
licenciados. E o Licenciado em Expressão Gráfica é habilitado para lecionar nas áreas
de Geometria Gráfica e Aplicações, sendo habilitado ainda para o ensino das
disciplinas
de
Desenho
Geométrico,
Sistema
de
representação,
Desenho
Representativo/Operacional e Normativo, Desenho Geométrico e Técnico aplicado a
diversas áreas (Arquitetura, Design, Engenharias, Artes Visuais), com abordagem
clássica (prancheta) e digital (gráfica computacional), nas modalidades presencial e a
distância, para cursos da Educação Profissional e Tecnológica.
O “Ensino Médio Integrado” é um mercado de trabalho extremamente
importante para o egresso do curso e necessita das habilidades e conhecimentos que
fazem parte das atribuições deste profissional.
Diante desse novo mercado de trabalho que foi aberto aos Licenciados em
Expressão Gráfica, coube-nos, enquanto coordenação deste curso, promover sua
reestruturação.
Tendo em vista as mudanças pelas quais passa a sociedade, e respondendo
às novas tarefas e desafios apontados anteriormente, algumas das metas do curso de
Licenciatura em Expressão Gráfica são:
(i) Proporcionar ao licenciando uma formação ampla, diversificada e sólida no que
se refere aos conhecimentos básicos de sua área específica, promovendo sua
imersão em ambientes de produção e divulgação científicas e culturais no
contexto da educação tecnológica;
(ii) Promover, por meio das atividades práticas e dos estágios curriculares
vivenciados em diversos espaços educacionais, a integralização dos
conhecimentos específicos com as atividades de ensino;
(iii) Formar o educador consciente de seu papel na formação de cidadãos sob a
perspectiva educacional, científica, ambiental e social;
(iv) Capacitar os futuros professores para o auto-aprimoramento pessoal e
profissional constante;
(v) Vivenciar estratégias e metodologias dos processos de ensino e aprendizagem
que propiciem meios conceituais e técnicos para o desenvolvimento da
linguagem visiográfica a partir de exercícios do fazer tecnológico e do pensar
sobre o ensino desse fazer na Educação Básica (Ensino Fundamental, Médio e
Médio Integrado).
6
Conclusão
A partir da parceria firmada entre a Coordenação do curso e o Governo do Estado de
Pernambuco, os alunos do curso de Licenciatura em Expressão Gráfica passaram a
enxergar novas possibilidades para seus futuros profissionais.
A leitura nas leis estaduais e federais fez-nos perceber que a geometria gráfica
continua tendo espaço na educação brasileira. Cabe-nos acreditar que é possível
mudar o que vêm sendo oferecido nas escolas de nível fundamental e médio, unindo
forças pela luta por uma educação de mais qualidade.
Além do exposto anteriormente, e em função das competências subjacentes à
formação específica adquirida, inúmeros formandos têm se inserido no mercado de
trabalho através de outros canais, com bastante sucesso. Estes novos caminhos,
surgidos ao longo do tempo, foram forjados, principalmente, em função dos avanços
decorrentes dos recursos computacionais.
Por integrar competências relativas a tecnologias digitais e computacionais,
linguagens gráficas, geometria, artes e ensino, o Licenciado em Expressão Gráfica
está preparado, também, para atuar na área editorial voltada à concepção e
elaboração de recursos didáticos, sejam estes digitais ou não (livros, dispositivos,
jogos e software educacionais) para o ensino e a divulgação da matemática e das
ciências. Trata-se de uma área em forte expansão (multiplicação dos cursos de EAD)
e ainda muito pouco desenvolvida.
Referências
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Define os profissionais do magistério, para
efeito da aplicação do art.22 da Lei nº 11.494/2007, que regulamenta o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação – FUNDEB. Resolução n. 1, de 27 de março de 2008.
Diário Oficial da União, Brasília, 28 de março de 2008. Seção 1, p. 14.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de
licenciatura, de graduação plena. Resolução n. 1, de 18 de fevereiro de 2002. Diário
Oficial da União, Brasília, 9 de abril de 2002. Seção 1, p. 31. Republicada por ter saído
com incorreção do original no D.O.U. de 4 de março de 2002. Seção 1, p. 8.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Institui a duração e a carga horária dos
cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação
Básica em nível superior. Resolução n. 2, de 19 de fevereiro de 2002. Diário Oficial da
União, Brasília, 4 de março de 2002. Seção 1, p. 9.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio. Resolução n. 3, de 26 de junho de 1998. Diário Oficial da União,
Brasília, 5 de agosto de 1998. Seção 1, p. 21.
LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: lei nº 9.394, de 20 de dezembro
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 5. Ed. Brasília:
Câmara dos Deputados, Coordenação Edições Câmara, 2010.
PCN + Ensino Médio: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros
Curriculares Nacionais. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias.
Secretaria de Educação Média e Tecnológica – Brasília : MEC ; SEMTEC, 2002. 144
p.
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NOVA LICENCIATURA EM EXPRESSÃO GRÁFICA: PARCERIAS