FACULDADE DE PARÁ DE MINAS CURSO DE PEDAGOGIA Letícia de Cássia Oliveira DISLEXIA NO CONTEXTO ESCOLAR Pará de Minas 2013 Letícia de Cássia Oliveira DISLEXIA NO CONTEXTO ESCOLAR Monografia apresentada à Coordenação de Pedagogia da Faculdade de Pará de Minas como requisito parcial para a conclusão do curso de Pedagogia. Orientadora: Prof. Ms. Natália Nunes Scoralick Lempke Pará de Minas 2013 Letícia de Cássia Oliveira DISLEXIA NO CONTEXTO ESCOLAR Monografia apresentada à Coordenação de Pedagogia da Faculdade de Pará de Minas como requisito parcial para a conclusão do curso de Pedagogia. Aprovada em: __________/__________/__________ _____________________________________________________________ Professora orientadora: Natália Scoralick _____________________________________________________________ Professor examinador _____________________________________________________________ Professor examinador Dedico este trabalho aos meus pais que tanto sonharam como eu, com esta etapa da minha vida. Ao meu pequeno sobrinho Hugo Miguel por me mostrar cada dia que eu estava certa da minha escolha. Agradeço a Deus e minha Nossa Senhora Aparecida, por me dar forças e não deixasse que eu desistisse de um sonho. Aos meus amigos que de alguma forma puderam me ajudar. As todas as pessoas que estavam dispostas a me passar o pouco que sabia. A minha Orientadora Natália, com sua calma e profissionalismo foi o meu ponto de apoio nesta etapa, o meu muito obrigado! “Quando leio, somente escuto o que estou lendo e sou incapaz de lembrar da imagem visual da palavra escrita” Albert Einstein RESUMO O presente estudo voltado para o tema da dislexia tem como objetivo geral verificar quais fatores que levam os professores a suspeitar do diagnóstico desta patologia no contexto escolar. Os primeiros diagnósticos são feitos, na maioria das vezes, nos anos iniciais, pois é período que se inicia a aprendizagem da leitura e escrita. O professor tem sempre um papel muito importante nessa etapa, que é o de suspeitar da Dislexia. Com o suposto diagnostico, a criança será encaminhada para um especialista. O professor começa a fazer parte deste tratamento juntamente com a família, pois todo tempo do Disléxico será um etapa do tratamento. Os graduados na Pedagogia não saem aptos para trabalhar com os disléxicos, porém há professores que mesmo com o pouco conteúdo que tem sobre a Dislexia dentro da Graduação, buscam estudos por meios eletrônicos e outros para se informar melhor sobre o Transtorno, podendo assim trabalhar da melhor maneira com o individuo Disléxico. Palavras Chaves: Dislexia; Professor; Diagnósticos; Sintomas; Alunos. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 8 1.1 Justificativa ......................................................................................................... 9 1.2 Objetivos ........................................................................................................... 11 1.2.1 Objetivo geral .................................................................................................. 11 1.2.2 Objetivos específicos ....................................................................................... 11 2. REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 12 2.1 Dislexia .............................................................................................................. 12 2.2 Classificações da Dislexia ............................................................................... 14 2.3 Sintomas da Dislexia ........................................................................................ 15 2.4 Tratamentos da Dislexia .................................................................................. 17 2.5 A resistência dos educadores em relação à Dislexia ................................... 18 2.6 A importância dos envolvidos no caso da Dislexia ...................................... 19 3 METODOLOGIA ................................................................................................... 26 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................... 28 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 31 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 32 ANEXO ..................................................................................................................... 34 8 1 INTRODUÇÃO As dificuldades de leitura e escrita no processo de aprendizagem é uma preocupação para o professor dentro da sala aula. Essas dificuldades podem ser decorrentes de transtornos do desenvolvimento, como é o caso da Dislexia. Esse transtorno não é muito comum, mas ainda assim é preocupante por que, dentre outros, não é todos que possuem um conhecimento de como lidar diante do diagnóstico feito pelo especialista. Este estudo tem como objetivo apresentar quais os possíveis indícios para que escola e professor tenham conhecimento sobre a Dislexia, podendo identificar os primeiros sintomas e traçar estratégias de ensino adequadas. Os sintomas mais frequentes que levam os professores a solicitarem um diagnóstico são: o aluno estar trocando algumas letras, apresentar dificuldades de ler frequentemente, começar a escrever espelhado, não conseguir falar o que se leu, talvez até consiga escrever, esquece muito rápido o que aprendeu, pode ser em até poucas horas. Esse quadro pode ser indício de dislexia. Ao detectar possíveis sintomas, cabe ao professor solicitar ao psicólogo uma avaliação, o que vai confirmar ou refutar a hipótese de um possível quadro de dislexia. Por isso que é de grande importância um pedagogo na escola para que esta criança seja acompanhada mais frequentemente, comece a fazer atividades que possam, cada vez mais, contribuir para o diagnóstico da dislexia e, assim, o professor trabalhe de maneira correta com o aluno a fim de que ele não fique muito prejudicado. Partindo desse contexto e sabendo da realidade educacional de hoje, que não apresenta psicólogo para atender as necessidades especificas desse grupo de crianças, surgiram algumas indagações que deram origem a esta pesquisa: ao descobrir crianças com dislexia nas escolas, como é realizado o trabalho pedagógico com esse grupo de alunos? Os professores estão preparados para auxiliar e conduzir o processo de ensino-aprendizagem com essas crianças? Como é a parceria com psicólogos e professores caso haja esse profissional na rede de ensino. 9 Tendo em vista tais questionamentos, esse estudo apresenta-se como relevante para o auxílio a professores e crianças disléxicas, levando a uma reflexão sobre o processo de ensino-aprendizagem direcionado a essas crianças. Os objetivos específicos deste trabalho são: identificar práticas pedagógicas com crianças disléxicas, investigar os métodos do professor ao suposto diagnostico de aluno com Dislexia, analisar o olhar do professor quanto às dificuldades do aluno no desenvolvimento de aprendizagem. 1.1 Justificativa Este estudo tem como pretensão realizar uma pesquisa para apresentar quais os possíveis indícios para que escola, professor, pedagogo e principalmente o psicopedagogo possam ter as primeiras descobertas que levantem a suspeita de o aluno ter dislexia, usando meios para identificar os primeiros sintomas e buscar compreender como é realizado o trabalho com crianças que apresentam tal transtorno no contexto escolar. O saber ler é uma das aprendizagens mais importantes, pois através do domínio deste, conseguimos dominar os outros saberes. A leitura e a escrita são formas de processos linguísticos. Saber ler e escrever é muito fácil para a maioria das pessoas. Quando o ato de ler e de escrever começa a apresentar muita dificuldade para alguns é algo a se preocupar, pois essas capacidades não desenvolvidas em tempo esperado, ou seja, estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, pode-se supor algum tipo de transtorno. Um desses transtornos que pode desencadear essas dificuldades é a dislexia. Há poucos anos, a origem desta dificuldade era desconhecida, era uma capacidade invisível. Nós últimos anos, os estudos realizados por neurocientistas, utilizando a Ressonância Magnética Funcional (FMRI) e observar o cérebro durante atividades de leitura e escrita. De acordo com Teles (2004), em 1896, Pringle Morgan descreveu o caso clínico de um jovem de 14 anos que, apesar de ser inteligente, tinha uma incapacidade quase absoluta em relação à linguagem escrita, que designou de “cegueira verbal”. Desde então, esta perturbação tem recebido diversas denominações: “cegueira verbal congênita”, “dislexia congênita”, “estrofossimbolia”, 10 “alexia do desenvolvimento”, “dislexia constitucional”, “parte do contínuo das perturbações de linguagem, caracterizadas por déficit no processamento verbal dos sons”. Nos anos 60, sob as influências psicodinâmicas, foram minimizados os aspectos biológicos da dislexia, atribuindo as dificuldades leitoras a problemas emocionais, afetivos e “imaturidade”. Em 1968, a Federação Mundial de Neurologia utilizou, pela primeira vez, a expressão “dislexia do desenvolvimento”, definindo-a como “um transtorno” que se manifesta por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar das crianças serem ensinadas com métodos de ensino convencionais, terem inteligência normal e oportunidades socioculturais adequadas. Em 1994, o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, DSMIV, inclui a dislexia nas perturbações de aprendizagem, utiliza a denominação “perturbação da leitura e da escrita”. Ao se tratar de um diagnóstico, há várias formas de se chegar nele, para se ter certeza do que se trata especificamente. Quando tratamos de crianças de 6 a 8 anos, podemos dizer que já sabe escrever, até mesmo ler, com poucas dificuldades. Os sintomas mais frequentes que levam os professores a solicitarem um diagnóstico são quando começa a perceber que o aluno esta trocando algumas letras, tem dificuldades de ler frequentemente, começa a escrever espelhado, não consegue falar o que se leu, talvez até consiga escrever, esquece muito rápido o que aprendeu, pode ser em até poucas horas. Esse quadro pode ser indício de dislexia. Ao detectar possíveis sintomas, cabe ao professor solicitar ao psicólogo uma avaliação, o que vai confirmar ou refutar a hipótese de um possível quadro de dislexia. Por isso que é de grande importância um psicólogo na escola, para que esta criança seja acompanhada mais frequentemente, comece a fazer atividades que possam cada vez mais ter a certeza da dislexia, para que o professor trabalhe de maneira correta com o aluno, a fim de que ele não fique muito prejudicado. Partindo desse contexto e sabendo da realidade educacional de hoje que não apresenta psicólogo para atender as necessidades específicas desse grupo de crianças, surgiram algumas indagações que deram origem a esta pesquisa: ao descobrir crianças com dislexia nas escolas, como é realizado o trabalho pedagógico com esse grupo de alunos? Os professores estão preparados para auxiliar e conduzir o processo de ensino-aprendizagem com essas crianças? Como 11 é a parceira com psicólogos e professores caso haja esse profissional na rede de ensino. Tendo em vista tais questionamentos, esse estudo apresenta-se como relevante por apresentar um olhar para crianças com dislexia, visando fazer uma reflexão sobre o processo de ensino-aprendizagem direcionado a essas crianças. 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Verificar quais fatores que levam os professores a suspeitar de crianças dislexia no contexto escolar. 1.2.2 Objetivos específicos a) Identificar práticas pedagógicas com crianças disléxicas; b) Investigar os métodos do professor ao suposto diagnóstico de um aluno com Dislexia; c) Analisar o olhar do professor quanto às dificuldades do aluno no desenvolvimento de aprendizagem. 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Dislexia A dislexia, palavra originada do grego “dis” (dificuldade) e “lexia” (linguagem), têm como característica principal as dificuldades na linguagem, sendo considerada um transtorno da leitura e da escrita. Trata-se de uma dificuldade de aprendizagem que não pode ser explicada por um retardo mental, nem por um déficit. E esse transtorno não ocorre especificamente em um município, sendo um problema mundial, como aponta Guckert (2008): A dislexia na verdade é um distúrbio na aquisição da leitura e escrita, seguramente não é um problema apenas de nosso município, região ou do nosso país, mas é um problema global, atinge pessoas em todos os países, numa proporção que varia de 6 à 15 % da população (GUCKERT, 2008, p. 81-90). “Esse transtorno foi descoberto em 1877, por Kussmaul, que inicialmente o denominou como “cegueira às palavras”, sendo estudado primeiramente pela ciência médica”. (BARROS, 2007, p.141). O primeiro caso de Dislexia foi relatado por um inglês, Pringle Morgan, em 1896. (BARROS, 2007). Morgan era oftalmologista e descreveu que, apesar do paciente apresentar fontes visuais, auditivas e motoras sem enfraquecimento, não conseguia desenvolver o processo de leitura e escrita. Assim, o paciente foi descrito por ele como um indivíduo com “inabilidade para ler”. Em 1900, outro oftalmologista inglês verificou um caso muito parecido com o de Pringle Morgan. Um menino, de onze anos de idade, com uma memória muito boa, inteligente como os seus irmãos, estava na escola há quatro anos e meio e não conseguia aprender a ler. Em 1917 ele preferiu chamar de “dislexia”, como afirma Barros (2007). Podem-se notar sintomas desse transtorno nos primeiros anos do Ensino Fundamental, uma vez que as crianças apresentam dificuldades na alfabetização, sendo mais frequente escrever espelhado, não conseguir escrever sobre as linhas do caderno e, ao ler, apresentar dificuldades por verem as letras embaralhadas, espelhadas, não conseguindo entender o que está escrito, como ressaltado por D`Affonseca (2008): 13 A dislexia torna-se evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Apesar de instrução convencional, adequada inteligência e oportunidade sociocultural e sem distúrbios cognitivos fundamentais, a criança falha no processo da aquisição da linguagem. Isto é, ela independe de causas intelectuais, emocionais ou culturais. Ela é hereditária e a incidência é maior em meninos proporção de 3/1, sendo que a ocorrência é de cerca de 10 % da população Mundial embora frequência altas de 20% a 30% tenham sido relatadas (HALLAHEN; KAUFFMAN apud D’AFFONSECA, 2008, p. 1). Como ressaltado por Guckert (2008), a dislexia, para a Linguística, não pode ser considerada como uma doença, e nem se pode assumir que esse transtorno possa vir a atrapalhar o futuro do disléxico, quando tratado a tempo. Como toda criança, o disléxico precisa de um apoio, de uma paciência maior, porém com métodos diferentes na didática, pois muitos sofrem, inclusive, pela falta de autoconfiança. O professor tem que ser o mais aplicado possível, tentando compreender sempre o seu aluno, estar sempre atento aos sinais demonstrado pelo disléxico, pois assim poderá ajudá-lo evitando repercussões maiores deste transtorno. Mesmo que um disléxico tenha grandes dificuldades para aprender a ler e escrever, isso não quer dizer que ele não possa ter um grande futuro pela frente. Temos muitos disléxicos que obteve sucesso, como Tom Cruise (ator), Walt Disney (fundador dos personagens e estúdios Disney), entre outros. Como foi dito por D`Affonseca (2008), a probabilidade dos disléxicos terem sucesso no futuro é até maior, por terem um grande interesse em querer aprender, querer vencer o transtorno: Alguns pesquisadores acreditam que pessoas disléxicas têm até uma maior possibilidade de serem bem sucedidas; acredita-se que a batalha inicial de disléxicos para aprender de maneira convencional estimula sua criatividade e desenvolve uma habilidade para lidar melhor com problemas e com stress. (D’AFFONSECA, 2008, p. 1). Os disléxicos processam informações em áreas diferentes no cérebro, embora sejam perfeitamente normais. De acordo com D`Affonseca (2008): Ao contrario de pessoas que não sofrem de dislexia, os disléxicos processam informações em uma área diferente de seu cérebro; embora os cérebros de disléxicos sejam perfeitamente normais. A dislexia parece resultar de falhas nas conexões cerebrais. Ou seja, uma criança aprende a ler e reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras e seus respectivos sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver; sua função é a de construir uma memória 14 permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. À medida que a criança progride no aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a dominar o processo e, consequentemente, a leitura passa a exigir menos esforço. O disléxico, entretanto, no processo de leitura recorre somente à área cerebral que processa fonemas. A consequência disso é que disléxico têm dificuldades em diferenciar fonemas de silabas, pois sua região cerebral responsável pela analise de palavras permanece inativa. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida (D’AFFONSECA, 2008, p. 1). 2.2 Classificações da Dislexia A Dislexia é classificada por três tipos, “dislexia adquirida”, “dislexia congênita ou inata” e “dislexia ocasional”. A Dislexia Adquirida é aquela em que a o individuo lia, escrevia normalmente, mas após algum acidente neurológico, a dislexia se manifesta como dito por Mochel e Gurgel (2012): Dislexia Adquirida é aquela que se manifesta após um acidente neurológico qualquer, dentre os quais se destacam: anóxia perinatal, anóxia por afogamento, acidente vascular cerebral. Algumas características desse tipo de dislexia são: individuo que antes lia e escrevia normalmente passa a ter períodos ou fases de dislexia, com falhas de memória e pode também apresentar problemas de lateralidade. (MOCHEL; GURGEL, 2012, p. 18). A Dislexia Congênita ou Inata, por sua vez, é aquela em que o individuo nasce com ela, não tem cura e, quando se aprende a escrever e a ler, ou esquece muito rápido, ou até mesmo não se lembra de nada que acabou de ler e escrever, como afirmam Mochel e Gurgel (2012): Dislexia Congênita ou Inata, incurável, é aquela que nasce com o individuo. E pode ter mais vaiadas causas orgânicas, como comprovada alteração hemisférica cerebral, em que os hemisférios encontram-se com tamanhos invertidos ou em tamanhos exatamente iguais, quando o considerado normal é que o esquerdo seja maior que o direito. Algumas características desse tipo de dislexia são: o individuo tem pouca ou nenhuma habilidade para a aquisição de leitura ou de escrita, geralmente não chega a ser alfabetizado e, quando o é, não consegue ler ou escrever por muito tempo e, quando termina de ler ou escrever, já não se lembra do que acabou de ler ou escrever. (MOCHEL; GURGEL, 2012, p. 18). Já a Dislexia Ocasional é aquela que é causada por fatores que aparecem ocasionalmente, por algum tipo de esgotamento, mas que após um repouso, ou até mesmo algum tratamento para o nervosismo, pode voltar à normalidade, como dito por Mochel e Gurgel (2012): 15 Dislexia Ocasional é a que é associada a (ou causada por) fatores externos e que aparecem ocasionalmente, como, por exemplo, esgotamento do sistema nervoso, estresse, excesso de atividades e, em alguns casos considerados raros, por TPM (Tensão Pré-menstrual) ou hipertensão. (MOCHEL; GURGEL, 2012, p. 18). 2.3 Sintomas da Dislexia Como destacado anteriormente, os principais sintomas da Dislexia, de acordo com Barros (2007), são: A) Inverter a ordem das letras. Por exemplo: rop ou pro, em vez de por; B) Trocas letras, pois confunde ao ouvir ta e da, ou fa e va etc; C) Nunca saber, com segurança, de que lado fica a parte redonda das letras d e b ou p e q. (“Fica do lado de cá ou do lado de lá?”) (Por ser mal lateralizado, o aluno sempre hesita em dizer esquerda ou direita.); D) Não distinguir o n do u por não saber, ao certo, distinguir a parte de cima da de baixo; E) Confundir o “m” e o “n” por serem parecidos, etc. Ainda, algumas crianças apresentam escrita invertida que é comumente chamada “escrita ao espelho”. (BARROS, 2007, p. 142). Geralmente, as crianças que estão começando a aprender a ler e escrever tem essas dificuldades, porém, com o passar do tempo, elas vão se superando. Por outro lado, o disléxico não: ou mantém essas dificuldades por muito tempo, ou até mesmo para vida toda. A leitura do disléxico pode ser bem penosa para ele, pela grande dificuldade por não ter ritmo, por saltar linhas e até mesmo parágrafos, trocar as sílabas, entre outros. Isso acaba não só atrapalhando a representação simbólica, mas, pelo repetitivo fracasso, atrapalha, também, as questões emocionais. Como ressaltado por Barros (2007): A leitura do disléxico pode manifestar-se entrecortada sem ritmo, repetitiva, com omissão e inversões de silabas. Devido à sua dificuldade na direcionalidade, a criança pode saltar linhas e, muitas vezes, até parágrafos. Os erros na leitura e escrita parecem resultar não apenas da própria dificuldade em lidar com símbolos, mas também de dificuldades emocionais que vão se acumulando pelos fracassos repetidos. A ansiedade intervém, em grau variável, nesses distúrbios. Por isso, a criança atrasada em leitura não gosta de ler nem de escrever, pois essas atividades representam um esforço sempre penoso. A incapacidade de lidar com símbolos, além de prejudicar a realização do aluno em leitura e escrita, interfere em outras áreas. (BARROS, 2007, p. 142). O estudo da dislexia ainda é recente, o que gera dificuldades para os professores, por muitas vezes não compreenderem e saberem lidar com o 16 transtorno, bem como para os profissionais da saúde, pela dificuldade no diagnóstico, no tratamento, entre outros. A busca de uma causa única tem trazido desapontamento para os pesquisadores, pois uns acham que o problema é deficiência na coordenação física, outros sugerem uma base química, tem um grupo que já acha que as dislexias surgem por um desequilíbrio hormonal, pois atinge mais meninos, outros, ainda, já relacionam a dislexia à alimentação (Barros, 2007). De acordo com Barros (2007): Psicanalistas sugerem que a dislexia resulta de uma dificuldade na sublimação de impulsos (maior nos meninos que nas meninas). Para eles, a leitura seria um meio de sublimação de impulsos. Alguns psicólogos relacionam a dislexia à falta de treinamento, na idade pré-escolar, ou à negligência dos pais etc. (BARROS, 2007, p.146). De acordo com Barros (2007), há varias soluções para tratamento da dislexia, pois são diversas as causas: Os que a relacionam à deficiência de coordenação física sugerem inúmeros exercícios, como pular corda, saltar de trampolins, jogar basquetebol, brincar em gangorra etc. Os proponentes de uma base química para a dislexia sugerem: cuidadosa supervisão da dieta, alimentos sem conservantes, doses maciças de vitaminas, tranquilizantes etc. Psicanalistas sugerem soluções que vão desde o aconselhamento individual e ludoterapia até análise da família. (BARROS, 2007, p.146). Como ressaltado por Barros (2007), a teoria e a prática demonstram que nenhuma técnica produzirá cura. Com a ajuda do especialista, a criança com o transtorno terá certo apoio para saber controlar o grau de dificuldade. De acordo com Barros (2007): O primeiro benefício que o disléxico recebe do especialista que cuidará da sua reeducação é o sentimento de que já não está só. Alguém compreende, enfim, que aquilo que a impede de aprender não é preguiça nem a falta de inteligência, mas um problema muito mais grave que a criança não consegue resolver sozinha. Essa pessoa especialista deve oferecer à criança, de preferência individualmente, um programa educacional que inclua um rol amplo de técnicas e experiências, utilizando todos os sentidos. (BARROS, 2007, p.146). Se alguns alunos não conseguem usar os canais comuns para processar símbolos, então, que entrem em ação outros canais, além da visão e da audição. 17 2.4 Tratamentos da Dislexia Um exercício recomendado por Lourenço Filho aos professores de crianças disléxicas é citado por Barros (2007, p. 146 e 147): Com os olhos vendados, fazer a criança passar o dedinho pela palavra (pá, pé, por exemplo), em letras recortadas em lixa ou com areia colada, em relevo, pronunciando ao mesmo tempo, dentro de um certo ritmo e distintamente, cada uma das silabas, sem levantar o dedo. Conhecer primeiro as palavras, como um todo, e depois os detalhes através do tato; só depois de bem reconhecidas, passar a visão das formas escritas no cartão ou quadro-negro. A criança deverá fazer com frequência exercícios de composição e de decomposição, de recortes, colagem, coloridos e massa plástica. (BARROS, 2007, p.146-147). É importante trabalhar com crianças disléxicas varias atividades pedagógicas, pois assim elas compreenderão que tem alternativas para aprender os símbolos. Barros (2007) cita um caso relatado por estudiosos desse problema: Durante três anos e meio, tentou-se todos os métodos possíveis, sem resultado, para ensinar leitura a um menino. Finalmente, enviado a uma escola de cegos, aprendeu o alfabeto Braille*, com facilidade, e logo tornouse capaz de escrever frases inteiras. Depois disso, transferiu para o domínio visual o que aprendera através do tato e superou a deficiência anterior para a palavra imprensa. (BARROS, 2007, p.147). De acordo com Teles (2004, p. 726): “Avaliar sem intervir não faz sentindo, porque não permite ultrapassar as dificuldades. Após a avaliação e com bases nos resultados obtidos são implementadas as medidas de intervenção adequadas a cada caso”. A intervenção, iniciada de forma precoce, é muito boa na aprendizagem da leitura. A identificação do problema, quando verificada em uma situação inicial, permite a sua resolução, como ressalta Teles (2004): A identificação e intervenção precoce são o segredo do sucesso na aprendizagem da leitura. A identificação de um problema é a chave que permite a sua resolução. Quanto mais cedo um problema for identificado mais rapidamente se pode obter ajuda. A identificação, sinalização e avaliação das crianças que evidenciaram sinais de futuras dificuldades antes do início da escolaridade permite a implementação precoce que irão prevenir ou minimizar o insucesso. (TELES, 2004, p. 427). Se as crianças apresentarem dificuldade no início da aprendizagem da leitura e escrita e não houver uma intervenção especializada o mais breve possível, dificilmente haverá uma recuperação na aprendizagem. 18 De acordo com o artigo de Deuschle e Cechella (2009): Uma intervenção bem sucedida depende de uma avaliação criteriosa e multidisciplinar (neurologia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia ou psicopedagogia). O processo de avaliação dos fatores cognitivoslinguísticos deve estar intimamente ligado aos modelos teóricos de aprendizagem da leitura. (DEUSCHELE; CECHELLA, 2009, p. 197). 2.5 A resistência dos educadores em relação à Dislexia Como já dito, os primeiros sintomas da Dislexia podem aparecer nos primeiros anos do Ensino Fundamental, pelo fato de que esses exigem mais da criança as habilidades de escrita e leitura. Por isso, a importância do professor estar sempre atento aos seus alunos, pois o diagnóstico precoce é sempre importante para o desenvolvimento da criança. Alguns professores ainda são resistentes em aceitar alunos com dislexia, por exigir mais do seu desempenho, do seu profissionalismo, mesmo sabendo que ao se formar como professor ele pode, sim, se deparar com várias dificuldades dentro de sala de aula. Barros (2007 p. 143) destaca, ainda, que: Embora haja conclusões de pesquisas já publicadas – com ampla variedade de documentos e relatos sobre problemas das pessoas disléxicas -, grande parte dos professores continua resistindo a admitir que alguns alunos sofrem, realmente, essa dificuldade em lidar com símbolos. Entre os Professores, há duas opiniões muito comuns, com relação ao aluno disléxico. Para alguns, a dislexia nada mais é que uma desculpa para a falta de vontade, como se o aluno não estivesse se aplicando bastante, ou fosse um preguiçoso. (BARROS, 2007, p. 143). Existem, entretanto, professores que se empenham por um desenvolvimento amplo de seu aluno; um ótimo exemplo foi ressaltado no filme “Como estrelas no céu: Toda criança é especial”. Ishaan, um menino com dificuldades na aprendizagem, é colocado em um internato por seu pai e lá ele começa a não ter mais sentido de querer viver como criança, sente muita falta da mãe e do irmão, até que um professor substituto de artes começa a perceber que havia algo de errado com aquele menino. Não demorou muito para que ele percebesse dislexia em Ishaan, o que levou a colocar em pratica uma forma de resgatar aquele garoto que havia perdido sua vontade de ser criança, de estudar, de crescer. As escolas têm que estar prontas para atender todos os tipos de dificuldades, pois elas, as escolas, foram feitas para todos, como apontado por Estill (2000 p. 62): 19 A escola é não só o lugar da aprendizagem acadêmica, mas também da aprendizagem de Vida. Sendo assim, deve haver lugar para todos, pois é somente através da convivência e aceitação entre as diferenças pessoais que aprenderemos a construir uma humanidade com valores de justiça e generosidade. A criança com dislexia também quer, e muito, aprender a ler como seus colegas. Ela poderá concretizar este desejo e necessidade, apesar de suas dificuldades, se encontrar acolhida e compreensão em sua vida familiar e escolar. (ESTILL, 2000, p.62). 2.6 A importância dos envolvidos no caso da Dislexia O professor tem um papel muito importante na vida de uma criança disléxica, ela tem que primeiro acreditar no seu potencial e acreditar que aquele aluno é capaz de ter uma boa aprendizagem. De acordo com Estill (2000) O papel fundamental do professor é acreditar e investir na sua capacidade de auxiliar, bem como na capacidade de seu aluno disléxico de ser auxiliado. O professor tem um papel importante e essencial neste momento, pois cabe a ele, percebendo as dificuldades desta criança, ajudar e incentivar este aluno, de modo que ele desperte como um leitor e não adormeça como alguém que fracassou, refugiando-se num falso sono, confundido com desinteresse, descaso, incompetência, irresponsabilidade, falta de atenção, falta de cuidados da família, e por aí seguem os “rótulos” que as pessoas vão agregando ao nome próprio desta criança. (ESTILL, 2000, p. 62-63). É importante também o papel da escola no desenvolvimento do aluno, uma vez que ela não pode obrigar o professor a exigir do aluno especial uma aprendizagem repentina sem considerar suas dificuldades na aprendizagem; ela deve estar pronta para amparar suas necessidades, como destaca Paludo e Bitencourt (2009): Para auxiliar o aluno disléxico em suas dificuldades, a escola deve atender e respeitar as capacidades e os limites da criança, estar informada, para que possa amparar a criança em sua dificuldade, e equipada para que o aluno se sinta um ser significativo. LIMA (2002) coloca que é função da escola ampliar a experiência humana, sendo que a escola não pode ser limitada ao que é significativo para o aluno, mas sim criar situações de ensino que ampliem a experiência e os seus campos de significação. (PALUDO; BITENCOURT, 2008, p. 40). Deve-se ressaltar ainda que o professor que se deparar com o disléxico dentro de sala de aula precisa se capacitar para poder acompanhar seu aluno da melhor forma possível, buscando sempre se informar sobre o transtorno, como foi dito por Paludo e Bitencourt (2009): 20 O professor deverá ser bem preparado por meio de capacitações, como também ser incentivado a pesquisar, para que na prática possa enfrentar as possíveis situações, e que possa ajudar tanto os alunos, em suas necessidades escolares, quanto aos seus familiares, garantindo-lhes o direito a informação e ao apoio. SANTOS (2007) afirma que para se trabalhar disléxica, o professor necessita ser capacitado e ter conhecimento acerca da Dislexia. Ele precisa saber o que é a dislexia, sua causa, bem como saber diagnosticá-la. Com essas informações o professor pode trabalhar com o aluno em sala de aula, não deixando que este se sinta excluído e com auto-estima baixa. (PALUDO; BITENCOURT, 2008, p. 40). As escolas têm que estar sempre alertas posto que a metodologia de ensino usada para os alunos da escola não pode ser a mesma para um disléxico, pois sua forma de aprender é diferente e tudo passa a ser uma forma de aprender diferente para os demais alunos da sala de aula, saber conviver com diversidade, por exemplo, de acordo com Paludo e Bitencourt (2009): As dificuldades apresentadas por alunos disléxicos não podem ser avaliadas como dificuldades gerais da sala de aula, pois cada indivíduo apresenta um desenvolvimento intelectual diferente, e, portanto, não podemos avaliar as crianças disléxicas com a mesma metodologia que utilizamos com alunos “normais”. A avaliação é um processo contínuo e permanente do desenvolvimento das competências e capacidades de cada aluno, observando-se as condições de aprendizagem que se dão antes, durante e depois da execução de cada atividade. O professor precisa estar preparado para o difícil trabalho de lidar com as desigualdades e ao mesmo tempo saber avaliar, pois toda a classe ganha experiência, e aprende a conviver com a diversidade, presente em todas as camadas da sociedade. (PALUDO; BITENCOURT, 2008, p. 41). É importante o trabalho da escola na inclusão dos alunos com deficiências, elas têm que estar aptas a receber e prontas para atender as necessidades da criança. Conhecer o máximo integralmente, considerando todos os aspectos. De acordo Araújo (2011): A ideia fundamental da inclusão é adaptar o sistema escolar às necessidades dos alunos. A inclusão se baseia em princípios tais como: a aceitação das diferenças individuais como um atributo e não como um obstáculo, a valorização da diversidade humana pela sua importância para o enriquecimento de todas as pessoas, o direito de pertencer e não de ficar de fora e o igual valor das minorias em comparação com a maioria. (ARAÚJO, 2011, p. 30-31). A diferença em se trabalhar em equipe é visto no desenvolvimento da criança disléxica, porque assim estará dando um apoio maior para ela na sua aprendizagem. Araújo (2011) destaca ainda a importância de se ter uma equipe de apoio juntamente com a sala de recursos: 21 Importante salientar a necessidade de flexibilizar o currículo e o planejamento de forma a possibilitar a aprendizagem do aluno com dislexia, proporcionando o desenvolvimento de habilidades para que ele possa lidar com as dificuldades. Por isso a importância de um trabalho conjunto com os profissionais da sala de recursos e da equipe de apoio a aprendizagem, de forma a estabelecer estratégias que propiciem o desempenho das funções de leitura e escrita, proporcionando o aluno disléxico a autoestima e a confiança. (ARAÚJO, 2011, p. 30-31). A família tem, ainda, um papel fundamental no processo de aprendizagem da criança, pois juntamente com a equipe da escola, eles poderão estabelecer horários e compromisso com a criança, sem desenvolver problemas emocionais, como dito por Araújo (2011): A família também deve ser um fator decisivo no processo de inclusão do aluno com dislexia, pois, em parceria com o professor, formularam estratégias que facilitem a aprendizagem do aluno como, por exemplo, estabelecimento de horário para as atividades do dia-a-dia; ajuda na organização do material escolar e das roupas; não expô-las a pressão de tempo ou competição para não desenvolver angustia e nem possíveis problemas emocionais. (ARAÚJO, 2011, p. 33). É preciso trabalhar a inclusão do aluno com dislexia dentro de sala de aula, como uma pessoa normal como as outras, porquanto assim ele terá condições de uma educação formal, como dito por Araújo (2011): O aluno será incluído, efetivamente, dentro da sala de aula, como alguém responsável e competente e, na sociedade também, pois a reabilitação da leitura dará a ele, condições de adquirir a educação formal para o conhecimento de si mesmo e do mundo que o cerca. (ARAÚJO, 2011, p. 33). As escolas precisam estar organizadas para mostrar ao aluno Disléxico que ele é capaz de aprender, mesmo que seja no seu ritmo. Por isso, é importante trabalhar em forma de grupos de leitura, para assim dar um incentivo maior a eles, de acordo com Araújo (2011): As crianças disléxicas precisam que as escolas estejam organizadas de forma a permitir e encorajar que elas aprendam e progridem, em seus próprios ritmos. Para Valett (1989), o agrupamento tradicional baseado em idade é prejudicial para crianças disléxicas, por isso o autor enfatiza que o agrupamento de realizações desenvolvimentista em leitura é essencial para crianças disléxicas e deveriam ser exigidos em todas as escolas. (ARAÚJO, 2011, p. 36). Infelizmente, as escolas públicas estão devagar nas mudanças, de aprendizagem dos alunos. É importante que os pais e a equipe aumentem os seus 22 esforços para uma melhoria na educação dos disléxicos, garantindo apoio de um especialista para ela, como foi dito por Araújo (2011): A maioria das escolas públicas são lentas na mudança, a elas falta inovação e permanecem bem atrás de qualquer entidade particular. Pais, direção e professores precisam aumentar seus esforços cooperativos para instituir novos sistemas de educação nos quais todas as crianças possam conquistar progressos contínuos em seus próprios ritmos de aprendizagem e na qual crianças disléxicas recebam educação de qualidade. (ARAÚJO, 2011, p. 36). Os professores devem ter um plano individual para o disléxico, para que ele atenda as necessidades do aluno. E todos que convivem com o Disléxico têm que conhecer esse plano para que não se exija muito mais professor, devem trabalhar em equipe para um melhor aprendizado da criança. Como aponta Araújo (2011): Valett (1989) sugere que os professores tenham um Plano Individual projetado para atender as necessidades das crianças disléxicas e esse plano deve incluir objetos instrucionais e estratégias de aprendizagem, Todos os profissionais envolvidos com a criança disléxica, assim como os pais, necessitam conhecer esse plano, “Os objetivos individuais de aprendizagem precisam ser reavaliados periodicamente e revisados, As escolas devem ser responsabilizadas pro proporcionar educação apropriada para as crianças disléxicas”. (ARAÚJO, 2011, p. 36-37). Geralmente, os primeiros diagnósticos da dislexia são observados pelo professor de série inicial pelo fato de eles começarem a trabalhar com a leitura e escrita. O professor tem um papel muito importante neste diagnóstico, pois é ele quem irá alertar os pais do seu suposto problema, assim trabalhará juntamente com a equipe da escola de como orientar a família e sensibilizá-la das dificuldades que a criança apresenta, assim incentivando o encaminhamento para especialistas. Como foi citado por Siqueira et al (2010): É necessário em primeiro lugar, sensibilizar a família para as dificuldades apresentadas pela criança, mostrando que é necessária a busca de profissionais especializados. O diagnostico correto é essencial na escolha do tratamento adequado e efetivo. Em muitos casos, são necessários a avaliação e acompanhamento por uma esquipe multidisciplinar, o que pode causar custos, bem como certo desconforto para a família e a criança; mas, seguramente haverá benefícios a curto e longo prazo para o processo de aprendizagem e qualidade de vida da criança. É também fundamental reforçar a necessidade do apoio familiar como condição para o pleno desenvolvimento da criança. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 11-12). São importantes todos os tipos de apoio ao professor também, eles precisam estar sempre abertos a qualquer forma de ensino, de ajuda, para poder dar a 23 atenção necessária ao aluno e Siqueira, etal aponta algumas dicas ao professor (2010): -Ter um conhecimento científico sobre o problema para melhor entender suas dificuldades. Procurar fontes de informação com base em evidencia cientifica é fundamental. -Colocar a criança com dificuldades sentada próximo à mesa de trabalho do professor, para que assim seja possível prestar mais ajuda quando necessário. -Certificar-se de que o aluno compreendeu o material escrito recebido. -Oferecer instruções tanto oralmente quanto por escrito, se necessário. -Reformular questões de provas ou testes em uma linguagem mais simples se necessário. Em determinados casos, devem-se fazer provas orais. -Incentivar o aluno a ler e a participar das aulas. -Sublinhar ou destacar a parte do texto mais importante para sua compreensão. -Ensinar a realizar resumos e sínteses, que ajudem na aquisição do conteúdo da matéria. -Corrigir todos os erros ortográficos da prova escrita do aluno, explicando onde esta o erro. Não solicitar que a faca novamente por estar mal feita. Valorizar o conteúdo e a forma escrita dos trabalhos. -Permitir o uso de dicionário para correção de erros ortográficos. -Não apressar a criança para terminar as tarefas. As atividades de leituras orais e de escritas serão executadas de forma lentificada. -Permitir o uso de fichas ou esboços preparados ara pré-leitura, organização e revisão do material do texto. -Elevar a autoestimas dessas crianças, valorizando o seu esforço, suas qualidades e pontos fortes, é fundamental. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 1314). O professor deve saber trabalhar com algumas didáticas com os alunos e que estas desenvolvam leitores disléxicos: Existem algumas atividades que podem ser utilizadas e que ajudam a complementar o trabalho da equipe multidisciplinar: -Programas estruturados já disponíveis ajudam e norteiam as atividades de treinamento do leitor disléxicas. É importante observar que atualmente todas as evidências apontam para os métodos didáticos que combinam instruções da leitura com treinamento da consciência fonológica. -Encorajar a criança a usar todas as estratégias nas atividades a serem desenvolvidas para o treino da leitura é fundamental em qualquer atividade a ser abordada com leitores disléxicos. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 13-14). Atitudes que podem ajudar o professor dos alunos disléxicos com dificuldades na leitura são ressaltadas por Siqueira, et al (2010): Proporcionar a prática repetitiva de pequenos grupos de palavras, que sejam lidas com fluência. Iniciar com palavras de uso mais corriqueiro e do “mundo da criança”. Proporcionar leitura de livros e historias que possam ampliar o vocabulário da criança, a partir das palavras já treinadas. Estimular, a partir do treino de grupos de palavras, a leitura em voz alta. Importante incentivar a criança e não coloca-la em situações constrangedora. 24 Proporcionar leitura de poesias curtas e com rimas que melhoram a fluência e a expressividade. Organizar “Festa da poesia” para a qual, com antecedência, as crianças selecionam um poema, e praticam sua leitura repetidamente. Realizar pequenas encenações de peças, nas quais o aluno terá condições de realizar leituras dramáticas, que incentivam e melhoram a fluência. Ex.: “Teatro do Leitor”. Promover aulas de musica, em que as letras são lidas e cantadas por vários dias seguidos, como em ensaio, e posteriormente podem ser culminadas em uma apresentação em coral. Realizar atividades de praticas diárias de leitura oral de 5 a 6 minutos, durante todo o ano letivo. Ex.: leitura de cartas, palavras, frases, passagens. Lembrar que estratégias como analisar com antecedência, rever e discutir o conteúdo a ser lido, são fundamentais para a participação ativa do aluno na turma a que pertence. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 14-15). O professor precisa ter um contato maior com os familiares para que ele possa instruí-los como se trabalhar com a criança em casa, como apontam Siqueira, et al (2010): A abordagem inicial com os responsáveis pela criança deve ser feita de forma reservada. Evitar exposição das dificuldades em locais públicos e de forma informal, Tal atitude visa à preservação da própria criança e família. Esse contato deve ser feito com a presença do professor e, se possível, também do coordenador pedagógico e registrado em ata. A linguagem com os pais deve ser clara, sem uso de pejorativos (“preguiçoso”, “malandro”). Nessas ocasiões, devem-se ressaltar as habilidades da criança e pontuar as questões que preocupam os profissionais. Deve-se enfatizar com os responsáveis a necessidade de encaminhamento para especialistas para se determinar o diagnostico correto. É interessante que a escola faça um relatório detalhado sobre a aprendizagem e comportamento da criança, para apresentar ao especialista. A troca de informações entre os responsáveis e a escola é essencial e de grande valia para se entender o que esta ocorrendo no mundo da criança. Procurar envolver os pais, incentivando-os a uma maior participação nas atividades escolares e extraclasse de seu filho. Dar aos pais informações sobre a melhor maneira de ajudar o filho nos deveres de casa – organizar material, priorizar atividades, evitar tempos excessivos de deveres. (dividir tarefas longas é uma excelente estratégia). O local de estudo deve ser tranquilo preferencialmente, e os pais devem atuar como mediadores incentivando a independência e participação ativa da criança. Tentar orientar e tranquilizar os responsáveis quanto ao rendimento escolar do filho, e mostrar que a ação conjunta será a melhor forma de ajuda-lo. O contato com a família deve ser mantido através de reuniões periódicas, registrando a evolução da criança e os pontos a serem trabalhados pela escola e família. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 15-16). A família tem um papel importante também para o desenvolvimento da aprendizagem do aluno, pois o aluno terá suas Tarefas de Casa como os outros e ele contará com a ajuda da família. Siqueira, et al (2010), aponta algumas atividades que podem ser desenvolvidas pelos pais envolvidos no tratamento: 25 Usar a técnicas de leitura em pares: os pais leem uma breve historia para seu filho e, a seguir, pai e filho leem a mesma passagem juntos algumas vezes. A criança lê uma historia e, em seguida, escuta-a em uma gravação para depois ler em voz alta por duas ou três vezes. Incentivar a leitura oral repetida e orientada, de ficção, poesia, dramas e palavras isoladas. Proporcionar a aquisição de livros para serem lidos nas férias, de forma lúdica e interessante. A leitura de gibis e revistas próprias para a idade são fontes de prazer para as crianças e ajudam tornar a leitura um hábito. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 16). O professor precisa trabalhar muito o seu contato com a criança disléxica também, essa é uma das coisas mais importantes no tratamento e Siqueira, et al. (2010) ressalta algumas dicas: A criança deve ser informada em linguagem apropriada, de forma que entenda sobre as suas dificuldades. De preferência, a primeira abordagem deve ser feita junto com a família. Devem-se enfatizar sempre as habilidades dessa criança – o que ela tem de bom? Em que ela se destaca? Quais são os seus interesses? As dificuldades devem ser trabalhadas e não exaltadas! Trabalhar a autoestima é imprescindível. Muitas dessas crianças desenvolvem sentimentos de baixa valia devido ao seu mau desempenho em atividades escolares. Incentivar o gosto pela leitura. Iniciar com livros com assuntos de interesse e com o grau de dificuldade em que a criança se encontra. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 16-17). 26 3 METODOLOGIA O objetivo maior dessa pesquisa era verificar quais os fatores que levam o professor a suspeitar que a criança tenha dislexia no contexto escolar. Através da suspeita do professor, ele poderá encaminhar a criança para um especialista, psicólogo ou até mesmo o psicopedagogo, que irá confirmar a dislexia e dará todo um acompanhamento. É importante ressaltar que o professor precisa estar sempre atento aos seus alunos dentro de sala de aula e, caso haja em um aluno algum tipo de dificuldade que os outros restantes da turma não têm, ou algo que o professor percebe que não é uma dificuldade “comum” dentro de sala, é preciso começar a observar mais aquele aluno e, quando necessário, encaminhar o caso para um especialista. Assim, na presente pesquisa realizou-se um estudo qualitativo em que se buscou obter resultados aprofundados através da averiguação com uma pessoa. O trabalho iniciou-se com uma pesquisa bibliográfica. Realizar uma pesquisa bibliográfica faz parte do cotidiano de todos os estudantes e pesquisadores. É uma das tarefas que mais impulsionam no aprendizado. As pesquisas são feitas com contextos específicos, ou seja: por assuntos, autores, período de tempo. De acordo com Gil (1999): A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros artigos científico. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas, assim como certo número de pesquisar desenvolvidas a partir da técnica de analise de conteúdo. A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômeno muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Esta vantagem se torna particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. (GIL, 1999, p. 65). Posteriormente, foi realizada uma entrevista com o participante. A entrevista é uma das opções de coleta de dados qualitativos e é indicada para o levantamento de experiências. Será uma entrevista informal, de acordo com GIL (1999, p. 119): Este tipo de entrevista é o menos estruturado possível e só se distingue da simples conversação porque tem como objetivo básico a coleta de dados. O que se pretende com entrevista deste tipo é a obtenção de uma visão geral do problema pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da 27 personalidade. A entrevista informal é recomendada nos estudos exploratórios, que visam abordar realidade pouco conhecidas pelo pesquisador, ou então oferecer visão aproximativa do problema pesquisado. (GIL, 1999, p. 119). A entrevista ocorreu com uma professora que já teve alunos com dislexia e que atua em uma escola Particular da cidade de Pará de Minas, MG. Tal professora começou a prestar atenção em um aluno de sua sala e pôde ajudá-lo com suas suspeitas de que havia algo. Essa criança hoje frequenta o 5° ano da mesma escola e está tendo um rendimento bem melhor. Delimitando um estudo de caso, o enfoque dessa metodologia foi investigar os métodos para se diagnosticar um aluno com a dislexia, puderam-se identificar as práticas pedagógicas que ajudaram o aluno, estudando alternativas adequadas e analisar as dificuldades do aluno no seu desenvolvimento na aprendizagem. 28 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O questionário foi respondido por uma professora de um Colégio particular, que é formada em Letras e atua na área da educação há 18 anos. Em 2013 está atuando no segundo ano do Ensino Fundamental. A professora afirmou que teve um aluno com diagnóstico de Dislexia quando lecionava no terceiro ano do Ensino Fundamental. Hoje possui outro aluno Disléxico. Destacou que foi ela quem suspeitou do diagnostico do Transtorno no primeiro caso, pois sentiu que seu aluno estava com grande dificuldade na leitura, na escrita, trocava as letras, não associava os fonemas às letras e não conseguia interpretar os textos. De acordo com Siqueira, Lodi, Alves e Mangelli (2010), os principais sinais e sintomas encontrados nos transtornos de aprendizagem e dislexia são: 1. Leitura e escrita, muitas vezes, incompreensíveis. 2. Escrita em espelho após 6-7 anos. 3. Confusão de letras, diferentes orientações ou pequenas diferenças na grafia (p/b – b/d – c/e – u/v – i/j – n/u) ou sons semelhantes (b/p – d/t). 4. Não interpretação da leitura. 5. Inversões de silabas ou palavras, par/pra – lata/alta. 6. Substituições de palavras com estruturas semelhantes contribuiu/construiu. 7. Supressão ou adição de letras ou de silabas gainha/galinha – ponte/pote. 8. Repetição de silabas ou palavras. 9. Fragmentação incorreta voubrin caramanhã/vou brincar amanhã. 10. Confusão em relação temporo-espaciais, esquema corporal e lateralidade (não reconhece direito e esquerdo). 11. Dificuldade de realizar rimas após 4 anos. 12. Dificuldade em aprender letra-som. 13. Dificuldade em provas de consciência fonológica e imaturidade fonológica. 14. Antecedente familiar de transtorno do déficit de atenção/hiperatividade e/ou transtorno de aprendizagem. 15. É comum associação de transtorno especifico de leitura (dislexia) com outros transtornos de aprendizagem como disgrafia e discalculia. A disostografia geralmente está associada à dislexia. (SIQUEIRA et al., 2010,p. 9). Dessa forma, verifica-se que a professora tinha conhecimento sobre a dislexia e soube reconhecer os sintomas mais comuns. Como ressaltado por Rodrigues (2008), os professores com sua formação não tem embasamento para tratar do assunto. O problema que motivou este estudo foi a falta de conhecimento dos professores sobre a dislexia. As hipóteses foram: ausência da disciplina no curso de formação, falta de formação continuada e carência de recursos didáticos. 29 A professora também afirmou que, diante do suposto diagnostico, a sua primeira reação foi informar à coordenação da escola, chamando os pais para que fosse feita uma avaliação com o fonoaudiólogo, oftalmologista e neurologista para tirar as duvidas. Segundo Siqueira, et al (2010): Os transtornos de aprendizagem envolvem fatores fisiológicos neurológicos e cognitivos; portanto, exigem o trabalho de uma equipe multidisciplinar especializada. A equipe multidisciplinar deve contar com: Médico (pediatra, neurologista ou psiquiatra) – fundamental para descartar outras causas de déficit na aprendizagem e auxiliar no entendimento neurocientífico e no diagnostico dos distúrbios/transtornos de aprendizagem; Neuropsicólogo – fundamental no conhecimento do potencial de cada criança. Através de testes padronizados e individualizados, qualifica e quantifica o nível de inteligência e funções executivas (atenção, memória, planejamento, organização, habilidade visomotora, etc). Tais testes devem ser aplicados por profissional capacitado a lidar com crianças (“um cérebro em desenvolvimento”); Fonoaudiólogo – fundamental na avaliação da linguagem oral e na leitura e escrita. É capaz de avaliar os processos de leitura (decodificação e compreensão) e traçar um plano terapêutico adequado; Pedagogo – fundamental na avaliação pedagógica e acadêmica da criança. (SIQUEIRA et al., 2010, p. 8). Percebe-se que a professora teve uma atitude bastante prudente na suspeita do transtorno. Quando não há o diagnóstico e as intervenções adequadas, crianças com dislexia podem acabar se desmotivando e desistindo dos estudos. Conforme explica Rodrigues (2008), os professores de maneira geral ainda não estão preparados para lidar com estes alunos, que abandonam a sala de aula por ser motivo de criticas dos colegas pelo fato de os professores não terem metodologia adequada para trabalhar com esses alunos e eles são tidos como os "palhaços" os "bobinhos" que não sabem nada. A professora também afirmou que os conhecimentos que ela tinha sobre o Transtorno eram baseados em textos que ela havia lido na internet. De acordo com Ferreira (2011), a graduação não tem formação necessária para realizar o diagnostico, por isso a importância da especialização. Porém, um dos maiores problemas encontrados é que os professores do ensino fundamental não têm a formação precisa na graduação para realizar o diagnóstico desse distúrbio de aprendizagem. Por isso, devem especializar-se para evitar que o aluno sofra discriminação na vida escolar e receba um acompanhamento adequado. A sua forma de trabalhar com o Disléxico foi dar um tempo maior para que ele fizesse as devidas atividades e depois ela refazia as mesmas atividades com o aluno, porém oralmente, e avaliava. Já com a leitura, ela trabalha com textos mais 30 fáceis, versos, na qual era mais repetitivo, para que assim ele conseguisse ler, sem nenhum constrangimento, e sempre fazia leitura coletiva. Em relação à família, a professora destacou que eles ficaram preocupados com o diagnóstico, o pai não aceitou, porém a mãe sem entender do que se tratava, empenhou a pesquisar e estudar o transtorno, não recusou levar o filho para fazer as avaliações com os profissionais indicados, estava sempre à disposição de qualquer necessidade que seu filho precisasse. O trabalho da mãe seria convencer o pai a aceitar o transtorno do filho para que o tratamento tivesse êxito, não só o pai, mas todos que conviviam com a criança e assim pudessem ter melhores resultados. Na opinião da educadora, as escolas não estão aptas para receberem um Disléxico e professores estão sujeitos a se depararem com um disléxico em sala de aula. É necessário que haja capacitações para que possam reconhecer, identificar, encaminhar e atuar com os alunos. De acordo com Estill (2000, p. 63): “Muitas vezes o professor não consegue orientar adequadamente o aluno e sua família porque desconhece que a dislexia é um transtorno específico da linguagem escrita — nasce-se disléxico”. A professora afirma que o aluno Disléxico terá uma vida normal, poderá ser um bom profissional, pois com a ajuda do educador, de um profissional indicado e com o apoio dos pais, principalmente na fase introdutória, nada irá impedir o disléxico de buscar uma carreira profissional. Quando ela descobriu que tinha um Disléxico dentro da sua sala, procurou mais informação do Transtorno, através de textos, pesquisas na internet e com a Psicóloga da escola. Ela deixa claro que não sabe se seus conhecimentos são suficientes para realizar intervenções apropriadas, mas pela pouca experiência que tem, acha que a dislexia não necessita de um método de ensino, e sim de procedimentos adequados as suas necessidades especificas. 31 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com este trabalho constatou-se que a Dislexia não é uma doença incurável, e sim um Transtorno entre crianças e precisa ser diagnosticada a tempo para que seja tratada e para que a criança possa ter uma vida normal. Nota-se também que as escolas precisam ser preparadas para receber um Disléxico, pois a equipe tem um papel fundamental para o sucesso no tratamento da Dislexia. Diante de toda a literatura consultada e dos questionários realizados com a professora, podemos concluir que a Dislexia pode ser tratada e o que falta é uma conscientização dos educadores em relação ao transtorno. Pode-se dizer que, quando se aceita o problema, o tratamento é uma questão de acompanhamento. É necessário que haja uma especialização sobre o Transtorno para que o professor possa estar por dentro deste, ou que dentro da graduação haja uma disciplina para estudar a Dislexia. É importante ressaltar também que não se pode generalizar o desconhecimento para tal caso, pois com a entrevista feita, pôde-se perceber que mesmo sem ter uma especialização, a professora constatou e lidou com seu aluno em sala de aula, mas com suas dificuldades e com a ajuda da psicóloga da escola. Existem professores que estudam para educar e ajudar o aluno, mas existem professores que simplesmente querem um diploma e podemos perceber que esses não irão se empenhar nas dificuldades da criança. 32 REFERÊNCIAS ARAÚJO, Mariene de Sousa. Implicação do diagnostico tardio no processo de ensino aprendizagem para os alunos com dislexia. Brasília, 2011. Disponível em: <http://bdm.bce.unb.br/bitstream/10483/2557/1/2011_MarienedeSousaAraujo.pdf>. Acesso em: 7 mai. 2013. BARROS, Célia Silva Guimarães. Pontos de Psicologia escolar. São Paulo: Ática, 2007. D’AFFONSECA, Sabrina. Dislexia: Compreendendo a Dislexia. Disponível em: <http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/disturbios.htm>. Acesso em: 18 fev. 2013. DEUSCHLE, Vanessa Panda, CECHELLA, Cláudia. O Déficit em Consciência Fonológica e sua relação com a Dislexia: Diagnóstico e Intervenção. Rev. CEFAC, v. 11, Supl. 2, p. 194-200, 2009. ESTILL, Clélia Argolo. Dislexia em sala de aula: O papel fundamental do professor. Disponível em: >http://www.sinprorio.org.br/download/revista/revistadificuldades.pdf#page=62>. Acesso em: 7 mai. 2013. FERREIRA, Sandra Freitas. A atuação do pedagogo com alunos com distúrbios de aprendizagem relacionados à leitura e à escrita. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/a-atuacao-do-pedagogo-com-alunos-comdisturbios-de-aprendizagem-relacionados-a-leitura-e-a-escrita/60906/>. Acesso em: 31 mai. 2013. GILL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999. GUCKERT, Liane Sofia; FÁVERI, José Ernesto. A Dislexia nas séries iniciais: Estratégia e atividades de superação. Revista Caminhos, v. 9, p. 81-90, 2008. MOCHEL, Anna Gomide; GURGEL, Wildoberto Batista. Escolarização, avaliação psicopedagogia e dislexia: os impactos e a importância da avaliação psicopedagogia a partir de um estudo de caso sobre dislexia. Disponível em: <http://www.pppg.ufma.br/cadernosdepesquisa/uploads/files/Artigo%202(41).pdf>. Acesso em: 20 fev. 2013. 33 PALUDO, Marisa Kuhn; BITENCOURT, Maria das Graças. Dislexia: Dificuldade de aprendizagem e o papel da escola. Rev Científica Multidisciplinar UNIMEO, n. 2, 39-42, 2009. Disponível em: <http://www.ctesop.com.br/revista/edicao2009/files/manual%20unimeo%202010%20 revisado.pdf#page=39>. Acesso em: 6 mai. 2013. RODRIGUES, Maria. Dislexia: Distúrbio de aprendizagem da leitura e escrita no ensino fundamental. Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/dislexiadisturbio-de-aprendizagem-da-leitura-e-escrita-no-ensino-fundamental/5551/>. Acesso em: 31 mai. 2013. SIQUEIRA, Cláudia Machado et al. Dislexia. Minas Gerais: Letra, 2010. TELES, Paula. Dislexia: Como Identificar? Como Intervir? Disponível em: <http://www.pt.scribd.com/doc/2683714/-Dislexia-como-Identificar-e-Intervir>. Acesso em: 10 set. 2012. 34 ANEXO A - QUESTIONÁRIO: FATORES QUE DESPERTAM O OLHAR DO PROFESSOR PARA SUPOSTO DIAGNOSTICO DE DISLEXIA ENTRE CRIANÇAS DE 6 A 8 ANOS Prezado (a) Professor (a) Como formanda do curso de Pedagogia da FAPAM, venho solicitar o preenchimento deste questionário, como uma etapa metodológica para a obtenção dos dados para minha monografia, que tem como objeto de estudo a “Dislexia”. Pela atenção, antecipo os agradecimentos. Entrevistado (a): Função: Há quanto tempo exerce esta função: Qual a formação acadêmica: Em que série (s) ou ano (s) trabalha em 2013: 1. Você já lecionou para alunos com suspeita/ diagnóstico de Dislexia? Em qual serie? 2. Quais foram os primeiros sintomas que fizeram você suspeitar da Dislexia? 3. Diante da sua suspeita/ diagnóstico, qual foi sua primeira reação? 4. Você tinha conhecimento do Transtorno de aprendizagem da Dislexia? 5. Quais foram às formas de trabalho pedagógico que você utilizou para um rendimento maior do seu aluno? 6. Em relação à família do aluno, qual foi a reação deles com o diagnostico? 7. Em sua opinião, as escolas estão aptas a receberem crianças Disléxicas? 8. Em sua opinião, o aluno com Dislexia será capaz de se desenvolver normalmente, ter uma boa profissão, entre outros? 35 9. Quando você descobriu que seu aluno era Disléxico, você fez algum tipo de Capacitação para saber como lidar com ele? 10. Você acha que seu conhecimento sobre Dislexia é suficiente para realizar intervenções apropriadas com os alunos Disléxicos?