ESTRUTURA ECONÔMICA E TECNOLÓGICA DO COMÉRCIO
ESTRUTURA ECONÔMICA E
TECNOLÓGICA DO COMÉRCIO
VAGNER DE CARVALHO BESSA
Geógrafo, Analista da Fundação Seade
MARIA ELENA TURPIN
Engenheira Agrônoma, Analista da Fundação Seade
MAURO SINDER
Economista, Consultor da Fundação Seade
A
estrutura comercial no Estado de São Paulo é
marcada por sua grande heterogeneidade, sua
necessária dependência do conjunto de bens disponíveis para revenda e da massa de rendimento disponível para os consumidores bem como pelo tipo de acesso e
volumes de crédito disponíveis. Além disso, do mesmo
modo que as demais atividades econômicas, o comércio
tem passado por importantes transformações nos últimos
anos.
Dado que este processo ocorre de forma diferenciada
ao longo do tempo, vale uma breve síntese da evolução
da atividade comercial no Estado de São Paulo. Até a
década de 30, aproximadamente, o comércio reproduziu
os padrões de funcionamento típicos de uma sociedade
primário-exportadora, em que os segmentos comerciais
mais importantes eram os entrepostos de intermediação
atacadista ligados ao abastecimento do mercado interno
ou aos capitais mercantis exportadores. No contexto de
uma urbanização ainda incipiente, o comércio varejista
apresenta-se pouco diversificado, dividido entre as sofisticadas lojas de importados no centro da cidade e uma
grande e dispersa soma de pequenas unidades de revenda
(empórios, mercearias, quitandas, feiras-livres, etc.).
No curso dos anos 40 a 60, o crescimento da indústria
brasileira, concentrada em São Paulo, e a difusão dos modernos padrões de consumo de uma sociedade de massas
que se urbanizava rapidamente estimularam a diversificação da atividade comercial. A industrialização, além de
promover o crescimento da massa de rendimentos, com a
expansão do emprego na própria indústria e nos serviços,
aumentou a escala de produção local de duráveis e de pro-
dutos alimentares industrializados, permitindo a substituição de produtos importados e tornando acessível aos
assalariados um conjunto de bens antes restritos ao consumo das classes de renda mais altas.
Com a regulamentação das organizações especializadas no crédito ao consumidor, através da reforma do sistema financeiro em 1967, estavam dadas as condições
econômicas necessárias para a generalização do estilo de
vida das classes médias e para o desenvolvimento dos
canais de intermediação comercial ligados ao consumo
de automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos. Mas somente na década de 70 constituiu-se um mercado de bens
culturais que possibilitou a homogeneização dos padrões de
consumo induzidos pela televisão, pelas indústrias editorial, fonográfica e cinematográfica e pela publicidade.
Já nos anos 80, em que pese o movimento errático da
economia e os problemas crônicos relacionados ao controle inflacionário, registrou-se o avanço de grupos de
empresas comerciais capazes de administrar favoravelmente a gestão dos estoques e, sobretudo, dos ativos financeiros. Por outro lado, a expansão dos mercados de
aplicações permitiu um maior acesso às famílias, que
passaram a auferir “ganhos rentistas”1 e a incrementar seus
gastos, o que proporcionou o crescimento das empresas
presentes nos seus canais de consumo. Isto levou a uma
série de inovações comerciais, tais como a expansão dos
shopping centers, moldada pela necessidade de “segurança” e identificação social das classes médias.
Depois de um período de crise em seus anos iniciais, a
década de 90 foi marcada pela abertura econômica e a
relativa estabilidade monetária, levando as empresas a um
103
SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 13(1-2) 1999
A partir deste quadro de transformações, este artigo
tem por objetivo discutir as principais características do
comércio varejista no Estado e o processo de modernização que vem ocorrendo neste setor, nos anos 90, tendo
como base informações da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – Paep, referentes a 1996.
realinhamento das estratégias empresariais, até então fortemente amparadas pelos repasses de custos aos preços e
níveis de rentabilidade elevados, decorrentes da especulação financeira em um cenário inflacionário. Com o acirramento da competição, as estratégias comerciais antes
limitadas à tradicional “guerra de preços” passam a ser
incrementadas pela busca de eficiência e novos serviços
ao consumidor: cresce o número de empresas especializadas em vendas pela Internet e ampliam-se as possibilidades de pagamento através da transferência eletrônica
de fundos (cheques eletrônicos). Desde a implantação do
Código de Defesa do Consumidor, o atendimento passa
a ser importante diferencial, requerendo das empresas a
ampliação dos serviços tradicionais (balcão de reclamações, atendimento por telefone, estacionamento, entrega
em domicílio, etc.), além de outros, como os comitês de
clientes e a criação do cargo de ombudsman, que constituem importantes novidades.
A partir do crescimento das importações, com a oferta
de novos produtos e marcas a preços mais competitivos
que os similares nacionais, iniciou-se uma dinâmica de
transformação das expectativas de consumo e a inserção
das empresas nos circuitos internacionais de comércio. A
diversificação do mix e o aparecimento de lojas especializadas em bens importados de alto padrão tecnológico (carros
sofisticados, computadores, softwares, produtos eletroeletrônicos de última geração, etc.) intensificaram sobremaneira
os padrões globais de consumo das classes médias.
Essas mudanças reforçaram a necessidade da introdução de modernos sistemas de logística e de inovações tecnológicas, que foram determinantes para a reestruturação
produtiva do comércio (Diniz Filho, 1996). Em seus momentos iniciais, esse movimento seria ainda favorecido
pelo aumento dos gastos das famílias e dos indivíduos,
expansão do crédito, baixa acentuada dos preços dos alimentos e dos bens de consumo duráveis, gerando oportunidades para o crescimento das unidades comerciais participantes dos circuitos de consumo dos estratos sociais
beneficiados pelo aumento da renda de forma geral.
Tal dinâmica implicou um processo de reestruturação
que atingiu, com diferentes graus de profundidade, as atividades comerciais. Visando compensar margens mais
competitivas, as empresas reescalonaram sua estrutura
administrativa, optaram pela terceirização de atividades,
implantaram novos métodos gerenciais, fecharam pontos
de venda deficitários, redimensionaram o tamanho de suas
lojas e implementaram um vigoroso processo de informatização para gestão de estoques.
ESTRUTURA E FRAGMENTAÇÃO DO VAREJO
As características da estrutura comercial reportam-se
a um quadro socioeconômico no qual o aparecimento de
novas necessidades tem um papel dinâmico na diversificação dos canais de comercialização. A integração de
novos produtos ao mercado de consumo deve ser atribuída às características da distribuição de renda no Estado
de São Paulo que, apesar de reproduzir a alta assimetria
dos padrões brasileiros de distribuição da riqueza, comporta uma extensa classe de indivíduos integrada a formas de consumo próprias dos países desenvolvidos. Do
ponto de vista da demanda, o comércio depende das expectativas dos mais bem situados na hierarquia social de
expandir e preservar sua riqueza, e no caso dos mais pobres, de ter acesso aos rendimentos do trabalho e das transferências do Estado (aposentadorias, programas de renda
mínima, bolsa-escola, etc.).
Esta forte concentração do poder de consumo entre os
mais ricos e a alta dispersão das realizações dos gastos
entre os mais pobres permitem a convivência de estruturas de comercialização com formas de organização, disponibilidade de capitais e produtividade muito heterogêneas. Tudo isto se reflete no comércio pela existência de
circuitos de distribuição diferenciados.
Em primeiro lugar, destaca-se a apropriação de alguns
mercados de distribuição por organizações capitalistas
com um modus operandi típico da grande indústria. Isto
significa a expansão de empresas com escalas de produção planejadas, sustentadas por investimentos impulsionados por elevada capacidade de capitalização e estruturas de organização operacional e administrativa razoavelmente sofisticadas. Parte das empresas comerciais passa
a ter sua lucratividade assentada não em simples operações de compra e venda, mas em uma estrutura patrimonial de receita e custos mais complexa e abrangente, tal
como a das grandes organizações produtivas industriais
e de serviços. É o caso dos hipermercados, redes de magazines e lojas de departamento populares, bem como das
grandes lojas especializadas (material de construção,
móveis, etc.).
104
ESTRUTURA ECONÔMICA E TECNOLÓGICA DO COMÉRCIO
Em segundo lugar, encontram-se as pequenas empresas, que normalmente possuem um único estabelecimento (empresas unilocalizadas), com baixa densidade de
capitais e formas mais simples de organização, normalmente vinculadas ao mercado consumidor de menor renda. O consumo desta categoria, disperso em lojas de vizinhança (açougues, mercearias, vendas, quitandas, camelôs,
etc.), contribui para a existência de pequenos estabelecimentos com uma estrutura locacional pulverizada e uma
dinâmica empresarial instável. Esta simbiose é garantida
na medida em que estes estabelecimentos oferecem mecanismos de pagamento que possibilitam a postergação
de débitos baseados em relações interpessoais – esta também uma forma de “crédito” –, além do fato de que várias “moedas” são aceitas como forma de pagamento
(tickets alimentação, vale-transporte, móveis, troca de serviços, etc.). Como grande parte do orçamento doméstico
é direcionada para a alimentação, tais consumidores são
extremamente dependentes do crédito das lojas para aquisição de bens duráveis, pois não possuem contas bancárias ou qualquer outra forma de acesso a instituições financeiras. Neste sentido, a sobrevivência destas pequenas empresas vincula-se a uma clientela cativa de baixa
renda, presa a esta dinâmica por imposição de sua própria capacidade de compra.
Esta dispersão do consumo incide diretamente sobre a
organização do comércio, sobretudo no que diz respeito
à grande importância das empresas unilocalizadas no varejo, que normalmente são de pequeno porte. Na Tabela
1, verifica-se que estas empresas empregam 77,8% do
pessoal ocupado e se apropriam de 59,5% da receita total
do varejo, enquanto as empresas que possuem seis ou mais
unidades locais são responsáveis por apenas 15,4% do
pessoal ocupado e 32,6% da receita.2 Todavia, verificase a elevada eficiência deste último grupo, quando se constata que seu desempenho é obtido por apenas 596 empresas contra 296.296 de unilocalizadas.
Analisando-se os vários segmentos do varejo, observa-se que é no Varejo Especializado e Outros que as empresas unilocalizadas têm a maior predominância da receita, com 69,2%, e do pessoal ocupado, e 77,9% do total
do comércio varejista.
Esta relação também pode ser observada quando se
analisa o comércio por área de vendas. A Tabela 2 permite verificar que, mesmo nos setores ligados à comercialização de alimentos, cujos segmentos vêm passando por
um processo de concentração, sobretudo por conta da
expansão dos hipermercados, a representação dos esta-
belecimentos com grande área de vendas na apropriação
da receita é menos significativa do que se poderia esperar. Nota-se que os estabelecimentos com até 300 m2, responsáveis por 73,1% do pessoal ocupado, ainda representam 45,3% das receitas, enquanto aqueles com mais de
5.000 m2, que incluem os grandes hipermercados, geram
cerca de 17% das receitas obtidas no varejo de alimentos.
Os supermercados e lojas médias, que ocupam áreas entre
300m2 e 5.000 m2, são responsáveis por 37,3 % das receitas.
O controle sobre o comando da cadeia de distribuição
varejista ainda é relativamente restrito quando comparado a outros países. Entretanto, em que pese este relativo
grau de desconcentração imposto pelas pequenas empresas, é expressiva a heterogeneidade dos padrões de produtividade. Enquanto os estabelecimentos com área de
vendas maior que 5.000 m2 apresentam densidade de 4,0
empregados, o faturamento por pessoal ocupado é cerca
de seis vezes maior que o daqueles com área de vendas
entre 121m2 e 300 m2 (estrato que concentra cerca de 42%
dos estabelecimento comerciais).
Quando se comparam as formas de comercialização, o
avanço do auto-serviço (acesso direto às mercadorias pelos compradores), tão salientado na bibliografia existente sobre o tema, não reduz a importância das estruturas
de comercialização baseadas em formas tradicionais, que
correspondem ao atendimento com a intermediação de um
vendedor, típicas das pequenas empresas comerciais (Tabela 3). Vale ressaltar a tímida participação das vendas
não realizadas em lojas (vendas por catálogo, Internet,
televendas, etc.), tanto em número de estabelecimentos
como na receita global do varejo.
Já na forma “sem predominância”, em que nenhuma
das outras formas citadas atinge isoladamente mais de 40%
da receita das unidades, observa-se a segunda maior participação na receita do varejo, de 30,1%, embora seja a
segunda menor em número de estabelecimentos. Estes têm
uma área média de 173,8 m2, produtividade de R$ 4.571,9/m2 e
são, em grande medida, representados pelas lojas de departamento e grandes lojas de material de construção, o
que justifica a elevada receita por metro quadrado, 74%
superior ao auto-serviço (que inclui, além dos hipermercados, pequenos estabelecimentos).
Por outro lado, ao cotejar-se o auto-serviço com a forma
tradicional de comercialização – que representa 76,5% estabelecimentos varejistas, 37,5% da receita, a mais baixa produtividade, R$ 945,00/m2 e uma área média por loja de 137,9
m2 –, verifica-se uma grande estrutura segmentada, em que
convivem setores dinâmicos com grande poder de mercado
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SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 13(1-2) 1999
TABELA 1
Empresas, Pessoal Ocupado e Receita Líquida, segundo Atividades Agregadas Selecionadas e Faixas de Unidades Locais do Comércio Varejista
Estado de São Paulo – 1996
Atividades Agregadas e
Faixas de Unidades Locais
Empresas
Valor Absoluto
%
Pessoal Ocupado
Valor Absoluto
%
Receita Líquida
Em reais (1)
%
TOTAL GERAL
300.074
100,0
1.633.554
100,0
92.156.524.147
100,0
Unilocalizadas
296.296
98,7
1.271.448
77,8
54.820.989.048
59,5
3.182
1,1
110.363
6,8
7.327.709.826
8,0
596
0,2
251.743
15,4
30.007.825.273
32,6
2 a 5 ULs
6 ou Mais ULs
Hiper e Supermercados
2.782
0,9
175.977
10,8
19.439.762.306
21,1
Unilocalizadas
2.556
0,9
61.269
3,8
4.228.036.808
4,6
176
0,1
25.853
1,6
2.274.709.924
2,5
50
0,0
88.855
5,4
12.937.015.574
14,0
Pequenos Mercados e Lojas de Conveniência
43.133
14,4
135.786
8,3
3.940.903.157
4,3
Unilocalizadas
43.115
14,4
134.794
8,3
3.873.898.804
4,2
15
0,0
504
0,0
35.812.190
0,0
3
0,0
488
0,0
31.192.163
0,0
Demais Varejo Não-Especializado
7.679
2,6
49.801
3,0
4.971.142.520
5,4
Unilocalizadas
7.499
2,5
21.523
1,3
736.690.262
0,8
2 a 5 ULs
6 ou Mais ULs
2 a 5 ULs
6 ou Mais ULs
2 a 5 ULs
19
0,0
441
0,0
24.136.490
0,0
161
0,1
27.837
1,7
4.210.315.768
4,6
Varejo Especializado e Outros
246.480
82,1
1.271.990
77,9
63.804.716.164
69,2
Unilocalizadas
243.126
81,0
1.053.862
64,5
45.982.363.174
49,9
2.972
1,0
83.565
5,1
4.993.051.222
5,4
382
0,1
134.563
8,2
12.829.301.768
13,9
6 ou Mais ULs
2 a 5 ULs
6 ou Mais ULs
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – Paep.
(1) Valores em reais de dezembro de 1996.
Nota: Os dados são relativos à empresa (com suas ULs dentro e fora do Estado de São Paulo).
TABELA 2
Distribuição da Área de Vendas, Receita Líquida e Pessoal Ocupado do Comércio Varejista de Alimentos, segundo Faixa de Área de Vendas
Estado de São Paulo – 1996
Comércio Varejista de Alimentos
Faixas de Área de Vendas
Total
Área de Vendas
(%)
Receita Líquida
(%)
Pessoal Ocupado
(%)
Receita Líquida/
Pessoal Ocupado
(R$) (1)
Pessoal Ocupado/
100m 2
4,7
100,0
100,0
100,0
44.669,66
Pequenas ULs
70,8
45,3
73,1
-
-
Menos de 21 m2
2,5
2,7
7,1
17.213,92
13,3
21 a 60 m2
11,5
10,8
16,4
29.535,16
6,7
61 a 120 m2
14,7
11,8
19,2
27.569,36
6,1
121 a 300 m2
42,1
19,9
30,4
29.165,79
3,4
Médias ULs
24,5
37,3
22,9
-
-
301 a 1.000 m 2
16,9
17,9
13,9
57.726,38
3,8
1.001 a 2.500 m2
5,0
12,5
6,3
88.537,96
5,9
2.501 a 5.000 m2
2,6
6,9
2,7
113.646,25
4,9
Grandes ULs
4,7
17,4
4,0
-
-
5.001 m2 e Mais
4,7
17,4
4,0
194.570,73
4,0
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – Paep.
(1) Valores em reais de dezembro de 1996.
Nota: Os dados são relativos ao total de ULs da empresa no Estado de São Paulo.
106
ESTRUTURA ECONÔMICA E TECNOLÓGICA DO COMÉRCIO
TABELA 3
Unidades Locais, Receita Líquida, Área das ULs e Indicadores de Densidade de Ocupação e Produtividade
do Comércio Varejista, segundo Formas de Comercialização
Estado de São Paulo – 1996
Formas de Comercialização
Unidades Locais
Números Absolutos
Total (2)
Auto-Serviço
Tradicional
Catálogo, Internet, Televenda
Sem Predominância
Receita Líquida
%
Em reais (1)
%
Receita
Área/UL
Pessoal Ocupado/
(m 2)
100m 2/ Área
Líquida
(R$/m2) (1)
310.340
100,0
77.930.711.002
100,0
149,0
3,3
1.634,6
36.921
11,9
22.109.218.404
28,4
203,2
3,6
2.628,3
237.486
76,5
29.255.250.358
37,5
137,9
3,2
945,0
8.521
2,7
3.106.763.135
4,0
-
-
-
27.412
8,8
23.459.479.105
30,1
173,8
3,9
4.571,9
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – Paep.
(1) Valores em reais de dezembro de 1996.
(2) Correspondem apenas às ULs que responderam à variável “Forma de Comercialização”.
Nota: Os dados são relativos ao total de ULs da empresa no Estado de São Paulo.
e capacidade de inovação com setores nos quais o processo
de acumulação de capital é realizado de forma extensiva,
através de estruturas de comercialização tradicionais e com
baixa produtividade. Enquanto os segmentos do comércio
varejista especializado (como o de alimentos, bebidas e fumo;
tecidos, artigos de armarinho, vestuário e calçados e pequenos mercados) apresentam uma das mais baixas relações de
receita por área de vendas, cerca de R$ 1.000,0/m2, os hipermercados possuem índice nove vezes maior.
Não obstante a alta produtividade dos hipermercados,
quando se compara o indicador de densidade de ocupação, pessoal ocupado por área de vendas, entre os estabelecimentos com a forma tradicional e aqueles com autoserviço, observa-se que este último não emprega menos,
como se poderia supor (3,2 e 3,6 pessoas por m2, respectivamente). Conforme Sproesser (1999), a produtividade
em receita por área tende a se elevar quando o número de
empregados por metro quadrado aumenta, o que ratifica
os dados referentes ao auto-serviço. Vale ressaltar ainda
que este é o setor que possui a maior área média de vendas
por loja, fato considerado pelo mesmo autor como de importância relevante para o aumento da produtividade, na
medida em que possibilita a oferta de um maior número de
serviços, com o conseqüente aumento do volume de transações e uma maior agregação de valor aos produtos.
Os dados apresentados até o momento ajudam a explicar
a reduzida presença do capital externo em vários segmentos
do varejo: muito embora os processos de aquisições e fusões estivessem em relativa expansão a partir de meados da
década de 90, a participação das empresas estrangeiras na
receita total do comércio varejista foi de apenas 15%, no
Estado de São Paulo, em 1996. Dado que o comércio pade-
ce das dificuldades comuns à estrutura produtiva brasileira,
com grande heterogeneidade de grupos econômicos, baixo
grau de aglomeração e escalas (Fiori e Tavares, 1993), ainda há um número reduzido de organizações empresariais
estruturadas com grande alcance de mercado.
Assim, esta situação é altamente indicativa dos limites
que encontra o comércio para sua internacionalização,
tendo em vista que essa dispersão de capitais impõe sérias restrições para sua integração nas estratégias das grandes redes varejistas americanas e européias. Até no setor
de hiper e supermercados, no qual as disputas patrimoniais entre capitais nacionais e estrangeiros são mais acentuadas, a participação do capital externo chegou a pouco
mais de 26% da receita em 1996, muito aquém dos segmentos monopolizadas pelo capital estrangeiro na indústria paulista ou no próprio comércio em outros países3
(Belik, 1997 e Furtado, 1995).
ESTRUTURA TECNOLÓGICA E
REQUISITOS DE CONTRATAÇÃO
Até o ponto aqui discutido, verifica-se que o comércio
varejista apresenta uma organização segmentada, na qual
convivem empresas com grande poder de mercado e capacidade de inovação com outras nas quais o processo de
acumulação de capital é realizada de forma extensiva,
através de estruturas de comercialização tradicionais e com
baixa produtividade.
Estas características refletem também a assimilação das
inovações no varejo. O estudo da estrutura tecnológica
nos seus diversos segmentos ganha significado em virtude das escalas de mercado de cada empresa, bem como
107
SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 13(1-2) 1999
de sua capacidade de sustentar contínuos investimentos
na modernização de suas estruturas operacionais. Neste
sentido, os ganhos de produtividade são o resultado de
fatores que incidem sobre o sistema de modernização tecnológica propriamente dita (a assimilação de tecnologias
de automação), introdução de novos métodos gerenciais
e política de recursos humanos (Furtado, 1995).
No comércio, nota-se que, a despeito da relativa pulverização do setor, a modernização difundiu-se com relativa intensidade no que diz respeito ao uso de computadores. De fato, 86 mil empresas comerciais utilizavam
computadores, o que significa que uma em cada quatro
empresas já possuía recursos para a informatização das
operações administrativas e controle de estoques, relação
que se eleva para três em cada quatro nas empresas com
mais de 20 empregados no Estado de São Paulo, em 1996.
A informatização da área administrativa e da operação dos
fluxos de venda nos estabelecimentos comerciais é o fator mais destacado neste processo de modernização intensiva, permitindo a racionalização das atividades de
controle e a melhoria do nível de informações para a tomada de decisões. Esta dinâmica foi favorecida pelo acesso
aos mercados internacionais de equipamentos de automação, larga difusão das embalagens com códigos numéricos, generalização do uso de microcomputadores e, no
âmbito das grandes empresas, pela abertura de linhas de
financiamento para projetos de reestruturação de empresas do varejo pelo BNDES (Gimenez e Santos, 1999; Branco e Melo, 1997).
Do ponto de vista regional, quando se observa a distribuição dos 125.946 computadores instalados nas empresas comerciais, verifica-se que a Região Metropolitana de
São Paulo absorvia 45,6% do total, o entorno metropolitano 28,0% e o interior 26,4%. A RMSP apresentava também maior densidade de computadores: 50 para cada 100
empresas, pouco acima da média estadual (42 para 100).4
A maior concentração na RMSP pode ser explicada pela
elevada densidade das inovações tecnológicas nesta área,
associada aos circuitos de consumo das classes médias e
de altas rendas, bem como pelo fato de aí se estabelecerem as sedes das maiores empresas do Estado. Dado que
estas sedes processam as informações administrativas das
redes varejistas de atuação regional, concentrando as funções de núcleo de planejamento e decisão estratégica dos
grandes grupos na capital, a RMSP alcança níveis relativamente mais expressivos de adensamento tecnológico.
A informatização vem acompanhada por mecanismos mais sofisticados de automação comercial, essen-
ciais para a implementação de novas formas de gerenciamento. O número de estabelecimentos que substituíram as caixas registradoras manuais e eletrônicas por
sistemas de digitação de códigos numéricos ou leitura
ótica totalizou 5.713 lojas, em 1996. Os ganhos de produtividade são notórios: ainda que representassem 1,8%
dos estabelecimentos comerciais e empregassem aproximadamente 9% do pessoal ocupado, as lojas com leitura ótica concentraram cerca de 19% de todo faturamento do varejo paulista (Gráfico 1).
A automação do varejo, tal como a informatização,
desenvolveu-se também em outras regiões do Estado.
Tomando a participação das unidades de revenda com
leitura ótica ou digitação de códigos numéricos na receita das regiões administrativas de Campinas e Santos, constata-se que estas representam, respectivamente, 39,0%, e
36,7% de toda a receita varejista obtida nestas regiões,
bem superiores à da RMSP (27,1%).
Do ponto de vista estrutural, vale destacar a heterogeneidade do processo de reestruturação comercial a partir
da dimensão das empresas, pois há diferenças significativas no grau de automação comercial implantado. Observando a distribuição das lojas que utilizavam leitura ótica ou digitação de códigos numéricos, segundo o porte
das empresas, nota-se que em grande parte delas a informatização do caixa não era complementada com a gestão
integrada dos estoques. A Tabela 4 permite verificar que
GRÁFICO 1
Distribuição da Renda Líquida no Comércio Varejista,
segundo Sistema de Operação de Caixa
Estado de São Paulo – 1996
56%
16%
9%
digitação de preço
digitação de código numérico
19%
leitura ótica
outros sistemas
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – Paep.
Nota: Os dados são relativos ao total das ULs da empresa no Estado de São Paulo.
108
ESTRUTURA ECONÔMICA E TECNOLÓGICA DO COMÉRCIO
scanners nas empilhadeiras e a substituição de caixas
mecânicos e eletrônicos por equipamentos que exigem
digitação de códigos numéricos e leitura ótica, vem suprimindo ou introduzindo novos requisitos de qualificação para ocupações que tradicionalmente exigem baixa
escolaridade, tais como estoquistas, conferentes, remarcadores de preços, vendedores e balconistas. Mesmo nos
segmentos que normalmente exigem escolaridade média
dos vendedores (lojas de departamento e eletroeletrônicos), a introdução de emissão de pedidos por computador vem requerendo novos conhecimentos de informática desses profissionais.
De outro lado, a expansão de cadeias comerciais de
produtos de maior valor agregado fomentou o aparecimento de lojas especializadas em bens importados de alto
padrão tecnológico (computadores, eletroeletrônicos de
última geração, telefones celulares, etc.) e a necessidade
de um conjunto de vendedores com experiências específicas e conhecimentos técnicos qualificados em mercados sujeitos a constantes inovações de produto. Estes profissionais vêm se qualificando com os avanços da modernização da economia industrial e a assimilação de novos
produtos na cadeia comercial. Surge, assim, um grande
contigente de jovens com remunerações mais altas recémegressos dos cursos técnicos e universitários com conhecimentos de línguas e capacitados para realizar consultas
em livros técnicos e periódicos internacionais. Conseqüentemente, aumenta a heterogeneidade do mercado de trabalho: coexistem profissões de baixa remuneração (caixas, balconistas, frentistas, atendentes de farmácias, etc.)
e profissões de maior qualificação técnica, ligadas à comercialização dirigida aos segmentos de alta renda e integrada aos padrões de consumo internacionalizados, bem
como ocupações tradicionais de escolaridade média (representantes comerciais e vendedores de lojas de clientela popular), que vêm sofrendo um processo de desvalorização nos últimos anos.
Neste sentido, tanto a automação das lojas como a expansão dos serviços auxiliares de venda e o aparecimento de produtos mais complexos na cadeia comercial tiveram implicações diretas sobre o processo de qualificação
dos empregados. As informações da Paep permitem observar os requisitos de contratação das empresas com mais
de 30 empregados no Estado de São Paulo. Trata-se de
um segmento representativo, pois possui 2.357 empresas,
sendo responsável por 25,0% do emprego, 45,5% das receitas e cerca de 56% do valor adicionado no comércio
varejista paulista.
TABELA 4
Unidades Locais com Informatização do Controle dos Estoques, por
Formas de Operação do Caixa, segundo Porte da Empresa
Estado de São Paulo – 1996
Em porcentagem
Formas de Operação do Caixa
Porte da Empresa
(Pessoal Ocupado)
Digitação
de Preços
Total
Digitação
de Código
Numérico
Leitura
Outras
Ótica
Formas
9,2
28,3
32,3
9,4
1 a 29
30 a 49
50 a 99
7,5
32,8
41,3
22,4
75,9
75,6
12,5
57,6
72,9
9,0
32,9
32,7
100 a 249
250 a 499
500 a 999
49,1
50,7
48,6
81,8
54,4
95,7
81,6
89,7
67,9
49,7
58,5
35,9
1.000 e Mais
46,3
95,3
88,3
98,3
Fonte: Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista – Paep.
Nota: Os dados são relativos ao total de ULs da empresa no Estado de São Paulo.
é sobretudo nas grandes empresas que se generaliza o processo de interligação do caixa com a entrada e saída de
mercadorias: apenas 12,5% das unidades de revenda das
empresas com até 29 empregados que utilizavam leitura
ótica informatizavam o controle de estoques, enquanto nas
lojas pertencentes às empresas com 500 a 999 empregados esta proporção era de 67,9% e naquelas com mil e
mais pessoas ocupadas, era de 88,3%. Neste sentido, parte substancial do esforço de modernização dos pequenos
estabelecimentos ainda não se traduz em ganhos com o
gerenciamento mais racional da entrada e saída de mercadorias, pois este se reduz aos benefícios mais superficiais destas novas tecnologias (agilização das filas, redução dos erros de digitação, etc.).
Assim, a elevação da produtividade, com a adoção de
inovações, ocorreu com maior intensidade nas grandes
organizações de distribuição varejista. Vale dizer que cerca
de 70% das receitas geradas pelas lojas que utilizavam
leitura ótica no Estado pertenciam às empresas de mil e
mais empregados. Associada à introdução de tecnologias
de intercâmbio de dados, a automação das operações comerciais vem possibilitando a redução de custos de armazenagem e transporte de mercadorias, além de criar
ambientes mais favoráveis para o fortalecimento de parcerias e alinhamento estratégico com fornecedores e clientes (Almeida e Crosseti, 1995).
Este processo não deixaria de impor modificações importantes na esfera dos recursos humanos. De um lado, o
avanço da automação das lojas, com a introdução de
109
SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 13(1-2) 1999
Neste universo de empresas, destaca-se a predominância dos requisitos tradicionais vinculados ao comportamento e às características pessoais (trabalho em grupo,
responsabilidade, iniciativa, etc.), bem como a experiência profissional, atestando que as relações interpessoais
entre vendedores e compradores ainda são determinantes
para a efetivação do processo de venda, em que o carisma
e a persistência são tidos como valores fundamentais.
Vale notar, conforme apontado anteriormente, que os
conhecimentos de informática são outro importante requisito de contratação: 23,6% das empresas no Estado
solicitam conhecimentos de informática para contratação
nos estabelecimentos de revenda. Além de garantir formas de gerenciamento mais seguras sobre as operações
comerciais e administrativas, a informatização permite a
introdução de técnicas mais avançadas de gestão (automação do controle de estoques, emissão de pedidos por
computador, etc.) o que pressupõe a familiaridade dos
empregados com o manejo de computadores e equipamentos de automação comercial, como pontos de venda modulares e impressoras com código de barras.
Entretanto, essa exigência, isoladamente, não é suficiente para retratar os impactos da modernização na demanda por trabalhadores, dado que a introdução de novas tecnologias não tem desdobramentos apenas nos
quesitos estritamente técnicos relacionados à informática, mas no conjunto de capacitações para o cumprimento
das funções existentes nas empresas varejistas.
Observa-se também que a modernização vem incidindo na elevação da exigência de escolaridade no momento
da contratação. Para funcionários ligados diretamente às
operações nas lojas (balconistas, caixas, vendedores, estoquistas, entre outros), verifica-se que apenas cerca de
14% das empresas não exigem nenhuma escolaridade,
enquanto 44,0% não dispensam o ensino fundamental e
33,9 % das unidades de revenda exigem ensino médio.5
O aumento do nível de escolaridade e a necessidade
de conhecimentos em informática como requisitos de
destaque na contratação sinalizam modificações importantes no processo de trabalho das lojas. À medida que
estas se automatizam, há uma tendência de agrupamento
das atividades mais simples, anteriormente realizadas por
diversos funcionários, para atividades mais complexas que
exigem maior qualificação. A adoção de leitura ótica, ou
digitação de código numérico, passa a agregar certas tarefas a uma mesma rotina de trabalho, por exemplo: o uso
de código de barras no caixa, associado a um software de
controle de estoques, elimina a necessidade do controle
manual. Em contrapartida, os operadores de equipamentos de automação devem saber lidar com formas de controle mais abrangentes, o que se traduz na necessidade de
dominarem equipamentos mais sofisticados.
CONCLUSÃO
Os dados apresentados permitem perceber que, não
obstante a manutenção de certas características básicas
ligadas à heterogeneidade da estrutura de comercialização do varejo (alta pulverização, grande variação de produtividade, pequena presença de capitais estrangeiros,
etc.), há um processo de transformação bastante acentuado em sua base tecnológica e em suas estratégias gerenciais. Essa dinâmica se evidencia com a difusão do uso
de computadores, o avanço do número de lojas automatizadas e o uso crescente de sistemas de intercâmbio
eletrônico de dados, que refletem diretamente em novas
exigências de contratação para o varejo.
Outro fator de destaque é a significativa presença dos
pequenos estabelecimentos no processo de acumulação
de capital no comércio varejista. Isto se manifesta tanto
sob a ótica das redes como da área de vendas, em que
esse grupo mostra a maior participação na apropriação
da renda e da geração de empregos quando comparada às
grandes e médias lojas.
Em síntese, algumas conclusões podem ser apresentadas:
- ainda que as tendências de internacionalização do varejo estejam em evidência, seus limites de crescimento estão vinculados diretamente à estrutura empresarial existente no Estado. Dado que o número de redes é relativamente restrito, o avanço da reestruturação patrimonial, em curso na segunda metade da década de 90, pode
ter uma abrangência limitada;
- o processo de informatização/automação é o destino do
varejo, como de quase todas as atividades econômicas.
Vale dizer que ainda assistiremos a muitas mudanças provocadas por este processo;
- como conseqüência, entre outras, devemos presenciar o
aumento da produtividade do varejo e do nível de exigência
em termos de capacitação da mão-de-obra empregada;
- finalmente, vale chamar atenção para a participação de
muitas das pequenas empresas no processo de modernização simultaneamente às grandes, e possivelmente em
proporções inéditas, ainda que não se dê em toda sua potencialidade.
110
ESTRUTURA ECONÔMICA E TECNOLÓGICA DO COMÉRCIO
NOTAS
(coords.). Telecomunicações, globalização e competitividade. Campinas,
Papirus, 1995, p.169-220.
E-mail dos autores: [email protected]; [email protected] e
[email protected]
BELIK, W. (coord.). O novo posicionamento do varejo na cadeia produtiva.
São Paulo, Senac, 1997.
1. Sobre as implicações do processo de “financeirização” da riqueza e seus impactos no consumo, ver Belluzo e Coutinho (1998) e Chesnais (1995).
BELLUZZO, L.G. de M. e COUTINHO, L. “‘Financeirização’ da riqueza, inflação de ativos e decisões de gasto em economias abertas”. Economia e Sociedade. Campinas, n.11, dez. 1998, p.137-150.
2. Esses percentuais se reduzem para 9,1% do pessoal ocupado e 22,7% da receita nas empresas com mais de 20 unidades locais.
BRANCO, C.E.C. e MELO, P.R. de S. “Panorama da automação comercial no
Brasil”. Informes Setoriais BNDES. Rio de Janeiro, BNDES, 1997.
3. Ver artigo de Alexandre Comin, nesta revista.
CHESNAIS, F. “A globalização e o curso do capitalismo de fim-de-século”.
Economia e Sociedade. Campinas, n.5, dez. 1995, p.1-30.
4. O entorno metropolitano compreende as regiões administrativas de Campinas, Sorocaba, São José dos Campos e Santos. Ver artigo de Maria de Fátima
Infante Araujo, nesta revista.
DINIZ FILHO, L.L. “Tendências recentes no setor comercial”. São Paulo em
Perspectiva. São Paulo, Fundação Seade, v.10, n.4. out./dez. 1996, p.128136.
5. A elevação dos requisitos de contratação deve ser visto também como um
processo dinâmico, cujas motivações não decorrem unicamente da modernização do processo produtivo propriamente dito, mas podem expressar momentos
particulares (transitórios ou estruturais) do mercado de trabalho. O aumento do
desemprego de jovens com escolaridade no mercado de trabalho, motivado pelo
avanço do processo de universalização do ensino básico e médio, pode contribuir para um aumento dos requisitos em função do incremento da oferta da força
de trabalho escolarizada, sem que certos processos de inovação se instaurem
necessariamente. Para um apanhado sobre as relações entre o mercado de trabalho e a política econômica nos últimos anos, ver Tavares (1998).
FIORI, J.L. e TAVARES, M. da C. (Des)Ajuste global e modernização conservadora. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1993.
FURTADO, J. “Novas tecnologias e modernização nos setores automobilístico
e de supermercados: elementos da experiência internacional”. In:
COUTINHO, L. et alii (coords.). Telecomunicações, globalização e competitividade. Campinas, Papirus, 1995, p.81-125.
GIMENEZ, L.C. e SANTOS, A. “Reestruturação do comércio varejista e de supermercados”. Informes Setoriais BNDES. Rio de Janeiro, BNDES, 1999.
SPROESSER, R.L. “Um modelo de produtividade para o varejo: o caso do varejo de alimentos”. In: ANGELO, C.F. de e SILVEIRA, J.A.G. (coords.).
Varejo competitivo. São Paulo, Ed. Atlas, v.3, 1999, p.19-32.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TAVARES, M. da C. “A economia política do real”. In: MERCADANTE, A. O
Brasil pós-real: a política econômica em debate. São Paulo, Ed. Facceba,
1998, p.101-129.
ALMEIDA, M.W. e CROSSETI, P. “Estudos de caso sobre networking de telecomunicações no setor de supermercados”. In: COUTINHO, L. et alii
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