Brasil
quinta-feira, 13 de março de 2014
Alta temperatura impacta vendas no varejo em
janeiro
As vendas no varejo restrito cresceram acima da expectativa de mercado em janeiro, mas um
pouco abaixo da nossa projeção. Acreditamos que as altas temperaturas observadas no Brasil
durante o início do ano impactaram positivamente o resultado. O varejo ampliado cresceu
menos do que as estimativas, mas ainda sim o crescimento foi significativo na margem. Apesar
do resultado positivo em janeiro, o crescimento trimestral - menos volátil do que o resultado
mensal - vem desacelerando tanto no varejo restrito quanto no ampliado. Avaliamos que o
cenário de desaceleração das vendas no varejo se consolidará nos próximos trimestres, devido
ao menor crescimento da massa salarial, a queda da confiança do consumidor e os juros em
alta. A expectativa de uma correção para baixo nas vendas destes segmentos que foram
impactados pelo calor do início do ano é outro fator que contribui para o cenário prospectivo de
desaceleração.
Vendas no varejo em janeiro
As vendas no varejo restrito, em termos reais,
cresceram 0,4% entre dezembro e janeiro, após
ajuste sazonal, e subiram 6,2% em relação a
janeiro de 2013. O resultado foi acima do consenso
de mercado (-0,3% e 4,8%, respectivamente) e um
pouco abaixo da nossa projeção (+0,7% e 6,5%,
respectivamente). Com este resultado, as vendas
no varejo restrito se recuperaram após a queda
mensal com ajuste sazonal de 0,2% no mês
anterior.
Varejo restrito desacelera
7%
6%
5%
variação
trimestral, com
ajuste sazonal
4%
3%
2%
1%
0%
-1%
-2%
-3%
Restrito
Ampliado
Nossa projeção já contemplava um resultado
positivo para o varejo em janeiro, em função do
Fonte: IBGE, Itaú
impulso das altas temperaturas nas vendas de ar
condicionados, ventiladores e bebidas. De fato, as vendas de móveis e eletrodomésticos
subiram 1,2% com ajuste sazonal entre dezembro e janeiro, um pouco abaixo da nossa
estimativa, mas ainda sim uma alta significativa.
Temperatura afeta vendas no varejo
Ainda em termos setoriais, a taxa de crescimento
2.5%
Variação mensal, com
mensal com ajuste sazonal se acelerou no
ajuste
sazonal
2.0%
segmento de hiper, supermercados, alimentos e
1.5%
bebidas (de 0,7% para 1,0%), mas desacelerou no
1.0%
subconjunto de hiper e supermercados (de 1,0%
0.5%
para 0,5%), indicando crescimento forte de vendas
0.0%
de bebidas no mês. As vendas de tecido, vestuário
-0.5%
e calçados, outro setor com peso relevante no
-1.0%
varejo restrito, recuaram 0,3% com ajuste sazonal
hiper e supermercados
hiper, supermercados,
-1.5%
entre dezembro e janeiro.
alimentação e bebidas
-4%
dez-11 abr-12 ago-12 dez-12 abr-13 ago-13 dez-13
-2.0%
set-12
dez-12
mar-13
jun-13
Fonte: IBGE, Itaú
set-13
dez-13
A taxa de crescimento trimestral do varejo restrito,
menos volátil e, portanto, melhor para avaliar a
A última página deste relatório contém informações importantes sobre o seu conteúdo. Os investidores não
devem considerar este relatório como fator único ao tomarem suas decisões de investimento.
Brasil – quinta-feira, 13 de março de 2014
tendência das vendas, desacelerou de 1,1% (4,6% anualizados) em dezembro para 0,8% (3,4%
anualizados) em janeiro. Logo, mesmo com este dado positivo em janeiro, a tendência de
crescimento no varejo restrito continua sendo de desaceleração.
Na nossa avaliação, esta tendência de moderação se
consolidará nos próximos trimestres, uma vez que a
massa salarial real cresce a taxas menores do que
nos últimos anos, a confiança do consumidor está em
tendência de queda e os juros estão subindo. A
expectativa de uma correção para baixo nas vendas
dos segmentos que foram impactados pelo calor do
início do ano é outro fator que contribui para o
cenário de desaceleração do varejo.
Confiança do consumidor em queda
130
125
Ajustado
sazonalmente
120
115
110
105
100
Confiança do consumidor
No entanto, os indicadores coincidentes das vendas 95
Média histórica
no varejo já divulgados para fevereiro (consultas ao 90
fev-06
fev-08
fev-10
fev-12
fev-14
Serasa, SPC e Usecheque) indicam que esta
Fonte: FGV, Itaú
correção não ocorrerá já em fevereiro. Nossa
estimativa preliminar para o varejo restrito aponta para um crescimento de 0,4% entre janeiro e
fevereiro com ajuste sazonal e 9,0% ante fevereiro de 2013.
O varejo ampliado (inclui veículos e material de construção) cresceu 2,1% com ajuste sazonal
entre dezembro e janeiro e subiu 3,5% comparado a janeiro de 2013. O resultado foi abaixo da
nossa projeção (2,4% e 5,1%, respectivamente) e menor que a estimativa de consenso de
mercado (5,3% na comparação anual). O crescimento elevado na margem foi impulsionado
pelas vendas de veículos, que subiram 1,9% com ajuste sazonal entre dezembro e janeiro. O
crescimento de vendas de veículos foi elevado, mas abaixo do que havia sido indicado pelos
dados de licenciamento da FENABRAVE.
No trimestre terminado em janeiro o varejo ampliado cresceu, em termos dessazonalizados,
1,1% (4,5% anualizados) ante o trimestre anterior, desacelerando de 1,2% (4,7% anualizados)
em dezembro.
Em fevereiro, os dados da Fenabrave mostraram recuo nas vendas de veículos, o que impacta
negativamente o varejo ampliado. Nossa estimativa preliminar aponta para uma queda de 0,1%
no varejo ampliado entre janeiro e fevereiro com ajuste sazonal e alta de 8,8% ante fevereiro de
2013.
Impacto no cenário de atividade econômica
As altas temperaturas impulsionaram o varejo em janeiro. No entanto, a tendência segue de
desaceleração: com o menor crescimento da massa salarial, a queda da confiança do
consumidor e os juros em alta, estimamos que a taxa de expansão anual compatível com os
fundamentos seja próxima de 3,0%.
A partir dos resultados das vendas no varejo publicados hoje (abaixo do que esperávamos) e da
produção industrial divulgados na última terça-feira (acima do esperado), revisamos nossa
estimativa para o IBC-Br (índice de atividade econômica do banco central) em janeiro.
Projetamos uma alta de 0,8% com ajuste sazonal entre dezembro e janeiro (anteriormente:
0,7%) e 0,2% ante janeiro de 2013 (0,0% anteriormente).
Luka Barbosa
Economista
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Pesquisa macroeconômica – Itaú
Ilan Goldfajn – Economista-Chefe
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1.
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