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UNIARP – UNIVERSIDADE ALTO VALE DO RIO DO PEIXE
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO – “LATO SENSU” SÉRIES INICIAIS, EDUCAÇÃO
INFANTIL E GESTÃO ESCOLAR
LUANA CRISTINA RAMOS
EDUCAR ATRAVÉS DO LÚDICO NAS SÉRIES INICIAIS
CAÇADOR
2013
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LUANA CRISTINA RAMOS
EDUCAR ATRAVÉS DO LÚDICO NAS SÉRIES INICIAIS
Monografia apresentada à Universidade Alto Vale do
Rio do Peixe - UNIARP como parte dos requisitos para
obtenção do título de Especialista em Práticas
Pedagógicas Interdisciplinares com Ênfase em Séries
Iniciais do Ensino Fundamental.
Orientadora Msc: Sônia Gonçalves.
CAÇADOR
2013
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LUANA CRISTINA RAMOS
EDUCAR ATRAVÉS DO LÚDICO NAS SÉRIES INICIAIS
Monografia considerada APTA com nota__________,
aprovada em _________de___________de_______do
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Especialista
em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares com Ênfase
em Séries Iniciais do Ensino Fundamental.
Orientadora Msc: Sônia Gonçalves
CAÇADOR
2013
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DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha família,
pelo amor, carinho, força, incentivo e
intenso companheirismo nos momentos
decisivos da minha vida.
Também dedico este trabalho em especial
à minha filha Danyelle Cristina Menez fonte
da minha dedicação e amor ao que faço
e a minha mãe Lídia de Matias Ramos
professora da minha vida quem lutou para
ver um sonho realizado.
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AGRADECIMENTOS
Primeiramente à Deus pelo dom da vida e por ser sempre meu guia em todos
os momentos de minha vida.
Agradeço aos meus pais pela educação que me proporcionaram em toda a
minha vida e pelo incentivo, pela força e pelos exemplos que sempre me dão, os
quais uso em todos os segmentos de minha vida; e à minha filha por estar sempre
ao meu lado me apoiando e confortando nas horas difíceis com seu carinho e amor.
À Professora Sônia Gonçalves, meus sinceros votos de gratidão, não
somente pela orientação na elaboração deste trabalho, mas principalmente pela
força, pelo ânimo, pelos ensinamentos e pela sincera amizade que dividimos nesses
anos de estudo e elaboração deste trabalho.
E finalmente agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram para
a realização deste trabalho
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“Brincar com crianças não é perder
tempo, é ganha-lo; se é triste ver meninos sem
escola, mais triste ainda é vê-los sentados
enfileirados em salas sem ar, com exercícios
estéreis, sem valor para a formação do
homem.”
Carlos Drumonnd de Andrade
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RESUMO
Esta monografia tem por objetivo apresentar uma reflexão sobre o lúdico que tem na
sua essência o brincar, a diversão e o prazer, como princípio pedagógico para a
construção de conhecimentos nas séries iniciais. Este estudo se faz com o intuito de
compreender o lúdico, sua essência, importância e ação, explorando seus
componentes: o jogo, a brincadeira e o brinquedo como possibilidade de formar
sujeitos criativos, críticos e autônomos para atuarem em sociedade. Dessa forma
analisamos o lúdico como princípio para a construção de conhecimentos, através de
analises teóricas qualitativas de leituras, fazendo considerações relevantes para o
nosso estudo, analisando o lúdico como um princípio e não como recurso facilitador
da aprendizagem. Dessa forma compreendemos que é preciso que o educador
tenha conhecimento do lúdico e suas ações para que incorporem nas suas práxis as
manifestações com objetividade, visando realmente aguçar os seus alunos a serem
produtores de saberes.
Palavras Chaves: Lúdico, educar nas séries iniciais e importância do brincar.
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ABSTRACT
This monograph aims to present a reflection on the playfulness that has at its core
the play, the fun and pleasure, as a pedagogical principle for the construction of
knowledge in the early grades. This study is done in order to understand the playful,
essence, importance and action, exploring its components: the game, the game and
toy as subjects possibility of forming creative, critical and independent to act in
society. Thus we analyze the playful as a principle for the construction of knowledge
through theoretical qualitative analysis of readings, making considerations relevant to
our study, analyzing the playful as a principle and not as a resource facilitator of
learning. Thus we understand that it is necessary that the teacher is aware of the
playful and actions to incorporate into their practice demonstrations with objectivity,
aiming really whet their students to be producers of knowledge.
Key Words: Playful, education in the early grades and importance of play.
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9
2 DESENVOLVIMENTO ........................................................................................... 12
2.1 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................. 12
2.1.1 A Origem da Educação Lúdica ........................................................................ 12
2.2 O LÚDICO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA ............................................ 16
2.3 O LÚDICO NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR.................................................... 18
2.4 O PAPEL DO PROFESSOR ............................................................................... 21
2.5 O LÚDICO E AS ATIVIDADES FÍSICAS COMO MEDIADORES NO PROCESSO
DE APRENDIZAGEM................................................................................................ 24
2.6 O JOGO COMO INSTRUMENTO DE FORMAÇÃO DO EDUCANDO OU
ALIENAÇÃO .............................................................................................................. 25
2.7 A CRIANÇA, A EDUCAÇÃO E O BRINQUEDO ................................................. 28
2.8 A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DO JOGO ............................................................... 29
2.9 TÉCNICAS PARA OS JOGOS PEDAGÓGICOS ................................................ 30
2.10 A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR ....................................................................... 31
2.11 JOGOS E BRINCADEIRAS TRADICIONAIS .................................................... 32
2.12 ENSINAR BRINCANDO .................................................................................... 33
2.12.1 Brinquedo Funcional ou Experimental ............................................................ 34
2.12.2 Brinquedo de Representação de Papéis e de Construção ............................. 34
2.12.3 A Seriedade do Brinquedo ............................................................................. 36
2.13 ATIVIDADES LÚDICAS DESPERTANDO UM NOVO SER .............................. 37
2.14 A RELAÇÃO: BRINQUEDO X CRIANÇA X ADULTO ....................................... 40
3 CONCLUSÃO......................................................................................................... 42
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 44
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1 INTRODUÇÃO
Nos primeiros anos de vida, o ser humano forma sua personalidade
incorporando hábitos, valores, atitudes e a estrutura dos padrões de raciocínio.
Nesse momento, as atividades lúdicas devem estar presentes na vida da criança,
bem como devem estar de acordo com os seus interesses e com os de sua vivência
dentro de sua faixa etária para, assim, contribuírem para com o seu
desenvolvimento biopsíquico e social.
Educar é ajudar a criança a adquirir iniciativa, confiança e auto-estima, pelo
brincar, a criança equilibra as tensões provenientes de seu mundo cultural,
construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade.
Teorias não devem só ser lidas e comentadas, mas colocadas em prática,
questionadas, avaliadas e reformuladas. Sendo que como professores, somos
agentes importantes neste processo de mediação do conhecimento.
Os estudos de psicólogos e educadores, com Piaget e VYgotzky, mostram
que há uma firme convicção de que brincar é de suma importância para o
desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança (ALMEIRA, 1994, p. 15).
Durante as brincadeiras, as crianças investigam o desconhecido, enfrentam
desafios, desenvolvem suas emoções e seus sentimentos. São momentos de
divertimento e de interação com outras crianças que fazem com que seus sonhos se
tornem realidade, despertando-as para a vida. São um incentivo à movimentação de
seu corpo e ao desenvolvimento de sua capacidade intelectual, sabendo-se que
corpo e mente deve estar em constante harmonia.
Como o lúdico faz parte do processo educativo quando alia conhecimento, é
considerado um facilitador da autonomia, da criatividade e da aprendizagem
significativa.
Por isso que tratar da questão lúdica neste trabalho visa além do aprendizado
promover maior interação entre o professor e o aluno, realizando brincadeiras que
despertem a atenção, observação, cooperação e socialização do aluno levando ao
melhoramento do ensino e da aprendizagem.
Com esta abordagem, objetivamos demonstrar que as atividades lúdicas
encontram-se presentes na aprendizagem e no desenvolvimento da criança em seus
aspectos físico, social, afetivo e cognitivo, visando também a conscientização de
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pais e professores de que o ato de brincar não é apenas lazer, mas, uma alternativa
para desenvolver a aprendizagem, sendo, por isso, fundamental na vida da criança,
atividades tanto em sala de aula quanto fora dela, no âmbito familiar e social.
Sendo assim, o lúdico deve estar relacionado constantemente às questões e
práticas de sala de aula, nas instituições de ensino aprendizagem através das
brincadeiras proporciona ao aluno liberar suas energias em prol dos novos
conhecimentos, além de expandir sua criatividade e fortalecer os laços de
socialização e auto-estima. No brincar não se aprende apenas conteúdos escolares,
mas conhecimentos para toda a vida, a criança equilibra as tensões provenientes de
seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua
personalidade.
É importante e relevante para os educadores que encarem as questões
relacionadas à ludicidade com seriedade e principalmente com conhecimento, pois
ela desvela aos olhos do educador todas as facetas vivenciadas pelas crianças,
principalmente no período da educação infantil e das séries iniciais.
Portanto, é preciso que o educador tenha conhecimento teórico para ter
condições de utilizar o lúdico em sala de aula e, assim, alcançar êxito em sua
empreitada educativa levando a seus alunos conhecimentos concretos que são
facilitados pelo emprego do jogo e da brincadeira, de maneira que os resultados não
se restrinjam ao brincar por brincar e ao jogar por jogar, para passar o tempo ou
dispersar um conteúdo massante e cansativo.
O lúdico deve ser encarado como uma ferramenta a ser utilizada no processo
de aprendizagem de nossos alunos sendo elevado ao patamar de facilitador das
práticas pedagógicas que se concretizam em real aprendizagem nas séries iniciais?
O lúdico tem sua origem na palavra latina “ludus”, que quer dizer jogo, porém,
não queremos aqui restringi-lo apenas ao termo que o compõem, ou traduz para
nosso entendimento.
O presente trabalho deverá abordar a importância de se educar através do
lúdico nas séries iniciais, uma vez que os jogos e brincadeiras são excelentes
oportunidades de mediação entre o prazer e o conhecimento historicamente
constituído dando uma nova roupagem às aulas, tornando-se um facilitador da
prática pedagógica. Porém, vê-se a necessidades de conhecimentos concretos
sobre a ludicidade, o que exige uma mudança de postura nas atitudes pedagógicas.
Independentemente das condições que a escola e o sistema educacional
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proporcionam à sua prática docente, é da responsabilidade de cada professor
motivar suas aulas, tornando-as atrativas e prazerosas, preparando a criança para
que está vá se constituindo como sujeito crítico de suas próprias ações e meio em
que vive.
A partir disso, e por observar na educação resultados insatisfatórios quanto a
aprendizagem real dos alunos que freqüentam as séries iniciais pretendemos tornar
evidente a importância do lúdico e como ele, os jogos, os brinquedos e as
brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem
das crianças. Mostrando, através da pesquisa bibliográfica que o jogar e o brincar
são atos indispensáveis no processo de ensino e aprendizagem nas séries iniciais.
Com tudo, mostrar a importância do lúdico na visão pedagógica dos
professores que atuam nas séries iniciais do ensino fundamental.
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2 DESENVOLVIMENTO
2.1 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1.1 A Origem da Educação Lúdica
A educação lúdica integra uma teoria profunda e uma prática atuante.
A ludicidade é uma ação inerente à criança, ao adolescente, ao jovem e ao
adulto. Enquanto a criança brinca, ela expressa a sua forma de pensamento, de
reflexão e deixa que flua dela uma transparência dos diferentes modos de pensar e
agir.
Sabemos que jogos e competições sempre despertam interesses ao ser
humano seja por esporte ou diversão. Um exemplo é que entre os primitivos as
atividades como: dança, caça, pesca e as lutas eram tidas como motivo de
sobrevivência e muitas vezes lhe era restrito ao divertimento e ao prazer.
As crianças nos jogos participavam de empreendimentos técnicos e mágicos.
O corpo e o meio, a infância e a cultura adulta faziam parte de um só mundo. Os
jogos caracterizam a própria cultura, a cultura era a educação e a educação
representava a sobrevivência.
Platão (427-348) um dos maiores pensadores afirma que os primeiros anos
da criança deveriam ser ocupados com jogos educativos praticados em comum
pelos dois sexos, sob vigilância e em jardins de crianças e que a educação
propriamente dita deveria iniciar-se aos sete anos.
Platão dava ao esporte tão difundido na época, valor educativo, moral,
colocando em pé de igualdade com a cultura intelectual e em estreita colaboração
com ela na formação do caráter e da personalidade.
Por isso se investia contra o espírito competitivo dos jogos que muitas vezes,
usados de forma institucional pelo estado, causavam danos à formação das crianças
e dos jovens.
Platão também introduziu de modo bastante diferente uma pratica matemática
lúdica, enfatizada hoje em dia. Ele aplicava exercícios de cálculos ligados a
problemas concretos, extraídos da vida e dos negócios e afirmava: “todas as
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crianças devem estudar a matemática, pelo menos o grau elementar, introduzindo
desde o inicio, atrativos em forma de jogo”.
“Platão, não queria que problemas elementares de cálculos tivessem apenas
aplicações praticas; queria que atingissem um nível superior de abstração”.
Mesmo entre os egípcios, romanos e maias, os jogos serviam de meio para a
geração mais jovem aprender com os mais velhos os valores e conhecimentos bem
como normas do padrões de vida social. Com a ascensão do cristianismo, os jogos
foram perdendo seu valor, pois eram considerados profanos e imorais sem nenhuma
significação.
A partir do século XVI, os humanistas começaram a perceber os valores
educativos dos jogos, e os colégios jesuítas foram os primeiros a recoloca-los em
pratica. Aos poucos, as pessoas de bem e os amantes da ordem formaram uma
opinião menos radical com relação aos jogos.
Philipp e Áries, editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1978, PP 112-113,
pesquisador da vida social da criança e da família, afirma em relação aos jogos: “os
padres compreenderam desde o inicio que não era possível nem desejável suprimilos ou mesmo faze-los depender de permissões precárias e vergonhosas, ao
contrario, propuseram-se assimila-los e a introduzi-los oficialmente em seus
programas e regulamentados e controlados, assim disciplinados os jogos,
reconhecidos como bons, foram admitidos, recomendados e considerados a partir
de então como meio de educação tão estimáveis quanto os estudos. Um sentimento
novo surgiu a educação adotou os jogos que então havia proscrito e tolerado como
um mal menos. Os jesuítas editaram em latim tratado de ginástica que forneciam
regras dos jogos recomendados e passaram a aplicar nos colégios a dança, a
comedia, os jogos de azar, transformados em praticas educativas para
aprendizagem da ortografia e da gramática”.
Outras teorias, precursores dos novos métodos ativos da educação deram a
importância ao lúdico na educação da criança proclama Rabelais, ainda no século
XVI, “Ensina-lhes a afeição à leitura e aos desenhos e até os jogos de cartas e
fichas servem para o ensino da geometria e da aritmética”.
Montaigne (1553-1592) já partia para o campo da observação, que a criança
adquire curiosamente por todas as coisas como? Um edifício, uma ponte, um
homem, um lugar ou uma paisagem de Carlo Magno ou César.
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Comênius (1592-1671) resumia seu método em três idéias fundamentais que
foram bases da nova didática naturalidade, instituição e ato de atividade, esse
método natural, que obedeceu as leis desenvolvimento da criança, traz consigo
rapidez, facilidade e consciência no aprendizado.
Pestalozzi (1746-1827) graças ao espírito da observação sobre o progresso
do desenvolvimento psicológico dos alunos e sobre o exílio ou fracasso das técnicas
pedagógicas empregadas, abriu um novo rumo para a educação moderna. Segunda
ele, a escola é uma verdadeira sociedade, o jogo é um fator decisivo que enriquece
o senso de responsabilidade e fortifica as normas de cooperação.
Froebel (1782-1852) discípulo de Pestalozzi, estabelece que a pedagogia
deve considerar a criança como atividade criadora, o despertar, mediante estímulos,
suas faculdades próprias para a criação produtiva, na verdade como Frobel se
fortalecem os métodos lúdicos na educação o grande educador faz o jogo uma arte,
um admirável instrumento para promover a educação para as crianças.
A melhor forma de conduzir a criança à atividade, auto-expressão e a
socialização seria por meio dos jogos. Essa teoria realmente determinou os jogos
como fatores decisivos na educação para as crianças.
Para Piaget, Psicologia e Pedagogia, p.158 os jogos tornaram-se mais
significativos à medida que a criança desenvolve, pois a partir da livre manipulação
de materiais variados, ela passa a reconstruir objetos, reinventar as coisas, o que já
exige uma adaptação mais completa. Essa adaptação, que lhe deve ser realizada
pela infância, consiste numa síntese progressiva da assimilação com acomodação.
É por isso que, pela própria evolução interna, os jogos das crianças se transformam
pouco a pouco em construções adaptadas, exigindo sempre mais do trabalho
afetivo, a ponto de na classes elementares de uma escola ativa, todas as transições
espontâneas ocorrem entre o jogo e o trabalho. Op.cit. p.158
Para ele, sendo o homem o sujeito de sua própria história, toda ação
educativa deverá promover o indivíduo sua relação com o mundo por meio da
consciência critica, da liberdade e de sua ação concreta com o objetivo de
transforma-lo. Assim, ninguém se atirara a uma atividade eminentemente séria,
penosa, transformadora (visai de uma realidade futura feliz) se não tiver, no
presente, a alegria real, ou seja, o mínimo de prazer, satisfação e predisposição
para isso.
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A ação de buscar e de apropriar-se dos conhecimentos para transformar
exige
dos
estudantes
esforço,
participação,
indagação,
criação,
reflexão,
socialização com prazer, relações essas que constituem a essência psicológica da
educação lúdica, que se opõe a concepção política ingênua, a passividade, ao
espontaneísmo, à jocosidade, à alienação, a submissão, condicionantes da
pedagogia dominadora e neutralizantes.
A educação lúdica esteve presente em todas as épocas, povos, contextos de
inúmeros pesquisadores, formando hoje, uma vasta rede de conhecimentos não só
no campo da educação, da psicologia, filosofia, como nas demais áreas do
conhecimento.
A educação lúdica integra uma teoria profunda e uma prática atuante. Seus
objetivos, além de explicar as relações múltiplas do ser humano em seu contexto
histórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a libertação das relações pessoais
passivas, técnicas para as relações reflexivas criadoras, inteligentes, socializadoras,
fazendo do ato de educar um compromisso consciente intencional, de esforço sem
perder o caráter de prazer e de satisfação individual e modificador da sociedade. “O
jogo Makarenko acredita que o jogo tenha a mesma importância na vida da criança
como tem o trabalho para o adulto, e que a atuação do adulto em suas diferentes
atividades são reflexos de como se comportava nos jogos durante sua infância. De
acordo com o autor, “para que o jogo seja educativo, é preciso que os pais o
orientem de maneira cuidadosa e consciente” (Makarenko, 1981, p. 50), a fim de que
a criança tenha um desenvolvimento correto e espontâneo de suas capacidades.”,
daí o fato de a educação do futuro cidadão se desenvolver antes de tudo no jogo,
não se pode fazer uma obra educativa sem se propor a um fim, um fim claro, bem
definido, um conhecimento do tipo de homem que se deseja formar. E nesse sentido
que o modelo pedagógico mantém uma relação direta com o presente vivido. A
coletividade infantil recusa absolutamente viver uma vida preparatória.
Quer seja um fenômeno da vida real, hoje para a criança é uma alegria real
presente e não o prometido para mais tarde, recompensa e curto prazo sem
contrariedade próxima.
Ao brincar a criança trabalha fundamentalmente com memória, a
imaginação e a imitação de situações já vivenciadas. Assim, o brinquedo é
muito mais lembrança de alguma coisa que realmente aconteceu do que
imaginação. É mais a memória em ação do que uma situação imaginária
nova. (VYGOTSKY, 1989, p.123)
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Brincar alegra, anima, desperta nossos sentimentos, contribui para o
desenvolvimento global e para a socialização, pois dificilmente brincamos sozinhos e
além disso, envolvemos várias de conhecimento. Esse deve ser o motivo pelo qual o
brincar já passou por várias décadas e ainda continua presente no contexto social.
É preciso afirmar a alegria das satisfações pessoais, partindo da alegria
individual, até atingir a alegria de toda coletividade num prazo bem mais longo, o
futuro da nação como um objeto sério e feliz. A ação de buscar, de apropriar-se dos
conhecimentos, de transformar exigem dos estudantes esforços, participação,
indagação, criação e reflexão, socialização com prazer, relações que constituem a
essência psicológica da educação lúdica, seu objetivo, além de explicar as relações
múltiplas do ser humano em seu contexto histórico, social, cultural e psicológico.
Enfatizam a libertação das relações pessoais passivas, técnicas para as
relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras fazendo do ato de educar
um compromisso consciente intencional de esforço, sem perder o caráter do prazer,
de satisfação individual e modificadora da sociedade.
2.2 O LÚDICO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA
Pensar na educação e seus processos pedagógicos nas séries iniciais
e
deixa-los desvinculados da ludicidade, nos trás a visão de que a educação e seus
processos pedagógicos encontram-se desprovidos de mobilidade, clareza e prazer,
ou seja, prazer de ver, ouvir, falar, ler, escrever e reescrever em sala de aula, isso
significa que o processo de ensino e aprendizagem acontecem de maneira
estanque, fria e sem vida aos olhos dos alunos. É preciso que o que se deve
aprender dentro da escola, se aprenda de maneira agradável, sadia e feliz, é
retrógrado atualmente a idéia de que precisamos sofrer para aprender.
Por isso, que se faz necessária a utilização do lúdico enquanto ciência em
sala de aula nas atividades sistematizadas e cientificamente elaboradas dos
educadores.
As mudanças sociais e consequentemente pedagógicas, os avanços
tecnológicos impulsionam a escola a buscar soluções para os problemas que
envolvem os processos de ensino e aprendizagem, visto dessa maneira podemos
afirmar que a ludicidade tem conquistado espaço significativo em nossas salas de
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aula, visto que jogar ou brincar pedagogicamente permite aos educadores um
trabalho harmonioso e eficaz possibilitando a produção do conhecimento, pois, a
atividade lúdica constitui um dos meios fundamentais para satisfazer os interesses
dos alunos principalmente em se tratando dos conteúdos programáticos,
oferecendo-lhes inúmeras possibilidades educativas.
Para Kishimoto (2001), existe uma diferença do brinquedo para o material
pedagógico baseado na natureza dos objetivos da ação educativa, apresentando
seu interesse sobre o jogo pedagógico, quando afirma:
Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos
simbólicos dispostos intencionalmente, à função pedagógica subsidia o
desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo
empregado na escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico,
apresenta caráter educativo e pode receber também a denominação geral
de jogo educativo (KISHIMOTO, 2001, p.83).
Neste sentido, no âmbito escolar os jogos atuam como coadjuvantes no
processo de ensino e aprendizagem, pois, fazem parte das ferramentas utilizadas
pelo professor para obter sucesso em sua empreitada didática.
Sendo por meio da nossa cultura, conhecemos os jogos e as brincadeiras que
foram passados de geração a geração, algumas que até brincávamos quando
éramos crianças.
As crianças precisam se integrar umas com as outras, estabelecer vínculos
afetivos, desenvolver o seu esquema corporal, enfim, desenvolver várias outras
áreas de seu aprendizado pessoal que esses jogos e brincadeiras podem propiciar.
Quando a criança vai adquirindo domínio de seus movimentos, ela passa a
imitar o outro. Esta imitação é necessária nos primeiros anos de vida da criança, o
subsídio básico para o desenvolvimento da função simbólica. A construção da
imagem mental está ligada a representação quando se dá por esse processo, onde
representar passa a ser uma possibilidade de evocar algo que a criança percebe no
mundo exterior. A criança começa a modificar sua brincadeira através do jogo, do
faz-de-conta. O brinquedo simbólico das crianças pode ser entendido como um
sistema muito complexo de fala através de gestos quando
O professor deve estar consciente da necessidade e importância da
ludicidade também nas séries iniciais, permitindo que o educando brinque,
favorecendo seu crescimento e desenvolvimento de forma significativa, percebendo
que os brinquedos são excelentes oportunidades para nutrir a linguagem da criança
ampliando cada vez mais seu vocabulário.
18
Por isso, a escola deve valorizar e resgatar os jogos e brincadeiras em seu
contexto, pois assim, valoriza nossa cultura e são os valores culturais que
contribuem muito para a formação dos seres humanos e que proporcionam muita
alegria para as crianças.
2.3 O LÚDICO NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR
Os jogos e brinquedos, embora sendo elementos sempre presentes na
humanidade desde seu início, também não tinham a conotação que tem hoje, eram
vistos como fúteis e tinham como objetivo a distração, o recreio.
Sabemos que a palavra lúdico vem do latim “ludus”, e significa brincar e é
neste brincar que estão incluídos os jogos, brinquedos, brincadeiras e divertimentos
que se usados de maneira correta e indutiva pelo educador poderá exercer a função
de educar e oportunizar a aprendizagem do educando, seu saber, seu conhecimento
se desenvolve, a sua compreensão de mundo, independente da época, cultura e
classe social.
O educador que está sempre buscando aperfeiçoar seus conhecimentos,
sabe que os jogos e brincadeiras fazem parte da vida da criança pois eles vivem
num mundo de fantasia, de encantamento, de alegria e de sonhos, onde as
realidades e o faz de conta se confundem, e que o jogo está no gênero do
pensamento, da descoberta de si mesmo, da possibilidade de experimentar, de criar
e de transformar o mundo, pois, existem hoje vastos e amplos meios e fontes de
informações que podem atualizar e orientar o educador, para que o mesmo possa
estar entrando com a criança neste mundo imaginário. Não podemos deixar de
lembrar que a criança está sempre pedindo: “professor, vamos brincar!”
Questões como essas se fazem presentes no dia a dia do educador. Mesmo
que para tanto temos o mínimo de espaço possível no currículo pedagógico, por
esse motivo cabe então, a todos os educadores lançarem mão de um tema
importantíssimo que é a interdisciplinaridade, onde podemos envolver todos os
conhecimentos e utilizar o lúdico como facilitador na aprendizagem desses
conhecimentos..
Queremos deixar claro que é de fundamental importância que todos nós
educadores entendamos que educar não se limita apenas a repassar informações,
19
que jogos não são somente para serem jogados, brincadeiras para se brincar,
porém, são para descobrir, acreditar e aceitar que cada jogo, brincadeira ou
brinquedo tem seu valor e objetivos que deverão ser discutidos, analisados e
colocados em prática, oferecendo variadas ferramentas para que o educando possa
escolher entre muitos caminhos, aquele que compatível ao seu potencial, anseio, e
visão de mundo, pois, o lúdico é uma necessidade do ser humano em qualquer
idade e não pode ser visto de maneira nenhuma como apenas diversão, mas sim,
como motivador do desenvolvimento pessoal, social e cultural, onde colabora em
parte fundamental para uma melhor preparação da saúde mental e social, facilitando
os processos de comunicação, expressão e construção do conhecimento.
A questão conhecimento é sempre recolocada e, apesar das reflexões
teóricas a respeito do processo educacional há muito a se rever e se fizermos um
paralelo entre a educação tradicional e àquela que faz uso do lúdico tanto na
formação do educador como a do aluno sempre faltará na tradicional a última peça
do quebra-cabeça, pois a formação do educador envolve o lúdico que se assenta em
pressuposto que valoriza a criatividade, cultivo da sensibilidade, busca da
afetividade, a nutrição da alma, proporcionando aos educandos vivências lúdicas,
experiências corporais que se utilizam da ação, do pensamento e da linguagem
através do lúdico.
Nesse sentido, a formação do educador, deve apoderar-se da qualidade e
sustentar-se nela.
A formação pedagógica deve associar-se à formação lúdica que possibilitará
em uma visão clara sobre a importância do jogo, do brinquedo ou brincadeira para
suas vidas, as vidas das crianças, dos jovens e dos adultos.
Ao resgatarmos as funções do lúdico na formação do educador e na
aprendizagem do educando estamos retomando a história e a evolução do homem
na sociedade, pois, cada época e cada cultura têm uma visão diferente de mundo,
pois a criança era considerada miniatura de adulto, ou quase um adulto. Os jogos e
brincadeiras, embora sendo elementos sempre presentes na humanidade desde seu
início, também não tinham a conotação que tem hoje, eram vistos como fúteis e
tinham como objetivo a distração e o recreio, sendo assim, dentre as contribuições
mais importantes deste estudo podemos destacar que:
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As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já
que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive
socialmente e opera mentalmente.
O brinquedo e o jogo são produtos da cultura e seu uso permitem a inserção
da criança na sociedade;
O brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a
habitação e a educação;
O jogo é essencial para a saúde física e mental.
Formar professore com pleno conhecimento lúdico é uma tarefa árdua e
difícil, pois o educador tem que ter um conhecimento profundo e acreditar que ele é
capaz de conscientizar o ensino lúdico como uma forma de aprendizagem. Sabemos
que hoje o lúdico deixou de ser visto como algo relevante somente na primeira
infância, pois estudos e pesquisas voltadas para as áreas humanas utilizam a
ludicidade como instrumento de trabalho usado por outras instituições além da
escola.
Mesmo com os avanços da tecnologia, as brincadeiras ainda são utilizadas e
estão presentes no cotidiano das nossas crianças, possibilitando mudanças,
transformações e garantia de uma maior participação do educando no contexto
social ao qual ele encontra-se inserido.
Toda atividade lúdica estimula o processo de aprendizagem de maneira
agradável, porém deve ser utilizada com pesquisa e conhecimento por parte do
educador para que realmente configure-se em ferramenta nas situações de
aprendizagem que se concretizam em sala de aula, favorecendo o educador que
ensina,
o
educando
que
se
apropriará
de
novos
conhecimentos
e
consequentemente de novas aprendizagens, contribuindo para a comunicação de
ambos, seja ela na forma oral, postural, gestual, gráfica, etc.
A escola tem como função primordial transformar a sociedade, oportunizando
aos educandos um ensino de qualidade que vise o desenvolvimento integral e
harmônico de suas funções biológicas, psicológicas e sociais, visando também a
formação do cidadão autônomo, crítico e responsável.
É por isso que o contexto escolar e principalmente o professor deve investir e
apostar na ludicidade como fonte de aprendizado e desenvolvimento da criança
além de transformar-se em um lugar agradável e de prazer de aprender, de forma
21
que as brincadeiras e jogos permitam ao educador alcançar sucesso em sua práxis
pedagógica.
2.4 O PAPEL DO PROFESSOR
Ciente da importância dos jogos e brincadeiras na educação infantil, o
professor deve elaborar propostas de trabalho que incorporem as atividades lúdicas.
Deve também, propor jogos e brincadeiras. Não há a necessidade de o jogo ser
espontâneo, idealizado pela criança.
Para que um professor introduza jogos no dia a dia de sua classe ou planeje
atividades lúdicas, é preciso, que ele acredite que brincadeira é essencial na
aquisição de conhecimentos, no desenvolvimento da socialização e na construção
da identidade.
A professora Vera Lúcia dos Santos diz que a atitude do professor é sem
dúvida, decisiva no que se refere ao desenvolvimento do faz de conta. Ela destaca
três funções diferenciadas que podem ser assumidas pelo professor, conforme o
desenrolar da brincadeira:
1) Função de observador, na qual o professor procura intervir o mínimo
possível, de maneira a garantir a segurança e o direito à livre manifestação de todos;
2) Função de catalisador (perceber), procurando através da observação,
descobrir as necessidades e os desejos implícitos na brincadeira, para poder
enriquecer o desenrolar de tal atividade;
3) Função de participante ativo nas brincadeiras, quando como um mediador
das relações que se estabelecem e das situações surgidas;
Apesar de o jogo ser uma atividade espontânea nas crianças, isso não
significa que o professor não necessita ter uma atitude ativa sobre ela, inclusive,
uma atitude de observação que lhe permitirá conhecer muito sobre as crianças com
que trabalha. Podemos sintetizar algumas funções do professor frente aos jogos:
Providenciar um ambiente adequado para o jogo infantil a criação de espaços
e tempos para os jogos é uma das tarefas mais importantes do professor,
principalmente na escola de educação infantil. Cabe-lhe organizar os espaços de
modo a permitir as diferentes formas de jogos, de maneira, por exemplo, que as
crianças que estejam realizando um jogo mais sedentário não sejam atrapalhadas
22
por aquelas que realizam uma atividade que exige mais mobilidade e expansão de
movimento.
O professor precisa estar atento à idade e às necessidades de seus alunos
para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser
suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que
despertam pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de
respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças. A sucata
é um exemplo de material que preenche vários distes requisitos.
É também preciso permitir a repetição dos jogos. Pois as crianças sentem
grande prazer em repetir jogos que conhecem bem. Sentem-se seguras quando
percebem que contam cada vez mais com habilidades em responder (ou executar) o
que é esperado pelos outros; sentem-se seguras e animadas com a nova
aprendizagem.
Enriquecer e valorizar os jogos realizados pelas crianças. A observação
atenta pode indicar ao professor que sua participação seria interessante para
enriquecer a atividade desenvolvida, introduzindo novos personagens ao novas
situações que tornem o jogo mais rico e interessante para as crianças, aumentando
suas possibilidades de aprendizagem. Valorizar as atividades das crianças,
interessando-se por elas, animando-as pelo esforço, evitando a competição, pois em
jogos não competitivos não existem ganhadores ou perdedores. Outro modo de
estimular a imaginação das crianças é servir de modelo, brincar junto ou contar
como brincava quando tinha a idade delas.
Muitas vezes o professor, que não percebe a seriedade e a importância dessa
atividade para o desenvolvimento da criança, ocupa-se com outras tarefas, deixando
de observar atentamente para poder refletir sobre o que as crianças estão fazendo e
perceber seu desenvolvimento, acompanhar sua evolução, suas novas aquisições,
as relações com as outras crianças, com os adultos. Para tanto, pode ser elaborada
uma planilha, um guia de observação que facilite o trabalho do professor.
O professor precisa ajuda a resolver conflitos, pois durante certos momentos
dos jogos acontecem com certa freqüência conflitos entre as crianças. A atitude
mais produtiva do professor é conseguir que as crianças procurem resolver esses
conflitos, ensinando-lhes a chegar a acordos, negociar e compartilhar.
Através dos jogos cada criança terá a oportunidade de expressar seus
interesses, necessidades e preferências. O papel do professor será o de propiciar-
23
lhes novas oportunidades e novos materiais que enriqueçam seus jogos, porém,
respeitando os interesses e necessidades da criança de forma a não forçá-la a
realizar determinado jogo ou participar de um jogo coletivo.
È de suma importância que o professor busque uma formação que contemple
a ludicidade e vivenciá-la em sala de aula e também nos diversos ambientes onde a
educação aconteça, significa abrir espaço para um aprendizado afetivo e prazeroso
para o educando, considerando a educação como vida presente, sendo ela a melhor
maneira do educador expressar sua criatividade. Sendo o educador, sujeito de sua
práxis pedagógica tendo condições de propiciar ao educando a concretização do
processo de aprendizagem, colaborando na formação de um sujeito crítico, dinâmico
e ativo em sociedade sendo ele coadjuvante ao exercer sua cidadania.
Sendo assim, ao papel do adulto/educador se faz necessário numa vivência
em todas as fases da infância, pois é importante ter atrelado ao seu autoconhecimento e autoconsciência, o conhecimento teórico. Desta forma, ele estará
preparado para intervir no jogo infantil, de maneira adequada, destacando o
progresso e proporcionando mais crescimento. O adulto deve ser um facilitador do
jogo e não um jogador. Brincar com criança não é perder tempo, é ganhá-lo; se é
triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados, em
salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor
para a formação do homem.
A sala de aula é um lugar para brincar, se o educador consegue conciliar os
objetivos pedagógicos com os desejos do aluno. Para isso é necessário encontrar
equilíbrio sempre móvel entre o cumprimento de suas funções pedagógicas e
contribuir para o desenvolvimento da subjetividade, para a construção do ser
humano autônomo e criativo. Credita ao aluno, isto é, 'a sua ação, à parte de
responsabilidade no desenvolvimento. Mesmo procurando fazer sua parte, o
educador e a escola dão e respeitam a possibilidade de que outra coisa aconteça.
Brincar na sala de aula é uma aposta.
24
2.5 O LÚDICO E AS ATIVIDADES FÍSICAS COMO MEDIADORES NO PROCESSO
DE APRENDIZAGEM
O lúdico é uma atividade física mediadora na aquisição da linguagem oral e
escrita. Oportunizar a reflexão sobre a prática pedagógica que é utilizada pelo
educador na escola. Pode levar a constituir uma concepção de linguagem que
resulte em uma prática dinâmica, onde o lúdico, a imagem e a atividade física tornarse-ão mediadores do processo de aprendizagem das séries iniciais, seja a
aprendizagem oral ou escrita e também na habilidade de ouvir, falar, ler escrever e
reescrever.
O lúdico, dentro do universo escolar não possui apenas o objetivo de
proporcionar aos educandos alguns momentos de recreação, nas aulas de
educação física, mas sim, uma prática pedagógica interdisciplinar considerando o
aluno como sujeito de suas ações criando e vivenciando momentos.
O mestre não pode simplesmente depositar certo número de
conhecimentos já adquiridos, mas deve transmitir o já adquirido a partir da
situação existencial do discípulo e de maneiro tal que sua revelação
criadora chegue a confundir como a própria invenção problematizadora
(DUSSEL, 1977, p. 133).
Quando o educando depara-se com um professor onde suas aulas envolvem
o lúdico, ele mantém um relacionamento mais profundo e sincero e aproveita cada
situação para debater, discutir visando a concretização de sua aprendizagem, pois,
quando o aluno gosta do professor e da aula ele se esforça cada vez mais para
aprender e não decepcionar. Quando a criança sente que é amada e respeitada pelo
professor e pela escola, sua permanência na escola se fortalece, e só uma causa
muito forte o faz abandona-la.
Temos consciência de que quando um professor desperta no educando amor
pelos estudos ele mesmo se compromete em aprofunda-los, buscando novos
conhecimentos, pois, o educando vai atrás de conhecimentos mais elaborados,
gosta de desafios, busca soluções para os problemas, as dificuldades, e isso
acontece em todas as etapas de sua aprendizagem desde os primeiros anos até o
nível superior.
De um modo geral é preciso resgatar o verdadeiro sentido da palavra escola,
um lugar de alegria, prazer intelectual, satisfação; é preciso pensar também na
formação do professor, para refletir cada vez mais sobre sua função.
25
Para Makarenko o professor não deve opor-se a liberdade do aluno, deve
sim, reforçar a confiança, incentivando a autonomia do aluno para a aprendizagem
no âmbito da consciência individual e coletiva, o professor deve ajudar o movimento
de vai-vem entre o indivíduo e a coletividade, isto é promover a autogestão da
coletividade pelo próprio aluno.
2.6 O JOGO COMO INSTRUMENTO DE FORMAÇÃO DO EDUCANDO OU
ALIENAÇÃO
A liberdade de ação do jogador, a separação do jogo em limites de espaço de
tempo, a incerteza que predomina o caráter improdutivo de não criar nem bens nem
riquezas em suas regras. (CAILLOIS, 1967, p. 42-43)
Sabe-se que existe hoje certa confusão com relação à natureza do jogo seja
ele fruto de uma prática social, fenômeno psicológico ou cultural.
Às vezes o jogo surge na vida cotidiana como um fato positivo, de caráter
formador ou mesmo como expressão máxima de lazer determinante, folga, da
alienação do próprio consumismo.
Nos dias de hoje é difícil uma criança de qualquer classe social, encontrar no
convívio familiar uma vivencia de alegria, participação, de comunicação e de
afetividade.
Muitas vezes os pais sobrecarregados pelos encargos do dia a dia e pelas
preocupações, não dispõem de tempo para estar com seus filhos para simplesmente
brincar com eles ou proporcionar-lhes divertimento sadio. Existe um muro de
indiferença quando não um clima de hostilidade, que parece levantar-se entre eles, e
os filhos acabam perdendo a confiança afetuosa e as incompreensões são
constantes.
No livro Oito Pecados Mortais da Civilização Konrad Lorenz afirma que a
excessiva competição ou corrida da humanidade cegaram o homem de todos os
valores reais, tirando-lhe o tempo e a possibilidade de refletir sobre si e sobre sua
verdadeira condição, afrouxando os sentimentos e os afetos mais profundos.
Como fruto dessa corrida desenfreada surge uma massa cansada
descomprometida,
sem
nenhuma
iniciativa
para
relacionar-se,
recebendo
26
passivamente tudo o que lhe é imposto e comportando-se como se as razões
exteriores fossem motivos internos de suas ações.
De modo geral, na estratificação, especialização e exploração do homem pelo
sistema de produção, torna-se quase impossível ao ser humano incluir na síntese de
seu ego alguns segmentos da sociedade em que vive.
O sistema de produção, em vez de permanecer como utensílio à extensão de
funções fisiológicas do homem, leva-o a ser a extensão de si mesmo. Torna-o um
segmento de vida, separando-o de sua própria vida.
Dessa forma a criança, o jovem e mesmo o adulto neutralizados de sua
consciência de ser no mundo, são bombardeados por um falso jogo que lhes
promete alegria, poder, riquezas e prazer, associados à idéia de consumo, cujo
conceito chave se define no esbanjamento, redundância e alienação da realidade.
Muitas vezes esse falso jogo, travestido de brinquedos, modismo pedagógico,
programas de TV, rádio, computadores, esporte de massa, carnaval; impostos de
cima para baixo e usados para desviar o ser humano dos problemas que o ocupam
e o subjugam.
O falso jogo não visa a formação, a educação, mas a doutrina consumista,
cuja média é a imposição do produto a qualquer preço e a neutralização das
pessoas nos aspectos mais essenciais.
Quem mais se ressente e torna-se vítima desse processo é a criança, que
sem saber o porquê das coisas, ainda é capaz de sorrir, brincar e acreditar num
mundo diferente e verdadeiro. Mal sabe do destino que lhe foi designado e daquilo
que será cobrado mais tarde. De modo geral, a situação que se encontra é a
seguinte:
Na família, os pais passam a vender para os filhos uma idéia falsa de mundo,
onde o prazer não se efetiva na brincar, no participar, no crescer sadiamente, no
aprender, no pensar, no socializar, mas, no comprar, no gostar, no individualizar-se.
Na escola, os professores devoram as crianças pelo rigor, pela boa base, pelo
preparo para o vestibular, pela exigência absurda de nota, prova, recuperação, lição
de casa excessiva, palavras de ventríloquo, e é com esse tipo de programa que as
escolas vendem o produto aos pais e cobram mais caro.
Por sua vez a criança da classe de baixa renda, na escola pública é devorada
pela desorganização, pela falta de critérios, pelo desgaste dos professores, pelas
exigências burocráticas, pela evasão e pela reprovação escolar em massa. Na
27
realidade, torturam-na agora, em benefício daquilo que ela poderá ser um dia, se
cair na armadilha que os grandes armam para ela.
A revista Escola, publicou uma reportagem assustadora, afirma que mais de 7
milhões de crianças trabalham em carvoarias, lavouras de café, cana-de-açúcar,
muitas como escravas, sem direito à escola, brinquedos, descanso e alimentação
adequada. A CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura no
Brasil) tem denunciado esses abusos, segundo a Instituição, os bóias-frias mirins
constituem um grupo vulnerável submetido a uma forma de exploração brutal que
lhe causa danos físicos, psicológicos e morais.
A UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) adverte as autoridades
quanto ao abuso cometido contra a infância. Demonstra que 7,5 milhões de crianças
entre 10 à 17 anos precisam trabalhar para sobreviver; 53,5% das crianças entre 10
à 17 anos passam fome, pois suas famílias recebem menos de um salário mínimo
por mês, milhares de crianças morrem antes de completar um ano (97 por mil) e
milhões de crianças se evadem das escolas, são expulsas ou reprovadas.
Como se não bastasse os desgastes na família e o desrespeito na escola elas
são vitimas da televisão. A criança representa uma grande indústria de venda
associada ao capital monopolista. Por meio de filmes, comerciais, novelas,
programas infantis, incutem-lhe, desde cedo, valores de consumo, submissão,
sonhos, ilusões, preparando-a para ser cidadã do amanhã.
Freinet em seus estudos enfatizou a supremacia do trabalho e do jogo na
formação das crianças, ele recusou setores inteiros da vida, o cinema e outras
ocupações semelhantes na época eram classificados como haxixe. Denunciou os
perigos de uma vida vã e evasão imaginária por meio das imagens. Esse tipo de
passatempo não deve fazer parte da vida da criança.
Se Freinet vivesse nessa época observando o contexto sociocultural, moral
dos dias de hoje a que são submetidas as crianças e os jovens, ficaria
escandalizado, sobretudo com a televisai, que oferece um fascínio domesticador,
consumista, falso jogo, além de passar lixo cultural, o ócio, a alienação própria do
sistema de reprodução e dominação de classes.
Ao analisar os meios de comunicação social, principalmente a televisão, não
se questiona a televisão em si, mas o modo como é constituída, o conteúdo de sua
programação, os domínios de suas concessões, a falsa alegria que passa para a
28
criança, para os adolescentes e adultos em sua interiorização de valores,
culturalmente aceitos.
E é muito importante acrescentar a relação entre a criança, a educação e o
brinquedo e que influencia ele exerce sobre ela.
2.7 A CRIANÇA, A EDUCAÇÃO E O BRINQUEDO
Considerando o brinquedo e a realidade da criança relativa a intenção dos
adultos, devemos lembrar que o brinquedo é hoje um objeto de consumo, numa
sociedade que propõe qualquer objeto para ser consumido como brinquedo.
Esse objeto se transforma em “falso jogo” e traz a superfície à oposição entre
o jogo e o trabalho, o objeto lúdico (brinquedo) comprado tem como destino
satisfazer a necessidade imediata (tão logo preenchidas essas necessidades, vai-se
em busca de outra nova necessidade).
Por isso, supervaloriza a produção e acrescenta-se a publicidade, a qual
tirando proveito da confusão entre o real e o imaginário, exibe sedutoramente o
absoluto da satisfação, futura, para que aí se introduza o germe da decepção.
Satisfeita com o brinquedo, a criança não joga mais, não explora, não cria
nem representa concretamente seu pensamento.
E de fato compreender que o conteúdo do brinquedo não determina a
brincadeira da criança, ao contrario o ato de brincar (jogar, participar) é que revela o
conteúdo do brinquedo.
O brinquedo faz parte da criança, simboliza a relação, pensamento ação, e,
sob esse ponto constitui provavelmente, a matriz de toda a atividade linguística, e
torna possível o uso da fala, do pensamento e a imaginação.
O primeiro brinquedo utilizado pela criança é seu próprio corpo, que começa a
ser explorado nos primeiros meses de vida; em seguida ela passa para objetos que
produzem estimulações auditivas ou sinestésicas. A partir daí o brinquedo estará
sempre na vida da criança, do adolescente e mesmo do adulto.
O mundo do brinquedo é um mundo composto, que representa o apego, a
imitação, a representação, e não aparece simplesmente como uma exigência
indevida, mas faz parte da vontade de crescer e se desenvolver. Ao brincar com
bonecas ou utensílios domésticos, por exemplo, em miniatura, uma criança exercita
29
a manipulação dos objetos, compondo-os e recompondo-os, designando-lhes um
espaço e uma função. Na dramatização ela reflete suas relações e eventualmente
seus conflitos, gritos com as bonecas, usando as mesmas palavras da mãe, para
descarregar sentimentos de culpa; acaricia e afaga-as para exprimir suas
necessidades de afeto, pode escolher uma delas para amar ou odiar de modo
especial, caso a boneca lembre o irmãozinho, ou do qual tem ciúme.
Os brinquedos terão sentido profundo se vierem representados pelo brincar.
Por isso, a criança não cansa de pedir aos adultos que brinquem com ela, estes,
quando brincam com as crianças, tem a vantagem de dispor de uma experiência
mais vasta e mais rica, podendo ir mais longe com a imaginação, aumentando com
isso seu coeficiente, não só de informações intelectuais, mas, de nível linguístico,
por exemplo, quando brinca de construção o adulto sabe calcular melhor as
proporções e equilíbrio.
Possui um repertório mais rico do ponto de vista lingüístico, e por isso ganha
em organização, direção e abre novos horizontes.
A formação da criança e a concretização de sua aprendizagem está
sensivelmente ligada ao lúdico, aos jogos e brincadeiras que contribuem na sua
passagem do imaginário para o real e consequentemente para a sua formação
integral como cidadã e parte integrante da sociedade.
2.8 A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DO JOGO
È muito comum ouvirmos dizer que “os jogos não servem para nada e não
têm significação alguma dentro das escolas, a não ser na cadeira de educação
física”. Tal opinião está muito ligada a pressupostos da pedagogia tradicional, que
exclui o lúdico de qualquer atividade séria ou formal.
Sabemos que a criança fica reconhecida pelo fato de ter se esforçado e não
apenas ter repetido: mais tarde compreendemos que tudo o que fizemos com ela e
por
ela
não
trará
retorno
no
exato
momento,
porém,
a
longo
prazo,
compreenderemos que valeu muito a pena ter lutado sem medir esforços e que a
tensão, vai culminar na alegria de compreender, pois a criança não é apenas um ser
de capricho e dispersão, mas quer entrar vivamente no jogo, mesmo se não puder lá
chegar se não com o auxilio externo.
30
Ela gosta das vitórias penosas, ainda quando se deixa arrastar pelo fácil, pelo
divertido, pelo engraçado. Podemos acreditar na seriedade da criança que aspira a
grandeza, num anseio que o adulto tem a certeza de poder manter ainda.
Conduzir a criança à busca, ao domínio de um conhecimento concreto,
misturando habilmente uma parcela de esforço com uma leve dose de brincadeiras
transformaria o trabalho, o aprendizado num jogo, bem sucedido momento em que a
criança mergulha profundamente sem dar conta disso.
É preciso não esquecer que o objetivo da escola é transmitir o conhecimento
historicamente acumulado e é por isso que fazemos constantemente uso da
reflexão, inteligência, adaptações e a capacidade de solucionar problemas, não
medindo para tanto o esforço, prazer, instrução e diversão para uma educação que
será sinônimo de vida, educação para a vida.
Segundo KIshmoto (1997, p.36): “o uso do brinquedo, o jogo educativo com
fins pedagógicos remete-nos para a relevância desse instrumento para situações de
ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil”.
A escola tem como função primordial transformar a sociedade, oportunizando
aos educandos um ensino de qualidade que vise o desenvolvimento integral e
harmônico de suas funções biológicas, psicológicas e sociais, visando também a
formação do cidadão autônomo, crítico e responsável.
A sala de aula é um lugar para brincar, se o educador consegue conciliar os
objetivos pedagógicos com os desejos do aluno. Para isso é necessário encontrar
equilíbrio sempre móvel entre o cumprimento de suas funções pedagógicas e
contribuir para o desenvolvimento da subjetividade, para a construção do ser
humano autônomo e criativo. Credita ao aluno, isto é, 'a sua ação, à parte de
responsabilidade no desenvolvimento. Mesmo procurando fazer sua parte, o
educador e a escola dão e respeitam a possibilidade de que outra coisa aconteça.
Brincar na sala de aula é uma aposta.
2.9 TÉCNICAS PARA OS JOGOS PEDAGÓGICOS
Para o professor é de suma importância que além destes jogos ele crie
outros, desde de que investigue e analise os resultados de sua aplicação e esteja
muito bem preparado para aplica-los.
31
O professor, antes de colocar em prática qualquer atividade, deverá
organizar-se traçar plano como: conhecer os alunos e o ambiente; adequação dos
objetivos: preparo dos alunos; condução das atividades ver se os alunos
entenderam as regras e as metas do jogo.
Na aplicação dos jogos o professor deve:
Ser um guia.
Ser um desafiador, estimulador da inteligência.
Ser um problematizador.
Analisar e discutir o porquê, para quê, para quem e os efeitos do jogo.
Colocar-se como irmão mais velho, junto ao qual os menores buscam
segurança e novos conhecimentos.
Ter consciência do que faz e saber porque faz.
Ser um libertador (estar seguro).
Motivar sempre os alunos.
Ter variedades de jogos e técnicas.
Adaptar-se a realidade e ter flexibilidade.
Preparar e conscientizar os alunos para os jogos em grupos.
Relatar e publicar experiências para que outros possam conhecê-las.
2.10 A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR
Toda a criança tem o direito de brincar, pos brincar é fundamental para o seu
próprio desenvolvimento físico, psíquico e social.
A brincadeira corresponde a um impulso natural da criança, e, neste sentido,
satisfaz a uma necessidade interior, pois o ser humano apresenta uma tendência
lúdica.
O ser que brinca e joga é também um ser que age, sente, pensa, aprende e
se desenvolve.
O brinquedo possui uma influência grande no desenvolvimento infantil. O
comportamento da criança é determinado pelo ambiente e pelas condições que nele
lhes são impostas.
A união de motivação e a percepção são características da consciência da
criança na primeira infância. Nessa, a percepção não é um aspecto
independente e sim integrado a uma relação motora (VYGOTSKY, 1989).
32
Nessa idade existe uma estrutura de ação, na qual o significado é o
determinante, embora a influência do significado sobre o comportamento da criança
deve se dar dentro dos limites fornecidos pelos aspectos estruturais da ação.
Portanto, no brinquedo, uma ação substitui outra ação como um objeto
substitui outro. A criança se desloca de um objeto para outro, através de
um movimento no campo do significado, pois a eles estão subordinados
todos os objetos e ações reais (VYGOTSKY, 1994, p 131-132).
Brincar deve ser uma realidade cotidiana na vida da criança e para que ela
brinque o suficiente, é preciso que não sejam impedidas de exercitar sua
imaginação. A brincadeira é um instrumento que permite as crianças relacionarem
seus interesses e suas necessidades com a realidade de um mundo que pouco
conhecem por ser o meio que possuem para interagir com o universo dos adultos,
que já existia quando elas nasceram e que só aos poucos poderão compreender. A
brincadeira expressa a forma como uma criança reflete, ordena, reorganiza, constrói
e reconstrói o mundo a sua maneira. É também um espaço onde a criança pode
expressar de modo simbólico, suas fantasias, seus desejos, medos, sentimentos e
os conhecimentos que vai construindo a partir das experiências vividas.
Muitas crianças em tenra idade são solicitadas ao trabalho e perdem, por
isso, a oportunidade de se relacionarem com outras crianças e de se socializarem
em grupos.
Os pais, por estarem sempre concentrados em suas ocupações e tarefas que
às vezes se deixam levar por seus atributos e esquecem da importância da
brincadeira com que um dia também foram crianças.
Cabe então a nós professores desempenhar este papel, procurando recursos
com criatividade para então dar início ao processo de socialização e convivência da
criança cm outros colegas ou grupos, o professor então deverá saber orienta-los e
integrá-los através da comunicação e brincadeiras e sobretudo desenvolver e aplicar
a integração e o respeito com os colegas, trazendo melhor qualidade de vida, saúde
e bem estar.
2.11 JOGOS E BRINCADEIRAS TRADICIONAIS
Os jogos tradicionais são aqueles que por suas características de fácil
assimilação, desenvolvimento de forma prazerosa, aspectos lúdicos e função em
33
seu contexto, foram aceitos coletivamente e preservados através dos tempos,
transmitidos oralmente de uma geração a outra. Pois foi vendo, ouvindo e
participando que crianças de várias gerações aprenderam e ensinaram, usufruíram e
nos legaram estas atividades que nós, educadores chamamos de jogos tradicionais.
Os jogos tradicionais geralmente são criados pela criança e para a criança
que no mundo lúdico encontrará equilíbrio entre o real e o imaginário, alimenta sua
vida interior, descobre o mundo, torna-se operativa, pois quando brinca, a criança
está tomando certa distância de vida cotidiana, e entrando no mundo imaginário.
As brincadeiras de faz de conta, os jogos de construção e aqueles que
possuem regras, jogos tradicionais, didáticos e corporais proporcionam a ampliação
dos conhecimentos infantis por meio da atividade lúdica,
por meio de jogos e
brincadeiras os professores podem observar e constituir uma visão dos processos
de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular,
registrando suas capacidades de uso das linguagens assim como de suas
capacidades sociais e dos recursos afetivos e emocionais que as crianças dispõem,
pois brincar leva a criança a tornar-se mais flexível e buscar alternativas de ação.
“O jogo é para a criança um fim em si mesmo ele deve ser para nós uma meio
de educar, de onde seu nome jogo educativo que toma cada vez mais lugar na
linguagem de pedagogia maternal (Girard, 1908, pg.199)”
Assim sendo o jogo propicia a diversão, o prazer e o equilíbrio emocional
quando o jogo é adotado de natureza livre parece incompatibilizar-se com a busca
de resultados, típicos de processo educativos, basta, no entanto o professor
encontrar em cada jogo um objetivo para se trabalhar em sala de aula.
2.12 ENSINAR BRINCANDO
Entre as várias idéias a respeito desse assunto, sobressaem inicialmente os
de Kar Groos, que em 1896, explicou o brinquedo como sendo um exercício
preparatório para as atividades adultas, pois o brinquedo corresponde a uma
necessidade natural e podemos observar claramente este comportamento ao
observar a emoção de uma criança quando ela ganha o brinquedo desejado.
O brincar então tem a função de descarregar as tendências anti-sociais que
mostram incompatíveis com estagio atual de nossa civilização. O brinquedo tende a
34
canalizar no sentido útil as tendências consideradas nocivas à vida coletiva, os
impulsos agressivos e sexuais, que se manifestam tão precocemente na criança,
adquirem, por meio do brinquedo, as mais variadas formas de expressão, como os
combates simulados, os ataques de mentira, o brinquedo de boneca, os brinquedos
da família etc. Para os psicológicos o jogo nada mais é do que a livre expansão de
tendências adultas mais ou menos represadas.
2.12.1 Brinquedo Funcional ou Experimental
No primeiro ano de vida a criança brinca no inicio, com seus próprios
membros; Piaget atribui muitos desses “jogos de exercício” a auto imitação: o bebê
imita a si mesmo, muitas vezes repetindo um movimento casual ou um reflexo que
acaba de efetuar, como: olhar a luz e as cores, escutar os sons e as canções de
ninar, apalpar os objetos, sentir a textura das roupas parecem constituir brinquedos
sensoriais para a criança que passa horas envolvendo em brincar consigo mesma.
Brinquedo de ficção, de ilusão, ou simbólicas, é comum vermos crianças
conversando com seus brinquedos como se eles lhes respondessem, isso acontece
na metade do segundo ano de vida e continuam até os anos pré-escolares entre as
diversas modalidades de brinquedo de ficção, é comum a criança fazer de conta que
está dirigindo um carro ou uma motocicleta, ou atribuir vidas a objetos inanimados.
Essa característica do pensamento infantil é chamada animismo (do latim
anima=alma).
Para uma criança de um ano e meio até a idade pré-escolar sua boneca, seu
ursinho e outros brinquedos sentem e pensam como as pessoas.
2.12.2 Brinquedo de Representação de Papéis e de Construção
Após o terceiro ano de vida, a criança brinca imitando atividades que vivencia
ou das quais toma conhecimento através de livros, cinema ou televisão. Assim ela
brinca de motorista de ônibus, de carteiro, médico, professor ou cozinheiro. E neste
período que há um particular interesse pelo brinquedo de construção: a caixa de
bloquinhos de madeira, pedras, areia, plantas e terra, são elementos imprescindíveis
35
para esse tipo de brinquedo, pois muitas vezes, as mesmas matérias servem aos
dois tipos de brinquedo: o menino, misturando água a areia para levantar um
castelo, está empenhando em um brinquedo de construção. A menina fazendo
bolinho de areia e oferecendo-os a seus amigos para “provarem” está representando
o papel de mãe; os brinquedos de construção são muitas vezes de entusiasmada
competição: o meu é “mais alto” “maior” etc.
Quando a criança chega a idade escolar de primeiro grau, ela já é capaz de
brincar em grupo, com outros, pois já está apta a obedecer às regras e a esperar
sua vez pois antes dessa idade, ela já brincou paralelamente com outras crianças ou
em grupo de no máximo três, só que ela ainda não participou de jogos sujeitos à
regras, pois, embora possa percebe-las, mostra-se incapaz de submeter-se a elas.
De fato nessa idade a criança está ainda no estagio egocêntrico, em que ela joga
livremente, a seu modo.
Também na fase escolar, formam-se grupos de idade aproximada que se
selecionam por sexo, mas, não se interessam mais pelos mesmos brinquedos: os
meninos agrupam-se para jogos movimentados; as meninas para brinquedos mais
sedentários por exemplo: de escolinha ou de casinha. Tal escolha é resultado da
influencia de nossos padrões culturais.
É nesse ponto que entra a importância das escolas trabalhar o jogo didático
pedagógicos com regras.
Certos brinquedos, como os de rodas acompanhados de canto, assemelhamse a rituais onde a criança aprendera a sua vez de entrar e sair, aprendendo assim a
respeitar seus limites.
Permitir que as próprias crianças criem suas regras, também dão ótimos
resultados.
A outros brinquedos em que a criança deve ser capaz de inibir-se: não
podendo falar, rir, mover-se (como nos jogos de estatuas).
Para a criança pequena, as regras são sagradas, não podem ser mudadas,
foram impostas por uma autoridade a qual todas devem obedecer, mesmo assim,
elas não conseguem.
Assim antes de iniciar um jogo, mesmo que seja muito conhecido as crianças
sentem necessidade de fixarem regras, pois crianças que eventualmente o
aprenderam em outros lugares pode pratica-lo de modo diferente. Além disso, o ato
de formular regras parece ter uma significação altamente positiva para a criança.
36
A escola deve organizar, cada vez mais, meios ambientes que permitam as
crianças serem agentes ativos de sua aprendizagem.
Tudo isto esta provocando lenta evolução nas escolas, à medida que os
professores percebem a finalidade das mudanças.
2.12.3 A Seriedade do Brinquedo
Ao observar os aspectos de brincar em uma criança o que nos chama mais
atenção é a vitalidade. Ficamos maravilhados frente a tanta energia.
Ninguém pode duvidar que a criança entregue a si própria, constitui
mecanismos dinâmicos, curiosos para investigar tudo e qualquer coisa.
A primeira vista, parece impossível generalizar a respeito das brincadeiras
infantis, cada criança é tão individualizada e as oportunidades de brincar são tão
infinitamente variáveis algumas possuem mais imaginação que outras; alguns
anseiam por dominação, ao passo que outros são prontamente subordinados às
influencias nas brincadeiras de qualquer criança que podem ser bastante variáveis.
No entanto, existem determinadas características comuns ao brincar da
criança, em qualquer que seja sua idade ou fase. Existe nas crianças uma dinâmica
e irresistível atração pelo jogo, que lhe traz apaixonante interesse e prazer.
No dia a dia de uma criança podemos observar como ela fica absorvida na
solução de problemas, quando pode manusear, materiais concretos como blocos,
barras contas sementes, cubos etc.
Outra impressionante característica de seu brinquedo é a maneira incansável
pela qual ela repetirá a mesma coisa muitas vezes.
E importante lembrarmos, que em muitas famílias brasileiras o brincar termina
aos 08 anos, em outras ela, nunca existiu, pois o que se espera da criança é que ela
trabalhe para ajudar na manutenção da casa, mas apesar de tudo, descobrirmos,
mediante cuidadosa observação do brincar espontâneo da criança, que a despeito
de suas variadas personalidades, circunstancias e idades, é possível fazer
determinadas generalizações.
Em seus jogos, qualquer que seja sua idade, as crianças revelam irresistível
atração pelo brinquedo, para o prosseguimento de suas atividades com sustentada
atenção, sendo incansáveis na repetição
37
O papel do professor consiste, simultaneamente em zelar para que o dia de
aula contenha suficientes períodos de atividades e de quietudes destinados a
aprendizagem, de modo que as crianças sejam ativas e se firmem, e em zelar
também para que os indivíduos ou grupos disponham de recursos à medida que a
maturação se torna evidente.
Infelizmente, são poucas as escolas primarias que já compreenderam que,
embora já sejam capazes de raciocinarem, as crianças necessitam de situações
concretas para que ao pensamento seja proveitoso,tampouco que as crianças
trabalharão melhor em pequenos grupos com um interesse em comum não se
podem aceitar turmas de quarenta ou mais, com horários estabelecidos para jogos
formais, os jogos devem acontecer sempre de coerência com a aula, e o assunto do
dia fazendo assim parte do dia a dia. A criança participará da aula com gosto e
prazer, pois já sabe que haverá um jogo sobre o assunto.
Quando um professor, na escola primaria trabalha com os interesses
espontâneos das crianças, a sala de aula tem tanta vida e atividade como um jardim
de infância.
Os livros de gramática, os cálculos e os livros de textos, serão usados com
prazer, à medida que surge a oportunidade e uma escola que trabalha efetivamente
com os jogos educativos, não existem os chamados testos de compreensão, uma
vez que o professor conhece aluno por aluno ele poderá usar, o próprio jogo como
uma forma de avaliação, pois quando as crianças estão interessadas, trabalho e
brinquedo formam uma coisa só sejam competitivos pela objetividade estimulam a
rapidez de raciocínio e reforçam conceitos aprendidos nas aulas.
2.13 ATIVIDADES LÚDICAS DESPERTANDO UM NOVO SER
Pelo brincar e jogar, a criança torna seus sonhos realidade como o próprio
título diz: “despertando um novo ser”, ou seja, despertando para a vida que ai está
pronta para recebê-la.
A brincadeira mostra a forma como a criança se relaciona com o mundo e
como utiliza seus sentimentos, pois, o que ela tem dificuldade de colocar em
palavras o faz pela brincadeira. Enquanto brinca, exercita sua imaginação e
criatividade, interagindo como o mundo adulto, tentando compreendê-lo.
38
Sabemos que é por meio do brincar e do jogar que a criança brinca por
brincar. Toda criança brinca porque tem desejos, problemas e interesses. Além
disso, à medida que a criança se desenvolve física e mentalmente, o movimento
lúdico se torna um estímulo ao seu crescimento e contribui para o melhor
funcionamento da psique.
Ao observarmos as crianças brincando, vivenciando cenas do dia a dia,
criando e recriando seu espaço, percebemos que suas emoções afloram, sua
socialização é mais plena e seu esquema cognitivo é estimulado. A brincadeira
infantil é uma situação social por meio da qual, as crianças representam e exploram
o cotidiano, deixam transparecer suas emoções e extravasam suas necessidades,
se aclamando, se educando.
É no brincar que a criança faz valer sua relação com os colegas. As
cooperações contribuem na construção de valores morais, sociais, culturais e
intelectuais. As brincadeiras de que as crianças participam ou as que inventam ou
ainda, pelas quais se interessam, são verdadeiros estímulos que enriquecem seus
esquemas perceptivos e operativos. Sabemos que a criança aprende brincando,
motivada pela alegria e pelo prazer de descobrir os segredos da vida numa
constante busca pelo conhecimento, sobretudo do que a cerca.
Para Piaget (1977), os jogos e as brincadeiras fazem parte da vida da criança.
Para o autor, há três tipos de brincadeiras: as de movimento, as com regras e as
simbólicas. No primeiro caso, são brincadeiras que envolvem ação e movimento. As
brincadeiras com regras são àquelas que envolvem jogos transmitidos de geração a
geração, fazem respeitar o grupo e com ele conviver.
Quanto as brincadeiras simbólicas, o brinquedo perde seu valor real e passa
a ser aquilo que a criança pensa que é. Quando as crianças brincam, podemos
observar sinais de alegria, risos, prazer, desejo, impulsos e livre expressão.
Portanto, as atividades lúdicas oferecem possibilidades de estudos do ponto de vista
psicológico, sociológico e antropológico.
Nas brincadeiras, as crianças desenvolvem habilidades sociais, físicas e
mentais, além de desenvolverem suas percepções. É jogando e brincando que a
criança cria uma série de indagações a respeito da vida; as mesmas que, mais
tarde, já adulta voltará a descobrir e ordenar, fazendo uso do raciocínio.
O sentido da vida de uma criança é a brincadeira. Brincando, ela reproduz
situações concretas e se põe no papel dos adultos procurando entender o seu
39
comportamento. A criança que gosta de brincar saberá desfrutar a vida, aprenderá a
procurar a felicidade e sentir-se-á segura em suas habilidades.
Nesse processo, o brincar e o jogar são atividades que estimulam o
desenvolvimento intelectual e ensinam a criança os hábitos necessários ao seu
crescimento físico, mental e emocional, além de proporcionarem a socialização,
levando-a a viver e conviver bem.
Quando a criança se envolve brincando, decifra os enigmas que fazem
investigar e construir conhecimento sobre si mesma e sobre o mundo, pois, para ela,
saber de onde vem e o que será quando crescer são questões sempre presentes
durante a infância.
Segundo Winnicott (1966), a criança adquire experiência brincando. A
brincadeira é uma parcela importante de sua vida.
As experiências, tanto externas quanto internas, podem ser férteis para o
adulto, mas, para a criança,, essa riqueza encontra-se principalmente na brincadeira
e na fantasia. Tal como a personalidade dos adultos se desenvolver por intermédio
de suas experiências de vida, assim a das crianças se desenvolve por intermédio de
suas brincadeiras e das invenções de brincadeiras feitas por outras crianças e por
adultos. Ainda para Winnicott (1966), a brincadeira é um dos métodos característicos
da manifestação infantil, um meio para perguntar e para explicar.
Por meio dos jogos e brincadeiras, a criança apresenta emoções primárias,
como alegria, tristeza e cólera. À medida que se desenvolve, apresenta emoções
ligadas a estimulação sensorial: dor, prazer, desprazer; cresce, e seu emocional
começa a ser controlado ou, mesmo, disfarçado.
As emoções estão ligadas ao mal ou bem estar no grupo em que a criança
está inserida, sendo que a afetividade é, em parte, responsável pelas características
da personalidade de cada uma. Brincadeiras e jogos que envolvem a afetividade têm
a mesma importância que suas necessidades físicas. Se a criança puder criar,
descobrir e aprender ludicamente, o seu desenvolvimento estará se fazendo
normalmente, sem problemas, o que a tornará, no futuro uma criança livre e alegre.
Alguns autores sócio interacionistas dizem que o ser humano se desenvolve
por meio da interação social, sendo que a criança constrói seu conhecimento
enquanto é sujeito na interação com o adulto ou com outra criança. Nesse processo,
as atividades lúdicas têm sido ferramenta importante para o desenvolvimento
biopsíquicosocial da criança.
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2.14 A RELAÇÃO: BRINQUEDO X CRIANÇA X ADULTO
A criança trata os brinquedos conforme os recebe. Ela sente quando está
recebendo por razões subjetivas do adulto, que muitas vezes compra o brinquedo
que gostaria de ter tido, ou que lhe dá staturs, ou ainda para comprar afeto e outras
vezes para servir como recurso para livrar-se da criança por um bom espaço de
tempo.
É indispensável que a criança sinta-se atraída pelo brinquedo e cabe-nos
mostrar a ela as possibilidades de exploração que ele oferece, permitindo que a
criança tenha tempo para observa-lo e motivar-se. A criança deve explorar
livremente o brinquedo, mesmo que a exploração não seja a que esperávamos.
Não nos cabe interromper o pensamento da criança ou atrapalhar a
simbolização que está fazendo. Devemos nos limitar a sugerir, estimular, explicar,
sem impor nossa forma de agir, para que a criança aprenda descobrindo e
compreendendo, e não por simples imitação. A participação do adulto é para ouvir,
motiva-la a falar, pensar e inventar.
Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando
com amigos, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando aprender
regras e conseguir uma participação satisfatória. No jogo, ela aprende a aceitar
regras, esperar sua vez, aceitar o resultado, lidar com frustrações e elevar o nível de
motivação.
Nas dramatizações, a criança vive personagens diferentes, ampliando sua
compreensão sobre os diferentes papéis e relacionamentos humanos. As relações
cognitivas e afetivas da interação lúdica propicia amadurecimento emocional e vão
pouco a pouco construindo a sociabilidade infantil.
O momento em que a criança está absorvida pelo brinquedo é um momento
mágico e precioso, em que está sendo exercitada a capacidade de observar e
manter a atenção concentrada e que irá inferir na sua eficiência e produtividade
quando adulta.
A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse,
enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante o jogo. Ao mesmo
tempo, a criança sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivenciando
experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em
aprendizado.
41
Brincar junto reforça os laços afetivos. É uma manifestação do nosso amor à
criança. Toda criança gosta de brincar com os pais, com a professora, com os avôs
ou com os irmãos.
Guardar os brinquedos com cuidado pode ser desenvolvido através da
participação da criança na arrumação feita pelo adulto. O hábito constante e natural
dos pais e da professora ao guardar com zelo o que utilizou, faz com que a criança
adquira automaticamente o mesmo hábito, ocorrendo inclusive satisfação tanto no
guardar como no brincar.
Segundo Piaget (1977), os professores podem guia-las proporcionando-lhes
os materiais apropriados mais o essencial é que, para que uma criança entenda,
deve construir e,a mesma, deve reinventar. Cada vez que ensinamos algo a uma
criança estamos impedindo que ela descubra por si mesma. Por outro lado, aquilo
que permitimos que descobrisse por si mesma, permanecerá com ela.
Através do lúdico, a criança coloca para fora suas emoções e personaliza os
seus conflitos, ela explora o mundo, constrói o seu saber, aprende a respeitar o
outro, desenvolve o sentimento de grupo, ativa a imaginação e se auto-realiza.
A brincadeira vai refletir o nível de desenvolvimento da criança, seu modo de
ser e de agir, conteúdos vivenciados, fantasias, desejos, receios e conflitos afetivos.
O ato de brincar é primordial para que a criança se torne um adulto sadio, criativo,
independente e feliz. Propomos um novo padrão para a educação com uma visão
mais lúdica e integradora, propiciando à criança seu pleno desenvolvimento nas
suas diversas faz fases, buscando desenvolver ao máximo suas potencialidades,
melhorando sua aprendizagem, visando o desenvolvimento global da criança.
Muitas vezes, a emoção se intensifica tanto que a criança anula a conduta
lúdica, usando as brincadeiras como uma descarga emocional. Sendo assim, o
lúdico possibilita que a educação seja menos formal, mais integradora, voltada ao
ser humano integral; respeitando a liberdade, a iniciativa, a criatividade, a
autonomia, possibilitando a formação do auto conceito positivo, senso de
cooperação e respeito ao próximo e a si mesma.
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3 CONCLUSÃO
Jogar é uma atividade natural do ser humano.
É por isso que a atividade lúdica intervém no aprendizado da criança na sala
de aula. O jogo é agradável, motivador e enriquecedor, possibilitando o aprendizado
de várias habilidades e também auxiliando no desenvolvimento mental, na cognição
e no raciocínio da criança. A ludicidade precisa ser trabalhada, utilizada pelo
educador na sala de aula.
As atividades em forma de jogos e brincadeiras são as que mais facilitam o
desenvolvimento da criança, em virtude das oportunidades que o lúdico oferece de
interação, participação e aprendizagem da criança. O jogo é um recurso
metodológico capaz de proporcionar uma aprendizagem espontânea e natural.
Brincando, a criança ordena o mundo a sua volta assimilando informações e
experiências, incorporando valores, reproduzindo e recriando
o meio que a
circunda.
O espaço da escola deve ser agradável, aberto à imaginação, a fantasia, ao
lúdico e ao desenvolvimento pleno, respeitando-se a criança em seu tempo e em
suas possibilidades de descobrir ou redescobrir do mundo onde está inserida.
Sendo assim, ao termino deste trabalho considera-se a ludicidade, um
excelente recurso, uma verdadeira ferramenta pedagógica, nas mãos do educador,
principalmente no educar nas séries iniciais, pois é nas séries iniciais que a criança
é menos estimulada a jogar e brincar, se na educação infantil ela brinca, joga,
movimenta-se para aprender, nas séries iniciais, as atividades lúdicas são
encaradas como perda de tempo, e a criança acaba tendo acesso a jogos e
brincadeiras apenas nas aulas de educação física, mesmo sabendo-se que os jogos
e as brincadeiras são atividades naturais da criança e, também fundamentais no
desenvolvimento infantil, pois é através dele que a criança interage com o mundo.
No brincar está o pensamento, a valorização e o movimento, gerando canais de
comunicação.
O uso de atividades lúdicas associadas aos objetivos traçados pelo educador,
visa tornar o ato de educar mais prazeroso, concreto e real. E nada mais
enriquecedor do que oportunizar as nossas crianças, atividades desafiadoras,
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criativas e também significativas, onde o aprender vira oficio do brincar e a vida
escolar em constantes momentos de interação e descobertas.
Sendo assim, o educador ao valorizar o ato de brincar, sem restringir-se
exclusivamente ao ato pedagógico que intrinsecamente deve estar a ele ligado,
auxiliam as crianças na obtenção de seu conceito de mundo, de sua individualidade
e coletividade, de suas limitações enquanto ser humano social que é, e de sua ação
efetiva sobre o mundo e as coisas do mundo em geral., um mundo onde a
afetividade
é
acolhida,
a
sociabilidade
vivenciada
e
seus
direitos
de
desenvolvimento e aprendizagem devem ser acolhidos e vivenciados por todos os
envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem aos quais essas crianças são
submetida diariamente.
Salientando ainda, que se as brincadeiras, os jogos, enfim, a ludicidade em
sua mais variada utilização, possui o atributo de ser o vinculo que une a vontade e o
prazer durante a realização de uma atividade e a concretização do conhecimento, da
aprendizagem que deve ser conseqüência do trabalho dedicado, coerente e eficaz
do educador na busca de uma práxis pedagógica voltada ao ensino e a
aprendizagem de qualidade, sendo que essas ações podem e devem ser vinculadas
às atividades lúdicas, enfim, da ludicidade como ferramenta, como auxílio
pedagógico, para o sucesso do educador em sua empreitada frente o ensino e a
aprendizagem nas séries iniciais.
Conclui-se então, que a qualidade que está contida nas atividades lúdicas
visam o despertar de uma escola dinâmica que em sala de aula na pessoa do
professor atua de uma didática que instiga o aluno a pensar, a agir e a interagir
nesse contexto com vontade de aprender e de estar inserido a este contexto além
formar um ser humano capaz de compreender o mundo e as coisas do mundo dele
e dos outros.
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REFERÊNCIAS
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São Paulo: Loyola, 1994.
ANTUNES, Celso. O Jogo e a Educação Infantil. Petrópolis, R.J.: Vozes, 2003.
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Petrópolis: Vozes, 2000.
CHÂTEAU, Jean. O Jogo e a Criança. São Paulo: Summus, 1987.
KISHIMOTO, Tuzico Morchida. O Jogo, a Criança e a Educação, Petrópolis:
Vozes, 1998.
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Frod-Alvaro Cabral. 2ª ed. Frod-Alvaro Cabral. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar. 1975.
___________ Jean. O Julgamento Moral na Criança. São Paulo: Mestre Jov,
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VYGOTSKY, Lev. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
FROEBEL, F. A Educação do Homem (Tradução Maria Helena C. Bastos). Passo
Fundo/RS: UPF.
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Luana Cristina Ramos