A MATEMÁTICA NO ENSINO MÉDIO EM ALAGOAS: UM OLHAR A PARTIR DO PENSAMENTO DOCENTE Luiz Galdino da Silva (UFAL) [email protected] RESUMO A história da educação brasileira tem revelado a importância do ensino da matemática para o desenvolvimento de sujeitos. Através do ensino, podem-se criar possibilidades para a compreensão da linguagem matemática, linguagem esta indispensável pela sua utilidade em auxiliar no desenvolvimento da capacidade de resolver problemas, de tomar decisões, de se fazer inferências, de se tirar conclusões e de se fazer argumentações. A matemática no ensino médio em Alagoas: um olhar a partir do pensamento docente surge de um estudo exploratório idealizado nas discussões da disciplina Currículo da Matemática na Educação Básica, do Curso de Mestrado em Educação Brasileira, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação, do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas. O objetivo que se tem, a partir desse estudo, é identificar o que o professor de matemática que atua no ensino médio em Alagoas pensa sobre ensino de matemática, que concepções curriculares estão presentes no trabalho docente desenvolvido e que concepção curricular predomina no ensino desse componente curricular. A análise dos dados evidenciou que estamos distante de um ensino de matemática fundamentado em concepções curriculares que se preocupem com o desenvolvimento de sujeitos no sentido de se compreender a importância dessa disciplina do conhecimento no contexto sócio, econômico e político. Palavras-chave: ensino de matemática - linguagem matemática - concepções curriculares. Introdução A matemática é uma ciência de grande importância para a humanidade. Compreender a linguagem própria dessa ciência é de grande utilidade para a compreensão de outros ramos do conhecimento. Nesse sentido, a linguagem natural e a linguagem matemática são elementos indissociáveis e, portanto, fundamentais na formação humana. A legislação educacional brasileira, através dos Parâmetros Curriculares Nacionais e das Orientações Curriculares Nacionais, faz destaques especiais ao ensino dessa ciência nas diversas etapas da educação básica, visando orientar a construção de possibilidades para se garantir a qualidade do ensino, condição a partir da qual possa assegurar que sujeitos venham a ser bem sucedidos, não apenas no percurso de suas vidas escolares, mas, acima de tudo, no decorrer de suas existências, quando da interação com o contexto sócio, econômico e político em que devem estar inseridos. Por essas razões, ensino de boa qualidade não se faz a toque de mágica, seja em qual for a área do conhecimento. Em matemática não seria diferente. Assim sendo, investigar questões que permeiam o ensino de matemática não é algo tão simples. Algumas variáveis como: a formação, a realização profissional, a valorização, as condições de trabalho, dentre outras, devem ser consideradas, de fato, como relevantes na prática docente. Os efeitos de tais variáveis contribuem de forma direta na manutenção de concepções curriculares, que serão fundamentais na manutenção da harmonia entre o discurso e a prática profissional, elementos de grande relevância no contexto escolar. A matemática no ensino médio em Alagoas: um olhar a partir do pensamento docente surge de um estudo exploratório idealizado nas discussões da disciplina Currículo da Matemática na Educação Básica, do Curso de Mestrado em Educação Brasileira, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação, do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas, onde o instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário, composto por perguntas abertas e fechadas. O referido estudo teve como objetivos: construir o perfil do grupo de professores entrevistados, identificar o que o professor de matemática que atua no ensino médio em Alagoas pensa sobre ensino de matemática, que concepções curriculares estão presentes no trabalho docente desenvolvido, que concepção curricular predomina no ensino desse componente curricular e se estas são definidoras na formação de sujeitos, no sentido de que estes venham compreender a importância da matemática no contexto sócio, econômico e político. 1. Materiais e métodos usados para o desenvolvimento do estudo Buscando realizar um estudo sobre o ensino de matemática no ensino médio em Alagoas, partiu-se de uma pesquisa exploratória, na qual se adotou a abordagem qualitativa. Um importante passo para o andamento desse estudo foi o levantamento de dados a serem utilizados, posteriormente, na construção do perfil do grupo envolvido. 2 No caso específico, professores que lecionam matemática no ensino médio no Estado de Alagoas, independentemente do tipo de formação daqueles que desenvolvem o trabalho docente na última etapa da educação básica, segmento este adotado como universo de investigação. Tal estudo exploratório teve como ponto de partida a construção de questionário, instrumento de coleta de dados utilizado, no intuito de proceder à coleta das amostras essenciais para análises no referido estudo. Para a construção do perfil do grupo entrevistado, os dados obtidos dos questionários foram submetidos a uma abordagem qualitativa. Para tanto, adotou-se como ponto de partida a seleção de informações importantes, entendidas como variáveis integrantes do processo investigativo. Nesse sentido, a faixa etária dos professores participantes, o Estado onde cursou a graduação e a pós-graduação, o sistema e as condições de trabalho, a formação continuada, a realização profissional, a compreensão de currículo, além da experiência profissional, foram definidos como variáveis relevantes no contexto da investigação, haja vista serem essenciais na constituição do referido perfil. 2. Exposição dos resultados O primeiro bloco de perguntas feitas tratou sobre questões fechadas relacionadas à faixa etária, à formação, ao sistema e condições de trabalho, à carga horária semanal e à formação continuada. A seguir, uma síntese dos resultados obtidos que podem ser visualizados a partir dos gráficos, de 01 a 03, relacionados no anexo. Faixa etária Tratando da faixa etária dos entrevistados, os dados levantados revelaram que 58% (cinquenta e oito por cento) têm menos de 40 anos e 42% (quarenta e dois por cento) têm mais de quarenta anos. A faixa etária dos entrevistados é um dado importante que possibilita fazer inferências quanto à necessidade de redirecionamento na concepção de formação adotadas pelas instituições formadoras. A pesquisa revela que independentemente da faixa etária do entrevistado, há registros que apontam para deficiências na formação. Formação Quanto aos dados relacionados à formação, foi revelado que apenas 37% (trinta e sete por cento) concluíram a graduação em Alagoas. Dado que possibilitará deduções sobre a influência das instituições formadoras do Estado de Alagoas no destino do 3 ensino de matemática na educação básica dessa unidade federativa. Já em relação à pósgraduação, do universo investigado, apenas 16% (dezesseis por cento) concluíram essa etapa de estudos em Alagoas. Os dados relacionados à formação terão uma relevância bem particular, no sentido de que, a partir deles, pode-se observar até que ponto as concepções de formação estão sendo difundidas ou não nos principais espaços onde atuam os egressos. Nesse sentido, cabe analisar até que ponto as instituições formadoras do Estado de Alagoas, através de seus egressos, vêm contribuindo ou não na construção de novas propostas para esse segmento da educação, como também, se tem atendido à demanda local. Quando se trata da pós-graduação na área de ensino de matemática a pesquisa revelou que, dos que atingiram esse nível de escolarização, apenas 16% (dezesseis por cento) concluíram em instituições alagoanas. Nesse contexto, dois elementos merecem atenção especial: do universo investigado, apenas um concluiu curso de mestrado e essa mesma quantidade concluiu doutorado, sendo que nenhum deles na área de ensino de matemática, nem, portanto, concluíram em instituições estabelecidas em Alagoas. Sistema de trabalho Quanto ao sistema onde desenvolvem suas atividades profissionais, observou-se que do universo pesquisado, 42% (quarenta e dois por cento) atuam na rede estadual de ensino, 11% (onze por cento) na rede federal, 22% (vinte e dois por cento) na rede municipal, 22% (vinte e dois por cento) na rede estadual e municipal concomitantemente, enquanto que apenas 3% (três por cento) atuam na rede privada de ensino. Condições de trabalho Perguntado sobre as condições disponibilizadas pelas escolas para o desenvolvimento do trabalho docente, 53% (cinquenta e três por cento) destacaram a falta de estrutura, 21% (vinte e um por cento) observaram que há boa estrutura, 21% (vinte e um por cento) não responderam, e 5% (cinco por cento) alegaram que há excesso de alunos por sala. Carga horária semanal Os dados revelaram que 53% (cinquenta e três por cento) dos entrevistados atuam sob condições desumanas, com carga horária semanal de sessenta horas. Formação continuada Outro dado preocupante trata da formação continuada. Do universo investigado, 68% (sessenta e oito por cento) não participaram de formação continuada nos últimos 4 dois anos. Dado importante que pode auxiliar em análises de questões essenciais referentes a pouca oferta de oportunidades no Estado de Alagoas, ou talvez a inexistência de oportunidades na área de ensino de matemática no referido Estado. No segundo bloco, as perguntas trataram de questões abertas, onde foram enfatizadas: a realização profissional, a compreensão de currículo, a experiência profissional e o curso de graduação concluído. As respostas registradas nesse bloco resultaram no detalhamento que segue, e que pode ser visualizado a partir dos gráficos 04 e 05, relacionados no anexo. Realização profissional Quando se tratou da realização profissional do universo pesquisado, apenas 16% (dezesseis por cento) não se sentem realizados na profissão docente. Compreensão sobre currículo Outra questão importante colocada em discussão foi a compreensão sobre currículo. No questionário foram apresentadas duas propostas curriculares: uma delas a partir da concepção de currículo ideal e a outra sob a concepção de currículo real. Perguntado aos entrevistados sobre as propostas curriculares apresentadas, qual delas se aproximava do trabalho matemático desenvolvido em sala de aula, 63% (sessenta e três por cento) associaram ao currículo ideal; 26% (vinte e seis por cento) relacionaram com o currículo real, enquanto que 11% (onze por cento) não responderam, talvez pelo desconhecimento sobre o assunto. Quando foi perguntado sobre a definição de currículo, 16% (dezesseis por cento) responderam que é um conjunto de medidas; 41% (quarenta e um por cento) relacionaram com matriz curricular; 21% (vinte e um por cento) disseram que são experiências adquiridas; 11% (onze por cento) entenderam que é currículum vitae, enquanto que 2% (dois por cento) não responderam. Experiência profissional e o curso de graduação concluído Buscando relacionar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso de graduação com o exercício profissional, perguntou-se aos entrevistados sobre o que mudariam em seus cursos de graduação. Do universo investigado, 46% (quarenta e seis por cento) responderam que mudariam a metodologia de ensino; 11% (onze por cento) a metodologia de ensino e a matriz curricular; 16% (dezesseis por cento) a concepção de formação; 11% (onze por cento) apenas a matriz curricular, e 16% (dezesseis por cento) não opinaram sobre a questão evidenciada. 5 As respostas elencadas demonstram certa insatisfação em relação aos modelos de graduações concluídos pelos entrevistados. Dentre elas, uma merece destaque especial: trata da concepção de formação, elemento imprescindível na formação docente. 3. Análise e discussão dos resultados Em síntese, o perfil dos entrevistados tem as seguintes características: 58% (cinquenta e oito por cento) têm menos de 40 anos; 37% (trinta e sete por cento) concluíram a graduação em Alagoas; apenas 16% (dezesseis por cento) concluíram a pós-graduação em Alagoas; 42% (quarenta e dois por cento) desenvolvem atividades na rede estadual de ensino; 53% (cinquenta e três por cento) fizeram referência à falta de estrutura das escolas; 53% (cinquenta e três por cento) atuam sob condições desumanas e com carga horária semanal de sessenta horas; 68% (sessenta e oito por cento) não participaram de formação continuada nos últimos dois anos; 16% (dezesseis por cento) não se sentem realizados como professor; 63% (sessenta e três por cento) disseram que trabalham a concepção de currículo ideal; 41% (quarenta e um por cento) afirmaram que currículo é matriz curricular; 46% (quarenta e seis por cento) mudariam a metodologia de ensino do seu curso de graduação; 16% (dezesseis por cento) afirmaram que mudariam a concepção de formação da graduação concluída. Os dados obtidos revelam um cenário preocupante no ensino de matemática na última etapa da educação básica no Estado de Alagoas, onde fica bem explícita a questão da desvalorização profissional e a precariedade da estrutura das instituições que ofertam essa modalidade de ensino neste Estado, mais precisamente na rede pública. Por outro lado, outras questões consideradas relevantes também contribuem para esse cenário. Entre elas, destacam-se: a dificuldade de acesso ou o desinteresse pela formação continuada, a falta de oferta de cursos de pós-graduação na área de ensino de matemática e, principalmente, um provável atraso em relação à concepção de formação nos cursos de licenciatura em matemática, dos quais participaram os entrevistados. A concepção de formação, apesar de ter sido enfatizada por uma menor quantidade dos que atua na área, indica que já se percebe as consequências de uma formação, que prioriza formar matemáticos, em detrimento a outras ações pedagógicas essenciais à formação do professor de matemática. O desconhecimento de algumas questões, como o conceito de currículo e concepções curriculares pela maioria dos entrevistados revela a pouca importância dada a essas questões ao longo da formação e da atividade docente. 6 O quadro preocupante que a pesquisa revela em relação ao ensino da matemática, no ensino médio em Alagoas, indica que se estar distante de um ensino de matemática fundamentado em concepções curriculares, que se preocupem com o desenvolvimento de sujeitos, no sentido de se compreender a importância da matemática no contexto sócio, econômico e político. 4. As Orientações Curriculares Nacionais como eixos norteadores do ensino de matemática A história da educação brasileira revela a importância do ensino da matemática para o desenvolvimento de sujeitos. Nesse sentido, através do ensino, podem-se criar possibilidades para a compreensão da linguagem matemática, a qual é indispensável, pela sua utilidade em auxiliar no desenvolvimento da capacidade de resolver problemas, de tomar decisões, de se fazer inferências, de se tirar conclusões e de se fazer argumentações. Além disso, compreender a linguagem matemática é de extrema importância, pois, sem ela, a utilização dos conceitos básicos e procedimentos matemáticos essenciais à existência humana não seriam operacionalizados. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), em seu artigo 35, o ensino médio tem por finalidades, não apenas a consolidação e o aprofundamento de conceitos adquiridos durante o ensino fundamental, mas também a preparação para o trabalho e para o exercício da cidadania. Além disso, a concepção curricular proposta pelas Orientações Curriculares Nacionais para o ensino de matemática no ensino médio, MEC/SEB (2008, p.69), acena para a possibilidade do currículo ideal quando enfatiza: Ao final do ensino médio, espera-se que os alunos saibam usar a Matemática para resolver problemas práticos do quotidiano; para modelar fenômenos de outras áreas do conhecimento; compreendam que a matemática é uma ciência com características próprias, que se organiza via teoremas e demonstrações; percebam a matemática como um conhecimento social e historicamente constituído; saibam apreciar a importância da matemática no desenvolvimento científico e tecnológico. Admitindo que o que está posto nas Orientações Curriculares Nacionais diz respeito ao currículo ideal, o que revela a partir do plano legal mais uma utopia do que a realidade presente nas escolas nota-se que, apesar dos esforços, ainda existe uma grande defasagem entre o ensino da matemática proposto pelos organismos governamentais e a realidade escolar. Essa defasagem, para que seja superada, requer o desenvolvimento de 7 ações onde o estudo da linguagem natural e da linguagem matemática possam ser aproximados, a partir de um novo enfoque que priorize o redirecionamento do ensino da matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, criando espaços, num primeiro plano, para que a alfabetização na linguagem materna e a alfabetização na linguagem matemática ocorram concomitantemente. Nesse contexto, é relevante destacar o pensamento de Danyluk (1998, p.20): Assim considerada, entendo que a alfabetização matemática diz respeito aos atos de aprender a ler e a escrever a linguagem matemática, usada nas séries iniciais da escolarização. Compreendo a alfabetização matemática, portanto, como fenômeno que trata da compreensão, da interpretação e da comunicação dos conceitos matemáticos ensinados na escola, tidos como iniciais para a construção do conhecimento matemático. Ser alfabetizado em matemática, então, é compreender o que se lê e escrever o que se compreende a respeito das primeiras noções de lógica, de aritmética e de geometria. Assim, a escrita e a leitura das primeiras ideias matemáticas podem fazer parte do contexto de alfabetização. A possibilidade de aproximação entre as duas linguagens requer uma mudança nas concepções de ensino. Só assim, o ensino da matemática na educação básica poderá focar horizontes, onde a matemática possa ser utilizada como ferramenta tecnológica a serviço da formação humana. Na verdade, entre o currículo ideal proposto a partir dos organismos governamentais, e do currículo real colocado em prática, nas instituições escolares alagoanas, há de se existir um contraponto fundamentado naquilo que é possível realizar de fato. Este contraponto, certamente, deve ter seus pilares fundamentados numa concepção de formação comprometida com a formação cidadã. Considerações Finais Embora tenham ocorrido importantes discussões e encaminhamentos oficiais que resultaram, nas últimas décadas, na construção de documentos oficiais de grande relevância e que vêm norteando a educação básica no Brasil, a exemplo do que se explicitam: os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Orientações Curriculares Nacionais, ambos com enfoque no ensino da matemática no ensino médio, no Estado de Alagoas essa área de ensino ainda convive com problemas muito significativos. Há de se considerar que a falta de estrutura adequada ao ensino, assim como a sobrecarga de atividades dos docentes são elementos que influenciam na qualidade do ensino, questão tão discutida nos diversos fóruns de debates realizados em quase todos 8 os cantos do Brasil. Porém, é preciso compreender que, além desses, há outros elementos que devem ser considerados como fundamentais na busca da qualidade que se deseja conquistar. Essa pesquisa traz dados reveladores das deficiências de formação, o que fica evidente que ainda há uma forte tendência à pouca preocupação com a formação por parte das instituições formadoras de professores de matemática. Nesse aspecto, se fortalece ainda mais o pressuposto de que essas instituições vêm enfocando muito mais a formação de matemáticos e a possibilidade de acesso ao diploma, ou seja, a conquista do direito de exercer, do que as questões básicas relacionadas à formação, ficando estas no plano da subjetividade. Retomando o que foi elencado em relação ao que o entrevistado mudaria no curso de graduação o qual concluiu, está bem explícito que elementos importantes tais como, a metodologia adotada e a concepção de formação dos referidos cursos precisam ser repensados, haja vista que, pelas indagações feitas por uma maioria, subentende-se que o formato das graduações não atende às necessidades da docência na educação básica, o que atenta para outra questão relevante que é a necessidade de mudança da concepção de formação, pois, quando se trata de formar professores, uma questão que deve ser priorizada, num primeiro plano, são os fundamentos pedagógicos aí implícitos. Por outro lado, a falta de oportunidades para a formação continuada direcionada ao ensino de matemática, além das poucas oportunidades de pós-graduações na mesma área, são questões difíceis de serem solucionadas, pelo fato da pouca preocupação que se tem em relação a essa área de ensino, tanto pelo Estado, como também pelas instituições formadoras historicamente estabelecidas em Alagoas. Isso ocorre talvez pelo fato da carência de profissionais qualificados em Alagoas para o desenvolvimento de ações direcionadas ao ensino de matemática. Por último, conclui-se que “ser professor de matemática em Alagoas” não é uma tarefa tão simples, o que nos leva à compreensão que estamos distante de um ensino de matemática fundamentado em concepções curriculares, que se preocupem com o desenvolvimento de sujeitos, no sentido de se compreender a importância da matemática no contexto sócio, econômico e político. Lamentavelmente, somos induzidos a afirmar que no Estado de Alagoas, quando se trata de ensino de matemática, da formação à prática docente, ainda não se conseguiu romper com a concepção curricular centrada no modelo da reprodução do livro didático. 9 ______________________________________________________________________ Referências DANYLUC, Ocsana. Alfabetização Matemática: as primeiras manifestações da escrita infantil. Porto Alegre, RS: Ediupf, 1998. PIRES, Célia Maria Carolino. Currículo de Matemática: da organização linear à ideia de rede. São Paulo: FTD, 2000. _____________ Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional. _____________ Orientações curriculares para o ensino médio; volume 2. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias/ Secretaria de Educação Básica. Brasília: Ministério de Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008. _____________ Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio: ciências da natureza, matemática e suas tecnologias/Ministério da Educação. - Brasília: MEC/Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 1999. ______________________________________________________________________ Anexo Tabela 01: Resumo referente à tabulação de dados obtidos a partir do questionário aplicado. Professor Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 Pergunta A partir de sua experiência docente o que você mudaria no seu curso de graduação? Aulas frequentes de laboratório em educação matemática. A graduação deveria trabalhar conteúdos enfatizando o dia-a-dia. Inserir na grade curricular outras disciplinas. Grade curricular, os professores e a metodologia adotada pela maioria dos professores. Procuraria a interdisciplinaridade e a busca pela aplicabilidade no mercado de trabalho. Mudaria as concepções do que é licenciatura para atender as necessidades do ensino básico. A maneira de ensinar. A prática é diferente daquilo que estudamos na graduação. Muita coisa. Percebi que estou aprendendo o que não uso. A forma de abordar os conteúdos de matemática deveria ser mais contextualizada, pois na faculdade Palavras Recorrentes/Categorias Metodologia. Metodologia e Grade Curricular. Metodologia, Grade Curricular e Professores. Metodologia. Concepção de licenciatura. Concepção de formação. Grade Curricular. Metodologia. 10 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 vemos de forma "seca”. A metodologia dos conteúdos trabalhados. Quase tudo. A escola não está priorizando as peculiaridades do seu meio escolar. A concepção de Formação. Precisa-se investir na formação do professor e não apenas possibilitar o direito de exercer a profissão. A grade curricular. Colocaria disciplinas para preparar os alunos para enfrentar uma sala de aula. Mudaria esse método tradicional. Colocaria mais aulas de prática de ensino e didática. Os cursos de formação não preparam os alunos para serem professores competentes. Deixam a desejar. O direcionamento do curso para a realidade da sala de aula. O curso não prepara o graduando para o efetivo trabalho em sala de aula. É muito abstrato. As disciplinas deveriam ser voltadas mais para a educação matemática. Na graduação nada. Mas uma formação continuada - renovação. Situações mais voltadas para a prática docente. ---------------- Metodologia. ----------------- Concepção de formação. Mudanças na grade curricular Metodologia. Metodologia e concepção de formação. Metodologia. Metodologia. ---------------Metodologia. ---------------- Ocorrência das variáveis analisadas Gráfico 01: Estado onde cursou a Graduação Estado Onde Cursou a Graduação 1; 5% 7; 37% AL Outros Estados Não respondeu 11; 58% Gráfico 02: Estado onde cursou a Pós-graduação Estado Onde Cursou a Pós-Graduação 3; 16% 3; 16% AL Out ros Est ados Não respondeu 13; 68% 11 Gráfico 03: Condições de trabalho Condição de trabalho 4; 21% 10; 53% 4; 21% Falta de estrutura Excesso de alunos /sala Boa estrutura Não respondeu 1; 5% Gráfico 04: Compreensão sobre currículo O que é Currículo? 2; 11% 2; 11% 3; 16% Conjunto de Medidas Matriz Curricular Experiências Adquiridas Curriculum Vitae 4; 21% 8; 41% Não Respondeu Gráfico 05: Grau de insatisfação em relação à graduação concluída O que mudaria no Curso de Graduação? 3; 16% Metodologia 2; 11% 9; 46% Metodologia/Matriz Curricular Concepção de Formação Matriz Curricular Não Opinou 3; 16% 2; 11% 12