Violência
no parto
Uma em cada quatro brasileiras
sofreu algum tipo de violência
na gestação. Cesarianas são
arriscadas e desnecessárias,
afirmam ativistas
esportes | pág. 16
Tricampeão
Consagrado como o melhor time do Brasileirão, o
Cruzeiro conquistou o Tricampeonato Brasileiro na
quarta-feira (14). Os China Azul, aos milhares, ocuparam
as ruas da capital e do interior para a comemoração.
“O Minerão é nosso e as ruas também”, bradavam os
torcedores
Edição
minas | pág. 6 e 7
Uma visão popular do Brasil e do mundo
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013 | ano 1 | edição 13 | distribuição gratuita | www.brasildefato.com.br | facebook.com/brasildefatomg
Ser negro no Brasil
Leonardo Lopes de Miranda
brasil | pág. 11
Reforma Política
Proposta do Congresso pode não ser
suficiente para atender reivindicações.
Movimentos chamam plebiscito popular para que questões sejam definidas por uma Constituinte Exclusiva
minas | pág. 4
Bacia do Calafate
Para PBH, bacia deve combater enchente
no Arrudas, mas especialista afirma que
melhoria será temporária. As 580 famílias
do bairro afirmam que não vão sair
Gabriel Zambon
Dia da Consciência Negra estimula
reflexões sobre a negritude
brasil | pág. 10
Dados e opiniões sobre a situação
dos negros no Brasil. A desigualdade racial ainda existe?
entrevista | pág. 9
Assistente social afirma: preconceito racial existe e é motivo de
opressão e violência
cultura | pág. 14
Sim ao cacheado! Salão afro dá dicas baratas para tratar do cabelo
crespo, sem alisamentos
02 | opinião
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
editorial | Minas Gerais
editorial | Brasil
Cemig e Azeredo: fins
privados
Você quer mudar o sistema
político no Brasil?
O deputado federal, ex-senador
e ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo, do PSDB, apresentou
no Congresso Nacional um Projeto
de Lei, o PL 87, que pode entrar em
votação nesta semana. O PL precariza as relações trabalhistas e enfraquece o poder de reivindicação dos
trabalhadores. A proposta propõe a
terceirização em todos os setores,
inclusive nas atividades fim.
O PL 87 é clone do PL 4330, recém parado na Câmara por pressão
dos trabalhadores. A proposta de
Azeredo foi redigida sem qualquer
discussão com as organizações de
representação. Mesma prática que
teve quando foi senador e governa-
Na gestão de Azeredo,
investigado por roubo de
dinheiro público, a Cemig
começou a ser privatizada
dor. E, claro, mesma política neoliberal. Na sua gestão, a Cemig começou a ser privatizada, com a venda de um terço de suas ações. Mesmas ações que o governador Itamar
Franco retomou ao Estado, e depois
foram novamente vendidas por Aécio Neves, também do PSDB.
Eduardo Azeredo é réu pelos crimes de peculato (roubo de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. Roubo que ficou conhecido como mensalão mineiro, que buscou
desviar recursos para sua campanha de reeleição ao governado em
1998. Este ano o caso teve seu primeiro condenado. Nélio Brant Magalhães, ex-diretor do Banco Rural,
foi sentenciado pela Justiça Federal em Minas a 9 anos e 9 meses de
prisão. E Eduardo Azeredo, quando
será condenado? O prejuízos chegaram a R$ 2,7 milhões ao Estado
de Minas Gerais.
A Cemig, que os governos tucanos entregaram para interesses privados, segue dando muito lucro, ao
invés de bem-estar à população e
a seus trabalhadores. Só nos últi-
mos três meses, a empresa teve lucro de R$ 789 milhões. Os comentários do presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, explicam a visão da empresa: é preciso mais lucro, agregar mais valor ao ‘negócio’,
e “proporcionar aos acionistas o retorno adequado e atrativo de seus
investimentos”.
Ou seja, quem manda na Cemig
são os investidores, em sua grande
parte investidores internacionais. A
Cemig é campeã nacional e internacional de mortes de seus trabalhadores, em função da terceirização.
Como vemos, o PSDB, como partido dos grandes empresários e investidores nacionais e internacionais, não brinca em serviço, seja lá
no Senado, seja aqui no governo do
Estado. Mas vem aí o resultado do
Plebiscito Popular pela redução da
tarifa de energia e do ICMS. O poderes públicos não poderão se silenciar diante do resultado.
Falando Nilson
A partir da iniciativa de 86 movimentos sociais, o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político será lançado nesta sexta-feira (15). Serão realizadas inúmeras atividades até a coleta de votos, em setembro de 2014.
Os plebiscitos populares são
uma decisiva contribuição dos
movimentos sociais à luta popular. Apesar de não ter valor legal,
exercem pressão política e social,
permitindo que milhões de brasileiros expressem a sua vontade.
Entre 1º e 7 de setembro de
2002, foram coletados mais de 10
milhões de votos em 46 mil urnas
instaladas, graças ao trabalho voluntário de 160 mil participantes,
em plebiscito sobre a entrada do
Brasil na Área de Livre Comércio
das Américas (Alca).
O resultado não deixou dúvidas sobre a vontade da população: 98,32% dos eleitores se declararam contra a adesão do Brasil.
O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora também com edições
regionais, em SP, no Rio e em MG. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos
fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país e no nosso estado.
A campanha foi fundamental para que a proposta, que comprometia nossa soberania nacional, fosse rejeitada.
Agora, o tema é a mudança do
sistema político. Os protestos populares de junho de 2013 recolocaram em cena uma luta central:
a disputa pelo orçamento público,
em parte sequestrado por grandes
grupos econômicos. Apesar da sua
complexidade, apresentando uma
pauta difusa, um traço evidente nas ruas foi o desejo de parcelas dos setores populares e médios
por mais investimentos em educação, saúde, transporte, moradia e
segurança.
Os manifestantes fizeram reivindicações econômicas que são
também uma revolta contra a própria política, ou melhor, contra
um tipo de prática política que
uma mudança estrutural em nosso sistema político pode enterrar
de uma vez por todas.
A realização de mudanças
no sistema político é
determinante para as
reformas estruturais
O Brasil necessita de reformas
estruturais que mudem o papel de
suas instituições criando uma nova institucionalidade para avançar na democratização. As reformas agrária, urbana, tributária,
do judiciário, da educação, da
saúde, dos meios de comunicação
não passam em um Congresso Nacional composto majoritariamente por parlamentares eleitos com o
dinheiro dos empresários.
Portanto, a realização de uma
mudança no sistema político é determinante para o avanço das demais reformas estruturantes. Assim, está aberto um verdadeiro
desafio de atingir amplas parcelas
da população, fazendo do plebiscito uma manifestação política em
grande escala.
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para anunciar : [email protected] /
(31) 3309 3304 - (11) 2131 0800
conselho editorial minas gerais: Adília Sozzi, Adriano Pereira Santos, Beatriz Cerqueira, Bernadete Esperança, Bruno Abreu Gomes, Carlos Dayrel, César Augusto Silva, Cida Falabella, Cristiano Carvalho,
Cristina Bezerra, Daniel Moura, Dom Hugo, Durval Ângelo Andrade, Eliane Novato, Ênio Bohnenberger, Frederico Santana Rick, Frei Gilvander, Gilson Reis, Gustavo Bones, Jairo Nogueira Filho, Joana Tavares,
João Paulo Cunha, Joceli Andrioli, José Guilherme Castro, Juarez Guimarães, Lindolfo Fernandes de Castro, Luís Carlos da Silva, Marcelo Oliveira Almeida, Maria Brigida Barbosa, Michelly Montero, Milton Bicalho,
Neemias Souza Rodrigues, Nilmário Miranda, Padre Henrique Moura, Padre João, Pereira da Viola, Renan Santos, Rilke Novato Públio, Rogério Correia, Samuel da Silva, Sérgio Miranda (in memoriam), Temístocles
Marcelos, Wagner Xavier. Administração: Valdinei Siqueira e Vinicius Moreno. Distribuição: Larissa Costa. Diagramação: Luiz Lagares. Revisão: Luciana Santos Gonçalves Editor-chefe: Nilton Viana (Mtb 28.466).
Editora regional: Joana Tavares (Mtb 10140/MG). Repórteres: Maíra Gomes e Rafaella Dotta. Estagiária: Raíssa Lopes. Endereço: Rua da Bahia, 573 – sala 306 – Centro – Belo Horizonte – MG. CEP: 30160-010.
Contato: [email protected]
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Haitianos tentam vida nova em BH
MIGRAÇÃO Três anos depois do terremoto que assolou o país, situação não é animadora
Arquivo pessoal
Rafaella Dotta
De Belo Horizonte
Em 2010, o Haiti foi atingido
por um terremoto que destruiu o
país. Foram 300 mil mortos, 250
mil feridos e 1,5 milhão de pessoas desabrigadas. Agora, três anos
depois, o país ainda não se reconstruiu e a estimativa é de que
ainda existam 500 mil desabrigados e uma taxa de desemprego de
95%.
É essa a situação dos haitianos
que resolvem sair do seu país e
tentar reconstruir suas vidas no
Brasil. Eles declaram que no Haiti todos os serviços básicos, como saúde e educação, não são de
qualidade e reclamam principalmente da falta de segurança. Mackenson, haitiano que hoje mora
em BH, diz que no Haiti, as pessoas vivem com o medo constante de serem roubadas ou sequestradas.
No entanto, a realidade no Brasil não é animadora. Empresários brasileiros têm se aproveitado dos problemas dos haitianos,
colocando-os em empregos de situação precária, semelhantes ao
trabalho escravo. Um integrante
do Comitê de Solidariedade aos
Haitianos de BH, Elerson da Silva, afirma que essas pessoas estão sendo exploradas. “As mulheres são abusadas de todas as formas possíveis e algumas acabam
virando serviçais domésticas”, denuncia.
Desde o início deste ano, seis
mil haitianos entraram no Brasil. A maioria passa pela fronteira
com o Peru, no Acre, e ficam esperando que empresas contratem
seus serviços. O Conselho Nacional de Imigração, na resolução
normativa 97/2012, regulamentou que o Brasil expedirá 1.200
vistos de caráter humanitário por
ano, com prioridade aos haitianos.
Apoio aos haitianos
“Nosso objetivo principal é dar
ferramentas para os haitianos se
inserirem na cultura brasileira.
Eles chegam tão vulneráveis que
não conseguem se inserir nas políticas de assistência do país. O fato de os haitianos estarem aqui é
uma oportunidade para o Brasil,
porque não estamos preparados
para receber estrangeiros”, declara Arturo Estrada, integrante
do Centro Zami, grupo que apoia
haitianos que moram no Brasil.
cidades | 03
Pergunta da semana
De acordo com o IBGE, foram
trazidos 4 milhões de africanos
para o Brasil, que aqui foram
escravizados. Destes, muitos fugiam
e formavam comunidades. O líder
mais importante destes escravos
foi Zumbi dos Palmares, que foi
assassinado no dia 20 de novembro,
em 1695. Para não esquecer dessa
história, o movimento negro
fez do 20 de novembro o dia da
Consciência Negra, comemorado
todos os anos.
O que você acha do dia
da Consciência Negra?
“Aqui no Brasil a gente tem uma
mistura de raças muito grande.
Ter um feriado com esse nome
conscientiza as pessoas sobre o
negro e sobre várias coisas que
são da nossa raça.”
Mackenson e Minouche (esq.) vieram para o Brasil em busca de melhores condições
Bárbara Lima, atriz
Opiniões de um
haitiano em BH
Mackenson Vieux veio para o
Brasil no final de 2011 acompanhado da esposa, Minouche Dagueerre. No Haiti, ele era tradutor
e fala quatro línguas: inglês, francês, crioulo e português. Hoje, ele
é eletricista em BH e está fazendo curso técnico em eletrônica. O
Brasil de Fato conversou com ele,
em sua casa, em Contagem.
Brasil de Fato - Por que você veio
para o Brasil?
Mackenson - A gente veio pra
cá pra buscar uma vida mais
tranquila. Nós não precisamos só
de dinheiro. No Haiti, se eu precisasse levar meu filho no hospital, não funcionava. Antes do terremoto, lá já não era bom, imagi-
na depois...
O que os haitianos estão passando
no Brasil?
Alguns precisam dividir casa
com dez pessoas. Eles não têm
dinheiro pra ter uma vida melhor
que isso. Eu e Minouche já fomos
enganados também. Trabalhamos para duas empresas que até
hoje não pagaram nada pra gente.
Você quer voltar para o Haiti?
Eu deixei irmãos, uma irmã,
primo, prima e uma filha adotiva
lá. Eu gostaria de visitá-los, mas a
passagem é muito cara. Mas voltar para morar no Haiti não dá.
Talvez em outro país.
“Ajuda a conscientizar, a acabar
com esse preconceito que existe
entre o povo brasileiro e que tem
que acabar.”
Eduardo Lopes, estudante
04 | cidades
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
“Piscinão” do Calafate gera revolta
na população
DESAPROPRIAÇÃO Mais de 500 famílias podem perder suas casas para a construção de uma bacia de contenção de
águas de chuva
Maíra Gomes
De Belo Horizonte
Desde que BH passou a ocupar
o entorno do Ribeirão Arrudas, suas águas têm causado problemas
constantes para a população em
tempo de chuva. Muitas foram as
propostas para acalmar o rio, mas,
desta vez, a Prefeitura de BH promete dar a solução. Está sendo preparada a construção de um grande
“piscinão” para acomodar as águas
da chuva, com capacidade para 600
milhões de litros, menor apenas
que a Lagoa da Pampulha.
De acordo com a Secretaria de
Obras do município, a bacia será
construída no bairro Calafate, na
região Oeste da cidade. O projeto
de combate à inundação do Arrudas abarca também um reservatório de controle de cheias, no Bairro das Indústrias. Ao todo, o projeto custará R$ 328 milhões, sendo R$
23 milhões da prefeitura e o restante do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
Apesar da grandiosidade, no projeto e na promessa, a obra é questionada por especialistas. “A bacia
funciona até um limite, até o quanto de água pode caber. Se o volume for menor, você pode controlar
o efeito da chuva. Se não for, poderá
ter os mesmos problemas de antes”,
declara Marcus Vinícius Polignano,
coordenador do projeto Manuelzão
e presidente do Comitê da Bacia do
Rio das Velhas.
O especialista aponta que há
Fotos: Maíra Gomes
má administração na questão das
águas e seus cursos. O planejamento urbano tem sido feito para enquadrar as águas no desenho da cidade. Para Marcus, o correto seria
fazer o contrário, de acordo com a
lógica dos caminhos d’água. “Muitos rios e córregos viraram avenidas. Nada mais normal que as
águas transformem nossas ruas em
córregos, buscando seu caminho
natural”, demonstra.
Construção vai desalojar famílias
A Bacia do Calafate vai ocupar
desde o cruzamento da Via Expressa com a Teresa Cristina até seu encontro com a Silva Lobo, totalizando uma área de 196 mil m². Para sua
construção, será necessária a retirada de mais de 500 famílias. Se-
Apesar de cadastro estar
pronto, famílias não têm
informação sobre remoções
gundo a Companhia Urbanizadora
e de Habitação de Belo Horizonte
(Urbel), responsável pelo procedimento, um estudo para a implantação da nova rodoviária no local foi
realizado em 2005. Dali saiu o Plano Diretor de Remoção e Reassentamento (PDRR) da Vila Calafate,
que será a base para o novo PDRR.
A Urbel afirma que a atualização
será realizada apenas em meados
Bacia do Calafate vai ocupar 196 mil m² e desalojar 500 famílias
de 2014, época prevista para o início das obras. No entanto, em visita
ao local, o Brasil de Fato MG confirmou com um técnico da PBH que
a medição e o cadastro das famílias
foi finalizado esta semana.
As famílias da região afirmam
que ainda não foram comunicadas
sobre as desapropriações “Ainda
não sabemos se vamos ou não ser
despejados e são 580 famílias nessa área”, diz Elton Moura, presidente da Associação dos Moradores da
Vila Calafate.
Os moradores declaram que não
são favoráveis à construção da Bacia na Vila Calafate. Maria das Dores Pereira da Cruz afirma que não
pretende sair. “Como você mora
num lugar há 14 anos e vai deixando assim, de repente? Eles não têm
direito de tirar a gente assim, isso
não é da prefeitura, é da gente”, diz.
Ela conta que a região é bem localizada, com farmácia, padaria,
supermercado e outros serviços
próximos. “Eles vão querer jogar a
gente num cantão que não tem nada. Tem muito lugar pra eles fazerem piscinão”, declara.
Audiência Pública debate novo
plano urbano de BH no dia 20
O novo plano de desenvolvimento
urbano de Belo Horizonte, denominado Operação Urbana Consorciada, tem sido alvo de polêmicas na
sociedade, por propor mudanças radicais em leis e planos já estabelecidos, além de prever diversas desapropriações. No dia 20 de novembro, às 18h, será realizada uma AuPrefeitura oferece “piscinão” como solução para contenção de águas de chuva
diência Pública sobre o tema no auditório do Crea-MG, na avenida Álvares Cabral, 1.600, B. Santo Agostinho. Ali, serão apresentados os termos e propostas do novo plano por
representantes da Prefeitura de BH,
além de ouvidos os apontamentos
da população e movimentos organizados que divergem do programa.
minas | 05
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Quilombo vive agressões
SEU
BOLSO
JEQUITINHONHA Comunidade de descendentes de escravos é ameaçada por fazendeira
Desde 1899, o Quilombo Marobá dos Teixeira espera pelo cumprimento dos seus direitos. A comunidade tem documentos que
comprovam a posse da terra, mas
devido ao não reconhecimento da
Justiça, enfrenta conflitos. A população declara que está sofrendo ameaças de fazendeiros que se
dizem proprietários do terreno.
O Quilombo Marobá dos Teixeira está localizado na cidade de
Almenara, no Vale do Jequitinhonha, e é composto por 40 famílias. A comunidade utiliza a terra
para produzir alimentos para sua
sobrevivência e para venda. Mas,
apesar de viverem no território há
mais de cem anos, os quilombolas ainda não conseguiram o título de propriedade.
Na década de 1940, a família do
fazendeiro Arcelino Antunes Luz
invadiu e se instalou no local já
ocupado pelo quilombo. Desde
então, latifundiários e quilombolas brigam pela posse do terreno.
A falta de decisão do poder judiciário tem deixado, até o momen-
Onze suspeitos de agredir os
quilombolas foram presos,
mas só um ainda está detido
to, a situação se resolver através
de meios “extra-oficiais”.
No dia 26 de outubro, a população do Quilombo Marobá denunciou intimidações feitas por Maria do Rosário, suposta proprietária da terra. De acordo com Gildázio Santos, integrante do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos que está acompanhando o caso, a fazendeira ameaçou tanto o qui-
MATERIAL DE
CONSTRUÇÃO
Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos/InstitutoDH
Rafaella Dotta
De Belo Horizonte
Materiais de construção têm
variação de preços conforme o
local de compra. Listamos aqui
alguns dos locais mais baratos,
mas fique atento ao preço do frete. Em alguns casos, se for possível fazer a sua compra toda na
mesma empresa, o valor do frete
pode ficar mais baixo. Em compras à vista, as lojas costumam
apresentar bons descontos.
Quarenta famílias vivem há cem anos no território
lombo quanto o acampamento 16 de abril do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra
(MST), situado na mesma região.
Em nota publicada pela Comissão Pastoral da Terra, as comunidades declararam que a fazendeira, juntamente com pessoas não
identificadas, transitou com carros durante todo o dia “dirigindose às pessoas com ações verbais e
gestuais de violência simbólica e
discriminação racial e social”. O
gado de ambas as comunidades
foi soltos na rodovia.
A Polícia Militar compareceu
ao local e prendeu 11 suspeitos,
que portavam armas de fogo e facões. Apenas um deles permaneceu detido, por ter antecedentes
criminais. A comunidade declara ter medo de que as ameaças se
concretizem.
Lei está a favor da comunidade
A Constituição Federal dá aos
quilombolas o direito ao território em que vivem. Está no artigo
68: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que
O que é um quilombo?
Na época da escravidão no Brasil, milhares de negros e indígenas escravizados
conseguiram fugir das fazendas e se reuniram em pequenas comunidades, onde passaram a viver. Estas comunidades foram chamadas de quilombos e algumas sobrevivem até hoje.
Um dos maiores quilombos do Brasil foi o dos Palmares, na antiga capitania de
Pernambuco. Sua organização começou no século XVI, mas na segunda metade do século XVII chegou ao auge, com uma população estimada em mais de
20 mil pessoas. Uma das principais lideranças foi Zumbi, assassinado pela repressão em 20 de novembro de 1695. Seu exemplo de coragem no enfrentamento da escravidão inspirou o dia da Consciência Negra.
Em Minas Gerais, segundo levantamento do Centro de Documentação Eloy Ferreira (Cedefes), existem 500 comunidades quilombolas. Destas, 130 têm processo de regulamentação aberto no Incra e aguardam a efetivação da posse
da terra.
estejam ocupando suas terras é
reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitirlhes os títulos respectivos”. Fica,
então, a dúvida: por que isso ainda não aconteceu?
De acordo com Gildázio Santos, o processo está em andamento. O relatório antropológico, necessário ao caso, já foi feito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra),
mas até hoje não houve entrega do documento. “Sem a resposta do Incra, não é possível levar o
processo adiante”, afirma.
A comunidade ainda não tem
acesso às políticas públicas do
governo. Não tem água encanada, energia e escola, por exemplo.
Arlete Pereira Dias, moradora do
quilombo, acredita que o relatório do Incra vai dar direito a tudo isso. Para ela, um documento que defina a comunidade como quilombo dará a possibilidade de inscrição em projetos agrícolas. Assim, a comunidade pode desenvolver a produção local
e garantir melhores condições de
vida.
Daqui pra frente...
Na próxima terça-feira (19), a
equipe do Programa de Proteção
aos Defensores de Direitos Humanos realizará o primeiro Curso de Formação de Defensores de
Direitos Humanos com a Comunidade Quilombo da Marobá dos
Teixeiras e parceiros da região.
Logo depois, no dia 22 de novembro, o quilombo terá uma reunião
com o Incra, com a promessa da
entrega do relatório antropológico. A comunidade tem grande expectativa com esse dia, afirmou
Arlete Pereira. “Com esse mapa nas mãos, os conflitos podem
acabar de vez.”
AREIA LAVADA
GROSSA (m³)
BRITA nº 01
(m³)
preço médio:
R$ 80,84
locais mais baratos: Ferreira Depósito -
Rua Amaraji, 330, B. São
Gabriel (R$ 68) / Brazilajes
Material de Construção Av. Erico Verisimo, 1568,
B. Santa Monica (R$ 69)
preço médio:
R$ 91,28
locais mais baratos: Brazilajes Material
de Construção - Av. Erico Verisimo, 1568, B. Santa Monica (R$ 69,90) / Ferreira Depósito - Rua Amaraji, 330, B. São Gabriel
(R$ 75)
Preço médio:
R$ 20,90
locais mais baratos: Depósito Cascardo
CIMENTO
(CAUÊ CPIII32 Pac. 50kg)
- Rua Javari, 1124, B. Concordia (R$ 20) / Depósito
Buritis - Av. Professor Mário Werneck, 2017, B. Buritis (R$ 21)
Fique de olho! O preço do
cimento é estipulado de
acordo com a variação no
preço do dólar. Assim, os
valores podem mudar radicalmente de uma semana para a outra ou até
mesmo de um dia para o
outro.
Preço médio:
R$ 950,29
TIJOLO FURADO/BAIANO 29 x 19 x 0,14
locais mais baratos: Ferreira Depósito -
Rua Amaraji, 330, B. São
Gabriel / Depósito RSM
Ltda. - Av. Waldomiro Lobo, 1606, B. Guarani. (R$
870)
Preço médio:
R$ 34,43
TELHA AMIANTO - 2.44 x 1.10
Marca mais barata: Depósito Silverata -
Rua Javari, 481, B. Renascença (R$ 29,50) / Depósito Construminas - Av. Gastão Demetrio Maia, 1700,
B. Floramar (R$ 30)
Data da pesquisa: Outubro/2013
Fonte: www.mercadomineiro.com.br
06 | minas
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
O parto é da mulher
DIREITO Movimentos denunciam violência e propõem mudanças para promover
o parto humanizado
Vinte e cinco de novembro é marcado como o Dia Internacional de
Combate à Violência Contra a Mulher. Durante todo o mês, o jornal
Brasil de Fato apresenta uma série
de reportagens sobre o tema.
Polly do Amaral
Maria Cecília Alvim
De Belo Horizonte
Ao longo da história, a mulher
foi vítima de inúmeras formas de
exploração e desrespeito por parte
dos homens, reflexo de uma cultura de submissão e dominação. Felizmente, essa situação tem mudado com o protagonismo crescente
das mulheres. Nesse contexto de
superação, no entanto, começa a
se revelar um novo tipo de violência contra a mulher, que se manifesta durante a gestação, parto e
pós-parto.
Tem sido negado à mulher o direito à escolha sobre o tipo de parto que deseja e, ainda, o direito à
assistência humanizada por parte de instituições e profissionais
de saúde. Essa situação tem resultado em um número crescente de
cesarianas desnecessárias, partos
sofridos, e relatos de tensão, sofrimento, dor e indignação por parte de mães, pais e familiares. Essa nova constatação de uma violência sutil, muitas vezes nem percebida como violência, advém do
movimento de mulheres pela gestação e parto ativo. Mobilizadas,
elas denunciam que a “violência
no parto também é violência contra a mulher”.
Cada vez mais mulheres relatam serem vítimas de abusos físicos, comentários agressivos, discriminação, humilhação, ameaças, restrições de acompanhante.
Denunciam ainda que são submetidas a cesarianas por conveniência médica e a separação de seus
bebês logo após o parto. Condutas
como essas por parte das equipes
de saúde são apontadas como violentas, pois afrontam o direito da
mulher e do bebê a uma experiência consciente e feliz de gestação,
parto e pós-parto.
A médica e doutora em Saúde Pública Sônia Lansky diz que,
muitas vezes, os próprios profissionais de saúde não enxergam
o que fazem como violência. “É
um fenômeno médico masculino,
muitas vezes incorporado também pelas mulheres. O que acontece é uma massificação e despersonalização de condutas, como se
todas as mulheres fossem iguais”,
destaca. Ela afirma que essas condutas já estão tão institucionalizadas que as gestantes também muitas vezes não percebem que estão sendo vítimas de violência. “É
um direito da mulher e da criança
Parto natural na água, na Casa de Parto do Hospital Sofia Feldman
ter acesso à atenção respeitosa no
parto”, destaca.
Direito humano
Graves denúncias da ocorrência de violência no parto em Minas Gerais foram apresentadas
por representantes de entidades
não-governamentais durante audiência pública da Comissão de
Direitos Humanos da Assembleia
Legislativa em 2012.
O relatório, elaborado pela rede de mulheres pelo parto ativo,
apresenta informações relevantes
sobre as condições de atenção ao
parto no estado e no país. Está embasado em diversas referências bibliográficas, legislações nacionais
e acordos internacionais que, segundo a rede de mulheres, não estão sendo cumpridos nas materni-
dades brasileiras.
O documento destaca que, em
2010, a Corte Europeia de Direitos Humanos reconheceu a autoridade, a autonomia e o apoio
às escolhas feitas pela parturiente como direitos humanos. Algumas pesquisas citadas pelo relatório comprovam essas afirmativas. Uma delas, feita em 2010 pela
Fundação Perseu Abramo, apontou que uma em cada quatro brasileiras relatou ter sofrido algum
tipo de violência durante a assistência ao parto.
Sônia Lansky, que é também
coordenadora da Comissão Perinatal e do Comitê de Prevenção
de Óbitos Materno, Fetal e Infantil da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, afirmou que
78,6% das mortes durante o par-
to no Brasil têm como causa direta a qualidade da assistência. Segundo ela, o número de óbitos de
mães em Belo Horizonte chega a
42,3 para cada 100 mil, sendo que
o aceitável pela OMS é de 20.
VIOLÊNCIA
AO DAR À LUZ
- Uma em cada quatro brasileiras
relatou ter sofrido algum tipo de
violência durante a assistência ao
parto (Pesquisa da Fundação Perseu Abramo, 2010)
- O número de óbitos de mães em
Belo Horizonte chega a 42,3 para
cada 100 mil, sendo que o aceitável pela OMS é de 20.
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Parto humanizado
fatos em foco
Comemoração do Tri é
recebida com balas e
bombas de gás
PRESSÃO Muitas vezes, é negado à mulher o direito de escolher a forma de dar à luz
Maria Cecília Alvim
De Belo Horizonte
Durante os nove meses de espera, a mulher se prepara e cria muitas expectativas com relação à hora
e ao tipo de parto. No entanto, hoje em dia, muitas vezes a mulher
não participa ativamente desse momento, pois é negado a ela o direito à escolha informada do parto e
à assistência humanizada. Com isso, ocorrem partos sofridos e cesarianas em muitas situações desnecessárias e sem o consentimento da
mulher.
Segundo Pollyana do Amaral Ferreira, integrante da rede de mulheres pelo parto ativo e coordenadora do Ishtar, a geração anterior viveu momentos de sofrimento relacionados a procedimentos inadequados e à má assistência ao parto normal. Isso fortaleceu mitos de
que o parto normal é sempre sofrido e doloroso, o que não é verdade.
“Muitas vezes, quando (a grávida)
diz querer o parto cesárea, está dizendo: eu não quero ser maltratada
no parto normal”, afirma.
A médica Sônia Lansky perce-
Mídia Ninja
Movimentos reividincam protagonismo da mulher em todo o processo
be a disseminação da cesariana como um fenômeno latinoamericano relacionado à violência de gênero, muitas vezes incorporada pelas
mulheres, em função das relações
de poder que se estabelecem. “Há
um domínio do poder médico. É ele
que decide, sabe, controla. A mulher fica completamente exposta e
subjugada a esse poder”, alerta.
Protagonismo da mulher
Incentivar o protagonismo da
mulher em todo o processo de gestação, parto e maternidade é uma
das premissas que motivam profissionais, especialistas e mulheres
ativistas pelo parto normal no país. Um desses grupos é o Ishtar – Espaço para gestantes, que se reúne
no Sinpro Minas (rua Jaime Gomes,
198, Floresta) toda primeira quartafeira de cada mês, às 20h, a partir de
6 de novembro de 2013, e no Parque
Ecológico da Pampulha, todo 3º sábado do mês, às 9h30.
“Quem mais morre por aborto são
as pobres e negras”
Maíra Gomes
De Belo Horizonte
No Brasil, o governo oferece uma
política específica para a saúde da
mulher, voltada principalmente para o sistema reprodutivo, centrado
em exames e ações relacionadas,
como cuidados com mamas e colo do útero. No entanto, ativistas
apontam que esse enfoque desconsidera a condição em que a mulher
é colocada na sociedade. “Sabemos
que as mulheres adoecem mais por
estarem em uma situação de desigualdade. Na hora de pensar a saúde, não se leva em conta que elas
trabalham fora e ainda têm uma
pesada jornada de trabalho em caMMM/MG
Protesto da Marcha Mundial das Mulheres pelo direito ao aborto
minas | 07
sa, por exemplo”, destaca a profissional de saúde e militante da Marcha Mundial das Mulheres Bernadete Monteiro.
A cada dois dias, uma mulher
morre no Brasil em decorrência de
abortos inseguros e, para Bernadete, o tema devia ser amplamente debatido no campo da saúde. Ela conta que mulheres que chegam em situação de abortamento nos hospitais e postos de saúde são recebidas
com maus tratos, sem nem mesmo
os profissionais saberem se o aborto foi provocado ou espontâneo.
Ela frisa, ainda, que dados confirmam que quem mais morre por
aborto são as mulheres pobres e
negras, por não terem acesso a clínicas clandestinas que fazem o
aborto seguro. “Uma em cada sete
mulheres abortam no Brasil, ou seja, muitas. Mas as mais pobres são
as que mais sofrem. Por essas razões lutamos para a legalização do
aborto”, conclui.
A comemoração do Tricampeonato do Cruzeiro foi marcada por
violência policial no Centro de
Belo Horizonte. Pouco depois do
fim do jogo, as praças da Estação
e Sete já estavam lotadas de torcedores de todas as idades festejando a conquista do título. Era quase uma da manhã quando bombas de pimenta e gás lacrimogêneo começaram a cair no meio
da multidão por todos os lados,
gerando alvoroço nos presentes.
Muitas pessoas acabaram pisoteadas e outras passaram mal com
os efeitos do gás. Em alguns pontos, como na Rua dos Caetés, foram disparados tiros de borracha
contra os torcedores.
Servidores da saúde em
estado de greve
Em assembleia realizada na manhã de quarta-feira (13), os servidores da saúde do estado aprovaram o Termo de Acordo proposto pelo governo, mas decidiram
manter a greve até que algumas
reivindicações - como o Fundo de
Previdência - sejam atendidas.
Dia Mundial do
Diabetes
Neste 14 de novembro, Dia
Mundial do Diabetes, a Federação
Internacional de Diabetes (IDF)
informa que há 13,4 milhões de
diabéticos no Brasil (tipo 1 e 2),
o que deixa o país em quarto
lugar no mundo em número
de casos. O Dia Mundial do
Diabetes foi criado em 1991 pela
IDF em parceria com a OMS
(Organização Mundial da Saúde),
com o objetivo de dar respostas
ao crescente interesse em torno
da doença, além de alertar para
o aumento de sua incidência no
mundo.
Levante reunirá 400
jovens em Ribeirão das
Neves
Entre os dias 15 e 17 de novembro
o movimento Levante Popular da
Juventude fará seu I Acampamento
Estadual. A expectativa é que cerca
de 400 jovens participem do evento,
que contará com debates, esportes,
teatro, rodas de conversa, de capoeira
e noites culturais.
08 || opinião
opinião
08
Belo Horizonte,
Horizonte, de
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de novembro
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2013
Belo
Acompanhando
Foto da semana
Mídia Ninja
NA EDIÇÃO 12 ...
Saúde municipal sem remédio
...
as do centro da capital na madrugada de quinta (14). Em comemoração ao Tricampeonato Brasileiro do Cruzeiro, milhares de
torcedores foram à Praça da Estação e Praça Sete com alegria e
muitas explosões de fogos.
PARTICIPE
Viu alguma coisa legal? Algum absurdo? Quer divulgar? Mande sua foto para [email protected]. Lembre-se de mandar o endereço onde foi registrado o fato e seu contato
Filipe Rodrigues
Elaine Cristina Ribeiro
Você ainda é jovem?
Não aceitaremos preconceito
Não digo pela idade. Não importa que tenha mais de
Por que perguntei se você ainda é jovem? Porque ser
jovem, diante desta realidade, é ser uma força transformadora. É estar preocupado com o futuro a ponto
de se organizar hoje para lutar pelos nossos direitos de
amanhã. Ser jovem é não se calar diante das injustiças.
Precisamos de uma sociedade mais inteligente. E ainda há esperança. Outros junhos virão!
Após a abolição da escravidão, com a lei Áurea, há
mais de 120 anos, o racismo seguiu existindo. Mesmo
liberto, o negro era considerado inferior no intelecto
e nos seus direitos.
O movimento negro começa a se organizar e formar seus coletivos de discussão. Onde havia apenas
a revolta e a melancolia, passa a existir o orgulho da
raça e a certeza de sua contribuição à história. Es sa herança, até os dias de hoje, colocou no centro do
debate as políticas de ações afirmativas. Com a lei
10.639, de janeiro de 2003, que torna obrigató rio o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do
ensino fundamental até o ensino médio, cai por terra
o mito da democracia racial.
Nos últimos dez anos, o Brasil tem avançado no debate e no enfrentamento aos efeitos do racismo na vilação total do país, segundo o censo de 2010.
O Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288, de
20 de julho de 2010) é outro fundamental instrumento de coibição a práticas antirracistas e apoio ao judiciário para permitir a promoção de ações civis públicas, impondo multas para quem comete preconceito. O estatuto é uma vitória para a população negra e
um avanço para o país, pois ele garante direitos básicos, como a saúde, moradia, educação, além de coibir discriminação racial, sendo um marco histórico
de resgate e reconhecimento da dívida do Brasil com
a população negra.
Toda sociedade civil, órgãos governamentais, sindicatos e centrais sindicais, estudantes e a população
em geral podem colaborar cobrando o cumprimento das leis.
Filipe Rodrigues é integrante do movimento Levante
Popular da Juventude
Elaine Cristina Ribeiro é secretária de Combate ao
Racismo da CUT/MG
que podemos melhorar o mundo em que vivemos. Essa é a energia de um jovem. Em qualquer lugar, um jovem (ou uma jovem!) estará pensando em como melhorar as coisas, ou pelo menos deveria.
Diz um ditado que o nível de inteligência de uma sociedade pode ser medido por como seus jovens e idosos são tratados. Os jovens, porque são o futuro, a esperança. Sobre eles estarão as forças do futuro. E os mais
velhos, pelo reconhecimento de seus esforços, por sua
sabedoria.
E como os mais velhos são tratados aqui? A saúde
é precária. Trabalharam durante toda a vida pra hoje
não terem direito a um cuidado digno para tratar suas enfermidades. A seguridade social, uma vergonha!
Quando não é salário mínimo, como na imensa maioria dos casos, o salário vai se desvalorizando até chegar
ao mínimo depois de pouco tempo. Quantos aposentados ainda precisam trabalhar? Inúmeros!
E como tratamos os jovens? Vamos nos preocupar
mais com nossos jovens! Ora, vejamos, podemos começar pela má educação. Que educação básica é essa em Minas Gerais? Puro marketing. Vamos falar do
extermínio da juventude da periferia, onde sofremos
com muitas mortes de amigos e parentes nesse faz de
E AGORA
Na madrugada de terça-feira
(12), centrais sindicais, sindicados de base, federações, confederações e movimentos sociais realizaram manifestação para consagrar o Dia Nacional de Mobilização pelo Fim do Fator Previdenciário. A concentração ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos
de BH e de lá os manifestantes seguiram pela BR-381, em direção
a São Paulo. As duas pistas da estrada foram fechadas por cerca de
duas horas. José Wagner de Moraes de Oliveira, presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos
testo foi uma tentativa de denunciar à população a intransigência
de patrões, e reivindicar mais
investimentos na saúde, piso salarial dos professores, correção imediata da tabela de imposto de renda, entre outros direitos dos trabalhadores.
NA EDIÇÃO 12...
Mais uma vez, Polícia Militar violenta moradoras de ocupação
...
E AGORA
Na quarta-feira (13), representantes das comunidades Rosa Leão,
Esperança, Vitória e William Rosa
participaram de uma reunião com
o Governo de MG, Ministério Público, Polícia Militar e Defensoria
Pública para discutir a situação dos
moradores das ocupações. O Governo Estadual se comprometeu
a receber cadastro das mais de 12
mil famílias que moram nas ocupações. Militantes apontam que ainda há falta de interesse das prefeituras de Contagem e BH em solucionar a questão da falta de moradias. Durante a reunião, cerca de
600 pessoas das ocupações fecharam a MG-010, no Bairro Serra Verde, em Venda Nova, por uma
hora. O grupo seguiu para o pátio
da Cidade Administrativa, onde perma
reunião.
Belo Horizonte,
Horizonte, de
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2013
Belo
entrevista || 09
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entrevista
“Consciência negra é dever de
todo brasileiro”
NEGRITUDE Assistente social fala sobre o racismo, preconceito e opressão no Brasil
Marcela Viana
De Belo Horizonte
No dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Nea negritude que há em cada brasileiro, independente da cor da pele.
Conversamos com Jair da Costa Júnior, negro, assistente social e especialista em Estudos de Criminalidade e Segurança Pública pela UFMG,
sobre a questão do negro, ou como
ele prefere dizer, “a questão da sociedade”.
ou a negra numa sociedade heterogênea como a brasileira?
Jair da Costa Júnior - Pode até paquem é negro no Brasil. Porém, em
um país que cultivou, ao longo de
partir de critérios que indicam que
o negro, na atualidade, não é somente aquele de pele escura, mas
aqueles que trazem os “signos” da
pobreza. Vale destacar, ainda, que
entendemos por negro a pessoa de
pele escura, o não branco. Assim,
ainda não superaram. Em minha
opinião, negro ou negra somos todos de pele escura, e é este critério
mo e da exclusão nossa de todo dia.
Segundo o último IBGE, de 2010, a
maioria dos brasileiros é de negros
e pardos, ainda assim, o racismo é
muito presente em nossa sociedade.
Por quê?
Nossa história é permeada por
tentativas de branquear a população e, dessa forma, o negro é colo-
cado como um mal. De contos infantis a políticas de imigração, várias ações e projetos tinham e têm
o intuito de “salvar” o Brasil do negro, da negritude e da lembrança de
estar ligado ancestral ou geneticamente aos escravos. O grande problema dessas “políticas” de branqueamento, é que, além de não
ou seja, manter o preconceito velado, elas nos deixam vivendo sob
a mentira da integração racial e de
não reconhecer esse preconceito,
seja na intimidade, seja na vida pública. Esta modalidade de racismo,
o racismo institucional, traz a marca de outra falácia, a da democracia
racial, da universalidade e igualdade de direitos perante a lei, e ao
mesmo tempo,promove o massa cre do negro no cotidiano. O massacre subjetivo, pior que a morte física, a morte social tira do “ser” to-
da sua potencialidade, limitando-o
em sua própria essência. O massacre objetivo, então, nem se fala, os
noticiários e as estatísticas comprovam como são maiores as “chances” de jovens negros morrerem,
apenas pelo fato de serem negros.
Quais são os problemas mais graves
enfrentados pela população negra,
hoje, no Brasil?
Sem sombra de dúvidas é o racismo. O Brasil desenvolveu uma das
morte social de um grupo, que é pela via do racismo, da discriminação
ria do Brasil nos mostra que não somente pelo fato de termos sido colonizados por europeus, mas também pela manutenção de padrões
“O Brasil desenvolveu uma
Arquivo pessoal
promover a morte social de
um grupo, que é pela via do
racismo, da discriminação e
construção social e não
importante relembrar isso,
uma vez que o conceito
de raça foi utilizado
de vida europeus e pela disseminação de uma cultura patriarcal e heteronormativa ariana, não nos reconhecemos como negros. Buscamos os padrões europeus, e quan-
supremacia branca e a
suposta inferioridade negra
como forma de dominação”
sua história, o desejo de branqueamento da população, a negação do
negro, não é fácil apresentar uma
Não é raro encontrarmos pessoas
negras que assimilam o modelo de
homem branco europeu como ideal e não se consideram negras, negam sua ancestralidade. Dessa forma, assumir-se negro é um dilema a ser superado, pois ainda é um
grande peso para o negro carregar o
O escritor Steve Olson destaca
trução social e não um conceito
lembrar isso, uma vez que o conceicar a suposta supremacia branca e
a suposta inferioridade negra como
forma de dominação. Contudo, po-
Jair da Costa Júnior, assistente social e pesquisador
A OPRESSÃO
SISTEMÁTICA
VIVIDA
PELO
NEGRO
A OPRESSÃO
SISTEMÁTICA
VIVIDA
PELO
NEGRO
A filósofa estadunidense Iris Marion Young, em estudo não traduzido, frisa que a opres- tista
política
estadunidense,
frisado
que
a opressão
são muitas
vezes
se dá de maneira Iris
sutil.Marion
Ao indicarYoung,
as formasé de
violência
sofrida
por vámuitas
vezes
se dádestaca
de maneira
sutil, em
nosso
cotidiano. Ao
indicar
as forrios grupos,
a autora
que os negros
sofrem
sistematicamente
as cinco
categorias
mas
de opressão
por proposto
vários grupos,
a autora
elencadas.
A seguir, sofrida
leia o resumo
por Jair Costa
Júnior:destaca que os negros
sofrem sistematicamente as cinco categorias elencadas.
AOexploração
- Transferência
do trabalho
de um
social em
texto não tem
tradução dos
pararesultados
o português.
A seguir,
leiagrupo
o resumo
probenefício
outro.
posto
pelodeentrevistado,
Jair Costa Júnior, sobre as principais manifestaA marginalização
de pessoas é expulsa da participação na vições
da opressão em- Uma
umacategoria
sociedade:
da social.
O1.A
desempoderamento
- As pessoas
impedidasdo
detrabalho
tomar decisões
raraexploração - Transferência
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resultados
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o direito de
opiniões.
social
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outro.
O processo de opressão praticado sobre os
O imperialismo
cultural
– Os
significados
dominantes
demão
uma de
sociedade
se
hoje,
um
exército de
reserva de
obra baranegros
permitiu existir,
a perspectiva
está fora do de
padrão
passa
a ser marcado cotatornam
que alimenta
uma geral.
lógicaQuem
de distribuição
renda
desigual.
mo
outros”.
2.A“osmarginalização
- Corresponde ao processo em que uma categoria
violênciaseria
– Trata-se
especificamente
da violência
dirigida
a pessoas,
por sedeA pessoas
expulsa
da participação
na vida
social.
Sobre este
não
rem membros
de algum
específico.
precisamos
dizer
nada,grupo
assista
à televisão, ao jornalismo policial e tire su-
também pelo modo de vestir, atividades culturais, entre outras questões. Há, ainda, a mídia atuando como o grande monstro opressor, talvez a principal máquina de matar
subjetividades. Por este mecanismo, é mantida uma imagem altamente pejorativa do negro. Há uma
intencionalidade na forma como as
notícias e informações são veiculadas, e, até mesmo quando não são
veiculadas.. Se você é negro, está
sujeito a ser parado e abordado pela polícia a todo momento e, caso transite por bairros de classe média, as chances aumentam, em regiões de classe alta é 100% certo
que você será abordado pela polícia. Mesmo assim, mesmo sabendo que a consciência negra deve
ser despertada em toda a sociedade, sem dúvida, ela deve acontecer
primeiro em todo negro e negra
brasileiros.
10 | brasil
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Onde está a diferença?
20 DE NOVEMBRO Dia da Consciência Negra: visibilidade à negritude brasileira
Rafaella Dotta
De Belo Horizonte
Na opinião de Estela Casimiro de
Abreu, que é negra, trabalha como
pipoqueira e tem 54 anos, a situação dos negros melhorou no país.
Para fazer a comparação, Estela relembra os seus 13 anos: “A gente tinha que ser melhor que todo mundo pra conseguir estudar”. Hoje, seu
filho faz faculdade de direito e dona
Estela afirma que o acesso aos estudos tem melhorado a posição do
negro no país.
Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) sobre a situação dos negros
na década de 2000 a 2010 confirma
a opinião de Estela, apontando que
o acesso dos negros às políticas públicas do governo aumentou. Porém, o quadro geral ainda é de desigualdade entre brancos e negros.
O estudo constatou que o Sistema Único de Saúde (SUS) deixa mais negros sem atendimento do que brancos: 27% de pretos
e pardos pediram consulta, mas
não foram atendidos, contra 14%
dos brancos. Isso acontece porque grande porcentagem de brancos não dependem unicamente do
SUS, pois utilizam hospitais particulares.
Para Gildázio Santos, integrante
do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de
Minas Gerais, o não recebimento de
condições básicas de sobrevivência
também pode ser considerado uma
forma de violência. “Ficar sem política pública é a mãe das violações
dos direitos humanos”, afirma.
O estudo da UFRJ demonstra que
na garantia dos direitos humanos,
a desigualdade racial persiste. Enquanto os brancos têm uma média
de oito anos de estudo, os negros
tem 6,3 anos. Enquanto foram assassinados 30 mil brancos em 2008,
o número de negros foi 60 mil. Dos
moradores de favelas, 66% são negros. A falta de condições básicas
como educação, saúde e acesso à
cultura gera a desigualdade nos
empregos, salários e aquisição de
bens, entre outros. Enquanto a média de salário de uma negra é de R$
430, de um branca é de R$ 790.
20 de novembro: afirmação da
Cultura Negra
O dia 20 de novembro foi
eleito pelo movimento negro como o dia da Consciência Negra. Dia
também de lembrança da morte de
Zumbi dos Palmares, grande líder
dos africanos escravizados no Brasil. Neste ano, 1.024 cidades, entra
elas, Belo Horizonte, aderiram ao
feriado, que é facultativo na maioria dos estados.
Para Zaika, uma artista negra, esse é um dia para afirmar a
identidade negra e dizer ‘não’ ao
preconceito. “É preciso subverter
o preconceito e isso pode ser feito
através de diversas formas: assumir
o seu cabelo negro, a roupa”, afirma.
Retrato da desigualdade
Cargos mais altos
em empresas
Brancos 93,3%
Negros 5,3%
Quem mora nas favelas
Brancos 33%
Média de salários
Homem branco: R$1.270 Homem negro: R$640
Mulher negra: R$430
Mulher branca: R$790
Trabalhadoras domésticas
com carteira assinada
Taxa de desemprego
Brancos 14,5% Negros 18,6%
Opinião das ruas
Negros 66,1%
Domicílios sem geladeira
Brancos 30,5%
Brancos 19%
Negros 47%
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa foi realizada por: Ipea, Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres e IBGE. Dados de 2008. Para
formar a classificação de negros, o IBGE soma a
população preta à população parda.
Negros 25,2%
Número de assassinatos
em um ano
“A gente recebe o feriado da Consciência Negra com o maior prazer. Um dia
pra passar a cultura da nossa raça, ensinar pra quem está vindo, entendeu?”
Brancos 30 mil
Negros 60 mil
Estela Casimiro de Abreu, pipoqueira,
54 anos.
brasil | 11
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Reforma eleitoral não muda
sistema político
DEMOCRACIA Temas como abuso do poder econômico e personificação da política não foram tocados
Valter Campanato / Agência Brasil
Guilherme Almeida
De São Paulo
Um grupo de trabalho coordenado pelo deputado Cândido
Vacarezza (PT-SP) foi criado para discutir mudanças no sistema
eleitoral, no início de julho. Nessa época, as mobilizações de junho levaram a presidenta Dilma
Rousseff a propor a convocação
de um plebiscito para a realização de uma Assembleia Constituinte Exclusiva para a Reforma
Política.
A maioria dos partidos do Congresso, especialmente o PMDB,
se opôs à proposta da presidenta.
O presidente da Câmara dos Deputados Henrique Alves (PMDB
-RN) criou um grupo com representantes de 11 partidos para fazer uma proposta da própria Casa e bloquear a Constituinte.
“Foi um movimento marcado
para retardar a reforma política e
evitar que o plebiscito ganhasse
corpo”, avalia o deputado federal
Henrique Fontana (PT-RS), que
foi relator da Comissão Especial
da Reforma Política e autor de
um projeto de lei com mudanças
no sistema eleitoral.
O grupo entregou, no dia 5 de
novembro, ao presidente da Câmara o texto com as propostas
para a reforma política. Mudanças como fim do voto obrigatório
e reeleição para cargos do Executivo foram propostas.
Ainda há um caminho longo até a concretização de alguma reforma, porque o texto terá que tramitar em comissões e
ser aprovado na Câmara e no Senado. Com isso, a previsão é que
entre em vigor em 2016.
Fontana, que estudou o sistema eleitoral para construir a proposta, critica o trabalho do grupo
Ainda há um caminho longo até que alguma reforma se concretize, pois texto vai
precisa ser aprovado na Câmara e no Senado.
criado pelo presidente da Câmara. Para ele, temas como abuso
do poder econômico nos processos eleitorais e a personificação
da política não foram tocados.
“As propostas do grupo incentivam a doação oculta, porque
colocam a cargo dos partidos di-
recionar o dinheiro de empresas”, diz Fontana, que defende o
fim do financiamento privado de
campanha. Ele critica também a
manutenção do voto direto e nominal nas eleições de parlamentares, que reduz a importância
dos partidos.
“Parlamentares não querem mudar o sistema político”, afirma
especialista
“A maioria no parlamento não
tem interesse em mudar as regras que os colocaram no poder”,
afirma José Antônio Moroni, da
coordenação da Plataforma dos
Movimentos Sociais pela Reforma Política, que articula desde
2003 organizações da sociedade
civil para elaborar propostas de
mudanças.
A partir dessa avaliação, 86
movimentos sociais lançam
o Plebiscito Popular por uma
Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político nesta sexta-feira (16), em Brasília. O plebiscito terá uma única pergunta: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político Brasileiro?”. Previsto para acontecer entre 1º e 7 de setembro de 2014, as
entidades pretendem realizar diversas atividades até a votação.
“O plebiscito é um instrumento para lutarmos pela convocação de uma constituinte exclusiva para promover as reformas
políticas, que abrirão espaço para as necessárias reformas estruturais. O Congresso não quer
Constituinte nem uma reforma
política de verdade. Agora, cabe
às forças populares se mobilizarem e fazerem por conta própria
um plebiscito popular”, afirma
o dirigente do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST), João Paulo Rodrigues.
Para José Antônio Moroni, a
proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais é
o fator determinante na discussão. “O financiamento público exclusivo democratiza o poder”, afirma. Para ele, as propostas do grupo de trabalho coordenado por Cândido Vacarezza (PT-SP) partiu da perspectiva
da manutenção do financiamento de campanhas por empresas e
não apresenta nenhuma alteração estrutural.
Moroni defende também a realização de plebiscitos e referendos como instrumentos de participação da população, que implica a regulamentação do artigo 14 da Constituição. “Os instrumentos da democracia direta
foram incorporados pelo sistema
representativo, que se tornou o
poder absoluto. Os instrumento
da democracia direta têm que es-
tar nas mãos da população”, afirma o especialista.
Para o coordenador da plataforma, será necessária uma consulta à população para que a reforma política aumente a participação popular e solucione a crise
de representatividade, apontada
como catalizadora das mobilizações de junho.
“Uma Assembleia Constituinte Exclusiva e Soberana é necessária para obter mudanças concretas em estruturas de funcionamento”, conclui.
O que está em discussão
O que quer a sociedade
na Câmara
civil organizada
• doações privadas de
campanha aos partidos, não mais
a candidatos.
• unificação das eleições a cada
quatro anos,
• fim da reeleição
• voto facultativo
• voto distrital
• piso de 5% de votos
apurados para o partido ter
acesso ao fundo partidário
• perda de mandato para quem
se desfiliar voluntariamente do
partido
• proibição do financiamento
privado de campanhas eleitorais
• realização de plebiscitos e
referendos de iniciativa popular
• maior transparência nas
eleições e nas instituições
• maior participação de
mulheres, negros e camponeses
nas esferas de poder
• democratização dos meios de
comunicação e do Poder Judiciário
• realização de uma Assembleia
Constituinte Exclusiva para
viabilizar as mudanças no sistema
político
12 | mundo
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Michelle Bachelet pode voltar à
presidência do Chile
ELEIÇÕES No próximo domingo (17), o país escolherá seu novo presidente e renovará a Câmara dos Deputados e parte do
Senado.
Reprodução
A
ex-presidenta
chilena,
Michelle Bachelet, pode voltar a
presidir o país. As pesquisas de opinião apontam o favoritismo da socialista, com 32% da intenção de
votos. O número não a livra de um
segundo turno, que possivelmente será com a candidata governista de centro-direita Evelyn Matthei,
segunda colocada com 20% dos votos. Os dados são do instituto privado Ipsos, do início de novembro.
As eleições no Chile acontecem
no próximo domingo (17). Além da
presidência, serão renovados a Câmara dos Deputados e parte do Senado. O segundo turno, se necessário, será em 5 de dezembro.
Bachelet governou o Chile entre
2006 e 2010. Ela deixou o governo
com índices de aprovação de quase 80%. Após deixar o cargo, a chile-
na foi diretora da ONU para as Mulheres.
O apoio à Bachelet, candidata
do bloco de centro-esquerda Nueva Mayoría, ultrapassa o país sul-americano. Em recente declaração,
o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que “ela
provou que é possível que, com firmeza, mas também com diálogos e
soluções criativas o país avance no
rumo da dignidade e da justiça”.
A principal concorrente de Bachelet no pleito, Evelyn Matthei, é a
aposta do atual governo de Sebastián Piñera. O mandatário tem baixa
popularidade, cerca de 30%, e recebe críticas por seu modelo centrado na educação privada e pela falta de políticas públicas para aplacar
a profunda desigualdade social do
país. (da Redação)
Bachelet tem 32% das intenções de voto
Atenção servidores públicos de Belo Horizonte!
Vocês têm uma importante decisão a fazer.
Votação
De 18 a 22 de novembro, o Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte
(Sindibel) realizará um plebiscito para decidir, por meio do voto de sua base
filiada, se o Sindicato deve participar de uma central sindical e em qual entidade
se filiar.
A CUT/MG reafirma o seu compromisso de estar na luta pela valorização dos
servidores municipais, melhores condições de trabalho, no combate ao assédio
moral, de fazer a denúncia permanente do projeto neoliberal do Prefeito Márcio
Lacerda e lutar contra a criminalização das lutas sociais, entre outras frentes de
lutas.
Também reafirma o seu compromisso com lutas nacionais importantes como o fim
do fator previdenciário, a aprovação do Piso Salarial dos Agentes Comunitários
de Saúde e Agente de Combate à Endemias, redução da jornada de trabalho
sem redução de salário, a regulamentação do direito de negociação coletiva no
setor público, a luta contra a terceirização e todas as formas de precarização do
trabalho, entre outras bandeiras.
Filie-se à CUT e fortaleça ainda mais a luta da classe trabalhadora.
Filie-se a CUT!
Somos fortes. Somos CUT!
NÃO
SIM
s opções:
arque uma da
ido “SIM”, m
o tenha escolh
Cas
nononono
CUT
(Central Única
dores)
dos Trabalha
nononono
Onde votar?
el, Av. Afonso
Além de urnas na sede do Sindib
- BH / MG,
tro
Pena, 726 - 18º andar - Cen
de trabalho.
haverá urnas itinerantes por locais
ao Sindibel.
Podem votar os servidores filiados
R
www.cutmg.org.br
variedades | 13
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Reprodução
A novela Como ela é
Onde encontrar a felicidade?
CURSOS GRATUITOS
Graças a Ação Civil Pública, ajuizada em 2000 pelo Ministério Púbico do
Trabalho, após denúncias do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais Sindipetro/MG, a Petrobrás foi condenada ao pagamento de multa por
descumprimento de obrigação de fazer. Dentre as determinações, está a
formação e qualificação profissional da comunidade do entorno da Refinaria
Gabriel Passos - Regap. O Sesi e o Senai, instituições de ensino do Sistema
Fiemg, foram escolhidas para estarem à frente deste processo. Ao todo, 17
cursos serão oferecidos gratuitamente no período da manhã, tarde e noite em
três cidades: Betim, Contagem e Ibirité. Confira no site:
www.sindipetromg.org.br, a lista completa dos cursos e suas respectivas
descrições. Divulgue!
AMIGA DA saúde
A nova novela das 19h, “Além do Horizonte” estreou há duas semanas e vai abordar uma trama cheia de suspense e segredos. A principal questão que vai girar em torno dos protagonistas é a busca pela felicidade. Tudo indica que vários personagens “desaparecidos” foram
para um lugar paradisíaco, uma sociedade secreta e desconhecida em
busca da plenitude e liberdade. As razões para o sumiço dessas pessoas serão descobertas durante a novela.
“Até onde você iria para ser livre e ter uma vida plena e feliz?”. Essa é, enfim, a pergunta que a novela pretende discutir. Tomara que ela
nos ajude a respondê-la, porque me parece bem difícil. Fiquemos de
olho!
Já vi pessoas que vão longe por conta de uma paixão. Atravessam
oceanos, mudam de cidade, de ritmo de vida. Mudam a si mesmas. Já
vi também pessoas largarem empregos estáveis para encontrar a plenitude no próprio negócio. Já vi gente que é feliz vivendo a vida em
prol de uma causa ou de outras pessoas. Eu sou daqueles que entraria
num avião, num barco, num ônibus ou num trem se tivesse a mínima
certeza de que no destino final da viagem a felicidade estaria me esperando de braços abertos. Poderia ser por um amor, por um trabalho,
por um lugar, não importa. Pois a sensação de felicidade para mim é a
melhor maneira de se sentir livre.
A felicidade é uma busca constante das pessoas. Parece que o comum é nos sentirmos incompletos, sempre nos falta alguma coisa.
Penso que para responder a essa pergunta, um primeiro passo é saber
o que nos deixa plenos e felizes. Sabendo isso, bobo daquele que não
for atrás. Mesmo que para isso tenhamos que ir além...
E você, o que acha? O que te deixa feliz? O que você faria para ir
atrás da plenitude?
Continuo esperando seu contato e sugestões no
[email protected]
Até a próxima semana!
Por Joaquim Vela
Mande sua dúvida: [email protected]
Aqui você pode perguntar o que quiser para a nossa Amiga da Saúde
Uso anticoncepcional há quase dez anos, mas há algum tempo sinto que isso tem afetado a minha libido. O meu marido reclama muito que a nossa vida
sexual piorou. O que devo fazer? A pílula realmente
afeta o desejo sexual?
Uma vizinha minha apanha do marido quase todas as
semanas. Já tem muitos anos que ela sofre isso, mas
ela não larga ele e nem faz a denúncia na polícia. Ela fica triste o tempo todo. Não sei o que fazer. Não consigo mais ficar sem fazer nada nessa situação.
Maria Aparecida, 40 anos, professora
Anônima
Olá, Maria! O anticoncepcional
hormonal (pílula ou injetável)
pode sim interferir no desejo sexual. Em geral, esses remédios
podem reduzir os níveis de testosterona, que é um hormônio
que contribui para aumentar o
desejo sexual em homens e mulheres. Mas esse efeito nem sempre acontece. Talvez seja bom
experimentar outro método e
avaliar se mudará sua libido; um
A violência doméstica é mais
comum do que imaginamos.
Em geral, os homens ameaçam
as mulheres, seus filhos, sua família. Por isso elas têm medo de
denunciar ou de terminar o relacionamento. Às vezes, também pode existir uma dependência econômica em relação
ao agressor, que dificulta a situação. Procure conversar com
ela. Saiba o que está acontecendo. É muito importante que ela
profissional de saúde poderá lhe
esclarecer melhor sobre outras
possibilidades. Existem outros fatores que interferem na libido da
mulher, como o estresse, a sobrecarga de trabalho, conflitos com
o(a) parceiro(a), contenção do
desejo sexual durante o crescimento, etc. Vale a pena verificar
também essas questões, elas podem estar pesando mais do que
a própria pílula.
Amiga da Saúde, sou estudante, tenho 23 anos e faço exercício físico há muito tempo. De uns anos pra
cá reparei que as minhas pernas estão se enchendo
de varizes. Muitas mulheres na minha família também têm. O que causa varizes? Tem relação com o
exercício? O que devo fazer para evitar?
Mônica, 23 anos, estudante
denuncie, pois, enquanto nada
é feito, o homem se sente dono da situação e mais ele agride. Ligue 180, você pode fazer
a denúncia (com sigilo absoluto do denunciante), e procurar
saber qual serviço buscar no
caso dela.
Querida Mônica, as varizes estão
relacionadas a fatores hereditários,
mas não é só isso. Passar muitas horas de pé ou sentada, o sedentarismo e a gestação são outros fatores
de risco para esse problema. Fazer
exercícios físicos contribui para prevenir, continue fazendo. Usar meias
compressoras e elevar as pernas no
fim do dia também ajuda. Mas se
você acha que estão aumentando,
procure se consultar com um angiologista, pois é necessário saber o
que, no seu caso, pode estar acontecendo e buscar tratamento e outras maneiras de prevenção.
14 | cultura
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
Prenda seu preconceito e
solte o seu cabelo
Arquivo pessoal
AFRO Penteado muda a percepção das pessoas
Rafaella Dotta
De Belo Horizonte
Soltar os cabelos e prender o preconceito é o lema de muitos homens e mulheres que perceberam
a discriminação racial na aparência. Como os negros e pardos, em
sua maioria, têm cabelos enrolados, são estimulados a se parecerem cada vez mais com brancos para serem bem aceitos. Assim, o cabelo enrolado é chamado de “ruim”,
enquanto o cabelo liso é “bom”.
O assistente social Jair da Costa Júnior [entrevistado na página 9]
lembra que esse tipo de pensamento vem dos padrões europeus, que o
Brasil até hoje insiste em querer seguir. “Quando digo padrões, me refiro a uma infinidade de questões,
que passam também pelo modo de
Luís Cláudio Júnior Ferreira
vestir, pelas atividades culturais. O
simples fato de as brasileiras desejarem tanto alisar o cabelo vem daí
também, assim como a visão de
que dread é coisa de gente suja, e
a referência ao cabelo crespo como
‘cabelo ruim’”, critica.
A cantora Zaika é uma artista negra que usa cabelos afro e propaga essa ideia. Para ela, a aceitação
do cabelo afro é uma afirmação da
própria essência, um reconhecimento da cultura negra. Zaika também diz que não é fácil fazer essa
transformação. “Um dia você chega
no trabalho com o cabelo crespo e
todo mundo diz: mas que cabelo é
esse? Você só usava liso... e por isso é preciso acompanhar e apoiar
as meninas que passam por essa fase”, ensina.
Mudando a cabeça
De cada dez pessoas que entram
no salão de Marcos Santos para renovar sua escova progressiva, apenas duas continuam com essa prática. O cabeleireiro, especializado
em penteados afro, explica que, durante o tratamento de cabelos enrolados, os clientes passam a conhecer seu cabelo e começam a assumir outra aparência. “Nós transformamos a concepção que a pessoa tem sobre o que o seu cabelo é”,
Dicas para o dia-a-dia
do cabelo crespo*
Pentear: o cabelo (seco) todos os
dias, pelo menos duas vezes ao dia,
principalmente antes de dormir e antes de molhar.
Molhar: o cabelo pode ser molhado
todos os dias, mas não precisa ser encharcado. O ideal é utilizar um borrifador.
Penteados afros
+ procurados
1. Trança
2. Anelado
3. Biro biro
4. Dreads
Cremes: passar no comprimento e pontas do cabelo, nunca na
raiz. Cremes indicados: leave-ins,
umectantes e hidratantes sem enxágue. Nunca passar condicionador
sem enxaguá-lo depois.
*Por Marcos Santos, cabeleireiro
do Salão Magos de Beleza Afro.
afirma, orgulhoso.
Tratamento
Ter cabelos crespos e bonitos
não é tarefa fácil: dá trabalho, gasta
tempo e dinheiro. Na comparação
de preços, o tratamento para enrolados é quase quatro vezes mais
caro. Enquanto o alisamento custa
em média R$ 100, o tratamento para anelados sai a R$ 350. “São os cabelos das pessoas mais necessitadas e menos favorecidas e que acabam pagando mais caro”, critica o
cabeleireiro Marcos Santos.
Pensando em baratear o processo, Marcos dá sugestões de cuidados diários. Para ele, o tratamento mais eficiente é buscar informações sobre como cuidar dos cabelos
crespos. Ele avisa: os cuidados para cabelos lisos não devem ser aplicados ao enrolado. “Precisamos divulgar as possibilidades que não
agridem o cabelo enrolado. A nossa
intenção é, um dia, excluir o alisamento definitivo de dentro dos salões afro”, diz o cabeleireiro.
Programação extensa
Em comemoração ao Dia Nacional
da Consciência Negra, BH ganha programação especial dedicada à celebração da data. As atividades incluem
atrações para a valorização da cultura afrodescendente, como exposições,
palestras, shows, bate-papos, oficinas,
arte urbana, peças de teatro e dança.
A programação é inteiramente gratuita, e entre os destaques está a mostra “Expoesia: Poesias de Poetas Negros Brasileiros”, que expõe obras de
autores negros espalhados pelo país. A
exposição acontece do dia 19 a 30 deste mês no Centro Cultural Padre Eustáquio, que também disponibilizará aos
visitantes sessão de contação de histórias com o tema “Histórias da Mãe África para contar encantar”.
O Funk e o Rap, gêneros musicais
que nasceram nas periferias das grandes cidades e atuam na contestação
do preconceito racial e social, também
estarão presentes na programação. O
Centro Cultural Alto Vera Cruz realizará, do dia 29 de novembro a 7 de dezembro, a Semana Hip Hop, com apresentações de MC’s que representam a
cena independente da região. A curadoria do evento fica por conta dos grupos Rapper Blitz e Coletivo Trem Loko.
Com classificação etária livre,
a capoeira será ensinada em uma das
oficinas do projeto. Todos que se interessarem em aprender um pouco sobre a atividade, trazida ao Brasil a partir do tráfico de escravos africanos, pode participar das aulas, que acontecerão todas as quartas, sextas e sábados
no Galpão no Centro Cultural Lagoa do
Nado.
Para conferir toda a programação
do evento, acesse o site Catraca Livre
catracalivre.com.br/bh.
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
AGENDA DO FIM DE SEMANA
PRAIA
é tudo de graça!
ARTES MANUAIS
Praia da Estação, em comemoração aos 21
dias do Espaço Comum Luiz Estrela. Sábado
(16), às 13h, na Praça da Estação.
INFANTIL
CAPOEIRA
Segunda a quinta-feira
LITERATURA
COMUNICAÇÃO
O projeto Sempre
Um Papo recebe o
escritor Paulo Scott
para debate e lançamento do livro Ithaca Road. Segunda (18), às 19h30,
na Sala Juvenal Dias
do Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537 - Centro).
Oficina de artes manuais, com o objetivo
de desenvolver arte a
partir da ressignificação de materiais recicláveis. Sexta (15), de
9h às 14h, no Centro
Cultural Jardim Guanabara (Rua João Álvares Cabral, 277, Floramar).
MÚSICA
cultura | 15
DANÇA
EXPOSIÇÃO
O “Festival Imagem
Comunitária e Transformação Cultural”,
promovido pela Associação Imagem Comunitária (AIC), traz
produções e debates sobre comunicação . Quarta (20), de
19h30 às 21h30, quinta (21) e sexta (22)
de 19h às 22h, no Espaço CentoeQuatro
(Praça Ruy Barbosa)
MÚSICA
O rapper MV Bill marca presença na próxima edição do projeto
“Brincando na Vila”.
Sábado (16), das 9h
às 13h, no Parque Jornalista Eduardo Conri (Avenida Arthur Bernardes, 86, São Bento).
Roda de Capoeira
com o mestre Braçada. Sexta (15), às 14h,
na Ocupação William
Rosa (Av. Severino
Ballesteros Rodrigues,
bairro Laguna, Contagem).
Grupo Toca de Tatu
apresenta o show “Radamés”, que homenageia o compositor Radamés Gnatalli. Sábado (16), às 10h, no
Centro Cultural Padre
Eustáquio (Rua Jacutinga, 821, Padre Eustáquio).
O bailarino e coreógrafo Ivaldo Bertazzo ministra oficina gratuita sobre seu método
de reeducação do movimento. Quinta (21),
às 19h, no Centro Universitário UNA (Rua Aymorés, 1451, Lourdes).
3ª edição do Simbio,
festival de artes visuais que propõe a abordagem de temas contemporâneos. Até dia
15/12, de terça a domingo, das 11h às
19h, no Teatro Oi Futuro (Avenida Afonso Pena, 4001, Mangabeiras).
na geral
Diretoria do Flamengo rouba
torcedor
O torcedor do Flamengo que quiser apoiar o seu time na final da Copa do Brasil, no Maracanã, no próximo dia 27, vai ter que desembolsar
uma bagatela. O ingresso mais barato (aquele atrás do gol) foram anunciados por R$ 250, enquanto os melhores lugares saem por R$ 800, ou
seja, cinco semanas de trabalho de
alguém que recebe um salário mínimo. As desculpas da diretoria são
muitas: ação de cambistas, número
elevado de gratuidades, meia-entrada… Não colam. Trata-se de abuso
econômico, claro e cristalino. Tanto
é que o Procon-RJ chamou a diretoria flamenguista para cobrar explicações. Vale lembrar que a prática não
é exclusividade do Flamengo. A diretoria do Atlético Mineiro ofereceu
ingressos para a final da Libertadores deste ano a preços que variavam
de R$ 100 a R$ 500.
Dorival Júnior é o queridinho do
Rio de Janeiro
Depois da justa demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo, a diretoria do Fluminense anunciou a
contratação de Dorival Júnior. Dessa maneira, o treinador araraquarense alcançou o feito de dirigir três
A cantora Selmma Carvalho lança
seu disco “Minha Festa”. Quarta (20), às
19h30, no Café do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537,
Centro).
esporte |
dos quatro grandes clubes do Rio de
Janeiro no ano de 2013: começou o
ano no Flamengo, de onde foi demitido por não chegar a um acerto salarial com a diretoria. Logo depois,
foi anunciado como técnico do Vasco, substituindo Paulo Autuori, e demitido após péssima campanha, entregando o time na zona do rebaixamento. Agora tentará salvar o Fluminense da degola. Terá dura missão:
o Fluminense não vence uma partida há nove rodadas e o elenco sofre com a falta de qualidade e as contusões de seus principais jogadores,
como Fred e Wagner. Esta coluna,
entretanto, torce pelo rebaixamento
do Fluminense, que tem na sua história a mancha de ter subido da Série
C direto para a Série A, graças às maracutaias da CBF na década de 90.
Balanço do Brasileirão
Com o campeão brasileiro definido, já podemos fazer algumas avaliações sobre a competição deste ano.
A primeira constatação: O “eixo”
Rio-São Paulo fez feio este ano na
principal competição nacional. Seu
único representante no G4, o Botafogo, que chegou a disputar o título na metade da competição, hoje vê
a ameaça real de ficar de fora da Libertadores, substituído por Goiás ou
Vitória, ou ainda por São Paulo ou
Ponte Preta, caso algum destes seja campeão da Copa Sulamericana.
A zona de Rebaixamento terá um time paulista (a Ponte Preta) e provavelmente um time carioca (Fluminense ou Vasco). Outra constatação:
dos times que subiram da Série B este ano, apenas o Criciúma fez cam-
panha ruim, correndo sério risco de
rebaixamento, faltando cinco rodadas para o fim da competição. Entre
os demais, o Atlético-PR faz campanha impecável, e o Goiás e o Vitória
fizeram um segundo turno surpreendente, sendo candidatos à Libertadores em 2014.
artigo | Fernanda Costa
A composição do time da Copa
A seleção brasileira de futebol terá três jogos amistosos pela frente com o objetivo de finalizar a preparação para a Copa do Mundo do
Brasil em 2014. Os jogos contra as
seleções de Honduras e Chile acontecerão nos dias 16 e 19 de novembro, respectivamente, nos EUA. Já o
amistoso contra a seleção da África
do Sul, que terá o Brasil como visitante, ocorrerá no dia 5 de março de
2014.
A convocação para os dois jogos
deste mês manteve a base da família Scolari, mas com algumas novidades, como Robinho e Willian, para
compor o ataque, e o zagueiro Marquinhos, que joga ao lado de Tiago
Silva no PSG. O goleiro Júlio César
manteve sua vaga de titular no time,
apesar de, atualmente, não defender o gol da equipe Queens P. Rangers.
Vale lembrar: alguns jogadores
não convocados por motivos diferentes podem até perder sua vaga permanentemente. Os zagueiros Dedé, Réver e Henrique ganharam mais um concorrente à quarta
vaga da defesa, que, acredito, deveria ficar com o atleticano. Já o ataque não terá Fred, por estar lesionado, nem o menino Lucas, que, infelizmente, não apresentou seu bom
futebol na seleção canarinho. Entretanto, o assunto mais comentado da
semana é, sem sombra de dúvidas,
a decisão do atacante Diego Costa,
que, acreditem, vai defender a camisa dos atuais campeões do mundo.
Como disse Felipão, em sua primeira entrevista no retorno à seleção,
a equipe tem obrigação de trazer o
caneco e, ainda mais, jogar o futebol
arte que alegra tanto quanto as vitórias.
16 | esporte
Belo Horizonte, de 15 a 21 de novembro de 2013
TriCampeão
OPINIÃO Cruzeiro
Um time heroico e
imortal
Wallace de Oliveira
Depois do triunfo sobre o Botafogo, na 22ª rodada, havia dúvidas
sobre quem seria o campeão brasileiro? A finalíssima contra o Grêmio
confirmou para o Brasil o que os
cruzeirenses já sabiam: o Cruzeiro
está para seus “concorrentes” como o céu está sobre a Terra. A prova
não vem apenas dos números, mas,
sobretudo, do jogo envolvente que
Marcelo Oliveira engendrou.
No domingo (10), caiu no Mineirão outra tempestade de futebol celeste. Só mesmo o Cruzeiro para furar a barreira gremista, covarde opção de Portaluppi por tudo sacrificar para não tomar gols. Só a China
Azul é capaz de tornar o Gigante da
Pampulha tão pequeno para tanta
festa. Só mesmo Fábio, essa mura-
lha, pode defender seguro todas as
tentativas de tirar do Cruzeiro o que
lhe pertence desde o início. No estádio Heriberto Hülse,
Wellington Paulista fez o gol do título. Foi o gol mais cruzeirense da
história do Criciúma. No Barradão,
por outro lado, a Bestia Negra não
teve outra de suas brilhantes partidas. Era impossível aos jogadores se
concentrarem no campo, enquanto
a torcida libertava seu grito de campeão. Ainda assim, a superioridade técnica garantiu a vitória sobre o
aguerrido Vitória.
O Mineirão é nosso, as ruas também
Fim de jogo na Bahia.
Em Minas, o mesmo oceano azul
que inundou o Mineirão transborda
e se expande, cobrindo a Praça Sete,
a Praça da Estação, a Avenida Amazonas, a Savassi, muitas vias do centro da capital, os bairros da periferia, o interior do estado, as ondas de
rádio e TV, as páginas dos jornais, a
imaginação das crianças, os sonhos
dos poetas.
Ao lado de cruzeirenses de todas as idades, vi torcedores de outros clubes prestigiando a celebração do mais bonito futebol brasileiro do ano. O Brasil se rende ao Cruzeiro e este é só o começo.
Ainda temos quatro partidas para
comemorarmos o título e dizermos
à PM, ao Governo do Estado e à Prefeitura que as ruas de BH são do povo brasileiro. Também falta recuperar os estádios, que nos foram roubados com as parcerias público-privadas e os preços abusivos dos ingressos.
Washington Alves
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Edição 13 do Brasil de Fato MG