0 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA ProPPEC GERÊNCIA DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO PARA FORMAÇÃO PARA O MAGISTÉRIO SUPERIOR JAIRO DA COSTA JUNIOR DESIGN E SUSTENTABILIDADE: DO DIFERENCIAL À CARACTERÍSTICA ESSENCIAL NO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Balneário Camboriú 2009 1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA ProPPEC GERÊNCIA DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO PARA FORMAÇÃO PARA O MAGISTÉRIO SUPERIOR JAIRO DA COSTA JUNIOR DESIGN E SUSTENTABILIDADE: DO DIFERENCIAL À CARACTERÍSTICA ESSENCIAL NO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Monografia submetida à Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), como requisito parcial à obtenção do título de especialista no magistério superior. Orientador: Prof. Renato Buchele Rodrigues. Balneário Camboriú 2009 2 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha família, em especial minha mãe, que me permitiu construir todo minha formação acadêmica. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por permitir que alcançasse mais esse objetivo, e pelas oportunidades que Ele tem me oferecido durante este caminho. À minha mãe, pela luta em me abrir as portas para o ensino superior; minha irmã, por ser meu maior exemplo e todos os amigos e colegas que contribuíram para alcançar esse objetivo. 4 “Atender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades” Relatório Brundtland 5 RESUMO Esta pesquisa tem como objetivo abordar a revisão dos métodos e conceitos do design, adotados ao desenvolvimento de novos produtos e serviços e sua evolução junto ao conceito de desenvolvimento sustentável. No escopo do trabalho, será apresentada a evolução histórica do design, analisando fatores influentes que conduziram essa história, referenciados aos critérios de sustentabilidade. Os dados pesquisados permitirão compreender quais escolas de ensino, métodos, conceitos e profissionais foram mais expressivos na contribuição para o amadurecimento da prática do design, permitindo um cenário favorável para uma nova orientação dessa prática: o design para a sustentabilidade. Palavras-chave: Design. Sustentabilidade. História. 6 ABSTRACT This research has as objective to approach the review of the methods and concepts of design, used to the development of new products and services and their evolution next to the concept of sustainable development. In the scope of work will be presented the historical evolution of design, analyzing influential factors that led the story, referred to the criteria of sustainability. Information will search for the knowledge of schools of education, methods, concepts and professionals were more significant in contributing to the maturing of the practice of design, allowing a favorable scenario for a new direction of this practice: design for sustainability. Key-words: Design. Sustainability. History. 7 INDÍCE DE FIGURAS Figura 01 – Staatliche Bauhaus Dessau – Escola de Bauhaus................................................. 42 Figura 02 – Berço de Criança de Peter Kehlwe – 1922............................................................43 Figura 03 – Houchschule Für Gestaultug ULM - Escola Superior da Forma de ULM............46 Figura 04 – Houchschule Für Gestaultug Offenbach................................................................49 8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 – Princípios estratégicos do Ecodesign...................................................................31 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 10 1.1 Delimitação do Tema ...................................................................................... 13 1.2 Objetivo Geral ................................................................................................. 13 1.2.1 Objetivo Específico ..........................................................................................13 1.3 Justificativa do Tema........................................................................................14 1.4 Metodologia de Pesquisa..................................................................................16 1.4.1 Pesquisas Bibliográficas...................................................................................17 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................18 2.1 Design...............................................................................................................18 2.2 Sustentabilidade e o Campo do Design.............................................................21 2.3 Design e a Sociedade – Produção e o Consumo...............................................24 2.4 Desenvolvimento Sustentável de Produtos e Serviços.....................................27 2.4.1 Design orientado para o meio ambiente (Design for Environment - DFE)......30 2.4.2 Design para sustentabilidade (Design for Sustainability – DFS)......................31 2.5 Estratégias do design para a sustentabilidade...................................................31 2.6 História do Design: Uma abordagem para o ecossistema ambiental e social...35 2.6.1 Deutsche Werkbund..........................................................................................38 2.6.2 Bauhaus.............................................................................................................41 2.6.2.1 Fase de fundação 1919-1923.............................................................................42 2.6.2.2 Fase de consolidação 1923-1928......................................................................43 2.6.2.3 Fase de desintegração 1928-1933.....................................................................44 2.6.3 Houchschule Für Gestaultug (Escola Superior da Forma) de ULM................46 2.6.4 O Institut für Umweltplanung (IUP) – Instituto para Planejamento Ambiental..................................................................................................................................48 2.6.5 Houchschule Für Gestaultug Offenbach...........................................................48 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................50 4 REFERÊNCIAS..............................................................................................53 10 1 INTRODUÇÃO Abordar questões ambientais no design é uma prática recente. Esses estudos se intensificam por meio de diversas obras literárias, críticas e desenvolvimento de novos métodos de projeto a partir da década de 70, através de estudiosos como Victor Pananek, Gui Bonsiepe, Carlo Vezzoli, Enzio Mazini, entre outros autores. Existe uma crescente evolução na construção destes discursos, decorrentes da exponencial necessidade de repensar a postura da produção industrial. Para melhor compreender a construção dos métodos e conceitos do design moderno após o advento do conceito de desenvolvimento sustentável, torna-se necessário reconstruir os acontecimentos que influenciaram e são influenciados pelo tempo e espaço nessa história, a partir da análise dos fatores que constroem a atual base conceitual do design para a sustentabilidade. A sociedade e, por conseqüência, suas gerações futuras, dependem do adequado funcionamento da complexa rede de ecossistemas que representa de forma unificada a natureza e, portanto, da sua qualidade e capacidade produtiva. Esse é um fator básico de subsistência, porém se refere a uma problemática da vida e coexistência na sociedade moderna. Esse estigma tem origem fundamental na evolução comportamental do homem. Segundo os autores Paula e Pachoarelli (2006, p. 2), “A corrente dominante da história da humanidade aceita que o grande salto evolutivo que distingue o homos erectus do restante dos mamíferos foi sua capacidade de dominar o meio ambiente”. Nesse processo evolutivo, o homem prevaleceu-se de instrumentos criados por si e extraídos da própria natureza para promover a transformação do meio. Ele passou da prática do trabalho operacionalizado de forma rudimentar e de subsistência, para o desenvolvimento do trabalho artesanal. A produção artesanal se caracterizou por apresentar maior organização e pelo domínio do artesão em todas as fases do processo de produção. Esse método produtivo evoluiu para a 11 indústria moderna apenas após a interposição da figura do negociante entre a produção artesanal e o mercado, com o consequente controle do capitalista sobre o operário. A partir de então, surgiu na ordem social um conjunto de instituições, tais como fábricas, escolas e até organismos científicos, que garantiram a permanência e o controle do capitalismo sobre a técnica produtiva (NIEMEYER, 2000). Isso evidência a influência da ideologia do capital na construção da prática do método projetual para a produção industrial, desde suas primeiras manifestações. O desenvolvimento tecnológico promovido pelo capitalismo conduziu a gradual substituição do trabalho manual pelo trabalho mecanizado. A mecanização do trabalho é um grande fator que define a industrialização (DENIS, 2000, p. 20). Segundo Niemeyer (2000, p. 30), a constância nesse desenvolvimento gerou novas máquinas, novos materiais e novos processos de produção, porém havia uma grande confusão quanto à concepção formal de produtos. A coordenação da produção era dominada pelo capitalismo, em que seu compromisso era que os custos de produção baixassem, a produtividade aumentasse e os ganhos crescessem. Sobre esse panorama, nasce a revolução que tem particular influência na criação dos conceitos base ao desenvolvimento inicial do design, a Revolução Industrial. A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, trouxe junto ao crescimento industrial, uma mentalidade manufatureira baseada no consumo de recursos materiais, desprezando os custos sociais e ambientais da produção. A burguesia tinha como argumento dessa industrialização a única forma de atingir a ideia de progresso dessa época. Enquanto, por um lado, a produtividade alcançava índices cada vez mais altos no processo de produção de bens, por outro, o nível de qualidade de criação e de esmero na execução teve um declínio igualmente notável (NIEMEYER, 2000, p. 31). Essa produtividade defendida pelas economias industriais foi acentuada pelo advento da globalização em meados do século XX. Casagrande Jr. (2005, p. 12) aponta que: 12 O processo de globalização desvirtuou a forma como o design havia sido concebido na Escola de Bauhaus, na Alemanha, no início do século XX, onde a idéia era casar a arte e a indústria, promovendo uma harmoniosa relação entre os fundamentos estéticos do design e da arquitetura moderna com a linha de montagem industrial. O design tornou-se um mero instrumento à disposição do consumismo, oposto ao pretendido por seus idealizadores originais. A presença de características mecânicas exclusivamente utilitárias e funcionais aumentava a descartabilidade dos produtos (COSTA JUNIOR, 2006). Entretanto, o design é umas das poucas profissões que se estabeleceu antes como ensino, através de escolas, do que pela prática. Desde seus discursos iniciais, incluiu significativos apelos à ordem, à racionalidade e ao método, características necessárias ao desenvolvimento de renovadas formas de produção e consumo (SOUZA, 2000). Souza (2000, p. 9) afirma que o design moderno é a atividade visando ao projeto de produtos industriais ou produtos que utilizem processos decorrentes do desenvolvimento tecnológico após a revolução industrial, mais do que isso, o design moderno como processo interdisciplinar agregou conceitos de diversas áreas, evoluindo os discursos e métodos adotados ao longo de sua história. Essa evolução histórica conduziu a prática do método projetual, atendendo às necessidades da sociedade, levando à criação de metodologias que evoluíram o conceito de design para Ecodesign e Desenvolvimento Sustentável de Produtos e Serviços. 13 1.1 Delimitação do Tema O tema deste trabalho é a relação entre o design e a sustentabilidade, abordado a partir da análise dos métodos e conceitos do design e sua evolução histórica junto ao conceito de desenvolvimento sustentável. A pesquisa identificará fatores influentes na evolução histórica dos métodos e conceitos do design, a partir da inclusão de critérios de sustentabilidade. 1.2 Objetivo Geral Analisar a história do design a partir do período das revoluções da indústria até o pósmodernismo, nos países europeus e americanos, dando destaques às principais Escolas de Ensino do design nessa linha do tempo, identificando fatores influentes na construção dos conceitos e métodos do design moderno, a partir da inclusão de critérios de sustentabilidade. 1.2.1 Objetivos Específicos • Apresentar noções gerais sobre a evolução histórica do design; • Investigar fatores que influenciaram o início da inclusão de critérios de sustentabilidade nos conceitos e métodos de design; • Demonstrar a evolução do desenvolvimento de metodologias de design sustentável. 14 1.3 Justificativa do Tema O desenvolvimento sustentável é um fator fundamental na integração racional entre o design, a sociedade e o meio. A vida humana em longo prazo depende da qualidade e capacidade produtiva dessa relação. Segundo Manzini e Vezzoli (2008, p. 27), “as atividade humanas não devem interferir nos ciclos naturais em que se baseia tudo o que a resiliência1 do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural2 que será transmitido às gerações futuras”. Essa perspectiva da sustentabilidade põe em discussão o modelo atual de desenvolvimento. Os autores ainda destacam que para ativar um processo de desmaterialização da demanda social pelo tipo de bem estar praticado em especial pela sociedade capitalista, é necessário propor novas soluções, isto é, novas combinações entre a demanda e a oferta de produto e serviços (MANZINI; VEZZOLI, 2008, p. 36). A ideologia industrial impõe um contínuo e ilimitado crescimento material sem a preocupação dos finitos recursos ambientais. Margolin (2004 apud COSTA, 2005 p. 18) destaca que as principais engrenagens da economia global são: a inovação tecnológica e a aquisição de bens de forma ilimitada, as que se associam à noção de felicidade. Esse fato atenta para a criação de um mercado de bens de consumo, visando predominantemente à satisfação das aspirações. Segundo Löbach (2001, p. 29): A satisfação de necessidades e aspirações tem um papel substancial, motivando a criação e o aperfeiçoamento de objetos. O processo se inicia com a pesquisa de necessidades e aspirações, a partir das quais se desenvolverão as idéias para sua satisfação, em forma de produtos industriais. 1 A resiliência de um ecossistema é a sua capacidade de sofrer uma ação negativa sem sair de forma irreversível da sua condição de equilíbrio. Esse conceito, aplicado ao planeta inteiro, introduz a ideia de que o sistema natural em que se baseia a atividade humana tenha seus limites de resiliência que, superados, provocam fenômenos irreversíveis de degradação ambiental. 2 O capital natural é o conjunto de recursos não renováveis e das capacidades sistêmicas do ambiente de reproduzir os recursos renováveis. Mas o termo também se refere à riqueza genética, isto é, à variedade das espécies viventes do planeta. 15 Esse “papel substancial” se refere ao sistema social da sociedade industrializada, em que o objetivo de quase toda atividade é a elevação do crescimento econômico e do nível de vida. O papel do designer, nesse processo, é atribuído à criação e ao aperfeiçoamento de objetos que possam essencialmente satisfazer às necessidades e aspirações. Essa visão tornase limitada quanto à capacidade produtiva do profissional a desenvolver soluções para problemas e quanto à preocupação dos impactantes da produção industrial no meio ambiente, sociedade, cultura e economia. O design tem o compromisso da transformação da sociedade, visto seu domínio no desenvolvimento de bens que afetam o modo de vida dos consumidores. O profissional deve estar preparado para “materializar” não somente objetos tangíveis, mas priorizar soluções que possam atender às necessidades e às aspirações de forma racional, levando em consideração o ecossistema ambiental e social a qual será inserido. Victor Pananek (1995, p. 29, tradução livre) destaca essa relação do design com o meio ambiente e declara a influência da atuação desse profissional nesse relacionamento. O design trata do desenvolvimento de produtos, ferramentas, máquinas, artefatos e outros dispositivos, e essa atividade está profundamente e diretamente influenciada pela ecologia. O design pode ser a ponte entre as necessidades humanas, cultura e ecologia. O domínio sobre o adequado processo de design é a principal ferramenta que irá definir o resultado dessa relação. Propõe-se, nesse trabalho, identificar fatores de sustentabilidade influentes na evolução histórica dos métodos e conceitos do design. Ao se propor essa pesquisa, partiu-se do pressuposto que alguns estudos de metodologias para design sustentável são desenvolvidos com base numa visão limitada a cenários da atualidade, desconsiderando fatores influentes na construção da história do design. Alcantara (2003, p. 17) reforça a ideia da mudança no posicionamento quanto aos questionamentos ambientais: 16 As tentativas de apenas aumento da demanda comercial de produtos – como na década de 70 – com aspectos “puramente” visuais de tratamento ecológico são claramente percebidas como apelo de marketing e há, em contrapartida, a busca por adequação de produtos para a conquista de selos de certificação ambiental. Com o amadurecimento do tratamento desse cenário, cria-se uma constante busca no desenvolvimento de métodos que possam contribuir para o desenvolvimento da atividade de design em acordo com essa nova realidade. Passou-se da prática do design para a sustentabilidade como um simples diferencial à disposição do mercado, para uma característica essencial no desenvolvimento de produtos e serviços. Essa construção do “essencial” exigirá um desenvolvimento cada vez mais refinado do método. Assim, tem-se o objetivo de fornecer uma análise relevante que possa apresentar questionamentos na base histórica do design, incluindo conceitos e métodos que venham a contribuir para a melhoria na qualidade dos novos métodos, metodologias e ferramentas do design para a sustentabilidade. 1.4 Metodologia de Pesquisa A prática da pesquisa é um método comum entre as mais distintas atividades intelectuais e práticas. Segundo Gil (1995), ela decorre do desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer e de conhecer com vistas a fazer algo mais eficiente ou eficaz. Lakatos e Marconi (1990) complementam, afirmando que a finalidade da pesquisa é descobrir respostas para questões, mediante a aplicação de métodos científicos. 17 1.4.1 Pesquisa Bibliográfica Para atender aos objetivos da pesquisa, será utilizado como principal meio de coleta de dados a pesquisa bibliográfica. Esta se utilizará de obras literárias, consulta a documentos eletrônicos e outros meios bibliográficos. 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo, serão apresentados os principais conceitos teóricos necessários ao desenvolvimento e compreensão deste trabalho. Inicia-se com a definição conceitual e prática do design e suas principais características. Em um segundo tópico, define-se a relação desse conceito com a sustentabilidade. Posteriormente, descreve-se sua influência no desenvolvimento de novos métodos de design orientados para a sustentabilidade. Apresentase uma breve discussão sobre as inter-relações entre o design e a sociedade e a produção e o consumo. O capítulo se encerra com a pesquisa da evolução histórica do design, analisando fatores influentes que conduziram essa história, referenciados aos critérios de sustentabilidade. 2.1 Design Segundo o Oxford Dictionary, foi no ano de 1588 que, pela primeira vez, o termo design foi mencionado ou descrito (BÜRDEK, 2006): • Um plano desenvolvido pelo homem ou um esquema que possa ser realizado; • O primeiro projeto gráfico de uma obra de arte; • Um objeto das artes aplicadas ou que será útil para a construção de outras obras. A língua portuguesa, apesar de vasta, não dispõe de uma palavra capaz de sintetizar de forma clara a atividade de design. Muito se articula a respeito da palavra design, seu uso é comum em anúncios, premiações, publicações ou em nomes de empresas de ramos 19 diversificados. “Dessa forma o leigo se confronta com o conceito de design e supõe do que se trata sem entender suas complexas inter-relações” (LÖBACH, 2001, p. 11). Segundo Santos (2000, p. 20), apesar do número de estudos e discursos acerca da conceituação da atividade do design, “[...] nenhum momento qualquer das definições e conceitos até hoje desenvolvidos conseguiram abordar o design em sua plenitude, mesmo porque essa atividade está em constante mudança, sofrendo transformações contínuas”. Alguns autores apresentam definições que auxiliam a compreensão desse conceito: [...] todo aquele que desempenha atividade especializada de caráter técnicocientífico, criativo e artístico, com vistas à concepção e desenvolvimento de projetos de objetos e mensagens visuais que equacionam sistematicamente dados ergonômicos, tecnológicos, econômicos, sociais, culturais e estéticos que atendam concretamente às necessidades humanas (REDE BRASIL DESIGN, Projeto de lei Nº 2621/03). Design é uma atividade criativa cuja finalidade é estabelecer as qualidades multifacetadas de objetos, processos, serviços e seus sistemas, compreendendo todo o ciclo de vida. Portanto, design é o fator central da humanização inovadora de tecnologias e o fator crucial para o intercâmbio econômico e cultural (ICSID – International Centre for Settlement of Investment Disputes 2000 apud MALAGUTI, 2007). A definição do ICSID ganha destaque quanto ao papel do design para a indústria e sociedade humana, agregando conceitos do desenvolvimento sustentável ao design, tornandoo definitivamente além de uma atividade de mercado, um compromisso com a qualidade de vida da sociedade. O design procura identificar e avaliar relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas visando (ICSID 2000 apud MALAGUTI, 2007): • Ampliar a sustentabilidade global e a proteção ambiental (ética global); • Oferecer benefícios e liberdade para a comunidade humana como um todo, usuários finais individuais e coletivos, protagonistas da indústria e comércio (ética social); 20 • Apoiar a diversidade cultural, apesar da globalização do mundo (ética cultural); • Dar aos produtos, serviços e sistemas, formas que expressem (semiologia) e sejam coerentes com (estética) sua própria complexidade. Há uma importância expressiva em tornar claras as definições do design tanto quanto as atribuições do profissional que as articula. Isso permitirá o mesmo entendimento de conceitos desenvolvidos a partir da inclusão de critérios de sustentabilidade nessas definições, gerando maior clareza ao compreender o que deve determinar o resultado do uso do ecodesign, design social ou design sustentável. 21 2.2 Sustentabilidade e o Campo do Design O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu no início da década de 70. O Clube de Roma, entidade formada por intelectuais e empresários, foi uma iniciativa que surgiu das discussões a respeito da preservação dos recursos naturais do planeta Terra. Essa entidade pregava o crescimento zero como forma de poupar o meio ambiente de uma catástrofe ecológica. Ela publicou os primeiros relatórios científicos a respeito da preservação ambiental, que foram apresentados entre 1972 e 1974, e que relacionavam quatro grandes questões que deveriam ser solucionadas para que se alcançasse a sustentabilidade: controle do crescimento populacional, controle do crescimento industrial, insuficiência da produção de alimentos e o esgotamento dos recursos naturais. A publicação da obra, “Os Limites do Crescimento”, pelo Clube de Roma em 1972, esquenta as discussões e da grande impulso ao debate mundial sobre sustentabilidade, que resulta no mesmo ano na Conferência das Nações Unidas (GONÇALVES, 2005 apud MACIEL, 2006). A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1972 (Conferência de Estocolmo ou Conferência do Rio) foi responsável pela criação de uma comissão independente que merece destaque pelo início da discussão de umas das questões mais apreciadas nas últimas décadas. A Comissão Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Brundtland Commission) encarregou-se da tarefa de reavaliar o meio ambiente no contexto do desenvolvimento e publicou seu relatório: Nosso Futuro em Comum em 1987, que hoje é considerado um marco. Esse relatório introduziu o termo Desenvolvimento Sustentável: “É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades” (Word Commission for Environment and Development Our Common Future, Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento – ONU, 22 1987 apud SEBRAE, 2004). O Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais (1993, p. 14) documenta, ainda baseado nesse relatório, que: Desenvolvimento sustentável implica ainda a manutenção, o uso racional e valorização da base de recursos naturais que sustenta a recuperação dos ecossistemas e o crescimento econômico. Desenvolvimento sustentável implica, por fim, a incorporação de critérios e considerações ambientais na definição de políticas e de planejamento de desenvolvimento [...]. Segundo Kazazian (2005, p. 26), esse documento descreve o estado do planeta e expõe a relação essencial entre o futuro das comunidades humanas e o das comunidades ecológicas: “Um crescimento para todos, assegurando ao mesmo tempo a preservação dos recursos para as futuras gerações [...]”. A Comissão Brundtland apresenta um novo paradigma baseado numa relação de cooperação e de preservação de uma natureza que integra a humanidade. A ONU, consequentemente, decidiu organizar a Conferência de Desenvolvimento e Meio Ambiente das Nações Unidas (Unitec Nations Conference on Environment and Development - UNCED), também conhecida como ECO 92, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, baseada na discussão dessa obra. Líderes de governos, próceres comerciais, representantes de mais de cinco mil organizações não governamentais, jornalistas internacionais e grupos privados de várias partes do globo se reuniram para discutir como o mundo poderia mudar em direção ao desenvolvimento sustentável. O resultado da ECO 92 foi o desenvolvimento da Agenda 21, um “Consenso global e compromisso político do mais alto nível”, orientando como os governos, as empresas, as organizações não governamentais e todos os setores da ação humana podem cooperar para resolver os problemas ambientais cruciais que ameaçam a vida no planeta. Segundo Manzini e Vezzoli (2008, p. 29), o controle dos problemas ambientais pelas atividades humanas depende de três fatores variáveis e fundamentais: a população, a procura do bem-estar humano e a ecoeficiência das tecnologias aplicadas. Essa perspectiva da 23 sustentabilidade põe em discussão nosso atual modelo de desenvolvimento. Mudanças nesses fatores devem favorecer uma transição fluente entre os hábitos de consumo atuais e os objetivos sustentáveis, sem que se verifiquem “catástrofes sociais” (e, portanto, culturais, políticas e econômicas). A conscientização sobre os problemas ambientais levou à discussão e à reorientação de novos comportamentos sociais, atentando-se a introdução teórica e prática de tecnologias, produtos e consumos “ditos” limpos. Os autores destacam alguns caminhos que podem ser praticados para atender a essa nova realidade. Existem diversos tipos de sistemas de produção e consumo sustentáveis, baseados em soluções provenientes de diferentes combinações de orientação para a biocompatibilidade e para a não interferência. O objetivo teórico da orientação a biocompatibilidade é a realização de um sistema de produção e consumo baseados inteiramente nos recursos renováveis, respeitando os limites de produtividade do sistema naturais que os produzem, e os reintroduza no ecossistema como lixos totalmente biodegradáveis. Na prática, trata-se de organizar os processos produtivos e de consumo como cadeias de transformação (biociclos) integradas ao máximo aos ciclos naturais. O foco na não interferência é realizar um sistema de produção e de consumo fechado em si mesmo, reutilizando e reciclando todos os materiais e formando, assim, ciclos tecnológicos (tecnociclos), cuja tendência é serem autônomos em relação aos ciclos naturais e por conseqüência, sem influência no ambiente. Em suma, esse ciclo não pode ser realizado nem mesmo em forma teórica, visto a impossibilidade de tecnociclos não interferirem na biosfera, porém indica uma direção significativa e um caminho possível a seguir. Deve-se buscar avizinhar-se, o mais possível, em reduzir a zero os inputs e os outputs entre o sistema tecnológico e o sistema natural. Este conjunto de sistemas e processos produtivos, com características que privilegiam a promoção de impacto no ecossistema tendencialmente nulo, é denominado pelos autores por ecologia industrial. 24 O modelo de ecologia industrial comporta o uso de fontes renováveis e o emprego decrescente de energia e materiais não renováveis. É importante enfatizar que muitas das implicações e aplicações da ecologia industrial conduzem um sistema produtivo contrastante com as dinâmicas da cadeia produtiva e de consumo dos mercados atuais, em função principalmente da globalização e limitantes culturais. Nesse âmbito, propor soluções que apresentem uma alta qualidade ambiental não pode prescindir do quanto e como elas sejam socialmente e culturalmente aceitáveis. Atuando em níveis mais complexos de sustentabilidade, passa a ser indispensável à abordagem e ao aprofundamento de outros aspectos amplos às questões ambientais. Portanto, para atender efetivamente ao desenvolvimento do design para a sustentabilidade, é necessária a abordagem de suas propostas na constante avaliação interdisciplinar das implicações ambientais, sociais, culturais e econômicas. A transição que se direciona a sustentabilidade será, portanto, um grande e articulado processo de inovação social, cultural e tecnológica (MANZINI; VEZZOLI, 2008, p. 36). 2.3 Design e a Sociedade - Produção e o Consumo A dificuldade na implementação de um modelo sustentável de produção demonstra que o redesign dos produtos existente torna-se insuficiente para a transformação dos padrões de consumo de uma sociedade, para tanto Manzini (1994 apud COSTA, 2005, p. 22) propões três cenários de mudança que devem ser submetidos tanto ao projetista quanto à sociedade consumidora: • Os designers devem desenvolver produtos mais duráveis, como artefatos tecnológicos e culturais; 25 • Mudanças comportamentais, saindo da mera aquisição de produtos para a utilização efetiva de serviços; • Consumir menos objetos. A produção industrial é motivada por demandas individuais e coletivas, derivadas de aspectos psicológicos, culturais, sociais e econômicos da população, refletindo diretamente na exploração de recursos disponíveis no meio ambiente. Essas motivações estão ligadas a necessidades múltiplas e variadas, que são o resultado da sensação de uma deficiência que se tenta sanar. As necessidades têm origem em alguma carência e conduzem o comportamento humano, visando à eliminação de estados indesejáveis (LÖBACH, 2001, p. 26). Além das necessidades, o homem manifesta outros estados menos subsistentes, os desejos, anseios e as ambições que são identificados pelo autor como aspirações. Distintas das necessidades, aspirações não são derivadas de deficiências ou faltas. Kazazian (2005, p. 27) coloca em discussão um importante questionamento: que meios devem ser utilizados para satisfazer as necessidades humanas? “É importante destacar ainda, que além da diminuição do consumo de objetos deve-se priorizar a utilização de serviços em detrimento à necessidade material de um produto” (COSTA JR., 2008, p. 2). Sabe-se que a satisfação, através do consumismo desenfreado, aponta uma necessidade claramente humana, pois “acima de qualquer questão, não conseguiria viver o homem somente com o essencial” (COELHO 2000 apud QUEIROZ; PORTINARI, 2006), mas o consumo sustentável ultrapassa os limites da superfície do desejável, para introduzir no sistema social mudanças profundas nos padrões de produção e de consumo, através do desenvolvimento de uma trama gerada por perspectivas alternativas e inovadoras do design (QUEIROZ; PORTINARI, 2006), assim o design pode ser utilizado como uma ferramenta de 26 transformação da mentalidade industrial e consumidora, desenvolvendo conceitos que possam agregar-se ao mercado, produzindo um ambiente adequado para o desenvolvimento sustentável de produtos e serviços. Esse modelo de sustentabilidade possui claramente grande dificuldade de implementação em nível global, pois implica a mudanças bruscas e irreais em relação à redução atual do nível de consumo e comportamento do mercado, porém vai de encontro à emergente preocupação quanto à qualidade ambiental, ética e responsabilidade social corporativa, passando de um diferencial de mercado a uma característica essencial para a continuidade do desenvolvimento da industrial mundial. “A sociedade sustentável jamais surgirá no espectro de uma economia mundial centrada exclusivamente em operações decorrentes de forças de mercado” (KING; SHNEIDER, 2001 apud COSTA, 2005, p. 22). Gallimard (1953 apud Kazazian, 2005) aponta essa visão no diz respeito ao campo de inovação no design, porém sua declaração pode ser intimamente ligada à relação da sustentabilidade com o mercado atual: O gosto do público adulto não é necessariamente maduro a ponto de ele poder aceitar as soluções lógicas e suas exigências, se essas soluções implicarem inovação demais em relação ao que o comprador costuma considerar uma norma. Em outras palavras, ele “engole” até certo ponto, por esses motivos, o desenhista industrial astucioso é aquele que, com lucidez, sente a zona de choque em cada problema específico. Por fim, pode-se concluir que, para o campo do design, esse cenário somente será atingido mediante o atendimento de diversos níveis de interferência que poderão ser induzidos através da prática de metodologias direcionadas ao atendimento dos critérios de sustentabilidade. Esses métodos serão analisados a seguir. 27 2.4 Desenvolvimento Sustentável de Produtos e Serviços É um fator claro que os atuais padrões de consumo e produção são insustentáveis. Em consequência, a prática da ecologia industrial torna-se indispensável no processo de desenvolvimento de novos produtos e serviços oferecidos pelo design. O resultado da maior parte das atividades de projeto de produtos e serviços desenvolvidos hoje, busca a integração de fatores funcionais, culturais, tecnológicos e econômicos, focando o aumento de vendas e do lucro, adequando-se às exigências estéticoculturais e condições técnico-econômicas da produção. Bonsiepe (1978 apud CASAGRANDE JR., 2005) demonstra como os projetos de produto, em geral, resultam em impacto ambiental: • Destruição de recursos naturais em geral; • Exaustão em particular dos recursos naturais explorados por mineração; • Produção de resíduos resultantes do processo de manufatura; • Produção de excesso de embalagens; • Produção de resíduos resultantes do uso do produto; • Produção de resíduos de descarte, pós-uso do produto. Pananek (1977 apud MOHR; SELIGMAN; REIS; AZEVEDO, 2006), em sua obra, analisa o perfil do profissional designer e afirma que “Há profissões que são mais danosas que desenho industrial, porém muito poucas”, destacando também o impacto ambiental provocado pela atividade desse profissional que “ao criar espécies totalmente novas de lixo indestrutível [...], ao selecionar materiais e procedimentos de fabricação que contaminam o ar que respiramos, os desenhistas industriais estão se transformando em uma espécie perigosa”. O 28 desenvolvimento sustentável não se opõe ao desenvolvimento econômico, pois também é necessário para o atendimento das necessidades das futuras gerações, mas exige estratégias para maximizar o valor agregado, reduzindo o consumo de recursos e de energia (WOLFF, 2005). No final da década 80, surge o conceito de desenvolvimento sustentável, proposto pela Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - CMMAD: “atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades” (IPR, 1993). Com o advento do conceito de desenvolvimento sustentável, o design expande claramente as características do Ecodesign, diferente das correntes iniciais da prática de projetos orientados para o meio ambiente, focadas apenas no uso de recursos renováveis e ciclo de vida do produto, prioritariamente diferenciais de mercado, para elementos essenciais de novos produtos, focando a sociedade, o ambiente, a economia e a cultura. Para ser sustentável, um assentamento ou empreendimento humano, necessita atender a quatro requisitos básicos (WIKIPÉDIA, 2007): ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Segundo Manzini e Vezzoli (2008, pg. 20), para atender aos requisitos de sustentabilidade, é necessário atender a quatro níveis fundamentais de interferência: • O Redesign ambiental do existente; • O Projeto de novos produtos ou serviços que substituam os atuais; • O Projeto de novos produtos-serviços intrinsecamente sustentáveis; • A Proposta de novos cenários que correspondam ao estilo de vida sustentável. 29 Propor o desenvolvimento sustentável de produtos e serviços significa, portanto, “promover a capacidade do sistema produtivo de responder a procura social e bem-estar utilizando uma quantidade de recursos ambientais drasticamente inferiores aos níveis atualmente praticados [...], aprofundar suas propostas na constante avaliação comparada das implicações ambientais, nas diferentes soluções técnica, econômicas, e socialmente aceitáveis e deve considerar, ainda, durante a concepção de produtos e serviços, todas as condicionantes que os determinem por todo ciclo de vida” (MANZINI; VEZZOLI, 2008, p. 23). Fiksel (1996 apud WOLFF, 2005, p. 21) define o Ecodesign como “a consideração sistemática do desempenho do projeto, com respeito aos objetivos ambientais, de saúde e segurança, ao longo de todo o ciclo de vida de um produto ou processo, tornando-os ecoeficientes”. Manzini e Vezzoli (2008) destacam a capacidade auto explicativa do termo ecodesign, na qual seu significado pode ser remetido pelos dois termos que a compõem: ecodesign é um modelo de projeto (design), orientado por critérios ecológicos. Essa característica hermenêutica traz benefícios ao entendimento dessa atividade, porém também limita a compreensão da amplitude de sua atuação. Outro problema acerca dessa definição nasce exatamente da indeterminação dos dois termos que o compõem – design e ecologia. A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos”, que significa casa, e “logos”, estudo, reflexão. Foi inicialmente criada para designar a parte da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem, além da distribuição e da abundância dos seres vivos no planeta. Os autores compartilham a visão apresentada anteriormente que questiona a indeterminação dos termos que definem as atividades de design. Essa indeterminação indica uma limitação do campo de observação da complexa rede de atividades projetuais envolvidas e até mesmo a compreensão da extensão da problemática ambiental abordada pelo termo. 30 Assim, o termo design deve ser compreendido no seu significado mais amplo e atual, não se restringindo a um produto físico, método ou processo, mas sim a um sistema, envolvendo produto, serviço, processo, comunicação e meios. Levando em consideração os dados levantados anteriormente, produtos e serviços devem ser desenvolvidos considerando, em todas as suas fases, o conceito de ciclo de vida. Nessa busca por metodologias sustentáveis de produção, nasce a ciência que marca os conceitos da prática do design com orientação para a sustentabilidade, a ecologia industrial. Segundo Costa (2005, p. 25), “a ecologia industrial é dividida em duas metodologias básicas, que abordam de forma evolutiva o processo de design industrial”: Design orientado para o meio ambiente (Design for Environment - DFE) e o Design para sustentabilidade (Design for Sustainability – DFS). 2.4.1 Design orientado para o meio ambiente (Design for Environment - DFE) O DFE sobre o porto de vista de uma produção sustentável consegue; a) integrar e conciliar as demandas específicas de competitividade dos mercados internacionais, incluindo exigências normativas; b) atender em suas plantas industriais às questões de proteção ambiental; c) considerar importâncias na cadeia produtiva no sentido de minimizar impactos ambientais; d) desenvolver fluxos de matéria-prima e energia de formar mais eficiente em processos produtivos atendendo a demandas mercadológicas com base na inovação e metodologias de projeto, trazendo soluções economicamente viáveis e ecologicamente amigáveis (SOUZA, 2004 apud COSTA, 2005, p. 26). Apresenta conceitualmente três fases: • Fase de inventário (inventory analysis); • Fase de análise de impactos (impact analysis); 31 • 2.4.2 Fase de implementação de melhorias (implement analysis). Design para sustentabilidade (Design for Sustainability – DFS) O DFS se relaciona diretamente com sistemas de produção que atendam simultaneamente requisitos ambientais e sociais em seus produtos, considerando a menor demanda possível de recurso naturais em comparação aos demais produtos até então inseridos no mercado (SOUZA 2004, apud COSTA, 2005). Apresenta conceitualmente três fases: 2.5 • Redesign de produtos existentes; • Atualização (upgrading) dos produtos; • Determinação de novos padrões de sustentabilidade. Estratégias do design para a sustentabilidade Para a aplicação do Ecodesign, Brezet e Hemel (apud WOLFF, 2005) propõe o desenvolvimento de oito princípios estratégicos na implantação do projeto: Princípios Estratégicos Desenvolvimento de novo conceito Desdobramentos A. Desmaterialização do produto B. Uso compartilhado do projeto C. Integração de funções D. Otimização funcional do projeto Seleção de materiais de baixo impacto A. Escolha de materiais reciclados B. Escolha de materiais de baixo conteúdo energético C. Escolha de materiais recicláveis 32 Redução de materiais Otimização das técnicas de produção Otimização dos sistemas de transporte Redução do impacto no uso Otimização do tempo de vida útil Otimização do fim da vida útil do projeto Gráfico 01 – Princípios estratégicos do Ecodesign Fonte: Adaptado de Brezet e Hemel (apud WOLFF 2005). Costa (2005) resume os princípios anteriores em três critérios para o desenvolvimento de produtos sustentáveis: • Design para uma construção sólida e durável: ampliação do ciclo de vida; • Design para a desmontagem: reutilização dos componentes valiosos do produto; • Design para materiais reciclados: novos produtos constituídos por material reciclado e maior utilização de matérias-primas recicláveis. Segundo Manzini e Vezzoli (2008), o processo de desenvolvimento sustentável de produtos e serviços é reagrupado nas seguintes fases, que esquematizam o ciclo de vida de um produto: pré-produçao, produção, distribuição, uso e descarte. Pré-produção: Na fase de pré-produção, são produzidos os materiais, isto é, matériaprima semi-elaborada utilizada para a produção dos componentes. Os principais fatores de influência na qualidade ambiental dessa fase são: aquisição de recursos, o transporte de recursos e a transformação dos recursos. Produção: De forma geral, podem-se destacar três momentos fundamentais na produção aos produtos: a transformação dos materiais, a montagem e o acabamento. Grande 33 parte dos manufaturados requer uma grande variedade de materiais para serem produzidos, sejam diretos ou indiretos. Distribuição: As fases mais relevantes da distribuição são: a embalagem, o transporte e a armazenagem. Para chegar intacto nas mãos do usuário final, o produto requer uma embalagem. O transporte pode ser realizado por vários meios, rodoviário, aquaviário, aéreo, etc. Desta fase fazem parte, em princípio, não somente os consumos e a energia para o transporte, mas também o uso dos recursos para a produção dos próprios meios de transporte utilizados, não esquecendo as estruturas para a estocagem ou armazenagem. Uso: O uso de produtos e serviços apresenta fundamentalmente duas fases: o uso ou consumo e o serviço. O produto ou é usado por certo período de tempo ou, pelas suas próprias características, é consumido. Em muitos casos, para seu funcionamento, o produto necessita de recursos materiais e ou energéticos e produz, consequentemente, resíduos e refugos. Outro fator a ser observado nessa fase é que durante o uso de produtos, esses podem requerer atividades de serviço, como reparos e manutenção do seu funcionamento, de reparação de possíveis danos ou mesmo a substituição de partes ultrapassadas. Descarte: O produto continua em uso até que um usuário decida definitivamente eliminá-lo. Nesse momento, abre-se uma série de opções sobre o destino final deste: • Pode-se recuperar a funcionalidade do produto ou de qualquer componente (Reutilização); • Pode-se valorizar as condições do material empregado ou o conteúdo energético do produto (Reciclagem); • Pode-se optar por não recuperar nada do produto. 34 Para Victor Pananek (1995, p. 29, tradução livre), a criação e a produção de produtos e serviços - tanto durante o período de uso quanto após o descarte e pode ser agrupada em até 6 (seis) ciclos distintos, cada um com seu particular potencial de dano ao meio ambiente: escolha dos materiais, processo de produção, embalagem do produto, o produto, o transporte e o desperdício. Pode-se observar que há uma extensa pesquisa que envolve o desenvolvimento de produtos e serviço pelo design, que possui em comum um ponto básico para atender a critérios de sustentabilidade: o controle do todo ciclo de vida desse produto ou serviço. 35 2.6 História do Design: Uma abordagem para o ecossistema ambiental e social Este capítulo aborda diversos questionamentos que podem ser levantados durante a análise dos conceitos e métodos do design no seu percurso pela história, relacionados com os critérios fundamentais do desenvolvimento sustentável: sociedade, cultura, economia e meio ambiente. Pode-se identificar em diversos momentos da história em discursos apresentados por diversos autores a disposição, mesmo que pontual, do enfoque desses critérios, mesmo no desenvolvimento inicial da teoria do design. A origem de produtos e serviços configurados, em função de critérios otimizados e orientados ao projeto, data tempos antigos. Cerca de 80 – 10 a.C o artista, engenheiro e arquiteto Vitruvius apresentou, em seus “Dez livros sobre a Arte da Construção”, os primeiros e mais completos trabalhos sobre regras do projeto e da configuração. Ele escreve sobre a estreita ligação entre teoria e prática: um arquiteto deve ter interesse pela arte e pela ciência, ser hábil na linguagem, além de ter conhecimentos históricos e filosóficos. No terceiro capítulo de seu primeiro livro, formulou Vitruvius uma frase que também se inseriu na história do design: “Toda construção deve obedecer a três categorias: a solidez (firmalistas), a utilidade (utilistas) e a beleza (venustas)” (BÜRDEK, 1997 apud BÜRDEK, 2006, p. 17). Vitruvius lançou as bases para um conceito do funcionalismo, que somente no século XX foi retomado pelo mundo e que determinou o moderno no design (BÜRDEK, 2006). Revisões contemporâneas do triângulo conceitual clássico de Vitruvius apresentam um novo vértice, transformando-se no conceito ideal ao projeto focado à eficiência dos critérios de sustentabilidade. Como exemplo, podem-se citar os autores Lambers, Dutra e Pereira (2004) que atribuem à necessidade de revisão do triângulo conceitual clássico – Solidez, Utilidade e 36 Beleza, para Solidez, Utilidade, Beleza e Eficiência Energética, transformando-se no conceito ideal para a arquitetura contemporânea. Essa análise inicial permite demonstrar os princípios fundamentais do desenvolvimento dos métodos e conceitos projetuais e sua “evolução” para a realidade da sociedade atual. De forma geral, como no exemplo apresentado anteriormente, observa-se que as metodologias atuais de design para a sustentabilidade apresentam bases fundamentais, construídas durante toda história do design aperfeiçoadas pelo incremento de critérios de sustentabilidade. Essa relação é claramente explícita, porém sua relevância para a compreensão e melhor desenvolvimento das metodologias, ferramentais projetuais, métodos e conceitos direcionados à solução dos problemas da degradante relação entre o meio e a produção humana é fundamental. Ao estudar a história do design, apesar de sua base possuir importantes ligações interdisciplinares, não se pode deixar de salientar, reforçados pela afirmação de Souza (2000, p. 20), que “o design é uma área de conhecimento autônomo. Não depende ou decorre da arquitetura ou da arte”. A consciência social e cultural da técnica e do design resultou de um desenvolvimento particular, fortemente influenciado pelo modo de produção capitalista e industrial. Segundo Paula e Pachoarelli (2006, p. 2), há mais de duzentos anos os produtos da produção industrial moldam a cultura material das massas, influenciam as economias do mundo e afetam a qualidade do nosso ambiente e da nossa vida diária. Englobam também uma extraordinária variedade de funções, técnicas, atitudes, idéias e valores e são um meio através do qual se pode experimentar e compreender o mundo que rodeia o homem. Segundo Souza (2000), três revoluções tiveram uma expressiva influência na criação das teorias e técnicas adotadas pelo design ao longo de sua história. Essa influência esclarece, mas não justifica os resultados desse inadequado desenvolvimento relacionado ao projeto e à produção de produtos e serviços oferecidos pela atividade de design ao longo de sua história. 37 As revoluções citadas são: a Revolução Americana (1776), a Revolução Francesa (1789) e a Revolução Industrial (por volta de 1800). Souza (2000, p. 13) enfatiza que, a partir das Grandes Revoluções, desde o final do século XVIII (1789) até o início do século XX (1910), o capitalismo burguês se firmou praticamente sem que a intervenção de qualquer força social mais importante a ele se opusesse. “As Grandes Revoluções foram o ponto de partida para a hegemonia da burguesia [...]”, tendo o argumento da industrialização com a única forma de atingir a ideia de progresso. Oportunamente se pode citar aqui o nascimento de um importante conceito do design - o funcionalismo. “A ideologia do progresso, juntamente com o desenvolvimento técnico e científico, conduziu a idéia de que a beleza de um objeto depende de sua utilidade e eficiência - ou seja, de sua adequação a função a que se destina” (SOUZA, 2000, p. 22). Souza ainda destaca que a ideologia do progresso não teve apoio inicial da intelectualidade, mas de círculos de pensamentos pragmáticos, ligados aos interesses e às ideologias burguesas. Elementos dessa intelectualidade da época “retrataram a industrialização como um perigo para a humanidade”. Dentre os fenômenos sociais que conduziram as revoluções na história da indústria, se pode destacar essa ideologia progressista como uma das manifestações mais expressivas. Não se pode deixar de citar também diversos conceitos que emergiram durante as revoluções e foram de grande importância para o Movimento Moderno, como o conceito de indivíduo, cidadania e industrialização (SOUZA, 2000, p. 23). Em contrapartida, a história do design nesse período apresenta manifestações avessas a essa ideologia, representada em atitudes caracterizadas por um espírito anti-industrial, presente em alguns dos primeiros profissionais em destaque nesse cenário - John Ruskin (1819-1900) e William Morris (1834-1896) (SOUZA, 2000, p. 14). Morris era hostil à Revolução Industrial e ao capitalismo, que, do seu ponto de vista, favorecem à produtividade 38 em detrimento da qualidade e da estética. Segundo Kazazian (2005, p. 14), “ele considera que a indústria gera uma perda de controle sobre o criador a produção e desconfigura os objetos cotidianos; e aconselha o retorno aos métodos de produção artesanais cujo luxo expressava mais o gosto do que a riqueza”. Era uma luta contra a visão “mecanicista” da produção industrial. Sugeria-se claramente o apelo ao uso da natureza para “embelezar” o cotidiano. A partir de 1870, diversas mudanças ocorreram entre alguns países em desenvolvimento, como Alemanha, Itália, Estados Unidos e Japão. Dentre essas revoluções de “segunda geração”, como ponto de partida, torna-se relevante ao estudo da história, do conceito e do método do design moderno o caso alemão. Em 1870, após a unificação, a Alemanha não era um país rico nem industrializado. A política de Bismarck e de seus sucessores orientou-se para uma profunda reforma que visou à transformação da Alemanha de um Estado/Exército em um Estado/Empresa. Já no final do século XIX, a Alemanha era uma nação desenvolvida, buscando seu espaço entre os países industrializados. Georg Kerchensteiner, por volta de 1906, finaliza uma total renovação do ensino alemão, incluindo o ensino das artes aplicadas (SOUZA, 2000, p. 17). Segundo Paula e Pachoarelli (2006), o design tornou-se uma disciplina completa no início do Século XX, quando sua teoria foi integrada aos métodos industriais de produção. A partir desse momento, os produtos, as teorias e as filosofias do design tornaram-se cada vez mais diversificados, isto devido, em grande parte, à crescente complexidade do processo de design. 2.6.1 Deutsche Werkbund Em 1907, foi fundada, em Munique, o Deutsche Werkbund (Liga de Ofícios Alemã). Era uma espécie de associação de artistas, artesões, industriais e publicitários que queriam 39 seguir a meta de melhorar e integrar o trabalho da arte, da indústria e do artesanato por meio da formação e do ensino. Souza (2000, p. 18) argumenta que “[...] muitos vêem no Werkbund a raiz da razão e do progresso no design”. No Werkbund manifestaram-se duas correntes principais, derivadas da necessidade de desenvolver um conceito estético e formal para a produção industrial: a estandardização industrial e a tipificação dos produtos de um lado (Hermann Muthesius); do outro o desenvolvimento da individualidade artística (Van de Velde). Desta forma, foram essas duas direções que marcaram o trabalho de projeto do século XX (BÜRDEK, 2006, p. 25). Muthesius propunha uma concepção simplificada e padronizada (tipificação) dos produtos, com a finalidade de torná-los mais adequados tanto em aspectos técnicos como de custos, contribuindo para seu consumo. Havia uma adequação à ideia de progresso nessa concepção, uma ótica não naturalista, muito próxima a uma estética mecanicista. Essa questão estética e formal foi finalmente definida pela adoção das teorias dos neoclássicos alemães. “Na sua essência, ela afirmava a autonomia da linguagem artística, sua independência em relação aos valores visuais na natureza”. As ideias defendidas pelos neoclássicos alemães nessa época ficaram conhecidas como Teoria da Pura Visualidade e foram incorporadas no ideário da Deutsche Werkbund (SOUZA, 2000, p. 27). Nessa fase, pode-se identificar uma contribuição para o desenvolvimento de uma cultura de design, que contribuiu para a construção de um cenário materialista, que promovia o desenvolvimento de uma produção em função do consumo. Com a I Guerra Mundial, houve uma momentânea paralisação do desenvolvimento das ideias do Projeto Werkbund na Alemanha. Sua retomada, após a guerra, foi bastante diferente, decorrente da influência do abalo sofrido pelos grandes impérios coloniais e da emergência dos Estados Unidos (SOUZA, 2000, p. 31). 40 Um dos principais trabalhos do Deutsche Werkbund foi a exposição de arquitetura realizada após a Primeira Guerra Mundial, em 1927, em Stuttgart no Weissenhofsiedlung. A exposição foi idealizada por 12 dos mais conhecidos arquitetos da época, sob a direção de Mies van der Rohe, apresentando, através de projetos de edificações uni e multifamiliares, novas ideias para a arquitetura e o design. O destaque desse empreendimento estava na concepção da arquitetura de novos conceitos estéticos, a “casa como obra de arte total”, direcionada a amplas camadas da população e com preços acessíveis. Manifestava-se, assim, pela primeira vez o conhecido Estilo Internacional de Arquitetura, como uma unidade conseqüente, em que condições sociais, novos materiais e formas tiveram sua perfeita tradução (KIRSCH, 1987 apud BÜRDEK, 2006, p. 25). Observa-se que, nesse momento, havia então uma preocupação quanto à contribuição da técnica projetual a todas as camadas da população. Nesse período, tem-se Peter Behrens como um “guia decisivo do design moderno”, sua atuação abrangia o projeto de prédios, aparelhos elétricos domésticos e outros (BÜRDEK, 2006). Behrens, que pode ser considerado o primeiro design moderno, era membro ativo do Werkbund. Segundo Niemeyer (2000, p. 39), Behrens projetou para a empresa alemã AEG uma variada gama de projetos: prédios para fábricas, folhetos, gráficos, talheres de aço sem decoração, produtos diversos, em que sempre estavam presentes a pureza e a sobriedade de formas. Behrens, que no início de sua atividade profissional era difusor do Art Nouveau, abandonava o estilo que favorecia a ornamentação, para outro inspirado na maquinaria e na tecnologia contemporânea, que era visto como mais adequado ao mundo industrial. Em seu escritório, trabalhava alguns dos mais importantes designers e arquitetos do século XX - Walter Gropius e Mies van der Rohe (SOUZA, 2000). Segundo Bürdek (2006, p. 27), o arquiteto alemão “dava extrema importância à produção barata, boa funcionalidade e manejo, além de manutenção fácil nos produtos”, características pontuais, porém já indicavam atenção a critérios relevantes a um desenvolvimento mais racional da indústria. 41 2.6.2 Bauhaus Em 1902, Henry van de Velde fundou, em Weimar, um seminário de artes aplicadas que transformou em 1906 sob a direção de Walter Gropius a Staatliche Bauhaus Weimar (Figura 01). A Escola de Bauhaus tornou-se o ponto de partida do desenvolvimento teóricoprático do design. Segundo Souza (2000), pode ser considerada o marco mais significativo para o ensino do design moderno. Em função dos avanços tecnológicos da produção industrial no século XIX, a modesta ligação entre o projeto e produção estava diluída. Segundo Bürdek (2006, p. 28) “a idéia fundamental de Gropius era a de que, na Bauhaus, a arte e a técnica deveriam tornar-se uma nova e moderna unidade”. O autor completa ainda, que a escola tinha a frase-emblema “A técnica não necessita da arte, mas a arte necessita muito da técnica”. Essa unidade defendia a ideia de oferecer a sociedade uma contribuição pelo método - “consolidar a arte no povo” (BÜRDEK, 2006). Tomando como base o estudo de diversos autores citados a seguir, pode-se identificar fases no desenvolvimento da Bauhaus, que nos permite estudar com maior atenção a contribuição dessa escola para o desenvolvimento conceitual e metodológico do design. Segundo Rainer Wick (1982 apud BÜRDEK, 2006), há três fases do tempo da Bauhaus: fase de fundação 1919-1923, fase de consolidação 1923-1928, fase de desintegração 1928-1933. Souza (2000, p. 34) divide a história da escola em três períodos, coincidentes com suas três sedes: Weimar - 1919 - 1923, Dessau 1923 (Figura 01) - 1929, Berlim 1929 - 1933. 42 Figura 01 – Staatliche Bauhaus Dessau – Escola de Bauhaus Fonte: http://www.natureparktravel.com/. 2.6.2.1 Fase de fundação 1919-1923 Nessa fase, foram desenvolvidos produtos que ganharam destaque como: Berço de Criança, de Peter Kehlwe (Figura 02 - 1922). Esses produtos indicam uma direção em estabelecer uma estética dos produtos. Segundo Denis (2000, p. 27) um dos aspectos mais interessantes da transição da fabricação oficial para a industrial, estava no uso crescente de projetos ou modelos como base para a produção em série. A Escola de Bauhaus tentou, pelo seu ideário criar modelos que tinham a pretensão de ser referências para a indústria. 43 Figura 02 – Berço de Criança de Peter Kehlwe - 1922 Fonte: http://4.bp.blogspot.com/. 2.6.2.2 Fase de consolidação 1923-1928 Segundo Bürdek (2008, p. 31), nessa fase há uma grande produção de protótipos industriais: “Estes, se por um lado, deveriam ser orientados para a realidade de produção industrial, por outro eram dirigidos para atender as necessidades sociais de uma camada mais ampla da população”. Um dos focos da atividade de projeto na Bauhaus era desenvolver produtos para camadas mais amplas da população, que fossem principalmente acessíveis e tivessem um alto grau de funcionalidade. Observamos que havia uma grande preocupação com o processo de design, atendendo a requisitos técnicos para o melhor desenvolvimento do produto e também de oferecer a população artefatos que atendessem e direcionassem suas necessidades, dentro de uma “realidade social”. Essas características são afirmadas por Bürdek (2006, p. 31) em sua obra: Na segunda fase foi desenvolvido o termo funcional em teoria e prática. Isto continha continuamente uma orientação social: “o domínio das necessidades da vida e do trabalho” (Moholy Nagy3) e levar a sério as “questões do consumo de massa”. Função significava sempre a ligação de duas suposições: a de que é válido, no design, combinar harmonicamente as condições da produção industrial (técnica, construção, material) com as condições sociais, o que significa condicionar as necessidades da população às exigências do planejamento social. 3 Lászlov Moholy-Nagy foi um dos sucessos de Johanner Ittem (introdutor do currículo básico na Bauhaus em 1919/1920), continuando o desenvolvimento do curso básico. Suas metas eram “Inventar construindo e reparar descobrindo”. 44 Algumas características se tornaram padrão nos trabalhos da Bauhaus: tipificação, normatização, fabricação em série e produção em massa. 2.6.2.3 Fase de desintegração 1928-1933 Em 1928, Hannes Meyer foi nomeado diretor da Bauhaus. Meyer defendia veemente um engajamento social dos arquitetos e designers. “O Design deve servir ao povo, isto é, satisfazer suas necessidades elementares no âmbito da habitação com produtos adequados” (BÜRDEK, 2006, p.33). Segundo Niemeyer (2000, p. 43), Meyer deu à Bauhaus uma nova orientação, mais voltada para aspectos técnicos da produção industrial e à organização do que para as questões artísticas. Com essa ideologia, o conceito inicial de uma escola superior de arte foi definitivamente liquidado. Muitos artistas deixaram a escola, posteriormente até mesmo Meyer, porém este em função da pressão política na Alemanha. Essa pressão, enfim, provocou a autodissolução da Bauhaus em 1933 (BÜRDEK, 2006, p. 33). Bürdek (2006, p. 33) destaca duas metas centrais da Bauhaus: • Por um lado, deveria atingir, pela integração de todas as artes e as manufaturas debaixo do primado da arquitetura, uma nova síntese estética; • Pelo outro, deveria atingir, pela execução de produção estética, as necessidades das camadas mais amplas da população, obtendo uma síntese social. Como reflexo desse discurso projetual decorrente da Escola de Bauhaus, pode-sE definir o resultado desse período inicial da formação do design em alguns caminhos bem definidos. O legado de Walter Gropius “Arte e Técnica - uma nova unidade” é analisado por Bürdek (2006, p. 37). Este autor cita a caracterização de um profissional criado para a 45 indústria, alguém que domina igualmente a moderna técnica e a respectiva linguagem formal. Há então uma mudança do tradicional artista/artesão para o designer conhecido atualmente. Nessa transição, são incorporadas fortes raízes que proviam da ideologia industrial adotada nesse período. A atenção no processo de design estava predominantemente direcionada ao atendimento de requisitos técnicos produtivos e sua adequação à indústria. Não havia qualquer menção à preocupação quanto aos recursos necessários ao atendimento dessa demanda produtiva, em geral caracterizada pela produção em massa. Após o fechamento da Escola de Bauhaus, grande parte de seus professores emigraram para os Estados Unidos e países da Europa. Nos Estados Unidos, foram fundados núcleos de ensino de projeto, conservando o lema original da Bauhaus: “a forma que segue a função”. Moholy-Nagy abriu a New Bauhaus, que acabou se tranformando no Chigago Institute of Design (NIEMEYER, 2000, p. 45). Em 1983, realizou-se a primeira exposição da Bauhaus. Tudo que foi exposto se restringia ao período de coordenação de Gropius e, por conseqüência, carregava grandes características presentes nesse período de formação da escola. Isso abriu caminho para a formação de um conceito tipicamente americano, que se denominou good design (SOUZA, 2000, p. 53). Esse conceito elucidava a ideia de que certos objetos produzidos pela indústria deveriam ser considerados com exemplares, por sua particular qualidade formal. Segundo Souza (2000, p. 53), “dessa forma, começou-se também a associar a idéia de design a um discurso essencialmente formal”. Outras exposições posteriores contribuíram para o fortalecimento desse conceito. Destaca-se também, o fato de que tanto o estilo Bauhaus quanto o estilo good design tem particular influência na formação do criticado conceito: Estilo Internacional (International Style). Na década de 40, desenvolveu-se na Europa um conceito análogo ao good design, chamado de gute form. Esse conceito estava predisposto aos radicalistas racionais e formais, diferente do styling, por exemplo, que era fortemente direcionado ao mercado. 46 2.6.3 Houchschule Für Gestaultug HfG - (Escola Superior da Forma) de ULM A Houchschule Für Gestaultug - Escola Superior da Forma de Ulm (Figura 03) foi uma das iniciativas mais importantes do período pós-II Guerra Mundial. A Escola de Ulm influenciou a teoria, a prática e o ensino do design, assim como a comunicação visual de diversas formas, tornando passível sua comparação quanto à atuação da Escola de Bauhaus nesse mesmo processo em seu período. Sua fundação e sua direção (até 1956) foram conduzidas pelo suíço Max Bill, ex-aluno da Bauhaus (BÜRDEK, 2006, p. 45). Niemeyer (2000, p. 46) afirma que sua proposta era continuar o trabalho a partir de onde a Bauhaus havia parado. Figura 03 – Houchschule Für Gestaultug ULM - Escola Superior da Forma de ULM Fonte: http://farm3.static.flickr.com/2338. 47 O ensino se caracterizava pela continuidade da tradição de Bauhaus, mesmo que não houvesse alguma das principais disciplinas dessa escola. Em 1954, Max Bill é nomeado primeiro reitor da Escola de Ulm. Um ano após sua nomeação, Bill destaca um novo começo, expresso no seu discurso de inauguração do novo prédio da escola: A meta é clara: a tarefa da escola é direcionada para contribuir para a construção de uma nova cultura com o objetivo de conseguir formas de vida adequadas ao desenvolvimento técnico de nossa época [...] A cultura atual está tão abalada, como se tivéssemos que começar a construir no topo da pirâmide. Precisamos começar por baixo, precisamos rever as funções (SPITZ, 2001 apud BÜRDEK, 2006, p. 45). No período que compreende os anos de 1958 e 1962, foram incluídas e destacadas no currículo da escola disciplinas como ergonomia, técnicas matemáticas, economia, física, ciência política, psicologia, semiótica, sociologia, entre outras, que demonstravam um acordo com o racionalismo alemão. Neste período, ainda, foram convocados para o Departamento de Design de Produto docentes como Walter Zeischegg, Horst Rittel, Herbert Lindinger e Gui Bonsiepe. No início da década de 60, a Escola de Ulm passou a ter uma relação mais próxima à indústria, contraposta à sua postura teórica em períodos anteriores. Essa proximidade deu-se devido ao desenvolvimento de projetos para clientes da indústria. Isso evidenciou o valor dado pela indústria ao design. Nesta fase, foi dado peso igual à prática e à teoria nas disciplinas do currículo. Segundo Spitz (2001 apud BÜRDEK, 2006, p. 46): A HfG não era mais vista de fora como escola superior no sentido de uma estrutura de pesquisa e de desenvolvimento, o que ocasionou, de acordo com o ditado ‘sem pesquisa – sem verba’, que o financiamento do governo federal fosse interrompido [...] Como as exigências do Parlamento de Baden Württemberg para um novo conceito, por motivo de desentendimentos entre os membros da escola, não foram preenchidas, decidiu a HfG Ulm, ao final de 1968, encerrar suas atividades. Da mesma forma que a Escola de Bauhaus, a Escola de Ulm tornou-se expressivamente influente após seu fechamento. Seu destaque está no fato desta última ter 48 grande influência sobre as discussões nos anos seguintes que propunham uma nova orientação para os métodos e conceitos do design. Destaca-se, por exemplo, a presença de Gui Bonsiepe, estudioso percurso nas discussões do design para a sustentabilidade na década de 70, como docente da Escola de Ulm. Outro exemplo marcante foi a presença de antigos estudantes e docentes na fundação do Instituto para Design Ambiental em Paris no início da década de 70 (BÜRDEK, 2006, p. 57). 2.6.4 O Institut für Umweltplanung (IUP) – Instituto para Planejamento Ambiental No prédio da Escola de Ulm, a partir de 1969, funcionou o Instituto para o Planejamento Ambiental da Universidade de Stuttgart. Segundo Bürdek (2006), o Instituto deveria dar continuidade ao ensino da HfG, mas por outro lado deveria se liberar do limitado conceito de projeto. No IUP, debatiam-se fortemente os temas de caráter político-social, que, pelo movimento estudantil de 1967/68, passaram a conscientizar também os designers. Sua dependência para a Universidade de Stuttgart ocasionou seu fechamento em 1972. Bürdek (2006, p.47) destaca que um dos grandes legados do Instituto “IUP foi responsável pelas bases de uma nova orientação para uma teoria do design”. 2.6.5 Houchschule Für Gestaultug Offenbach O iminente esgotamento das matérias-primas, o crescimento exponencial da taxa populacional, assim como o consequente crescimento da degradação do meio ambiente, contribuíram para a desestabilização e a quebra da sociedade industrial. As primeiras tentativas realizadas pelo design para apresentar resultados para esse novo cenário vivenciado na década de 70 foi realizado por um grupo de trabalho de nome “des-in” na HfG Offenbach 49 (Figura 04). Motivado pelo concurso do Internationales Design Zentrum Berlim (IDZ) em 1974, desenvolveu as primeiras tentativas de um design para a reciclagem (BÜRDEK, 2006, p.62). A partir daí, diversas foram as manifestações para esse mesmo propósito. Uma comoção no campo do design garante a inquietude de diversos estudiosos que buscam manter latente essa nova orientação para a prática do design. Figura 04 – Houchschule Für Gestaultug Offenbach - Escola Superior da Forma de Offenbach Fonte: http://www.esdi.uerj.br/imagens/. 50 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se identificar no decorrer da historia do design, diversas fases que nortearam o pensamento teórico e a conduta prática dos designers em suas atividades projetuais. Essas fases são intimamente influenciadas pelas ideologias sociais, culturais, econômicas, políticas, etc., vivenciadas nesses períodos. Segundo Orbeg (1962 apud NIEMEYER, 2000, p. 15) o design, ao longo do tempo, tem sido entendido segundo três tipos distintos de prática e conhecimento: Na primeira, o design é visto como atividade artística, em que é valorizado no profissional o seu compromisso como artífice, com a estética, com a concepção formal, com a fruição do uso. Na segunda entende-se o design como um invento, como um planejamento, em que o designer tem o compromisso prioritário com a produtividade do processo de fabricação e com a atualização tecnológica. Finalmente, na terceira aparece o designer como coordenação, onde o designer tem a função de integrar os aportes de diferentes especialistas, desde a especificação de matéria-prima, passando pela produção à utilização e destino final do produto. O autor constrói notoriamente a conduta projetual do design até o início da década de 60, permitindo concluir uma quarta fase da prática e conhecimento projetual influenciada pelo advento do desenvolvimento sustentável a partir da década de 70: o design para a sustentabilidade. Evidencia-se uma evolução no desenvolvimento dos métodos, conceitos, em que gradualmente o designer teve maior domínio sobre a técnica produtiva e pode dessa forma contribuir para sua adequação às necessidades do ecossistema ambiental e social atuais. Fica evidente também o controle do estado sobre o desenvolvimento do pensamento técnico e metodológico da prática do design em seu período de formação. Bürdek (2006, p. 46) descreve a dissolução da Escola de Ulm como o resultado da distância do ideário da escola quanto às pretensões do Estado. Niemeyer (2000, p. 47) compartilha da mesma visão, quando descreve que o destino da Escola de Ulm foi semelhante ao da Bauhaus: Quando as controvérsias em relação a validades dos conceitos da escola ultrapassaram os limites acadêmicos e vieram a público através da imprensa, 51 foi criado um impasse para obtenção de recursos: a concessão de ajuda dos cofres públicos implicaria numa reformulação ideológica da escola. Como isso seria inaceitável para professores e alunos e a escola se auto-extinguiu em 1968. Outra característica importante a se destacar é a íntima dependência dos métodos do design quanto ao atendimento dos mecanismos da indústria. Isso é evidenciado principalmente a partir da segunda fase descrita por Orbeg (1962). O design tem um grande compromisso com “a produtividade do processo de fabricação e com a atualização tecnológica” (ORBEG 1962 apud NIEMEYER, 2000, p. 15). Sua grande meta de atender a industrialização torna impossível alcançar critérios que possam conduzir a um caminho para a sustentabilidade nesse período. Eric Hobsbawm (apud DENIS, 2000, p. 21) “descreve a industrialização com um sistema que passa a gerar demanda em vez de apenas suprir aquela existente”. Nesse cenário há predominantemente o atendimento das aspirações humanas. Conforme apresentado anteriormente, pode-se destacar a contribuição da Escola da Ulm para as mudanças que iniciaram novas visões para o design. Alunos e docentes dessa escola foram pioneiros no pensamento do design como ferramenta para a racionalização da produção industrial orientada para atendimento de suas necessidades, sem o desprezo quanto aos seus efeitos sobre o ecossistema ambiental e social. A pesquisa demonstra ser um caminho produtivo estudar de forma mais detalhada a contribuição da teoria do design proveniente dessa Escola do ensino do design e os fatores responsáveis pela influente participação de seus alunos e docentes nessa nova orientação. Por fim, viu-se que a história do design apresenta uma evolução dos métodos e conceitos influenciados por diversos fatores, tais como: economia, sociedade, cultura, entre outros, influenciados diretamente pelas ideologias vivenciadas pelas classes dominantes (quanto ao capital financeiro e intelectual), limitando sua abordagem dentro dos padrões e interesses destes. Em contrapartida, houve diversas manifestações que apresentaram um desprendimento a essa “regra”, como o anti-industrialismo de William Morris ou as severas 52 críticas de Gui Bonsiepe às práticas profissionais do design, que contribuíram para a construção de um cenário favorável a discussão da inadequada conduta industrial que se formou desde a Revolução Industrial no século XVIII até o final do século XIX. Com a compreensão do conceito de sustentabilidade, percebe-se que uma das suas bases fundamentais é a economia. “A economia e a ecologia podem ser pensadas juntas” (KAZAZIAN, 2006, p. 30). Esse novo precedente da abertura ao desenvolvimento da indústria em conformidade com o meio ambiente. Surgem então novos métodos e conceitos, presentes também nas práticas do design, permitindo uma reformulação mais ousada nos métodos e conceitos do design. Essas mudanças permitiram transformação do design, para o design sustentável. Essa prática se alinha com a nova proposta que vai ao encontro da emergente preocupação quanto à qualidade ambiental, ética e responsabilidade social corporativa. 53 4 REFERÊNCIAS ALCÂNTARA, Fabiana Ferreira de. O discurso sobre o ensino de design levando em consideração aspectos ambientais: por um design ecológico. Rio de Janeiro, PUC, (Dissertação de Mestrado em Design), 2003. BÜRDEK, Bernhard E. História, teoria e prática do Design de Produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2006. CASAGRANDE JR., Eloy Fassi. Inovação Tecnológica e Sustentabilidade. 2005. Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná- CEFET-PR, 2005. COSTA, Pedro Zöher Rodrigues. Estruturas, Tensegrities e EcoDesign. 2005. Dissertação (Mestrado em Design). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2005. COSTA JR, Jairo da. Barreiras do Desenvolvimento Sustentável de Novos Produtos: Mercado de Consumo Insustentável. ENSUS – Encontro de Sustentabilidade do Vale do Itajaí, 3ª. 2008, Itajaí , Santa Catarina. 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