1 ANÁLISE DA FORMAÇÃO LITERÁRIA POR UM VIÉS CRÍTICO NA LICENCIATURA Danilo Passos Santos Faculdades Integradas Teresa D’Ávila / Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC – CNPq) Profa. Dra. Luciani Vieira Gomes Alvareli Faculdades Integradas Teresa D’Ávila e Fatec Cruzeiro – Prof. Waldomiro Way / Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC – CNPq) Linha temática: Educação, formação e tecnologias. RESUMO O presente artigo discute o desenvolvimento da aprendizagem coletiva no tocante às disciplinas de Literatura na licenciatura em Letras com habilitação em Língua Inglesa com alunos do segundo ano de uma instituição particular de ensino superior. Analisou-se a cognição antes e durante as disciplinas de Literatura Brasileira I e Teoria Literária, administradas por um professor que introduz os conteúdos disciplinares por meio de vertentes críticas em sala de aula. A pesquisa aqui relatada baseou-se na teoria sócio interacionista vygotyskiana em que o individuo constrói conhecimento coletivamente. Buscou respaldo na universalização da Literatura, nas definições sobre a crítica literária e o exercício da docência com criticidade pautado por Paulo Freire. Esta pesquisa tem como objetivo, discutir e sugerir o uso de materiais de cunho crítico-literário em sala de aula para a compreensão da Literatura durante o processo de formação docente. Palavras-chave: literatura; didática; formação; crítica literária; sociedade. ABSTRACT This article discusses the development of collective learning in relation to the disciplines of Literature in Arts degree with specialization in English Language with second-year students of a particular educational institution. We analyzed the cognition before and during the disciplines of Brazilian Literature and Literary Theory I, administered by a teacher who introduces the subject content through critical aspects in the classroom. The research reported here was based on social interactionist theory vygotskian that the individual builds knowledge collectively. Sought support in universal literature, in the definitions of literary criticism and the practice of teaching with criticality ruled by Paulo Freire. This research aims to discuss and suggest the use of critical-literary imprint materials in the classroom for the understanding of literature during the process of teacher education. Key-words: 1. INTRODUÇÃO Tendo em vista as opiniões pessoais no tocante às disciplinas de Literatura Brasileira I e Teoria Literária de alunos, graduandos do segundo ano de licenciatura em Letras com habilitação em Língua Inglesa de uma instituição particular de ensino superior, que indagavam a literatura como uma disciplina complicada e maçante, foi proposta uma análise crítica por meio de duas perguntas: perguntas: “O ensino de Literatura na licenciatura requer o uso de materiais de crítica literária para uma melhor formação acadêmica, cultural e pessoal?” e “A boa formação de um professor em Literatura pode auxiliar a sociedade em uma efetiva formação de leitores?”. Para a obtenção dos resultados, foi realizada uma observação durante as aulas das disciplinas e aplicado virtualmente um questionário investigativo (anexo 01), no qual, foram identificados os 2 itens: a formação leitora e literária dos discentes antes de cursarem a graduação; a aprendizagem durante as aulas de Literatura Brasileira I e Teoria Literária; a análise pessoal em relação ao uso da crítica literária em sala de aula; a didática do professor universitário quanto à formação docente dos alunos e a metodologia aplicada em sala de aula voltada ao uso de tecnologias. Busca-se com o presente artigo, discutir e exemplificar experiências da formação literária dos discentes, futuros professores de Literatura, além de realçar as metas da instituição superior quanto à qualificação de seus futuros profissionais defrontando-se com a teoria sócio interacionista de Vigotsky (2006, s/p), as definições de Literatura e sociedade, as concepções sobre a crítica literária e a necessidade de se formar professores críticos, conforme exemplifica Freire (1996, p. 17 - 18). 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 O sociointeracionismo em sala de aula Dentre diversas teorias, esta pesquisa embasa-se na teoria sócio interacionista Vygotyskiana, uma vez que se entende que o desenvolvimento da cognição do aluno se dá pela sua interação com o meio social e com o outro, possibilitando a geração de novas experiências e de compartilhamento na construção do conhecimento. No que diz respeito ao papel do ambiente escolar e do professor, Coelho e Pisoni (2012, p. 148) dissertam que: A escola deve estar atenta ao aluno, valorizar seus conhecimentos prévios, trabalhar a partir deles, estimular as potencialidades dando a possibilidade deste aluno superar suas capacidades e ir além do seu desenvolvimento e aprendizado. Para que o professor possa fazer um bom trabalho ele precisa conhecer seu aluno, suas descobertas, hipóteses, crenças, opiniões desenvolvendo diálogo criando situações onde o aluno possa expor aquilo que sabe. Assim, os registros e as observações são fundamentais tanto para o planejamento e objetivos quanto para a avaliação. Dessa forma, o professor inserido na escola tem como função mediar a aprendizagem com estratégias que levem o aluno a se tornar independente, estimulando o seu conhecimento potencial. 2.2 A compreensão da Literatura para a formação da sociedade Torna-se, portanto, um fator primordial para qualquer pesquisa que a escola e o professor busquem ter um conhecimento pessoal prévio em relação aos seus alunos, principalmente para compreender um possível déficit de aprendizagem. Candido (2006) define a compreensão da Literatura como uma arte que auxilia na formação de uma sociedade. Em suas palavras (CANDIDO, 2006, p. 37): Se encararmos os fatores presentes em bloco na estrutura social, nos valores e nas técnicas de comunicação, veremos logo a necessidade de particularizar o seu campo de atuação. Tomemos os três elementos fundamentais da comunicação artística — autor, obra, público — e vejamos sucessivamente como a sociedade define a posição e o papel do artista; como a obra depende dos recursos técnicos para incorporar os valores propostos; como se configuram os públicos. 3 Tendo em vista a necessidade de capacitar alunos por uma boa formação literária, o autor (CANDIDO, 1984, p. 06) discorre acerca da interpretação dos textos literários em sala de aula. Segundo ele: “[...] Ler infatigavelmente o texto analisado é a regra de ouro do analista, como sempre preconizou a velha explication de texte dos franceses. A multiplicação das leituras suscita intuições, que são o combustível neste ofício [de professor] (CANDIDO, 1984, p. 06)”. O uso de materiais de críticos literários como um despertar para a análise literária corrobora a necessidade de o discente compreender detalhadamente um texto literário enquanto graduando com formação nas diferentes vertentes da Literatura. Complementando, o autor (CANDIDO, 2006, p.53) destaca o papel da literatura na sociedade e os fatores para se analisar um movimento literário e a sua obra, pois “a grandeza de uma literatura, ou de uma obra, depende da sua relativa intemporalidade e universalidade, e estas dependem, por sua vez, da função total que é capaz de exercer, desligando-se dos fatores que a prendem a um momento determinado e a um determinado lugar (CANDIDO, 2006, p. 53)”. 2.3 A crítica literária e o professor crítico Para a discussão acerca da cognição dos estudantes universitários analisados por esta pesquisa, buscou-se apoio teórico em Caetano (2001, p. 98) sobre o interesse pela leitura e formação cultural: Pelo exposto, não é difícil inferir por que a grande maioria da população não consegue auto-expressar-se, ou seja, produzir cultura, pois nosso encontro social gera restrições de ordem econômica que impedem a comunicação entre os indivíduos e a aquisição de bens culturais necessários à formação dos jovens e à busca de atualização, atingindo, diretamente, instituições sociais como a família, a escola e a biblioteca pública ou escolar, principais envolvidas no processo de formação do leitor. Tendo em vista a discussão da formação leitora e literária, a autora (CAETANO, 2001, p. 104 e 105) também discorre sobre a função do crítico literário nesse processo de formação. Em suas palavras: O crítico é elemento essencial no processo porque privilegia categorias analíticas como a constatação, o cotejo e a transformação – trinômio que sintetiza a sua práxis da leitura, caracterizando-a como a afirmação da possibilidade de fruição, reflexão e recriação da obra aos olhos do leitor. [...] É também graças ao crítico que, muitas vezes, temos acesso a bens culturais de outras realidades e despertamos para o desejo de conhecer mundos que extrapolam nossas fronteiras culturais. O crítico, portanto, é agente motivador e gerador de educação libertadora, formador de opinião, provocando no leitor a conscientização de que a leitura não é um mero exercício mecânico ou atividade de simples retenção ou de memorização, mas, sobretudo, de compreensão e criticidade. Sobre o uso da criticidade para a análise de textos literários e para a compreensão da disciplina de Literatura na formação de professores, vale mencionar a teoria da recepção explicada por Zilberman (1989, s/p), que apresenta uma corrente literária americana preocupada na construção do leitor como analista de textos. Em artigo, a autora (ZILBERMAN, 1989, s/p) discorre: Embora se registem diferentes pontos de vista no seio da escola americana conhecida por reader-response criticism, os críticos [...] parecem concordar na importância do leitor no que respeita à determinação do sentido de um texto, ao contrário da tradição que toma o texto como uma entidade que recolhe já na sua natureza o seu próprio sentido, deixando para o leitor crítico a tarefa de o identificar. A reader-response criticism não valida este papel restrito do leitor mais como um tradutor-intérprete do sentido do texto do que como um interpretador criativo que pode agir sobre esse sentido modificando-o. 4 Em paralelo, a formação de professores em literatura com um aguçado senso crítico sobre as disciplinas corresponde à teoria do ensinar criticamente apresentada por Paulo Freire (1996, p. 17 e 18), pois: A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. O saber que a prática docente espontânea ou quase espontânea, “desarmada”, indiscutivelmente produz é um saber ingênuo, um saber de experiência feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemológica do sujeito. Este não é o saber que a rigorosidade do pensar certo procura. Por isso, é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados intelectuais escrevem desde o centro do poder, mas, pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. O autor (FREIRE, 1996, p. 90 e 91) também realça a prática docente como instrumento de seriedade e bem-estar: É preciso, por outro lado, reinsistir em que não se pense que a prática educativa vivida com afetividade e alegria, prescinda da formação científica séria e da clareza política dos educadores ou educadoras. A prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança ou, lamentavelmente, da permanência do hoje. [...] Daí o caráter desesperançoso, fatalista, antiutópico de uma tal ideologia em que se forja uma educação friamente tecnista e se requer um educador exímio na tarefa de acomodação ao mundo e não na de sua transformação. Um educador com muito pouco de formador, com muito mais de treinador, de transferidor de saberes, de examinador de destrezas. O aporte teórico nesses autores colabora para a compreensão acerca da necessidade de se formar professores críticos, levando-se em consideração possíveis falhas na formação literária dos graduandos durante o ensino médio. 3. ANÁLISE DE RESULTADOS E DISCUSSÃO Para compreender como os alunos universitários aprendem, o questionário (anexo 01) foi elaborado com questões voltadas à cognição estudantil, criticidade e hábitos pessoais que harmonizam o aprendizado em sala de aula visando uma melhor compreensão da relação aluno-disciplina e alunoprofessor. A análise dos resultados será apresentada em três módulos, conforme a seguir. 3.1 A formação em Literatura dos alunos-acadêmicos durante o ensino médio A partir da primeira questão intitulada: “Durante o ensino médio, como eram aplicadas as aulas de literatura pelo seu professor?”, observou-se que 50% dos entrevistados obtiveram uma formação completamente teórica da disciplina, pois, segundo os mesmos, o professor discutia temas literários no quadro-negro com aulas expositivas sem a participação dos alunos e os demais 50% dos entrevistados usufruíram da mesma formação, mas participavam de debates em sala de aula. O primeiro resultado desta questão defronta-se com a teoria de Lev Vygotsky (2006, s/p) em que o aluno aprende em coletivo, compartilhando ideias com o auxílio do professor. Percebe-se também 5 que os entrevistados não usufruíram do uso de didáticas contemporâneas seguindo o que preconiza Garcia (2013, p. 52) em relação à necessidade de o professor ministrar as suas aulas de Literatura, criando estratégias para que os seus alunos obtenham um efetivo gosto pela leitura e consequentemente ampliem a sua criticidade literária. De acordo com as respostas, a formação dos discentes em Literatura Brasileira e de Língua Portuguesa no ensino médio contou eventualmente com o uso de livros para o debate de temas e obras literárias em sala de aula e as avaliações da disciplina eram dissertativas e de múltipla escolha. Baseando-se nesses resultados é possível discorrer sobre a efetiva praticidade no ensino de Literatura durante o ensino médio, uma vez que o professor pauta temas literários em sala gerando debates, porém, os usos de obras originais e de livros críticos não influenciam nessa didática e a aptidão de leitura crítica deixa de ser trabalhada. Nesse impasse, a aprendizagem literária é facilmente compreendida por boa parte dos discentes, tornando-se maçante para outros, haja vista que o professor domina o assunto e detalha conteúdos sem o uso de materiais de crítica literária criando interpretações únicas nos alunos sem uma abordagem crítica. 3.2 A escolha da graduação perante as disciplinas de Literatura Quando questionados sobre a formação literária como escolha prioritária da graduação, percebeu-se que o déficit de estratégias didáticas no ensino de Literatura durante o ensino médio impulsionou as respostas negativas, pois, para parte dos alunos a formação nas diferentes vertentes da Literatura contribuiu parcialmente na escolha da licenciatura, enquanto para outros, a formação literária não influenciou a escolha. Tais resultados demonstram que o interesse pela disciplina está interligado à formação construída durante o período escolar e à didática em que ela foi ensinada, pois, conforme relatado pelos entrevistados, o conhecimento acerca dos temas literários era pautado por meio de aulas expositivas e debates em sala de aula, mas sem o uso de metodologias práticas, nas quais, o professor estimula soluções para uma situação-problema e utiliza livros e materiais didáticos para fomentar um tema literário. 3.3 O professor universitário como formador de docentes nas disciplinas de literatura As aulas de Literatura Brasileira I e Teoria Literária motivaram o processo de pesquisa, uma vez que, quando analisados os cronogramas semestrais das disciplinas, entregue aos alunos, percebeu-se que o professor utilizava materiais de crítica literária para possibilitar a compreensão dos temas literários em sala de aula. Porém, o contato direto dos discentes com as disciplinas de literatura exigia criticidade e raciocínio, o que parece tê-los desmotivado inicialmente, a julgar por comentários de que as disciplinas eram cansativas. Os alunos também comentaram que a metodologia de ensino na graduação deveria ser mais dinâmica e prática. Percebeu-se que o acesso dos discentes às disciplinas de literatura para a formação docente foi diferente das aulas de Literatura durante o ensino médio. As metodologias de ensino se repetem, se compararmos o uso do quadro-negro e de debates para a aquisição do conhecimento. Porém, as sequências didáticas adotadas na graduação sofrem alterações, uma vez que, os conteúdos discutidos em Literatura Brasileira I e Teoria Literária respaldam-se em críticos literários para o detalhamento dos assuntos disciplinares. Este método é válido, tendo em vista que uma das principais metas do curso pesquisado é a formação docente para a atuação nas diferentes esferas da educação. 6 Vale enfatizar que em todas as aulas o professor das disciplinas pesquisadas utiliza livros e materiais didáticos e faz referências dos mesmos em seus cronogramas semestrais, deixando a incumbência dos discentes de lerem os conteúdos para um melhor rendimento em sala de aula, porém, as expectativas do docente, muitas vezes, não são superadas, pois os alunos muitas vezes não leem os materiais disponibilizados com a antecedência necessária. Com o uso dessa didática crítica, pode-se dizer que a formação docente está qualificada para o ensino das disciplinas, haja vista que o aluno como um analista crítico dos assuntos literários e leitor assíduo das críticas que fomentam as disciplinas conseguirá perpassar novas “visões” acerca dos temas literários durante o exercício do seu ofício. Esta boa qualificação desmitifica a visão de Hohlfeldt (1987, p. 111) sobre os Cursos de Letras, pois, segundo o autor, “o curso de Letras por uma deformação [...] restringe-se a ‘formar professores’, e assim mesmo com altas taxas de desqualificação”. (HOHLFELDT, 1987, p. 111). Os alunos afirmaram, por meio do questionário investigativo, que o professor não utiliza recursos tecnológicos em suas aulas. Outros alegaram que o uso dos recursos acontecia raramente, a julgar pelas vezes em que o professor utilizou filmes como apoio às suas aulas. Contudo, pode-se verificar que o uso da tecnologia está indiretamente interligado à didática do professor, pois, muitos conteúdos, os quais ele utiliza em sala de aula são postados no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da instituição de ensino dentro da subárea que corresponde às disciplinas do docente. Desse modo, todos os discentes têm acesso aos materiais anexados ao plano de ensino que serão utilizados em sala de aula, porém o uso dos mesmos é de cunho pessoal, conforme será discorrido no próximo item. 3.4 A necessidade de uma consciência crítica dos alunos-acadêmicos para o exercício da profissão docente Para poder compreender os estímulos de aprendizagem dos discentes, algumas questões do questionário investigativo voltaram-se a hábitos dos mesmos no tocante à organização de estudos e, também, opiniões acerca das disciplinas de literatura. Sobre um tempo semanal para a dedicação exclusiva nos estudos de Literatura, a maioria dos entrevistados relatou que devido a compromissos pessoais e profissionais não dedica um tempo específico para o estudo das disciplinas, logo, o contato dos mesmos com as disciplinas é feito somente durante as aulas. Em uma situação-problema, na qual designava-se o que deveria ser feito, caso em uma das aulas de Literatura Brasileira I o tema fosse o “Modernismo Brasileiro” e no cronograma da disciplina mostrasse referências de um livro crítico-literário a ser utilizado em sala de aula, parte dos alunos mostrou-se motivada a ler o livro especificado pelo cronograma e demais conteúdos que abordassem o tema antes de assistir a aula, porém, a maioria não faria nenhum tipo de leitura até a presente aula sobre o tema. Esses resultados realçam a pessoalidade dos discentes quanto a hábitos de estudo para uma melhor compreensão das disciplinas, pois, cientes da didática de ensino do professor, parte dos alunos não faria nenhum tipo de estudo sobre o tema - tampouco os sugeridos pelo professor - para uma melhor aprendizagem em sala de aula. Essa realidade torna-se preocupante por tratar-se de um curso de formação de professores, que utiliza a vertente crítica para a formação profissional de seus alunos nessas disciplinas. O uso de materiais críticos-literários no ensino de Literatura foi aprovado pela maioria dos alunos. Este mesmo percentual realçou que o aprendizado e o entendimento das disciplinas contribuem para a efetiva formação docente. 7 As metodologias de ensino aplicadas aos alunos durante o exercício do seu ensino médio também se respaldam nos resultados da situação-problema detalhada anteriormente e conclui que todos os licenciandos têm a consciência do uso das vertentes críticas na sua formação como docente, porém, não criam hábitos favoráveis a uma aprendizagem nas disciplinas pesquisadas. CONCLUSÃO A formação na docência para o ensino de Literatura requer prioritariamente o acesso às vertentes críticas das disciplinas literárias para uma harmônica compreensão das mesmas. A partir do momento em que o estudante universitário de Letras mantém contato com os materiais críticosliterários que fomentam diversos assuntos literários, sua criticidade será ampliada gradativamente, além de sua aptidão pela leitura. A construção do professor de Literatura não requer apenas metodologias contemporâneas para o ensino da disciplina em sala de aula, mas, o aperfeiçoamento de didáticas de ensino embasadas na formulação de sequências didáticas que incluem a crítica literária. Instigar o aluno a interpretar os livros de leitura, seja os clássicos ou contemporâneos, por meio de opiniões críticas deve ser um dos, se não o principal objetivo de um professor de Literatura. Essa formação crítico-literária deve-se iniciar durante as aulas do ensino médio, pois, além de capacitar alunos-leitores a serem críticos, aprimorará o interesse dos discentes que almejam seguir carreira dentro da disciplina ou similares e, ao terem contato com as críticas da literatura em um curso de licenciatura ou bacharelado em Letras não se sentirão oprimidos quanto à didática do professor em sala de aula. A Instituição superior de ensino deve ter por objetivo capacitar os alunos a serem críticos, e tendo esta meta incluído dentro de um currículo pedagógico de uma licenciatura, assim como na Literatura, todas as disciplinas devem ser ministradas sob um viés crítico, seja na total, ou parcial, elaboração didática das disciplinas. O hábito pessoal para a criação de uma rotina de estudos deve ser estudado cautelosamente, pois, como visto nos resultados desta pesquisa, o preparo e a leitura anterior à aula influencia na compreensão da disciplina, principalmente se o professor utilizar uma didática como a apresentada anteriormente. Portanto, vale ressaltar a importância do trabalho crítico em sala de aula desde o ensino fundamental e, consequentemente, ensino médio. Para esse aprimoramento da aprendizagem é necessário quebrar pré-conceitos voltados à complexidade da disciplina de Literatura e motivar os discentes que ainda não adentraram ao ensino superior, à análise crítica e social para se estudar uma obra ou tema literário, logo, será primordial a exposição de uma situação-problema em meio às metodologias de ensino da disciplina, além do debate em sala, para se conhecer a realidade dos alunos para os assuntos. Mediante as experiências aqui relatadas e discussões impostas, pode-se concluir que um bom professor de literatura auxiliará na formação de uma sociedade pensante e altamente crítica, voltada às estéticas artísticas e sensoriais do seu cotidiano, uma vez que, a Literatura é uma disciplina atemporal e une criatividade, criticidade e arte, ampliando as perspectivas pessoais e auxiliando na construção cultural do ser-humano. REFERÊNCIAS CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. 9ª edição. Ed. Ouro Azul. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http://www.fecra.edu.br/admin/arquivos/Antonio_Candido_- _Literatura_e_Sociedade.pdf Acesso em 11.set.2014. CANDIDO, Antonio. Na sala de aula – caderno de análise literária. 4ª edição. Ed. Ática. São Paulo - SP, 1993. 8 CAETANO, Santa Inês Pavinato. Ensino de Língua e Literatura – alternativas metodológicas. 1ª edição. Ed. da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Canoas – RS, 2001. COELHO, Luana e PISONI, Sileno. Vygotsky: sua teoria e influência na educação. Revista Modelos – FACOS/CNE C Osório. Ano 02 – Vol. 02 – Nº 02 – AGO / 2012. Disponível em http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/eped/agosto_2012/pdf/vygotsky_-_sua_teoria_e_a_influencia_na_educacao.pdf. Acesso em 01.abr.2014. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 1ª digitalização. Coletivo sabotagem, 2002. Disponível em http://www2.uesb.br/pedh/wp-content/uploads/2014/02/Pedagogia-da-Autonomia.pdf Acesso em 03.jul.2014. GARCIA, Julia. A Qualidade do novo. 2013. Revista Conhecimento Prático Literatura. São Paulo. Ed. Escala, n. 47, 12 set. 2013. 66 p. HOHLFELDT, Antonio. A crítica literária e o papel da Universidade. 1987. Revista Letras de Hoje – PUC / RS. Ed. PUC, n. 05. 122 p. VYGOTSKY, Lev. Pensamento e Linguagem. 2006. Disponível em http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/vigo.pdf Acesso em 11.set.2014. ZILBERMAN, Regina. Estética da recepção e história da literatura. São Paulo: Ática, 1989. http://www.fcsh.unl.pt/invest/edtl/verbetes/E/estetica_recepcao.htm Acesso em 11.set.2014. http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=1025&Itemid=2 Acesso em 11.set.2014. Danilo Passos Santos ([email protected]) Profa. Dra. Luciani Vieira Gomes Alvareli ([email protected]) Letras – Português / Inglês, Faculdades Integradas Teresa D’Ávila, Av. Peixoto de Castro, 539 – Vila Celeste. CEP: 12.606-580, Lorena – SP. ANEXO 01 Questionário – compreensão das disciplinas de literatura na graduação 01 – Durante o ensino médio, como eram aplicadas as aulas de Literatura pelo seu professor? A) Aulas expositivas, nas quais, o professor explicava um tema no quadro-negro sem participação dos alunos. 9 B) Aulas expositivas, nas quais, o professor explicava um tema no quadro-negro com participação dos alunos. C) Aulas expositivas com leitura e discussão dos temas. D) Aulas expositivas e práticas com apresentação e solução de uma situação-problema. E) Aulas expositivas e práticas com leitura, apresentação e solução de uma situação-problema. F) Aulas expositivas e práticas sem leitura, mas com apresentação e solução de uma situaçãoproblema. G) Apenas aulas práticas com a apresentação e solução de uma situação-problema. H) Não me recordo. 02 – Nas aulas de Literatura no ensino médio, o seu professor utilizava livros para o debate de temas e obras? A) Sim, em todas as aulas. B) Sim, eventualmente. C) Sim, porém, com o uso de resenhas de obras e temas. D) Não. E) Não me recordo. 03 - Como eram as avaliações de Literatura durante o seu ensino médio? A) Dissertativa e de múltipla escolha. B) Apenas dissertativa. C) Apenas de múltipla escolha. D) O professor não aplicava avaliações. E) O professor não aplicava avaliações. 04 - A escolha da sua graduação partiu prioritariamente devido a formação nas disciplinas de Literatura (Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa, Teoria Literária, Literatura Comparada, etc.)? A) Sim. B) Parcialmente. C) Não. 05 - O professor responsável pelas disciplinas de Literatura Brasileira I e Teoria Literária utiliza materiais de crítica literária para a aplicação das mesmas em sala de aula? A) Sim, totalmente. B) Sim, eventualmente. C) Não. D) Não sei responder. 06 - Quantas horas de estudos semanais você dedica para o estudo das disciplinas de Literatura da graduação? A) Até 01 hora. B) 01 a 02 horas. C) 02 a 04 horas. D) Acima de 04 horas. E) Devido a compromissos pessoais e profissionais não dedico um tempo de estudo para as disciplinas. 10 07 - Caso em uma aula de Literatura o tema discutido for o "Modernismo Brasileiro" e no programa didático do professor especificar um livro de algum crítico literário sobre o tema, você: A) B) C) D) Irá ler o livro que compõe o programa didático e demais materiais e resumos acerca do tema Irá ler apenas o livro que compõe o programa didático Irá ler apenas os materiais e resumos que especificam o tema Não fará nenhum tipo de leitura antes da aula sobre o tema 08 - O professor de Literatura da sua graduação utiliza recursos tecnológicos em suas aulas? A) Sim, sempre. B) Sim, eventualmente. C) Sim, raramente. D) Não. E) Não sei responder. 09 - Na sua opinião, o seu entendimento e aprendizado nas disciplinas de Literatura Brasileira I e Teoria Literária contribui para a sua efetiva formação docente? A) Sim, totalmente. B) Sim, mas preciso melhorar ainda mais. C) Talvez. D) Não, tenho dificuldades na disciplina. E) Não sei responder. 10 - Você é a favor do uso de materiais críticos-literários no ensino de Literatura? A) Sim, totalmente. B) Sim, porém, apenas nos cursos de licenciatura. C) Talvez. D) Não, pois, são materiais de difícil compreensão. E) Não, em minha opinião, o acesso a esses materiais deverá ser feito apenas para os interessados na especialização da disciplina. F) Não sei responder.