AVALIAÇÃO FINANCEIRA DAS COOPERATIVAS DE
CRÉDITO MUTUO DO ESTADO DE MINAS GERAIS1
Maria del Pilar Salinas Quiroga
Valéria Gama Fully Bressan
Marcelo José Braga
RESUMO
Este trabalho apresenta uma análise financeira das cooperativas de crédito mútuo no
estado de Minas Gerais, no período de 2001 a 2003. Os indicadores financeiros
utilizados no estudo estão divididos nos grupos de estrutura, solvência, despesas,
rentabilidade e crescimento, com definições extraídas do Manual da Austin Asis. Para
avaliar as diferenças no desempenho financeiro das cooperativas, de um ano para o
posterior, utilizou-se o teste t, a 5% de significância. De modo geral, os indicadores
informam que as contas de ativo e passivo encontram-se em equilíbrio, sendo possível
então concluir que as cooperativas de crédito mútuo de Minas Gerais encontram-se em
situação financeira estável.
Palavras-chave: cooperativas de crédito, avaliação financeira, indicadores financeiros.
1. INTRODUÇÃO
O crédito cooperativo tem sido um importante instrumento para promoção do
desenvolvimento econômico em vários países. É o caso do Japão e da Alemanha, onde
se estima que 35% do crédito tem por origem o sistema de cooperativas. Alguns bancos
europeus de porte internacional tiveram sua origem em cooperativas, como o Rabobank,
da Holanda; o DG Bank, da Alemanha; e a Caja Laboral Popular, da Espanha.
A importância da expansão das cooperativas de crédito está, acima de tudo, na
possibilidade de ampliar o acesso a financiamentos a quem hoje não é atendido pela
rede bancária e na promoção da desintermediação financeira.
No período 1994 a 2002, o número de cooperativas de crédito brasileiras, passou
de 946 para 1.428, representando crescimento de 51%, com 1,6 milhão de associados,
empregando 25 mil pessoas em 2.700 postos de atendimento. As operações de crédito
somaram R$ 4,1 bilhões o que, no entanto, representa uma participação bastante
modesta no volume de crédito do país: apenas 1,64% (GERANEGOCIOS, 2004).
Prover serviços financeiros básicos para a população de baixa renda tem sido um
desafio para todos os países. No Brasil, nada menos que 1.750 municípios não dispõem
de agências bancárias, afetando uma população de 40 milhões de brasileiros adultos. O
balanço disso mostra que 60% da rede urbana esta excluída do acesso a crédito
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2002).
A experiência mostra que o cooperativismo de crédito pode, de fato, constituirse em elemento estratégico de concorrência ao mercado financeiro tradicional. Ou seja,
nas localidades onde existe uma cooperativa de crédito forte, atuando eficientemente, a
cooperativa influencia o comportamento dos bancos, forçando-os a uma atuação mais
competitiva.
O cooperativismo de crédito no Brasil respondia, em dezembro de 2002, por
cerca de 1,94% das operações de crédito realizadas no âmbito da área bancária do
sistema financeiro nacional e possuíam 2,38% do patrimônio líquido total da área
bancária do sistema financeiro nacional. No Brasil, a participação das cooperativas de
1
Os autores agradecem o apoio financeiro recebido da FAPEMIG (Funadação de Amparo à Pesquisa do
Estado de Minas Gerais).
1
crédito no movimento financeiro nacional ainda é pequena frente, na .Alemanha as
cooperativas de crédito possuem cerca de 15 milhões de associados e, respondem por
cerca de 20 % de todo o movimento financeiro-bancário do país. Na Holanda o banco
cooperativa Rabobank atende a mais de 90% das demandas financeiras rurais. Nos EUA
há mais de doze mil unidades de atendimento cooperativo apenas no sistema CUNA
(Credit Union National Association), que reúne cooperativas de crédito mútuo do tipo
Desjardins. Além dessas, os banco cooperativos agrícolas, por sua parte, respondem por
mais de um terço dos financiamentos agropecuários norte-americanos (BANCO
CENTRAL DO BRASIL, 2003)
O setor cooperativo é de singular importância para a sociedade, na medida que
promove a aplicação de recursos privados e assume os correspondentes riscos em favor
da própria comunidade onde se desenvolve. Por representarem iniciativas diretamente
promovidas pelos cidadãos, são importantes para o desenvolvimento local de forma
sustentável, especialmente nos aspectos de formação de poupança e de financiamento de
iniciativas empresariais que trazem benefícios evidentes em termos de geração de
empregos e de distribuição de renda. Economias mais maduras já o utilizam, há muito
tempo, como instrumento impulsionador de setores econômicos estratégicos (BANCO
CENTRAL DO BRASIL, 2003)
1.1. AS COOPERATIVAS DE CREDITO E AS TRANSFORMAÇÕES NO
SISTEMA FINANCEIRO
Um conceito bastante simples de sistema financeiro, porém abrangente, foi dada
por CAVALCANTE (2002, p. 25) quando comenta ser o sistema financeiro “um
conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilita a transferência de
recursos dos ofertadores finais aos tomadores finais, e cria condições para que os títulos
e valores mobiliários tenham liquidez no mercado”.
A atividade de microcrédito é definida como aquela que, no contexto das
microfinanças, se dedica a conceder crédito para o financiamento de pequenos
empreendimentos e diferencia-se dos demais tipos de empréstimo essencialmente pela
metodologia utilizada, bastante diferente daquela adotada para as operações de crédito
tradicionais. É comumente entendida como principal atividade do setor de
microfinanças pela importância que tem junto às políticas públicas de superação da
miséria pela geração de trabalho e renda. Estima-se que existam, no Brasil, quase 14
milhões de pequenas unidades produtivas, potenciais demandantes de microcrédito, a
grande maioria delas formada por trabalhadores por conta própria, dos quais deduz-se
haver algo como seis milhões de potenciais clientes exercendo demanda efetiva no
montante aproximado de 11 bilhões de reais, cifra que, embora elevada, equivale apenas
a 1% do PIB do Brasil (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2003)
As recentes transformações no ambiente econômico têm impactado o Sistema
Financeiro Nacional (SFN), exigindo a busca de uma nova reconfiguração. A estrutura
e as funções do SFN vêm sendo atingidas pelas medidas de estabilização e
reestruturação da economia brasileira dos últimos oito anos, contemplando cinco
grandes transformações em andamento:
•
•
a abertura da economia ao comércio exterior e as mudanças de política industrial
visando a inserção mais competitiva dos produtos brasileiros nos mercados
emergentes;
corte de subsídios a vários setores produtivos, com repercussões sobre a distribuição
do crédito bancário e sua velocidade de retorno;
2
•
•
•
a redistribuição de gastos do setor público, em especial com a adoção da política de
estabilização fiscal (primeiro com o Fundo Social de Emergência e posteriormente
com o Fundo de Estabilização Fiscal);
a iniciativa de reformas no ordenamento constitucional do país, notadamente na
ordem econômica, na estrutura e funções do setor público, na organização
administrativa do estado e nos sistemas previdenciários; e, por fim,
processo de estabilização monetária, denominado Plano Real, com suas profundas
conseqüências para a dinâmica do sistema econômico e para o Sistema Financeiro
Nacional como um todo.
A longa convivência com a inflação possibilitou às instituições financeiras alto
índice de lucratividade proporcionado pelos passivos não remunerados, com os
depósitos à vista e os recursos em trânsito, compensando, durante outros mais de 15
anos, ineficiências administrativas e perdas decorrentes de concessões de créditos que se
revelaram, ao longo do tempo, de difícil liquidação (BANCO DO BRASIL,2001)
No período de inflação mais acentuada, as instituições brasileiras, como regra
geral, perderam a capacidade de avaliar corretamente riscos e analisar a rentabilidade de
investimentos, bastando, para auferir grandes lucros, especializar-se na captação de
recursos de terceiros e apropriar-se do denominado “imposto inflacionário”.
O processo de restauração da economia brasileira promoveu significantes
alterações no cenário em que atuavam as instituições financeiras.
A abertura da economia, com o incremento das importações e exportações, além
de exigir o desenvolvimento de produtos e serviços ágeis no mercado de câmbio,
revelou o grau de ineficiência de alguns setores industriais e comerciais, com baixa
lucratividade, que passou a refletir-se na incapacidade de recuperação de empréstimos
concedidos pelas Instituições Financeiras (BANCO DO BRASIL, 2001).
Além disso, as políticas monetária e fiscal restritivas seguidas a partir da
implementação do Plano Real contribuíram adicionalmente para as dificuldades
creditícias enfrentadas por alguns setores da economia, ainda que de forma passageira.
Todos esses fatos, conjugados com o desaparecimento do “imposto
inflacionário”, após a estabilização da economia, evidenciaram uma relativa
incapacidade de algumas instituições em promoverem espontânea e tempestivamente os
ajustes necessários para sua sobrevivência no novo ambiente econômico.
Para as cooperativas de crédito do Brasil, a partir de 1º de julho de 1994, com a
implantação da nova moeda, o real; a inflação em baixos níveis, a entrada de bancos
estrangeiros no mercado nacional, acirrou a concorrência entre as instituições
financeiras que prestam serviços bancários
1.2. A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO
As cooperativas enquanto empresas inseridas em uma economia de mercado
competitiva estão sujeitas a uma permanente avaliação de desempenho por parte de seus
associados, público, agentes financeiros, governo, concorrência, clientela e
fornecedores. Porém, a ótica analítica voltada puramente à avaliação da rentabilidade e
produtividade do capital é insuficiente para definir a eficiência econômica de uma
cooperativa. Nestas, a avaliação econômico-financeira está bem atrelada à sua
capacidade de prestar os serviços necessários e solicitados pelo conjunto do quadro
social.
Para OLIVEIRA (1996, p.6):
“As cooperativas são organizações onde o dono não tem um comportamento
capitalista puro, visando tão somente a remuneração de seu investimento. A
3
qualidade de associado, demanda um processo econômico mais complexo
para a cooperativa, visto que seus investimentos, estratégias e táticas
empresariais tem como referencial sua clientela primária e fundamental que
é o associado”.
Assim, as decisões empresariais nas cooperativas compreendem um universo
analítico mais amplo que o das demais empresas, pois o que está em jogo não é a
capacidade de acumulação, crescimento da empresa e conseqüente remuneração do
capital investido, mas a capacidade de acumulação e crescimento dos associados,
enquanto unidades produtivas e a remuneração de seu trabalho.
É próprio da cooperativa de crédito contribuir para o desenvolvimento da
economia local, promover a intermediação entre a poupança e as demandas por serviços
financeiros de uma mesma região - diferentemente do que ocorre com os bancos de
varejo - o que empresta ao cooperativismo de crédito importante papel na correção de
desigualdades regionais de uma maneira que não depende da interferência direta do
poder público. Quando se analisa essa situação do ponto de vista do grau de penetração
do cooperativismo de crédito na população economicamente ativa, constata-se uma
menor desigualdade, numa indicação de que o projeto como um todo precisa de ajustes
que estimulem seu crescimento (BANCO CENTRAL DO BRASIL,2003)
A confusão formada em torno da eficiência de cooperativas sob a ótica da
empresa capitalista tem se constituído em um grande entrave para a conscientização de
seus donos (associados).
Segundo OLIVEIRA (1996, p.8), “somente a eficiência da prestação dos
serviços e a consciência da defesa dos interesses econômicos comuns poderão levar os
associados a investirem espontaneamente nas cooperativas, visando sua estabilidade e
crescimento”.
Competindo em mercados dinâmicos e em crescimento contínuo, as
Cooperativas obrigam-se a extrair em seus negócios uma margem de rentabilidade que
possa manter sua capacidade estratégica de obtenção de tecnologia e acumulação de
capital.
Ser eficiente é uma exigência da atividade que as Cooperativas de Crédito
desenvolvem. A intermediação financeira, que tem como matéria-prima o dinheiro,
depósitos efetuados pelos cooperados e ao mesmo tempo repassados como, produto
final, empréstimos a outros cooperados. Esta atividade é muito sensível e não aceita a
má gestão.
Uma cooperativa que apresenta um bom desempenho econômico, no sentido
dinâmico, refere-se a conseguir resultados positivos, ou melhor dizendo, obter sobras as
quais refletirão positivamente no patrimônio líquido. Ao mesmo tempo, consegue um
bom desempenho financeiro que, no sentido dinâmico, refere-se à variação de caixa que
estaticamente representará o saldo de caixa no balanço patrimonial.
Uma cooperativa de crédito com as características citadas acima dificilmente
estará insolvente, apresentando um patrimônio líquido, negativo ou com o valor dos
Ativos menor que o valor de mercado do Passivo.
As cooperativas de crédito, atuando em um mercado altamente competitivo e por
questão de principio; não podem atuar como os bancos buscando sempre a maior
lucratividade possível para a sua manutenção e crescimento. Elas devem atender às
necessidades dos cooperados, e ao mesmo tempo garantir o seu desenvolvimento.
Estando no mesmo ambiente que os bancos as cooperativas de crédito, devem
obedecer às mesmas condições que os bancos obedecem na gestão de fundos que,
segundo SILVA (1998, p.589) são três, segurança, liquidez e estabilidade.
4
“Na prioridade da administração dos fundos, um banco deve enfocar
primeiramente a liquidez, visando ao atendimento às necessidades
previsíveis de recursos para atendimento dos saques de seus clientes (por
conta dos depósitos), bem como as solicitações de empréstimos. O segundo
objetivo é a segurança. Desse modo, o banco deve evitar riscos indevidos e
que ameacem os depósitos a ele confiado. Operações de créditos
imprudentes poderão prejudicar a reputação do banco e levá-lo à quebra. O
terceiro objetivo é a lucratividade que também não pode ser negligenciada.”
As cooperativas de crédito não devem negligenciar nenhum destes objetivos já
que a sua estabilidade no mercado depende diretamente de seu desempenho, já a terceira
condição, porém deve ser buscada com moderação para não desviarem do seu objetivo
central que é atender as necessidades financeiras de seus cooperados a um custo menor
que o de mercado.
Nesse contexto é que o crescimento do setor cooperativista de crédito é
considerado prioritário pelo Governo. O tema já vinha tendo a atenção quando o Banco
Central publicou a Resolução 3058, em dezembro de 2002. Tal Resolução representa
um grande avanço, na medida em que permite a associação de empreendedores de micro
e pequenas empresas a cooperativas de crédito, facilitando o acesso dessas empresas a
linhas de crédito em condições compatíveis com a sua realidade.
Portanto, entender o cooperativismo de crédito e o potencial desse instrumento
para o fortalecimento das pequenas e médias empresas, o setor agrícola e do trabalhador
que não tem acesso a crédito a juros mais acessíveis, é tarefa prioritária.
Observando toda a complexidade em que está envolvido o cooperativismo de
crédito, realizar uma análise de um grupo de cooperativas singulares é importante para
sabermos qual a situação econômica e financeira do sistema. Nesse sentido, o objetivo
do trabalho é Avaliar a partir da estrutura financeira, as situações econômica e
financeira das cooperativas de economia e crédito mútuo, filiadas à Central das
Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo de Minas Gerais (CECREMGE).
O trabalho está estruturado na forma que segue: inicialmente, faz-se uma revisão
das demonstrações financeiras; em seguida, são descritos os indicadores financeiros
utilizados no estudo, além do método de análise e da caracterização da amostra; por fim,
são apresentados os resultados, as conclusões e as sugestões para estudos posteriores.
2. METODOLOGIA
2.1 REFERENCIAL TÉORICO
A análise financeira de uma empresa para (SILVA, 1999, p.21):
Consiste num exame minucioso dos dados financeiros disponíveis sobre a
empresa, bem como das condições endógenas e exógenas, que afetam
financeiramente as empresas. Como condições endógenas podemos citar a
estrutura organizacional, a capacidade gerencial e o nível tecnológico da
empresa Como condições exógenas, temos os fatos de ordem político e
econômico, concorrência e fenômenos naturais, que em relação as
cooperativas de credito tiveram uma forte influência,
A contabilidade é um instrumento fundamental para auxiliar a administração
moderna, e tem como objetivo principal gerar informações para embasar as decisões a
serem tomadas. Para tal, identifica, registra, mensura, e possibilita a análise e predição
dos eventos econômicos que alterem o patrimônio de uma entidade. Uma organização
5
que não possua um sistema contábil, que seja eficaz na evidenciação das reais
oscilações de sua riqueza, não estará apta a garantir sua continuidade.
Para IUDÍCIBUS(1997, p.53), "o objetivo da contabilidade, pode ser resumido
no fornecimento de informações para vários usuários, de forma que propiciem decisões
racionais, envolvendo aspectos de produtividade e os aspectos sociais."
Entende-se assim que, as informações, geradas pela contabilidade e apresentadas
através de relatórios financeiros, são as ferramentas imprescindíveis para a visualização
da situação passada, atual e, principalmente, futura, garantindo dessa forma, aos
usuários e gestores, informações e decisões tomadas com um grau maior de
confiabilidade.
MATARAZZO(1998, p.29) constata que "o diagnóstico de uma empresa quase
sempre começa com uma rigorosa Análise de Balanços, cuja finalidade é determinar
quais os pontos críticos e permitir, de imediato, apresentar um esboço das prioridades
para a solução de seus problemas".
Para IUDÍCIBUS(1998, p.20-21) a análise de balanços é definida como "a arte
de saber extrair relações úteis, para o objetivo econômico que tivermos em mente, dos
relatórios contábeis tradicionais e de suas extensões e detalhamentos, se for o caso".
Existe na análise de balanços algumas particularidades a serem consideradas
como os indicadores a serem utilizados, o conhecimento técnico, a experiência e muitas
vezes a própria intuição de quem está realizando a análise.
Portanto, a análise compreende o estudo das relações entre elementos
patrimoniais, econômicos e financeiros contidos nos relatórios e nas demonstrações
contábeis.
A análise de balanços é um processo de decomposição de um todo
(demonstrações contábeis) em partes menores para o entendimento do todo ou
identificação de suas características positivas ou negativas.
Nessa perspectiva, percebe-se que a análise de balanços não só permite uma
visão da estratégia e dos planos da empresa analisada como também estimar o seu
futuro, suas limitações e suas potencialidades. Apresenta-se, portanto, como sendo de
primordial importância, para todos que pretendam relacionar-se com uma empresa, quer
como fornecedores, financiadores, gestores, empregados e sócios.
Tornar informações contábeis compreensíveis e úteis à cooperativa é papel da
contabilidade. Por isso, é necessário adequá-la à necessidade de cada usuário. Mas em
função do número de usuários da contabilidade ser bastante diversificado, torna-se
quase impossível esse procedimento.
Busca-se, então, nas técnicas de análise de balanços, através da avaliação do
desempenho econômico e financeiro, tornar essas informações mais elucidativas, de
modo que atendam genericamente a um maior número de usuários possível.
Essa análise não se resume a um mero instrumento de verificação da
capacidade de solvência e liquidez das empresas, mas torna-se mais importante quando
aplicada para avaliar a eficiência empresarial das organizações (FERREIRA, 1999).
De modo geral, os balancetes semestrais das cooperativas de crédito mutuo no
Estado de Minas Gerais apresentam a seguinte estrutura nas contas de ativo, passivo e
contas de resultados - credoras e devedoras.
A partir dessas demonstrações financeiras é possível verificar as relações entre
as contas de ativo e passivo da cooperativa, e como a cooperativa obteve os resultados
apresentados no balanço patrimonial. As contas de ativo representam todos os direitos
que a cooperativa possui, desde recursos em caixa, a receber no curto e no longo prazos,
a recursos que constituem o permanente. Por outro lado, as contas de passivo
6
demonstram o volume de recursos próprios e os que as cooperativas captam de
terceiros, ou seja, suas obrigações a cumprir, tanto no curto como no longo prazo.
2.2 INDICADORES FINANCEIROS
O Índice “é a relação entre contas ou grupos de contas das Demonstrações
Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou
financeira de uma empresa” (MATARAZZO 1998, p.153).
Os indicadores financeiros utilizados no estudo, descritos no Quadro 1, foram
retirados, em parte, do Manual de Análise de Austin Asis. A Austin Asis é a principal
empresa de avaliação de crédito e risco de instituições financeiras, empresas e
seguradoras da América Latina. Fundada em 1986, a Austin foi pioneira em
classificação de risco de crédito - "rating" - de bancos e empresas no Brasil. Uma parte
deste manual apresenta indicadores financeiros para análise de bancos.
Quadro 1 – Indicadores financeiros empregados na análise das cooperativas
INDICADOR
FÓRMULA
Estrutura
Capitalização
Patrimônio Líquido/ Passivo Real
Imobilização
Ativo Permanente/ Patrimônio Líquido
Capital de Giro
Patrimônio Líquido – Ativo Permanente/ Patrimônio Líquido
Alavancagem
Captação Total/ Patrimônio Líquido
Solvência
Encaixe
Disponibilidade/ Depósitos a Vista
Cobertura Voluntária
Disponibilidade/ Passivo Real
Liquidez Geral
Ativo Circulante e realizável a longo prazo/ Passivo circulante e exigível a
longo prazo
Operações de Crédito/ Patrimônio Líquido
Volume de Crédito em relação ao
Patrimônio Líquido
Despesa
Despesa de Pessoal
Despesa de Pessoal / Captação Total
Despesa Administrativa
Despesa Administrativa/ Captação Total
Despesa Total
Despesa Total/ Captação Total
Rentabilidade
Geração de Renda
Receitas Operacionais/ Ativo Real – Ativo Permanente
Crescimento
Aplicações Totais
Aplicação total do último período/ aplicação total do período anterior
Captações Totais
Captação total do último período/ captação total do período anterior
Receita Operacional
Receita operacional do último período/ Receita operacional do período
anterior
Indicadores utilizados nos cálculos anteriores
Ativo Real
Ativo total – Relações interfinanceiras – Relações interdependências
Passivo Real
Passivo total – Relações interfinanceiras – Relações interdependências
Aplicação Total
Ativo Real – Ativo Permanente – Diversos
Captação Total
Passivo Real – Patrimônio Líquido – Diversos
Fonte: Manual da empresa Austin Asis, adaptado.
Não foram utilizados todos os indicadores, por existir diferença entre as contas
dos balanços das cooperativas de crédito rural e as mencionadas no manual. Desse
modo, adequaram-se os indicadores em conformidade com as contas contábeis
7
disponíveis. A sugestão de utilizar esse manual foi extraída dos trabalhos de Matias e
Siqueira (1996) e Rocha (1999).
2.3 MÉTODO DE ANÁLISE
Com o intuito de comparar os indicadores financeiros das Cooperativas de
Crédito Mutuo no decorrer dos anos de 2001 a 2003, procedeu-se da seguinte forma:
a) primeiramente calcularam-se a média e o desvio-padrão para cada indicador
financeiro;
b) com base na média, somaram-se e subtraíram-se dois desvios-padrão,
retirando-se, assim, os outliers ;
c) calculou-se, novamente, a média dos indicadores; e
d) com base nesta segunda amostra, utilizou-se o teste t .
As cooperativas classificadas como insolventes foram aquelas que fecharam, e,
ou, que tiveram patrimônio líquido ajustado negativo, e, ou, o mínimo de 40% de
resultados finais negativos, no período de Julho de 2001 a Julho de 2003, e as que não
apresentavam características foram classificadas como solventes.
2.4 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
Os indicadores financeiros utilizados neste estudo foram calculados com base
nos balancetes semestrais, de dezembro de 2001, julho de 2002, dezembro de 2002 e
julho de 2003, das Cooperativas de Crédito Mutuo filiadas à Central das Cooperativas
de Economia e Crédito Mútuo de Minas Gerais (CECREMGE). Os dados foram
fornecidos pela CECREMGE, envolvendo as 122 cooperativas filiadas, entretanto, não
foram disponibilizados os nomes das cooperativas, com o intuito de preservar o sigilo
bancário.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 INDICADORES FINANCEIROS DE ESTRUTURA
Os indicadores de capitalização, imobilização, capital de giro e alavancagem
compõem o grupo de estrutura. A capitalização informa a relação entre o valor do
patrimônio da cooperativa e suas obrigações. O crescimento das empresas é dependente
da forma como se estrutura o seu capital. Para se expandir as empresas necessitam de
capital, seja de origem próprio ou de terceiros. E importante que os cooperados avaliem
esse indicador, pois, quanto maior a capitalização melhor a situação financeira da
cooperativa. A maneira pela qual a empresa organiza esta necessidade de capital se
denomina estrutura de capital, é esta nos indica as proporções de financiamento com
capital próprio e capital de Terceiro de curto e de longo prazo, nas cooperativas existem
diferentes formas de aumentar este índice. Uma das formas de aumentar a capitalização
é aumentar o patrimônio líquido por meio de integralização de capital por parte dos
cooperados, ou integrar as sobras ao capital social da cooperativa. Fazer destinações ao
fundo de reserva legal e ao fundo de assistência técnica educacional e social também
aumenta o indicador de capitalização.
De acordo com o (Tabela 1), a capitalização das cooperativas solventes de
crédito mutuo do estado de Minas Gerais, no período de 2001 a 2003, ficou em media
de 0,24 nas cooperativas solventes, ou seja, os recursos que foram transformados em
patrimônio representaram, em média 24%, dos recursos disponíveis.
8
Uma participação de 76 % de capital de terceiros em relação ao capital próprio
torna as cooperativa vulnerável a qualquer intempérie. Entretanto, cabe ressaltar que
esses valores correspondem à média das cooperativas, o que, necessariamente, não
indica que todas elas obtiveram esse patamar da capitalização, ou seja algumas
cooperativas tiveram maior índice de capitalização. É importante investigar o equilíbrio
entre essas duas origens de fundos, a fim de assegurar perfeita harmonia na estrutura de
capitais da empresa.
Uma determinada estrutura de capital pode maximizar as receitas da cooperativa
e servir como uma excelente ferramenta de alavancagem financeira, é este equilíbrio
que se tem que procurar.
De acordo com o teste t realizado, a média do indicador de capitalização foi
estatisticamente diferente da média do mesmo indicador para cooperativas insolventes
(Tabela 2), dado que o t calculado (-6,67) foi maior que o valor crítico para o teste t
unicaudal (1,65), ou seja, se rejeitou a hipótese nula, informando que existem diferenças
entre as amostras de cooperativas, com base nos dados semestrais de junho de 2001a
junho de 2003, para o indicador de capitalização.
As cooperativas que foram classificadas como insolventes possuíam
capitalização inferior às solventes, o que era esperado (Tabela 1). A média de
capitalização desse grupo de cooperativa foi de 0,07 que mostra a total dependência da
cooperativa de capital externo.
Tabela 1 - Indicadores de estrutura das Cooperativas de Crédito Mutuo do Estado de
Minas Gerais, no período de 2001 a 2003
Indicadores
Média
Variância
Solventes
Insolventes
Solventes
Capitalização
Imobilização
0,24
0,20
0,07
0,87
0,13
1,58
Capital de giro
Alavancagem
0,80
11,35
0,16
40,39
1,58
2419,37
N.º de observações
Insolventes
Solventes
Insolventes
0,01
3,30
265
265
81
80
3,30
7573,91
265
266
80
80
Fonte: Resultados da Pesquisa
Tabela 2 - Resultados do teste t realizado para os indicadores de estrutura das
cooperativas de Crédito Mútuo do Estado de Minas Gerais, no período de
2001 a 2003
Indicadores
Capitalização
Imobilização
Capital de giro
Alavancagem
Estatística t
P(T<=t)
unicaudal
T crítico unicaudal
GL
Presumiu-se
variâncias
-6,67
2,97
-2,97
2,85
0,00
0,00
0,00
0,00
1,65
1,66
1,66
1,66
339
103
103
95
Diferente
Diferente
Diferente
Diferente
H0:µS=µI HA:µS≠µI 2
Rejeita-se
Rejeita-se
Rejeita-se
Rejeita-se
Fonte: Resultados da Pesquisa
S = cooperativas solventes; I = cooperativas insolventes; P = probabilidade; GL = graus de liberdade.
Na análise do indicador de imobilização, constatou-se que nas cooperativas de
crédito mutuo, no período de 2001 a 2003, apresentaram índice médio de imobilização
9
H0
H0
H0
H0
em torno de 0,20 ou seja, o ativo permanente correspondia a 20 % do patrimônio líquido
dessas cooperativas.
De acordo com o teste t realizado, a média do indicador de Imobilização foi
estatisticamente diferente da média do mesmo indicador para cooperativas insolventes
(Tabela 2), dado que o t calculado (2.97) foi maior que o valor crítico para o teste t
unicaudal (1,66), ou seja, rejeitou-se a hipótese nula, informando que existem diferenças
entre as amostras de cooperativas
KANITZ (1978) destacou que o mais importante nesse indicador de
imobilização é a variação de um ano para o outro, que é muito acentuado no caso de
empresas falidas. Informou que a imobilização em si não é, necessariamente, fator de
insolvência de uma empresa, mas sim a rapidez do processo de imobilização.
O percentual de imobilização deve ser comparado com o tamanho da
cooperativa. De modo geral, cooperativas maiores têm maiores condições de possuir
ativo permanente maior, em compensação, também podem possuir um Patrimônio
Líquido (PL) maior; já nas cooperativas menores a relação é oposta, há menor ativo
permanente e menor PL, de modo que a imobilização deva ser avaliada de acordo com a
situação de cada cooperativa. Mas ter seu ativo total, todo em ativo permanente
certamente não é recomendável, como também dificulta as operações financeiras, pois é
essencial para cooperativa manter recursos para movimentação.
De acordo com as normas do Banco Central do Brasil, o total de recursos
aplicados no Ativo Permanente (imobilizações) não pode passar de 70% do valor do
patrimônio líquido das instituições financeiras e das demais instituições autorizadas a
funcionar pelo Banco Central do Brasil (RESOLUÇÕES: Res. 2.283, art. 3.o, parágrafo
1, art. 4.o; Res. 2.669, artigos 1.o, 3.o e 4.o; Res. 2.802, art. 4.o).
KANITZ (1978) destacou que quando o ativo permanente for 100% maior que
o patrimônio líquido, a empresa estará se descapitalizando perigosamente e abrindo
caminho para a insolvência, mesmo que tenha lucros elevados.
Conforme as afirmações acima, pode-se constatar que as Cooperativas de
Crédito Mútuo não se encontram com problemas financeiros em razão de sua
imobilização, visto que, o percentual de imobilização permaneceu estável e este
indicador não é superior a (0,70).
O indicador de capital de giro das cooperativas informa o quanto a cooperativa
tem disponível de capital próprio para sua movimentação financeira, ou seja, demonstra
o quanto de recursos próprios as empresas possuem, descontando-se os valores em
permanente, pois a conversibilidade desses ativos não é rápida.
A Liquidez de uma empresa é medida pela sua capacidade de satisfazer suas
obrigações de curto prazo, na data de vencimento. Embora o conceito de insolvência vá
além dos problemas de liquidez no curto prazo, o inadimplemento é usualmente o seu
primeiro sintoma. De fato, embora em muitos casos a compreensão do desenho
econômico de uma empresa permita prever a insolvência futura, ou pelo menos a
possibilidade de que ela ocorra, podemos dizer que, freqüentemente, o mercado, e
mesmo seus administradores, só se dão conta da possibilidade de insolvência quando os
primeiros sintomas de baixa liquidez aparecem.
De acordo com KANITZ (1978), as empresas financeiramente sólidas, em geral,
dispõem de recursos próprios suficientes para financiar pelo menos uma parcela de seus
investimentos em ativo fixo e, ainda, parte de seu capital de giro. As empresas
insolventes, porém, tendem a trabalhar, exclusivamente, com capital de terceiros.
O indicador de capital de giro no período em questão das cooperativas
solventes ficou em (0,80) e nas insolventes de (0,16),. Estatisticamente, esse valor foi
considerado diferente, com base no tese t calculado que é de(-2.97) que foi maior que o
10
valor crítico para o teste t unicaudal (1,66), mostrando que a hipótese nula foi rejeita,
destacando desta maneira a diferença entre as medias das solventes e insolventes(Tabela
1 e 2).
As empresas financeiramente sólidas, em geral, dispõem de recursos próprios
suficientes para financiar, pelo menos, parcela de seus investimentos em ativo fixo e,
ainda, parte de seu capital de giro. As empresas insolventes, porém, tendem a trabalhar,
exclusivamente, com capital de terceiros (KANITZ, 1978).
Pode-se constatar que as Cooperativas de Crédito Mútuo solventes possuem, em
média, bom capital de giro, ou seja, possuem recursos próprios para movimentação
financeira, além de o grau de imobilização encontrar-se em faixa aceitável pelo Banco
Central do Brasil.
O indicador de alavancagem mostra a relação entre o volume de recursos de
terceiros em relação aos recursos próprios. Então, quanto maior esse indicador, maior
será o volume de capital de terceiros aumentando desta forma o risco. Por outro lado,
com maior volume de capital, há maiores possibilidades de retorno, no entanto, esse
fator positivo dependerá da administração da cooperativa.
KANITZ (1978) destacou que esse indicador é outra forma de medir o
endividamento da empresa. Neste caso, o endividamento é visto como benéfico, uma
vez que aumenta a força do empresário na obtenção de lucro para a empresa. Constatouse que em décadas passadas, de fato, as empresas brasileiras aproveitaram os recursos
de terceiros para obter maiores lucros, ajudadas pelos efeitos da inflação. No entanto, na
atual conjuntura, esse cenário de alta inflação mudou, visto que maior grau de
alavancagem financeira coloca a empresa em pior situação financeira, guardando, nas
devidas proporções, os aspectos administrativos, que, como comentado, podem reverter
esse quadro em maior rentabilidade.
Os indicadores de alavancagem nas cooperativas solventes e insolventes
apresentaram médias de 11,35 e 40,39, respectivamente, no período de junho de 2001 a
junho de 2003 (Tabela 1). Estatisticamente se pode observar que o teste t calculado
(2,85) foi maior que t crítico para o teste unicaudal (1,66), por tanto se rejeita a hipótese
nula, ou seja, pode se afirmar que as médias das cooperativas solventes e insolventes
foram estatisticamente diferentes.
No período de 2001 a 2003 a alavancagem das cooperativas solventes foi onze
vezes maior que o PL. Tendo em vista que quanto maior a alavancagem, maior o risco,
pode-se dizer que, por meio desse indicador, as cooperativas, em média, encontram-se
em situação financeira difícil, pois estão demandando muitos recursos de terceiros, o
que ás deixa mais vulneráveis do desejado, sendo que o risco nas instituições financeiras
é muito suscetível as mudanças do mercado.
3.2 INDICADORES FINANCEIROS DE SOLVÊNCIA
Nesse grupo serão avaliados os indicadores encaixe, cobertura voluntária,
liquidez geral e volume de crédito, em relação ao patrimônio líquido, das cooperativas
de crédito mutuo do Estado de Minas Gerais.
O indicador de encaixe demonstra o quanto de recursos a cooperativa tem
disponível, em relação aos depósitos a vista. A conta disponibilidades representa os
recursos que compõem o ativo da cooperativa e os depósitos pertencem ao passivo,
ambas as contas são de curto prazo.
Este indicador permitirá verificar, no caso de algum cooperado precisar de
algum recurso imediato, se a cooperativa terá condições de atendê-lo em função de seus
11
depósitos a vista. É importante, então, que os dirigentes estejam atentos a essa relação
de contas, para que possam atender aos associados eficientemente.
Os valores médios observados para o indicador de encaixe das cooperativas
solventes foram, em média, maiores que os das cooperativas insolventes,
estatisticamente comprovados pela realização do teste t, a 5% de significância, onde o t
calculado(-3,14) e maior que o t tabelado (1,65) para o teste unicaudal, por tanto se
rejeita a hipótese nula, ou seja, pode se afirmar que as médias das cooperativas
solventes e insolventes foram estatisticamente diferentes (Tabela 4).
A média de disponibilidades sobre depósitos a vista foi de 2,17, nas cooperativas
solventes, e de 0,98, nas insolventes (Tabela 3). As disponibilidades são contas de
ativos, depósitos a vista, e contas de passivo, o que indica que as cooperativas solventes,
em relação às insolventes, possuíam maiores valores em direitos que obrigações, ou
seja, estavam em melhor situação financeira.
De modo geral, o indicador de encaixe das cooperativas de crédito de Minas
Gerais indica situação financeira boa, porque estas conseguem atender às demandas de
curto prazo; entretanto, é sempre importante avaliar não apenas a situação no curto, mas
também no longo prazo, pois o cenário de curto prazo não reflete necessariamente, a
avaliação de toda a empresa.
Tabela 3 - Indicadores de solvência das Cooperativas de Crédito Mutuo do Estado de
Minas Gerais, no período de 2001 a 2003
Indicadores
Média
Variância
N.º de observações
Solventes
Insolventes
Solventes
Insolventes
Solventes
Insolventes
2,17
0,04
5,65
0,98
0,05
1,04
11,79
0,00
121,36
6,08
0,00
0,07
173
265
261
80
81
80
1,92
6,04
42,68
190,95
266
80
Encaixe
Cobertura Voluntária
Liquidez geral
Volume de crédito em
relação ao PL
Fonte: Resultados da Pesquisa
Tabela 4 - Resultados do teste t realizado nos indicadores de solvência das Cooperativas
de Crédito Mutuo do Estado de Minas Gerais, no período de 2001 a 2003
Indicadores
Estatística t
P(T<=t)
unicaudal
T crítico
unicaudal
GL
Presumiu-se
variâncias
H0:µS=µI
HA:µS≠µI
Encaixe
Cobertura voluntária
Liquidez geral
Volume de crédito em
relação ao PL
(3,14)
0,29
(6,76)
0,00
0,38
0,00
1,65
1,65
1,65
208
344
261
Diferentes
Equivalentes
Diferentes
Rejeita-se
H0
Não rejeita-se H0
Rejeita-se
H0
2,58
0,01
1,66
90
Diferentes
Rejeita-se
Fonte: Resultados da Pesquisa
S = cooperativas solventes; I = cooperativas insolventes; P = probabilidade; GL = graus de liberdade.
A cobertura voluntária retrata o volume de disponibilidades em relação ao
passivo real e, por ser formado pela subtração do passivo total, menos relações
interfinanceiras, interdependências, enquanto o passivo real informa, de acordo com o
balanço das cooperativas, o que elas realmente possuem em depósitos, outras
obrigações e patrimônio líquido.
12
H0
Desse modo, a cobertura voluntária demonstra o quanto de recursos as
cooperativas dispõem no curto prazo, em relação ao volume de capital das cooperativas
e de valores que possuem em depósitos e outras obrigações, ou seja, o volume de ativos
de curto prazo em relação ao passivo real.
As cooperativas solventes apresentaram valor médio de 0,04, o que implica que
as disponibilidades representavam 4% do passivo real. Estatisticamente se pode
observar que as médias das cooperativas solventes e insolventes, em relação à cobertura
voluntária, foram estatisticamente equivalentes com base com teste t, a 5% de
probabilidade e que o teste t calculado (0,29) foi menor que t crítico para o teste
unicaudal (1,65), por tanto se não se rejeita a hipótese nula(Tabela 4).
O indicador de liquidez, de modo geral, é calculado com base em contas
contábeis que retratam informações de curto prazo; no entanto, nos balanços e
balancetes das cooperativas de crédito mutuo do Estado de Minas Gerais não foi,
realizada esta distinção entre curto e longo prazo. Dessa forma, avaliou-se a relação
entre direitos e obrigações tanto no curto como longo prazo, denominada de liquidez
geral.
A liquidez mede a capacidade das empresas de honrarem seus compromissos.
Segundo KANITZ (1978), esse índice, em geral, não é um bom preditor de insolvência.
Para esse autor, talvez esta seja uma das mais importantes conclusões do seu trabalho,
pelo menos do ponto de vista prático, devido à grande importância depositada neste
índice por parte dos analistas brasileiros. Para o BANCO CENTRAL DO BRASIL
(2001), o risco de liquidez de um banco decorre da sua capacidade de promover
reduções em seu passivo ou financiar acréscimos em seus ativos. Quando um banco
apresenta liquidez inadequada, perde a capacidade de obter recursos, seja por meio de
um aumento de seus exigíveis, seja pela pronta conversão de seus ativos, a custos
razoáveis, afetando, assim, a rentabilidade. Dessa forma, a finalidade da administração
de liquidez é assegurar que o banco seja capaz de cumprir, integralmente, todos os seus
compromissos contratuais.
A media do índice de liquidez geral das cooperativas de crédito mútuo no
período em questão ficou em 5,65. Isso indica que o volume de direitos e muito maior
quando comparado ao volume de obrigações, o que indica um bom desempenho
financeiro já que assinala que, as cooperativas de crédito mútuo possuem maiores
valores em ativo circulante e realizável no longo prazo, do que passivo circulante e
exigível no longo prazo.
Porém, não se pode fazer uma afirmação precisa a respeito da situação financeira
com base nesse indicador de liquidez geral, pode parecer a primeira vista, que quanto
maior o índice, melhor a situação financeira, mas o crescimento excessivo dos
quocientes de liquidez pode indicar sérias dificuldades em relação à estrutura dos
negócios, por isto seria recomendado fazer uma análise qualitativa desse índice em
razão da estrutura e da composição dos ativos das cooperativas em relação às outras
instituições financeiras similares.
Como a situação de insolvência caracteriza-se por um estado de dificuldade
financeira, é coerente que as cooperativas solventes possuam mais direitos que
obrigações, e que a recíproca seja verdadeira.
Os indicadores de liquidez geral nas cooperativas solventes e insolventes
apresentaram médias estatisticamente diferentes com base no teste t, a 5% de
significância, dado que o t calculado (-6,76) foi maior que o valor crítico para o teste t
unicaudal (1,65) (Tabela 4).
O indicador de volume de crédito em relação ao patrimônio líquido avalia
volume de crédito que está sendo concedidos aos associados, relacionados com o
13
patrimônio líquido das cooperativas, que permite verificar, em caso de não
cumprimento das obrigações por parte dos associados, se a cooperativa teria como
manter-se no mercado, dado seu volume de patrimônio.
As perdas esperadas podem ser consideradas como uma variável intrínseca às
atividades da instituição, sendo tidas como o valor esperado da distribuição das perdas.
Perdas dessa natureza devem ser cobertas por provisões adequadas. Perdas inesperadas,
em valores superiores às esperadas, estão diretamente ligadas às incertezas do negócio.
A estimativa dessas perdas passa pela determinação de uma taxa de insolvência que
usualmente a instituição deseja para a empresa.
Para que as cooperativas não sejam pegas de surpresa em relação à
inadimplência, precisam fazer provisões dos créditos vencidos e não liquidados.
Seguindo normas do Banco Central, a partir de 15 dias de inadimplência de um
contrato, a cooperativa deve provisionar 0,5% do valor financiado. Depois de 30 dias
ela deve provisionar 3% e, a partir daí, o percentual provisionado vai aumentando até os
seis meses após o vencimento do contrato, quando 100% do valor do financiamento
deve estar provisionado.
O aumento da inadimplência faz com que quanto maior essa relação, maior a
exposição da cooperativa às dificuldades financeiras, podendo chegar ao estado de
insolvência. A conta operações de crédito é uma das principais contas que devem ser
analisadas na estrutura financeira das cooperativas.
A média deste indicador nas cooperativas solventes e insolventes
respectivamente no período de 2001 a 2003, situou-se em torno de 1,9 e 6,04,
mostrando que o volume de crédito concedido aos associados representa
aproximadamente duas vezes o PL no caso das cooperativas solventes. Este valor indica
que as operações de crédito estão maiores que o patrimônio líquido, caso não sejam
cumpridos os prazos de pagamentos, junto à cooperativa, possivelmente a cooperativa
estará entrando em dificuldade financeira.
As médias dos indicadores de volume de crédito em relação ao patrimônio
líquido nas cooperativas solventes e insolventes foram estatisticamente diferentes, de
acordo com o teste t a 5% de significância, que mostra que o t calculado(2,58) e maior
que o valor crítico para o teste t unicaudal (1,66) por tanto se rejeita a hipótese
nula(Tabela 4).
3.3 INDICADORES ECONÔMICO-FINANCEIROS DE CUSTO E DESPESA
Dentro desse grupo de indicadores serão avaliadas as despesas totais, de pessoal
e administrativas.
O volume de despesa é um fator importante em todas as empresas e este deve ser
compatível com o valor das receitas, para evitar problemas financeiros. As despesas e os
custos são inerentes a todas as atividades econômicas, estas contribuíram para a
consumação das operações realizadas no período, representas gastos incorridos com as
áreas comercial, administrativa e financeira para obtenção das receitas operacionais do
período, independente de terem sido pagos ou não.
A captação total, em síntese, representa os valores que as cooperativas obtiveram
em decorrência de suas operações com depósitos. Com essa relação, pode-se avaliar o
potencial da cooperativa em cumprir suas despesas, em razão dos valores de sua
captação total.
Tabela 5 - Indicadores de custo e despesa das Cooperativas de Crédito Mútuo no Estado
de Minas Gerais, no período de 2001 a 2003
Indicadores
Média
Variância
14
N.º de observações
Solventes
Insolventes
Solventes
Insolventes
Solventes
Insolventes
0,02
0,05
0,09
0,02
0,06
0,14
0,00
0,02
0,06
0,00
0,00
0,02
266
266
266
81
81
81
Desp. de Pessoal
Desp. administr.
Despesa total
Fonte: Resultados da Pesquisa
Tabela 6 - Resultados do teste t realizado nos indicadores de custo e despesa das
Cooperativas de Crédito Mutuo do Estado de Minas Gerais, no período de
2001 a 2003
Indicadores
Estatística t
P(T<=t)
unicaudal
T crítico
unicaudal
GL
0,45
1,46
2,05
0,33
0,07
0,02
1,65
1,65
1,65
252
312
345
Desp. de Pessoal
Desp. Administr.
Despesa total
Fonte: Resultados da Pesquisa
Presumiu-se
variâncias
Diferente
Diferente
Diferente
H0:µS=µI
HA:µS≠µI
Não rejeita-se H0
Não rejeita-se H0
Rejeita-se
H0
O indicador de despesa total engloba todas as despesas das cooperativas de
crédito mútuo do Estado de Minas Gerais. No período de 2001 a 2003, o percentual de
despesa total em relação à captação total foi de 9.39% De modo geral, como
representam, em média, apenas 9.39% da captação total, as despesas totais não indicam
problemas financeiros decorrentes do volume de despesas, mas informam que possuem
estrutura de custos relativamente enxutas.
As Medias das cooperativas solventes e insolventes nesta situação se mostram
diferentes, com base no teste t, a 5%de significância, que mostra que o t calculado
(2,05) e maior que o valor crítico para o teste t unicaudal (1,65) (Tabela 4).
O indicador de despesa de pessoal contempla gastos com proventos, encargos
sociais (F.G.T.S, previdência social, e outros), remuneração de estagiários, etc.
O percentual de despesas de pessoal em relação à captação total foi de 2%, no
período de 2001 a 2003 nas cooperativas solventes e insolventes, o que indica que essas
cooperativas, em média, não comprometem sua estrutura financeira com gastos de
pessoal. As médias das amostras de despesas de pessoal, foram estatisticamente iguais
nas solventes e insolventes com base no teste t, a 5% de significância, que mostra que o
t calculado(0,45) e menor que o valor critico para o teste t unicaudal (1,65) por tanto
não se rejeita a hipótese nula(Tabela 6).
As despesas administrativas contemplam os gastos gerais da cooperativa com
água, energia, aluguel, comunicação, materiais, seguros, honorários dos conselhos fiscal
e administrativo, entre outros. O importante é manter um controle desses gastos, de
modo que não sobrecarreguem as despesas administrativas com itens que poderiam ser
economizados. É importante também que as gratificações e os salários sejam
compatíveis com a capacidade de pagamento da cooperativa, visando manter a saúde
financeira desta. Quanto maior o indicador, maior acréscimo terá de haver na taxa de
captação total. Para um aumento da captação é necessário aumento na taxa de captação
junto aos cooperados. No entanto, será necessário o repasse de tais taxas para os
cooperados inadimplentes, ou seja, de maior risco, e que se sujeitassem a pagá-las. Para
o indicador de despesa administrativa e ficaram em torno de 5% da captação total nas
solventes e 6% nas insolventes. Como esse percentual é relativamente baixo, não
compromete a estrutura financeira das cooperativas. As médias das amostras de
despesas de administrativas foram estatisticamente iguais com base no teste t, a 5% de
significância, que mostra que o t calculado(1,46) e menor que o valor crítico para o teste
t tabelado unicaudal (1,65) por tanto não se rejeita a hipótese nula(Tabela 6).
15
3.4 INDICADORES ECONÔMICO-FINANCEIROS DE CRESCIMENTO
No trabalho de MATIAS e SIQUEIRA (1996), o crescimento da captação total
foi um dos indicadores que determinaram a insolvência bancária. Deduz-se que quanto
maior for a taxa de crescimento da captação, maior será a percepção da crescente
necessidade de recursos e, provavelmente, maior será a taxa exercida pelos fornecedores
de recursos, notadamente interbancários.
Os indicadores de crescimento, da aplicação total, da captação total e da receita
operacional, que serão avaliados a seguir, permitem verificar como está o
comportamento financeiro das cooperativas.
No período de 2001 a 2003, as cooperativas classificadas como solventes
tiveram crescimento da captação total, em média, de 1,14, já as cooperativas
insolventes, em média, apresentaram uma media de 1,12 de captação total. Constata-se
que tanto as cooperativas solventes quanto as insolventes não tiveram percentuais
relevantes, em termos de aumento da captação total, de modo que não exerceram
pressão no mercado financeiro.
As média das amostras de cooperativas solventes e insolventes para o indicador
de crescimento da captação total mostram-se estatisticamente iguais, constatou-se pelo
teste t a 5% de significância, que o t calculado (-0,39) e menor que o teste t unicaudal
(1,65) por tanto não se rejeita a hipótese nula, (Tabela 8).
A receita operacional indica o quanto as cooperativas estão obtendo de receitas
provenientes de suas operações com associados. Quanto maior a receita operacional,
melhor para as cooperativas para os cooperados. No entanto, é importante destacar que,
como eles são os associados, ao mesmo tempo que pagam as taxas cobradas pelas
cooperativas, também são donos. há interesse de manter um equilíbrio entre as taxas
cobradas e as receitas necessárias para cobrir com os gastos operacionais
Se a empresa não consegue obter um retorno que seja maior que seu custo de
capital, isso pode ser interpretado como inadimplência. É provável que retornos
negativos ou baixos, a menos que sejam remediados, eventualmente resultam em um
dos seguintes tipos mais sérios de fracassos.
O ideal para as Cooperativas é conseguir criar condições para atender às
necessidades dos cooperados a um menor custo possível o que torna necessário a
redução de todos os gastos a um limite que os serviços prestados não percam qualidade,
Para uma melhor eficiência em sua gestão as cooperativas necessitam de um
bom desempenho econômico e financeiro. Porém seu desempenho social deve também
ser avaliado, em função destas entidades serem dependentes do sucesso deste para
atingirem seus objetivos sociais.
As cooperativas solventes em media no período de 2001 a 2003, apresentaram
um índice de crescimento da receita operacional de 12%, pois a média desse grupo de
cooperativas foi 1,12. Já nas insolventes, constatou-se um crescimento da receita
operacional de 7 %. Entretanto, verificou-se, por meio do teste t, a 5% de significância,
que as médias do crescimento da receita operacional nas cooperativas solventes e
insolventes foram estatisticamente iguais, dado que o valor t observado
(-1,09) foi
menor que o valor crítico para o teste t unicaudal (1,65), não se rejeitando a hipótese
nula (Tabela 8).
Tabela 7 - Indicadores de crescimento das Cooperativas de Crédito Mutuo do Estado de
Minas Gerais, no período de 2001 a 2003
Indicadores
Média
Solventes
Variância
Insolventes
16
Solventes
Insolventes
N.º de observações
Solventes
Insolventes
Crescimento da
aplicação total
Crescimento
da
captação total
Crescimento da receita
operacional
1,14
1,12
0,16
0,13
252
81
1,17
1,14
0,24
0,18
254
81
1,12
1,07
1464,48
0,23
251
81
Fonte: Resultados da Pesquisa
Tabela 8 - Resultados do teste t realizado nos indicadores de crescimento das
Cooperativas de Crédito Mutuo do Estado de Minas Gerais, no período
de 2001 a 2003
Indicadores
Estatística t
P(T<=t)
unicaudal
T crítico
unicaudal
GL
(0,39)
0,35
1,65
331
Equivalentes
Não rejeita-se H0
(0,59)
0,28
1,65
333
Equivalentes
Não rejeita-se H0
(1,09)
0,14
1,65
180
Diferente
Não rejeita-se H0
Crescimento
da
aplicação total
Crescimento da
captação total
Crescimento da receita
operacional
Presumiu-se
variâncias
H0:µS=µI
HA:µS≠µI
Fonte: Resultados da Pesquisa
3.5 INDICADORES FINANCEIROS DE RENTABILIDADE
As Cooperativas conceitualmente não visam lucro, porém devem obter
resultados econômicos positivos para manter o seu crescimento. Os indicadores de
rentabilidade demonstram o grau de êxito econômico das Cooperativas
O indicador de geração de renda demonstra o quanto a receita representa em
relação aos direitos que a cooperativa possui, seu ativo real deduzidos os valores que
estão no permanente. Quanto maior a geração de renda, acompanhada de aumento do
quadro social, melhor para a cooperativa e para os associados, que, possivelmente com
aumento de receitas operacionais, propiciará a ocorrência de sobras ao final do exercício
financeiro, as quais poderão capitalizar a cooperativa ou mesmo distribuir parte dessas
sobras para os associados. No entanto, o aumento do indicador de geração de renda
significa maior taxa média de juros, cobrada aos associados.
As cooperativas solventes e insolventes tiveram, em média, no período de 2001
a 2003, uma geração de renda de 0,08, ou seja, a receita operacional 8 % dos direitos
que as cooperativas já possuíam (Tabela 9). Constatou-se, com base no teste t, a 5% de
significância, que as médias das cooperativas solventes e insolventes foram
estatisticamente diferentes, dado que o valor t calculado (2,75) foi maior que o valor
crítico para o teste t unicaudal (1,65), rejeitando-se a hipótese nula. (Tabela10).
Tabela 9 - Indicadores de rentabilidade das Cooperativas de Crédito Mútuo do Estado
de Minas Gerais, no período de 2001 a 2003
Indicadores
Geração de
renda
Média
Variância
N.º de observações
Solventes
Insolventes
Solventes
Insolventes
Solventes
Insolventes
0,08
0,10
0.01
0,00
264
81
Fonte: Resultados da Pesquisa
17
Tabela 10 - Resultados do teste t realizado para o indicador de rentabilidade das
Cooperativas de Crédito Mutuo do Estado de Minas Gerais, no período de
2001 a 2003
Indicadores
Estatística t
P(T<=t)
unicaudal
T crítico
unicaudal
GL
Presumiu-se
variâncias
Geração de renda
2,75
0,00
1,65
313
Diferente
H0:µS=µI
HA:µS≠µI
Rejeita-se H0
Fonte: Resultados da Pesquisa
Pode-se considerar uma média boa, porem e necessário analisar que um valor
alto de geração de renda pode estar sendo pago pelo aumento de taxas cobradas aos
associados, fato que no sistema cooperativista não é benéfico. No entanto, se estiver
ocorrendo aumento do quadro de associados, é importante que haja crescimento de
geração de renda. Como não foi disponibilizada essa informação, as análises não estão
considerando mudança no quadro social.
4. CONCLUSÕES
De modo geral, com base nos indicadores que compõem os grupos de estrutura,
solvência, despesas, crescimento e rentabilidade das cooperativas de crédito mutuo do
Estado de Minas Gerais, constatou-se que, no período de 2001 a 2003, elas estão em
situação financeira estável.
Um balanço dos grupos de indicadores permite afirmar que as cooperativas, em
média, possuem uma estrutura financeira capaz de atender às necessidades de crédito do
associado. No entanto, deve realizar-se uma rigorosa e adequada análise de risco de
crédito.
É necessário verificar o volume de receitas em função do número de associados
por cooperativa, pois o aumento da receita operacional, acompanhado da ampliação do
quadro social, é fator positivo. Por outro lado, aumento da receita sem expansão do
número de cooperados pode indicar aumento das taxas cobradas, o que não é a
finalidade de uma cooperativa.
Com relação ao volume de despesas, nota-se que, em média, é satisfatório, pois
não compromete valores significativos da captação total da cooperativa. Os índices de
crescimento apresentam resultados não muito razoáveis, verificando-se a necessidade
de ser revistos pelas cooperativas, com vistas a melhorar o desempenho financeiro
destas
BIBLIOGRAFIA CITADA
ASSAF NETO Alexandre. Mercado financeiro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
ASSAF Neto Alexandre, MARTINS Eliseu. Administração Financeira. São Paulo:
Atlas,1986.
BANCO DO BRASIL. Consultoria em Investimentos Financeiros. Brasília: Apostila,
2001.
BANCO DO BRASIL. Orientando Investimentos Financeiros. Brasília: Apostila, 2001.
BANCO CENTRAL DO BRASIL, Banco postal muda comportamento em cidades
sem agências bancárias, Brasília 2002,(www.bcb.org.br)
18
BANCO CENTRAL DO BRASIL, Cooperativas de crédito história da evolução
normativa no Brasil, Brasília 2003, (www.bcb.org.br)
BANCO CENTRAL DO BRASIL, Democratização do crédito no Brasil: atuação do
Banco Central. Brasília 2003, (www.bcb.org.br)
BRAGA, Hugo R., Demonstrações Contábeis. 3.ed.São Paulo: Atlas, 1998
CAVALCANTE, Francisco. Mercado de Capitais. 5ª ed. Rio de Janeiro: Campus,
2002.
DUARTE M. A e LÉLIS F.J.R, Alocação de capital em bancos no Brasil,
2003,(www.bcb.gov.br)
FERREIRA, R.N. Índices-padrão e situação econômica, financeira e político-social
de cooperativas de leite e café da região sul do Estado de Minas Gerais. Lavras:
UFLA, 1999. 138 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Lavras, 1999.
FORTUNA, Eduardo. Mercado financeiro: produtos e serviços. 15. ed. Rio de
Janeiro: Qualitymark, 2002.
GERANEGOCIOS {http://www.geranegocios.com.br}.
JANOT, M.M. Modelos de previsão de insolvência bancária. [22 março de 2002].
(http://www.bcb.gov.br). Março, 2001.
KANITZ,S.C. Como prever falências. São Paulo, Mc Graw-Hill,1978
MATIAS, A B. e SIQUEIRA, J.O. Risco bancário: modelo de previsão de insolvência
de bancos no Brasil. Revista de Administração. São Paulo, v.31, n.2, p. 19-28, 1996.
OLIVEIRA JÚNIOR, C.R. A avaliação da eficiência empresarial cooperativa.
Curitiba: OCEPAR, 1996.
PINHO D.B. O Pensamento Cooperativo e o Cooperativismo brasileiro. São Paulo.
CNPq 1982. (Manual de Cooperativismo v.1).
PINHO D.B. Tipologia Cooperativista. São Paulo. CNPq 1984. (Manual de
Cooperativismo, v.4).
ROCHA, F. Previsão de falência bancária: um modelo de risco proporcional. Pesquisa
Planejamento Econômico, Rio de Janeiro, v. 29, n. 1, p. 137 – 152, abr. 1999.
SILVA, J.P Análise financeira das empresas. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1999.
SILVA, J.P Gestão e análise de risco de crédito. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
THENORIO, F. Luiz Dias. Pelos caminhos do cooperativismo: com destino ao
crédito mútuo. 2. ed. São Paulo :Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São
Paulo, 2002.
19