ANÁLISE DO PERFIL DOS CONSUMIDORES DA COOPERATIVA DE COMERCIALIZAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR INTEGRADA Área: ECONOMIA DOMÉSTICA Categoria: PESQUISA Rose Mary Helena Quint Silochi Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova Francisco Beltrão – PR 85.605 – 010 [email protected] Romilda de Souza Lima Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova Francisco Beltrão – PR 85.605 – 010 [email protected] Daniela Ragazon Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova Francisco Beltrão – PR 85.605 – 010 [email protected] Clery Otto Weigert Alves Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova Francisco Beltrão – PR 85.605 – 010 [email protected] 1 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 Análise do Perfil dos Consumidores da Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar Integrada Área: Economia Doméstica Categoria: PESQUISA Resumo Um estudo sobre o perfil do consumidor da Cooperativa de Agricultura Familiar Integrada (COOPAFI), no município de Francisco Beltrão (PR), foi realizado pelos estagiários do Projeto de Extensão Tecnológica, intitulado “Desenvolvimento de Inovações Tecnológicas dos Produtos Alimentícios e Agroecológicos da Pequena Agroindústria Familiar”, em convênio entre Unioeste – Campus de Francisco Beltrão e a Fundação Araucária. O objetivo do projeto é contribuir para a melhoria das tecnologias existentes e propor alternativas de novas tecnologias de pós-colheita, comercialização e processamento de produtos alimentícios, de modo a permitir o desenvolvimento e competitividade referente aos desafios de novos mercados. Foram realizadas 79 entrevistas com o objetivo de investigar percepções e necessidades dos consumidores em relação à Cooperativa e aos produtos ali ofertados. A pesquisa indicou a freqüência de uma clientela diversificada sob o ponto de vista da proximidade entre a moradia e a cooperativa, sendo que 50,0% dos consumidores residem nos bairros do entorno; 19,0% são residentes na área rural, extremamente distante e indicativo forte de clientes agricultores. Outro dado relevante indica que 18,0% são moradores da área central da cidade, 7,0% de bairros mais afastados e 6,0% de outros municípios, o que caracteriza a preferência dos consumidores pela comercialização direta, seja pelo preço competitivo ou pela busca da qualidade do produto oriundo da agricultura familiar. Aumentar a oferta de itens, especialmente de frutas e hortaliças, capacitar todos os Recursos Humanos envolvidos com a comercialização, tanto direção quanto associados, e resgatar a confiança dos produtores associados, são sugestões que poderão contribuir com esse novo segmento varejista. Palavras-chave: Cooperativismo, consumo de alimentos, inovação. 2 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 1. INTRODUÇÃO A área rural do município de Francisco Beltrão, localizado na região sudoeste do Paraná, caracteriza-se pela pequena propriedade, com emprego da mão-de-obra familiar na maioria dos processos produtivos. Os agricultores familiares desta região são descendentes, sobretudo, de italianos e alemães que passaram a ocupar a região a partir do ano de 1950 e vieram, na sua maioria, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Uma forma de agricultura regional, que teve no seu início uma produção voltada basicamente para o autoconsumo com características de uma agricultura colonial, que vem desenvolvendo-se com o passar dos anos. A partir da década de 1980 inicia-se na região algumas mudanças de concepção e o comércio da produção se amplia para uma proposta que se insere cada vez mais nos modelos existentes de mercado e na especialidade da produção A produção integrada é uma das características produtivas da região, sobretudo, as atividades de suinocultura e a avicultura. Outros produtos que se destacam são a produção de grãos, sobretudo, soja, milho, leite, fumo, e frutíferas (algumas espécies, como por exemplo, a uva). A partir da década de 1990, a produção orgânica passa a representar um crescente interesse para os produtores familiares, que faz surgir e ampliar-se ao longo dos anos a discussão a respeito da agroecologia. Outra forma que se destaca na região, e que também se inicia, na década de 1990, é a agroindústria, que surge como alternativa para o agricultor familiar agregar valor a sua produção. Além disso, permite a combinação de atividades agrícolas com outras não agrícolas, abrindo maiores possibilidades de negociação no mercado regional. Para os agricultores, a agroindustrialização permite maior autonomia, no processo de comercialização. Estudos sobre os mecanismos de comercialização dos produtos da agroindústria familiar de pequeno porte merecem mais atenção pelos pesquisadores das áreas econômica, social e tecnológica, pois é necessário corrigir os problemas oriundos da produção familiar para aumentar a eficiência da produção e consequentemente da sua comercialização direta nas cooperativas agrícolas familiares, uma vez que esses produtos vêm enfrentando a concorrência das grandes agroindústrias nacionais, que se utilizam de profissionais capacitados e inovações tecnológicas em toda a cadeia produtiva. Segundo Filgueira (2003), o olericultor depende de si mesmo para produzir bem, entretanto isso já não ocorre no momento da comercialização de seus produtos o que normalmente leva ao fracasso ou insucesso econômicos. As exigências atuais dos consumidores e a competição cada vez mais presente na comercialização de alimentos, principalmente frutos e hortaliças in natura resultam na necessidade de fornecer alimentos seguros sob o ponto de vista higiênicos sanitários, nutricionais e orgânicos, mas também com excelente aparência. Cada vez mais o consumidor tende a impor ao mercado seus desejos; quem não cumprir, tende a ficar de fora do mercado, e essa premissa deve ser observada também nos centros de comercialização direta dos produtos da agroindústria familiar de pequeno porte. O anonimato está acabando em razão da resolução do Governo Federal, que prevê a rotulagem e também a necessidade de cumprir o estabelecido no código de defesa do 3 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 consumidor. O código exige maior comprometimento e responsabilidade sobre o produto da parte de quem o produz. No caso dos alimentos in natura , quando o produto não é embalado, o comerciante é o responsável direto pela qualidade do produto, mas se o produtor está identificado, ele também pode ser responsabilizado. Por exemplo, o produtor foi responsabilizado pelo consumidor por um produto estragado, mas o produtor sabe que o comerciante expôs o produto inadequadamente. Assim, ele pode acioná-lo como responsável pelo estrado do produto. O produtor, hoje, deve estar cada vez mais atento às normas de comercialização dos produtos e conhecer bem o código de defesa do Consumidor, pois o consumidor está mais consciente dos seus direitos e exige o cumprimento a risco de alguns itens, como prazo de validade, para produtos embalados, frescor dos hortigranjeiros, etc.(ALVARENGA, 2004). Ferraz et al (2008) apontam os desafios futuros ao sistema COOPAFI, dentre eles, destaca-se que 60,0% da renda dessas cooperativas dependem de programas institucionais e que, portanto, correm riscos que poderiam comprometer a sobrevivência do sistema, assim apontam para a necessidade de implantação de novas estratégias de mercado. Outro desafio citado pelos mesmos autores está pautado nos locais de venda direta ao consumidor, que apesar da importância que possuem para a manutenção da cooperativa local, enfrentam problemas na padronização destes mercados, na ampliação da diversificação de produtos, na manutenção de produtos frescos, como frutas e verduras, e na ampliação de produtos processados, para que atraiam mais consumidores. No intuito de corroborar com os autores, salienta-se a importância do consumidor nesse processo de implantação de novas tecnologias para as cooperativas, onde as universidades têm seu papel e podem contribuir para aperfeiçoar e disponibilizar instrumentos que garantam uma gestão eficiente através das diversas áreas do conhecimento. 1.1 Cooperativa de Comercialização. Visando facilitar a forma de produção, diminuir custos, unir forças, apoiar-se mutuamente e conseguir recursos públicos para investimento, a maioria dos agricultores familiares da região sudoeste do Paraná, se organizou na forma de cooperativas e associações, com apoio de ONG'S, universidades, órgãos de assistência técnica pública e algumas políticas públicas. Uma das formas de cooperativa que surge neste processo é a de comercialização dos produtos. Dentre essas, destacaremos neste trabalho a Cooperativa de Comercialização da Agricultura Familiar Integrada (COOPAFI), de Francisco Beltrão. Esta Cooperativa está presente em mais de 20 municípios da região. Esta forma de cooperativa se enquadra no que se propõe e Economia Solidária, considerando que possui como premissa a recusa da separação entre trabalho e posse dos meios de produção. Conforme afirmado por (Singer, s.d. pág. 4), o capital da empresa solidária é possuído pelos que nela trabalham e apenas por eles.Trabalho e capital estão fundidos porque todos os que trabalham são proprietários da empresa e não há proprietários que não trabalhem na empresa. E a propriedade da empresa é dividida por igual entre todos os trabalhadores, para que todos tenham o mesmo poder de decisão sobre ela. Empresas solidárias são, em geral, 4 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 administradas por sócios eleitos para a função e que se pautam pelas diretrizes aprovadas em assembléias gerais ou, quando a empresa é grande demais, em conselhos de delegados eleitos por todos os trabalhadores. E ainda segundo o apresentado por Lauschner (1994), o cooperativismo como um modelo de economia solidária que visa maximizar o predomínio do fator trabalho sobre o fator capital. Assim pode-se afirmar que o cooperativismo é uma associação sócio-econômica de pessoas e, em certos casos, de pequenas empresas, não caracterizadas claramente como empresas de capital com fins lucrativos que produz bens e serviços. A eficácia social de uma cooperativa está diretamente ligada ao seu desempenho econômico e de mercado, conforme defendido por Bialoskorski Neto (2002). Considerando a necessidade de verticalização da produção para os pequenos produtores rurais surgiu na região de Francisco Beltrão (PR) iniciativa pioneira e inovadora na construção do cooperativismo baseado nos princípios da economia solidária que contempla agricultores familiares organizados na linha do crédito (Cresol), de produção, a exemplo da Sisclaf /Claf e, por último, as cooperativas de comercialização (Coopafi), criadas para incentivar, organizar e viabilizar a comercialização dos produtos da agroindústria familiar. O sistema Coopafi, atualmente congrega 17 cooperativas de comercialização integradas em rede, em 17 municípios da região, contemplando 2000 associados e cada uma delas, cerca de 30 agricultores associados. Essas cooperativas em parceria com organizações da agricultura familiar em todo o Estado do Paraná, realizam convênios e parcerias com diferentes esferas governamentais para o trabalho de assessorias técnicas. Entretanto, sua principal função é a venda direta ao consumidor, assim como a organização da produção. Neste trabalho é apresentado parte de um estudo mais amplo relacionado a COOPAFI local de Francisco Beltrão e seus associados. Trata-se dos estudos que vêm sendo desenvolvidos no Projeto Desenvolvimento e Inovações Tecnológicas dos Produtos Alimentícios e Agroecológicos da Pequena Agroindústria Familiar. Projeto este que está atrelado ao Programa Universidade sem Fronteiras, vinculado a Secretaria de Ciência e Tecnologia do estado do Paraná. O objetivo do projeto é contribuir para a melhoria das tecnologias existentes e propor alternativas de novas tecnologias de pós-colheita, comercialização e processamento de produtos alimentícios, de modo a permitir o desenvolvimento e competitividade referente aos desafios de novos mercados. Assim, o projeto pretende disponibilizar tecnologias de base tradicional e agroecológicos em pequenas agroindústrias familiares que produzem e comercializam seus produtos in natura ou processados junto à Cooperativa da Agricultura Familiar Integrada (COOPAFI) do município de Francisco Beltrão – PR; detectar limites operacionais das pequenas agroindústrias familiares no processamento e comercialização de produtos alimentícios e aprimorar técnicas já utilizadas, como também introduzir novas possibilidades de controle de qualidade na pós-colheita de frutas e hortaliças em toda a cadeia, incluindo Boas Práticas Agrícolas (BPA), marketing e comercialização dos produtos da pequena agroindústria familiar. 5 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 O que se apresenta neste trabalho é o posicionamento do consumidor de produtos em oferta na COOPAFI. Ressalta-se que a partir do entendimento de ser o comportamento do consumidor, bem como suas criticas, fidelidade ou não ao consumo de um determinado produto ou a um ponto comercial, condição de extrema importância para avaliar o andamento de uma atividade. Um consumidor satisfeito tende a retornar ao local da compra e esse foi um dos objetivos ao se investigar no referido projeto à percepção do consumidor local. Segundo Batalha (2004, pág. 9), “nenhum apelo mercadológico é sustentável sem correspondência objetiva que sustenta a subjetividade do consumidor”. Segundo Oliver apud Larán & Spinoza (2004), a satisfação do consumidor é a sua resposta ao contentamento. Está diretamente ligado ao julgamento de que uma característica do produto ou serviço, ou o produto ou serviço em si, oferece um nível prazeroso de contentamento relativo ao consumo. Segundo Underhill (1999), o comércio comete um grande equivoco em não buscar conhecer profundamente os interesses de consumo de seus clientes, ou seja, quais os fatores delineiam suas tomadas de decisão sobre a compra. A melhor forma de conseguir esse entendimento, de acordo com Kotler e Keller (2006), é avaliar periodicamente o comportamento dos consumidores. Reforçando as afirmações dos autores citados acima, Sato; Martins; Bueno (2007) que colocam por exemplo, sobre as mudanças atuais no mercado de hortifrutis, frente à consciência do consumidor quanto à importância da alimentação para a saúde e a qualidade de vida. Para os autores o segmento produtivo vem se adaptando com o intuito de corresponder a essas demandas. Assim, as cooperativas de comercialização direta produtor, consumidor devem nesse momento se adaptar aos novos indicativos de consumo e aproveitar o momento para se estabelecer no mercado. 2. METODOLOGIA Para este estudo foi aplicada a pesquisa descritiva de natureza qualitativa e quantitativa, que com seus métodos e ferramentas vem de encontro às necessidades propostas no projeto que foi de conhecer as características do perfil dos consumidores, da COOPAFI local, de Francisco Beltrão (PR). A pesquisa consistiu na aplicação de questionário semi-estruturado realizado por estagiários do projeto, os questionários foram aplicados durante todo o mês de janeiro de 2009, de segunda-feira a sexta-feira, no horário de funcionamento do estabelecimento. O questionário priorizou questões que possibilitassem identificar o bairro de residência dos consumidores, conhecimento sobre a cooperativa, freqüência de compras, os três produtos mais adquiridos pelos consumidores, aspectos de qualidade mais importantes na aquisição de produtos, número de membros da família e faixa de renda familiar. Foram realizadas 79 entrevistas semi-estruturadas, com aqueles consumidores que se dispuseram a responder as questões ao entrevistador, após terem efetuado a compra no local. 6 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 Dentre as 79 entrevistadas realizadas, 76 foram com consumidores sem nenhum vínculo associativo com a COOPAFI e 03 entrevistados eram também associadas a COOPAFI. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Serão apresentados aqui os resultados mais relevantes do diagnóstico realizado em janeiro de 2009, com os consumidores da Cooperativa local de Francisco Beltrão. Dos consumidores entrevistados, 53,0% pertencem ao sexo feminino e 47,0% ao sexo masculinos. O perfil de consumo dos clientes masculinos é para a aquisição de vinhos, cachaças e salames, enquanto que as mulheres, adquirem frutas, hortaliças e produtos orgânicos. A pesquisa indicou a freqüência de uma clientela diversificada sob o ponto de vista da proximidade entre a moradia e cooperativa, 50,0% dos consumidores residem nos bairros do entorno; 19,0% são residentes na área rural, extremamente distante e indicativo forte de clientes agricultores. Outro dado relevante indica que 18,0% são moradores da área central da cidade, 7,0% de bairros mais afastados e 6,0% de outros municípios, o que caracteriza a preferência dos consumidores pela comercialização direta, seja pelo preço competitivo ou pela busca da qualidade do produto oriundo da agricultura familiar. A figura 1 indica os consumidores de primeira compra e aqueles que costumam manter uma freqüência de compras na cooperativa. 19% 1° Compra Outros 81% Figura 1 – Percentuais de frequência dos consumidores Verificou-se que 19,0% dos consumidores entrevistados estavam realizando suas compras na cooperativa pela primeira vez. A maioria, no entanto, 81,0%, efetuam compras no local com certa freqüência. Desta maioria, 74,0% dos consumidores adquirem produtos na COOPAFI desde a sua inauguração, ou seja, pelo período de 1 ano e 6 meses. 7 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 Na fig. 2 constam os produtos mais adquiridos pelos consumidores pesquisados, esses foram solicitados a indicar por ordem de importância quais os três produtos que eles mais compram. Figura 2 - Produtos mais consumidos Dentre os produtos, mais consumidos estão às frutas e hortaliças com um percentual de 45,0%, seguidos pelos outros com 35,0% , estão incluídos nesta categoria os chás, fubá, açúcar mascavo, erva mate, mel, cachaça, amendoim, mandioca, cereais, canjica, própolis, feijão, vinagre, sucos, pipoca e peixes de água doce. Todos produtos produzidos no município ou região sudoeste. Questionados sobre a freqüência de compras na cooperativa a fig.3 demonstra que 100,0% dos entrevistados não compram diariamente seus produtos no estabelecimento. Dado esse bastante preocupante, pois caracteriza falhas na oferta de produtos perecíveis que podem ser adquiridos pelas famílias diariamente, como por exemplo, os hortifrutis. 8 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 19% 0% 32% Diariamente Semanalmente Quinzenalmente 27% Mensalmente Não responderam pois foi a 1ª compra 22% Figura 3 - Freqüência de compras Dos consumidores entrevistados 32,0 %, fazem suas compras uma vez por semana. Salienta-se para a necessidade de implantar mecanismos de gestão de marketing e de comercialização, como, por exemplo, aumentar a oferta de hortifrutis, pois estes viabilizam a freqüência diária de consumidores, assim será possível a sua auto sustentação e a possibilidade de concorrer com o mercado varejista convencional. Por solicitação dos associados da COOPAFI foi verificado junto aos consumidores o interesse na aquisição de cestas personalizadas de hortifrutis semanalmente. Aproximadamente 50,0% dos entrevistados tem e não tem interesse. A cesta de produtos pode representar uma estratégia de vendas interessante, por agregar maior valor aos produtos, por manter um compromisso mais freqüente entre consumidores e fornecedores, além de manter uma constância nas vendas e ao mesmo tempo pode atender aos interesses do consumidor, facilitando o planejamento de seu cardápio semanal. No entanto, salienta-se que esse tipo de comercialização o fornecedor tem que priorizar variedade, quantidade e qualidade em seus produtos. Além de ter a certeza de que é realmente um quesito importante para os consumidores. Um dado interessante é que dentre aqueles clientes que demonstraram interesse em adquirir a cesta, 74,0% são homens e preferem retirar na própria COOPAFI e 26,0% das mulheres preferem a entrega em domicílio. Na coleta de dados sobre que tipos de produtos mais gostariam de ter no centro de comercialização, os hortifrutis obtiveram o maior número de indicações, seguidos pelos produtos de origem animal e seus derivados (Tab. 1). 9 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 Tabela 1 - Sugestões feitas pelos consumidores PRODUTOS ALIMENTÍCIOS NÚMERO DE CONSUMIDORES Variedade de Verduras e legumes (alface americana, cebola, batata, chuchu, mandioca) 16 Frutas (banana, maça, tomate) 07 Produtos Orgânicos 03 Grãos (feijão de corda, lentilha, arroz integral, linhaça, cereais) 05 Carne de Boi 02 Ovos 05 Laticínios e derivados (leite e iogurte) 02 Bolacha caseira pintada 01 Farinha de trigo 02 Refrigerantes, água 01 As sugestões abordadas pelos consumidores basearam-se, segundo eles, nos produtos que mais percebem a falta no ato da compra. Um número significativo de consumidores não opinou, pois, era a primeira compra ou estavam satisfeitos com a diversidade de produtos ofertados na COOPAFI. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se observar pelos dados levantados nas entrevistas junto aos consumidores que há uma necessidade de melhorar as condições de atendimento da Coopafi. O quadro atual não tem colaborado para atrair o consumidor com assiduidade nas compras, bem como tem colaborado pra produzir um certo descontentamento de quem vai ao local pela primeira vez. As criticas se basearam, sobretudo, na necessidade de haver maior variedade de produtos, sendo o setor de frutas e hortaliças o que demonstrou maior interesse. Outro ponto importante a ser destacado é o interesse demonstrado pelos consumidores da opção das cestas de produtos de acordo com o interesse e perfil de cada cliente. 10 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 Para atender a todos os anseios demonstrados pelos atuais consumidores da Coopafi e atrair novos, há que se promover modificações importantes, tanto de caráter estrutural e físico do espaço local, melhoria da produção, tanto dos hortifrutis in natura quanto dos processada que é ofertada e ainda, e talvez a que represente maior desafio, mudanças na forma de gerir a Cooperativa. Pequenas alterações, mas que podem fazer uma grande diferença a favor dos produtores associados e conseqüentemente, trará resultados satisfatórios ao consumidor final. Com as atividades propostas a serem desenvolvidas pelo projeto do qual resultou este estudo, considera-se ser possível atingir a maior parte dessas transformações que se fazem necessárias. Porém, para essas mudanças ocorrerem é necessário um trabalho de mão-dupla. De um lado os profissionais que atuam e coordenam o projeto com a sua contribuição técnicocientifica, introduzindo tecnologias e mecanismos de ação e de outro os cooperados com o seu poder de executar as mudanças propostas, aceitando o desafio de romper com algumas formas de operacionalização de técnicas tradicionais, porém pouco efetivas para atender as necessidades do consumidor. Toda problemática identificada no estudo, reflete diretamente na permanência do espaço de comercialização. Entende-se que essa incapacidade de gerar recursos financeiros para suprir despesas e agregar renda ao pequeno produtor rural (associado) serve como indicativo de uma situação crítica para a manutenção do espaço de comercialização. 5. REFERÊNCIAS ALVARENGA, Marco Antônio Rezende. Tomate: produção em campo, em casa-devegetação e em hidroponia. Lavras: Editora UFLA, 2004. BATALHA, M. O. et al. 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São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. 11 Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 LARÁN, Juliano A.; ESPINOZA, Francine. Consumidores satisfeitos, e então? Analisando a satisfação como antecedente da lealdade. Revista Administração Contemporânea. Curitiba, vol.8, n.2, Apr./June 2004. LAUSCHNER, Roque. Cooperativismo e Agricultura Familiar. Publicações CNPTIA/EMBRAPA.1994.Disponível em: Acesso <http://gipaf.cnptia.embrapa.br/publicacoes/artigos-e-trabalhos/lauschner94.pdf.> em: 25/05/2009. SATO, Geni Satiko; MARTINS, Vagner Azarias; BUENO, Carlos Roberto. Análise Exploratória do Perfil do Consumidor de Produtos Minimamente Processados na Cidade de São Paulo.Informações Econômicas. São Paulo, v.37, n.6, p.62-71, jun.2007. SINGER, Paul. Economia Solidária. Vol. 2. Sem Data. Disponível <www.uff.br/incubadoraecosol/docs/ecosolv2.pdf#page=4>. Acesso em: 25/05/2009. em: UNDERHILL, Paco. Vamos às compras: a ciência do consumo. 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