ANÁLISE DO PERFIL DOS CONSUMIDORES DA COOPERATIVA DE
COMERCIALIZAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR INTEGRADA
Área: ECONOMIA DOMÉSTICA
Categoria: PESQUISA
Rose Mary Helena Quint Silochi
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste
Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova
Francisco Beltrão – PR
85.605 – 010
[email protected]
Romilda de Souza Lima
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste
Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova
Francisco Beltrão – PR
85.605 – 010
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Daniela Ragazon
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste
Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova
Francisco Beltrão – PR
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Clery Otto Weigert Alves
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste
Rua Maringá, nº 1.200 – Bairro Vila Nova
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Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009
Análise do Perfil dos Consumidores da Cooperativa de Comercialização da
Agricultura Familiar Integrada
Área: Economia Doméstica
Categoria: PESQUISA
Resumo
Um estudo sobre o perfil do consumidor da Cooperativa de Agricultura Familiar Integrada
(COOPAFI), no município de Francisco Beltrão (PR), foi realizado pelos estagiários do
Projeto de Extensão Tecnológica, intitulado “Desenvolvimento de Inovações Tecnológicas
dos Produtos Alimentícios e Agroecológicos da Pequena Agroindústria Familiar”, em
convênio entre Unioeste – Campus de Francisco Beltrão e a Fundação Araucária. O objetivo
do projeto é contribuir para a melhoria das tecnologias existentes e propor alternativas de
novas tecnologias de pós-colheita, comercialização e processamento de produtos alimentícios,
de modo a permitir o desenvolvimento e competitividade referente aos desafios de novos
mercados. Foram realizadas 79 entrevistas com o objetivo de investigar percepções e
necessidades dos consumidores em relação à Cooperativa e aos produtos ali ofertados. A
pesquisa indicou a freqüência de uma clientela diversificada sob o ponto de vista da
proximidade entre a moradia e a cooperativa, sendo que 50,0% dos consumidores residem nos
bairros do entorno; 19,0% são residentes na área rural, extremamente distante e indicativo
forte de clientes agricultores. Outro dado relevante indica que 18,0% são moradores da área
central da cidade, 7,0% de bairros mais afastados e 6,0% de outros municípios, o que
caracteriza a preferência dos consumidores pela comercialização direta, seja pelo preço
competitivo ou pela busca da qualidade do produto oriundo da agricultura familiar. Aumentar
a oferta de itens, especialmente de frutas e hortaliças, capacitar todos os Recursos Humanos
envolvidos com a comercialização, tanto direção quanto associados, e resgatar a confiança
dos produtores associados, são sugestões que poderão contribuir com esse novo segmento
varejista.
Palavras-chave: Cooperativismo, consumo de alimentos, inovação.
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1. INTRODUÇÃO
A área rural do município de Francisco Beltrão, localizado na região sudoeste do
Paraná, caracteriza-se pela pequena propriedade, com emprego da mão-de-obra familiar na
maioria dos processos produtivos. Os agricultores familiares desta região são descendentes,
sobretudo, de italianos e alemães que passaram a ocupar a região a partir do ano de 1950 e
vieram, na sua maioria, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Uma forma de agricultura regional, que teve no seu início uma produção voltada
basicamente para o autoconsumo com características de uma agricultura colonial, que vem
desenvolvendo-se com o passar dos anos. A partir da década de 1980 inicia-se na região
algumas mudanças de concepção e o comércio da produção se amplia para uma proposta que
se insere cada vez mais nos modelos existentes de mercado e na especialidade da produção
A produção integrada é uma das características produtivas da região, sobretudo, as
atividades de suinocultura e a avicultura. Outros produtos que se destacam são a produção de
grãos, sobretudo, soja, milho, leite, fumo, e frutíferas (algumas espécies, como por exemplo, a
uva). A partir da década de 1990, a produção orgânica passa a representar um crescente
interesse para os produtores familiares, que faz surgir e ampliar-se ao longo dos anos a
discussão a respeito da agroecologia.
Outra forma que se destaca na região, e que também se inicia, na década de 1990, é a
agroindústria, que surge como alternativa para o agricultor familiar agregar valor a sua
produção. Além disso, permite a combinação de atividades agrícolas com outras não
agrícolas, abrindo maiores possibilidades de negociação no mercado regional. Para os
agricultores, a agroindustrialização permite maior autonomia, no processo de
comercialização.
Estudos sobre os mecanismos de comercialização dos produtos da agroindústria
familiar de pequeno porte merecem mais atenção pelos pesquisadores das áreas econômica,
social e tecnológica, pois é necessário corrigir os problemas oriundos da produção familiar
para aumentar a eficiência da produção e consequentemente da sua comercialização direta nas
cooperativas agrícolas familiares, uma vez que esses produtos vêm enfrentando a
concorrência das grandes agroindústrias nacionais, que se utilizam de profissionais
capacitados e inovações tecnológicas em toda a cadeia produtiva.
Segundo Filgueira (2003), o olericultor depende de si mesmo para produzir bem,
entretanto isso já não ocorre no momento da comercialização de seus produtos o que
normalmente leva ao fracasso ou insucesso econômicos.
As exigências atuais dos consumidores e a competição cada vez mais presente na
comercialização de alimentos, principalmente frutos e hortaliças in natura resultam na
necessidade de fornecer alimentos seguros sob o ponto de vista higiênicos sanitários,
nutricionais e orgânicos, mas também com excelente aparência. Cada vez mais o consumidor
tende a impor ao mercado seus desejos; quem não cumprir, tende a ficar de fora do mercado, e
essa premissa deve ser observada também nos centros de comercialização direta dos produtos
da agroindústria familiar de pequeno porte.
O anonimato está acabando em razão da resolução do Governo Federal, que prevê a
rotulagem e também a necessidade de cumprir o estabelecido no código de defesa do
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consumidor. O código exige maior comprometimento e responsabilidade sobre o produto da
parte de quem o produz. No caso dos alimentos in natura , quando o produto não é embalado,
o comerciante é o responsável direto pela qualidade do produto, mas se o produtor está
identificado, ele também pode ser responsabilizado. Por exemplo, o produtor foi
responsabilizado pelo consumidor por um produto estragado, mas o produtor sabe que o
comerciante expôs o produto inadequadamente. Assim, ele pode acioná-lo como responsável
pelo estrado do produto. O produtor, hoje, deve estar cada vez mais atento às normas de
comercialização dos produtos e conhecer bem o código de defesa do Consumidor, pois o
consumidor está mais consciente dos seus direitos e exige o cumprimento a risco de alguns
itens, como prazo de validade, para produtos embalados, frescor dos hortigranjeiros,
etc.(ALVARENGA, 2004).
Ferraz et al (2008) apontam os desafios futuros ao sistema COOPAFI, dentre eles,
destaca-se que 60,0% da renda dessas cooperativas dependem de programas institucionais e
que, portanto, correm riscos que poderiam comprometer a sobrevivência do sistema, assim
apontam para a necessidade de implantação de novas estratégias de mercado.
Outro desafio citado pelos mesmos autores está pautado nos locais de venda direta ao
consumidor, que apesar da importância que possuem para a manutenção da cooperativa local,
enfrentam problemas na padronização destes mercados, na ampliação da diversificação de
produtos, na manutenção de produtos frescos, como frutas e verduras, e na ampliação de
produtos processados, para que atraiam mais consumidores.
No intuito de corroborar com os autores, salienta-se a importância do consumidor
nesse processo de implantação de novas tecnologias para as cooperativas, onde as
universidades têm seu papel e podem contribuir para aperfeiçoar e disponibilizar instrumentos
que garantam uma gestão eficiente através das diversas áreas do conhecimento.
1.1 Cooperativa de Comercialização.
Visando facilitar a forma de produção, diminuir custos, unir forças, apoiar-se
mutuamente e conseguir recursos públicos para investimento, a maioria dos agricultores
familiares da região sudoeste do Paraná, se organizou na forma de cooperativas e associações,
com apoio de ONG'S, universidades, órgãos de assistência técnica pública e algumas políticas
públicas. Uma das formas de cooperativa que surge neste processo é a de comercialização dos
produtos. Dentre essas, destacaremos neste trabalho a Cooperativa de Comercialização da
Agricultura Familiar Integrada (COOPAFI), de Francisco Beltrão. Esta Cooperativa está
presente em mais de 20 municípios da região.
Esta forma de cooperativa se enquadra no que se propõe e Economia Solidária,
considerando que possui como premissa a recusa da separação entre trabalho e posse dos
meios de produção.
Conforme afirmado por (Singer, s.d. pág. 4), o capital da empresa solidária é possuído
pelos que nela trabalham e apenas por eles.Trabalho e capital estão fundidos porque todos os
que trabalham são proprietários da empresa e não há proprietários que não trabalhem na
empresa. E a propriedade da empresa é dividida por igual entre todos os trabalhadores, para
que todos tenham o mesmo poder de decisão sobre ela. Empresas solidárias são, em geral,
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administradas por sócios eleitos para a função e que se pautam pelas diretrizes aprovadas em
assembléias gerais ou, quando a empresa é grande demais, em conselhos de delegados eleitos
por todos os trabalhadores.
E ainda segundo o apresentado por Lauschner (1994), o cooperativismo como um
modelo de economia solidária que visa maximizar o predomínio do fator trabalho sobre o
fator capital. Assim pode-se afirmar que o cooperativismo é uma associação sócio-econômica
de pessoas e, em certos casos, de pequenas empresas, não caracterizadas claramente como
empresas de capital com fins lucrativos que produz bens e serviços.
A eficácia social de uma cooperativa está diretamente ligada ao seu desempenho
econômico e de mercado, conforme defendido por Bialoskorski Neto (2002).
Considerando a necessidade de verticalização da produção para os pequenos
produtores rurais surgiu na região de Francisco Beltrão (PR) iniciativa pioneira e inovadora
na construção do cooperativismo baseado nos princípios da economia solidária que contempla
agricultores familiares organizados na linha do crédito (Cresol), de produção, a exemplo da
Sisclaf /Claf e, por último, as cooperativas de comercialização (Coopafi), criadas para
incentivar, organizar e viabilizar a comercialização dos produtos da agroindústria familiar. O
sistema Coopafi, atualmente congrega 17 cooperativas de comercialização integradas em
rede, em 17 municípios da região, contemplando 2000 associados e cada uma delas, cerca de
30 agricultores associados.
Essas cooperativas em parceria com organizações da agricultura familiar em todo o
Estado do Paraná, realizam convênios e parcerias com diferentes esferas governamentais para
o trabalho de assessorias técnicas. Entretanto, sua principal função é a venda direta ao
consumidor, assim como a organização da produção.
Neste trabalho é apresentado parte de um estudo mais amplo relacionado a COOPAFI
local de Francisco Beltrão e seus associados. Trata-se dos estudos que vêm sendo
desenvolvidos no Projeto Desenvolvimento e Inovações Tecnológicas dos Produtos
Alimentícios e Agroecológicos da Pequena Agroindústria Familiar. Projeto este que está
atrelado ao Programa Universidade sem Fronteiras, vinculado a Secretaria de Ciência e
Tecnologia do estado do Paraná.
O objetivo do projeto é contribuir para a melhoria das tecnologias existentes e propor
alternativas de novas tecnologias de pós-colheita, comercialização e processamento de
produtos alimentícios, de modo a permitir o desenvolvimento e competitividade referente aos
desafios de novos mercados. Assim, o projeto pretende disponibilizar tecnologias de base
tradicional e agroecológicos em pequenas agroindústrias familiares que produzem e
comercializam seus produtos in natura ou processados junto à Cooperativa da Agricultura
Familiar Integrada (COOPAFI) do município de Francisco Beltrão – PR; detectar limites
operacionais das pequenas agroindústrias familiares no processamento e comercialização de
produtos alimentícios e aprimorar técnicas já utilizadas, como também introduzir novas
possibilidades de controle de qualidade na pós-colheita de frutas e hortaliças em toda a cadeia,
incluindo Boas Práticas Agrícolas (BPA), marketing e comercialização dos produtos da
pequena agroindústria familiar.
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O que se apresenta neste trabalho é o posicionamento do consumidor de produtos em
oferta na COOPAFI. Ressalta-se que a partir do entendimento de ser o comportamento do
consumidor, bem como suas criticas, fidelidade ou não ao consumo de um determinado
produto ou a um ponto comercial, condição de extrema importância para avaliar o andamento
de uma atividade. Um consumidor satisfeito tende a retornar ao local da compra e esse foi um
dos objetivos ao se investigar no referido projeto à percepção do consumidor local.
Segundo Batalha (2004, pág. 9), “nenhum apelo mercadológico é sustentável sem
correspondência objetiva que sustenta a subjetividade do consumidor”.
Segundo Oliver apud Larán & Spinoza (2004), a satisfação do consumidor é a sua
resposta ao contentamento. Está diretamente ligado ao julgamento de que uma característica
do produto ou serviço, ou o produto ou serviço em si, oferece um nível prazeroso de
contentamento relativo ao consumo.
Segundo Underhill (1999), o comércio comete um grande equivoco em não buscar
conhecer profundamente os interesses de consumo de seus clientes, ou seja, quais os fatores
delineiam suas tomadas de decisão sobre a compra. A melhor forma de conseguir esse
entendimento, de acordo com Kotler e Keller (2006), é avaliar periodicamente o
comportamento dos consumidores.
Reforçando as afirmações dos autores citados acima, Sato; Martins; Bueno (2007) que
colocam por exemplo, sobre as mudanças atuais no mercado de hortifrutis, frente à
consciência do consumidor quanto à importância da alimentação para a saúde e a qualidade de
vida. Para os autores o segmento produtivo vem se adaptando com o intuito de corresponder a
essas demandas. Assim, as cooperativas de comercialização direta produtor, consumidor
devem nesse momento se adaptar aos novos indicativos de consumo e aproveitar o momento
para se estabelecer no mercado.
2. METODOLOGIA
Para este estudo foi aplicada a pesquisa descritiva de natureza qualitativa e
quantitativa, que com seus métodos e ferramentas vem de encontro às necessidades propostas
no projeto que foi de conhecer as características do perfil dos consumidores, da COOPAFI
local, de Francisco Beltrão (PR).
A pesquisa consistiu na aplicação de questionário semi-estruturado realizado por
estagiários do projeto, os questionários foram aplicados durante todo o mês de janeiro de
2009, de segunda-feira a sexta-feira, no horário de funcionamento do estabelecimento.
O questionário priorizou questões que possibilitassem identificar o bairro de residência
dos consumidores, conhecimento sobre a cooperativa, freqüência de compras, os três produtos
mais adquiridos pelos consumidores, aspectos de qualidade mais importantes na aquisição de
produtos, número de membros da família e faixa de renda familiar.
Foram realizadas 79 entrevistas semi-estruturadas, com aqueles consumidores que se
dispuseram a responder as questões ao entrevistador, após terem efetuado a compra no local.
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Dentre as 79 entrevistadas realizadas, 76 foram com consumidores sem nenhum
vínculo associativo com a COOPAFI e 03 entrevistados eram também associadas a
COOPAFI.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Serão apresentados aqui os resultados mais relevantes do diagnóstico realizado em
janeiro de 2009, com os consumidores da Cooperativa local de Francisco Beltrão.
Dos consumidores entrevistados, 53,0% pertencem ao sexo feminino e 47,0% ao sexo
masculinos. O perfil de consumo dos clientes masculinos é para a aquisição de vinhos,
cachaças e salames, enquanto que as mulheres, adquirem frutas, hortaliças e produtos
orgânicos.
A pesquisa indicou a freqüência de uma clientela diversificada sob o ponto de vista da
proximidade entre a moradia e cooperativa, 50,0% dos consumidores residem nos bairros do
entorno; 19,0% são residentes na área rural, extremamente distante e indicativo forte de
clientes agricultores. Outro dado relevante indica que 18,0% são moradores da área central da
cidade, 7,0% de bairros mais afastados e 6,0% de outros municípios, o que caracteriza a
preferência dos consumidores pela comercialização direta, seja pelo preço competitivo ou
pela busca da qualidade do produto oriundo da agricultura familiar.
A figura 1 indica os consumidores de primeira compra e aqueles que costumam
manter uma freqüência de compras na cooperativa.
19%
1° Compra
Outros
81%
Figura 1 – Percentuais de frequência dos consumidores
Verificou-se que 19,0% dos consumidores entrevistados estavam realizando suas
compras na cooperativa pela primeira vez. A maioria, no entanto, 81,0%, efetuam compras no
local com certa freqüência. Desta maioria, 74,0% dos consumidores adquirem produtos na
COOPAFI desde a sua inauguração, ou seja, pelo período de 1 ano e 6 meses.
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Na fig. 2 constam os produtos mais adquiridos pelos consumidores pesquisados, esses
foram solicitados a indicar por ordem de importância quais os três produtos que eles mais
compram.
Figura 2 - Produtos mais consumidos
Dentre os produtos, mais consumidos estão às frutas e hortaliças com um percentual
de 45,0%, seguidos pelos outros com 35,0% , estão incluídos nesta categoria os chás, fubá,
açúcar mascavo, erva mate, mel, cachaça, amendoim, mandioca, cereais, canjica, própolis,
feijão, vinagre, sucos, pipoca e peixes de água doce. Todos produtos produzidos no município
ou região sudoeste.
Questionados sobre a freqüência de compras na cooperativa a fig.3 demonstra que
100,0% dos entrevistados não compram diariamente seus produtos no estabelecimento. Dado
esse bastante preocupante, pois caracteriza falhas na oferta de produtos perecíveis que podem
ser adquiridos pelas famílias diariamente, como por exemplo, os hortifrutis.
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19%
0%
32%
Diariamente
Semanalmente
Quinzenalmente
27%
Mensalmente
Não responderam
pois foi a 1ª compra
22%
Figura 3 - Freqüência de compras
Dos consumidores entrevistados 32,0 %, fazem suas compras uma vez por semana.
Salienta-se para a necessidade de implantar mecanismos de gestão de marketing e de
comercialização, como, por exemplo, aumentar a oferta de hortifrutis, pois estes viabilizam a
freqüência diária de consumidores, assim será possível a sua auto sustentação e a
possibilidade de concorrer com o mercado varejista convencional.
Por solicitação dos associados da COOPAFI foi verificado junto aos consumidores o
interesse na aquisição de cestas personalizadas de hortifrutis semanalmente.
Aproximadamente 50,0% dos entrevistados tem e não tem interesse. A cesta de
produtos pode representar uma estratégia de vendas interessante, por agregar maior valor aos
produtos, por manter um compromisso mais freqüente entre consumidores e fornecedores,
além de manter uma constância nas vendas e ao mesmo tempo pode atender aos interesses do
consumidor, facilitando o planejamento de seu cardápio semanal. No entanto, salienta-se que
esse tipo de comercialização o fornecedor tem que priorizar variedade, quantidade e qualidade
em seus produtos. Além de ter a certeza de que é realmente um quesito importante para os
consumidores.
Um dado interessante é que dentre aqueles clientes que demonstraram interesse em
adquirir a cesta, 74,0% são homens e preferem retirar na própria COOPAFI e 26,0% das
mulheres preferem a entrega em domicílio. Na coleta de dados sobre que tipos de produtos
mais gostariam de ter no centro de comercialização, os hortifrutis obtiveram o maior número
de indicações, seguidos pelos produtos de origem animal e seus derivados (Tab. 1).
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Tabela 1 - Sugestões feitas pelos consumidores
PRODUTOS ALIMENTÍCIOS
NÚMERO DE
CONSUMIDORES
Variedade de Verduras e legumes (alface americana, cebola,
batata, chuchu, mandioca)
16
Frutas (banana, maça, tomate)
07
Produtos Orgânicos
03
Grãos (feijão de corda, lentilha, arroz integral, linhaça, cereais)
05
Carne de Boi
02
Ovos
05
Laticínios e derivados (leite e iogurte)
02
Bolacha caseira pintada
01
Farinha de trigo
02
Refrigerantes, água
01
As sugestões abordadas pelos consumidores basearam-se, segundo eles, nos produtos que
mais percebem a falta no ato da compra. Um número significativo de consumidores não
opinou, pois, era a primeira compra ou estavam satisfeitos com a diversidade de produtos
ofertados na COOPAFI.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode-se observar pelos dados levantados nas entrevistas junto aos consumidores que
há uma necessidade de melhorar as condições de atendimento da Coopafi. O quadro atual não
tem colaborado para atrair o consumidor com assiduidade nas compras, bem como tem
colaborado pra produzir um certo descontentamento de quem vai ao local pela primeira vez.
As criticas se basearam, sobretudo, na necessidade de haver maior variedade de produtos,
sendo o setor de frutas e hortaliças o que demonstrou maior interesse.
Outro ponto importante a ser destacado é o interesse demonstrado pelos consumidores
da opção das cestas de produtos de acordo com o interesse e perfil de cada cliente.
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Para atender a todos os anseios demonstrados pelos atuais consumidores da Coopafi e
atrair novos, há que se promover modificações importantes, tanto de caráter estrutural e físico
do espaço local, melhoria da produção, tanto dos hortifrutis in natura quanto dos processada
que é ofertada e ainda, e talvez a que represente maior desafio, mudanças na forma de gerir a
Cooperativa. Pequenas alterações, mas que podem fazer uma grande diferença a favor dos
produtores associados e conseqüentemente, trará resultados satisfatórios ao consumidor final.
Com as atividades propostas a serem desenvolvidas pelo projeto do qual resultou este
estudo, considera-se ser possível atingir a maior parte dessas transformações que se fazem
necessárias. Porém, para essas mudanças ocorrerem é necessário um trabalho de mão-dupla.
De um lado os profissionais que atuam e coordenam o projeto com a sua contribuição técnicocientifica, introduzindo tecnologias e mecanismos de ação e de outro os cooperados com o
seu poder de executar as mudanças propostas, aceitando o desafio de romper com algumas
formas de operacionalização de técnicas tradicionais, porém pouco efetivas para atender as
necessidades do consumidor.
Toda problemática identificada no estudo, reflete diretamente na permanência
do espaço de comercialização. Entende-se que essa incapacidade de gerar recursos financeiros
para suprir despesas e agregar renda ao pequeno produtor rural (associado) serve como
indicativo de uma situação crítica para a manutenção do espaço de comercialização.
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BATALHA, M. O. et al. Tecnologia de Gestão e Agricultura Familiar. In: XLII Congresso
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BIALOSKORSKI NETO, S. Gestão do Agribusines Cooperativo. In: BATALHA, M.O.
(Coord.) Gestão agroindustrial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. p. 515-543.
FERRAZ, Osni Giane; BRANDÃO, Sheila; HEMERSON, Luiz Pase. Sistema Coopafi: O
Desafio da Construção de um Sistema Integrado de Comercialização e de Apoio às
Agroindústrias Familiares da Região Sudoeste do Paraná. In: XLVI Congresso da Sociedade
Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – SOBER. Acre. 2008. Anais...
FILGUEIRA, Fernando Antonio Reis. Novo manual de Olericultura: agrotecnologia
moderna na produção e comercialização de hortaliças. 2ª edição revista e ampliada.
Fernando Antonio Reis Filgueira – Viçosa: UFV, 2003.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 12º ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2006.
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LARÁN, Juliano A.; ESPINOZA, Francine. Consumidores satisfeitos, e então? Analisando a
satisfação
como
antecedente
da
lealdade.
Revista
Administração
Contemporânea. Curitiba, vol.8, n.2, Apr./June 2004.
LAUSCHNER, Roque. Cooperativismo e Agricultura Familiar. Publicações
CNPTIA/EMBRAPA.1994.Disponível
em:
Acesso
<http://gipaf.cnptia.embrapa.br/publicacoes/artigos-e-trabalhos/lauschner94.pdf.>
em: 25/05/2009.
SATO, Geni Satiko; MARTINS, Vagner Azarias; BUENO, Carlos Roberto. Análise
Exploratória do Perfil do Consumidor de Produtos Minimamente Processados na Cidade de
São Paulo.Informações Econômicas. São Paulo, v.37, n.6, p.62-71, jun.2007.
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UNDERHILL, Paco. Vamos às compras: a ciência do consumo. São Paulo: Campus, 1999.
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