Indicadores de Desempenho Agosto de 2014 Fatos Relevantes Agosto/2014 Vendas Industriais Atividade industrial alagoana volta a cair (-9,24%) em agosto, excluso setor sucroenergético. Custo das Operações Industriais Contribuindo com a queda da produção, o setor de Editorial e Gráfica apresenta queda de (-38,97) e as Indústrias Diversas e Mobiliário uma queda de (-79,34%). Pessoal Empregado A curva de crescimento se estendeu durante o ano e continua em agosto com a retomada do nível de contratação. Remunerações Pagas Massa salarial expande-se 3,08% em agosto. Contudo, o recuo na massa real de salários, excluindo segmento Sucroenergético se explica em parte pela redução de parte variável do salário. Horas Trabalhadas Mesmo com índices de vendas em retração, a indústria acelera sua produção com expectativa de retomada nas vendas. Utilização da Capacidade Instalada Utilização da capacidade instalada recua no mês de agosto. Destacase que o aumento das horas trabalhadas não veio acompanhado da utilização da capacidade instalada. RESUMO EXECUTIVO Em agosto a maior parte dos indicadores pesquisados registrou variação positiva, excluso dados do setor sucroenergético. A pesquisa de desempenho industrial revela em agosto que as variáveis apresentam sinais de retração dos indicadores de produção e vendas, justificada pelo refluxo do cenário de maior taxa de juros e queda na capacidade instalada. Todavia, espera-se que a indústria alagoana retome nos próximos meses ao seu patamar, considerando a previsão de que siga a tendência da economia brasileira de saída da recessão técnica no terceiro trimestre de 2014 e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 0,1% na comparação com o trimestre anterior. Além disso, existe uma perspectiva mais favorável no segundo semestre devido à previsão de início da safra açucareira que teve o seu início já no mês de agosto. Não poderia ser deixado de mencionar que nos próximos três meses, as vendas externas alagoanas devem atingir patamares superiores, considerando que a safra de açúcar atingirá o seu apogeu no período com a previsão de aumento de 7% na produção de cana-de-açúcar. Outro aspecto relevante para a retomada do desempenho das variáveis pode ser atribuído ao aumento de 14% do emprego industrial em agosto frente a julho. Tal indicador deve ser analisado também ao se comparar a base do CAGED/MT que sinalizou para o estado de Alagoas a nona colocação no Brasil em geração de novos empregos nos mês. Nessa lógica, houve aumento de 4.249 novas vagas, representando 4,2% das vagas de empregos geradas em todo o Brasil. Entre os setores que elevaram o número de postos de trabalhos, destacam-se a Indústria da Transformação Informativo da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas www.fiea.org.br (+2.587 postos) e Serviços (+1.059 postos). Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, nos primeiros oito meses do corrente ano, houve elevação de 30.763 empregos em Alagoas. Nesse panorama do mês, exerceram, influências positivas significativas, no indicador Vendas, os gêneros Indústria Mecânica (50,44%) e setor de Produtos de Materiais Plásticos e Borracha (36,45%). As vendas reais nesse período alcançaram o volume de R$272.339.490,36, o que em comparação com o mesmo período do ano anterior caracteriza queda de (-0,42%). Na contramão, no recorte setorial, a indústria de Alimentos e Bebidas recuou (-1,22%), resultado da alta base comparação do mês anterior. Na mesma direção, a indústria química recuou (-22,27%), sendo que o índice de produção caiu 7,66% e o de vendas internas teve declínio no mesmo intervalo. Mesmo com a duplicação da maior empresa do segmento, a falta de competitividade do produtor local tem impactado não só o desempenho das vendas domésticas, mas também tem dificuldade a remessa de produtos para o mercado internacional. Segundo o Perfil da Indústria nos Estados 2014, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria, Alagoas apesar de produzir R$ 6,5 bilhões em receita e responder por 22,7% da economia do estado, com o cômputo de 132 mil trabalhadores, possui o sétimo menor Produto Interno Bruto (PIB) Industrial de Alagoas passando apenas o PIB Industrial dos estados de Rondônia, Piauí, Tocantins, Acre, Roraima e Ama- 1 Vendas Industriais pá e significando o penúltimo da região Nordeste. Nessa direção, o PIB industrial do estado compreende apenas o percentual de 0,7% do nacional e 5,1% da região Nordeste. Neste perfil, os gêneros com maior relevância no PIB de Alagoas são: alimentos (57,4%), química (18,9%) e bebidas (5,7%), representando 82% da indústria de Alagoas. A indústria alagoana também tem sido afetada por alguns condicionantes internos, a saber, o baixo nível do desemprego e o elevado patamar inflacionário, os quais acabam influindo diretamente nos salários e nos custos empresariais. Do lado da demanda, a indústria vem sofrendo as consequências da redução do crescimento do consumo das famílias e da forte concorrência internacional. Ainda assim, mesmo com indicadores de queda no período, a situação das vendas da indústria alagoana demonstra um acumulado geral positivo, com destaque para a indústria mecânica, que obteve índices positivos no período, além de apresentar 412,94%, do Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 acumulado no ano. Corroborando a explicação de queda nas vendas na indústria, destaca-se, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, que o comércio varejista em Alagoas recuou suas vendas, especificamente, no mês de agosto, em (-2,5%). Ainda sim, o acumulado do ano demonstrou índices positivos, alcançando o teto de 5,5%. Registra-se a esse fato, o comportamento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que registrou 0,25% e em comparação com as taxas registradas no mês de agosto do ano anterior essa taxa elevou-se apenas 0,01%. Assim, o crescimento de alguns setores em Alagoas segue impulsionada pelo mercado interno. Segundo a análise do Instituto Fecomércio-AL, o que possivelmente caracteriza essa situação de retração na intenção de compras das famílias da capital são o crescimento do nível de inadimplência e as expectativas negativas em relação ao futuro em razão do clima político de véspera de eleições nacionais. Observa-se também uma queda na situação de renda atual. Em agosto, o indicador registrou uma redução percentual de - 4% quando comparado a julho. De acordo com a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em agosto, o ICF alcançou 130,6% contra 135,3 pontos em julho, registrando queda de 3,4%. Em comparação com agosto de 2013, o recuo foi de 4,8%. Na média de 2014, o ICF registra 133,6 pontos, com expectativa de aproximação do resultado verificado ano passado (134,6 pontos). A redução de consumo afetou mais as famílias que ganham até dez salários mínimos. Em agosto de 2014, as vendas retraíram, em termos reais, (-21,45%) sobre julho. O custo das operações industriais cresceu 3,77% em agosto na comparação com julho. Por sua vez, o emprego industrial mostrou uma expansão de 14% quando analisado a julho. A variável hora trabalhada registrou aumento de 15,08%, frente a julho. A massa salarial industrial apresentou uma expansão de 11,61% no mês de agosto em relação ao mês anterior. 2 www.fiea.org.br Atividade industrial alagoana volta a cair (-9,24%) em agosto, excluso setor sucroenergético. A trajetória das vendas em 2014 apresentou períodos de flutuação, com picos de alta a partir do mês de março. No entanto, verificase uma queda mais acentuada no período de agosto, sendo essa retração caracterizada por 10 dos 15 setores analisados na pesquisa. Na análise setorial da indústria de Alagoas, a relativa variação no mês de agosto frente ao mês de julho foi observada na Indústria Mecânica (50,44%), em seguida, o setor de Produtos de Materiais Plásticos e Borracha (36,45%). As vendas industriais nesse período alcançaram o volume de R$272.339.490,36, o que em comparação com o mesmo período do ano anterior caracteriza queda de (-0,42%). Esse recuo nas vendas é resultado principalmente da retração da indústria Editorial e Gráfica (-63,65%) e do segmento Sucroenergético (-59,33%) um dos maiores responsáveis por esse índice negativo. Não se poderia deixar de mencionar que tal situação pode ser causada por um refluxo mais prolongado da elevada expansão do ano, ou seja, de um ajuste mais moderado, marcado por índices altos de vendas no período anterior, marcado pelas festas juninas e período de férias. De acordo com o Sindaçúcar-AL, com a expectativa de crescimento de 7% em comparação ao ciclo anterior, as usinas e destilarias deverão beneficiar 23,5 milhões de toneladas de cana e produzir 2 milhões de toneladas de açúcar, além de 552.830 milhões de litros de etanol. Indicadores de Desempenho www.fiea.org.br Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 3 Horas Trabalhadas Nível de Emprego Industrial Em agosto, o emprego industrial segue em ritmo de crescimento, alcançando valores positivos de 14% Em agosto, as horas trabalhadas na produção, indicador mais relacionado com o nível de atividade, cresceu 1,24%. O nível de emprego da indústria em Alagoas apresentou indicadores de 14% de expansão. A evolução desse índice de desempenho do mercado de trabalho na Indústria de Alagoas pode ser analisada, segundo gráfico ao lado, como um dos indicadores que reflete um ritmo mais intenso de crescimento no ano. Este comportamento fica evidente na tendência que apresenta a evolução da taxa de emprego nos três meses. O setor de produtos de matérias plásticas e borracha apresenta a melhor variação, comparado ao mês de julho, com 28,37% de expansão. Essa condição é reflexo do crescimento nas vendas no setor. Todavia, ao compararmos com o mesmo período do ano anterior, verifica-se uma leve queda, indicando que mesmo com a tendência de recuperação, ainda não se alcançou o previsto do ano anterior. Dentre os fatores explicativos para o bom desempenho da variável, é plausível explicar porque o emprego aumentou ou se estabilizou nos setores intensivos em mão-de-obra. Além disso, pode-se especular que as medidas destinadas ao aumento dos juros e redução do crédito ainda não tiveram efeitos significativos em termos de diminuição do consumo. É possível perceber que o mercado de trabalho no Estado sentiu de forma menos atenuada quando comparado com o Brasil em decorrência de sua estrutura industrial ser menos intensiva em capital e tecnologia. Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 Em agosto, com a evolução ascendente no número de empregos, confirma-se também um crescimento na quantidade de horas trabalhadas. Tal comparação pode ser verificada no gráfico ao lado que demonstra o crescimento nesse terceiro trimestre. Assim, mesmo com índices de vendas em retração a indústria acelera sua produção com expectativa de retomada de vendas nos próximos períodos, marcados pelo dia das crianças e festas de final de ano. Mesmo demonstrando crescimento, verifica-se que esse resultado não ocorre de forma heterogênea e ocorre em apenas 4 dos 15 setores estudados, com destaque para o setor de produtos de matérias plásticas e borracha, contudo ainda abaixo do ocorrido em 2013. Outro setor que apresentou aumento nas horas trabalhadas é o editorial e gráfico, sendo esse de 15,05%, mesmo com retração no número de empregados, o que demonstra uma pressão na força de trabalho, já que não ocorreu novas contratações. Esse resultado pode ser justificado pelo número de dias úteis no mês e pelo número de feriados (marcados pelas festas juninas e jogos da copa) em que não houve expediente. O setor de material de transporte apresenta a maior queda na variação de horas trabalhadas no período de agosto, correspondendo a (-71,73%). Essa situação é resultado da queda nas vendas da indústria, além de uma retração nas contratações, ou seja, um aumento nas demissões. 4 www.fiea.org.br Indicadores de Desempenho www.fiea.org.br Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 5 Custo de Operações Industriais Remunerações Brutas Remunerações brutas cresceram 11,61%, indicador mais relacionado com o nível de atividade. Após três meses a indústria alagoana volta a apresentar crescimento nos custos de operações de 3,77% O mês de agosto apresentou crescimento de 11,61% nas remunerações brutas, índice demonstrado no gráfico ao lado. Após um período de queda os salários seguem uma curva ascendente nos últimos três meses. O principal setor responsável por esse crescimento foi o sucroenergético, com aumento de 24,84% nos salários, representando 56% do que foi gasto com salários na indústria alagoana. Tal cenário ocorre pelas contratações realizadas no período e preparação para início da safra. Observa-se ainda uma significante expansão nos salários do setor de papel, papelão e celulose, alcançando a margem de 20,18% de aumento, que apesar das quedas apresentadas em todos os indicadores se mostra com expectativa positivas para os próximos meses. Já a indústria mecânica caminha em sentido contrário ao esperado mesmo com crescimento nas vendas, a indústria retrai o salários em (-68,80%), que mesmo representando apenas 0,3% das remunerações no cenário alagoano, contribui para um indicativo negativo comparado ao mês anterior. Mesmo com curva ascendente na variação dos salários no últimos meses do ano corrente a indústria alagoana demonstra variação de queda no comparativo com o ano anterior, sendo representado por 8 dos 15 setores pesquisados. Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 Os custos de operações industriais na indústria alagoana apresentam índices de crescimento de 3,77% em agosto. De acordo com dados da pesquisa de desempenho industrial, os principais setores que contribuíram para esse crescimento foram: material de transporte, madeira e sucroenergético. Ao analisar a indústria de transformação sem o setor sucronergético, observa-se uma retração no COI de (-1,49%). Outros setores também contribuíram para essa baixa, o editorial e gráfica com queda de (-38,97); indústria diversas e mobiliário com (-79,34%) e minerais não-metálicos com (-15,55%) no comparativo com o mês de julho. No acumulado anual, a indústria apresenta variações de crescimento, exceto no setor de papel, papelão e celulose que demonstra em todas as categorias de análise uma queda no COI, sendo mais significativa no acumulado, de (-88,39). Como tal, a intensificação no mês ocorreu de maneira cada vez mais disseminada entre os setores industriais, refletindo em taxas de retração semelhante comparado com o ano anterior. Os dados confirmam, que seis dos quinze gêneros pesquisados, apresentaram redução nos custos. Não obstante, a despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória do consumo, espera-se que a variável no Estado aumente até final do ano devido ao aspecto sazonal açucareiro. 6 www.fiea.org.br Indicadores de Desempenho www.fiea.org.br Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 7 Capacitada Instalada Utilização da Capacidade Instalada recua significativamente em agosto de 2014 Autorizada a reprodução desde que citada a fonte. Indicadores de Desempenho Publicação mensal da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas - FIEA O cenário da indústria alagoana apresentou no mês de agosto queda da produção. Essa situação caracterizada pela retração nas vendas e pelo aumento dos custos de operação conduziu os setores pesquisados a redução da capacidade produtiva, conforme explicita o gráfico a seguir. Todavia, a variável apresenta uma performance melhor que a variável mensurada no ano anterior. No comparativo com o ano anterior, a indústria também demonstra queda na produção, sendo justificada pelo início tardio da safra no setor sucroenergético que apresentou apenas 4% de utilização da capacidade instalada. Com o nível crescente das vendas, o setor de produtos de materiais plásticos e borracha apresentou aumento da capacidade instalada, justificada pelos preparativos do dia das criança e festas de final de ano. Espera-se que em setembro a indústria passe a utilizar melhor sua capacidade instalada e aumente o seu nível produtivo. No cenário nacional, segundo dados do IBGE, em agosto de 2014, a produção industrial nacional avançou 0,7% frente ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após também crescer 0,7% em julho, quando interrompeu quatro meses seguidos de resultados negativos, período em que acumulou perda de 3,4%. Após uma melhora em julho, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação atingiu 80,5% em agosto, abaixo do indicador de julho, de 81%. Em agosto de 2013, a utilização do parque fabril era de 82,3%. Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 33 - Agosto de 2014 Federação das Indústrias do Estado de Alagoas - FIEA Presidente José Carlos Lyra de Andrade 1º Vice-presidente (supervisão) José da Silva Nogueira Filho Unidade Técnica – UNITEC/FIEA Coordenador Helvio Vilas Boas Elaboração Núcleo de Pesquisas do IEL/AL Coordenadora Eliana Sá - 82 2121.3015 Informações Técnicas Reynaldo Rubem Ferreira Júnior - 82 2121.3085 l 2121.3079 Luciana Santa Rita - 82 2121.3085 l 2121.3079 Diagramação Unidade Corporativa de Relações com o Mercado - UCRM Coordenação de Publicidade Endereço: Av. Fernandes Lima, 385 - Farol Ed. Casa da Indústria Napoleão Barbosa 6º andar - CEP: 57.055-902 8 www.fiea.org.br