Indicadores de Desempenho Publicado em março de 2015 Fatos Relevantes Dezembro/2014 Vendas Industriais As vendas no mês analisado recuaram (-8,43%), excluindo o setor sucroenergético em comparação com novembro. Custo das Operações Indutriais A pesquisa evidenciou um aumento 8,25% dos Custos Operacionais Industriais em comparação com mês anterior. Pessoal Empregado A construção civil fechou o período de 2014 com queda no número de funcionários de (-8,16%) comparando com o mês anterior. Remunerações Pagas Com a influência do pagamento da segunda parcela do 13º salário, a indústria alagoana fechou o mês de dezembro com crescimento de 7,64%. Horas Trabalhadas As Horas trabalhadas na produção expandiram em dezembro (5,49%), excluso setor sucroenergético, sendo a maior alta o segmento de Materiais de Transporte. Utilização da Capacidade Instalada Utilização da Capacidade Instalada se estabiliza em dezembro em 70,87%, reflexo da formação de uma baixa expectativa de consumo e logo não cresce de forma gradual. RESUMO EXECUTIVO Custos de Operações Industriais crescem 8,25% em dezembro, reflexo do cenário econômico do país após custo com energia, pessoal e valorização do dólar. Mesmo que o ano de 2014 tenha apresentado resultados pífios para indústria brasileira, com recuos de 3,2% da produção industrial, 3,9% das horas pagas, 3,2% do pessoal empregado e 1,1% da folha de pagamento, a indústria alagoana apresentou os seguintes destaques positivos no mês de dezembro de 2014 frente a dezembro de 2013: vendas industriais (27,72%), custo de operações industriais (1,02%), Pessoal empregado (19,23%), horas trabalhadas (112,92%) e remunerações pagas (33,54%). Tal resultado pode ser explicado pela recuperação da produção sucroenergética por parte das 20 unidades em atividade neste ciclo, que prever crescimento de 5% em comparação ao ciclo anterior, com processamento de 23,2 milhões de toneladas de cana. Ademais, a recuperação do preço da gasolina, o aumento do preço do açúcar no mercado interno e mundial, o câmbio favorável e o aumento da mistura do etanol à gasolina são fatores determinantes para o início de uma reoganização produtiva do segmento. Com o objetivo de atingir a meta de exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar VHP para o mercado mundial e americano, os embarques no porto de Maceió foram intensificados no mês de dezembro. De acordo com os últimos dados divulgados pela Empresa Alagoana de Terminais Ltda (Empat), foram exportados até o dia 17 de dezembro, 134,3 mil toneladas de açúcar. Deste total, 96 mil toneladas como destino a Venezuela, 31,5 mil toneladas a Rússia e 6,8 mil toneladas foram comercializadas para os Estados Unidos. Informativo da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas www.fiea.org.br No tocante as remunerações pagas, a indústria alagoana também apresenta destaques influenciados pelo segmento açucareiro, pois apesar da crise financeira que o setor sucroenergético alagoano atravessou nos últimos anos, um novo piso salarial – com ganho real cima da inflação – foi concedido aos trabalhadores rurais que trabalham no corte da cana. O reajuste foi dividido em duas etapas. A princípio, para os meses de novembro e dezembro, foi concedido um reajuste de 5,8% com o piso passando de R$ 746,86 para R$ 790. Em um cenário de fraco desempenho da produtividade, o aumento na remuneração média real implica pressão de custo da mão de obra. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações em Alagoas em dezembro alcançaram o valor 114, 7 milhões de dólares, representando 9,29% de crescimento frente a dezembro de 2013. Todavia, a recuperação só começou a se materializar no início do ciclo açucareiro de 2014/2015. Logo o acumulado do ano em exportações no estado alcançou o valor de 629,4 milhões de dólares, ou seja, (-15,20%) abaixo do acumulado de 2013. Argumenta-se que mesmo com uma recuperação da indústria do açúcar, outros fatores contribuíram para a deterioração do grau de confiança dos empresários e consumidores, levando o desestímulo ao investimento em ativo de capital, elemento fundamental para a retomada do crescimento da produtividade. No mês de dezembro destacaram-se, ainda, 1 dois fatores que contribuíram para o déficit da balança comercial no estado de Alagoas em 2014: queda no preço das commodities maior que a esperada, principalmente química e os gastos com importação de combustíveis, que apresentaram melhora no ano passado, mas ainda são considerados muito elevados. Nesse sentido, a pesquisa de desempenho industrial apontou em Alagoas uma leve retomada de crescimento. Conforme os dados, o número de empregos formais cresceu 1,23% em dezembro. No Brasil o setor de serviços foi o que mais gerou postos de trabalho no ano passado. Na outra ponta, a indústria de transformação foi a que mais demitiu: o setor cortou 163.817 postos de trabalho. Em 2013, a indústria havia aberto 126.359 empregos com carteira assinada. Foi a primeira vez, pelo menos, desde 2002 que a indústria registrou demissões líquidas (acima do volume de contratações). Tais cortes na indústria foram resultado da globalização e da falta de modernização das indústrias do país. Por sua vez, o emprego indus- trial apresentou pequena variação positiva, divergindo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, (MTE), ao pontuar que o Estado fechou 3.337 postos de trabalho em 2014. A queda de empregos, com carteira assinada, representa um decréscimo de 0,91% e se deve ainda aos números iniciais apresentado na crise que perpassou o setor sucroenergético. Dentre os quinze setores analisados, seis deles apresentaram retração nas vendas no período, sendo a indústria de Material de Transportes com (-36,37%), Indústria Química com queda de (-22,9%) e Vestuário e Calçados com (-14,13%) que demonstraram os piores resultados comparados com o mês anterior. Pesaram nesse resultado fatores como: agravamento de problemas estrutrais nesses segmentos, queda da confiança do consumidor, indefinição da politica econômica do governo e ajuste defensivo do setor a uma conjuntura econômica desfavorável de retração das demandas doméstica e externa. Em Alagoas, os Custos Operacionais apresentaram crescimento de 8,25%, bem acima do Indicador de Custos Industriais Nacional que expandiu 3,0% no final de 2014 em relação ao terceiro trimestre. Esse indicador de Custos Industriais é formado por custos de produção, custo de capital de giro e custo tributário. Esse aumento foi puxado pela expansão de 4,9% no custo tributário e pela expansão de 2,5% no custo com produção no mesmo período, o custo de produção, inclui gastos com pessoal, energia elétrica e compras de bens intermediários. Em dezembro de 2014, as vendas da indústria expandiram, em termos reais, (0,63%) sobre novembro. Por sua vez, o emprego industrial mostrou um crescimento de (1,23%) quando comparado a novembro. A variável hora trabalhada também registrou aumento de (2,94%), frente a novembro. O nível de utilização da capacidade instalada passou de 69% para 71% em dezembro. A massa salarial industrial apresentou expansão de (7,64%) no mês. Por fim, o COI expandiu 8,25% frente a novembro. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 2 www.fiea.org.br Vendas Industriais As vendas industriais no mês de dezembro apresentaram desaceleração, sendo o valor positivo sustentado pelo setor sucroenergético. Analisando o indicador de vendas da indústria alagoana percebe-se um quadro de instabilidade na produção industrial, avançando pelo sexto mês seguido na passagem mensal. Todavia o mês de dezembro apresentou baixo crescimento, sendo mais um reflexo da base fraca de novembro do que um ponto de inflexão, conforme demonstra o gráfico da evolução das vendas. As vendas no mês analisado recuaram (-8,43%), excluindo o setor sucroenergético em comparação com novembro. Os setores que apresentaram destaque de crescimento nesse período foi a construção civil com aumento de (68,93%) frente a novembro, a indústria Editorial e Gráfica com (82,2%) e o sucroenergético (16,35%) de aumento. Com destaque Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL percebe-se que o aumento das encomendas industriais influenciam, em parte, o aumento da utilização dos fatores de produção. Dessa forma, o nível de utilização da capacidade instalada, por sua vez, encerrou o ano em 71%. Após quase quatro meses do início da safra, foram produzidas pelas unidades produtoras e açúcar e de etanol 689 mil toneladas de açúcar. A quantidade de açúcar produzido representa um aumento de 1,3% ante ao mesmo período da moagem passada, quando o acumulado era de 680 mil toneladas, segundo o SINDAÇUCAR/AL. Nos próximos meses o decreto que regulamenta a subvenção deve ser publicado pelo governo federal. Em Alagoas a subvenção deve beneficiar cerca de 7,5 mil fornecedores de cana e 20 indústrias, com o pagamento da subvenção da cana e do etanol, estimado em cerca de R$ 210 milhões. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho www.fiea.org.br Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 3 Nível de Emprego Industrial Emprego industrial segue como variável mais constante em 2014, mesmo com leve retomada de crescimento do ritmo em dezembro. O nível de empregos na indústria alagoana, voltou a crescer no mês de dezembro, após uma leve queda em novembro, como observa-se no gráfico da evolução de quantidade emprego. Dados da Pesquisa de Desempenho destacam que o emprego industrial aumentou (1,23%) em dezembro, na comparação com o mês anterior. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) o país gerou 396.993 vagas de empregos formais em 2014. O número de empregos criados em todo ano passado representa uma queda de (-64,4%) em relação às vagas abertas em 2013. Entre as justificativas, destacam-se: ano atípico, com copa do mundo, eleições, crise mundial. Somente no mês de dezembro, ainda de acordo com dados oficiais, houve o fechamento (demissões superaram contratações) de 555,5 mil empregos com carteira assinada. O mês de dezembro tradicionalmente registra demissões, contudo essa foi a pior variação desde 2008. No recorte setorial, a construção civil fechou o período de 2014 com queda no número de funcionários de (-8,16%) comparando com o mês anterior, não houve parâmetros para comparação com o mesmo período do ano anterior. A indústria de material de transporte também apresentou queda de (-4,76%) do pessoal empregado. A indústria diversas e mobiliário também apresentou retração em dezembro de (-1,57%), contudo ao compararmos com o mesmo período do ano anterior houve crescimento de 0,21% do pessoal empregado. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 4 www.fiea.org.br Horas Trabalhadas Horas trabalhadas na produção expandiram em dezembro (5,49%), excluso setor sucroenergético. Os dados da Pesquisa de Desempenho demonstram uma expansão da quantidade de horas trabalhadas em dezembro, na comparação com novembro. Assim, a variável apresentou intensa expansão de (5,49%) no mês, excluso setor sucroenergético, contra novembro, influenciadas, principalmente, pela expansão do corte da matéria-prima do setor sucroenergético. É importante sublinhar que o efeito sazonal, visto que o mês de dezembro é, normalmente, de maior aquecimento na indústria, foi, também, responsável pelo resultado do indicador. De acordo com a CNI avaliando apenas o mês de dezembro, a totalidade dos indicadores caiu em relação a igual período de 2013. O recuo mais expressivo ocorreu nas horas trabalhadas. O dado, que mede o ritmo da produção industrial, caiu 7% no período. Comparando-se dezembro com novembro de 2014, as horas trabalhadas na produção industrial caíram 3,3%, enquanto o faturamento real recuou 3,1%. De acordo com o Caged, Alagoas foi o terceiro estado do país onde mais se demitiu no ano passado. Em dezembro, as maiores influências positivo vieram dos seguintes setores: Material de transporte (149,04%), Produtos Plasticos e Borrachas (43,32%) e Química (-12,78%). Esse indicador registrou movimento dividido setorialmente: três setores registraram redução de horas trabalhadas. Ainda que otimista quando comparado com o mesmo período do ano anterior acredita-se ser necessário a ampliação dos investimentos como relevante para a sustentação da economia local, torna-se aparente a fragilidade setorial. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho www.fiea.org.br Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 5 Remunerações Brutas O índice salarial acompanhou o crescimento dos últimos meses, de 12,30%, excluindo setor sucroenergético, a mais que o mês de novembro. Com a influência do pagamento da segunda parcela do 13º salário, a indústria alagoana fechou o mês de dezembro com crescimento de 7,64%; esse resultado também é reflexo do aumento das horas trabalhadas e pessoal empregado. Analisando a variável, sem a influência sazonal açucareira, verifica-se no mês um crescimento da ordem de (12,3%). Boa parte deste desempenho deve-se ao comportamento das Indústrias Produtos Alimentares e Bebidas, a indústria Mecânica e a indústria Química que demonstraram maior crescimento na massa salarial no período. As justificativas apontadas para explicar tal desempenho referem-se ao pagamento de parte do décimo terceiro salário, pagamento de férias e gratificações adicionais. Ao analisarmos o movimento de disseminação da atividade industrial, constata-se que seis, dos quinze gêneros pesquisados, apresentaram recuo nos salários em dezembro. Sublinha-se que a maior retração na variável ocorreu no gênero de Material de Transporte (-17,02%), esse foi um reflexo da quantidade de funcionários reduzida no período. Também apontado como consequência de retração no setor, é o cenário nacional, São Paulo teve desempenho desfavorável de emprego no maior parque industrial do país da indústria automotiva, representando quase a totalidade da indústria de materiais de transporte, o setor respondeu por expressivos recuos, no emprego, folha de pagamento e horas pagas, segundo pesquisa do IBGE. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 6 www.fiea.org.br Custo de Operações Industriais COI aumenta em dezembro, impulsionado, em parte, pelo ajuste dos estoques. A pesquisa evidenciou um aumento dos Custos Operacionais Industriais, visto que a indústria alagoana registrou, em dezembro de 2014, uma expansão de (8,25%) na variável, em comparação com mês anterior. Entende-se que mesmo com a atividade produtiva menos aquecida, as expectativas dos empresários ainda são relevantes para a formação de estoque da produção no final de ano. Ao analisarmos a variável sem a influência açucareira, percebe-se queda no mês ordem de (-3,8%). Os setores tem apresentado variações negativas até no preço do produto, que apresentou uma variação de – 10,5%. Contudo, políticas econômicas implantadas sustentaram a estabilidade dos custos industriais, como controle do aumento das tarifas públicas e energia. Os custos da indústria do açúcar no período de dezembro foi o maior dentre os gêneros analisados, com aumento de 40,88%, considerando o congelamento da gasolina no período. Considerando os dados de consumo de energia, o aumento dos custos de energia e a crise hídrica, com também elevação das tarifas de água em algumas cidades do país, ampliaram as dificuldades de vários segmentos industriais neste ano e o cenário pode piorar em 2015. Assim, seguiram registrando os maiores aumento as indústrias: Editorial e Gráfica com 22,59%, Indústria Mecânica de 5,82% e Indústria Diversas e Mobiliário com 4,99%, além do setor sucroenergético já mencionado. No cenário nacional, o Indicador de Custos Industriais caiu 3% no quarto trimestre deste ano em relação ao terceiro trimestre. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho www.fiea.org.br Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 7 Capacitada Instalada Utilização da Capacidade Instalada estabiliza em dezembro, reflexo da formação de expectativa de consumo e não cresce de forma gradual. (UCI), apresentando após agosto uma retomada de crescimento, seguindo um aumento produtivo para retomada das vendas e complementaridade de estoque. O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação atingiu 81,0% em dezembro de 2014, uma queda em relação a dezembro do ano anterior, quando a utilização do parque fabril era de 81,7%. Em novembro, estava em 80,9%. A retração foi de 3,1% em dezembro ante novembro e de 2,5% ante dezembro de 2013. A indústria registrou uma queda de 1,8% no faturamento das empresas em 2014 ante 2013. Por sua vez, os dados revelaram que a utilização da capacidade instalada da Indústria Alagoana alcançou em 2014 uma redução em torno de 0,57% em relação a 2013. Essa redução foi ocasionada principalmente pelos gêneros da Construção Civil com queda de 11,8% de diferença, Vestuário e Calçados com a maior 82%, Madeira com 28,89% e a indústria de Editorial e Gráfica com queda de 16,11% da utilização da capacidade instalada. Ainda pode-se destacar a queda no setor sucroenergético, sendo esta de 6,42%. Contudo, o setor se excluso da análise transforma o cenário, visto que sem ele a indústria tem uma queda de sua capacidade instalada em média de 13,17%. Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Fonte: Núcleo de Pesquisa IEL/AL Indicadores de Desempenho Ano 5 - nº 38 - Dezembro de 2014 8 www.fiea.org.br Autorizada a reprodução desde que citada a fonte. Indicadores de Desempenho Publicação mensal da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas - FIEA Federação das Indústrias do Estado de Alagoas - FIEA Presidente José Carlos Lyra de Andrade 1º Vice-presidente (supervisão) José da Silva Nogueira Filho Unidade Técnica – UNITEC/FIEA Coordenador Helvio Vilas Boas Elaboração Núcleo de Pesquisas do IEL/AL Coordenadora Eliana Sá - 82 2121.3015 Informações Técnicas Reynaldo Rubem Ferreira Júnior - 82 2121.3085 l 2121.3079 Luciana Santa Rita - 82 2121.3085 l 2121.3079 Diagramação Gerência Executiva de Comunicação Coordenação de Publicidade Endereço: Av. Fernandes Lima, 385 - Farol Ed. Casa da Indústria Napoleão Barbosa 6º andar - CEP: 57.055-902