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CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO PARANÁ
CÂMARA TÉCNICA DE EXECUÇÃO E GESTÃO DO TRABALHO
“ARQUITETURA NA SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO”
RESUMO
Este artigo apresenta uma abordagem sobre a análise que deve ser efetuada pelo arquiteto quando
do desenvolvimento de um projeto de arquitetura especificamente sobre aspectos relacionados à
segurança contra incêndio, traçando paralelos entre as exigências normativas e os fundamentos do
fogo visando o entendimento conceitual do risco e das diferentes formas de minimizá-lo.
Palavras-chaves: arquitetura e segurança contra incêndio, acesso de viaturas nas edificações,
isolamento de risco, controle de materiais acabamento e revestimento, compartimentação de áreas.
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INTRODUÇÃO
No Brasil, nas últimas décadas, o nível de proteção contra incêndio das edificações tem
aumentado significativamente, esse aumento pode ser atribuído ao desenvolvimento e aplicação das
normas de segurança, que ganharam corpo principalmente após os grandes incêndios ocorridos nos
edifícios Andraus em fevereiro de 1972 e Joelma em fevereiro de 1974, ambos registrados na cidade
de São Paulo.
Devido à gravidade desses dois incidentes e ao elevado número de vítimas fatais por eles
produzidos, a sociedade civil organizada e o poder público da época sentiram a necessidade da
criação de normas de segurança contra incêndio mais efetivas.
O temor em relação à fragilidade dos edifícios de grande altura, frente a uma situação de
sinistro, deu origem então às normas e regulamentos mais rígidos, principalmente em relação aos
meios de abandono e aos sistemas de proteção contra incêndio a serem instalados nessas
edificações. Atualmente, verifica-se que o nível de exigências de proteção contra incêndio contidas
nessas normas são diretamente proporcionais ao porte, ao risco de incêndio e ao tipo de ocupação
destas edificações.
Contudo, embora as normas de segurança tenham incorporado avanços tecnológicos
significativos em relação à proteção contra incêndio, em destaque a proteção passiva, representada
pela exigência de elementos aplicados na edificação com o objetivo de reduzir a possibilidade de
propagação do fogo, a simples aplicação dessas normas não garantem por si só a integridade de
pessoas e edificações frente a uma situação de sinistro.
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No processo de proteção de uma edificação há vários fatores que devem ser observados,
que vão desde a concepção do projeto até a sua utilização, sendo de fundamental importância o
envolvimento de todos os atores em cada uma das diversas fases do ciclo de vida de um edifício.
Assim sendo, cabe ao arquiteto, uma das fases mais importantes no aspecto de segurança
contra incêndio, a partir da concepção do projeto arquitetônico, esse profissional tem a possibilidade
de inserir elementos construtivos que irão reduzir significativamente a possibilidade de ocorrência de
um incêndio e ainda minimizar seus efeitos caso esse não tenha sido evitado.
Como dito anteriormente a simples aplicação de regras pré-estabelecidas não garantem a
segurança da edificação, cabe portanto ao profissional da área de arquitetura um conhecimento
prévio da dinâmica de um incêndio; como ele pode ser iniciado, como ele pode se propagar pelos
diversos elementos construtivos, quais são os efeitos do calor e da fumaça na edificação e qual será
a reação das pessoas em situação de incêndio e pânico.
Com base na assertiva anterior será apresentado nesse artigo as principais características
que devem ser observadas quando da concepção de um projeto arquitetônico, trazendo não somente
as exigências normativas, mas principalmente procurando esclarecer os cuidados que devem ser
observados com base nos conceitos básicos de segurança contra incêndio, para que além da beleza,
forma, volume, funcionalidade, conforto térmico e acústico, a edificação possa ser pensada e
projetada para um possível cenário de incêndio.
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EVOLUÇÃO DO INCÊNDIO - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O incêndio pode ser considerado como um fogo indesejável, qualquer que seja a sua
dimensão ou área de atuação, podendo ficar confinado somente em um compartimento ou se
propagar para toda a edificação (ARAÚJO, 2004).
Compartimento, pode ser entendido como uma determinada área da edificação (cômodo)
onde o incêndio e seus efeitos ficam retidos e não se propagam para outros cômodos da mesma
edificação ou para as edificações adjacentes (GOUVÊIA, 2006).
Considera-se que um incêndio seja composto essencialmente de três fases: ignição,
aquecimento e resfriamento. O período de maior crescimento da temperatura num incêndio
compartimentado ocorre no momento seguinte ao flashover, ponto onde todo material orgânico entra
em combustão espontânea (SILVA e FAKURY, 2002).
A esse respeito, Gouvêia (2006), apresenta uma descrição dos incêndios por meio de uma
curva tempo-temperatura,  (t), segundo o autor, admitindo que um incêndio desde o seu início até a
sua extinção tenha uma distribuição uniforme de temperatura, este poderá ser representado por uma
curva, conforme mostrado na Figura 1.
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Figura 1 – Curva de desenvolvimento de um incêndio
A fase inicial da curva denominada de ignição, possui um crescimento relativamente linear
da temperatura ambiente, atingindo no período de 2 a 5 minutos entre 250 a 350°C. Nesta fase o
incêndio ainda não envolveu todo o compartimento, porém, ao final dela, o volume de fumaça
produzido é grande e há uma redução significativa da visibilidade, comprometendo as condições de
sustentação da vida para os seres humanos.
A fase seguinte, que é a inflamação generalizada, se caracteriza pela elevação acentuada
da temperatura, pela presença de grandes volumes de fumaça e pela rápida propagação do fogo. A
duração desta fase depende de diversos parâmetros, entre eles a densidade da carga de incêndio e o
fator de ventilação, mas em geral, é de 20 a 40 minutos ou até que cerca de 60% a 80% da carga
combustível seja consumida.
A fase de extinção pode durar de 1 a 3 horas, nela ocorre o resfriamento gradativo do
ambiente incendiado, podendo haver o reinício do incêndio caso todo o material combustível não
tenha sido consumido, ou ainda o colapso de elementos estruturais e de vedação.
Liang e Chow (2002), enfatizam que dentre os processos físicos e químicos que envolvem
um incêndio num compartimento, o flashover é de grande interesse. Para esses autores quando
ocorre o flashover o incêndio salta de um regime de crescimento linear, para uma inflamação
generalizada ocasionando grandes danos à estrutura da edificação.
A Figura 2, apresenta esquematicamente a fase anterior ao flashover, onde ocorre grande
desenvolvimento de fumaça e gases quentes, e caso não hajam abertura suficientes na parte
superior do compartimento, se acumulam no nível do teto.
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Figura 2 – Fase anterior ao flashover
Embora os fenômenos físicos e químicos que regem o desenvolvimento e propagação do
fogo sejam amplamente conhecidos, torna-se difícil em função das inúmeras varáveis existentes,
prever a sucessão de eventos que fazem com que um foco de incêndio, inicialmente confinado a uma
área, propague-se por corredores e salas vizinhas e por vezes locais muito distantes do local de
origem. (ROMANI E YANAGIHARA, 1995).
A complexidade do desenvolvimento de um incêndio é consequência do forte acoplamento
dos fenômenos físicos elementares que o compõe e da dependência de um grande número de
parâmetros, tais como: volume e geometria do compartimento, tamanho e situação das fontes de
ignição, natureza e quantidade dos materiais combustíveis presentes no local, existência ou não de
entradas e saídas de ar, ventilação, etc.
A esse respeito, Tavares (2003), conclui que as aberturas existentes em uma edificação
inserem uma variável antrópica no incêndio: o fator ventilação. Segundo ainda o autor a ventilação
determinará a quantidade de comburente que estará entrando no ambiente, o que é crucial em
relação à propagação ou a extinção de um incêndio.
Romani e Yanagihara (1995), discorrendo sobre algumas hipóteses da propagação do fogo
em um ambiente, relatam que caso haja uma abertura no teto ou nas paredes, os gases quentes não
ficarão acumulados no compartimento e o incêndio poderá ficar confinado à sua área de origem. Da
mesma maneira, se houver no local um sistema de proteção contra incêndio ativado, este poderá
retardar ou impedir a propagação das chamas.
Por outro lado, do ponto de vista da segurança das pessoas, observa-se que associado ao
incêndio e acompanhando o fenômeno da combustão, aparecem em geral, quatro causas
determinantes de uma situação perigosa: calor, chamas, fumaça e insuficiência de oxigênio.
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Do ponto de vista de segurança das pessoas, entre os quatro fatores considerados, a
fumaça é a que causa danos mais graves, e, portanto deve ser um dos fatores mais importantes a ser
considerado (SECCO, 1982).
Haddad e Guenther (2002), ratificam a assertiva anterior, afirmando que do ponto de vista
do usuário da edificação, a fumaça é muito mais preocupante no desenvolvimento de incêndio que o
fogo propriamente dito, nela estão contidos gases tóxicos ou asfixiantes como CO e CO 2 e sua
produção mesmo em pequenos focos de incêndio pode dificultar ou impedir a visão dos ocupantes
para as rotas de fuga e saídas de emergência.
Desta forma, o conhecimento ou a predição da movimentação da fumaça e o
comportamento humano em situação de incêndio, são também variáveis de grande importância na
avaliação e definição do projeto arquitetônico e devem ser cuidadosamente estudadas para que as
soluções adotadas sejam compatíveis com as características dos ocupantes das edificações.
A esse respeito, Ono (2002), afirma que a efetividade das medidas de segurança contra
incêndio, depende, essencialmente, da conscientização e do conhecimento dos usuários e
responsáveis pelas edificações, porém, pouco se conhece do perfil desses importantes personagens,
nem de seu nível de conscientização quanto ao tema segurança contra incêndio.
Para Watts (1998), as pesquisas desenvolvidas na área de segurança contra incêndio estão
focalizadas na dinâmica e o comportamento do fogo, porém pouco foi desenvolvido em relação ao
comportamento humano em situação de incêndio. De acordo ainda com o autor os aspectos
ergonômicos como por exemplo, a força máxima necessária para abrir uma saída de emergência, e
também a forma de sinalização de saída devem ser melhor avaliadas considerando o comportamento
das pessoas em uma situação real de incêndio.
Pires (2005), relata que os modelos de simulação do comportamento humano em situações
de incêndio existentes não avaliam o comportamento cognitivo. Segundo ele, se os aspectos
cognitivos não forem corretamente considerados, os resultados fornecidos por tais modelos ficam
muito longe da realidade. Comportamento cognitivo pode ser definido como um processo de
conhecimento, que tem como material a informação do meio em que em se vive e o que já está
registrado na memória.
Convém salientar no entanto, que as algumas normas de segurança contra incêndio, em
especial as que tratam do abandono de edificações, mesmo que timidamente, já consideram alguns
parâmetros em relação ao comportamento humano em situação de incêndio, contudo, observa-se
que essa análise ocorre de maneira mecanicista sem considerar a multidisciplinaridade da matéria,
pois envolve conhecimentos nas áreas de psicologia, ergonomia, medicina entre outros.
Em suma, observa-se, portanto, que vários são os fatores que influenciam na evolução de
um incêndio e no comportamento humano frente a uma situação de emergência o que ratifica em
termos absolutos a unicidade de um projeto arquitetônico, não sendo prudente restringir-se quando
da elaboração do mesmo, apenas na aplicação pura e simples dos códigos de segurança, que em
razão de seu caráter normativo não tem como prever todas as especificidades de cada edificação.
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Dessa maneira, as normas de proteção devem ser utilizadas como um guia a ser seguido
na concepção de projetos de arquitetura, considerando que os aspectos por elas contemplados
refletem os requisitos mínimos de segurança, cabendo ao responsável técnico realizar uma análise
de risco com o objetivo de identificar todas as hipóteses possíveis de serem encontradas em uma
situação real de incêndio.
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FATORES A SEREM AVALIADOS NA ARQUITETURA DE UMA EDIFICAÇÃO EM
RELAÇÃO À PROTEÇÃO CONTRA O INCÊNDIO
A segurança de uma edificação deve ser pensada a partir da definição de sua arquitetura,
considerando principalmente entre outras ações: a aplicação das normas de proteção contra
incêndio, os conceitos fundamentais da dinâmica do fogo e o comportamento humano em situações
de emergência.
Nesse sentido, cabe ao arquiteto avaliar cuidadosamente qual o potencial de risco da
edificação que está projetando, para que possa analisar e prever medidas de proteção contra
incêndio mais adequadas as características construtivas do empreendimento, visando atender as
exigências legais e procurando proporcionar ainda o maior nível de segurança com o menor custo.
Medidas de proteção são mecanismos que objetivam dificultar a propagação do incêndio e
assegurar a estabilidade da edificação, normalmente dividem-se em ativas e passivas, e são
classificadas conforme sua forma de atuação, reagindo ou não em uma situação de incêndio.
Exemplos de proteção ativa: extintores, hidrantes, chuveiros automáticos, controle de fumaça.
Exemplos de proteção passiva: separação entre edificações, compartimentação, controle de materiais
de acabamento e de revestimento, proteção estrutural.
Embora a definição da arquitetura influencie na implantação de ambas as medidas de
proteção, as medidas passivas devem receber uma atenção especial pois fazem parte da estrutura da
edificação e caso não sejam bem resolvidas podem inviabilizar uma obra ou elevar significativamente
o seu custo.
Desse modo será apresentado a seguir alguns dos principais cuidados a serem tomados
quando da elaboração de um projeto arquitetônico, analisando essencialmente os aspectos
relacionados à proteção passiva das seguintes medidas de segurança:
 Acesso de viaturas nas edificações e áreas de risco;
 Separação entre edificações – Isolamento de risco;
 Compartimentação horizontal e vertical;
 Controle de materiais de acabamento e de revestimento.
3.1
Acesso de viaturas nas edificações e áreas de risco
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A elaboração de um projeto arquitetônico passa por diversas fases, entre elas a implantação
da obra no terreno, nessa fase cabe ao arquiteto analisar várias alternativas visando atender, entre
outras exigências: as necessidades do cliente, a topografia do terreno, os aspectos climáticos do
local, as características físicas das edificações do entorno local, o ambiente sonoro gerado pelo
tráfego urbano e as características do projeto arquitetônico da edificação a ser implantada.
Entretanto raras são vezes que durante o processo de análise de implantação de uma obra
os aspectos de segurança contra incêndio são considerados, geralmente procura-se atender as
exigências mínimas constantes nas legislações pertinentes sem avaliar o potencial de risco da
edificação a ser implantada e o seu entorno.
Nesse sentido, dois aspectos fundamentais devem ser avaliados na implantação de uma
obra em um determinado terreno: o acesso de viatura na edificação e áreas de risco e o afastamento
entre as construções.
Em relação ao acesso de viaturas na edificação e área de risco, basicamente devem ser
observados os seguintes fatores:
 o portão de acesso deve ter no mínimo 4,0m de largura e 4,5m de altura livre;
 a via de circulação interna deve ter uma largura mínima 6,0m e a capacidade para
suportar viaturas com peso de 25 toneladas distribuídas em dois eixos (Figura 3).
Segundo a norma de procedimento técnico do Corpo de Bombeiros do Paraná, que trata
desse assunto, a NPT 006 – Acesso de viaturas nas edificações e áreas de risco, essas exigências
são obrigatórias somente para edificações cuja ocupação se enquadre como centros esportivos, de
exibição, e eventos temporários com população superior a 2.500 pessoas, e locais de produção,
armazenamento e/ou distribuição de gases e líquidos combustíveis e inflamáveis.
Para as demais ocupações essas exigências são apenas recomendadas, com exceção do
portão de entrada, que, quando existir, deve atender as dimensões mínimas especificadas
anteriormente, independentemente do tipo de ocupação (Figura 4).
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Figura 3 – Condições mínimas para acesso de viaturas em edificações e áreas de risco
Figura 4 – Largura e altura mínimas do portão de acesso a edificação ou área de risco
A adoção desses cuidados permite que numa situação de emergência, o caminhão do
Corpo de Bombeiros possa acessar a edificação para atuar em ações de resgate e combate a
incêndio, evitando tragédias como a ocorrida no ano de 2004 em um edifício residencial na cidade de
Foz do Iguaçu, onde um casal de idosos morreu sem que pudessem ser resgatados pela janela do
apartamento em razão da impossibilidade de aproximação da plataforma mecânica à fachada do
edifício (Figuras 5, 6 e 7)
Figura 5 – Vítimas do incêndio do edifício residencial em Foz do Iguaçu aguardando resgate
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Figura 6 – Plataforma de resgate do Corpo de Bombeiros sem possibilidade de aproximação
Figura 7 – Fachada do prédio sem acesso à plataforma de resgate do Corpo de Bombeiros
Observando essas imagens, podemos verificar o quanto é importante prever vias de acesso
para os caminhões de resgate e combate a incêndio do Corpo de Bombeiros, mas o que fazer
quando não há possibilidade de atender esses requisitos mínimos?
Nos casos em que não haja condições técnicas para a previsão de acesso de veículos de
resgate junto à fachada, deve-se introduzir na edificação medidas mitigadoras do risco de incêndio,
com o objetivo de minimizar a possibilidade de propagação do fogo e fumaça pelos compartimentos,
possibilitando que o ocupante da edificação possa acessar a escada de segurança interna com sua
integridade física preservada.
Sobre esse aspecto, a norma brasileira de saídas de emergência, a NBR 9077, estabelece
que se a edificação tiver altura superior a 12,0m e for dotada de pavimentos recuados em relação aos
pavimentos inferiores, de tal forma que as escadas dos bombeiros não possam atingí-los, ou
situadas em locais onde é impossível o acesso de viaturas de bombeiros, a classificação segundo a
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altura passar a ser “Edificação Alta” e a escada da edificação deve ser do tipo à prova de fumaça
(PF).
Da mesma forma, a norma de procedimento técnico nº 011, do Corpo de Bombeiros do
Paraná, que trata das saídas de emergência, estabelece a obrigatoriedade de escada enclausurada a
prova de fumaça (PF), para edificações com altura superior a 23,0m e que não possuam acesso à
fachada.
Conceitualmente, pode-se admitir que se não houver possibilidade de acessar os
compartimentos por meio da fachada, o abandono da edificação só poderá ocorrer por meio
das vias internas (acessos, portas e escadas), sendo necessário portanto assegurar que esses
elementos sejam completamente seguros.
3.2
Separação entre edificações – Isolamento de risco
Outra análise importante a ser efetuada ainda no processo de implantação da obra, é a
verificação da possibilidade de se obter o isolamento de risco por meio de distâncias de segurança
entre fachadas de edificações adjacentes ou pela instalação de paredes corta fogo entre duas
construções. Nos dois casos o objetivo é evitar que o incêndio proveniente de uma edificação em
chamas (expositora) se propague para uma edificação vizinha (em exposição), ver figura 8.
As normas de segurança que tratam do assunto, em especial a norma de procedimento
técnico nº 007 – Isolamento de risco, estabelece procedimentos de cálculo para a obtenção de uma
distância mínima de segurança entre edificações e leva em conta a carga de incêndio, o percentual
de abertura das fachadas e as dimensões do painel radiante.
A determinação dessa distância pelo método de cálculo apontado pela norma é baseada em
estudos nos quais materiais combustíveis podem inflamar-se quando submetidos a uma energia
térmica de 12,5 kW/m2.
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Expositora
Em exposição
Figura 8 – Edificação expositora e em exposição
Conforme anteriormente relatado, o objetivo desse trabalho não é aplicação pura e simples
da norma, e sim buscar relacionar os fenômenos da dinâmica do incêndio com os requisitos
normativos. Assim sendo não será apresentado aqui nenhum roteiro de cálculo, apenas os conceitos
que deram origem a modelação matemática e os principais fatores a serem observados pelos
projetistas na determinação do isolamento de risco.
Observe, portanto, a figura 9 a seguir, nela se pode constatar o fenômeno associado as
formas de propagação do calor, embora nos três casos a carga de incêndio seja a mesma (palito de
fósforo) a forma como o material combustível queima é diferente em cada uma das situações:
 em (1) a condução do calor é preponderante, a radiação de energia contribui e a
convecção praticamente não contribui;
 em (2) a radiação de energia e a condução do calor são preponderantes, a
convecção do calor pouco participa;
 em (3) a condução do calor, convecção e a radiação de energia contribuem
proporcionalmente.
Figura 9 – Formas de propagação de calor
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O mesmo conceito apresentado no exemplo anterior deve ser aplicado na verificação das
distâncias mínimas de segurança para consideração de isolamento de risco, ou seja, dependendo do
arranjo físico adotado na implantação da obra este poderá favorecer ou não na propagação do
incêndio entre edificações.
Sobre esse assunto, a NPT 007, em seu item 5, estabelece que o tipo de propagação e o
consequente tipo de isolamento a ser adotado dependem do arranjo físico das edificações e podem
ser das seguintes formas:
 Entre as fachadas das edificações adjacentes, por radiação térmica (figura 10);
 Entre a cobertura de uma edificação de menor altura e a fachada da outra edificação,
por radiação térmica (figura 11);
 Entre duas edificações geminadas, pelas aberturas localizadas em suas fachadas
e/ou pelas coberturas das mesmas, pelas três formas de transferência de energia
(figura 12).
 Entre edificações geminadas, por meio da cobertura de uma edificação de menor
altura e a fachada de outra edificação, pelas três formas de transferência de energia
(figura 13).
Figura 11 – Propagação entre fachadas
Figura 13 – Propagação entre duas edificações
geminadas com a mesma altura
Figura 12 – Propagação entre cobertura e fachada
Figura 14 – Propagação entre duas edificações
geminadas com alturas diferentes
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Como se pode observar o isolamento de risco está associado à forma de propagação de
calor entre os diversos tipos de arranjo físico das edificações e as características construtivas das
mesmas, em destaque a carga de incêndio e o percentual de aberturas da fachada, esses são os
principais fatores que deram origem a modelação matemática para a determinação da distância
mínima de afastamento.
Cabe ressaltar ainda que o isolamento de risco não é uma medida de proteção
compulsória, ou seja, não há obrigatoriedade de atendê-la, porém deve sempre ser avaliado a
possibilidade de se obter as distâncias mínimas afastamento entre edificações, tanto no
mesmo lote como em lotes distintos, evitando dessa forma a propagação de incêndios entre
construções vizinhas.
3.3
Compartimentação horizontal e compartimentação vertical
A compartimentação de áreas é uma das principais medidas de proteção passiva de
segurança contra incêndio, é a técnica que consiste na interposição de elementos de construção
resistentes ao fogo, destinadas a separar um ou mais ambientes do restante da edificação, com o
objetivo de minimizar os efeitos da propagação do fogo, podendo ser obtida nos planos horizontal e
vertical.
Embora pareça ser uma medida de proteção de difícil aplicação, seu conceito é
extremamente fácil de ser entendido e de vital importância para o controle de um incêndio em uma
edificação. O objetivo principal é vedar qualquer possibilidade de passagem de fogo, fumaça e gases
quentes para o compartimento ou pavimento vizinho.
Essa vedação é obtida por meio de elementos compartimentadores que devem garantir a
estabilidade, a estanqueidade e o isolamento térmico pelo tempo requerido de resistência ao fogo –
TRRF, mínimo estabelecido pela norma. O TRRF, ao contrário que sua denominação possa induzir,
não está relacionado ao tempo que uma estrutura resistirá ao incêndio sem que esta entre em
colapso. Esse tempo está associado à curva de incêndio padrão e refere-se à temperatura de ensaio
em que os materiais podem ser submetidos sem que comprometam os requisitos mínimos de
compartimentação (Figura 15).
Figura 15 – Requisitos mínimos de compartimentação
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Busca-se com a aplicação dessa medida de proteção evitar tragédias como os incêndios
ocorridos nos edifícios Andraus e Joelma, onde toda a edificação foi tomada pelo fogo em razão da
facilidade de propagação principalmente no sentido vertical (Figura 18). Hoje a norma não mais
permite que edifícios verticais possuam aberturas desprotegidas em toda a sua extensão, interna ou
externamente, reduzindo significativamente a probabilidade de incêndios generalizados.
Figura 18 – Incêndio nos edifícios Andraus e Joelma
A compartimentação horizontal destina-se a confinar o incêndio no pavimento atingido e
evitar a sua propagação para os demais ambientes dentro do mesmo pavimento, pode ser obtida com
a criação de barreiras verticais tais como: paredes de compartimentação de áreas, portas e
vedadores corta-fogo, selagens corta fogo, registros ou dampers corta-fogo nas tubulações de
ventilação e ar condicionado (Figura 16).
Figura 16 – Compartimentação horizontal
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O principal elemento compartimentador horizontal é a própria parede de alvenaria de
separação de ambientes, que de modo geral já possui o TRRF mínimo exigido para a maioria das
edificações térreas com baixa a moderada carga de incêndio, entretanto, qualquer abertura existente
nessa parede deve ser protegida e quando dividirem compartimentos cujo telhado é de material
combustível, essa deverá ultrapassar no mínimo 1,0m acima do ponto mais alto da cobertura da
edificação.
Embora a norma estabeleça critérios em relação as áreas máximas a serem
compartimentadas, não há uma regra específica de onde e como realizar essa compartimentação,
cabe portanto ao arquiteto definir na concepção de seu projeto a melhor forma de dividir os ambientes
atendendo as exigências legais e os conceitos de segurança sem que a edificação perca a sua
funcionalidade.
Por se tratar de uma medida de proteção que restringe a possibilidade de criação de
grandes espaços abertos, o que inviabilizaria por exemplo a funcionalidade de um shopping center, a
norma permite em um número significativo de casos a substituição da compartimentação por um
sistema de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos.
A compartimentação vertical tornou-se a medida de proteção mais importante e eficaz no
controle de um incêndio em edifícios de grande altura, ela destina-se a confinar o incêndio no
pavimento atingido e evitar a sua propagação para os demais pavimentos, internamente, pode ser
obtida com a criação de barreiras horizontais tais como: entre pisos corta-fogo, enclausuramento de
escadas e elevadores, selos corta-fogo, registros e dampers corta-fogo. Externamente, a
compartimentação vertical pode ser obtida por meio de distanciamento mínimo de 1,20m entre vergas
e peitoris nas fachadas da edificação ou com a criação de aba horizontal, com dimensão mínima de
0,90m (Figura 17 e 18).
Figura 17 – Compartimentação vertical – espaçamento entre verga e peitoril
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Figura 18 – Compartimentação vertical – aba horizontal
A
norma
de
procedimento
técnico
nº
009
–
Compartimentação
horizontal
e
compartimentação vertical, estabelece limites de áreas máximas a serem compartimentadas em cada
edificação, observa-se que esses limites estão diretamente relacionados à carga de incêndio e a
altura do edifício a ser compartimentado.
A
norma
estabelece
também
que
independentemente
da
área
máxima
a
ser
compartimentada, admite-se a interligação de até três pavimentos consecutivos por intermédio de
átrios, escadas, rampas de circulação ou escadas rolantes, desde que o somatório de áreas desses
pavimentos não ultrapasse os valores máximos estabelecidos para a edificação, contudo essa
condição especial não se aplica às compartimentações das fachadas, selagens dos shafts e dutos de
instalações.
Verifica-se na prática que a compartimentação vertical dos edifícios altos em geral já é
desempenhada internamente pelas lajes e externamente pelo espaçamento mínimo entre vergas e
peitoris, porém algumas dúvidas têm surgido principalmente em relação às edificações com fachadas
totalmente envidraçadas e aquelas com grande átrios e vãos abertos.
Em relação as esses assuntos, existe várias soluções disponíveis no mercado e já
contempladas na própria NPT 009, o importante é lembrar sempre do princípio fundamental
que é de prever vedação que garanta a estabilidade, a estanqueidade e o isolamento térmico
dos elementos compartimentadores pelo TRRF, mínimo estabelecido pela norma respeitando
sempre os limites máximos de áreas e de interligação de pavimentos consecutivos.
3.4
Controle de material de acabamento e de revestimento - CMAR
Os materiais de acabamento e de revestimento utilizados em pisos, paredes e tetos
desempenham um papel muito importante na propagação de um incêndio e na produção de fumaça,
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por isso há necessidade de se efetuar um controle adequado na aplicação desses materiais nos
diversos ambientes de uma edificação.
Para entender melhor o que está por trás das normas que regulamentam esse assunto, é
importante relembrar os conceitos básicos da dinâmica do fogo apresentado no início desse trabalho.
Voltando à figura 2, observa-se que na fase anterior ao flashover, ocorre um grande desenvolvimento
de fumaça e gases quentes que se acumulam junto ao teto. Em seguida a temperatura no ambiente
vai se elevando de forma linear até que ocorra a inflamação generalizada, que se caracteriza pela
elevação acentuada da temperatura e pela rápida propagação do fogo por todo os materiais
combustíveis presentes no compartimento.
Com o objetivo de minimizar os efeitos da propagação do fogo por todo o compartimento, a
norma de procedimento técnico nº 010 - Controle de materiais de acabamento e de revestimento,
estabelece alguns critérios para a aplicação desses materiais utilizando como base os conceitos
apresentados e a classificação da edificação segundo sua ocupação.
Observe na tabela 1 apresentada a seguir, que a classificação mais restritiva em relação à
aplicação de materiais de acabamento e revestimento se dá justamente no teto. Também pode-se
observar que as edificações que possuem maior carga de incêndio e/ou se caracterizem como local
de reunião de público possuem restrições mais severas quanto a aplicação desses materiais.
A NPT 010, estabelece ainda que independentemente do tipo de ocupação, as circulações
(corredores) das edificações que dão acesso as saídas de emergência enclausuradas devem possuir
materiais de acabamento e de revestimento Classe I ou II-A e todas as saídas de emergência
(escadas, rampas, etc) devem possuir materiais do tipo Classe I ou Classe II – A, com Dm ≤ 100.
Tabela 1 – Utilização dos materiais conforme classificação das ocupações
A indicação da classe do material a ser utilizada é relativamente fácil, depende apenas da
classificação da edificação quanto à sua ocupação e finalidade do material, contudo existe ainda
entre os projetistas muitas dúvidas em relação aos parâmetros para a determinação da classe de
cada material. Frequentemente surgem perguntas do tipo: posso usar uma placa mineral como forro
em uma sala de aula?
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Para responder essa questão, é necessário ter em mãos os relatórios de ensaio dessa
placa mineral, neles estarão contidos os parâmetros e os resultados que irão definir a classificação do
material de acordo com os limites estabelecidos pela norma.
Os materiais de acabamento e de revestimento especificados na tabela 1, deverão oferecer
desempenho em teste laboratorial que irá analisar seu comportamento em relação a sua
combustibilidade, reação ao fogo e produção de fumaça.
O primeiro teste em que o material é submetido é a avaliação de sua combustibilidade e é
dado por meio do ensaio proposto pela ISO 1182 – “Fire tests – Building materials: non-combustibility
test”, nele é possível conhecer quais materiais não irão contribuir para os riscos de crescimento e
propagação do incêndio. Foi desenvolvido para selecionar materiais que produzem reduzida
quantidade de calor e não se ignizam, quando submetidos a temperaturas próximas a 750ºC. Caso o
material analisado apresente desempenho satisfatório nesse teste, ele é considerado incombustível e
recebe a denominação de material Classe I.
Se o material for considerado combustível, ele deverá passar por novos testes para
determinação do seu grau de combustibilidade e produção de fumaça. A NPT 010 apresenta como
referência para os testes de verificação do grau de combustibilidade a NBR 8660 - Revestimento de
Piso – Determinação da densidade crítica de fluxo de energia térmica e a NBR 9442 – Determinação
do índice de propagação superficial de chama pelo método do painel radiante.
Em ambos os testes os materiais serão avaliados e classificados conforme seu
comportamento em relação à propagação do fogo, obtendo classificações que variam de II a VI,
sendo os materiais de Classe II que apresentam melhores desempenho em situação de incêndio.
Após a determinação do índice de propagação do fogo o material deverá ser analisado em
relação a produção de fumaça, para esse teste a NPT 010 apresenta como referência a ASTM E 662
– “Specific optical density of smoke generated by solid materials”, através do qual se determina o
índice de densidade ótica de fumaça produzida por um material durante processos padronizados de
combustão. O teste busca aferir a capacidade do material de gerar fumaça que afete a visibilidade do
ambiente em que o mesmo está contido. O valor de referência desse teste é dado pela densidade
ótica específica máxima corrigida (Dm), sendo os materiais com Dm  450 classificados como
Classe A e o materiais com Dm  450 classificados como Classe B.
Portanto, a não ser que os materiais utilizados sejam claramente classificados como
incombustíveis (Classe I), como por exemplo: revestimentos de pisos cerâmicos, paredes em
alvenaria e lajes de concreto armado, não há como definir a classificação de qualquer tipo de
material sem que os testes tenham sido realizados, assim sendo, é de suma importância
quando da especificação desses materiais que o projetista exija do fornecedor a apresentação
dos relatórios de ensaio.
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Figura 18 – Restrição da visibilidade em um ambiente com fumaça
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento de um projeto de arquitetura exige dos profissionais envolvidos um
conhecimento prévio sobre os fundamentos do fogo e o comportamento humano em situações de
incêndio, pois não basta ao projetista apenas cumprir normas e regulamentos, é necessário acima de
tudo antever possíveis situações que coloquem em risco a vida de pessoas e/ou a estabilidade da
edificação.
Tenha sempre em mente que as soluções adotadas no projeto arquitetônico sem levar em
conta a segurança global da edificação podem inviabilizar ou onerar em muito o empreendimento
quando da previsão das medidas de proteção contra incêndio.
Por fim, procure assegurar acima de tudo, que o projeto foi desenvolvido seguindo a
premissa fundamental, de que em caso incêndio, todos ocupantes da edificação terão a possibilidade
de chegar a um lugar seguro com a sua integridade física preservada.
AÇÕES DA CÂMARA TÉCNICA
- Organizar e apoiar a realização de cursos de treinamento.
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CT Execução e Gestão do Trabalho