FACULDADE DE INFORMÁTICA E ADMINISTRAÇÃO PAULISTA DANIEL CESAR EVELYN DE OLIVEIRA SOUZA UTILIZANDO A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA LIDERANÇA DE PROJETOS São Paulo 2008 DANIEL CESAR EVELYN DE OLIVEIRA SOUZA UTILIZANDO A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA LIDERANÇA DE PROJETOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Informática e Administração Paulista, como um dos requisitos para conclusão do Curso de MBA Gestão de Projetos - PMI Orientador: Prof. Ms. Barbosa Camargos São Paulo 2008 Antonio Augusto DANIEL CESAR EVELYN DE OLIVEIRA SOUZA UTILIZANDO A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA LIDERANÇA DE PROJETOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Informática e Administração Paulista, como um dos requisitos para conclusão do Curso de MBA Gestão de Projetos - PMI Aprovada em ____________ de 200_ BANCA EXAMINADORA Prof. Ms. Antonio Augusto Barbosa Camargos Orientador Prof.(ª) Ms. ou Dr. Componente da Banca Prof.(ª) Ms. ou Dr. Componente da Banca “Em qualquer trabalho, a diferença entre o excelente, o medíocre e o ruim está, na maioria dos casos, em se ter a imaginação e a disciplina para recriar-se todos os dias”. - Tom Peters Dedicamos esse trabalho a nossos amigos e familiares que nos incentivaram e apoiaram em toda a trajetória. Em especial, eu Evelyn, dedico a minha mãe Jane pelo exemplo de garra e coragem e por ser a razão do meu viver. Eu, Daniel, dedico também a Camila por toda força e alegria. AGRADECIMENTOS Agradecemos a Deus por mais um desafio superado, ao amigo Tiago Tadeu Santos Cruz pela ajuda no desenvolvimento desse trabalho, a Aline Hatadani pelas revisões e sugestões. Eu Daniel, agradeço a Rogério Gustavo com quem aprendi como um bom líder é importante para o sucesso e colaboradores. para a motivação Agradecemos dos seus também orientador Augusto Camargos pela orientação. ao RESUMO A economia atual força as empresas a investir em inovação para que seja possível serem dominadoras em novos mercados ou conseguir um diferencial competitivo no mercado em que já se encontram. Por esta razão, há a necessidade constante de desenvolver novas idéias e colocá-las em prática. O nível de sucesso para isto aumenta dramaticamente ao se utilizar melhores práticas de gestão de projetos. Mas estas práticas vão além de cumprir prazos, custos e padrões de qualidade, devem se ater também ao aprimoramento da gestão de pessoas, a identificação e formação de líderes. Sendo assim, a liderança unida a inteligência emocional, são habilidades de suma importância para os gestores no desenvolvimento de suas atividades diárias, pois sua função é organizar o trabalho, dividindo e acompanhando as atividades de cada colaborador, de maneira a maximizar o uso dos recursos humanos. As pessoas respondem e respeitam seu líder, mediante sua postura, assim, a maneira como elas serão conduzidas pode afetar diretamente o sucesso do projeto. A autoridade de um líder pode ser alcançada através de seu carisma, e a habilidade de liderar ou guiar as pessoas pode ser desenvolvida, apesar de estar diretamente relacionada com suas características psicológicas. Visto que o líder se encontra em evidência, suas atitudes são analisadas constantemente, por isso, ele deve sempre pensar no bem comum da equipe, do projeto e da empresa. Este trabalho descreve para o gestor um conjunto de boas práticas para a melhoria da Gestão de Projetos, estabelecido pelo Guia PMBOK®, baseado em técnicas de liderança e inteligência emocional. Palavras-chave: Liderança, Inteligência Emocional, Gestão de Projetos, Guia PMBOK®. ABSTRACT The current economy forces the companies to invest in innovation in order to be able to dominate new markets or reach a competitive differential in the market which they already are. For this reason, there is a need to develop new ideas and put them into practice. The level of success for this increases dramatically when you use best practices of project management. But these practices go beyond fulfilling stated periods, costs and standards of quality, they should also stick to improve the management of people, identification and training of leaders. Thus, the leadership united with emotional intelligence, are skills extremely important for managers to develop their daily activities, because their function is to organize the work, sharing and monitoring the activities of each employee in order to maximize the use of humans resources. The people respond and respect their leader through his posture, so the way how they will be conducted can affect directly the success of the project. The authority of a leader can be reached through his charisma and ability to lead or guide people can be developed, despite of being directly related to their psychological characteristics. Since the leader is in evidence, their attitudes are constantly analyzed, so he must think always about the team’s goals, the project and the company. This work describes to the manager a set of best practices for improving the Project Management, established by the PMBOK ® Guide, based on leadership and emotional intelligence techniques. Keywords: Leadership, Emotional Intelligence, Project Management, PMBOK® Guide. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Pirâmide de Maslow.................................................................................. 42 Figura 2 - Nível típico de custos e de pessoal do projeto ao longo do seu ciclo de vida....................................................................................................................... 52 Figura 3 - Influência das partes interessadas ao longo do tempo. ............................ 53 Figura 4 - A relação entre as partes interessadas e o projeto. .................................. 55 Figura 5 - Organização por projeto............................................................................ 56 Figura 6 - Mapeamento entre os grupos de processos de gerenciamento de projetos e o ciclo. ...................................................................................................... 62 Figura 7 - Visão geral do gerenciamento de recursos humanos do projeto. ............. 64 Figura 8 - Planejamento de recursos humanos: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas...................................................................................................... 65 Figura 9 - Formatos de definição de funções e responsabilidade. ............................ 67 Figura 10 - Contratar ou mobilizar a equipe do projeto: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas...................................................................................................... 69 Figura 11 - Desenvolver a equipe do projeto: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas..................................................................................................................... 71 Figura 12 - Gerenciar a equipe do projeto: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas........................................................................................................................ 74 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Tipos de lideranças ................................................................................25 Tabela 2 - Atitudes positivas e negativas quanto à geração de empatia .................44 Tabela 3 - Relação dos principais práticas de liderança..........................................77 Tabela 4 - Atributos mais citados de um líder..........................................................79 Tabela 5 - Contabilização inteligência emocional entre homens e mulheres ..........83 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................12 1 - LIDERANÇA ........................................................................................................18 1.1 - Definições Gerais de Liderança....................................................................18 1.2 - Outras Definições de Liderança...................................................................22 1.3 - Habilidades da Liderança .............................................................................23 1.4 - Processos de Liderança ...............................................................................24 1.5 - Tipos de Líderes e Estilos de Liderança .....................................................25 1.5.1 - Tipos de Líderes ..................................................................................25 1.5.2 - Estilos de Liderança ............................................................................26 1.6 - Tipos de Líderes e Estilos de Liderança .....................................................31 2 - INTELIGÊNCIA................................................................................32 2.1 - Definições e Tipos de Inteligência ...............................................................32 2.2 - Inteligência Emocional..................................................................................36 2.2.1 - Autoconsciência ..................................................................................38 2.2.2 - Auto-regulação ....................................................................................39 2.2.3 - Motivação .............................................................................................40 2.2.4 - Empatia.................................................................................................43 2.2.5 - Relacionamentos .................................................................................45 3 - GESTÃO DE PROJETOS ..................................................................................49 3.1 - Projeto ............................................................................................................50 3.1.1 - Partes Interessadas no Projeto ..........................................................54 3.1.2 - Estrutura da organização....................................................................55 3.2 - Gestão de Projetos ........................................................................................57 3.2.1 - Processos.............................................................................................60 3.2.2 - Gestão dos Recursos Humanos do Projeto ......................................62 4 - NA PRÁTICA DA LIDERANÇA, INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E GESTÃO DE PROJETOS.........................................................................................................77 4.1 - Aplicando Inteligência Emocional e Gestão de Projetos em Liderança ...77 4.2 - Resultado das pesquisas..............................................................................82 4.2.1 - Resultado da pesquisa geral ..............................................................83 4.2.2 - No ponto de vista de dois líderes.......................................................88 4.3 - Fechamento do desenvolvimento do tema .................................................91 CONCLUSÃO ...........................................................................................................92 REFERÊNCIAS.........................................................................................................95 ANEXO ..................................................................................................................... 99 12 INTRODUÇÃO “A liderança é a capacidade de conseguir que as pessoas façam o que não querem fazer e gostem de fazê-lo”. (Harry Truman) “Qualquer um pode zangar-se, isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa, não é fácil”. (Aristóteles) A presente pesquisa se configura como Trabalho de Conclusão de Curso de pósgraduação em Gestão de Projetos Segundo as Práticas do PMI da Faculdade de Informática e Administração Paulista e apresenta suas justificativas para a escolha do tema, bem como a sua delimitação. Com a finalidade de contribuir para a produção científica e atingir certo grau de aprofundamento acadêmico, a pesquisa foi realizada pelos alunos Daniel César e Evelyn de Oliveira Souza do curso de Gestão de Projetos Segundo as Práticas do PMI. Alguma pesquisa prévia se fez para a sua elaboração pelos estudantes empenhados na pesquisa. Grande parte do projeto inspira-se, no entanto, numa tentativa de avaliar e propor melhorias para a área em que atua os pesquisadores. Delimitação do tema Para analisar a influência da Inteligência Emocional sobre a liderança e como o PMBOK® pode auxiliar o líder em suas atividades com a equipe, circunscrito às áreas de Administração e Psicologia, a presente pesquisa se organizou em torno de quatro capítulos. O primeiro capítulo apresenta as principais definições sobre liderança, fazendo uma avaliação dos estilos de liderança existentes e o significado de cada um dos estilos. Em segundo lugar, é feita uma análise sobre os tipos de inteligência, sobre o que é emoção, culminando para o assunto Inteligência Emocional, suas definições, sua composição e o que é necessário para aprimorar esse tipo de inteligência. Num terceiro momento, é apresentado o que é a Gestão de Projetos, utilizando como material o PMBOK® do PMI em sua versão 2004. Passeia-se por todas as áreas de 13 conhecimento, porém dar-se-á maior destaque para a área de Recursos Humanos que está diretamente ligada à formação e com o dia-a-dia de uma equipe. Finalizando, na quarta e ultima parte do desenvolvimento são feitas analises a partir dos questionários aplicados, das entrevistas realizadas com gestores, além de dados colhidos de pesquisas já realizadas nesses assuntos, no mercado e em outros trabalhos acadêmicos, com isso pretende-se, além de dar uma visão mais prática e real desses assuntos, levantar os problemas e como a inteligência emocional poderia ser utilizada para auxiliar nesses problemas. Justificativas para a pesquisa Afora o interesse pessoal dos pesquisadores, o tema se impõe pela recorrência das discussões sobre liderança, sobre as dificuldades de liderar. No Brasil é assunto obrigatório em todos os círculos, neste começo da primeira década do século XXI, pela contribuição que uma pesquisa desta natureza pode emprestar à compreensão do real papel do curso numa sociedade marcadamente composta de pessoas carentes de formação acadêmica e profissional, além de um crescente número de desempregados. Há total relevância científica nesse projeto de pesquisa uma vez que os cursos de Administração / Gestão no Brasil, têm ainda uma procura muito grande, mas não a correspondente oferta de empregos após a formação destes alunos, bem como uma não competente formação para a ocupação de cargos e empregos oferecidos no mercado, principalmente pelo fato da necessidade, muitas vezes, de maturação da pessoa para encarar um cargo de liderança. Essa pesquisa pode, então, contribuir, entre outras coisas, para discutir sobre uma outra ótica a liderança. Dando ênfase as emoções, seu controle para a tomada de decisão, o trabalho aborda sobre outro prisma necessidades não só de um líder, mas de qualquer pessoa, já que sendo seres humanos, estamos associados a emoções a todo o momento. Por outro lado, a relevância social da pesquisa se mostra pelo fato de que o estudo permitirá ajudar na resposta a uma pergunta básica: Como a árdua tarefa de liderar 14 pessoas pode ser melhor executada? Ao mesmo tempo, a pesquisa poderá ajudar a compreender as diferentes visões que esse assunto dá sobre os envolvidos, isso é, a visão de quem lidera e de quem é liderado. Crendo na sua real importância, a pesquisa visa analisar a relação líder e liderado no âmbito de projeto para, de alguma forma, ajudar a sociedade em sua busca de cidadania plena, a partir do que é oferecido à população, especificamente na cidade de São Paulo. O interesse pessoal dos pesquisadores advém do fato de militarem na área da importância das emoções no dia-a-dia. Os pesquisadores se interessam grandemente pelos processos de liderança e no poder que as emoções têm positivamente e negativamente sobre esses processos e principalmente quanto à sua postura em prol de se envolverem mais efetivamente com o objeto de sua investigação. A despeito de a pesquisa roçar quase sempre o pioneirismo, pela quase inexistência de estudos na área (especialmente no Brasil), o tema se mostra de execução viável, primeiro, pela existência de fontes a serem consultadas; segundo, pelo apoio que os pesquisadores receberam da instituição e pelos estudos teóricos já desenvolvidos nesta área. Referencial teórico Quando se trata de Inteligência Emocional é impossível não fazer uso dos estudos do Dr. Daniel Golleman que em seu livro Inteligência Emocional – A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente descreve o que é e qual a importância da Inteligência Emocional. Outros autores como Resende, Maximiano, Covey, Chiavenato e Kotler também foram de grande importância para esse trabalho, fornecendo contribuições com relação a competências humanas (no caso de Resende, 2003), motivação (Maximiano, 2008), liderança (Covey, 2003, Chiavenato, 2004). Vale um destaque para Kotler (2002) que é um nome muito conhecido na área da administração, além de, Peter Drucker, considerado um guru da administração que, 15 com seus estudos fez evoluir o segmento administração e claro não poderia ser deixado de fora nesse trabalho. No que se refere à Gestão de Projetos, foi utilizado o PMBOK (2004) que é o Guia desenvolvido pelo PMI (Project Manegement Institute) que traz as áreas de conhecimentos, entradas e saídas de processos para Gestão de Projetos em geral. Para esse trabalho a ênfase foi dada a área de conhecimento de Recursos Humanos, por estar mais envolvida com liderança, formação de equipes, entre outros que serão discutidos na seção correspondente. Além desses, alguns outros autores, pesquisas na Internet foram utilizadas para compor todos os conceitos aqui descritos, sendo referenciados em momentos oportunos desse trabalho. Problema A pesquisa será realizada a partir do seguinte problema central (ou pergunta-chave, ou ainda a questão principal a ser respondida com a sua pesquisa): De que forma a Inteligência Emocional pode auxiliar na liderança de projetos? Hipótese Com base na questão (problema) central, a pesquisa apresenta a seguinte hipótese de trabalho: A Inteligência Emocional pode auxiliar uma vez que o líder poderá controlar melhor seus impulsos, tomando melhores decisões aprendendo com os desafios diários. Além disso, poderá auxiliar na formação de sua equipe, motivando os colaboradores e enxergando as qualidades e potenciais de cada um, utilizando essas qualidades para o sucesso do projeto. 16 Objetivos Para a apresentação mais clara dos objetivos dessa pesquisa a problemática (questão central) norteadora da pesquisa, bem como a hipótese de trabalho (resposta provisória) foi o “fio de Ariadne” deste TCC, em fase de apresentação para a banca examinadora. A partir da questão central o objetivo deste TCC é: • Entender de que forma a Inteligência Emocional pode auxiliar na liderança de projetos • Ter uma visão de como as pessoas enxergam os assuntos Liderança e Inteligência Emocional • Como evoluir nesses assuntos melhorando a qualidade da liderança Procedimentos metodológicos A pesquisa seguiu etapas próprias, a partir da hipótese norteadora. Para a coleta de dados foram necessários instrumentos adequados, bem como foram empregadas técnicas aprendidas durante o curso para a efetiva análise dos dados coletados. Foram, portanto, adotados os seguintes procedimentos: a) Leitura de textos de orientação teórico-metodológica; b) Aplicação de testes e questionários; c) Análise geral dos resultados. Além disso, vale ressaltar ainda: • Amostras: A pesquisa de múltipla escolha foi realizada com 100 pessoas de diferentes idades, áreas de atuação e sexo. Além dessa pesquisa, foi realizada uma outra pesquisa, na forma discursiva, com duas outras pessoas que 17 possuem cargos gerenciais (gerente de TI e Superintendente) de empresas diferentes. • Instrumentos: questionários e entrevistas. • Procedimentos: Foi passado por e-mail para conhecidos que desempenham papeis de liderança e ainda na FIAP (unidade Paulista) para as turmas de PMI, um questionário com 40 questões de múltipla escolha sobre Liderança e Inteligência Emocional. Além disso, foram passados para dois líderes de equipes (gerente e superintendente) questões para dissertar sobre o tema, dando opiniões sobre o dia-a-dia e suas visões sobre o assunto. Limitações Em seu trabalho, o pesquisador corre vários riscos. O primeiro deles é o de trabalhar no domínio, às vezes, fluido da interdisciplinaridade, colocando-se logo sob o fogo cruzado dos estudiosos de cada uma destas áreas. Mais difícil, no entanto, pela natureza da pesquisa, é a obtenção de respostas satisfatórias, o que só será superado com uma empática relação com os examinadores da banca. Mesmo consciente destas dificuldades, os pesquisadores realizaram a pesquisa, sabedores de que as lacunas poderão, depois de percebidas, serem devidamente preenchidas por pesquisas posteriores. 18 1 - LIDERANÇA 1.1 - Definições Gerais de Liderança Há muitos anos se discute o que é liderança. Assim, fatores como o mercado e as próprias pessoas vêm reformulando o seu conceito, que têm sido estudado e entendido como um traço de personalidade, que depende da aprendizagem social do individuo, e que pode ser treinada e aperfeiçoada. “Liderança não é dominação, mas a habilidade de influenciar as pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter”. (HUNTER, 2006, pg. 18) Já o dicionário define habilidade como uma capacidade aprendida ou adquirida. Mas o mito mais perigoso é o de que há um fator genético na liderança e que as pessoas simplesmente possuem ou não determinadas qualidades carismáticas. Na verdade, acontece o oposto. Os líderes são feitos, em vez de nascerem líderes. A maioria das organizações é super gerenciada e sub-liderada. Segundo Covey (2003), a liderança não é o mesmo que gerenciamento. O gerenciamento possui uma visão voltada para os métodos, como fazer da melhor maneira e dessa forma os gerentes possuem o seu foco nos sistemas, processos e tecnologias. Ainda em gerenciamento, Kotler (2002) diz que o gerenciamento possui o foco em planejar, elaborar orçamentos, organizar, contratar funcionários, controlar e resolver problemas. Já a liderança lida com objetivos e metas, focando nas pessoas, na equipe, criando uma visão de futuro, além disso, a liderança está associada à capacidade de persuadir pessoas a aceitar idéias novas e implementá-las. Sendo assim, segundo Chiavenato (2004) a liderança deve ocorrer antes do gerenciamento. Por ter seu foco nas pessoas, a liderança deve organizar os recursos para caminharem na direção correta, monitorando as mudanças no meio social e tomando as devidas ações para a correta execução das atividades. Para Covey (2003), “gerenciar é fazer as coisas do jeito certo; liderar é fazer as coisas certas”. Conforme Goleman (2000, pg. 108) em termos de administração da própria carreira, talvez não haja nada mais essencial do que reconhecer nossos mais profundos 19 sentimentos sobre o que fazemos e que mudanças nos deixariam mais verdadeiramente satisfeitos com o que fazemos. No inicio da administração como uma ciência até o final do século XIX o líder, ou comumente chamado gerente era o responsável por ditar as regras, definir o que seus funcionários poderiam ou não fazer para alcançar os objetivos da organização, muitas vezes ditando o dia-a-dia pela política do medo e deixando os funcionários a margem da possibilidade decisória. Com o passar do tempo essa mentalidade foi alterando-se permitindo que os funcionários tivessem maior participação. Essa mudança ocorreu a partir da segunda metade do século XX, onde se começou a ter uma maior preocupação com as relações humanas, o que deu ao líder um caráter mais humano considerando aspectos comportamentais e psicológicos da equipe liderada por ele. Existem muitos pontos de vista sobre o que é liderança. Para uns é quando A provoca B para fazer aquilo que A deseja ser feito, para outros é quando B provoca A a fazer o que A deseja, porque é bom para B, já outros entendem que liderança ocorre quando A estabelece condições para que B possa desempenhar suas atividades, ter responsabilidades para executar o que A e B acreditem ser necessário, ou ainda o simples fato de influenciar outra pessoa que por si só, é uma ação de liderança. Como se pode perceber existem muitas correntes que tentam explicar o que é liderança, utilizando como base as definições explicitadas anteriormente. Para Douglas McGregor (1973) existem dois tipos de teoria sobre Gestão de Pessoas: a Teoria X, mais focada na tarefa e a Teoria Y, mais focada em relacionamento e comportamento humano. No X podemos derivar os líderes tiranos que com foco exclusivo no resultado, não se importam com as pessoas, com o social. Já o Y podemos entender como os líderes democráticos, que com seu carisma fazem as coisas acontecerem na sua equipe. “Grupos diferentes da população que trabalha devem ser gerenciados de maneiras diferentes e em ocasiões diferentes. Cada vez mais os “empregados” precisam ser gerenciados como “parceiros”. E está na definição de parceria que todos os parceiros são iguais. E também que não se pode dar ordens a eles. É preciso persuadi-los. Portanto, o gerenciamento de pessoas, é, cada vez mais, um “trabalho de marketing”. E em marketing não se começa com pergunta “O que nós queremos?” Ma questiona-se: “O que quer a outra parte? Quais são seus valores? Quais são suas metas? O que ela considera resultados?” E isto não é “Teoria X”, nem a “Teoria Y”, tampouco qualquer outra teoria especifica de gerenciamento de pessoas. 20 Pode ser que tenhamos de redefinir juntos a tarefa. Ela pode não ser “gerenciar o trabalho de pessoas”. O ponto de partida, tanto na teoria quanto na prática, pode ser “gerenciar para desempenho”. Ele pode ser uma redefinição de resultados, assim como os pontos de partida do condutor da orquestra e do técnico de futebol são a contagem. Talvez a produtividade do trabalhador do conhecimento se torne o centro do gerenciamento de pessoas, assim como o trabalho na produtividade do trabalhador braçal tornou-se o centro do gerenciamento de pessoas há cem anos, isto é, desde Frederick W. Taylor. Isto irá exigir uma hipótese muito diferente a respeito de pessoas em organizações e seu trabalho: Não se “gerencia” pessoas. A tarefa é liderar pessoas. A meta é tornar produtivos as forças e o conhecimento específicos de cada pessoa. “(DRUCKER, 2003, pg. 28) Segundo SOTO (2002), essas definições não esgotam o conteúdo do termo líder, porque na vida real o líder não fica na tentativa de mandar ou influir, o líder executa ou faz executar algo. No mundo industrial, diretor, chefe ou líder é aquele que dirige um grupo para alcançar seus objetivos, coordenando, impulsionando, de forma conveniente e respeitando certa autonomia, dando informações e controlando os resultados obtidos como responsável por esses resultados. A escola francesa também nos traz suas definições sobre a liderança, na opinião de Manuel Peña, “comando é um termo que lembra uma coletividade, isto é, conjunto de indivíduos que possuem conhecimentos gerais, técnicos e profissionais que lhes permitem chegar aos níveis da hierarquia. Mas o termo comando implica, sobretudo, um sentido social que contém uma atividade dirigente, de condução, de um grupo social determinado. O termo supõe conhecimentos gerais e qualidades profissionais de certo nível, ou seja, certa cultura”. (tradução de Soto, Eduardo - Comportamento Organizacional, pg. 212) Em síntese a liderança tem como objetivo levar as pessoas a um objetivo seja esse objetivo de uma pessoa, ou de algo maior, como um plano estratégico de uma empresa, por exemplo, não importa qual seja esse objetivo, existe alguém que direciona a equipe para alcançar o objetivo, tentando aproveitar as qualidades, forças de cada um disponível em sua equipe, essa pessoa é chamada líder. Porém, a exigência final da liderança eficaz é a conquista da confiança. Se não for assim, não haverá seguidores. E a única definição de um líder é alguém que tem seguidores. 21 E cada vez mais essa liderança está envolvida com grandes desafios, onde se pode destacar: • Gerar o equilíbrio diário entre produtividade necessária e a motivação de sua equipe para o alcance dessa produtividade. • Buscar a melhoria contínua e o desenvolvimento de seus processos e pessoas. Sem a liderança, uma organização seria somente uma confusão de pessoas e máquinas, assim como uma orquestra sem um maestro seria apenas um conjunto de músicos e instrumentos. Liderança é a realização de uma meta por meio da direção de colaboradores humanos. O homem que comanda com sucesso seus colaboradores para alcançar finalidades específicas é um líder. Um grande líder é aquele que tem essa capacidade dia após dia, ano após ano, numa grande variedade de situações. Mas a liderança não é algo novo, caminha por toda a história da humanidade. Em todos os momentos pessoas surgiram para comandara as demais para o alcance de objetivos, sejam esses objetivos de expansão ou manutenção de territórios, onde podemos destacar as guerras e seus inúmeros líderes como, por exemplo, Napoleão Bonaparte, Alexandre O Grande, Adolf Hitler, Gengis Khan, na política com John Kennedy, Joseph Stalin, Winston Churchill, Franklin Delano Roosevelt, Martin Luther King Jr, na religião com Moisés, Gandhi, Budha, Madre Teresa De Calcutá, porém dentre todos os líderes citados, Jesus Cristo é o maior líder que já existiu. A lista de líderes na história da humanidade é enorme, mas não só de grandes feitos que marcam épocas que reside a liderança, numa equipe que desenvolve sistemas, numa empresa que extraí petróleo, na loja de confecção de um shopping, em todo lugar existem pessoas que dirigem, coordenam outras, mas qual seria a natureza da liderança? Foram feitos inúmeros estudos com o intuito de entender a natureza da liderança, as primeiras tentaram identificar as características que separavam líderes de não líderes e de líderes bem e mal sucedidos. 22 O líder é o responsável pelo crescimento e declínio de qualquer coisa, pois geralmente, as pessoas se demitem de seus chefes e não da empresa. Alguns estudos focaram em fatores da personalidade como inteligência, ambição e agressividade, já outras analisaram no foco físico como estatura e constituição, porém nenhum estudo foi efetivamente conclusivo na determinação de um conjunto estável de atributos nos diferentes grupos e tarefas, assim sendo, não é uma fórmula, uma receita aplicável universalmente para gerir um líder. Mas é certo que, apesar de importante, a liderança não é tudo, é necessário planejar e organizar as atividades, o papel primário do líder é influenciar os demais, mas um líder forte pode ser um mau gerente se erros no planejamento levarem as pessoas para a direção errada, sendo assim, um líder bem sucedido têm que possuir outros atributos que não apenas a sua capacidade de movimentar as pessoas para um objetivo, ele deve ter a direção a se tomar e ter a capacidade de controlar a fim de conseguir tomar ações de correção para alcançar um objetivo. 1.2 - Outras Definições de Liderança Existem três perspectivas fundamentais que são definidas como: • Meta liderança: Cria um ‘movimento’ em um sentido muito amplo, pois vincula os indivíduos ao ambiente por intermédio da visão do líder, liberando energia e criando seguidores entusiastas, dando ênfase aos níveis do ‘espírito’ e da identidade, isto é, o alguém a mais e o algo a mais que formam a visão e o propósito por trás de todos os outros níveis de liderança. • Macro liderança: O papel do líder na criação de uma organização bem sucedida se cumpre de duas maneiras: descobrir caminhos e construir a cultura. O descobrir caminhos pode se resumir em como encontrar a via para um futuro com êxito. A construir a cultura pode ser visto como atrair outras pessoas para uma organização dotada de propósitos, isto é, aquela capaz de progredir ao longo do caminho descoberto ou de explorar plenamente as oportunidades atuais 23 existentes. A atividade da macro liderança pode influenciar as pessoas ao ligá-las a uma entidade – seja toda a organização ou apenas uma divisão, departamento ou grupo. O líder influencia o indivíduo ao fornecer para os subordinados, repostas a questões como: O que faz a organização? Onde eu me encaixo nela? Como eu sou avaliado e julgado? O que esperam de mim? Por que eu devo me comprometer? O líder cria membros comprometidos com a organização no processo. Neste caso, o foco é nas questões no nível das crenças, valores e papel da identidade: isto é, o porquê e quem por trás do onde, quando, o que e como. • Micro liderança: Centra sua atenção na escolha do estilo de liderança, para gerar uma atmosfera de trabalho eficaz e obter uma cooperação para conseguir realizar o trabalho mediante o ajuste do estilo de cada um às dimensões da tarefa e ao comportamento da organização. A escolha do estilo de liderança depende em particular dos subordinados e o trabalho a ser feito, sendo assim, situacional e contingente. O líder direciona as pessoas nas organizações na execução de um trabalho ou uma tarefa especifica. Se o estilo de liderança está corretamente afinado, as pessoas desempenham de boa vontade e numa atmosfera de trabalho eficiente. Endereça principalmente questões no nível do ambiente, comportamento e capacidade, isto é, onde, quando, o que e como. Os âmbitos da liderança micro, macro e meta devem ser definidos e coordenados para produzir ações organizacionais eficazes. O líder dirige as pessoas de para o cumprimento de uma tarefa ou trabalho concreto. Se o estilo de liderança foi escolhido corretamente, os subordinados agiram de forma eficaz. 1.3 - Habilidades da Liderança Segundo Soto (2002), uma liderança bem sucedida depende de comportamentos, habilidades e ações apropriadas e não de características pessoais. Ele divide essas habilidades em três conjuntos, são eles: 24 • Habilidade Técnica: Refere-se ao conhecimento e capacidade de uma pessoa em qualquer tipo de processo ou técnica. Habilidades de contadores, engenheiros, fabricantes de ferramentas, são exemplos de habilidades técnicas. Um ponto de destaque é que conforme as pessoas são promovidas, as habilidades técnicas tornam-se menos importantes conforme vão subindo na hierarquia. • Habilidade Humana: Capacidade de trabalhar eficazmente com pessoas para obter resultados no trabalho em equipe e essa habilidade independe do grau hierárquico que o líder esteja. • Habilidade Conceitual: Capacidade de pensar em termos de modelos, marcos e relações, tornando-se cada vez mais imprescindível conforme se sobe na hierarquia. Em resumo, segundo Davis, a habilidade conceitual tem a ver com as idéias, a humana com as pessoas e a técnica com as coisas. Conforme foi visto, um líder precisa possuir essas três habilidades com doses diferenciadas conforme o grau hierárquico que possuí. 1.4 - Processos de Liderança Definir os atributos que fazem uma pessoa ser um líder bem sucedido é algo muito complicado, existem pessoas capazes de cativar as demais, incentivá-las, mas não consegue fazer as pessoas caminharem de encontro ao objetivo, possui muita competência, mas mesmo assim não é capaz de converter essa competência em liderança. O processo de liderança não se concentra nesses pontos supracitados, ele traz três grupos que combinados geram a liderança, são eles: líderes, seguidores e situações. Podemos entender a liderança apenas por meio de uma avaliação das características importantes dessas três forças e dos modos pelos quais se interagem. 25 1.5 - Tipos de Líderes e Estilos de Liderança Os tipos de líderes e os estilos de liderança são de suma importância para peças fundamentais no estudo dos comportamentos do líder. O tipo está mais ligado a traços da personalidade enquanto que os estilos de liderança estão mais ligados ao que o líder faz. 1.5.1 - Tipos de Líderes Segundo Belluzzo (2002), os tipos de líderes dividem-se em autocrático, democrático e liberal, conforme demonstra a tabela abaixo: Tabela 1 - Tipos de lideranças SITUAÇÃO AUTOCRÁTICO DEMOCRÁTICO LIBERAL Decisões Decide sozinho Equipe toma decisões, o Equipes tomam líder assiste e participa decisões, participação mínima do líder Programas de Determina como deve ser Equipe delineia os Líder esclarece Trabalho executado procedimentos e o líder dúvidas quando apóia necessário O líder não participa Divisão do Determina quem deve Equipe decide sobre a trabalho executar e o que decisão Participação do É “pessoal”, domina É participativo e objetivo, Participa somente líder elogios e críticas elogios/críticas quando solicitado compartilhados FONTE: BELLUZZO, 2002. Os tipos de líderes mostrado na tabela acima serão explicados em detalhe: • Autocrático: É aquele que decide tudo, não dividindo com sua equipe as decisões, não colhendo opiniões. É centralizador e rígido no processo de 26 execução das atividades. Não vê seus colaboradores como pessoas, por isso não está preocupado com as questões psicológicas, motivacionais, é o estilo “quem manda aqui sou eu”, vendo as pessoas como mero recurso para a execução das atividades. • Democrático: É o estilo oposto ao autocrático, esse líder debate as decisões que irá tomar com sua equipe tentando-se chegar a um consenso para a tomada das decisões. Dessa forma esse tipo de liderança vê o lado mais humano de seus colaboradores, não vendo apenas como um recurso. • Liberal: No liberal os subordinados possuem plenos poderes de decisão, sendo a participação do líder pequena, servindo mais como um contribuinte na decisão do que tomando a decisão final. 1.5.2 - Estilos de Liderança Atualmente líderes e gestores vivem em um contexto organizacional que exige de cada um deles diferentes estilos de lideranças para atingir suas metas e objetivos dentro da equipe. Cada funcionário ou cada situação merece um estilo diferente de seu líder para solução de problemas ou condução de projetos. Em uma pesquisa realizada por Mary Fontayne e Ruth Jacobs, da Hay/McBer, chegou-se a seis fatores, sendo eles: 1. Flexibilidade: Colaboradores se sentem livres para inovar questões burocráticas antigas e ultrapassadas. 2. Responsabilidade: As pessoas assumem as obrigações da organização. 3. Padrões: O nível em que as pessoas estabelecem processos e padrões nas atividades cotidianas. 27 4. Recompensas: A exatidão sobre o feedback do desempenho e aptidão para recompensas. 5. Clareza: A compreensão exata que as pessoas têm sobre a missão e os valores da empresa. 6. Comprometimento: O nível de comprometimento que as pessoas têm para com um objetivo comum. O quanto elas estão propensas a se doar por esta causa. Essas capacidades conduzem a seis estilos de liderança, considerados estilos ressonantes: o visionário, o agregador, o democrático, o conselheiro, e dissonantes: o despótico e o agressivo: • Visionário O líder visionário é aquele que direciona as pessoas com um entusiasmo vibrante a uma visão clara, fazendo com que realmente acreditem nela e explica como e porque os esforços das pessoas contribuem para a grande missão da organização. Geralmente os líderes com este estilo, são empáticos, auto-seguros e estimulantes, e por esta razão, conseguem causar grandes mudanças. Sendo um dos estilos mais eficazes, conduz cada uma das competências emocionais. Faz com que as pessoas que trabalham para este estilo de liderança aumentem o seu compromisso com as metas e estratégias da organização, ficando bem claro para todos, os padrões para o sucesso da empresa e suas recompensas. Quanto a flexibilidade, este tipo de líder determina o que ele precisa e deixa as pessoas livres para determinarem os meios como atingirão esses resultados, podendo usar sua criatividade, inovação e correr riscos controlados. Quando as coisas estão sem rumo, esse estilo é eficaz, pois traça uma diretiva e compartilha com seus liderados uma nova visão para longo prazo. Por outro lado, pode tornar-se ineficiente se ao tentar ser visionário ele acabe sendo despótico 28 por usar sua autoridade, acabando com o senso de igualdade de uma equipe eficiente. • Agregador O líder agregador é aquele que mantêm os colaboradores felizes e cria harmonia entre eles, passando a controlá-los através da construção de fortes laços emocionais e conseguindo forte lealdade de sua equipe. Este estilo de líder acredita que as pessoas vêm primeiro, propondo valores individuais e suas emoções mais do que as tarefas e objetivos, por este motivo, se comunica muito, compartilhando idéias e inspiração. Sendo a empatia, comunicação e construir relacionamentos suas principais características emocionais. Com relação à flexibilidade, há confiança um no outro, permitindo inovações, não impondo censuras desnecessárias de como o funcionário deve fazer o seu trabalho, dando às pessoas liberdade para realizar seu trabalho da maneira que elas pensam ser a mais eficaz. O estilo agregador é recomendável em quase todas as situações, principalmente quando é preciso construir a harmonia da equipe, levantar a moral, melhorar a comunicação ou corrigir a quebra de confiança, não é recomendável para situações em que as pessoas necessitam de uma diretriz clara, em virtude disso, este estilo de liderança é utilizado em comum acordo com o visionário, no qual, a união dos dois consegue um forte equilíbrio de como conduzir uma equipe. • Democrático O líder democrático é aquele que tem como característica forçar um consenso através da participação, incentivando as pessoas a opinarem e assim obtendo mais informações e com o tempo dedicado, aceitando suas idéias, construindo confiança, respeito e comprometimento. Suas principais características são: comunicação, liderança de equipes e colaboração. Se a equipe não for competente ou não tiver informações suficientes para oferecer sólidos conselhos 29 este modelo torna-se ineficiente. Já que este estilo de liderança busca muito o consenso, muitas informações, o tempo de resposta para uma decisão pode ser um problema em se tratando de um mundo competitivo como o que vivemos, podendo fazer com que se perca muitas possibilidades. • Conselheiro O estilo conselheiro tem como ponto focal desenvolver as pessoas para o futuro, fazendo com que elas tentem juntamente com o líder atingir os objetivos esperados. Tem como principais características emocionais o auto-conhecimento, a empatia e desenvolver os outros. Como este tipo de liderança escuta as pessoas para então conhecê-las melhor, ajudando a identificar seus pontos fortes e fracos, integrando com suas aspirações pessoais e profissionais, o líder auxilia seus funcionários a definir metas para eles mesmos e assim desenvolverem um plano de ação para atingi-las. Esses líderes discutem muito as responsabilidades de cada um e fornece bastantes informações e feedbacks para sua equipe. Segundo estudos, esse estilo melhora o clima organizacional, pois realiza diálogos, possui a sensibilidade de observar e se importa com seus colaboradores, tendo uma forte idéia sobre sua importância para a organização. Porém para Goleman esse é um dos estilos menos utilizados devido à velocidade do dia-a-dia que não permite postergar ações para que se discuta, gere e compartilhe conhecimentos com todos. Este tipo de liderança é ineficiente se o líder não tiver experiência o bastante para conduzir este processo de aperfeiçoamento, mas é muito eficiente quando há comprometimento com a mudança e o desenvolvimento pessoal. • Despótico O líder com este estilo de liderança zela pelos padrões da empresa demandando submissão e obediência imediatas, possui iniciativa e autocontrole guiando seus 30 subordinados para a execução e alcance de metas. Tem como característica a insensibilidade moral e aos sentimentos dos seus liderados, o que pode gerar conflitos e transtornos ao líder, não sendo aconselhado ser muito utilizado. Como o estilo despótico não se preocupa com os sentimentos de sua equipe, funciona melhor quando a organização passa por uma crise e necessita de uma grande mudança de direção em pouco tempo, conseguindo quebrar hábitos de trabalhos mal executados e ir de encontro às pessoas. • Agressivo O líder agressivo é aquele que tem como objetivo pessoal fazer as coisas melhores e mais rápidas exigindo o mesmo de todos seus colaboradores. Este estabelece desempenhos extremamente altos, apontando os desempenhos fracos exigindo sempre mudanças. Se o desempenho não é alto, outras pessoas que atinjam suas expectativas são nomeadas para o cargo. E como este tipo de líder não se preocupa em dar feedback para sua equipe, quando algo não está fluindo bem, ele simplesmente reestrutura, não se importando em demitir o funcionário. Esse tipo de líder é impaciente e não empático, consegue visualizar a real situação da organização, direciona a equipe a alcançar os resultados esperados e possui iniciativa, mostrando o que quer de sua equipe através do seu próprio exemplo. Seus colaboradores se sentem coagidos pelas porções morais e exigências e nem sempre este líder é claro com as normas de trabalho, pois ele acredita que todos devem compreendê-lo e copiá-lo. Por ter um perfil exigente, as pessoas não acreditam que podem fazer seu trabalho como acreditam que deve, nem que estão aptos a tomar alguma iniciativa, tornando o trabalho rotineiro e repetitivo. Para a equipe em que todos estão auto motivados, este estilo pode ser interessante, pois apresentam serem competentes e necessitam de pouca orientação ou coordenação. Porém, é aconselhável utilizá-lo em conjunto com outro estilo de liderança para diminuir seu impacto sobre o clima organizacional. 31 1.6 - A Interação Entre os Estilos de Liderança Em seu livro, Leadership that gets results Goleman (2000) diz que um líder utiliza uma ou mais das seis abordagens expostas, realizando ajustes nas situações do dia-a-dia para atingir os melhores resultados possíveis, segundo ele muitas vezes de forma imperceptível. Tem o melhor clima e desempenho organizacional aqueles que dominam quatro ou mais, principalmente as de impacto positivo: Visionário, Agregador, Conselheiro e Democrático. Para Goleman, Boyatzis e McKee os líderes mais eficientes conseguem analisar as pessoas, e dessa forma sabem qual a melhor postura que devem adotar para determinada equipe e situação e não apenas aplicar de qualquer forma as abordagens que foram explicitadas anteriormente. É um consenso dos especialistas no assunto que nenhum líder possui todos os estilos de liderança, mas se o líder contar em sua equipe de colaboradores com diferentes estilos, esses podem auxiliá-lo no dia-a-dia, deslocando o colaborador na execução de determinada atividade na qual esse possui perfil. O trabalho desenvolvido por eles defende que a genética determina uma pré-disposição da pessoa no papel de liderança, porém eles acreditam que uma pessoa pode desenvolver os atributos de líder e aprender a inteligência emocional, com esforço esse gene inexistente pode não atrapalhar no final. 32 2 - INTELIGÊNCIA 2.1 - Definições e Tipos de Inteligência A inteligência possui variados ramos e ainda é um mistério em muitos pontos que inúmeros estudos tentam compreender como esse complicado mecanismo funciona. Existe também uma área que trabalha no desenvolvimento de inteligência para computadores tomarem decisões, denominada inteligência artificial têm como finalidade desenvolver máquinas capazes de simular a inteligência humana. (Enciclopédia Larousse, Vol. 13, pg. 3188) Dentro da inteligência humana temos muitas separações, por exemplo, temos a inteligência emocional, a inteligência social, além de outras, que trabalham interligadas, sendo utilizadas no dia-a-dia do ser humano e que, segundo especialistas, nos diferencia dos demais animais, mas o que significa inteligência? Segundo Sacconi (1996) a inteligência é a capacidade de compreender relações, de aprender, conceber, compreender, enfim a inteligência nos faz evoluir, cada fato do nosso dia-a-dia nos faz aprender e faz com que tomemos ações baseadas nessa “bagagem”. Em reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo (publicação de 08/12/2006) existem basicamente 10 tipos de inteligência, cada uma delas com sua característica, que são: • Lingüística Esse tipo de inteligência é marcado pelo gosto pelas palavras e histórias. Jogos de palavras intrigam e a pessoa é um leitor ávido, conseqüentemente possuindo um bom vocabulário. Nesse tipo de inteligência revela a capacidade de comunicação de interpretação do mundo através das palavras, pode-se dizer que esse tipo de inteligência é a inteligência dos escritores e poetas. 33 • Matemática Nesse tipo de inteligência, a pessoa busca entender relações entre coisas diferentes. Gosta de figuras, problemas abstratos, jogos de desafios e quebracabeças, apreciando padrões, categorias e sistemas. • Visual Percebe as cores, formas e texturas. Provavelmente usa imagens para ajudar a memória, e diagramas, mapas e rabiscos quando faz anotações. Pode ter habilidade para desenhar, pintar ou esculpir. • Física Gostam de exercícios físicos, esportes e dança. Tem uma tendência a ficar de pé na primeira oportunidade, seja numa reunião ou numa festa e aprende arregaçando as mangas e entrando em ação. • Musical Está sintonizado aos sons e aos ritmos, lembra bem músicas e melodias. A música tem grande impacto no seu estado de espírito. Esta inteligência se manifesta através da habilidade para compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. • Social Também denominada intrapessoal pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e 34 desejos de outras pessoas. Bons exemplos que possuem essa inteligência são professores, políticos e vendedores. • Emocional Essa inteligência tem como foco o acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, discriminando-os e lançando mão para a solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprias, a capacidade para formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. • Ambiental Nesse tipo de inteligência há uma fascinação pela natureza e enxerga nela coisas que passam despercebidas a outras que não possuem essa inteligência tão aflorada. • Espiritual Gosta de se confrontar com as questões fundamentais da existência, tendendo a agir de acordo com os seus princípios, possivelmente questionando os modos ditos normais de se comportar. • Prática Gosta de fazer as coisas acontecerem. Costuma ser convocado para consertar ou montar coisas ou para encontrar soluções. Enquanto outros debatem o que precisa ser feito, pessoas com essa inteligência aflorada preferem ir à luta, colocando a mão na massa. 35 Outra separação possível de inteligência foi dada pelo psicólogo Howard Gardner, que dividiu a inteligência em sete tipos que se integram, essas inteligências são: 1. Verbal ou lingüística: Habilidade de lidar com palavras. 2. Lógico-Matemática: Capacidade de resolver problemas envolvendo números. 3. Cinestésia Corporal: Capacidade de usar o próprio corpo de forma hábil, diferente. 4. Espacial: Noção de espaço e direção. 5. Musical: Capacidade de organizar os sons de uma forma criativa. 6. Interpessoal: Habilidade de compreender os outros. 7. Intrapessoal: Capacidade de relacionamento consigo mesmo. Ambas as divisões são bem próximas, ficando a primeira com algumas divisões que não são tratadas em separado por Gardner (1993). Como já foi dito anteriormente, no nosso dia-a-dia colocamos todas essas inteligências em prática, podemos ter mais forte uma do que outra, mas de qualquer modo a união delas é que forma o que comumente chamamos de inteligência. Como se pode perceber esse conceito vai muito além do simples exame de QI (Quoeficiente de Inteligência) que incapaz de medir todas as inteligências, ficando mais voltado a matemática, a lógica. Neste trabalho iremos abordar mais profundamente a inteligência emocional, que apesar de não ser um assunto tão novo, já que em 1995, Daniel Goleman já publicava livros sobre esse assunto, a inteligência emocional é desconhecida de muita gente. No mundo atual de constante stress o desenvolvimento da inteligência emocional é de grande valia e no contexto de projeto é de suma importância para permitir um maior controle das emoções, de um autoconhecimento, num ambiente de constante mudança, de necessidades, prazos e de pessoas, não se abater, não se levar pelo calor de um momento são ações que podem levar ao sucesso. 36 2.2 - Inteligência Emocional “Qualquer um pode zangar-se, isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa, não é fácil”. (Aristóteles) Saber gerenciar as emoções não é nada fácil, a única certeza é que as emoções vêm e quanto a isso não temos o que fazer aquela frustração, aquele nervosismo estamos fadados a sentir todo o tipo de sentimento, mas como esses sentimentos influenciarão, seja positivamente ou negativamente, depende apenas da pessoa que está a sentir e é nesse gerenciar que de modo geral a inteligência emocional está situada. Uma das funções principais dos lideres é fazer com que as emoções coletivas sigam para direções positivas, gerando entusiasmo e otimismo, assim como cultivar um ambiente de cooperação e confiança, fazendo com que as emoções negativas não surjam e com elas problemas oriundos, por exemplo, da irritação, da ansiedade que perturbam fortemente o ambiente de trabalho, por tirarem a atenção dos colaboradores das tarefas que necessitam desempenhar. Estudos demonstraram que a parcela do tempo no qual as pessoas sentem emoções positivas, é um bom indicador do grau de satisfação dos colaboradores, diminuindo assim a probabilidade dos empregados saírem da empresa. Antes de Goleman, pai dos estudos da Inteligência Emocional, os sentimentos eram considerados apenas como fator da personalidade, parte da natureza humana que determina ou explica o comportamento de uma pessoa numa determinada situação. Conforme Goleman (2001) as emoções podem ser controladas pelo cérebro, como popularmente é dito, a inteligência é fruto do cérebro, já a emoção do coração. Existe uma influência desses dois pontos que eram vistos como independentes, dessa forma a inteligência pode controlar as emoções e estas por sua vez podem afetar a inteligência. A emoção é gerada por fenômenos externos que são captados por nossos sentidos, que por sua vez são percebidos, interpretados e decodificados pelo cérebro. A decodificação é que gera a emoção, porém o controle dessa emoção vem de outra função do cérebro chamada de racionalização. Em contra partida, a emoção têm um efeito desorganizador ou perturbador da inteligência, tirando essa de sua normalidade. 37 Segundo Resende (2003), podemos caracterizar a inteligência emocional das seguintes formas: • Saber controlar a irritação, nervosismo e agressividade, mantendo-se calmo numa discussão. • Dosar entusiasmo e euforia, mantendo o bom humor em situações complicadas. • Administrar expectativas exageradas e ambições. • Fazer concessões em relação aos seus próprios interesses. • Saber “engolir sapos” para preservar relações. Agir com inteligência emocional é permitir que o otimismo supere o pessimismo, a persistência supere o desanimo, que a alta estima vença a baixa estima. Uma pessoa com baixa estima deve buscar de forma consciente suas virtudes e valores, empreendendo ações a serem reconhecidas e dessa forma melhorar sua autoestima. O sentimento de otimismo pode ser trabalhado deixando de ser influenciado por pessoas derrotistas, negativistas, que vivem se queixando do mundo. Com a orientação de um líder emocionalmente inteligente, os colaboradores sentem-se apoiados, sentem-se a vontade para compartilhar suas idéias, aprender e tomar decisões de forma colaborativa. Porém, se o líder não for emocionalmente inteligente, os seus colaboradores seguirão apenas as rotinas do dia-a-dia, fazendo apenas o essencial, ao em invés de inovarem, de compartilharem seus conhecimentos. Se o líder não fizer uso de uma boa dose de sentimentos, esse até poderá dirigir, mas não realmente liderar. Não são tarefas fáceis, precisam de treinamento, autoconhecimento, buscando os pontos fracos e melhorando-os com ações positivas, fazendo com que as influências externas não tenham tanta força. A inteligência emocional está baseada em cinco dimensões de competência que são: 1. Autoconsciência 2. Auto-regulação 38 3. Motivação 4. Empatia 5. Relacionamentos 2.2.1 - Autoconsciência A consciência dos próprios sentimentos, a percepção de como os outros vêm você, pode influenciar nas decisões que são tomadas diariamente por um líder. Uma autoconsciência forte permite o monitoramento, a observação de si próprio, permitindo compreender os sentimentos negativos e o que os motiva. Sabendo quais são as raízes, pode-se adotar ações para mudanças de comportamento, alcançando-se os resultados. Sem a autoconsciência faltarão informações para tomar as decisões de forma eficientes. Em suma o primeiro passo é se conhecer, ter consciência das deficiências, limitações, dificuldades para depois traçar os caminhos para superar as barreiras, como diria o provérbio chinês, uma jornada começa no primeiro passo, isso vale também para a jornada de mudança interna, com a sabedoria de encarar os problemas e a força de alterar-se para melhor se adaptar aos problemas. Essas percepções provem dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) que são as portas de entradas para obtenção de todas as informações sobre o mundo, porém os nossos sentidos sofrem uma espécie de filtro, esse filtro faz com que sejam perdidas informações que não são registradas, segundo Weisinger (2001) a autoconsciência age sobre esse filtro, permitindo uma melhor captação de informações de si e dos outros, permitindo assim uma avaliação melhor. Nessa avaliação é de suma importância analisar as reações, tanto físicas quanto mentais, das situações e o impacto que elas tiveram sobre o humor, sobre a capacidade de tomar decisões. Reviver as situações pode ser de grande valia nesse processo de entendimento, refletindo sobre os fatos num momento de mais calma. 39 2.2.2 - Auto-regulação A auto-regulação trata das mudanças, correções nos rumos que precisamos fazer quando acontecem situações no nosso dia-a-dia. Pessoas com essa capacidade conseguem administrar-se melhor nas situações que “tiram do sério”, sabendo agir com calma a elas. Segundo Goleman (2002) existem seis pontos para a auto-regulação ou autogestão, são eles: 1. Autocontrole: Pessoas dotadas de autocontrole conseguem administrar os impulsos negativos, as perturbações, conseguindo inclusive canalizar esses sentimentos de uma forma proveitosa. Manter a calma diante de uma crise, diante de muita pressão demonstra um autocontrole, pois se consegue dominar os impulsos, conseguindo tomar decisões importantes mesmo diante de situações adversas. 2. Transparência: A transparência é a exposição de seus sentimentos, crenças, diante de todos, é mostrar como você realmente é. Pessoas transparentes assumem seus erros perante todos, não se escondendo e quando vê atitudes antiéticas de outras pessoas prefere confrontar a se esconder. 3. Adaptabilidade: Capacidade de adaptar-se a situação, sendo flexível para conseguir atender uma demanda, entender uma situação. Pessoas com essa capacidade conseguem dar conta de múltiplas tarefas, mantendo o foco no resultado, com a mesma energia, com o mesmo animo e conseguem ser maleáveis diante de novas realidades. 4. Superação: Pessoas que não se contentam com a mesma situação sempre querendo evoluir, ser desafiadas e chegar a um novo patamar, buscando continuamente o aprimoramento de sua performance, aprendendo continuamente. 40 Estabelecem metas desafiadoras, mas se preocupam que essas metas sejam viáveis, avaliando os riscos presentes. 5. Iniciativa: Aproveita oportunidades ou cria oportunidades ao invés de esperar passivamente por elas. Não hesitam em ultrapassar limites para conseguir melhorar as possibilidades de uma conquista futura. Pessoas assim possuem a consciência de possuir o que é preciso para controlar seu próprio destino. 6. Otimismo: Vê as coisas de modo positivo, nas perdas enxerga oportunidades e não ameaças. Entre o “copo meio vazio” ou “copo meio cheio” preferem o meio cheio, esperando sempre que coisas boas acontecerão no futuro. As pessoas que possuem auto-regulação conseguem “dar a volta por cima” mais depressa, já aqueles que não a possuem tão desenvolvida tendem a ter mais dificuldades de se recuperar dos problemas e afundam-se em sentimentos de incerteza e de tristeza. 2.2.3 - Motivação A motivação indica as causas ou motivos que produzem um determinado comportamento, é a energia que movimenta o comportamento, possuindo três propriedades que são: • Direção: Objetivo do comportamento; • Intensidade: Magnitude da motivação; • Permanência: Duração dessa energia. A motivação é de suma importância para manter a determinação, alcançando as metas planejadas. Com essa habilidade as pessoas tendem a ser mais produtivas e eficazes, 41 buscando forças para desempenhar suas atividades, porém não há um estado geral de motivação, isso é, a motivação é para algo especifico, por exemplo, uma pessoa está motivada a praticar esportes e não está motivada para fazer uma aula de idiomas. “O comportamento é sempre motivado por alguma causa interna ao próprio individuo ou alguma causa externa, do ambiente. A motivação, no modelo de comportamento, é sinônimo da relação de causa e efeito no comportamento das pessoas. Não significa entusiasmo, significa apenas que todo o comportamento sempre tem uma causa”. (Maximiano, 2008, pg. 252). Desde os gregos o homem levanta hipóteses sobre o conteúdo da motivação. Naquela época as discussões baseavam-se no conceito de felicidade. Nos dias atuais as teorias continuam se baseando nas antigas idéias e atualmente existem quatro hipóteses que tentam levantar as raízes da motivação humana. São elas: • Homem econômico-racional: A motivação vem da perspectiva de ganho, oriundo principalmente dos bens materiais. Segundo essa hipótese, as recompensas materiais são as que oferecem maior atrativo as pessoas. • Homem social: A motivação vem do reconhecimento e da aceitação dos outros que estão ao seu redor, preferem a glória a recompensas materiais. Essa hipótese dá importância à idéia que o grupo tem papel importante no desenvolvimento das pessoas, por necessidade de aceitação, por medo da rejeição, as pessoas agem dentro dos padrões estabelecidos, a recompensa maior nessa hipótese é estar bem com o grupo que se faz parte. • Homem auto-realizador: A motivação vem da realização interior. Não importa o dinheiro ou o que as pessoas irão pensar e sim a felicidade intima. Nesse sentido a recompensa maior é o que a pessoa julga ser importante. • Homem complexo: Essa hipótese está amarrada à idéia de complexidade do ser humano e dessa forma não há como dar uma única explicação para a motivação. Sendo assim, todas as hipóteses anteriores devem ser levadas em 42 consideração e, além disso, entre outros fatores a motivação está ligada a necessidades humanas. Existem muitas teorias que visam explicar essas necessidades, uma bem conhecida nesse sentido é a de Maslow. Segundo Maslow (1943) as necessidades humanas dividem-se em cinco grupos como demonstra a figura abaixo: Figura 1 - Pirâmide de Maslow FONTE: http://novo-mundo.org/log/wp-content/uploads/maslow.jpg 1. Necessidades Fisiológicas: São as necessidades de alimentação, proteção, repouso, exercícios, entre outras orgânicas. 2. Necessidades de Segurança: Proteção contra ameaças, como por exemplo, perda de emprego, integridade física e sobrevivência. 3. Necessidades Sociais: Amizade, afeto, interação e aceitação dentro de um grupo e da sociedade. 4. Necessidade de Estima: Necessidade de auto-estima e por parte das outras pessoas. 43 5. Necessidade de Auto-realização: Necessidade de utilizar aptidões e habilidades para o autodesenvolvimento e para a realização pessoal. Conforme essa visão, as pessoas estão em processo de desenvolvimento contínuo, estando motivadas a crescer, a progredir ao longo das necessidades. No mundo das emoções, que claro não está à parte das definições acima mencionadas, uma vez que todos os pontos acima incidem sobre as emoções, a automotivação consiste em dirigir emoções a serviço de um objetivo, a partir das preferências pessoais mais profundas. É uma habilidade essencial para uma pessoa manter-se determinada a alcançar suas metas, ter iniciativa, ficar sempre no controle da situação e usar a criatividade na busca de soluções. 2.2.4 - Empatia A empatia é a capacidade de identificar-se com outra pessoa, compartilhar com ela os sentimentos, aceitando cada um do jeito que é. É mais que natural que as pessoas se sintam mais vontade de trabalhar com pessoas que se possui empatia, elas sentem mais inclinadas a concordar, a cooperar com quem elas possuem uma afeição. Desenvolver a empatia significa que se desenvolve um sentimento de vinculo entre as pessoas, com isso as pessoas irão a sua direção e não contra você. Segundo Albrecht (2006) existe atitudes que destroem a empatia, que são chamadas de atitudes tóxicas e atitudes que renovam a empatia, que são chamadas de salutares. Abaixo segue uma tabela com comparação de algumas atitudes capazes de destruir ou criar empatia. 44 Tabela 2 - Atitudes positivas e negativas quanto à geração de empatia Tóxicas (atitudes negativas) Salutares (atitudes positivas) Buscar excessiva aprovação Falar e agir com afirmação Mudar de assunto caprichosamente Ater-se ao assunto Fulminar idéias Adiar o julgamento. Ouvir Dar conselhos indesejados Oferecer informações e idéias Induzir culpa nos outros Persuadir honestamente; Negociar. Quebrar promessas e acordos Só prometer o que vai cumprir Interromper com freqüência Ouvir os outros Queixar-se demais Fazer sugestões construtivas Insistir em fazer do seu jeito Ceder, ajudar os outros. Ridicularizar os outros Apoiar os outros; simpatizar. Monopolizar a conversa Compartilhar o “tempo no ar” Gabar-se Compartilhar o sucesso alheio FONTE: KARL ALBRECHT - INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, 2006, PÁGINA 124. Se analisarmos os pontos listados na tabela, são situações que vemos todos os dias conosco ou com os outros, sendo assim é necessário se policiar para não tomar atitudes que intoxiquem a empatia tão necessária no dia-a-dia. Existem duas oportunidades de se gerar a empatia que são a experiência momentânea com a pessoa e a outra é a manutenção que permite que o relacionamento se mantenha saudável com o tempo. Ainda para Albrecht existem três tipos específicos de comportamento que geram empatia, são eles: • Atenção Os seres humanos gostam de serem ouvidos, levados a sério, os que caem no fingimento logo demonstram traços disso e acabam por perder a confiança do outro, sendo assim esse deve ser um processo natural. Para ajudar a gerar empatia no quesito atenção a postura corporal, a inclinação física e os gestos contam muito. Esses pontos são chamados de regulagem não verbal. 45 Existe também a regulagem verbal onde o habito de refletir sobre as palavras, expressões e utilização de figuras de linguagem se destacam como pontos de geração de empatia. • Apreciação Ação de aceitar as pessoas como elas são, mesmo possuindo idéias diferentes da sua. A apreciação faz com que, mesmo com as diferenças possa coexistir pacificamente, com ausência de rejeição e animosidade. Na forma verbal o uso da chamada “linguagem limpa”, evitando assim o sarcasmo, os dogmatismos, entre outros. Quando você respeita as idéias dos outros, as outras pessoas ficam mais suscetíveis a ouvir as idéias que você tem. • Afirmação Torna-se mais fácil apreciar, respeitar e sentir-se próximo de pessoas que você compartilhe idéias e valores daquelas que vocês discordam totalmente. Segundo Albrecht (2006) os seres humanos buscam a auto-afirmação em três níveis que são: amabilidade, capacidade e dignidade. As pessoas buscam afeto, respeito por aquilo que é capaz de fazer e ser reconhecido como pessoa digna. Para o especialista em motivação Dale Carnegie (1981) as pessoas são famintas por “insumos emocionais” do tipo reconhecimento, aceitação, aplauso, entre outros. Quando se proporciona isso a alguém, esse alguém passa a ter empatia por você. 2.2.5 - Relacionamentos Segundo o Dr. Deroni Sabbi a arte do relacionamento é, em grande parte, a habilidade de lidar bem com os sentimentos, de dar e receber afeto, de ouvir e se fazer ouvir e de interagir de maneira harmônica e produtiva. Estas habilidades são a base de 46 sustentação de popularidade, liderança e eficiência interpessoal. São fundamentais para liderar, negociar e solucionar divergências, para a cooperação e para o trabalho em equipe. Pessoas com essa habilidade são mais eficazes nas situações de interação. Para utilizar esta habilidade em alta performance é necessário saber dar e receber feedback de uma maneira eficaz, assertiva e autêntica, além de saber ouvir e reagir positivamente às críticas. A arte de se relacionar é de grande importância, como foi dito anteriormente somos seres que vivemos em grupo e dessa forma precisamos nos relacionar com os demais para conseguirmos alcançar os nossos objetivos. Goleman (2002) define seis pontos para administrar relacionamentos, são eles: 1. Inspiração: Com a inspiração o líder consegue instigar as pessoas a ter uma visão empolgante e compartilhada da situação. Nesse ponto, o líder que possui a inspiração desenvolvida é a personificação daquilo que pede aos demais, possuindo a capacidade de tornar o trabalho mais estimulante. 2. Influência: Pode-se definir influência da seguinte forma: “Poder de produzir efeitos por causa do prestigio social que desfruta ou da posição econômico-financeira que sustenta. Capacidade de afetar o caráter, o comportamento, a crença, a opinião ou as ações de alguém”. (SACCONI, 1996, pg. 395). Dessa forma, a influência é a capacidade de o líder fazer com que os outros façam as atividades necessárias, obter apoio de outras pessoas, gerando-se assim uma rede de apoio. Os líderes que possuem a influência aflorada tendem a ser persuasivos e envolventes no tato com um grupo. 3. Desenvolvimento dos demais: Imprescindível para o trabalho em grupo, o líder deve ter a preocupação de desenvolver as demais pessoas de sua equipe, para isso são utilizados feedbacks quando oportuno e de forma construtiva. É de suma importância que seja de forma construtiva, pois um feedback mal feito para destruir o relacionamento, o que é péssimo para um trabalho em equipe. 47 O líder precisa possuir a sensibilidade de observar os pontos fortes e fracos de seus colaboradores, gerando um ambiente propicio para o desenvolvimento dos pontos fracos e utilização dos pontos fortes. Com essa visão, o líder poderá montar equipes de trabalho onde na ajuda mutua pode-se desenvolver as equipes. Um líder com a preocupação de desenvolver os demais são mentores ou coachs naturais. 4. Catalisação de mudanças: Os líderes com essa capacidade sabem reconhecer a necessidade de transformação e o mais importante, não têm medo de mudar. Encontram formas práticas de implementar as mudanças, superando os obstáculos que impedem as mudanças de ocorrerem. No mundo atual, onde as mudanças ocorrem com muita freqüência, ter essa capacidade é importantíssimo para não perder oportunidades, não vendo ou não promovendo as mudanças necessárias para adequar-se a uma nova realidade que se apresente. 5. Gerenciamento de conflitos: No dia-a-dia os conflitos existem, sejam por diferentes pontos de vista sobre determinado problema ou por diferenças culturais, pessoais. Os conflitos possuem aspectos positivos e negativos, positivos no sentido de poder elevar um entendimento, vendo pontos não antes vistos, porém pode-se desestabilizar uma equipe, gerar um “racha” o que é muito prejudicial, pois prejudica os esforços da equipe. Um líder precisa fazer com que todas as partes falem, dêem suas visões e compreendam os diferentes pontos de vistas presentes e assim chegar a um denominador comum, conduzindo os esforços de seus colaboradores em direção a esse denominador comum. 6. Trabalho em equipe: Saber trabalhar em equipe é um desafio para um líder, com essa capacidade produze-se um ambiente de solidariedade, amistosidade, gerando-se uma atmosfera onde o trabalho ocorre de forma respeitosa, 48 colaborativa, dando inclusive identidade ao grupo, que trabalhará mais unido em pró do objetivo comum. Um líder preocupado com o trabalho em equipe investe seu tempo no desenvolvimento e no constante fortalecimento das relações entre os colaboradores. Um bom líder precisa trabalhar esses pontos para que seu grupo trabalhe de forma mais harmônica. Cuidar dos pontos internos e externos, separar um tempo para cuidar dos relacionamentos, se comunicando com os demais para prover um entendimento do que precisa ser feito, obter apoio para a execução dos trabalhos e fazer com que todos cheguem ao objetivo comum. Esses são pontos que ajudam o líder a obter sucesso no seu dia-a-dia, porém esses não são os únicos pontos para se obter o sucesso, um planejamento e acompanhamento bem feitos, saber o que fazer saber quantificar isso, buscando qualidade e antevendo os riscos que podem ocorrer durante as tarefas são pontos muito importantes também e que serão discutidos a frente nesse trabalho. 49 3 - GESTÃO DE PROJETOS As empresas estão buscando cada vez mais inovações, melhorando seu desempenho para adquirir um diferencial competitivo devido às exigências do mercado que tem se tornado bastante dinâmico a cada dia. Uma empresa é considerada líder, quando ela esta sempre reinventando, aprimorando seu negócio focando no seu produto, serviço ou resultado exclusivo. Por tudo isso, há a necessidade constante de desenvolver novas idéias e colocá-las em prática, executando-as através de um bom planejamento, e o termo utilizado para isso são projetos. Uma gestão de projetos eficaz conduz ao sucesso qualquer atividade que se caracterize como um projeto, isto é, que tenha um início, meio e fim. Um estudo conduzido pelo DOD (Department of Defense of United States) indicou que 75% de todos os grandes projetos fracassam e sua principal causa é devida a um gerenciamento fraco, ou seja, o problema não é de desempenho técnico, mas sim da baixa importância aplicada à gestão de projetos. (DOD, 2005) Segundo Stoner (1999), gerenciar ou administrar é um processo de planejar, organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros da organização, de gerir pessoas, projetos e de usar todos os recursos disponíveis para alcançar objetivos esclarecidos. “As abordagens da administração nessa nova era se alicerçam sobre recentes tendências que estão se manifestando no pensamento administrativo, como a ênfase na participação e comprometimento das pessoas e o foco na produtividade e na competitividade. A busca da excelência está por trás dessas preocupações”. (CHIAVENATO, 2004, pg. 34) Em uma estrutura organizacional com uma cultura de gerenciamento por projetos o gerente do projeto tem total autoridade com relação à administração das pessoas alocadas para trabalhar no projeto e à definição de prioridades, pois esta estrutura é definida a partir de projetos deixando de lado o trabalho hierárquico, funcional. Tendo segundo Lessa (2006) como característica principal uma estrutura vertical, estabelecida para cada projeto, no qual, todos os membros da equipe se reportam diretamente ao gerente de projeto. 50 O principal objetivo do Project Management Institute (PMI) tem sido a definição das melhores práticas em projetos, sendo assim, criou o Guia PMBOK® (Project Management Book Of Knowledge), que “identifica a soma do conjunto de conhecimentos à profissão de gerência de projetos”. (PMBOK, 2004, pg. 3) 3.1 - Projeto Segundo o Guia PMBOK®, projeto é “um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo” (PMBOK, 2004, pg. 5). No contexto de um projeto ser sempre único, elimina-se a hipótese de que qualquer trabalho seja repetido, sendo assim, deve-se ter um começo e um fim bem definidos, normalmente é conduzido por pessoas, e tem o objetivo de atingir metas estabelecidas dentro de parâmetros de prazo, custo e qualidade. Como característica de projetos que integra este conceito de temporário e exclusivo temos a elaboração progressiva. Ou seja, significa desenvolver em etapas e continuar por incrementos, não podendo ser confundida com aumento do escopo. Isto deve ser feito continuamente de maneira detalhada e cuidadosa para uma definição exata do que será o projeto e quais as atividades necessárias para chegar a sua conclusão. Geralmente, discussões acerca de projetos são freqüentes. Devido o dinamismo e a competitividade em diversos seguimentos de mercado torna-se necessário que os executivos estejam freqüentemente inovando, reinventando, criando novos rumos, e como um meio de atingir o plano estratégico de uma organização os projetos são fundamentais. No entanto, este direcionamento deve ser colocado em prática, através de definição de metas e ações, conforme exemplos citados no Guia PMBOK®: • Desenvolver um novo produto ou serviço • Efetuar mudança de estrutura, de pessoal ou estilo organizacional • Realizar um projeto de um novo veículo de transporte • Desenvolver ou adquirir um novo sistema de informação ou modificado • Construir um prédio ou instalação 51 • Construir um sistema de abastecimento de água para a comunidade • Realizar uma campanha para um cargo político • Implementar um novo procedimento ou processo de negócios • Atender a uma cláusula contratual Os projetos são um meio de organizar atividades que não podem ser abordadas dentro dos limites operacionais normais da organização e muitas destas atividades podem ser encaradas como essenciais para sua sobrevivência. Normalmente os projetos são autorizados como um resultado de uma ou mais considerações estratégicas como: • Uma demanda de mercado • Uma necessidade organizacional • Uma solicitação de um cliente • Um avanço tecnológico • Um requisito legal ou estabelecimento de diretrizes O ciclo de vida e organização é o conjunto de fases de um projeto e descreve o ambiente no qual os projetos operam. A equipe de gerenciamento de projetos deve compreender este conceito mais amplo para que possa selecionar as fases do ciclo de vida, os processos, as ferramentas e técnicas adequadas. Gerenciar as atividades do dia-a-dia do projeto é necessário, mas não suficiente, para garantir o sucesso. De um modo geral, as empresas fazem isso com o intuito de ter uma melhor visualização de seus projetos de longo prazo e ter um gerenciamento mais eficaz de cada fase, pois dividi-lo em pequenas partes, torna-se mais fácil gerenciar e executar. O que determina a transição de uma fase para outra é alguma forma de transferência técnica ou entrega. Por esta razão, as entregas de uma fase geralmente são revisadas, para garantir que estejam exatas, completas e aprovadas para que se possa seguir para a fase seguinte. Porém, normalmente a fase seguinte é iniciada mesmo sem a aprovação da fase anterior, havendo uma sobreposição de fases denominada paralelismo. 52 Esta transição de fase também é chamada de saída de fase, passagem de estágio ou ponto de término (PMBOK, 2004, pg. 22). Os ciclos de vida dos projetos para cada fase definem: • O trabalho técnico que deve ser realizado; • Quando as entregas devem ser geradas e como são revisadas, verificadas e validadas; • Quem está envolvido; • Como controlá-la e aprová-la. O objetivo é determinar a viabilidade da continuação do projeto e identificar e corrigir erros com um custo aceitável. Embora muitos ciclos de vida do projeto possuam nomes de fases semelhantes, com entregas semelhantes, poucos ciclos de vida são idênticos e a quantidade de fases e os produtos de cada uma variam de acordo com o projeto dependendo muito da equipe que o elabora. Observe na figura a seguir um exemplo de ciclo de projeto: Figura 2 - Nível típico de custos e de pessoal do projeto ao longo do seu ciclo de vida FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 21 53 A Figura 2 mostra um gráfico de um ciclo de vida válido para a maioria dos projetos e faz uma comparação entre o nível de custo e de pessoal e o tempo de execução das fases. Os níveis de custo e de pessoal são baixos no início, atingem o valor máximo durante as fases intermediárias e caem rapidamente conforme o projeto é finalizado. Isto ocorre porque a fase de inicio é composta por poucas pessoas e é quando se planeja como será a execução do projeto, custos, tempo, quantidade de pessoas necessárias, entre outros fatores. Nas fases intermediárias, as pessoas são contratadas e o que foi planejado é executado gerando aumento significativo no custo. Na fase final, como grande parte das atividades já foi executada algumas pessoas são desligadas do projeto. O nível de incertezas é mais alto no início do projeto, assim como a capacidade das partes interessadas de influenciarem as características finais do projeto contribuindo para o aumento do custo com mudanças e com a correção de erros no decorrer do projeto, conforme ilustrado na figura abaixo: Figura 3 - Influência das partes interessadas ao longo do tempo FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 21 54 3.1.1 - Partes Interessadas no Projeto As partes interessadas ou envolvidas no projeto, também conhecidas como stakeholders, são “pessoas e organizações ativamente envolvidas no projeto ou aqueles cujos interesses podem ser afetados, de forma positiva ou negativa, como resultado da execução ou do término do projeto” (PMBOK, 2004, pg. 26). É primordial que a equipe de gestão do projeto identifique as partes interessadas, e defina quais suas necessidades e expectativas, pois eles exercem influencia sobre os objetivos e resultados do projeto. Há diversos níveis de responsabilidade e autoridade em um projeto podendo mudar durante seu ciclo de vida. As principais partes interessadas em todos os projetos têm os seguintes papéis: • Gerente de projetos: Responsável pela gestão do projeto • Cliente/Usuário: Pessoa ou organização que utilizará o produto do projeto incluindo todas as camadas que de alguma maneira o utilizará • Organização executora: Empresa cujos colaboradores estão mais diretamente envolvidos na execução do projeto • Membros da equipe do projeto: Grupo de pessoas que está executando o trabalho do projeto • Equipe de gerenciamento de projetos: Membros da equipe que estão envolvidos diretamente nas atividades de gestão do projeto • Patrocinador: Pessoa ou grupo que provê os recursos financeiros para o projeto • Influenciadores: Pessoas ou grupos que podem influenciar, de forma positiva ou negativa o andamento do projeto, não estando diretamente relacionadas à aquisição ou uso do produto do projeto. • PMO: Se tiver responsabilidade direta ou indireta pelo resultado do projeto, existindo na organização executora, pode ser uma parte interessada. A figura a seguir ilustra a relação entre as partes interessadas e a equipe do projeto: 55 Figura 4 - A relação entre as partes interessadas e o projeto FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 25 É fundamental para o sucesso do projeto que todas as partes interessadas tenham uma boa comunicação e se compreendam, por isso, o relacionamento entre as partes deve ser preservado e procurar sempre ser mantido de maneira amigável. 3.1.2 - Estrutura da organização Geralmente a estrutura de uma organização executora limita a disponibilidade de recursos em um âmbito de uma estrutura funcional em relação a uma estrutura por projeto, também conhecida como estrutura projetizada, com diversas estruturas matriciais intermediárias. Sendo assim, vemos que existem diversas formas de organizar uma equipe para a execução de um projeto, porém para este trabalho iremos considerar o modelo de estrutura projetizada, que diferentemente da estrutura funcional, elimina a estrutura de trabalho hierárquico com cargos fixos e o gerente do projeto possui grande independência e autoridade com relação à administração das pessoas alocadas para trabalhar no projeto e à definição de prioridades. 56 O gerente de projeto tem extrema importância neste modelo de estrutura e as pessoas o têm como líder principal. Na hierarquia orientada por projetos o executivo analisa as necessidades do negócio, expõe suas idéias e projetos que precisam ser executados em função disso. Nesta estrutura o gerente de projeto é responsável por concretizar estas idéias e montar uma equipe para executá-lo. A figura abaixo extraída do Guia PMBOK® mostra este tipo de hierarquia: Figura 5 - Organização por projeto FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 29 Normalmente, em uma organização com este tipo de estrutura, os membros da equipe trabalham juntos no mesmo local, fazendo com que as competências e habilidades de cada um sejam compartilhadas pelo grupo. Mas podemos visualizar isto sendo tanto como uma fraqueza ou como uma oportunidade, pois as diversidades podem gerar conflitos entre os colaboradores ou ser vista como uma possibilidade de criar artefatos mais criativos e multidisciplinares. responsabilizar pelo clima do grupo. Neste caso, cabe ao gestor do projeto, se 57 Outro tipo de estrutura muito utilizada é o matricial, podendo ser fraca, balanceada ou forte, mas mantêm o princípio básico da orientação a projetos. Neste modelo, há diversas áreas e funções, e também tem um núcleo de gerência de projeto que pode utilizar recursos das outras áreas para compor uma equipe ou se isolar do restante da organização. 3.2 - Gestão de Projetos Gestão de projeto é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas para projetar atividades do projeto a fim de atingir ou exceder as necessidades e expectativas dos clientes e demais partes interessadas. Uma vez definido o que é projeto, é necessário conduzi-lo à sua execução, sendo assim, deve estar acordado entre todos os envolvidos com o projeto assuntos sobre escopo, prazo, custo e qualidade. Segundo o PMBOK (2004), o gerenciamento de projetos é distribuído em nove áreas de conhecimento, no qual, cada uma delas descreve seus respectivos processos a fim de garantir que as metas planejadas sejam atingidas. • Gerência da Integração de Projeto: Consiste no desenvolvimento e a execução do plano do projeto, e o controle geral de mudanças. Preocupa-se com os processos necessários para assegurar que sejam coordenados adequadamente os diversos elementos do projeto, tendo por objetivo realizar negociações de conflitos entre objetivos e alternativas do projeto. • Gerência do Escopo do projeto: Consiste na iniciação, planejamento, definição, verificação e controle de mudanças do escopo. Descreve os processos para que somente as atividades necessárias sejam realizadas para o encerramento do projeto, tendo por objetivo definir, monitorar e controlar o que deve e o que não deve estar incluso no projeto. 58 • Gerência do Tempo do Projeto: Consiste na definição, ordenação e estimativa de duração das atividades, e da elaboração, monitoramento e controle de cronogramas. Administra a duração do projeto, visando garantir o término do projeto dentro do prazo previsto. • Gerência do Custo do Projeto: Consiste no planejamento de recursos, estimativa, orçamento e controle de custos. Define processos, visando garantir que o projeto seja executado dentro do orçamento aprovado. • Gerência da Qualidade do Projeto: Consiste no planejamento, garantia e controle de qualidade. Descreve os processos, visando garantir que o projeto satisfará as necessidades e as exigências contratadas de todos os envolvidos. • Gerência dos Recursos Humanos do Projeto: Consiste no planejamento organizacional, alocação de pessoal e desenvolvimento de equipe. Visa utilizar a melhor forma possível, a força de trabalho das pessoas envolvidas no projeto, garantindo seu melhor aproveitamento. • Gerência das Comunicações do Projeto: Consiste no planejamento da comunicação, distribuição da informação, incluindo a comunicação sobre o andamento e resultados no ciclo de vida do projeto, relatório de acompanhamento e encerramento administrativo. Garante a geração apropriada e adequada, a captura, distribuição, armazenamento e recuperação das informações para as pessoas certas no momento exato em que elas forem necessárias. • Gerência dos Riscos do Projeto: Consiste na identificação, quantificação, tratamento e controle de tratamento de riscos. Visa identificar, analisar e responder aos riscos existentes, maximizando os resultados de ocorrências positivas e minimizando as conseqüências de ocorrências negativas que possam comprometer o andamento do projeto ou impactar os resultados não planejados. 59 • Gerência das Aquisições do Projeto: Consiste no planejamento de solicitação e aquisição, seleção de fornecedores, solicitação de propostas e administração e encerramento de contratos. Define os processos que tem por objetivo obter produtos e serviços externos à organização. Devido o foco deste trabalho, a disciplina de Recursos Humanos terá uma pesquisa mais profunda, conforme processos descritos a seguir. Alguns princípios de Administração Geral que são importantes e influentes para a Gestão de Projetos baseadas em relacionamento entre pessoas e organizações são considerados pelo Guia PMBOK®, como: • Liderança: Preocupa-se com as diretivas para a equipe, desenvolvendo uma missão e estabelecendo estratégias, alinhando a equipe e as atividades para alcançá-la através de palavras e ações, com motivação e inspiração, fazendo com que os colaboradores estejam dispostos a cooperar e a resistir às adversidades que surgem no decorrer do projeto. A liderança e a inteligência emocional geralmente encontram-se em comum acordo, no que diz respeito à necessidade de guiar a equipe em prol de um objetivo, porém isto não é primordial apenas para um gerente de projeto, pois esta habilidade pode ser desenvolvida também por outros membros da equipe podendo existir vários profissionais com perfis de liderança. • Comunicação: É de fundamental importância para a gestão de projetos, pois pode ser realizada de diversas formas, escrita, oral, gestual. Comunicar envolve troca de informações. • Negociação: Significa discutir com vários envolvidos no projeto com o objetivo de se chegar a um acordo e acontece em todas as fases, por isso, é fundamental para o dia-a-dia de um gerente de projeto, o conhecimento de como conduzi-la e o auxilio das competências de inteligência emocional podem ser de grande ajuda. A 60 negociação envolve uma série de fatores que a influenciam: Informação, Tempo e Poder. Quanto mais informações as partes envolvidas tiverem umas das outras, mais fácil será satisfazer suas necessidades e conseguir que todas as partes sejam beneficiadas com o resultado da negociação. Para o pesquisador Stark (2004), o tempo, quanto mais urgente for uma negociação, maior os riscos dela não ser satisfatória. E para o poder, se alguém tiver algum tipo de poder em relação ao outro, isto pode prejudicar o resultado ganha/ganha. • Solução de Problemas: Solucionar problemas é umas das atividades mais comum no dia-a-dia de um gerente de projeto e o seu objetivo é que o problema seja finalizado com sucesso. Para o Guia PMBOK®, a solução de problemas envolve duas fases: a identificação do problema e a tomada de decisão para solucioná-lo. A primeira identifica e analisa as causas e conseqüências do problema, a segunda propõe diversas soluções para ele, sendo assim, é necessário analisar qual é a melhor delas e executá-la, devendo sempre aceitar a opinião de sua equipe para as decisões. • Influência na organização: É a habilidade de conseguir com que as coisas sejam feitas, para isso, é necessário que o gerente de projeto conheça bem a organização. 3.2.1 - Processos Segundo o PMBOK 2004, a gestão de projetos trabalha sua execução de acordo com o processo, é uma série de ações executadas por pessoas que geram um resultado, e categorizam-se em: • Processos de gerência de projetos: Responsáveis pela descrição e a organização do trabalho do projeto. 61 • Processos orientados ao produto: Responsáveis pela especificação e a criação do produto do projeto. Os cinco grupos de processos são: • Processos de iniciação: Definem e autorizam o inicio ou uma fase do projeto. • Processos de planejamento: Definem e refinam os objetivos e planeja a ação necessária para atingir os objetivos e o escopo do projeto. • Processos de execução: Integram e gerenciam pessoas e outros recursos para realizar o plano de gerenciamento do projeto. • Processos de monitoramento e controle: Monitoram e medem freqüentemente o progresso para identificar variações em relação ao plano de gerenciamento do projeto, caso haja divergências, pode-se tomar ações corretivas quando necessário para atender seus objetivos. • Processos de encerramento: Verificam e formalizam a aceitação do produto, serviço ou resultado gerado e conduz o projeto ou uma fase do projeto para um final organizadamente. Um conceito para a interação entre os processos de gerenciamento de projetos é o ciclo PDCA (plan - do - check - act, ou seja, planejar – fazer – verificar - agir), o ciclo aprimorado pode ser aplicado aos inter-relacionamentos dentro ou entre os grupos de processos. O “planejar” do ciclo PDCA, corresponde ao grupo de processos de planejamento. O “fazer” corresponde ao grupo de processos de execução e o “verificar e agir” corresponde ao grupo de processos de monitoramento e controle. No mais, o Grupo de processos de iniciação inicia esses ciclos e o Grupo de processos de encerramento os finaliza. 62 A figura a seguir mostra o mapeamento entre os grupos de processo e o ciclo PDCA definidos acima: Figura 6 - Mapeamento entre os grupos de processos de gerenciamento de projetos e o ciclo PDCA FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 40 3.2.2 - Gestão dos Recursos Humanos do Projeto Os recursos humanos podem ser considerados como estratégicos para o sucesso na grande maioria dos projetos. O Guia PMBOK® define que a gestão dos Recursos Humanos inclui os processos que organizam e gerenciam a equipe do projeto, possibilitando uma utilização mais efetiva de todos os envolvidos no projeto, sendo: patrocinadores ou sponsors, clientes, organização executora, entre outros. Os três principais processos da gestão de Recursos Humanos de um projeto segundo o PMBOK (2004, 199) são: • Planejamento de recursos humanos: Responsável por identificar e documentar funções, responsabilidades e relacionamentos hierárquicos do projeto, além de criar o plano de gerenciamento de pessoal. 63 • Contratar ou mobilizar a equipe do projeto: Responsável por obter recursos humanos necessários para realizar o projeto. • Desenvolver a equipe do projeto: Responsável por melhorar as competências e interação dos membros da equipe aumentando o desempenho do projeto. • Gerenciar a equipe do projeto: Responsável por acompanhar o desempenho dos colaboradores fornecendo feedbacks, solucionar problemas e coordenar mudanças para melhorar desempenho do projeto. A figura abaixo mostra uma visão geral sobre cada um dos processos: 64 Figura 7 - Visão geral do gerenciamento de recursos humanos do projeto FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 201 Os três principais processos da Gestão de Recursos Humanos não definem diretamente o que deve ser feito no projeto, apenas direcionam questões a serem discutidas pelo gerente de projeto conforme serão descritos em detalhes abaixo: Planejamento de Recursos Humanos A atividade responsável por identificar e documentar funções, responsabilidades e relacionamentos hierárquicos do projeto, além de criar o plano de gerenciamento de pessoal, pode ser atribuído a alguém ou a um grupo, podendo ser interno ou externo à organização. Normalmente, este processo é um dos primeiros a ser executado, porém 65 deve ser reformulado e analisado freqüentemente garantindo o atendimento das exigências. A figura a seguir apresenta o fluxo de entradas e saídas do Processo de Recursos Humanos. Figura 8 - Planejamento de recursos humanos: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 203 Entradas do Planejamento de Recursos Humanos Para o Planejamento de Recursos Humanos são necessárias três entradas: Fatores ambientais da empresa, Ativos de processos organizacionais e Plano de gerenciamento de projeto. a) Os Fatores ambientais da empresa são divididos em cinco: • Organizacional: Diz respeito aos relacionamentos que o projeto terá com outras organizações ou departamentos e se são formais ou informais. • Técnico: Relacionamentos entre as diferentes disciplinas e áreas de especialização para finalizar o projeto, podem acontecer tanto dentro da fase do projeto, como entre fases distintas. 66 • Interpessoal: São os relacionamentos, formais ou informais, existentes entre as pessoas que trabalham na equipe do projeto. • Logístico: Referente à distância que separa as pessoas, unidades, fusos horários ou países. • Político: Relacionamentos entre grupos e pessoas que possuem poder informal em áreas importantes para o projeto. Outro tipo de informação necessária diz respeito às restrições que limitam as opções da equipe do projeto. Como alguns desses exemplos temos: a estrutura organizacional da empresa, acordos de negociação coletiva e condições econômicas. b) Para o Planejamento de Recursos Humanos os ativos de processos organizacionais são divididos em dois segmentos: • Modelos: Incluem o organograma do projeto, descrições de cargos, avaliações de desempenho e abordagem padrão para o gerenciamento de conflitos. • Lista de verificação: Incluem funções e responsabilidades do projeto, competências típicas, programas de treinamento, regras básicas da equipe, considerações de segurança, problemas de conformidade e idéias de premiação. c) O Plano de gerenciamento de projeto possui apenas um segmento: • Recursos necessários para a atividade: Como parte do processo Planejamento de recursos humanos são levantados os requisitos preliminares referentes às pessoas e competências necessárias para os membros da equipe. 67 Ferramentas e Técnicas do Planejamento de Recursos Humanos As ferramentas e técnicas definidas para o Planejamento de Recursos Humanos são divididas em três segmentos: • Organograma e descrições de cargos: São formatos para documentar funções e responsabilidades dos membros da equipe e geralmente se enquadram nos tipos de hierarquia, matricial e orientado a texto. Conforme demonstrado na figura abaixo: Figura 9 - Formatos de definição de funções e responsabilidade FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 205 • Networking: Onde há interatividade informal com outras pessoas da organização ou departamento, incluem conversas informais, eventos, almoços, correspondência pró-ativa. • Teoria organizacional: Fornece informações relacionadas ao comportamento de pessoas, equipes e unidades organizacionais. Saídas do Planejamento de Recursos Humanos As saídas do processo de Planejamento de Recursos Humanos são: 68 • Funções e responsabilidades: Definem o que cada membro da equipe deve fazer e em que elas têm poder de decisão definindo também gráficos e diagramas mostrando qual o nível de contribuição e comprometimento de cada pessoa e para cada fase. • Organograma do projeto: Representação gráfica, hierárquica de poder ou funcional, dos relacionamentos existentes no projeto. Um modelo utilizado para representar as interações entre cada um da equipe do projeto é Estrutura Organizacional do Projeto (OBS – Organizational Breakdown Structure). • Plano de gerenciamento de pessoal: Fundamental para o recrutamento e seleção de pessoal, tabela de horários, estimar quanto ao espaço físico necessário para a equipe em cada fase, o planejamento orçamentário da folha de pagamento, entre outros. Define quando e como os recursos humanos serão alocados e retirados do projeto. Contratar ou mobilizar a equipe do projeto Tem o objetivo de obter os recursos humanos para o projeto. A figura abaixo apresenta o fluxo de entradas e saídas do Processo de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto. 69 Figura 10 - Contratar ou mobilizar a equipe do projeto: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 209 Entradas de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto As entradas do Processo de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto são definidas por: • Fatores ambientais da empresa: Capacidade de influenciar ou orientar o pessoal considerando características como: disponibilidade, capacidade, experiência, interesses e custo. • Ativos de processos organizacionais: Políticas, diretrizes ou procedimentos que controlam o pessoal. • Funções e responsabilidades: Exigências de habilidades, competências e posições. • Organograma do projeto: Fornece uma visão geral sobre o número de pessoas necessárias para o projeto. • Plano de gerenciamento pessoal: Juntamente com o cronograma, fornece os períodos de tempo em que cada colaborador será necessário. 70 Ferramentas e Técnicas de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto As ferramentas e técnicas de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto são definidas: • Pré-designaçao: Quando os membros da equipe do projeto são conhecidos antecipadamente e o projeto depende da especialização de pessoas específicas. • Negociação: É uma das técnicas que devem ser utilizadas pelo gerente de projeto durante a montagem de sua equipe. Dependendo do projeto ele terá que negociar com áreas funcionais ou outros grupos o compartilhamento ou a realocação de pessoal. • Contratação ou mobilização: Quando a empresa não possui todo o pessoal necessário para a execução do projeto. Pode ser uma decisão estratégica da organização não ter toda a equipe como funcionários efetivados, porém a contratação deverá acordar formalmente a prestação de serviço de um indivíduo ou grupo de indivíduos para a realização de uma tarefa. • Equipes Virtuais: Grupos de pessoas com um objetivo em comum que executam suas funções na maior parte do tempo sem se encontrarem pessoalmente. Saídas de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto As saídas de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto são: • Designações de pessoal para o projeto: Quando as pessoas adequadas forem designadas para trabalhar no projeto, sabendo suas funções e responsabilidades e o tempo que executará cada atividade, integral, parcial ou variável. 71 • Disponibilidade de recursos: São os períodos de tempo que cada membro da equipe pode trabalhar no projeto. • Plano de gerenciamento pessoal (atualizações): Mudanças no plano de gerenciamento de pessoal conforme pessoas específicas preenchem funções e responsabilidades no projeto. Desenvolver a equipe do projeto Tem como objetivo aumentar o desempenho do projeto, identificando habilidades, melhorando as competências e interação do grupo, contribuindo para o seu desenvolvimento. Segundo o Guia PMBOK® (2004), desenvolver a equipe aprimora a capacidade dos membros da equipe para contribuir individualmente, e aprimora a capacidade da equipe para funcionar como um time. A seguir, a figura mostra o fluxo de entradas e saídas do processo de Desenvolver a equipe: Figura 11 - Desenvolver a equipe do projeto: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 212 72 Entradas do Desenvolver a equipe do projeto As entradas que possibilitam começar o Processo de Desenvolvimento da equipe são todas saídas do Processo de Contratar ou mobilizar a equipe do projeto: • Designações de pessoal para o projeto: Conjunto de pessoas adequadas designadas para trabalhar no projeto. • Plano de gerenciamento pessoal: Contém quando e como os recursos humanos serão alocados e retirados da equipe de projeto. • Disponibilidade de recursos: Informa os momentos que cada membro da equipe pode participar de atividades do projeto. Ferramentas e Técnicas do Desenvolver a equipe do projeto De acordo com o Guia PMBOK®, as ferramentas e técnicas do Desenvolver a equipe são divididas em seis áreas: • Habilidades de gerenciamento geral: Envolvem habilidades interpessoais muito importantes para o desenvolver da equipe assim como o relacionamento do gerente com o funcionário, relacionamento com o grupo e administração da função de recursos humanos. • Treinamento: Fator importante para manter a motivação da equipe e mostrar o quanto a empresa contribui para seu crescimento. Incluindo aumento de habilidades, conhecimento e capacidade. • Atividades de formação da equipe: Ações de gerenciamento para melhorar o desempenho da equipe, tendo como objetivo, melhorar as relações interpessoais 73 dos envolvidos no projeto. Muitas de suas atividades geram, em médio prazo, melhorias indiretas. • Regras básicas: Estabelecem expectativas relacionadas ao comportamento aceitável dos membros da equipe do projeto. • Agrupamento: Quando os membros do projeto encontram-se no mesmo local físico, tornado mais fácil a comunicação entre eles e formar um time unido e eficiente. • Reconhecimento e premiações: Ações que promovem um comportamento desejado devendo ser feito de forma direta e clara, podendo ser interpretados como fatores importantes para a motivação de seus colaboradores e para demonstrar o quanto à organização observa e valoriza o trabalho de cada um. Saída do Desenvolver a equipe do projeto Este processo possui apenas uma saída: • Avaliação de desempenho da equipe: É o feedback que os gerentes de projeto fornecem sobre cada um de seus funcionários para a realização da avaliação de desempenho da empresa. Gerenciar a equipe do projeto Tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento dos membros da equipe do projeto, solucionando problemas, fornecendo feedbacks e coordenando mudanças. Abaixo, a figura apresenta o fluxo de entradas e saídas do processo de Gerenciar a equipe do projeto: 74 Figura 12 - Gerenciar a equipe do projeto: Entradas, ferramentas e técnicas, e saídas FONTE: PMBOK 2004, PÁGINA 209 Entradas do Gerenciar a equipe do projeto As entradas que possibilitam o início do Processo de Gerenciar a equipe do projeto são: • Ativos de processos organizacionais: Políticas, procedimentos e sistemas da organização que são utilizados para premiar o pessoal no decorrer do projeto. • Designações de pessoal para o projeto: Fornece uma lista de pessoas que serão avaliadas durante esse processo de monitoramento e controle. • Funções e responsabilidades: Lista usada para monitorar e avaliar o desempenho da equipe. • Organograma do projeto: Fornece uma visão sobre as relações hierárquicas entre os membros da equipe. • Plano de gerenciamento pessoal: Juntamente com o cronograma, fornece os períodos de tempo em que cada colaborador será necessário. 75 • Avaliação de desempenho da equipe: Avaliações contínuas formais de desempenho dos membros da equipe, tomando ações para solucionar problemas, melhorando interação da equipe. • Informação sobre o desempenho do trabalho: Oriente e gerencia a execução do projeto observando diretamente o desempenho dos membros da equipe. • Relatórios de desempenho: Fornecem documentação sobre desempenho em relação ao plano de gerenciamento do projeto, ajudando determinar recursos necessários, reconhecimentos e premiações e atualização do plano de gerenciamento de pessoal. Ferramentas e Técnicas do Gerenciar a equipe do projeto Segundo o Guia PMBOK®, as ferramentas e técnicas do Gerenciar a equipe do projeto são divididas em quatro áreas: • Observação e conversa: Usadas para manter contato com o trabalho e atitudes dos colaboradores. • Avaliação de desempenho do projeto: Os membros da equipe recebem feedback das pessoas que supervisionam os seus trabalhos, sendo avaliações formais e informais de desempenho do projeto dependendo de sua extensão. • Gerenciamento de conflitos: Deve ser tratado no início e em particular, usando abordagem direta e colaborativa e se necessário utilizar ações disciplinares. Se o gerenciamento de conflitos for bem-sucedido, resulta em maior produtividade e relações de trabalho positivas. 76 • Registro de conflitos: Documenta pessoas responsáveis pro solucionar problemas específicos em determinada data, ajudando a equipe a monitorar problemas. Saída do Gerenciar a equipe do projeto Este processo possui cinco saídas, sendo elas: • Mudanças solicitadas: Mudança de pessoal por uma escolha ou eventos, podendo prejudicar o plano de projeto, ampliando cronograma e estourando o orçamento. • Ações corretivas recomendadas: Incluem itens como mudança de pessoal, treinamento adicional e ações disciplinares. • Ações preventivas recomendadas: Identifica novos ou possíveis problemas, desenvolvendo ações preventivas para reduzir a probabilidade ou impacto antes de ocorrerem. • Ativos de processos organizacionais (atualizações): Entradas para avaliações de desempenho organizacional e documentação de lições aprendidas. • Plano de gerenciamento pessoal (atualizações): Solicitação de ações corretivas e mudanças aprovadas resultam em atualizações do plano de gerenciamento de pessoal. 77 4 - NA PRÁTICA DA LIDERANÇA, INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E GESTÃO DE PROJETOS Após discorreremos sobre a teoria do que é formado, como se classificam a liderança, inteligência emocional e a gestão de projetos, chega o momento de vermos como isso ocorre na prática, qual a visão das pessoas, qual estilo de liderança elas mais se encaixam. 4.1 - Aplicando Inteligência Emocional e Gestão de Projetos em Liderança Quais os atributos mais importantes de uma liderança? Na revista eletrônica do mestrado de administração da UNIMEP há uma tabela das práticas mais citadas de uma liderança, essas informações foram extraídas da consultoria Cambria Consulting (2002 pg. 15), segue abaixo uma tabela com os atributos mais lembrados: Tabela 3 - Relação dos principais práticas de liderança Práticas Principais % Outras práticas Importantes % Desenvolver pessoas 64% Cooperar / participar de equipes 36% Obter resultados 55% Criar equipes 36% Concentrar-se no cliente 52% Desenvolver soluções criativas 34% Comunicar-se 52% Criar um ambiente de alto desempenho 32% Orientar a visão e direção 46% Impulsionar mudanças 32% Criar laços de 43% Ser um modelo em sua função 29% 41% Gerenciar a diversidade / valorizar o 29% relacionamento comercial Tomar decisões outro Gerenciar o desempenho 39% Desenvolver estratégias 25% Influenciar a organização 38% Assumir responsabilidade pelas coisas 23% FONTE: CAMBRIA CONSULTING, 2002, p.16 78 Como se pode verificar pela tabela, muitas das práticas citadas são relacionadas a equipe, a pessoas, a prática com maior porcentagem (desenvolver pessoas com 64%) é o que muitas pessoas esperam que um bom líder faça, que consiga enxergar as qualidades de cada um, os pontos de melhoria e crie a possibilidade de desenvolvimento desses pontos. Nesse sentido, o guia PMBOK (2004) na sua área de conhecimento Recursos Humanos pode auxiliar, tornando esse processo gerenciável. Dentro da área de Recursos Humanos temos a área 9.3 Desenvolver a equipe do projeto responsável justamente pelo desenvolvimento da equipe do projeto e nela existem ferramentas, como por exemplo, treinamentos para o desenvolvimento da equipe. Além disso, se deve destacar a prática de obter resultados, onde o trabalho da equipe é imprescindível para o sucesso, o atendimento do objetivo. Para isso a formação de uma equipe é de suma importância, nesse sentido o PMBOK (2004) possui o processo 9.2 Contratar ou mobilizar a equipe do projeto que auxilia no processo de formação da equipe, as negociações necessárias para sua formação. A formação da equipe é o começo, o primeiro passo para o sucesso de um projeto, depois a formação, a gestão dessa equipe, onde podemos destacar o processo 9.4 Gerenciar a equipe do projeto, onde se destaca o gerenciamento de conflitos, conversas (feedback), observação. Isso tudo serve para corrigir os rumos da equipe, fazendo com que trabalhem em pró da causa comum. Também a Inteligência Emocional entra como um fator importante nessa equação, pois com a sensibilidade de observar, entender, com o motivar e tendo a gerência dos sentimentos nos momentos de grande problemática, pressão, o papel do líder dentro da equipe como facilitador, maestro, fica mais facilitado. Quando o líder não tem gerencia sobre seus sentimentos, quando esse não transmite a sua equipe a motivação, feedback de uma forma que agregue valor aos colaboradores mais dificuldades são inseridas e mais difícil fica para o líder superar as dificuldades. Além das práticas, a Cambria Consulting levantou também quais são os principais atributos que as pessoas enxergam numa liderança, os atributos mais citados foram: 79 Tabela 4 - Atributos mais citados de um líder Principais atributos % Outros atributos importantes % Integridade / sinceridade / ética 77% Iniciativa / orientação para ação 58% Capacidade de realização 76% Capacidade de comunicação 52% Habilidade de lidar com pessoas 73% Energia / entusiasmo 50% Orientação para o aprendizado 73% Habilidade política 50% Capacidade de direcionar e 66% Cooperação 48% 64% Raciocínio analítico 48% 64% Responsabilidade / 48% controlar Capacidade de influenciar pessoas Raciocínio estratégico comprometimento Compreensão de conceitos 63% Capacidade de julgamento 44% Flexibilidade / adaptabilidade 61% Capacidade de tomar decisões 44% Autoconfiança / coragem 60% Conhecimento do negócio 40% FONTE: CAMBRIA CONSULTING, 2002, p.16 Aqui também se destacam algumas características muito voltadas à inteligência emocional, a sinceridade necessita de altas doses de inteligência emocional, para que no momento de pressão não se fale coisas que não deveriam ser ditas. Como foi descrito na seção de inteligência emocional, a sinceridade precisa de altas doses de autocontrole, pois dessa forma consegue-se administrar os impulsos negativos, além de transparência para dizer aquilo que você pensa, da maneira que você é. A habilidade de lidar com as pessoas e a capacidade de influenciar pessoas também são atributos de destaque, uma vez que as principais habilidades do líder no seu dia-adia são se comunicar e lhe dar com diferentes pessoas, seus estilos, crenças, etc, influenciando esses diferentes tipos em pró de uma causa comum. Nesse sentido a capacidade de relacionamento é de suma importância, os pontos citados por Goleman (2002) de inspirar, influenciar, fazem com que esses atributos sejam trabalhados na prática, trazendo para si mais pessoas que trabalharão segundo os objetivos, cabendo ao líder ainda em suas atribuições com a equipe fazer com que 80 essa trabalhe realmente como uma equipe e saber também gerenciar os conflitos que possam surgir no decorrer das atividades. Como se pode notar os pontos abordados pela inteligência emocional estão presentes nas habilidades, práticas de um líder no seu dia-a-dia, mas além disso, o que muito influência o dia-a-dia de um líder é o estilo de liderança que ele impõe para a sua equipe, pois o estilo aplicado pode vir a ser um problema no dia-a-dia com a equipe, gerando conflitos, desmotivação, o que sem dúvida traz muitos problemas para o líder. Sendo assim, o estilo de liderança deve ser levado em conta e deve trabalhar junto com a inteligência emocional para que a liderança ocorra de forma mais tranqüila. Nesse sentido, a inteligência emocional pode auxiliar os estilos de liderança de seguinte forma: 1 - Visionário Auxiliar o líder desse estilo a gerenciar-se melhor não caindo no autoritarismo quando as coisas saem dos rumos. Sabendo auto-regular, o líder terá autocontrole diante das situações adversas e aplicando a adaptabilidade para adaptar-se as mudanças, mantendo-se maleáveis e não autoritários. Na seção que trata dos estilos de liderança diz que esse estilo quando aplicado juntamente com o agregador possui melhores resultados. No agregador, palavras como empatia, construção de relacionamentos, flexibilidade são muito fortes e são também pontos chave da inteligência emocional. 2 - Agregador Como foi dito no ponto anterior, esse estilo de liderança possui muitos dos pontos chaves da inteligência emocional, permitindo assim um equilíbrio maior, porém possui como problema a falta de diretrizes claras, e nesse aspecto o compartilhamento com o estilo visionário é tão importante. 81 3 - Democrático Para esse estilo a aplicação do desenvolvimento da equipe ajudará a capacitar e informar os colaboradores, o que diminuirá possíveis conflitos decorrentes da desinformação. Nesse sentido a inteligência emocional auxilia na sensibilidade de compreender as necessidades da equipe, a estruturação da equipe para maximizar o conhecimento, compartilhando-o de uma forma melhor. 4 - Conselheiro Esse é o estilo mais próximo do que se preconiza na inteligência emocional, motivando a equipe, ouvindo-a, tendo autoconhecimento. Essa abordagem diminui as chances de conflitos, já que se compreende a necessidade dos colaboradores, desenvolvendo-os e permitindo ao líder uma visão de toda a equipe, podendo estruturá-la de uma forma a trabalhar melhor. Porém esse estilo esbarra no problema experiência, o líder precisa de experiência para colocá-lo em prática de uma forma eficaz e por ser mais lenta, pois se discute muito para chegar as soluções, a velocidade do dia-a-dia pode atrapalhar sua execução. Esse estilo pode ser utilizado em junção com outro estilo e aos poucos sendo utilizado para desenvolvimento do pessoal e do próprio líder. 5 - Despótico Diferentemente do estilo conselheiro, o estilo despótico não possui pilares nos pontos da inteligência emocional, não são importantes os sentimentos dos integrantes da equipe. A inclusão de inteligência emocional no líder fará com que esse estilo acabe alterando-se para um dos estilos já citados. Porém como foi discutido na seção de estilos de liderança, esse estilo tem sua serventia, sendo bem aplicado quando a empresa precisa de uma mudança de rumos e rápida, porém o uso prolongado desse estilo faz com que se perca no 82 futuro, pois os colaboradores não trabalharam motivados, querendo participar das decisões a serem tomadas. 6 - Agressivo Para o estilo agressivo a inteligência emocional poderá trazer mais empatia para relação líder x colaboradores, uma vez que esse estilo voltado a resultados altos e a substituição de pessoas que não se enquadrem, faz com que os colaboradores trabalhem por coesão e não por empatia. A inteligência emocional pode trazer também a percepção do que pode ser investido para o desenvolvimento da equipe, para que essa trabalhe de forma mais eficiente. Dessa forma, podemos avaliar que estilos como agregador, democrático e conselheiro possuem um maior grau de inteligência emocional envolvido e na relação com a equipe poderá trazer melhores frutos que os estilos visionários, despótico e agressivo que demonstram uma baixa inteligência emocional do líder, insatisfação da equipe que poderá comprometer o objetivo. Porém os estilos de baixa inteligência emocional possuem cenários onde seu uso poderá trazer melhores frutos no curto prazo, preparando o terreno para o médio e longo prazo, mas cabe ao líder saber qual o momento de mudar de estilo para não comprometer as relações com a equipe, saber observar as pessoas, ter o objetivo em mente e saber também controlar a si mesmo. Dessa forma, saber o momento de mudar de estilo de liderança depende de uma inteligência emocional. 4.2 - Resultados das pesquisas Para esse trabalho foram realizadas algumas pesquisas com pessoas de diferentes formações, culturas e regiões demográficas, como por exemplo, Fortaleza, Brasília e Rio de Janeiro. A pesquisa contou com 70 pessoas, sendo 35 homens e 35 mulheres que responderam a questões sobre inteligência emocional e sobre liderança. 83 Uma segunda pesquisa foi feita com dois gestores, um Gerente de TI e outra Superintendente de uma grande empresa do ramo de seguros. Nesse caso a pesquisa diferente da anterior foi dissertativa, permitindo assim que os gestores pudessem escrever suas experiências, seus pontos de vista sobre liderança e inteligência emocional. 4.2.1 - Resultado da pesquisa geral A pesquisa geral foi dividida em duas partes, uma com perguntas sobre inteligência emocional, à segunda parte com perguntas sobre liderança. Após contabilização das respostas apresentadas pelas 70 pessoas pesquisadas, chegou-se, com relação à inteligência emocional, a seguinte quantidade. Tabela 5 - Contabilização Inteligência Emocional entre homens e mulheres Homens I.E. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 a 21 7 3 4 12 9 15 12 6 8 b 10 17 14 14 12 12 11 13 19 17 c 2 10 17 16 10 10 3 6 9 10 d 1 1 1 1 1 3 6 4 1 e 1 Mulheres I.E. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 a 16 10 4 1 6 10 11 10 3 4 b 18 18 17 15 19 15 19 12 20 17 c 1 7 11 17 8 8 3 9 11 13 d E 2 2 2 2 1 4 1 1 1 1 1 84 Em azul estão as respostas mais dadas para cada uma das 10 questões de inteligência emocional, no qual a resposta (a) tem peso 5, (b) tem peso 4, (c) tem peso 3, (d) tem peso 2 e (e) tem peso 1. Após calcular a quantidade de resposta e os pesos, chegou-se que os 35 homens tiveram na média 40 pontos e as 35 mulheres tiveram na média 39 pontos. Ambos estão no range que vai de 31 a 40 pontos e que representa uma inteligência emocional bem desenvolvida e para desenvolver mais a inteligência emocional a dica dada é observar as pessoas, para poder ter uma percepção melhor das pessoas, dos diferentes sentimentos durante o dia e tomar ações conforme as mudanças. Porém, caberia uma pesquisa mais aprofundada para medir o nível de inteligência emocional nas pessoas, principalmente medir em momentos de stress ou com situações reais vividas pelas pessoas, para que assim pudéssemos observar durante os momentos difíceis quais são as reações. Na observação do dia-a-dia, é visível que essa inteligência nos momentos complexos tende a ser baixa, gerando conflitos, isso é, no calor do momento os sentimentos negativos acabam aflorando-se e a gerencia sobre eles fica debilitada. É extremamente necessário que as pessoas pensem a respeito desses momentos, tentando aprender com eles e tenha auto-regulação sobre isso, para mudar os rumos, corrigindo falhas. Quanto ao questionário sobre liderança, faremos aqui uma abordagem de avaliar a questão e não o questionário como um todo, dando uma nota por perfil. As analises serão feitas a partir da nota que recebeu mais marcações, fazendo ainda comparações entre as respostas de homens e mulheres. Os perfis resultantes das questões não fazem parte do escopo desse projeto, pois retratam perfis de liderança no âmbito religioso, não sendo os mesmos retratados nesse projeto que segue as definições difundidas pela Administração. Comparando-se as médias das respostas de homens e mulheres, em muitas questões houve um equilíbrio, com diferenças menores a 0,25 entre as respostas de homens e mulheres, em alguns casos houve uma diferença maior, ficando em torno de 0,54 e 0,6. Valem também ressaltar que na maioria das questões a média ficou em torno de 3, representando assim a média com relação a pontuação de cada situação. 85 As questões 2 e 5 foram as que tiveram as maiores diferenças, sendo que em ambos os casos a nota média das mulheres foi maior que a dos homens. A questão número 2 trata se a pessoa é organizada, no caso as mulheres se mostraram mais organizadas o que é de suma importância no dia-a-dia de um líder, pois sobre ele recai muita responsabilidade que sem organização acaba atrapalhando-o, e isso pode ser demonstra do pela média da questão 15 que pergunta se a pessoa possui muitos atrasos no trabalho em decorrência de muitas atividades em paralelo para serem executadas. Nessa questão os homens tiveram uma média maior que as mulheres, com uma organização mais deficitária a realização de muitas tarefas em paralelo faz com que elas atrasem mais que em relação a pessoas organizadas, porém a média dos homens ficou pouco abaixo da média da escala de 1 a 5, os homens tiveram como média 2,46. Sendo assim, mesmo com uma organização mais baixa os homens pesquisados não tiveram um desempenho tão mal quando o assunto é entregar suas coisas no prazo. Isso pode ser explicado com uma aceleração nas atividades, buscando fazer no menor tempo para poder atender outras. E observando no dia-a-dia, em muitos locais e em alguns momentos isso acaba sendo feito para atender demandas com prazos curtos, já que os recursos são limitados. A questão 5 mostra que as mulheres têm maior facilidade em perceber os sentimentos das pessoas, são mais sensíveis nesse sentido, essa percepção mais apurada é de grande valia para um líder, pois ele pode tomar ações mais rápidas para corrigir possíveis problemas antes que se tornem maiores. Nessa questão as mulheres demonstram uma inteligência emocional mais apurada que os homens, ficando com uma média de 4,06 em uma escala de 1 a 5. Uma outra questão que ficou com grande diferença (0,54), foi a questão 9. Essa questão tratou da facilidade de delegar atividades aos demais, nesse mérito a mulher possui também uma maior facilidade que o homem ficando com uma média 3,97 enquanto que os homens ficaram com 3,43. Nesse quesito a média dos homens ficou mais alta que a média, mas a nota das mulheres demonstrou que na população apurada, as mulheres possuem uma facilidade maior de delegar o que é muito interessante para uma liderança, pois com uma quantidade grande de atividades, a delegação é muito importante para não 86 sobrecarregar o líder, para desenvolver um colaborador tanto na atividade, quanto no senso de responsabilidade e para ter uma probabilidade maior de entregar as atividades no prazo. Já a questão 17 ficou com 0,37 de diferença. Essa questão verificava se as pessoas tinham grande satisfação em estar participando de muitas atividades simultâneas. Nesse sentido as mulheres obtiveram a maior média 3,60 enquanto os homens ficaram com 3,23. Essa questão tem embutida sentimentos como, por exemplo, se sentir útil, de se sentir reconhecido como uma pessoa que desempenha um bom trabalho e é importante para o sucesso das atividades desempenhadas pela equipe. O que precisa ser observado é quanto tantas atividades simultâneas podem influenciar na qualidade dos trabalhos, pois quanto mais coisas você faz, menos tempo você tem para se dedicar, se concentrar nelas e com isso pode aumentar a probabilidade de erros, de re-trabalho. Um bom líder tem que ter isso em mente e distribuir melhor as atividades quando existem colaboradores que estão muito sobrecarregadas enquanto outros não. Nesse sentido o líder também precisa estar atento para observar os sinais tanto de queda de produtividade, quanto de insatisfação, a pessoa pode ficar mais irritada, podendo daí surgir conflitos na equipe. Essas foram às questões que tiveram as maiores diferenças entre homens e mulheres, as demais ficaram com diferença bem menor, representando assim um equilíbrio, não valendo a pena realizar comparações. Verificando-se com relação a média conjunta das resposta de homens e mulheres e comparando com relação a escala de 1 a 5, além da questão 15 que já foi comentada, as questão 23 e 29 ficaram abaixo de 3 (2,49 e 2,86 respectivamente). A baixa média da questão 23 é um bom sinal, uma vez que essa questão aborda a preferência por trabalhar sozinho ao invés de trabalhar em grupo. Nas seções desse trabalho, nos dizeres de pessoas reconhecidas tanto nos estudos dos assuntos abordados quanto na história da humanidade deixou claro que um líder precisa trabalhar em grupo, pois não há líder sem seguidores, sem uma equipe, sem um grupo, dessa forma, à vontade de trabalhar sozinho acaba criando barreiras, dificultando o processo. Para quem exerce um cargo de liderança, esse pode não ser 87 um bom líder, atrapalhando a equipe. Já se for um integrante da equipe, pode gerar algum conflito, pois esse pode ser mais individualista, não sabendo trabalhar em equipe e nesse caso o líder deverá tomar ações, a fim de desenvolver esse colaborador, incluindo-o e fazendo esse trabalhar melhor em equipe. Já a 29 tratou da religiosidade, se as pessoas rezam pelos integrantes de sua equipe, na média o resultado ficou em 2,86 ficando bem próximo da média, o que até surpreendeu, já que no dia-a-dia corrido, esse assunto fica negligenciado. Independente do termo rezar, seria muito interessante que as pessoas torcessem, rezassem, enfim buscasse o melhor para os outros, assim o ambiente ficaria melhor, o que repercutiria no desempenho, etc. A questão 4 que tratou do evitar riscos ficou com uma média acima de 3 (3,17), o que demonstra um equilíbrio nesse assunto. Um líder deve assumir alguns riscos e tentar gerenciar esses riscos, controlá-los (no PMBOK existe uma área que trata especificamente de riscos), pois todo o projeto tem seus riscos, toda inovação, evolução traz riscos. Um bom líder deve saber medir esses riscos e saber gerenciá-los, controlálos e tomar ações rápidas no caso dos imprevisíveis. A inteligência emocional auxilia nesse sentido, fazendo com que o líder não se desespere e toma ações que podem piorar a situação e esse controle não é nada fácil e necessita que seja trabalhado diariamente para desenvolver o emocional para essas situações. Nesse sentido ainda, a questão 8 tratou da superação de obstáculos e ficou com uma média alta na casa de 4,23. Saber superar as dificuldades é de suma importância para uma liderança, pois quando as dificuldades surgem os olhares se voltam para o líder que precisa, junto com os demais envolvidos, encontrar soluções, assim como no risco, nesse ponto um líder também precisa de uma inteligência emocional bem apurada, para deixar fluir as demais inteligências, mantendo a calma e sabendo ouvir os demais envolvidos. Mas nessa superação de dificuldade o líder precisa ter uma boa equipe auxiliando-o e para isso o líder precisa ajudar a desenvolvê-la, conseguir enxergar o potencial e ouvir a equipe. Esses pontos (questões 6 e 14) obtiveram boas médias (3,83 e 3,56), mas demonstra que as pessoas pesquisadas sabem observar mais do que ouvir e saber ouvir é uma atividade importante do líder e que auxilia na tomada de decisões, já que 88 pode trazer outros ângulos do problema, que ele sozinho poderia não observar e nesse sentido a confiança é importante para ouvir e colocar em prática ou delegar para a pessoa. As demais questões não teriam um envolvimento direto para com o tema, não trazendo mais informações ou ainda ficaram muito próximas de média o que torna o tema indeterminado, onde mais pesquisas são necessárias, assim como um maior aprofundamento. Contudo fica claro que temas como delegar, confiar, ouvir, saber reconhecer, comunicar, lhe dar com as pessoas, são temas muito fortes dentro da liderança e onde a inteligência emocional auxilia o líder a conseguir transpor as dificuldades do dia-a-dia, de diferentes perfis, entre outros, de uma forma mais equilibrada. 4.2.2 - No ponto de vista de dois líderes A segunda e ultima pesquisa realizada contou com a participação de dois gestores, que possuem equipes, atividades de liderança, enfim vivem na prática a liderança no dia-adia. Um trabalha no setor financeiro como gerente de TI e a outra trabalha no ramo de seguros como superintendente do desenvolvimento comercial. Ambas são áreas de constantes mudanças, com riscos, com prazos muitas vezes curtos, demandando do líder um equilíbrio grande para conciliar as atividades, fazer as coisas acontecerem. Foram feitas ao todo seis perguntas discursivas com o intuito de extrair mais informações. Segue abaixo as perguntas e a análise das respostas. 1. Como líder de uma equipe, quais são as principais dificuldades enfrentadas por você no seu dia-a-dia? Como elas poderiam ser resolvidas? As dificuldades mencionadas foram os conflitos entre cliente e colaborador e atuar de forma eficaz na tríplice pessoas x processos x resultados. Em ambos os casos existem indicadores, objetivos, a busca pelo resultado, a satisfação do cliente. 89 Palavras como conhecimento dos processos da Cia, transparência, bom senso e produtividade estão atrelados às pessoas, aos colaboradores que fazem parte das equipes de responsabilidade dos líderes, que precisam estar motivadas, desenvolvidas para que as dificuldades possam ser tratadas de uma melhor forma, melhorando assim indicadores, produtividade, o ambiente de trabalho. 2. Existem particularidades em sua área de atuação que dificultam a sua liderança? Se houver, quais são? Para essa pergunta Rosana respondeu da seguinte forma: “Lidar com pessoas é muito gratificante, mas exige atenção constante, estudar os comportamentos, entendê-los para atuar com feedback´s produtivos são desafios que também norteiam a liderança de qualquer pessoa que tenha foco em gestão de pessoas e também dos resultados corporativos” Nessa resposta estão inseridos temas muito fortes da inteligência emocional, estudar o comportamento, entender e reportar através do feedback estão presentes na seção de inteligência emocional. Além da dificuldade, lidar com as pessoas, ela dá a resposta para saber como lidar, de superar a dificuldade e para isso recorre à inteligência emocional. Já Rodrigo foca no controle, uma vez que a sua área de atuação muda constantemente, nesse sentido processos, documentação é de grande importância para o sucesso das atividades. 3. Como você avaliaria o estilo de liderança promovido por você? Quais são seus pontos positivos e os pontos de melhoria? Ambos as respostas apontaram para um estilo democrático, que leva também a equipe a responsabilidade pelas decisões tomadas, buscando o comprometimento, a responsabilidade dos colaboradores. 90 Para os pontos fortes e fracos Rosana respondeu que seus pontos fortes são a visão sistêmica, a gestão de pessoas, foco em resultados e uma liderança educadora, já como ponto de melhoria a excessiva cobrança, a culpa quando algo não dá certo, a frustração por querer conhecer muito e não da forma que gostaria. A forma de atuação aplicada é uma forma de desenvolver a equipe, de mantê-la motivada. Quanto aos pontos de melhoria a inteligência emocional pode auxiliar no sentido do autoconhecimento e da auto-regulação para que vá se trabalhando nessas questões internas para que não influenciem tanto. 4. Qual o impacto das emoções sobre suas decisões? Como você trabalha com essas emoções na sua liderança? Nesse ponto a caminhos diferentes, em uma resposta a inteligência emocional não é levada em consideração, não é vista como algo que possui peso nas decisões, no diaa-dia de um líder. Já na outra resposta fica claro o quão importante é a inteligência emocional para a liderança, Rosana diz que procura entender as entrelinhas dos comportamentos, as causas raízes, que acha importante haver o equilíbrio e que estimula o que possui mais a razão a trabalhar a emoção e o que tem mais emoção a trabalhar a razão. Nesse ponto aparecem fortemente à autoconsciência e a auto-regulação, para conhecer quais são os estilos, o que precisa ser mudado e efetivamente implementar as mudanças. 5. De que forma controlar suas emoções pode auxiliar nas suas atividades de liderança? Nas respostas fica claro a necessidade do autocontrole, de perceber, conhecer quais são as emoções envolvidas no momento. As decisões tomadas à luz das emoções fortes do momento aumentam a possibilidade de decisões erradas. 91 É dada grande importância ao controle emocional, dito como diferencial competitivo na resposta dada por Rosana, pois as empresas precisam de pessoas equilibradas, além de saber criar e serem racionais. 6. Quais são os atributos principais que você líder procura nos seus colaboradores? E na sua opinião, quais atributos os seus colaboradores procuram em você? Competência, caráter, vontade de aprender, espírito de servir, foco do cliente, atitude, amor pelo que faz, dinâmicas, comprometidas foram os atributos citados nas respostas. Com relação ao que os colaboradores esperam do líder na visão do líder foram a gestão das pessoas, percebê-los como indivíduos, um exemplo positivo, uma referência, habilidade de treinar os colaboradores e sinceridade. 4.3 - Fechamento do desenvolvimento do tema Nas respostas dadas fica clara a necessidade da inteligência emocional, porém esse não é um assunto dominado, conhecido por todos, como foi também demonstrado nas questões apresentadas, quando ocorreu um contraste grande entre os dois entrevistados. Uma líder que possui o conhecimento e coloca em prática a inteligência emocional possui uma ferramenta poderosa para lidar com sua equipe e com as pessoas em geral. Com isso ela consegue ter um feeling de como está sua equipe, escolher a abordagem certa para lidar com cada pessoa, capacidade de desenvolver melhor a equipe, fazendo grupos mais coesos e entendendo o que precisa ser treinado. Além de tudo isso, um líder com inteligência emocional consegue dar e receber melhor feedback que gerarão insumos para melhorias na equipe. Com uma qualidade melhor do relacionamento líder x equipe, a liderança poderá ocorrer de uma forma melhor, contando com um apoio maior da equipe. 92 CONCLUSÃO Este trabalho foi desenvolvido sobre o tripé Liderança, Inteligência Emocional e Gestão de Projetos. Iniciamos o trabalho descrevendo o que é cada um desses temas, algumas definições, tipos e processos, dados de suma importância para o entendimento desses do trabalho. Com relação à Gestão de Projetos, a ênfase foi dada encima da área de conhecimento de Recursos Humanos, pois é a que está mais atrelada ao escopo desse trabalho, mas o PMBOK (2004) define outras áreas que são de suma importância para o correto desenvolvimento do projeto, pois proporcionarão ferramentas de gerenciamento e controle do projeto nas diferentes áreas (escopo, prazo, custo, qualidade, riscos, entre outras). Após os estudos realizados podemos verificar que a inteligência emocional pode sim auxiliar o líder de projeto no seu dia-a-dia, pois é um conhecimento considerado como um diferencial em relação a outros líderes que não reconhecem a importância dessa inteligência, mas como se pode constatar esse é um assunto não conhecido por todos, apesar de existirem estudos feitos já há pelo menos mais de uma década por Daniel Golleman, porém isso pode ser explicado pelo fato da falta de reciclagem de muitos líderes, que não estão “antenados” nas novidades, principalmente aqueles mais antigos que trabalham em estruturas mais rígidas, com equipes praticamente imutáveis. Por estruturas mais rígidas, entende-se a estrutura funcional, com caixas montadas, onde a diversificação é muito menor que nas estruturas voltadas a projetos. Mas independente disso fica claro que a inteligência emocional auxilia o líder no seu dia-a-dia, pois com a inteligência emocional apurada o ambiente de trabalho torna-se melhor, uma vez que com controle das suas emoções o líder poderá ver qual a melhor saída para uma determinada situação, com menos afobação, além disso, uma pessoa não se excederá quando estiver tomada por sentimentos ruins, como por exemplo, a raiva. Com isso o ambiente de trabalho ficará menos carregado, mais produtivo. Além disso, a inteligência emocional ajuda o líder a motivar a sua equipe, auxilia no desenvolvimento das pessoas, com o feedback de melhor qualidade, já que o líder terá 93 uma sensibilidade maior para “enxergar” o perfil de cada um dos seus colaboradores e com isso direcionar melhor os assuntos, auxilia também na divisão de tarefas, no agrupamento das pessoas dentro da equipe, para que um integrante da equipe que possua determinado conhecimento possa disseminar esse conhecimento aos demais, desenvolvendo assim outros colaboradores, o que facilitará ao líder quando quiser delegar atividades aos seus colaboradores, uma vez que a sua equipe estará mais desenvolvida e ele terá um mapeamento de quem poderia melhor desempenhar a atividade, não sobrecarregando um colaborador e o líder que quando não tem o mapeamento acaba concentrando mais em si as atividades. Entrando no assunto de concentrar atividades, tratamos também os estilos de liderança que os líderes adotam no dia-a-dia. Como foi visto na seção 5 os estilos de liderança possuem em mais ou menos atributos da inteligência emocional. Um estilo de liderança que tiver menos inteligência emocional em seus atributos, visto como mais centralizadores, voltados ao resultado sem se preocupar com a equipe tem suas utilidades, mas ao longo prazo gera problemas como falta de motivação da equipe, conflitos, devendo ser evitado. Cabe então ao líder ter a sensibilidade de aplicar o melhor estilo a determinada equipe, situação, tendo sempre em mente que a entrega dos produtos ao cliente, o comprimento do prazo e até o sucesso da pessoa como líder passa pela equipe e essa precisa ser vista como colaboradora para o sucesso e não como meros executores de atividades, precisam ser vistos como pessoas que possuem desejos, ansiedades, qualidades e defeitos e é papel do líder analisar isso e fazer como um maestro à junção de todos para um trabalho comum em harmonia. Mas problemas com certeza surgirão, uma vez que os seres humanos não são robôs e possuem seus altos e baixos, mas quando se estuda e aplica os conhecimentos voltados para o lado emocional, os momentos de baixo conseguem ser superados mais rapidamente e, além disso, consegue-se extrair informações para que mudanças sejam implementadas com o intuito de melhorar. Essa melhoria é algo cíclico, vêm do autoconhecimento, de saber seus pontos fracos e fortes, se conhecer e da autoregulação, para se adaptar as situações que ocorrem e superá-las. 94 Já a Gestão de Projetos auxilia o líder na sua gestão, permitindo gerenciar o projeto, suas atividades, seus recursos, tendo uma visão do andamento, do que foi feito, quando e por quem. No caso desse trabalho que focou na área de recursos humanos, que é um processo auxilia na visão geral de atribuir responsabilidades, funções de cada um dentro do projeto, no desenvolvimento da equipe através de treinamentos, por exemplo, na contratação de novos colaboradores, enfim o processo faz com que se siga um padrão e faz com que todos tenham a mesma visão, evitando assim distorções causadas por diferentes interpretações. Porém esse trabalho teve limitações, principalmente de tempo e de conhecimentos na área de psicologia para realizar um maior aprofundamento do tema. Para esse aprofundamento do tema faz-se necessário averiguar a liderança em mais áreas, acompanhar de perto as reações dos líderes a determinadas situações do dia-a-dia e estudar junto com ele situações para melhorar o desempenho. Dessa forma será possível verificar realmente na prática e traçar um plano de ação para as situações do dia-a-dia, servindo quem sabe de guia para posteriores eventos, levando ao menos a reflexão para mudanças de rumo. Mas com os dados obtidos ficou claro que a inteligência emocional pode auxiliar um líder de projeto em sua liderança e isso ajudará em muito os autores desse trabalho em suas atividades diárias, mas fica claro também que para isso precisa ser desenvolvida, sendo um exercício diário, uma vez que não é algo tão fácil, pois mexe com questões emocionais que são mais complexas e mais difíceis de compreender e explicar. 95 REFERÊNCIAS ALBRECHT, Karl. Inteligência Social. São Paulo: M. Books, 2006. BELLUZZO, R. C. B. Liderança & formação e desenvolvimento de equipes. São Paulo: USP, SIBi, 2002. Apostila. BOYATZIS, Richard; MCKEE, Annie; GOLEMAN, Daniel. Primal Leadership: The hidden driver of great performance. Boston: Harvard Business School Publishing Corporation, 2001. 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Teste de Inteligência Emocional Disponível em: http://www.portalcmc.com.br/aut_artint09.htm Acessado em: 04/11/08 Teste de Liderança Disponível em: http://www.teal.org.uk/styledn.htm Acessado em: 03/11/08 99 ANEXOS Pesquisa de Inteligência Emocional e Liderança MBA em Gestão de Projetos - Turma: 34PMI Esta pesquisa tem o intuito de levantar os tipos de inteligência emocional e de liderança mais comuns, realizando análises com os valores encontrados para traçar tendências de estilos dos líderes e futuros líderes e como esses lidam com suas emoções no dia-a-dia. Por favor, responda com sinceridade, refletindo sobre o seu dia-a-dia e seu modo de ver as coisas, não há respostas certas ou erradas. Obrigado! 1. Geral Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 2. Inteligência Emocional Sou uma pessoa... 1) ...que persiste quando está frente a um novo desafio, não desistindo nas primeiras dificuldades ... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 2) ...que procura se colocar no lugar do outro, sendo compreensiva em relação aos momentos difíceis de outra pessoa... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 3) ...que consegue manifestar suas emoções de acordo com as pessoas, situações e o momento oportuno... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 4) ...que consegue controlar suas emoções, mantendo a calma nos momentos difíceis... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 5) ... que tem uma visão realista de si mesmo, com adequada percepção de suas potencialidades e limitações... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 6) ...que consegue superar seus sentimentos de frustração quando alguma coisa não dá certo, procurando aprender com as experiências negativas... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 100 7) ...que quando tem alguma dificuldade com outra pessoa, procura conversar diretamente com ela, evitando fofocas e mal entendido ... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 8) ... que é muito difícil perder a paciência com as pessoas de que gosto. Se perco, logo recupero e me arrependo de ter perdido… ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 9)... que consegue expressar suas opiniões de forma clara e percebe que é ouvida com atenção ... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 10) ... que se sente segura diante das outras pessoas... ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Jamais 3. Liderança Classifique cada uma das afirmações a seguir em uma escala de 1 a 5, sendo 5 quando você estiver de acordo com a afirmação e 1 quando estiver descordando totalmente da afirmação. Marque com um X a nota dada à afirmação. Nro Afirmação 1 Dedico um tempo precioso para refletir sobre as futuras possibilidades. 2 Creio que sou uma pessoa muito organizada 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Outras pessoas já disseram o quanto apreciaram minha forma de encorajamento Tento evitar os riscos Possuo uma boa percepção de como as pessoas estão se sentindo Acredito que posso reconhecer os pontos potenciais das pessoas Acredito que possuo mais capacidade para tratar com pessoas do que me dedicar às tarefas rotineiras Eu tendo a superar obstáculos para atingir metas Eu consigo delegar bem as tarefas para as outras pessoas Sou bom em encontrar soluções para os problemas As outras pessoas me vêem como alguém enérgico Possuo um alto grau de confiança nos demais integrantes da minha equipe / organização Esforço-me para expressar aos demais o meu 1 2 3 4 5 101 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 reconhecimento pelo trabalho As outras pessoas comentam positivamente da minha capacidade de escutá-las Com freqüência tenho atrasos no meu trabalho, pois tenho muita coisa para fazer. Tenho idéias claras do que precisamos fazer como organização Tenho grande satisfação quando estou envolvido em atividades simultâneas Posso determinar antes quais são os recursos necessários para realizar um projeto Creio que tenho a habilidade de encontrar as palavras certas para motivar as pessoas Quase sempre tenho claro o rumo que deve ser tomado a longo prazo Prefiro concentrar-me no que devemos fazer ao invés de como devemos fazer Creio que sou capaz de estabelecer facilmente relações pessoais de longo prazo Prefiro trabalhar sozinho a trabalhar em grupo Sou muitas vezes capaz de ajudar a organização a trabalhar de forma mais eficiente Gosto de conciliar diferentes pontos de vista Tenho a fé necessária para atingir objetivos que outros julgam ser impossível Sinto-me mais à vontade quando sou eu quem inicio uma tarefa Sou capaz de quebrar projetos em etapas que precisam ser alcançadas Rezo periodicamente por aqueles que me rodeiam Quando entro em um grupo, os outros tendem a olhar para mim como um líder. 102 Questionário sobre Liderança e Inteligência Emocional 1. Objetivo Esse questionário tem como finalidade obter informações sobre as principais dificuldades que os líderes encontram no seu dia-a-dia e como tentam superá-las. Será levado em consideração, além de liderança, as emoções e como elas interagem nas decisões dos líderes. Essas informações serão compiladas para dar um entendimento mais prático da Inteligência Emocional, sendo utilizado na monografia de conclusão do curso de MBA – Gestão de Projetos da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP). 2. Questionamentos Cargo: Área de Atuação: 1. Como líder de uma equipe, quais são as principais dificuldades enfrentadas por você no seu dia-a-dia? Como elas poderiam ser resolvidas? 2. Existem particularidades em sua área de atuação que dificultam a sua liderança? Se houver, quais são? 3. Como você avaliaria o estilo de liderança promovido por você? Quais são seus pontos positivos e os pontos de melhoria? 4. Qual o impacto das emoções sobre suas decisões? Como você trabalha com essas emoções na sua liderança? 5. De que forma controlar suas emoções pode auxiliar nas suas atividades de liderança? 6. Quais são os atributos principais que você líder procura nos seus colaboradores? E na sua opinião, quais atributos os seus colaboradores procuram em você?