ESPOROFAR BIOINDICADOR CALOR SECO e ÓXIDO DE ETILENO (Bacillus atrophaeus) INTRODUÇÃO: Foram Joseph Lister (1867) e Ignaz Semmelweis (1847) os primeiros cirurgiões a desinfetarem as mãos, o instrumental e campo operatório de modo a evitar a infecção da ferida cirúrgica, surgindo daí a cirurgia antisséptica, que nos dias atuais deu lugar à cirurgia asséptica, a qual se alcança, graças à esterilização por meios físicos e químicos de áreas, instrumentais e campos operatórios. Esterilização, portanto, é o ato ou processo físico ou químico que destrói ou elimina todas as formas de vida, especialmente micro-organismos. A qualidade desta esterilização é hoje aferida através de indicadores químicos e biológicos de preferência aos últimos. Bacillus atrophaeus é um micro-organismo gram-positivo esporulado, não patogênico, graças à sua termofilia é utilizado no monitoramento e validação de ciclos de esterilização por calor seco e óxido de etileno, realizados em estufas ou fornos de esterilização e autoclaves para gás óxido de etileno, respectivamente. FINALIDADE DO PRODUTO: O produto tem como objetivo acompanhar o grau de esterilização obtido de um lote ou carga submetida ao processo de esterilização por calor seco e óxido de etileno, tendo como indicador um micro-organismo vivo de alta resistência térmica (esporos de Bacillus atrophaeus), sendo seu uso indicado em monitoria periódica de ciclos de esterilização e na validação de equipamentos de esterilização. OBTENÇÃO DO PRODUTO: Esporos bacterianos são obtidos através do crescimento em meio de cultivo apropriado, e após, diluídos e contados, são incorporados a fitas (6x25mm) de papel de filtro. As linhagens dos microorganismos utilizados na obtenção dos bioindicadores são compatíveis as cepas padrão internacionalmente reconhecidas. As especificações do micro-organismo utilizado como bioindicador em processos de esterilização são: TABELA I , Esporos Bacillus atrophaeus 30-37°C Por até 48 horas de incubação Bacillus atrophaeus 30-37°C Por até 48 horas de incubação Processo de Esterilização Valor "D" aproximado Calor seco à 121ºC Calor seco à 170º.C 60 minutos 1 minuto Óxido de etileno (à 54º.C, mistura 30/70, umidade relativa de 50%) 600mg/L 1200mg/L 3 minutos 1,7 minuto INSTRUÇÃO DE USO: 1.Distribuir os envelopes ou frascos-ampolas no equipamento de esterilização, obedecendo a TABELA I, quanto ao micro-organismo e processo de esterilização recomendados. 2.FITAS – Recomenda-se posicionar 1 unidade (envelope com fita) em cada canto da câmara interna do equipamento esterilizador e 1 unidade no meio da carga a ser esterilizada. Após a esterilização, retirar assepticamente as fitas contidas nos envelopes com auxilio de uma pinça estéril (ou flambada) e, em seguida, colocá-las em meio de cultivo ESPOROFAR CONTROLE, entre 3-10mL, que é um meio com indicador de azul de bromotimol, usando um frasco de meio para cada fita. Proceder da mesma forma com a fita controle (não esterilizada). Outro meio de cultivo recomendado é o Peptona Caseína Soja Caldo (TSB) entre 3-10mL em tubo ou frasco. Incubar as fitas conforme especificado na TABELA I. Meios contendo indicador, no caso o azul de bromotimol, facilitam a visualização do resultado. 3.FRASCOS-AMPOLA: Para uso em calor seco (B. atrophaeus) - Kit para esterilização contendo: - ·01 frasco com 3mL de meio de cultivo em caldo com indicador azul de bromotimol 6 - ·01 frasco contendo uma fita de papel de filtro impregnada na concentração de 10 esporos - ·01 seringa plástica estéril descartável de 3mL. Para validação do ciclo de esterilização, posicionar 1 frasco contendo a fita de papel de filtro em cada canto da câmara interna da estufa e/ou forno de esterilização e 1 frasco no meio da carga a ser esterilizada. Não esterilizar os frascos contendo o meio de cultivo. Após a esterilização, transferir com o auxílio da seringa plástica, no mínimo 2mL do meio de cultivo em caldo de cada frasco para cada frasco contendo a fita de papel de filtro e agitá-los suavemente para o contato do meio com a fita de papel. Levar imediatamente os frascos à i n c u b a d o r a p o r tempo e temperatura especificados na TABELA I. NOTAS: a)O produto Esporofar - Bioindicador frasco - ampola não foi desenvolvido para uso em temperaturas superiores a 180ºC, portanto, não se pode avaliar a resistência térmica do frasco nesta condição. Durante a esterilização, eventualmente verifica-se alteração da cor da fita de papel de branca para marrom-escuro; este fato não altera a performance do produto. 6 b)Todas as apresentações Bacillus atrophaeus apresentam contagem entre 1 e 3 x10 UFC. 4.SUSPENSÃO - A suspensão salina de esporos de Bacillus atrophaeus, com contagem 7 padronizada em 10 UFC/mL destina-se à confecção de indicadores biológicos, conforme padronização do usuário. Para impregnação de fitas de papel de filtro, recomenda-se a inoculação, com auxílio de pipeta microlítrica, de 0,1mL de suspensão em cada fita de forma a resultar em uma população de 106 esporos / fita. Para padronização de bioindicadores em forma líquida, sugere-se o uso de salina ou meio de cultivo em caldo (p. ex. Peptona Caseína Soja Caldo), observando-se a diluição requerida para a padronização da população de esporos.Variações na padronização da população por unidade de bioindicador podem ser feitas a critério do usuário, de acordo com a metodologia de validação adotada. INTERPRETAÇÃO DO RESULTADO: 1. No meio com indicador, a viragem da cor verde para o amarelo indica um resultado POSITIVO (crescimento microbiano), e a esterilização será considerada NÃO SATISFATÓRIA. Um resultado conclusivo pode ser considerado a partir de 48 horas. A esterilização será considerada SATISFATÓRIA quando o meio de cultivo mantiver sua coloração sem sinais de crescimento microbiano. 2. No meio sem indicador, o resultado positivo é evidenciado pela turvação do mesmo. A esterilização será considerada SATISFATÓRIA quando, por até 48 horas de incubação, o meio de cultivo não apresentar turvação ou sinais crescimento microbiano. PRECAUÇÕES TÉCNICAS: Todo laboratório de microbiologia deve funcionar sob égide de normas bem estabelecidas que possam prevenir não só os que trabalham nas áreas de risco, como também aqueles que indiretamente a elas estejam relacionados. Cada área da microbiologia deve ter o seu manual de boas práticas laboratoriais (BPL). DESCARTE Autoclavar à 121ºC por 30 minutos todo o material usado no manuseio microbiológico. CONTROLE DE QUALIDADE: Cada lote de bioindicador deve ser submetido a ensaios de controle de qualidade (esterilidade e eficiência). Para isto, proceder da seguinte maneira: FITAS: Colocar uma fita no meio de ESPOROFAR CONTROLE ou TSB e incubar na temperatura recomendada. A viragem da cor do meio, no caso do ESPOROFAR CONTROLE, ou a turvação do meio poderá se dar nas primeiras 24 horas, o que indica a presença de micro-organismos da fita e conseqüente ineficácia do ciclo de esteriliziação. Recomenda-se ainda uma coloração pelo gram e contagem específicas FRASCOS-AMPOLA: Incubar 1 frasco-ampola contendo o meio de cultivo e fita em temperatura de 30-37ºC (no caso de uso em calor seco). A viragem da cor do meio, que poderá se dar nas primeiras 24 horas indica a presença de micro-organismo no meio. Recomenda-se ainda uma coloração pelo gram e contagens específicas. Para avaliação da eficiência, realiza-se o teste de SOBREVIVÊNCIA E MORTE, e os resultados médios a serem obtidos são especificados na TABELA II. Para os ensaios de controle de qualidade, a Cefar poderá fornecer metodologia mediante solicitação. TABELA II FITAS Esterilização: Micro-organismo: Incubação: Sobrevivência: Morte: Calor seco à 160º.C Esporos de Bacillus atrophaeus 30 – 37º.C 10 minutos 30 minutos Esterilização: Óxido de etileno (OE), 600mg + 60mg OE/L. Umidade Relativa 50% e temperatura de 54ºC. Esporos de Bacillus atrophaeus. ESPOROFAR CONTROLE ou TSB. 30-37ºC. 15 minutos. 60 minutos. Micro-organismo: Meio de Cultivo: Incubação: Sobrevivência: Morte: FRASCOS AMPOLA Esterilização: Micro-organismo: Incubação: Sobrevivência: Morte: Calor seco à 160º.C Esporos de Bacillus atrophaeus 30 – 37ºC 10 minutos 30 minutos CONCEITOS PARA VALIDAÇÃO: Esterilização: Processo de eliminação de 99,9999% da população de micro-organismos viáveis (esporos e formas vegetativas) de objetos de vidro, metal, tecidos, líquidos e produtos farmacêuticos. Os ciclos de esterilização por calor seco, em estufas e fornos de esterilização, podem seguir parâmetros gerais: Temperatura 170°C 160°C 150°C Tempo de ciclo 60 minutos 120 minutos 150 minutos Material Vidros e utensílios Pós e gorduras Instrumental cirúrgico Valor D (resistência térmica dos esporos): É o tempo, em minutos, sob condições específicas, necessário para conseguir uma redução logarítmica (90%) na população de micro-organismos viáveis. Método de Spearman-Kaber: D = T/logNo. + 0,2507 T = tk – d/2 – (d/n. ∑r n) Onde: a)N°: número inicial de esporos em cada amostra b)T: tempo médio de esterilização (tempo de morte) c)d: intervalo entre os tempos de aquecimento d)tk: primeiro intervalo de tempo onde todas as amostras apresentam crescimento negativo e)r: número de amostras que não apresentam crescimento a cada tempo de aquecimento em t1 e tk. f)n: número total de amostras a cada tempo O cálculo do tempo de esterilização define-se por: D x 6: Tempo de ciclo mínimo para obtenção de população residual de 99,9999% (100). D x 12: Tempo de ciclo mínimo para obtenção de população residual de 106 (NGE: Nível de Garantia de Esterilidade). NOTA: o valor D de cada lote de bioindicador é informado no certificado de análise. GARANTIA DE QUALIDADE: O desempenho dos produtos é garantido pela Cefar Diagnóstica Ltda. No caso do produto não apresentar o desempenho esperado, entrar em contato com o Serviço de Assessoria Cefar (SAC). LIMITAÇÕES TÉCNICAS: O produto perderá sua finalidade se as recomendações aqui especificadas não forem estritamente seguidas. ARMAZENAMENTO: Manter o produto, em qualquer apresentação, sob refrigeração entre temperaturas de 2-8ºC, ao abrigo da luz e umidade. NOTA: O produto, em qualquer apresentação, resiste a uma temperatura até 30ºC por um período de 15 dias, o que facilita seu transporte. Contudo, tão logo tenha chegado a seu destino, manter na temperatura de armazenamento recomendada. APRESENTAÇÕES: 6 Fitas: Caixa com 25, 50 ou 100 unidades envelopadas individualmente. Cada unidade contém 10 esporos viáveis (B. atrophaeus); Kit: Caixa contendo 25 flaconetes com 3mL de caldo de cultivo e 25 fitas envelopadas individualmente (B. atrophaeus); Suspensão: Frasco contendo 10mL de suspensão salina com 107 esporos viáveis / mL (B. atrophaeus); Frascos-Ampolas: B. atrophaeus - caixa contendo 1 frasco com 3mL de caldo de cultivo com 6 indicador, 1 frasco com uma fita de papel de filtro impregnada na concentração de 10 esporos e uma seringa plástica estéril descartável de 3mL. VALIDADE: Mantidas as condições ideais de armazenamento, o produto tem validade de 2 anos, a contar da data da fabricação. SOMENTE PARA USO DIAGNÓSTICO “IN VITRO” REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. Culture of Biological Indicators of Sterilization Processes, 19-9; Clinical Microbiology Procedures Handbook, ASM, Vol. 2, 1.992. 2. Desinfection, Sterilization, and Preservation, Edited by Seymour S. Block, 4a Ed., USA, 1.991. 3. Farmacopéia Brasileira, 5ª Ed. Vol. 1, 2010. 4. Hoover, John E., Dispersing of Medication, Mack Publishing Company, 8a Ed., 1.976, p. 284288. 5. U.S. Pharmacopeia, USP XXXIV, NF XXIX, 2011. 6. Vessoni Penna, T.C. et al, Métodos Gerais de Esterilização. Revista de Alimentação e Nutrição, SP, 6 (21): 55-64, 1.985. 7. International Standard – ISO 11138 – Sterilization of health care products. Part 1: Biological indicators, General requirements. 2º ed., 2006-07. 8. International Standard – ISO 11138 – Sterilization of health care products. Part 2 Biological indicators for ethylene oxide sterilization processes and Part 4: Biological indicators for dry heat sterilization processes. 2º ed., 2006-07. 9. Procedimentos de instalação e uso do gás Óxido de Etileno e suas misturas em unidades de esterilização. Portaria interministerial nº 482, após 16 de abril de 1999. NOTAS: 1 – As instruções de uso acima podem ser obtidas, sem custo adicional (inclusive de envio), no formato impresso, em nossos canais de contato ou diretamente em nosso site. 2 –As instruções de uso encontram-se disponíveis no endereço www.cefar.com.br - em Downloads ou no menu Produtos. 3 – Antes de utilizar qualquer instrução de uso, verificar a correlação entre a versão da instrução indicada para o produto adquirido. Cefar Diagnóstica Ltda. Av. Eng. Alberto de Zagottis, 635 – São Paulo – SP CNPJ: 44.562.700/0001-45 Isento de Registro no MS de acordo com a RDC 206/06. Farm.Resp. Dr. Nelson Kioshi Higuti – CRF SP n° 18826 SAC (11) 5521.9244; e-mail: [email protected] Ind. Brasileira. Out/14