Geometria Analítica e Álgebra Linear 18 2. Matrizes Introdução As matrizes estão presentes no nosso cotidiano das formas mais variadas. No entanto, em geral não percebemos a presença delas, pois estão envolvidas em certos aparelhos que utilizamos tanto, que não nos importamos com o seu funcionamento. As matrizes também estão envolvidas numa série de cálculos matemáticos e na idéia de elaboração de alguns jogos. Softwares – As matrizes estão presentes na programação da maioria dos softwares e, inclusive, na interface de alguns como as planilhas eletrônicas. Nestes programas a tela é dividida em campos que são dispostos em linhas e colunas e são referenciados como elementos de uma matriz (aij). As agendas eletrônicas também são organizadas matricialmente, onde alguns elementos de uma matriz são matrizes ou correspondem a um elemento de outra matriz. Estando também presentes em alguns jogos. Aparelhos Eletrônicos – Vários aparelhos eletrônicos possuem matrizes evidentes ou nem tanto para o seu funcionamento. Entre eles se destacam os monitores (TV e computador), o computador em si (CPU) e algumas impressoras. Matemática – Na matemática, as matrizes são usadas para resolver problemas direta ou indiretamente. Usando as operações com matrizes resolvem-se diversos problemas práticos. Além disso as matrizes são usadas na solução de sistemas lineares de equações e de produtos vetoriais e mistos. Engenharia – A geração dos movimentos e deformações que vemos nos efeitos especiais do cinema, da TV, dos games de computadores e nas visualizações das simulações científicas está baseada na multiplicação de matrizes 4x4 no caso espacial e 3x3 no caso plano. Sendo que nessas aplicações o problema computacional não reside no tamanho das matrizes mas quantidade delas e na velocidade que precisamos fazer as multiplicações. Em muitas outras aplicações, temos uma situação quase que oposta: uma única matriz mas cujo tamanho pode ir a ordem de centenas e mesmo milhares de linhas e colunas. Isso é o que ocorre comumente em problemas que envolvem o estudo de campos elétricos, magnéticos, de tensões elásticas, térmicos, etc, os quais - por um processo de discretização - são reduzidos a um sistema de equações lineares, cuja matriz tem grande tamanho. Esse tipo de problema é um dos mais comuns em vários campos da Engenharia. Outra situação que nos leva a nos envolvermos com matrizes enormes são as associadas a redes estaduais de distribuição de energia elétrica, grandes redes de comunicações, redes de transporte, etc. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 19 Geometria Analítica e Álgebra Linear Matrizes: Definição, Conceitos e Operações Básicas Operando com matrizes estamos utilizando uma forma compacta de fazermos operações com vários números simultaneamente. Conceito Matriz é um conjunto ou arranjo de números (ou quaisquer outras entidades simbólicas), chamados de elementos da matriz, ordenados em linhas e colunas. A matriz abaixo possui m linhas e n colunas, e diz-se que ela é uma matriz m n: A a ij a11 a 21 a m1 a12 a 22 am2 a1n Matriz com m linhas e n colunas a 2 n i = 1,2,, m j = 1,2, , n a mn (2.1) A i-ésima linha de A é ai1 a i 2 a in 1 j n , para i = 1,..., m e a j-ésima coluna de A é a1 j a 2j a mj 1 i m , para j = 1,..., n. Note que matrizes serão representadas simbolicamente por letras maiúsculas A, B,..., ou pela notação [aij], que caracteriza um elemento geral, aij. Sendo os elementos do corpo K representados por letras minúsculas a, b, ... Os vetores, entretanto, serão designados por letras minúsculas e um único índice, como, por exemplo, a = [a1, a2, a3] Cada elemento da matriz A está afetado de dois índices: aij. O primeiro índice indica a linha e o segundo a coluna a que o elemento pertence. Usamos também a notação A = (aij)m x n. Dizemos que aij ou [A]ij é o elemento ou a entrada de posição i j da matriz A. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 20 Geometria Analítica e Álgebra Linear Ex.: 2.1 Dizemos que a matriz A é de ordem m por n (m n): 1 2 A , 3 4 D 1 3 2 , 2 1 B , 0 3 1 3 0 C , 2 4 2 1 E 4 , 3 F 3. As matrizes A e B são 2 x 2. A matriz C é 2 x 3, D é 1 x 3, E é 3 x 1 e F é 1 x 1. De acordo com a notação que introduzimos, exemplos de elementos de algumas das matrizes dadas acima são a12 = 2, c23 = - 2, e21 = 4, [A]22 = 4, [D]12 = 3. a1 a A 2 a n Definição Uma matriz de ordem n 1 é denominada matriz-coluna: A matriz-coluna de ordem n 1 pode representar as componentes a1 , a 2 , a3, , a n de um vetor V do espaço vetorial E de dimensão n. Por esse motivo a matriz é denominada vetor-coluna. Definição Uma matriz de ordem 1 n é uma matriz-linha: Obs.: A a1 a2 an Então, uma matriz com m linhas e n colunas é dita ser de ordem m n; uma matriz (de ordem) 1 n é chamada matriz (vetor) linha; uma matriz m 1 é chamada matriz (vetor) coluna. Definição Uma matriz quadrada é uma matriz que possui o número de linhas igual ao de colunas; na Eq. (2.1), se m = n, então A é uma matriz quadrada. A matriz ao lado é um exemplo de matriz quadrada 3 x 3 ou, simplesmente, matriz quadrada de ordem 3. 01 de fevereiro de 2010 a11 A aij a 21 a 31 a12 a 22 a32 a13 23 a 33 Alex N. Brasil 21 Geometria Analítica e Álgebra Linear Definição Numa matriz quadrada A a ij , os elementos a ij , em que i j , constituem a diagonal principal. Ou seja, é a maior diagonal que contem os elementos em diagonal da esquerda para a direita na matriz. Assim, a diagonal formada pelos elementos: a11 , a 22 , a33 , , a nn é a diagonal principal. a11 a A 21 a31 a 41 a12 a 22 a32 a 42 a13 a 23 a33 a 43 a14 a 24 a34 a 44 Diagonal Secundária Diagonal Principal Numa matriz quadrada A a ij , os elementos a ij , em que i j n 1 , constituem a diagonal secundária. Ou seja, é a maior diagonal que contem os elementos em diagonal da direita para a esquerda na matriz. Sendo ela, formada pelos elementos a n1 , a n 1...2 , a n 2...3 , , a1n . Definição Uma matriz quadrada A a ij , cujos coeficientes fora da diagonal são todos nulos, ou seja, a ij 0 se i j , é chamada matriz diagonal. 3 0 0 H 0 2 0 0 0 4 4 0 G 0 2 Definição Uma matriz diagonal A a ij , cujos termos sobre a diagonal principal são iguais, ou seja, a ij C para i j e a ij 0 para i j , é chamada uma matriz escalar. 2 0 J , 0 2 Ex.: 2.2. A seguinte matriz fornece as distâncias aéreas entre as cidades indicadas (em milhas). 01 de fevereiro de 2010 1 0 0 I 3 0 1 0 0 0 1 Londres Madri N .Y . Tóquio Londres 0 785 3469 5959 Madri 785 0 3593 6706 N .Y . 3469 3593 0 6757 Tóquio 5959 6706 6757 0 Alex N. Brasil 22 Geometria Analítica e Álgebra Linear Definição Uma matriz escalar de qualquer ordem que tem os elementos a ij 1 para i j , é uma matriz identidade (ou matriz unidade). 1 0 I2 , 0 1 1 0 0 I 3 0 1 0 . 0 0 1 Indica-se a matriz unidade por In ou simplesmente por I. Definição Uma matriz quadrada A a ij que tem os elementos a ij 0 para i j , é uma matriz triangular superior. Definição Uma matriz quadrada A [a ij ] que tem os elementos a ij 0 para i j , é uma matriz triangular inferior. Definição Uma matriz zero é a matriz cujos elementos a ij são todos nulos. 5 0 A 0 0 4 7 9 3 8 4 0 2 3 0 0 6 0 5 2 7 A 3 4 6 2 0 0 3 8 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 Igualdade de Matrizes Duas matrizes são iguais se e somente se forem de mesma ordem e se todos os seus elementos correspondentes forem iguais. Em outras palavras, A = B, se e somente se aij = bij, ou seja, o elemento genérico de A é igual ao elemento genérico de B. Ex.: 2 4 2 4 3 1 3 1 0 2 0 2 Vamos, agora, introduzir as operações matriciais. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil Geometria Analítica e Álgebra Linear 23 Quadro 2.1 – Operações com Matrizes Notação simbólica Notação indicial (de elementos) C=AB cij = aij bij Multiplicação de Matrizes C = AB cij aik bkj aik bkj Multiplicação de matrizes por escalares C = kA Operação Adição e Subtração: n k 1 Condições necessárias e suficientes para que a operação possa ser efetuada: As matrizes A e B devem ter o mesmo número de linhas e colunas; C terá o mesmo número de linhas e colunas que A e B. O número de colunas de A deve ser igual ao número de linhas de B; assim, se a matriz A for de ordem m x n, B deverá ser de ordem n x p; a matriz C será de ordem m x p. A matriz C terá a mesma ordem que a matriz A cij = kaij Quadro 2.1 Adição de Matrizes A soma de duas matrizes de mesmo tamanho A = (aij)m x n e B = (bij)m x n é definida como sendo a matriz C = (cij)m x n obtida somando-se os elementos correspondentes de A e B, ou seja, cij = aij + bij , para i = 1,..., m e j = 1,..., n. Escrevemos C = A + B e [A + B]ij = aij + bij. Ex.: 2.3. Considere as matrizes: 1 2 3 A , 3 4 0 2 1 5 B 0 3 4 Se chamamos de C a soma das duas matrizes A e B, então 1 (2) 2 1 3 5 1 3 2 C A B 4 3 0 (4) 3 7 4 3 0 Produto de uma Matriz por um Escalar A multiplicação de uma matriz A = (aij)m x n por um escalar (número) é definida pela matriz B = (bij)m x n obtida multiplicando-se cada elemento da matriz pelo escalar, ou seja, bij = aij , para i = 1,..., m e j = 1,..., n. Escrevemos B = A e [A]ij = aij. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 24 Geometria Analítica e Álgebra Linear Ex.: 2.4. 2 1 O produto da matriz A 0 3 pelo escalar -3 é dado por 5 4 3 (3) 1 6 (3) (2) 3 A (3) 0 9 (3) 3 0 (3) 5 (3) (4) 15 12 Produto de Matrizes O produto de duas matrizes, tais que o número de colunas da primeira matriz é igual ao número de linhas da segunda, A = (aij)m x p e B = (bij)p x n é definido pela matriz C = (cij)m x n obtida da seguinte forma: cij a i1b1 j a i 2 b2 j aip b pj (2.2) p aik bkj (2.3) k 1 p para i = 1,..., m e j = 1,..., n. Escrevemos C = AB e AB ij aik bkj . k 1 A equação (2.2) está dizendo que o elemento i j do produto é igual a soma dos produtos dos elementos da i-ésima linha de A pelos elementos correspondentes da j-ésima coluna de B. a11 ai1 a m1 a12 ai 2 am2 a1 p b 11 b aip 21 b a mp p1 b1 j b2 j b pj b1n c1n c b2 n 11 cij c mn c b pn m1 Na equação (2.3) estamos usando a notação de somatório para escrever a equação (2.2) p de forma compacta. O símbolo significa que estamos fazendo uma soma em que o k 1 índice k está variando de k = 1 até k = p. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 25 Geometria Analítica e Álgebra Linear 4 1 4 3 B 0 1 3 1 2 7 5 2 1 2 4 A , 2 6 0 Ex.: 2.5. Considere as matrizes: Desde que A seja uma matriz 2 3 e B uma matriz 3 4 , o produto AB é uma matriz 2 4 . Para determinar, por exemplo, o elemento na linha 2 e coluna 3 de AB , nós primeiramente pegamos a linha 2 de A e a coluna 3 de B. Então, como ilustrado abaixo, nós multiplicamos os elementos correspondentes e somamos estes produtos. 1 2 4 2 6 0 4 1 [] [] [] [] [] [] 26 [] 4 3 0 1 3 1 2 7 5 2 2 4 6 3 0 5 26 O elemento na linha 1 e coluna 4 de AB é calculado como se segue. 1 2 4 2 6 0 4 1 [] [] [] 13 [] [] [] [] 4 3 0 1 3 1 2 7 5 2 1 3 2 1 4 2 13 Os cálculos restantes são: 1 4 2 0 4 2 12 1 1 2 1 4 7 27 1 4 2 3 4 5 30 2 4 6 0 0 2 8 2 1 6 1 0 7 4 2 3 6 1 0 2 12 Obs.: 12 27 30 13 AB 8 4 26 12 A definição de produto de matrizes exige que o número de colunas da primeira matriz A seja igual ao número de linhas da segunda B, para formar o produto AB . Se esta condição não é satisfeita, o produto não é definido. A matriz resultante AB terá o número de linhas de A e o número de colunas de B, como mostra a figura abaixo. A B 2 3 3 4 AB 2 4 dentro fora Fig. 2.1 Na figura 2.1, os membros de dentro são iguais, então o produto é definido. Os membros de fora dão a ordem da matriz produto. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 26 Geometria Analítica e Álgebra Linear Ex.: 2.6. Considere as matrizes: 1 2 3 A , 3 4 0 2 1 0 B 0 3 0 5 4 0 Se chamamos de C o produto das duas matrizes A e B, então 1(2) 2 0 (3)5 1 1 2 3 (3)(4) 0 17 19 0 C AB . 3 1 4 3 0(4) 0 6 15 0 3(2) 4 0 0 5 Observe que neste exemplo o produto BA não está definido. Entretanto, mesmo quando está definido, BA pode não ser igual a AB, como mostra o exemplo seguinte. Ex.: 2.7. Sejam 1 2 A e 3 4 2 1 B 0 3 Então 2 7 AB e 6 15 1 0 BA 9 12 Apresentaremos agora alguns exemplos a fim de que a simbologia e definições apresentadas acima possam ser assimiladas. Exemplos Ex.: 2.8. Dê exemplos de matrizes de ordem 3 x 2, 2 x 3 e 3 x 3: 1 0 1 3 2 2 3 , 2 2 1 e 0 2 1 , 0,3 2 5 1 4 1 5 3 são, respectivamente, exemplos de matrizes de ordem 3 x 2, 2 x 3 e de uma matriz quadrada de ordem 3. Ex.: 2.9. Vetor e matriz. Quais as diferenças entre vetores e matrizes? Resp.: Todo vetor é uma matriz linha ou coluna. Entretanto, o vetor, com seu sentido geométrico e, eventualmente, físico, ainda goza da lei de produto vetorial que não é definido para matrizes em geral. Assim, todo vetor linha ou coluna é uma matriz, mas nem toda matriz linha ou coluna é um vetor. É comum confundirem-se os termos vetores com vetores linhas e colunas 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 27 Geometria Analítica e Álgebra Linear Ex.: 2.10. Vetores como componentes de matrizes. Mostre como uma matriz pode ser considerada como sendo composta de vetores. 1 2 3 1 A = a ij 0,1 3 2 2 3 5 1 1 a) pode ser considerada como sendo constituída pelos seguintes vetores linha (todos 1 x 4): a1 = [1 2 3 -1], a2 = [0,1 3 2 -2] e a3 = [3 5 1 1], e ser escrita na forma: a1 A = a 2 a 3 b) ou como sendo constituída pelos vetores coluna (todos 3 x 1): a1 1 2 3 0,1 , a 2 3 , a 3 2 3 5 1 e a4 1 2 , 1 e ser escrita na forma: A = [a1 a2 a3 a4] Ex.: 2.11. Adição de matrizes. Obtenha a matriz C, soma das matrizes A e B, dadas abaixo, e indique qual o valor do elemento c24: 1 2 1 3 A = 0 1 1 / 2 1 2 4 5 1 4 3 -1 2 B = 62 2 1 / 2 1 / 2 0 2 4 6 Resp.: A matriz C é dada por: 3+2 1+4 23 0 5 5 5 1 + (-1) C = A + B = 0 62 1 (2 ) 1 / 2 1 / 2 1 1 / 2 = 62 3 1 3 / 2 2 0 42 5 4 1 6 2 6 9 5 O elemento c24 = 3/2. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 28 Geometria Analítica e Álgebra Linear Ex.: 2.12 Multiplicação de matrizes. Qual é a matriz produto D das matrizes A e B do exemplo 2.11? Resp.: A matriz produto envolve o produto das matrizes A e B, ou seja, o produto de matrizes de ordem 3x4 X 3x4. Uma vez que o número de colunas de A é 4, e, portanto, diferente do número de linhas (ou filas) de B, 3, não é possível efetuar a multiplicação. Ex.: 2.13 Multiplicação de matrizes. Qual é a matriz D , produto das matrizes A e B dadas abaixo? 1 2 1 3 A = 0 1 1 / 2 1 2 4 5 1 1 2 B= 2 6 2 0 4 5 Resp.: O produto envolve matrizes de ordem 3x4 X 4x2; portanto, a matriz resultante D será de ordem 3x2. Usando a definição de produto de matrizes, dada no Quadro (2.1), temos: 4 d11 a1l bl1 a1l b l1 = 1x1 + 3x2 +1x2 + 2x6 = 21 (note o produto da primeira linha l 1 de A pela primeira coluna de B). 4 d 21 a 2 l b l1 a 2 l b l1 = 0x1 + -1x2 +1/2x2 + 1x6 = 5 (note o produto da segunda l 1 linha de A pela primeira coluna de B). 4 d 31 a 3l b l1 a 3l b l1 = 2x1 + 4x2 +5x2 + -1x6 = 14 (note o produto da terceira linha l 1 de A pela primeira coluna de B). 4 d 12 a 1l b l 2 a 1l b l 2 = 1x2 + 3x0 +1x4 + 2x5 = 16 (note o produto da primeira linha l 1 de A pela segunda coluna de B). 4 d 22 a 2 l b l 2 a 2 l b l 2 = 0x2 + -1x0 +1/2x4 + 1x5 = 7 (note o produto da segunda l 1 linha de A pela segunda coluna de B). 4 d 32 a 3l b l 2 a 3l b l 2 = 2x2 + 4x0 +5x4 + -1x5 = 19 (note o produto da terceira l 1 linha de A pela segunda coluna de B). Portanto: 01 de fevereiro de 2010 21 16 D = d ij 5 7 14 19 Alex N. Brasil 29 Geometria Analítica e Álgebra Linear Ex.: 2.14 Produto de vetores. Efetue o produto dos vetores a = [1 2 4] pelo vetor b = [ 2 5 7] Resp.: Trata-se de um produto de vetores (matrizes) de ordem 1x3 X 1x3. Como tal, esta operação não é possível, pois o número de colunas de a (=3), deveria ser igual ao número de linhas de b (=1). A operação de produto seria possível se as ordens de a, b e do produto fossem, respectivamente: 1x3 X 3x1 1x1 (a operação resulta num escalar; neste caso o produto dos vetores é equivalente a um produto escalar ou interno de vetores); 3x1 X 1x3 3x3 (a operação resulta numa matriz 3x3). Exemplificando: 2 a b 1 2 45 1 2 + 2 5 + 4 7 = 40 7 T Por outro lado: 1 a b 2 2 5 7 4 T 1 2 1 5 1 7 2 2 2 5 2 7 4 2 4 5 4 7 2 5 7 4 10 14 8 20 28 Note: a. a simbologia utilizada para vetores transpostos ou transpostos de vetores, aT e bT; b. para se efetuar um produto interno ou escalar deve-se multiplicar um vetor linha por um vetor coluna; não se pode, por exemplo, efetuar produto de vetor linha por vetor linha. Ex.: 2.15 Produto de uma matriz por um escalar. As duas matrizes abaixo são equivalentes? 2 4 A= 6 8 1 2 B = 2 3 4 Resp.: Sim, pois ao se efetuar o produto de todos os elementos de B por 2, obtém-se os elementos de A; além deste fato, deve-se notar que A e B são de mesma ordem. Matrizes Especiais Várias matrizes quadradas, com características especiais, aparecem no estudo de fenômenos de transportes, de soluções de sistemas de equações lineares e na formulação de métodos computacionais. Já vimos a definição de matriz quadrada, que é um caso particular da definição de matrizes. Outras matrizes importantes são: 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 30 Geometria Analítica e Álgebra Linear Quadro 2.2 – Matrizes Especiais Matriz especial Definição Exemplo A matriz identidade I é a matriz quadrada definida por: 1 0 0 I 3 = 0 1 0 0 0 1 I = [ ij ], em que: Matriz identidade 1 se i = j ij 0 se i j 1 -2 3 5, Se A = 4 6 2 -1 -4 T Matriz transposta A matriz transposta A é a matriz obtida de A, trocando suas linhas pelas suas colunas, ou seja, dada a matriz A = [aij], T então A = [aji] 1 4 2 então, A = -2 6 -1 3 5 -4 T É a matriz que é igual à sua transposta, ou seja: 1 4 2 A = 4 6 -1 = A T 2 -1 -4 T Matriz simétrica ou auto-adjunta1 A = [aij] = A = [aji] ou ainda, é a matriz cujos elementos são simétricos em relação à sua diagonal principal, isto é, aij = aji Note: 1, 6 e -4 são os elementos da diagonal principal de A Se Matriz inversa Dada a matriz A, a sua matriz -1 inversa, designada por A é uma matriz tal que -1 A A= I = A A 2 1 A= , então 1 3 A -1 = -1 1 3 -1 5 -1 2 -1 pois A A = 1 0 0 1 = I A, abaixo, é ortogonal: Uma matriz A é ortogonal se Matriz ortogonal T A =A -1 Se A= 1 4 3 4 / 5 3 / 5 , 5 -3 4 -3 / 5 4 / 5 T -1 então A = A = 1 4 -3 5 3 4 1 Matrizes Auto-adjuntas ou Hermitianas são matrizes iguais às suas matrizes transpostas conjugadas, ou seja, iguais às transpostas das matrizes cujos elementos são números complexos conjugados da original; se as matrizes forem reais, as matrizes Hermitianas ou auto-adjuntas são equivalentes a matrizes simétricas. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 31 Geometria Analítica e Álgebra Linear Forma típica: Matriz antissimétrica Uma matriz é antissimétrica se seus elementos são tais que a ij a ji 0 A = -A a 12 a 13 a 13 a 23 0 a 12 T 0 a 23 Matrizes Auto-adjuntas ou Hermitianas são matrizes iguais às suas matrizes transpostas conjugadas, ou seja, iguais às transpostas das matrizes cujos elementos são números complexos conjugados da original; se as matrizes forem reais, as matrizes Hermitianas ou auto-adjuntas são equivalentes a matrizes simétricas. Matriz diagonal Matriz diagonal é a matriz quadrada cujos únicos elementos não nulos são os elementos da diagonal principal a11 0 Ex.1. A = a ij 0 a 22 0 0 0 0 a 33 Ex.2. A matriz identidade I Matriz tridiagonal Matriz tridiagonal é a matriz cujos elementos fora da diagonal principal e das duas diagonais vizinhas são nulos. a11 a12 a a 22 21 A = a ij 0 a 32 0 0 a 33 a 43 a11 0 A = a ij a 21 a 22 a 31 a 32 Matriz triangular inferior Matriz triangular inferior é a matriz quadrada cujos elementos acima da diagonal principal são nulos Matriz triangular estritamente inferior Matriz triangular estritamente inferior é a matriz quadrada cujos elementos na e acima da diagonal principal são nulos Matriz triangular superior Matriz triangular superior é a matriz quadrada cujos elementos abaixo da diagonal principal são nulos a11 a12 A = a ij 0 a 22 0 0 Matriz triangular estritamente superior Matriz triangular estritamente superior é a matriz cujos elementos na e abaixo da diagonal principal são nulos 0 a12 A = a ij 0 0 0 0 01 de fevereiro de 2010 0 a 23 0 0 A = a ij a 21 0 a 31 a 32 0 0 a 34 a 44 0 0 a 33 0 0 0 a13 a 23 a 33 a13 a 23 0 Alex N. Brasil 32 Geometria Analítica e Álgebra Linear Matriz escalar Matriz escalar é a matriz diagonal cujos elementos são iguais. Matriz não singular Matriz não singular matriz cuja matriz existe. é uma inversa A = a ij 3 0 0 0 3 0 0 0 3 Ver exemplo de matriz inversa. Quadro 2.2 Matriz Transposta A transposta de uma matriz A = (aij)m x n é definida pela matriz B = (bij)n x m obtida trocando-se as linhas pelas colunas, ou seja, bij = aji , para i = 1,..., m e j = 1,..., n. Escrevemos B = AT e [AT]ij = aji. Ex.: 2.16 As transpostas das matrizes 1 2 A , 3 4 2 1 B e 0 3 1 3 0 C 2 4 2 são 1 3 A , 2 4 T 2 0 B e 1 3 T 1 2 C 3 4 0 2 T A seguir, mostraremos as propriedades que são válidas para a aritmética matricial. Elas são muito semelhantes àquelas que são válidas para os números reais. Uma propriedade importante que é válida para os números reais, mas não é válida para as matrizes é a comutatividade do produto, como foi mostrado no exemplo 2.7. Por ser compacta, usaremos a notação de somatório na demonstração de várias propriedades. Algumas propriedades desta notação estão explicadas no Apêndice I. Operações complementares e Propriedades Os métodos de diferenças finitas, elementos finitos e volumes finitos e sua implementação em computadores requerem o uso de uma série de produtos matriciais e operações com matrizes. Portanto, as operações abaixo devem ser bem estudadas a fim de que a exposição futura dos métodos seja suave. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 33 Geometria Analítica e Álgebra Linear Quadro 2.3 – Somas Matriciais Propriedade Notação Simbólica Exemplo ou demonstração Sejam A, B e C matrizes com tamanhos apropriados, e escalares. São válidas as seguintes propriedades para as operações matriciais A+B=B+A a ij bij bij aij A + (B + C) = (A + B) + C a ij bij cij a ij bij cij A+ 0 =A para qualquer matriz A, m x n. 1 2 0 0 1 2 3 4 0 0 3 4 Existe uma única matriz que 0 .m x n, tal Para cada matriz A, existe uma única matriz B, tal que A+B= 0 1 2 1 2 0 0 3 4 3 4 0 0 Quadro 2.3 Quadro 2.4 – Produtos Matriciais Propriedade Não comutatividade, em geral, do produto de duas matrizes Notação Simbólica Exemplo ou demonstração AB BA , em geral Ver exemplo 2.7 Distributividade do produto de matrizes D = (A+B)C = AC + BC Associatividade do produto de matrizes D = (AB)C = A(BC) = ABC Comutatividade da multiplicação por escalar B = mA = Am d ij a ik bik c ki = a ik c ki bik c ki d ij a ik b km c mi a ik b km c mj = a ik b km c mj b ij ma ij a ij m Quadro 2.4 Nota: A justificativa para os produtos acima, Quadro 2.4, é que os elementos das matrizes são números reais; os números reais gozam das propriedades de distributividade, associatividade e comutatividade da multiplicação. A seguir apresentaremos várias expressões que envolvem produtos de matrizes transpostas. Note que é comum designar uma matriz transposta simplesmente pelo termo transposta. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 34 Geometria Analítica e Álgebra Linear Quadro 2.5 – Operações mais comuns envolvendo matrizes transpostas Operação Notação simbólica Transposta da transposta de uma matriz Notação indicial T T T T (A ) = A (aik ) = aik Demonstração a T T ik 2 Matriz transposta de um produto de matrizes T O produto B AB é uma matriz simétrica, desde que A seja simétrica A matriz produto de uma matriz pela sua transposta é uma matriz simétrica T T T T (AB) = B A (aikbki) = bjk aki a ik b kj a ki a ik T T cijT c ji b jk a ki T T T (B AB) = B AB T (bikakmbmj) = bikakmbmj T se A = A T T T T (B B) = B B (bikbkj) = bikbkj T T T T T T T T (B B) = B (B ) = T BB Quadro 2.5 Nota: As justificativas para as demonstrações neste quadro encontram-se nas linhas anteriores do próprio quadro ou nas definições básicas, Quadros 2.1 a 2.4. APÊNDICE I: Notação de Somatório São válidas algumas propriedades para a notação de somatório: a) índice do somatório é uma variável muda que pode ser substituída por qualquer letra: fi = fj . b) O somatório de duas parcelas pode ser quebrado em dois somatórios: 2 Lembre-se que k é um índice mudo. 01 de fevereiro de 2010 T T (B AB) = (AB) (B ) T T T =B A B= B AB Alex N. Brasil 35 Geometria Analítica e Álgebra Linear (fi + gi) = fi + gi. Pois, (fi + gi) = (f1 + g1) +...+ (fn + gn) = (f1 +...+ fn) + (g1 +...+ gn) = fi + gi. Aqui foram aplicadas as propriedades associativa e comutativa da soma de números. c) Se no termo geral do somatório aparece um produto, em que um fator não depende do índice do somatório, então este fator pode sair do somatório: fi gk = gk fi . Pois, fi . fi gk = f1gk +...+ fngk = gk(f1 +...+ fn) = gk Aqui foram aplicadas as propriedades distributiva e comutativa do produto em relação a soma de números. d) Num somatório duplo, a ordem dos somatórios pode ser trocada: fij = fij. Pois, fij = +...+ (f1m +...+ fnm) = (fi1 +...+ fim) = (f11 +...+ f1m) +...+ (fn1 +...+ fnm) = (f11 +...+ fn1) (f1j +...+ fnj) = fij. Aqui foram aplicadas as propriedades comutativa e associativa da soma de números reais. 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil 36 Geometria Analítica e Álgebra Linear Exercícios Numéricos 1. Considere as seguintes matrizes 0 4 6 9 7 , B C 2 8 7 3 2 6 4 0 6 9 9 D 1 1 4 , E 1 0 4 6 0 6 6 0 1 2 0 A , 6 7 Se for possível, calcule: 24 20 R.: 24 58 (a) AB - BA; (b) 2C - D; R.: Não é possível pois, as dimensões das matrizes são diferentes. T T T (c) (2D - 3E ) ; 30 19 27 R.: 5 2 20 6 0 15 2 (d) D - DE; 80 34 22 R.: 10 4 45 72 30 12 2. Sejam 3 3 3 e R.: B 2 2 2 5 Verifique que AB = 3A1 + 2A2 + 5A3, onde Aj é a j-ésima coluna de A, para j = 1, 2, 3. 1 3 0 A 0 4 2 3. Encontre um valor de x tal que ABT = 0, onde A x 4 2 e B 2 3 5 R.: x 11 4. Sejam 3 9 4 A 9 2 2 4 5 5 e 9 3 7 B 4 8 4 5 2 1 Encontre: (a) a 1ª. linha de AB; R.: 3 30 25 (c) a 2ª. linha de ATBT; R.: 14 48 16 01 de fevereiro de 2010 25 (b) a 3ª. coluna de AB; R.: 69 13 40 (d) a 2ª. coluna de ATBT. R.: 48 72 Alex N. Brasil 37 Geometria Analítica e Álgebra Linear Exercícios usando o MATLAB Uma vez inicializado o MATLAB, aparecerá na janela de comandos um prompt >> ou EDU>>. O prompt significa que o MATLAB está esperando um comando. Todo comando deve ser finalizado teclando-se Enter. Comandos que foram dados anteriormente podem ser obtidos novamente usando as teclas e . Enquanto se estiver escrevendo um comando, este pode ser corrigido usando as teclas , , Delete e Backspace. O MATLAB faz diferença entre letras maiúsculas e minúsculas. No MATLAB, pode-se obter ajuda sobre qualquer comando ou função. O comando: > > help mostra uma listagem de todos os pacotes disponíveis. Ajuda sobre um pacote específico ou sobre um comando ou função específica pode ser obtida com o comando: > > help nome, (sem a vírgula!) onde nome pode ser o nome de um pacote ou o nome de um comando ou função. Além dos comandos e funções pré-definidas, escrevemos um pacote chamado gaal com funções que são mais adequadas para este curso. O comando help gaal dá informações sobre este pacote. Vamos descrever aqui alguns comandos que podem ser usados para a manipulação de matrizes. Outros comandos serão introduzidos a medida que forem necessários. >> syms x y z diz ao MATLAB que as variáveis x y e z são simbólicas. >> A=[a11,a12,...,a1n;a21,a22,...; ...,amn] cria uma matriz, m por n, usando os elementos a11, a12, ..., amn e a armazena numa variável de nome A. Por 1 2 3 exemplo, >> A=[1,2,3;4,5,6] cria a matriz A ; 4 5 6 >> >> >> >> >> >> >> >> A+B é a soma de A e B, A-B é a diferença A menos B, A*B é o produto de A por B, A.’ é a transposta de A, num*A é o produto do escalar num por A, A^k é a potência A elevado a k. Aj=A(:,j) é a coluna j da matriz A, Ai=A(i,:) é a linha i da matriz A. >> format rat muda a exibição dos números para o formato racional. O comando help format mostra outras possibilidades. >> solve(expr) determina a solução da equação expr=0. Por exemplo, >> solve(x2-4) determina as soluções da equação x2 - 4 = 0; 01 de fevereiro de 2010 Alex N. Brasil