DOI:10.5585/ConsSaude.v11n1.2669
Recebido em 14 mar. 2011. Aprovado em 17 fev. 2012
Impacto de 24 semanas
de treinamento com pesos sobre
a composição corporal de idosas
Editorial
Impact of 24-week resistance training on body composition
of elderly women
Matheus Amarante do Nascimento1; Renata Selvatici Borges Januário2; João Paulo de Aguiar
Greca3; Aline Mendes Gerage 4; Arli Ramos de Oliveira5; Fábio Luiz Cheche Pina6
Ciências
básicas
¹ Doutorando em Educação Física. Docente colaborador do curso de bacharelado em Educação Física da Universidade Estadual de
Londrina. Londrina – PR, Brasil.
2
Mestre em Educação Física. Docente do curso de Educação Física da Universidade Norte do Paraná. Londrina – PR, Brasil.
3
Mestrando em Educação Física. Programa de Pós-Graduação em Educação Física UEM/UEL. Londrina – PR, Brasil.
4
Mestre em Educação Física. Docente colaboradora do curso de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina.
Florianópolis – SC, Brasil.
5
Doutor em Educação Física. Docente adjunto do Departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Londrina.
Bolsista de Produtividade em Pesquisa PQ2/CNPq. Londrina – PR, Brasil.
6
Mestre em Educação Física. Docente do curso de licenciatura/bacharelado em Educação Física da Faculdade de Ensino Superior Dom
Bosco. Cornélio Procópio – PR, Brasil.
Endereço para correspondência:
Matheus Amarante do Nascimento
Rua Antônio Amado Noivo, 299, Bairro Vila Ipiranga
86010-640 – Londrina – PR [Brasil]
[email protected]
Ciências
aplicadas
Resumo
por
levantamento
de
peso,
Instruções
para os autores
Descritores: Programa de fortalecimento
Envelhecimento, Composição corporal.
Revisões
de literatura
Introdução: O envelhecimento está atrelado a modificações nos sistemas biológicos do organismo, como a redução da massa muscular e o aumento da gordura
corporal, o que pode comprometer a qualidade de vida de idosos. Assim, a prática do treinamento com pesos (TP) tem sido recomendada como alternativa para
atenuar tais reduções. Objetivo: investigar o impacto de 24 semanas de TP sobre
a composição corporal (CC) de idosas. Métodos: Vinte e duas idosas foram divididas igualmente em grupos de treinamento (GT) e controle (GC). O GT realizou
o TP três vezes por semana, e o GC, um programa de alongamento duas vezes por
semana. A CC foi avaliada por bioimpedância elétrica. Resultados: Observou-se
redução estatisticamente significativa na massa livre de gordura (-3%, P<0,05);
água corporal total (-3%, P<0,05) e taxa metabólica basal (-2%, P<0,05) do GC. Não
houve alterações significativas para o GT nessas variáveis. Conclusão: o TP pode
contribuir para a manutenção dos componentes da CC em idosas.
Abstract
Introduction: Aging is related to alterations on the organism, such as a reduction on muscular mass and an increase of body fat, which can compromise the
quality of life of old people. Thus, weight training has been recommended as an
alternative to attenuate these reductions. Objective: To investigate the impact
of a 24-week strength training program on body composition of elderly women.
Methods: Twenty-two women were equally divided in training (TG) and control
groups (CG). The TG was submitted to strength training, three times a week and
the CG into stretching classes, two times a week. Body composition was evaluated by bioelectrical impedance. Results: CG presented a statistically significant
reduction in the fat free mass, total body water and metabolic basal ratio. The TG
did not present any changes in these variables (P>0.05). Conclusion: strength
training can contribute to the maintenance of the body compositions components.
Key words: Resistance training, Aging, Body composition.
ConScientiae Saúde, 2012;11(1):103-110.
103
Impacto de 24 semanas de treinamento com pesos sobre a composição corporal de idosas
Introdução
O processo de envelhecimento está associado a diversas modificações estruturais e funcionais nos diferentes sistemas orgânicos, destacando-se, entre elas, a redistribuição da gordura
corporal, caracterizada pelo declínio do tecido
adiposo apendicular e seu progressivo aumento
na região central do corpo1, bem como pela perda significativa da massa corporal magra, a qual
é considerada um dos principais fatores responsáveis pelo declínio da mobilidade funcional,
dependência e aumento da fragilidade2,3.
Nesse sentido, diversos estudos têm apontado que a realização de exercícios físicos, em
especial, a prática de programas de treinamento
com pesos (TP), tem sido uma alternativa interessante na atenuação dessas perdas decorrentes do processo de envelhecimento, uma vez
que esse tipo de modalidade de exercício físico
tem proporcionado incrementos na força muscular4-6, flexibilidade e autonomia funcional7-9,
potência e resistência muscular10.
Entretanto, no que se referem à magnitude
das modificações nos diferentes componentes
da composição corporal, provenientes da prática de programas de TP, tais como aumentos
na massa muscular, manutenção ou incremento do conteúdo mineral ósseo e manutenção ou
redução na quantidade de gordura corporal, os
resultados disponíveis na literatura ainda não
possuem devida consistência11,12.
Em geral, aspectos relacionados aos procedimentos metodológicos dos estudos, como
as diferentes formas de estruturação dos programas de TP (volume, intensidade, número de
exercícios realizados, intervalo de recuperação,
velocidade de execução dos exercícios, duração do programa e freqüência semanal), além
de variáveis, como duração do estudo, nível de
aptidão física inicial dos sujeitos investigados,
experiência prévia com o TP, sexo, idade, etnia
e hábitos nutricionais, podem influenciar, sobremaneira, as respostas produzidas no tocante às
modificações da composição corporal.
104
Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi investigar o efeito de 24 semanas de um
programa de TP sobre a composição corporal de
mulheres idosas.
Métodos
Amostra
Vinte e duas mulheres, acima de 60 anos,
aparentemente saudáveis, foram divididas em
dois grupos: grupo treinamento (GT) e grupo
controle (GC). Como critérios iniciais de inclusão, as idosas deveriam ser sedentárias e não terem participado regularmente de nenhum programa de TP ao longo dos últimos três meses
antecedentes ao início do experimento. Todas
as participantes, após serem informadas sobre
a proposta do estudo e os procedimentos aos
quais seriam submetidas, assinaram um termo
de consentimento livre e esclarecido. Este estudo
foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa
da Universidade Estadual de Londrina, de
acordo com as normas da Resolução 196/96, do
Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos (processo nº. 274/2005).
Antropometria
A massa corporal (MC) foi mensurada em
uma balança de leitura digital, da marca Filizola,
modelo ID 110, com escala de 0,1 kg, e a estatura (EST) foi determinada em um estadiômetro
de madeira com escala de 0,1 cm, de acordo com
os procedimentos descritos por Gordon et al.13
Todas as idosas foram pesadas e medidas descalças, vestindo roupas leves somente.
Composição corporal
A composição corporal foi avaliada antes
e após 24 semanas de estudo por meio da técnica de bioimpedância elétrica, utilizando-se um
monitor Biodynamic Body Composition Analyzer,
modelo 310 (Biodynamics Corporation, Seattle,
USA) para a determinação da gordura corporal
ConScientiae Saúde, 2012;11(1):103-110.
Nascimento MA, Januário RSB, Greca JPA, Gerage AM, Oliveira AR, Pina FLC
ConScientiae Saúde, 2012;11(1):103-110.
Instruções
para os autores
As participantes foram orientadas por
uma nutricionista previamente treinada para
o preenchimento de registros alimentares de
três dias nos diferentes momentos do estudo.
Medidas caseiras padronizadas foram utilizadas para a estimativa da quantidade de alimentos e bebidas consumidas. O consumo energético total foi determinado por meio do programa
para avaliação nutricional – Avanutri – versão
3.1.4. As idosas foram orientadas, ainda, a manter seus hábitos alimentares ao longo do estudo.
Revisões
de literatura
Ingestão alimentar
Ciências
aplicadas
Onde: MLG: Massa Livre de Gordura (kg);
MC: Massa corporal (kg); EST: Estatura (m). R:
Resistência; XC: Reactância; Ŧ = sexo (0 = mulher; 1 = homem).
As idosas do GT foram submetidas a um programa de TP que foi realizado durante 24 semanas,
em duas etapas, cada qual com a duração de 12 semanas consecutivas, intercaladas por uma semana
de intervalo, sem qualquer tipo de treinamento,
para que fossem realizadas as reavaliações e reestruturações dos programas de treinamento.
O programa de treinamento nessas duas
etapas teve como finalidade o processo de resistência muscular e envolveu uma única programação de TP, executada em três sessões semanais, em dias alternados. A diferença entre essas
etapas foi determinada pela forma de estruturação dos programas de treinamento (escolha e
ordenação dos exercícios), sendo utilizada uma
prescrição alternada por segmento, na primeira
etapa, e outra localizada por articulação, na segunda. Esse procedimento proporcionou uma
sobrecarga progressiva, além de uma quebra da
homeostase ao treinamento.
A primeira etapa foi composta por oito
exercícios, executados na seguinte ordem: supino vertical, mesa extensora, puxada à frente,
mesa flexora, rosca no banco Scott, panturrilha
sentada, tríceps no pulley e flexão abdominal.
Na segunda etapa, também foram efetuados oito exercícios, dispostos na seguinte ordem:
supino vertical, remada convergente, rosca no
banco Scott, tríceps no pulley, mesa extensora,
mesa flexora, adução de coxa e flexão abdominal.
Em ambas as etapas, cada exercício foi realizado em duas séries de 10 a 15 repetições máximas (RM), com exceção da flexão abdominal
(20 a 30 repetições) e da panturrilha sentada (15
a 20 RM).
As cargas utilizadas foram compatíveis com
o número de repetições máximas estipuladas para
cada exercício, sendo reajustadas sempre que esse
número máximo preestabelecido fosse atingido
em todas as séries, na tentativa de que a intensidade inicial fosse preservada, de acordo com
as recomendações do Colégio Americano de
Medicina do Esporte16.
Vale ressaltar que, em ambas as etapas, o intervalo de recuperação estabelecido entre as séries,
Ciências
básicas
MLG= – 4,104 + 0,518 (EST2/R) + 0,231 (MC) +
0,130 (Xc) + 4,229 (Ŧ)
Protocolo de treinamento
Editorial
relativa (%G), massa de gordura (MG), massa livre (isenta) de gordura (MLG), taxa metabólica
basal (TMB) e água corporal total (ACT). As participantes foram medidas em decúbito dorsal, deitadas em uma maca isolada de condutores elétricos,
na posição supinada, com as pernas abduzidas em
um ângulo de aproximadamente 45o.
Após a limpeza da pele com álcool, quatro
eletrodos foram fixados na superfície da mão e do
pé direito, de acordo com os procedimentos descritos por Sardinha et al.14. Na tentativa de minimizar
possíveis erros de estimativa, as idosas foram orientadas a manter-se em jejum de, pelo menos, quatro
horas antecedentes à avaliação, evitar a prática de
exercícios físicos vigorosos por, pelo menos, 24 h
anteriores ao teste, abster-se do consumo de álcool
e bebidas cafeinadas por, no mínimo, 48 h prévias
à avaliação, além de evitar o uso de medicamentos
diuréticos ao longo dos últimos sete dias.
A predição da massa isenta de gordura foi
realizada mediante informações apresentadas
pela técnica de bioimpedância elétrica, por meio
da equação de regressão de Kyle et al.15, para indivíduos idosos, apresentada a seguir:
105
Impacto de 24 semanas de treinamento com pesos sobre a composição corporal de idosas
durante cada exercício, foi de 60 a 90 segundos e,
entre os exercícios, de dois a três minutos.
O GC, por sua vez, foi submetido a um
programa de exercícios de alongamento, em
grupo, durante 24 semanas, composto por duas
sessões semanais, com duração de 30 minutos
cada. As sessões eram ministradas por profissionais e acompanhadas por estagiários do curso de Educação Física.
Três exercícios de alongamento para cada
um dos principais grupamentos musculares –
peitoral, costas, bíceps, tríceps, coxas e pernas –
foram executados de forma ativa. Cada exercício
foi realizado em uma única série, com duração
de aproximadamente 20 segundos, sendo adotado o intervalo de 10, entre os exercícios.
Vale ressaltar que as participantes de ambos os grupos foram, ainda, orientadas para que
não realizassem nenhum outro tipo de atividade
física regular e sistematizada durante todo o período de duração do estudo.
Delineamento experimental
As idosas selecionadas para participarem
do estudo foram, inicialmente, divididas em
dois grupos (GT e GC). A partir daí, todas foram submetidas, antes do início do experimento, a avaliações antropométricas, nutricionais
e de composição corporal. Em seguida, as participantes do GT realizaram um programa de
TP durante 24 semanas, ao passo que as do GC
integraram um programa de exercícios de alongamento durante o mesmo período. Ao término
das 24 semanas de treinamento, uma semana foi
destinada às reavaliações antropométricas, nutricionais e de composição corporal.
Análise Estatística
Inicialmente, o teste de Shapiro Wilk foi utilizado para a análise da distribuição dos dados.
A partir daí, foi realizada estatística descritiva,
com as variáveis sendo expressas em valores
de média e desvio-padrão. Posteriormente, foi
aplicado o teste “t” de Student para amostras
106
independentes, para a comparação dos valores
iniciais entre os grupos. A análise de variância
(ANOVA) two-way para medidas repetidas foi
efetuada para verificar as comparações intra e
intergrupos nos diferentes momentos do estudo, quando o pressuposto de homogeneidade
(Levene) foi assumido. O teste post hoc de Tukey
foi empregado para a identificação das diferenças específicas nas variáveis em que os valores
de F encontrados foram superiores ao critério de
significância estatística estabelecido (P < 0,05).
Os dados foram tratados no programa SPSS versão 13.0.
Resultados
As características físicas iniciais dos grupos GT e GC são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1: Características físicas iniciais
das participantes (médias ± DP).
Idade (anos)
Massa corporal
(kg)
Estatura (cm)
GT (n = 11)
67 ± 6
GC (n = 11)
67 ± 5
59,4 ± 9,2
61,0 ± 7,4
155,7 ± 6,9
156,4 ± 6,5
Nota: Nenhuma diferença estatisticamente significativa.
Não foram identificadas diferenças significativas entre os grupos (P > 0,05) nas características físicas iniciais.
Em relação ao consumo energético, nenhum efeito isolado do grupo (F=0,00; P=0,92),
tempo (F=1,39; P=0,25) ou interação grupo x
tempo (F=0,16; P=0,69) foi encontrado na comparação inter ou intragrupos nos diferentes momentos do estudo (Figura 1).
As informações sobre o comportamento
dos diferentes componentes da composição corporal, nos momentos pré e pós-treinamento, são
apresentadas na Tabela 2. Foi observada interação significativa para o %G, MLG, TMB e ACT (P
< 0,05), sendo identificado um aumento estatisticamente significativo para o %G (+5%, P<0,05) e
redução para as demais variáveis apenas no GC
ConScientiae Saúde, 2012;11(1):103-110.
Nascimento MA, Januário RSB, Greca JPA, Gerage AM, Oliveira AR, Pina FLC
Tabela 2: Componentes da composição
corporal nos momentos pré e pósexperimento (médias ± DP).
GT (n = 11)
GC (n = 11)
Efeito
F
P
MC (kg)
59,4 ± 9,2
61,0 ± 7,4
Grupo
0,15
0,69
59,3 ± 9,1
60,5 ± 7,9
Tempo
0,67
0,42
Interação
0,32
0,57
Grupo
0,04
0,84
Editorial
Figura 1: Consumo energético total no
momento inicial (pré) e após (pós) a
intervenção com treinamento com pesos. As
barras de erro indicam o desvio-padrão.
Pré
Pós
% G (%)
Pré
31,7 ± 4,0
30,6 ± 5,6
Pós
30,4 ± 3,9
32,2 ± 4,1*
Tempo
0,10
0,75
Interação
7,08
0,01
MG (kg)
Discussão
18,9 ± 4,8
Grupo
0,21
0,65
18,1 ± 4,0
19,6 ± 4,1
Tempo
0,00
0,98
Interação
3,36
0,08
Grupo
0,04
0,83
MLG (kg)
Pré
40,9 ± 7,3
42,2 ± 5,0
Pós
41,2 ± 6,2
40,9 ± 5,2*
Tempo
2,36
0,13
Interação
6,14
0,02
TMB (kcal)
Pré
1235 ± 208
1283 ± 151
Grupo
0,07
0,79
Pós
1253 ± 190 1244 ± 159*
Tempo
1,74
0,20
Interação 11,42 0,00
ACT (L)
Pré
30,7 ± 3,9
31,4 ± 3,1
Grupo
0,04
0,82
Pós
30,8 ± 3,8
30,7 ± 3,1*
Tempo
2,83
0,10
Interação
7,87
0,01
Revisões
de literatura
* P < 0,05 pré versus pós-treinamento.
Nota: MC = massa corporal; % G = percentual de gordura; MG =
massa gorda; MLG = massa livre de gordura; TMB = taxa metabólica
basal; ACT = água corporal total.
Tsuzuku et al.19, por sua vez, apontaram
uma redução significativa de 0,7 a 1,2% na gordura corporal analisada por ultra-sonografia em
32 homens e mulheres idosas que realizaram 12
semanas de TP, na frequência de três vezes em
7 dias.
Entretanto, outros estudos disponíveis na
literatura, mesmo com intervenções de duração
superior a 12 semanas, não obtiveram modificações positivas sobre os componentes da composição corporal 20-22. Ades et al.23, por exemplo,
constataram nenhuma alteração na quantidade
de gordura corporal em mulheres idosas cardio-
Instruções
para os autores
ConScientiae Saúde, 2012;11(1):103-110.
18,8 ± 3,6
Ciências
aplicadas
De acordo com os resultados obtidos, verificou-se que um programa de 24 semanas de TP
pode auxiliar na manutenção da MLG, TMB, %G
e ACT de mulheres idosas aparentemente saudáveis, tendo em vista que não houve diferença
significativa nesses componentes, ao se comparar os valores nos diferentes momentos do estudo (pré e pós-treinamento). O grupo controle,
por sua vez, apresentou aumento significativo
da gordura corporal e uma importante redução
na massa magra. Provavelmente, esses achados
expliquem parte das diferentes respostas observadas por pesquisadores no comportamento
dos componentes da composição corporal com o
avançar da idade17,18.
Nesse sentido, algumas pesquisas têm
mostrado, não somente manutenção, mas também modificações positivas nos componentes
da composição corporal, tais como o estudo de
Trevisan e Burini18, o qual apontou que, após 16
semanas de um programa de TP, 15 mulheres
(45-70 anos de idade) apresentaram aumentos de
aproximadamente 10% na massa muscular, avaliada pela mesma técnica do presente estudo.
Pré
Pós
Ciências
básicas
(MLG= –3%, P<0,05; TMB= –3%, P<0,05; e ACT=
–2%, P<0,05). No GT, por sua vez, as alterações
identificadas não foram estatisticamente significativas (P > 0,05).
107
Impacto de 24 semanas de treinamento com pesos sobre a composição corporal de idosas
patas, mesmo após serem submetidas a seis meses de um programa de TP.
Possíveis explicações para as divergências nos resultados encontrados poderiam
estar atreladas ao fato de que, no estudo de
Trevisan e Burini18, a amostra não era composta somente por mulheres idosas e, acima de
tudo, as participantes idosas foram classificadas como sarcopênicas, o que poderia comprometer os resultados.
Além disso, a maior parte dos estudos envolvendo programas de TP e populações idosas,
como as pesquisas citadas anteriormente21-23,
não monitorou os hábitos alimentares dos sujeitos investigados.
No tocante à TMB, o presente estudo
apontou que o GT apresentou manutenção nos
valores da TMB após as 24 semanas de TP. Em
contrapartida, o GC apresentou redução de 3%
neste componente (P<0,05). Trevisan e Burini18
apresentaram comportamento semelhante em
sua investigação, evidenciado por um aumento
de 8,4% e redução de 4,9% na TMB nos GT e GC,
respectivamente.
Por outro lado, apesar da controvérsia acerca dos possíveis benefícios do TP sobre os componentes da composição corporal, este trabalho
mostrou que as idosas submetidas ao GC, o qual
realizou um programa de exercícios de alongamento, apresentaram reduções significativas na
ordem de 3%, tanto para a TMB, quanto para
a MLG, bem como um aumento de 5% na MG,
o que traz à tona o fato de que, possivelmente,
indivíduos idosos que não praticam algum tipo
de exercício físico com potencial de modificação
na composição corporal tendem a sofrer um impacto maior decorrente do processo natural de
envelhecimento.
Goodpaster et al.24, por exemplo, demonstraram que homens e mulheres idosos, participantes do GC, que não realizaram exercícios físicos durante todo o período de intervenção (12
meses), apresentaram aumentos significativos de
18% na quantidade de gordura corporal intramuscular e redução de 4% na massa muscular.
108
Nesse sentido, a literatura apresenta que,
dentre as modificações morfológicas e estruturais observadas com o avançar da idade, o
aumento do %G e a perda de massa muscular,
conhecida como sarcopenia, podem ser considerados algumas das mais importantes modificações, sobretudo, pelo impacto desses processos
na força muscular, na realização de atividades
da vida diária e no surgimento de doenças crônico-degenerativas25.
Outro aspecto importante é o fato de que,
além das reduções na MLG e ACT acompanhadas pelo aumento na MG serem as modificações
mais relevantes para a alteração na TMB26 e o
fato de pessoas idosas serem geralmente menos
ativas fisicamente, a necessidade de ingestão
energética acaba por se tornar menor, embora a
necessidade de micronutrientes não tenha sido
reduzida. Dessa forma, a ingestão inadequada
de algumas vitaminas e minerais, como cálcio,
por exemplo, pode acarretar deficiências, contribuindo para um maior declínio da densidade
mineral óssea e, consequentemente, o surgimento da osteoporose27.
Em relação à ACT, alguns pesquisadores
sugerem que programas de exercícios físicos sistematizados podem promover aumento significativo em seus valores, uma vez que proporcionam incrementos na MLG28. Em contrapartida,
o declínio na massa livre de gordura, evidenciado com o envelhecimento, acarreta mudanças
hídricas associadas ao desequilíbrio de fluídos
corporais, que se fazem determinantes para o
estado de hipohidratação, frequentemente observado nessa população29.
Além disso, outros pesquisadores afirmam que o aumento da massa muscular parece
estar estreitamente associado ao comportamento de alguns hormônios durante o esforço. Para
Hakkinen et al.30, os principais hormônios envolvidos nesse processo são a testosterona e o
hormônio do crescimento, sobretudo em indivíduos do sexo masculino, visto que, em seu estudo, os maiores valores foram encontrados em
homens quando comparados a mulheres idosas.
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Instruções
para os autores
Com base nestes achados, conclui-se que
24 semanas de um programa de TP parecem
ser efetivas para a manutenção de variáveis da
composição corporal de mulheres idosas aparentemente saudáveis, sugerindo que os efeitos
deletérios do envelhecimento, especificamente
no componente da aptidão física relacionada à
saúde, podem ser minimizados pela prática desse tipo de treinamento. Entretanto, faz-se necessário o desenvolvimento de novas investigações,
com delineamentos semelhantes, suprindo as
limitações do presente estudo.
Sallinen J, Pakarinen A, Fogelholm M, Sillanpää
Editorial
Além de desempenhar um papel fundamental no aumento da massa muscular, o TP
pode auxiliar no balanço energético, tendo em
vista que homens e mulheres geralmente aumentam seu gasto calórico diário em torno de 9%
após 24 semanas de TP, o que, por sua vez, parece
ser resultado da elevação da TMB (4%), do gasto
de energia proveniente do exercício e do aumento
do nível de atividade física habitual23.
Ainda que o método escolhido para avaliação da composição corporal no presente estudo
tenha, entre suas qualificações, boa reprodutibilidade e relativo conforto, a atenção sobre os
procedimentos prévios ao teste deve ser compartilhada com a população estudada, uma vez
que, para a avaliação da composição corporal,
por meio da bioimpedância elétrica, o avaliado
deve obedecer àqueles procedimentos, sem os
quais, o resultado poderá ser comprometido.
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