O Perfil do Patologista Brasileiro Carlos Alberto Fernandes Ramos Maria Salete Trigueiro de Araújo Aspectos da vida, formação e trabalho dos médicos patologistas brasileiros 1 _______________________________________________________ O PERFIL DOS PATOLOGISTAS BRASILEIROS Carlos Alberto Fernandes Ramos Maria Salete Trigueiro de Araújo Colaboradores Luiz Rodrigues de Freitas Luiz Fernando Bleggi Torres Revisão e aprovação Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Patologia Diagramação Maria Salete Trigueiro de Araújo DIRETORIA EXECUTIVA 2005-2007 Presidente Luiz Antônio Rodrigues de Freitas (BA) Vice-Presidente p/ Assuntos Acadêmicos Helenice Gobbi (MG) Vice-Presidente p/ Assuntos Profissionais Luiz Vitor de Lima Salomão (SP) Secretária Geral Geanete Pozzan (SP) Secretária Adjunta Andréa Rodrigues Cordovil Pires (RJ) Tesoureiro Renato Lima de Moraes Jr. (SP) Tesoureiro Adjunto Emílio Marcelo Pereira (SP) DIRETORIAS Comunicação Social Maria do Carmo de Abreu e Lima (PE) Especialidades Romualdo Correia Lins Filho (PE) Científica Fernando Augusto Soares (SP) Ensino Luciano Neder Serafino (SP) Informática Clovis Klock (RS) Defesa Profissional Carlos Alberto Fernandes Ramos (PB) Controle de Qualidade Maurício Barcelos Costa (GO) Relações Internacionais José Vassallo (SP) CONSELHO FISCAL: Hélcio Luiz Miziara (DF); Carlos José Serapião (SC); Carlos César Formiga Ramos (RN); Leônidas Braga Dias Jr. (PA) (Suplente) CONSELHO CONSULTIVO: Luiz Fernando Bleggi-Torres (PR); Marcello Fabiano de Franco (SP); Elias Fernando Miziara (DF) ASSESSORIAS ESPECIAIS - AMB: Luís Vitor de Lima Salomão (SP) - PLANEJAMENTO EM INFORMÁTICA: Celso Rubens Vieira e Silva (SP) - FOMENTO À PESQUISA: Albanita Viana de Oliveira (RJ) - DEFESA PROFISSIONAL: Maria Salete Trigueiro de Araújo (PB) - ESPECIALIDADES: Elton Almeida Lucas (ES) JORNAL BRASILEIRO DE PATOLOGIA: - EDITOR: Venâncio Avancini Ferreira Alves (SP) - ADJUNTO: Washington Luís Conrado dos Santos (BA) PRESIDENTE DO XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DE PATOLOGIA: Carlos Thadeu Cerski (RS) Publicação da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) Rua Ambrosina de Macedo, 79 Vila Mariana - CEP 04013-030 São Paulo – SP [email protected] 2007 2 INTRODUÇÃO Os dados sobre a vida e o trabalho dos médicos brasileiros são escassos, destacando-se a mais recente pesquisa, realizada pelo CFM. Esse estudo, de inestimável valor, entretanto, pode não refletir as particularidades de uma classe de especialistas, que não pertencem ao grande contingente de clínicos ou cirurgiões e representam apenas 0,7% do total de médicos do país. Torna-se clara a necessidade de um estudo próprio para delineamento do perfil do patologista brasileiro. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) assumiu esse projeto em um momento especial da história do exercício profissional, quando começaram as grandes mobilizações para recuperação do prestígio da classe médica. METODOLOGIA Um questionário para a pesquisa sobre a vida e trabalho dos patologistas brasileiros foi inicialmente elaborado pelo Departamento de Defesa Profissional da SBP e depois submetido à consulta pública, via internet, incorporando várias sugestões para a sua versão final (anexo I). Também foi preparado um regulamento (anexo II), admitindo-se que as respostas poderiam ser enviadas pelos Correios ou confiadas aos membros da diretoria da SBP, durante eventos científicos, programados para o período da coleta de dados. O estímulo à devolução de respostas, em reuniões científicas de várias seccionais, objetivou melhorar o índice de participação, que, geralmente, limita as pesquisas por meio dos Correios. Questionário e gabarito de respostas foram enviados para os sócios da SBP, como encarte do Jornal O Patologista, enquanto o mesmo material foi enviado aos não-sócios, via mala direta. Também ficou disponível para impressão, no site da SBP, mas sem possibilidade de resposta on line, via internet, por limitações operacionais. Para garantir sigilo, não se solicitou assinatura de gabaritos, cuidando-se para que estes fossem retirados dos envelopes, sem a identificação do remetente. Os envelopes vazios foram reunidos em urna para sorteio de prêmios, que estimularam a maior participação dos patologistas. Foram elaboradas cento e três questões, a grande maioria do tipo múltipla escolha, com número de alternativas variáveis (três a oito), havendo possibilidade de mais de uma resposta por questão. Foram colocadas em sete blocos, o primeiro deles reservado para dados de identificação geral, enquanto o último, com vinte e três questões, destinou-se exclusivamente aos patologistas proprietários de laboratório. Os demais blocos abordaram qualificação e atualização científica; o trabalho; assuntos éticos e profissionais; o lazer e a saúde pessoal; as atitudes frente à vida e aos valores humanos. Com esse inquérito, objetivou-se conhecer melhor os médicos que exercem ou exerceram profissionalmente a especialidade Anatomia Patológica, incluindo professores, pesquisadores e os que estão em fase de residência médica. A preocupação em conseguir um alto índice de devolução de gabaritos respondidos foi decisiva para determinar a extensão do questionário, 3 eliminando-se quesitos considerados menos importantes ou respostas dissertativas. A coleta e análise de tais dados constituem farto material para esboço do perfil do patologista brasileiro e melhor conhecimento da realidade dos problemas dessa classe profissional. Os indicadores de vulnerabilidade servirão para que se reflita sobre as dificuldades do acesso ao mercado de trabalho e também para o planejamento de ações eficazes para o aumento do grau de satisfação com o exercício da especialidade. No cadastro de 2005 da SBP, constavam 2436 que patologistas cadastrados. Esta é a população objeto desta pesquisa em que se tomou uma amostra quase aleatória de 904 patologistas. Assim, alcançou-se uma fração amostral de 37,1%, ou seja: a cada 100 patologistas aproximadamente 37 participaram da amostra. A amostra obtida de 904 respondentes satisfaz a uma confiança de 97% com uma margem de erro de 3%, de acordo com a determinação do tamanho amostral dada pela equação: z 2 PQ , d2 n= 1 z 2 PQ 1 + − 1 N d2 Onde: z = percentil da curva normal; P = Proporção da característica avaliada Q = 1- P d = Margem de erro N = tamanho da população = 2456. RESULTADOS Os patologistas brasileiros: predomínio do sexo feminino Amostra: 904 patologistas Homens – 43,30% Mulheres – 56,70% O teste Qui-Quadrado confirma a hipótese de que há diferença estatística no número de patologistas homens e mulheres (Qui-Quadrado igual 16,495 com Valor-P < 0,0001). 4 Gráfico 1. Distribuição dos patologistas entrevistados de acordo com o sexo Sexo dos Entrevistados % 60 55,20 50 Homens 43,36 Mulheres 40 Não Informaram 30 20 10 1,44 0 A participação feminina foi discretamente maior, em oposição às informações colhidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM, 2003), que consideram a Medicina como uma profissão majoritariamente exercida pelo sexo masculino (69,8%). A maior participação das mulheres na especialidade: • médicas com idade inferior a 55 anos e com mais de 30 anos • a partir das turmas graduadas em Medicina, entre os anos de 1971 e 1975 Gráfico 2. Distribuição dos patologistas brasileiros por sexo e faixa etária Distribuição de sexo por faixa etária 20 18 16 14 12 Homem 10 Mulher 8 6 4 2 76 in fo rm ou 75 N ão a a de M ai s 70 71 65 66 a 61 a 60 55 56 a 50 51 a 45 46 a 41 a 40 35 36 a 31 a 26 a 25 30 0 20 % Faixa etária (anos) 5 Gráfico 3. Distribuição por sexo e ano de graduação dos patologistas entrevistados Distribuição de sexo por ano de graduação % 9,0 8,0 7,0 6,0 5,0 HOMEM 4,0 MULHER 3,0 2,0 1,0 ou in fo rm -2 00 5 ão N 20 00 -2 00 0 -1 99 5 19 96 -1 99 0 19 91 -1 98 5 19 86 -1 98 0 19 81 -1 97 5 19 76 19 71 -1 97 0 19 65 <1 96 5 0,0 Há poucas mulheres-patologistas com mais de 61 anos. É curioso observar uma nova tendência, nas gerações em formação ou que estão iniciando a vida profissional, na faixa dos 26 a 30 anos. Nessa faixa particular, os profissionais masculinos são mais numerosos, podendo refletir um renovado interesse dos homens pela Patologia. Essa hipótese só poderá ser respondida a partir de outros estudos, que poderão ser realizados nos próximos anos. Considerando-se as faixas etárias 91 a 95, 96 a 00 e 00 a 05 pode-se concluir segundo o teste Qui-Quadrado, cuja estatística de teste é 8,94 com Valor-P = 0,011 (< 0,05), que o número de patologistas nestas faixas etárias apresenta diferença estatística significante. Aplicando a técnica multivariada Análise de Correspondência, pode-se perceber na figura abaixo (conhecido por mapa perceptual ou diagrama de Sheppard) que a faixa etária 00 a 05 está mais próxima do sexo masculino. É muito provável que o número de patologistas masculinos supere o de patologistas mulheres na faixa etária mais recente. 6 1,0 Masculino 96 a 00 00 a 05 ,5 0,0 -,5 -1,0 Feminino 91 a 95 Sexo -1,5 Faixa etária -1,0 -,5 0,0 ,5 1,0 300 250 200 H 150 M 100 50 5 -0 00 96 -0 0 5 91 -9 0 -9 86 -8 81 76 -8 0 5 -7 71 -7 65 -50 5 0 0 Taxa de crescimento do número de patologistas A medida de associação V de Cramer apresenta valor 0,218 apresentando Valor-P < 0,001. Portanto há associação significativa entre Sexo e faixa etária. A hipótese de que nas faixas etárias mais recentes há predominância do sexo masculino é significante. Faixa etária Observe que a taxa de crescimento do número de patologistas nas duas últimas faixas etárias é negativa, mostrando que a categoria está se encolhendo e que nos últimos anos há uma tendência do crescimento de homens se aproximarem ou até mesmo ultrapassarem o número de patologistas mulheres. Até o ano de 1990 houve decrescimento desta categoria. A última tendência é de queda do crescimento do número de patologistas. O cenário das necessidades dos serviços da patologia são crescentes, em uma população que possui taxa de crescimento positiva enquanto isso o quadro da taxa de crescimento do número de patologistas está se aproximando de zero ou é negativa. Esta situação requer uma divulgação desta área médica com vistas a atrair mais profissionais. 7 Dados geográficos Domiciliados na capital: 62,83% Em cidades com mais de um milhão de habitantes: 51,88% Nascidos em: Capital: 49,12% Interior: 46,35% Estrangeiro: 1,77% Das regiões: • Norte: 1,99% • Nordeste: 23,01% • Centro-oeste: 4,99% • Sudeste: 43,01% • Sul: 22,12% A grande concentração dos patologistas entrevistados está domiciliada na região sudeste (43,01%), preferencialmente nas capitais (62,83%). O menor contingente assentou-se na região norte. Esses dados correlacionam-se com a distribuição dos médicos, no território brasileiro, conforme pesquisa do CFM (2003). Também se constatou que pouco mais da metade (51,88%) dos profissionais referem trabalhar em cidades com mais de um milhão de habitantes. Apenas 0,8% servem profissionalmente a mais de um estado, em contraposição ao percentual de 2,1%, apontado pelo CFM (2003), para os demais especialistas. Movimento migratório O gráfico 4 comprova o movimento migratório de profissionais da capital para o interior. Cerca de 81% dos entrevistados nasceram e continuam domiciliados nas capitais. Dos patologistas nascidos em cidades do interior, 54,4% permanecem interiorizados, enquanto quase 50% passaram a residir nas capitais. 8 Gráfico 4. Distribuição atual dos patologistas entrevistados em função do domicílio e do local de nascimento 60 Domicílio atual dos entrevistados vs local de nascimento (por região brasileira) 48,3148,97 50 40 Domicilio atual 27,86 25,06 30 Local de nascimento 20 15,5415,44 7,47 10 3,61 3,14 4,58 0 NORTE NORDESTE CENTRO OESTE SUDESTE SUL Perfil etário dos patologistas Idade média – 43,84 anos (23 a 88 anos) Faixa etária de 20 a 40 anos: 43,58% Faixa etária de 46 a 65 anos: 41,37% Graduados há: 10 anos ou menos: 26% Mais de 10 a menos de 20 anos:19% mais de 20 anos: 47% Um significativo contingente dos patologistas entrevistados (47%) referiu ter mais de 20 anos de formados, muito próximo aos resultados da pesquisa do CFM (2003), que mostra um percentual de (48,2%) de médicos graduados a menos de 15 anos. Perfil dos patologistas brasileiros: estado civil; influências familiares na escolha da especialidade De acordo com os gráficos abaixo, percebe-se que a maioria dos patologistas é casada e que quase 40% refere ter parente próximo (primeiro grau) na família. O percentual de patologistas ou citopatologistas na família é 13,83%. 9 Gráfico 5 – Distribuição dos patologistas entrevistados de acordo com o estado civil Estado civil dos entrevistados (% ) % 70 60,24 60 50 40 30 24,05 20 9,24 10 4,90 1,56 0 Solteiro Casado Divorciado Viúvo União Estável Figura 1. Referência a patologistas ou citopatologistas na família Patologista ou citopatologista na família 1,11 1,66 5,09 3,87 3,76 Pai Mãe Irmão Filho Nenhum Não informou 86,06 10 Figura 2. Referência a médicos não-(cito)patologistas na família Outras especialidades médicas na família 1,99 11,50 2,77 Pai Mãe 19,14 Irmão Filho Nenhum 66,37 6,08 Não informou A qualificação profissional dos patologistas brasileiros Residência médica – 75,7% Mestrado – 24,6% Doutorado – 14,8% Estágios – 25,7% Patologistas com títulos de especialista emitidos pela AMB: • Patologia – 63,8% • Citopatologia – 25,2% Acesso regular a periódicos impressos ou eletrônicos: 74,33% Publicação científica constante (anual) – 22,83% Apresentação científica em congressos – 15,84% Participação no PICQ – 56,97% Participação em congressos de Patologia ou Citopatologia (pelo menos a cada 02 anos) – 76,77% Participação em eventos científicos (uma vez ou mais por ano): 74,66% Acesso freqüente à internet: 78,6% 11 Gráfico 6. Situação atual dos patologistas entrevistados Situação atual dos entrevistados % 80 72,12 70 Residente 60 Mestrando 50 Doutorando 40 Pós-doutorando Estagiário 30 20 Profissional 11,50 10 7,96 Inativo 5,97 3,98 0,88 1,11 0 Grande parte dos patologistas realizou algum curso de pós-graduação, principalmente a residência médica (72,12.%) e obteve o título de especialista TE (63,8%). A busca por essa última titulação é mais intensa após os 35 anos de idade, observando-se que, nessa faixa etária, os patologistas sem TE (em Patologia) correspondem a 17% de toda a amostra, enquanto os titulados são 13,5% do mesmo universo. Uma inversão significativa dessa situação é observada entre os 45 e 60 anos, quando os portadores de TE são 35% e os não titulados apenas 4,5% dos patologistas entrevistados. Gráfico 7. Titulação acadêmica dos patologistas entrevistados, em função da faixa etária Titulação acadêmica por faixa etária % 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 Entre 20 Entre 26 Entre 31 Entre 36 Entre 41 Entre 46 Entre 51 Entre 56 Entre 61 Entre 66 Entre 71 Mais de e 25 e 30 e 35 e 40 e 45 e 50 e 55 e 60 e 65 e 70 e 75 76 Residente Mestre Doutor Pós-Doutor Livre Docente Estágios Em Formação 12 A percentagem de patologistas com mestrado (24,6%) ou doutorado (14,8%) é bem maior do que verificado pelo CFM (2003), na população médica geral (respectivamente 14% e 6,8%). Não se constataram diferenças significativas nos percentuais relativos à qualificação profissional, quando se comparam os dados por sexo. Para completar o entendimento da inserção científica do patologista brasileiro, observa-se que 76,77% dos entrevistados participaram de congresso nos últimos dois anos, dos quais um percentual de 15,84% apresenta trabalhos ou ministra aulas. Com relação a publicações científicas, são 22,3% os que têm pelo menos um artigo anual divulgado em periódico médico. Os que conseguem publicar um artigo a cada dois ou três anos são 14,13%. Um percentual de 74,33% informa ter acesso regular ou freqüente a periódicos, quer impressos ou eletrônicos. Ainda é importante ressaltar que 82,19% dos patologistas referiram ser membro da SBP, enquanto 19,25% pertencem à SBC, ainda havendo um contingente expressivo (21,24%) no quadro de outras associações científicas. Apenas 9,85% dos entrevistados não são membros de qualquer entidade médica. No universo médico geral, são 71,3% os afiliados a alguma instituição profissional, conforme a pesquisa realizada pelo CFM (2003). Em resumo, a inserção científica dos patologistas pode ser considerada satisfatória, em função da participação deles em congressos e cursos, como assistente ou conferencista, bem como por haver um expressivo contingente que publica trabalhos científicos, freqüentemente ou eventualmente, Também é alto o número dos que têm acesso a periódicos para atualização médica. O trabalho e a remuneração Trabalham exclusivamente com Patologia ou Citopatologia: 65,83% Proprietários de laboratório – 50,6% Trabalho informal ou contrato não-trabalhista – 25,8% Trabalham com vínculo empregatício – 10,3% Não prestam assistência na área privada – 16,0% Remuneração inferior a R$ 5.000,00 – 38,49% Remuneração entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00 – 36,62% Possui veículo de valor < R$ 30.000,00 – 50,47% Rotina de trabalho – Exames anatomopatológicos: 95,96% – Exames colpocitológicos: 75,31% – Citologia não-ginecológica: 75,62% – Biópsias de congelação: 66,93% – Imunoistoquímica: 39,44% – Necropsias não-fetais: 25,31% – Necropsias fetais: 26,24% 13 Esta pesquisa mostra que o patologista é um profissional com atividade voltada, predominantemente, para a realização de exames anatomopatológicos (95,96%), mas havendo um grande contingente dedicado a atividades na área da Citopatologia (ginecológica e não-ginecológica). Aproximadamente dois terços dos entrevistados referem contar na rotina com biópsias de congelação, enquanto quase 40% também trabalham com imunoistoquímica. A realização de necropsias está restrita a aproximadamente um quarto da classe. É expressivo o número de profissionais que se dedica unicamente à Patologia ou Citopatologia (65,83%), enquanto aproximadamente a metade dos entrevistados refere ser proprietário de laboratório. Entre os demais especialistas, conforme o CFM, apenas 25,7% são empresários. Na Medicina privada, concentra-se a atividade laboral da maioria dos patologistas (84%), mas apenas uma minoria (10,3%) refere trabalhar com vínculo empregatício. O impacto desse número é melhor apreciado quando a amostra é analisada com a exclusão dos proprietários de laboratório e dos profissionais não inseridos na assistência privada. Nessa situação, aproximadamente um terço refere trabalho assalariado, formal. Os demais mantêm-se na informalidade absoluta ou prestam serviços com contratos não trabalhistas. Esse aspecto reflete-se na remuneração dentro do setor privado, conforme os números abaixo: Gráfico 8. Vínculo de prestação de serviços na medicina privada em função da faixa salarial dos patologistas entrevistados Vínculo de prestação de serviços na medicina privada em função da faixa salarial dos entrevistados % 100,00 90,00 80,00 70,00 Trabalhista 60,00 Contrato de prestação de serviço Informal 50,00 Outro 40,00 Proprietário do laboratório 30,00 Não presta assistência na área 20,00 10,00 0,00 Até três Entre Três e Cinco Entre Cinco e Dez Entre Dez e Quinze Entre Quinze e Trinta Acima de Trinta Sem Remuneração Mil reais Considerando o universo dos entrevistados, os patologistas constituem uma classe com vocação empresarial, o que contribui para a menor referência ao trabalho assalariado, para a prestação de seus serviços. Mesmo assim, a informalidade ou a realização de contratos não-trabalhistas atinge patamares relativamente altos, referidas por cerca de um quarto do universo pesquisado. A melhor remuneração é alcançada pelos empresários, a maioria deles conseguindo renda mensal superior a R$ 5.000,00. Nas faixas salariais mais 14 altas (acima de R$ 10.000,00), há um percentual muito baixo de trabalhadores informais (2%) ou com contratos trabalhistas. Nessa situação, ninguém referiu ganhos de R$15.000,00 ou mais. De acordo com o CFM, a maioria dos médicos (51,5%), no ano de 2003, tinha renda mensal individual de até dois mil dólares, com uma minoria (8,5%) recebendo mais de cinco mil dólares. Essas faixas salariais correspondem aproximadamente a R$ 5.000,00 e R$ 12.500,00, à época desta pesquisa da SBP (2005). As percentagens para essas duas faixas salariais são mais favoráveis aos patologistas – respectivamente, 38,49% e 24,89%, conforme o resumo a seguir: Remuneração até R$ 5.000,00 – Médicos (CFM) 51,5% – Patologistas (SBP) 38,49% Remuneração acima de R$ 10.000,00 – Patologistas (SBP) 24,89% Remuneração acima de R$ 12.500,00 – Médicos (CFM) 8,5% A segmentação desses dados, em função da geografia do país, mostra que os patologistas do centro-oeste têm uma posição mais confortável, seguida pelos sulistas. Em posição intermediária há empate entre a remuneração dos profissionais do sudeste e do norte, ficando o nordeste com a menor remuneração, conforme os dados da tabela 6: Gráfico 9. Remuneração no exercício da Patologia ou Citopatologia de acordo com a região geográfica Remuneração (em mil reais) no exercício da patologia ou citopatologia de acordo com a região % 50,0 45,0 40,0 35,0 Até três Entre Três e Cinco 30,0 Entre Cinco e Dez 25,0 Entre Dez e Quinze Entre Quinze e Trinta 20,0 Acima de Trinta Sem Remuneração 15,0 10,0 5,0 0,0 Norte Nordeste Centro oeste Sudeste Sul 15 Foi possível a análise dos rendimentos, em função das horas trabalhadas, em laboratório privado. Abaixo, exemplificam-se as três principais faixas salariais: Remuneração de R$ 3.000 a R$ 5.000,00 – até 3 horas: 4,0% – 4 a 6 horas: 21,0% – 7 a 8 horas: 31,0% – 9 a 10 horas: 32,0% – acima de 10 horas: 12,0% Remuneração entre R$ 5.000 e R$ 10.000,00 – até 3 horas: 2,0% – 4 a 6 horas: 9,0% – 7 a 8 horas: 30,0% – 9 a 10 horas: 35,0% – acima de 10 horas: 24,0% Remuneração entre R$ 10.000 e R$ 15.000,00 – até 3 horas: 2,0% – 4 a 6 horas: 11,0% – 7 a 8 horas: 23,0% – 9 a 10 horas:41,0% – acima de 10 horas: 23,0% O quadro parece não provar uma relação direta entre horas de trabalho e remuneração, comparando-se as diversas faixas salariais. Observe-se que quase dois terços dos que recebem entre três e cinco mil reais trabalham de sete a dez horas diárias. Essa situação não é muito diferente nas duas faixas salariais seguintes. A remuneração provavelmente depende mais de outros fatores do que da carga horária, já tendo sido anteriormente demonstrada a relação mais forte com o vínculo de trabalho (empresário, assalariado, informal, etc.). A renda com as atividades em Patologia e Citopatologia também parece influenciada pelo gênero sexual. Na tabela a seguir, observa-se que nas faixas de remuneração inferiores a R$10.000,00, as mulheres são percentualmente predominantes. Entretanto, nos patamares superiores, o sexo masculino é representado mais do que o feminino, em termos percentuais. 16 Gráfico 10. Remuneração no exercício da Patologia ou Citopatologia de acordo com o sexo. Remuneração no exercício da patologia ou citopatologia de acordo com o sexo % 45,0 40,0 35,0 Até três 30,0 Entre Três e Cinco Entre Cinco e Dez 25,0 Entre Dez e Quinze 20,0 Entre Quinze e Trinta Acima de Trinta 15,0 Sem Remuneração 10,0 5,0 0,0 Homem Mulher Na Medicina privada, o patologista exerce sua profissão preferencialmente em Laboratório de Patologia (tabela 13). Na região sul, aproximadamente 70% dos entrevistados trabalham nesse setor, enquanto o percentual para as demais regiões oscila em torno de 50%. O laboratório clínico aparece como o segundo local de trabalho (20%) para os domiciliados na região norte. Essa tendência difere nas demais regiões, onde o laboratório clínico ocupa a quarta posição, referenciado em percentuais de 8% (centrooeste) a 2% (nordeste e sul). Excluindo os nortistas, a prestação de serviços em hospital e em faculdades particulares ocupa respectivamente a segunda e a terceira preferência para o exercício profissional, com cada parâmetro sendo referenciado por 9% a 12% dos entrevistados. 17 Gráfico 11. Local de trabalho na medicina privada, de acordo com a região geográfica Local de trabalho na medicina privada por região % 80,0 70,0 60,0 Laboratório de patologia 50,0 Laboratório clínico Clínica ou hospital 40,0 Ensino superior Outro 30,0 Nenhum 20,0 10,0 0,0 Norte Nordeste Centro oeste Sudeste Sul Satisfação com o trabalho e rendimentos A percepção do patologista sobre as mudanças em sua vida profissional foram consideradas, solicitando-se avaliações referentes aos últimos cinco anos de trabalho. A maioria informou ter havido aumento de seus rendimentos (40%), acompanhando o aumento da jornada de trabalho (54%), do prestígio profissional (49%). As condições de trabalho não se alteraram ou melhoraram para cerca de 71% dos entrevistados, mas, apenas 62,28% conseguem férias anualmente, enquanto outros 14,0% têm férias a cada dois anos. Há um contingente expressivo dos que param suas atividades apenas a cada cinco ou mais anos (17,81%). FIGURA 3. COMPORTAMENTO DA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO EM PATOLOGIA OU CITOPATOLOGIA NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS Comportamento da remuneração nos últimos cinco anos Aumentou 8% Não se alterou 40% 28% Diminuiu Não se aplica 24% 18 FIGURA 4. COMPORTAMENTO DA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO EM PATOLOGIA OU CITOPATOLOGIA NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS Comportamento da jornada de trabalho nos últimos cinco anos 11% Aumentou 7% Não se alterou Diminuiu Não se aplica 54% 28% A semana de trabalho do patologistas geralmente ocupa cinco (42,37%) ou seis (34,82%) dias da semana, havendo, nos extremos, quem trabalhe três ou menos dias por semana (7,19%) ou todos os sete dias da semana (8,08%). O gráfico 12 revela que a metade dos entrevistados ocupa-se diariamente com a a leitura de 30 exames anatomopatológicos ou menos, mas há um grupo (10,07%) que examina 60 ou mais casos por dia de trabalho. Como já assinalado, a Citopatologia é exercida por pouco mais de 70% dos patologistas. Nesta pesquisa, 36,18% encarregam-se do exame de lâminas após o screening, enquanto 34,18% fazem leitura de rotina. Esses dados estão detalhados no gráfico 13. 19 Gráfico 12. Leitura diária média de exames anatomopatológicos/PAAF por patologista Leitura diária média de exames anatomopatológicos/PAAF pelos profissionais patologistas % 30 28,44 25 20,78 20,31 20 15,00 15 10 4,69 5 6,09 4,69 0 Até 15 Entre 16 e 30 Entre 31 e 45 Entre 46 e 60 Entre 61 e 75 Mais de 75 Não faz parte da rotina Gráfico 13. Leitura diária média de exames citopatológicos por patologista Atividades diárias como colpocitologista Checagem de screening (menos de 50 casos) % 35 30 32,08 Checagem de screening (entre 50 e 100 casos) 27,99 Checagem de screening (mais de 100 casos) 25 Leitura de exames colpocitológicos (Até 30) 19,91 20 Leitura de exames colpocitológicos (entre 30 e 60) 15 10,84 Leitura de exames colpocitológicos (mais de 30) 10 6,31 5 5,31 1,88 Não exerce colpocitologia 3,43 Não informou 0 Além da busca de informação sobre o trabalho efetivamente realizado, solicitou-se uma auto-avaliação sobre a capacidade teórica, quantitativa para a leitura de exames anatomopatológicos e PAAF, se não houvesse simultaneamente atividades nas áreas de Citopatologia Ginecológica e administrativa. O percentual dos que afirmam poderem realizar mais de 60 casos por dia (26,88%) está mais de duas vezes acima do índice dos que atualmente declaram trabalhar com o mesmo número de casos (10,07%). Por outro lado, são muito semelhantes os números dos que informaram capacidade 20 para leitura de 16 a 60 exames diários (60,4%) com as percentagens obtidas para os que admitem atualmente realizarem esse quantitativo de trabalho (59,73%). Para mais precisa avaliação econômica dos patologistas entrevistados, utilizou-se o Critério de Classificação Econômica Brasil, que estima o poder de compra das pessoas e famílias urbanas. A partir desses índices, constata-se que a grande maioria (68%) pertence às classes A (A2 – 39%, A1 – 29%), enquanto 30% estão na classe B (B1 – 21%, B2 – 9%) e apenas 2% ficam na classe C. Não parece haver diferenças significativas quando esses dados são distribuídos em função de sexo ou mesmo região geográfica. Mas, há inversões estatísticas, quando as classes econômicas são relacionadas com o vínculo de prestação de serviço, conforme os exemplos a seguir:: Classe econômica A1 Proprietários de laboratório: 70% Não exercem medicina privada: 10% Trabalho informal: 8% Assalariados: 3% Contrato de prestação de serviços ou outros: 9% Classe econômica B2 Proprietários de laboratório: 10% Não exercem medicina privada: 30% Trabalho informal: 26% Assalariados: 12% Contrato de prestação de serviços ou outros: 22% Classe econômica C Proprietários de laboratório: 17% Não exercem medicina privada: 50% Trabalho informal: 5% Assalariados: 5% Contrato de prestação de serviços ou outros: 23% Associativismo e participação em movimentos de classe O vinculo com a SBP é muito estreito, indicado pelos 82,19% dos que referem estar associados à entidade. Esse número certamente não reflete a realidade do universo dos patologistas brasileiros, no qual o índice de filiação está em torno de 50%, como se infere da análise do cadastro geral de patologistas, da SBP. Este é um viés esperado desta pesquisa, que, sensibilizou de forma mais efetiva os patologistas associados à entidade. Os índices são muito mais baixos quando se pergunta sobre a filiação às seccionais estaduais ou à Associação Médica Brasileira, obtendo-se valores respectivos de 27,54% e 25,22%. Não obstante haver um contingente expressivo de profissionais atuando dentro da Citopatologia, o vínculo com a Sociedade Brasileira de Citopatologia (SBC) é baixo, representado por 19,25% dos entrevistados. 21 O pensamento dos patologistas sobre os movimentos de classe, em defesa da profissão, foi analisado na tabela 7. Gráfico 14. Engajamento do patologista nos movimentos classistas. % 80 75,2 70 Apoiar a SBP nas reinvidicações 60 50 40 Subscrever documentos aprovados em reuniões 41,8 32,3 Suspender atendimento a convenios 30 20 10 10,6 3,4 Não acredita em movimentos de defesa Sem opinião formada 0 Embora a grande maioria (75,2%) manifeste a disposição de apoiar a SBP, nas reivindicações classistas, muitos ainda podendo subscrever documentos aprovados em reuniões (41,8%), há um contingente menor que respondeu não acreditar em movimentos de defesa profissional (3,4%) ou não ter opinião formada (10,6%). Quase um terço dos entrevistados (32,3%) poderia suspender atendimentos a convênios, em defesa das propostas associativas. Entretanto, a metade (49,45%) não utiliza qualquer canal para emitir opiniões ou posições, em defesa da especialidade. Os que decidem manifestar-se utilizam o fórum PATOCITO (19,35%), comunicam-se com a SBP por cartas, e-mails ou telefonemas (15,5%), escrevem para o Jornal O Patologista (8,0%) ou para outros órgãos de classe, como a AMB e o CFM (4,09%). A visita a sites das entidades médicas (SBP, SBC, ABRALAPAC, AMB, CFM, etc.) foi indicada como semanal por pouco mais de um terço dos médicos (36%). O conhecimento do Código de Ética Médica foi dado como satisfatório ou muito bom por 61,4% dos entrevistados e como regular ou insuficiente por 36,95%. Percepção sobre o futuro da profissão De acordo com a tabela 13, apenas 28% dos entrevistados consideram o futuro com otimismo. A percepção de mais da metade dos profissionais indica um cenário de incerteza (43%) ou pessimismo (12%), havendo os que acreditam em poucas mudanças para os próximos anos (15%). 22 Figura 5. Expectativa sobre o futuro da especialidade Patologia Expectativa sobre o futuro da especialidade de patologia 2% 15% 28% Otimismo Incerteza Pessimismo 12% Poucas Mudanças Sem opínião formada 43% Gráfico 15. Expectativa sobre o futuro da especialidade Patologia de acordo com a faixa etária Expectativa sobre o futuro da especialidade patologia de acordo com a faixa etária % 60,0 50,0 40,0 Otimismo Incerteza 30,0 Pessimismo Poucas Mudanças Sem opínião formada 20,0 10,0 0,0 Entre 20 e 25 Entre 26 e 30 Entre 31 e 35 Entre 36 e 40 Entre 41 e 45 Entre 46 e 50 Entre 51 e 55 Entre 56 e 60 Entre 61 e 65 Entre 66 e 70 Entre 71 e 75 Mais de 76 No início de carreira, a expectativa de incerteza é acentuada (52%), mantendo-se acima da média, em todas as faixas etárias, até os 55 anos. Os otimistas correspondem a 33% dos jovens com até 30 anos. Esse índice oscila entre 22% e 25%, quando se consideram os profissionais na faixa compreendida entre 31 anos e 56 anos. Após os 56 anos, há um leve aumento do índice de otimismo (25% a 35%), enquanto os pessimistas mantêm-se entre 8% e 10%, em quase todas as faixas, excetuando-se aqueles entre 56 e 60 23 anos (20%) e acima de 76 anos (35%), conforme resumem os quadros a seguir: Faixa etária: 23 a 30 anos – Incerteza 43% a 52% – Otimismo 34% – Pessimismo 4% a 8% Faixa etária: 31 a 55 anos – Incerteza 45% a 48% – Otimismo 23% a 26% – Pessimismo 10% a 12% Faixa etária: > 56 anos – Incerteza – Otimismo – Pessimismo 19% a 29% 25% a 35% 10% a 35% Assuntos ético-profissionais Considerando o grande contingente de patologistas que atuam também como citopatologistas, um quesito desta pesquisa foi destinado a saber se a classe considera o exame colpocitológico como um ato médico (figura 6). Como resultado, a grande maioria dos entrevistados (83,4%) rejeita totalmente a realização desse procedimento por não-médicos (farmacêuticos, bioquímicos, biomédicos, biólogos), em sintonia com as recomendações do Conselho Federal de Medicina. Entretanto, alguns patologistas aceitam essa proposta, parcialmente (12,4%) ou plenamente (1,7%). 24 Figura 6 - Opinião sobre a realização de Citopatologia Ginecológica por nãomédicos Opinião sobre a realização de citopatologia ginecológica por não médicos Concorda Plenamente Concorda Parcialmente Discorda 12,4 Sem Opinião 83,4 Não Informou 1,7 0,9 1,7 Figura 7 - Opinião sobre o pagamento de taxas ou comissões por patologistas ou citopatologistas em favor de laboratórios clínicos ou outros serviços médicos (%) Opinião sobre o pagamento de taxas ou comissões por patologistas ou citopatologistas em favor de laboratórios clínicos ou outros serviços médicos (% ) 9,73 Concorda plenamente Concorda palcialmente Discorda totalmente 7,63 73,78 0,66 Discorda parcialmente Sem opinião Não informou 1,11 7,08 Quando se perguntou pelo pagamento de taxas ou comissões por patologistas ou citopatologistas, sobre o valor dos exames realizados, em favor de laboratórios clínicos ou outros serviços médicos (figura 7), o percentual de discordância com essa prática foi 73,78% (discordância total) e 9,73% (discordância parcial). Os que concordam com a proposta aparecem em percentual de 1,1% (concordância total) ou 7,08% (concordância parcial). 25 Essas respostas não sofreram grandes variações, em função de idade ou região geográfica do país. A opinião sobre as atividades de tercerização em Anatomia Patológica, praticada pelos megalaboratórios clínicos, além das fronteiras dos estados onde estão domiciliados, foi assim respondida: Discordância total – Discordância parcial – Concordância parcial Concordância total - 73,78% 9,73% 7,08% 1,11%. Figura 8. Opinião sobre a terceirização em Anatomia Patológica além dos estados de domicílio Opinião sobre a terceirização em anatomia patológica além dos estados de domicílio 0,66 14,16 4,98 1,77 7,41 Concorda plenamente Concorda parcialmente Discorda totalmente Discorda parcialmente Sem opinião Não informou 71,02 O suposto erro médico foi motivo de denúncia para 14,60% dos entrevistados, que foram absolvidos (7,74%) ou condenados (0,88%), havendo ainda processos em andamento (7,19%). As queixas foram encaminhadas para o Conselho Regional de Medicina (4,54%) ou, mais freqüentemente, para instâncias jurídicas (13,49%). Um pequeno percentual foi processado duas vezes, na justiça (1,99%) ou CRM (0,55%). A referência a três processos na justiça foi feita por apenas 0,55% dos entrevistados. Com o objetivo de auferir a inserção dos patologistas em movimentos recentes da classe médica, especialmente no tocante à defesa da remuneração, com a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, perguntou-se, qual o preço de uma biópsia, proposto pela CBHPM. A resposta correta (R$ 55,00) foi fornecida apenas por aproximadamente um terço dos patologistas (33,96%). 26 Valores humanos Grau de importância da ética e honestidade na vida dos Gráfico 16 – patologistas Grau de importância da ética, honestidade na vida dos entrevistados 94,80 % 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 4,09 Muito importante Importante 0,00 Pouco importante 0,11 1,00 Sem importância Não informou Quadro 1 – Grau de importância de diversos valores humanos na vida dos patologistas Muito importante Importante Ética, honestidade Saúde pessoal 94,8% 4,09% Pouco ou Não informou: sem importância 0,11% 1,0% 80,31 17,04 1,55 1,11 Afetividade 80,31% 15,71% 0,88% 2,43% Justiça social Estabilidade econômica 75,77 67,15% 21,35 31,08% 1,88 0,66% 1,00 1,11% Convivência 64,05% 32,52% 1,99% 1,44% Cultura geral Ordem social Religião Liderança 61,17 53,54 28,54 24,89 32,06 39,27 33,52 49,89 2,21 5,31 36,39 24,01 0,55 1.88 1,55 1,22 27 O quadro anterior revela que os valores humanos mais importantes para os patologistas são a ética e honestidade, o que está em harmonia com a natureza do exercício médico, já que estes podem ser considerados valores naturais e intrínsecos da Medicina. Como muito importante também se destacam a saúde pessoal e afetividade, na avaliação de 80,31% dos especialistas. Em postos intermediários ficaram a justiça social, a estabilidade econômica, a convivência, a cultura geral e a ordem social. É interessante observar que esses valores continuam sendo considerados importantes, como constatado pela soma das avaliações de “muito importante” com “importante” e obtenção de percentuais que variam de 97,35% (saúde pessoal) a 92,81% (ordem social). Os dois valores julgados menos importantes foram religião e liderança. Apesar de ética e honestidade representarem um atributo de orientação social, outros valores dessa categoria (afetividade, convivência, religiosidade) nem sempre foram considerados mais importantes, em relação aos chamados valores centrais (estabilidade econômica, saúde pessoal, justiça social). Esse resultado difere do apresentado pelo CFM (2003), para os médicos, que deveriam valorizar principalmente as relações inter-pessoais (relação médicopaciente e entre médicos) e o convívio (preocupação com o coletivo, com a saúde da comunidade), mesmo com sacrifício para as atitudes de orientação pessoal. Não obstante a liderança (valor pessoal, de realização) ter recebido a menor atenção dos patologistas, a saúde pessoal e a estabilidade econômica (valores centrais) foram julgados importantes por expressiva maioria (respectivamente 97,35% e 98,23%). A saúde e o lazer Pouco mais de um terço dos patologistas não consegue férias, a cada ano, havendo um número expressivo (um quinto) que só suspende as atividades profissionais a cada quatro anos. O lazer semanal é referenciado por 75,44% dos entrevistados, mas há muitos (16,88%) para os quais essa necessidade é satisfeita uma vez por ano ou raramente. Entretanto, conforme demonstra a tabela 20, quase 80% se dedicam a algum tipo de hobbie não médico (tabela 20), principalmente a algum tipo de esporte (30,86%). Outras atividades dessa natureza comuns dentro da categoria são: música ou dança (22,23%), fotografia (9,51%), artes (pintura, desenho, teatro, etc – 4,98%), coleções diversas (5,42%) e atividades literárias (4,98%). 28 Gráfico 17. Referência à prática de hobbies não-médicos por patologistas Hobbies não médicos % 40 Fotografia 33,96 35 Pintura, desenho, teatro ou outras formas de arte 30,86 30 Escrever poesias, crônicas, contos, romances 25 22,23 Música, dança 19,03 20 Esporte 15 10 Coleções (selos, livros, raridades, etc) 9,51 9,29 Outro 4,98 5,42 Nenhum 5 0,88 0 Não informou Há um grande grupo que pratica outros hobbies não previstos na entrevista (33,96%). A leitura de livros não-médicos foi referida como semestral por 65,04% ou anual por 2,79% dos indivíduos, havendo os que lêem um livro a cada dois ou três anos (3,96%) ou nunca (4,09%). A freqüência a cinema é de 63,27% (uma vez por mês), 19,03% (uma vez ou duas vezes por ano) ou 17,04% (raramente). A música é apreciada de forma regular (69,80%), apenas no automóvel (19,91%) ou raramente/nunca (9,84%). Para avaliação da saúde pessoal, foi incluída um inquérito sobre o hábito de fumar e beber (gráficos 18 e 19). A grande maioria (83,96%) não é fumante, enquanto o vício é referido por 5,53% dos entrevistados, havendo um grupo que abandonou o fumo há menos de seis meses (0,77%) e outro há mais de seis meses (3,32%). O consumo de bebidas alcóolicas é indicado como diário (4,98%) ou em finais de semana (50,66%), mas apenas 0,55% julgam-se dependentes. 29 Gráfico 18. O fumo entre os patologistas entrevistados Fumantes % 90 83,96 Não 80 Esporádico 70 60 Regular 50 Abandonou a menos de seis meses 40 30 abandonou a mais de seis meses 20 5,97 5,53 10 NI 0,77 3,32 0,44 0 Gráfico 19. O consumo de bebidas alcoólicas entre os patologistas entrevistados Consumo de bebidas alcoólicas % 60 50 50,66 41,59 40 30 20 10 4,98 0,55 2,21 Dependente Não informou 0 Raramente Diariamente Finais de semana Uma abordagem sobre procura a assistência médica, avaliou de forma genérica a situação dos últimos dois anos (gráfico 20). A realização de exames preventivos foi preocupação de 68,92%. Problemas de visão são relatados por 52,43% dos indivíduos. Doenças dermatológicas constituíram a terceira causa de consulta (20,46%), seguida por referência a doença crônica, de natureza clínica ou cirúrgica (16,70%), correções estéticas (13,38%), doenças agudas (10,51%), traumatismos (6,53%) e outros problemas (3,54%). Apenas 5,54% dispensaram assistência médica, nos últimos dois anos. 30 Gráfico 20. A procura por assistência médica nos últimos dois anos referida pelos patologistas entrevistados Procura por assistência médica nos últimos dois anos % 80 70 68,92 Exame preventivos Doença crônica, clínica ou cirúrgica 60 52,43 Consulta dermatológica 50 Estética Doença aguda, clínica ou cirúrgica 40 Traumatismo/Acidente Doença reumatológica 30 20 10 16,70 Problemas de visão 20,46 13,38 Outros problemas 11,84 10,51 6,53 3,54 Não faz consulta 5,64 0 DISCUSSÃO Esta pesquisa, elaborada com objetivo de censo, mas, não sendo obrigatória, perde essa condição, uma vez que a participação voluntária exclui um universo significativo de indivíduos, que, por razões diversas, não puderam ou não concordaram em colaborar com esse chamado da SBP. Tal viés pode ensejar a discussão se a amostra final é probabilística ou de conveniência (não-aleatória). Em defesa desta última hipótese, pode-se supor que os nãoparticipantes foram em sua maioria os não-associados da SBP, que talvez constituam um grupo de profissionais com características diferentes dos patologistas associados. Seriam indivíduos com menor poder aquisitivo (explicando o afastamento do associativismo)? Seriam indivíduos menos engajados ou indiferentes aos problemas de classe? No momento, não há como responder essas questões, mas, esses argumentos não são suficientes para refutar a hipótese de que os 904 participantes da pesquisa constituem uma amostra aleatória. Não existem dados precisos sobre o contingente de patologistas brasileiros, constando, nos arquivos da SBP, no ano deste trabalho, um banco de dados com 2300 profissionais. Esse número certamente é muito próximo do universo de especialistas em Patologia, de forma que não há como relevar a significância de dados fornecidos por 40% desse contingente. Por outro lado, os questionários do trabalho foram distribuídos e divulgados em todo o território nacional, utilizando-se o Correio (para todos os 2300 patologistas cadastrados), a internet e vários eventos científicos promovidos pela SBP ou suas seccionais. Significa que a amostra inclui patologistas de todo o Brasil, de serviços públicos ou privados, de profissionais e residentes em formação, de docentes e não-docentes. O tamanho da amostra e o alcance da pesquisa, no território nacional são os principais argumentos para considerar que os dados da pesquisa podem ser estatisticamente tratados de forma probabilística. 31 CONCLUSÕES PRELIMINARES A partir desta pesquisa, com o objetivo de delinear o perfil dos patologistas brasileiros, pode-se afirmar que, na amostra estudada: 1. Não se identificou predomínio significativo dos seguintes atributos: • Sexo, embora as mulheres sejam discretamente predominantes • Local de nascimento, comparando-se as capitais e as cidades do interior 2. Os seguintes atributos definem características relevantes, para definição de um perfil: • Estado civil – há predomínio de casados ou ex-casados, em relação a solteiros • Domicílio – a maioria dos patologistas reside em capitais e concentra-se principalmente nas regiões sul e sudeste do país. A metade está domiciliada em cidade com um milhão de habitantes ou mais • Ano de graduação – o número de profissionais graduados há mais de dez anos é predominante, mas quase a metade dos profissionais concluiu seu curso médico há mais de 20 anos. • Idade – os jovens de menos de 40 anos são numericamente equivalentes aos mais velhos com idade de 46 anos ou mais • Pós-graduação – é referida pela maioria dos patologistas, predominando a residência médica, seguida pelo curso de mestrado • Título de especialista – o TE em Patologia é referido por quase dois terços dos profissionais, enquanto um quarto informa possuir o TE em Citopatologia • Inserção científica – a grande maioria freqüenta anualmente cursos e congressos da especialidade, como têm acesso a periódicos médicos impressos ou eletrônicos. Um contingente menor, mas expressivo é palestrante em eventos científicos, como também publica trabalhos em revistas médicas. • Remuneração pelo exercício da especialidade – geralmente inferior a R$ 10.000,00, sendo que mais de um terço refere renda inferior a R$ 5.000,00. Os patamares superiores (> R$ 10.000,00) de remuneração são auferidos principalmente pelos proprietários de laboratório. • As mulheres predominam entre os patologistas com rendimento inferior a R$ 10.000,00. Acima desse teto, há mais profissionais do sexo masculino, em termos percentuais. • Poder de compra – a grande maioria pode ser enquadrada na classe econômica A (A1 e A2), com cerca de um terço dos profissionais na classe B (B1 e B2) e uma minoria na classe C, de acordo com o Critério Classificação Econômica Brasil. O veículo principal da família é estimado em R$ 30.000,00 pela metade dos patologistas. • Rotina de trabalho – a realização de exames anatomopatológicos é a atividade majoritária, seguida pela Citopatologia (ginecológica e não ginecológica). A biópsia de congelação é parte da rotina de dois terços dos patologistas, mas as necropsias são realizadas apenas por um quarto dos profissionais. 32 • • • • • • • Atividade laboral – a leitura média de trinta exames diários é referida por cerca da metade dos patologistas. Atividade empresarial – a metade dos patologistas é proprietária de laboratório Vínculos para prestação de serviços na Medicina privada – poucos patologistas são assalariados, no setor privado. Local de trabalho na Medicina privada – o Laboratório de Patologia é onde a maioria exerce sua atividade profissional, principalmente na região sul. O trabalho em laboratórios clínicos, hospitais e faculdades particulares é menos freqüente, sendo variável, de acordo com a região geográfica Condições de trabalho – pouco menos da metade dos patologistas referem ter conseguido aumento de rendimentos, das condições de trabalho e remuneração, nos últimos cinco anos, entretanto, menos de dois terços conseguem férias anuais Expectativas – mais da metade da classe entrevistada observa o futuro com incerteza ou pessimismo Atitudes éticas - a maioria absoluta dos patologistas: o Considera o exame colpocitológico como ato médico exclusivo o Discorda da tercerização de exames da especialidade por megalaboratórios clínicos o Rejeita a prática da concorrência desleal, efetivada com pagamento de comissões para recebimento de exames. o Considera a ética e a honestidade como os valores humanos mais importantes 33