O Perfil do Patologista
Brasileiro
Carlos Alberto Fernandes Ramos
Maria Salete Trigueiro de Araújo
Aspectos da vida, formação e trabalho
dos médicos patologistas brasileiros
1
_______________________________________________________
O PERFIL DOS PATOLOGISTAS BRASILEIROS
Carlos Alberto Fernandes Ramos
Maria Salete Trigueiro de Araújo
Colaboradores
Luiz Rodrigues de Freitas
Luiz Fernando Bleggi Torres
Revisão e aprovação
Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Patologia
Diagramação
Maria Salete Trigueiro de Araújo
DIRETORIA EXECUTIVA 2005-2007
Presidente Luiz Antônio Rodrigues de Freitas (BA)
Vice-Presidente p/ Assuntos Acadêmicos Helenice Gobbi (MG)
Vice-Presidente p/ Assuntos Profissionais Luiz Vitor de Lima Salomão (SP)
Secretária Geral Geanete Pozzan (SP)
Secretária Adjunta Andréa Rodrigues Cordovil Pires (RJ)
Tesoureiro Renato Lima de Moraes Jr. (SP)
Tesoureiro Adjunto Emílio Marcelo Pereira (SP)
DIRETORIAS
Comunicação Social Maria do Carmo de Abreu e Lima (PE)
Especialidades Romualdo Correia Lins Filho (PE)
Científica Fernando Augusto Soares (SP)
Ensino Luciano Neder Serafino (SP)
Informática Clovis Klock (RS)
Defesa Profissional Carlos Alberto Fernandes Ramos (PB)
Controle de Qualidade Maurício Barcelos Costa (GO)
Relações Internacionais José Vassallo (SP)
CONSELHO FISCAL:
Hélcio Luiz Miziara (DF); Carlos José Serapião (SC); Carlos César Formiga
Ramos (RN); Leônidas Braga Dias Jr. (PA) (Suplente)
CONSELHO CONSULTIVO:
Luiz Fernando Bleggi-Torres (PR); Marcello Fabiano de Franco (SP); Elias
Fernando Miziara (DF)
ASSESSORIAS ESPECIAIS
- AMB: Luís Vitor de Lima Salomão (SP)
- PLANEJAMENTO EM INFORMÁTICA: Celso Rubens Vieira e Silva
(SP)
- FOMENTO À PESQUISA: Albanita Viana de Oliveira (RJ)
- DEFESA PROFISSIONAL: Maria Salete Trigueiro de Araújo (PB)
- ESPECIALIDADES: Elton Almeida Lucas (ES)
JORNAL BRASILEIRO DE PATOLOGIA: - EDITOR: Venâncio Avancini Ferreira Alves (SP)
- ADJUNTO: Washington Luís Conrado dos Santos (BA)
PRESIDENTE DO XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DE PATOLOGIA: Carlos Thadeu Cerski (RS)
Publicação da
Sociedade Brasileira de Patologia (SBP)
Rua Ambrosina de Macedo, 79
Vila Mariana - CEP 04013-030
São Paulo – SP
[email protected]
2007
2
INTRODUÇÃO
Os dados sobre a vida e o trabalho dos médicos brasileiros são
escassos, destacando-se a mais recente pesquisa, realizada pelo CFM. Esse
estudo, de inestimável valor, entretanto, pode não refletir as particularidades de
uma classe de especialistas, que não pertencem ao grande contingente de
clínicos ou cirurgiões e representam apenas 0,7% do total de médicos do país.
Torna-se clara a necessidade de um estudo próprio para delineamento do perfil
do patologista brasileiro. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) assumiu
esse projeto em um momento especial da história do exercício profissional,
quando começaram as grandes mobilizações para recuperação do prestígio da
classe médica.
METODOLOGIA
Um questionário para a pesquisa sobre a vida e trabalho dos
patologistas brasileiros foi inicialmente elaborado pelo Departamento de Defesa
Profissional da SBP e depois submetido à consulta pública, via internet,
incorporando várias sugestões para a sua versão final (anexo I). Também foi
preparado um regulamento (anexo II), admitindo-se que as respostas poderiam
ser enviadas pelos Correios ou confiadas aos membros da diretoria da SBP,
durante eventos científicos, programados para o período da coleta de dados. O
estímulo à devolução de respostas, em reuniões científicas de várias
seccionais, objetivou melhorar o índice de participação, que, geralmente, limita
as pesquisas por meio dos Correios. Questionário e gabarito de respostas
foram enviados para os sócios da SBP, como encarte do Jornal O Patologista,
enquanto o mesmo material foi enviado aos não-sócios, via mala direta.
Também ficou disponível para impressão, no site da SBP, mas sem
possibilidade de resposta on line, via internet, por limitações operacionais. Para
garantir sigilo, não se solicitou assinatura de gabaritos, cuidando-se para que
estes fossem retirados dos envelopes, sem a identificação do remetente. Os
envelopes vazios foram reunidos em urna para sorteio de prêmios, que
estimularam a maior participação dos patologistas.
Foram elaboradas cento e três questões, a grande maioria do tipo
múltipla escolha, com número de alternativas variáveis (três a oito), havendo
possibilidade de mais de uma resposta por questão. Foram colocadas em sete
blocos, o primeiro deles reservado para dados de identificação geral, enquanto
o último, com vinte e três questões, destinou-se exclusivamente aos
patologistas proprietários de laboratório. Os demais blocos abordaram
qualificação e atualização científica; o trabalho; assuntos éticos e profissionais;
o lazer e a saúde pessoal; as atitudes frente à vida e aos valores humanos.
Com esse inquérito, objetivou-se conhecer melhor os médicos que
exercem ou exerceram profissionalmente a especialidade Anatomia Patológica,
incluindo professores, pesquisadores e os que estão em fase de residência
médica. A preocupação em conseguir um alto índice de devolução de gabaritos
respondidos foi decisiva para determinar a extensão do questionário,
3
eliminando-se quesitos considerados menos importantes ou respostas
dissertativas.
A coleta e análise de tais dados constituem farto material para esboço
do perfil do patologista brasileiro e melhor conhecimento da realidade dos
problemas dessa classe profissional. Os indicadores de vulnerabilidade
servirão para que se reflita sobre as dificuldades do acesso ao mercado de
trabalho e também para o planejamento de ações eficazes para o aumento do
grau de satisfação com o exercício da especialidade.
No cadastro de 2005 da SBP, constavam 2436 que patologistas
cadastrados. Esta é a população objeto desta pesquisa em que se tomou uma
amostra quase aleatória de 904 patologistas. Assim, alcançou-se uma fração
amostral de 37,1%, ou seja: a cada 100 patologistas aproximadamente 37
participaram da amostra. A amostra obtida de 904 respondentes satisfaz a uma
confiança de 97% com uma margem de erro de 3%, de acordo com a
determinação do tamanho amostral dada pela equação:
z 2 PQ
,
d2
n=
1  z 2 PQ 
1 + 
− 1
N  d2

Onde:
z = percentil da curva normal;
P = Proporção da característica avaliada
Q = 1- P
d = Margem de erro
N = tamanho da população = 2456.
RESULTADOS
Os patologistas brasileiros: predomínio do sexo feminino
Amostra: 904 patologistas
Homens – 43,30%
Mulheres – 56,70%
O teste Qui-Quadrado confirma a hipótese de que há diferença estatística
no número de patologistas homens e mulheres (Qui-Quadrado igual 16,495
com Valor-P < 0,0001).
4
Gráfico 1. Distribuição dos patologistas entrevistados de acordo com o
sexo
Sexo dos Entrevistados
%
60
55,20
50
Homens
43,36
Mulheres
40
Não Informaram
30
20
10
1,44
0
A participação feminina foi discretamente maior, em oposição às
informações colhidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM, 2003), que
consideram a Medicina como uma profissão majoritariamente exercida pelo
sexo masculino (69,8%).
A maior participação das mulheres na especialidade:
• médicas com idade inferior a 55 anos e com mais de 30 anos
• a partir das turmas graduadas em Medicina, entre os anos de 1971 e
1975
Gráfico 2. Distribuição dos patologistas brasileiros por sexo e faixa etária
Distribuição de sexo por faixa etária
20
18
16
14
12
Homem
10
Mulher
8
6
4
2
76
in
fo
rm
ou
75
N
ão
a
a
de
M
ai
s
70
71
65
66
a
61
a
60
55
56
a
50
51
a
45
46
a
41
a
40
35
36
a
31
a
26
a
25
30
0
20
%
Faixa etária (anos)
5
Gráfico 3. Distribuição por sexo e ano de graduação dos patologistas
entrevistados
Distribuição de sexo por ano de graduação
% 9,0
8,0
7,0
6,0
5,0
HOMEM
4,0
MULHER
3,0
2,0
1,0
ou
in
fo
rm
-2
00
5
ão
N
20
00
-2
00
0
-1
99
5
19
96
-1
99
0
19
91
-1
98
5
19
86
-1
98
0
19
81
-1
97
5
19
76
19
71
-1
97
0
19
65
<1
96
5
0,0
Há poucas mulheres-patologistas com mais de 61 anos. É curioso observar
uma nova tendência, nas gerações em formação ou que estão iniciando a vida
profissional, na faixa dos 26 a 30 anos. Nessa faixa particular, os profissionais
masculinos são mais numerosos, podendo refletir um renovado interesse dos
homens pela Patologia. Essa hipótese só poderá ser respondida a partir de
outros estudos, que poderão ser realizados nos próximos anos.
Considerando-se as faixas etárias 91 a 95, 96 a 00 e 00 a 05 pode-se
concluir segundo o teste Qui-Quadrado, cuja estatística de teste é 8,94 com
Valor-P = 0,011 (< 0,05), que o número de patologistas nestas faixas etárias
apresenta diferença estatística significante. Aplicando a técnica multivariada
Análise de Correspondência, pode-se perceber na figura abaixo (conhecido por
mapa perceptual ou diagrama de Sheppard) que a faixa etária 00 a 05 está
mais próxima do sexo masculino. É muito provável que o número de
patologistas masculinos supere o de patologistas mulheres na faixa etária mais
recente.
6
1,0
Masculino
96 a 00
00 a 05
,5
0,0
-,5
-1,0
Feminino
91 a 95
Sexo
-1,5
Faixa etária
-1,0
-,5
0,0
,5
1,0
300
250
200
H
150
M
100
50
5
-0
00
96
-0
0
5
91
-9
0
-9
86
-8
81
76
-8
0
5
-7
71
-7
65
-50
5
0
0
Taxa de crescimento do número de
patologistas
A medida de associação V de Cramer apresenta valor 0,218 apresentando
Valor-P < 0,001. Portanto há associação significativa entre Sexo e faixa etária.
A hipótese de que nas faixas etárias mais recentes há predominância do sexo
masculino é significante.
Faixa etária
Observe que a taxa de crescimento do número de patologistas nas duas
últimas faixas etárias é negativa, mostrando que a categoria está se
encolhendo e que nos últimos anos há uma tendência do crescimento de
homens se aproximarem
ou até mesmo ultrapassarem o número de
patologistas mulheres. Até o ano de 1990 houve decrescimento desta
categoria. A última tendência é de queda do crescimento do número de
patologistas. O cenário das necessidades dos serviços da patologia são
crescentes, em uma população que possui taxa de crescimento positiva
enquanto isso o quadro da taxa de crescimento do número de patologistas
está se aproximando de zero ou é negativa. Esta situação requer uma
divulgação desta área médica com vistas a atrair mais profissionais.
7
Dados geográficos
Domiciliados na capital: 62,83%
Em cidades com mais de um milhão de habitantes: 51,88%
Nascidos em:
Capital: 49,12%
Interior: 46,35%
Estrangeiro: 1,77%
Das regiões:
•
Norte: 1,99%
•
Nordeste: 23,01%
•
Centro-oeste: 4,99%
•
Sudeste: 43,01%
•
Sul: 22,12%
A grande concentração dos patologistas entrevistados está domiciliada
na região sudeste (43,01%), preferencialmente nas capitais (62,83%). O menor
contingente assentou-se na região norte. Esses dados correlacionam-se com a
distribuição dos médicos, no território brasileiro, conforme pesquisa do CFM
(2003). Também se constatou que pouco mais da metade (51,88%) dos
profissionais referem trabalhar em cidades com mais de um milhão de
habitantes. Apenas 0,8% servem profissionalmente a mais de um estado, em
contraposição ao percentual de 2,1%, apontado pelo CFM (2003), para os
demais especialistas.
Movimento migratório
O gráfico 4 comprova o movimento migratório de profissionais da capital
para o interior. Cerca de 81% dos entrevistados nasceram e continuam
domiciliados nas capitais. Dos patologistas nascidos em cidades do interior,
54,4% permanecem interiorizados, enquanto quase 50% passaram a residir
nas capitais.
8
Gráfico 4. Distribuição atual dos patologistas entrevistados em função do
domicílio e do local de nascimento
60
Domicílio atual dos entrevistados vs local de nascimento
(por região brasileira)
48,3148,97
50
40
Domicilio atual
27,86
25,06
30
Local de nascimento
20
15,5415,44
7,47
10
3,61 3,14
4,58
0
NORTE
NORDESTE
CENTRO
OESTE
SUDESTE
SUL
Perfil etário dos patologistas
Idade média – 43,84 anos (23 a 88 anos)
Faixa etária de 20 a 40 anos: 43,58%
Faixa etária de 46 a 65 anos: 41,37%
Graduados há:
10 anos ou menos:
26%
Mais de 10 a menos de 20 anos:19%
mais de 20 anos:
47%
Um significativo contingente dos patologistas entrevistados (47%) referiu
ter mais de 20 anos de formados, muito próximo aos resultados da pesquisa do
CFM (2003), que mostra um percentual de (48,2%) de médicos graduados a
menos de 15 anos.
Perfil dos patologistas brasileiros: estado civil; influências familiares na
escolha da especialidade
De acordo com os gráficos abaixo, percebe-se que a maioria dos
patologistas é casada e que quase 40% refere ter parente próximo (primeiro
grau) na família. O percentual de patologistas ou citopatologistas na família é
13,83%.
9
Gráfico 5 – Distribuição dos patologistas entrevistados de acordo com o estado
civil
Estado civil dos entrevistados (% )
%
70
60,24
60
50
40
30
24,05
20
9,24
10
4,90
1,56
0
Solteiro
Casado
Divorciado
Viúvo
União
Estável
Figura 1. Referência a patologistas ou citopatologistas na família
Patologista ou citopatologista na família
1,11
1,66
5,09
3,87
3,76
Pai
Mãe
Irmão
Filho
Nenhum
Não informou
86,06
10
Figura 2. Referência a médicos não-(cito)patologistas na família
Outras especialidades médicas na família
1,99
11,50
2,77
Pai
Mãe
19,14
Irmão
Filho
Nenhum
66,37
6,08
Não informou
A qualificação profissional dos patologistas brasileiros
Residência médica – 75,7%
Mestrado – 24,6%
Doutorado – 14,8%
Estágios – 25,7%
Patologistas com títulos de especialista emitidos pela AMB:
• Patologia – 63,8%
• Citopatologia – 25,2%
Acesso regular a periódicos impressos ou eletrônicos: 74,33%
Publicação científica constante (anual) – 22,83%
Apresentação científica em congressos – 15,84%
Participação no PICQ – 56,97%
Participação em congressos de Patologia ou Citopatologia (pelo menos
a cada 02 anos) – 76,77%
Participação em eventos científicos (uma vez ou mais por ano): 74,66%
Acesso freqüente à internet: 78,6%
11
Gráfico
6.
Situação
atual
dos
patologistas
entrevistados
Situação atual dos entrevistados
% 80
72,12
70
Residente
60
Mestrando
50
Doutorando
40
Pós-doutorando
Estagiário
30
20
Profissional
11,50
10
7,96
Inativo
5,97 3,98
0,88
1,11
0
Grande parte dos patologistas realizou algum curso de pós-graduação,
principalmente a residência médica (72,12.%) e obteve o título de especialista TE (63,8%). A busca por essa última titulação é mais intensa após os 35 anos
de idade, observando-se que, nessa faixa etária, os patologistas sem TE (em
Patologia) correspondem a 17% de toda a amostra, enquanto os titulados são
13,5% do mesmo universo. Uma inversão significativa dessa situação é
observada entre os 45 e 60 anos, quando os portadores de TE são 35% e os
não titulados apenas 4,5% dos patologistas entrevistados.
Gráfico 7. Titulação acadêmica dos patologistas entrevistados, em função da
faixa etária
Titulação acadêmica por faixa etária
% 25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
Entre 20 Entre 26 Entre 31 Entre 36 Entre 41 Entre 46 Entre 51 Entre 56 Entre 61 Entre 66 Entre 71 Mais de
e 25
e 30
e 35
e 40
e 45
e 50
e 55
e 60
e 65
e 70
e 75
76
Residente
Mestre
Doutor
Pós-Doutor
Livre Docente
Estágios
Em Formação
12
A percentagem de patologistas com mestrado (24,6%) ou doutorado
(14,8%) é bem maior do que verificado pelo CFM (2003), na população médica
geral (respectivamente 14% e 6,8%). Não se constataram diferenças
significativas nos percentuais relativos à qualificação profissional, quando se
comparam os dados por sexo.
Para completar o entendimento da inserção científica do patologista
brasileiro, observa-se que 76,77% dos entrevistados participaram de congresso
nos últimos dois anos, dos quais um percentual de 15,84% apresenta trabalhos
ou ministra aulas. Com relação a publicações científicas, são 22,3% os que têm
pelo menos um artigo anual divulgado em periódico médico. Os que
conseguem publicar um artigo a cada dois ou três anos são 14,13%. Um
percentual de 74,33% informa ter acesso regular ou freqüente a periódicos,
quer impressos ou eletrônicos.
Ainda é importante ressaltar que 82,19% dos patologistas referiram ser
membro da SBP, enquanto 19,25% pertencem à SBC, ainda havendo um
contingente expressivo (21,24%) no quadro de outras associações científicas.
Apenas 9,85% dos entrevistados não são membros de qualquer entidade
médica. No universo médico geral, são 71,3% os afiliados a alguma instituição
profissional, conforme a pesquisa realizada pelo CFM (2003).
Em resumo, a inserção científica dos patologistas pode ser considerada
satisfatória, em função da participação deles em congressos e cursos, como
assistente ou conferencista, bem como por haver um expressivo contingente
que publica trabalhos científicos, freqüentemente ou eventualmente, Também é
alto o número dos que têm acesso a periódicos para atualização médica.
O trabalho e a remuneração
Trabalham exclusivamente com Patologia ou Citopatologia:
65,83%
Proprietários de laboratório – 50,6%
Trabalho informal ou contrato não-trabalhista – 25,8%
Trabalham com vínculo empregatício – 10,3%
Não prestam assistência na área privada – 16,0%
Remuneração inferior a R$ 5.000,00 – 38,49%
Remuneração entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00 – 36,62%
Possui veículo de valor < R$ 30.000,00 – 50,47%
Rotina de trabalho
– Exames anatomopatológicos: 95,96%
– Exames colpocitológicos: 75,31%
– Citologia não-ginecológica: 75,62%
– Biópsias de congelação: 66,93%
– Imunoistoquímica: 39,44%
– Necropsias não-fetais: 25,31%
– Necropsias fetais: 26,24%
13
Esta pesquisa mostra que o patologista é um profissional com atividade
voltada, predominantemente, para a realização de exames anatomopatológicos
(95,96%), mas havendo um grande contingente dedicado a atividades na área
da Citopatologia (ginecológica e não-ginecológica). Aproximadamente dois
terços dos entrevistados referem contar na rotina com biópsias de congelação,
enquanto quase 40% também trabalham com imunoistoquímica. A realização
de necropsias está restrita a aproximadamente um quarto da classe.
É expressivo o número de profissionais que se dedica unicamente à
Patologia ou Citopatologia (65,83%), enquanto aproximadamente a metade dos
entrevistados refere ser proprietário de laboratório. Entre os demais
especialistas, conforme o CFM, apenas 25,7% são empresários. Na Medicina
privada, concentra-se a atividade laboral da maioria dos patologistas (84%),
mas apenas uma minoria (10,3%) refere trabalhar com vínculo empregatício. O
impacto desse número é melhor apreciado quando a amostra é analisada com
a exclusão dos proprietários de laboratório e dos profissionais não inseridos na
assistência privada. Nessa situação, aproximadamente um terço refere trabalho
assalariado, formal. Os demais mantêm-se na informalidade absoluta ou
prestam serviços com contratos não trabalhistas. Esse aspecto reflete-se na
remuneração dentro do setor privado, conforme os números abaixo:
Gráfico 8. Vínculo de prestação de serviços na medicina privada em função da
faixa salarial dos patologistas entrevistados
Vínculo de prestação de serviços na medicina privada em função da faixa salarial dos
entrevistados
%
100,00
90,00
80,00
70,00
Trabalhista
60,00
Contrato de prestação de serviço
Informal
50,00
Outro
40,00
Proprietário do laboratório
30,00
Não presta assistência na área
20,00
10,00
0,00
Até três
Entre Três e
Cinco
Entre Cinco e
Dez
Entre Dez e
Quinze
Entre Quinze e
Trinta
Acima de
Trinta
Sem
Remuneração
Mil reais
Considerando o universo dos entrevistados, os patologistas constituem
uma classe com vocação empresarial, o que contribui para a menor referência
ao trabalho assalariado, para a prestação de seus serviços. Mesmo assim, a
informalidade ou a realização de contratos não-trabalhistas atinge patamares
relativamente altos, referidas por cerca de um quarto do universo pesquisado.
A melhor remuneração é alcançada pelos empresários, a maioria deles
conseguindo renda mensal superior a R$ 5.000,00. Nas faixas salariais mais
14
altas (acima de R$ 10.000,00), há um percentual muito baixo de trabalhadores
informais (2%) ou com contratos trabalhistas. Nessa situação, ninguém referiu
ganhos de R$15.000,00 ou mais.
De acordo com o CFM, a maioria dos médicos (51,5%), no ano de 2003,
tinha renda mensal individual de até dois mil dólares, com uma minoria (8,5%)
recebendo mais de cinco mil dólares. Essas faixas salariais correspondem
aproximadamente a R$ 5.000,00 e R$ 12.500,00, à época desta pesquisa da
SBP (2005). As percentagens para essas duas faixas salariais são mais
favoráveis aos patologistas – respectivamente, 38,49% e 24,89%, conforme o
resumo a seguir:
Remuneração até R$ 5.000,00
– Médicos (CFM) 51,5%
– Patologistas (SBP) 38,49%
Remuneração acima de R$ 10.000,00
– Patologistas (SBP) 24,89%
Remuneração acima de R$ 12.500,00
– Médicos (CFM) 8,5%
A segmentação desses dados, em função da geografia do país, mostra
que os patologistas do centro-oeste têm uma posição mais confortável, seguida
pelos sulistas. Em posição intermediária há empate entre a remuneração dos
profissionais do sudeste e do norte, ficando o nordeste com a menor
remuneração, conforme os dados da tabela 6:
Gráfico 9. Remuneração no exercício da Patologia ou Citopatologia de acordo
com a região geográfica
Remuneração (em mil reais) no exercício da patologia ou citopatologia
de acordo com a região
%
50,0
45,0
40,0
35,0
Até três
Entre Três e Cinco
30,0
Entre Cinco e Dez
25,0
Entre Dez e Quinze
Entre Quinze e Trinta
20,0
Acima de Trinta
Sem Remuneração
15,0
10,0
5,0
0,0
Norte
Nordeste
Centro oeste
Sudeste
Sul
15
Foi possível a análise dos rendimentos, em função das horas
trabalhadas, em laboratório privado. Abaixo, exemplificam-se as três principais
faixas salariais:
Remuneração de R$ 3.000 a R$ 5.000,00
– até 3 horas: 4,0%
– 4 a 6 horas: 21,0%
– 7 a 8 horas: 31,0%
– 9 a 10 horas: 32,0%
– acima de 10 horas: 12,0%
Remuneração entre R$ 5.000 e R$ 10.000,00
– até 3 horas: 2,0%
– 4 a 6 horas: 9,0%
– 7 a 8 horas: 30,0%
– 9 a 10 horas: 35,0%
– acima de 10 horas: 24,0%
Remuneração entre R$ 10.000 e R$ 15.000,00
– até 3 horas: 2,0%
– 4 a 6 horas: 11,0%
– 7 a 8 horas: 23,0%
– 9 a 10 horas:41,0%
– acima de 10 horas: 23,0%
O quadro parece não provar uma relação direta entre horas de trabalho
e remuneração, comparando-se as diversas faixas salariais. Observe-se que
quase dois terços dos que recebem entre três e cinco mil reais trabalham de
sete a dez horas diárias. Essa situação não é muito diferente nas duas faixas
salariais seguintes. A remuneração provavelmente depende mais de outros
fatores do que da carga horária, já tendo sido anteriormente demonstrada a
relação mais forte com o vínculo de trabalho (empresário, assalariado, informal,
etc.).
A renda com as atividades em Patologia e Citopatologia também parece
influenciada pelo gênero sexual. Na tabela a seguir, observa-se que nas faixas
de remuneração inferiores a R$10.000,00, as mulheres são percentualmente
predominantes. Entretanto, nos patamares superiores, o sexo masculino é
representado mais do que o feminino, em termos percentuais.
16
Gráfico 10. Remuneração no exercício da Patologia ou Citopatologia de
acordo com o sexo.
Remuneração no exercício da patologia ou citopatologia de acordo
com o sexo
% 45,0
40,0
35,0
Até três
30,0
Entre Três e Cinco
Entre Cinco e Dez
25,0
Entre Dez e Quinze
20,0
Entre Quinze e Trinta
Acima de Trinta
15,0
Sem Remuneração
10,0
5,0
0,0
Homem
Mulher
Na Medicina privada, o patologista exerce sua profissão
preferencialmente em Laboratório de Patologia (tabela 13). Na região sul,
aproximadamente 70% dos entrevistados trabalham nesse setor, enquanto o
percentual para as demais regiões oscila em torno de 50%. O laboratório
clínico aparece como o segundo local de trabalho (20%) para os domiciliados
na região norte. Essa tendência difere nas demais regiões, onde o laboratório
clínico ocupa a quarta posição, referenciado em percentuais de 8% (centrooeste) a 2% (nordeste e sul). Excluindo os nortistas, a prestação de serviços
em hospital e em faculdades particulares ocupa respectivamente a segunda e a
terceira preferência para o exercício profissional, com cada parâmetro sendo
referenciado por 9% a 12% dos entrevistados.
17
Gráfico 11. Local de trabalho na medicina privada, de acordo com a região
geográfica
Local de trabalho na medicina privada por região
% 80,0
70,0
60,0
Laboratório de patologia
50,0
Laboratório clínico
Clínica ou hospital
40,0
Ensino superior
Outro
30,0
Nenhum
20,0
10,0
0,0
Norte
Nordeste
Centro oeste
Sudeste
Sul
Satisfação com o trabalho e rendimentos
A percepção do patologista sobre as mudanças em sua vida profissional
foram consideradas, solicitando-se avaliações referentes aos últimos cinco
anos de trabalho. A maioria informou ter havido aumento de seus rendimentos
(40%), acompanhando o aumento da jornada de trabalho (54%), do prestígio
profissional (49%). As condições de trabalho não se alteraram ou melhoraram
para cerca de 71% dos entrevistados, mas, apenas 62,28% conseguem férias
anualmente, enquanto outros 14,0% têm férias a cada dois anos. Há um
contingente expressivo dos que param suas atividades apenas a cada cinco ou
mais anos (17,81%).
FIGURA 3. COMPORTAMENTO DA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO
EM PATOLOGIA OU CITOPATOLOGIA NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS
Comportamento da remuneração nos
últimos cinco anos
Aumentou
8%
Não se alterou
40%
28%
Diminuiu
Não se aplica
24%
18
FIGURA 4. COMPORTAMENTO DA REMUNERAÇÃO DO TRABALHO
EM PATOLOGIA OU CITOPATOLOGIA NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS
Comportamento da jornada de trabalho nos
últimos cinco anos
11%
Aumentou
7%
Não se alterou
Diminuiu
Não se aplica
54%
28%
A semana de trabalho do patologistas geralmente ocupa cinco (42,37%)
ou seis (34,82%) dias da semana, havendo, nos extremos, quem trabalhe três
ou menos dias por semana (7,19%) ou todos os sete dias da semana (8,08%).
O gráfico 12 revela que a metade dos entrevistados ocupa-se
diariamente com a a leitura de 30 exames anatomopatológicos ou menos, mas
há um grupo (10,07%) que examina 60 ou mais casos por dia de trabalho.
Como já assinalado, a Citopatologia é exercida por pouco mais de 70% dos
patologistas. Nesta pesquisa, 36,18% encarregam-se do exame de lâminas
após o screening, enquanto 34,18% fazem leitura de rotina. Esses dados estão
detalhados no gráfico 13.
19
Gráfico 12. Leitura diária média de exames anatomopatológicos/PAAF por
patologista
Leitura diária média de exames
anatomopatológicos/PAAF pelos profissionais
patologistas
% 30
28,44
25
20,78
20,31
20
15,00
15
10
4,69
5
6,09
4,69
0
Até 15
Entre 16 e
30
Entre 31 e
45
Entre 46 e
60
Entre 61 e
75
Mais de 75
Não faz
parte da
rotina
Gráfico 13. Leitura diária média de exames citopatológicos por patologista
Atividades diárias como colpocitologista
Checagem de screening
(menos de 50 casos)
% 35
30
32,08
Checagem de screening (entre
50 e 100 casos)
27,99
Checagem de screening (mais
de 100 casos)
25
Leitura de exames
colpocitológicos (Até 30)
19,91
20
Leitura de exames
colpocitológicos (entre 30 e 60)
15
10,84
Leitura de exames
colpocitológicos (mais de 30)
10
6,31
5
5,31
1,88
Não exerce colpocitologia
3,43
Não informou
0
Além da busca de informação sobre o trabalho efetivamente realizado,
solicitou-se uma auto-avaliação sobre a capacidade teórica, quantitativa para a
leitura de exames anatomopatológicos e PAAF, se não houvesse
simultaneamente atividades nas áreas de Citopatologia Ginecológica e
administrativa. O percentual dos que afirmam poderem realizar mais de 60
casos por dia (26,88%) está mais de duas vezes acima do índice dos que
atualmente declaram trabalhar com o mesmo número de casos (10,07%). Por
outro lado, são muito semelhantes os números dos que informaram capacidade
20
para leitura de 16 a 60 exames diários (60,4%) com as percentagens obtidas
para os que admitem atualmente realizarem esse quantitativo de trabalho
(59,73%).
Para mais precisa avaliação econômica dos patologistas entrevistados,
utilizou-se o Critério de Classificação Econômica Brasil, que estima o poder de
compra das pessoas e famílias urbanas. A partir desses índices, constata-se
que a grande maioria (68%) pertence às classes A (A2 – 39%, A1 – 29%),
enquanto 30% estão na classe B (B1 – 21%, B2 – 9%) e apenas 2% ficam na
classe C. Não parece haver diferenças significativas quando esses dados são
distribuídos em função de sexo ou mesmo região geográfica. Mas, há
inversões estatísticas, quando as classes econômicas são relacionadas com o
vínculo de prestação de serviço, conforme os exemplos a seguir::
Classe econômica A1
Proprietários de laboratório: 70%
Não exercem medicina privada: 10%
Trabalho informal: 8%
Assalariados: 3%
Contrato de prestação de serviços ou outros: 9%
Classe econômica B2
Proprietários de laboratório: 10%
Não exercem medicina privada: 30%
Trabalho informal: 26%
Assalariados: 12%
Contrato de prestação de serviços ou outros: 22%
Classe econômica C
Proprietários de laboratório: 17%
Não exercem medicina privada: 50%
Trabalho informal: 5%
Assalariados: 5%
Contrato de prestação de serviços ou outros: 23%
Associativismo e participação em movimentos de classe
O vinculo com a SBP é muito estreito, indicado pelos 82,19% dos que
referem estar associados à entidade. Esse número certamente não reflete a
realidade do universo dos patologistas brasileiros, no qual o índice de filiação
está em torno de 50%, como se infere da análise do cadastro geral de
patologistas, da SBP. Este é um viés esperado desta pesquisa, que,
sensibilizou de forma mais efetiva os patologistas associados à entidade. Os
índices são muito mais baixos quando se pergunta sobre a filiação às
seccionais estaduais ou à Associação Médica Brasileira, obtendo-se valores
respectivos de 27,54% e 25,22%. Não obstante haver um contingente
expressivo de profissionais atuando dentro da Citopatologia, o vínculo com a
Sociedade Brasileira de Citopatologia (SBC) é baixo, representado por 19,25%
dos entrevistados.
21
O pensamento dos patologistas sobre os movimentos de classe, em
defesa da profissão, foi analisado na tabela 7.
Gráfico 14. Engajamento do patologista nos movimentos classistas.
% 80
75,2
70
Apoiar a SBP nas
reinvidicações
60
50
40
Subscrever documentos
aprovados em reuniões
41,8
32,3
Suspender atendimento a
convenios
30
20
10
10,6
3,4
Não acredita em movimentos
de defesa
Sem opinião formada
0
Embora a grande maioria (75,2%) manifeste a disposição de apoiar a SBP,
nas reivindicações classistas, muitos ainda podendo subscrever documentos
aprovados em reuniões (41,8%), há um contingente menor que respondeu não
acreditar em movimentos de defesa profissional (3,4%) ou não ter opinião
formada (10,6%).
Quase um terço dos entrevistados (32,3%) poderia
suspender atendimentos a convênios, em defesa das propostas associativas.
Entretanto, a metade (49,45%) não utiliza qualquer canal para emitir opiniões
ou posições, em defesa da especialidade. Os que decidem manifestar-se
utilizam o fórum PATOCITO (19,35%), comunicam-se com a SBP por cartas,
e-mails ou telefonemas (15,5%), escrevem para o Jornal O Patologista (8,0%)
ou para outros órgãos de classe, como a AMB e o CFM (4,09%).
A visita a sites das entidades médicas (SBP, SBC, ABRALAPAC, AMB,
CFM, etc.) foi indicada como semanal por pouco mais de um terço dos médicos
(36%). O conhecimento do Código de Ética Médica foi dado como satisfatório
ou muito bom por 61,4% dos entrevistados e como regular ou insuficiente por
36,95%.
Percepção sobre o futuro da profissão
De acordo com a tabela 13, apenas 28% dos entrevistados consideram
o futuro com otimismo. A percepção de mais da metade dos profissionais indica
um cenário de incerteza (43%) ou pessimismo (12%), havendo os que
acreditam em poucas mudanças para os próximos anos (15%).
22
Figura 5. Expectativa sobre o futuro da especialidade Patologia
Expectativa sobre o futuro da
especialidade de patologia
2%
15%
28%
Otimismo
Incerteza
Pessimismo
12%
Poucas Mudanças
Sem opínião formada
43%
Gráfico 15. Expectativa sobre o futuro da especialidade Patologia de acordo
com a faixa etária
Expectativa sobre o futuro da especialidade patologia de acordo com a faixa etária
% 60,0
50,0
40,0
Otimismo
Incerteza
30,0
Pessimismo
Poucas Mudanças
Sem opínião formada
20,0
10,0
0,0
Entre 20
e 25
Entre 26
e 30
Entre 31
e 35
Entre 36
e 40
Entre 41
e 45
Entre 46
e 50
Entre 51
e 55
Entre 56
e 60
Entre 61
e 65
Entre 66
e 70
Entre 71
e 75
Mais de
76
No início de carreira, a expectativa de incerteza é acentuada (52%),
mantendo-se acima da média, em todas as faixas etárias, até os 55 anos. Os
otimistas correspondem a 33% dos jovens com até 30 anos. Esse índice oscila
entre 22% e 25%, quando se consideram os profissionais na faixa
compreendida entre 31 anos e 56 anos. Após os 56 anos, há um leve aumento
do índice de otimismo (25% a 35%), enquanto os pessimistas mantêm-se entre
8% e 10%, em quase todas as faixas, excetuando-se aqueles entre 56 e 60
23
anos (20%) e acima de 76 anos (35%), conforme resumem os quadros a
seguir:
Faixa etária: 23 a 30 anos
– Incerteza
43% a 52%
– Otimismo
34%
– Pessimismo
4% a 8%
Faixa etária: 31 a 55 anos
– Incerteza
45% a 48%
– Otimismo
23% a 26%
– Pessimismo
10% a 12%
Faixa etária: > 56 anos
– Incerteza
– Otimismo
– Pessimismo
19% a 29%
25% a 35%
10% a 35%
Assuntos ético-profissionais
Considerando o grande contingente de patologistas que atuam também
como citopatologistas, um quesito desta pesquisa foi destinado a saber se a
classe considera o exame colpocitológico como um ato médico (figura 6).
Como resultado, a grande maioria dos entrevistados (83,4%) rejeita totalmente
a realização desse procedimento
por não-médicos (farmacêuticos,
bioquímicos, biomédicos, biólogos), em sintonia com as recomendações do
Conselho Federal de Medicina. Entretanto, alguns patologistas aceitam essa
proposta, parcialmente (12,4%) ou plenamente (1,7%).
24
Figura 6 - Opinião sobre a realização de Citopatologia Ginecológica por nãomédicos
Opinião sobre a realização de citopatologia
ginecológica por não médicos
Concorda Plenamente
Concorda Parcialmente
Discorda
12,4
Sem Opinião
83,4
Não Informou
1,7
0,9
1,7
Figura 7 - Opinião sobre o pagamento de taxas ou comissões por patologistas
ou citopatologistas em favor de laboratórios clínicos ou outros serviços médicos
(%)
Opinião sobre o pagamento de taxas ou comissões por
patologistas ou citopatologistas em favor de laboratórios
clínicos ou outros serviços médicos (% )
9,73
Concorda plenamente
Concorda palcialmente
Discorda totalmente
7,63
73,78
0,66
Discorda parcialmente
Sem opinião
Não informou
1,11
7,08
Quando se perguntou pelo pagamento de taxas ou comissões por
patologistas ou citopatologistas, sobre o valor dos exames realizados, em favor
de laboratórios clínicos ou outros serviços médicos (figura 7), o percentual de
discordância com essa prática foi 73,78% (discordância total) e 9,73%
(discordância parcial). Os que concordam com a proposta aparecem em
percentual de 1,1% (concordância total) ou 7,08% (concordância parcial).
25
Essas respostas não sofreram grandes variações, em função de idade ou
região geográfica do país.
A opinião sobre as atividades de tercerização em Anatomia Patológica,
praticada pelos megalaboratórios clínicos, além das fronteiras dos estados
onde estão domiciliados, foi assim respondida:
Discordância total –
Discordância parcial –
Concordância parcial Concordância total -
73,78%
9,73%
7,08%
1,11%.
Figura 8. Opinião sobre a terceirização em Anatomia Patológica além dos
estados de domicílio
Opinião sobre a terceirização em anatomia
patológica além dos estados de domicílio
0,66
14,16
4,98
1,77
7,41
Concorda plenamente
Concorda parcialmente
Discorda totalmente
Discorda parcialmente
Sem opinião
Não informou
71,02
O suposto erro médico foi motivo de denúncia para 14,60% dos
entrevistados, que foram absolvidos (7,74%) ou condenados (0,88%), havendo
ainda processos em andamento (7,19%). As queixas foram encaminhadas para
o Conselho Regional de Medicina (4,54%) ou, mais freqüentemente, para
instâncias jurídicas (13,49%). Um pequeno percentual foi processado duas
vezes, na justiça (1,99%) ou CRM (0,55%). A referência a três processos na
justiça foi feita por apenas 0,55% dos entrevistados.
Com o objetivo de auferir a inserção dos patologistas em movimentos
recentes da classe médica, especialmente no tocante à defesa da
remuneração, com a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de
Procedimentos Médicos, perguntou-se, qual o preço de uma biópsia, proposto
pela CBHPM. A resposta correta (R$ 55,00) foi fornecida apenas por
aproximadamente um terço dos patologistas (33,96%).
26
Valores humanos
Grau de importância da ética e honestidade na vida dos
Gráfico 16 –
patologistas
Grau de importância da ética, honestidade na vida
dos entrevistados
94,80
% 100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
4,09
Muito importante
Importante
0,00
Pouco
importante
0,11
1,00
Sem importância Não informou
Quadro 1 – Grau de importância de diversos valores humanos na vida dos
patologistas
Muito
importante
Importante
Ética,
honestidade
Saúde
pessoal
94,8%
4,09%
Pouco
ou Não informou:
sem
importância
0,11%
1,0%
80,31
17,04
1,55
1,11
Afetividade
80,31%
15,71%
0,88%
2,43%
Justiça social
Estabilidade
econômica
75,77
67,15%
21,35
31,08%
1,88
0,66%
1,00
1,11%
Convivência
64,05%
32,52%
1,99%
1,44%
Cultura geral
Ordem social
Religião
Liderança
61,17
53,54
28,54
24,89
32,06
39,27
33,52
49,89
2,21
5,31
36,39
24,01
0,55
1.88
1,55
1,22
27
O quadro anterior revela que os valores humanos mais importantes para
os patologistas são a ética e honestidade, o que está em harmonia com a
natureza do exercício médico, já que estes podem ser considerados valores
naturais e intrínsecos da Medicina. Como muito importante também se
destacam a saúde pessoal e afetividade, na avaliação de 80,31% dos
especialistas. Em postos intermediários ficaram a justiça social, a estabilidade
econômica, a convivência, a cultura geral e a ordem social. É interessante
observar que esses valores continuam sendo considerados importantes, como
constatado pela soma das avaliações de “muito importante” com “importante” e
obtenção de percentuais que variam de 97,35% (saúde pessoal) a 92,81%
(ordem social). Os dois valores julgados menos importantes foram religião e
liderança.
Apesar de ética e honestidade representarem um atributo de orientação
social, outros valores dessa categoria (afetividade, convivência, religiosidade)
nem sempre foram considerados mais importantes, em relação aos chamados
valores centrais (estabilidade econômica, saúde pessoal, justiça social). Esse
resultado difere do apresentado pelo CFM (2003), para os médicos, que
deveriam valorizar principalmente as relações inter-pessoais (relação médicopaciente e entre médicos) e o convívio (preocupação com o coletivo, com a
saúde da comunidade), mesmo com sacrifício para as atitudes de orientação
pessoal. Não obstante a liderança (valor pessoal, de realização) ter recebido a
menor atenção dos patologistas, a saúde pessoal e a estabilidade econômica
(valores centrais) foram julgados importantes por expressiva maioria
(respectivamente 97,35% e 98,23%).
A saúde e o lazer
Pouco mais de um terço dos patologistas não consegue férias, a cada
ano, havendo um número expressivo (um quinto) que só suspende as
atividades profissionais a cada quatro anos. O lazer semanal é referenciado por
75,44% dos entrevistados, mas há muitos (16,88%) para os quais essa
necessidade é satisfeita uma vez por ano ou raramente. Entretanto, conforme
demonstra a tabela 20, quase 80% se dedicam a algum tipo de hobbie não
médico (tabela 20), principalmente a algum tipo de esporte (30,86%). Outras
atividades dessa natureza comuns dentro da categoria são: música ou dança
(22,23%), fotografia (9,51%), artes (pintura, desenho, teatro, etc – 4,98%),
coleções diversas (5,42%) e atividades literárias (4,98%).
28
Gráfico 17. Referência à prática de hobbies não-médicos por patologistas
Hobbies não médicos
%
40
Fotografia
33,96
35
Pintura, desenho, teatro ou outras
formas de arte
30,86
30
Escrever poesias, crônicas, contos,
romances
25
22,23
Música, dança
19,03
20
Esporte
15
10
Coleções (selos, livros, raridades, etc)
9,51
9,29
Outro
4,98
5,42
Nenhum
5
0,88
0
Não informou
Há um grande grupo que pratica outros hobbies não previstos na
entrevista (33,96%). A leitura de livros não-médicos foi referida como semestral
por 65,04% ou anual por 2,79% dos indivíduos, havendo os que lêem um livro
a cada dois ou três anos (3,96%) ou nunca (4,09%). A freqüência a cinema é
de 63,27% (uma vez por mês), 19,03% (uma vez ou duas vezes por ano) ou
17,04% (raramente). A música é apreciada de forma regular (69,80%), apenas
no automóvel (19,91%) ou raramente/nunca (9,84%).
Para avaliação da saúde pessoal, foi incluída um inquérito sobre o hábito
de fumar e beber (gráficos 18 e 19). A grande maioria (83,96%) não é fumante,
enquanto o vício é referido por 5,53% dos entrevistados, havendo um grupo
que abandonou o fumo há menos de seis meses (0,77%) e outro há mais de
seis meses (3,32%).
O consumo de bebidas alcóolicas é indicado como diário (4,98%) ou em finais
de semana (50,66%), mas apenas 0,55% julgam-se dependentes.
29
Gráfico 18. O fumo entre os patologistas entrevistados
Fumantes
% 90
83,96
Não
80
Esporádico
70
60
Regular
50
Abandonou a menos de
seis meses
40
30
abandonou a mais de seis
meses
20
5,97 5,53
10
NI
0,77
3,32
0,44
0
Gráfico 19. O consumo de bebidas alcoólicas entre os patologistas
entrevistados
Consumo de bebidas alcoólicas
% 60
50
50,66
41,59
40
30
20
10
4,98
0,55
2,21
Dependente
Não
informou
0
Raramente Diariamente
Finais de
semana
Uma abordagem sobre procura a assistência médica, avaliou de forma
genérica a situação dos últimos dois anos (gráfico 20). A realização de exames
preventivos foi preocupação de 68,92%. Problemas de visão são relatados por
52,43% dos indivíduos. Doenças dermatológicas constituíram a terceira causa
de consulta (20,46%), seguida por referência a doença crônica, de natureza
clínica ou cirúrgica (16,70%), correções estéticas (13,38%), doenças agudas
(10,51%), traumatismos (6,53%) e outros problemas (3,54%). Apenas 5,54%
dispensaram assistência médica, nos últimos dois anos.
30
Gráfico 20. A procura por assistência médica nos últimos dois anos referida
pelos patologistas entrevistados
Procura por assistência médica nos últimos dois anos
% 80
70
68,92
Exame preventivos
Doença crônica, clínica ou cirúrgica
60
52,43
Consulta dermatológica
50
Estética
Doença aguda, clínica ou cirúrgica
40
Traumatismo/Acidente
Doença reumatológica
30
20
10
16,70
Problemas de visão
20,46
13,38
Outros problemas
11,84
10,51
6,53
3,54
Não faz consulta
5,64
0
DISCUSSÃO
Esta pesquisa, elaborada com objetivo de censo, mas, não sendo
obrigatória, perde essa condição, uma vez que a participação voluntária exclui
um universo significativo de indivíduos, que, por razões diversas, não puderam
ou não concordaram em colaborar com esse chamado da SBP. Tal viés pode
ensejar a discussão se a amostra final é probabilística ou de conveniência
(não-aleatória). Em defesa desta última hipótese, pode-se supor que os nãoparticipantes foram em sua maioria os não-associados da SBP, que talvez
constituam um grupo de profissionais com características diferentes dos
patologistas associados. Seriam indivíduos com menor poder aquisitivo
(explicando o afastamento do associativismo)? Seriam indivíduos menos
engajados ou indiferentes aos problemas de classe? No momento, não há
como responder essas questões, mas, esses argumentos não são suficientes
para refutar a hipótese de que os 904 participantes da pesquisa constituem
uma amostra aleatória. Não existem dados precisos sobre o contingente de
patologistas brasileiros, constando, nos arquivos da SBP, no ano deste
trabalho, um banco de dados com 2300 profissionais. Esse número certamente
é muito próximo do universo de especialistas em Patologia, de forma que não
há como relevar a significância de dados fornecidos por 40% desse
contingente. Por outro lado, os questionários do trabalho foram distribuídos e
divulgados em todo o território nacional, utilizando-se o Correio (para todos os
2300 patologistas cadastrados), a internet e vários eventos científicos
promovidos pela SBP ou suas seccionais. Significa que a amostra inclui
patologistas de todo o Brasil, de serviços públicos ou privados, de profissionais
e residentes em formação, de docentes e não-docentes. O tamanho da
amostra e o alcance da pesquisa, no território nacional são os principais
argumentos para considerar que os dados da pesquisa podem ser
estatisticamente tratados de forma probabilística.
31
CONCLUSÕES PRELIMINARES
A partir desta pesquisa, com o objetivo de delinear o perfil dos patologistas
brasileiros, pode-se afirmar que, na amostra estudada:
1. Não se identificou predomínio significativo dos seguintes atributos:
• Sexo, embora as mulheres sejam discretamente predominantes
• Local de nascimento, comparando-se as capitais e as cidades do interior
2. Os seguintes atributos definem características relevantes, para definição de
um perfil:
• Estado civil – há predomínio de casados ou ex-casados, em relação a
solteiros
• Domicílio – a maioria dos patologistas reside em capitais e concentra-se
principalmente nas regiões sul e sudeste do país. A metade está
domiciliada em cidade com um milhão de habitantes ou mais
• Ano de graduação – o número de profissionais graduados há mais de
dez anos é predominante, mas quase a metade dos profissionais
concluiu seu curso médico há mais de 20 anos.
• Idade – os jovens de menos de 40 anos são numericamente
equivalentes aos mais velhos com idade de 46 anos ou mais
• Pós-graduação – é referida pela maioria dos patologistas,
predominando a residência médica, seguida pelo curso de mestrado
• Título de especialista – o TE em Patologia é referido por quase dois
terços dos profissionais, enquanto um quarto informa possuir o TE em
Citopatologia
• Inserção científica – a grande maioria freqüenta anualmente cursos e
congressos da especialidade, como têm acesso a periódicos médicos
impressos ou eletrônicos. Um contingente menor, mas expressivo é
palestrante em eventos científicos, como também publica trabalhos em
revistas médicas.
• Remuneração pelo exercício da especialidade – geralmente inferior a R$
10.000,00, sendo que mais de um terço refere renda inferior a R$
5.000,00. Os patamares superiores (> R$ 10.000,00) de remuneração
são auferidos principalmente pelos proprietários de laboratório.
• As mulheres predominam entre os patologistas com rendimento inferior
a R$ 10.000,00. Acima desse teto, há mais profissionais do sexo
masculino, em termos percentuais.
• Poder de compra – a grande maioria pode ser enquadrada na classe
econômica A (A1 e A2), com cerca de um terço dos profissionais na
classe B (B1 e B2) e uma minoria na classe C, de acordo com o Critério
Classificação Econômica Brasil. O veículo principal da família é
estimado em R$ 30.000,00 pela metade dos patologistas.
• Rotina de trabalho – a realização de exames anatomopatológicos é a
atividade majoritária, seguida pela Citopatologia (ginecológica e não
ginecológica). A biópsia de congelação é parte da rotina de dois terços
dos patologistas, mas as necropsias são realizadas apenas por um
quarto dos profissionais.
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Atividade laboral – a leitura média de trinta exames diários é referida por
cerca da metade dos patologistas.
Atividade empresarial – a metade dos patologistas é proprietária de
laboratório
Vínculos para prestação de serviços na Medicina privada – poucos
patologistas são assalariados, no setor privado.
Local de trabalho na Medicina privada – o Laboratório de Patologia é
onde a maioria exerce sua atividade profissional, principalmente na
região sul. O trabalho em laboratórios clínicos, hospitais e faculdades
particulares é menos freqüente, sendo variável, de acordo com a região
geográfica
Condições de trabalho – pouco menos da metade dos patologistas
referem ter conseguido aumento de rendimentos, das condições de
trabalho e remuneração, nos últimos cinco anos, entretanto, menos de
dois terços conseguem férias anuais
Expectativas – mais da metade da classe entrevistada observa o futuro
com incerteza ou pessimismo
Atitudes éticas - a maioria absoluta dos patologistas:
o Considera o exame colpocitológico como ato médico exclusivo
o Discorda da tercerização de exames da especialidade por
megalaboratórios clínicos
o Rejeita a prática da concorrência desleal, efetivada com
pagamento de comissões para recebimento de exames.
o Considera a ética e a honestidade como os valores humanos
mais importantes
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O Perfil do Patologista Brasileiro