Mediação da Informação em Ambientes Virtuais de
Aprendizagem: Colaborações da Ciência da
Informação para a Educação à Distância
Raul Marques L. de Souza1 (UFBA)
Robélia Velame2 (UFBA)
Eneida Santana3 (UFBA)
Resumo:
Apresenta o processo de construção do conhecimento estabelecido em um
fluxo informacional de organização, acesso e armazenamento,
potencializado por meio das tecnologias de informação e comunicação
(TIC). Visa estabelecer uma ponte entre a Educação à Distância e a Ciência
da Informação, no que se refere à mediação, como ferramenta de
colaboração no Ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Caracteriza-se
por um estudo exploratório, com base em levantamentos teóricos acerca
das temáticas envolventes. Elege-se a interação entre sujeito e a
informação disponibilizada nos ambientes virtuais de aprendizagem,
através de ações, estratégias e competências da educação à distância. No
que se refere aos resultados teóricos, propõe-se analisar os conceitos
convergentes e as perspectivas atuais acerca do tema.
Palavras-chave: Educação à Distância, Ambiente virtual de aprendizagem,
Mediação da Informação.
Abstract:
Introduces the process of construction of knowledge established in an
informational flow of organization, access and storage, augmented through
information and communication technologies. Visa to establish a bridge
between the distance education and information science, regards
mediation as a tool for collaboration in virtual learning environment.
Characterized by an exploratory research, based on theoretical surveys
about thematic sheath. Elects the interaction between subject and the
information available in virtual learning environments, through actions,
strategies and skills of distance education. Regards theoretical results,
analyze the converging concepts and current perspectives on the issue.
Palavras-chave: Distance learning, virtual learning environment,
medication information.
Universidade Federal de Pernambuco - Núcleo de Estudos de Hipertexto e Tecnologias na Educação
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Pressupostos Iniciais
As ferramentas utilizadas para o acesso à informação são de importância
fundamental para a construção do capital intelectual e das competências,
habilidades e atitudes dos indivíduos.
Deste modo,
As transformações ocorridas desde as últimas duas décadas do século XX,
capitaneadas pelo extraordinário desenvolvimento e difusão das
tecnologias de informação e comunicação (TIC), têm sido interpretadas
como sinalizadoras da emergência de um novo padrão sociotécnicoeconômico. O desenvolvimento e a difusão de um conjunto de tecnologias
“genéricas” (particularmente as TIC), tendo como núcleo central a maior
capacidade de tratamento da informação, possibilitam a transmissão, o
processamento e o armazenamento de grandes quantidades de dados e
informações a baixo custo e a alta velocidade, viabilizando diversas
aplicações. A partir desses desenvolvimentos e de modo associado a uma
série de inovações de toda ordem, transformam-se as estruturas e práticas
de produção, comercialização e consumo, de cooperação e competição
entre os agentes, ou seja, a própria cadeia de geração de valor. (ALBAGLI,
2006, p. 1)
Outrossim, com o avanço da tecnologia impactando todas as áreas da
atividade humana e, portanto, tornando-se característica fundamental da nova
sociedade, convencionou-se chamar a contemporaneidade, a partir da importância
assumida pelas novas tecnologias da informação e comunicação (TIC). Neste
tempo, a relevância das discussões sobre a utilização da informação para produção
e acesso ao conhecimento em ambientes virtuais, passou a ser alvo de interesse de
diversas ciências como a Psicologia, Educação, Sociologia, Informática, e entre elas
a Ciência da Informação (CI).
A C.I está integralmente presente nos processos de construção e socialização
do conhecimento, através da criação nos diversos suportes informacionais.
Direcionando como subárea de seus estudos, a práticas e o aprimoramento do uso
da informação por outras áreas do conhecimento como a Educação e a Informática,
áreas convergentes para a inclusão das TIC no processo de aprendizagem.
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A oficialização da Sociedade da Informação (BRASIL, 2000), colaborou para o
avanço da Ciência da Informação (CI) em busca de conceitos que norteiam a
relação do homem com a máquina, e conseqüentemente suas novas formas de
buscar, gerenciar e formular necessidades de informação. Teorias acerca da
competência em informação do usuário em potencial e não mais real, passam a ser
foco de discussão de diversos estudos, bem como, a preocupação da mediação da
informação em espaços desterritorizados pelo acesso a internet. A desconstrução
do suporte em papel deixa de ser o objeto em questão, os profissionais da
informação passam a investigar como a informação, pode ser e deve ser mediada
para gerar interação e construção do conhecimento em espaços multimídias e
velozes.
Primo (2003) nos apresenta "a discussão a respeito da interação mediada
parece agora reduzida ao potencial multimídia do computador e de suas
capacidades de programação e automatização de processos." Desse modo, o
ciberespaço se interpola em contraposição ao processo tradicional da escrita.
Processo esse que vem ganhando espaço de forma significativa nas comunidades de
aprendizagem virtuais.
É preciso recuperar nas discussões sobre interação mediada a dimensão
política e a preocupação com os canais que aproximam os interagentes
através do diálogo. Ainda que a problemática relativa ao hardware e
software não possa ser deixada de lado, as questões de engenharia não
devem tomar o centro do palco. Confundir bidirecionalidade com relação
social e ver os interagentes apenas como usuários de tecnologia é retirar a
própria interação do foco de análise. Seduzir-se pelas funções
automatizadas da máquina, não resistindo ao tecnicismo, é cegar-se ao
fato que o ciberespaço é povoado por sujeitos em interação. Estudos de
comunicação social mediada pelo computador que se perdem no
encantamento maquínico apagam o que lhe era mais próprio: o social e a
ação compartilhada (PRIMO, 2003, p.14).
Para Carvalho e Moreira (2008) o aumento da utilização da informação em
suporte digital multiplica a gama de opções disponibilizadas à Educação, em
especial a Educação a distância (EAD) proporcionando novas possibilidades e
perspectivas para a área. Essa transformação deve-se, especialmente, às novas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) desenvolvidas nas últimas décadas.
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Contudo, é preciso enfatizar que existe a profunda necessidade de que sejam
dominados os métodos e técnicas para gerir a informação de forma eficiente, como
se encarrega a Ciência da Informação.
Com esta premissa, é objetivo deste trabalho refletir a contribuição da C.I
para a interdisciplinaridade na construção de um ambiente virtual de aprendizagem
(AVA) capaz de permitir e garantir os objetivos do processo de ensino
aprendizagem. Tendo como eixo os estudos sobe a mediação da informação e do
fluxo informacional estabelecido entre o aluno e a informação contida no AVA.
A Mediação em Ambientes de Aprendizagem nos Cursos de Educação
a Distância
As tecnologias de informação e comunicação, e a internet, transformaram os
ambientes digitais em locais de apropriação do conhecimento. Estando agora o
indivíduo sob uma miríade de possibilidades em adquirir competências e
habilidades tanto para sua aprendizagem pedagógica, quanto informacional quando
utilizados significativamente dessas ferramentas. Conforme compreende Varela
(2007a),
“Este cenário aponta para a ruptura nos modos e métodos tradicionais de
ensino. O professor, anteriormente, tinha o monopólio do conhecimento
especializado que exigia sua disciplina. Hoje a internet permite romper
esse monopólio do saber. As barreiras do tempo e do espaço também se
rompem, o ensino a distância derruba essa verdade, absoluta até o século
passado.” (VARELA, 2007a, p.82).
O aprendiz, o usuário ou o aluno quando conectados nesses ambientes
necessitam dar sentido ao que fazem o que se exige múltiplas habilidades
cognitivas para a apreensão e compreensão da informação na construção de novo
conhecimento, que consequentemente leva a autonomia informacional do
aprendiz. Para surtir os efeitos desejados, tem-se como elemento chave para o
desenvolvimento destas habilidades, a figura de um tutor que pode ser entendido
como um mediador entre o sujeito e o objeto de aprendizagem, que terá a
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competência de desenvolver no aprendiz o interesse e a motivação, instigando-o e
tornando-o competente quanto ao uso significativo e crítico das informações em
diferentes contextos a que lhe chegam, resultando na aprendizagem significativa
deste.
De acordo com Varela (2007b, p. 117),
Embora haja consenso de que, no âmbito da CI, a mediação se dá no
processo de interação do profissional com o usuário, ou seja, no momento
da comunicação e da transferência da informação, na verdade, os
elementos que compõem a mediação e que vão permitir a consonância de
objetivos entre o que busca o usuário e o que lhe oferta o profissional
acontecem bem antes da busca, mediante um processo dialógico em que o
profissional se antecipa ao desejo do usuário e organiza o estoque de
informação, dialogando com este usuário potencial. Assim os elementos
que compõem a mediação são os que vão permitir a harmonia de objetivos
entre o que busca o usuário e o que o profissional oferece.
Nos cursos de educação à distância online/virtuais, mesmo que intitulado
“educação à distância”, ao contrário do que possa aparecer, o aluno não pode
estar só, nem tampouco, se acredita que sozinho será capaz de potencializar sua
autonomia, adquirir senso crítico, apropriação e compreensão das atividades
oferecidas pelo curso, mesmo que possua algum nível de competência quanto ao
uso desses ambientes. E a mediação será a “ação que se interpõe entre sujeito e
objeto de aprendizagem”. (VARELA, 2007a, p. 124). Entrementes, como afirma
Varela, “apreender informações significa compreender frases e sentenças,
argumentos, justificativas, objetivos, intenções, muitas vezes ações e motivações –
dimensões do ato de compreender”. (VARELA, 2007a, p. 74), e será no processo da
aprendizagem mediada que resultará o desenvolvimento e autonomia cognitiva do
sujeito, a partir da ação do mediador. E conforme sinaliza Gonçalves e Manssensini
(2010, p. 4):
Um aluno em ambiente virtual de aprendizagem que procura por
informações para construir o saber encontra-se posto perante uma gama
de informações na internet e em outros espaços. E, muitas dessas
informações não fazem sentido e não respondem ao desejado. No entanto,
a construção de sentido a partir de sua própria ação pode ser mediada
dentro de um processo de socialização do conhecimento pelos atores
sociais envolvidos no processo de aprendizagem. A informação torna-se
mais que matéria-prima da atual Sociedade da Informação, mas se
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apresenta como produto histórico social capaz de transformar a vida dos
atores sociais que se fazem enxergar enquanto sujeitos, construindo
saberes.
Deste modo, propiciar o desenvolvimento de habilidades cognitivas,
principalmente dentro dos novos ambientes de informações, como os ambientes
virtuais, cabem aos aprendizes serem capazes de desenvolver o pensamento
crítico, decodificar informações subjetivas, resolver problemas/situações, tomar
decisões, enfim, possuir um complexo conjunto de habilidades e competências
cognitivas, sempre pela presença e ação de um mediador “[...] estimulando o
conhecimento
significativo,
contextualizado,
interdisciplinar
e
universal,
verificando a aprendizagem com foco no processo de aprender a aprender”.
(VARELA, 2007b, p. 93).
Destarte, o que se espera nesses ambientes é gerar no usuário a capacidade
de construir conhecimento a partir da assimilação da informação para que tenham
condições de reproduzir o que foi aprendido. Como afirma Morin (2003, p. 16), “as
informações constituem parcelas dispersas do saber”, o que implica sempre manter
uma “relação entre informação e conhecimento, que só se realiza se a informação
for percebida e aceita como tal, colocando o indivíduo em um estágio melhor,
consciente consigo mesmo e dentro do mundo onde se realiza sua aventura
individual” (BARRETO, 2007). No qual para a passagem deste estágio de assimilação
da informação para a construção do conhecimento, a intervenção da atividade da
mediação em informação se torna necessário tanto em ambientes tradicionais de
aprendizagem visto em uma sala de aula por um professor; como em uma
biblioteca por um bibliotecário; ou em ambientes virtuais de informação, no qual
concretiza a figura de um tutor.
Quanto aos processos de mediação estes possuem diversos modelos de
mediação proposto por autores como o de Reuven Feuerstein; Roberts Taylor;
Paulo Freire, Jean Piaget e Vygotsky que direcionam alguns tipos de processos
pedagógico da mediação, vale aqui ressaltar o modelo de mediação de Kulthau
citado por Dudziak (2009), em que a mediação pode se apresentar em três
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domínios: Cognitivo (estruturas mentais); Afetivo (estruturas emocionais) e Físico
(orientação para a ação); sendo este um “modelo construtivista que considera a
informação como elemento chave do processo de aprendizado e na transformação
dos indivíduos facilitado por um mediador” (DUDZIAK, 2009).
Diante exposto, percebe-se que a mediação como processo envolve a
apropriação da informação para a construção do conhecimento significativo e, não
estar simplesmente em instrumentalizar os sujeitos ao uso das ferramentas das TIC
e, no uso da internet para realizar tais funções; nem a Educação à distância, estar
em simplesmente passar mecanicamente o conhecimento/a informação, mas o ato
de mediar requer por meio de uma informação contextualizada, modificar e
ampliar as habilidades cognitivas do aluno e, transformá-la para desenvolvimento
cognitivo e autônomo dos sujeitos que busca a informação. Até por que, o aluno ou
o usuário como receptor pode facilmente captar uma informação, e até a
capacidade de operar as ferramentas das TIC já estão sendo superadas com o uso
intensivo e contínuo, sem a necessidade constante de um mediador, ou instrutor.
Análise Empírica
Para análise empírica foi utilizado o ambiente virtual de aprendizagem
desenvolvido pela Universidade do Salvador (UNIFACS)1 para atender ao curso do
Bacharelado em Sistemas da Informação, identifica-se o ambiente neste estudo
como AVA.SI. O ambiente desenvolvido no Moodle oferece ao aluno ferramentas
comunicacionais, capazes de estabelecer interação com as disciplinas modulares,
os tutores, coordenadores, alunos e professores.
Segundo Souza e Burnham (2004, p.6),
na educação à distância, as ferramentas de comunicação são adotadas com
o objetivo de facilitar o processo de ensino-aprendizagem e estimular a
colaboração e interação entre os participantes de um curso, habilitando-os
para enfrentar a concorrência do mercado de trabalho. As ferramentas de
1
Universidade do Salvador (UNIFACS) localizada em Salvador, BA. Analise realizada no ano 2010.
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gerenciamento, não são menos importantes; sobretudo porque, a
participação e progresso do aluno são informações que precisam ser
recuperadas, para que o tutor/professor possa apoiar e motivar o aprendiz
durante o processo de construção e compartilhamento do conhecimento
Souza e Burnham (2004, p.7) em seus estudos categóricos apresenta o
quadro de ferramentas de comunicação e informação:
Quadro 1 - Exemplos de ferramentas de comunicação e de informação
Alguns Exemplos Categoria
Descrição
Correio
Eletrônico
Comunicação/Informação
Indicado para enviar e receber arquivos anexados
às mensagens, esclarecer dúvidas, dar sugestões,
etc.
Chat
Comunicação/Informação
Permite a comunicação de forma mais interativa
e dinâmica. Em cursos de EAD essa ferramenta é
utilizada como suporte para a realização de
reuniões e discussões sobre assuntos trabalhados
no curso. Este recurso é também denominado de
bate-papo.
Fórum
Comunicação/Informação
Mecanismo propício ao desenvolvimento de
debates. O Fórum é organizado de acordo com
uma estrutura de árvore em que os assuntos são
dispostos hierarquicamente, mantendo a relação
entre o tópico lançado, respostas e contrarespostas.
Lista de Discussão Comunicação/Informação
Auxilia o processo de discussão através do
direcionamento automático das contribuições
relativas a determinado assunto, previamente
sugeridos, para a caixa de e-mail de todos os
inscritos na lista.
Mural
Informação
Aluno e professores podem disponibilizar
mensagens que sejam interessantes para todo a
turma. Essas mensagens, geralmente, são:
divulgação de links, convites para eventos,
notícias rápidas, etc.
Portfólio
Comunicação/gerenciamento
Também chamado de sala de produção, é uma
ferramenta que auxilia a disponibilização dos
trabalhos dos alunos e realização de comentários
pelo professor e colegas da turma.
Anotações
Gerenciamento/comunicação
É uma ferramenta de gerenciamento de notas de
aulas, observações, conclusão de assuntos, etc.
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Em alguns casos, este recurso possui a opção de
configuração para compartilhamento com todos
alunos e professores, apenas professores e ainda
não compartilhado. Neste último tipo, apenas o
autor da anotação poderá visualiza-la. Também
é denominada de Diário de Bordo.
FAQ
Gerenciamento/ comunicação
Também conhecido por Perguntas Freqüentes,
esta ferramenta auxilia o tutor/professor a
responder as perguntas mais freqüentes. Dessa
forma, há uma economia de tempo e o aluno
pode, ao invés de questionar o professor,
consultar a ferramenta para verificar se já não
existe uma resposta para sua dúvida
disponibilizada no ambiente.
Perfil
Gerenciamento
Auxilia a disponibilização de informações (tais
como: e-mail, fotos, mini-curriculo) pessoais dos
alunos e professores do curso.
Acompanhamento Gerenciamento
A ferramenta, geralmente, apresenta
informações que auxiliam o acompanhamento do
aluno pelo professor, assim como, o autoacompanhamento por parte do aluno. Os
relatórios gerados por essa ferramenta
apresentam informações relativas ao histórico de
acesso ao ambiente de aprendizagem pelos
alunos, notas, freqüência por seção do ambiente
visitada pelos alunos, histórico dos artigos lidos e
mensagens postadas para o fórum e correio,
participação em sessões de chat, mapas de
interação entre os professores e alunos.
Avaliação (online)
Esta ferramenta envolve as avaliações que devem
ser feitas pelos alunos e recursos on-line para
que o professor corrija as avaliações. Do mesmo
modo, fornece informações a respeito das notas,
registro das avaliações que foram feitas pelos
alunos, tempo gasto para resposta, etc.
Gerenciamento /comunicação
Fonte: Souza e Burnham (2004, p.7)
As ferramentas identificadas no AVA SI corroboram com as apresentadas
pelas autoras, no entanto apresentam algumas características particulares de
gerenciamento, como pode ser observado na figura (1). As informações que
possibilitam o processo de integração podem ser identificados no primeiro
momento de conexão:
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Figura1 – Menu personalizado
Fonte: AVA SI(2010)
Para analise efetiva da presença da mediação no ambiente, elege-se os
Fóruns como principal ferramenta de comunicação e informação, dividindo-os por
categorias (quadro 2) e tabulando-se o número de postagens.
Quadro 2 – Fóruns
Fórum
Período de abertura/encerramento
Número de participantes
Fórum Livre
04 de agosto 2010/02 de novembro
de 2010
06
Fórum Tira dúvidas
06 de agosto 2010 / 21 de outubro de
2010
35
Fórum de discussão
(obrigatório)
04 de agosto de 2010/ 02 de
novembro 2010
12
Plantão
04 de agosto de 2010/ em aberto
01
Fonte: AVASI 2010
Cada fórum apresentado possui a função de gerenciar informações e agrupálas de acordo com o interesse dos alunos, no entanto, a necessidade da informação
contida nos fóruns apenas pode ser despertada pelo método com foi formulado. O
fórum livre tem a função de proporcionar a relação interdisciplinar e a aprimorar o
instinto investigativo do sujeito; o fórum tira dúvidas relaciona o sujeito a demais
sujeitos e a autores (alunos, tutores, professores e referências); o fórum de
discussão é estabelecido através de uma temática da disciplina e fomentado pelo
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professor/tutor, através desde fórum é proposto a participação colaborativa de
produção do conhecimento, tendo em vista que seu objetivo é fomentar a prática
da escrita, do pensamento científico e a inter-relação entre as postagens.
O fórum plantão tem caráter imediatista, e por isso, uma baixa procura por
suas informações.
Retomando ao fórum tira dúvidas é possível estabelecer um fluxo
informacional pertinente à apropriação do conhecimento pelo sujeito, como é
apresentado na figura (2):
Figura 2 - Fluxo informacional existente em um fórum tira dúvidas
Aluno
Dúvida
?
Professor/
Tutor
Outras
questões
Referências
Alunos
Potencialidades de produção do conhecimento: Hipertextualidade e
conhecimento assincrônico.
A formação de grupos se torna um fator essencial para a sobrevivência do
individuo na sociedade, assim, o trabalho o torna um elemento de utilidade para a
sua comunidade. No que se refere ao trabalho colaborativo na web, é de suma
importância essa interação entre os atores dos grupos, em ciberespaços
constituídos para esse fim. Almeida (2003), afirma
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apesar das possibilidades do aprendiz desenvolver a leitura e a escrita com
o uso de hipertextos, escolhendo entre um leque de ligações
preestabelecidas ou criando novas ligações e percursos não previstos pelo
autor do hipertexto (Lévy, 1999), a exploração de hipertextos não dá conta
da complexidade dos processos educacionais, cujas atividades se
desenvolvem com o uso desses materiais de suporte e, sobretudo, com a
interação entre os alunos e entre estes e os formadores, que na EaD, pode
ser o professor ou o tutor.
Assim, o hipertexto se torna uma ferramenta importante nesse processo
ensino/aprendizagem, interação no ciberespaço, na utilização de TIC, como meios
de comunicação. Comunicação essa que um dia poderá se tornar, comunicação de
massa.
Diante as intempéries da contemporaneidade, a gestão do conhecimento
enfatiza a aprendizagem como elemento de uma tessitura de saberes. A escrita
colaborativa se torna presente no processo ensino-aprendizagem de modo a operar
a gestão do conhecimento.
A escrita colaborativa pode ser definida como um processo no qual autores
com diferentes habilidades e responsabilidades interagem durante a
elaboração de um documento. Ela é considerada não só um meio para
chegar a um fim senão também como um instrumento de ensinoaprendizagem (MEDINA e FREITAS FILHO, 2004).
Contudo, a colaboração interativa é vista como um processo de mediação,
confrontos, coerção, e consenso. Assim, a escrita colaborativa, deve ser
evidenciada em uma atividade planejada com os atores responsáveis.
O ciberespaço, através do hipertexto colaborativo, forma-se em como um
elemento de interação e mediação pedagógica em cursos de educação a distancia.
Uma vez que, proporcionará ao discente um ambiente favorável a tal prática.
Deste modo, a construção do hipertexto colaborativo constitui-se em uma atividade
de administração de recursos da escrita do que um processo de debate (PRIMO,
2003)
O texto é colocado em movimento, tomado em um fluxo, vetorizado,
metamórfico. Está assim mais próximo do movimento mesmo do
pensamento, ou da imagem que nós dele fazemos hoje. O texto subsiste
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sempre, mas a página se oculta. A página, isto é, o pagus latino, o campo,
o território situado pelo branco das margens, lavrada de linhas e semeada
pelo autor de letras, caracteres. A página, pesada ainda da argila
mesopotâmica, aderindo sempre à terra do neolítico, esta página muito
antiga, se oculta lentamente sob a alta superfície informacional, seus
signos desligados vão rejuntar a onda numérica (digital). Tudo se passa
como se a numerização (digitalização) estabelecesse uma espécie de
imenso plano semântico, acessível em todo lugar, para o qual cada um
poderia contribuir para produzir, dobrar diversamente, retomar,
modificar, redobrar[...] (LEVY, 1993 apud MASSADA, SATO e MARASCHIN,
2000).
A utilização do ambiente virtual como ferramenta do hipertexto, é
fundamental para o desempenho eficiente do processo. Saber manusear as
ferramentas pelos atores, também se torna fator ponderante nesse contexto.
Assim, Recuero (2001) sinaliza também para a possibilidade de identificarem-se
alguns elementos que caracterizam e são necessários a uma comunidade virtual.
Esses elementos são principalmente uma base no ciberespaço, um lugar público
comum, um nível mínimo de interatividade, uma variedade de comunicadores, um
nível mínimo de associação e a presença de membros constantes.
É possível perceber a importância das comunidades virtuais no processo de
interação atual, justamente pelo fato que essas comunidades facilitam o processo
de convivência entre as pessoas, facilitando a troca de conhecimentos e,
conseqüentemente,
possibilitando
uma
maior
efetividade
no
processo
de
aprendizagem devido ao seu caráter cooperativo e colaborativo.
Com efeito, é mister afirmar que as comunidades virtuais facilitam a
aprendizagem
colaborativa,
proporcionando,
por
conseguinte,
a
idéia
de
comunidades que aprendem. Segundo Afonso (2001), o conceito de comunidades
que aprendem está relacionado com a estrutura social que sustenta o trabalho de
um grupo de indivíduos em busca por um objetivo comum. Deduz-se, portanto, as
comunidades de aprendizagem configuram-se em ambientes facilitadores de
aprendizagem permeados por uma cultura e intelectualidade que proporcionam
interação, compartilhamento, colaboração suficientes.
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Estas comunidades surgem como uma alternativa curricular aos modelos
tradicionais de ensino-aprendizagem, sob forma de grupos descentralizados
de sujeitos que se auto organizam em comunidades funcionais e estáveis, e
cuja meta principal é o apoio mútuo para o desenvolvimento eficaz de
actividades construtivas de aprendizagem. (AFONSO, 2001. p. 3)
Essa teia de saberes que se desenvolve a partir de uma experiência virtual
pode ser o ponto de partida para criar um sentimento de pertencimento nos
participantes de modo que tornem-se mais autônomos, criativos e inovadores ,
agregando valor à sua vida e das pessoas que pertencem ao novo tecido social, que
se desenvolve e se sustenta através de um espaço construído coletivamente e que
busca novos modos de convivência social mais alinhados com um novo mundo que
se descortina para além do espaço e das fronteiras territoriais.
Considerações Finais
Apesar dos benefícios que a utilização das TIC pode representar para o
mundo globalizado, e para a coletividade de um modo geral, é preciso atentar para
o processo excludente que as mudanças aceleradas e as velozes inovações podem
gerar.
Com efeito, torna-se imprescindível no mundo atual criar formas de
socialização e inclusão do uso das TIC, a fim de se alcançar um sociedade mais
igual e mais democrática, onde as novas formas de aquisição e elaboração de
conhecimento e aprendizagem não sejam restritas a pequenos e privilegiados
grupos, mas, acessível a todos os cidadãos que estejam dispostos a construir um
novo conceito de sociedade.
Nesse contexto, a interatividade é considerada uma característica da
inteligência coletiva, e se constitui um viés para o docente do futuro, onde o
mesmo é mediador e incentivador do discente na construção do conhecimento.
O uso das ferramentas utilizadas nas comunidades virtuais se transforma em
possibilidades difundidas em nosso meio, no processo de disseminar saberes
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globais. Assim as produções deixam de ser individuais e passam a ser coletivas,
o que determina a interação entre as pessoas e o enriquecimento da
aprendizagem.
A necessidade de se oferecer condições que propiciem a difusão da escrita
colaborativa, para que a mesma possa estimular a formação de um pensamento
crítico, desassociada de uma tradição, desmembrada dos paradigmas tradicionais.
Visto
que
o
pensamento
crítico
passa
pela
capacidade
de
refletir,
formular/reformular conceitos, idéias e pontos de vista, conclui-se então, que o
pensamento crítico encontra terreno favorável para sua elaboração na escrita
colaborativa, onde há espaços para intervenções e mudanças.
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1
Raul Marques L. de SOUZA, Mestrando
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
PPGCI/ICI
E-mail: [email protected]
2
Robélia Velame, Mestranda
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
PPGCI/ICI
E-mail: [email protected]
3
Eneida Santana, Mestranda
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
PPGCI/ICI
E-mail: [email protected]
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Mediação da Informação em Ambientes Virtuais de Aprendizagem