ADOLESCENTES EM CONFLITO COM ALEI, A COR DA PELE E A EDUCAÇÃO EM ESPAÇO DE INTERNÇÃO: ALGUMAS REFLEXÕES Silvilene Giovane Martins Pereira1 Modalidade: Comunicação Oral Sessão temática: Programas socioeducativos e política de ampliação do direito à educação Resumo: Este artigo aborda as particularidades da produção social de adolescentes negros em contextos de violência levando em consideração os fatores de vulnerabilidade como: pobreza extrema, baixa escolaridade, exploração no trabalho, privação da convivência familiar e comunitária, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis e aids, abuso e a exploração sexual, abuso de drogas e a relação destes com a educação, que para Paulo freire pressupõe liberdade. Trata-se de Projeto de Extensão, realizado em oito Centros Sócios Educativos de BH-MG, com adolescentes na faixa etária entre 13 e 18 anos, em cumprimento de Medida Socioeducativa: Internação. Foram realizadas oficinas pedagógicas, pelo Grupo de Estudos Sujeito em Relação com a Lei, vinculado ao Núcleo de Promoção de Saúde e Paz da Faculdade de Medicina da UFMG. As práticas das oficinas, foram realizadas na perspectiva da Educação Libertadora do educador Paulo Freire e à luz Teoria da Sociologia do Conhecimento de Berger & Luckmann, na qual a construção social da identidade do homem é estabelecida a partir do seu próprio conhecimento da realidade, tratando das relações entre o pensamento humano e o contexto social dentro do qual ele vive. Palavras-chave: Adolescente, ECA, Violência, Vulnerabilidade, Negro. 1. INTRODUÇÃO: O renomado pesquisador Paulo Freire afirmava que "o ser humano é um ser de relações num mundo de relações”. Esta é uma premissa interessante para pensarmos as relações que são estabelecidas pelas pesquisadoras vinculadas ao Grupo de Estudos Sujeitos em relação com a lei, vinculado ao Núcleo de Promoção de Saúde e Paz da Faculdade de Medicina da 1 Bacharel em Direito - Faculdades PROMOVE - Especialista em Direito Civil e Processo Cível - Mestranda do Programa de Pós-Graduação Promoção de Saúde e Prevenção da Violência da Faculdade de Medicina da UFMG. Membro do Grupo de Estudos Sujeito em Relação com a Lei, vinculado ao Núcleo de Promoção de Saúde e Paz da Faculdade de Medicina/UFMG. UFMG e os adolescentes em conflitos com a lei em cumprimento de Medida Sócio Educativa: Internação, em Centros Socioeducativos de Belo Horizonte - MG. A atividade tem como objetivo conhecer a realidade destes adolescentes negros em que vivem em contextos de violência e quais as dimensões constitutivas dessa condição juvenil, levando em consideração os fatores de vulnerabilidade como: pobreza extrema, baixa escolaridade, exploração no trabalho, privação da convivência familiar e comunitária, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis e aids, abuso e a exploração sexual, abuso de drogas e a relação destas com a educação. 1. OS SUJEITOS E O “LOCUS”: OFICINAS PEDAGÓGICAS E DUCAÇÃO Ao iniciar o trabalho nas oficinas pedagógicas, os pesquisadores não tinham o foco no recorte étnico-racial. Desta forma, durante as entrevistas com os adolescentes não se perguntou qual era o pertencimento racial dos mesmos, contudo pela heteroclassificação, esta pesquisadora pode afirmar que todos os participantes da pesquisa eram pretos ou pardos, o que confirma os dados de estudos que abordam temáticas raciais os quais informam que a maioria de adolescentes cujos direitos são violados é negra. Neste trabalho, são entendidos como “adolescentes em conflito com a lei” os sujeitos na faixa etária entre 13 e 18 anos, pretos, pardos, pobres, que vivem em comunidade popular e em cumprimento de medida socioeducativa: internação, ação de medida privativa de liberdade, prevista no art. 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Sujeita aos princípios da excepcionalidade, brevidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, a internação constitui a mais rigorosa das medidas. Caberá sua aplicação somente quando se tratar de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, por reiteração no cometimento de outras infrações graves ou por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. Além da pesquisadora, que é bacharela em Direito, integram o Grupo de Estudos Sujeito em Relação com a Lei, pesquisadores/as das seguintes áreas do conhecimento: Direito, Psicologia, Medicina, Psicologia, Serviço Social e Educação, o que possibilita à reelaboração dos saberes iniciais de cada área e a aproximação com novos conhecimentos, ampliando desta forma a possibilidade de educar-se e educar o outro. Como afirma Paulo Freire: Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino contínuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (FREIRE 1996, p. 32). A metodologia das oficinas pedagógicas atende à perspectiva da pesquisa-intervenção, a qual propõe a relação dialógica entre pesquisador e pesquisado. Objetiva-se com a atividade, desenvolver um ambiente acolhedor, onde os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa possam falar de si, de suas expectativas e, principalmente, da sua relação com a educação, uma vez que a maioria ainda está em fase escolar. Nessa perspectiva, os pesquisadores buscam compreender qual o sentido que os adolescentes dão à educação por entendê-la como instrumento importante do processo de ressocialização. Além disso, nos momentos de escuta, buscam incentivá-los a buscar alternativas de trabalho que poderão auxiliá-los após o período de desintitucionalização. As oficinas socioeducativas construíram um espaço de confiança entre os adolescentes e as pesquisadoras, tornando possível a afetividade e proximidade dos adolescentes e do universo que trazem consigo. Ali, os adolescentes e jovens tiveram voz, para expressar suas vivências e interesses, o que vai ao encontro do que afirma Flores “o espaço em que eles falam de si, há uma voz que circula e que produz sons, palavras, histórias, situações” (FLORES, 2011, p. 37). O ECA em seu art. 94, Incisos X e XI, impõe que as Unidades de Internação têm a obrigação de oferecer e propiciar aos seus adolescentes privados de liberdade, a escolarização, educação profissional, atividades culturais, esportivas e de lazer. E, no parágrafo único do artigo 123, estende as atividades de natureza pedagógica também à internação provisória e, pelo trabalho desenvolvido pode se inferir que o Centro Socioeducativo Santa Clara busca garantir tais direitos aos adolescentes. Decorridos 24 anos da promulgação do ECA, a criança e o adolescente no Brasil, permanecem tendo seus direitos violados. Entre eles, o direito ao pleno desenvolvimento educacional, ao preparo para a cidadania, para trabalho, garantindo a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. Nesse contexto, interrogamos: Qual é o nível de educação que se garante as crianças e adolescentes que estão nas escolas de Centro Socioeducativos? A escola tem um papel social, político e pedagógico diante da criança e do adolescente em situação de risco”. Esta premissa é defendida por Maria Fortunato, que nos chama a atenção para o fato de que a “Constituição de 1988 de maneira implícita e que no ECA se tornou clara e incontroversa, a premissa da condição peculiar de pessoa em desenvolvimento”. Ainda segundo a pesquisadora, “a legislação reconhece o papel imprescindível da educação para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, em seu sentido mais amplo, prioritário e abrangente. (FORTUNATO, 2011, p. 01.) Como é propósito das oficinas pedagógicas estabelecer a relação dialógica com os adolescentes, trazemos algumas falas dos mesmos. Durante os momentos de interação. Além da família, outros dois temas são frequentes nas conversas: educação e trabalho. A educação é vista como um caminho para a mobilidade social ascendente por muitos homens e mulheres oriundos de camadas populares e também o é pelos adolescentes pesquisados, o que pode ser percebido a partir da fala dos adolescentes: [...] “eu tô estudando aqui dentro, lá fora eu também vou estudar. Eu tenho que estudar uai, pra ser alguém na vida, e ai se eu tiver naquele grau para fazer minha faculdade, vou fazer minha faculdade. Ai eu posso trabalhar, ganho um dinheiro bom. Pra ser alguém na vida”. Quando o assunto é a ocupação profissional, observa-se o interesse por atividade ligada à área policial, o que vai ao encontro da realidade vivida por muitos destes adolescentes: "Eu vou estudar, quero ser policial" ; [...]“quero pegar exército aí eu tenho que estudar, tipo para pegar exército”. Em contrapartida, percebe-se certo descaso pelas atividades de profissionalização ofertadas nos centros socioeducativos, uma vez que estas não correspondem ao que almejam: “Tem (oficina) de Grafite, só sexta-feira, mas eu não faço não”. “Não gosto. Mas pode escolher só três, eu escolhi informática, funk e tapete”. “É Tapete, almofada, nem faço tapete não. Eu faço aquele negócio de dormir, como é que fala? – Travesseiro” Como nos ensina Dayrell: A adolescência não pode ser entendida como um tempo que termina, como a fase da crise ou de trânsito entre a infância e a vida adulta, entendida como a última meta da maturidade. Mas representa o momento do início da juventude, um momento cujo núcleo central é constituído de mudanças do corpo, dos afetos, das referências sociais e relacionais. Um momento no qual se vive de forma mais intensa um conjunto de transformações que vão estar presentes, de algum modo, ao longo da vida. (DAYRELL, 2003, p. 42) Diante disso, não se torna repetitivo ou até mesmo ultrapassado, trazer o questionamento posto por Marisa Fortunato, a partir de Paulo Freire: “é possível educar para a cidadania as pessoas privadas de liberdade, a educação pressupõe liberdade”. Tal afirmação nos instiga a refletir sobre a educação voltada para adolescentes privados de liberdade, vez que a educação tem um papel social, político e pedagógico diante da criança e do adolescente em situação de risco. A educação merece destaque ao possibilitar a formação de uma consciência esclarecida para o processo do defrontar-se criticamente, é o que se depreende a partir da concepção da corrente pedagógica da Educação Libertadora, construída por Paulo Freire: [...] não só de contatos, não só está no mundo, mas com o mundo. Diferente dos animais, seres de contatos, [...] somente o homem, como um ser que trabalha que tem um pensamento-linguagem, que atua e é capaz de refletir sobre si mesmo e sobre a sua própria atividade, que dele se separa, somente ele, ao alcançar tais níveis, se fez um ser da práxis [...] somente o ser humano é um ser de relações num mundo de relações. Sua presença no mundo, implica uma presença que é “um estar com”, e dessa forma compreende um permanente defrontamento com o mundo. (FREIRE, 1980, p. 39). A transformação da realidade se dará a partir da perspectiva da tomada de consciência da real condição material de exploração à qual os sujeitos humanos estão submetidos. Sendo assim, os fundamentos da educação problematizadora pensada por Paulo Freire, tem por objetivo tirar as vendas dos olhos dos educandos e levá-los a perceber seu papel no mundo, percebendo e lutando contra a opressão no mundo (FREIRE, 1980, p.45). Do mesmo modo são as palavras de Dayrell (2003); [...] jovem é um ser humano aberto a um mundo que possui um historicidade; é portador de desejos, e é movido por eles, além de estar em relação com os outros seres humanos, eles também sujeitos. Ao mesmo tempo, o sujeito é um ser social, com uma determinada origem familiar, que ocupa um determinado lugar social e se encontra inserido em relações sociais. Finalmente, o sujeito é um ser singular, que tem uma história, que interpreta o mundo e dá-lhe sentido, assim como dá sentido à posição que ocupa nele, às suas relações com os outros, à sua própria história e à sua singularidade. Para o autor, o sujeito é ativo, age no e sobre o mundo, e nessa ação se produz, e ao mesmo tempo, é produzido no conjunto das relações sociais no qual se insere. Corroboara com este entendimento a teoria da Sociologia do Conhecimento de Berger e Luckmann (1998), a qual fundamentea que a relação entre o ambiente natural e social é dinâmica, portanto em constante movimento, o que faz do homem um produtor de si mesmo, de sua cultura, ao mesmo tempo em que é produzido por ela em uma relação dialética, permanente e contínua. Neste sentido a corrente pedagógica da Educação Libertadora, construída por Paulo Freire (1980), vai ao encontro à Teoria da Sociologia do Conhecimento de Berger e Luckmann (1998) concebida como o estudo das relações sociais envolvidas na produção do conhecimento. Com efeito, faz-se necessário fomentar oportunidades de estabelecer relações positivas e propositivas para os adolescentes cumpridores de medidas socioeducativas internação, visto que “o ser humano é um ser de relações num mundo de relações”. 2. A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO ADOLESCENTE NEGRO EM CONFLITO COM A LEI E O IMPACTO DA COR DA PELE De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil adentra o século e o milênio com mais um grave desafio de Saúde Pública: a violência. Os dados são alarmantes: no Brasil foram registrados 48.032 homicídios no ano de 2005 e no período de 1991 a 2007 morreram 665.199 pessoas por homicídio e 111.311 por suicídio. No período de 1998-2009, foram 8.962.470 internações hospitalares por causas externas, com um custo crescente no período (MELO, 2010). Igualmente, o Mapa da Violência 2015: Mortes Matadas por Armas de Fogo, no ambiente cultural que valida práticas violentas, o imenso arsenal de armas de fogo existentes no país faz com que o Brasil tenha indicadores de mortes matadas equivalentes ou superiores aos de países que vivem situação de guerra ou conflito civil armado. No período entre os anos de 1980 e 2012, as mortes matadas por arma de fogo cresceram 387%, quando a população teve um crescimento em torno de 61%. Destaca-se que entre os jovens esse percentual foi superior a 460%, ou seja, mais jovens morrem por armas de fogo. O Relatório enfatiza que a gravidade se torna ainda maior quando se sabe que, em sua maioria, são os jovens negros as vítimas dessa escalada. Racismo, violência e impunidade somam-se a situações de vulnerabilidade Conforme os indicadores do Relatório Situação da Adolescência Brasileira, do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (UNICEF, 2011) atesta que significativa parcela dos adolescentes brasileiros está submetida a inúmeras situações de vulnerabilidades, como: pobreza extrema, dificuldade de acesso à educação, exploração no trabalho, privação da convivência familiar e comunitária, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, abuso e a exploração sexual, abuso de drogas, homicídios. A baixa escolaridade é parte da engrenagem que gera pobreza e limita o desenvolvimento da pessoa. Outro indicador da extensa cadeia de falhas e vulnerabilidades à qual está atrelada grande parte dos adolescentes brasileiros é a exploração do trabalho infantojuvenil, o que é uma realidade no Brasil, ainda que a legislação do País proíba o trabalho formal até os 16 anos, exceto como aprendiz, e a partir dos 14 anos. Além da baixa escolaridade e da exploração do trabalho, o relatório aponta diversas outras falhas e vulnerabilidades, como “a privação da convivência familiar e comunitária, os homicídios e a exploração e o abuso sexual a que são expostos cotidianamente garotos e garotas em condições desfavoráveis em termos socioeconômicos e étnico-culturais”. Essas vulnerabilidades acaba por reproduzir o ciclo de miséria no qual estiveram inseridos seus pais. Entre as problemáticas merecem atenção acurada a situação de vulnerabilidade a que está submetida parcela significativa dos adolescentes brasileiros, as quais “não afetam da mesma forma seus 21 milhões de indivíduos, sendo agravadas por diferentes desigualdades”: [...] nascer branco, negro ou indígena, viver no Semiárido, na Amazônia ou em comunidades populares de grandes centros urbanos, ser menino ou menina, ter ou não deficiência, são fatores que ainda determinam as oportunidades na vida desses adolescentes (pg. 50). Os indicadores sinalizam para o fato de que esta condição leva a outras vulnerabilidades, que incluem a ultrapassagem da linha que leva à inserção de garotos e garotas no Sistema de Justiça Juvenil. De acordo com Elza Machado, várias são as explicações para se pensar a violência e o engajamento nela: Para se obter vantagem econômicas, sociais, políticas e vencer a luta pela sobrevivência; e ou perda do reconhecimento, quaisquer que sejam a causa desta perda – ideológicas, sociais, familiares ou individuais. Afirma ainda a autora que: A entrada da violência ‘traz a marca de uma subjetividade esmagada’, ou e consequência de comportamentos patológicos; segue-se a corrosão de valores e normas, vínculos e identidades e solidariedades, enfim, à fragmentação e dilaceramento do tecido social e das estruturas que produzem sentido e/ou e o resultado de uma situação onde a violência é elevada a condição de norma legítima pela qual os sujeitos são socializados. (MELO, 2010. p 13) A partir do trabalho, verifica-se que os adolescentes participantes das oficinas pedagógicas retratam o atual quadro da infância e da adolescência em situação de risco no Brasil. A partir de situações que observamos, foi possível sentir e ver o abandono e a violência sofrida por crianças e adolescentes, em um contexto de alta vulnerabilidade pessoal e social, o que representa um obstáculo para o pleno desenvolvimento e para realização dos direitos dos adolescentes brasileiros, do preparo para cidadania, garantindo a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. 3. CONCLUSÃO A Pesquisa mostrou que a educação é vista como um caminho para a mobilidade social ascendente por muitos homens e mulheres oriundos de camadas populares e também o é pelos adolescentes pesquisados. Os adolescentes trazem consigo toda a carga de condições socioeconômicas desfavoráveis do mundo em que vivem, marcadas pela baixa escolaridade, a exploração, o abuso sexual, os homicídios, todo tipo de violência física e simbólica e a cor da pele, a carga, de “crianças alfabetizadas nas ruas” que tem seus direitos violados. Entre eles, o direito ao pleno desenvolvimento educacional, ao preparo para a cidadania, para trabalho, garantindo a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. A relação entre o ambiente natural e social violento em que os adolescentes se desenvolvem, resulta a violência como condição de norma legítima pela qual os sujeitos são socializados. Nesse sentido, a educação merece destaque ao possibilitar a formação de uma consciência esclarecida para o processo do defrontar-se criticamente e de construir alternativas de vida, para que os adolescentes tenham seus direitos garantidos. Os estudos mostram que é necessário a implementação de políticas públicas de promoção de saúde, que visem à transformação da realidade social em que vivem os adolescentes, a fim de fomentar oportunidades de estabelecer relações positivas e propositivas para os adolescentes cumpridores de medidas socioeducativas internação. Somente desta forma alcançaremos uma sociedade justa e solidária. E este é um desafio colocado para todos os campos do conhecimento e não somente para a educação. REFERÊNCIAS BERGER, P. L; LUCKMANN, T. A construção social da realidade. 16.ed. Petrópolis: Vozes, 1998. BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Panorama Nacional. A execução das medidas socioeducativas de internação. Programa Justiça ao Jovem 2012. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/ images/pesquisas-judiciarias /Publicacoes/panorama_nacional_ doj_ web. pdf>. Acesso em: 25 abr. 2015 BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público. 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